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Lisbela e o Prisioneiro COMPLETO_

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									      Lisbela e o Prisioneiro – 1º ano “B”



Personagens:
Lisbela: Fernanda Dias
Leléu: Fábio Oliveira
Douglas (Carioca): Rodrigo Morquecho
Cabo Citonho (Guarda): João Cláudio
Frederico Evandro (Matador): João Alves
Inaura: Mariana Araújo
Delegado: Gabriel Cortez
Francisquinha: Bárbara Sá
Narrador 1: Thayná Lima
Narrador 2: Marta Vasconcelos
Mulher 1: Laís Lima
Mulher 2: Bárbara Barbosa
Mulher 3: Isabella Oliveira
Mulher 4: Stela Moura
Mulher 5:
Mulher 6:

Cenário: Cinema




Lisbela – Muito longe, termina distraindo
(mudam de poltrona)
Lisbela – Perto demais! Tem que ficar bulindo os olhos pra ver a cena
(mudam de poltrona)
Lisbela – A gente tem que sentar numa distância certa da tela
Carioca – Aqui ta beleza ?
Lisbela – Não, um tiquinho mais pra lá... Aqui.
Carioca – Mas porque aqui ?
Lisbela – Porque aqui na frente tem dois casais e no meio deles um lugar
vazio. Pouca gente vem ao cinema sozinho, aí vai ficar essa brecha aqui na
frente.
Carioca – Mas na minha frente ficou o maior cabeção aí
Lisbela – Quando começar ela vai arriando na cadeira, cê vai ver!
Carioca – Lisbela, tu é escoladona em assistir filme ein
Lisbela – Shhh!
Carioca – Pô mas nem começou ainda!
Lisbela – Mermo assim! Antes do filme se fala baixinho.
Carioca – Parece que a gente ta rezando aí
Lisbela – Eu adoro essa parte. A luz vai se apagando, devagarzinho. O
mundo lá fora vai se apagando, devagarzinho. Os olhos da gente vão se
abrindo, daqui a pouco a gente num vai nem mais lembrar que ta aqui
Carioca – Pô! É preto e branco aí
Lisbela – Eu acho bonito
Carioca – Atrasado de montão, aí. Lá no rio de janeiro só passa filme
colorido... Que tipo de historia vai ser ?
Lisbela – Comédia romântica com aventura. Tem um mocinho namorador
que nunca se apaixonou por ninguém até conhecer a mocinha. Tem a
mocinha que vai sofrer bem muito por causa do mocinho! Tem um bandido
que quer matar o mocinho. Tem uma mulher que também quer o mocinho
mas ele não quer nada com ela. E também mais uma ruma de personagem
que vão ficar fazendo graça.
Carioca – cê já viu ?
Lisbela – Não. Mas é sempre assim.
Carioca – qual é a graça ?
Lisbela – A graça não é saber o que acontece. É saber como acontece e
quando acontece. a gente vai conhecer um monte de pessoas novas. Um
monte de problemas que a gente não pode resolver que só eles podem.
Vamo ver como. E quando. Está começando.




(praça)

Leléu –O que eu trago aqui para vocês não é milagre nem macumba! A
mercadoria que tenho a oferecer não cura todos os males mas sim o
principal: O mal de amor!Mas se tomar o remédio que eu apresento a vocês
vai ficar igualmente a um galo de raça. Agora eu vou botar a venda a mais
nova invenção da mais nova invenção científica.



(praça, algumas horas depois)
Mulher 1 – Você tem diploma de salafrário né?
Leléu – tenho... Mas é falsificado
Mulher 1 – Gaiato. Sua garrafada não serviu de nada viu?dei o frasco
todinho e meu marido continua lá derrubado todo mole acabado
Leléu – Pronto, é que pra marido tem que ser mais concentrado né... E o
seu remédio eu misturei com água que é pra ter o gosto de lhe ver de novo
Mulher 1 – E como é que fica meu prejuízo?
Leléu – e a senhora quer o seu dinheiro de volta ou a satisfação garantida?
Mulher 1 – Olhe aqui eu não lhe dei ousadia viu?e eu lá lhe conheço?
Leléu – Manoel Felício! Mais conhecido como Mané gostoso... E olhe que eu
não ganhei esse apelido de graça.
Mulher 1- Porque é que todo propagandista ementiroso?
Leléu – É nada!
Mulher 1 – É sim!
Leléu – Eu prometo te indenizar pelo tempo desperdiçado, pelo dinheiro
gasto e pelas esperanças perdidas.
Mulher 1 – Se depender do seu xarope...
Leléu – E eu lá preciso disso? Dona...?
Mulher 1 – Prazeres
Mulher 2 – Tônia
Mulher 3 – Marilda
Mulher 4 – Doralice
Mulher 5 – Selma
Mulher 6 – Das dores
Mulher 1 – Prazeres
Leléu – Vixe de novo é?
Mulher 1 – E então?é por isso que meu nome é no plural!
Leléu – E isso lá é nome? isso é um reclame do seu produto

(praça)
Mulher 1 – Já vai embora meu nego?
Leléu – Viver é que nem andar de bicicleta, dona. se parar cai!
Mulher 1 – Porque você não me leva contigo?
Leléu – Eu já te carrego aqui dentro de meu coração.

(em frente a casa de Lisbela)
Carioca – Saca só que casal atraente. Vamos ter filhos lindos
Lisbela – É mas num ta na hora ainda não, o casamento é só no mês que
vem
Carioca – Então, broto¿ Falta tão pouquinho...
Lisbela – Vai querer jantar na hora do almoço é?
Carioca – é que quanto mais a hora vai chegando, mais fome vai dando
Lisbela–Tenha modos! Eu quero me casar de branco, e passar a lua de mel
no rio de janeiro, tudo direitinho!
Carioca – você vai se amarrar no rio de janeiro... Vou te levar pra conhecer
um monte de lugar bacana.
Delegado – Hora de recolher, dona Lisbela! Filha minha dorme antes das 9.
Lisbela – Ave Maria pai, eu já sou quase casada!
Delegado- é minha filha, mermo depois de casada você vai ter que tomar
certos cuidados.
Lisbela – que cuidados meu pai?
Delegado – É que... Na primeira noite, depois do casamento... Acontece
que... Acontece um troço.
Lisbela – Um troço?
Delegado – É, filha... A moça torna-se mulher... Ah, que falta que sua mãe
me faz
Lisbela – Ô pai o senhor ta querendo me falar de sexo?
Delegado – Qué isso menina me respeite! É nisso que dá ficar vendo essa
pouca vergonha no cinema
Lisbela – Ah já sei... É sobre beijos na boca
Delegado – Um pouquinho mais...
Lisbela – É sobre ter filhos?
Delegado – Um pouco menos. Ta no meio, entre beijar e ter filhos. Minha
filha, é que na primeira noite, na noite de núpcias, às vezes o homem pede
certas coisas que você não deve atender
Lisbela – Mas eu não devo obedecer ao meu marido, pai?
Delegado – Deve minha filha, deve...
Lisbela – Mas eu devo ou não devo?
Delegado – obedeça, minha filha, obedeça... Masobedeça o mínimo
possível!




(praça)
Leléu - povo de boa vista! Essa vida é um vale de lágrimas. Hoje a noite,
vocês alcançarão a graça divina assistindo ao magnífico espetáculo, a
paixão de cristo. (vê Inaura, abre a mala, distribui as roupas)
Inaura – Ei... Ainda tem vaga, aí nesse teatro?
Leléu–Ô beleza... Ah, meu pai, assim não há Cristo que agüente
Inaura – Tô lhe achando gaiato demais pra fazer Jesus!
Leléu – Ah, mas já você dá certinho pra Maria madalena...
Inaura: É nada! Eu quero mermo é fazer Nossa senhora
Leléu – sim mas todo mundo quer mas é besteira. Nossa senhora era a
melhor pessoa do mundo. Já Maria Madalena, era mulher da vida e virou
santa.

(ocorre peça, chuva, todos correm, Inaura entra em casa)
Inaura – Ai!
Leléu – Ressuscitei
Inaura – Ave Maria que susto! hahahaaaaa
Leléu – Assustou?
Inaura – Pensei que era um ladrão
Leléu – Ladrão fica nas cruz das pontas, menina, a minha era a do meio!
Inaura – Pois a minha cruz é você, que não me deixa em paz.
Leléu – Pronto, pois empatou, que a senhora também roubou o meu
sossego. e desde que lhe vi não penso em outra coisa, a não ser nesse
corpo escultural
Inaura – É? Não caio na sua conversa não viu? vi bem o senhor agarrado
com meia dúzia de pernas magras por aí.
Leléu – (abaixando o zíper do vestido de Inaura) tava treinando pra não
fazer feio quando chegasse na frente de uma belezura com seu encanto,
dona Inaura
Inaura – Cê deu sorte que meu marido foi pro serviço
Leléu – A senhora não me disse que era casada
Inaura – Ouxee num conhece ele não é?ele é tão famoso
Leléu – Já sei ele é artista
Inaura – Não, ele é matador
Leléu – (fecha o zíper de Inaura)
Inaura – Frederico Evandro
Leléu – É, um nome muito bonito
Inaura – Mas ele é mais conhecido como vela de libra
Leléu – E porque esse diabo de nome tão esquisito?
Inaura – Toda vez que ele arranca a moela de um cristão, vai na primeira
igreja que encontra, acende uma vela de libra e reza um pai nosso pela
alma do defunto
Leléu – Mas, sacar a moela porque? Que negócio...
Inaura – Por encomenda... Se depender de Frederico, o céu vai ficar é
lotado!



(casa do matador)
Inaura – Que pressa é essa meu bem?
Leléu – Só posso morrer uma vezpor dia, ordens do médico.
Inaura – Pois eu se morresse hoje morria feliz
Leléu – Vamo parar com esse assunto de morte
Inaura – E que tal a gente voltar pra esse outro assunto?
Leléu – É que esse assunto leva a outro
Inaura – Frederico viajou homi, volta hoje mais não, deixe de medo!
Leléu – Medo¿ e eu lá sou homem de ter medo de homem?
Frederico – Inaura?
Inaura – Meu marido!
Leléu – Valha me deus!
Frederico – Quem tá ai?
Inaura – Aí?aí aonde?
Frederico – Aí onde você tá
Inaura – Ah, aqui... Você falou “aí”
Frederico – Tu tá lesa é? (entra em cena)
Inaura – Aqui onde estou, estou eu, Fredeirco
Frederico – Mas tinha uma voz de homem aqui dentro
Leléu – (imitando rádio) Essa é a rádio esperança, a 700 megahertz, a
última que morre
Inaura – É o rádio
Frederico – Olha!
Inaura – O que?
Frederico – (toma um gole) no rádio... (toca espumas ao vento – Elza
Soares; Inaura e Frederico dançam)
Frederico – Lembra?quando eu te conheci no cabaré, tava tocando essa
música...
Inaura – Oxe isso faz é tempo Frederico
Frederico – Mas você tá cada vez mais apetitosa
Inaura – É que tu tava fora... A fome é o melhor tempero
Frederico – Então... Vamos usufruir (puxando Inaura pro quarto)
Inaura – Ai de novo...
Frederico – De novo como? Se eu acabei de chegar?
Inaura – Ai... é que tu vive saindo e chegando toda hora meu bem, chega
eu me confundo...
Frederico – E esse rádio?
Inaura – Que é que tem?
Frederico – (pegando a arma) Parou porque?
Inaura – Eu to ouvindo bem baixinho!
Leléu – (cantando)
Frederico – (desliga o rádio) Mas o que é que deu nesse rádio que eu
desliguei e continua falando?
Leléu – É que a pilha é nova...
Frederico – Tem um homem aqui dentro! (barulhos de tiros, Leléu foge e
Frederico vai atrás e pega o cartaz da peça na mão de Leléu)




(circo)
Leléu – Quem veio primeiro? O ovo ou a galinha? Hoje a ciência dá a
resposta: Foi o macaco. Todos nós somos descendentes da raça dos gorilas!
é exatamente o que os senhores vão ver assistindo a transformação dessa
linda mulher em um de nossos ancestrais
Carioca – Tudo armação aí! No rio de janeiro isso é proibido!
Lisbela – Vamo, Douglas! deve ser igual aquele filme: metamorfoses da
alma, que o doutor Steve vira monstro
Carioca – Pra essa Paraíba virar macaco falta tão pouco que a entrada devia
ser franca
Lisbela – (entrando)
Leléu – Pra moça bonita e desacompanhada a entrada é franca
Carioca – Quanto é que é mermo ein?
Leléu – Pra entrar é 4 cruzeiros
Carioca – 4 cruzeiros?
Leléu – Muito obrigada
Carioca – Por um ingresso?Mas isso é um roubo aí! (paga e vai em direção a
entrada)
Leléu – E mais 2 cruzeiros pela entrada da moça
Carioca – Tu pirou cara? Tu num falou que a entrada dela era franca?
Leléu – Justamente, chefe. Desacompanhada. Mas se o senhor entrar, ela
passa a estar acompanhada, portanto, pagante.
Carioca – Eu quero meu dinheiro de volta! Vou embora!
Leléu – Pronto, isso é de graça
Carioca – Vou pegar meu broto imediatamente
Leléu – Pra entrar é 4 cruzeiros
Carioca – Mas eu não vou ficar!
Leléu – Mas o preço é pra entrar, não é pra ficar!
Carioca – Isso é um absurdo! Vou chamar a polícia
Leléu – Pronto, pra a polícia é de graça

(lá dentro)
Leléu – Agora vai ocorrer a metamorfose!
(todos gritam e saem correndo, gorila segura Lisbela e fecha sua boca com
as mãos, toca “a deusa da minha rua”, Leléu tira a máscara)
Lisbela – Eu sabia que truque
Leléu – E a melhor parte foi sumir com todo mundo
Lisbela – Como é que faz a transformação?
Leléu – Eu vou lhe mostrar. Viu como é esse simples efeito de luz?
Lisbela – É como uma máquina do tempo... fazendo a gente virar o que foi
a milhares de anos atrás.
Leléu – Mas pode funcionar também como uma máquina do amor.
Lisbela – Não existe máquina pra isso
Leléu – Quando a gente ama uma pessoa, o que a gente mais quer nesse
mundo?
Lisbela – Ah, é ficar bem juntinho dela
Leléu – Pronto. Tão juntinho, tão juntinho, que como diz o poeta,
transforma-se o amador na coisa amada. Por virtude do muito imaginar.
Não tem logo mais que desejar. Pois já tenho em mim a parte desejada.
Lisbela – Achei mais bonita ainda essa máquina do amor
Leléu – Pois então fique bem quietinha, e feche os olhos. Eu vou lhe
mostrar como é que funciona a máquina do desejo. Eita, cadê?
Lisbela – É que eu liguei a máquina da ilusão! (sai de cena, Leléu acha o
lacinho dela; toca “A deusa da minha rua – Zélia Durkan)
Coronel – Vou lhe ensinar a respeitar minha filha, ouviu?O estabelecimento
tá fechado até a segunda ordem, e o senhor trate de passar na segunda
feira delegacia pra tirar a licença municipal.
Leléu – Meu chefe, tenha paciência, o senhor é humano, nós somos
brasileiros, eu só estou arrumando meu pão
Coronel – Da próxima vez eu lhe meto na cadeia.
Carioca – Quero ver você quebrar as grades de lá (imita um gorila)

(Bar)
Matador – Você mora nessa cidade?
Carioca – infelizmente...
Matador – Conhece esse sujeito aqui? (mostrando a foto)
Carioca – Não seria... Jesus Cristo? (ri)
Matador – Tá me achando com cara de crente é? O nome dele é Patrick
Mendel...
Carioca – Num conheço não senhor...
Matador – (tom grosseiro) Não conhece?
Carioca – (assusta) Mas, teria muito prazer em ser apresentado...
Matador – E pra que você quer conhecer esse cabra safado?
Carioca – Pra sentar uma bolacha nesse mané!
Matador – Não lhe ofereci parceria! Eu venho desde Boa Vista no rastro
desse homem... atrás de beber o sangue dele...
Carioca – Ahhhhhbrother! O senhor é de Boa Vista?
Matador – Boa Vista é um lugar muito macho. Basta dizer que lá só se usa
gravata preta
Carioca – E porque?
Matador – Porque todo mundo sempre tá de luto de algum parente que
morreu na faca. E o senhor? É da onde?
Carioca – Sou daqui mesmo
Matador -E porque que não fala que nem homem?
Carioca – É que eu estudei muitos anos lá no Rio de Janeiro
Matador – Isso é terra de frouxo.
Carioca – Lá o povo é manso por causa da praia...
Matador – Um lugar desse eu num quero passar nem na redondeza. Aqui
em Vitória, já acho meio desmoralizado...
Carioca – O senhor tá de passagem?
Matador – (saindo) Tô nada... Vou ficar na tocaia daquele miserável, que
ele deve tá por perto.
Guarda – (Abaixado, mechendo na gaiola do passarinho)
Matador – (Cospe no Guarda)
Guarda – (apontando uma faca) Quem é o senhor, pra desacatar
autoridade¿
Matador – Vou lhe avisando uma coisa sujeito! (Puxa pela gola da farda)
Num gosto de poesia pro meu lado... Comigo é no braço
Guarda – Ah sim senhor! Agora fiquei bem informado!
Matador – (Joga o guarda no chão) Fique sabendo também... Que eu tenho
mais raiva de polícia do que de cachorro doido! E que meu nome é
Frederico Evandro! Apelidado vela de libra! Quer saber porque?
Guarda – faço questão não senhor (saindo)
Matador – (puxa) E vamo soltando esse passarinho que eu não gosto de ver
ninguém preso
Guarda – Agora!


(Praça, Leléu e Frederico andam pelo palco, toca “a dança das borboletas”)
(Povo correndo e gritando, entra um boi, Frederico prepara para atirar,
Leléu entra no meio e derruba o boi)
Leléu – Boi e corno a gente derruba pelo chifre!
Matador – Venha cá rapaz! Eu quero falar com você!
Leléu – E você lá é meu pai pra me dar ordem?
Matador – Sou não. Mas sou alagoano. E macho. Pronto.
(Matador aponta uma arma pra Leléu e ele mata uma mosca)
Leléu – O que é que o senhor quer comigo hein, diga logo que eu to com
pressa
Matador – Perai rapaz! Você salvou a minha vida. Eu morria mas não corria
atrás daquele boi.
Leléu – E eu num vi homi?
Matador – Escuta aqui menino! Você é muito homem. Você não me viu com
esse revolver na mão?
Leléu – Se vi
Matador – Pois foi coragem muita! (bate na cara de Leléu) Você se meteu
entre a cruz e a caldeirinha! De um lado o chifre do boi, do outro o meu 38!
Você podia morrer de duas mortes!
Leléu – Isso é que não, chefe... A morte é um cobrador muito sério... Num
dá documento, mas só recebe uma vez.
Matador – Você me parece que é corajoso e sabido... É bom dever favor a
um homem de coragem, porque quem tem coragem não gosta de viver
pedindo ajuda... E o que é que você quer em pagamento?
Leléu – É muita bondade sua...
Matador – Deixe disso rapaz! Mande o serviço que eu posso lhe livrar de um
inimigo seu
(Atira, Leléu se assusta)
Leléu – Que diabo de favor é esse que o senhor quer me fazer? O senhor
quer matar um homem?
Matador – Cada um dá o que tem. Se eu tivesse aprendido a fazer renda eu
trazia uma peça de bico pra você. Diga o nome rapaz! Aproveite a
liquidação!
(Atira denovo, Leléu se assusta)
Leléu – Minha nossa senhora! Você teria mesmo coragem de matar um filho
de Deus sem motivo nenhum?
Matador – Coragem num tenho não, eu tenho é costume! Vamo falar
claro... O senhor não tem inimigos?
Leléu – Tenho. Mas eu quero todos vivos. Um homem deve ter inimigos. Se
fosse assim eu também matava a morte, a covardia, o delegado safado, a
velhice, a doença... Deixe meus inimigos vivos, viu? Num bula com eles não!




(Casa de Lisbela)
Guarda – Um boi brabo soltou-se na rua do comércio tenente!
Coronel – Feriu alguém, homi?
Guarda – Não... Mas fez um furdunço danado!
Lisbela – Eita que eu perdi essa!
Guarda – O boi largou-se pra cima de um sujeito
Coronel – Que sujeito?
Guarda – Frederico Evandro. Depois do ocorrido eu prossegui uma
investigação.
Lisbela – E o boi?
Guarda – Chamava furacão
Lisbela – Não, homi! O boi pegou o tal sujeito?
Guarda – Aí é que vem a melhor parte da história. Um sujeito se meteu da
frente do boi e salvou ele.
Lisbela – E o que aconteceu depois?
Guarda – E acha pouco? Que é que a senhora queria que acontecesse mais?
Lisbela – Muita coisa...



(Delegacia)
Leléu – Com licença, sargento...
Guarda – Cabo... Cabo Citonho, às suas ordens!
Leléu – Eita mas o senhor tem toda a pinta de sargento!
Guarda – Conversa!
Leléu – Eita masesse mundo é danado! O cabra nunca é o que nasceu pra
ser! Você é cabo, mas nasceu pra ser sargento.
Guarda – Quem sou eu... Mas diga lá! Em que posso servi-lo?
Leléu – Vim dar entrada num documento pruma licença munincipal... Ow,
quanto é que o senhor quer nesse passarinho?
Guarda – O de baixo eu vendo por 70 mas só se levar o de cima
Leléu – E quanto é o de cima?
Guarda – É 100
Leléu – Vige! Quem canta é o de baixo homi!
Guarda – O de baixo canta, mas o de cima é o compositor
Leléu – Ce gosta mermo de passarinho

(Cinema)
Leléu – Leléu Antônio da Anunciação... Seu criado.
Lisbela – Muito prazer, Lisbela.
Leléu – Eu vim devolver esse lacinho... Que a senhora perdeu lá no parque
Lisbela – Ah, obrigada.
Leléu – Agora, a senhora já me conhece... E eu conheço a senhora... Mas a
gente ainda não se conhece junto... Então eu pensei,vamo dar uma volta¿
Pra gente ficar se conhecendo¿
Lisbela – (muda de cadeira) Me desculpe mas eu sou noiva.
Leléu – A senhora tem vontade de ser artista de cinema é¿
Lisbela – Hm, meu filho, eu num sou nem americana pra ser artista
Leléu – Hmm, minha filha! Nunca ouviu falar em artista nacional não é¿
Lisbela – Mas história de amor, bonita mesmo, só nesses filmes...
Leléu – É mas... Quando a mocinha é nacional é bom que o beijo já vem
traduzido
Lisbela – Deixe de ser besta que eu não lhe dei essa ousadia!
Leléu – A senhora é doce... Como uma chuva de caju... E linda... Como o
vento, num pasto bem grande. Dona Lisbela... A senhora pra mim... É a
bandeira brasileira... Uma bandeira bem grande... é o mastro da senhora é
eu.
(Se beijam)
Lisbela – Parece que estou ficando doida...
Leléu – Parece até que eu to sonhando...
Lisbela – É mas chegou a hora de acordar (levanta)
Leléu – (levanta) Acordar pra que¿ Vamo ver o fim do filme... (Segura o
braço de Lisbela) Aposto que ele tem um final feliz...
Lisbela – Melhor não, Leléu... Histórias como a nossa costumam acabar mal.
Leléu – A nossa num acaba é nunca. Quando mais amor eu sinto mais falta
pra sentir
Lisbela – Um dia termina... Vai dizer que nunca gostou de outra mulher
antes¿
Leléu - É a primeira vez que eu gosto só de uma pra sempre. Minha vida se
encaixa na sua, dona Lisbela... Tudo se encaixa na minha vida...
Lisbela – Eu não devia lhe dizer... Mas eu to me derretendo toda por você...
Coração mole, as perna bamba, as mão molhada... Chega fazer medo!
Leléu – Eu tenho medo também... Mas eu num tenho medo de ter medo
Lisbela – O que é que vai ser de minha vida, Leléu¿
Leléu – O que a senhora quiser fazer dela
Lisbela – Eu num sei direito... Quer dizer, eu sei mas não é direito
Leléu – Mas eu tenho direito de saber. Eu posso voltar aqui pra lhe ver?
UM RIO DE LÁGIMAS
Lisbela – Mas você num sabe que eu sou noiva¿
UM INCENDIO DE PAIXÕES
Leléu – E a senhora ainda vai ter coragem de casar com ele¿
UM ALVOROÇO DE SENTIMENTOS
Lisbela – E o que é que você quer que eu faça¿
NÃO PERCA NO PRÓXIMO EPISÓDIO DE: UM CORAÇÃO DESPEDAÇADO
(toca “você não me ensinou a te esquecer, Lisbela provando o vestido de
noiva e chorando)

(Casa de Lisbela)
Carioca – Bora brotoooo! Depois você reclama que perdeu o início do filme!
Lisbela – Se você não se incomodasse eu preferia ir sozinha...
Carioca – Mas é claro que eu me incomodo! Você marcou comigo!
Lisbela – Eu passei a noite toda tentando decidir o meu destino... Eu não
sabia que ele já estava traçado... Era como sacudir uma moeda, pra cima...
E ver ela caindo, sempre do mesmo lado.
Carioca – Que papo é esse¿ Que moeda?
Lisbela – O jogo do amor. E você perdeu, Douglas.
Carioca – Perdi o que, se eu nem joguei¿
Lisbela – Pois é... Você nem jogou... E Leléu apostou todas as fichas.
Carioca – E o casamento¿
Lisbela – Cancela
Carioca – E os presentes¿
Lisbela – Devolve
Carioca – E o meu terno¿
Lisbela – Reforma
Carioca – Você tá me trocando por aquele macaco¿
Lisbela – A minha vida se encaixa na dele


(Parque)
Leléu – Nesse momento, cabo... Minha sorte está correndo na roda do
destino.
Guarda – Cuidado, seu Leléu, que dona Lisbela o primeiro prêmio é a
cadeia! (saindo de cena)
Leléu – Prisão maior que tem é viver longe dela... Eita! Parece que o prêmio
chegou antes da hora... E aposto que veio com um lacinho rosa no cabelo...
Inaura – Que lacinho rosa é esse¿
Leléu – Tu num recebeu não foi¿
Inaura – Não...
Leléu – O lacinho, rosa, com o coisinha, que eu tinha, lhe mandado de
presente
Inaura – (jogando o chiclete no chão) Tava com saudade de mim¿
( toca “espumas ao vento”)
Leléu – Num tava me agüentando... Glória...
Inaura – (empurrando Leléu) Quem é Glória aqui¿ Eu sou Inaura, seu
conquistador de meia tigela! (tapa na cara)
Leléu – (segura a mão de Inaura antes do tapa) Eu sei... (gira Inaura) É
que você é a glória de minha vida... (beija a mão) Que eu sou doido por ti,
Inaura... Num lhe troco por uma carreta!
Inaura – Eu também sou doida por ti, arriada os quatro pneus!
Leléu – Pronto, então, me diz onde está morando que eu passo outra hora
pra lhe visitar
Inaura – Eu vim morar com tu, rapaz!
Leléu – Ah foi, é¿
Inaura – E então¿ Olhe, foi um custo pra lhe encontrar, ave Maria! Agora
num largo mais.
Leléu – Você num está sendo meio precipitada¿
Inaura – O amor é um precipício. A gente se joga nele, e reza pro chão
nunca chegar!
Leléu – Inaura, pense direito... Depois você se arrepende...
Inaura – Oxe! E você quer que eu vá pra onde¿ Eu larguei tudo pra ficar
contigo, homi... Se eu voltar pra casa o meu marido me mata!
Leléu – Mas se ele me pegar contigo ele me mata também!
Inaura – Hm, besteira... Isso ele já ia fazer de todo jeito
Leléu – Eu to apaixonado, Inaura... Por outra mulher
Inaura – Você num tinha me falado de mulher nenhuma
Leléu – Foi depois de eu te conhecer...
Inaura – Ah... Tinha me esquecido da rapidez que você se apaixona...
Leléu – Dessa vez foi de verdade...
Inaura – Comigo, então, foi de mentira...
Leléu – Eu não sabia ainda como era de verdade
Inaura – (fechando a mala) Com você eu sempre soube que era de
verdade. E ela¿
Leléu – Também quer ficar comigo
Inaura – Mas eu te amo mais do que ela! Porque eu quero ficar com você
mesmo sabendo que você não quer ficar comigo. Por isso, foge comigo,
Leléu! Frederico tá vindo atrás de nos matar!
Leléu – Por mim eu ficava e morria
Inaura – Mas por mim você vai ter que fugir e viver, se não eu morro
junto...
Leléu – Desistir de um amor verdadeiro, Inaura, é igual a morte!
Inaura – Morte num é igual não, é só uma. Amor pode nascer outro...
Leléu – Meu amor por ela é um só. Não existe outro...
Inaura – Mas você vai ter que esquecer essa moça
Leléu – Como é que eu posso me esquecer de Lisbela¿
Inaura – Frederico!
Leléu – Não, não, num vamo incomodar Frederico
Inaura – Frederico tá vindo aí fora homi! Descobriu a gente!!
Leléu – Pera pera!
Inaura – Vamo embora homi!
Leléu – Tá na hora do seriado
Inaura – Isso é lá hora de assistir filme, homi¿
Leléu – Dona Lisbela tá me esperando no cinema, deixe eu pelo menos me
despedir dela!

(cinema)
Lisbela – Chegou bem no finzinho!
Leléu – Muito... Suspense¿
Lisbela – Muito! Eu fiquei só pensando se você ia chegar
Leléu – Eu... Tive um... Compromisso de última hora... E o seu noivo¿
Lisbela – Eu pedi pra ele não vir porque eu pensei que você vinha.
Leléu – E não vim¿
Lisbela – Veio... Mas tá com cara de quem não vem mais.
Leléu – Pense bem, Lisbela... Você vai largar tudo que tem só pra a gente
ficar junto¿
Lisbela – Eu vou, largar tudo que tenho. Agora, se é pra a gente ficar junto,
você é que tem que dizer!
Leléu – A gente num deve se precipitar... O amor é um precipício... Quando
a pessoa acha que tá voando, talvez já esteja caindo...
Lisbela – Agora é tarde. Eu já pulei,Leléu. Eu já sei, veio dizer que vai
embora.
Leléu – Quem disse¿
Lisbela – É igualzinho no cinema... A mocinha está ansiosa, esperando o
mocinho... E finalmente eles se encontram... Ele vem se aproximando, e ela
acha que é pra dar um beijo... E o mocinho vai mudando de assunto, que é
sinal que já tem uma desculpa pra se livrar dela.
Leléu – Lisbela...
Lisbela – Não, nem precisa dizer mais nada, você vai me largar!
Leléu – Lisbela não..
Lisbela – Ah é, e tem também essa parte, ele vai dizendo que é algum
motivo de força maior que eu prefiro nem ficar sabendo. Porque ou é
mentira... Ou eu vou ficar gostando ainda mais de você.
Inaura – Tá na hora Leléu
Lisbela – Viu¿ Era mentira
Leléu – Desculpa Lisbela, eu vou ter que fugir com essa moça
Lisbela – Motivo de força maior
Leléu – É questão de vida ou morte
Lisbela – Eu entendo... Éa vida dela e a minha morte. (sai)
Leléu – Olha aí, vai ficar achando que eu não gosto dela
Inaura – E eu que você gosta de mim... É melhor deixar nós duas na ilusão
Leléu – Porque será que Deus vive entortando meu destino¿
Inaura – Pro seu destino se juntar com o meu, ó... Ele escreve certo com
linhas tortas
Leléu – Ah, mas quem é bom Deus ajuda
Inaura – Ah, ajuda muito, botando o homem mais brabo do nordeste pra te
pegar
Leléu – E se eu enfrentasse Frederico¿ Salvava a sua vida, a minha e a de
Lisbela
Inaura – É mais fácil você topar com um boi desembestado
Leléu –Eita, com esse boi eu já topei!
Inaura – Tais doido é Leléu¿
Leléu – Eu lembrei de um amigo valente que eu salvei de um boi brabo e
que jurou me livrar de um inimigo meu em pagamento!
Inaura – Mesmo se o inimigo for Frederico¿ Cê acha que ele cumpre¿
Leléu – Oxe na hora! Aquilo mata e morre por mim!




Rua:



CARIOCA:- Ta chorando por causa do filme, é?

LISBELA:- To chorando por causa de minha vida.

CARIOCA:- Ah, tá chorando por causa do macaco.

LISBELA:- O filme de minha vida foi um fracasso! Leleu morreu pra mim.
CARIOCA:- Vai morrer pra ele mesmo também.

LISBELA:- O que você vai fazer Douglas?

CARIOCA:- O que todo homem tem que fazer.

LISBELA:- Não precisa fazer isso Douglas, lembrar do passado é sofrer duas vezes.

CARIOCA:- Num dá gatinha! Eu vou ter que dá uma de macho.

LISBELA:- E se em vez dele morresse você?

CARIOCA:- Fica tranqüila! Não vai acontecer nada comigo.

LISBELA:- Leleco está indo embora vamos esquecer isso. Foi um filme ruim
pronto!(Chorando) Agente sai no meio.

CARIOCA:- É isso ai! Vamos voltar pra nossa historinha de amor.

LISBELA:- Promete que não vai machucar ele?

CARIOCA:- Prometo pode ficar tranqüila! Quem vai matar é Frederico Evandro. O cara
tem mais de 30 mortes nas costas. (Muda a cena)



Bar



LELEO:- O moço.

FREDERICO: (Se levanta)

LELEO:- Eu não sou caranguejo não. Mas andei pra trás naquela promessa do senhor.

FREDERICO:- Pensava que não matava inimigo.

LELEO: Nesse caso ou eu mato ou eu corro, ágora o senhor mata enquanto eu corro.

FREDERICO: Chegou em boa hora.(Engatilha a pistola)

LELEO:Justamente chefe, e vim pedir a sua ajuda.

FREDERICO:- Agora, conte o nome do cristão.

LELEO Eu sei que o cabra é um corno manso, fica por aí se fingindo de bravo, e tem um
nome ridículo de um cantor de radio, Frederico Evandro.

(EFEITO Sonoro)
LELEO:- O senhor conhece?

FREDERICO:- Já ouvi falar, tem coragem feito uma onça.

LELEO:- Só se for uma onça morta, se ele fosse brabo eu estaria vivinho agora, depois
de bulir na mulher dele?

FREDERICO:- (Se senta)

FREDERICO:- Acho que não.

LELEO:- Ele é de Boa vista.

FREDERICO:- É um lugar de macho. (Pega cartaz)

LELEO:- É nada ômi! Os cabra de lá, pode até não ser baitola ainda, mais já tão com o
alvará de funcionamento.

FREDERICO:- Pode deixar o serviço por minha conta.

LELEO:- Eu to doido pra ver o sujeito estirado.

FREDERICO:- Só não garanto você ver o corpo.

LELEO:- Não carece, eu confio no senhor.

FREDERICO:- Que cabra é esse que não vê o serviço, mais fácil do mundo.

LELEO:- Mas tu é mais ligeiro que raposa.




Cinema: lisbela e Inaura

Lisbela – Leleo?

Inaura – O que você quer com ele?

Lisbela – Olhe, eu sei que ele gosta mesmo é de você, e eu até tenho raiva disso. Mas
por nada nesse mundo eu quero que ele morra por causa de mim. Por isso acredite, o
meu noivo mandou matar leleo.

Inaura – Cê tá é querendo descobrir onde ele tá!

Lisbela – Você pode até ir sozinha pra avisar. Diga que Douglas mandou matar ele e
contratou um matador chamado de Frederico Evandro.
Inaura – Ôxe então você jogou dinheiro fora, porque Frederico Evandro é meu marido,
e faz tempo que ele tinha jurado leleo de morte.

Lisbela – Pior! Então ele vai matar leleo duas vezes!

Inaura – Vai não! Porque leleo pediu ajuda a um valente, que ele o livrou de um boi
brabo, e jurou matar alguém pra pagar.

Lisbela – Espera ai, essa história o cabo citonho me contou que esse valente que leleo
salvou foi o Frederico Evandro.

Inaura – Tá Ca mulesta, então ele vai matar leleo três vezes.




De vouta para o Bar:

FREDERICO:- Você tem algum recado pra mandar pro moribundo?

LELEO:- Tenho, diz pra ele que não vai faltar nada pra viuvá dele, e quem garante é
Leleo, mas conhecido como Leleu das moças.

Frederico:- Então é como se seu recado já estivesse sido dado.

(Leleo acena com a cabeça)

FREDERICO: E quem garante... É Frederico Evandro, mais conhecido como Evandro de
libra.

(Pessoas correndo, e ele atira)

(LELEO acende o cigarro)

LELEO:- Frederico Evandro é o senhor?!

REDERICO: Desde pequenino e pode encomendando sua alma pro diabo.

LELEO: Meu Deus tanta mulher no mundo e eu aqui morrendo.

FREDERICO: Se aperrei não vai nem doer, o serviço comigo é a jato.

LELEO: Não tem preça não.

CORONEL: Parados, em nome da lei, aponte para o desgraçado que lhe tento, minha
filha.

LISBELA: Este aqui meu pai.
LELEO: Lisbela.

CORONEL: O senhor está preso por sedução de menores.

LELEU: Vo agora mesmo.

(Início da musica)



Prisão:



POLICIAL e Francisquinha (Cena de amor)



CORONEL: Que poca vergonha é essa na prisão. Agora essa pouca vergonha acaba de
vez.

FRANCISQUINHA: Acabou-se porque agora ele largou a outra mulher.

POLICIAL: Agora ta sem vergonha nenhuma.

CORONEL: To vendo, pois tomem vergonha e vão fazer isso em casa.

POLICIAL: Eu larguei a mulher, agora to morando aqui.

CORONEL: Aqui não!Pra ficar na delegacia só se casar.

BEATA (Francisquinha): Oxente, num tem problema, a gente casa.

POLICIAL:- Posso não neguinha que já só casado.

FRANCISQUINHA: Heim, de papel passado?

POLICIAL: E... Mais já ta meia amarelado.

FRANCISQUINHA: E é? Que nem você seu amarelo safado.

POLICIAL: Calma meu bem. Eu vou da um jeito de ser teu marido.

FRANCISQUINHA: Vai... Acho bom. Que se não eu do um jeito de ser sua viúva.

CORONEL: Cabo Citonho. Meta esse homem na sela.

LELEO: E eu vou anda a cavalo pra precisa de cela

POLICIAL: A cela que ele ta falando é com “Ç”.
Rua:



FREDERICO: Por isso que eu odeio policial. Agora deram pra ajuda marginal.

CARIOCA: Calma compadre. Ele não tem pra onde correr, e se ficar o bicho pega.

FREDERICO: Pega como?Eu não tenho como entrar.

CARIOCA: No dia do casamento vai ficar mais fácil. Vai ser teu presente pro noivo.

Delegacia:

POLICIAL: Agora veja só Leleu. Larguei de uma mulher e fiquei intrigada com outra.

LELEO: E nem tem mais jeito?

POLICIAL: Eu agüento mais nada.

LELEO: E que danado é o senhor?!

POLICIAL: Sou eu hora.

LELEO: Cicinho, você pode perde ai uns 3 conto de reis nesse negocio agora me
pergunte por que.

POLICIAL:Por quê?

LELEO: Porque eu só praticante de uma igreja muito mais moderna que a
católica.Agora me pergunte e daí?!

POLICIAL:E daí?

LELEO: E daí que nessa igreja num tem padre agora me pergunte: E eu com isso?

POLICIAL: E eu com isso.

LELEO: E que se tu se converte a minha igreja eu posso te casar,agora me pergunte:Pra
que o dinheiro?

POLICIAL: Pra que o dinheiro?

LELEO: Pra paga pro padre.

POLICIAL: O dinheiro eu arrumo agora me pergunte como?!

LELEO: Como heim?
POLICIAL: Tenho uma mina de ouro.

LELEO: Que mina de ouro.Se derrete de um anel.

POLICIAL: E olha que da, e ainda sobra um par de brincos. (Fecha a cela) Ta vendo seu
Leleu, eu mandei num meche com a moça.

LELEO: Nem carecia mandar me prender. Dona Lisbela já me condenou a viver sem ela
(se deita).



Casa do Coronel



CORONEL: Como ta linda, se sua mãe fosse viva pra te ver.

CARIOCA: Licença, Tenente.

(Lisbela corre)

LISBELA: Douglas, o noivo não pode ver o vestido da noiva antes do casamento.

DOUGLAS: Vim Le propor uma idéia pra arrasar na festa do casamento.



Na Rua:



CORONEL: (Fala com saudados)

CORONEL: Soldados!Eu tive uma idéia arretada que vai deixar mais bonito o
casamento de minha filha. Nos vamos organizar uma guarda de honra.Pra saudar os
noivos com uma salva de tiro!

POLICIAL: (Posição de sentido) Delegado, e se o matador decide fazer uma visita na
cadeia?

CORONEL: Muito bem lembrado cabo, você vai ficar de guarda.

POLICIAL: Eu vou enfrentar sozinho uma onça daquela?

CORONEL: Vai sim, porque eu é que não vou.
Cadeia



(Lisbela entra/leleo deitado)

LELEO: Dona Lisbela!A senhora tá tão linda de vestido de noiva. Bem que podia ser
viúva.

LISBELA: Como é que você pode brincar numa hora dessas?

LELEO:Eu tenho a guela dura, eu engulo a vida com as pedras.

LISBELA: Eu só fiz meu pai lhe prender pra salvar sua vida.

LELEO:- Não precisa falar mais nada, isso já é prova de amor.

LISBELA: Amor, não piedade eu tive pena de te ver morto. Melhor o senhor ter fugido
com aquela moça.

LELEO: Não sentia amor por ela tanto quanto pela senhora.

LISBELA: Por que fica ai viajando sem ficar com mulher nenhuma?

LELEO: Minha senhora eu vivo atrás do que é belo desde que era moleque, e agora que
te encontrei não preciso procurar mais nada.

LISBELA: Vai terminar trancado na prisão.

LELEO: Eu vou da um jeito de sair daqui é a gente vai fugir juntos.

LISBELA: Não posso fugir do meu casamento. Agente nunca mais vai se encontrar.

LELEO: A senhora não é a noiva no seu coração.

LISBELA: Pois é,e eu dei a minha palavra(sai de cena).

LELEO: Fique mais um pouco dona Lisbela a senhora é minha paz.

LISBELA: Eu não posso leleo, tá chegando a hora do meu casamento.

LELEO: Já?!Como o tempo passa ligeiro quando to com a senhora.

LISBELA: É por isso que eu tenho que me apreçar.

LELEO: Fique mais um pouco.

LISBELA: Não acredito que vai acabar assim.
LELEO: Vai não. Eu vou tirar a gente dessa e vamos viver juntos. (se beijam)

LELEO: Esse beijo é nosso casamento?

LISBELA: Não é não, é a nossa despedida.

LELEO: Não minha senhora, não sabe que todo filme de amor se acaba em beijo?

LISBELA: Sei. E apartir de hoje é que o filme de minha vida vai começar.

Igreja:

(Soldados apontam as armas para cima e atiram, e carioca leva um susto)

CARIOCA: (cai no chão) O Chente, danou-se.




Prisão



INAURA: Leleo! Vai acontecer o dirmantelo! Meu marido ta vindo lhe pegar.

LELEO: Diabo que susto!Mas estou sob a proteção do décimo terceiro batalhão de tiro.

Inaura:- Não tem nenhum guarda la fora.

LELEO:Valha-me Deus!

INAURA:Homem e agora?

LELEO: E se eu me fizer de morto?

INAURA: Pense numa agonia, Ave Maria!É todo mundo querendo lhe matar.

LELEO: Todo mundo não, o seu marido (fingindo de morto).

INAURA: Há Leleu, eu não sei como é que eu vou viver sem você.

LELEU: Nem eu, eu vou sentir uma falta danada de mim.

INAURA: Bem feito, quem mandou você ccnhecer aquela moça.
LELEO: Dona Lisbela não quer saber de nada mesmo. Agora você bem que podia me
ajudar.

INAURA: Só não sei se você merece.

LELEO: Adeus Inaura (finge-se de morto).

INAURA: Tá bom, tá bom, tá bom, o que é que eu faço.

LELEO: Vai chamar o Cabo Citonho.

INAURA: Oxe e você acha que aquele tamborete vai dar um rojão no Frederico.

LELEO: É prá eu fugir mulher.

INAURA: Pera aí menino, prá que vai servir?

LELEO: Vamos fazer ele de besta.

INAURA: Oxente e besta ele já não é? (começa a lixar uma unha).

LELEO: Não tem pressa não Inaura?

(Chega Cabo Citonho)

LELEO: Cabo Citonho!

CABO CITNHO: É uma emergência?

LELEO: Já está tudo pronto para sua lua-de- mel com sua nova esposa, Cabo.

CITONHO: Mas eu ainda não me casei.

LELEO: Mas eu posso é casar o senhor com ela agora Sargento!

CITONHO: Ah, mas eu ainda não peguei os três contos de réis.

LELEO: (Pega o cantil) Deixa disso Capitão, agora é de graça! É só o senhor se converter
a minha igreja, pra que eu possa lhe casar.

CITONHO: Então me converta, ora!

LELEO: Já está convertido.

CITONHO: Mas já?

LELEO: Pense numa igreja muito simples!

CITONHO: E o casamento, como é que fica?

LELEO: O casamento já foi, os dois já estão casados perante a igreja minha.
CITONHO: E quando foi isso que eu nem vi?

LELEO: Foi na mesma hora em que eu lhe converti eu já lhe casei.

CITONHO: O que eu mais gostei nessa igreja foi a praticidade.

LELEO: Agora venha pra cá (dentro da cela) e venha aproveitar com a sua noiva general
Citonho.

CITONHO: Desculpe seu Leleo é que eu não consigo ficar à vontade prá namorar na
frente do padre.

LELEO: Pera aí Citonho1 Eu posso esperar lá fora.

CITONHO: Brigado viu seu padre.

LELEO: Que isso seu presidente.

CITONHO: Olhe, já já devolvo a sua cela. A coisa vai ser rápida, que eu tô aceso faz
tempo.

(Entra a esposa Francisquinha)

FRANCISQUINHA: Que isso?

CITONHO: Fomos casados e abençoados.

FRANCISQUINHA: Oxente, agora só falta pecar.

(Cena de amor)

(Chega Frederico)

FREDERICO: Que pouca vergonha é essa dentro daqui da delegacia?

CITONHO: Não atire que eu tô desarmado.

FREDERICO: O que você tem entre as pernas não mata nem passarinho.

FRANCISQUINHA: Eita! Tava engatilhado aí desarmou no susto.

FREDERICO: Quem é essa mulher aí?

CITONHO: É a minha esposa senhor.

FREDERICO: Um cabra frouxo que nem você arranjar uma mulher deste calibre, deve
ter ganhado numa rifa.



CITONHO: Mas se faz o possível chefe.
FREDERICO: Cadê o muleque que tavapreso aqui dentro?

CITONHO: E não tah aqui fora não? Olha se não tá, fugiu.

FREDERICO: (levanta Citonho) Fugiu? Fugiu pra onde?

CITONIO: Eu sei lá, se fugiu não se sabe pra onde, tá implícito.

FREDERICO: Mas esse leleo escapa mais que sabão. Vou é arrancar os dedos dele.( joga
citonho).

FRANCISQUINHA:Bora Citonho! Tú só quer saber de conversar.

FORA DA CIDADE

INAURA: Finalmente vamo viver em paz.

LELEO: Só viver pra mim já tah ótimo.

(ouvem-se fogos de artifício)

LELEO: Caramba! Já estão me perseguindo.

INAURA: É não homem! É a festa!

LELEO: Festa? Que festa?

INALDA: De casamento da Lisbela. Agora vamos meu amor.

LELEO: Não posso ir. Estou preso, pelo coração a outra mulher.

INAURA: Alguém que se chama Lisbela?

LELEO: Tava difícil dizer, ainda bem que você disse.

INAURA: Preferia ouvir da sua boca.

LELEO: Lisbela é até menos carnuda, menos mulherão que você, mas é nela que eu tou
engajado.

INAURA: Eu tenho tanto a oferecer que nem ela, a mim você já desgraçou mas ela não
( se ajoelha). Tá cansada agora; vai ser mãe, dona de casa, tem um futuro inteiro pela
frente. Fique comigo por favor.

LELEO: Essas coisas não tem explicação. Inaura, pegue seu ônibus pra São Paulo e me
esqueça, agora eu vou cuidar da minha vida ou morrer sozinho.

INAURA: Não, pêra aí! Deixa eu ir também, ela nem vai ficar sabendo. Eu não vivo sem
você.
LELEO: (Segura rosto de Inaura) Posso não Inaura. E mesmo que pudesse ia ficar com
raiva de mim mesmo. Adeus Inaura (sai).

INAURA: Pois então você já tá se acabando.




IGREJA

LELEO fala com a menina para chamar Lisbela

LELEO: Larga esse lesado e me encontra atrás da Igreja. ( começa a dizer ‘espírito
santo’)

CARIOCA: Essa fumaça ta me deixando tonto.

LISBELA: É mesmo (pisca para a emnina), que to em tempo de dismaiar( Plateia se
levanta espantada)




 BAR



FREDERICO: (Bebendo)

(Chega Inaura)

INAURA: Dexa essa cachaça de corno manso e pode mandar bala para esse cara aqui
que ele está precisando.

FREDERICO: Você quer seu caixão com três ou quatro alças?

INAURA: Tanto faz. Já o seu tem que ser cumprido para caber o chifre (risada).

FREDERICO: Onde você esteve esse tempo todo?

INAURA: Estava procurando LELEO.

(Frederico atira para cima).

INAURA: Você não entendeu ainda não.

FREDERICO: Ainda não, mas vou fazer você sangrar enquanto você me explica.
IANAURA: Explicar o que, paixão não se explica, morrer ligeiro ou devagar dá no
mesmo.

FREDERICO: se você veio aqui para aumentar minha raiva tá perdendo tempo.

IANURA: Só vim lhe dizer que LELEO foi para o casamento atrás do rabo de saia de uma
tal de Lisbela e a não ser que você seja muito frouxo, ela vai passar de noiva para
viúva assim que sair da igreja. Prefiro morrer a viver sem LELEO.

FREDERICO: (empurra ela) Se é isso que você quer eu, vou fazer o contrário, te deixo
viva sem ele, faço duas viúvas pelo preço de uma.



                                     IGREJA



CORONEL (segurando a mão de Lisbela)

CORONEL: Minha filha foi a pressão que baixou.

LISBELA: Já passou pai.

CARIOCA: Foi muita paixão meu amor.

LISBELA: Já passou Douglas.

CORONEL (para a multidão): Não se preocupem está tudo bem, a cerimônia vai
prosseguir normalmente.

CARIOCA: São tantas emoções.

CORONEL: Gostaria de aproveitar o ensejo e agradecer em nome dos noivos.

(Lisbela vai encontrar com LELEO)

LELEO (sala dos presentes, Lisbela está lá)

CORONEL; Discurso

(FREDERICO entra e se benze)

FREDERICO: Protege sua mulher, LELEO tá vindo buscar ela.

CORONEL: O prisioneiro fugiu (multidão escuta).

FREDERICO: Mas eu vou pegar, nem que tenha que ir buscar no inferno.
PRISÃO



(Coronel vai atrás do Cabo)

(Cena de amor)

Beata: Vo ter que esperar ate 7 de setembro homi?

Citonho: Calma meu beinsim, sai já o prato principal.

CORONEL: Que pouca vergonha é essa na Delegacia.

GUARDA: Que maluquice é essa, a mulher está com o corpo coberto.

BEATA: (namorada do guarda) Você que é muito demoroso (ela sai).

CORONEL: Cadê o corpo do delito?

GUARDA: Tá lá fora esperando.

CORONEL: Esperando o que em infeliz?

GUARDA: Que terminasse essa pouca vergonha na delegacia.

CORONEL: Tô muito bem arranjado com você.

FRANCISQUINHA: Somos dois né Tenente? Só vive na rua, essa marmota.

CITONHO: Eu tenho que honrar meu posto (beija Francisquinha). Sou Cabo do exército.

FRANCISQUINHA: Ixi, você de Cabo só tem a patente.



                                  IGREJA



(Coronel, Carioca e convidados)

CORONEL: Não se preocupem, está tudo sob controle. A cerimônia vai prosseguir
normalmente.
CARIOCA: Tenente, Lisbela fugiu.

CORONEL: Fugiu?

CARIOCA: Shhi!

CORONEL: Então eles fugiram juntos.

CARIOCA: Juntos? (convidados suspiram) E agora Tenente? Vai ser o maior vexame.

CORONEL: Vai enrolando o povo. (empurrando Carioca)

CARIOCA: Felizmente está tudo na mais perfeita. Sem problemas. Tranquilinho (puxa o
lenço)



       Encontram Lisbela na Delegacia e a levam para a Igreja



                                   IGREJA



(CENA: Carioca enrolando os convidados)

CARIOCA: Tudo totalmente azul com bolinhas brancas. (Vê Lisbela). Amor!

CORONEL: Está tudo bem. A cerimônia vai prosseguir normalmente (olhando para
Lisbela)

LISBELA: (se revolta) Vocês todos me perdoem mas eu vou desistir do casamento..

CORONEL:A minha filha tá doida varrida!

CARIOCA: Tá muito louca Lisbela. Muito louca.

LISBELA: O amor me chamou prá um outro lado. E eu fui atrás dele. Eu pensei que se
eu não fosse a minha vida inteira ia ser terrível, de arrependimento por algo que não
fiz. Por isso esse casamento tá cancelado! (sai da igreja)

CORONEL: Soldados, enfiem-lhe uma bala nele! Quando ele a soltar!

LISBELA: ( protege LELEO) NÃO!

LELEO: Calma, nada de alvoroço, eu vou me entregar.

LISBELA: O que houve LELEO? Você não foi ao nosso encontro.
LELEO: Não. Pensei bem e vi que não devia colocar a senhora na minha pobreza. A
senhora merece alguém melhor.

LISBELA: Não precisa continuar me chamando de senhora.

LELEO: Pois é o que a senhora dz para mim sempre, chamar de você é um exagero
meu.

CARIOCA: Por que tu não foi embora cara? Qual é a tua de voltar? Não se toca não?

SOLDADOS: (Apontam pra LELEO)

LELEO: Eu vim para morrer chefe, para morrer na bala.

LISBELA: Não! (protege LELEO).

LELEO: Para dona Lisbela, saber pelo resto da vida dela que eu morri por causa dela!

(Saem para a rua)

LISBELA: É a última vez que lhe faço um pedido, meu pai! Deixe eu ir embora com
LELEO.

CORONEL: Se você me pedir isso mais uma vez, dou-lhe uma chibatada na frente de
todo mundo.

CARIOCA: Tu pirou legal Lisbela!

LISBELA: Pela derradeira vez meu pai, deixe eu ir embora com LELEO.

CORONEL: (ameaça bater em Lisbela) Insolente.

(aparece Frederico)

FREDERICO: Vamos entrando pessoal, sejam bem vindos. Sintam-se como se
estivessem em casa.

CORONEL: O que você quer?

FREDERICO: Com você nada. Eu quero é pegar aquele cabra safado.

CARIOCA: Tô contigo pro que der e vier, meu chapa.

FREDERICO: Fala feito homem.

CARIOCA: Tô com o sinhô e não abro mão nem com a mulesta.

FREDERICO: Acho bom, porque quando eu dar tiro em um, tu vai sê o primeiro a
correr.
CORONEL: Senhor, seu negoço é com esse homem, e resolva logo o assunto, e me
deixe em paz.

LISBELA: Pai, não deixe ele matar o homem da minha vida.

LELEO: Você não me disse que ia matar meu maior inimigo!

FREDERICO: Promessa feita. Vou matar o tenente.

LISBELA: LELEO não deixe ele matar o meu pai.

LELEO: Mas meu maior inimigo não é ele não, é você que tá querendo me matar.

FREDERICO: Você é um tagarela esperto rapaz.

LLELEO: Agora para cumprir a sua palavra você vai ter que se matar.

FREDERICO: Vou fazer o que você mandou, sou homem honrado(aponta a arma para a
cabeça). Mas esse caso, a ordem das coisas altera o resultado: te mato primeiro e me
mato depois.

(Lisbela protege LELEO)

FREDERICO: Sai prá lá, porque com mulher chorando o caba demora mais a morrer.

LELEO: Mas você vai me matar logo aqui, Frederico Evandro?

FREDERICO: Aqui mesmo onde tem público.

LELEO: Tanta coisa boa na vida, tanta mulher bonita e eu aqui morrendo.

FREDERICO: (aponta a arma) Nos vemos daqui a pouco lá em cima!



                                 FINAL II



(Ouve-se som de tiro)

(Lisbela atira em Frederico)

LELEO: Oxente, eu tô feito super-homem, a bala bateu e voltou?

CORONEL: Minha filha você matou um homem.

LELEO: Dona Lisbela, minha bandeira brasileira.

CARIOCA: Por que tu fez isso?
CITONHO:Mas ele já ia se matar mermo.

LELEO: Problema resolvido, agora só tem um jeito. Seu delegado, agora sou eu que
quero ir.

CARIOCA: Ela não vai com tu não, ela é minha noiva.

LELEO: Temos que desaparecer. Ela tem que ir comigo, não me custa nada mudar de
nome ou profissão...

CARIOCA: E de mulher.

CORONEL:Parem com essa discussão idiota, preciso salvar minha filha da cadeia e
desse bando de assassino.

CITONHO: Ela tem que ir, se o moço desaparece, se um dia chegar alguém prá vingar
Federico Evandro.

LELEO: Se ela não for comigo tenente, morre.

LISBELA: Mesmo sem isso eu vou, debaixo ou em cima da terra, sem ele eu estou
morta.

CARIOCA: Ele vai lhe abandonar Lisbela, como fez com as outras.

LISBELA: Não me importo, quero queimar minha vida de uma vez só. Eu quero ir meu
pai.

CORONEL: Vá minha fila, vá! E seja feliz! Se puder. Pera aí, o revolver de Lisbela tá com
todas as balas dentro.

CITONHO: Oxente e o valente morreu foi de susto?



                                     FINAL III



(ouve-se um tiro)

(Vê Lisbela atirando em Frederico)

(Inalra atira)

LELEO: Ôxe, sou o super-homem? A bala foi e voltou! (Vê Inaura)Dona Inaura, minha
bandeira, (vê Liabela). Eu nem sei como lhe agradecer Inaura.
INAURA: Nem precisa, o amor que lhe tenho é de graça. (olha Lisbela) Tive inveja do
teu amor por LELEO quando a vi e foi por isso que o salvei agora. Foi por inveja que
mandei Frederico matar LELEO, mas eu senti uma dor tão grande, que entendi que o
meu amor é maior que qualquer inveja.

LISBELA: Você matou o seu marido pra salvar o meu.

INAURA: Frederico se casou comigo mas era amante da morte, viveu agarrado com ela.
(Toma a arma de Frederico caído). E acabei jogando o meu amado nos braços da
amante dele. Só eu podia te matar Frederico.

CORONEL: Graças a Deus que consegui livrar minha filha da cadeia.

CARIOCA : Agora que a gente já sabe que Lisbela não deu o tiro no Frederico ela não
precisa mais fugir.

LISBELA: Mesmo sem isso eu vou debaixo ou em cima da terra, sem ele estou morta.

CARIOCA: Ele vai abandoná-la como fez com as outras.

LISBELA: Não importa. Eu quero queimar minha vida de uma vez só. Eu quero ir meu
pai.

CORONEL: Vá minha filha, vá! E seja feliz!

CARIOCA: PÔ, é revoltante. Ai esse carinha vai terminar se dando bem?

CARIOCA: Haha!

CORONEL: Eu não quero ninguém achando graça.

CARIOCA: Sim senhor.

CORONEL: Fiquei triste.

CARIOCA: Tenente, sabe de uma coisa, as passagens já estão compradas, o hotel
reservado. Eu vou é mandar pro Rio de Janeiro.

CORONEL: Muito bem, quem sabe não arranje uma esposa por lá.

CARIOCA: É isso aí. As garotas daqui são muito atrasadas.

CORONEL: Mas da próxima vez tome cuidado para não ver a noiva vestida antes do
casamento, que dá um azar arretado.

								
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