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Universidade Metodista
Programa de pós graduação em Ciências da
Religião - Doutorado
Projeto de pesquisa
CURA DIVINA NAS IGREJAS CRISTÃS
PENTECOSTAIS TRADICIONAIS
Otávio Barduzzi Rodrigues da Costa
São Bernardo
2012
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Universidade Metodista
Programa de pós graduação em Ciências da
Religião - Doutorado
Otávio Barduzzi Rodrigues da Costa
Projeto de pesquisa
CURA DIVINA NAS IGREJAS CRISTÃS
PENTECOSTAIS TRADICIONAIS
Projeto de Pesquisa para admissão
em programa de doutorado da
UNIVERSIDADE METODISTA
apresentada à Banca de admissão
do programa de pós graduação -
nível doutorado.
São Bernardo
2012
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Resumo
Visando pesquisar as contribuições das Ciências da religião, Sociologia e da
Antropologia Cultural para o estudo e compreensão de temas do fenômeno
religioso, nesse trabalho demonstraremos que o fato místico da Cura divina,
afetam os indivíduos de um sistema social religioso, tendo profundas causas
sociais. Ao participar de um grupo social, mais especificamente o das igrejas
pentecostais tradicionais, os fiéis mudam sua visão de mundo. Isso porque as
pessoas procuram formas de cura e explicações religiosas para os reveses do
dia a dia. Pretendemos fazer uma pesquisa de campo sobre este fenômeno
religioso dentro das igrejas pentecostais tradicionais no interior do Brasil, mais
especificamente no interior do Estado de São Paulo a fim de verificar as
relações sociais desses fenômenos. Desenvolveremos estudos críticos dos
paradigmas usualmente empregados no estudo da religião por antropólogos e
sociólogos, objetivando uma visão crítica e objetiva vulgarmente presente na
subjetividade da religião.
Palavras chaves: igrejas pentecostais tradicionais, fenômeno religioso,
antropologia da religião, curas divinas, possessões.
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Resumé
Pour étudier les apports de la sociologie et l'anthropologie culturelle à l'étude et
la compréhension des enjeux du phénomène religieux, dans cette étude
démontrent que le fait de la guérison divine mystiques, touchent les individus
dans un système religieux sociale, avec de profondes causes sociales. Le
participant à un groupe social, en particulier les églises pentecôtistes
traditionnelles, les croyants changer leur vision du monde. C'est parce que les
gens cherchent des moyens de guérison et des explications religieuses pour le
revers de la vie quotidienne. Nous avons l'intention de faire des recherches de
terrain sur ce phénomène religieux dans les églises traditionnelles pentecôtiste
à l'intérieur du Brésil, plus précisément dans l'Etat de Sao Paulo afin d'évaluer
les relations de ces phénomènes sociaux. Réaliser des études de critique des
paradigmes habituellement utilisés dans l'étude de la religion par les
anthropologues et les sociologues, visant à une évaluation critique et objective
couramment présents dans la subjectivité de la religion.
Mots-clés: traditionnelles églises pentecôtistes, phénomène religieux,
l'anthropologie de la religion, des guérisons divines, possessions.
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Introdução e justificativa, com síntese da bibliografia fundamental
A evolução do capitalismo, sobretudo do aspecto e sua relação de causalidade circular
com as religiões protestantes (FERREIRA, p.11 http://www.monergismo.com/textos/resenhas/
weber_capitalismo.pdf acesso em set/09), trouxe uma nova forma de sistema social: as igrejas
protestantes, dentre as quais, escolhemos para objeto de analise um ramo denominado igrejas
pentecostais tradicionais. Estas criam maior propensão à continuidade comunicativa em face
dos pressupostos ritualísticos para sua constituição. As pessoas admitidas e que comunicam
no seu interior, estabelecem, a priori, um pacto para sua admissão na organização, fazendo-as
especialmente inclinadas a compreenderem e a darem continuidade aos ciclos comunicativos
que coloca ênfase especial na busca de uma experiência direta e pessoal de Deus através do
chamado Batismo no Espírito Santo.
O fenômeno profundamente ligado a ao pentecostalismo é o fenômeno da possessão
demoníaca, ainda com pouca literatura relacionada especificamente as igrejas pentecostais
tradicionais, havendo mais pesquisas nas religiões afro-brasileiras e neo-pentecostais, na
primeira por fazer parte do seu ritual, na segunda pela evidencia nos meios de comunicação
desde a década de 1980(PRANDI, p.48). Esse fenômeno está profundamente ligado a crença
em estados de saúde física e principalmente mental do individuo pertencente ao grupo
religioso, donde advêm o fenômeno autônomo: a Cura divina.
Buscaremos analisar, nesse trabalho esse fenômeno: o da cura divina, dentro do grupo
social das igrejas pentecostais tradicionais, buscando relatar cientificamente sua visão de
mundo referente a tal fenômeno.
Mostraremos através de nossa pesquisa que tal fenômeno tem importante aplicação
terapêutica, não pelos motivos que os fieis crêem, mas por outros fenômenos explicativos,
como por exemplo, a crença de cura de enxaqueca, que pode ter sido curada por que alguém
dentro da comunidade, que ouvindo carinhosamente o paciente, deu-lhe o alivio de modo
terapêutico lhe oferecendo certo conforto com efeito terapêutico.
Utilizando nossa história de vida, pessoal religiosa e acadêmica, pretendemos fazer um
relato etnológico desses fenômenos através de intensa pesquisa de campo nesse tipo de igreja
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dentro do interior do estado de São Paulo e acrescer a tal relato nossas contribuições
cientificas que serão muito ricas, visto que Evans-Pritchard já afirmava que grandes
contribuições adviriam do pesquisador seria o que participava com sua historia de vida ao
grupo que pesquisava (EVANS-PRITCHARD Edward, “A religião e os antropólogos” in Religião
e sociedade, p. 45), também será nosso referencial teórico as teorias da complexidade, que
colocavam o pesquisador de volta como participante do sistema analisado em contraproposta
do positivismo que afastava o pesquisador do objeto de estudo.
O xamanismo e o exorcismo têm exercido nos grupos sociais religiosos extensa
influencia, sobretudo no pentecostalismo, e na sua relação com a saúde e o corpo, o que
decorre que alem de ser um trabalho envolvido com antropologia e sociologia da religião
também é um trabalho que vai ter intrínsecas relações com a antropologia e sociologia da
saúde.
Nossa análise bibliográfica mostra que o corpo e a saúde tem profundas relações com
o meio social, quando intermediado, com a busca pelo Divino, através de um tipo de religião
especifico torna-se interessante óbito de pesquisa (PRANDI, p. 64)
O pentecostalismo é um termo amplo que inclui uma vasta gama de diferentes
perspectivas teológicas e organizacionais. Como resultado, não existe nenhuma organização
central ou igreja que dirige o movimento. A maioria dos pentecostais se consideram parte de
mais grupos cristãos, por exemplo, a maioria deles se identificam como pentecostais
protestantes. Muitos abraçam o termo evangélico (MARIANO, p. 11).
Ao ser admitido (convertido) em um grupo o novo membro começa a utilizar uma nova
linguagem para referenciar o mundo. Exorcismo e libertação, cura e salvação, prosperidade e
sucesso são três aspectos indissolúveis da visão teológica dos lideres das igreja estudadas,
que, de uma maneira bem prática, procuram apresentar ao fiel mais do que uma visão de
mundo, mas um guia para a ação sobre o mundo (WILLAIME, p.62).
A linguagem humana é um sistema que faz a consciência emergir dinamicamente uma
nova ordem de refletividade em que o sujeito se vê e concebe a si mesmo através da mente,
ou seja, a linguagem é o meio pelo qual o sujeito referencia a si e ao mundo (BODEN p. 158).
A participação em um grupo social religioso muda o modo como o ser humano se relaciona
com o mundo, e da uma nova visão e trás novas explicações ao ser “convertido”.
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No caso da relação entre saúde, corpo, mente e possessão, muda o imaginário da
pessoa já exposto na extensa literatura sobre xamanismo, curandeirismo, feitiçarias, êxtases e
exorcismo na religiosidade “primitiva” e “contemporânea”, mudando as relações sociais da
pessoa (FATH, p.14, 2004).
Alem disso esses fenômenos oferecem explicações míticas e místicas aos membros do
grupo o qual tenta justificar certas realidades e nova compreensão que o sujeito tem com um
mundo invisível ainda que pareça esse mundo ter mais influencia sobre ele do que o mundo
sensível que o cerca. “O movimento que cria o mundo do pensamento é, precisamente, aquele
que abre o pensamento para o mundo” (MORIN, 1987, p. 88).
É assim que a mente humana ultrapassou além dos horizontes do mero conhecimento
e instinto biológico. É no homem que o motorium e o sensorium podem facilmente se
desconectar; a mente pode, a partir daí, lançar-se no sonho, criar ideias matemáticas, ideais
sem correspondência com o mundo real e, por meio da linguagem, criar ideias, classificar e
referenciar o universo próximo e referenciar a si mesmo. A hominização do conhecimento
passa do meio biológico para o mundo.
Estes desenvolvimentos levam o pensamento mais distante do que poderia ter ido
sozinho. Finalmente, transforma e ultrapassa a mente nessa mesma transformação em que
emergem correlativamente uma nova linguagem, pensamento e nova consciência (MORIN,
1993, p. 142). Constituiu-se verdadeiramente na visão espiritual, criando e transformando em
arte, sonhos, devaneios e tudo aquilo que é verdadeiramente surpreendente da humanidade.
Devemos concordar com Morin quando diz que não somos apenas Homo sapiens
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sapiens, mas, sim, Homo sapiens sapiens demens, pois é o demens que nos diferencia como
seres particulares e únicos; é no demens que criamos poesia, amor, sentimentos, risos,
religião, êxtase, todos os elementos que nos fazem humanos(MORIN, 1993, p. 138).
Sabe-se que a relação entre homem e religião tem influência em seu processo
cognitivo. A demonstração de criatividade ocorre na relação entre mente e matéria: o
hominídeo observa a natureza e a modifica, para suprir suas necessidades agora cada vez
mais crescentes (MITHEN, 2003, p. 121).
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“Homo sapiens é ao mesmo tempo homo demens. O ser humano é de natureza multidimensional.
Há uma mescla inextrincável, um pensamento duplo: um pensamento que chamaria racional(sapiens), empírico,
técnico, que existe desde a pré-história e é anterior à humanidade que o homem desenvolveu. Também temos um
pensamento simbólico, mitológico, mágico (demens). Vivemos permanentemente em ambos os registros. Não se pode
suprimir a parte dos mitos, as aspirações, os sonhos, a fantasia. Os sonhos, os fantasmas, as loucuras são partes
integrantes do ser humano (MORIN 1973 p.206)”.
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É assim que nasce um conhecimento em que o homem não só pode desligar-se do seu
pensamento como pode pôr a ação a serviço do seu pensamento, do seu mito, da sua ideia, do
seu sonho, construindo sua relação com o mundo, afetando seu cotidiano, sobretudo suas
relações de saúde e de corpo (BATISTA, 1989, p. 15).
Sem dúvida, vários aspectos complexos cooperaram para que o homem tivesse
adquirido religião e busca de explicações diferenciadas: vida social, cultura, desenvolvimento
da mão, tecnologia, complexificação da linguagem e vários outros aspectos. Neste trabalho,
tentara-se enfatizar um deles: a religião e sua busca de explicações para certas circunstâncias,
no caso a maneira como os pentecostais tradicionais tratam a doença e o corpo, na situações
de doença (sickness, willness, disease).
A síntese bibliográfica consiste em vários trabalhos, sobretudo da antropologia, filosofia
da mente e da ciências da Religião, Com base nos trabalhos de Mariano e antes, de Laplatine
(1999, p. 418), que procuram construir, na perspectiva da antropologia da saúde e da doença,
conceitos adequados à compreensão do fenômeno mórbido, tais como doença-sujeito (a illness
ou a experiência subjetiva da doença), doença-sociedade (a sickness, que designa os
comportamentos socioculturais conectados com a doença em uma dada sociedade) e doença-
objeto (tal como apreendida pelo saber biomédico), Laplantine propôs, para esclarecer a
questão, a utilização 1) do termo illness para designar a experiência vital do indivíduo que sofre
uma afecção mórbida; 2) do termo disease para referir-se à doença tal como definida pela
biomedicina; e 3) do termo sickness para designar o processo de socialização tanto da disease
quanto da illness*. Nessa mesma linha conceitual, situam-se autores como BIRMAN,
percebendo-se, porém, uma tênue diferença relativamente à socialização da disease e da
illness. Enquanto que na perspectiva de Laplantine essa socialização engloba os aspectos
socioculturais, assim como essa socialização envolve o “entendimento de uma desordem em
seu senso genérico através de uma população em relação a forças macrossociais
(econômicas, políticas, institucionais)” (Laplantine , p.201, 1999, tradução livre nossa).
Assim, desde um ponto de vista antropológico, é possível reconhecer que as doenças,
no que concerne a sinais e sintomas particulares, são atravessadas pela cultura em diferentes
épocas e sociedades. Com efeito, os significados culturais marcam tanto a pessoa doente,
imprimindo-lhe sentidos existenciais, quanto os seus cuidadores, particularmente os pastores,
ou curandeiros(BASTIDE, 2006, p.41), os quais constituem sua prática com base em redes
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semânticas culturais centradas na dimensão ritual. Na perspectiva dos pacientes, os
significados culturais subscrevem os sentidos existenciais das pessoas enfermas, e estão
inscritos na fala através de idiomas e metáforas culturalmente determinados que articulam a
experiência da doença e consequentemente espiritual (DESROCHE, p.62,1986).
Com efeito, é na comunicação verbal que podemos reconhecer um discurso que pode
ser tratado no jogo de sua instância, que se caracteriza não por uma continuidade, mas por
rupturas e descontinuidades, sendo, então, possível considerar a existência de múltiplas
formações discursivas referentes a doença, que tomam corpo nas narrativas sobre a doença.
Estas, por seu turno, correspondem à experiência da doença, através da qual se constituem os
sentidos a ela referentes, a pessoa pensa que seus atos socais (pecados ou provas) causaram
certa doença e isso modifica seu contato social e ela sai em busca de purificação mudando sua
relação com o mundo ou discursando mudá-la.
Esse ponto de vista mostra no cânon ocidental, remontam aos tempos da Bíblia.
Citemos como exemplo no Livro de Jô pode-se ler uma passagem que dá a medida da
atmosfera alegórica que envolve as narrativas em torno da lepra: “E Satanás saiu da presença
do Senhor. Ele feriu Jó com a lepra maligna desde a planta dos pés até o alto da cabeça”
(Bíblia Sagrada - Jó 2,1). A lepra, nessa concepção, não é uma simples enfermidade, mas uma
abominação religiosa, uma impureza ritual. Os capítulos treze e catorze do Livro do Levítico
trazem prescrições minuciosas sobre como se conduzir frente a um caso suspeito. As
narrativas neotestamentárias, por outro lado, acrescentam à prescrição levítica a noção de que
a purificação ritual é dom gratuito de Deus, que deve ser buscado pelo homem impuro que se
prostra diante do poder divino buscando a cura (ALVES. PC & RABELO 1998, p11).
Como percepção psicossocial estruturante de comportamentos socioculturais
(sickness), ainda presente na memória ancestral da humanidade, a doença e a religião,
demonstra os trabalhos de Laplaltine apresenta distintas caracterizações a partir das
construções culturais do contexto social onde ela emerge como problema de saúde
(LAPLANTINE, 2004, p. 125).
Uma vez tendo trabalhado sobre esses importantes conceitos aplicaremos esse
estudos ao conceito de Cura divina, verificando a aplicabilidade e manifestando sugestões de
como esse conceito tem ou não funções terapêuticas. A Antropologia, em que pese o
exorcismo que vem realizando desde Boas, ainda não conseguiu, de todo, livrar-se do
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fantasma de Levy-Bruhl. Substituir o conceito de "mito", com suas ressonâncias semânticas
negativas, pelo de "narrativa religiosa", pode representar um passo à frente lembramos , que
segundo Prandi(p. 149), Levy-Bruhl acreditava na infantilidade e, portanto, na inferioridade da
mentalidade primitiva. Franz Boas teve um importante papel na formulação do relativismo em
pesquisar religiões.
Para tanto iremos imergir na religião e na vida religiosa a fim de buscar explicações
inclusive se utilizando do livro principal desse grupo, a Bilbia sagrada. A Bíblia é um livro de
Doutrina Religiosa. Não é um livro de psicologia, Medicina, Psiquiatria ou Parapsicologia, nem
de qualquer outro ramo da ciência relacionado com os fenômenos ou fatos atribuídos
tradicionalmente ao demônio. Nem de antropologia, biologia, zoologia, evolução ou qualquer
outro ramo da ciência relacionado com a origem do homem. Nem sequer diretamente de
história. Dados que existem na Bíblia podem confirmar, alguma verdade histórica.
Mas, simplesmente, não se deve procurar na Bíblia argumentos contra ou a favor de
quaisquer dados científicos. Religião é uma coisa, ciência é outra. A religião é de âmbito
sobrenatural, a Ciência, de âmbito natural. Nem a religião pode afirmar ou negar a existência
no campo natural, nem a ciência pode afirmar ou negar fatos no campo sobrenatural, mas
ambos podem ser vistos um pelo outro sobretudo em aspectos sociais de um ou outro.
Quanto a Justificativa, a escolha de se trabalhar na perspectiva da religião se deu
através de um interesse particular de evidenciar que vários aspectos da realidade humana vêm
da nossa base religiosa.
O fenômeno de cura divina, em que pese o largo estudo nas religiões animistas e
neopentecostais, é um tema pouco estudado, pois estas religiões estão longe do interesse da
mídia (ao contrario das neopentecostais) cabendo ai um anátema, um buraco intelectual que
deve ser preenchido. Esperamos contribuir para preenchê-lo. É um tema deveras interessante,
não devendo ficar, portanto, na obscuridade.
Este projeto se justifica, ainda, por não haver uma completa aceitação para as
explicações que os paradigmas filosóficos da Escola Cartesiana – Newtoniana (o grande
paradigma do ocidente), e principalmente o Positivismo, tradicional no nosso estudo da religião
fornecem para a vida pratica sendo fracassados nesses intentos, não explicam os fenômenos
ora estudados.
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Apenas através das abordagens Emergentistas e Ciências da Complexidade
(autopoiese, auto-organização), inseridas nas novas concepções da sociologia, produziram–se
argumentos suficientes para várias explicações que faltavam para a emergência da
consciência do sagrado homem.
Um tema científico que, indiretamente se relacione com a religião, não autoriza ao
exegeta ou teólogo a considerá-lo exclusivamente tema religioso. Não é o religioso a máxima
autoridade nesse tema, mas a mínima. Religião e ciência, sim, em temas fronteiriços, podem e
devem cooperar, mas dentro de seus campos específicos. Nos temas que não lhe pertencem
diretamente, o cientista e o teólogo devem dar primordial importância ao especialista a quem
de direito lhe corresponde o tema.
Procuraremos então facilitar esse dificultoso estudo facilitando-o a vida acadêmica.
Procuraremos analisar os seguintes temas;
Diferença de denominações entre as igrejas protestantes destacando e
individualizando o grupo das igrejas pentecostais tradicionais no interior do estado de São
Paulo.
Verificar e destacar a compreensão do grupo do que seja o fenômeno estudado – A
cura divina.
Teorizar a luz da ciências sociais e definir o que seja a cura,
Fazer um levantamento etnográfico e etnológico desse fenômeno e desse grupo.
Comprovar a eficiência ou ineficiência terapêutica desses fenômenos.
Procuraremos responder propomos pesquisar algumas dessas questões:
Quem é o grupo social das igrejas pentecostais tradicionais no interior do estado de
São Paulo - um levantamento sócio-histórico)?
Qual suas características?
Qual o seu imaginário sobre os fenômenos estudados?
Qual o papel do pastor?
Qual as explicações e crenças desse grupo para as doenças?
Existe papel terapêutico real frente a essas explicações?
Qual a visão de mundo dos fieis frente a esses fenômenos?
Qual a visão e utilidade da linguagem bíblica para a ciência social?
Qual o significado e se existe Cura Divina?
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Qual o significado e se existe possessão?
Objetivos
O objetivo principal deste projeto é o de explicitar a importância do fenômenos
estudados para o grupo religiosos, explicar seus impactos sociais para também mais tarde
poder contribuir para se pesquisar o que seria sua aplicação desses conceitos como unificador
dos conceitos de linguagem e imaginário, procuraremos nesse trabalho estudar e unir
modernos conceitos filosóficos e científicos, para tentar, ao menos dar nossa opinião de uma
explicação desses fenômenos.
Nosso objetivo então seria contribuir para o estudo do religiosidade protestante no
Brasil principalmente contribuir para os fundamento filosóficos que envolvem tal ciência.
Longe de esgotar o assunto o objetivo é abrir uma discussão em cima de uma opinião
a ser dada fazendo algo novo, utilizar de um diálogo recém aberto com novas perspectivas
filosófico – científicas, para expressar um conceito que no mínimo causará controvérsia.
Após expressar tal definição faremos uma análise critica da aplicação de conceitos
tradicionalmente pertencentes à filosofia e aplicaremos analise do fenômenos ora estudados
verificando suas realidades e aplicações terapêuticas.
Material e metodologia
A pesquisa partirá de extensa análise bibliográfica de obras de filósofos, antropólogos
e outros cientistas. Vamos nos utilizar da abordagem da religião em sociólogos e antropólogos
contemporâneos (segunda metade do século XX): tais como Roger Bastide, Claude Levy-
Strauss, Pierre Bourdieu, Cliford Geertz, Daniele Hervieu-Leger, Luhmann, Morin, bem como os
tradicionais, clássicos da Sociologia e da Antropologia (Século XIX e primeira metade do
Século XX) ex: Alex de Tocqueville, Edward Tylor, Herbert Spencer, Karl Marx, Emile
Durkheim, Marcel Mauss, Max Weber, Troeltsch, James Frazer, Bronislaw Malinovski,
Radcliffe-Brown, Evans-Pritchard, Lévy-Bruhl, Gabriel Le Bras, S. Freud e Jung, e outros. Afora
isso pretendo buscar informações úteis na rede mundial de informações, e em periódicos,
dicionários enciclopédias e outras fontes.
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Alem disso pretendemos fazer extensa coleta de dados “in loco” participando de cultos
entrevistando os participantes, fiéis e pastores dentro das igrejas nos utilizando da aceitação
clássica que temos dentro desse grupo devido a meus laços familiares, o que torna uma
facilidade de existir uma pesquisa participante.
Escolhemos algumas igrejas para pesquisa que se enquadra no conceito de
Pentecostais tradicionais que será melhor desenvolvido no trabalho, a qual ventilamos apenas
algumas característica : presença marcantes de roupas diferenciadas (ternos e saiões mesmo
no calor), ausência ou diminuição do discurso da teologia da prosperidade, regras morais
rígidas de convivência, linguagem particular, sentimento de separação das grandes igreja e
neopentecostais, e outras a serem desenvolvidas no trabalho.
As igrejas escolhidas prioritariamente são igrejas encontradas nas cidades de Marília,
Bauru e Garça, todas consideradas igrejas pequenas (de 20 a 100 membros), a saber, já com
prévia anuência dos lideres (podem ser mudadas para igrejas da região de São Carlos):
Igreja Pentecostal Assembléia de Deus – M. Madureira, R. Francisco José de Oliveira 227
Parque das Nações Marília -SP
Igreja Cristã Pentecostal Maravilhas de Jesus, Av. Gildo Bonatto 10 Jardim Planalto
Marília -SP
Igreja Pentecostal Jesus é Vida e Cura - Alameda 72 s/n Vila Lácio Marília-SP
Igreja Assembléia de Deus Missionária – Av. Pedro de Toledo 1-10 Bauru-SP
Igreja pentecostal Guerreiros da Fé, r. João Pinto, Vl São Paulo, 1-44 Bauru-SP
Igreja Evangélica Assembléia de Deus Nossa Justiça R. Barão de Itapetininga 14-07
Presidente Geisel Bauru SP 0 (14)3281-1594
Igreja Evangélica Assembléia de Deus ministério Belém -R André Bonachella Palliareci 2-
61, N. Jose Regino Bauru -SP
Utilizar-se-á, a dissertação, dos cânones da metodologia científica moderna e será
moldada segundo as regras da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas).
Prentendemos fazer visitação e analise de cultos de cura “in loco”, entrevistar o fieis e
pastores com questionário direto em pesquisa quantitativa (pelo menos 20 membros de cada
igreja, totalizando 140 entrevistas - questionários) a ser elaborado junto com o orientador(a),
com resumo e gravações dos relatos de cura porem com as seguintes perguntas básicas, alem
de várias outras:
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Você já foi curado? (você tem testemunho de cura?).
Alguém de sua família ou comunidade já foi curado?
A que você atribui essa cura?
O que é cura?
Como observado será uma pesquisa por amostragem, após a pesquisa por
amostragem localizada, será selecionado os testemunhos em numero de 6 a 10 relatos para
uma pesquisa qualitativa com mais detalhes, e um ou dois casos de estudo de caso, como
histórico de vida hiperdetalhado.
A pesquisa quantitativa por amostragem poderá ser ampliada em caso de recebimento
de recurso ou bolsa, bem como poderá ser utilizado recursos da universidade (treinamento do
curso de metodologia de pesquisa dos alunos de graduação por exemplo se autorizado pela
diretoria do curso).
Seguir-se-á uma metodologia analítica dos textos lidos que procurará identificar
categorias de análise, fazer comparações entre os autores, relacionar o tema proposto pelos
mesmos: a religião e seu papel no desenvolvimento da cognição e saúde humana e verificar se
as explicações oferecidas são satisfatórias.
Plano de trabalho e cronograma de sua execução:
tempo fev mar abr maio jun Jul Ago Set Out Nov Dez A = Pesquisa metodológica -
bibliografica.
2013 A BA BA BA BA BA CA CA CA CA CA
A = inicio do curso.
B = Fase de pesquisa de campo
2014 C C E D E C C C C C F
por amostragem.
2015 C = Fase de elaboração-adaptação
da tese.
2016 D = exame de qualificação.
Preto = Entrega para orientador
para fase de revisão, Revisão pelo
orientador, e autoridades no
assunto.
F= entrega para Banca
examinadora e defesa.
Embora seja analítica, a metodologia vai ao encontro com uma pretensão de
desenvolver uma nova ciência do homem proposta por Morin (1993). Trata – se de entender o
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pensamento que distingue e une. Não se trata de abandonar o conhecimento das partes pelo
conhecimento do todo, nem da análise pela síntese; é preciso conjugá-las. Existem desafios da
complexidade com os quais desenvolvimentos próprios da atualidade científica que confrontam
inelutavelmente os antigos paradigmas.
Forma de análise dos resultados
Nesse item da forma de análise dos resultados, a linha do projeto é a de procurar
compreender o modo como os objetos simbólicos produzem sentidos, não a partir de um mero
gesto de decodificação, mas como um procedimento que desvenda a historicidade contida na
linguagem em seus mecanismos imaginários. Isto será feito em algumas etapas:
A pesquisa de campo procurará identificar individualmente cada membro que se
envolve no processo de identificação de identidade pentecostal em processos de curas divinas,
bem como sua atuação sobre estes fenômenos, e sua própria análise destes.
A pesquisa será feita na forma de um questionário, distribuída a alguns membros, o
qual será preenchido quando era localizado um fenômeno de cura. As análises dos dados
procuraram caracterizar fenômenos ocorridos e identificados, em função de características das
atividades de culto e dos indivíduos.
Pretendemos fazer visitação e analise de cultos de cura “in loco”, entrevistar o fieis e
pastores com questionário direto em pesquisa quantitativa (pelo menos 20 membros de cada
igreja, totalizando 140 entrevistas - questionários) a ser elaborado junto com o orientador(a),
com resumo e gravações dos relatos de cura porem com as sobreditas perguntas básicas,
alem de várias outras proposta em acordo com o orientador:
A pesquisa quantitativa por amostragem poderá ser ampliada em caso de recebimento
de recurso ou bolsa, bem como poderá ser utilizado recursos da universidade (treinamento do
curso de metodologia de pesquisa dos alunos de graduação, por exemplo, se autorizado pela
diretoria do curso).
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