as treze colc3b4nias by x29Gd4

VIEWS: 0 PAGES: 5

									                         A AMÉRICA DO NORTE E AS TREZE COLÔNIAS

- A colonização efetiva
         Ao longo dos séculos XVII e XVIII, os ingleses fundaram, na América do Norte, treze colônias
independentes entre si. Em 1607, a London Company (Companhia de Londres) criou uma colônia na Página
Virgínia, para onde emigraram colonos de origem humilde. Anos depois, em 1620, a Plymouth Company | 1
(Companhia de Plymouth) fundou Nova Plymouth, uma colônia formada por puritanos ingleses que
ficaram conhecidos como “peregrinos do Mayflower” ou pilgrims fathers (pais peregrinos). Mayflower era
o nome da embarcação utilizada para a travessia do oceano. Da mesma forma, em 1632, colonos católicos
fundaram Maryland.
      Ao chegar so solo norte-americano, os passageiros do navio Mayflower assinaram um documento
conhecido como Mayflower Compact:
         [...] Nós, cujos nomes se seguem, [...] tendo realizado, para a glória de Deus, a difusão da fé cristã e a honra de nossos rei e
de nosso país, uma viagem para estabelecer a primeira colônia na parte norte da Virgínia, pelos presentes, realizamos solene e
mutuamente, diante de Deus e de cada um de nós, uma aliança (covenant) e a constituição de um corpo político civil para nos
garantir uma ordem e uma proteção maiores, e a busca dos objetivos precedentemente citados; em virtude dos quais, decretar,
redigir e conceber, quando se fizer necessário, justas e igualitárias leis, autorizações, atos, constituições e ofícios, segundo o que
parecer melhor responder ao interesse geral da colônia, a qual prometemos toda a submissão e obediência que lhe são devidas.
Dando fé a esse documento, escrevemos abaixo nossos nomes. Em Cap Cod, 11 de novembro do ano do reino de nosso soberano
senhor Jaime, décimo oitavo rei da Inglaterra, da França e da Irlanda, e quinquagésimo quarto rei da Escócia, Anno Domini 1620.
                                                                Revista História Viva, out, 2009.

         Campanhas passaram a ser feitas na Inglaterra com o objetivo de convencer as pessoas a se
aventurar no Novo Mundo. Famílias inteiras, homens, mulheres e crianças, migravam para a América.
Embora houvesse nobres e burgueses, a maioria dos emigrados era composta por pequenos camponeses e,
até mesmo, “indesejáveis” do reino, como os mendigos e condenados à prisão.




       Nessa imagem do século XIX, chamada Os peregrinos, tem-se a impressão de um território vazio a ser desbravado.
 Observe a simplicidades das vestimentas. O esforço dos primeiros colonizadores tornou-se um forte mito para a consolidação da
                                                    nação norte-americana.

         Muitas pessoas que queriam chegar até à América não possuíam dinheiro para pagar sua passagem,
por esta razão, concordavam em vender-se como ‘criados’ por um certo número de anos, para quem quer
que pagasse sua dívida ao capitão do navio, ou seja, os mais pobres se submetiam à servidão contratual,
comprometendo-se a trabalhar de dois a sete anos nas terras de um colonizador. Findo o contrato, estavam
teoricamente livres e podiam ter acesso a um pedaço de terra para começar uma vida nova. Essa relação de
trabalho era denominada servidão temporária ou “servidão por contrato” (indentured servant).

        “Gottlieb Mittelberger era um organista, que vei para o após em 1750, acompanhando um órgão destinado a
Filadélfia. Aqui vai parte de sua história: (...) Quando os navios aportam em Filadélfia, depois dessa longa viagem, não é
permitido a ninguém deixar a embarcação, a não ser que tenha pago a passagem ou que apresente boa garantia; os que não Página
conseguem ficam a bordo até serem comprados e são liberados pelos indivíduos que os compram. Os doentes, naturalmente passam | 2
pior pois as pessoas saudáveis são compradas em primeiro lugar, e assim os que são recusados por serem doentes permancem a
bordo, diante da cidade, durante 2 ou 3 semanas, e frequentemente morrem; entretanto, muitos deles, se tivessem arranjado
dinheiros e tivessem podido abandonar o navio, teriam recobrado a saúde...
        A venda de seres humanos no mercado, a bordo dos navios, faz-se da seguinte maneira: todos os dias alguns ingleses,
holandeses e alemães vêm da cidade de Filadélfia e de outros lugares, alguns de muito longe, até de 60, 90 ou 120 milhas de
distância, e se encaminham para o navio recém-chegado, que conduz e oferece à venda passageiros vindos da Europa. Selecionam
entre os mais saudáveis aqueles que consideram aptos para determinado trabalho, e confabulam com eles sobre o tempo que deverão
servir até pagar toda a passagem, pois muitos deles ainda estão devendo. Quando chegam a um acordo, acontece de os passageiros
adultos assinarem uma proposta para trabalhar 3, 4, 5 ou 6 anos, pois a quantia pela qual são avaliados varia de acordo com a
idade e força. Mas indivíduos muito jovens, de 10 a 15 anos, têm de servir até atingir os 21 anos.”
                          HUBERMAN, Leo. História da riqueza dos Estados Unidos (Nós, o povo). 1987, p. 2-3.

        Nas novas colônias da América do Norte, durante os primeiros tempos, de modo geral, a pobreza
predominou. Atividades ligadas à caça, à pesca, a pequenas lavouras, à criação de animais, ao comércio e
ao artesanato compunham uma economia simples, porém diversificada.
        No início, aparentemente, os encontros com as pequenas e nômades tribos indígenas do litoral
atlântico foram pacíficos. Com o crescimento do povoamento europeu, houve tentativas de escravização de
grupos indígenas. Muitos índios morreram e outros fugiram para o oeste. Com os nativos, os colonos
aprenderam a curtir peles e plantar o milho e o tabaco, atividades centrais para a economia dos primeiros
tempos e cujo cultivo, “salvou” muitos colonos da morte por inanição.
        Em relação ao comércio colonial, na prática, as colônias inglesas gozavam de grande autonomia em
suas decições. Mesmo contando com governadores ingleses representantes do Rei, o poder efetivo se
assentava nas assembleias coloniais, que representavam os pequenos e grandes proprietários. Impostos e
taxas não podiam ser aprovados sem o consentimento dessas assembleias.
       Algumas colônias foram além, instituindo o direito à votação secreta para as assembleias e os
conselhos deliberativos a todos os colonos, sem distinção de nacionalidade ou religião. Essa experiência de
autogoverno – self-government – foi decisiva para a construção de uma vivência político-administrativa
autônoma por parte dos colonos da América do Norte.
       Embora apresentassem alguns traços em comum, as diferenças entre as Treze Colônias foram
grandes. Clima, religião e fertilidade da terra fizeram com que as colônias do Norte e do Sul da América
Anglo-Saxônica tivessem estruturas econômicas diferenciadas, influenciando o modo de vida dos colonos.
                                                                                                                               Página
                                                                                                                               |3




                  Mapa das 13 colônias inglesas na América do Norte, mostrando seu limite máximo em 1776,
                                         ano em que foi proclamada a independência


- As colônias do Norte e do Centro: a “outra” América
        As colônias do extremo-norte – Massachusetts, Connecticut, Rhode Island e New Hampshire –
ficaram conhecidas como Nova Inglaterra. Tratava-se do que se convencionou chamar de “colônias de
povoamento”, para onde migravam comunidades e famílias inteiras.
        Diante dos invernos rigorosos e solos pouco férteis, muitos colonos passaram a se dedicar ao
comércio de peles, à pesca do bacalhau e à criação de animais. Uma produção para o mercado interno,
baseada na policultura (batata, milho, feijão e cereais), era desenvolvida em pequenas fazendas familiares,
que também se dedicavam à pecuária.
        Nessa região, a influência dos puritanos foi decisiva. Grupos familiares migravam para a América
Inglesa considerando-se predestinados a construir um novo mundo sob os ideais calvinistas de intensa
religiosidade e salvação pelo trabalho.
        A condenação à mendicância e ao alcoolismo misturava-se com a intolerância a quaisquer práticas
que fossem diferentes daquelas comuns aos puritanos. A própria comunidade encarregava-se de zelar pelo
cumprimento das crenças e dos costumes, punindo severamente as contravenções e os comportamentos
considerados destoantes.
        Os pesquisadores May, McMillen e Sellers (Uma reavaliação da história dos Estados Unidos: de
colônia a potência mundial) assim descreveram a atuação dos puritanos no início da colonização da
América do Norte:
         Os puritanos eram “atletas morais”, convencidos de que a “vida correta” era a melhor prova (embora não garantia) de
que o indivíduo desfrutava a graça de Deus. A vida correta incluía trabalhar tão arduamente e ser tão bem sucedido quanto
possível em qualquer ofício mundano e negócio em que Deus houvesse colocado a pessoa. Animados por essas convicções, não era
de se admirar que os puritanos fossem altamente vitoriosos em suas atividades temporais, em especial nas circunstâncias
favoráveis oferecidas pelo ambiente do Novo Mundo.

        De início, a pobreza imperava nas colônias. Mas as dificuldades econômicas dos primeiros tempos,
foram rapidamente superadas pela valorização do trabalho e da riqueza. Estas, ideologias típicas do
calvinismo. Na visão do filósofo Max Weber (A ética aprotestante e o espírito do capitalismo), o
pensamento e o comportamento típicos do calvinismo, possivelmente tenham contribuído para a expansão
e diversificação das manufaturas e atividades comerciais, atividades econômicas características do
capitalismo.
        Além disso, a existência de reentrâncias na costa, favoráveis ao estabelecimento de portos
privilegiados, somada à facilidade para a extração de madeira, impulsionou uma próspera construção
naval e um comércio externo desenvolvido e independente em relação à Coroa inglesa.
        Um pouco mais ao sul da Nova Inglaterra, estavam as colônias de Nova York, Pensilvânia,
Delaware, Maryland e Nova Jersey. Durante o século XVIII, essas colônias da região central da América do
Norte passaram a ser ocupadas por grupos que fugiam das guerras e perseguições político-religiosas, da Página
fome e das dificuldades de acesso à terra por causa dos cercamentos1 das áreas comunais – enclosures.         |4
        Essa população era proveniente de diferentes partes da Europa, compondo uma grande
diversidade: ingleses, alemães, irlandeses, escoceses, suíços, franceses, espanhóis. A pluralidade religiosa
também foi maior nessas colônias, envolvendo prebiterianos, católicos, batistas, luteranos, metodistas e
huguenotes e conferindo um aspecto bastante heterogêneo à região.
        A necessidade de convívio entre populações com línguas, hábitos, costumes e religiosidades
diversos contribuiu para a formação de uma cultura cosmopolita e tolerante se comparada às colônias do
norte. Como colônias de povoamento, da mesma forma como ocorreu na Nova Inglaterra, a atividade
comercial impulsionou a policultura, as pequenas indústrias e a construção naval.
        Tanto nas colônias do norte quanto nas do centro, surgiram grandes núcleos urbanos, como Nova
York, Filadélfia e Boston. Nesses e em outros centros, aos poucos, floresceram atividades ligadas à cultura e
à educação. Em 1636, surgiu o Colégio de Harvard, mais tarde, transformando em universidade. Com o
tempo, as cidades passaram a ter suas próprias escolas básicas. O século XVIII, por sua vez, viu a formação
de várias universidades: Yale (1701), Princeton (1746), King’s College (1754), Filadélfia (1755) etc.

- As colônias do Sul e a economia de plantation2
        Diferentemente do que ocorreu no Norte e na área central da América setentrional, no Sul e nas
Antilhas, surgiram colônias baseadas na monocultura de agroexportação. O clima quente e o solo fértil da
região favoreceram o desenvolvimento de uma economia complementar à da metrópole. Ao longo de vias
fluviais, grandes propriedades passaram a produzir tabaco, arroz, anil e algodão para exportação.
        Durante o século XVIII, de Maryland à Geórgia, passando pelas duas Carolinas, a escravidão
africana predominou sobre a servidão contratual. Assim, aos poucos, impôs-se o sistema de plantation, no
qual grandes latifúndios desenvolviam produtos voltados ao mercado externo, utilizando a mão-de-obra
escrava. A economia de plantation acabou desestimulando a produção manufatureira e o desenvolvimento
urbano nas colônias do Sul.
        Nessa região, por lei, os colonos tinham que seguir a Igreja Anglicana, oficial da Inglaterra, cujo
líder era o rei daquele país. Muitas vezes, a Igreja ficava junto às lavouras de uma grande fazenda e o
ministro e o fazendeiro resolviam ente si os assuntos paroquiais.
        A própria mentalidade do Sul, ao longo dos séculos, foi se diferenciando daquela existente na Nova
Inglatera e nas colônias do Centro. Posteriormente, os estados sulinos sustentaram uma postura mais
tradicional, com forte presença do patriarcalismo (domínio do pai sobre propriedades, família e pessoas).

                 MORENO, Jean e VIEIRA, Sandro. História: cultura e sociedade. Volume 2. (Texto adaptado)




1
  Denominação pela qual ficou conhecido o processo de substituição da atividade agrícola tradicional pela criação de ovelhas em
campos cercados (enclosure), com a consequente expulsão de muitos camponeses das propriedades rurais inglesas.


2
  Diz-se das grandes propriedades rurais (latifúndios), destinadas a monocultura (um produto principal) em larga escala para
exportação, sendo que o trabalho era realizado por mão-de-obra escrava negra.
Profª ISABEL CRISTINA SIMONATO
E.E.E.M. Emílio Nemer, Castelo-ES
Blog: belsimonato.wordpress.com
             30.agosto.2011

                                    Página
                                    |5

								
To top