Pensamento Social Brasileiro

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Isso é um resumo meu a ser utilizado em sala. Não tem referencial teórico.
No período em que se delineou o surgimento da Sociologia na América Latina,
especificamente, no Brasil, o modelo de sociedade que existia era baseado na cópia dos
sistemas filosóficos europeus. Não havia nem formação de identidade de um povo, não
se tinha interesse em pensar autonomamente. O Brasil ainda estava assolado pelo
regime escravista que tanto tinha assolado essa nação. Os poucos intelectuais que se
tinha, estudavam na Europa e acabavam sempre copiando as formas de pensamento do
outro continente. Não havia uma reflexividade ou uma problematização a partir de
questões e necessidades locais. A produção teórica não fundamentava ou esclarecia a
prática, fosse ela qual fosse. O negro brasileiro passava por um processo de constante
discriminação. Após anos de exploração em regime escravista, ganha sua utópica
liberdade, a partir de pressões externas de implementação do ideário burguês de
igualdade de tratamento a todos. A perspectiva presente no ideal da revolução Francesa
“Liberdade, igualdade e fraternidade”. Os poucos que produziam pensamento estavam
ligados à coroa portuguesa, e impregnados de teorias evolucionistas buscavam justificar
uma diversidade racial por meio da biologia. Tentando fazer com que as sub raças, ou
os negróides, termo que podemos encontrar no texto Guerra e Paz, continuassem com a
idéia de que eram, de fato inferiores. A formação cultural do brasileiro, mesmo que
sejamos uma população de miscigenados é branca, européia, e aos miscigenados cabia a
parte de tentar ser branco ou de se orgulhar de ter um ancestral branco em sua família,
ainda que essa ancestralidade seja fruto de um estupro ou um abandono, como o caso
dos conhecidos bastardos. Só no início da primeira década do século XXI é que algumas
ações afirmativas ganharam corpo e idéia no congresso nacional e se tornaram lei a
defender brasileiros rejeitados pelo próprio sistema.
Poligenia é uma das explicações adotadas por pensadores que justificaram e idealizaram
a Revolução Francesa, dentre eles damos destaque a Voltaire. O ideal constituinte da
Revolução Francesa era de “liberdade, igualdade e fraternidade”, entretanto esse ideal
unificador de todos os povos deixava de ser realidade quando os europeus precisavam
dialogar ou mesmo se encontrar com não europeus. O discurso de fraternidade e
igualdade não se mantinha, e a justificativa mais plausível era a de que os outros povos
eram raças distintas, sub humanas, no senso da bestialidade ainda. Com essa
caracterização de humanos é impossível ser livre. A unidade prevista pela revolução,
além de inviável se torna impossível. Há, assim, uma forma de exclusivismo étnico, e a
única raça humana capaz de cumprir o ideário revolucionário francês é a população
ariana. Por fim, poligenia, é afirmar que os outros humanos não europeus tenham
origem distinta dos europeus e não tenham condições de viver de acordo com o modelo
de civilidade européia.
A monogenia se apresenta com características menos perversas do que a poligenia, pelo
menos aparentemente. A monogenia, defendida por Buffon, afirma que a espécie
humana tem um ancestral comum, ou seja, todos derivamos de uma mesma causa. A
unidade estaria explicada, entretanto, a diversidade entre os humanos é um fato. Como
explica-la, então? A solução mais rápida dessa postura é de que as diferenças são
étnicas, e é a etnicidade que irá afirmar um processo estratificador das diferentes
culturas. Está imbricado a essa questão a idéia de superioridade dos arianos ou indo-
europeus, pois eles continuam sendo o modelo civilizatório a ser seguido, e as demais
nações mais cedo ou mais tarde chegarão em seu nível de desenvolvimento. Há presente
aqui uma idéia de determinismo biológico, onde todos se encaminharão.
É característico em toda ciência que surja entre os séculos XVIII a XX se fundamentar
em princípios experimentais, ou seja, em princípios positivos. O objetivo era fazer com
que as ciências humanas e as sociais tivessem o mesmo critério de verificabilidade e
veracidade das ciências exatas ou biológicas, a fim de que tivessem a mesma
credibilidade. Com essa intenção, Darwin é interpretado a partir de sua obra “Evolução
das Espécies” em um contexto social e cultural. A noção de que um povo evolui mais
que outro, de que é mais civilizado é interpretado sob o viés de que o europeu está em
um estágio de civilidade mais avançado do que as outras culturas. Essa interpretação
homologou práticas discriminatórias, racistas e fundamentou durante muito tempo a
prática do escravismo e dos holocaustos. É necessário analisar se de fato os métodos das
ciências biológicas ou exatas cabem e verificam estudos das ciências humanas e sociais.
Ao afirmar que existem culturas biologicamente mais desenvolvidas que outras não é
um objetivo de trabalho da Biologia, mas sim um projeto político de expansão que
precisava justificar de algum modo sua prática. Pode-se, assim, agir de modo arbitrário,
dizimando nações inteiras, impondo seu modo de pensar às outras culturas como o
único e o melhor, sem respeitar qualquer formação cultural, religiosa, ou de qualquer
ordem que possa ter. Convencendo a grande massa de uma ideologia destrutiva,
impedindo de questionar a ação do estado, já que, alienados, acreditam ser os melhores.
O texto inicial de Casa Grande e Senzala selecionada para a discussão por Benzaquen,
afirma que a miscigenação conduz a uma esterilidade, quando não biológica, certamente
cultural. Uma outra postura apresentada pelo autor sobre Gilberto é que ele apresenta
uma postura um pouco menos impelida de preconceito racial. Essa idéia se baseia que a
miscigenação é uma forma de salvação do Brasil, pois o mulato não é um negro puro,
tem sangue branco. É intenção que no decorrer de cem anos os mulatos e os negros
deixem de existir dando seu lugar a um branco. É a idéia da política do branqueamento.
A terceira idéia, e afirma Benzaquem, é assumida por Gilberto é de que há uma
diferença entre raça e cultura. Analisa, entretanto, que mesmo sendo essa a postura que
ele deseja assumir, seu discurso, seus exemplos ainda estão carregados de uma
linguagem onde apresenta um determinismo biológico fortemente acentuado. A idéia de
uma democracia racial apresentada por Gilberto acaba dissimulando ou mesmo
camuflando a postura da sociedade colonial e suas práticas para com os escravos ou
índios.

				
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posted:10/24/2012
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