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CINEMA NA ESPLANADA FILMES DA PRAIA_ FILMES SOBRE .doc

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CINEMA NA ESPLANADA FILMES DA PRAIA_ FILMES SOBRE .doc Powered By Docstoc
					CINEMA NA ESPLANADA: FILMES DA PRAIA, FILMES SOBRE FILMES E ELVIS PRESLEY
em colaboração com o Blog Noite Americana nas sessões “Filmes sobre Filmes”e com o Clube Elvis 100% - Still Rockin’! nas sessões “Elvis Presley”


Em Setembro, espraia-se a ideia que presidiu à programação da Esplanada em Julho com mais filmes ao ar livre e
mais “Filmes da Praia” (às Quintas--feiras). A ela se reúnem dois outros “capítulos”, acolhidos de propostas que
nos chegaram respectivamente do Blog Noite Americana e do Clube Elvis 100%, no ano que marca o 30º
Aniversário da morte de Elvis Presley: “Filmes sobre Filmes” (todas as Sextas-feiras) e “Elvis Presley” (todos os
Sábados).
Sob o mote da praia e do Verão apresentamos BONJOUR TRISTESSE, À FLOR DO MAR, A MIDSUMMER NIGHT’S
SEX COMEDY e PAULINE À LA PLAGE. É com eles que fazemos rimar os “filmes sobre filmes” de Fellini em OTTO E
MEZZO, de Lynch em MULHOLLAND DRIVE, de Woody Allen em THE PURPLE ROSE OF CAIRO e de Nick Ray em IN
A LONELY PLACE. E com uns e com outros, Elvis, filmado por Richard Thorpe (JAILHOUSE ROCK, FUN IN
ACAPULCO, este último também um filme de espírito veraneante), Donald Siegel (FLAMING STAR) e Gene Nelson
(HARUM SCARUM).




                                                                                                                                    Filmes da Praia
BONJOUR TRISTESSE
Bom Dia Tristeza de Otto Preminger
com Deborah Kerr, David Niven, Jean Seberg, Mylene Demongeot
Estados Unidos, 1958 - 94 min / sem legendas
Depois de ter contribuído para a desmontagem do modelo clássico de Hollywood, Preminger não deixou de
procurar novos e alternativos caminhos. BONJOUR TRISTESSE, adaptação do livro homónimo de Françoise Sagan,
é um bom exemplo disso, com uma estrutura e estilo que parecem resultar (ou resultam mesmo) de um encontro
feliz entre uma sensibilidade americana e uma sensibilidade europeia. Um filme ímpar, centrado num complexo
trio de personagens (Kerr, Niven, Seberg).
Esplanada
Qui. [06] 22:30
                                                                                                                              Filmes sobre filmes
OTTO E MEZZO
Fellini Oito e Meio de Federico Fellini
com Marcello Mastroianni, Claudia Cardinale, Anouk Aimée, Sandra Milo, Mark Herron
Itália, 1962 - 139 min / legendado em espanhol
O ponto de partida deste filme foi o cancelamento de um projecto de Fellini. Vendo a alegria dos técnicos perante
a hipótese de fazer um novo filme (só ele sabia do cancelamento do projecto), Fellini decidiu fazer um filme sobre
um filme que não se faz. O resultado foi OTTO E MEZZO, no qual Fellini abandona por completo o realismo, a
causalidade e a narrativa linear, numa obra quase abstracta, marcada por uma poderosa imaginação visual.
Esplanada
Sex. [07] 22:30
                                                                                                                                        Elvis Presley
JAILHOUSE ROCK
O Prisioneiro do Rock and Roll de Richard Thorpe
com Elvis Presley, Judy Tyler, Mickey Shaughnessy, Vaughn Taylor
Estados Unidos, 1957 - 96 min / sem legendas
“Elvis Presley at his greatest”, como diz a frase publicitária do cartaz de JAILHOUSE ROCK, terceiro filme de Elvis
(LOVE ME TENDER e LOVING YOU datam de pouco antes). Elvis veste aqui a pele de Vince Everett, personagem
que segue de perto a imagem pública de Presley, compondo, por outro lado, um ícone entre os dos jovens
rebeldes dos anos 1950. Entre as canções de JAILHOUSE ROCK (o disco homónimo saiu também em 1957) e, para
além do tema que dá o título ao filme, estão Young and Beautiful, I Want to Be Free, Don’t Leave Me Now e
(You’re So Square) Baby I Don’t Care.
Esplanada
Sáb. [08] 22:30
                                                                                               Filmes da Praia
À FLOR DO MAR de João César Monteiro
com Laura Morante, Philip Spinelli, Manuela de Freitas, Teresa Villaverde
Portugal, 1986 - 143 min
À FLOR DO MAR, imediatamente anterior a RECORDAÇÕES DA CASA AMARELA, marca o fim da primeira fase da
obra de João César Monteiro. Uma estranha intriga, que traz a uma praia algarvia um homem ferido chamado
Robert Jordan (nome que é de imediato uma citação literária e cinéfila), a seguir a um atentado de que é alvo um
dirigente palestiniano num hotel do Algarve, recolhido por uma viúva italiana chamada Laura Rossellini. Um filme
de luz mediterrânica e música clássica. Belíssimo.
Esplanada
Qui. [13] 22:30
                                                                                          Filmes sobre Filmes
MULHOLLAND DRIVE
Mulholland Drive de David Lynch
com Naomi Watts, Laura Harring, Justin Theroux
Estados Unidos, 2001 - 145 min / legendado em português
“Uma história de amor na cidade dos sonhos”, dizia a publicidade do filme. Trata-se de um dos filmes mais
hipnóticos e envolventes de Lynch, em que a trama narrativa (uma jovem actriz vai para Hollywood e acaba
envolvida numa sombria conspiração, em que se misturam uma mulher com amnésia e um realizador de cinema)
abole deliberadamente as fronteiras entre realidade e imaginação, deixando o espectador tão desorientado e
fascinado como as personagens. Nada parece ser o que é, num filme cujo tema central talvez seja a ilusão
cinematográfica.
Esplanada
Sex. [14] 22:30
                                                                                                  Elvis Presley
FUN IN ACAPULCO
Amor em Acapulco de Richard Thorpe
com Elvis Presley, Ursula Andress, Elsa Cárdenas, Paul Lukas
Estados Unidos, 1963 - 97 min / sem legendas
Depois de um acidente ter deixado a personagem do trapezista de Elvis neste filme com medo das alturas, ei-lo a
animar um resort em Acapulco, onde é simultaneamente segurança e cantor. A rivalidade com outro veraneante
musculado pela atenção de Ursula Andress é outro dos ingredientes e, claro, as canções. Entre os hits, Viva el
Amor, No Room to Rhumba in a Sports Car, You Can’t Say No in Acapulco e Bossanova Baby. Primeira exibição na
Cinemateca
Esplanada
Sáb. [15] 22:30
                                                                                               Filmes da Praia
A MIDSUMMER NIGHT’S SEX COMEDY
Comédia Sexual de uma Noite de Verão de Woody Allen
com Woody Allen, Mia Farrow, Jose Ferrer, Julie Hagerty, Mary Steenburgen, Tony Roberts
Estados Unidos, 1982 - 88 min / sem legendas
Woody Allen chega a Shakespeare passando por Ingmar Bergman, cujo filme SORRISOS DE UMA NOITE DE VERÃO
(1955) encontra ecos em COMÉDIA SEXUAL NUMA NOITE DE VERÃO. É a atmosfera das feéricas noites de Verão a
trazê-lo à Esplanada. Para o realizador foi o filme o encontro com Mia Farrow, o primeiro que fizeram juntos.
Esplanada
Qui. [20] 22:30
                                                                                          Filmes sobre Filmes
THE PURPLE ROSE OF CAIRO
A Rosa Púrpura do Cairo de Woody Allen
com Mia Farrow, Jeff Daniels, Danny Aiello, Irving Metzman, Stephanie Farrow
Estados Unidos, 1985 - 81 min / legendado em português
Uma das mais bonitas incursões no cinema como “fábrica de sonhos”. Na década de 1930, no auge da crise
económica, uma mulher evade-se de uma vida cansativa e rotineira, vendo um filme de aventuras vezes sem
conta, até ao momento em que realidade e ficção se encontram na “porta mágica” do écran.
Esplanada
Sex. [21] 22:30




                                                                                                   Elvis Presley
FLAMING STAR
A Lança em Chamas de Donald Siegel
com Elvis Presley, Steve Forrest, Barbara Eden, Dolores del Rio, John McIntire
Estados Unidos, 1960 - 92 min / sem legendas
Elvis encarna um papel originalmente pensado para Marlon Brando, o de Pacer Burton, filho de um rancheiro
branco e de mãe índia Kiowa, num western baseado no livro Flaming Lance (1958) de Clair Huffaker. FLAMING
STAR tem apenas duas canções (Flaming Star e Cane and a High Starched Collar), das quais apenas a canção títular
do filme foi gravada em disco, coincidindo com a estreia do filme. Britches e Summer Kisses, Winter Tears foram
originalmente pensadas para integrar a sua banda sonora, assim como Black Star – título de trabalho deste filme
de Siegel. Primeira exibição na Cinemateca.
Esplanada
Sáb. [22] 22:30
                                                                                                Filmes da Praia
PAULINE À LA PLAGE
Pauline na Praia de Eric Rohmer
com Arielle Dombasle, Amanda Langlet, Féodor Atkine, Pascal Grégory
França, 1982 - 92 min / legendado em português
A série de COMÉDIAS E PROVÉRBIOS consta de seis filmes, como os CONTOS MORAIS. O título genérico da série é
tirado de um grupo de peças de Musset, destinadas a ser lidas e não encenadas. A acção é levada pelo verbo, pois
muitas personagens de Rohmer agem como se fossem personagens da literatura. Talvez, por isso, o “provérbio”
que serve de epígrafe a este filme seja uma citação do autor medieval Chrétien de Troyes, “Qui trop parole, il se
mesfait”. Em linguagem mais simples: “Quem fala demais, acaba por se perder”, ou na versão portuguesa
semelhante: “Quem diz o que quer ouve o que não quer”. PAULINE À LA PLAGE, terceiro filme da série, confronta
os jogos de sedução e desejo de adolescentes e de adultos, no período estival, em Deauville.
Esplanada
Qui. [27] 22:30
                                                                                           Filmes sobre Filmes
IN A LONELY PLACE
Matar Ou Não Matar de Nicholas Ray
com Humphrey Bogart, Gloria Grahame, Frank Lovejoy, Martha Stewart
Estados Unidos, 1950 - 90 min / legendado em português
IN A LONELY PLACE foi produzido pela sua estrela, Humphrey Bogart, e tem Hollywood dos anos 50 por pano de
fundo. Bogart interpreta o papel de um argumentista suspeito de ter assassinado brutalmente uma jovem
empregada... Tal é a linha inicial da acção que decorre numa atmosfera e com cambiantes ímpares e
infinitamente mais secretos do que as descrições que deles se possam fazer. É neste filme que Bogart diz “I was
born when she kissed me, I died when she left me. I lived for a few weeks while she loved me”. Ela é aqui Gloria
Grahame.
Esplanada
Sex. [28] 22:30
                                                                                                   Elvis Presley
HARUM SCARUM
Férias No Harém de Gene Nelson
com Elvis Presley, Mary Ann Mobley, Fran Jeffries, Michael Ansara, Jay Novello
Estados Unidos, 1965 - 95 min / sem legendas
Comédia musical das arábias, assim se pode resumir a ideia de HARUM SCARUM, um filme construído em torno
da figura musical de ELVIS, a quem oferece as areias do deserto como improvável cenário e a figura de Valentino
de turbante como referência. O repertório musical conta, entre outras, com as canções Kismet, Golden Coins,
Harem Holiday My Desert Serenade, Go East Young Man, Mirage, Shake That Tambourine.
Esplanada
Sáb. [29] 22:30




UM PAÍS, UM GÉNERO: O JAPÃO E O CINEMA HISTÓRICO


A nossa “viagem” por vários países e géneros cinematográficos que melhor os caracterizam, leva-nos, este mês,
ao Japão, cuja cinematografia está muito marcada por um olhar sobre a (sua) história. Aliás, a imagem que se
destaca do cinema japonês clássico aos olhos do cinéfilo, é a do guerreiro do passado, com a sua figura exótica, os
gestos estilizados e ritualizados, que só tem paralelo, no cinema ocidental, na figura do “cowboy” dos westerns
americanos. É a personagem central de um género bem definido que se chama de “chambara”, filme de samurais,
“ramificação” do “jidai geki” (todos os filmes que se referem ao período histórico que vai até 1868, que
representa o fim do Japão tradicional), género que quase todos os grandes cineastas japoneses abordaram, e de
que o presente Ciclo dá alguns exemplos. Akira Kurosawa (de RASHOMON a KAGEMUSHA, passando por OS SETE
SAMURAIS) Mizoguchi (de A VIDA DE O’HARU a INTENDENTE SANSHO, entre outros), e inclusive através do olhar
mais realista e moderno de Yôji Yamada em A SOMBRA DO SAMURAI, e a brutal reflexão histórica que é JOI
UCHI/REBELIÃO (uma estreia nesta sala), de Masaki Kobayashi.
Mas a história não é apenas um olhar sobre o passado. Outro género que reflecte a história do Japão é o “gendai
jeki”, que aborda a fase contemporânea, a que deu forma ao Japão moderno e teve início em 1912. Três filmes de
Shohei Imamura dão-nos um olhar sem contemplações sobre os dramas e acontecimentos que formaram o Japão
moderno: EIJANAKA, DR. FÍGADO e NIPPONSENGOSHI. Destaquemos ainda algumas curiosidades onde lenda e os
heróis populares se confundem com a história. Desde o insólito e “explosivo” SHURAYUKHIME/LADY
SNOWBLOOD, de Toshiya Fujita (o filme que inspirou o KILL BILL de Quentin Tarantino) à obra-prima do cinema
de animação que é MONOKE-HIME, de Hayao Miyazaki.

TASOGARE SEIBEI
A Sombra do Samurai de Yôji Yamada
com Hiroyuki Sanada, Rie Miyazawa, Nenji Kobayashi, Ren Osugi
Japão, 2002 - 129 min/ legendado em português
A história de Seibei Iguchi, um pobre samurai do Japão de meados do século XIX, que leva uma apagada vida de
burocrata, e é forçado a aceitar qualquer trabalho para sustentar a família. Um dia aparece na vida dele uma
mulher, sua antiga apaixonada, que o vai forçar a tomar decisões que levarão a um fim dramático.
Sala Dr. Félix Ribeiro
Seg. [03] 15:30

SAIKAKU ICHIDAI ONNA
“A Vida de O’Haru” de Kenji Mizoguchi
com Kinuyo Tanaka, Toshiro Mifune, Manao Shimizu
Japão, 1952 - 140 min/ legendado em português
Este é um dos grandes filmes de Mizoguchi, história sobre uma mulher em rota de colisão com os valores morais
e sociais do seu tempo. O famoso realismo histórico de Mizoguchi raramente foi levado tão longe, como raras
vezes foi levado tão longe o seu lirismo intimista. Uma das mais belas meditações sobre a mulher na história de
qualquer arte.
Sala Dr. Félix Ribeiro
Ter. [04] 15:30

UGETSU MONOGATARI
Contos da Lua Vaga de Kenji Mizoguchi
com Kinuyo Tanaka, Masayuki Mori, Machiko Kyo
Japão, 1953 - 96 min / legendado em português
Este é não só o mais célebre título da obra de Mizoguchi, mas provavelmente também o mais complexo, e o
preferido de inúmeros cinéfilos. Uma extraordinária experiência narrativa, que mistura um clássico da literatura
japonesa, lendas chinesas e ainda umas pitadas de Maupassant (sem falar no teatro tradicional japonês) para
criar um universo fantástico (inclusivé em termos visuais) onde tempo e espaço se dissolvem e se transformam
numa “coisa mental”.
Sala Dr. Félix Ribeiro
Qua. [05] 15:30


SHICHININ NO SAMURAI
Os Sete Samurais de Akira Kurosawa
com Takashi Shimura, Toshiro Mifune, Yioshio Inaba
Japão, 1957 - 194 min / legendado em português
O filme mais famoso de Kurosawa e um dos seus trabalhos mais influentes no cinema ocidental, que se serviu do
seu argumento como modelo para outros filmes de aventuras, nomeadamente o western THE MAGNIFICENT
SEVEN. Toshiro Mifune tem uma composição de antologia no samurai de origem camponesa, que, com outros
seis, procura ajudar uma aldeia a defender-se de um bando de salteadores durante o período das guerras no
século XVI no Japão. Apresentado muitas vezes em versões reduzidas, o filme será apresentado na Cinemateca
em versão integral.
Sala Dr. Félix Ribeiro
Qui. [06] 15:30

CHIKAMATSU MONOGATARI
“Os Amantes Crucificados”de Kenji Mizoguchi
com Kazuo Hasegawa, Kyoko Kagawa, Eitaro Shindo
Japão, 1954 - 102 min / legendado em português
Uma incursão de Mizoguchi pelo Japão ancestral, com uma história de amor adúltero que termina com os
amantes crucificados. Como habitualmente em Mizoguchi, a temática social (a repressão imposta pela tradição e
pelos costumes) volve-se em metafísica (a morte como derradeira comunhão entre os amantes), noutra das
obras-primas absolutas do cineasta japonês. Um dos vértices supremos da grande herança trágica de que este
filme se postula como um dos mais universais e mais absolutos herdeiros.
Sala Dr. Félix Ribeiro
Sex. [07] 15:30

WAGA KOI WA MOENU
“O Meu Amor Queima” de Kenji Mizoguchi
com Kinuyo Tanaka, Miysuki Mito, Eitaro Ozawa
Japão, 1949 - 84 min / legendado em francês
É um filme explicitamente político, inspirado na vida de Hideko Kageyama, um dos primeiros japoneses a bater-se
abertamente pela melhoria da condição das mulheres, por volta dos anos 80 do século XIX. É um filme em que o
distanciamento se cumpre pela teatralização e pela composição visual, mas que não hesita em recorrer a uma
representação crua da brutalidade e do desejo sexual.
Sala Dr. Félix Ribeiro
Seg. [10] 15:30

YOKIHI
“A Imperatriz Yang Kwei Fei” de Kenji Mizoguchi
com Machiko Kyo, Masayuki Mori, So Yamamura
Japão, 1955 - 98 min / legendado em português
YOKIHI, adaptação de uma história chinesa, situada no século IX, é um dos mais célebres títulos de Mizoguchi e o
seu primeiro filme a cores. E essas cores são fabulosas, num filme em que Machiko Kyo dá corpo a um fabuloso
retrato feminino, sobre um shakespeariano fundo de lutas de poder e intrigas políticas. Um assombro.
Sala Dr. Félix Ribeiro
Ter. [11] 15:30

SANSHO DAYU
“O Intendente Sansho” de Kenji Mizoguchi
com Kinuyo Tanaka, Yoshiaki Hanayagi, Kyoko Kagawa
Japão, 1954 - 88 min / legendado em espanhol
A história de SANSHO DAYU é uma velha lenda japonesa, contada de diversas maneiras (da literatura às canções
populares) a partir do século XVI. O filme de Mizoguchi baseia--se na versão dessa lenda, escrita pelo romancista
Ogai Mori em 1915. Zushio e a irmã Anju, filhos de um governador exilado pelas suas ideias humanitárias,
crescem separados da mãe, suportando e vivendo condições duríssimas, por causa da escravatura imposta pelo
Intendente Sansho. Enérgico e cruel, mas também infinitamente poético, SANSHO DAYU é um hino à bondade
humana e à compaixão contra a escravidão e a exploração. “Um homem sem misericórdia não é um ser humano”
ensina o pai a Zushio.
Sala Dr. Félix Ribeiro
Qua. [12] 15:30

AKAHIGE
O Barba Ruiva de Akira Kurosawa
com Toshiro Mifune, Yazo Kayama, Kyoko Kagawa
Japão, 1965 - 185 min / legendado em francês
Um dos filmes que melhor revelam o humanista Kurosawa. AKAHIGE é a história de um jovem médico no começo
do século XIX, arrivista e ambicioso, que, ao contrário do que esperava quando terminou o curso, é colocado
junto de um estranho e pitoresco médico de pobres, conhecido como o “Barba Ruiva”. Esse contacto vai
humanizá-lo e transformá-lo de tal forma que se tornará discípulo do “Barba Ruiva”.
Sala Dr. Félix Ribeiro
Qui. [13] 15:30

YABU NO NAKA NO KURONEKO
“O Gato Preto do Túmulo” de Kaneto Shindo
com Kichiemon Nakamura, Nobuko Otowa, Kiwako Taichi, Kei Sato
Japão, 1968 - 99 min / legendado em espanhol
O autor de HADAKA NO SHIMA / A ILHA NUA, aborda temas totalmente opostos: o fantástico e o terror. Uma
mulher e a filha são brutalmente violadas e assassinadas por soldados durante os tempos das guerras civis. Mais
tarde, uma série de samurais, que regressa da guerra naquela região, é encontrada misteriosamente assassinada
com as gargantas dilaceradas. Um dos mais impressionantes filmes de terror jamais feitos.
Sala Dr. Félix Ribeiro
Sex. [14] 15:30

JOI UCHI: HAIRÔ TSUMA SHIMATSU
“Rebelião” de Masaki Kobayashi
com Toshiro Mifune, Takeshi Kato, Yoko Tsukasa, Tatsuya Nakadai
Japão, 1967 - 128 min / legendado electronicamente em português
No Japão do século XVIII, um velho samurai vive tranquilamente com o filho, que é forçado pelo “xogun” a casar
com uma das suas concubinas. Quando o filho que esta lhe deu se torna o herdeiro, por morte do anterior, o
“xogun” exige o seu regresso. O samurai e o filho vão questionar a decisão e enfrentar o poder. Para muitos, a
obra-prima de Kobayashi.
Sala Dr. Félix Ribeiro
Seg. [17] 15:30

NIPPONSENGOSHI – MADAMU ONIBORO NO SEIKATSU
“A História do Japão do Post-Guerra Contada pela Patroa de um Bar” de Shohei Imamura
com Tami Akaza, Etsuko Akasa, Akemi Akasa
Japão, 1970 - 100 min / legendado em francês
Em NIPPONSENGOSHI, Imamura conta a história do Japão do post-guerra, através do olhar e das experiências de
uma mulher, proprietária de um bar-prostíbulo em Tóquio, em paralelo com documentos do tempo.
Sala Dr. Félix Ribeiro
Ter. [18] 15:30

SHURAYUKHIME
“Lady Snowblood” de Toshiya Fujita
com Meiko Kaji, Toshio Kurosawa, Masaaki Daimon, Miyoko Akaza
Japão, 1973 - 97 min / legendado electronicamente em português
No fim do século XIX, um bando de criminosos assassina uma família, só deixando viva a mulher que violam. Esta,
morre pouco depois, ao dar à luz uma filha, que será educada como uma assassina e irá vingar o massacre da
família. O filme que inspirou Quentin Tarantino para KILL BILL.
Sala Dr. Félix Ribeiro
Qua. [19] 15:30

KAGEMUSHA
A Sombra do Guerreiro de Akira Kurosawa
com Tatsuya Nakadai, Tsutomo Yamazaki, Kenichi Hagiwara
Japão, 1980 - 169 min/ legendado em português
Kurosawa volta aos temas guerreiros do género “gidai jeki” que tinham feito a sua glória nos anos 50. Um grande
espectáculo cinematográfico sobre um “duplo” (Kagemusha) de um senhor feudal, que o substitui quando este é
morto em combate, e acaba por perder a própria personalidade.
Sala Dr. Félix Ribeiro
Qui. [20] 15:30

EIJANAKA
“Porque Não?” de Shohei Imamura
com Kaori Momoi, Shigeru Izumiya, Ken Ogata, Shingeru Tsuyuguchi
Japão, 1981 - 151 min / legendado em francês
EIJANAKA representa a primeira incursão de Imamura no passado histórico do Japão. Mas se o pano de fundo é
outro, o período da restauração Meiji, os temas são os mesmos que Imamura desenvolve nos filmes “actuais”: o
sexo como mercadoria, o submundo do banditismo e dos tráficos de influência e a subversão dos costumes por
acção de agentes do exterior, neste caso os americanos.
Sala Dr. Félix Ribeiro
Sex. [21] 15:30

MONONOKE-HIME
A Princesa Mononoke de Hayao Miyazaki
Animação; vozes: Yoji Matsuda, Yuriko Ishida, Yuko Tanaka
Japão, 1997- 134 min / legendado em português
O mais famoso filme de um dos mestres da moderna animação japonesa, e uma das suas obras-primas. Conta a
lenda de um príncipe infectado por uma misteriosa e mortal doença transmitida por um deus javali. Em busca de
cura, errará pela floresta, acabando por ser envolvido numa batalha entre os exploradores de uma mina que está
a destruir o ambiente, e os animais da floresta conduzidos pela princesa Mononoke. Violento e brutal, mas com
uma carga poética incomparável.
Sala Dr. Félix Ribeiro
Seg. [24] 15:30

KANZO SENSEI
Dr. Fígado de Shohei Imamura
com Akira Emoto, Kumiko Aso, Jyuro Kara, Masanori Será, Jacques Gamblin
Japão, 1998 - 128 min / legendado em português
Nova incursão de Imamura pelo passado recente do Japão, levando-nos, como em KUROI AME / “CHUVA NEGRA”,
ao ano de 1945, para contar a história do doutor Akagi, médico numa pequena ilha do arquipélago, totalmente
dedicado ao seu trabalho, mas obcecado pela doença do fígado, o que lhe valeu a alcunha que dá o título ao filme
em português.
Sala Dr. Félix Ribeiro
Ter. [25] 15:30

GOHATTO
Tabu de Nagisa Oshima
com Takeshi Kitano, Ryuhei Matsuda, Shinji Takeda, Tadanobu Asano
Japão/França/Grã-Bretanha, 1999 - 100 min / legendado em português
O mais recente filme de Nagisa Oshima, que tem por pano de fundo a era Meiji no Japão e por tema a história de
um jovem samurai, figura andrógina que vai despertar o desejo de outros guerreiros o que provoca uma série de
conflitos.
Sala Dr. Félix Ribeiro
Qua. [26] 15:30

ZATOICHI
Zatoichi de Takeshi Kitano
com Takeshi Kitano, Tadanobu Asamo, Michiyo Ookuzu, Gadarukanaru Taka
Japão, 2003 - 116 min / legendado em português
Takeshi Kitano é hoje já um “clássico”, amplamente conhecido e estudado, com grande parte da obra estreada
entre nós. ZATOICHI é uma experiência singular de Kitano, uma incursão nos “chambara” (filmes de samurais)
indo buscar um herói popular do género de há várias décadas: o guerreiro cego Zatoichi.
Sala Dr. Félix Ribeiro
Qui. [27] 15:30

RASHOMON
Às Portas do Inferno de Akira Kurosawa
com Toshiro Mifune, Machiko Kyo, Masayuki Mori
Japão, 1950 - 88 min / legendado em francês
Foi com este filme, premiado com o Leão de Ouro no Festival de Veneza e com o oscar para o melhor filme
estrangeiro em Hollywood, 1951, que o Ocidente “descobriu” o cinema japonês, que, durante muito tempo,
associou sobretudo ao nome de Kurosawa e aos filmes de samurais. Baseado no conto O Bosque, de Akutagawa e
magistralmente realizado, RASHOMON é uma variação oriental sobre o tema pirandelliano “a cada um a sua
verdade”, contando a história de um crime violento numa floresta, narrada por cada um dos intervenientes.
Sala Dr. Félix Ribeiro
Sex. [28] 15:30


ROGER CORMAN: O “ANJO SELVAGEM” DE HOLLYWOOD

Chega ao fim a nossa homenagem a Roger Corman, “O Anjo Selvagem de Hollywood”, rei da série B e do
“exploitation movie”, iniciada em Junho. Esta última parte inclui os melhores filmes da fase final da sua carreira
como realizador (THE ST. VALENTINE’S DAY MASSACRE, THE TRIP, BLOODY MAMA, VON RICHTOFEN AND BROWN
e o inédito entre nós FRANKENSTEIN UNBOUND), bem como um pouco conhecido TOWER OF LONDON, a que se
junta a “falha” de Julho: THE HAUNTED PALACE. A estes acrescentam-se alguns filmes dos seus mais distintos
“alunos”, Jonathan Demme, Joe Dante, Alan Arkush e Peter Bogdanovich.

THE ST. VALENTINE’S DAY MASSACRE
O Massacre de Chicago de Roger Corman
com Jason Robards, George Segal, Ralph Meeker, Jean Hale, Clint Ritchie, Frank Silvera, Bruce Dern, Harold J.
Stone, John Agar, Barboura Morris, Ken Scott, Jack Nicholson
Estados Unidos, 1967 - 100 min / legendado electronicamente em português
Uma rigorosa reconstituição dos acontecimentos que levaram ao chamado “Massacre do dia de S. Valentim” em
que pistoleiros a cargo de Al Capone assassinaram numa garagem vários membros de um gang rival. CORMAN
utiliza um tom quase documental num dos melhores filmes do género que se fizeram.
Sala Dr. Félix Ribeiro Sala Luís de Pina
Seg. [03] 19:00        Qua. [05] 22:00

TOWER OF LONDON de Roger Corman
com Vincent Price, Michael Pate, Joan Freeman, Robert Brown
Estados Unidos, 1962 - 79 min / legendado electronicamente em português
Remake do filme com o mesmo nome feito por Rowland V. Lee em 1939, vagamente inspirado no Ricardo III de
Shakespeare. Filmado a preto e branco para o produtor (Edward Small) poder utilizar as cenas de batalhas do
primeiro filme. CORMAN dá a “volta” ao argumento original, introduzindo alguns toques de humor negro.
Sala Dr. Félix Ribeiro Sala Luís de Pina
Ter. [04] 19:00        Sex. [07] 22:00

FRANKENSTEIN UNBOUND de Roger Corman
com John Hurt, Raul Julia, Nick Brimble, Bridget Fonda, Jason Patric
Estados Unidos, 1990 - 82 min / legendado electronicamente em português
O “monstro” que faltava na “casa de Corman”, Frankenstein. Contudo, a adaptação não se faz segundo o clássico
de Mary Shelley, mas sim através da sua variação em forma de “ficção científica” escrita por Brian Aldiss, sobre
um cientista que vive em 2031 e que faz uma viagem ao tempo de Mary Shelley e da sua famosa criação.
Sala Luís de Pina       Sala Luís de Pina
Qua. [05] 19:30         Seg. [10] 19:30

FIGHTING MAD
O Vingador da Estrada de Jonathan Demme
com Peter Fonda, Gino Franco, Harry Northup, Philip Carey, Scott Glenn
Estados Unidos, 1976 - 90 min / legendado em português
O terceiro e o melhor dos “exploitation movies” que o futuro autor de THE SILENCE OF THE LAMBS fez para
ROGER CORMAN. É uma história de acção com a vingança sobre um homem (Peter Fonda) que entra em
confronto com uma empresa de construção civil que o quer expulsar, e aos vizinhos, da terra que ocupam.
Sala Dr. Félix Ribeiro Sala Luís de Pina
Qui. [06] 19:00        Seg. [10] 22:00

THE TRIP
Os Hippies de Roger Corman
com Peter Fonda, Susan Strasberg, Bruce Dern, Dennis Hopper, Barboura Morris, Dick Miller, Luana Anders
Estados Unidos, 1967- 85 min / legendado electronicamente em português
Um clássico da “contracultura cinematográfica” que praticamente inaugurou um subgénero, o “acid movie”. Com
argumento de Jack Nicholson, THE TRIP (ou OS HIPPIES, segundo o delicioso rigor sociológico do título português)
é uma descrição delirante das “viagens” de LSD do protagonista Peter Fonda. Foi um relativo sucesso de bilheteira
e, para o trio Fonda-Hopper-Nicholson, uma etapa na contagem decrescente para EASY RIDER.
Sala Dr. Félix Ribeiro Sala Luís de Pina
Sex. [07] 19:00        Qua. [12] 22:00

BLOODY MAMA
O Dia da Violência de Roger Corman
com Shelley Winters, Don Stroud, Pat Hingle, Robert De Niro, Clint Kimbrough, Diane Varsi, Bruce Dern
Estados Unidos, 1970 - 90 min / legendado electronicamente em português
Shelley Winters tem um dos seus grandes papéis neste “biopic” da notória “Ma” Barker, que dirigia um gang de
salteadores formado pelos seus filhos, na década de 30, do século passado, e que foi apontada como um dos
“inimigos públicos” pelo FBI. Uma obra brutal por onde passam também as referências ao incesto. (ver entrada
em Megeras no Cinema)
Sala Dr. Félix Ribeiro Sala Luís de Pina
Ter. [11] 21:30        Sex. [14] 22:00
HOLLYWOOD BOULEVARD de Alan Arkush e Joe Dante
com Candice Rialson, Mary Woronov, Rita George, Jeffrey Kramer, Dick Miller
Estados Unidos, 1976 - 83 min / legendado electronicamente em português
“If it’s a good picture, it’s a Miracle!” é o lema da companhia que produz um filme de série B, e é o trabalho
dessas filmagens (!) que Arkush e Dante encenam, aproveitando inúmeros stock-shots das produções CORMAN.
Foi o filme que aqueles realizadores fizeram na sequência de uma aposta com CORMAN: que eram capazes de
fazer um filme mais barato do que ele! Se é bom… é um milagre!
Sala Dr. Félix Ribeiro Sala Luís de Pina
Qua. [12] 19:00          Ter. [18] 22:00

THE HAUNTED PALACE
O Palácio Maldito de Roger Corman
com Vincent Price, Debra Paget, Frank Maxwell, Lon Chaney Jr, Leo Gordon, Elisha Cook, Jr. John Dierkes
Estados Unidos, 1963 - 85 min / legendado electronicamente em português
A última adaptação de Poe feita por CORMAN nos Estados Unidos. As duas seguintes (THE MASQUE OF THE RED
DEATH e THE TOMB OF LIGEIA foram-no em Inglaterra). Desta vez, CORMAN não se limita a Poe. Ao poema que
lhe serve de epígrafe, junta-se o tema de outro clássico autor do fantástico, H.P. Lovecraft, exactamente com a
sua obra mais famosa, The Case of Charles Dexter Ward. O descendente de um feiticeiro morto em 1765 regressa
à casa familiar despertando velhos fantasmas e assombrando a região.
Sala Dr. Félix Ribeiro Sala Luís de Pina
Seg. [17] 19:00         Qua. [19] 19:30

SAINT JACK
Noites de Singapura de Peter Bogdanovich
com Ben Gazzara, Denholm Elliott, James Villiers, Joss Ackland
Estados Unidos, 1979 - 112 min / legendado electronicamente em português
Já um conhecido realizador em 1979 (THE LAST PICTURE SHOW, PAPER MOON), mas marcado pelo desastre de AT
LONG LAST LOVE, Bogdanovich recorreu ao seu antigo “mestre”, ROGER CORMAN, para produzir SAINT JACK, que
resultou um dos seus melhores filmes. História de um americano na Singapura dos anos 70, tentando fazer
fortuna na exploração de um bordel, a convite da CIA, para os soldados americanos em combate no Vietname.
Sala Dr. Félix Ribeiro Sala Luís de Pina
Qua. [19] 21:30        Qui. [20] 22:00

VON RICHTOFEN AND BROWN
O Barão Vermelho de Roger Corman
com John Phillip Law, Don Stroud, Barry Primus, Karen Huston, Corin Redgrave, Hurd Hatfield
Estados Unidos, 1970 - 97 min / legendado electronicamente em português
Uma reconstituição cuidada dos combates aéreos durante a primeira guerra mundial, lembrando clássicos como
HELL’S ANGELS e THE DAWN PATROL. Estamos em França em 1916 e o filme conta-nos a rivalidade e os duelos
aéreos entre dois ases da aviação daquele tempo, o alemão Von Richtofen, chamado “O Barão Vermelho”, e o
canadiano Roy Brown.
Sala Dr. Félix Ribeiro Sala Luís de Pina
Seg. [24] 21:30        Qua. [26] 22:00

WARLOCK
Sortilégio de Steve Miner
com Julian Sands, Lori Singer, Richard E. Grant, Mary Woronov
Estados Unidos, 1989 - 103 min / legendado em português
Uma fantasia de horror dirigida por outro dos “alunos” de ROGER CORMAN, Steve Miner. É a história de um
feiticeiro que escapa à fogueira em 1691, “fugindo” para o futuro (a nossa época), mas perseguido pela sua
Nemésis, um caçador de feiticeiros. Ambos em busca da “Bíblia do Diabo” que contem o verdadeiro nome de
Deus capaz de provocar a destruição do mundo.
Sala Luís de Pina
Ter. [25] 22:00
IN MEMORIAM OUSMANE SEMBÈNE

O senegalês Ousmane Sembène (1923-2007) foi o primeiro cineasta de envergadura a aparecer em África. O seu
itinerário foi invulgar. Nascido numa família com poucos recursos, exerceu diversas profissões (pescador,
pedreiro, mecânico) antes de partir para Marselha, onde durante dez anos foi estivador e exerceu uma intensa
actividade sindical. Autodidacta, começou a publicar livros em 1957, num total de sete. No que se refere à sua
passagem ao cinema, passamos a palavra ao próprio Sembène: “Percebi que o livro só alcançava uma pequena
minoria de pessoas nos países maioritariamente analfabetos da África Negra dita francófona, e decidi fazer
cinema. Passei um ano no estúdio Gorki, em Moscovo, onde recebi um ensino essencialmente prático, sob a
orientação de Mark Donskoi”. Nas suas oito longas-metragens, Sembène jamais sucumbiu à tentação de um
cinema decorativo, para exportação, nem às certezas demasiado simples do cinema militante.

MOOLADÉ
de Ousmane Sembène
com Fatoumata Coullibaly, Maimouna Hélène Diarra, Salimata Traoré
Senegal/França, 2004 - 120 min / legendado em francês
No seu último filme, Ousmane Sembène aborda o polémico tema da excisão feminina. A história passa-se numa
aldeia, no dia em que várias crianças vão sofrer a horrível mutilação. Duas delas suicidam-se e as quatro
sobreviventes pedem protecção, através da magia, a uma mulher que recusara que a sua própria filha sofresse a
excisão. A mulher é a única a poder suspender a protecção mágica (a “mooladé” do título) e sofre violentas
pressões. Como se vê, no seu testamento cinematográfico, o patriarca do cinema africano demonstra que nem
todas as tradições são positivas.
Sala Luís de Pina
Seg. [03] 19:30




MEGERAS NO CINEMA


Vejo-as logo assim: magras, sequinhas e pálidas, fechadas até ao pescoço. Mas não se apeguem a esta imagem.
Podem aparecer brandas, resignadas e até dóceis. Indiscretamente discretas. Nem sempre os filmes lhes dão o
protagonismo. Tal como na vida, são personagens que se insinuam secretamente, tudo contaminam em redor,
tecendo laços malévolos, sussurrando feitiços no seu silêncio. Mulheres cheias de veneno. E, se o cinema nos
espelha a alma e muitas vezes nos serve de modelo, com megeras dessas ninguém se quer parecer. Neste Ciclo,
não estamos a evocar as “tão mázinhas”, dessas capazes de tudo deitar a perder ou dessas que têm sede da
vingança. A essas, muitas vezes – ou sempre? – nos rendemos, nos prendemos, tudo perdoamos e finalmente…
muito amamos. – Quem não se prende a Pearl-Jennifer-Jones em duelos ao sol? Quem não ‘leva aos céus’ a Ellen
de LEAVE HER TO HEAVEN, ou a filha de Mother Gin Sling e do homem do SHANGHAI GESTURE, Gene Tierney
chamada em ambos os casos? Ou a Bette Davis do ALL ABOUT EVE e de JEZEBEL? Ou a Barbara Stanwyck de
FORTY GUNS? Viennas at Vienna’s. A questão aqui é outra. Falamos das outras, das más que não nos chegam aos
sonhos. As que envenenam e nos matam o desejo. E é uma questão posta no feminino pois no masculino a
conversa seria outra, se é que havia conversa. Falamos da maldade a seco, sem entranhas. Aquelas de quem se
diz: “Má como as cobras!”. Estafermos de saias.
Fica aqui a ideia de olhar para uma série de filmes onde vagueiam algumas dessas sinistras criaturas que,
queiramos ou não, se colam a nós. Mais amargas do que a morte no alto da sua solidão.
Às Mrs. Danvers, deixem-nas nos filmes, fujam delas na vida!
ALL ABOUT EVE
Eva de Joseph L. Mankiewicz
com Bette Davis, Anne Baxter, George Sanders, Celeste Holm, Gary Merrill, Marilyn Monroe
Estados Unidos, 1950 - 138 min / legendado em português
Um dos mais célebres papéis de Bette Davis, numa comédia cruel sobre o arrivismo. Eve Harrington, jovem
inexperiente mas ambiciosa, insinua-se junto da famosa actriz Margo Channing, e do seu grupo de amigos. Eve
torna-se a pessoa de confiança de Margo a quem a idade não vai perdoando. Pouco a pouco Eve encanta todos e
cai nas graças de um eminente crítico (George Sanders). Usando de todas as artimanhas consegue finalmente
depor Margo e ser ela a receber os louros.
Sala Dr. Félix Ribeiro
Seg. [03] 21:30

BEYOND THE FOREST de King Vidor
com Betty Davis, Joseph Cotten, David Brian, Ruth Roman, Minor Watson
Estados Unidos, 1949 - 97 min / legendado electronicamente em português
Talvez um dos filmes mais sombrios de King Vidor. Rosa Moline recorre a tudo para abandonar a pequena cidade
onde vive com o marido, um pacato e acomodatício médico. Vai para Chicago atrás do amante Neil. Uma vez em
Chicago, Neil já não a quer. Rosa volta a casa, grávida e Neil reaparece-lhe…Os que julgam que se trata da
historieta do costume que venham e vejam por si.
Sala Dr. Félix Ribeiro
Qua. [05] 21:30

DETOUR de Edgar G. Ulmer
com Tom Neal, Ann Savage
Estados Unidos, 1945 - 67 min / legendado electronicamente em português
Um dos mais míticos filmes negros. DETOUR, realizado com poucos meios e muita imaginação, é a história de um
homem que tenta, em vão, fugir à fatalidade que paira sobre ele e que o leva a enredar-se cada vez mais na teia
que o há-de destruir, como o fio de telefone que estrangula a mulher “fatal”, sem que ele dê por isso. Pouco a
pouco, todas as alternativas desaparecem.
Sala Luís de Pina
Qui. [06] 22:00

O RIO DO OURO de Paulo Rocha
com Isabel Ruth, Lima Duarte, Joana Bárcia, João Cardoso, Filipe Cochofel, José Mário Branco
Portugal, 1998 - 95 min
Inspirado em cantigas populares, romances de cordel e dramas “de faca e alguidar”, O RIO DO OURO é, para
alguns, a obra-prima de Paulo Rocha. Um filme possuído por uma força telúrica onde pulsam a paixão e a
violência, dominado pela “parte maldita”, com a paisagem do rio Douro ao fundo. E a outro fundo tudo arrasta
Isabel Ruth -Carolina, nome suave para tais voos de bacante.
Sala Luís de Pina
Sex. [07] 19:30

RECORDAÇÕES DA CASA AMARELA de João César Monteiro
com Manuela de Freitas, Teresa Calado, Luís Miguel Cintra, Ruy Furtado, HENRIQUE VIANA, Sabina Sacchi
Portugal, 1989 - 119 min
Ver entrada em In Memoriam Henrique Viana
Sala Dr. Félix Ribeiro
Seg. [10] 21:30

REBECCA
Rebeca de Alfred Hitchcock
com Laurence Olivier, Joan Fontaine, Judith Anderson, George Sanders, Nigel Bruce, Gladys Cooper, Florence
Bates, Reginald Denny, C. Aubrey Smith, Leo G. Carroll
Estados Unidos, 1940 - 130 min / legendado em português
REBECCA foi a passadeira vermelha lançada por Hollywood para receber o “mestre do suspense”. De certo modo,
a própria novela de Daphne du Maurier fora escrita a pensar na sua adaptação por Hitch, e para Olivier como
intérprete. Mas o filme é também a frágil personagem de Joan Fontaine, a “sombra” sinistra de Mrs. Danvers, a
governanta (Judith Anderson) e o fantasma presente de Rebecca, que domina o filme de uma ponta a outra.
Sala Dr. Félix Ribeiro
Ter. [11] 19:00

BLOODY MAMA
O Dia da Violência de Roger Corman
com Shelley Winters, Don Stroud, Pat Hingle, Robert De Niro, Clint Kimbrough, Diane Varsi, Bruce Dern
Estados Unidos, 1970 - 90 min / legendado electronicamente em português
Ver entrada em Roger Corman o “Anjo Selvagem de Hollywood”
Sala Dr. Félix Ribeiro Sala Luís de Pina
Ter. [11] 21:30        Sex. [14] 22:00

THE BIG HEAT
Corrupção de Fritz Lang
com Glenn Ford, Gloria Grahame, Jocelyn Brando, Lee Marvin, Jeanette Nolan
Estados Unidos, 1953 - 89 min / legendado em espanhol
Uma das obras maiores de Fritz Lang. Glenn Ford é um agente da polícia que investiga o suicídio de um sargento
da corporação, mas acaba por descobrir estar envolvido num esquema de corrupção. Gloria Grahame sublime.
Mas a megera aqui é a outra. Bertha (Jeanette Nolan), “pior do que as cobras”, a mulher do agente morto.
“Devemos tratar--nos pelo nome, Bertha. – diz-lhe Grahame quando a encontra. Somos irmãs pelo vison.” E há a
famosa cena do café a ferver atirado à cara de Gloria Grahame.
Sala Dr. Félix Ribeiro
Qua. [12] 19:00

LA POISON
de Sacha Guitry
com Michel Simon, Germaine Reuver, Jean Debucourt, Jacques Varennes, Jeanne Fusier-Gir.
França, 1951 - 82 min / legendado electronicamente em português
Uma deliciosa comédia negra. Desta vez Guitry decide não aparecer e dá a vez a Michel Simon que faz o papel de
um homem com um casamento insuportável. O ódio é mútuo e enquanto a megera da mulher, Germaine Reuver,
compra veneno para se livrar do marido, este anda com ideias semelhantes que põe em prática quando descobre
que podemos cometer um crime e safarmo-nos.
Sala Dr. Félix Ribeiro
Qua. [12] 21:30

THE OLD MAID
A Velha Ama de Edmund Goulding
com Bette Davis, Miriam Hopkins, Jane Bryan, George Brent, Donald Crisp, Louise Fazenda
Estados Unidos, 1939 - 95 min / legendado electronicamente em português
Baseado numa peça teatral, a acção desenrola-se entre os anos 1860 e 1880. Um dos mais célebres melodramas
dos anos 30, com Bette Davis no papel de uma mãe solteira, cuja filha não sabe que ela é a sua mãe e ignora-a em
benefício de uma prima egoísta e manipuladora, Miriam Hopkins. O “duelo” entre estas duas grandes actrizes, dá
uma enorme força ao filme. O título português ficou na galeria das “gaffes” célebres, já que não há ama
nenhuma, nem velha nem nova.
Sala Dr. Félix Ribeiro
Qui. [13] 19:00

FEDORA
O Segredo de Fedora de Billy Wilder
com William Holden, Marthe Keller, Hildegard Kneff, Henry Fonda, Michael York
Alemanha/Estados Unidos, 1978 - 114 min / legendado electronicamente em português
A fascinante história de uma actriz que, quando envelhece, se retira para uma ilha grega e se faz substituir pela
filha num “comeback”, transmitindo desta forma terrível a ilusão de uma juventude “eterna”. A realidade
contaminada pelo poder do cinema. Billy Wilder visita as ilhas gregas, no penúltimo filme da sua carreira, que é
também uma revisitação ao mundo de SUNSET BOULEVARD. “Who shows hope in the flesh reaps bones”, como
alguém escreveu sobre a inútil veneração da juventude e da beleza. Um filme relevante para tempos narcisistas.
Sala Dr. Félix Ribeiro
Sex. [14] 19:00

ANGEL FACE
Vidas Inquietas de Otto Preminger
com Robert Mitchum, Jean Simmons, Herbert Marshall
Estados Unidos, 1953 - 90 min / legendado em português
“O único pesadelo lírico do cinema”, segundo as palavras de Ian Cameron, mostra Jean Simmons como uma jovem da alta
burguesia que é um “anjo da morte”, e que acaba por se destruir a si própria. Sombrio melodrama com conotações
psicanalíticas, ANGEL FACE é também uma variação sobre o tema da mulher maléfica, tão presente no cinema americano
deste período. Mitchum é o seu amante, um homem que a mulher arrasta para o crime e que é incapaz de dominar a
situação.
Sala Luís de Pina
Ter. [18] 19:30

ENCHANTMENT
Encantamento de Irving Reis
com David Niven, Teresa Wright, Jayne Meadows,Evelyn Keyes, Farley Granger, Leo G. Carroll
Estados Unidos, 1948 - 100 min / legendado em português
É uma das mais belas histórias de amor jamais filmadas. Segue a vida e os amores de Lark (Teresa Wright), uma
rapariga que cedo perde os pais e vai viver com uma nova família, os Dane. Depressa faz amizade com os dois
irmãos, Pehlum e Rollo e acaba por se apaixonar por este. Mas cada atenção que Lark recebe redobra o ódio de
Selina (Jayne Meadows), a irmã mais velha, má e ciumenta que a detesta mas que adora os irmãos e o pai. E é
Selina quem destrói a tão bela história de amor entre Teresa Wright e David Niven (Rollo).
Sala Luís de Pina
Qua. [19] 22:00

JOHNNY GUITAR
Johnny Guitar de Nicholas Ray
com Joan Crawford, Sterling Hayden, Mercedes McCambridge, Scott Brady, Ward Bond, John Carradine, Ben
Cooper, Ernest Borgnine
Estados Unidos, 1954 - 110 min / legendado em português
Um dos westerns maiores da história do cinema, de cores agressivas e imagens barrocas (as fabulosas cenas de
Joan Crawford no interior do saloon, o cenário deste com os fantomáticos “croupiers” e a roleta a rodar). Um
filme “onde os cowboys desmaiam e morrem com a graça das bailarinas” (François Truffaut). E um “duelo” sem
tréguas entre as fabulosas Vienna (Crawford) e Emma (Mercedes McCambridge).
Sala Luís de Pina
Qui. [20] 19:30

A TREE GROWS IN BROOKLYN
Laços Humanos de Elia Kazan
com Dorothy McGuire, Joan Blondell, James Dunn, Peggy Ann Garner
Estados Unidos, 1945 - 128 min / legendado electronicamente em português
Na Brooklyn cerca de 1900, a família Nolan faz por tirar partido da vida apesar da grande pobreza e do alcoolismo
do pai. Através de episódios, mais cómicos ou mais dramáticos, acompanhamos a pequena Francie (Peggy Ann
Garner) que luta para manter vivo o seu idealismo e que quer a toda a força aprender “tudo sobre tudo o que há
para aprender” lendo todos os livros da biblioteca local, por ordem alfabética… “A tree groes…”, apesar da
crueldade e da injustiça do mundo: lembrem-se dos castigos na escola: há megeras, mas há umas que abusam!
Sala Luís de Pina
Seg. [24] 19:30
CAGED
Encarcerada de John Cromwell
com Eleanor Parker, Agnes Moorehead, Jan Sterling
Estados Unidos, 1950 - 96 min / legendado electronicamente em português
O primeiro sinal do fugaz interesse da Academia por Eleanor Parker (e a sua primeira nomeação para o oscar).
Subtilmente evoluindo da inocência para a perversidade, Parker traz à sua personagem a dimensão humana que
transcende os clichés do women’s prison film, onde o mundo habitualmente se dividia entre o preto-muito-preto
da culpa e o branco-mais-que-branco da inocência.
Sala Dr. Félix Ribeiro
Ter. [25] 19:00

VOICI LE TEMPS DES ASSASSINS
Um Caso Diabólico de Julien Duvivier
com Jean Gabin, Danièle Delorme, Lucienne Bogaert, Gérard Blain
França, 1956 - 110 min / legendado em português
Jean Gabin tem neste filme um dos papéis mais interessantes desta fase da sua carreira, como dono de um
grande restaurante em Paris, que dá emprego a uma jovem. Esta, no entanto, uma manipuladora, filha de uma
ex-amante de Gabin, toxicodependente, decide vingar-se dele através da filha.
Sala Luís de Pina
Sex. [28] 22:00




ESCRITORES NO CINEMA PORTUGUÊS:
DAVID MOURÃO-FERREIRA E VERGÍLIO FERREIRA

Na rubrica que, ao longo deste ano, temos dedicado à presença de escritores portugueses no nosso cinema,
voltamo-nos este mês para David Mourão-Ferreira e para Vergílio Ferreira, vistos por Jorge Brum do Canto,
Manuel (e Dórdio) Guimarães, Lauro António e José Fonseca e Costa.

FADO CORRIDO de Jorge Brum do Canto
com Amália Rodrigues, Jorge Brum do Canto, Adelina Rodrigues, João Guedes, Isabel de Castro
Portugal, 1964 - 122 min
FADO CORRIDO parte da obra de David Mourão Ferreira Agora: Fado Corrido, a que junta fados de Amália e solos
de Carlos Paredes. A história de amor, ciúme e fatalidades, desenvolve-se em torno de um triângulo amoroso
composto por um fidalgo marialvista, uma fadista, e o rapaz por quem ela deixa o fidalgo.
Sala Luís de Pina
Seg. [03] 22:00

CÂNTICO FINAL de Manuel Guimarães e Dórdio Guimarães
com Ruy de Carvalho, Manuela Cardo, Fernando Curado Ribeiro
Portugal, 1975 - 110 min
Adaptação do romance homónimo de Vergílio Ferreira, CÂNTICO FINAL é também um testamento em que
Manuel Guimarães se projecta na personagem de Mário Gonçalves (Ruy de Carvalho), um professor de liceu
ameaçado de morte devido a um cancro, e que regressa à aldeia onde nasceu, na Serra da Estrela, para aí passar
os últimos dias. Manuel Guimarães já não acabou o filme, concluído por seu filho, Dórdio Guimarães.
Sala Luís de Pina
Qui. [13] 22:00
MANHÃ SUBMERSA de Lauro António
com Eunice Muñoz, Vergílio Ferreira, Canto e Castro, Jacinto Ramos
Portugal, 1980 - 131 min
Adaptação do romance homónimo de Vergílio Ferreira. É simultaneamente a observação lúcida da única
possibilidade de um jovem pobre do campo sair dessa classe (a protecção de uma família de proprietários para
uma carreira eclesiástica) e uma análise do conflito entre o espírito e a carne. Apresentado em Cannes na
Quinzena dos Realizadores.
Sala Luís de Pina
Seg. [17] 22:00

SEM SOMBRA DE PECADO de José Fonseca e Costa
com Mário Viegas, Victoria Abril, Lia Gama, Armando Cortês
Portugal, 1982 - 104 min
Na década de 40, durante a Guerra Mundial, na paz podre do salazarismo, SEM SOMBRA DE PECADO segue a
relação de um militar com uma mulher misteriosa. Irreverente e provocante, o filme de José Fonseca e Costa
adapta um conto de David Mourão Ferreira e foi apresentado em Cannes na Quinzena dos Realizadores. Cópia
nova.
Sala Luís de Pina
Seg. [24] 22:00




HISTÓRIA PERMANENTE DO CINEMA (Continuação)

Continuamos o nosso habitual percurso dos Sábados através de filmes, realizadores, obras de género ou de
escolas específicas, grandes clássicos ou raridades, que pertencem à História do Cinema, no período que vai de
1915 a 1965. Este mês, entre os grandes clássicos, obras de Visconti, Eisenstein, Chaplin e Sternberg, além de dois
emblemáticos filmes negros americanos. Entre as obras mais raramente vistas, uma ficção sobre Auschwitz,
realizada por uma sobrevivente do Holocausto, um programa dedicado a Len Lye, mestre do cinema de animação,
um admirável e pouco visto filme de Boris Barnet. Veremos ainda um dos filmes mais livres e belos de Jean Renoir
e, no domínio do cinema mudo, além do já mencionado Chaplin, um de Fritz Lang (de que apresentamos também
LilioM, único filme que realizou em Francês), uma jóia do burlesco americano e dois grandes e ambiciosos filmes,
um francês e o outro alemão.
Tal como aconteceu em Julho, devido às Sessões na Esplanada, não se realizam as Sessões das 21.30m

IL GATTOPARDO
O Leopardo de Luchino Visconti
com Burt Lancaster, Alain Delon, Claudia Cardinale, Paolo Stoppa, Serge Reggiani, Rina Morelli
Itália, 1963 - 185 min / legendado em português
Adaptado do romance de Tomasi De Lampedusa, IL GATTOPARDO é, talvez, o exemplo maior do cinema histórico,
pelo rigor da análise social, pelo retrato das personagens e pela descrição dos conflitos. O pano de fundo é a
libertação da Itália por Garibaldi e o tema o fim de uma era e o nascimento de outra, com as soluções de
compromisso e as cumplicidades do poder com as “ex” classes dirigentes. Burt Lancaster compõe um fabuloso
príncipe de Salina, que sabe que “é preciso que alguma coisa mude para que fique tudo na mesma”.
Sala Dr. Félix Ribeiro
Sáb. [08] 15:30

THIEVES HIGHWAY
O Mercado dos Ladrões de Jules Dassin
com Richard Conte, Valentina Cortese, Lee J. Cobb, Jack Oakie
Estados Unidos, 1948 - 90 min / legendado electronicamente em português
Em muitos filmes americanos dos anos 30, soldados que lutaram na Primeira Guerra Mundial são arrastados para
o mundo do crime ao voltar para os Estados Unidos. Em THIEVES HIGHWAY, a situação é inversa: ao voltar da
Segunda Guerra Mundial, um jovem enfrenta um nada escrupuloso distribuidor de frutas e legumes, que
arruinara o seu pai. Os temas sociais unem-se à típica tensão narrativa das histórias criminais do cinema
americano e o resultado é um dos melhores filmes de Dassin.
Sala Dr. Félix Ribeiro
Sáb. [08] 19:00

SPIONE
Espiões de Fritz Lang
com Rudolph Klein-Rogge, Gerda Maurus, Willy Fritsch, Lupu Pick, Fritz Rasp
Alemanha, 1928 - 178 min / mudo, intertítulos em alemão traduzidos electronicamente em português
SPIONE é uma das muitas incursões de Fritz Lang nos anos 20 no universo folhetinesco, de que também é
exemplo DR. MABUSE DER SPIELER. Um dos momentos mais impressionantes do filme inspira-se num caso real,
que tivera lugar poucos anos antes: o ataque da Scotland Yard à sede de uma organização anarquista em Londres,
cheio de peripécias rocambolescas, com que Lang e Thea Von Harbou culminam esta nova digressão por uma
Alemanha em crise, onde um super-criminoso dirige uma organização que quer controlar o mundo.
Sala Luís de Pina
Sáb. [08] 19:30

BLONDE VENUS
A Vénus Loira de Josef Von Sternberg
com Marlene Dietrich, Cary Grant, Herbert Marshall, Dickie Moore
Estados Unidos, 1932 - 97 min / legendado em espanhol
Neste filme, o quinto que fez com Sternberg (num total de sete), Marlene Dietrich interpreta a figura de uma
mulher que tem uma vida dupla: depois de deixar o marido, é cantora num cabaret, onde trabalha para sustentar
o filho. Dos filmes que fez com Sternberg, este é o único em que tem ou teve uma vida familiar “normal”. BLONDE
VENUS contém uma das cenas mais famosas e surreais da carreira de Marlene: o mítico número musical, em que
surge na pele de um gorila para cantar o fabuloso Hot Voodoo.
Sala Luís de Pina
Sáb. [08] 22:30

IVAN GROZNY
Ivan, o Terrível
1ª parte de Sergei M. Eisenstein
com Nikolai Tcherkassov, Serafina Birman, Ludmilla Tselikovskaya
URSS, 1943-45 - 98 min / legendado em português
O último filme de Eisenstein é uma das obras-primas absolutas de toda a história do cinema. Dividido em duas
partes, o filme descreve o itinerário do czar, que vai da pureza adolescente até à mais absoluta tirania. A
profundidade de foco, o uso das sombras e das luzes, a fusão entre a música de Prokofiev e os diálogos, criam um
filme de indescritível beleza, que também é uma reflexão política. IVAN, O TERRÍVEL também contém uma breve
sequência a cores, a única realizada por Eisenstein. Proibida por ordem pessoal de Estaline, que bem percebeu a
analogia entre o czar e a sua pessoa, a segunda parte do filme só foi mostrada em público em 1958, dez anos
depois da morte do realizador.
Sala Dr. Félix Ribeiro
Sáb. [15] 15:30

IVAN GROZNY
Ivan, o Terrível
2ª parte de Sergei M. Eisenstein
com Nikolai Tcherkassov, Serafina Birman, Ludmilla Tselikovskaya
URSS, 1943-45 - 85 min / legendado em espanhol
Sala Dr. Félix Ribeiro
Sáb. [15] 19:00
LILIOM
Liliom de Fritz Lang
com Charles Boyer, Madeleine Ozeray, Florelle, Antonin Artaud
França, 1934 - 117 min / legendado em português
Realizado em Paris, entre a saída de Lang da Alemanha, em 1933, e o seu primeiro filme americano em 1936,
LILIOM é a segunda adaptação ao cinema de uma célebre peça de Ferenc Molnar, previamente filmada por Frank
Borzage. Trata-se de um filme peculiar na filmografia de Lang, história de um homem que, ao morrer, chega ao
céu e vê que o “outro mundo” é quase igual a este, com burocratas e regulamentos. Ao filmar o “outro mundo”
como se deste se tratasse, Lang também fez uma bela reflexão sobre o cinema e sobre o seu trabalho.
Sala Luís de Pina
Sáb. [15] 19:30

TUSALAVA
COLOUR BOX
KALEIDOSCOPE
THE BIRTH OF THE ROBOT
RAINBOW DANCE
N. OR NW.
COLOUR FLIGHT
SWINGING THE LAMBETH WALK
MUSICAL POSTER
COLOUR CRY
RHYTHM
PARTICLES IN SPACE de Len Lye
Grã-Bretanha e Canadá, 1929, 1935, 1936, 1937, 1938, 1939, 1940, 1952, 1957, 1957-79 - duração total: 58 min /
sem diálogos
O neo-zelandês Len Lye (1901-80) é um dos grandes nomes do cinema de animação não narrativo. A sua obra
costuma ser estudada no âmbito do cinema experimental, mais do que no da animação, tal como a de Norman
McLaren, a quem pode ser comparado. Lye foi, por sinal, o primeiro a desenhar directamente na película, antes
de McLaren, a quem é atribuída esta ideia. Foi um grande experimentador de formas e de cores, em filmes que,
como assinalou Claudine Eizykman “têm a característica espantosa de serem de uma alegria absoluta”.
Sala Luís de Pina
Sáb. [15] 22:00

THE CIRCUS
O Circo de Charles Chaplin
com Charles Chaplin, Allan Garcia, Merna Kennedy
Estados Unidos, 1927 - 70 min / mudo, intertítulos em inglês, traduzidos em português
Charlot, o vagabundo, vai trabalhar num circo por acaso e torna-se uma vedeta. Como o título e o argumento o
indicam, THE CIRCUS é uma homenagem ao circo pelo mais sublime palhaço de todos os tempos. Estranha e
injustamente, esta obra de maturidade nunca foi considerada uma das maiores obras-primas de Chaplin. E no
entanto, na opinião de Jean Mitry, autor de um clássico estudo sobre Chaplin, “de todos os grandes filmes de
Charlot, THE CIRCUS talvez seja o mais equilibrado. A sua construção é rigorosa, tem um movimento ascendente e
cai bruscamente no final”.
Sala Dr. Félix Ribeiro
Sáb. [22] 15:30

TONI de Jean Renoir
com Blavette, Jenny Hélia, Célia Dalban,
França, 1934 - 85 min / legendado em inglês
Realizado no período mais variado da carreira de Jean Renoir, TONI é considerado o filme que abre a chamada
“fase realista” na obra do cineasta e foi realizado, segundo ele, num espírito “tão próximo quanto possível do
documentário”. Trata-se, de facto, de uma obra de cunho realista, cujo protagonista é um imigrante italiano e a
última imagem do filme é a chegada de um comboio de imigrantes. Mas também é uma obra sobre violentas
paixões e sobretudo sobre as paixões eróticas. Um dos mais belos filmes de um cineasta que, segundo Truffaut,
“nunca buscou a obra-prima” e que talvez por isso mesmo tenha feito tantas obras-primas.
Sala Dr. Félix Ribeiro
Sáb. [22] 19:00
FEU MATHIAS PASCAL
O Defunto Pascal de Marcel L’Herbier
com Ivan Mosjoukine, Marcelle Pradot, Michel Simon
França, 1925 - 160 min / mudo, intertítulos em francês
Marcel L’Herbier foi um realizador ambicioso, que merece ser reavaliado. FEU MATHIAS PASCAL é baseado no
romance de Pirandello, Il Fu Mattia Pascal, história de um homem que, devido a uma confusão, passa por morto e
assume outra identidade. Com um desempenho excepcional de Mosjoukine (o actor do celebérrimo “efeito
Koulechov”), FEU MATHIAS PASCAL é um filme repleto de sequências extraordinárias, que parecem prefigurar certas
passagens do cinema de Orson Welles. Foi também o primeiro trabalho cinematográfico do grande cenógrafo Lazare
Meerson, contratado a meio da rodagem.
Sala Luís de Pina
Sáb. [22] 19:30

OSTATNI ETAP
“A Última Etapa” de Wanda Jakubowska
com Barbara Drapinska, Alexandra Slaska, Tatjana Gorecka
Polónia, 1947 - 80 min / legendado electronicamente em português
Outrora programado com frequência por cinematecas e cineclubes, “A ÚLTIMA ETAPA” reconstitui a experiência
da realizadora no campo de extermínio de Auschwitz, a cujos horrores sobreviveu e onde parte do filme foi feita.
Mais do que um filme sobre o extermínio dos judeus pelos nazis, este é um filme sobre a capacidade de
resistência física e moral, numa situação-limite da condição humana.
Sala Luís de Pina
Sáb. [22] 22:30

TRAMP, TRAMP, TRAMP
Sempre a Andar de Frank Capra e Harry Edwards
com Harry Langdon, Joan Crawford, Edwards Davis
Estados Unidos, 1926 - 65 min / mudo, intertítulos em inglês traduzidos electronicamente em português
Uma das obras-primas do cinema burlesco americano. Harry Langdon criou uma personagem de homem não
muito inteligente, com a candura de uma criança, que permanece invariável de filme em filme. Em TRAMP,
TRAMP, TRAMP, Langdon participa numa travessia a pé dos Estados Unidos, de costa a costa, financiada por um
rico fabricante de sapatos. Mil peripécias se sucedem, mas Langdon não se deixa abater, pois apaixonou--se por
uma mulher cujo retrato vê em inúmeros cartazes ao longo do caminho.
Sala Dr. Félix Ribeiro
Sáb. [29] 15:30

ALENKA de Boris Barnet
com Natacha Ovodova, I Zaroubina, Vassili Chukchin
URSS, 1961-62 - 75 min / legendado electronicamente em português
ALENKA, nome da criança que é protagonista, foi o penúltimo filme do realizador de À BEIRA DO MAR AZUL e de A
RAPARIGA DA CAIXA DE CHAPÉUS. Realizado a cor e em formato panorâmico, trata-se de uma espécie de road
movie soviético, situado no momento da grande emigração de russos rumo ao Cazaquistão, em meados dos anos
50. Contrariando os clichés sobre o cinema soviético, ALENKA é um filme tónico e ligeiro, uma obra magnífica de
um grande realizador, que merece ser revista.
Sala Dr. Félix Ribeiro
Sáb. [29] 19:00

DIE LIEBE DER JEANNE NEY
O Amor de Joana Ney de Georg Pabst
com Edith Jeanne, Uno Henning, Fritz Rasp, Briggit Helm
Alemanha, 1927 - 100 min / mudo, intertítulos em inglês, traduzidos electronicamente em português
Baseado num romance de Ilya Ehrenburg, DIE LIEBE DER JEANNE NEY situa-se na Criméia durante a Revolução
Bolchevique, que serve de pano de fundo para a história de dois amantes. Talvez por isso, Pabst tenha adoptado
em muitas passagens um estilo semelhante ao do cinema soviético, com uma câmara em constante movimento,
para dar a impressão da rapidez dos acontecimentos que se sucedem. Mas a marca de Pabst, que realizou
algumas das maiores obras-primas do período mudo, permanece do começo ao fim.
Sala Luís de Pina
Sáb. [29] 19:30

THE MALTESE FALCON
Relíquia Macabra de John Huston
com Humphrey Bogart, Mary Astor, Peter Lorre, Sidney Greenstreet, Gladys George
Estados Unidos, 1941 - 100 min / legendado em português
THE MALTESE FALCON, primeiro filme de John Huston, é um dos primeiros filmes negros americanos e ilustra
verdadeiramente as regras do género: as razões que movem as personagens são obscuras e no fim não há
vencidos nem vencedores. Mortes misteriosas, ruelas obscuras e sombras ameaçadoras povoam o filme, que fez
de Humphrey Bogart, aos 42 anos, uma vedeta, coisa que até então não era. É neste filme que se afirma o estilo
inimitável do actor, como detective contratado para recuperar uma estatueta preciosa perdida num naufrágio.
Não menos inimitáveis são as presenças de Peter Lorre e Sidney Greenstreet, enquanto Mary Astor tem o papel
da sua vida, como uma daquelas mulheres que não merecem a menor confiança, típicas dos filmes negros.
Sala Luís de Pina
Sáb. [29] 22:00


IN MEMORIAM JEAN-CLAUDE BRIALY

Com uma carreira que se estendeu por mais de meio século, Jean-Claude Brialy (1933-2007) foi um dos mais
importantes actores franceses da sua geração. Tornou-se conhecido com LE BEAU SERGE (1958), de Claude
Chabrol, a quem dizia dever a sua carreira: “Chabrol convenceu-me de que eu era bom actor”. Brialy foi o único
actor a ter trabalhado com os cinco grandes nomes da Nouvelle Vague: Godard, Truffaut, Rohmer, Chabrol e
Rivette. Talvez por não ter sido galã em jovem, não teve dificuldades em adaptar-se a novos tipos de papéis à
medida que o tempo passava. Na verdade, Brialy talvez tenha dado o melhor de si na maturidade, com uma
serenidade e uma elegância bastante diferentes da agitação que o caracteriza, às vezes, na juventude. Mas
sempre foi extremamente versátil. Além dos cinco da Nouvelle Vague, trabalhou com dezenas de outros
realizadores, de várias gerações: Téchiné, Kast, Buñuel, Tavernier, Chéreau, Rozier, Duvivier, Bolognini, Marc
Allégret, Scola, Claire Denis. Também realizou cinco filmes e alguns telefilmes. Curioso e generoso, Jean- -Claude
Brialy encarna diversas facetas do cinema francês.

LE GENOU DE CLAIRE
O Joelho de Claire de Eric Rohmer
com Jean-Claude Brialy, Laurence de Monagahan, Aurora Cornu, Béatrice Romand, Gérard Falconetti
França, 1970 - 100 min / legendado em espanhol
O penúltimo e talvez o mais perfeito dos Seis Contos Morais de Rohmer. Numa mansão à beira de um lago,
durante as férias de Verão, coabitam adolescentes e pessoas de meia-idade. Como acontece tantas vezes com os
personagens de Rohmer, a vida é vivida mais como uma ideia do que como uma série de actos, pois estes
personagens são uma subtil mistura da realidade e fantasias literárias. Num dos seus melhores papéis, BRIALY é
um diplomata em férias, que seduz uma jovem, num “acto de vontade pura”, mas tem uma reacção inesperada,
no último momento.
Sala Dr. Félix Ribeiro
Ter. [04] 21:30

UNE FEMME EST UNE FEMME de Jean-Luc Godard
com JEAN-CLAUDE BRIALY, Anna Karina, Jean-Paul Belmondo
França, 1961 - 80 min / legendado em português
Segunda longa-metragem de Godard, UNE FEMME EST UNE FEMME é uma homenagem ao musical americano,
filmado em “scope” e com cores sumptuosas, encenando um daqueles triângulos em que a obra do cineasta é
fértil. Premiado no Festival de Berlim por ter “abanado as regras da comédia cinematográfica”, trata-se de um
filme de extrema leveza e elegância, no qual Brialy mostra a sua versatilidade, com uma actuação em tudo
diferente da que tem em LES COUSINS, por exemplo.
Sala Dr. Félix Ribeiro
Qua. [05] 19:00

LES INNOCENTS de André Téchiné
com JEAN-CLAUDE BRIALY, Sandrine Bonnaire, Simon de la Brosse, Abdel Kéchiche
França, 1987 - 97 min / legendado em português
Realizado num dos melhores períodos da obra de Téchiné (entre RENDEZ-VOUS e LE LIEU DU CRIME), LES
INNOCENTS é um filme admiravelmente construído. Situado em Toulon, no litoral mediterrânico, o filme tece
uma complexa teia de relações entre as personagens: uma jovem vinda do norte de França, o seu irmão surdo-
mudo, um maestro de meia-idade (BRIALY) e duas figuras opostas, ligadas ao maestro: o seu jovem amante árabe
e o filho, ligado a grupos de extrema-direita. Uma história trágica, notavelmente realizada e interpretada.
Sala Luís de Pina
Qui. [06] 19:30

IO LA CONOSCEVO BENE de Antonio Pietrangeli
com Stefania Sandrelli, JEAN-CLAUDE BRIALY, Nino Manfredi, Ugo Tognazzi.
Itália, 1965 - 115 min / legendado electronicamente em português
Antonio Pietrangeli faleceu prematuramente em 1968, mas pôde dar com este filme a medida do seu talento. O
filme conjuga o tema da juventude e o tom lúdico da Nouvelle Vague com a “desdramatização” herdada do
cinema de Antonioni e narra uma única história, fragmentada em episódios breves, como se o filme fosse
construído sobre o princípio da associação de ideias. No centro do filme, está Stefania Sandrelli e a sua relação
com diversos homens. BRIALY é um deles.
Sala Dr. Félix Ribeiro
Seg. [10] 19:00

LA RONDE
A Ronda do Amor de Roger Vadim
com JEAN-CLAUDE BRIALY, Jane Fonda, Francine Bergé, Anna Karina
França, 1964 - 110 min / legendado em português
Uma adaptação por Jean Anouilh da clássica peça de Schnitzler, que Max Ophuls levara ao écran em 1950, numa
das suas obras-primas. Trata-se da história de uma sucessão de encontros sexuais, em que um dos membros de
cada um dos pares aparece na história seguinte, até que o círculo se fecha. Vadim situa a acção em Sarajevo, no
dia do atentado ao Príncipe Herdeiro da Áustria, que despoletou a Primeira Guerra Mundial. Brialy tem o papel do
jovem estudante, que, na versão de Ophuls, fora interpretado por Daniel Gélin.
Sala Luís de Pina
Ter. [11] 22:00

LES COUSINS de Claude Chabrol
com JEAN-CLAUDE BRIALY, Gérard Blain, Juliette Mayniel
França, 1959 - 110 min / legendado electronicamente em português
Na sua segunda longa-metragem, Chabrol voltou a reunir o par masculino do seu filme de estreia, LE BEAU SERGE:
Gérard Blain e JEAN-CLAUDE BRIALY. Como tantos filmes da Nouvelle Vague, este mostra personagens jovens.
Blain é um provinciano que vem estudar em Paris e vai viver em casa de um primo, que é bon vivant e
inconstante. Um notável desempenho de BRIALY, neste papel de burguês despreocupado, que não se envolve a
sério com nada.
Sala Dr. Félix Ribeiro
Ter. [18] 21:30

INSPECTEUR LAVARDIN de Claude Chabrol
com JEAN-CLAUDE BRIALY, Jean Poiret, Bernadette Laffont, Jean-Luc Bideau
França, 1986 - 100 min / legendado electronicamente em português
Em meados dos anos 80, o prolífico Claude Chabrol (que aos 77 anos, acaba de realizar o seu septuagésimo filme),
entrou num período de grande maturidade, em que diversas obras magníficas se sucedem. INSPECTEUR
LAVARDIN retoma a personagem principal do filme anterior de Chabrol, POULET AU VINAIGRE, um inspector de
polícia (encarnado por Jean Poiret), que neste filme deve investigar o homicídio de um escritor católico numa
cidade de província. Na sua quinta e última colaboração com Chabrol, BRIALY faz o papel do cunhado do morto e
o seu comportamento é suspeito, mas as coisas são menos simples do que parecem.
Sala Dr. Félix Ribeiro
Qua. [26] 19:00

L’ÉDUCATION SENTIMENTALE de Alexandre Astruc
com JEAN-CLAUDE BRIALY, Marie-José Nat, Dawn Adams
França, 1962 - 92 min / sem legendas
Precursor e companheiro de viagem da Nouvelle Vague, Alexandre Astruc seguiria, a partir deste filme, um
caminho cada vez mais solitário. L’ÉDUCATION SENTIMENTALE transpõe para a época em que foi filmado o
magnífico romance de Flaubert, uma história de amor e amizade. BRIALY tem o principal papel neste filme
extremamente calculado, que é um dos melhores exemplos da mise en scène geométrica de Astruc.
Sala Luís de Pina
Sex. [28] 19:30


IN MEMORIAM HENRIQUE VIANA

Henrique Viana morreu em Julho passado, aos 71 anos. Estava, muito possivelmente, no auge da popularidade,
graças à sua participação em séries televisivas de grande audiência. A polivalência, de resto, era uma das suas
grandes forças; ou mais do que a polivalência, a capacidade de transitar entre objectos de natureza muito
diferente, fossem teatro, cinema ou televisão, transportando sempre uma personalidade definida e uma presença
inconfundível. Um olhar duro, uma certa brusquidão nos gestos, enorme subtileza nas modulações vocais. No
cinema português, onde trabalhou abundantemente nos mais variados filmes dos mais diversos realizadores,
deixou uma marca só comparável com a dos maiores “character actors” do cinema clássico americano. Vamos
evocá-lo mostrando três das suas mais inesquecíveis presenças cinematográficas, em filmes de João César
Monteiro, João Botelho e Pedro Costa.

RECORDAÇÕES DA CASA AMARELA de João César Monteiro
com João César Monteiro, Manuela de Freitas, Teresa Calado, Luís Miguel Cintra, Ruy Furtado, HENRIQUE VIANA,
Sabina Sacchi
Portugal, 1989 - 119 min
RECORDAÇÕES DA CASA AMARELA, “uma comédia lusitana”, marca o nascimento de João de Deus, personagem
cáustica e poética que só João César Monteiro poderia interpretar. À primeira vez, saído de um manicómio para
divagar diletante por Lisboa e “lhes dar trabalho”, João de Deus encanta-se com uma menina que toca clarinete,
passa uma noite de amor sob o olhar de Stroheim em imagem pregada na parede em cima da cama da pensão e
transfigura-se em criatura das trevas como Nosferatu no fim do filme. HENRIQUE VIANA é o soldado da GNR que
debate com João de Deus a “celestialidade” de Hölderlin. Manuela de Freitas, na dona da pensão e mãe da
menina do clarinete, é a megera em todo o seu horror. Ver entrada em “Megeras no Cinema”.
Sala Dr. Félix Ribeiro
Seg. [10] 21:30

TEMPOS DIFÍCEIS de João Botelho
com Julia Britton, Isabel de Castro, Luís Lucas, Luís Estrela, Ruy Furtado, Inês Medeiros, HENRIQUE VIANA
Portugal, 1988 - 95 min
Na sua terceira longa-metragem, João Botelho adaptou o romance homónimo de Charles Dickens, mas o mundo
do escritor victoriano é facilmente identificado com a realidade portuguesa (“Tempos Difíceis, Este Tempo”). Num
lugarejo, o “Poço do Mundo”, que é um microcosmo social, convivem a riqueza e a pobreza mais extrema, a
cultura e a ignorância, a perversidade e a inocência. De Dickens a Botelho, o filtro é de D.W. Griffith, com um
rosto feminino, Julia Britton, que parece saído de um dos melodramas do mestre americano.
Sala Luís de Pina
Sex. [14] 19:30

O SANGUE de Pedro Costa
com Pedro Hestnes, Inês de Medeiros, Luís Miguel Cintra, HENRIQUE VIANA
Portugal, 1990 - 98 min
A primeira obra de Pedro Costa é um perturbante filme sobre o drama de dois irmãos separados pela morte do
pai. O mais velho vai para a cidade, onde se confronta com valores estranhos, e se deixa dominar pela angústia.
Um filme marcado por ecos nocturnos e “fabulosos”, como o da viagem pelo rio dos dois irmãos de NIGHT OF THE
HUNTER de Charles Laughton.
Sala Luís de Pina
Qui. [27] 19:30


IN MEMORIAM FILIPE FERRER

Filipe Ferrer morreu em Junho passado, dois meses antes de completar 71 anos de idade. Dedicou-se desde muito
novo ao teatro, mas só a partir da década de 80, quando regressou a Portugal depois de temporadas no Brasil, em
França e em Inglaterra, é que começou a trabalhar em cinema e televisão. Como Henrique Viana, trabalhou em
obras de natureza muito diferente, e essa versatilidade fez dele um dos mais reconhecíveis rostos do cinema
português, normalmente em papéis secundários. Vamos vê-lo como protagonista de MENSAGEM, num dos
maiores desafios da sua carreira: encarnar Fernando Pessoa.

MENSAGEM de Luís Vidal Lopes
com FILIPE FERRER, Canto e Castro, Isabel de Castro, Manuel Cavaco
Portugal, 1988 -114 min
Luís Vidal Lopes concebeu MENSAGEM como uma “descodificação” do homónimo poema de Fernando Pessoa,
fazendo o filme circular entre as evocações históricas suscitadas pelo poema e a figura do poeta. Foi realizado no
ano do centenário do nascimento de Pessoa, e tem música de Wagner e canções dos Heróis do Mar. FILIPE
FERRER, na pele de Pessoa, teve aqui um dos maiores desafios da sua carreira de actor.
Sala Luís de Pina
Qui. [13] 19:30


UNDER HITCHCOCK
em colaboração com o Festival Internacional de Curtas-Metragens de Vila do Conde


Esta sessão retoma parte do material apresentado na exposição UNDER HITCHCOCK, no Solar - Galeria de Arte
Cinemática, em Vila do Conde, por ocasião do último Festival Internacional de Curtas-Metragens, realizado
naquela cidade, no passado mês de Julho. Há muito tempo que o prestígio da obra de Hitchcock, mestre das
formas cinematográficas, ultrapassou o domínio do puro cinema. Entre os cineastas do período clássico, ele é sem
dúvida aquele que mais interessa os artistas plásticos e os videastas, que interrogam a sua obra e trabalham a
partir dos seus elementos. Esta sessão apresenta oito destes trabalhos. 4 VERTIGO, SPHERICAL COORDINATES,
NINE PIECE ROPE, 2 SPELLBOUND, 879 COLOUR e BODEGA BAY SCHOOL condensam e alteram cenas inteiras de
filmes do mestre (em BODEGA BAY SCHOOL, por exemplo, temos o grande ataque dos pássaros em THE BIRDS
reduzido aos cenários, sem pessoas, nem sons). WHEN ALFRED HITCHCOCK MET ELSE EIERMANN IN AUERSTED…
especula sobre uma fotografia de 1956, que teria sido o ponto de partida de PSYCHO. Finalmente, o magnífico
PHOENIX TAPES, encomendado pelo Museu de Arte Moderna de Oxford para a exposição “Notorious - Alfred
Hitchcock and Contemporary Art”, percorre a obra de Hitchock através de seis capítulos e trechos de quarenta
filmes, assinalando temas recorrentes, visuais e narrativos. É ao mesmo tempo um catálogo e um comentário,
feito por dois profundos conhecedores da obra de Hitchcock.

WHEN HITCHCOCK MET ELSE EIERMANN IN AUERSTED… de Birgit Lehman
Alemanha, 1999 - 15 min / legendado electronicamente em português
4 VERTIGO de Les Leveque
Estados Unidos, 2000 - 9 min / sem legendas
SPHERICAL COORDINATES de Gregg Biermann
Estados Unidos, 2005 - 8 min / sem legendas
NINE PIECE ROPE de J. Tobias Anderson
Suécia, 2002 - 2 min / sem legendas
BODEGA BAY SCHOOL de J. Tobias Anderson
Suécia, 2004 - 5 min / sem legendas
2 SPELLBOUND de Les Leveque
Estados Unidos,1999 - 7 min / sem legendas
879 COLOUR de J. Tobias Anderson
Suécia, 2002 - 1 min / sem legendas
PHOENIX TAPES de Matthias Muller e Christoph Girardet
Alemanha, 1999 - 45 min / sem legendas
Duração total: 92 minutos
Sala Luís de Pina
Ter. [11] 19:30




CHAMA-ME UM TÁXI

Meio de transporte urbano por excelência, o táxi ocupa um lugar de destaque no cinema de qualquer país. Local
de passagem, ou de transição de um espaço dramático para outro, está, muitas vezes, fortemente associado à
própria intriga dramática. Com mais frequência como meio de perseguição, gerando, inclusive, um cliché bastante
parodiado (o táxi que segue outro táxi, perante o entusiasmo do motorista, que se vê transformado em
personagem da intriga, sem esquecer o táxi que surge “milagrosamente” da esquina a um assobio do herói!). Mas
pode ser, inclusive, o próprio campo do drama, de crimes misteriosos (O TÁXI 9297, de Reinaldo Ferreira) ou de
absurdos e sangrentos actos de violência (DINA E DJANGO, de Solveig Nordlund, e o trágico episódio do DEKALOG
de Krzystof Kieslowski à volta do mandamento “Não Matarás”, que reflectem uma dramática realidade que
encontramos com frequência nas páginas dos jornais).
Em colaboração com o Festival Internacional do Táxi, organizado pelo Institut pour la Ville en Mouvement, e
que decorre em Lisboa neste mês de Setembro, a Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema organiza um Ciclo
que tem este meio de transporte como “actor principal”, reflexo da “cidade em movimento”, com uma série de
filmes onde o táxi, ou quem nele trabalha, têm uma forte função na narrativa, surgindo ora como um autêntico
microcosmo social, com o permanente desfile de passageiros, de que o exemplo mais sugestivo é o filme de
abertura, o clássico de Martin Scorsese, TAXI DRIVER (que encontra um reflexo documental no trabalho da
holandesa Heddy Holigman, METAAL EN MELANCHOLIE), ou como “palco” de comédia em duas divertidas
comédias sentimentais, THEY MET IN A TAXI e PECCATO CHE SIA UNA CANAGLIA.
O Ciclo continuará no mês de Outubro. Mais táxis. O título da retrospectiva é extraído de uma réplica célebre de
Stan Laurel (“O Estica”) a Oliver Hardy (“O Bucha”). Este, pressionadíssimo e em apuros, pede ao Estica, que nada
percebe do que se está a passar: “Chama-me um Táxi”. Imperturbável, o Estica vira-se para ele e responde: “Tu és
um Táxi”.

TAXI DRIVER
Taxi Driver de Martin Scorsese
com Robert de Niro, Cybill Shepherd, Jodie Foster, Harvey Keitel, Peter Boyle
Estados Unidos, 1976 - 110 min / legendado em espanhol
Um dos filmes fundamentais da década de 70, dirigido por Scorsese segundo um argumento de Paul Schrader.
TAXI DRIVER é uma obra profundamente pessimista, sobre um ex-veterano do Vietname, marcado e
traumatizado pelo drama que viveu e que percorre, de noite, em deambulações pela cidade, outro “inferno”: o
submundo de Nova Iorque. O percurso de Travis (De Niro) culmina num massacre que se pretende redentor. Num
dos momentos mais emblemáticos do filme, a personagem insiste em perguntar à sua imagem reflectida num
espelho: “Are you talking to me?”.
Sala Dr. Félix Ribeiro
Seg. [17] 21:30

MUJERES AL BORDE DE UN ATAQUE DE NERVIOS
Mulheres à Beira de Um Ataque de Nervos de Pedro Almodóvar
com Carmen Maura, Julieta Serrano, Maria Barranco, António Banderas, Fernando Guillén.
Espanha, 1988 - 88 min / sem legendas
Um dos filmes mais famosos de Almodóvar, nomeado para o Óscar de 1988, e que foi um êxito de bilheteira sem
precedentes em Espanha, sucesso que se repetiu em todos os países onde foi exibido. História pitoresca e
picaresca sobre traições e abandonos, reconciliações e histerias, à volta do sexo e do amor. Uma interpretação
notável da (então) actriz-fétiche de Almodóvar: Carmen Maura.
Sala Dr. Félix Ribeiro
Ter. [18] 19:00

THEY MET IN A TAXI
Encontraram-se num Táxi de Alfred E. Green
com Chester Morris, Fay Wray, Raymond Walburn, Lionel Stander
Estados Unidos, 1936 - 70 min / legendado electronicamente em português
Uma típica comédia sentimental americana, contando a história de uma rapariga em fuga, injustamente acusada
de roubo, que encontra num motorista de táxi um aliado inesperado e, inevitavelmente, o romance.
Sala Dr. Félix Ribeiro
Qua. [19] 19:00

DINA E DJANGO de Solveig Nordlund
com Maria Santiago, Luís Lucas, Manuela de Freitas, Sinde Filipe, João Perry
Portugal, 1981 - 76 min
A revolução de 1974 é o pano de fundo de DINA E DJANGO, em que os dois jovens heróis, dominados por frases
de literatura de cordel, vivem uma paixão curta e fatal que deixa atrás de si o trágico rasto de um crime. Baseado
num acontecimento verídico, DINA E DJANGO foi o único filme interpretado por Maria Santiago, muito devendo à
força da sua presença.
Sala Dr. Félix Ribeiro
Qui. [20] 19:00

O TÁXI Nº 9297 de Reinaldo Ferreira
com Alves da Costa, Maria Emília Castelo Branco, Alexandre Amores, Fernanda Alves da Costa
Portugal, 1927- 89 min / mudo, com intertítulos em português
Inspirado num caso real (o assassinato da actriz Maria Alves, que teve lugar num táxi), Reinaldo Ferreira, o mais
inspirado e imaginativo repórter português dos anos 20 do século passado, constrói uma ficção em tom
assumidamente de “serial”, cheia de golpes de teatro.
Sala Luís de Pina
Sex. [21] 22:00

PECCATO CHE SIA UNA CANAGLIA
Que Pena Seres Vigarista! de Alessandro Blasetti
com Sophia Loren, Marcello Mastroianni, Vittorio de Sica
Itália, 1954 - 100 min / legendado em português
O primeiro encontro de Sophia Loren com Marcello Mastroianni, e logo um dos mais irresistíveis, pois se tornou
um dos grandes êxitos comerciais do cinema italiano, o que levou à reunião do par uma série de vezes. Aqui,
Sophia é uma “vigarista” que actua em cumplicidade com De Sica. Um dia, os dois levam um taxista (Marcello) “à
certa”. Mais tarde este encontra-os de novo e quer forçá-los a devolver o que roubaram. Mas, entretanto,
apaixona-se pela capitosa vigarista.
Sala Dr. Félix Ribeiro
Seg. [24] 19:00

METAAL EN MELANCHOLIE
“Metal & Melancolia” de Heddy Honigmann
Holanda, 1994 - 80 min / legendado electronicamente em português
Um documentário que tem por centro os motoristas de táxi da cidade de Lima (Peru). Uma pitoresca viagem e
encontros com taxistas, novos e velhos, homens e mulheres, contando as histórias das suas vidas e discorrendo
sobre os prazeres e perigos da sua profissão.
Sala Luís de Pina
Ter. [25] 19:30

AFTER HOURS
Nova Iorque Fora de Horas de Martin Scorsese
com Griffin Dune, Rosanna Arquette, Verna Bloom, Thomas Chong, Teri Garr
Estados Unidos, 1985 - 95 min / legendado em espanhol
Para Olivier Eyquem este filme de Scorsese é um “perturbante catálogo de nevroses urbanas”. Trata-se de uma
viagem pela noite dentro, que transfigura toda a realidade em que vivia um técnico de informática. A “lógica” que
servia de base ao seu mundo esfuma-se diante dos acontecimentos mais estranhos. Outro “détour” não tão
radical, mas alucinante.
Sala Dr. Félix Ribeiro
Qua. [26] 21:30

CLÉO DE 5 À 7 Duas Horas na Vida de uma Mulher
de Agnès Varda
com Corinne Marchand, Antoine Bourseiller, José Luis de Villalonga
França, 1962 - 85 min / legendado em português
Talvez a obra-prima de Varda e o mais “Nouvelle Vague” de todos seus filmes. Narrado em tempo real (o tempo
da narrativa é o mesmo da duração do filme), o filme mostra- -nos uma mulher que pensa ter um cancro e espera
pelos resultados das análises médicas que fez. Enquanto espera, encontra pessoas conhecidas e desconhecidas e
atravessa a distância entre o obscurantismo e a lucidez sobre a sua própria identidade. E, como tantos filmes da
Nouvelle Vague, CLÉO DE 5 À 7 também é um grande filme sobre Paris.
Sala Dr. Félix Ribeiro
Qui. [27] 19:00

KROTKI FILM O ZABIJANIU
“Breve Filme sobre o Acto de Matar” de Krzystof Kieslowski
com Miroslaw Baka, Krzystof Globisz, Jan Tesarz
Polónia, 1988 - 84 min / legendado electronicamente em português
Este “breve filme” é uma espécie de “emanação” do episódio de DEKALOG dedicado ao mandamento que diz
“não matarás”. Versão alongada e remontada desse episódio, comete a proeza de manter uma secura e uma
austeridade de onde estão ausentes os ornamentos e o decorativismo que muitos criticam ao Kieslowski da
“trilogia das cores”. O filme segue o percurso de um jovem entre o assassínio que comete e a execução a que é
condenado, assim devolvendo ao próprio espectador a interrogação: “não matarás?”
Sala Dr. Félix Ribeiro
Sex. [28] 19:00




OCTAGÉSIMO ANIVERSÁRIO DO ODEON
Em colaboração com o fórum Cidadania de Lisboa


Félix Ribeiro, no seu livro Os Mais Velhos Cinemas de Lisboa, dá-nos conta do acontecimento. Na tarde de 19 de
Setembro de 1927, inaugurava-se na Rua dos Condes, mesmo em frente ao Olympia, uma nova sala de cinema
em Lisboa, que tinha o nome de Odeon. Segundo o primeiro director da Cinemateca, o cinema estivera para se
chamar Ibéria. À inauguração oficial sucedeu, dois dias depois, a 21, uma quarta-feira (que ficou,
tradicionalmente, como o dia das estreias neste cinema ao longo da sua existência). Como refere Félix Ribeiro: “O
filme de estreia, seleccionado para a circunstância, ajustava-se à importância do acontecimento – a VIÚVA
ALEGRE, de Eric von Stroheim, com Mae Murray e John Gilbert nos protagonistas e que René Bohet, o excelente
director da orquestra privativa, sublinhou musicalmente com a segurança e o brilho a que viria a habituar o
público, não só ali como, mais tarde, à frente da orquestra do São Luís”. Pouco depois, o Odeon estrearia um dos
maiores êxitos comerciais daquele tempo, A GRANDE PARADA de King Vidor. A partir de 1937, o Odeon
começaria a ser explorado por Vicente Alcântara, que a ele juntaria o Palácio e o Royal a partir de 1949, e o
cinema começaria a tornar-se uma sala de características populares, trazendo até nós os melodramas e musicais
de língua latina. Por ali passaram sucessos como VIOLETAS IMPERIAIS, com Carmen Sevilla, AMA ROSA com
Império Argentina e muitas das comédias portuguesas.
No dia em que a sala (hoje abandonada e em estado de acentuada degradação, a exigir intervenção urgente de
poderes públicos ou privados) faz 80 anos de idade, a Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema, evoca a data
com a exibição do filme que a inaugurou: THE MERRY WIDOW, de Eric von Stroheim.

THE MERRY WIDOW
A Viúva Alegre de Eric Von Stroheim
com John Gilbert, Mae Murray, Roy D’Arcy
Estados Unidos, 1925 - 113 min / mudo, com intertítulos em inglês traduzidos em português
THE MERRY WIDOW foi o filme que fez de John Gilbert uma estrela (logo a seguir viria THE BIG PARADE) e o
sucessor e herdeiro de Rudolfo Valentino como galã romântico. THE MERRY WIDOW, que adapta a conhecida
opereta que Lubitsch levaria também ao ecrã, foi também o último sucesso de Eric Von Stroheim, e também o
último cuja produção pôde controlar. Um filme prodigioso povoado por todas as obsessões e fetiches do
realizador.
Sala Félix Ribeiro
Sex. [21] 19:00




O QUE QUERO VER

UN CARNET DE BAL, JANE EYRE, UNION PACIFIC e COLORADO TERRITORY são os filmes que exibimos em
Setembro na habitual rubrica “O Que Quero Ver”, em que damos eco de sugestões dos espectadores das nossas
salas.

UN CARNET DE BAL
Um Carnet de Baile de Julien Duvivier
com Harry Baur, Marie Bell, Pierre Blanchar, Fernandel, Louis Jouvet
França, 1937 - 144 min / legendado electronicamente em português
Reflectindo sobre a sua vida, Christine, recém viúva, dá-se conta de que podia ter sido mais feliz caso tivesse
casado com outra pessoa. Decide então visitar, um a um, os homens com quem, aos 16 anos, dançou num baile.
UN CARNET DE BAL (melhor filme estrangeiro em Veneza em 1937) é um dos primeiros exemplos de filmes
estruturados como uma sucessão de vinhetas. Foi retomado pelo próprio realizador que dele realizou um remake
em Hollywood (LYDIA, 1941). Primeira exibição na Cinemateca.
Sala Luís de Pina
Ter. [04] 19:30

JANE EYRE
Jane Eyre de Robert Stevenson
com Orson Welles, Joan Fontaine, Margaret O’Brien
Estados Unidos, 1944 - 97 min / legendado electronicamente em português
A mais famosa adaptação ao cinema do romance de Charlotte Brontë, conta a história de uma jovem órfã que se
torna governanta de um misterioso aristocrata do Yorkshire, interpretado por Orson Welles. A adaptação,
bastante fiel, foi da responsabilidade de John Houseman e do escritor Aldous Huxley. Destaque ainda para a
música de Bernard Herrmann.
Sala Luís de Pina
Seg. [17] 19:30

UNION PACIFIC
União de Aço de Cecil B. DeMille
com Barbara Stanwyck, Joel McCrea, Akim Tamiroff, Robert Preston, Lynn Overman
Estados Unidos, 1939 - 135 min / legendado electronicamente em português
A construção da primeira grande linha de caminho-de-ferro americana fora o motivo do filme de John Ford em
1924, IRON HORSE. DeMille retomou-o em UNION PACIFIC, no tom épico que aquele inspira, trabalhando
elementos do género do western e focando a acção dramática no trio de personagens interpretadas por McCrea,
Stanwyck e Preston, e na disputa entre os dois homens pela mesma mulher.
Sala Luís de Pina
Sex. [21] 19:30

COLORADO TERRITORY
Golpe de Misericórdia de Raoul Walsh
com Joel McCrea, Virginia Mayo, Dorothy Malone, Henry Hull
Estados Unidos, 1949 - 93 min / legendado em português
Um dos grandes westerns de Walsh, uma história trágica na linha de PURSUED, mas mais marcada pelo
romantismo, que segue o percurso trágico da relação entre um fora da lei e uma rapariga mestiça. Nova versão
de um outro clássico de Walsh, HIGH SIERRA, transfere o pano de fundo do filme negro para o western, e inclui
um final alucinante que só tem paralelo, na obra de Walsh, noutra obra-prima do realizador feita nesse mesmo
ano: WHITE HEAT.
Sala Luís de Pina
Qua. [26] 19:30




ABRIR OS COFRES

Em Setembro mostramos as duas versões de A ROSA DO ADRO do cinema português: a de Georges Pallu em 1919
e a de Chianca de Garcia em 1938, ambas com base no romance homónimo de Manuel Maria Rodrigues,
popularíssimo no século XIX.

A ROSA DO ADRO de Georges Pallu
com Maria de Oliveira, Erico Braga, Carlos Santos, Etelvina Serra, Duarte Silva
Portugal, 1919 - 76 min / mudo, intertítulos em francês traduzidos electronicamente em português
A adaptação do romance de Manuel Maria Rodrigues por Pallu mantém o tom fatalista daquele e apresenta
Maria de Oliveira no papel de Rosa, primeira das “actrizes efémeras” do cinema português, como a Cinemateca
lembrou em 2003 numa retrospectiva a elas dedicada. Maria de Oliveira voltaria a trabalhar com Pallu entre 1919
e 1921 (O COMISSÁRIO DE POLÍCIA, BARBANEGRA e QUANDO O AMOR FALA), com Maurice Mariaud em AS
PUPILAS DO SENHOR REITOR e com Augusto Lacerda em A TEMPESTADE DA VIDA (1923). A ROSA DO ADRO foi o
segundo filme realizado por Pallu para a Invicta Films, depois de FREI BONIFÁCIO (1918) ter aberto esse capítulo.
Sala Luís de Pina
Ter. [04] 22:00

A ROSA DO ADRO de Chianca de Garcia
com Maria Lalande, Vital Santos, Oliveira Martins, Elsa Rumina
Portugal, 1938 - 81min
Ao contrário da versão de Pallu que transpõe a acção do romance que está na base do argumento para a época
do filme, Chianca de Garcia ambienta a sua adaptação de A Rosa do Adro durante a guerra civil dos anos 30 do
século XIX numa aldeia do litoral minhoto, como sucedia no romance. Maria Lalande interpreta o papel de Rosa,
cujos amores balançam entre o miguelista Fernando e o liberal Miguel. A apresentar em cópia nova, resultado de
uma preservação recente efectuada no laboratório do Arquivo da Cinemateca (ANIM-Arquivo Nacional das
Imagens em Movimento).
Sala Luís de Pina
Qui. [27] 22:00
ANTE-ESTREIAS

LONGE DE MIM..., primeira longa-metragem de Peter Anton Zoettl, é o filme em ante-estreia em Setembro na
Cinemateca. Produção independente da FullBlue Produções Audiovisuais, o filme de Zoettl apresenta-se como a
primeira parte (“De Lá Para Cá”) de um projecto mais abrangente que tem a imigração como tema comum e está
ligado à investigação em Antropologia Visual levada a cabo pelo realizador que neste momento se encontra a
concluir um doutoramento na área (Zoettl tem formação em Antropologia e estudou Cinema na Escola Superior
de Teatro e Cinema de Lisboa).

LONGE DE MIM… de Peter Anton Zoettl
com Georgete Afonso, Edna Maria Afonso, Aydette Afonso
Portugal, 2007 - 77 min
Seguindo um caso de tentativa de emigração para Portugal, é entre São Tomé e Príncipe e Lisboa que a acção
decorre, centrando-se na personagem de uma jovem São-Tomense que espera um visto para se reunir à família
em Lisboa. Com esta se cruzam duas outras linhas de acção – uma acusação de desvio de 450.000 dólares pelo
Ministério dos Negócios Estrangeiros de S. Tomé e a prisão de uma cidadã brasileira por imigração legal que se
encontra à espera de extradição. “Três histórias de vida que se parecem interligar numa pequena casa de madeira
no bairro da Boa Morte, perto do centro da capital são-tomense. A sorte de um é o azar do outro, e nenhum dos
protagonistas parece ser o dono do seu destino…”
Sala Dr. Félix Ribeiro
Ter. [25] 21:30
              EM SETEMBRO OS DIAS COMEÇAM A FICAR MAIS CURTOS, AS FÉRIAS ACABARAM,
                       COMEÇAM AS AULAS E… APETECE MAIS IR AO CINEMA.


                           A Cinemateca Júnior vai reabrir dia 8 de Setembro.
             A pedido do público júnior, que aos sábados quer ficar a dormir até mais tarde,
                             as sessões de cinema irão passar para as 15h00.
                         Este mês vamos ter o Charlot a trocar as voltas a Hitler,
                           as peripécias do Senhor Hulot com a vida moderna,
                               o romance entre uma dama e um vagabundo
                       e como um sapatinho muda a vida a uma gata borralheira.
                          O cinema voltou definitivamente aos Restauradores.

THE LADY AND THE TRAMP
A Dama e o Vagabundo de Clyde Geronimi, Wilfred Jackson, Hamilton Luske
Animação
Estados Unidos, 1955 - 75 min / dobrado em português
Adaptado de um conto infantil de Ward Greene, esta é a deliciosa história de Lady, uma cadela “spaniel”,
requintada e amimada que encontra um cão vadio chamado “Tramp/Vagabundo”. Quando os donos de Lady vão
de férias, a casa fica entregue a uma velhota dona de dois insuportáveis gatos siameses e a um perigoso intruso,
uma ratazana. Será o “Vagabundo” que irá salvar Lady de apuros.
Salão Foz – Restauradores
Sáb. [08] 15:00
PLAYTIME
Playtime - Vida Moderna de Jacques Tati
com Jacques Tati, Barbara Dennek
França, 1967 - 123 min / legendado em português
Uma sátira à vida moderna e à mecanização, com o Sr. Hulot, alter ego de Tati, provocando o caos numa
sofisticada zona residencial e durante a inauguração de um luxuoso restaurante. A mestria dos gags dos grandes
mestres do burlesco alia-se a um requinte de pormenores dos gestos mais insignificantes do dia a dia. A banda
sonora é um prodigioso emaranhado de sons e ruídos, que quase tornam supérflua a palavra.
Salão Foz – Restauradores
Sáb. [15] 15:00
THE GREAT DICTATOR
O Ditador de Charles Chaplin
com Charles Chaplin, Paulette Goddard, Jack Oakie, Reginald Gardiner, Henry Daniell, Billy Gilbert
Estados Unidos, 1940 - 124 min / legendado em português
Charlot entra em guerra contra o fanatismo e a intolerância, e aparece pela última vez no ecrã no papel de um
barbeiro judeu que tem um sósia. Nem mais nem menos do que o ditador do país, Adenoid Hynkel (e a referência
a Hitler não podia ser mais transparente). Um dia é confundido com ele e vai fazer um discurso às massas. Jack
Oakie no papel de Napaloni (paródia a Mussolini) é um espectáculo.
Salão Foz – Restauradores
Sáb. [22] 15:00
CINDERELLA A Gata Borralheira
de Clyde Geronimi, Wilfred Jackson, Hamilton Luske
Animação
Estados Unidos, 1950 - 74 min / dobrado em português
Um dos melhores filmes de animação produzidos por Walt Disney. A partir do conto de Perrault sobre a “gata
borralheira” que quer ir ao baile do príncipe e tem a oposição da “malvada” madrasta, a equipa Disney criou
alguns dos seus bonecos mais admirados e divertidos, com destaque para os ratinhos amigos de Cinderella, e o
gato Lúcifer, um dos melhores “vilões” do cinema de animação.
Salão Foz – Restauradores
Sáb. [29] 15:00

				
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