Pré-Modernismo

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					Pré-Modernismo


Período de abrangência: 1902 a 1922
 A literatura brasileira atravessa um período de
transição nas primeiras décadas do século XX.

 De um lado, ainda há a influência das
tendências artísticas da segunda metade do
século XIX; de outro, já começa a ser preparada a
grande renovação modernista, que se inicia em
1922, com a Semana de Arte Moderna.

 A esse período de transição, que não chegou a
constituir um movimento literário, chamou-se
Pré-Modernismo.
Período eclético*:

 Grupo passadista (parnasianos e simbolistas
retardatários)

 Grupo renovador (sob variadas linguagens,
com predomínio da prosa neo-realista, um
conjunto de escritores – sem um projeto comum
– tenta olhar para o país de uma forma mais ou
menos crítica.

* eclético - mistura de várias tendências.
Principais representantes:

 Euclides da Cunha,
 Lima Barreto,
 Graça Aranha,
 Monteiro Lobato
 Augusto dos Anjos.

O Pré- Modernismo se inicia em 1902 com a
publicação de dois importantes livros - Os
sertões, de Euclides da Cunha, e Canaã, de Graça
Aranha - e se estende até o ano de 1922, com a
realização da Semana de Arte Moderna.
                  ORIGENS
    Forma-se, nas cidades, uma classe média
    reformista, ao mesmo tempo, surge uma massa
    popular insatis- feita e propensa a revoltas
    irracionais – Revolta da Vacina.
   Na zona rural, há conflitos de maior ou menor
    intensidade, até mesmo uma guerra civil (RS –
    republica- nos e maragatos).
    Irrompem as revoluções camponesas de
    Canudos (1896-1897) e do Contestado (1912).
   A urbanização, o crescimento industrial e a
    imigração modificam a sociedade brasileira.
           CARACTERÍSTICAS
 A denúncia da realidade brasileira, negando o
Brasil literário herdado do Romantismo e do
Parnasianismo; o Brasil não-oficial do sertão
nordestino, dos caboclos interioranos, dos
subúrbios, é o grande tema do Pré-Modernismo.

 Os tipos humanos marginalizados: o sertanejo
nordestino, o caipira, os funcionários públicos,
os mulatos.
 Regionalismo, montando-se um vasto painel
brasileiro: o Norte e o Nordeste com Euclides
da Cunha; o vale do Paraíba e o interior
paulista com Monteiro Lobato; o Espírito
Santo com Graça Aranha; o subúrbio carioca
com Lima Barreto.
 Uma ligação com fatos econômicos , sociais,
contemporâneos e políticos diminuindo a
distância entre a realidade e a ficção. São
exemplos: Triste fim de Policarpo Quaresma, de
Lima Barreto (retrata o governo de Floriano e a
Revolta da Armada), Os sertões, de Euclides da
Cunha (um relato da Guerra de Canudos),
Cidades mortas, de Monteiro Lobato (mostra a
passagem do café pelo vale do Paraíba
paulista), e Canaã, de Graça Aranha (um
documento sobre a imigração alemã no Espírito
Santo).
  Sociedade dividida entre imobilismo
  (preservação dos valores vigentes) e
  modernização
 Ainda permanecem resíduos culturais do séc.
  XIX – ideais parnasianos.
 Surge um desejo por uma busca de novas
  formas de expressão.
 Há também um desejo de redescoberta do
  Brasil – do Brasil doente, pobre, ignorado e
  esquecido.
 Há uma tentativa de reinterpretação social do
  atraso e da miséria.
Euclides da Cunha
         1. Euclides da Cunha
 Relato sobre a guerra de Canudos travada
entre sertanejos fanáticos e soldados do
exército;
A base fatual do relato são as reportagens que
E.C. enviou para o jornal durante o confronto.

A obra se divide – de acordo com as teses
deterministas que a delimitam (Taine: meio, raça
e momento) em A terra – O homem – A luta.
                              A visão determinista de Euclides:
                              Geográfico:
                              Homem = produto do meio natural
                              Clima é importante fator do meio
                              Impossibilidade de civilização na
                              aridez do sertão.




O progresso por não terem
contato com ele:                 Racial:
permanecerão atrasadas e          Cruzamentos enfraquecem a
tendendo a “anomalias            espécie
Histórico:                        Miscigenação conduz à
 Culturas como a sertaneja      marginalidade
não absorvem ”                    O sertanejo é um híbrido racial
As teses cientificistas de E. C. estão mais
presentes nas duas primeiras partes da obra.



 Em O homem, o sertanejo é apresentado,
simultaneamente, como uma "sub-raça", "raça
degenerescida" e como um "forte", um "titã de
cobre".
A luta – parte mais importante – é uma
mescla de texto científico, resgate histórico,
reportagem jornalística, narrativa romanesca,
análise da guerra, denúncia da chacina dos
sertanejos e uma profunda interpretação do
Brasil.


A percepção da guerra como tradução da
existência de dois Brasis – um civilizado e
moderno e outro arcaico e primitivo
Os sertões - a obra é dividida em três partes:
               A terra – O homem – A luta
1ª parte: visão cientificista do Naturalismo – meio opressor
2ª parte: a problemática racial
3ª parte: é a parte mais importante, em que Euclides descreve a
revolta de Canudos.
 A linguagem de Euclides da Cunha


A linguagem – extraordinariamente elaborada,
ornamental, difícil, poética, barroca em suas
antíteses, em suas metáforas e em seus
paradoxos – é o que confere caráter literário ao
texto.
Lima Barreto
    Lima Barreto
 Relatos neo-realistas, de estilo simples, mais
ou menos desleixados na linguagem.



Valorização da vida suburbana e das camadas
pobres do Rio de Janeiro


Ironia corrosiva ao nacionalismo ufanista
 Denúncia dos preconceitos sociais e de cor (o
autor era mulato)


   Principais obras:

Triste fim de Policarpo Quaresma (Relato
centrado em um burocrata visionário, dominado
por formulações de nacionalismo ufanista e que,
por    isso, crê   piamente    na    grandezas
convencionais da nação.
 Recordações do escrivão Isaías Caminha (O
jovem mulato Isaías Caminha sai do interior em
busca de uma chance no Rio de Janeiro, mas o
preconceito de cor impedem-no de alçar-se,
restando-lhe apenas um trabalho subalterno
num diário da antiga capital federal
Monteiro Lobato
         Monteiro Lobato

Literatura geral (adulta): Urupês, Cidades
mortas, Negrinha.
· contos com ênfase em soluções patéticas,
macabras ou anedóticas
 · estrutura do conto e de linguagem presa ao
modelo realista tradicional
 · registro da zona cafeicultura decadente do
interior paulista (Cidades mortas)
 · criação da figura do caboclo brasileiro (o
caipira) – Jeca Tatu
Literatura infanto-juvenil: O sítio do pica-pau
amarelo
· mescla de fantasia, realidade e informação

· presença de um cenário típico do interior
brasileiro (o sítio)
Jeca Tatu era um pobre caboclo que morava no mato,
numa casinha de sapé. Vivia na maior pobreza, em
companhia da mulher, muito magra e feia, e de vários
filhinhos pálidos e tristes.
“Jeca Tatu não é assim, ele está assim”. A
frase do escritor José Bento Monteiro Lobato
sobre um dos seus mais populares
personagens, mostra que a sua obra vai além
das populares histórias infantis do Sítio do
Picapau Amarelo. O trabalho de Lobato olha
para várias questões sociais brasileiras,
dentre elas o problema de saúde pública no
país. Com Jeca Tatu, Lobato fala sobre uma
doença tropical, até então totalmente
negligenciada: o amarelão.
GRAÇA ARANHA
      GRAÇA ARANHA
Canaã: Romance de tese (ou de ideias ou
ainda romance-ensaio), centrado no debate
ideológico entre dois imigrantes alemães,
Milkau e Lentz, recém chegados ao Espírito
Santo. Há uma discussão sobre o futuro da
sociedade brasileira, discussão esta centrada
nas idéias de clima e de raça. A linguagem da
obra tem certos acentos impressionistas.
Augusto dos Anjos
      Augusto dos Anjos
                  Eu

Poesia com traços parnasianos,
simbolistas e pré-modernistas.

Os aspectos pré-modernistas estão presentes
em alguns versos de extremo coloquialismo e na
incorporação da temática da "sujeira da vida" e
do grotesco, muito comuns na poesia moderna.
 Utilização frequente de termos científicos da
medicina e da biologia, de acordo com as
tendências naturalistas/evolucionistas vindas
do século XIX.


 Apresenta uma obsessão pela morte, nas
formas mais degradadas que ela pode
apresentar: podridão da carne, cadáveres
fétidos, corpos decompostos, vermes famintos
e fedor de cemitérios.
 Dominada pelo niilismo, a poesia de Augusto
dos Anjos questiona a falta de sentido da
existência e verte um nojo amargo e
desesperado pelo fim inglório a que a natureza
nos condena.


 A angústia diante da morte transforma-se
numa espécie de metafísica do horror: o homem
não passa de matéria que acaba, que entra em
putrefação e que depois desaparece.
  PSICOLOGIA DE UM VENCIDO

Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênese da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.

Profundissimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância...
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.
Já o verme - este operário das ruínas -
Que o sangue podre das carnificinas
Come, e á vida em geral declara guerra,

Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!

				
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posted:10/17/2012
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