CONHECIMENTO DOS DOCENTES DO DEPARTAMENTO DE ESTOMATOLOGIA DA UFSC

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CONHECIMENTO DOS DOCENTES DO DEPARTAMENTO DE ESTOMATOLOGIA DA UFSC Powered By Docstoc
					CONHECIMENTO DOS DOCENTES DO DEPARTAMENTO DE
ESTOMATOLOGIA DA UFSC EM RELAÇÃO AO SEU ESTADO DE
IMUNIZAÇÃO
UFSC DENTISTRY PROFESSOR’S KNOWLEDGE IN RELATION TO THEIR
IMMUNIZATION STATE

Ana Rita Duarte Guimarães 1 , Maria Letícia Ramos-Jorge 2, Vera Lúcia Bosco 3,
Ricardo de Sousa Vieira 4


UNITERMOS: SAÚDE OCUPACIONAL , PREVENÇÃO & CONTROLE,                  ODONTOLOGIA OCUPACIONAL



                                                   RESUMO
         A possibilidade de contaminação ocupacional por várias doenças infecto-contagiosas torna
a profilaxia por meio de vacinas um recurso de proteção obrigatório para todo profissional da área
de saúde. Os docentes em Odontologia são responsáveis não apenas por sua saúde e a dos
pacientes, como também pelo modelo de conduta profissional que é transmitido aos seus alunos.
Com o objetivo de avaliar o grau de atenção do Docente do Departamento de Estomatologia da
UFSC em relação ao seu estado de imunização, foi realizado um estudo tipo censo, envolvendo
todo o corpo docente deste Departamento. Por meio de entrevista, foi aplicado um questionário,
buscando verificar quais das principais doenças infecto-contagiosas o profissional sabe que está
imunizado, se tem conhecimento da validade da sua imunização, se faz ou fez um controle
laboratorial para verificar eficácia da imunização e com qual regularidade é realizado essa controle.
Embora todos os participantes já tenham sido vacinados contra alguma doença, 89,5%
imunizaram-se contra Hepatite B; dos participantes que não foram vacinados contra esta doença,
100% tinham mais de 10 anos de formado. Nenhuma relação estatisticamente significante foi
verificada entre a especialidade e o fato do participante ser imunizado contra qualquer doença. Dos
entrevistados, 86,8% relataram saber que as vacinas prescrevem, entretanto, 84,2% nunca fizeram
quaisquer exames laboratoriais para se certificarem do seu estado de imunização contra as
doenças. Conclui-se que, embora os docentes tenham o conhecimento sobre imunoprevenção,
não demonstraram preocupação com a prevenção das doenças infecto-contagiosas ocupacionais,
exceto em relação à hepatite B.
    ---------------------------------------------------------------------------------------------------------
Ana Rita Duarte Guimarães
Av. Trompowsky, 227, Apt. 602 Centro – Florianópolis (SC)
Cep: 88015-300 Telefone: (48) 322-0940
E-mail: ardg1999@hotmail.com



1
  Doutoranda em Odontopediatria pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e
Professora Assistente de Odontopediatria da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS)
2
  Doutoranda em Odontopediatria pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)
3
  Professora Adjunta do Departamento de Odontopediatria da UFSC, Doutora em Odontopediatria
pela FO.USP
4
  Professor Adjunto do Departamento de Odontopediatria da UFSC, Doutor em Odontopediatria
pela FO.USP.
                                      INTRODUÇÃO

  O Profissional da área da saúde pode ser um vetor de infecções para os

pacientes, para outros profissionais no ambiente de trabalho e para comunicantes

domiciliares e da comunidade, bem como pode ser contaminado por eles.

      O risco inerente de contaminação por várias doenças viróticas e

bacterianas na prática odontológica, torna a profilaxia por meio de vacinas uma

proposta obrigatória para todo profissional desta área 1. Programas de vacinação

garantem ao profissional da área de saúde, proteção contra as doenças

previníveis por vacinas e se constituem em parte essencial do programa de saúde

ocupacional. Os programas de vacinação devem incluir tanto os recém-

contratados quanto os funcionários antigos, sendo os programas de vacinação

obrigatória mais efetivos que os voluntários.

      De acordo com o Instituto de Pesquisa da ADA (1988), existem

aproximadamente 40 doenças infecciosas de risco para o paciente e para os

profissionais da equipe odontológica. As doenças mais citadas por esse Instituto

foram hepatite A, B, C, AIDS, tuberculose, sarampo, rubéola, gripe, herpes e

infecções do trato respiratório. É também responsabilidade do dentista e da equipe

auxiliar minimizar os riscos de contaminação dessas doenças2.

      As medidas de precaução-padrão constituem um conjunto de normas de

controle de infecção adotadas universalmente, como meio de redução do risco de

transmissão de agentes infecciosos nos serviços de saúde e, medidas devem ser

adotadas durante o atendimento de todos os pacientes, independentemente do

diagnóstico. Assim, pode-se estabelecer que o primeiro princípio básico a ser
obedecido pelos profissionais para o controle de infecção na prática odontológica

é a proteção de sua saúde e a da sua equipe. Essa proteção inclui o uso de

Equipamento de Proteção Individual (EPI) e a Imunização3.

       A vacinação ou imunização ativa consiste da administração de um

microrganismo ou parte dele, com o objetivo de induzir no organismo humano uma

resposta imunológica, que mimetize a infecção natural, porém sem os riscos desta

ocorrer4.

       Existe a necessidade da conscientização, da viabilidade e da necessidade

de imunização da equipe odontológica para evitar a infecção e desenvolvimento

de doenças ocupacionais5.

       Os professores de graduação dos cursos da área biomédica são

responsáveis não apenas por sua saúde e a de seus pacientes, como também

pelo modelo de conduta profissional que é transmitido aos seus alunos. Desse

modo, torna-se de extrema importância verificar o conhecimento deles sobre o seu

estado de imunização.

       DOENÇAS IMUNOPREVINÍVEIS

       PATÓGENOS TRANSMITIDOS POR SANGUE

       A Hepatite B (HB) foi a primeira doença transmitida pelo sangue

reconhecida como doença de risco profissional. Apesar da presença do vírus da

HB ter sido detectada em líquidos orgânicos (sêmen, secreções vaginais, saliva,

lágrima, suor, leite materno, suco gástrico, urina, líquido ascítico pleural e sinovial,

líquido cefalorraquidiano e raramente em fezes) de indivíduos, o vírus tem como

principal veículo o sangue. Entretanto, o sêmen, a saliva e secreções vaginais
também podem contribuir para a disseminação do vírus 6. Estima-se que, em geral,

o profissional da área de saúde tenha uma prevalência duas a quatro vezes maior

de contrair Hepatite B do que a população em geral, sendo os dentistas, médicos,

laboratoristas, enfermeiros e profissionais de unidades de diálise e limpeza os

mais expostos, sendo que o risco de transmissão por uma única picada com

agulha pode variar de 6 a 30%. A vacina contra Hepatite B está disponível no

mercado desde 1982, e o risco de doença diminuiu nos últimos anos devido à

vacinação3. O Centers for Disease Control (CDC) em 1983 havia documentado

uma proporção de 386 casos de Hepatite B ocupacional para 100.000 habitantes

e, em 1995, esse número caiu para nove casos de Hepatite B ocupacional para

100.000 habitantes nos Estados Unidos7. A Hepatite C também é apresentada

como doença de risco para os profissionais de saúde. A possibilidade de

transmissão percutânea pode variar de 3% a 10% e a exposição de mucosas e

pele com solução de continuidade também representam um risco provável. Ainda

não há vacina contra a hepatite C e a única recomendação é evitar o contato do

profissional com o vírus8.

      O risco de aquisição de HIV ocupacional também existe, porém é menor

que o risco de aquisição de Hepatite B ou Hepatite C. Até dezembro de 1988,

foram notificados ao CDC, 54 casos documentados de transmissão ocupacional

do HIV e 134 casos com provável transmissão ocupacional. No Brasil, não existem

dados oficiais em relação à transmissão ocupacional do HIV3.

      As vias de exposição ao HIV que estão associadas à transmissão

ocupacional incluem: percutânea, mucosa e pele não íntegra. Em relação ao
material biológico potencialmente infectante, além do sangue, incluem-se: fluido

com sangue e outros fluidos corporais (líqüor, sêmen, secreção vaginal, líquido

pleural, peritonial, pericardial, sinovial e fluido amniótico)3.

       O risco estimado de aquisição do HIV pós-acidente com material pérfuro-

cortante está quantificado em 0,3% (21 infecções em 6498 exposições) e pós-

exposição mucocutânea em 0,03% (uma infecção em 2885 exposições).

Entretanto, existem outros fatores envolvidos em relação ao tipo de acidente, tais

como: quantidade de sangue transferida durante o acidente e estágio da doença

do paciente fonte da infecção. Assim como na Hepatite C, ainda não existe

imunização contra o HIV e a única recomendação é a utilização do equipamento

de proteção individual no sentido de evitar a exposição ao vírus3.

       PATÓGENOS DE TRANSMISSÃO AÉREA

       Levantamento epidemiológico entre os dentistas e sua equipe confirmou o

elevado risco de contaminação ocupacional por vírus em comparação com outras

categorias de profissões de saúde9.

       Em um estudo soroepidemiológico, em Tel Aviv, foi observado um valor

superior de anticorpos Hepatite A entre profissionais que tiveram contato maior

com crianças, como os odontopediatras e ortodontistas10.

       Recomenda-se a vacinação contra tuberculose (BCG) aos profissionais que

exerçam atividades em hospitais e instituições onde haja permanência de

indivíduos com tuberculose ou AIDS. A imunização deve ser prescrita a todos os

profissionais que, após o teste tuberculínico (PPD), se inserirem na categoria dos
não-reatores (nódulo com diâmetro menor que 5 mm) e dos reatores fracos

(nódulo com diâmetro entre 5 e 9 mm) 3.

      Segundo o Ministério da Saúde, embora o risco ocupacional de contrair o

tétano seja insignificante, recomenda-se que profissionais da equipe odontológica

mantenham-se imunizados contra esta doença através de vacinação de reforço

(toxóide tetânico) a cada 10 anos11.

      Sendo uma doença altamente contagiosa, o sarampo costuma atingir toda a

comunidade em forma de epidemia. Em situações de epidemia, como a de 1997

que assolou a maior parte dos estados brasileiros, é recomendado que os

profissionais recebam uma dose da vacina3.

      A rubéola aguda é uma virose endemo-epidêmica, que acomete

principalmente crianças, mas também adolescentes e adultos jovens. No Brasil,

incide quase sempre entre a faixa etária de cinco a 14 anos de idade. A

embriopatia ou síndrome da rubéola congênita (SRC) decorre da viremia durante a

infecção aguda na mulher grávida. Como exemplo, as probabilidades de infecção

fetal são de 80%, 67% e 25% quando a viremia materna ocorre nas primeiras 12

semanas, na 14a e na 26a semana, respectivamente. Pesquisas com esse enfoque

são de extrema importância para cirurgiães-dentistas em idade fértil, pois a

contaminação pelo vírus, especialmente no primeiro trimestre da gestação, pode

ser de grande risco para o desenvolvimento de malformações cardíacas e

auditivas no bebê12.

      A imunidade obtida através de vacina MMR, aplicada em dose única por via

subcutânea é prolongada e provavelmente vitalícia. Pode ser aplicada em
qualquer idade, isoladamente ou associada à vacina contra caxumba e sarampo,

conhecida como MMR (mumps=caxumba, measles=sarampo e rubella=rubéola)13.

   Quadro 1: Patógenos e doenças de risco para o profissional da área da saúde (PAS)
   Condição           Patógenos                        Risco                     Imunização do PAS
                                                                             Dupla, adulto para todos os
                                          Risco muito baixo de transmissão      funcionários deve ser
                   Corynebacterium             para o PAS vacinado;           obrigatória; checar cartão
    Difteria
                      diphtheriae            transmissão por contato ou        vacinal, se esquema não
                                                      gotículas                realizado ou incompleto,
                                                                                completar vacinação.
                                                                                 Vacinação pode ser
                                                                              recomendada em áreas de
                  Vírus da hepatite A        Risco baixo para os PAS;        alta endemicidade do VHA;
  Hepatite A
                        (VHA)              transmissão por rota fecal-oral     imunoglobulina pode ser
                                                                              indicada em situações de
                                                                                        surtos.
                                                                               Vacinação indicada para
                                                                                todos os PAS; realizar
                                                                               sorologia(anti-HBs) 4 a 8
                                           Risco de 6 a 30% para os PAS        semanas após a terceira
                                          após exposição pérfuro-cortante;   dose da vacina; se PAS não
                  Vírus da Hepatite B
  Hepatite B                              risco quase inexistente para PAS    imune, repetir a vacinação;
                        (VHB)
                                            imunizados, com resposta à          se acidente com fonte
                                                      vacina.                   HbsAg+ em PAS não
                                                                                  imunizado ou não
                                                                              respondedor, administrar
                                                                                         HBIg
                                           Risco variável para o pás não
                                                                             Devem ser vacinados todos
                                              imunizado; praticamente
   Sarampo         Vírus do sarampo                                          os funcionários susceptíveis,
                                            inexistente para o imunizado;
                                                                               excluindo-se gestantes.
                                             transmissão por aerossóis
                                                                              Vacina não efetiva contra
    Doença                                  Risco para PAS muito baixo;      miningococo do sorogrupo B;
                 Neisseria meningitidis
 meningocócica                               transmissão por gotículas       pode ser indicada para PAS
                                                                                em situações de surto.
                                              Intermediário para o não        Indicar vacina MMR para o
   Caxumba        Vírus de caxumba
                                            imunizado, transmissão por       PAS sem história prévia de
                                                 gotículas                caxumba ou com história
                                                                           prévia duvidosa; excluir
                                                                           gestantes da vacinação.
                                                                          Vacinação MMR indicada
                                                                         para todos os PAS, a menos
                                      Risco intermediário para o não
                                                                          que tenham sorologia que
 Rubéola          Vírus da rubéola      imunizado; transmissão por
                                                                          confirme infecção prévia;
                                                 gotículas
                                                                             excluir gestantes da
                                                                                  vacinação.
                                                                            Avaliar sorologia para
                                      PAS não-imunes sob alto risco;        varicela e considerar
                 Vírus da varicela-
 Varicela                                transmissão por contato e          vacinação para os não
                         zoster
                                                aerossóis.                   imunes; não vacinar
                                                                                  gestantes
                                       PAS não imunizados podem
                                                                          Considerar vacinação para
                                      perpetuar surtos em instituições
 Influenza        Vírus Influenza                                         todos os PAS anualmente,
                                        de saúde; transmissão por
                                                                            inclusive as gestantes.
                                                 gotículas
                                      Risco desconhecido para PAS,
                                         porém estes podem estar         Não aplicar DPT a PAS, uso
Coqueluche       Bordella pertussis        envolvidos em surtos,           de vacina acelular ainda
                                      especialmente os que trabalham             controverso.
                                               em pediatria.
                                                                          Realizar triagem semestral
                                                                              com PPD; indicar
                                                                             quimioprofilaxia com
                                      Risco variável conforme local de
                  Mycobacterium                                          isoniazida quando conversão
Tuberculose                              trabalho; transmissão por
                       tuberculosis                                      do PPD recente; considerar
                                                 aerossóis
                                                                          vacinação com BCG para
                                                                           não reatores ou reatores
                                                                                    fracos
                                       Risco mínimo para dentistas;
                                       transmissão por introdução de     Vacinação de reforço a cada
  Tétano         Clostridium tetani
                                        esporos em uma solução de         10 anos (Toxóide tetânico)
                                          continuidade (ferimento)
Fonte: ANVISA, 2002.
                                MATERIAL E MÉTODOS

      Visando verificar a verdadeira situação dos professores diante das doenças

infecto-contagiosas, foi realizado um estudo tipo censo, com todo o corpo docente

do Departamento de Estomatologia da Universidade Federal de Santa Catarina

(UFSC). Para isso, questões foram respondidas por meio de entrevista com o

objetivo de verificar o conhecimento dos professores em relação às seguintes

variáveis: imunização contra quais doenças, prescrição das vacinas, validade de

sua imunização, realização de exames laboratoriais para se certificar sobre o seu

estado de imunização, regularidade que os exames laboratoriais eram feitos. Além

disso, este estudo também objetivou relacionar o tempo de formado e

especialidade do professor com as variáveis citadas. Os dados foram obtidos nas

salas de professores e clínicas do Departamento de Estomatologia, após a

assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido.

      Dessa forma, poderão ser viabilizadas campanhas de esclarecimento sobre

a necessidade da imunização para toda a comunidade, bem como a solicitação

aos órgãos competentes para implementação de um programa de vacinação que

possa atingir docentes, funcionários e alunos.

      Esta pesquisa foi submetida ao Comitê de Ética em Pesquisa com Seres

Humanos da UFSC e aprovada sob o parecer no 063/2002. Todos os participantes

foram esclarecidos sobre a metodologia e os objetivos da pesquisa, foram também

informados do direito de retirarem seus respectivos consentimentos, durante

qualquer fase de execução da mesma.
      Através do programa de computador Epi-Info 6, foi realizada a análise

descritiva dos dados coletados.
                            RESULTADOS E DISCUSSÃO

      Através da lista de nomes dos docentes, fornecida pela administração do

Departamento de Estomatologia da UFSC, constatou-se que havia 76 professores.

Destes, 7 estavam afastados para aperfeiçoamento, 12 não quiseram participar e

10 não foram encontrados durante o período de coleta de dados e 9 não

devolveram o questionário. No total, trinta e oito professores responderam aos

questionários, sendo que todas as disciplinas estiveram representadas por, pelo

menos, um docente. Por isso, considerou-se que a amostra representou o corpo

docente do Departamento de Estomatologia porque todos os professores tiveram

a mesma oportunidade de participarem do estudo e todas as disciplinas foram

representadas na amostra.

      Quando foi questionado aos professores contra quais doenças, eles já

tinham sido imunizados, 21,1% tinham sido imunizados contra rubéola, gripe e

hepatite A; 28,9% contra caxumba; 31,6% contra tuberculose; 44,7% contra

coqueluche e difteria, 47,4% contra tétano; 52,6% contra sarampo, 55,3% contra

poliomielite e 89,5% relataram serem imunizados contra hepatite B.

      Especificamente nessa questão, o viés de memória pode estar presente. O

viés de memória é um erro sistemático devido à dificuldade ou a diferenças entre

os respondentes em lembrar de episódios passados. Sendo assim, como a

imunização de várias das doenças citadas é realizada na infância, algumas

pessoas podem não ter respondido com certeza a essa questão.

      Considerando-se que a idade mínima dos profissionais respondentes era de

27 anos, e a despeito de o Programa Nacional de imunização desde 1972
disponibilizar vacinas apenas contra tuberculose, poliomielite, sarampo, difteria,

tétano e coqueluche e atualmente, mais de doze doenças, ampliando o espectro

da vacinação para idosos: BCG; OPV; Sarampo; DTP; DTP+Hib (tetravalente –

DTP    e   Haemophilus     influenzae,   tipo   b);   Hepatite   B;   tríplice   viral.

(Sarampo/Caxumba/Rubéola); Febre Amarela; Gripe e Pneumococos (23

sorotipos), certamente deveriam se encontrar um maior número de docentes

imunizados contra essas doenças.

      Segundo Ministério da Saúde, o calendário de vacinação é dinâmico e pode

ser alterado de acordo com as circunstâncias epidemiológicas locais. Entretanto,

até o final do primeiro ano e meio de vida, a criança deve ter recebido todas as

vacinas, complementando-se com reforços nos anos posteriores14.

      Ainda nessa primeira questão, pôde-se observar que a maioria dos

profissionais relatou que foi imunizada contra a hepatite B, pois existe uma

preocupação maior dos profissionais quanto à ocorrência dessa doença devido ao

maior risco de contágio. Desde1982, a vacina contra Hepatite B está disponível no

mercado, mas uma maior conscientização dos profissionais da área odontológica

se iniciou no final da década de 803. Portanto, os profissionais tomaram a dose da

vacina contra a Hepatite B mais recentemente do que tomaram de outras vacinas.

Esse fato, aliado à grande preocupação quanto à doença, pode explicar a

diferença de profissionais imunizados contra hepatite B e contra outras doenças.

      A maioria dos professores (86,8%) sabia que as vacinas prescreviam,

entretanto 84,2% dos participantes nunca tinham feito exames laboratoriais para

se certificar sobre o estado de imunização. Dos que já tinham feito exame
laboratorial (15,8%), tal exame foi realizado em sua maioria, para a verificação de

imunidade contra hepatite B (50%), 3,3% para a verificação de imunidade contra

hepatite A, tuberculose e rubéola. Apenas uma pessoa relatou já ter feito exames

laboratoriais para verificar a imunização contra todas as doenças, somente porque

queria engravidar por recomendação médica.

      A vacina anti-hepatite B está disponível na rede pública em Santa Catarina

para crianças com idade até 15 anos incompletos. Esta normativa se deve ao fato

do Estado ser considerado área de alta endemicidade para esta doença. Também

devem receber a vacina, os indivíduos receptores de sangue e hemoderivados,

além dos profissionais de saúde. Quando a vacina é administrada em idades

diferentes à do calendário, deve ser obedecido o esquema de três doses, com

intervalo de um mês entre a 1ª e a 2ª doses e 6 meses entre a 1ª e a 3ª dose4.

      Em Santa Catarina, a lei nº 10.196 de 24 de julho de 1996, torna obrigatória

a administração da vacina contra a rubéola para mulheres na faixa etária de 12

aos 40 anos, para o ingresso no segundo e terceiro graus escolares e para

aquelas cujo trabalho exige contato direto com crianças, como professoras e

profissionais de saúde. Tais medidas fazem parte da estratégia de eliminação da

síndrome da rubéola congênita. Em Florianópolis, os centros de referência que

dispõem das vacinas que não fazem parte do calendário oficial, porém que são

indicadas para alguns grupos de pessoas como os imunodeprimidos, encontram-

se no Hospital Infantil Joana de Gusmão, para crianças e no Hospital Nereu

Ramos, para os adultos4.
Tabela I: Relação entre tempo de formado do docente com o conhecimento da
              validade do seu estado vacinal. Florianópolis, 2002


     Tempo de      Conhecimento da validade do seu

    formado do                estado vacinal             Total

      docente           Não                Sim



    Até 10 anos       5 (55,5)*          4 (45,5)       9 (100)



     Mais de 10       17 (58,6)          12 (41,4)      29 (100)

       anos

       Total             22                    16         38

   O valor entre parênteses refere-se à percentagem
   p>0,05
Tabela II: Relação entre especialidade do docente com o conhecimento da validade
                   do seu estado de imunização contra Hepatite B
                                    Conhecimento do docente do seu estado de

                                         imunização contra Hepatite B
               Especialidade


                                          Não                     Sim

       Cirurgia                            --                      1

       Clínica Geral                       --                      4

       Dentística                          1                       8

       Endodontia                          --                      5

       Epidemiologia                       1                       --

       Odontopediatria                     --                      4

       Ortodontia                          --                      3

       Periodontia                         1                       3

       Prótese                             1                       3

       Radiologia                          --                      2

       Saúde Pública                       --                      1

       Total                               4                       34
Tabela III: Relação entre especialidade do docente com o conhecimento da validade
                    do seu estado de imunização contra Rubéola


                                      Conhecimento do docente do seu estado de

                                              imunização contra Rubéola
               Especialidade


                                             Não                       Sim

       Cirurgia                               --                         1

       Clínica Geral                          2                          2

       Dentística                             9                         --

       Endodontia                             4                          1

       Epidemiologia                          1                         --

       Odontopediatria                        4                         --

       Ortodontia                             2                          1

       Periodontia                            2                          2

       Prótese                                3                          1

       Radiologia                             2                         --

       Saúde Pública                          1                         --

       Total                                  30                         8
                           CONCLUSÕES

      Conclui-se que, embora os docentes tenham o conhecimento sobre

imunoprevenção, não demonstraram preocupação com a prevenção,

tampouco com o controle laboratorial periódico das doenças infecto-

contagiosas ocupacionais, exceto em relação à hepatite B. Houve uma a

relação estatisticamente significante entre tempo de formado do docente de

Estomatologia da UFSC e sua preocupação quanto ao seu estado de

imunização, o que não verificado com relação entre a especialidade do

Docente de Estomatologia da UFSC e sua preocupação quanto ao seu

estado de imunização.




      AGRADECIMENTOS: Agradecemos aos professores do curso de

Odontologia   da   Universidade   Federal    de   santa   Catarina   que   se

prontificaram a participar dessa pesquisa.
UNITERMS: OCCUPATIONAL HEALTH, PREVENTION & CONTROL, OCCUPATIONAL DENTISTRY




                                     SUMMARY




       The aim of this study was to evaluate the UFSC dentistry professor’s
knowledge     about   their   immunization    state   on   the   prevention   of
immunologically mediated diseases. Thirty-eight teachers filled out a
questionnaire that approached the degree of the participants’ knowledge
with relationship to the control of susceptible diseases they acquired during
the professional life. The participants were placed as volunteers starting
from the signature of the consent term. The UFSC-Committee of Ethics in
Research in humans approved this research. The program EPI INFO 6 was
used and the statistical test of the Qui-square was accomplished. Although
all the participants have already been vaccinated against some disease,
89.5% were immunized against Hepatitis B; of the participants that they
were not vaccinated against this disease, 100% had more than 10 years of
having formed. No relationship significant statistically was verified between
the specialty and the participant’s fact to be immunized against any disease.
Of the interviewees, 86.8% told to know that the vaccines prescribe,
however, 84.2% never made any laboratory exams to certify of their
immunization state against the diseases. It was concluded that, although the
teachers have the knowledge on immunological prevention, they didn’t
demonstrate concern with the prevention of the occupational infect
contagious diseases, except in relation to the hepatitis B.
                                    REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


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          tempos de aids: manual de condutas. Brasília: Ministério da Saúde; 2000.
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    De acordo com as normas de publicação do International Comitee of Medical Journal Editors
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13. Bagg J. Common infectious diseases. Dent Clin North Am. 1996; 40:385-
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