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O Reino Unido é um pais subdesenvolvido

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					                    O Reino Unido é um país subdesenvolvido



       Chamou-me atenção o caso do britânico Tony Nicklinson que solicitou a justiça
o “direito” a morrer por eutanásia. Estranhamente ele morreu alguns dias depois de
“causas naturais” após de ter o seu “direito” negado pela justiça de seu país.

        Nicklinson (assim como outros que solicitam legalmente a eutanásia) sofria com
severas restrições corporais que não davam a ele possibilidade de cometer o suicídio
clássico. Eutanásia é o suicídio assistido por um médico. O sujeito decide que morrer é
a melhor saída para seu problema. Os liberais julgam que todos têm direitos ilimitados
a sua vida e ao seu corpo desde que não “prejudiquem” ninguém. Tudo se resume,
portanto, a vontade individual do ser. Nada pode ir contra essa vontade individual.
Nem o Estado e muito menos os “mitos” das religiões.

        O suicídio clássico não causa polêmica, isto é, o sujeito dá um tiro na cabeça e o
assunto está encerrado. Seria muito patético eu, por exemplo, com vontade de me ma-
tar, entrasse na justiça com um pedido para que ela homologasse legalmente esse meu
“direito”. Eu não tenho limitações físicas. Posso me jogar da janela, estourar minha ca-
beça com uma bala, enforcar-me, enfiar um punhal na barriga, etc. Muito bem! Eu te-
nho esse “direito”! Se por deboche entro na justiça para “legalizar” este “direito” e um
juiz – querendo ser mais legal que a própria legislação – julgar procedente meu pedido,
a minha individualidade vai criar jurisprudência legal! Seria como se o Estado abrisse
as portas a todos os suicidas em potencial.

        A questão substancial da eutanásia é a mesma, por exemplo, do aborto ou do
“casamento” gay. Até onde vai a influência do coletivo sobre nossa individualidade?
Essa é a pergunta chave! O Estado pode legislar sobre a vontade individual ou não? Os
liberais dizem que sim e os conservadores dizem que não. A questão é respondida de
maneira simples. Se entendermos que o Estado é uma organização que está fundada
em cima de valores morais, a resposta é não. Se entendermos que o Estado é cada um
por si a, resposta é sim. Nota-se que a idéia radical liberal do “cada um por si” afronta
a própria substância da concepção de Estado. O “cada um por si” não existe na família,
no clube, na associação, no partido, na escola, na empresa, etc. Por que então o “cada
um por si” deve ser respeitado na esfera estatal? O homem é um ser social por natureza
e não porque um “religioso” assim decretou!

        Há leis. Há leis única e exclusivamente por causa da moral. Leis são, em tese, a
incorporação da moral. Onde não há moral não há lei, ou pelo menos o exercício da lei.
E qual o espírito que alimenta essa moral? O espírito ateu-liberal ou religioso? Não
há meio termo ou dialética entre esses antagônicos termos. Ou é um ou outro! O con-
ceito é simples, entretanto a discussão se faz complexa. O liberalismo diz que todas as
religiões são contos de fada e esses contos não têm o direito de influir na organização
estatal que deve ser “racional” e esterilizada de quaisquer impurezas religiosas ou cul-
turais. Esta é o âmago da definição liberal de Estado laico. Os liberais tratam todas as
religiões como fantasias irracionais ou, na melhor das hipóteses, meras representações
culturais. Portanto, quem deve inspirar as leis é somente a “razão”. Como seria essa
“razão” e como ela operaria não sabem, mas pregam aos quatro cantos do planeta que
somente a “razão” pode normatizar o mundo. A “razão” do liberal é o ateísmo maqui-
ado. Como o verdadeiro ateu, ou seja, aquele que vai negar Deus através da cristalina e
verdadeira razão ainda não nasceu... o liberalismo “ainda” é um enorme embuste!

        Os liberais atacam todos os conceitos que contrariam a total liberdade do ser
humano dizendo que todas as religiões são substancialmente “irracionais”. Quem é
contra o aborto é “religioso”. Quem é contra o “casamento” gay é “religioso”. Quem é
contra a eutanásia é “religioso”. E -notem bem leitores- quem é vestido com a carapuça
de “religioso” pelos liberais é o sujeito teoricamente fanatizado por fantasias e contos
de fadas. Portanto, quem é contra o suicídio clássico ou a eutanásia é “religioso”. O
próprio conceito de liberal não traz um elemento límpido. Trata-se sempre da negação
daquilo que é “religioso”. O “religioso” é de antemão irracional e o liberal faz dessa
negação sua filosofia e sua profissão de fé. Se o “religioso” diz A o liberal dirá Z. Se o
“religioso” diz Z o liberal dirá A. O núcleo de todas essas questões é meramente filosó-
fico. O liberal não quer ir ao âmago de sua filosofia porque não tem. A filosofia do libe-
ral é a negação pura e simples daquilo que ele entende como sendo religião. Liberal
não tem filosofia positiva. A filosofia “positiva” do liberal é um amontoado de sofis-
mas negadores de toda e qualquer religião e só! A maioria que se diz contra a eutanásia
acaba afirmando suas convicções com argumentos embasados simplesmente no concei-
to do “Deus não quer”. Evidente, os cristãos ensinam em substância que a eutanásia é
algo que Deus não concorda. Entretanto, basear uma discussão contra os liberais ape-
nas na base do “Deus não quer” é fortalecer o inimigo. O “Deus não quer” é absolu-
tamente correto e moral, todavia esse argumento aparentemente simplista é justificado
por vigorosa filosofia. O “simplório” argumento do “Deus não quer” deve ser o golpe
de misericórdia em uma discussão contra os liberais e não o ponto de partida, pois se
for assim será a oportunidade do liberal estigmatizar o cristão de ingênuo e amante de
conto de fadas.

         O velho mestre medieval ensinou que Deus não é fantasia ou fanatismo. Deus
não é racional e concordo com todo meu entendimento quando um liberal diz isso.
Deus não é racional, concordo! Deus não é racional, mas é a própria razão. Deus é o
criador da razão e tem a razão com ele de forma absoluta, ou seja, quem quiser ser ra-
cional deve estar necessariamente ligado a Deus. O homem não tem a razão imanente,
isto é, para alcançar a cristalina razão ele deve se ligar a Ele. Quem é inimigo da razão
não são os “religiosos”, mas os liberais. Descobrindo e estudando essa vigorosa filoso-
fia o “religioso” vai colocar o sofismático liberal nas cordas em uma discussão. Existem
alguns impedimentos, contudo. Essa filosofia vigorosa não é universal e muito menos
ecumênica. Quem deveria ministrá-la abriu mão voluntariamente dela na metade do
século passado. Imagine o leitor se sua casa estivesse infectada por cupins. Qual seria a
solução? Dedetizar o local com pesticida. Seria uma solução extremamente racional, ou
seja, usar o pesticida para conter a praga. Imagine agora, caro leitor, se a empresa con-
tratada para exterminar a peste injetasse não um pesticida na casa, mas uma solução
que ajudasse a disseminação do mal? O que aconteceria? Os cupins exterminariam a
casa em poucos dias. A “empresa” responsável por conter o liberalismo, ao invés de
aplicar o pesticida e eliminar a praga de maneira vigorosa e radical, aplica não um ve-
neno, mas um alimento no liberalismo. A conseqüência desse verdadeiro disparate é o
aumento vigoroso e constante do “não Deus” capitaneado pelo liberalismo em todas as
esferas possíveis da sociedade. O interessante é vermos alguns diretores dessa “empre-
sa” quando o caos já tomou conta da situação bradarem aos quatro cantos do mundo
não contra o cupim, mas contra a corrosão da madeira. Bradam contra a corrosão da
madeira! Mas não querem aplicar o pesticida naqueles que corroem a madeira, ou seja,
nos cupins. Os diretores querem que a madeira não seja destruída, todavia além de não
combaterem os cupins eles ainda os alimentam! Querem combater as conseqüências do
liberalismo, mas têm pudores em combater os liberais na ponta da espada. O pesticida
é algo do passado. Os cupins se tornaram todos “santinhos” e eles não têm culpa pela
desintegração da madeira, mas essa desintegração está errada! Se um diretor da D.D
Drim pensar assim ele não vai ser apenas demitido, mas vai ser internado com urgên-
cia em um manicômio! Os diretores da “empresa” responsável por conter o liberalismo
agem exatamente dessa insana maneira. Reclamam das conseqüências, todavia abra-
çam e alimentam as causas!

        A moral que sustenta as leis dos Estados ocidentais é a moral cristã. O caso es-
pecífico de Tony Nicklinson é interessante de ser analisado por diversas razões. O juiz
britânico argumentou em sua decisão que a eutanásia só pode ser justificada por lei a-
provada no parlamento. Muito bom! A lógica é que as leis emanam do Legislativo e
não do Judiciário. Qualquer aluno dos primeiros anos do ensino fundamental sabe des-
te conceito básico. O Judiciário não tem competência para legislar. Se é a moral judaico-
cristã que vivifica os costumes e, por extensão, as leis no Reino Unido, o juiz não tem
nada a ver com isso e não tem competência para entrar em assuntos legislativos. Se os
liberais querem pregar o “não Deus” devem fazer isso no parlamento e não no tribu-
nal. Mas todos sabem que embates no parlamento são muito mais complicados. Mas
sempre há esperança. E se caso Nicklinson fosse brasileiro? Garanto que as aspirações
dele seriam facilitadas. Muito provavelmente um juiz de primeira instância garantiria o
“direito” a eutanásia de bate pronto. Nosso magistrado iria se indignar contra o “atra-
so” de nossa legislação baseada em “fantasiosos” conceitos “religiosos” que não asse-
gura os mais básicos “direitos” individuais. O juiz viraria um mega legislador! Nosso
sistema de leis seria criticado. Nossa tradição seria crucificada em sua sentença. E o que
aconteceria com esse juiz-legislador? Seria suspenso? Demitido? Internado no hospí-
cio? Provavelmente no Reino Unido sim, pois se trata de um país “atrasado”. Aqui no
Brasil o juiz-legislador seria aplaudido hoje, promovido amanhã e muito provavelmen-
te seria nomeado para ministro da Suprema Corte depois de amanhã. Coisas de país
“desenvolvido”, meus caros! E os diretores brasileiros da “empresa” responsável por
combater o liberalismo? Talvez algum até organizasse uma vigília na porta do tribunal.
Sem criticar o cupim, quer dizer, o juiz, mas profundamente “indignado” contra a eu-
tanásia! Nosso diretor seria jogado aos leões pela imprensa liberal e seria marcado co-
mo “religioso”, fanático e irracional na mesma hora. Pesticida, na cabeça desses direto-
res, é coisa do passado!
        Já faz algum tempo que alerto para a disseminação de idéias liberais em países
como Argentina, Brasil e outros. Coisas estranhas a nossa tradição como o “casamento”
gay, eutanásia, união do “poliamor” e aborto são alastrados não pelo Legislativo, mas
através das jurisprudências do Judiciário. Vamos analisar, por exemplo, o “casamento
gay”. Os juízes de primeira instância abrem a porteira através de decisões “humanitá-
rias” que visam garantir o “direito” dos casais homossexuais mesmo quando esses “di-
reitos” afrontam a lei. Praticamente todas as decisões sobre a união gay foram anuladas
por tribunais superiores nos primeiros momentos. Mas os anos passam... Cinco ou dez
anos depois, algumas decisões foram validadas nos tribunais superiores, pois em cinco
ou dez anos quem era juiz de primeira instância foi promovido a um tribunal superi-
or... Em quinze ou vinte anos aquele juiz de primeira instância é nomeado para minis-
tro do Supremo Tribunal Federal e? Bingo! Apesar de a lei continuar a proibir o “casa-
mento” gay todos os direitos de um casal heterossexual são transferidos ao “casal”
homossexual. Só não há uma certidão de casamento, mas o juiz garante o “direito” na
prática. União civil, pensão, plano de saúde, direito a herança, seguro de vida, adotar o
sobrenome do “cônjuge”, adoção de filhos, financiamentos, conta conjunto, etc. O ca-
samento, ou seja, a certidão de casamento propriamente dita não é emitida (ainda), mas
na prática a união gay é equiparada ao casamento entre um homem e uma mulher. Os
direitos foram equiparados e para o liberal já é o bastante. Como no parlamento o libe-
ral não conseguiria facilmente suas “conquistas”, ele parte para o atalho. O mesmo
processo ocorre com o aborto, eutanásia, etc. Esses “avançados” países instituíram a fi-
gura do juiz-legislador.

        O que Nicklinson queria não era morrer, mas iniciar a jurisprudência liberal da
eutanásia em seu país. Esse era o verdadeiro motivo dele e de seus advogados. Para
morrer – já diz o ditado – basta estar vivo. Para cometer a eutanásia também basta estar
vivo. Caso o suicida não tiver condições de tirar sua própria vida dá-se um “jeitinho”.
No Brasil ou no Reino Unido. Dá-se um “jeitinho”! Nicklinson deu seu “jeitinho” dias
após a justiça negar seu pedido. Institucionalizar o suicídio era seu verdadeiro interes-
se. Se desse o “jeitinho” antes do magistrado se pronunciar ele não conseguiria seu ú-
nico objetivo com essa história, ou seja, tentar criar a jurisprudência do suicídio assisti-
do.

        A “empresa” de dedetização que não teve coragem de aplicar o pesticida nos
filhotes dos cupins liberais cem anos atrás e os alimentou por “amor” agora é obrigada
a conviver com monstros que ela mesma alimentou. Ontem o casamento civil, hoje o
“casamento” gay, o aborto e a eutanásia. Todos filhos do mesmo cupinzeiro liberal e
que – fica o mapa da mina – são exterminados pelo mesmo pesticida. Basta ter coragem
de aplicá-lo, pois ele está em quantidade mais do que suficiente e exclusivamente no
almoxarifado da cidade das Sete Colinas.

				
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