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					ENTREVISTA                                                                                       DESTAQUES
Presidente da                                                                                    Dia Mundial da Criança
Cooperativa Agrícola                                                                             no Espaço Agros
de Paredes de Coura




A FORÇA DA

UNIÃO
 Revista da AGROS - União das Cooperativas de Produtores de Leite de Entre Douro e Minho e Trás-os-Montes, U.C.R.L.
                                                                                                                      ABR . MAI . JUN . 2011
                                                                                                                                   Trimestral
                                                                                                                             Edição Gratuita    9




ENFOQUE

PRODER - Apoio aos
Jovens Agricultores
                                                                                                              EDITORIAL




UM APELO AOS JOVENS
DE PORTUGAL


                                                                                                                  Simão Alves
                                                                                                      Director da AGROS, U.C.R.L.




N
          o dia 10 de Junho, Sua Exce-        nova Ministra com a tutela da Agricultura
          lência, o Senhor Presidente da      vão iniciar o seu exercício de funções,
          República,   Professor   Doutor     queremos relembrar as promessas que
Aníbal Cavaco Silva, num artigo de opinião    nos foram feitas ao longo de todos
publicado no Semanário Expresso, alertou      estes anos. Todavia, é importante que
para o facto de Portugal ser, no contexto     o Estado potencie a constituição de
agrícola, na União Europeia, o país com       um mecanismo de apoio que, efecti-
a mais elevada taxa de agricultores com       vamente, impulsione os mais jovens a
idade superior a 65 anos.                     criarem um vínculo à terra que os viu
Todas as questões abordadas foram,            nascer. Queremos, também, lembrar a
sem dúvida alguma, de uma enorme              necessidade de serem promulgadas leis,
pertinência, numa altura em que muitos        tendentes a possibilitar um entendi-
jovens, com raízes, desde há várias gera-     mento entre a Produção e a Distribuição,
ções, ligadas à terra, estão a abandoná-la.   sem o que o nosso futuro será incerto.
Importa, pois, nestas linhas reforçar essas   Chegou, pois, a hora de os Agricultores
mesmas palavras proferidas pelo repre-        de todo o país e de todas as idades se
sentante máximo do Estado Português,          unirem, cerrarem fileiras e incentivarem
nesse dia, tão evocativo e especial para      os mais novos a apostar nesta actividade.
nós, Portugueses.                             Só assim, poderemos encarar os tempos
É evidente que a situação a todos deve        vindouros com optimismo e esperar
preocupar, na medida em que, como             que esta mensagem possa servir para
sabemos, hoje em dia, são cada vez mais       despertar, desenvolver, e, consequen-
os jovens que não querem dar segui-           temente, modernizar o nosso Sector
mento ao trabalho iniciado pela sua           Primário, indispensável para o sustento
família. Neste momento, em lugar de se        de todos nós.
intentar justificar o porquê desta situa-     Para   finalizar,   queremos   reiterar   e
                                                                                            Chegou, pois, a hora de
ção, torna-se imperioso encontrar solu-       aplaudir, mais uma vez, as palavras profe-    os Agricultores de todo o
                                                                                                                                    A FORÇA DA UNIÃO . EDIÇÃO JAN . FEV . MAR . 2011




ções para este problema. Assim, cabe aos      ridas por Sua Excelência, o Senhor Presi-     país e de todas as idades
Homens e às Mulheres que, desde tenra         dente da República: «Só eles [ jovens]
idade, aprenderam a amar e a trabalhar a      poderão alavancar e apressar o salto
                                                                                            se unirem, cerrarem filei-
terra, conseguir convencer essa geração       qualitativo de que a nossa agricultura        ras e incentivarem os
a dar continuidade a esse labor. Obvia-       necessita para poder contribuir, como se      mais novos a apostar
mente, só isto não chega, e agora que         espera, de forma muito significativa para
                                                                                            nesta actividade.
um novo Governo, e, por inerência, uma        atenuar a crise em que vivemos.»



                                                                                                                                         3
FICHA TÉCNICA
                                                                        ÍNDICE
                                                               3 EDITORIAL
                                                               > UM APELO AOS JOVENS DE PORTUGAL
Propriedade e Editora
AGROS - União das Cooperativas de Produtores de
Leite de Entre Douro e Minho e Trás-os-Montes,
U.C.R.L.                                                       5 OPINIÃO
                                                               > ÉTICA E PRÁTICA AGRÍCOLA
Contactos
Rua 5 de Outubro, 1813
4481-739 Vila do Conde                                         6 ANÁLISE
Telefone: 252 241 000                                          > O SECTOR AGRO-FLORESTAL EM PORTUGAL
Fax: 252 241 009
E-mail: revista@agros.pt
Site: www.agros.pt
                                                               8 POLÍTICAS AGRO-ALIMENTARES
                                                               > A REFORMA DA PAC E A SUSTENTABILIDADE DAS EXPLORAÇÕES LEITEIRAS DO ENTRE DOURO
Director
Comendador Francisco Marques                                   E MINHO: FATALIDADE OU OPORTUNIDADE


Produção e Coordenação                                         12 A ORGANIZAÇÃO
Dr. José Filipe Silva
                                                               > ANTÓNIO FERNANDO DE BARROS MACHADO

Colaboraram nesta Edição
Padre Doutor Domingos Lourenço Vieira                          14 PRÁTICAS AGRÍCOLAS
Prof. Doutor Francisco Carvalho Guerra
Prof. Doutor José Carlos Medeira dos Santos                    > MELHORES PRÁTICAS DE ENSILAGEM DO MILHO
Eng.ª Ana Lage
Eng.ª Ana Torres
Eng.ª Eugénia Morgado                                          18 ENTREVISTA
Eng.ª Sílvia Azevedo
Dr. Paulino Cardoso                                            > PRESIDENTE DA COOPERATIVA AGRÍCOLA DE PAREDES DE COURA
Prof. Doutor Júlio Carvalheira
Dr. Victor Cruz                                                20 HISTÓRIAS DE VIDA...
                                                               > RITA SOFIA BARROS SILVA
Sede de Redacção
Rua 5 de Outubro, 1813
4480-739 Vila do Conde                                         22 À DESCOBERTA DE...
                                                               > PAREDES DE COURA
N.º de Contribuinte
500291950
                                                               24 ACTUALIDADE
                                                               > PRODER – APOIO AOS JOVENS AGRICULTORES
Depósito Legal
295758/09

                                                               27 INSTITUCIONAL
ISSN                                                           > ENGENHEIRO FRANCISCO SILVA, CONDECORADO POR SUA EXCELÊNCIA, O SENHOR PRESIDEN-
1647-3264
                                                               TE DA REPÚBLICA, PROFESSOR DOUTOR ANÍBAL CAVACO SILVA

Registo na ERC
125612                                                         28 HIGIENE E SEGURANÇA NO TRABALHO
                                                               > PREVENÇÃO E SEGURANÇA NA CONDUÇÃO DE TRACTORES AGRÍCOLAS
Design e Composição Gráfica
Boaventura Matos
                                                               30 EVENTOS
Impressão Gráfica                                              > AGRO 2011
Minerva, artes gráficas
Alberto Santos & Filhos, Lda.
Av.ª Alexandre Herculano, n.º 275                              32 ENTREVISTA
4480-878 Vila do Conde
minerva@minerva.online.pt                                      > VESSADAS – ASSOCIAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DAS TERRAS DO COURA


Tiragem                                                        34 DIVULGAÇÃO
3500 exemplares
                                                               > BOVINFOR - UMA APLICAÇÃO INFORMÁTICA AO SERVIÇO DO PRODUTOR DE LEITE

Periodicidade
Trimestral                                                     36 DESTAQUES
                                                               > DIA MUNDIAL DA CRIANÇA
Fotos
iStockphoto; Shutterstock

Esta revista está escrita de acordo com a antiga ortografia.
                                                               38 SAÚDE E BEM-ESTAR
                                                               > CHEGOU O SOL: CUIDADOS A TER
                                                                                                                    OPINIÃO




ÉTICA E PRÁTICA
AGRÍCOLA


                                                                                                                                        Texto DOMINGOS VIEIRA
                                                                                                                                               PADRE. DOUTOR EM ÉTICA SOCIAL




A
        produção, transformação e distribuição de ali-                                                 a dimensão económica e a dimensão social.
        mentos e produtos agrícolas são considerados                                                   Esta agricultura sustentável faz, por exemplo, uma utili-
        aspectos normais da vida quotidiana. Por isso, rara-                                           zação equilibrada do capital natural (água e solo), permi-
mente, têm sido analisados de um prisma ético. Ora, há                                                 tindo uma biodiversidade melhorada e práticas agrícolas
valores éticos que vamos aqui brevemente apreciar.                                                     consideradas “amigas do ambiente”. Do mesmo modo,
A cultura e a ética agrícola impõem: o respeito e a boa                                                está em compatibilidade com os ciclos naturais dos ecos-
gestão dos equilíbrios biológicos, a consideração dos dife-                                            sistemas vivos em todo o sistema de produção e procura
rentes actores - produção, transformação e distribuição –                                              criar um equilíbrio entre as produções vegetais e animais.
potenciando, assim, a criação de “pontes” através de uma                                               Dentro do quadro ético de uma agricultura sustentável, apre-
região, respeitando as expectativas da comunidade e da                                                 senta-se o modo de produção biológico. Hulse considera-a
sociedade em geral em matéria de alimentação, forne-                                                   como sendo «a marca da agricultura sustentável e durável.»3
cendo produtos alimentares sãos e frescos e permitindo                                                 Trata-se de uma agricultura que protegeria a biodiversi-
aos agricultores o melhoramento e a viabilidade da sua                                                 dade, através do desenvolvimento de práticas agrícolas em
exploração.                                                                                            harmonia com o meio-ambiente4. Tais práticas sublinham a
A compreensão da agricultura sustentável, como Bergs-                                                  importância dos recursos naturais, porque são indispensáveis
tröm, Bowman e Sims (2005)1 a definem, deve responder a                                                à sobrevivência e à prosperidade humana e nenhuma utili-
estes objectivos: 1 - melhorar a produtividade do solo, da                                             zação presente de tais recursos deve comprometer outros
água e os outros recursos naturais, a fim de responder aos                                             usos legítimos pelas gerações futuras.
níveis crescentes de exigência; 2- produzir uma alimen-                                                Em síntese, estes valores revelam um pouco do que
tação segura, completa e nutritiva que suporte a saúde                                                 devemos fazer. Hans Jonas entreviu assim o questiona-
humana; 3- assegurar um rendimento adequado aos agri-                                                  mento ético neste campo: «as novas dimensões do agir
cultores para que estes possam ter um nível de vida acei-                                              reclamam uma ética da previsão e da responsabilidade
tável2; 4- ir ao encontro dos standards e das expectativas                                             que lhes são comensuráveis.»5 Contemplemos a Natureza.
                                                                                                                                                                                                           A FORÇA DA UNIÃO . EDIÇÃO ABR . MAI . JUN . 2011




sociais da comunidade. Por outras palavras, a agricultura                                              Reconheçamos cada vez mais a sua beleza, complexi-
sustentável deve integrar a dimensão humana, ambiental,                                                dade e integridade, bem como os limites da modificação
                                                                                                       humana do mundo natural.

1 Cf. L. BERGSTRÖM, B. T. BOWMAN, et J.T. SIMS (2005), “Definition of Sustainable and Unsustainable Issues” in Nutrient Management of Modern Agriculture, Soil Use and Management, vol. 21, pp. 76-81
2 Porque não evocar aqui a ideia de cidadania alimentar uma vez que as escolhas do consumidor têm consequências para assegurar ao agricultor um rendimento justo e equitativo (Cf. J. WELSH, e R.
MACRAE (1998), “Food Citizenship and Community Food Security: Lessons from Toronto, Canada », dans Delisle et Shaw (édit.), La quête de la sécurité alimentaire au 21e siècle, Revue canadienne d’études
du développement, Université d’Ottawa, vol XIX).
3 J. H. HULSE (1995), Science, agriculture et sécurité alimentaire, Les presses scientifiques du Conseil national de recherches du Canada, Ottawa, p. 119.
4 Cf. E. COLEMAN (2004), Can Organics Save the Family Farm, Organic Consumers Association, http://www.organicconsumers.org/organic/save090604.cfm, página consultada a 28 de Abril de 2011.
2004
5 Hans JONAS (1995), El principio de responsabilidad. Ensayo de una ética para la civilización tecnológica, Barcelona, Herder, 1995, p. 51.


                                                                                                                                                                                                                   5
                                                      ANÁLISE




                                                   O SECTOR
                                                   AGRO-FLORESTAL
                                                   EM PORTUGAL
                                                   A
                                                           floresta portuguesa ocupa cerca           fins energéticos, são cada vez mais valori-    suas florestas.
                                                           de 2/3 do território nacional e           zados.                                         Em décadas passadas, a desertificação do
                                                           é, actualmente, responsável por           A esta diversidade de produtos, somam-se       território, ocorrida pela emigração para o
                                                   cerca de 3% do PIB e de mais de 12%               as actividades e serviços em espaços           estrangeiro e/ou para regiões mais urbanas
                                                   das exportações nacionais, contribuindo,          florestais, onde sobressaem a caça e a         da costa nacional, conduziu a um progres-
                                                   assim, de modo decisivo, para a nossa             pesca em águas interiores, bem como os         sivo abandono da gestão florestal e à
                                                   balança de pagamentos.                            novos mercados do sequestro de carbono         não utilização dos resíduos florestais pela
                                                   Acresce ainda que o VAB – Valor Acrescen-         e as actividades de turismo e desporto da      agricultura, que, por sua vez, potenciou
                                                   tado Bruto - dos produtos de base florestal       natureza com mercados em crescimento           o flagelo dos incêndios, que cresceram
                                                   é pelo menos da ordem dos 90%, dado que           que podem trazer novos rendimentos aos         de forma galopante, criando um maior
                                                   tudo é nacional desde a terra, à árvore, à        proprietários florestais.                      receio no investimento florestal. Eis o que
                                                   exploração e ao transporte, até à transfor-       A rentabilidade da floresta é um factor        é preciso ultrapassar.
                                                   mação em produtos finais com base no              essencial da sua sustentabilidade, uma         Na verdade, cerca de metade do espaço
                                                   conhecimento e na mão-de-obra portu-              vez que a floresta portuguesa é, essencial-    florestal nacional é hoje constituído por
                                                   guesa. Esta mão-de-obra é hoje calculada          mente, privada: 91% é pertença de proprie-     matas ardidas e não replantadas, pelo que
                                                   em cerca de 260.000 postos de trabalho            tários florestais, cerca de 6% é detida por    é necessário um enorme esforço de todo o
                                                   directos e indirectos.                            comunidade (baldios) e apenas 3% é do          país para reverter a situação.
A FORÇA DA UNIÃO . EDIÇÃO ABR . MAI . JUN . 2011




                                                   A floresta portuguesa é base de três impor-       Estado Português.                              Sendo a floresta portuguesa privada, este
                                                   tantes fileiras, a saber: a fileira do Pinho, a   Dos cerca de 400.000 proprietários flores-     trabalho deve ser liderado pelos proprie-
                                                   do Sobro e a do Eucalipto, que produzem e         tais espalhados pelo território, parte         tários através das suas Associações a quem
                                                   exportam mobiliário, cortiça, pasta e papel.      encontra-se agrupada em organizações de        deve ser cometido o trabalho de associar
                                                   Para além destes, conta-se ainda uma vasta        proprietários florestais (OPFs), que têm por   produtores e propriedades. As políticas
                                                   gama de produtos, tais como a resina, a           missão defender as posições da floresta        públicas de apoios devem dirigir essas
                                                   castanha, o mel, os cogumelos, as plantas         privada e garantir apoio técnico aos produ-    tarefas de agregação que não podem
                                                   aromáticas e alguns frutos silvestres que,        tores, para que estes possam implementar       perder de vista a escala económica para a
                                                   juntamente com a biomassa florestal para          uma gestão mais profissional e rentável nas    gestão sustentável das explorações.
6
                                                                                                Texto DOUTOR FRANCISCO CARVALHO GUERRA
                                                                                                     PROFESSOR CATEDRÁTICO DA UNIV. DO PORTO




Não podemos, nem devemos, esquecer              no investimento.                                  mobilizar já hoje, porque a floresta é uma
os dramas de 2003 e 2005 com cerca de           No entanto, o sucesso das ZIFs depende da         actividade geracional que não pode ser
750.000 hectares ardidos. A média de            adesão dos proprietários e da sua vontade         interrompida e que devemos às gerações
100.000 hectares / ano, desde então, signi-     em liderar esses processos, mandatando as         futuras.
ficou que a floresta portuguesa perdeu já       suas organizações para executar as acções         Mas, se na floresta o investimento só pode
cerca de 1.2 milhões de hectares.               consideradas prioritárias.                        ser recuperado a médio e longo prazo, no
Infelizmente, a par do risco de incêndio,       Dentro dessa lógica de mobilização das            sector agrícola, o curto prazo já é possível.
também têm surgido outras ameaças,              pessoas, é também necessária uma forte            É de todo essencial que os Homens da terra
como novas pragas e doenças, que devem          campanha de sensibilização contra os              continuem o seu habitual esforço. Não
ser debeladas. Uma vez mais, o melhor           incêndios florestais, dirigida a toda a popu-     trocar o suor pelo subsídio será a forma, a
caminho será a concentração de esforços,        lação, desde as crianças aos adultos, para        sua forma, de contribuírem, efectivamente,
nomeadamente nas zonas minifundiárias           que todos protejam este recurso nacional          para debelar a crise económica.
do Norte e Centro.                              tão importante para o país. Estejam os            Há quem diga que as gentes do Minho
Como é sabido, a resposta para o mini-          governantes atentos à sua relevância nesta        sabem de leites e de vinhos, o que têm
fúndio é a gestão florestal agrupada, onde se   época de crise.                                   demonstrado, ao longo dos anos, com a
devem considerar tipologias de floresta mais    De facto, os incêndios e a ausência de            admirável melhoria da qualidade destes
resistente aos incêndios, e, onde as espécies   novas plantações conduzem-nos à falta de          produtos. Não pode, nem deve, contudo
                                                                                                                                                  A FORÇA DA UNIÃO . EDIÇÃO ABR . MAI . JUN . 2011




folhosas devem compartimentar as tradicio-      matéria-prima, que será dramática para os         esquecer as suas bouças, muitas vezes,
nais florestas de eucalipto e pinheiro, para    nossos industriais e, consequentemente,           cofre ou banco da família tanto para as
diminuir a progressão dos fogos.                para a nossa economia exportadora.                aflições como para os dias festivos.
As zonas de intervenção florestal, ZIFs,        Infelizmente, as árvores crescem devagar.         Que deste Minho onde nasceu o Condado
criadas em 2005, são uma boa possibi-           O eucalipto precisa de dez anos para dar          Portucalense, e que desta terra de Heróis e
lidade para se atingir estes objectivos,        celulose e todas as outras espécies como          de Santos ligados à terra volte o exemplo
porque criam uma dimensão de no                 o pinheiro, o sobreiro, o castanheiro ou o        de uma nova agricultura e de uma nova
mínimo 1.000ha, o que permite a defesa          carvalho demoram ainda muito mais a dar           floresta que restitua ao Portugal de hoje a
contra os incêndios e custos mais baixos        rendimento. Por isso mesmo, temos de nos          capacidade e a dignidade de outrora.
                                                                                                                                                          7
                                                    POLÍTICAS AGRO-ALIMENTARES




                                                   Texto DOUTOR JOSÉ CARLOS MEDEIRA DOS SANTOS
                                                        JCMS@ESA.IPVC.PT
                                                       ESCOLA SUPERIOR AGRÁRIA
                                                       INSTITUTO POLITÉCNICO DE VIANA DO CASTELO




                                                   A REFORMA DA PAC
                                                   E A SUSTENTABILIDADE
                                                   DAS EXPLORAÇÕES LEITEIRAS
A FORÇA DA UNIÃO . EDIÇÃO ABR . MAI . JUN . 2011




                                                   DO ENTRE DOURO E MINHO:
                                                   Fatalidade ou Oportunidade?
8
                                           Para muitos, este ajustamento repre-       cação do regime de quotas, a gestão
                                           senta uma evolução positiva rumo a         nacional desse regime, os incentivos
                                           estruturas agrárias mais eficientes e      ao abandono voluntário, as limita-
                                           competitivas. Contudo, hoje já não         ções aos apoios às explorações mais
                                           é possível ignorar que o progres-          pequenas, todas foram realidades que
                                           sivo abandono do rural e de muitas         permitiram: (1) o fim da trajectória de
                                           actividades agrárias acarreta preo-        ascensão das pequenas explorações
                                           cupações e incertezas, sobretudo no        e o seu desaparecimento quase total;
                                           que se refere à preservação do meio        (2) a concentração da produção num
                                           ambiente, à conservação da biodiver-       número de explorações que repre-
                                           sidade ou à manutenção da vitalidade       senta hoje uma ínfima proporção do
                                           de muitas regiões. Estas são as razões     seu número inicial; (3) o aumento das
                                           que levaram muitos governos à defi-        produtividades e das produções por
                                           nição de políticas de apoio às explora-    produtor; (4) e, igualmente, a concen-
                                           ções mais débeis, aumentando os seus       tração da produção nacional em duas
                                           rendimentos e pagando pelos seus           zonas bem distintas – nalguns municí-
                                           produtos e serviços que não podem ser      pios do EDM, e nas regiões dominadas
                                           negociados nos mercados. Estas são as      pela grande exploração agrícola, como



A
        s estruturas agrárias portu-       razões que levaram ao paradigma da         o Ribatejo e o Alentejo, onde as produ-
        guesas vêm seguindo uma            multifuncionalidade da agricultura na      ções não param de crescer.
        evolução idêntica à das agri-      União Europeia.                            A última reforma da PAC – desvincu-
culturas dos países desenvolvidos,         A crescente dualidade observada no         lando as ajudas agrícolas da produção,
num processo de concentração das           interior das agriculturas europeias,       criando o Regime de Pagamento
actividades em explorações maiores,        separando, por um lado, zonas domi-        Único, e introduzindo conceitos como
mais competitivas, e mais envolvidas       nadas por explorações eficientes e         o de condicionalidade ambiental –
com os mercados. Este percurso levou       competitivas, e, por outro, zonas domi-    bem como as perspectivas de uma
ao desaparecimento das explorações         nadas por explorações que lutam pela       próxima reforma que termine de
geridas pelos produtores mais idosos,      sua sobrevivência, mas que apesar de       vez com o regime de quotas, trazem
com menos educação formal, com             tudo detêm uma importância econó-          novas dúvidas sobre a sustentabili-
menor acesso aos recursos finan-           mica, social e ambiental importante,       dade da produção leiteira portuguesa,
ceiros ou aos factores de produção         mantém na ordem do dia a questão da        ou, pelo menos, sobre a sua manu-
mais escassos, com menor capacidade        multifuncionalidade, e torna urgente       tenção nas zonas geográficas onde
de inovação, ou, ainda, daquelas que       a necessidade da territorialização de      tradicionalmente se desenvolveu. As
se localizavam em zonas geográficas        políticas. O futuro mais próximo da        novas políticas europeias e nacio-
menos favorecidas e mais entorpe-          Política Agrícola Comum (PAC), a previ-    nais (por exemplo o REAP1) hão-de
cidas pelo abandono rural.                 sível evolução dos mercados mundiais,      impor a realização de investimentos
O Entre Douro e Minho (EDM) não tem        e as crescentes preocupações ambien-       que são incompatíveis com as redu-
escapado a esta regra. Com estruturas      tais, aumentam a fragilidade competi-      zidas dimensões das explorações, e
agrárias minifundiárias, nele o aban-      tiva de muitas explorações, tornando       arriscam-se a impedir a concorrência
dono agrícola mantem-se uma reali-         imperioso o desenho de políticas terri-    com as produções leiteiras das outras
dade, e até a produção leiteira corre o    torializadas que lhes permitam manter,     regiões europeias e mais desenvol-
risco de não resistir a estes processos    ou mesmo melhorar, os distintos            vidas, podendo levar a um desapareci-
                                                                                                                                A FORÇA DA UNIÃO . EDIÇÃO ABR . MAI . JUN . 2011




de ajuste estrutural. Imposições polí-     papéis que vêm desempenhando nas           mento de explorações mais acentuado
ticas internas e externas contribuíram e   nossas sociedades.                         que o actual, ou mesmo, ao colapso do
contribuem para os acelerar, o mesmo       A produção leiteira do EDM pode estar      sector na região.
sucedendo com as sucessivas altera-        nesta situação. De facto, foi a inte-      É sabido que as políticas orçamentais
ções sofridas ao nível dos mercados e      gração do sector leiteiro nacional na      nacionais e europeias não deixam
das regras comerciais internacionais,      PAC que alterou a tendência, até então     antever aumentos significativos nos
bem como as cada vez mais apertadas        vivida, para o domínio da pequena          apoios às explorações. É sabido que
obrigações com a preservação dos           produção do norte litoral. As suces-       mesmo no seio do EDM, há zonas
recursos naturais e do meio ambiente.      sivas reformas daquela política, a apli-   onde a produção leiteira se sente mais
                                                                                                                                        9
                                                   ameaçada que noutras. Por isso, uma          trabalho (em euros de margem bruta              com o Indicador Global de Sustenta-
                                                   opção estratégica nacional e regional,       padrão por unidade de trabalho                  bilidade5.
                                                   pela manutenção da pequena e média           anual); a produtividade da terra (em            Como fica patente, os problemas
                                                   produção leiteira do noroeste portu-         euros de margem bruta padrão por                económicos, sociais e ambientais que
                                                   guês, parece implicar forçosamente o         hectare de SAU3); a dimensão econó-             condicionam a sustentabilidade da
                                                   estudo da viabilidade das suas explo-        mica das explorações (em unidades               actividade leiteira não são territorial-
                                                   rações, numa perspectiva que seja            de dimensão europeias totais); e a              mente coincidentes. Viana do Castelo,
                                                   claramente territorializada.                 proporção dos rendimentos da família            por exemplo, apresenta uma das piores
                                                   O carácter multidimensional da               obtidos fora da exploração. Para a              situações no que toca aos aspectos
                                                   sustentabilidade (envolvendo aspectos        segunda vertente: a idade do produtor;          económicos, mas é claramente um
                                                   económicos, sociais e ambientais),           o seu nível de instrução; a existência ou       dos concelhos onde os problemas
                                                   aconselha a que o seu estudo se faça         não de sucessores ocupados na explo-            ambientais são menos importantes.
                                                   através da determinação de indica-           ração; e a forma de exploração da               Situação oposta é, por exemplo, a de
                                                   dores compostos de sustentabilidade2         terra, particularmente a proporção de           Vila do Conde.
                                                   que permitam abarcar aqueles três            SAU “outras formas” – nem explorada             Os Sistemas de Informação Geográ-
                                                   aspectos. A necessária perspectiva           por conta própria, nem por arrenda-             fica (SIG), ferramentas actualmente
                                                   territorializada aconselha o recurso         mento. Para a vertente ambiental: a             imprescindíveis em questões como o
                                                   aos Sistemas de Informação Geográfica        relação entre o azoto orgânico produ-           desenvolvimento de políticas territo-
                                                   e à estatística espacial.                    zido na exploração e o máximo que lhe           rializadas ou o planeamento e orde-
                                                   Foi o que se fez num estudo recente,         é permitido aplicar ao solo; a relação          namento do território, podem ajudar
                                                   que tomou por base os dados reti-            entre a capacidade de armazenamento             a apurar a visualização da distribuição
                                                   rados do inquérito realizado em 2006         de estrumes e chorumes existente e              espacial dos problemas de sustentabi-
                                                   ao universo das explorações leiteiras da     a devida; a distância da exploração             lidade evidenciados na tabela anterior.
                                                   bacia leiteira primária do EDM (então        a núcleos urbanos; e a produção de              Através da utilização de métodos de
                                                   cerca de 2.000 explorações), para            gases com efeito de estufa equivalente          interpolação espacial (como o Kriging
                                                   efeitos da elaboração do seu Plano           a CO2.                                          Ordinário), é possível obter mapas
                                                   de Ordenamento. Tendo em atenção             Uma vez depuradas, normalizadas e               como os aqui mostrados, onde clara-
                                                   os objectivos do estudo, foi escolhido       ponderadas as variáveis, foram deter-           mente se delimitam as zonas de maior
                                                   um conjunto de variáveis que pudesse         minados os Indicadores Compostos                ou menor probabilidade de sustenta-
                                                   abarcar as três vertentes da susten-         de Sustentabilidade por concelho4,              bilidade das explorações leiteiras dos
                                                   tabilidade: a económica, a social e a        encontrando-se os seus valores indi-            concelhos da bacia leiteira do EDM
                                                   ambiental. Para a primeira vertente,         cados na Tabela 1. Nela, os concelhos           (exceptuando-se por questões meto-
                                                   estudaram-se: a produtividade do             encontram-se ordenados de acordo                dológicas o de Oliveira de Azeméis).




                                                       Tabela 1                                             IC                 IC                 IC               IC de
                                                                                       Número de     Sustentabilidade   Sustentabilidade   Sustentabilidade   Sustentabilidade
                                                                        Concelho
                                                                                       Explorações     Económica             Social           Ambiental            Global
                                                                     P. de Varzim         201            0,1571             0,4233             0,5601             0,2791
                                                                     Vila do Conde        363            0,1566             0,4260             0,5597             0,2791
                                                                     V. N. Famalicão      174            0,1450             0,4235             0,5626             0,2719
A FORÇA DA UNIÃO . EDIÇÃO ABR . MAI . JUN . 2011




                                                                     Maia                  60            0,1433             0,3906             0,5647             0,2664
                                                                     Matosinhos            65            0,1402             0,3967             0,5648             0,2654
                                                                     Barcelos             616            0,1369             0,3929             0,5538             0,2604
                                                                     Trofa                 91            0,1251             0,3942             0,5713             0,2566
                                                                     Santo Tirso           43            0,1098             0,4279             0,5657             0,2503
                                                                     O. de Azeméis        116            0,1351             0,3129             0,5545             0,2479
                                                                     Esposende            114            0,1141             0,3791             0,5444             0,2416
                                                                     Viana Castelo         56            0,1054             0,3724             0,5727             0,2409



10
Neles destacam-se as zonas de alta,                                que mais a condicionam (a avaliar pela                              leiteira do noroeste a olhar os tempos
média e baixa sustentabilidade (econó-                             quase coincidência observada entre os                               que se aproximam como tempos de
mica, social, ambiental e global), de                              mapas das sustentabilidades econó-                                  mudança e de desafio. Defender a
acordo com as variáveis estudadas e as                             mica e global).                                                     produção leiteira regional pode não
opções metodológicas tomadas.                                      Num momento em que as próprias                                      implicar prosseguir no caminho da
Claramente, a mais elevada sustentabi-                             instituições europeias falam em: (1)                                concentração e do abandono, como
lidade económica encontra-se ao longo                              atribuir maior legitimidade, equidade                               o até aqui vivido. Se cada explo-
dos vales do Ave e do Este, enquanto                               e eficácia à PAC; (2) transformar o                                 ração cumpre objectivos e funções
a menor sustentabilidade ambiental                                 RPU através de novos fundamentos,                                   diferentes na nossa economia, na
se encontra na Zona Vulnerável n.º 1.                              modelos e critérios de distribuição;                                nossa sociedade, no nosso território,
Claramente, tanto a sustentabilidade                               (3) reforçar os pagamentos por bens                                 saibamos então tirar o devido partido
económica como a ambiental são                                     públicos agrícolas e rurais; e (4) desen-                           dos recursos que são postos à nossa
territorialmente opostas. Claramente,                              volver critérios objectivos e equita-                               disponibilidade, e saibamos assumir
também, as questões sociais não                                    tivos de distribuição dos recursos,                                 as diferenças existentes, afastando
parecem ser as que mais condicionam                                evidências como as aqui apresen-                                    de vez o princípio aparentemente
a sustentabilidade das explorações,                                tadas deveriam motivar os agentes                                   inevitável de que só o grande é bom
sendo, sim, os aspectos económicos os                              económicos ligados à produção
                                                                                                               e eficiente.




                                                                                                                                                                                A FORÇA DA UNIÃO . EDIÇÃO ABR . MAI . JUN . 2011




                                                                                                                                                         

1 Regime de Exercício da Actividade Pecuária.
2 Indicadores que agrupem num só valor um conjunto heterogéneo de variáveis.
3 Superfície Agrícola Utilizada.
4 Todos compreendidos entre 0 e 1, correspondendo o 0 à pior situação, e o 1 à melhor.
5 O Indicador Global é ele próprio um indicador composto, resultante da agregação dos indicadores de sustentabilidade económica, social e ambiental.

                                                                                                                                                                                        11
                                                     A ORGANIZAÇÃO


                                                                                          É costume dizer-se: os Homens passam, mas as Instituições ficam. Se é
                                                                                          verdade este dito popular, também não deixa de ser, se dissermos que,
                                                                                          muitas vezes, esses mesmos Homens ficam umbilicalmente ligados a
                                                                                          essas Organizações. É o que acontece com o nosso entrevistado desta
                                                                                          edição, o Senhor António Machado. A ele, a Agros deve muito do
                                                                                          trabalho desenvolvido, sobretudo, na região do Vale do Sousa e das
                                                                                          Terras de Basto. Eis o seu testemunho.

                                                    NOME                                    IDADE      ESTADO CIVIL       FILHOS
                                                    António Fernando de Barros Machado      63         Casado             2




                                                                                                                                                        Entrevista Dr. FILIPE SILVA
                                                                                                                                                          Fotos ARQUIVO AGROS




                                                   A Força da União (F.U.) - É nosso Colaborador desde            os circuitos de recolha, ou seja, todo o leite recepcionado
                                                   o ano de 1965. Fale-nos do seu percurso na Organi-             nesta região. A partir de então, passei a ter uma maior
                                                   zação.                                                         ligação a todos os serviços deste núcleo [Lousada].
                                                   Senhor António Machado (A.M.) - Após cumprir                   Dez anos depois, assumi o cargo de Chefe de Núcleo
                                                   a minha especialização escolar, em Junho desse ano,            de Lousada, por nomeação da Exma. Direcção da
                                                   iniciei a minha actividade profissional na Federação           Agros e do seu Director Geral. Desde já, aproveito esta
                                                   dos Grémios da Lavoura, mais propriamente no Labo-             oportunidade para expressar o meu reconhecimento
                                                   ratório Central do Porto, passando, também, pelo               pela confiança em mim depositada. Neste contexto,
                                                   Núcleo desta cidade. Em Dezembro, fui destacado para           não posso deixar de referir dois Homens que muito
                                                   prestar apoio ao Núcleo de Braga, e, no início de 1966,        me marcaram, os saudosos Senhores Comendadores
                                                   fui transferido para o laboratório do Núcleo de Celo-          Fernando da Silva Mendonça e João dos Anjos Lopes.
                                                   rico de Basto. Pouco tempo depois, assumi a sua super-         No ano de 2005, cessou, definitivamente, a actividade
                                                   visão.                                                         do Posto de Concentração de Lousada. Nas suas insta-
                                                   Todavia, a vida dá muitas voltas, e, no início da década       lações, a partir de então, começou a funcionar o Labo-
                                                   de 1970, mais propriamente entre 1971 e 1972, estive a         ratório Interprofissional (ALIP), passando o núcleo
                                                   trabalhar no Centro de Tratamento de Leite (C.T.L.), em        para o centro da vila, aí se mantendo até hoje. Actual-
                                                   Leça do Balio. Aí, partilhei responsabilidades com mais        mente, cabe-me coordenar e supervisionar toda a sua
                                                   três colegas, competindo-nos zelar pelo funcionamento          actividade: informar, esclarecer e aconselhar os produ-
                                                   da unidade, desde a recepção do leite até à sua expe-          tores. Por outro lado, sempre que necessário, estabe-
                                                   dição, em especial, na parte ligada ao seu tratamento          leço ligação com outros departamentos da empresa e
                                                   (refrigeração, pasteurização, desnatagem, leite achoco-        Cooperativas agrupadas da Agros.
                                                   latado e esterilizado).
                                                   Como diz o ditado, “o bom filho a casa torna”, em 1973,        (F.U.) - O que significa para si ser um Colaborador da
                                                   regressei ao Núcleo de Celorico de Basto com as funções        Agros, U.C.R.L.?
                                                   anteriormente exercidas, passando, também, um ano              (A.M.) - Empenho, dedicação e sempre um bom rela-
A FORÇA DA UNIÃO . EDIÇÃO ABR . MAI . JUN . 2011




                                                   depois, a prestar apoio ao Núcleo de Penafiel.                 cionamento com os demais colegas. Durante todos
                                                   Com a extinção da Federação dos Grémios da Lavoura,            estes anos, quase meio século, acompanhei sempre o
                                                   e consequente passagem do património leiteiro desta            seu crescimento. Porque vivi o passado e conheço o
                                                   instituição para a Agros, convidaram-me para trabalhar         presente, posso dizer que sinto um enorme orgulho em
                                                   nesta Organização. Em 1979, fui incumbido de dirigir o         pertencer a esta família. Aos mais novos, lembrar que,
                                                   Centro de Concentração da minha terra natal, Celorico          tudo isto, foi construído com muito “trabalho, vontade
                                                   de Basto.                                                      e perseverança”. Se assim não fosse, não poderíamos
                                                   Em 1984, após a abertura do Posto de Concentração de           afirmar, hoje em dia, sermos, sem dúvida, uma Organi-
                                                   Lousada, foi-me delegada a tarefa de reorganizar todos         zação de referência no panorama agrícola nacional.
12
                ORIGENS E FUTURO
                            História                                                          Grupo
                    Longevidade Empresarial                                            Novos Projectos AGRO
                         Cooperação                                                       Espaço Agros

         Grupo Cooperativo AGROS




AGROS - União de Cooperativas de Produtores de Leite Entre Douro e Minho e Trás-os-Montes, U.C.R.L.
Lugar de Caçapos - Argivai . 4490-227 ARGIVAI . TEL 00351 252 241 000                                    www.agros.pt
                                                     PRÁTICAS AGRÍCOLAS




                                                   MELHORES PRÁTICAS
                                                   DE ENSILAGEM
                                                   DO MILHO


                                                   A
                                                          ensilagem da planta inteira do milho cresceu com a
                                                          produção de leite, sendo hoje uma prática corrente
                                                          e inquestionável no Entre Douro e Minho. O valor         Texto
                                                                                                                   Eng.ª ANA LAGE
                                                   energético elevado, a facilidade de conservação e a elevada     (AGROS – Laboratório de Análises de Alimentos para Animais)
                                                   produtividade de matéria seca por hectare, impõem a             Eng.ª ANA TORRES
                                                                                                                   (Cooperativa Agrícola de Barcelos – Serviço Alimentação Animal)
                                                   silagem de milho sobre as outras forragens. A ensilagem é       Eng.ª EUGÉNIA MORGADO
                                                   um processo de conservação que se baseia na fermentação         (Cooperativa Agrícola de Barcelos – Serviço de Alimentação Animal)
                                                                                                                   Eng.ª SÍLVIA AZEVEDO
                                                   por bactérias, que ao acidificarem o meio permitem que a        (AGROS – Laboratório de Análises de Alimentos para Animais)
                                                   forragem se conserve.
                                                                                                                   Será disponibilizada bibliografia a quem a solicitar.




                                                               1
                                                                            MOMENTO IDEAL DE CORTE E TAMANHO DA PARTÍCULA

                                                                            O momento mais adequado para colher a planta do milho é determinado pela formação do
                                                                            grão. O corte deve ocorrer quando este se encontra no estado leitoso-pastoso (linha de leite
A FORÇA DA UNIÃO . EDIÇÃO ABR . MAI . JUN . 2011




                                                                            entre 1/2 e 2/3 do comprimento do grão).
                                                                            O tamanho do corte da forragem deve ser entre 0,8cm e 1,2cm (e os grãos triturados). Este
                                                                            tamanho facilita a compactação e permite que as bactérias alcancem mais facilmente os
                                                                            açúcares da forragem, o que favorece o arranque da fermentação, melhorando a conser-
                                                                            vação. Além disso, se as partículas forem curtas, é favorecida a ingestão do alimento pelos
                                                                            animais. Sendo certo que as vacas precisam de fibra longa para ruminar, essa pode ser asse-
                                                                            gurada por uma quantidade diária de feno ou palha, sem que seja, assim, necessário sacri-
                                                                            ficar a qualidade da silagem de milho.


14
2
    ENCHIMENTO, COMPACTAÇÃO E FECHO DO SILO

    • Limpar o silo antes da colheita.
    • Caso o silo seja feito na terra, revestir com plástico as partes inferior e laterais.
      Em silos de cimento, impermeabilizar todas as fendas das paredes.
    • Encher o silo de forma a haver uma sobreposição gradual da forragem (encher
      no sentido do fundo para a entrada, para que se possa ter a menor área possível
      de material exposto ao ar), através de camadas pouco espessas, o que facilita a
      compactação e evita a formação de bolsas de ar.
    • Realizar esta tarefa com a máxima higiene.
    • Compactar muito bem e ajustar o ritmo de enchimento ao teor de humidade
      da forragem (quanto mais seca, mais tempo de calcamento). O objectivo é
      obter mais de 600kg/m3 de silagem.
    • Fechar muito bem o silo com um bom plástico. Colocar um peso sobre o plás-
      tico, equivalente a 10 cm de terra, para expelir o ar da superfície do silo e
      evitar as trocas gasosas entre a camada superior e a atmosfera. O uso de pneus
      também é uma solução, desde que toda a superfície fique revestida.
    • Prever um sistema eficiente para evacuação de efluentes.
    • Inspeccionar o silo com frequência e tapar os buracos encontrados.




3
    ADITIVOS

    Em algumas situações, o uso de aditivos pode ser necessário para assegurar
    condições apropriadas de fermentação e/ou estabilidade após abertura do silo.
    Contudo, a sua aplicação deve servir para melhorar as práticas de ensilagem e
    não para as substituir.




4
    ABERTURA DO SILO

    • Nunca abrir o silo antes de passadas pelo menos 4 semanas do seu fecho.
                                                                                              A FORÇA DA UNIÃO . EDIÇÃO ABR . MAI . JUN . 2011




    • Retirar diariamente uma fatia de, pelo menos, 15cm de profundidade em toda
      a sua frente.
    • Utilizar equipamentos adequados que permitam um corte uniforme.
    • A silagem que esteja estragada deve ser separada e retirada da entrada do silo.
    • Cobrir a frente do silo em dias de chuva ou de muito calor.




                                                                                                      15
                                                   5
                                                       QUALIDADE DA SILAGEM

                                                       a) Características da fermentação: É importante avaliar o processo fermentativo, porque qualquer
                                                       desvio da normalidade pode transformar uma forragem de boa qualidade numa má silagem. Os
                                                       aspectos a considerar são a temperatura da silagem (não deve estar quente), cheiro (ligeiro cheiro
                                                       a vinagre), a cor (verde acastanhada), o pH (deve situar-se entre 3,5 e 4) e o teor de ácidos orgânicos
                                                       (ác. láctico: 4 a 6%; ác. acético: <2%; ác. propiónico: <1% e o ác. butírico: <0,1%).
                                                       b)Valor Nutritivo: Conhecer o valor nutritivo da silagem é fundamental para se formularem regimes
                                                       alimentares com rigor. Porém, também é preciso saber que quantidade dos nutrientes presentes na
                                                       silagem é, de facto, aproveitada pelo animal. Um estudo realizado por Chris Allada (2009) demonstrou
                                                       que a digestibilidade da matéria seca (MS), do amido e da fibra neutro detergente (NDF) aumentou
                                                       com o tempo de armazenamento (até 11 meses, tempo em que decorreu o estudo). Ora, significa
                                                       isso que haverá mais nutrientes disponíveis para o animal nas silagens mais velhas relativamente às
                                                       mais recentes. Por essa razão, na transição da silagem mais velha para uma silagem nova, a produção
                                                       poderá cair.
                                                       Os parâmetros mais importantes são:
                                                       MS - deve situar-se entre 30 e 35 %. Valores fora deste intervalo indicam uma escolha incorrecta do
                                                       momento de corte, ensilagem com chuva e/ou diferenças entre variedades e ciclos.
                                                       NDF - deve ser inferior a 45 % na MS. Valores superiores indicam um desenvolvimento deficiente
                                                       da espiga devido ao stress (colocaria em itálico a palavra anterior, uma vez que é um estrangeirismo,
                                                       embora corrente na línua portuguesa) hídrico no momento do seu lançamento, corte prematuro,
                                                       diferenças entre variedades e ciclos e/ou densidades de sementeira elevadas.
                                                       Amido – deve ser superior a 28% na MS. Os valores inferiores indicam stress hídrico no momento do
                                                       lançamento da espiga e/ou corte prematuro da planta.
                                                       Para conhecer o valor nutritivo da silagem, é indispensável a análise da composição química. Do
                                                       trabalho realizado pelo Laboratório de Análise de Alimentos para Animais, nestes treze anos de acti-
                                                       vidade, apresentamos no Quadro 1 a composição química média das 5331 silagens de milho, anali-
                                                       sadas nas campanhas de 1998-99 até à presente (a decorrer), bem como o respectivo coeficiente de
                                                       variação.
A FORÇA DA UNIÃO . EDIÇÃO ABR . MAI . JUN . 2011




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         QUADRO 1 - COMPOSIÇÃO QUÍMICA MÉDIA DAS SILAGENS DE MILHO NAS CAMPANHAS DE 1998-99 A 2010-11*
                                   (OS VALORES DE PB, GB, NDF E AMIDO ESTÃO EXPRESSOS EM % DA MS).

                  MATÉRIA SECA (%)                     PB                        GB                         NDF                     AMIDO
 Campanha         Mín.     Média      Máx.   Mín.    Média     Máx.    Mín.     Média     Máx.     Mín.    Média      Máx.   Mín.   Média    Máx.

                          CV (%)                     CV (%)                    CV (%)                      CV (%)                   CV (%)
   1998-99        22,4      28,4      39,4    5,2      8,2     10,1     2,2      2,9       4,6     36,8     50,8      60,7   11,4    23,1    34,9
                             9,8                       9,5                       12,2                           8,0                  21,5
   1999-00        21,1      31,0      44,9    6,2      7,8     10,6     1,7      2,9       4,4     37,5     47,3      60,8   11,6    27,6    41,5
                            11,5                       10,1                      13,6                           8,3                  18,3
   2000-01        20,7      28,9      42,2    5,3      7,4     10,2     1,5      2,8       4,1     31,9     48,5      61,5   11,8    27,0    46,1
                            10,2                       10,9                      12,7                           8,3                  17,9
   2001-02        20,6      30,9      44,6    5,1      7,3      9,4     1,4      2,7       4,3     12,7     27,8      44,8   12,7    27,8    44,8
                            11,6                       7,5                       11,7                           8,0                  15,4

   2002-03        20,2      29,7      40,4    5,3      7,4      9,2     1,4      2,7       3,8     36,3     47,7      60,4   11,6    27,9    42,2
                            11,0                       6,8                       12,3                           8,7                  17,3
   2003-04        24,4      31,5      42,6    4,7      7,4      9,0     1,8      2,9       4,0     36,8     46,1      59,6   14,5    28,9    37,6
                             8,9                       6,6                       11,0                           8,7                  15,2
   2004-05        24,5      32,8      49,5    6,1      7,5      9,4     1,7      2,9       3,9     35,1     46,8      59,9   11,4    27,9    37,7
                            10,0                       5,8                       10,2                           8,9                  14,3

   2005-06        21,6      32,3      46,2    5,9      7,8     10,0     1,8      2,8       3,9     34,9     47,4      67,5   8,2     26,9    38,9
                            10,4                       8,0                       11,6                           9,1                  18,2
   2006-07        23,8      32,5      49,2    5,2      7,7     10,8     1,4      2,8       4,8     34,1     47,7      61,5   14,3    30,1    41,5
                            10,9                       8,0                       13,1                           9,4                  16,7
   2007-08        22,7      32,7      51,5    5,2      7,3     10,0     1,5      2,7       3,7     35,7     47,7      64,4   8,4     30,6    40,1
                            10,8                       6,9                       12,5                           8,5                  14,5
   2008-09        22,7      31,7      42,0    5,5      7,3     11,3     1,4      2,8       3,9     34,8     45,1      63,8   10,1    32,5    42,6
                             8,7                       7,3                       11,3                           8,8                  13,6

   2009-10        24,2      34,0      47,0    3,9      7,4      9,6     1,9      2,8       3,8     35,9     45,8      59,8   17,0    32,3    42,1
                            10,6                       7,7                       10,8                           8,2                  12,1
   2010-11*       22,8      33,9      45,2    5,2      7,3      9,9     1,6      2,7       3,4     35,4     46,1      60,2   10,5    31,9    42,8
                            10,9                       7,2                       11,8                           9,4                  15,9

Fonte: Laboratório de Análise de Alimentos para Animais – AGROS * - Campanha a decorrer (valores provisórios)




 Ao longo dos anos, tem-se verificado uma melhoria                            entre 27% e 41%. Continuando a tomar como referência a
 do valor nutritivo, principalmente, nos parâmetros da                        campanha 2009-10, afere-se que 95% das amostras apre-
 MS, NDF e amido. Como se pode observar, as silagens                          sentam valores médios em amido e em NDF que se situa-
 de milho produzidas na última campanha (2009-10),                            ram entre 24,5%MS e 40,0%MS e 38,3%MS e 53,3%MS,
 comparativamente com as produzidas na campanha                               respectivamente. São variações consideráveis dentro da
 1998-99, apresentam teores médios superiores em MS                           mesma campanha e que devem ser tidas em conta na
 (34,0% vs 28,4%) e em amido (32,3%MS vs 23,1%MS) e                           hora de formular regimes alimentares. Relativamente aos
 valores médios inferiores de NDF (45,8%MS vs 50,8%MS).                       parâmetros PB e GB, constata-se que apresentam varia-
                                                                                                                                                    A FORÇA DA UNIÃO . EDIÇÃO ABR . MAI . JUN . 2011




 A elevada variação destes parâmetros contrasta com a                         ções menores, em termos absolutos, do que os restantes
 reduzida variação dos teores médios da proteína bruta                        parâmetros, mas que não podem ser ignoradas.
 (PB) (7,4%MS vs 8,2%MS) e gordura bruta (GB) (2,8%MS                         Podemos, assim, concluir que as silagens de milho produ-
 vs 2,9%MS).                                                                  zidas na nossa região apresentam um valor nutritivo
 Tomando em conta a última campanha 2009-10, verifi-                          médio elevado. Porém, face à variação observada entre
 ca-se que o valor médio da MS é de 34,0%, com um coefi-                      explorações e dentro da mesma exploração, é de extrema
 ciente de variação (CV%) de 10,6%; isto diz-nos que 95%                      importância analisar a silagem, pelo menos, sempre que
 destas silagens apresentam valores de MS compreendidos                       se abre um novo silo.


                                                                                                                                                            17
                                                                                                                                                                                         EDIFÍCIO SEDE
                                                           ENTREVISTA




                                                     Texto Dr. FILIPE SILVA
                                                     Fotos ARQUIVO AGROS


                                                    A COOPECOURA – Cooperativa dos Agricultores do Concelho
                                                    de Paredes de Coura, C.R.L. - foi constituída no dia 23 de Abril
                                                    de 1979, tendo-se tornado associada da Agros no ano de 1981.
                                                    Conta, actualmente, com cerca de mil Associados e com oito
                                                    Colaboradores. O seu volume de negócios foi, em 2010, de
                                                    10.351.104 Euros, tendo tido um total de proveitos na ordem dos
                                                    10.755.971 Euros. Para além do edifício onde está sedeada, esta
                                                    Instituição possui, ainda, um armazém e algumas viaturas. Nesta
                                                    entrevista, o seu Presidente, Senhor Manuel Oliveira, coadju-
                                                    vado pelos demais membros da Direcção, os Senhores Amândio
                                                    Barbosa e Manuel Barros, e pela sua Gerente, D. Emília Amorim,
                                                    dar-nos-á a conhecer esta Organização localizada no coração do
                                                    Alto Minho.                                                        D. Emília Amorim; Sr. Amândio Barbosa; Sr. Manuel Oliveira e Sr. Manuel Barros




                                                        A Força da União (F.U.) - O concelho de Paredes de             se a secção de Compra e Venda de Produtos para a agricul-
                                                        Coura está inserido numa região com caracterís-                tura, não menosprezando os serviços e o leite que, igual-
                                                        ticas orográficas específicas e peculiares. Quais os           mente, dão o seu contributo.
                                                        produtos agrícolas que esta terra ‘‘oferece ‘’?
                                                        Senhor Manuel Oliveira (M.O.) - O nosso concelho,              (F.U.) - Quantas secções existem na Cooperativa? O
                                                        devido às suas características muito próprias, foi consi-      que vos levou a criá-las?
                                                        derado, durante muitos anos, em razão de aqui abundar          (M.O.) - Neste momento, quatro: OPP/ADS-Sanidade
                                                        a produção de cereais, ‘‘o celeiro do Minho.” Hoje em          animal, em grandes e pequenos ruminantes; Compra e
                                                        dia, porém, esta terra e os seus animais oferecem muitos       Venda de Produtos, especialmente, factores de produção;
                                                        e variados produtos, destacando-se, entre eles, obvia-         Leiteira, para ajudar e apoiar os produtores de leite do
                                                        mente, o leite, mas também, a boa carne e os já citados        concelho; a Secção dos Serviços é, também, bastante
                                                        cereais.                                                       procurada pelos nossos Associados, que, através dela,
                                                                                                                       podem aceder à documentação do SNIRA (identificação
                                                        (F.U.) - Como qualifica o papel da vossa Coopera-              animal, recepção de candidaturas, pagamento único,
A FORÇA DA UNIÃO . EDIÇÃO JABR . MAI . JUN . 2011




                                                        tiva na área social que lhe está consignada? Qual o            registo de efectivos, guias para movimentação de animais)
                                                        vosso principal sustentáculo económico?                        e a todo um vasto leque de outros serviços que, diaria-
                                                        (M.O.) - A Cooperativa tem por lema servir, o melhor           mente, nos são por eles solicitados.
                                                        possível, os seus Associados, com o intuito de lhes garantir
                                                        estabilidade. Somos, também, o seu pilar de apoio, no          (F.U.) - É Presidente desta Organização desde 2001.Que
                                                        caso de estes estarem a passar por uma situação financeira     balanço faz deste tempo à frente dos seus destinos. O
                                                        menos favorável.                                               que preconiza para o futuro.?
                                                        Por outro lado, o principal sustentáculo económico da          (M.O.) - Procuramos sempre ir ao encontro das neces-
                                                        Cooperativa é, de momento, a sanidade animal, seguindo-        sidades dos nossos Associados. Para tal, ao longo do
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tempo, temos vindo a efectuar algumas obras de melho-          (F.U.) - O Plano de Execução do PRODER, para o
ramento nas nossas actuais instalações, nomeadamente,          período 2007-2013, está a caminhar a passos largos
a construção de compartimentos próprios, conforme a            para o seu final. Como o avalia?
legislação em vigor, para o armazenamento e venda de           (M.O.) - É um programa com algumas vantagens, mas
produtos agro-quimicos. Futuramente, estamos a pensar          que não são suficientes, pelo menos, no que respeita à
proceder a algumas remodelações no nosso armazém               área geográfica [Alto Minho] onde estamos inseridos. No
e abrir um novo posto de vendas, sem, todavia, alienar         entanto, considero que deveria ser mais bem aproveitado,
o património da Cooperativa. Para nós, isso é ponto            pois muito dinheiro que poderia ajudar os Agricultores
assente, pois, queremos que aqueles que nos sucederem,         para, por exemplo, modernizarem as suas explorações,
encontrem esta Organização, apesar de ela ser uma casa         pelas mais variadas razões, não lhes foi entregue. Futura-
modesta, sem encargos financeiros incomportáveis para a        mente, é necessário repensar a situação.
sua sustentabilidade.
                                                               (F.U.) - Como tem sido hábito nos últimos anos,
(F.U.) - A Cooperativa Agrícola de Paredes de Coura é          no primeiro fim-de-semana de Julho realizar-se-á
associada da Agros desde o início da década de 1980.           mais uma Edicão da EXPOLEITE. Que balanço faz
Como avalia a relação existente entre estas duas               deste certame? O que preconiza para ele futura-
Organizações?                                                  mente?
(M.O.) - Desde que estou à frente desta Instituição,           (M.O.) - Efectivamente, temos vindo a apoiar este certame,
existiu sempre uma relação cordial, séria e de mútuo           já com credenciais no roteiro das feiras agrícolas do Norte
respeito. Neste contexto, sabemos que, quando neces-           de Portugal, e que tem despertado, cada vez mais, maior
sário, podemos contar com o apoio incondicional da             interesse por parte dos Agricultores e público em geral.
nossa União de Cooperativas. Posso ainda afirmar, sem          Esperamos que este ano a tendência dos anos anteriores
qualquer dúvida, que a Agros, conjuntamente com as             se mantenha e que tenhamos, aqui, no primeiro fim-de-
Cooperativas agrupadas da região do Alto Minho, ajudou         -semana de Julho, uma elevada afluência de visitantes.
em muito, o incremento da actividade agrícola, aqui, na
nossa região.                                                  (F.U.) - Para finalizar, que mensagem gostaria de
                                                               deixar aos Associados da vossa Cooperativa?
(F.U.) - Como antevê o futuro do sector do leite após          (M.O.) - Em nome dos restantes membros da Direcção e
2015, caso se venha a verificar a abolição das quotas?         dos demais Colaboradores desta Cooperativa, quero dizer-
(M.O.) - Com algum pessimismo, pois, no caso de este           -lhes que, nesta casa, terão sempre alguém com capaci-
sistema de regulação se vier a extinguir, considero que        dade para responder às suas dúvidas ou solicitações. Por
Portugal não terá possibilidades de competir com os            outro lado, daremos continuidade ao trabalho iniciado
outros países, em particular, os da Europa do Norte. Não       há já quase três décadas, procurando sempre trabalhar
temos argumentos para poder competir com eles. Por isso,       em prol dos Agricultores e da Agricultura no concelho de
afirmo, sem qualquer hesitação, que deveremos “lutar”          Paredes de Coura.
para que tal não aconteça, para bem de todos nós e da
                                                                                                      LOJA DA COOPERATIVA
agricultura portuguesa.

(F.U.) - Actualmente, e reportando-nos especifica-
mente ao nosso país, o sector agrícola debate-se com
alguns problemas. Apesar dessas dificuldades, consi-
dera que os mais jovens têm condições para dar conti-
                                                                                                                             A FORÇA DA UNIÃO . EDIÇÃO ABR . MAI . JUN . 2011




nuidade a esta nobre actividade?
(M.O.) - Sim, porém, terá que existir uma outra forma de
os incentivar, para que estes possam, sem receio, dar conti-
nuidade a esta actividade. Todavia, e apraz-me salientar,
que, no nosso concelho, temos verificado o gosto dos mais
novos pela Agricultura, embora de uma forma residual.
Acredito que se existissem mais apoios, eles poderiam
apostar, de um modo mais afirmativo, em estabelecer-se
neste sector.
                                                                                                                                     19
                                                      HISTÓRIAS DE VIDA...




                                                    ALGURES ENTRE DOURO E MINHO
                                                    E TRÁS-OS-MONTES                                                                  Texto Dr. FILIPE SILVA
                                                                                                                                    Fotos ARQUIVO AGROS




                                                                                                                D
                                                                                                                          esde tenra idade que Rita
                                                                                                                          Sofia está ligada à activi-
                                                                                                                          dade agrícola. Recorda-
                                                                                                                -se de ainda menina ajudar os seus
                                                                                                                avós nestas lides. Em relação a este
                                                                                                                tema, lembra que «esta exploração
                                                                                                                começou a ganhar forma pela mão do
                                                                                                                meu avô, o Senhor Laureano Barros,
                                                                                                                dedicando-se, por essa altura, quase
                                                                                                                única e exclusivamente à produção
                                                                                                                de batata de semente. Todavia, com
                                                                                                                o seu declínio, surgiu a possibilidade
                                                                                                                de se dar início à produção de leite.»
                                                    Nome                                                        Foi assim que aconteceu, recorda,
                                                    Rita Sofia Barros Silva                                     afirmando ainda que, «esta actividade
                                                    Naturalidade                                                se iniciou com apenas doze animais,
                                                    Braga                                                       sendo o leite entregue no posto de
                                                    Residência                                                  recolha daqui de Padroso. Por essa
                                                    Padroso – Arcos de Valdevez                                 altura, na nossa região, a produção de
                                                    Data de nascimento                                          leite era secundária em relação à da
                                                    6 de Novembro de 1981                                       batata de semente. Isto, porque era
                                                    Estado Civil                                                praticada, essencialmente, para apro-
                                                    Casada – 1 filha                                            veitamento das pastagens não utili-
                                                                                                                zadas e produção de estrume, apro-
                                                    Formação                                                    veitado como fertilizante na produção
                                                    - licenciatura em Educação Social;                          da batata.»
                                                    - curso de empresária agrícola (2002);                      Já na década de 1990, mais concre-
                                                    - curso de operador de enfardadeiras (2004);                tamente em 1992, esta empresa agrí-
                                                    - curso de aplicação manuseamento de fitofármacos (2004).   cola passa a ter apenas gado de leite
                                                                                                                e carne de raça minhota. Segundo a
                                                    Experiência profissional                                    nossa entrevistada, «esta foi, na altura,
                                                    - adquirida na exploração                                   a decisão mais acertada que podería-
                                                                                                                mos ter tomado.» Para corresponder a
                                                    Objectivos futuros:                                         este novo desafio, em meados dessa
                                                    - aumentar a autoprodução para alimentar os seus animais;   década, «iniciou-se a construção de
                                                    - dar continuidade ao melhoramento genético;                um estábulo com capacidade para um
                                                    - criar novas condições nas instalações da recria.          efectivo de 50 animais. Foi então que
                                                                                                                importámos os primeiros animais de
                                                    Quota leiteira na presente campanha                         raça Holstein Frísia (16 novilhas vindas
A FORÇA DA UNIÃO . EDIÇÃO JABR . MAI . JUN . 2011




                                                    Quota leiteira – 1.030.346 Kg. na presente campanha         da Holanda e da Alemanha).»
                                                    2010/2011                                                   Rita Sofia recorda-se que, «à época,
                                                    - Produção média mensal na campanha leiteira                fez-se um grande investimento na
                                                    2010/2011 – 62.500 litros                                   área da exploração, nomeadamente
                                                                                                                com a aquisição de novas alfaias agrí-
                                                                                                                colas, sistemas de rega por aspersão e
                                                                                                                com a construção de espaços e equi-
                                                                                                                pamentos de apoio. Porém, o grande

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                                                                                       RECURSOS HUMANOS
                                                                                       Todo o trabalho é assegurado por
                                                                                       três pessoas com vínculo familiar e
                                                                                       um colaborador: pela própria Rita
                                                                                       Sofia, por seus tios, Manuel Alcides
                                                                                       Barros e Inês Barros, e pelo Senhor
                                                                                       Afonso Machado. Cada um tem as
                                                                                       suas tarefas definidas na exploração:
                                                                                       a alimentação a cargo dos homens;
                                                                                       e a ordenha e recria, a cargo das
                                                                                       senhoras. No entanto, é de salientar
                                                                                       uma voluntária inter-ajuda, quando
                                                                                       necessário.

                                                                                       DESCRIÇÃO DO EFECTIVO, ÁREA
                                                                                       OCUPADA PELA EXPLORAÇÃO,
                                                                                       EQUIPAMENTOS E MÁQUINAS
                                                                                       AGRÍCOLAS
                                                                                       O efectivo é composto, actualmente,
                                                                                       por cerca de 160 animais (70 em
Rita Sofia quer dar continuidade ao trabalho iniciado, por seu avô,                    lactação; 30 secas; novilhas até dois
                                                                                       anos, 4; novilhas entre um e dois
há aproximadamente trinta anos, depois, prosseguido por seu tio,
                                                                                       anos, 30; vitelas até seis meses, 12;
e, agora, sob sua supervisão. Segundo ela, este seu exemplo de vida                    vitelas de seis a doze meses, 14. Possui
serve, acima de tudo, para demonstrar a outros jovens que é muito                      uma área de 40 ha, cultivando-se aí,
                                                                                       no Outono/Inverno, erva, e na Prima-
importante voltar a investir na Agricultura em Portugal. Só assim,
                                                                                       vera/Verão, milho. A área ocupada
se poderá contribuir, não só para o seu próprio sustento, como                         pelas instalações é de 1600 m2. Possui,
também para ajudar ao desenvolvimento do país, pois, «cada vez                         ainda, entre outros, os seguintes equi-
mais, devemos apostar no que é nosso.»                                                 pamentos: três tractores; três rebo-
                                                                                       ques; duas cisternas; duas charruas;
                                                                                       um tanque de refrigeração.
salto em frente ocorreu no ano de           tados são de óptima qualidade. Neste
2007, com a edificação de novas e           contexto, destaca «a excelência dos        MANEIO ALIMENTAR
modernas instalações e a reconversão        produtos de higienização, assim como       Diferenciado consoante a categoria
das já existentes, para aí ficarem insta-   o material de acomodação animal            animal. Assim, enquanto as vacas
lados os vitelos, as novilhas e as vacas    adquiridos à Agros Comercial, em           em produção são alimentadas à base
secas. Esta infra-estrutura com capaci-     especial, os Cornadis da Jourdain.»        de silagem de milho, concentrado e
dade para 100 animais em produção,          Para finalizar, e no que respeita ao       palha, as secas e novilhas, igualmente,
possui ainda uma sala de ordenha,           papel desempenhado pela nossa              com palha e concentrado, assim como
parque de espera, sala técnica (lava-       União de Cooperativas nesta região         com rolo de azevém.
gens e maquinaria), sala do tanque          do Alto Minho profundo, esta empre-
(500 ml), farmácia, subcentro de inse-      sária agrícola destaca que «a Agros e      DADOS SANITÁRIOS
                                                                                                                                  A FORÇA DA UNIÃO . EDIÇÃO ABR . MAI . JUN . 2011




minação artificial, escritório e instala-   o seu Departamento de Produção de          Nesta exploração, em relação a este
ções sanitárias.» De realçar ainda que,     Leite foram a alavanca para que este       tema, impera o sentido de respon-
desde então, foram importados mais          sector prosperasse nestas terras.» Eis o   sabilidade, pois, a mesma, possui o
vinte animais provenientes de França.       testemunho de uma produtora, cujo          estatuto de indemne para a Peripneu-
Quanto ao trabalho desenvolvido pelas       efectivo, também já foi, por diversas      monia contagiosa dos bovinos, Tuber-
empresas participadas da Agros, Ana         vezes, premiado, nomeadamente nas          culose, Brucelose e Leucose. Todos os
Sofia não tem dúvidas em afirmar que        anteriores edições da ExpoLeite, e, este   animais estão vacinados contra o IBR,
os produtos e serviços por elas pres-       ano, da AGRO.                              BVD, entre outras.


                                                                                                                                          21
                                                                                                                                                           PONTE ROMANA
                                                    À DESCOBERTA DE




                                                                                                         PAREDES
                                                                                                         DE COURA
                                                   Texto Dr. FILIPE SILVA
                                                   Fotos CÂMARA MUNICIPAL DE PAREDES DE COURA




                                                                                                L
                                                                                                       ocalizado em pleno coração        lado, por estas terras passava uma
                                                                                                       do Alto Minho, este concelho      importante via militar romana que
                                                                                                       escondido entre montes e vales,   ligava Bracara Augusta (Braga) a Astu-
                                                                                                é uma região plena de história, paisa-   rica Augusta (Astorga), sendo a ponte
                                                                                                gens deslumbrantes e propícia uma        de Rubiães (50 a.C.), uma memória
                                                                                                quietude de espírito ímpar, adere-       viva desse tempo. Presume-se, igual-
                                                                                                çada pelo cristalino e sussurrante rio   mente, que aqui terá existido uma
A FORÇA DA UNIÃO . EDIÇÃO ABR . MAI . JUN . 2011




                                                                                                Coura.                                   cidade denominada Cauca, podendo
                                                                                                Existem testemunhos patrimoniais         derivar deste topónimo a actual desig-
                                                                                                que comprovam um povoamento              nação de Coura, ou então, da palavra
                                                                                                precoce desta região: o Núcleo Mega-     celta Cora, que significa, lugar reca-
                                                                                                lítico de Vascões; as Antas de Chã de    tado e seguro. Desta época, existem
                                                                                                Lamas, da Serra de Bico, da Serra        ainda vestígios de casas senhoriais e
                                                                                                de Boulhosa ou de Chã de Cubos; o        explorações agrícolas romanas.
                                                                                                povoado castrejo de Cossourado ou        Data do início da nacionalidade, a
                                                                                                a Cividade de Romarigães. Por outro      doação da Igreja de Cunha, feita por D.
22
Teresa ao bispo de Tui. Porém, a desig-   os Paços do Concelho (século XIX);
nação concelho apareceu somente           o edifício da antiga cadeia (finais do
no reinado de D. João I - século XV –     século XIX); o Solar das Antas (século
coexistindo com a de Terras de Coyra.     XVIII); bem como o Palacete Miguel
Um século mais tarde, D. Manuel I,        Dantas e a Casa Grande de Romirães
por via de uma Carta de Foral, fixou      (ambas do século XIX).
o nome de concelho de Coura. Em           Todavia, o Património Natural é a
razão da sua localização geográfica,      marca identitária mais marcante da
durante a Guerra da Restauração           região. A área de Paisagem Prote-
(1640-1668), foi uma das bases de         gida de Corno de Bico é a que mais
resistência contra as ofensivas caste-    cativa os visitantes, sendo esta um
lhanas, tendo-se travado aqui, em         pequeno santuário natural represen-
1663,uma batalha que ficou conhe-         tativo dos valores biofísicos e cultu-
cida por Combates da Travanca.            rais da região do Alto Minho. Porém,
Com a reforma administrativa de           seria injusto esquecer todos os outros
1834, o secular Julgado de Frayão,        cantos e recantos que adereçam toda
constituído na Idade Média, deixou        a paisagem desta região, onde se           CAPELA DO ECCO HOMMO
de existir. Todavia, somente em 15        destacam os montes, vales, penedos,
de Setembro de 1875, é que surgiu a       cascatas e praias fluviais, que conferem
denominação administrativa Paredes        a este lugar um encanto único.
de Coura, resultante da junção do         Como vimos, motivos não faltam
nome Coura e de uma das freguesias        para visitar Paredes de Coura, que,
de concelho, Paredes.                     apesar de manter intacto o seu cariz
Por todo o município poderemos            eminentemente rural, tem procurado
ainda visitar outros legados arquitec-    ajustar-se ao nosso tempo. Neste
tónicos, como sejam: a Igreja de S.       contexto, o Museu Regional, teste-
Pedro de Rubiães (século XIII), decla-    munho vivo histórico-etnográfico
rada Património Nacional em 1913; as      destas terras do Alto Minho, assim
Capelas do Espírito Santo, de Nossa       como o seu Centro Cultural, palco
Senhora da Conceição e do Ecco            para a realização das mais variadas
Hommo (todas elas edifícios do século     actividades, são duas infra-estruturas
XVIII); a Casa Grande (século XVII);      que merecem ser referenciadas.

                                                                                     IGREJA DE S. PEDRO DE RUBIÃES


                                                                                                                     A FORÇA DA UNIÃO . EDIÇÃO ABR . MAI . JUN . 2011




    PALACETE MIGUEL DANTAS                                                            LAJES ALTAS


                                                                                                                             23
                                                   ACTUALIDADE




                                                   APOIO AOS
                                                   JOVENS AGRICULTORES
                                                                 Destina-se a apoiar a primeira instalação de jovens agricultores que realizem
                                                                 investimentos de desenvolvimento e adaptação das suas explorações agrícolas.

                                                                 Inclui um prémio à instalação e apoio aos investimentos realizados na explo-
                                                                 ração, que podem abranger pequenos investimentos de transformação e comer-
                                                                 cialização dos produtos agrícolas, provenientes da própria exploração.
A FORÇA DA UNIÃO . EDIÇÃO ABR . MAI . JUN . 2011




                                                                 QUEM SE PODE CANDIDATAR?
                                                                 • Os jovens agricultores que, à data de apresentação da candidatura tenham
                                                                 mais de 18 e menos de 40 anos, e se instalem, pela primeira vez, numa explo-
                                                                 ração agrícola.
                                                                 • Sociedades por quotas com actividade agrícola como objecto social, desde que
                                                                 os sócios gerentes, detentores da maioria do capital social, tenham mais de 18
                                                                 e menos de 40 anos, à data de apresentação da candidatura, e se instalem, pela
                                                                 primeira vez, como tal.

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PARA BENEFICIAR DOS APOIOS PREVISTOS NESTA                  Saiba ainda que o candidato deve, previamente à apre-
ACÇÃO É NECESSÁRIO QUE:                                     sentação da candidatura, inscrever-se como beneficiário
                                                            no IFAP (NIFAP) e registar no parcelário as áreas de investi-
O CANDIDATO                                                 mento, através da criação de polígonos de investimento.
• tenha a escolaridade obrigatória (9.º ano);
• possua aptidão e a competência profissional adequadas     OS INVESTIMENTOS
ou apresente na candidatura um Plano de Formação            • apresentem um valor do investimento elegível igual ou
para as adquirir;                                           superior a 5.000 euros;
                                                            • não conflituem com outras medidas ou condicionantes
• não tenha obtido aprovação de quaisquer ajudas ao         das Organizações Comuns de Mercado (OCM);
investimento, antes da apresentação da candidatura;         • não sejam compatíveis com compromissos ou obriga-
                                                            ções a que as parcelas, objecto do investimento, estejam
• não tenha obtido aprovação de quaisquer ajudas à          sujeitas;
produção ou actividade agrícolas, excepto nos dois anos     • apresentem viabilidade económica, bem como coerência
anteriores ao ano de apresentação da candidatura;           técnica, económica e financeira;
                                                            • tenham sido realizados após a apresentação da candi-
• apresente um Plano Empresarial de desenvolvimento da      datura, com excepção das despesas gerais e as relativas à
exploração agrícola que contemple:                          aquisição de prédios rústicos, que podem ser realizadas até
         a. situação inicial da exploração;                 três meses antes dessa data.
         b. etapas e metas específicas para o desenvolvi-
         mento das actividades da exploração;               Saiba ainda que para as candidaturas apresentadas até
         c. descrição das acções ou serviços necessários    31 de Agosto de 2011, são consideradas elegíveis despesas
         ao desenvolvimento da actividade agrícola;         anteriores à sua apresentação, desde que efectuadas a
         d. descrição detalhada dos investimentos, desig-   partir de 1 de Julho de 2010.
         nadamente, e quando aplicável, os que são
         necessários para dar cumprimento às normas         FORMA, NÍVEL E LIMITE DO APOIO
         comunitárias em vigor.                             Os apoios são concedidos sob a forma de subsídio não
                                                            reembolsável. Os níveis e limites do apoio são fixados no
• apresente um Plano de Formação se, à data de apresen-     aviso ou anúncio de abertura.
tação da candidatura, não tiver a competência e aptidão     No período de apresentação de candidaturas que se inicia
adequadas, ou quando pretende adquirir formação             em 1 de Junho de 2011, o anúncio de abertura estabelece
complementar de interesse relevante para o exercício das    que:
actividades da exploração agrícola.

                                                            O prémio à instalação corresponde a 40% do valor do
                                                            investimento do plano empresarial até ao limite de:
   O PRODER apoia:                                          • 30.000 euros, no caso do produtor individual;
                                                            • 40.000 euros, no caso da sociedade por quotas, com mais
                                                              de um sócio gerente jovem agricultor, que se instale pela
   • a primeira instalação de                                 primeira vez como tal, e detenha uma participação indi-
   jovens agricultores, com                                   vidual mínima de 25% no capital social (para além de, em
                                                              conjunto, terem que deter a maioria do capital da socie-
   investimento associado;
                                                                                                                            A FORÇA DA UNIÃO . EDIÇÃO ABR . MAI . JUN . 2011




                                                              dade).

   • investimentos na exploração
   agrícola, que podem incluir a
   transformação e comercialização
   de produtos.


                                                                                                                                    25
O apoio ao investimento na produção primária é de 60 ou 50% do valor do investimento elegível,
consoante a exploração agrícola se localize, ou não, em zona desfavorecida. Na transformação e
comercialização é de 40% do valor do investimento elegível.
O limite do apoio ao investimento por beneficiário é de 250.000 euros.

Saiba ainda que o valor do investimento do plano empresarial que determina o valor do prémio
integra outras despesas para além das abrangidas pelo valor do investimento elegível, designada-
mente, a aquisição de animais, prédios rústicos, terrenos, participações sociais em cooperativas e
direitos de produção agrícola.

SELECÇÃO DOS PEDIDOS DE APOIO
Os pedidos de apoio são seleccionados pela Valia do Plano Empresarial (VPE), calculada pela apli-
cação da seguinte fórmula:
VPE = L + VA + NQ
L - LOCALIZAÇÃO: valoriza a contribuição da instalação de jovens agricultores em zonas desfavore-
cidas;
VA - VALIA AMBIENTAL: valoriza os benefícios ambientais dos investimentos;
NQ - NÍVEL DE QUALIFICAÇÃO: valoriza a qualificação do beneficiário na área agrícola.

Saiba ainda que as candidaturas devem ser submetidas pela internet através dos formulários que
estão disponíveis no sítio do PRODER (www.proder.pt) e encaminhadas para a Direcção Regional de
Agricultura e Pescas (DRAP) da área de localização do projecto. Esta entidade é responsável pela sua
análise.

AO LONGO DA VIGÊNCIA DO CONTRATO, OS BENEFICIÁRIOS DEVEM AINDA:
• executar a operação aprovada;
• cumprir o Plano Empresarial;
• publicitar os apoios que lhe foram atribuídos;
• terem um sistema de contabilidade organizada ou simplificada, de acordo com o legalmente
exigido;
• manter a actividade e as condições legais necessárias ao exercício da mesma, durante um período
de 5 anos, a contar da data de celebração do contrato;
• assegurar o auto financiamento necessário à execução da candidatura;
• garantir que todos os pagamentos e recebimentos sejam efectuados através de conta especifica para
o efeito;
• cumprir as normas comunitárias ao investimentos em causa;
• quando aplicável adquirir no prazo máximo de 24 meses, a contar da data de celebração do contrato
de financiamento, a aptidão e competência profissional adequadas ao exercício das actividades da
exploração agrícola;
• possuir o registo da exploração no Sistema de Identificação Parcelar (ISIP).




APRESENTAÇÃO DOS PEDIDOS DE APOIO:
O período de candidaturas inicia-se em 1 de Junho de 2011,
data a partir da qual decorre em contínuo.
                                                                                                INSTITUCIONAL




                                                                                                   Texto Dr. FILIPE SILVA
                                                                                                   Foto CONFAGRI




   Engenheiro Francisco Silva,
   condecorado por Sua Excelência,
   o Senhor Presidente da República,
   Professor Doutor Aníbal Cavaco Silva

A
        Condecoração – Grau de Grande Oficial da Classe do   assim, a participação do Sector Cooperativo Agrícola
        Mérito Agrícola, Ordem de Mérito Empresarial – foi   Português, em sua representação, nas mais altas instân-
        entregue na Sessão Solene Comemorativa do Dia de     cias, tanto em Portugal como internacionalmente, em
Portugal, Dia de Camões e das Comunidades Portuguesas,       especial, junto das Comunitárias.
realizada em Castelo Branco, no passado dia 10 de Junho.     O recém agraciado desempenhou funções em diferentes
A Ordem ao Mérito Empresarial, Classe de Mérito Agrí-        Órgãos da Caixa de Crédito Agrícola de Azambuja, sendo
cola distingue personalidades que tenham prestado, como      actualmente seu Presidente, na Caixa Central, e na Fede-
                                                                                                                            A FORÇA DA UNIÃO . EDIÇÃO ABR . MAI . JUN . 2011




empresários ou trabalhadores, serviços relevantes no         ração Nacional das Caixas Agrícolas – FENACAM, da qual,
fomento ou na valorização da agricultura, pecuária, pescas   é, hoje em dia, seu Presidente. Foi, também, Deputado,
ou do património florestal do país.                          e, desde 2002, é um dos representantes de Portugal no
O Engenheiro Francisco Silva é Secretário-Geral da           Comité Económico e Social da União Europeia (COGECA),
CONFAGRI há mais de 25 anos. Ao longo de todo este           em representação da CONFAGRI.
tempo, e sob a orientação do Senhor Comendador               Neste contexto, a Direcção da Agros, U.C.R.L. vem por
Fernando da Silva Mendonça, Dirigente máximo desta           este meio saudar e agradecer o tributo dado à Agricultura
Entidade desde a sua fundação até Dezembro do ano            Nacional pelo Senhor Engenheiro Francisco Silva, há mais
passado, estruturou esta Confederação, possibilitando,       de um quarto de século.
                                                                                                                                    27
                                                     HIGIENE E SEGURANÇA NO TRABALHO




                                                   PREVENÇÃO E SEGURANÇA
                                                   NA CONDUÇÃO
                                                   DE TRACTORES AGRÍCOLAS
                                                    Texto Dr. PAULINO CARDOSO
                                                    Ilustrações AUTORIDADE NACIONAL SEGURANÇA RODOVIÁRIA




                                                   E
                                                          m razão de, ultimamente, termos vindo a assistir a     excesso de horas de trabalho; o consumo de álcool pelos
                                                          um considerável aumento de sinistros envolvendo        condutores; a antiguidade da frota dos veículos agrícolas
                                                          trabalhadores e máquinas agrícolas, considerou-se      - a maioria tem mais de dez anos de idade, e, em muitos
                                                   importante começar a abordar esta temática em algumas         casos, o seu estado obsoleto; e ainda, a falta de utilização de
                                                   edições da revista “A Força da União”. Como tal, as medidas   equipamentos de protecção anti-capotamento, já de uso
                                                   preventivas e acções correctivas explanadas nos artigos       obrigatório para os veículos homologados desde 1992/93.
                                                   ajudarão, estamos certos, muitos dos nossos leitores a        Neste contexto, é urgente tomarem-se medidas que levem
                                                   gerirem os riscos nas suas explorações, com mais eficácia.    à prevenção deste tipo de ocorrências. Assim, poderemos
                                                   A Revolução Agrícola iniciada, embora insipidamente, no       dividi-las em dois grupos: a) as de âmbito mais genera-
                                                   século XVII, permitiu ao Homem agilizar e maximizar o         lista, tais como a realização de inspecções periódicas ao
                                                   trabalho nos campos. Recentemente, uma das principais         veículo; a renovação da frota, visto que, e como já foi
                                                   consequências desta actividade foi a substituição progres-    dito anteriormente, a maioria dos tractores tem mais de
                                                   siva do trabalho manual pelo mecanizado. A partir de          dez anos; o reforço da fiscalização pelas demais auto-
                                                   então, aumentaram significativamente os riscos a que estão    ridades competentes; o desenvolvimento de cursos de
                                                   sujeitos os trabalhadores rurais e, consequentemente, o       formação teórico-prática, onde, além da instrução técnica,
                                                   número de acidentes que todos os anos os vitimam.             se promova a consciencialização dos perigos inerentes ao
                                                   De acordo com dados da Associação Nacional de Segu-           acto da condução; b) as de âmbito de auto-disciplina dos
                                                   rança Rodoviária (ANSR), na última década, morreram,          próprios condutores. É nestas, e sem descurar as citadas na
                                                   pelo menos, 380 pessoas vítimas de acidentes com trac-        alínea anterior, que existe o maior potencial de prevenção
                                                   tores. Se quisermos fazer uma analogia com os acidentes       do acidente e gestão do risco.
                                                   rodoviários, constatamos que os primeiros, em relação aos     Com este artigo, pretendemos demonstrar aos nossos
                                                   segundos, apresentam uma mortalidade oito vezes supe-         leitores, em especial, aos que mais directamente trabalham
                                                   rior. Estes números reflectem, somente, os sinistros ocor-    a terra, as práticas a considerar, relativamente a esta temá-
                                                   ridos em via pública, não estando, por isso, contabilizados   tica, a fim de se prevenirem situações menos favoráveis
                                                   aqueles que ocorrem dentro das propriedades particu-          nas explorações agrícolas. Esperamos, assim, ter, de alguma
                                                   lares.                                                        forma, contribuído para vos alertar e sensibilizar para a
                                                   Ainda segundo esta Associação, entre outras causas para       importância que o cumprimento destas simples medidas
                                                   este tipo de fatalidade, poderemos enumerar: o cansaço; o     poderá ter para inverter estas alarmantes estatísticas.
A FORÇA DA UNIÃO . EDIÇÃO ABR . MAI . JUN . 2011




                                                         SABIA QUE:
                                                         O capotamento é a causa de
                                                         morte de 2 em cada 3 acidentes
                                                         com tratores agrícolas
28
    Fonte




 Não esqueça a manutenção do veículo.                                     Utilize os acessórios de iluminação
 O seu mau funcionamento ou falta de                                      e sinalização, de acordo com a lei.
 limpeza podem causar acidentes.




                                                                       Lembre-se que as estruturas de proteção,
 Não conduza sob o efeito de álcool,                                   como o arco de “Santo António”, podem
 fadiga ou com excesso de velocidade.                                  evitar a morte do condutor ou reduzir a
                                                                       gravidade dos ferimentos.


                                                                                                                  A FORÇA DA UNIÃO . EDIÇÃO ABR . MAI . JUN . 2011




  Frequente ações de formação teóricas                                  Respeite os limites do trator.
  e práticas.                                                           Não o sobrecarregue nem transporte
  Conheça os riscos da condução de                                      passageiros “ à pendura”.
  tratores agrícolas e circule com segu-                                É proibido e perigoso
  rança
                                                                                                                          29
A ANSR elaborou estes textos já com base no novo acordo ortográfico.
                                                   EVENTOS




                                                              Texto Dr. FILIPE SILVA
                                                              Fotos ARQUIVO AGROS




                                                             E
                                                                   ntre os dias 31 de Março e 3 de Abril, decorreu no
                                                                   Parque de Exposições de Braga (PEB) a 44.ª edição da
                                                                   AGRO – Feira Internacional de Agricultura, Pecuária e
                                                             Alimentação -, que, este ano, teve como principal atracção
                                                             a reintrodução do sector leiteiro neste certame, facto que
                                                             já não acontecia há mais de uma década.
                                                             Neste contexto, pode dizer-se que, efectivamente, este
                                                             evento conseguiu alcançar questões estratégicas delinea-
                                                             das aquando da sua planificação, na medida em que foi
                                                             possível introduzir um conjunto de actividades, tendentes
                                                             a proporcionar a presença de expositores, produtores, e,
                                                             também, de visitantes. A este respeito, é de realçar a preo-
                                                             cupação da Organização da Agro em direccionar a Feira
                                                             para um público mais generalista. Isto, porque, segundo
                                                             o Dr. Miguel Corais, Director Executivo do PEB, «esta é
                                                             uma excelente oportunidade para as pessoas da cidade
                                                             tomarem contacto com algumas actividades próprias do
A FORÇA DA UNIÃO . EDIÇÃO ABR . MAI . JUN . 2011




                                                             Mundo Rural, como sejam, por exemplo, ordenhar uma
                                                             vaca ou conhecer algumas das raças autóctones existentes.»
                                                             O programa apresentado foi rico e variado, procurando
                                                             abranger todos os sectores da actividade agrícola, mas,
                                                             como já foi dito, com especial ênfase, para o leiteiro. Por
                                                             outro lado, a adesão de expositores espanhóis, oriundos
                                                             essencialmente da Galiza, ajudou a conferir uma maior
                                                             notoriedade e expansão geográfica à AGRO.
                                                             De entre as várias iniciativas, destaque-se o debate que
30
se realizou no Grande Auditório do PEB, subordinado ao            disponibiliza: equipamentos de ordenha; tanques de
tema: “Perspectivas para o Sector Leiteiro”. A pertinência        refrigeração; acomodação animal; material tubular; bebe-
e actualidade dos assuntos abordados - O Regime e Exer-           douros; sistemas de aquecimento de água (painéis solares
cício da Actividade Pecuária e Perspectivas para o Sector         termodinâmicos); sistemas de aquecimento de água por
Leiteiro (O Sector Leiteiro no Noroeste: Política, Estra-         recuperação de calor do gás proveniente do arrefecimento
tégia e Sustentabilidade; O Pacote Leite; A Pac pós 2013)         do leite; bem como produtos de higienização. Todas
-captaram a atenção de todos os presentes neste espaço,           estas propostas permitem reduzir consideravelmente os
possibilitando, inclusive, uma profícua troca de opiniões.        custos na produção, garantindo, assim, uma maior renta-
Algumas entidades oficiais também acorreram ao recinto            bilidade nas explorações agrícolas e aumentar, significa-
da Feira, destacando-se entre outros, o Senhor Director           tivamente, a qualidade do leite produzido. De salientar,
Regional de Agricultura e Pescas do Norte, Dr. António            ainda, a realização de uma palestra subordinada ao tema
Ramalho, que disse: «Neste momento, a Agro tem de                 “Abeberamento de Vacas Leiteiras”, proferida pelo respon-
crescer para, novamente, se tornar numa Feira de refe-            sável comercial da La Bouvette – Herve Maire. Seguiu-se
rência a nível agrícola nacional.» Em relação às necessi-         um período de debate, onde todos os presentes puderam
dades futuras da população mundial, referiu, ainda, que           colocar algumas questões.
«até meados do século, estima-se que o nosso Planeta              Para a tarde de Domingo, ficou o concurso relativo à
venha a precisar, face ao aumento exponencial da popu-            Holstein Frísia. De entre os vários prémios atribuídos, de




lação, de mais 60% da sua capacidade de produção. Neste           destacar os seguintes: categoria Grande Campeã Jovem
contexto, se existe actividade com margem de crescimento          – um animal pertencente ao Produtor Manuel Fernando
é, efectivamente, a agricultura, e, por inerência, a produção     Sousa Pereira, de Poiares, Ponte de Lima; Vaca Grande
de bens alimentares. No entanto, é evidente que esta reali-       campeã da AGRO 2011, um animal pertencente à socie-
dade exige aos produtores e empresários uma constante             dade Encanto Natural - Agro-Pecuária, Lda., igualmente, de
renovação dos seus conhecimentos técnicos e unidades              Poiares, Ponte de Lima.
produtivas dimensionadas.» Em relação à situação actual-          Resta, pois, esperar que a edição do próximo ano possa
mente vivida pela fileira do leite, salientou: «Se escolhermos    superar a cifra dos 50.000 visitantes, presentemente atin-
leite da marca Agros, ou outra qualquer patente nacional,         gida. Estamos certos de que parte deste sucesso, em muito,
estamos, certamente, a ajudar a economia do nosso país, e,        se deveu à reintrodução da fileira do leite no certame. Por
consequentemente, os produtores nacionais.»                       outro lado, a AGRO conseguiu também estabelecer parce-
No que à vertente expositiva diz respeito, pela primeira vez, a   rias estratégicas com outras entidades, nomeadamente, a
Agros apresentou-se num certame com todas as suas empresas        Agros, a Associação para o Apoio à Bovinicultura do Norte
participadas. Num espaço devidamente consignado para o            (ABLN) e a Associação Portuguesa de Criadores da Raça
efeito, esta “ilha” do Grupo Agros sobressaiu dos demais stands   Frísia (APCRF). A CONFAGRI teve, também, um desem-
                                                                                                                                 A FORÇA DA UNIÃO . EDIÇÃO ABR . MAI . JUN . 2011




expositivos pela originalidade do projecto. Nela, esteve bem      penho bastante importante, em particular, no que respeita
patente o espírito de raiz cooperativo que norteia a activi-      à realização do colóquio atrás mencionado.
dade da nossa Organização, tendo sido também apresentados         Para finalizar, de realçar ainda as palavras do Dr. Miguel
alguns dos serviços disponibilizados pelas restantes empresas.    Corais, acentuando que «o crescimento da AGRO só será
Entre os visitantes, foi por demais notório o interesse demons-   possível, se tivermos do nosso lado, e a trabalhar connosco,
trado em deambular por este circuito expositivo.                  os principais agentes do sector. Só assim, poderemos ter
Ainda neste âmbito, Agros Comercial, através das marcas           confiança no futuro.»
por ela representadas, deu a conhecer algumas das solu-
ções, a nível de produtos, equipamentos e serviços que            Esperemos, então, pela Edição de 2012.
                                                                                                                                         31
                                                         ENTREVISTA




                                                                                 Eng.ª Helena Fernandes; Eng.º Paulo Fernandes; Eng.º João Cunha e Eng.º Manuel Meneses   CORPO DIRECTIVO DA VESSADAS



                                                    A Vessadas – Associação para o Desenvolvimento das Terras do Coura – é uma instituição criada no dia
                                                    16 de Março de 2007. Os seus associados são, maioritariamente, Agricultores do concelho de Paredes
                                                    de Coura.
                                                    Na génese da sua constituição, esteve subjacente, como principal objectivo, a promoção do Mundo
                                                    Rural, integrando todas as actividades económicas nele presentes, com especial relevo para a Agricul-
                                                    tura, Pecuária, Floresta, Turismo e Artesanato.
                                                    Apesar de ser uma instituição ainda “jovem”, conta já com cerca de 850 Associados, facto que demonstra
                                                    a importância que esta Organização tem para a região. Pela sua natureza e objectivos, pretende cons-
                                                    tituir-se como um factor determinante para a promoção de um maior intercâmbio entre as empresas
                                                    locais e regionais., contribuindo para a satisfação de uma necessidade formativa, dirigida no sentido da
                                                    qualificação das populações e do combate ao desemprego.

                                                        Texto Dr. FILIPE SILVA
                                                        Foto VESSADAS
                                                                                                                                       Força da União (F.U.) - Desde o ano de 2007, que
                                                                                                                                       a vossa Organização trabalha em prol do desenvol-
                                                                                                                                       vimento económico desta região do Alto Minho.
                                                                                                                                       Neste contexto, como avalia a vossa actuação?
                                                                                                                                       Vessadas (V.) - A Vessadas tem tido, desde o seu
                                                                                                                                       início, uma estratégia de acção alicerçada na infor-
                                                                                                                                       mação compilada e processada em estudos concretos,
                                                                                                                                       nas necessidades dos seus Associados e em projectos
                                                                                                                                       inovadores, tentando abranger todas as áreas de inter-
                                                                                                                                       venção passíveis de serem apoiadas. Desde o ano de
A FORÇA DA UNIÃO . EDIÇÃO JABR . MAI . JUN . 2011




                                                                                                                                       2007, temos procurado abranger todos os sectores do
                                                                                                                                       seu âmbito de acção, ou seja, todo o tipo de actividade
                                                                                                                                       rural com alguma repercussão em termos socioeconó-
                                                                                                                                       micos para o concelho de Paredes de Coura. Estamos
                                                                                                                                       ainda, acreditados pela DGERT, promovendo formação
                                                                                                                                       profissional, dirigida, exclusivamente, aos nossos Asso-
                                                                                                                                       ciados, em diferentes áreas de interesse, transversais e
                                                                                                                                       de foro obrigatório, bem como acções informativas, de
                                                                                                                                       sensibilização, seminários temáticos e workshops.
32
A Vessadas é, igualmente, uma OPF- Organização de            restauração Courense, integrada num genuíno mundo
Produtores Florestais -devidamente reconhecida pela          rural e agrícola. Este evento, não ficará, em 2011,
AFN (Autoridade Florestal Nacional), e que integra           aquém daquilo que tem oferecido nos anos transactos.
a Direcção do Fórum Florestal - Estrutura Federativa         Ofereceremos, ainda, uma programação adequada,
Representativa da Floresta.                                  tanto a nível sectorial como lúdico, podendo salientar-
 Dispomos de um período de atendimento fixo com              se o Concurso Regional do Alto Minho da Raça Frísia,
activos permanentes para apoiar todos os Associados,         este ano, dedicado ao Exmo. Senhor Comendador
podendo este alargar-se aos diferentes sectores da sua       Fernando da Silva Mendonça, em homenagem à
área de intervenção, nomeadamente: Agricultura, Pecuá-       sua dedicação ao sector, e ao apoio que sempre nos
ria, Floresta, Formação Profissional, Higiene e Segu-        ofereceu. Por outro lado, continuamos a contar com
rança no Trabalho, Serviço de Aconselhamento Agrí-           a vontade dos nossos parceiros para mantermos este
cola, Condicionalidade, REAP, Parcelário, Candidaturas       certame como uma referência, não só para a região
aos diferentes apoios e Legislação, entre outros.            do Alto Minho, como também para a maioria dos
                                                             seus habitantes, principalmente os Agricultores, suas
(F.U.) - Para tal desígnio com que apoios contam?            famílias e todos os que de alguma forma integram o
(V.) - A Vessadas tem desenvolvido, ao longo destes          Mundo Rural. Com estes apoios, nomeadamente do
quatro anos da sua existência, um conjunto de parcerias      Município de Paredes de Coura, da Agros, da Caixa
com os diversos actores da sociedade em que se integra.      de Crédito Agrícola Mútuo e da Cooperativa Agrícola
Neste contexto, podemos referir: Empresas, Associações,      de Paredes de Coura – CoopeCoura -, para além do
Cooperativas, Juntas de Freguesia e a Câmara Municipal       trabalho imensurável de todos os Colaboradores desta
de Paredes de Coura. Estes são exemplos de entidades         Associação, conseguiremos garantir a concretização
com as quais, no âmbito de diversos projectos, têm sido      de mais uma EXPOLEITE condigna. Para conseguir
celebrados protocolos de cooperação.                         alcançar os pressupostos que orientaram a sua génese,
                                                             comprometemo-nos a trazer a esta Exposição os
(F.U.) - No que respeita aos vossos colaboradores e          melhores animais leiteiros do Alto Minho, promover as
métodos de trabalho aplicados, como caracteriza a            ligações comerciais entre os Produtores e as diferentes
actuação da Vessadas?                                        representações sectoriais agro-pecuárias e tecnoló-
(V.) - A cooperação institucional é fulcral para que se      gicas. Igualmente, procuraremos instigar o espírito de
possa realizar um trabalho sério e com perspectivas de       competição, bem como incentivar ao investimento
atingir resultados a médio e longo prazo. Entendemos         e inovação através da sensibilização e informação
que só um esforço coordenado de todos pode trazer            acerca dos diferentes temas de interesse. Estando o
um desenvolvimento sustentado à comunidade. Encon-           sector leiteiro a atravessar uma fase sensível, toda a
trar novos parceiros e reforçar, se possível, as parcerias   atenção que se lhe possa dispensar, ajudará a atenuar
firmadas, é, portanto, um objectivo presente no quoti-       esta envolvência.
diano desta Associação.
                                                             (F.U.) - Perspectivando o futuro, que valor acres-
(F.U.) - Este ano realizar-se-á mais uma edição da           cido poderá a Vessadas aportar para os vários
Expo Leite. Sucintamente, fale-nos um pouco do que           sectores de actividade existentes no concelho, por
                                                                                                                       A FORÇA DA UNIÃO . EDIÇÃO ABR . MAI . JUN . 2011




foi e do que se pretende que seja este certame.              vós apadrinhados?
(V.) - Pelo sucesso das edições anteriores, propomo-         (V.) - O know how adquirido, o amadurecimento e a
nos dar continuidade a este evento, dinamizador              experiência acumulados, tanto por directores como
e promocional do sector agro-pecuário da Região,             colaboradores, permitem-nos, hoje, perspectivar uma
direccionado não só aos Agricultores, mas também             dinâmica intervenção nos diversos sectores de activi-
aos mais jovens. Esta edição, para além de manter            dade, estimulando o seu desenvolvimento, transmi-
os traços gerais das anteriores, tentará envolver o          tindo, também, aos empresários, um sentimento de
comércio tradicional, dinamizando-o de um modo               confiança, pois, sabem que têm a seu lado um apoio
mais específico, bem como promover a gastronomia/            sólido e responsável.
                                                                                                                               33
                                                        DIVULGAÇÃO




                                                      BOVINFOR
                                                      UMA APLICAÇÃO INFORMÁTICA
                                                      AO SERVIÇO DO PRODUTOR


                                                        Texto PROF. JÚLIO CARVALHEIRA
                                                        Coordenador Científico do Bovinfor




                                                   N
                                                              a última edição da nossa revista, informámos os
                                                              nossos leitores acerca de uma conferência, reali-
                                                              zada no Campus Agrícola de Vairão, no passado




                                                                                                                      FIGURA 1
                                                   dia 16 de Março, intitulada “BOVINFOR - Uma aplicação
                                                   informática ao serviço do Produtor de Leite”. Esta iniciativa
                                                   serviu para divulgar esta nova ferramenta de gestão, que terá
                                                   um impacto bastante relevante e positivo nas explorações
                                                   leiteiras.
                                                   Seguidamente, explicaremos a forma como os criadores
                                                   poderão aceder a este programa.

                                                      GESTÃO DE OBJECTIVOS: (Figura 1)
                                                      Assim que é efectuado o login do BOVINFOR (http://
                                                      www.bovinfor.pt/), na primeira página é disponibilizada a
                                                      Gestão de Objectivos de cada exploração. A ideia é permitir




                                                                                                                      FIGURA 2
                                                      ao criador visualizar os dados mensais consolidados da
                                                      produção e da reprodução, podendo, ainda, o seu utilizador
                                                      comparar os dados obtidos na sua exploração com outros
                                                      produtores, tanto da sua região como, inclusive, do resto
                                                      do país. Este programa permite ainda personalizar os objec-
                                                      tivos a atingir para cada uma das características existentes,
                                                      assim como observar, através de um gráfico, a evolução e
                                                      tendências ocorridas nos últimos doze meses (Figura 2).
                                                      A tabela da gestão de objectivos reprodutivos dá a possibi-
                                                      lidade de visualizarmos as características reprodutivas rele-
                                                      vantes no que respeita à eficiência das explorações. De igual
                                                      modo, será possível aferir outros parâmetros reprodutivos
                                                      na página “Relatórios” (menu principal) com vista a obter
                                                      o balanço completo do comportamento reprodutivo da
                                                      exploração. Este menu, para além de fornecer mais índices,
                                                      faculta, ainda, a hipótese de se observarem os gráficos
                                                                                                                      FIGURA 3




                                                      anuais de evoluções reprodutivas de cada um deles.
                                                      Ainda nesta página, podemos aceder ao submenu “Curva(s)
                                                      de Maneio”, onde o criador pode verificar quais foram,
A FORÇA DA UNIÃO . EDIÇÃO ABR . MAI . JUN . 2011




                                                      em termos anuais, os meses em que obteve maior rendi-
                                                      mento e tentar perceber as condições que provocam um
                                                      decréscimo da quantidade de leite, gordura ou proteína,
                                                      quer seja, através de alterações climatéricas, alimento,
                                                      condições do rebanho, em geral, entre outros. Os cálculos
                                                      para estes gráficos assumem que todo o efectivo está nas
                                                      mesmas condições produtivas, permitindo, assim, fazerem-
                                                      se comparações entre os meses do ano (Figura 3 + Figura
                                                      3.1)
34
ALERTAS:




                                                                FIGURA 3.1
Seguindo a ordem de importância dos menus disponíveis,
os “Alertas” resumem as acções principais a desenvolver
nas explorações. Este menu é de grande importância, uma
vez que fornece aos seus utilizadores informação diária
e actualizada sobre: Diagnósticos de Gestação; Próximos
Partos; Vacas a Secar; Partos ou Secagens por Registar, além
de outros, organizados por grupo ou lote de animais (Vacas
ou Novilhas) (Figura 4 + Figura 4.1).

EFECTIVO:




                                                                FIGURA 4
O BOVINFOR permite ainda ter acesso a toda a informação
registada dos seus animais. Neste contexto, o criador tem à
sua disposição o menu “Efectivo”, pelo qual, é possível esco-
lher, individualmente, cada animal e aceder, em pormenor,
a cada ponto vital da sua informação, incluindo histórico
de produtividade (dando a hipótese de visualizar cada
contraste realizado em toda a vida do animal, incluindo
os gráficos relativos a cada lactação). Igualmente, valores




                                                                FIGURA 4.1
genéticos, árvore genealógica e muitas outras funções.
(Figura 5 + Figura 5.1)

RELATÓRIOS MENSAIS DO CONTRASTE:
Caso o produtor necessite de ler ou imprimir qualquer um
dos seus relatórios referentes ao contraste, poderá usar a
página do BOVINFOR, através do menu “Contrastes”.

EVENTOS:
Este menu dá ao criador a possibilidade de observar todos




                                                                FIGURA 5
as ocorrências que foram registadas na sua exploração pela
sua Estrutura desde, partos, abortos ou lactações, insemi-
nações, cobrições naturais / manada, mortes ou abates, e
outros.
Para facilitar a visualização destes eventos, o utilizador
poderá escolher um determinado período temporal (data
inicial e final). Deste modo, ser-lhe-á permitido balizar
melhor a sua pesquisa.
A página encontra-se ainda em pleno desenvolvimento e,
                                                                FIGURA 5.1




embora falte disponibilizar muitas funcionalidades, as já
existes permitem uma mais-valia para cada criador e para
a sua exploração.
Neste momento, encontra-se em fase de desenvolvimento
                                                                             A FORÇA DA UNIÃO . EDIÇÃO ABR . MAI . JUN . 2011




a possibilidade de cada criador interagir com o site e poder
inserir ele próprio os seus dados / ocorrências. Esta inte-
racção permitir-lhe-á um maior controlo da sua exploração
(introduzindo diagnósticos, partos, abortos, transferências
e mortes). O desenvolvimento contínuo deste projecto
tornará a página do BOVINFOR uma ferramenta cada vez
mais indispensável para todos.

(http://www.bovinfor.pt/)
                                                                                     35
                                                     DESTAQUES




                                                                             DIA MUNDIAL
                                                    Texto Dr. FILIPE SILVA
                                                    Fotos ARQUIVO AGROS
                                                                              DA CRIANÇA
                                                   N
                                                            o passado dia 1 de Junho, Dia Mundial da Criança   de Argivai, que puderam aferir o entusiasmo e alegria de
                                                            e Dia Mundial do Leite, a Agros promoveu um        todas as crianças presentes.
                                                            conjunto de actividades destinadas a evocar as     Esta iniciativa, intitulada “Um Dia com a Natureza”,
                                                   referidas datas. O Espaço Agros recebeu a visita de mais    procurou proporcionar aos mais jovens momentos de
                                                   de sete centenas de crianças, oriundas das Escolas EBI/     são convívio e diversão. As acções preconizadas, em
                                                   /JI do Muro, concelho da Trofa, dos Sininhos, Correios      consonância com a faixa etária em questão, potenciaram,
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                                                   e Meia Laranja, de Vila do Conde. De salientar, ainda, a    não só a prática de exercício físico e outras actividades
                                                   presença, no local, dos Directores dos respectivos Agru-    lúdicas, como permitiam incutir-lhes conceitos acerca da
                                                   pamentos e Coordenadores dos Estabelecimentos de            importância do consumo de produtos lácteos para um
                                                   Ensino presentes, assim como do Senhor Eng.º António        desenvolvimento equilibrado. Por outro lado, a vertente
                                                   Caetano, em representação da Câmara Municipal de Vila       cognitiva foi também exercitada por via da realização
                                                   do Conde, da Senhora Dr.ª Teresa Coelho, em represen-       de um conjunto de acções tendentes a desenvolver esta
                                                   tação da Câmara Municipal da Trofa, do Senhor Carlos        componente, procurando-se sempre associá-la ao seu
                                                   Martins, Presidente da Junta de Freguesia do Muro, e do     tema central desta acção lúdico/pedagógica, focalizado
                                                   Senhor Augusto Moreira, Presidente da Junta de Freguesia    em torno da relação do Homem com a Natureza.
36
Este foi, sem dúvida, estamos certos, um dia para mais
tarde ser recordado por todos os presentes. Entre as
opiniões recolhidas, principalmente junto dos profes-
sores que acompanharam as crianças, este local possuí
características únicas para que os mais jovens, e não só,
                                                              A FORÇA DA UNIÃO . EDIÇÃO ABR . MAI . JUN . 2011




possam desfrutar momentos bem passados, sempre em
contacto com a Natureza.
Assim, o Espaço Agros tem, por isso mesmo, potenciali-
dades para receber públicos-alvo diferenciados. Este foi,
certamente, o primeiro de muitos eventos aqui realizados,
e, para começar, nada melhor do que fazê-lo, evocando
um dia tão especial para as crianças, pois, e parafraseando
Oscar Wild, “A melhor maneira de tornar as crianças boas,
é torná-las felizes.”
                                                                      37
                                                     SAÚDE E BEM-ESTAR




                                                                                       CHEGOU O SOL:
                                                                                                           CUIDADOS A TER
                                                    Texto Dr. VICTOR CRUZ




                                                   C
                                                           om a Primavera chegou também o sol e o calor,         alergias, entre outras complicações. Em situações extremas,
                                                           sendo, por isso, importante lembrar alguns            poderão evoluir para melanoma, ou como em linguagem
                                                           cuidados a ter, particularmente, no que respeita às   comum se denomina – cancro de pele. Por seu lado, os
                                                   radiações solares – ultravioleta – UVA e UVB.                 raios UVB penetram mais superficialmente na nossa pele,
                                                   Todos sabemos que a visão é um bem essencial e inesti-        no entanto, também são maléficos para a saúde humana.
                                                   mável e que é preciso preservar. O olho humano está cons-     Quando chegar a altura de nos expormos com mais inten-
                                                   tantemente a funcionar, quer ajustando a quantidade de        sidade aos raios solares, devemos ter em atenção que
                                                   luz que deixa entrar, focando os objectos, próximos ou        existem determinadas horas do dia em que essa exposição
                                                   distantes, quer transmitindo, instantaneamente, ao nosso      nos poderá acarretar alguns problemas. Assim, devemos
                                                   cérebro as imagens.                                           aproveitar as horas em que a sua incidência é menor, isto é,
                                                   O olho e as estruturas adjacentes que o rodeiam ajudam-       logo pela manhã, até às 11 horas e depois das 16 horas. Isto
                                                   se mutuamente no combate à exposição agressiva ao pó,         porque, entre as 11 e as 16 horas, os índices de radiação
                                                   vento e infecções, bem como às radiações solares que,         ultravioleta são muito elevados, situando-se, no nosso país,
                                                   como sabemos, são cada vez mais nocivas. Em todo este         geralmente, entre os índices 5 e 9 de radiação.
                                                   processo, as pestanas e as pálpebras formam uma primeira      Nesta situação, aconselha-se à não exposição directa a
                                                   estrutura de protecção e a solução lacrimosa aí existente     essas mesmas radiações, acrescendo-se da necessidade de
A FORÇA DA UNIÃO . EDIÇÃO ABR . MAI . JUN . 2011




                                                   tem um papel de limpeza e desinfecção da conjuntiva do        estarmos munidos, se possível, de óculos de sol com filtro
                                                   olho.                                                         UVA, protector solar com elevado factor de protecção,
                                                   No que respeita aos raios solares emitidos pelo astro-        t-shirt e um chapéu, caso estejamos na praia.
                                                   rei, os UVA são os mais nocivos para a saúde humana,          O Instituto Nacional de Meteorologia, no seu site (www.
                                                   uma vez que penetram de um modo mais profundo na              meteo.pt), disponibiliza a todos aqueles que o queiram
                                                   nossa camada dérmica. Neste contexto, podem provocar          consultar, informações acerca do índice de radiação solar
                                                   algumas complicações, como: fotoenvelhecimento e foto-        previsto para um qualquer dia do ano.



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                    Indústria de Produtos Pecuários do Norte, S.A.




Zona Industrial nº 2 - Apartado 202   Tel 255 718 300   pecnordeste@pecnordeste.pt
4564-909 Penafiel - Portugal           Fax 255 718 303   www.pecnordeste.pt

				
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