A Teoria Dos QuatroTemperamentos by t.rodrigues43

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									    A TEORIA DOS QUATRO TEMPERAMENTOS

                                                                          Pr. Cleverson de Abreu Faria
Hoje em dia muitos são os que se apegam aos quatro temperamentos a fim de justificarem
as suas ações e atitudes, porém, a Bíblia nos mostra o contrário, Ela nos mostra, que o
crente deve esperar unicamente no Senhor. Os quatro temperamentos, por sua vez, derivam
dos elementos da natureza.

Um certo modismo que entrou com todo vigor na cultura cristã é o dos temperamentos,
denominando-os em quatro tipos (Colérico, Melancólico, Fleumático, Sanguíneo), sem,
contudo oferecer nenhum respaldo ou base bíblica para tal declaração.


                                                       ORIGEM

“A doutrina dos quatro temperamentos é oriunda de uma ‘salada’ que mistura ritos
fúnebres, forças da natureza, filosofia, esoterismo, ocultismo, psicologia, Nova Era,
astrologia, religião pagã, vidas passadas, reencarnação e sobretudo conflitos: uns
classificam a doutrina de uma forma, outros de a forma diversa”.1

É interessante notar que desde os primórdios da ciência o homem procura uma busca para
poder classificar o ser humano sem, contudo chegar sequer a um resultado satisfatório. Para
que se possa entender e então compreender corretamente a teoria dos quatro temperamentos
torna-se necessário voltar ao passado, a um passado longínquo, voltarmos até a Idade
Neolítica, onde vamos encontrar os povos pagãos daquela época preocupados em se
desfazerem dos seus mortos. Sobretudo, os hindus, os celtas, os vikings e os nômades
descobriram que havia quatro maneiras para se desfazerem de seus mortos por meio de
ritos:
    1) Cremando - No Fogo;                                     3) Afundando - Na Água;
    2) Enterrando - Na Terra;                                  4) Expondo - Ao Ar.


Mais tarde encontramos no século V a.C., Empédocles, filósofo siciliano, curandeiro,
autodenominado sábio, e portador de inúmeros outros títulos, sempre autodesignados, que
formulou a doutrina de que as forças da natureza são quatro:
    1) O Fogo;                                                 3) A Água;
    2) A Terra;                                                4) O Ar.

Esses quatro elementos eram por ele chamados de “raízes”. Possuíam propriedades que
eram por demais marcantes: quente e seco, seco e frio, frio e úmido, úmido e quente,

1
 PEREIRA, Jehozadak A. O Que São Temperamentos? Existe compatibilidade entre a Fé Cristã e a Teoria dos Quatro Temperamentos?
São Paulo: Editora Candeia, 1996, p.12.
respectivamente. Note que sempre a Segunda propriedade de um é a primeira do seguinte.
O filósofo Empédocles dizia que tal certeza adivinha de suas observações e estudos,
chegando a essa conclusão ao ver um pedaço de madeira queimando. Quando isso
acontece, alguma coisa se desintegra. Ouve-se a madeira estalar e crepitar, é a água. Vê-se
alguma coisa virando fumaça, é o ar. O fogo é o que vemos nitidamente. Apagando-se as
chamas do fogo, resta alguma coisa, são as cinzas ou a terra.

Empédocles ensinava uma doutrina esotérica de que era necessário conservar “a semente no
coração”. Esta doutrina, traz como seu fim a redenção da alma, a qual termina por renascer
em Deus.

Mas, o fato é que esta teoria prevaleceu ao decorrer dos séculos, sendo mais tarde assumida
por Hipócrates (460 a 370 a.C.), também filósofo e médico, sendo chamado “Pai da
Medicina”. Ele se apoderou da teoria de Empédocles e tipificou os seres humanos em
quatro temperamentos, da seguinte forma:
 1) Colérico;                                    3) Fleumático;
 2) Melancólico;                                 4) Sangüíneo.


Platão, filósofo grego (427-347 a.C.), fundador da Academia de Atenas, ofereceu a sua
contribuição classificando psicologicamente em instintivos os quatro tipos de
temperamentos:
 1) O Intuitivo;                                 3) O Sentimental;
 2) O Sensorial;                                 4) O Pensativo.


Posteriormente Cláudio Galeno, (131-201), médico romano, trabalhou em Pérgamo e
depois em Roma, e até meados do século XVII, as suas teorias reinavam sobre toda a
medicina, sua obra representa o ponto máximo da medicina grega clássica. Ele relacionou
os quatro tipos psicológicos como causas de males e doenças, ligando os mesmos aos
quatro fluídos humanos, baseados nos quatro humores:
 1) Bílis amarela;                               3) Fleuma;
 2) Bílis negra;                                 4) Sangue.


A Astrologia dividiu os doze signos, entre os quatro tipos psicológicos, enfatizando os
quatro elementos fogo, terra, água e ar. Os doze signos do zodíaco são divididos entre os
quatro elementos:

                                  Signo                Elemento Temperamento
                     1.Áries, Leão e Sagitário           Fogo         Colérico

                     2.Capricórnio, Touro e Virgem       Terra       Melancólico



                                                                                         2
                  3.Escorpião, Câncer e Peixes         Água        Fleumático
                  4.Aquário, Gêmeos e Libra             Ar         Sangüíneo

Jung, médico e pesquisador, psiquiatra suíço (1875-1961), aprendeu a lidar com astrologia
e a usou em seus métodos. Ele demonstrou que o fato de as pessoas terem uma tendência a
cair em certos grupos conforme o seu temperamento era uma antiga preocupação da
filosofia (Empédocles), da medicina (Hipócrates) e também das artes.

No entanto, antes de tudo isso, foi a astrologia que se preocupou primeiramente em
proporcionar a primeira descrição de uma tipologia.

Deve-se ter em mente que a origem dos quatro temperamentos encontra-se na prática
funerária e na veneração dos ancestrais.


                                       HISTÓRIA

Encontramos nos filósofos e médicos da Grécia antiga uma grande preocupação em
tipificar, ou seja, separar os indivíduos em grupos, isso conforme as suas características.
Empédocles, tem a preocupação de dividir em quatro “raízes” (o fogo, a terra, a água e o ar)
as forças da natureza. A seguir, Platão procura tipificar psicologicamente os elementos
baseados nas condutas morais, nas qualidades e defeitos.

A teoria que fora formulada por Empédocles, foi copiada por Hipócrates, sendo esta mais
tarde trabalhada por Platão, e recebendo uma elaboração ainda melhor por Cláudio Galeno,
médico de Pérgamo, o que esta por sua vez acabou se transformando no que hoje
conhecemos como Teoria dos Temperamentos.

Cláudio Galeno originalmente desenvolvera uma combinação de treze combinações destes
temperamentos. Nos séculos seguintes, foi-se desenvolvendo até que chegamos apenas ao
número de quatro combinações ou quatro temperamentos, sendo baseados nos quatro
elementos da natureza, ou seja, a própria teoria dos elementos de Empédocles.

           “Para Cláudio Galeno, três dos quatro humores representam elementos da
           natureza no interior do organismo humano:
           1. A bílis amarela corresponde ao elemento fogo; reúne as qualidades do
              quente e do seco, formando o chamado temperamento colérico.
           2. A bílis negra representa o elemento terra com as qualidades do seco e do
              frio, formando o temperamento melancólico.
           3. A fleuma corresponde ao elemento água, é fria e úmida; molda o caráter ou
              temperamento fleumático.




                                                                                          3
                  4. o elemento ar não entra no organismo por intermédio de um humor, mas
                     diretamente pela respiração, tornando-se vital para a vida do homem: o
                     sangue; daí o temperamento sanguíneo”2

“Uma das mais difundidas teses e práticas da Nova Era é a de que todo homem deve se
autoconhecer, descobrir o seu potencial, saber a amplitude da força do subconsciente, ter
noção do poder da sua mente, buscar o perfeito equilíbrio físico-espiritual. Segundo a nova
era, o homem que se autoconhece sabe das suas falhas e defeitos, e também deve sobretudo
saber das suas qualidades e virtudes. O crente, ao projetar-se dentro dos critérios e
conceitos da doutrina e teoria dos quatro temperamentos, torna-se praticante do que prega
a nova era: O AUTOCONHECIMENTO. Há outra questão importante: ao aceitar a Jesus
como seu único e suficiente Salvador, o crente põe em prática na sua vida João 8.32 ‘E
conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará’. Pode o liberto ser prisioneiro de
novo?”3


                  UMA ANÁLISE CRISTÃ DOS QUATRO TEMPERAMENTOS

A grande maioria dos cristãos aceita a teoria dos quatro temperamentos sem qualquer
análise mais profunda. Acham que a teoria é compatível com o ensino das Sagradas
Escrituras. Dizem que da mesma forma que a Bíblia nos ensina que temos uma natureza
pecaminosa, a teoria dos temperamentos ensinam que todos temos as nossas fraquezas.

“Para que não mais se jamos como meninos, agitados de um lado para outro, e levados ao
redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que
induzem ao erro” Efésios 4.14.

Como aceitar a teoria de Empédocles, se ela é usada para a leitura de horóscopos e do
zodíaco? Podemos comparar esta doutrina com II Pedro 3.12?

Como podemos aceitar a teoria de Hipócrates diante de Gênesis 3.19, Jó 10.9, 34.15,
Eclesiastes 3.20, 12.7 e Daniel 12.2?

Como é que podemos aceitar que a teoria dos temperamentos está certa para a vida do
crente se ela diz que o temperamento é hereditário? E se concordamos com esta afirmação,
como fica II Coríntios 5:17? Creio que de forma alguma podemos ser tachados por esse ou
aquele temperamento. Uma pessoa não age de uma forma simplesmente porque é colérico,
ou melancólica, ou sanguínea ou fleumática. Não se deve desculpar as nossas fraquezas
porque meu temperamento é assim. Isso equivale a dizer que o Espírito Santo não é
suficiente na vida do crente. Que Ele não tem o poder para transformar vidas.
Ao se ler os livros de LaHaye e Hallesby (os mais conhecidos escritores sobre a teoria dos
temperamentos na atualidade) não conseguimos sequer encontrar nenhuma palavra ou
mesmo uma pequena pista que venha a nos informar a origem da teoria dos quatro
2
 PEREIRA, Jehozadak A. O Que São Temperamentos? Existe compatibilidade entre a Fé Cristã e a Teoria dos Quatro Temperamentos?
São Paulo: Editora Candeia, 1996, p.35.

3
    Idem, p.32.



                                                                                                                           4
temperamentos.

Todos os livros que tratam deste assunto, sejam eles esotéricos, científicos ou mesmo os
seculares, trazem a origem, o início, a fonte, os autores e mentores da teoria dos quatro
elementos e respectivos temperamentos, sem nenhum pudor ou vergonha da citação. Então
surge uma pergunta: Por que somente os livros ditos "evangélicos" de Hallesby e LaHaye
não citam a verdadeira fonte, a origem correta? Por que motivo? Por qual razão?

Ao abraçar a teoria dos quatro temperamentos, comete-se um erro; ao omitir a sua
origem e a sua finalidade, comete-se o segundo erro. Devemos como crentes aceitar a
contradição como fato consumado?

Encontramos na Bíblia a liberdade para analisarmos as devidas situações e julgar aquilo
que nos serve ou não, I Coríntios 6.12 e 10.23.

Comparando II Coríntios 5.17 – notamos de imediato que o temperamento não é sequer
desculpa para o pecado. Imagine o seu pastor anunciando a você que o seu problema está
baseado no fato de você ser sangüíneo, ou colérico, ou fleumático ou melancólico.

“As qualidades e defeitos apontados tanto por Hallesby como por LaHaye
não encontram paralelo nem na astrologia, nem na psicologia e muito menos na Nova Era.
Tim LaHaye não poderia ter escrito livros falando do temperamento usando como base a
teoria de Hipócrates, mas, se o autor aceita e cita Empédocles, o seu livro não serviria
para o povo evangélico, e seria talvez um livro esotérico, como tantos outros que por aí
estão, visto que a teoria de Empédocles baseia-se em uma crença e na filosofia, tão comum
e tão familiar aos gregos, e portanto contrária à Palavra de Deus” 4

Usar a parte da teoria dos quatro temperamentos, tendo como base somente Hipócrates e
desprezando Empédocles, é como tentar dirigir um automóvel sem o motor ou ainda sem as
rodas.

Creio que existem coisas boas na Teoria dos Quatro Temperamentos, assim como coisas
ruins. O que não se pode é se apegar a uma teoria e basear o seu comportamento naquilo
que ela ensina. Nosso comportamento deve ser baseado na Palavra de Deus. Ela nos diz que
“somos novas criaturas” (2Co 5.17), que “sem mim (Jesus) nada podemos fazer” (Jo 15.5),
que devemos Ter “cuidado que ninguém nos venha enredar com sua filosofia e vãs
sutilezas, conforme a tradição dos homens, conforme os rudimentos dos homens, e não
segundo Cristo” (Cl 2.8). Devemos ter equilíbrio nas coisas.

Melhores esclarecimentos no livro: O Que São Temperamentos? de Jehozadak A. Pereira.




4
 PEREIRA, Jehozadak A. O Que São Temperamentos? Existe compatibilidade entre a Fé Cristã e a Teoria dos Quatro Temperamentos?
São Paulo: Editora Candeia, 1996, p.54.



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                      LIVROS UTILIZADOS NA PESQUISA:



LAHAYE, Tim. Temperamento Controlado pelo Espírito. São Paulo: Edições Loyola,
1979.

____________. Temperamentos Transformados. São Paulo: Editora Mundo Cristão, 1978.

____________. Por que Agimos como Agimos? Conheça melhor as potencialidades dos
  temperamentos controlados pelo Espírito Santo. São Paulo: Abba Press Editora, 1996.

PEREIRA, Jehozadak A. O Que São Temperamentos? Existe compatibilidade entre a Fé
 Cristã e a Teoria dos Quatro Temperamentos? São Paulo: Editora Candeia, 1996.




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