Economia Parte2 1 by 21Xw6lT

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									Economia e Mercado
 Primeiro semestre – 60 hs – Parte II
              Professor: Julio Cesar
   Panorama econômico/financeiro do Brasil
    ◦ Abordagem histórica da economia brasileira

       A economia brasileira viveu vários ciclos ao longo da História do Brasil. Em cada
        ciclo, um setor foi privilegiado em detrimento de outros, e provocou sucessivas
        mudanças sociais, populacionais, políticas e culturais dentro da sociedade
        brasileira.
       O primeiro ciclo econômico do Brasil foi a extração do pau-brasil, madeira
        avermelhada utilizada na tinturaria de tecidos na Europa, e abundante em grande
        parte do litoral brasileiro na época do descobrimento (do Rio de Janeiro ao Rio
        Grande do Norte). Os portugueses instalaram feitorias e sesmarias e contratavam
        o trabalho de índios para o corte e carregamento da madeira por meio de um
        sistema de trocas conhecido como escambo. Além do pau-brasil, outras
        atividades de modelo extrativista predominaram nessa época, como a coleta de
        drogas do sertão na Amazônia.
       O segundo ciclo econômico brasileiro foi o plantio de cana-de-açúcar, utilizada
        na Europa para a manufatura de açúcar em substituição à beterraba. O processo
        era centrado em torno do engenho, composto por uma moenda de tração animal
        (bois, jumentos) ou humana. O plantio de cana adotou o latifúndio como estrutura
        fundiária e a monocultura como método agrícola. A agricultura da cana introduziu
        a modo de produção escravista, baseado na importação e escravização de
        africanos. Esta atividade gerou todo um setor paralelo chamado de tráfico
        negreiro. A pecuária extensiva ajudou a expandir a ocupação do Brasil pelos
        portugueses, levando o povoamento do litoral para o interior.


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   Panorama econômico/financeiro do Brasil
    ◦ Abordagem histórica da economia brasileira

         Durante todo o século XVII, expedições chamadas entradas e bandeiras vasculharam o interior do território em
          busca de metais valiosos (ouro, prata, cobre) e pedras preciosas (diamantes, esmeraldas). Afinal, já no início do
          século XVIII (entre 1709 e 1720) estas foram achadas no interior da Capitania de São Paulo (Planato Central e
          Montanhas Alterosas), nas áreas que depois foram desmembradas como Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso,
          dando início ao ciclo do ouro. Outra importante atividade impulsionada pela mineração foi o comércio interno
          entre as diferentes vilas e cidades da colônia, proporcionada pelos tropeiros.
         O café foi o produto que impulsionou a economia brasileira desde o início do século XIX até a década de 1930.
          Concentrado a princípio no Vale do Paraíba (entre Rio de Janeiro e São Paulo) e depois nas zonas de terra roxa
          do interior de São Paulo e do Paraná, o grão foi o principal produto de exportação do país durante quase 100
          anos. Foi introduzida por Francisco de Melo Palheta ainda no século XVIII, a partir de sementes contrabandeadas
          da Guiana Francesa.
         Em meados do século XIX, foi descoberta que a seiva da seringueira, uma árvore nativa da Amazônia, servia
          para a fabricação de borracha, material que começava então a ser utilizado industrialmente na Europa e na
          América do Norte. Com isso, teve início o ciclo da borracha no Amazonas (então Província do Rio Negro) e na
          região que viria a ser o Acre brasileiro (então parte da Bolívia e do Peru).
         O chamado desenvolvimentismo (ou nacional-desenvolvimentismo) foi a corrente econômica que prevaleceu
          nos anos 1950, do segundo governo de Getúlio Vargas até o Regime Militar, com especial ênfase na gestão de
          Juscelino Kubitschek.
         Valendo-se de políticas econômicas desenvolvimentista desde a Era Vargas, na década de 1930, o Brasil
          desenvolveu grande parte de sua infra-estrutura em pouco tempo e alcançou elevadas taxas de crescimento
          econômico. Todavia, o governo muitas vezes manteve suas contas em desequilíbrio, multiplicando a dívida
          externa e desencadeando uma grande onda inflacionária. O modelo de transporte adotado foi o rodoviário, em
          detrimento de todos os demais (ferroviário, hidroviário, naval, aéreo).
         Desde a década de 1970, o novo produto que impulsionou a economia de exportação foi a soja, introduzida a
          partir de sementes trazidas da Ásia e dos Estados Unidos. O modelo adotado para o plantio de soja foi a
          monocultura extensiva e mecanizada, provocando desemprego no campo e alta lucratividade para um novo
          setor chamado de "agro-negócio". O crescimento da cultura da soja se deu às custas da "expansão da fronteira
          agrícola" na direção da Amazônia, o que por sua vez vem provocando desmatamentos em larga escala. A crise
          da agricultura familiar e o desalojamento em massa de lavradores e o surgimento dos movimentos de sem-terra
          (MST, Via Campesina).

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   Panorama econômico/financeiro do Brasil
    ◦ Abordagem histórica da economia brasileira

         Entre 1969 e 1973, o Brasil viveu o chamado Milagre Econômico, quando um crescimento acelerado da
          indústria gerou empregos não-qualificados e ampliou a concentração de renda, o PIB chegou a crescer
          14,0%. Em paralelo, na política, o regime militar endureceu e a repressão à oposição (tanto
          institucional quanto revolucionária/subversiva) viveu o seu auge. A industrialização, no entanto,
          continuou concentrada no eixo Rio de Janeiro-São Paulo e atraiu para esta região uma imigração em
          massa das regiões mais pobres do país, principalmente o Nordeste.
         Da Crise do Petróleo até o início dos anos 1990, o Brasil viveu um período prolongado de instabilidade
          monetária e de recessão, com altíssimos índices de inflação (hiperinflação) combinados com arrocho
          salarial, crescimento da dívida externa e crescimento pífio.
         Já na década de 1980, o governo brasileiro desenvolveu vários planos econômicos que visavam ao
          controle da inflação, sem nenhum sucesso. O resultado foi o não pagamento de dívidas com credores
          internacionais (moratória), o que resultou em graves problemas econômicos que perdurariam por anos.
          Não foi por acaso que os anos 1980, na economia brasileira, ganharam o apelido de "década perdida".
          Alguns economistas divergem de tal interpretação da história econômica do país. Dentre eles, inclui-se
          o professor da Universidade de São Paulo Stephen Kanitz, que atribui a crise da dívida externa à
          incapacidade do sistema bancário norte-americano de corrigir o valor de seu capital e de, com isso,
          continuar a emprestar[1].
         No governo Itamar Franco o cenário começa a mudar. Com um plano que ganhou o nome de Plano Real
          a economia começa a se recuperar. Pelas mãos do então ministro da Fazenda, Fernando Henrique
          Cardoso, que eleger-se-ia presidente nas eleições seguintes por causa disso, houve o fortalecimento
          das instituições nacionais com o propósito de controlar a inflação e atrair investidores internacionais.
         O governo do presidente Luís Inácio Lula da Silva manteve o ortodoxia da política econômica, mas
          investiu em programas sociais e na valorização do salário mínimo que reduziu a concentração de renda
          e ampliou o consumo. A dívida externa foi controlada e o país ganhou independência dos organismos
          multilaterais. Em 2009, o Brasil se torna e o primeiro país latino-americano a ser credor do FMI, o
          Fundo Monetário Internacional.



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   Panorama econômico/financeiro do Brasil
    ◦ Abordagem da história recente da economia brasileira

       Breve histórico: A década de 1980 foi considerada a década perdida para a
        economia brasileira. Isto porque a economia brasileira vivenciou anos de inflação*
        galopante chegando a até a 50% ao mês. Tal situação prejudicava principalmente
        o trabalhador assalariado, uma vez que, não tinha como se proteger das
        desvalorizações constantes de preço. Uma das poucas formas de proteção do
        trabalhador era correr aos mercados com o salário inteiro e adquirir todos os
        produtos necessários para o mês. A remarcação de preços era constante,
        praticamente, uma rotina na vida dos brasileiros. Por outro lado, a classe
        dominante com maior poder de compra tinha condições de aplicar suas reservas
        monetárias em aplicações conhecidas como Overnight que corrigiam os valores de
        um dia para o outro.
       Além de prejudicar de forma direta a classe menos favorecida da população, a
        situação econômica adversa inibia investidores que optavam em aplicar no
        mercado financeiro ante investir em produção de fatores produtivos.

         *Em economia, inflação é a queda do valor de mercado ou poder de compra do dinheiro. Isso é
          equivalente ao aumento no nível geral de preços. Inflação é o oposto de deflação. Inflação zero, ou
          muito baixa, é uma situação chamada de estabilidade de preços.




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   Panorama econômico/financeiro do Brasil
    ◦ Abordagem da história recente da economia brasileira

       A inflação descontrolada bem como outros fatores sócio-econômicos e
        culturais também contribuíram para elevar a desigualdade e aumentar a
        distância econômica entre os mais ricos e a imensa base da pirâmide
        composta pelos mais pobres.
       A ausência de políticas públicas eficientes de distribuição de renda, baixo
        investimento em educação foram fatores determinantes para que a
        desigualdade sócio-econômica permanecesse e aumentasse em diversas
        áreas do país.

       Discussão: Afinal o que seria Belíndia? Por que do ponto de vista econômico
        podemos dizer que existem diversos brasis dentro de uma única nação
        formalmente e legalmente constituída?




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   Panorama econômico/financeiro do Brasil
    ◦ Dimensões e desigualdades sócio-econômicas

         BELÍNDIA: Em 1974, Edmar Bacha cunhou essa expressão para definir o que seria a distribuição
          de renda no Brasil, à época ( uma mistura entre uma pequena e rica Bélgica e uma imensa e
          pobre Índia), o economista ainda pensa ser válida a expressão para definir a distribuição de
          riquezas no país hoje. E ao que parece segundo dados apurados pelo IBGE, infelizmente é
          exatamente o que podemos constatar.
         No campo da distribuição de riquezas o Brasil, ainda tem pouco a comemorar, segundo o IBGE
          no espaço temporal entre 1992 e 1999, o rendimento dos 10% mais ricos e dos 40% mais
          pobres cresceu percentualmente a mesma coisa. O que significa dizer que, em termos
          absolutos, o fosso aumentou. Se, em 1992, a diferença entre esses dois grupos era de R$
          1.717, em 1999 ela passou para R$ 2.270. Um aumento de R$ 553.
         Em 1992, os 10% mais ricos detinham 45,8% da renda nacional, já em 1999, os 10% mais ricos
          passaram a deter 47,4% da renda nacional. Se medido pelo coeficiente de Gini, (que varia de 0
          até 1) quanto mais próximo de zero melhor a distribuição de renda, o Brasil em 1992 estava
          com o índice em 0.571, já em 1999 o índice se encontrava em 0.567, uma melhora muito
          discreta para o período analisado pelo estudo, pois nesse mesmo período, o Brasil derrotou a
          inflação dando fim com isso ao propalado "Imposto Inflacionário" o mais cruel dos impostos
          que transferia renda dos mais pobres para os mais ricos. Mesmo com tudo isso, o país não
          avançou muito na redistribuição de riquezas ficando muito aquém do avanço em outras áreas
          como educação e saúde. Durante o período, do "Plano Real" implementado em 1994, que não
          conseguiu lograr grandes êxitos quanto à distribuição das riquezas, as causas desse insucesso
          talvez estejam na política adotada para debelar a inflação, no início do Plano Real a política
          cambial adotada ocasionou vultosos déficits na balança comercial a partir de 1995. Somando-
          se ao déficit na balança de serviços que o país já apresentava tradicionalmente, o Brasil passou
          a conviver com vultosos déficits na balança de pagamentos como um todo. Que passaram a ser
          compensados pelo capital externo que entrava atraído com os juros mais altos.


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   Panorama econômico/financeiro do Brasil
    ◦ Dimensões e desigualdades sócio-econômicas

       Essa política de juros aliada a manutenção de salários, o resultado só poderia ser mais
        concentração de renda, o irônico é que o instrumento usado para debelar a inflação o
        aumento nos juros reais e a política cambial acabaram por impedir que a redistribuição
        da renda fosse efetuada com mais eficácia durante o período estudado pelo IBGE. Ainda
        segundo a análise feita, pelo IBGE, o tempo que os 20% mais pobres precisam trabalhar
        para para igualar sua renda à dos 20% mais ricos é de 2 anos e oito meses, enquanto
        que no topo da lista encontra-se a Polônia, onde os mesmos 20% mais pobres precisam
        trabalhar apenas 3 meses para se igualarem aos 20% mais ricos, contudo, houve
        avanços quanto ao rendimento mensal, que aumentou de R$ 364 em 1992, para R$ 472
        em 1999.
       Outros indicadores dão demonstração de nossa melhora, a expectativa de vida
        aumentou de 66 anos em 1992, para 68 anos em 1999, entretanto, mesmo nesse
        campo encontramos algumas distorções que atestam a validade da expressão "Belíndia",
        no Estado do Rio de Janeiro as mulheres estão vivendo 11 anos em média mais que os
        homens, por conta da violência urbana que toma contornos de guerra civil em alguns
        centros urbanos do país, já que vitima mais jovens do sexo masculino.
       No Rio de Janeiro, a maioria da população já é de velhos e de mulheres, no caso da
        capital fluminense a proporção de mulheres e homens é a menor do país, são 88
        homens para 100 mulheres. O acesso dos negros a nossa Bélgica é bem mais difícil que
        o acesso dos brancos, os analfabetos brancos em 1999, eram apenas 8,3%, enquanto
        que os negros analfabetos nesse mesmo período foram de 21%, ou seja, quase três
        vezes mais. O rendimento médio dos brancos em 1999 foi de 5,25 salários mínimos,
        enquanto que o rendimento médio dos negros foi de 2,43 salários mínimos, ou seja,
        menos da metade que o rendimento dos brancos.

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   Panorama econômico/financeiro do Brasil
    ◦ Dimensões e desigualdades sócio-econômicas

       A PNAD (Pesquisa Nacional de Amostragem de domicílios), constatou também a
        desigualdade de riqueza entre as regiões brasileiras, sem novidades, segundo o índice
        de Gini a região que tem a renda mais bem distribuída é a região Sudeste com 0,537,
        seguida da região Sul com 0,543, a região Norte com 0,547, a região Centro - Oeste
        com 0,573 e por último a região com a pior concentração de renda do Brasil é a região
        Nordeste com 0,587, que por sua vez, possui o Estado com a pior distribuição de renda
        do Brasil; a Paraíba segundo o índice de Gini, o Estado está com 0,644, sem dúvida a
        pior entre os Estados brasileiros.
       Estes números, denotam anos e mais anos de endividamento do Estado brasileiro, que
        levou a uma incapacidade quanto ao atendimento das demandas sociais mais
        prementes.
       Os grandes recursos que seriam investidos na criação de mais empregos que
        possibilitaria um melhor acesso à saúde ou educação de qualidade as populações de
        nossos grandes centros, foram usados para o pagamento de juros ou os "serviços da
        dívida.
       Com certeza, se tais recursos tivessem sido usados no atendimento as "tais demandas
        prementes", o perfil de renda da sociedade brasileira seria outro. Em particular, o Estado
        da Paraíba o que detém o triste título da pior distribuição de renda do Brasil, por ironia
        foi o Estado que teve o maior crescimento do PIB entre 1980 e 1998, em média 8,93%,
        nesse caso houve uma inconteste concentração em que o grande crescimento do
        produto de um Estado acabou parando na mãos de poucos.
       São dados como esses que fazem nossa grande dívida social tomar contornos de uma
        Índia, prova disso é que em 1999, os 1% mais ricos detinham 13,1% de toda a riqueza
        nacional, enquanto que os 50% mais pobres detinham apenas 14% de toda renda
        nacional, ou seja, quase a mesma coisa
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   Panorama econômico/financeiro do Brasil
    ◦ Dimensões e desigualdades sócio-econômicas

       Ainda pior, é que em 1993 a distribuição era exatamente igual, ou seja, não houve
        avanço algum, quando o salário mínimo passou de R$ 150 para R$ 180, em 1 de
        Maio de 2001, só esse fato já foi suficiente para tirar da linha da pobreza algo em
        torno de 3,5 milhões de brasileiros, mesmo com isso, a situação não melhorou
        muito já que muitos empregadores não tinham condição de arcar com esse nível
        de salário mínimo.
       Segundo o DIEESE em estudo divulgado também em 1 de Maio o salário mínimo
        deveria ser hoje de R$ 1066, tomando como base o capítulo II da Constituição
        federal em seu artigo 7o , inciso IV, que determina que o salário mínimo teria que
        atender as necessidades básicas de uma família tais como moradia, alimentação,
        educação, lazer, vestuário etc, no entanto, todos sabemos que se um salário
        mínimo dessa magnitude fosse adotado a economia não suportaria, em um país
        com o tamanho de nossa dívida social o salário mínimo é fundamental na
        redistribuição da renda.
       Em suma, distribuição de renda significa mais pessoas consumindo, o que daria
        um incremento ao mercado interno diminuindo nossa dependência de grandes
        exportações para cobrir o déficit na balança de pagamentos, déficit esse que seria
        coberto pela maior arrecadação do governo oriundo do do mercado interno, o que
        sem dúvida levaria a economia brasileira a um novo "círculo virtuoso" de
        desemprego baixo, crescimento acelerado do PIB, e superávit do setor público, tal
        como o ocorrido atualmente com a economia norte-americana.



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   Panorama econômico/financeiro do Brasil
    ◦ Desenvolvimento regional e impacto financeiro

       Pode-se dizer que o Brasil comporta inúmeras economias em seu território. As
        regiões sudeste e sul comportam os melhores índices de desenvolvimento
        humano detém as melhores condições de saneamento básico, infra-estrutura e
        oferecem melhores condições de vida a suas populações. Por outro lado, as
        regiões norte e nordeste ocupam o posto de menos desenvolvidas
        economicamente e contribuem para que os índices de desenvolvimento
        econômico seja comparados aos de países em desenvolvimento e até países
        pobres do continente africano cuja a renda de cada cidadão é menor que US$ 1
        diário.
       A região centro-oeste é uma região que detém características das regiões sul e
        sudeste e regiões norte-nordeste. No entanto, a região consagrou-se como uma
        eficaz produtora de comodities agrícolas como soja, o que contribuiu para
        fortalecer a economia e melhorar a condição de vida de sua população.

       A potência do estado de São Paulo: Inúmeras cidades paulistas detém PIB´s
        muitas vezes maior do que diversas capitais nacionais.
       Pesquisa, levantamento sobre o PIB das seguintes cidades:
       São Paulo SP, Guarulhos SP, Osasco SP, Ribeirão Preto SP, Presidente Prudente SP,
        Araçatuba SP, Bauru SP, Campinas SP, Rio de Janeiro RJ, Campus RJ, Camaçari BA,
        Salvador BA, Manaus MA, Porto Alegre RS, Curitiba PR, Teresina PI, Recife PE, Natal
        RN e Florianópolis SC.


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   ANEXO - Panorama econômico/financeiro do Brasil
    ◦ Plano Real

         Em 19 de maio de 1993 Fernando Henrique Cardoso, conhecido atualmente como "pai do Real", foi convidado
          ao cargo de Ministro da Fazenda pelo Presidente Itamar Franco, assumindo perante o país o compromisso de
          acabar com a inflação, ou pelo menos reduzi-la. Fernando Henrique era sociólogo de renome no Brasil e no
          exterior, e vinha ocupando o cargo de Ministro das Relações Exteriores. O novo ministro foi então recebido com
          entusiasmo, pois refletia uma possibilidade real de solução dos problemas, principalmente devido à sua
          capacidade intelectual e conhecimento social em nível global. Reuniu então um time de economistas de renome
          para elaborar um plano de combate a inflação.
         Em 1º de agosto de 1993, o ministro promoveu a sétima mudança de moeda do Brasil, de Cruzeiro para
          Cruzeiro Real, para efeito de ajuste de valores. A intenção do governo era repetir mais uma vez a prática de
          "cortar três zeros", porém, no mesmo mês de lançamento do Cruzeiro Real a inflação foi de 33,53%, e em
          janeiro de 1994, de 42,19%.
         A partir de 28 de fevereiro de 1994, como efeito da Medida Provisória nº 434, iniciou-se a publicação dos
          valores diários da Unidade Real de Valor (URV) pelo Banco Central. A URV serviria como moeda escritural[5] para
          todas as transações econômicas, com conversão obrigatória de valores, promovendo uma desindexação geral
          da economia. A MP nº 343 foi reeditada pelas MPs nº 482 e nº 457, e transformada posteriormente nas leis nº
          8.880 e nº 9.069.[1]
         A partir de 1º de março de 1994, passou a vigorar a Emenda Constitucional nº 10, que criou o Fundo Social de
          Emergência (FSE) considerado essencial para o êxito do plano. A emenda produziu a desvinculação de verbas do
          orçamento da União, direcionando os recursos para o fundo, que daria ao governo margem para remanejar e/ou
          cortar gastos supérfluos. Os gastos do governo contribuíam grandemente para a hiperinflação, uma vez que a
          máquina do Estado brasileiro era grande, dispendiosa e ávida por mais gastos. Poucas horas antes, o Ministro
          FHC foi à televisão e, em pronunciamento oficial em rede nacional, deu um ultimato ao Congresso Nacional para
          que aprovasse a emenda à Constituição Federal.[6]
         Em 1º de julho de 1994 houve a culminância do programa de estabilização, com o lançamento da nova moeda,
          o Real (R$). Toda a base monetária brasileira foi trocada de acordo com a paridade legalmente estabelecida:
          CR$2.750,00 para cada R$1,00.[7] A inflação acumulada até julho foi de 815,60%, e a primeira inflação
          registrada sob efeito da nova moeda foi de 6,08%, mínima recorde em muitos anos.
         Devido a corrida inflacionária, entre 1967 e 1993 o Brasil teve seis moedas diferentes, a saber: Cruzeiro Novo
          (1967), Cruzeiro (1970), Cruzado (1986), Cruzado Novo (1989), Cruzeiro (1990) e Cruzeiro Real (1993). O total
          de inflação acumulado nesse período foi de aproximadamente 1.142.332.741.811.850% (IGP-DI).
         O resultado positivo do Plano Real tem influenciado a política econômica brasileira desde então.
                                                                  Economia e Mercado - 1Sem 2012 - Parte II              12

								
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