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Fabiano Vilaca dos Santos fabianovilacaAbol Powered By Docstoc
					Feitos de Armas e Efeitos de Recompensa: perfil do sertanista Fernão Carrilho
                                                                Fabiano Vilaça dos Santos
                                                        Doutorando em História Social -USP



       Na ênfase dada às biografias pela historiografia recente, estudos das trajetórias
de agentes da colonização portuguesa têm sido desenvolvidos com certa
regularidadei. Para os séculos XVI e XVII, são privilegiados os governadores e os
vice-reis do Estado da Índia, sobretudo, em função da importância desse território
para a Coroa portuguesa no período. No século XVIII, o foco da análise está mais
direcionado para o Estado do Brasil. Trabalhos de historiadores portugueses e
brasileiros analisam os critérios de recrutamento dos agentes coloniais, a sua
circulação no Império português e os indicadores de ascensão social oriundos da
experiência no governo das conquistasii.
       A relação serviço/remuneração é um dos eixos principais de articulação das
trajetórias sociais e administrativas, e não se restringe, como se pretende mostrar,
apenas à nobreza, estendendo-se a círculos socialmente menos seletos da colônia.
Isso explica a opção de apresentar o perfil do sertanista Fernão Carrilho, que
percorreu diversas partes do sertão nordestino, de Sergipe ao Maranhão,
observando-se os artifícios que utilizou para valorizar seus serviços, articulando
interesses particulares com demandas da colonização. O recorte aproximado de 1670
a 1703 foi adotado, considerando-se o conjunto de registros dos serviços realizados
pelo sertanista em Sergipe e as últimas menções à sua atuação no governo interino
do Estado do Maranhão. Nos percursos pelo sertão nordestino, Fernão Carrilho
combateu vários redutos de escravos fugitivos, destacando-se as três expedições que
comandou contra o Quilombo de Palmares, colaborou na pacificação e na redução de
índios no Ceará e no Maranhão, e em algumas expedições para encontrar metais
preciosos.


Dos Feitos de Armas de Fernão Carrilho


       As primeiras experiências de Fernão Carrilho decorreram de expedições aos
sertões de Sergipe para a destruição de mocambos, das guerras com o gentio dito de
“corso” e da procura de minas de prata. O Dicionário de Bandeirantes e Sertanistas do
Brasil apresenta-o como “célebre sertanista sergipano”, filho de Pedro Carrilho iii. A
origem de Fernão Carrilho é incerta. Décio Freitas considera-o natural de
Pernambuco, possivelmente amparado na menção de D. Domingos do Loreto Couto
que incluiu o sertanista no rol dos “naturais de Pernambuco que floresceram em
Armas fora da Pátria”iv.
       O sertanista recebeu sua primeira patente do governador-geral Alexandre de
Sousa Freire, que o mandou a Jeremoabo e ao rio Sergipe para destruir mocambos,
como “capitão das entradas”. Em 1673, acompanhou D. Rodrigo de Castelo Branco,
em suas buscas por minas de prata nas serras de Itabaiana. A experiência no trato
com o gentio da região, permitiu-lhe participar da expedição de Jorge Soares de
Macedo à serra do Picaraçá, com o mesmo objetivo de encontrar minas, para a qual
forneceu cavalos e escravos. A conjunção desse dois fatores, o serviço pessoal e o
empenho de cabedais particulares representava o mote para os pedidos de mercês,
independente da origem social ou do tipo de experiência que o requerente
apresentava.
         No que diz respeito às campanhas para a destruição do Quilombo de Palmares,
esse foi o momento em que a trajetória de Fernão Carrilho adquiriu maior importância.
As experiências em Sergipe e na Bahia deram-lhe condições de comandar três
expedições a Palmares, em 1677, 1683 e 1686. O sertanista chegou a Pernambuco
em 1676 com alguns índios e escravos, a convite do governador D. Pedro de Almeida,
de quem recebeu a patente de “capitão-mor da guerra dos Palmares”. O governador
convocou as câmaras e os capitães-mores das vilas interessadas na destruição do
quilombo, para somar os esforços necessários a primeira expedição de Carrilho. As
vilas que se cotizaram para disponibilizar os recursos logísticos para a expedição
foram: Porto Calvo, Rio de São Francisco do Sul (Penedo) e Alagoas, que
contribuíram com quantias diferenciadas.
         Nos preparativos da campanha podem ser notados alguns sinais dos limites da
autoridade dos governadores coloniais, diante da força política dos grupos locais,
representados nas câmaras municipais. Na ocasião, Carrilho não teria se contentado
com as promessas de recompensa do governador Pedro de Almeida, tratando
diretamente com os senhores de engenho e representantes das vilas interessadas na
expedição. Reuniu-se na Câmara de Porto Calvo com o capitão-mor desta vila,
Sibaldo Lins, o capitão-mor de Alagoas, João da Fonseca, o de Penedo, Clemente da
Rocha Barbosa e outros homens importantes de Porto Calvo, porque “sabia que, em
última instância, eles é que decidiam” v.
         A vila de Porto Calvo era o centro dos preparativos da expedição e fora
estipulado que contribuiria com maior quantia. Porto Calvo era uma das regiões mais
prósperas do norte de Alagoas, destacando-se os engenhos de açúcar da família Lins,
descendente do desbravador dos sertões de Alagoas, Cristóvão Linsvi. A família tinha
motivos para se preocupar com o quilombo, pois em 1672, cinco anos antes da
primeira expedição de Carrilho, uma das muitas campanhas organizadas para destruir
Palmares entregue a Antônio Jácome Bezerra recebeu apoio de Porto Calvo. O
fracasso da tentativa, rechaçada pelos quilombolas, resultou em represália a
Cristóvão Lins, alcaide-mor de Porto Calvo, que teve seus canaviais queimados pelos
negrosvii.
         Uma interpretação corrente na historiografia é a de que a expedição de 1677,
como outras, tenha sido prejudicada por uma rede de colaboradores dos quilombolas,
infiltrados nas povoações afetadas pelas investidas dos negros. Outra versão ainda
pouco esclarecida quanto à expedição de 1677, acredita que os embaraços que lhe
foram causados estavam ligados a rixas de poderosos de Pernambuco com o
governador Pedro de Almeida, consideradas por seu cronista pessoal como
manifestação das “iras da inveja”viii. Assim, sempre que era solicitado o apoio de
alguma vila para a expedição, partiam de Olinda mensagens para criar obstáculos às
expedições organizadas pelas vilas mais ao sul de Pernambuco. Ernesto Ennes
apresenta interpretação distinta sublinhando, ao contrário, a contribuição da Câmara
de Olinda para a expedição de 1677ix. Após nove meses de preparativos a expedição
partiu com menos homens, provisões e armas do que havia sido combinado. Fernão
Carrilho foi acompanhado até a entrada da mata por alguns homens importantes de
Porto Calvo, como o próprio Cristóvão Lins e Francisco Álvares Camelo. Antes de
prosseguir, Carrilho dirigiu algumas palavras à tropa deixando entrever o clima de
guerra que se prolongava em Pernambuco desde a ocupação holandesa, e que
decerto seria lucrativo para quem se dispusesse aos sacrifícios da luta: "(...) tantos



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anos estiveram com as armas na mão contra a Holanda, e ainda hoje estavam do
mesmo modo contra os palmarinos (...)”x.
        A expedição de 1683 também apresenta lacunas e controvérsias,
principalmente quanto aos seus efeitos para a reputação de Fernão Carrilho, que foi
preso, suspenso do posto e do soldo de capitão-mor da Guerra dos Palmares e
degredado para o Ceará acusado de colaborar com os quilombolas, por meio de
acordos de paz não autorizados pelo então governador de Pernambuco, D. João de
Souza. Em virtude do fracasso do “Acordo do Recife”, armistício entre o governo de
Pernambuco e o líder Ganga Zumba, firmado em 1678, D. João de Souza entregou a
Carrilho um minucioso regimento que proibia qualquer acordo de paz com os negros
de Palmares. Dias depois de partir, Fernão Carrilho escreveu duas cartas de Alagoas
ao governador de Pernambuco, nas quais dizia possuir informações que
desencorajavam qualquer ofensiva contra o quilombo, tornando a negociação mais
vantajosa. A insistência pelo acordo de paz também pode ser entendida pelo suposto
fato de Carrilho manter, em terras vizinhas a Palmares, “um curral tolerado pelos
negros”xi. O sertanista foi acusado, também, de admitir a presença de negros de
Palmares no arraial do Bom Jesus e a Cruz, fundado por ele na primeira expedição, de
onde os quilombolas extraíam informações que lhes permitiam escapar dos soldados.
        Apesar disso, não há indicações contundentes de que o sertanista caiu em
desfavor, pois, em 1686, o governador João da Cunha Souto Maior aceitou o seu
oferecimento para comandar mais uma expedição. Na altura em que aceitou a oferta
de Carrilho, que cumpria o degredo no Ceará pelo desrespeito ao regimento de D.
João de Souza, o então governador Souto Maior, talvez descrente do êxito do
sertanista ou mais afeito a satisfazer outras pretensões, convocou os paulistas do
grupo de Domingos Jorge Velho para organizar uma expedição, sinalizando para as
rivalidades que mais tarde viriam à tona entre o bandeirante paulista e Fernão
Carrilho. Não obstante ter comandado três expedições, a força que moveu os
requerimentos de Carrilho provinha da expedição de 1677, que resultou na
promissora, embora efêmera, solução para o fim de Palmares: o “Acordo do Recife”. O
acordo foi possível graças à prisão de parentes do líder Ganga Zumba, usados pelo
governador Aires de Souza de Castro para atrair as demais lideranças.
        O armistício firmado entre as lideranças de Palmares e os governadores Pedro
de Almeida e seu sucessor Aires de Souza, levou a uma mudança no comando dos
negros após a morte de Ganga Zumba nas terras de Cucaú, oferecidas aos negros
nos termos da paz. A nova liderança de Zumbi estendeu a luta por mais de uma
décadaxii. Carrilho afirmou na ocasião ao governador Aires de Souza de Castro que o
quilombo havia sido destruído, diagnóstico tendencioso que a euforia do “Acordo do
Recife” ajudou a disfarçar. Segundo Décio Freitas, a tropa de 1677 atacou apenas três
mocambos abandonados e restringiu-se à prisão de parentes de Ganga Zumba, ferido
em combate, viabilizando o armistícioxiii. Mesmo assim, no momento em que começou
a participar das campanhas para a destruição de Palmares, a folha de serviços do
sertanista permitiu-lhe pleitear os benefícios que estes e outros feitos de armas
podiam acarretar, pois como proferiu à tropa em 1677, “quem mais semeasse mais
recolheria” xiv.




Dos Efeitos de Recompensa para Fernão Carrilho


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       Em 18 de fevereiro de 1699, o Conselho Ultramarino votou uma representação
de Fernão Carrilho para que o assassinato do ajudante Francisco de Aguiar Lobo,
ocorrido em 20 de setembro de 1655, no Rio de São Francisco, de que era acusado o
sertanista, não lhe impedisse de requerer cargos ou de obter remunerações por
serviços prestados. O parecer do Conselho, com a devida aprovação régia concedida
dois dias depois da votação, foi favorável ao pleito de Fernão Carrilhoxv.
       Pode-se inferir que tal representação, possível graças à abertura do canal de
comunicação entre os súditos e a Coroa portuguesa, refletisse o desejo do sertanista,
provavelmente sexagenário, de acrescentar ao seu cabedal de terras, escravos e
gado, um patrimônio de recompensas pelas campanhas em Palmares. Uma
impressão acerca dos interesses dos chamados “soldados da fortuna” na oferta de
serviços aos governos locais e à Coroa, transparece no discurso proferido por Fernão
Carrilho à sua tropa, em 1677. Tentando encorajar os homens diante do reduzido
efetivo, inferior ao contratado com as câmaras que financiaram a expedição, Fernão
Carrilho chamou a atenção para as compensações do sacrifício da luta. Afiançou aos
homens “(...) que se destruíssem os palmarinos teriam terras para a sua cultura,
negros para o seu serviço, honra para a sua estimação (...)”xvi. Isso indica o porquê de
Carrilho ter se apressado em alardear a destruição do quilombo. Queria entrar logo na
posse das 20 léguas de terra que recebeu do governador de Pernambuco, evitando,
talvez, que as delongas da administração colonial favorecessem o esquecimento das
autoridades, ou mesmo o surgimento de alguma querela em torno da recompensa.
       Com o objetivo de obter maiores ganhos e promoção social, apresentou a sua
candidatura ao posto de capitão-mor do Ceará. Sua folha de serviços relata, em suma,
os feitos de armas já mencionados realçando os sacrifícios e as intempéries que
sofreu, além dos gastos com escravos, cavalos e pagamento de integrantes das
expedições, desde Sergipe até Palmares, que correram às suas expensasxvii. Seus
serviços foram datados a partir de 1670, e comparando-os com os dos demais
concorrentes, esse detalhe mostrou-se relevante. João Pinto da Fonseca, Bento
Correia de Figueiredo, João Freire de Almeida, Cristóvão de Gouvêa de Miranda e
Bento de Macedo de Faria, iniciaram seus serviços nos anos 1640 e 1650. Alguns
foram homens de armas em Portugal, no Exército e na Armada Real, desempenhando
missões na Índia, combatendo os turcos no Mediterrâneo e na costa da África e
lutando por fim em Palmares. Tais foram os feitos de ordem militar mais comuns entre
os candidatos, faltando-lhes, por outro lado, a distinção da origem social.
       No esforço retórico para exaltar suas qualidades e aventuras, destacou-se
João Freire de Almeida. No Ceilão, em uma missão para buscar o Vice-rei da Índia, D.
Felipe de Mascarenhas, sua armada perdeu-se, conseguindo o mesmo João Freire
salvar-se a nado e ir até Goa avisar o ocorrido. Em batalhas na Índia, “saiu abrasado
de alcanzias de fogo dos inimigos”. Preso por mais de quatro anos, fugiu, foi
recapturado por holandeses e levado a Holanda, de onde voltou a Portugal, perdendo,
em conseqüência, toda a sua folha de serviços. Circulou ainda pelo Maranhão,
combatendo índios e os turcos no Mediterrâneo. Para sobressair aos concorrentes,
tentou demonstrar prestígio familiar, declarando
      ser pessoa nobre e descendente de algumas famílias deste Reino de boa linhagem,
      sendo uma delas a de Rui Gil Magro de Almeida, que foi Anadil-mor (sic) dos besteiros
      das comarcas [de Portugal] e por portaria (...) de 21 de novembro de 1674, consta
      mandar-lhe V. A deferir (...) que seja proposto nos postos, conforme seus serviçosxviii.




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        Apesar da reconhecida experiência militar dos candidatos, do valor com que
realçaram os combates aos turcos, dos sacrifícios de suas fazendas em prol do Real
Serviço e, porque não dizer, da participação nas lutas ainda em vigor contra Palmares,
nenhum deles apresentou em suas folhas, serviço à altura do que praticou Bento de
Macedo de Faria. Seus préstimos eram os mais antigos e foi o único a tomar parte nas
lutas para a expulsão dos holandeses de Pernambuco. Nomeado capitão volante pelo
mestre-de-campo João Fernandes Vieira, lutou em Itamaracá, Igaraçu e Olinda, tendo
participado das duas batalhas dos Guararapes.
        O mesmo requisito favoreceu ao seu sucessor, Sebastião de Sá, também
combatente das guerras holandesas. Nesse sentido, se para alcançar o cargo de
Vice-rei da Índia, favorecia os membros da alta nobreza, dentre outros atributos, um
certo passado heróico no Oriente embutido na linhagem, a expulsão dos holandeses
também qualificava um pretendente ao governo de uma capitania no Brasil,
transformando-se em indicativo do seu prestígio. O mesmo atributo que conferiu a
Bento de Macedo de Faria a primazia sobre os outros concorrentes, foi motivo de sua
derrocada. Uma queixa do almoxarife Domingos Ferreira Pessoa acusou o
capitão-mor de contrabandear madeiras, gados e cavalos com navios holandeses, em
troca de mercadorias do norte da Europa e levou à abertura de uma devassa já no fim
do seu governoxix. Para Nuno Gonçalo Monteiro, as “quedas em desgraça” tanto na
Índia quanto no Brasil estavam relacionadas, em geral, a práticas ilícitas de
comércioxx.
        Em 1681, percebendo que sua folha de serviços tinha menos peso que a dos
outros candidatos, Fernão Carrilho redigiu um memorial e uma petição e anexou-os à
respectiva folha. Tencionava demonstrar, com isso, ser o candidato mais indicado
para o cargo pelo conhecimento prático das terras do Ceará. No memorial, enumerou
as vantagens da colonização da capitania para a Coroa, ressaltando a presença de
contrabandistas holandeses no seu litoral, pois.

      (...) toda aquela costa em que fica o Ceará é muito abundante: os rios férteis; as terras
      usosas (sic); os ares sadios; há indícios de haver prata e ouro; há muito pau-vinhete;
      haverá madeiras reais; podem se fazer Engenhos (...) e criar toda a criação de gados;
      penetrado o Interior do sertão, poderá suceder descobrirem-se pedras preciosas;
      haverá cravo, pois na mesma costa o há; sucede sair âmbar; há casco de tartaruga (...)
      Estando aquela costa deserta, está disposta à Invasão dos Estrangeiros que algumas
      vezes tomam aqueles portos quando vão para as Índias (...) E resgatam com o gentio
      pau vinhete. (...) por toda aquela costa há diversas castas de gentios (...) os quais
      conquistados, mansos e disciplinados, esforçarão mais as armas de V.A. e dando-se
      por seguros os moradores Infalível se passarão muitos das capitanias da Bahia e
      Pernambuco e vão ali povoar com gados, Engenhos e fazendas e crescerão muito os
      direitos da Fazenda Real (...) E isto poderá V.A. conseguir sem despesas e
      empenhoxxi.

       Para dar início ao processo de colonização efetiva do Ceará, Carrilho
colocou-se à disposição do regente D. Pedro como “o suplicante [que] diz o que sente
e mais dirá quem souber dizer melhor. E quem andou por aquelas partes, e viu, se é
que todos vêem as coisas como são e com espírito. (...) humilhado aos reais pés de
V.A. com as notícias oferece a pessoa para tudo quanto V.A. for servido
encarregar-lhe”, mas não sem interesses. Usou a estratégia da subserviência ao
mesmo tempo em que ressaltou suas experiências, recurso comum para justificar um
pedido de mercê. Além de mostrar-se credenciado para receber a mercê do cargo de
capitão-mor do Ceará, estabeleceu as contrapartidas do seu investimento:


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       V.A. lhe faça mercê do posto de capitão da Fortaleza do Ceará, proprietário conforme
       V.A. é servido dar as mais fortalezas do Brasil. E, outrossim, a faculdade para povoar
       com moradores, e fazer uma vila no Rio Camussi ou no Rio Jaguaribe (...) ou onde
       V.A. for servido mandar, a sua custa e ipsofacto que for feita, fique com o privilégio de
       donatário de juro e herdade como V.A. costuma honrar e fazer aos primeiros
       fundadores, conforme fizeram sempre a seus vassalos, os antecessores de V. A (...)xxii

        O discurso de Carrilho estava de acordo com a conjuntura da segunda metade
do século XVIIxxiii. Após o processo de Restauração da dinastia de Bragança e da
expulsão dos holandeses, a Coroa transferiu para os colonos o custo da defesa dos
territórios abrindo-lhes, com isso, mais precedentes para reivindicar privilégios, pelo
emprego de seus cabedais e eventuais iniciativas de povoamento e de colonização,
respaldadas na necessidade de defesa dos domínios portugueses.
        Os estudos sobre as trajetórias sociais de governadores-gerais e vice-reis,
relacionam a origem social e a experiência administrativa e militar dos indivíduos, ao
status mais ou menos importante da região para onde foram designados.
Governadores-gerais e vice-reis eram normalmente indivíduos da alta nobreza e com
elevadas patentes no Exército português, enquanto nas capitanias menores e menos
expressivas da América, era facultado o acesso dos “soldados da fortuna”, com
grande experiência militar, mas sem qualidade de nascimentoxxiv. Fernão Carrilho, de
origem familiar obscura e sob o peso de uma acusação de assassinato, obteve o
posto de capitão-mor interino do Ceará, em 1693, na impossibilidade de Pedro Lelou,
e em 1699, como titular. Não assumiu as funções por ter sido nomeado no mesmo
ano, lugar-tenente do governador do Estado do Maranhão, prestando serviço no Pará.
Está claro que Fernão Carrilho só venceu a concorrência para o posto de capitão-mor
do Ceará em 1699, depois do resultado favorável de seu pleito. A aprovação régia do
parecer do Conselho Ultramarino saiu em 20 de fevereiro e sua escolha para o cargo
de capitão-mor foi confirmada pela resolução de 7 de julho de 1699, de acordo com o
parecer do Conselho de 6 de maioxxv.
        Como capitão-mor interino do Ceará, de 1693 a 1694, Fernão Carrilho parece
ter prestado bons serviços. Combateu e venceu os índios Pacajus da região dos rios
Açu e Jaguaribe, além dos Icós e dos Carateús. Outras tribos aliadas dos
colonizadores, por outro lado, louvaram os serviços do sertanista, como registrou o
barão de Studart. Em maio de 1694, alguns chefes de aldeias do Ceará manifestaram
a satisfação e o sossego em que viviam no governo de Fernão Carrilho, mostrando-se
receosos de que seu sucessor procedesse de modo contrário e hostilxxvi.
        No período em que governava interinamente o Ceará, Fernão Carrilho
requereu o pagamento dos atrasados relativos a dois padrões de tença concedidos a
ele e a seu filho, Feliciano Prudente, com base nos dízimos dos gêneros produzidos
nas terras que havia conquistado em Palmares. Carrilho teve que enfrentar a
intransigência do Provedor da Real Fazenda de Pernambuco, João do Rego Barros,
que criou uma série de empecilhos à satisfação de sua demanda. O provedor
desconfiou das alegações do sertanista sobre a procedência dos rendimentos para o
pagamento das tenças, retardando-o até que suas investigações e sindicâncias
fossem concluídasxxvii.
        Deve-se ressaltar que João do Rego Barros era “filho de tradicional família” xxviii
de Olinda, de onde se suspeitava existirem obstáculos às expedições comandadas
pelo sertanista. A intransigência do provedor já era esperada, pois Carrilho entrou com
o requerimento quando Rego Barros estava de licença. O seu primeiro parecer antes
da licença negou o pedido, levando Fernão Carrilho a apelar para a Relação da Bahia,

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que lhe foi favorável. Com o retorno do provedor às suas funções, Carrilho interpôs
novos requerimentos alegando que as tenças vinham lançadas na folha geral de
Pernambuco, mas João do Rego Barros ignorou o parecer da Relação e insistiu que
Carrilho comprovasse a existência dos rendimentos para o pagamento das tenças.
Suspeitando das justificativas do sertanista, Rego Barros procurou informar-se com
participantes de antigas expedições a Palmares e constatou que nada fora produzido
nas ditas terras e que até os currais de gado próximos ao quilombo haviam sido
retirados. Fernão Carrilho tergiversou, afirmando que os rendimentos provinham de
um engenho novo em Porto Calvo, ao passo que Rego Barros informou que dos 80
engenhos da região, cujos dízimos já eram conhecidos, nenhum era recente.
        O sertanista não conseguiu provar a existência de novos rendimentos nas
terras próximas a Palmares que justificassem o pagamento das duas tenças. Mesmo
assim, processou João do Rego Barros na Relação da Bahia e, apesar de mais um
parecer favorável, não viu extinguir-se a relutância do oponente que recorreu ao
Provedor-mor da Real Fazenda e ao Governador-geral, para fazer cumprir a sua
determinação de não pagar as tenças. João do Rego Barros não foi o único a criar
obstáculos às recompensas de Fernão Carrilho. Domingos Jorge Velho concorreu
diretamente com o sertanista nordestino na liderança de expedições e na obtenção de
prebendas. Ficou contrariado quando integrantes da tropa comandada por Carrilho
receberam terras do governo de Pernambuco “sem lhes custar mais que pedir”, como
declarou, após a expedição de 1677 xxix . Os dois tiveram trajetórias similares. O
paulista também atuou na pacificação de índios no sertão da Bahia, ao longo do Rio
São Francisco, onde fundou arraiais, e comandou uma expedição contra índios de
corso no Maranhão, em 1699xxx.
        A disputa pelo comando de uma expedição fica clara quando Domingos Jorge
Velho foi convocado pelo governador João da Cunha Souto Maior. As datas variam
entre o seu chamado, em 1685, e a partida da tropa, em 1686 ou 1687. Mais
importante que isso, foi um fato ocorrido no ano de 1687 quando uma carta anônima
atribuída a Fernão Carrilho ou a um “amigo seu”, foi enviada a Portugal, enaltecendo
as qualidades do sertanista e recomendando a fundação de um arraial na serra da
Barriga, cujo comando deveria ser entregue a Carrilho. A carta previa a realização de
um plano, intitulado “Remédio ao Dano do Gentio de Palmares”. O ex-governador de
Pernambuco, D. João de Souza, desdenhou da sugestão de Carrilho, em parecer
dado ao Conselho Ultramarino, afirmando ironicamente que o sertanista era “(...) bom
para os negros [como] bem o mostrou a experiência no segundo ano do meu governo
e bem o sente ainda hoje por não me constar tenha alcançado de SM recurso na
restituição do posto que por sentença o suspendi” xxxi.
        A última expedição de Carrilho a Palmares foi em 1686 e de nada adiantou a
proposição do “Remédio”. Também não foram poucos os empecilhos dos paulistas
para destruir o quilombo, um deles atribuído por Domingos Jorge Velho a Fernão
Carrilho, a quem acusou de tentar sabotá-lo com a ajuda do bispo de Pernambuco,
entrando em Palmares para negociar a paz com os negros e avisando-lhes da
presença de tropas em um arraial próximoxxxii. Um dos motivos possíveis da “rixa”
entre Fernão Carrilho e o paulista é indicado por Luiz Felipe de Alencastro, para quem
a ânsia de Domingos Jorge Velho em receber sesmarias em Pernambuco, sem contar
os hábitos das ordens militares que pediu em remuneração para os principais homens
de sua tropa, explica-se pelo desejo do bandeirante, dono de grandes extensões de
terra em São Paulo e no sertão da Bahia, de estabelecer-se perto das principais
praças marítimas da colônia, peças importantes do circuito comercial atlânticoxxxiii.



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        Do período que Fernão Carrilho esteve no Pará e governou interinamente o
Estado do Maranhão, de 1701 a 1702, com a patente de tenente-general, há poucos
registros, como nos Anais Históricos do Estado do Maranhão, de Bernardo Pereira de
Berredo e no Compêndio das Eras da Província do Pará, de Antônio Ladislau Monteiro
Baena. Berredo talvez tenha sido o primeiro a fornecer uma caracterização de Fernão
Carrilho e de sua inserção no Real Serviço, assinalando ter sido o sertanista um
“soldado de fortuna, porém de tanta honra, que se fazia merecedor desta”. Os Anais
de Bernardo Pereira de Berredo registram no governo de Carrilho a pacificação dos
índios Tapuias Aruans, da Ilha Grande de Joanes, que assassinaram os missionários
capuchinhos frei José de Santa Maria e frei Martinho da Conceição xxxiv. O feito foi
consagrado por Leonardo Ferreira Peres em seu “Mapa cronológico-histórico dos
governadores e capitães-generais, dos governadores e capitães-mores que têm
governado o Estado do Grão-Pará”, em um campo destinado especialmente à
indicação das realizações mais significativas dos administradores da regiãoxxxv.
        Antônio Ladislau Monteiro Baena menciona outros planos de colonização de
Fernão Carrilho no Maranhão, como o envio de uma proposta ao Conselho
Ultramarino para incrementar as fazendas de gado da Ilha Grande de Joanes,
atestando a fertilidade de suas pastagens, aprovada em outubro de 1702, pouco mais
de três meses após o fim do governo interino do sertanista.xxxvi Outras benfeitorias
foram, no entanto, desencorajadas pela Coroa: a carta régia de 27 de fevereiro de
1703 aprovou a decisão do governador Manoel Rolim de Moura Tavares, de remover
a população de uma povoação e casa forte nas costas do Maranhão, idealizadas por
Fernão Carrilho.xxxvii
        Em D. Domingos do Loreto Couto há uma pesarosa declaração a respeito das
recompensas pelos serviços de Fernão Carrilho, segundo a qual o sertanista prestou
relevantes socorros ao Maranhão e ao Recife, livrando seus moradores das
hostilidades dos “bárbaros” que os assolavam e “tendo desempenhado as suas
funções se retirou para a pátria [Pernambuco], onde se lhe faltou o prêmio e outras
ocasiões em que mostrar seu valor, não lhe faltou aquele nome que adquirem os
varões ilustres com suas ações”xxxviii. É fato costumeiro quando se pretende traçar um
perfil biográfico, deparar-se com lacunas e informações discrepantes. Pelo que
deixam entrever os serviços, os requerimentos de mercês de Carrilho e os postos que
alcançou, mesmo provisoriamente, não é possível que tenha sido privado de
recompensas, ainda que ele ou o referido cronista as reputassem insuficientes.
        Da mesma forma que não se encontra indício do local e da data de nascimento
de Fernão Carrilho, o seu desaparecimento tampouco é conhecido. Os autores não
divergem quanto a 1703 ser a data aproximada em que deixam de haver registros do
sertanista, ou seja, após ter deixado o governo do Maranhão, provavelmente um
homem sexagenário. É curioso não encontrar nenhuma referência a tal fato em Loreto
Couto ou em Monteiro Baena. Edison Carneiro, o único dos autores pesquisados que
dedicou um capítulo inteiro de seu livro a Carrilho, tendo seu nome por título, confirma
que a última aparição do sertanista foi em 1703 e que por maus procedimentos no
governo do Maranhão o Rei dera ordens para que lhe tirassem residênciaxxxix.
        O procedimento não era incomum na colônia, principalmente quando havia
suspeitas ou queixas de improbidade dos administradores. Edison Carneiro, por sua
vez, não indica a fonte de tal informação o que torna impossível localizar o processo,
se de fato existiu. A única sombra de suspeita que se pode levantar no período em que
Carrilho esteve no Maranhão, aparece em Monteiro Baena que menciona os
desmandos do ouvidor do Pará, Manoel Monteiro Bravo. Este veio para o Pará em
1701 como ouvidor-geral e provedor da Real Fazenda e, dois anos mais tarde,


                                                                                       8
surgiram dúvidas sobre arrematações de contratos conduzidas pelo ouvidor sem a
participação do governador. O comportamento de Monteiro Bravo tornou-se ainda
mais escuso e intolerável quando se recusou a prestar esclarecimentos a Manoel
Rolim de Moura Tavares, sucessor de Fernão Carrilho, pelo que foi punido com a
suspensão de seu cargoxl. A título de inferência, pode-se dizer que atuando no Pará,
capitania subalterna ao Maranhão, na época em que Carrilho estava à frente deste
governo, os abusos de Manoel Monteiro Bravo podem ter se concretizado não à
revelia, mas amparados pela omissão ou conivência do governador, o que serviria
para levantar acusações de improbidade contra Fernão Carrilho. A independência do
ouvidor contrariava o Regimento de 1677 entregue ao governador-geral Roque da
Costa Barreto que estabelecia, no tocante aos contratos, que para a boa arrecadação
da Real Fazenda era preciso “uma clara e individual notícia do que produzem os
rendimentos para se conhecer se são competentes os lanços que se oferecem nas
arrematações ou se há conluios para se rematarem os contratos baratos” xli.
        Traçar o perfil do sertanista Fernão Carrilho, apontando os aspectos mais
essenciais de sua trajetória, decerto não contemplou em profundidade a análise de
questões de relevo, tais como, a posição dos governadores de Pernambuco e do
governo-geral diante da destruição do Quilombo de Palmares e a atuação política das
câmaras municipais, tendo em vista as rivalidades entre as elites locais e o próprio
governo de Pernambuco. A existência de um processo de residência de Fernão
Carrilho bem como os resultados da devassa que lhe foi tirada após a expedição de
1683, não puderam ser ainda apurados. Apesar das lacunas, das discrepâncias dos
relatos e da carência local de fontes para aprofundar os problemas e debates
suscitados ao longo do trabalho, espera-se que a imagem da destruição de Palmares
pelos paulistas liderados por Domingos Jorge Velho, cristalizada pela historiografia
tradicional, admita a inserção de outros indivíduos não menos importantes que
colaboraram nas sucessivas campanhas para a extinção do quilombo. Seria impróprio
alijá-los, não somente do conjunto dos esforços para a destruição de Palmares, mas
da dimensão do Real Serviço com seus não pouco disputados efeitos de recompensa.


NOTAS
i
   Maria de Fátima Silva Gouvêa ressalta as “trajetórias administrativas” nos trabalhos recentes sobre o
Império colonial português, baseadas no princípio de uma “economia moral dos privilégios”. Ver, Maria
de Fátima Silva Gouvêa. Poder Político e Administração na Formação do Complexo Atlântico
Português (1645-1808). In: João Luís Ribeiro Fragoso; Maria Fernanda Baptista Bicalho e Maria de
Fátima Silva Gouvêa (orgs.) O Antigo Regime nos Trópicos: a dinâmica imperial portuguesa (séculos
XVI-XVIII). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2001, p. 287.
ii
    Sobre as trajetórias de governadores e vice-reis no Império português há o estudo de Nuno Gonçalo
Monteiro. Trajetórias Sociais e Governo das Conquistas: notas preliminares sobre os vice-reis e
governadores-gerais do Brasil e da Índia nos séculos XVII e XVIII. In: João Luís R. Fragoso, Maria
Fernanda B. Bicalho e Maria de Fátima S. Gouvêa (orgs.) O Antigo Regime nos Trópicos: a dinâmica
imperial portuguesa (séculos XVI-XVIII). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2001, p. 249-283. Laura
de Mello e Souza. Administração Colonial e Promoção Social: a atividade de Luís Diogo Lobo da Silva
como governador e capitão-general de Pernambuco e Minas Gerais (1756-1768). In: Maria Beatriz
Nizza da Silva (org.). De Cabral a Pedro I: aspectos da colonização portuguesa no Brasil. Porto:
Universidade Portucalense, 2001, p. 277-287.
iii
    Cf. Francisco de Assis Carvalho Franco. Fernão Carrilho. In: Dicionário de Bandeirantes e Sertanistas
do Brasil. Séculos XVI-XVII-XVIII, São Paulo, IV Centenário, 1954.
iv
    Décio Freitas. Palmares: a guerra dos escravos. 4ª ed., Rio de Janeiro: Graal, 1982, p. 106. Domingos
do Loreto Couto. Desagravos do Brasil e Glórias de Pernambuco. Ed. Fac-similar. Recife: Fundação de
Cultura Cidade do Recife, 1981, p. 413-417.
v
    Décio Freitas. Op. cit., p. 107.


                                                                                                       9
vi
    Cf. Evaldo Cabral de Mello. O Nome e o Sangue: uma parábola familiar no Pernambuco colonial. 2ª
ed., Rio de Janeiro: Topbooks, 2000, p. 228-229.
vii
     Décio Freitas. Op. cit., p. 95-96.
viii
      IDEM. Ibidem, p. 108.
ix
    IDEM. Ibidem. Ernesto Ennes, As Guerras nos Palmares (subsídios para a sua história), São Paulo:
Companhia Editora Nacional, 1938, v. 1, p. 30.
x
   Décio Freitas. Op. cit., p. 114-115.
xi
    Décio Freitas, Op. cit., p. 141.
xii
     Cf. Jaqueline Herman. Ganga Zumba. In: Ronaldo Vainfas (dir.). Dicionário do Brasil Colonial
(1500-1808). Rio de Janeiro: Objetiva, 2000. Ver também o verbete Zumbi, da mesma autora.
xiii
      Décio Freitas. Op. cit., p. 119.
xiv
     IDEM. Ibidem, p. 115.
xv
     Cf. Guilherme Studart (barão de Studart), Datas e Factos para a História do Ceará. Ed. Fac-similar,
Fortaleza: Fundação Waldemar Alcântara, 2001, tomo 1, p. 115.
xvi
     Edison Carneiro. O Quilombo dos Palmares. 3ª ed., Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1966, p.
79.
xvii
      A lista de concorrentes ao cargo de capitão-mor do Ceará foi transcrita por Guilherme Studart.
Documentos para a História do Brasil e Especialmente a do Ceará. Fortaleza: Tip. Minerva, 1921, v. 4,
p. 214-222, e por Ernesto Ennes. Op. cit.. O memorial e a petição de Fernão Carrilho não foram
transcritos, estando apensos à lista de concorrentes que se encontra na Divisão de Manuscritos da
Biblioteca Nacional.
xviii
       Guilherme Studart (barão de Studart). Documentos para a História do Brasil..., p. 220-221.
xix
     Guilherme Studart (barão de Studart), Datas e Factos..., p. 89-90.
xx
     Cf. Nuno Gonçalo Monteiro. Trajetórias Sociais e Governo das Conquistas..., p. 275-279.
xxi
     Biblioteca Nacional (doravante BN) - Divisão de Manuscritos. Lista de Concorrentes ao Cargo de
Capitão-mor da Fortaleza do Ceará. Com um Memorial e Petição de Fernão Carrilho. Ref.: I-34, 32,23.
xxii
      IDEM.
xxiii
        Cf. Maria Fernanda Baptista Bicalho. Centro e Periferia: pacto e negociação política na
administração do Brasil colonial. Leituras: Revista da Biblioteca Nacional de Lisboa, n.º 3, S. 6, 2000, p.
28.
xxiv
       Cf. Nuno Gonçalo Monteiro, Op. cit., p. 257 e 281.
xxv
      Guilherme Studart. Datas e Factos..., p. 96-98 e 115-116.
xxvi
       IDEM. Ibidem, p. 96-97.
xxvii
        Cf. Ernesto Ennes. As Guerras nos Palmares... , p. 192.
xxviii
        Francisco Augusto Pereira da Costa. Dicionário Biográfico de Pernambucanos Célebres. Ed.
Fac-similar. Recife: Fundação de Cultura Cidade do Recife, 1981, p. 472-473.
xxix
       Edison Carneiro. O Quilombo dos Palmares..., p. 8.
xxx
       Cf. John Manuel Monteiro. Domingos Jorge Velho. In: Maria Beatriz Nizza da Silva (coord.).
Dicionário da História da Colonização Portuguesa no Brasil. Lisboa: Editorial Verbo, 1994.
xxxi
       Ernesto Ennes. Op. cit., p. 36, 44, 46 e 167.
xxxii
       Décio Freitas. Op. cit., p. 159.
xxxiii
        Cf. Luiz Felipe de Alencastro. O Trato dos Viventes: formação do Brasil no Atlântico Sul (séculos
XVI e XVII). São Paulo: Companhia das Letras, 2000, p. 238-242.
xxxiv
        Cf. Bernardo Pereira de Berredo. Anais Históricos do Estado do Maranhão, em que se dá notícia de
seu descobrimento, e tudo o mais que nele tem sucedido desde o ano em que foi descoberto até o de
1718. 3ª ed., Florença: Tip. Berbéra, 1905, v. 2, p. 299.
xxxv
        BN. (Divisão de Manuscritos). Leonardo Ferreira Peres. Mapa Cronológico-histórico dos
Governadores e Capitães-generais, dos Governadores e Capitães-mores que têm Governado o Estado
do Grão-Pará. Ref.: I-31, 20,24.
xxxvi
        Cf. Antônio Ladislau Monteiro Baena. Compêndio das Eras da Província do Pará. Belém:
Universidade Federal do Pará, 1969, p. 131-133.
xxxvii
         Cf. Francisco Augusto Pereira da Costa. Cronologia Histórica do Estado do Piauí, desde os seus
Primitivos Tempos até à Proclamação da República, em 1889. Pernambuco: Tip. do Jornal do Recife,
1909, p. 21.
38 Cf. Domingos do Loreto Couto. Desagravos do Brasil e Glórias de Pernambuco..., p. 420.
39 Edison Carneiro. O Quilombo dos Palmares..., p. 91.
40 Cf. Antônio Ladislau Monteiro Baena. Op. cit., p. 131-133.




                                                                                                        10
41Observações de José da Costa Portugal referentes ao capítulo 13 do Regimento de Roque da Costa
Barreto. Apud Marcos Carneiro de Mendonça. Raízes da Formação Administrativa do Brasil. Rio de
Janeiro: Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro/Conselho Federal de Cultura, 1972, v. 2, p. 794.


Fontes

Biblioteca Nacional (Divisão de Manuscritos). Lista de Concorrentes ao Cargo de
Capitão-mor da Fortaleza do Ceará. Com um Memorial e Petição de Fernão Carrilho.
Ref.: I-34, 32,23.

Biblioteca Nacional (Divisão de Manuscritos). PERES, Leonardo Ferreira. Mapa
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Capitães-mores que têm Governado o Estado do Grão-Pará. Ref.: I-31, 20,24.


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                                                                                     12

				
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