a crise de 1929 em textos by v6Pmtn

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                                 TEXTOS – A Crise de 1929

1.    “Em meados dos anos 20, a demanda de bens de consumo era, aparentemente, inesgotável
nos Estados Unidos. Tudo o que se produzia era rapidamente consumido por uma multidão ávida
e confiante no futuro. Os trens circulavam abarrotados de mercadorias – de carros a aspiradores
de pó. Milionários e novos-ricos americanos visitavam a Europa e compravam quadros ou
patrocinavam artistas (...) As ações das empresas americanas subiam de preço a cada dia, e os
negócios nas Bolsas de Valores atingiam cifras estonteantes. (...) Muitos se perguntavam por que
deveriam investir na indústria, por exemplo, se ações e papéis davam um retorno muito maior e
mais rápido. Multiplicavam-se as instituições financeiras por todo o país. Wall Street tornou-se a
Meca de um novo mundo, cujos deuses eram o individualismo, a iniciativa privada, a ousadia, a
especulação.”


2.    “Em outubro de 1929, a crise estoura como um raio num céu sereno; os seus efeitos se
amplificarão e aprofundarão sem cessar até 1933 pelo menos. Só temos a dificuldade da escolha
para traduzi-los em cifras [número total]. Primeiro, a crise da Bolsa: as ações cotadas na Bolsa
serão reduzidas à décima parte do valor inicial. Queda dos preços de 50% para as matérias-
primas, de 30% para os produtos manufaturados. Queda de produção, que atinge 4/5 da
metalurgia e dos automóveis. Como conseqüência de tudo isto, a renda nacional reduz-se à
metade. Todo mundo, ou quase todo mundo, é materialmente atingido, de modo mais ou menos
grave. A categoria mais afetada, em primeiro lugar, é a dos assalariados, que perdem o emprego;
na falta de dados estatísticos mais precisos, o número de desempregados é avaliado em 15 milhões
no fim de 1932, e não existe um sistema nacional de assistência. Igualmente miseráveis tornam-se
os fazendeiros, carregados de dívidas que não podem pagar; são 2 milhões, talvez, em 1932.”


3.    “Tomei consciência pela primeira vez do desemprego em 1928 (...). Lembro-me do choque,
do espanto que senti, quando pela primeira vez me misturei com vagabundos e mendigos, ao
descobrir que uma boa parte, talvez uma quarta parte dessa gente (...), eram mineiros e colhedores
de algodão, jovens e honestos, contemplando o seu destino com aquele assombro estúpido de um
animal que caiu numa armadilha. Simplesmente não conseguiam entender o que acontecia com
eles. Tinham sido criados para trabalhar, e – vejam! – era como se nunca mais fossem ter
oportunidade de voltar ao trabalho.”


4.    “Durante os últimos três meses, eu – Oscar Ameringer, de Oklahoma City – visitei, como já
disse, uns 20 estados deste belo país extraordinariamente rico. Eis algumas das coisas que vi e
ouvi. Alguns cidadãos de Montana disseram que havia milhares de alqueires de trigo abandonado
nos campos porque seu baixo preço mal dava para cobrir as despesas da colheita.
      Em Oregon, vi milhares de alqueires de maçã apodrecendo nos pomares. Somente as maçãs
absolutamente perfeitas podiam ser vendidas por 40 ou 50 centavos a caixa de duzentas maçãs.
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Ao mesmo tempo, há milhões de crianças que, por causa da pobreza de seus pais, não comerão
maçã alguma neste inverno.
       Enquanto estava no Oregon, o Portland Oregonian lamentava o fato de milhares de ovelhas
serem sacrificadas pelos criadores por não alcançarem no mercado preço suficiente para pagar seu
transporte. Enquanto em Oregon, os urubus comiam carne de carneiro, vi pessoas procurando
restos de carne de carneiro nas latas de lixo de Nova York e Chicago.
       Conversei com um homem num restaurante de Chicago. Ele me falou de sua experiência
como criador de carneiros. Disse que no outono tinha sacrificado e atirado no canyon 3.000
carneiros, porque o transporte de um carneiro custava 1.10 dólar e lucraria menos de 1 dólar por
cabeça. Disse que não tinha recursos para alimentar os carneiros e não queria deixá-los morrer à
míngua. Por isso, cortava-lhes o pescoço e os atirava no canyon. (...)
       As estradas do oeste e do sudoeste pululam de pessoas famintas pedindo carona. As
fogueiras dos acampamentos dos desabrigados são visíveis ao longo de todas as estradas de ferro.
Vi homens, mulheres e crianças caminhando penosamente pelas estradas. A maioria deles (...)
eram proprietários de fazendas que tinham perdido tudo na recente baixa do preço do trigo e do
algodão (...).
       Os fazendeiros estão sendo pauperizados pela pobreza das populações industriais e as
populações industriais estão sendo pauperizadas pela pobreza dos fazendeiros. Nenhum deles
tem dinheiro para comprar o produto do outro: conseqüentemente há excesso de produção e
carência de consumo, ao mesmo tempo e no mesmo país.”

                                                                   Profª ISABEL CRISTINA SIMONATO
                                                                  EEEM “Emílio Nemer” – Castelo – ES
                                                                    Blog: belsimonato.wordpress.com
                                                                                      07.março.2012

								
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