caderno de resumos de todos os gts by jyW1dSL

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									           UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
FACULDADE DE FILOSOFIA, LETRAS E CIÊNCIAS HUMANAS




                NEHO 20 ANOS
                HISTÓRIA ORAL: IDENTIDADE E
                COMPROMISSO
                10 a 12 de novembro de 2011




          CADERNO DE RESUMOS




                    São Paulo, 2011
                                        SUMÁRIO
TOC \H \Z \T "NEHO;1" HYPERLINK \l "_Toc308571591" GT 01 – História Oral e
Deslocamentos Populacionais Contemporâneos
PAGEREF _Toc308571591 \h 3
HYPERLINK \l "_Toc308571592" GT 02 – História Oral e Gênero
PAGEREF _Toc308571592 \h 13
HYPERLINK \l "_Toc308571593" GT 03 – História Oral e Relações Disciplinares
PAGEREF _Toc308571593 \h 20
HYPERLINK \l "_Toc308571594" GT 04 – Oralidades, Religiões e Religiosidades
PAGEREF _Toc308571594 \h 30
HYPERLINK \l "_Toc308571595" GT 05 – História Oral, seus lugares, seus sujeitos: escolas,
movimentos sociais e acervos corporativos
PAGEREF _Toc308571595 \h 34
HYPERLINK \l "_Toc308571596" GT 06 – História Oral e Movimentos Sociais
PAGEREF _Toc308571596 \h 44
HYPERLINK \l "_Toc308571597" GT 07 – História Oral, Identidade e Diversidade
PAGEREF _Toc308571597 \h 49
HYPERLINK \l "_Toc308571598" GT 08 – História Oral e Corpo
PAGEREF _Toc308571598 \h 60
GT 01 – História Oral e Deslocamentos Populacionais Contemporâneos
Coordenação: Vanessa Generoso Paes (NEHO – USP) e Vanessa Paola Rojas
Fernandez (NEHO – USP)

Sessão 1: Sexta-feira, dia 11 de novembro, das 10h às 12h30


      MEMÓRIA CULTURAL E IMIGRAÇÃO ÁRABE NO RELATO DE UM CERTO ORIENTE
      Maged El Gebaly (USP)

      A partir das figuras da imigração árabe no Relato de um certo oriente de Milton Hatoum
      analisamos o papel da ficção da construção memória cultura e a configuração desta narrativa
      intercultural e sua perspectiva crítica pós-colonial das retóricas holísticas. Nesta análise
      revisamos os conceitos mestiçagem e hibridação cultural aplicado à situação do descendente de
      árabes no Brasil. Também usamos as concepções críticas de memória cultural em Memória e
      História de Jaques Le Goff, Memória, História e Esquecimento de Paul Ricoeur, Memórias do
      Modernismo de Andreas Huyssen. Visamos com esta análise participar com certas implicações
      para o papel da imigração na relação entre o Brasil e os países árabes no futuro cenário
      internacional do século XXI.
      Palavras-chave: Narrativa; Memória cultural; Misturas; Alteridade.


      MIGRAÇÕES LITORÂNEAS: MEMÓRIAS E NARRATIVAS DE ÊXODO RURAL ENTRE
      DESCENDENTES DE ESCRAVOS. RIO GRANDE DO SUL, MEADOS DO SÉCULO XX
      Rodrigo de Azevedo Weimer (UFF)

      Sabe-se que a presença de direitos trabalhistas no meio urbano, na era Vargas e após, ao mesmo
      tempo em que inexistiam no meio rural, gerou um afluxo de contingente populacional do campo
      para a cidade (Gomes, 2005 p. 240-241). Entende-se que não basta relacionar tal processo às suas
      determinantes estruturais; há também, a par do processo de industrialização que demandou a
      mão-de-obra migrante, que verificar as motivações que levaram indivíduos e contingentes
      populacionais a se mover. A presente pesquisa desenvolve, a partir de depoimentos tomados
      através da metodologia da história oral, como o processo migratório foi vivenciado por
      descendentes de escravos da área rural de Osório, no litoral norte do Rio Grande do Sul. Em
      busca de novas perspectivas de vida, partiram da fazenda do Morro Alto, onde seus avós haviam
      sido escravos e onde seus pais lograram permanecer, rumo a cidades como Osório, Capão da
Canoa e Porto Alegre, locais de residência dos migrantes entrevistados. Indaga-se sobre os
seguintes aspectos: fatores de expulsão de moradores no meio rural; a autonomia diferencial de
homens e mulheres para empreender migrações; outras motivações para o êxodo rural além da
busca por serem contemplados pela legislação social; relações raciais no meio urbano; e as
ocupações às quais se dedicaram uma vez chegando à cidade.
Palavras-chave: Migrações; Êxodo rural; Direitos trabalhistas; Litoral do Rio Grande do Sul;
Descendentes de escravos.


IMIGRAÇÃO PALESTINA EM SÃO PAULO: UMA SAGA DE SOBREVIVÊNCIA E
INFLUÊNCIA
Ailton José do Amaral (PUC – SP)

Este trabalho tem como objetivo estudar a imigração Palestina para a cidade de São Paulo, bem
como sua influência no desenvolvimento desta cidade. Analisaremos a História Oral daqueles
que, para escapar dos sofrimentos impostos por uma ocupação truculenta de seu então território,
até a decisão de emigrar para outro país, a escolha do Brasil, consequentemente São Paulo e sua
sobrevivência em nossa cidade. Acompanharemos a saga destas pessoas em busca de uma vida
melhor. Na opinião deste autor, em uma guerra, todos os lados estão errados, portanto, não é
intenção assumir nenhum lado, e sim, realizar uma pesquisa que conta essa história. Trata-se na
realidade de um estudo de caso: “Seu Abdul”, um Palestino que chegou ao Brasil em 1956, após
um longo processo de decisão, levando em conta sua decisão de ir para os Estados Unidos e os
fatores que contribuíram para que decidisse pelo nosso país. Paralelamente, um estudo da situação
encontrada pelos imigrantes nesta época, analisando o ambiente encontrado por ocasião da
chegada. A situação da cidade de São Paulo, e sua visão de uma terra estranha, com povo e
costumes bastante diferentes do seu. O projeto baseia-se em história oral (entrevista com diversas
fontes), mapas, fotos de família e pesquisa de documentação, além da pesquisa em
bibliografia/webgrafia.
Palavras-chave: Israel; Palestinos; São Paulo; Sobrevivência; Adaptação; Influência.


A IMPORTÂNCIA DA UTILIZAÇÃO SIMULTÂNEA DA COLETA DE FONTES
DOCUMENTAIS E ORAIS NO ESTUDO DOS DESLOCAMENTOS POPULACIONAIS DO
MUNICÍPIO DE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS (1935 A 2005)
Ana Enedi Prince (USP; UNIVAP)
O município de São José dos Campos, localizado na Região do Vale do Paraíba, no Estado de São
Paulo, ao longo da sua história recebeu numerosos migrantes e imigrantes, em momentos
distintos. No início do século XX, em virtude da cidade ter sido considerada como Estância
Hidromineral e Climática, os migrantes chegavam à cidade em busca de tratamento para a
tuberculose pulmonar, pois, na época, a cidade era indicada, por renomados médicos e cientistas,
para o tratamento das moléstias pulmonares. Esse fato é comprovado por documentos escritos, e
também por fontes orais, tais como, depoimentos de seus descendentes, entrevistas gravadas de
terceiros, dentre outros. Na atualidade, a cidade recebe migrantes e imigrantes em função de seu
desenvolvimento tecnológico, encetado a partir dos anos cinquenta do século passado, conforme
atestam várias transcrições de entrevistas, coletadas em época mais recente. Nesse contexto, a
história oral, aliada à história documental, nos permitiu conhecer melhor as motivações e aspectos
específicos relacionados com essas mudanças, ocasionadas por contínuos deslocamentos
populacionais para o município de São José dos Campos; também a eventual duração de sua
permanência, ou as razões de sua instalação definitiva na localidade.
Palavras-chave: fontes orais e documentais; imigração; estância hidromineral e climática: polo
tecnológico.


“A FESTA CÁ NOS CHAMA”: MEMÓRIA, EMIGRAÇÃO E RETORNO EM UMA ALDEIA
CAMPONESA DO NORDESTE PORTUGUÊS
Weslei Estradiote Rodrigues (PPGAS – USP)

A pesquisa que pretendo apresentar trata da aldeia camponesa de Vilas Boas, no nordeste de
Portugal, eminentemente marcada pelo fenômeno emigratório. Defendo que o modo de vida
aldeão tenha encontrado na emigração um meio de reprodução e renovação. Como modo de
descrever esse mecanismo, entendo que desde o destacado incremento dos eventos migratórios –
sobretudo durante o período ditatorial em Portugal (1926-1974) – determinadas práticas culturais
ganharam ânimo. A festa religiosa anual, por exemplo, se apresenta como espécie de evento que
cresceu em dimensões a cada ano. Seja a festa a comunhão ritualizada de uma pertença, sua
análise detida revela não menos que as hierarquias de uma estrutura em atualização no momento
da celebração. Compreender o investimento pessoal dos emigrantes na produção da festa e as
estratégias de retorno passa por entender as relações desenhadas sob a égide do fenômeno do
retorno cíclico. Defendo que a festa é, nessa ocasião determinada, o espaço da concretização dos
projetos emigratórios, lugar da exposição performatizada de papéis almejados e assumidos por
meio da narração de percursos e histórias de vida, âmbito da afirmação pessoal e do crivo
coletivo. Desse modo, a pesquisa busca refletir o caráter cíclico da festa nos quadros da urgência
das atualizações negociadas que a conjuntura opera. Procurarei pensar se o quadro memorativo
      que a aldeia proporciona se relaciona ao leit-motiv do retorno e se a ocasião festiva do reencontro
      promove exercícios de rememoração coletivos que atualizam e reforçam os referenciais comuns.
      Palavras-chave: emigração; memória; transnacionalismo; retorno.


      BRASILEIROS NAS FORÇAS ARMADAS NORTE-AMERICANAS: ENTRE A CIDADANIA
      E A GUERRA
      Thomas Machado Monteiro (NEHO – USP)

      Trata-se de um estudo que visa, de maneira pioneira, investigar a participação de soldados
      brasileiros no exército dos EUA no período de 10 anos a partir dos atentados de 11 de setembro
      de 2001. Nessa década, observamos a confluência de dois fatores: a escalada de contingente
      militar dos EUA, com o pico histórico de imigrantes brasileiros naquele país. Ainda que o
      alistamento constitua uma estratégia para a inserção do imigrante nos EUA, nem todos os
      contemplados pelo projeto se alistaram pelo mesmo motivo. Nesse sentido, o estudo trabalha em
      duas frentes: a realização de um levantamento para quantificar e documentar quantos são, quem
      são, de onde vem esses brasileiros alistados; e a realização de entrevistas de História Oral afim de
      construir documentos calcados nas memórias da guerra.
      Palavras-chave: imigração; nacionalidades; exército; guerra.




Sessão 2: Sábado, dia 12 de novembro, das 9h às 12h30


      POR QUE O ÍNDIO TEM QUE SE SENTIR TÃO ACUADO? A IMIGRAÇÃO DE
      BOLIVIANOS PARA SÃO PAULO
      Júlia Spiguel Favaretto (FFLCH – USP)

      Os deslocamentos populacionais são hoje mais presentes do que nunca na história da
      humanidade. O fluxo internacional de pessoas e a mundialização dos mercados age
      profundamente sobre as formas de pensar, sentir e agir, em especial daqueles que deixam suas
      famílias, sociedades e países em busca de condições de vida digna, sonho que, em muitos casos,
      revela-se ilusório. Em São Paulo, o crescimento da comunidade boliviana vêm sendo
      acompanhado de denúncias de nos meios de comunicação de bolivianos trabalhando em situações
análogas à escravidão em oficinas de costura. Assim, os bolivianos, que tem chegado a São Paulo
desde a década de 1980, estão recentemente ganhando visibilidade associada às condições de
trabalho a que estão submetidos e crimes como tráfico de drogas. Em nossa pesquisa, buscamos
nos próprios bolivianos discursos e interpretações sobre a comunidade de que fazem parte, visto
que qualificações pejorativas “de fora” do grupo, produzidas pela sociedade brasileira, estão se
tornando corriqueiras. É nesse sentido que com esse projeto buscamos ouvir e registrar narrativas
que revelam a migração no nível do humano. Apoiando-nos nas contribuições de Abdelmalek
Sayad, para quem a migração é um fato social total, consideramos os múltiplos aspectos
envolvidos no fenômeno como relações de gênero, arranjos e desarranjos familiares,
representações sociais, discursos e interpretações daqueles que se deslocam sobre o próprio
deslocamento. Em sua obra, entrevistas com argelinos que se deslocaram para a França mostram
a voz da migração, e expressam a irredutibilidade das experiências humanas a teorias gerais. Em
nossa pesquisa, registramos as histórias de vida e as reproduzimos na íntegra, para que a tal
irredutibilidade não desapareça das narrativas. Também objetivamos dar dignidade à comunidade
boliviana, enfatizando suas lutas e sua força para vencer as adversidades, no intuito de romper
com a perspectiva monolítica dos migrantes associados a problemas sociais na sociedade em que
se encontram atualmente. Outro referencial de nossa pesquisa é o sociólogo Boaventura de Souza
Santos, que sinaliza a necessidade de se produzir conhecimentos que questionem a hierarquização
das diferentes formas de saber, em que a racionalidade ocidental se sobrepõe as demais. Para ele,
a hegemonia da racionalidade ocidental é reducionista, pois ela “se considera única, exclusiva, e
não se exercita o suficiente para poder ver a riqueza [epistemológica] inesgotável do mundo.”.
Dessa forma, a História Oral surge como uma prática capaz de inserir o sujeito nos discursos e
interpretações sobre as migrações e garante a análise da inclusão subordinada. Para Silvia
Cusicanqui Rivera, as fontes orais são um instrumento de luta política contra discursos
dominantes, e devem ser utilizadas como versões autorais da realidade, que a interpretam,
teorizam e nos fornecem uma verdadeira visão sociológica da organização, dos valores e das
forças que modelam a sociedade. As fontes orais possibilitam que as vozes não integradas ao
discurso hegemônico e totalizante revelam aspectos obliterados da sociedade passada e presente,
incluindo-as no discurso futuro. Assim, o que vemos surgir nas histórias de vida são discursos de
pessoas cujas realidades vividas na Bolívia estão abaixo de suas expectativas dos narradores,
sejam elas econômicas, culturais ou familiares. As histórias contam a busca por oportunidades de
empregos com melhores salários, de reconstrução de famílias apartadas por diversos motivos,
inclusive pelo deslocamento para outros lugares, em que as remessas de dinheiro para os
familiares que ficaram para trás tem papel fundamental na sobrevivência destes. São narrativas de
trajetórias individuais e familiares de luta por direitos, em que o processo de regularização esbarra
no interesse da sociedade brasileira em manter estrangeiros como mão de obra barata sem custos
para o Estado. São, principalmente, discursos de pessoas que almejam integração social, direitos
de cidadania e, em especial, integração no mundo globalizado.
Palavras-chave: história oral; imigração boliviana; São Paulo; cidadania.



MIGRAÇÕES CONTEMPORÂNEAS: MEDIAÇÕES E SOCIABILIDADES NO TEMPO
PRESENTE
Maicom Mariano (UDESC)

Na década de 1970 o processo de migração e ocupação da região Oeste do Paraná era vivido de
forma intensa e em ritmo acelerado. Esse fenômeno migratório é marcadamente visível na
formação da cidade de Cascavel e responsável por sua característica de maior cidade da
região, situação ainda em evidência. A contrapelo das narrativas lineares, o objetivo deste
trabalho é apreender o processo de ocupação urbana através das experiências de sujeitos
históricos que vivem em Cascavel. Compreender os sentidos e significados que os moradores
constroem acerca de suas participações na construção material da cidade, suas manifestações e
reivindicações no campo da memória, bem como, nas lutas cotidianas.
Palavras-chave: migração; cidades; múltiplas narrativas.


CULTURA E POLÍTICA JUDAICAS NO ESTADO NOVO (1937-1945): ESTEREÓTIPOS E
NOVAS PERSPECTIVAS DE ANÁLISE
Ana Cláudia Pinto Corrêa (PUC – SP; UNIFEG)

No contexto do Estado Novo (1937-1945), em que os “estrangeirismos” eram rechaçados, a
atividade político-cultural judaica se manteve, seja por meio de organizações várias, imprensa,
escolas. Situação complexa, se partirmos da máxima segundo a qual o governo em questão
adotava, senão de forma oficial, mas veladamente, uma política antissemita. Fontes orais –
entrevistas com imigrantes que viveram neste período e participaram ativamente das atividades
acima mencionadas – bem como bibliográficas, nos permitirão surpreender elementos outros que
        compuseram a feição desta história, principalmente a que transcorreu no bairro paulistano do
        Bom Retiro, antigo reduto judaico da cidade de São Paulo.
        Palavras-chave: imigrantes judeus; memória; cotidiano; Estado Novo.


A IMIGRAÇÃO SÍRIO-LIBANESA EM JUIZ DE FORA
        Rodrigo Ayupe Bueno da Cruz (PPGA – UFF)
Tendo em vista o grande volume de imigrantes sírios e libaneses que se estabeleceram na cidade de Juiz
de Fora desde os períodos iniciais do movimento até os dias de hoje, esse trabalho visa analisar o
processo de inserção desses imigrantes nesta sociedade destacando as identidades situacionais abraçadas
por eles nos diversos contextos que marcam a sua interação tanto com os brasileiros quanto dentro da
colônia sírio-libanesa. Diante disso, essa pesquisa utiliza como instrumento analítico a História Oral, já
que nesse processo o status identitário é constantemente reforçado através dos depoimentos orais.
        Palavras-chave: identidade; imigrantes; História Oral.




        A CULTURA ORAL ENTRE O POVO MADEMA E NYUNGWE DE MOÇAMBIQUE
        Antonio Alone Maia (USP)

        O presente trabalho visa apresentar como os deslocamentos populacionais contemporâneos, entre
        o povo Madema e Nyungwe de Moçambique, têm alertado para um perigo de perda da memória
        histórica dos povos em questão, à medida que outras identidades vão se sobrepondo no espaço
        Madema e Nyungwe, devido ao grande foco de projetos de desenvolvimentos implantados na
        região. Esses projetos trazem consigo pessoas de varias procedências, portando cada uma a sua
        cultura. Na interação cultural, a tradição oral que se expressa através das narrativas, enfrenta uma
        incontestável dinâmica de mudança no sistema cultural dos dois povos. A pesquisa tem como
        objetivo geral falar sobre o fenômeno das mudanças culturais entre povos de tradição oral no
        contato com projetos ocidentais no seu espaço geográfico e histórico. Especificamente a pesquisa
        pretende falar sobre os deslocamentos populacionais na província de Tete, onde se encontram o
        povo Madema e Nyungwe e como esses deslocamentos tem afetado diretamente a historia oral e a
        memória da região. As narrativas de tradição oral que antes constituíam um verdadeiro
        reservatório dos valores culturais das comunidades Madema e Nyungwe, hoje estão passando por
        um processo de crise no contato com o novo, que chega como moderno.
        Palavras-chave: mudança cultural; identidade; Madema; Nyungwe.
       HOSPITALIDADE E COMENSALIDADE ENTRE IMIGRANTES BOLIVIANOS NA FEIRA
       KANTUTA NA CIDADE DE SÃO PAULO, A TRAJETÓRIA DE VIDA DE CARLOS
       DANILO SOTO GOMEZ GARCIA
       Graziela Milanese (UAM)

       A pesquisa em desenvolvimento apresenta como objetivo refletir sobre hospitalidade e
       comensalidade entre imigrantes bolivianos na cidade de São Paulo. O local pesquisado é a feira
       Kantuta de Cultura Boliviana que acontece aos domingos, na Praça Kantuta, no bairro do Pari.
       Espaço de acolhimento destes que chegaram do seu país de origem sozinhos ou trouxeram as suas
       famílias, encontram na feira uma oportunidade de vivência da cultura de sua terra natal. O
       presente trabalho tem como objetivo específico contar a trajetória de vida do Sr. Carlos Danilo
       Soto Gomez Garcia, um dos fundadores da feira e atualmente vendedor das Saltenhas Don
       Carlos. A metodologia apoia-se na História Oral e na pesquisa bibliográfica. Apresentam-se como
       resultados a valorização da comensalidade e da cultura boliviana, espaço de sociabilidade e de
       encontro das famílias: “a Kantuta é o Ibirapuera dos bolivianos”.
       Palavras-chave: hospitalidade; comensalidade; imigração boliviana; história oral.


IMIGRAÇÃO POLONESA NO BRASIL – A MEMÓRIA DE DESCENDENTES DE POLONESES
ATRAVÉS DA HISTÓRIA ORAL
       Camila Zaborski (UniABC)
Historicamente, a Polônia é um país que ultrapassa séculos sendo invadida, partilhada e
desgastada politicamente, socialmente e culturalmente. No final do século XIX ocorre no Brasil
o maior fluxo já registrado de imigrantes poloneses, com cerca de 90 mil. Esses imigrantes que
aqui chegam são incentivados pela propaganda dos órgãos governamentais brasileiros, já que
havia acabado de ocorrer a abolição da escravatura em 1888 e era necessário uma forte
substituição na mão de obra escrava. Os poloneses que chegam ao país fundam vilas que mais
tarde se tornariam cidades turísticas no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, fundam
escolas e tentam ao máximo preservar suas tradições através das gerações. Hoje, no século XXI,
buscaremos através da História Oral analisar o quanto da cultura polonesa
permanece preservada no âmbito familiar, mediante quatro entrevistas com imigrantes natos,
filhos de poloneses e netos. A preservação da memória através da História Oral em conjunto
com a análise de alguns autores especialistas no assunto, como Jacques Le Goff, Ecléa Bosi, José
Carlos Sebe Bom Meihy, entre outros, será possível compreender o real motivo que move os
colaboradores das entrevistas a ainda possuir um grande carinho pela cultura polonesa, mesmo
hoje reconstruindo suas vidas na nova terra mãe: o Brasil.
       Palavras-chave: imigração; poloneses no Brasil; memória.
SER CHILENO NO BRASIL: HISTÓRIA ORAL DE VIDA E OS DILEMAS DA
CONSTRUÇÃO DE IDENTIDADE IMIGRANTE
Vanessa Paola Rojas Fernandez (NEHO – USP)

A imigração chilena no Brasil remonta, principalmente, às décadas de 1970, 1980 e 1990, como
consequência da conturbada conjuntura política, econômica e social pela qual passava o Chile
nesta época. Por se tratar de um movimento recente, com personagens vivos, e pela possibilidade
de se explorar aspectos não revelados nos documentos escritos, a história oral de vida despontou
como alternativa para uma pesquisa de mestrado realizada com chilenos residentes na cidade de
Campinas/SP. Além da análise desse movimento migratório em si, apontando sua especificidade
no conjunto de imigrações latino-americanas contemporâneas no país, os dilemas da construção
de identidade imigrante deste grupo, evidenciando o “ser chileno no Brasil”, foi assunto
abordado. Uma breve apresentação desse movimento migratório e de alguns de seus dilemas
constitui o tema desta comunicação.
Palavras-chave: imigração chilena, história oral, memória, identidade.


TRÂNSITO DE IDENTIDADES E DESLOCAMENTOS POPULACIONAIS ENTRE A
BOLÍVIA E O BRASIL
Vanessa Generoso Paes (NEHO – USP; FAPESP)

Este trabalho analisa a questão dos deslocamentos populacionais latinos americanos a partir das
histórias orais de vida de uma família de bolivianos residentes na cidade de São Paulo e de sua
rede social afetiva. Além disso, estabelece um diálogo com as entrevistas dos pesquisadores
bolivianos por meio da história oral temática confeccionada para esta comunicação. Ao utilizar
dois gêneros de historia oral, temos como perspectiva que esta pesquisa contribua para os estudos
migratórios contemporâneos. A problemática central dessa pesquisa é verificar com se dá o
processo de negociação de identidades entre a primeira e segunda geração da família boliviana
escolhida para tal estudo, assim como entender o processo de mediação das identidades dos
emigrantes com a sociedade brasileira. As identidades e as trajetórias de vida são concebidas
como heterogêneas, em processo, em trânsito, articuladas por zonas de contato e trocas culturais.
As memórias dos colaboradores revelaram campos de disputas, manifestam a diversidade e as
ambiguidades das lembranças e esquecimentos. Deste modo, percebemos que as lembranças dos
narradores são reelaboradas e passam por reapropriações culturais nos processo de deslocamento
continental e transfronteiriços no cenário latino americano. Destarte, essa pesquisa explora os
trânsitos e fluxos dos deslocamentos humanos, onde os sujeitos elaboram significados que
expressam seus deslocamentos no tempo/espaço contemporâneo.
Palavras-chave: Identidades, Bolivianos, Negociação, Deslocamentos, História Oral, Trânsitos
Culturais.
GT 02 – História Oral e Gênero
Coordenação: Marta Gouveia de Oliveira Rovai (NEHO – USP) e Marcela Boni
Evangelista (NEHO – USP)

Sessão 1: Sexta-feira, dia 11 de novembro, das 10h às 12h30


      HOMOSSEXUALIDADE                 E   MEMÓRIA:       EXPERIÊNCIAS       HOMOSSEXUAIS           E
      ORGANIZAÇÃO DO DESEJO EM SÃO PAULO
      Ronaldo Trindade (UNINOVE – SP)

      Na pesquisa de campo realizada para a elaboração de minha tese de doutorado, abordei a
      construção histórica da homossexualidade nas últimas décadas do século XX.           Visando a
      reconfiguração dos espaços de sociabilidade, bem como das práticas experimentadas pelos
      homossexuais em tais espaços, recorri à memória de homossexuais que viveram em São Paulo
      nesse período. Por meio de tais lembranças, foi possível perceber rupturas e continuidades, que
      são de suma importância para a compreensão das maneiras pelas quais tais indivíduos
      constituíram suas identidades.


      “RESERVADO”: SOCIABILIDADE HOMOSSEXUAL E LUGAR DE POSITIVAÇÃO DA
      IDENTIDADE
      Pierre Barbosa Venturato (UFF)

      Este ensaio pretende tratar da importância do surgimento dos espaços de sociabilidade
      homossexual como instrumento de positivação da identidade desses grupos. Mostra como se deu
      a iniciativa de criação de um espaço a homossexuais por uma mulher num município da Baixada
      Fluminense-RJ e como esse espaço se tornou um espaço de pertencimento, um canal identitário
      para os homossexuais influenciando a ideia de locais para diversão exclusivos para gays. Os
      participantes desse espaço provinham de um grupo que se formou na época, principalmente por
      afinidades regionais e/ou injunções sociais que os levavam ao “isolamento” em relação à
      sociedade maior. As conclusões apontam como desenvolveram uma forma de sociabilidade que
      teve como característica peculiar produzir encontros nesse espaço, o que possibilitou a formação
      de sólidos laços de solidariedade e positivação de suas identidades.
      Palavras-chave: Identidade, Sociabilidade homossexual.
VIDAS CRUZADAS: TRAJETÓRIAS INDIVIDUAIS, DIFERENÇAS E SEMELHANÇAS
SOCIAIS
Gilson José Rodrigues Junior (PPGA – UFPE; NADIR – USP)

Pretende-se apresentar algumas inquietações suscitadas a partir de uma pesquisa realizada no
Município de Penedo, Sul de Alagoas, que teve como foco o cotidiano de mulheres cujos filhos
estavam sob os cuidados de abrigos para crianças e adolescentes. Através do uso das histórias de
vida, inseridas no universo de um trabalho etnográfico, buscou-se conhecer as narrativas dessas
mulheres, em geral analfabetas, sobre suas trajetórias, construções identitárias e a maneira como
estabeleceram seus laços familiares e redes de solidariedade. Nesse contexto, descortinaram-se
uma multiplicidade de trajetos que guardam suas idiossincrasias sem deixar de se intercambiar.
Dessa forma, buscou-se analisar os fatores objetivos que podem ter influenciado em suas formas
de ser e agir no mundo, sem com isso invisibilizar as questões subjetivas a estes relacionados.
Tencionou-se dar especial atenção às representações, discursos e práticas articulados por essas
mulheres, seja ao falarem de suas trajetórias ou nas negociações estabelecidas com as diversas
instituições – sejam as ligadas ao Estado ou os abrigos – com as quais tiveram de lidar. Para isso,
será necessário compreender que a memória não pode ser pensada enquanto mero relato de
situações passadas, mas sim enquanto maneira de construir o presente a partir de uma
reconstrução do passado. A categoria família, pensada a partir de uma lógica relativista, erigiu
como central, evidenciando que essas mulheres constroem suas morais familiares a partir de
lógicas que não correspondem às hegemônicas, geralmente compartilhadas pelos agentes
disciplinadores, estabelecidas dentro de um campo de disputas que finda por apresentar
homogeneizar determinados padrões de comportamentos e valores morais em detrimento de
outros. Por último, vale salientar, que ao apresentar a histórias das referidas mulheres, pretende-se
refletir acerca das negociações estabelecidas com outras esferas sociais, a partir da realidade
socioeconômica e cultural por elas vivenciadas, que apontam para uma realidade compartilhada
por outros sujeitos nas classes populares.
Palavras-chave: Família; Estado; Abrigos; História de vida; Desigualdade social.




ENTRE A MILITÂNCIA E A MATERNIDADE: IDENTIDADES EM CONSTRUÇÃO DE
MULHERES-MÃES DE JOVENS EM CONFLITO COM A LEI
Marcela Boni Evangelista (NEHO – USP)

A presente comunicação analisa a experiência da maternidade a partir das narrativas de mulheres-
mães de jovens em conflito com a lei, que se tornaram militantes em movimentos sociais depois
do envolvimento de seus filhos com atos infracionais. Tais narrativas são produto de entrevistas
de história oral de vida que foram realizadas com quatro mulheres que atuaram em associações
formadas por mães de crianças e adolescentes em situação de risco. A militância é entendida
como elemento constitutivo de uma nova identidade para estas mulheres. Diferente do
pressuposto socialmente aceito de que os papéis atribuídos às mulheres se restringem a duas
possibilidades excludentes, o de oradora e o de mãe, estas mulheres e suas histórias de vida
demonstram uma nova possibilidade identitária na medida em que incorporam tanto a oradora em
suas atividades militantes, quanto a mãe em sua disposição incondicional em proteger os filhos, a
despeito de sua conflitualidade.       Outro ponto abordado diz respeito ao amor materno
incondicional, o qual é problematizado tendo em vista seu aspecto enquanto construção social ou
tradição inventada, que passa a ser ressignificado na contemporaneidade.
Palavras-chave: Maternidade; Militância; Identidade; História Oral; Violência.


EDUCAÇÃO, DIVERSIDADE SEXUAL E DE GÊNERO E JUVENTUDE: REFLEXÕES A
PARTIR DAS MEMÓRIAS DOS MEMBROS DO E-JOVEM
Alexandre Soares Cavalcante (UFABC)

O trabalho apresenta reflexões acerca do e-jovem, um grupo juvenil construído em torno da
diversidade de gênero e sexual. Em Parceria com o Ministério da Cultura, criou a primeira escola
LGBT do Brasil, como parte do projeto Ponto de Cultura. Busca-se dar visibilidade às histórias,
memórias e trajetórias acerca das identidades e condições de gênero e sexual dos membros desse
grupo. Além disso, o limiar das diferenças entre educação e cultura pode ser problematizado a
partir da experiência do grupo num ambiente da educação não formal. Como essas práticas se
relacionam com a construção dos ideais de cidadania e democracia desse grupo são discussões
que emergem com as reflexões aqui propostas.
Palavras-chave: e-jovem, Educação não formal, Diversidade sexual e de gênero, Grupos juvenis.


“JESUS ME AMA ATÉ NO DARK ROOM”. NARRATIVA DE UM LÍDER EVANGÉLICO
HOMOSSEXUAL ACERCA DE DISCURSOS E PRÁTICAS RELIGIOSAS E SEXUAIS
Eduardo Meinberg de Albuquerque Maranhão Filho (NEHO, LEI, LEER – USP; GEPP – PUC –
SP)

Em 2010, iniciei uma série de entrevistas com fundadores, líderes e membros das comunidades
evangélicas inclusivas LGBTTI (que agregam indivíduos que se identificam como lésbicas, gays,
bissexuais, travestis, transexuais e intersexuais) paulistanas. Estas entrevistas fazem parte de meu
projeto de doutoramento em História – em andamento – pela Universidade de São Paulo (USP), e
      que têm como centro da análise o discurso religioso de comunidades evangélicas contemporâneas
      acerca da afetividade e sexualidade de líderes, membros e frequentadores. Além destas igrejas, a
      pesquisa incide sobre comunidades evangélicas underground, os ministérios de apoio a travestis
      e garotas de programa e os ministérios de reorientação sexual (ou “reversão da
      homossexualidade/resgate da heterossexualidade”). São discursos e problematizações distintas
      sobre temas como a homossexualidade e a prostituição, dentre outros. Associam-se a uma rede de
      tensões que envolve igrejas católica, protestantes históricas, pentecostais e neopentecostais, que
      nas narrativas de homossexuais evangélicos, surgem como agenciadoras majoritárias da
      intolerância de gênero mesclada à religiosa, e supostamente responsáveis pelo florescimento e
      recrudescimento de traumas emocionais acompanhados por sequelas, como a internalização da
      homofobia, o suicídio, a automutilação e outras. A entrevista que menciono no título desta
      comunicação foi realizada como o diácono da ICM (Igreja da Comunidade Metropolitana), Dario
      Ferreira de Sousa Neto, que comenta sobre este assunto e também sobre suas práticas sexuais, que
      apontam para a flexibilização do discurso da igreja sobre o erotismo e afetividade de seus
      membros. Este abrandamento da normatização é explícito na expressão utilizada por Neto, “Jesus
      me ama até no dark room”.




Sessão 2: Sábado, dia 12 de novembro, das 9h às 12h30


      O JOGO DE GÊNERO: ESTRATÉGIAS FEMININAS DE LUTA E MEDIAÇÃO CONTRA OS
      ALGOZES DA DITADURA MILITAR
      Marta Gouveia de Oliveira Rovai (NEHO – USP)

      Durante a Ditadura Militar, forte repressão se abateu sobre operários grevistas, estudantes e
      participantes da luta armada. A maioria dos participantes desses movimentos era formada por
      homens, que sofreram principalmente com as prisões, a tortura, o banimento ou a morte. Muitos
      trabalhos já procuraram falar dessa experiência com relação aos traumas consequentes da
      perseguição. Principalmente depois da aprovação no Senado da Comissão pelo Direito à Memória
      e à Verdade, ganha força o “dever da memória”. Mas pouco ainda se falou sobre as mulheres,
      especialmente daquelas que mesmo sem ter participado diretamente de manifestações ou
      movimentos armados, mantiveram-se em silêncio sobre suas histórias de abandono e de luta, por
      outros meios, contra os algozes de seus filhos, irmãos e companheiros. Neste sentido, busco
     apresentar as estratégias de resistência de um grupo de mulheres, que utilizou justamente do
     imaginário de fragilidade feminina para mediar negociações nas prisões, salvar e garantir o
     retorno do exílio de seus companheiros, transformando os estereótipos femininos em
     performances de gêneros.



     TRAJETÓRIA DE MULHERES MINEIRAS
     Marta Verônica Vasconcelos Leite (Unimontes)

     Trajetória de mulheres norte mineiras é um trabalho resultante de cinco anos de pesquisas,
     entrevistas e produção de textos, com um grupo de trinta mulheres, residentes na cidade de
     Montes Claros-MG, que participaram, ou ainda participam de um grupo de atendimento a terceira
     idade. Montes Claros é uma cidade polo de uma grande região, que agrega migrantes de várias
     partes do norte de Minas, Vale do Jequitinhonha e sul da Bahia. Vinte oito dessas mulheres
     vieram residir nessa cidade trazidas por pais ou maridos. Sentem imensa saudade de sua terra
     natal e o resultado dessas memórias é o retrato desse país.
     Palavras-chave: Norte de Minas; Trajetória; Memória; História Oral; Mulheres.


     NARRATIVAS FEMININAS: SOBREVIVENTES JUDIAS DA SHOAH (1933-1945)
     Lilian Ferreira de Souza (DLO – FFLCH – USP)

     A partir do registro das narrativas orais sobre o Holocausto, pretendemos analisar testemunhos
     que expressem as trajetórias das mulheres sobreviventes do nazismo. Como critério optamos
     pelas narrativas daquelas que passaram por campos de concentração e/ ou trabalho forçados, por
     guetos e/ou atuaram em frentes de resistência como partisans. O foco está nas histórias de vida
     daquelas que escolheram o Brasil como comunidade de destino pressionadas pela política
     antissemita endossada pelo Terceiro Reich e países colaboracionistas que previam a “Solução
     Final” para o povo judeu. Assim o registro dos testemunhos têm como objetivo documentar estas
     narrativas redimensionadas à luz de documentos pessoais. Para nós - intermediários e
     interlocutores - esse exercício de reflexão ajudará a (re)pensar a sociedade que, ainda hoje,
     convive com novos genocídios.
     Palavras-chave: Mulher; Holocausto; História Oral.


A IMPLANTAÇÃO DA ESCOLA PRIMÁRIA GRADUADA EM PRESIDENTE PRUDENTE-SP: AS
CONTRIBUIÇÕES DAS PROFESSORAS PRIMÁRIAS (1925-1938)
        Jorge Luís Mazzeo Mariano (FCT – UNESP)
A pesquisa aborda a participação feminina no processo de implantação do Primeiro Grupo Escolar de
Presidente Prudente, visibilizando, através de relatos orais, as contribuições das professoras primárias. O
presente trabalho se apresenta relevante, na medida em que exibe a ação das professoras no contexto
prudentino — enquadradas no contexto mais amplo de feminização do magistério —, dando provas de
que, mesmo apesar das contingências estabelecidas pelo gênero masculino, algumas mulheres
conseguiram lutar, reivindicar e assegurar direitos.
        Palavras-chave: Professoras primárias; Grupo escolar; Feminização do magistério.


        A IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NA CONSTRUÇÃO DA
        IDENTIDADE FEMININA
        Christiane Evelyn Teixeira Leoncy (FE – UNICAMP)

        A proposta deste trabalho é, utilizando-se a metodologia da História Oral, investigar, a partir das
        histórias de vida de alunas concluintes do ensino Fundamental da Educação de Jovens e Adultos
        (EJA) no município de Hortolândia, SP, o papel que a EJA teve na construção de suas
        identidades. Partindo-se de dados que mostram que as mulheres estão em maior número na EJA,
        abordaremos os fatores desse retorno à escola: que valor as educandas atribuem à educação? As
        determinações sociais de gênero interfeririam em sua relação com a escola? Ao analisar as
        histórias de vida destas mulheres pretende-se fazer uma reflexão crítica sobre a influência do
        processo de escolarização na construção da identidade familiar.
        Palavras-chave: História Oral; Educação de Jovens e Adultos; História de vida; Gênero;
        Identidade.


        POSSIBILIDADES DE DESLOCAMENTOS: INSERÇÃO E RELAÇÕES DE GÊNERO DE
        MULHERES NA CIDADE DE BOA VISTA 1980 E 1990
        Raimunda Gomes da Silva (UERR; PUC – SP)

        O trabalho trata sobre os indícios de possibilidades de deslocamentos de mulheres nordestinas na
        cidade de Boa Vista nas décadas de 1980 e 1990, a partir das colunas “Mulher/Mulher”, do Jornal
        Tribuna de Roraima, “Mulher na Sociedade”, do Jornal Igreja a Caminho e fontes orais. A análise
        das fontes possibilitou observar práticas mais solidárias e igualitárias, além da apropriação de
        novos espaços ocupados pelas mulheres na cidade de Boa Vista, tanto no mercado de trabalho
        quanto nos movimentos, e formação de organizações de mulheres e feminismo.
        Palavras-chave: Deslocamentos; Mulheres nordestinas; Fontes orais; Boa Vista.
EL OCIO COMO ÁMBITO DE INTEGRACIÓN: LA PERCEPCIÓN DE LÃS MUJERES
INMIGRANTES BRASILEÑAS QUE VIVEN MATRIMONIO MIXTO O EN PAREJAS CON
HOMBRES DEL PAÍS VASCO. REFLEXIONES, DESCRIPCIONES Y EXPRESIONES
       Rosely Cubo Pinto de Almeida (Universidad de Deusto – España)
Con el pasaje de más de una década del siglo XXI, están siendo producidos cuestionamientos en la forma
de ser y vivir Del hombre y de concebir y estar en el mundo; concepciones formales de construcción de su
ciudadanía. Se comprende desde esta perspectiva que es imperativo romper la orden de análisis de la
composición del tejido contemporáneo a la hora de investigar los desplazamientos de populaciones
inmigrantes de mujeres brasileñas rumbo a la provincia autonómica de Vizacaya en España por la vía de
la constitución de matrimonio mixto, transnacional o vivir en parejas. Así en este trabajo tratamos de
desvelar la multiplicidad de formas y modalidades, el carácter multidisciplinar y el reconocimiento de La
legítima expresión con que se presenta este fenómeno, investigándolo por La óptica de las propias
mujeres quien son la mayoría en la vivencia del proceso de integración entre Brasil-España. Allá de traer
novedades en términos de la efectiva expresividad de su identidad y las afectivas relaciones entre su
cultura de origen y de destino como forma de integración.
       Palavras-chave: Mujeres brasileñas; Integración; Matrimonio Mixto; Parejas.




GT 03 – História Oral e Relações Disciplinares
Coordenação: Fabíola Holanda (CEHFI – UNIFESP; UNIR; NEHO – USP) e
Márcia Nunes Maciel (NEHO – USP)

Sessão 1: Sexta-feira, dia 11 de novembro, das 10h às 12h30


       CONTE-ME A SUA HISTÓRIA: A HISTÓRIA ORAL ENQUANTO ESTRATÉGIA DE
       APROXIMAÇÃO ENTRE CUIDADOR E IDOSO
       Carla Souza Mota (PPGE – UNIFESP)

       É fato que vem se vivendo o envelhecimento populacional com o aumento da expectativa de vida,
       no Brasil e em diversos países. O Brasil caracteriza-se como um país que não atingiu ainda seu
       pleno desenvolvimento dentro do cenário social. Desse modo, uma mudança como aumento dos
       idosos, é suficiente para trazer à tona a falta de preparo e econômico e social do País. Antes
       mesmo que medidas de âmbito social e de grande escala se estabeleçam, pequenas medidas no
       atendimento entre cuidadores e idosos, podem começar fazendo a diferença. Objetivo: observar
       de que forma todo o processo deste estudo, com a abordagem da História Oral de Vida pode se
       apresentar como um elemento de aproximação entre cuidador e idoso, apresentando assim uma
       importante ferramenta de humanização na relação entre profissional da saúde e paciente. Método:
       trata-se de uma pesquisa descritiva que usou a História oral de Vida, como forma de avaliar o
       quanto esta poderá ser eficaz para aproximar cuidador e idoso, analisando paralelamente seu
impacto na vida de diferentes idosos. Resultados: para tal foram entrevistados sete idosos, cinco
em três Instituições de Longa Permanência e dois que residiam em suas próprias casas, mas com
alguma dificuldade. Cada participante deu duas entrevistas que duraram de 30 min. a 2 horas,
apenas dois realizaram só uma, de acordo com suas escolhas. A participação dos sujeitos na
pesquisa foi de cunho voluntário e preservou-se a privacidade de cada participante. O grupo foi
composto de idosos, homens e mulheres, maiores de 65 anos. Ao todo foram realizadas 12
entrevistas que foram feitas na forma de discurso livre, com o mínimo de interferência do
entrevistador, mas mostrando-lhes atenção e dedicação. Como produto do estudo, entregamos a
cada idoso cinco cópias da sua história de vida em um caderno personalizado, de forma que
pudessem ser distribuídos entre parentes e amigos. Conclusão: percebeu-se que tal abordagem
facilita a geração de vínculo, humanizando não apenas a relação cuidador-idoso, mas também
apresenta-se como elemento terapêutico. Concluiu-se ser possível compreender o papel
transformador e humanizador da História Oral de Vida entre cuidador e idoso.
Palavras-chave: Idoso; Saúde do Idoso; Humanização da assistência; Acontecimentos que mudam
a vida; Entrevistas como assunto.


NARRATIVAS EM SAÚDE E HISTÓRIA ORAL: VIAS PARA UMA FORMAÇÃO
HUMANIZADA
Maria Auxiliadora Craice De Benedetto; Nádia Vitorino Vieira; Fabíola Holanda (CEHFI –
UNIFESP; UNIR)

Neste texto pretendemos abordar as relações entre a história oral e as narrativas em saúde como
possibilidades humanizadoras e de formação. Temas como dor, sofrimento, morte e morrer
representam um lugar comum na prática da saúde, especialmente em cenários de Cuidados
Paliativos. Entretanto, os profissionais jovens da área da saúde e mesmo os estudantes têm grande
dificuldade em lidar com tais temas. Isso é uma decorrência do modelo predominante de ensino e
prática dos cursos dessa área, no qual a ênfase é dada à especialização, à tecnologia e às
evidências científicas e o paciente é visto de forma fragmentada. Prestar atenção às histórias dos
pacientes e compartilhar as histórias que afloram em Cuidados Paliativos pode ser de grande
valia, para ajudar a formar profissionais mais humanizados e comprometidos com o cuidado do
outro.
Palavras-chave: Narrativas; História Oral; Cuidados paliativos.
JOVENS PRIVADOS DE LIBERDADE E O ÁRDUO COTIDIANO NA FUNDAÇÃO CASA:
ONDE O FILHO CHORA E A MÃE NÃO VÊ
Marlene Almeida Ataíde (PUC – SP)

O presente constitui-se parte de um processo de trabalho investigativo, fruto da Tese de
Doutorado defendida em 2008 na PUC-SP. Teve como objetivo conhecer os significados que os
jovens do sexo masculino, na faixa etária de 16 a 20 anos de idade, e, que cumpriram a medida de
internação no ano de 2006, nas Unidades da Fundação CASA, e, no ano de 2007 estavam
cumprindo a medida socioeducativa de liberdade assistida, em instituição social, localizada na
Zona Leste, de São Paulo, atribuem às suas circunstâncias e modos de vida sociofamiliar e
infracional: o delito, a privação da liberdade e o cumprimento da medida socioeducativa de
liberdade assistida, bem como as projeções que fazem para as suas vidas. A pesquisa de natureza
qualitativa desenvolveu-se por intermédio da metodologia da História Oral na perspectiva
sociológica, a partir do relato de vida e das experiências dos jovens, com o objetivo de conhecer
os significados acima referidos, bem como as determinações constitutivas de suas trajetórias. A
categoria juventude foi trabalhada mediante o percurso histórico dos sujeitos nesta fase da vida
humana. Por se tratar de jovens em conflito com a lei devido ao cometimento de ato infracional,
realizou-se uma reflexão sobre o paradigma da Situação Irregular para a Proteção Integral, para
apresentar as diferenças entre ambos no âmbito da política de atendimento a este segmento
juvenil. Foi discutida a questão da violência urbana que abate sobremaneira os jovens,
especialmente aqueles dos segmentos empobrecidos. O estudo final aponta as similaridades dadas
nos modos e condições de vida dos sujeitos investigados, confrontando-as com a vulnerabilidade,
enquanto matriz de análise. Buscou-se, ainda, abordar as políticas públicas direcionadas para o
segmento juvenil, no sentido de subsidiarem uma condição de vida que permita o
desenvolvimento e a promoção do jovem, em específico, daquele oriundo da classe social pobre
nos aspectos econômicos, políticos, culturais e sociais.
Palavras-chave: Juventude; ECA; Medidas socioeducativas; Ato infracional.




O PROJETO “A TERCEIRIZAÇÃO E A JUSTIÇA DO TRABALHO - DIVERSIDADES
REGIONAIS”: RELATO DE UMA EXPERIÊNCIA COM A UTILIZAÇÃO DA HISTÓRIA
ORAL
Magda Barros Biavaschi; Alisson Droppa (IFCH – UNICAMP)

O artigo tem como principal objetivo apresentar a experiência da utilização da metodologia da
história oral na pesquisa “A Terceirização e a Justiça do Trabalho – diversidades regionais que
desde 2007 estuda o papel do Judiciário Trabalhista brasileiro em relação ao enfrentamento do
fenômeno da terceirização. Os entrevistados foram selecionados a partir da sua relevância nos
autos judiciais investigados. Tendo como principal objetivo ampliar as análises sobre a
diversidade da formação dos entendimentos do judiciário trabalhistas, interagindo fontes
primárias (dissídios individuais e ações civis públicas) e depoimentos de atores prestados hoje
sobre o ocorrido no tempo em que foram proferidas as decisões ou construídas as posições
jurisprudenciais dominantes, sobretudo os entendimentos sumulados pelo TST.
Palavras-chave: Terceirização; Papel e celulose; Justiça do Trabalho.


HISTÓRIAS DE VIDA VIOLENTAS NA ATIVIDADE DE CATAÇÃO
Fabiana Sanches Grecco (PPGCS – FFC – UNESP)

Tentando perceber em que medida as análises econômicas e organizacionais sobre a atividade de
catação são determinantes nas trajetórias laborais e de vida dos trabalhadores catadores, partimos
do pressuposto da importância da análise de outras categorias analíticas para a discussão do tema.
Nesse sentido, a violência, sendo observada como algo que permeia essa atividade laboral, bem
como as relações sociais dos catadores, estabelecidas dentro e fora do trabalho, nos apresenta
como algo importante a ser analisado a partir da historia de vida dos trabalhadores catadores de
materiais recicláveis.
Palavras-chave: Catação; Violência; Trabalho.




CONSTRUINDO PERFIL DE CARREIRA CRIMINAL DE UM “JOVEM ASSALTANTE” À
MÃO ARMADA DE MOÇAMBIQUE ATRAVÉS DE HISTÓRIA ORAL
Joaquim Miranda Maloa (PPGS – USP)

Este artigo examina o assalto à mão armada na cidade de Lichinga em Moçambique,
praticado por jovens dos seus dezoito a trinta anos de idade. Tendo como base o meu trabalho de
mestrado intitulado “O lugar da desordem: um estudo sociológico sobre o assalto à mão armada
na cidade de Lichinga em Moçambique,” onde busco através de história oral, construir perfis das
carreiras de vida criminal de seis jovens assaltantes à mão armada. O trabalho de campo foi
realizado em janeiro de 2010, na cadeia provincial de Niassa na cidade de Lichinga. Na verdade,
      o nosso interesse aqui nesse artigo, não é oferecer história de vida de seis “jovens assaltantes,”
      nem muito menos entrar nas controvérsias das suas trajetórias de vidas criminais. Interessa-nos,
      sobretudo aqui reter a história de vida de um jovem como plano de referência para situar como se
      da à construção do perfil de carreira de vida criminal dentro da sociedade moçambicana olhando
      para dois sentidos. Primeiro, através da história oral, perceber como o circuito familiar, escolar,
      de trabalho e de amizade estrutura a promessa de uma mobilidade social nessa sociedade.
      Segundo, procuro entender como as dinâmicas urbanas exercem uma influência para que esses
      jovens “derivam” para o “mundo do crime”.
      Palavras-chave: Perfil de carreira criminal; Jovem; História Oral; Trajetória de vida;
      Moçambique.


Sessão 2: Sábado, dia 12 de novembro, das 9h às 12h30


      HISTÓRIAS DE HISTORIADORES: TRAJETÓRIAS, TRAMAS E MEMÓRIAS DA
      HISTORIOGRAFIA CEARENSE DO SÉCULO XX
      Edmilson Alves Maia Júnior (UECE)

      A presente pesquisa prepara, realiza e analisa entrevistas com professores dos Cursos de História
      da Universidade Federal do Ceará e da Universidade Estadual do Ceará. Nas entrevistas são
      discutidas relações entre Memória e Historiografia a partir da trajetória biográfica e profissional
      de cada entrevistado. Com destaque para a compreensão em cada narrativa dos seguintes pontos:
      a opção pela História; o contexto de formação - autores, debates, lutas; os procedimentos teórico-
      metodológicos realizados na construção de seus objetos de estudo; o entendimento do papel social
      do historiador articulado as tramas políticas vivenciadas; a construção, bem como as vivências,
      das Instituições e espaços de atuação e formação do profissional em História; e temáticas da
      Historiografia Contemporânea. Os objetivos do estudo relacionam-se a montagem de um Acervo
      para auxiliar na pesquisa e reflexão sobre a Historiografia do Século XX no Brasil contribuindo
      como fontes para as áreas da Teoria e Metodologia da História/Ensino de História. Ressalto que
      as entrevistas são produzidas em sala de aula, com a participação dos estudantes, nas disciplinas
      da Área de Teoria da História (Introdução ao Estudo da História, Teoria da História,
      Historiografia Cearense, Historiografia Brasileira). No momento já temos 20 entrevistas, cada
      uma com cerca de duas horas de duração, estando em andamento o trabalho para ampliarmos o
      leque de Instituições e profissionais a serem relacionados na investigação.
      Palavras-chave: Memória; Historiadores; Historiografia; Trajetórias.
       DEDICATÓRIAS: REPRESENTAÇÕES DE PRÁTICAS SOCIOCULTURAIS
       Renata Ribeiro de Moraes (UNESP – Campus de Assis)

       Objetiva analisar a trajetória literária de João Antônio, embasadas pelas relações com escritores
       de seu meio que partilharam pensamentos. Prova disso são os amigos com os quais confabulou e
       protestou, e que nos ensejam testemunhos de amizade entre outros aspectos. As dedicatórias que
       João Antônio recebeu mostram discursos que convergem para o desvendamento de seu Projeto
       Literário. Para compreendê-lo, também atentaremos para os depoimentos de dois escritores: Caio
       Porfírio Carneiro e Fernando Paixão. A partir dos textos das dedicatórias e destas interlocuções,
       mapearemos a construção do Projeto Literário joãoantoniano.
       Palavras-chave: João Antônio; Dedicatórias; Depoimentos de escritores.


       EDUCAÇÃO NO CAMPO NO BRASIL NA DÉCADA DE 1970: MEMÓRIAS DE UMA EX-
       PROFESSORA
       Nildo Batista (IFSULDEMINAS)

       Neste trabalho, a partir da micro-história, vislumbra-se analisar brevemente a educação no campo
       no Brasil na década de 1970 através dos relatos das memórias de uma ex-professora, desta época,
       de escolas das zonas rurais de uma pequena cidade do Campo das Vertentes, região central de
       Minas Gerais. Para isso tomamos como ponto de partida a ideia de que as vivências particulares
       podem acrescentar muito na construção da memória coletiva e procuramos compreender a
       sociedade através do indivíduo, traçando paralelos entre o geral e o particular.
       Palavras-chave: Educação no campo; Memórias; Profissão docente.


FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE MATEMÁTICA: PRIMEIROS PASSOS PARA A
CONSTRUÇÃO DE UMA VERSÃO HISTÓRICA
       Marcelo Bezerra de Morais (UNESP – Campus de Rio Claro)
Propomos apresentar os resultados preliminares de nosso projeto de pesquisa, que almeja compreender e
construir uma versão histórica de como se deu a formação de professores de Matemática na região de
Mossoró (RN), alusivo ao período que antecede o ano de 1974, o qual marcou a criação do mais antigo
curso de licenciatura em matemática da região. Para atingirmos o nosso objetivo, trabalharemos com a
História Oral (temática) como principal metodologia de investigação. Este está inserido em um projeto
maior do GHOEM (Grupo História Oral e Educação Matemática), que visa realizar um mapeamento
sobre a formação de professores de matemática no Brasil.
       Palavras-chave: Educação matemática; História Oral; Formação de professores.
     HISTÓRIA ORAL DAS BANDAS TRADICIONAIS NO CEARÁ: ANÁLISE PRELIMINAR
     DO RELATO DOS SUJEITOS
     Inez Beatriz de Castro Martins (UECE)

     A presente comunicação é uma descrição parcial de pesquisa em andamento que tem por objetivo
     levantar informações históricas, sociais, culturais, educacionais das bandas de música que atuam
     no Ceará por meio dos relatos orais dos sujeitos, entrevista semiestruturada e análise das
     respostas. Os sujeitos entrevistados foram os integrantes da Orquestra de Sopros da UECE que
     tiveram sua formação musical prévia em bandas ainda ativas no Estado. A adoção da metodologia
     da História Oral é bastante pertinente a esse tema haja vista a pouca informação escrita existente
     sobre as bandas levantadas. Esse projeto tem referencial teórico baseado nas áreas de
     etnomusicologia e história cultural.
     Palavras-chave: Bandas de música; História; Oralidade; Análise.


     APROXIMAÇÕES ENTRE CAMPOS DE SABERES: O ENSINO APRENDIZAGEM DE
     PIANO E AS CONTRIBUIÇÕES DA HISTÓRIA ORAL
     Rômulo Queiroz (EM – UFPA)

     O presente artigo visa refletir sobre as contribuições da metodologia da história oral na
     investigação dos índices de aproveitamento dos alunos do Curso Técnico de Piano na Escola de
     Música da Universidade Federal do Pará, em Belém, no período de 2005 a 2008. Com base nas
     entrevistas de alunos e professores, questiona-se o alto índice de não conclusão no mencionado
     curso. Analisar os meandros e os contextos das falas dos entrevistados dialogando com o campo
     da história oral tem evidenciado um salutar debate que enriquece a reflexão sobre o uso de
     metodologias de áreas afins ao crescente campo epistemológico da educação musical. No entanto,
     tem-se o cuidado de evidenciar os limites da prática metodológica reconhecendo os lugares e a
     abrangência de cada área. Fincado nessas premissas, buscam-se as proximidades entre os campos
     da história e da educação musical, mais especificamente a relacionada ao ensino de instrumento.
     Palavras-chave: Ensino de piano; Educação musical; Aproveitamento estudantil; Ensino
     profissionalizante; História Oral.


O QUE ESTÁ ESCRITO QUER DIZER...? SENTIDO PEDAGÓGICO DE PRÁTICAS MUSICAIS EM
BELÉM DO PARÁ NA PRIMEIRA METADE DO SÉCULO XX
     Lia Braga Vieira (UFPA)
Trata-se de pesquisa em andamento. Emergiu da necessidade de olhar o “passado” da educação musical
em Belém a partir de partituras da primeira metade do século XX, de compositores e editoras locais. A
intenção é de melhor compreender a atual educação musical local, a partir do estudo de práticas
musicais/sociais que a sinalizem historicamente. A investigação desses documentos motivou meu
encontro com sujeitos de suas práticas, de quem tenho ouvido experiências, visando apreender de suas
narrativas os modos de ser e viver em seus cotidianos indicativos de aprendizados, que acompanhavam,
mantinham e difundiam as práticas musicais identificadas com as das partituras “consumidas” em Belém
nas primeiras décadas do século XX.
       Palavras-chave: Belém do Pará, História Oral, História cultural, Educação musical.


       ADAPTAÇÃO PROFISSIONAL: TRADIÇÃO E MUDANÇA NO DISCURSO DE K-
       XIMBINHO
       Pablo Garcia Costa (Depto. de Música – UECE)

       Uma fonte de depoimentos de K-ximbinho contém pistas sobre uma época da indústria musical
       além de reflexões do compositor sobre concepções criativas, interpretativas e estratégicas para
       atender demandas comerciais das rádios. Dados sobre como músicos e grupos artísticos pensavam
       a prática e a criação musical. Daí surge uma análise sobre discurso e prática e, no caso de K-
       ximbinho, suas opiniões são defendidas na medida das mudanças do contexto ou prática musical.
       Sua fala revelava críticas, sugestão de mudanças de padrões, mas também ponderação, tornando-o
       capaz de sair de determinado modelo composicional que contrariasse algum cânone do um
       gênero musical Choro.
       Palavras-chave: Tradição; Inovação; Choro; K-ximbinho.


       VIDA ÀS MARGENS: HISTÓRIA ORAL DE VIDA COM PESSOAS QUE VIVENCIAM A
       EXPERIÊNCIA DE IMPACTOS DAS HIDRELÉTRICAS NO RIO MADEIRA
       Márcia Nunes Maciel; Iremar Antônio Ferreira; Xênia de Castro Barbosa; Maria Cristiane
       Pereira de Souza; Rosa Martins Costa Pereira (NEHO – USP; UNIR; UTFRO)

       O presente resumo objetiva comunicar algumas percepções resultantes do projeto de história oral
       em processo de desenvolvimento junto a pessoas que compartilham experiências de impactos do
       Complexo Hidrelétrico, que visa a construção de quatro hidrelétricas na Bacia do Rio Madeira,
       possibilitando navegação fluvial que vai desde os rios Madre de Dios (Peru) e Beni (Bolívia) até
       o Oceano Atlântico. Tal projeto insere-se no conjunto de propostas de iniciativa para a integração
       da Infra-estrutura Regional Sul-Americana (IIRSA). Consideramos o Rio Madeira - no âmbito
       das pesquisas que vimos desenvolvendo junto ao Instituto Madeira Vivo (IMV) - um agregador
       de experiências capaz de promover a criação de comunidades de vida (MEIHY, 2005), ou seja, de
       agrupamentos humanos que partilham uma memória coletiva e elementos identitários que
        favorecem sua organização/mobilização para enfrentar os desafios que vêm à tona com a
        implantação do complexo hidrelétrico. O principal objetivo do projeto que vimos desenvolvendo
        junto ao IMV e a parceiros como o Centro de Hermenêutica do Presente, da Universidade Federal
        de Rondônia é fazer um registro das experiências de vida e a partir dele criar um banco de
        narrativas que possa ser utilizado para pesquisas preocupadas em perceber a trajetória dessas
        pessoas, seus deslocamentos, suas percepções antes e depois das barragens. Na fase em que se
        encontra a pesquisa temos percebido os processos de reinvenções de identidades e tradições
        reafirmadas nos contextos de suas relações coletivas e singulares estabelecidas com o Rio
        Madeira e com as comunidades das quais fazem parte. No acompanhamento de perto dos
        representantes das comunidades que vivem às margem do Madeira envolvidas no processo de
        organização política, foi possível perceber o fortalecimento político para organização e
        mobilização de suas bases, além da motivação da autoconfiança de cada um que se dedica em
        difundir os problemas enfrentados pelas comunidades afetadas. Esse processo de autoconfiança se
        deu no exercício da memória e da história desses indivíduos que representam seus povos e
        comunidades, fenômeno que pode ser relacionado ao que Paul Ricoeur, em sua obra A memória,
        a história, o esquecimento (2007) denominou como potencialidades mnemônicas, que são da
        mesma ordem que as percorridas em Si mesmo com um outro, e consiste na tomada de
        consciência do indivíduo enquanto capaz de se considerar autor de sua história, da autoconfiança
        mesmo na relação com outro. Do eu posso fazer, falar, contar, potencialidades que designam as
        aptidões do ser capaz, reveladas no processo de luta e resistência dos atores sociais envolvidos no
        processo de resistência as Hidrelétricas no Rio do Madeira.
        Palavras-chave: História Oral; Rio Madeira; Identidade; Comunidade.


SABORES E SABERES TRADICIONAIS DA AMAZÔNIA PARAENSE DA RECEITA DE PORCO À
MULHER QUE VIRA PORCA
        Tainá Khalarje (NEHO – USP)
O presente trabalho se trata de um estudo sobre a cultura tradicional alimentar da Amazônia paraense
quanto elemento definidor da identidade deste povo, com a finalidade de discutir lendas, mitologias,
folguedos e demais manifestações a partir de suas relações com a comida (ervas e ingredientes) em seus
contextos histórico, cultural, social e geográfico. Há dois pontos fundamentais: o convívio com a
mitologia viva da Amazônia contemporânea e a inter-relação desta realidade com o ingrediente. Por esta
ser, de fato, a primeira pesquisa voltada ao costume alimentar caboclo, o meio principal e indispensável
para a construção deste trabalho foi a entrevista, por basearmos na história oral de vida de cozinheiros
familiares, pescadores, lideranças indígenas, mestres da sabedoria popular, organizadores de
manifestações populares, e pessoas consideradas referências sobre o seu conhecimento tradicional. A
pesquisa foi realizada in loco, durante expedições à cidade de Belém e arredores, Ilha do Marajó, região
do Baixo Rio Amazonas, Bacia do Araguaia-Tocantins, Amazônia Atlântica, Tribo Tembé e Tribo
Assurini. Foram conservadas todas as gírias, neologismos, coloquialismos e regionalismos em cada um
dos depoimentos. Após as entrevistas, partimos para o preparo dos pratos típicos e estabelecemos as
referidas contextualizações. Por conseguinte, aplicaram-se os dados para a realização do objetivo deste
estudo. Também houve pesquisa bibliográfica sobre cultura, contemporaneidade, gastronomia, nutrição,
história, política, antropologia, arqueologia, medicina, agropecuária e biologia. Além disso, foram
consultados periódicos, documentos, sites e arquivos públicos. Envolveu, ainda, a participação de chefes
de cozinha, jornalistas, fotógrafos e pesquisadores. Pretende-se com este trabalho colaborar para o
fortalecimento e resgate da identidade cultural da Amazônia paraense.
       Palavras-chave: Oralidade; Cultura; Amazônia; Identidade; Gastronomia.



GT 04 – Oralidades, Religiões e Religiosidades
Coordenação: Eduardo Meinberg de Albuquerque Maranhão Filho (NEHO –
USP) e Leandro Seawright Alonso (NEHO – USP)

Sessão 1: Sexta-feira, dia 11 de novembro, das 10h às 12h30


       SÍMBOLOS, SIMBOLOGIAS E MEMÓRIAS ORAIS: DICOTOMIA ENTRE O
       SAGRADO E O PROFANO
       Elis Regina Barbosa Angelo (UFRJ)

       Nesta proposta pretende-se analisar as representações do poder da religião, enquanto região de
       fronteira entre sagrado e profano a partir das questões que se referem ao poder “divino” nos
       sentidos e significados de todo ritual da festa do Divino Espírito Santo, entre eles as insígnias,
       instrumentos e símbolos. Apesar da Igreja não comandar a festa profana, que ao mesmo tempo é
       sagrada, pois, ocorre em parte dentro da Igreja, pode-se dizer que são os rituais que sacralizam os
       símbolos e ao mesmo tempo contribuem para torná-los sagrados. Como exemplos dessa
       transformação estão os símbolos do Divino, que, separadamente são: uma coroa, um ceptro e uma
       bandeira. Neste sentido, serão analisadas as representações simbólicas e suas reelaborações pelos
       protagonistas da festa que emigraram para São Paulo na Zona Leste da cidade em 1950.


       A REVOLUÇÃO SILENCIOSA: A OPÇÃO PELOS POBRES DAS RELIGIÕES DA
       ASSUNÇÃO E A APROXIMAÇÃO AO PERONISMO (1966-1970)
       Angeles Anchou (CONICET – Universidad de Buenos Aires)

       Os estudos sobre as religiosas são escassos e a bibliografia existente tende a considerar suas ações
       como     subsidiárias    às   iniciativas   dos    ramos    masculinos     da    igreja   católica.
       Longe de estar determinada pela hierarquia da igreja local, a comunidade das Religiosas da
Assunção em Buenos Aires projetou, segundo estipulava o Capítulo da Congregação em Roma no
fim de 1965, levar adiante a iniciativa de “não sustentar mais colégios classistas”, num plano de
três anos desde o início de 1966. Nosso objetivo é analisar o processo perante o qual a proposta
inicial de abrir um dos colégios mais oligárquicos da sociedade portenha “a todas as classes
sociais” culminou, no ano seguinte, com a decisão radical de fechá-lo e vendê-lo para construir e
fundar um novo colégio num dos bairros obreiros mais pobres da Grande Buenos Aires.
Atualmente silenciada e esquecida, esta medida comoveu a sociedade da época. As freiras
questionaram nos planos educativos a ordem socioeconômica e influenciaram a dinâmica das
relações interfamiliares da alta sociedade portenha através das alunas. Isto carregava um alto
potencial subversivo à medida em que a iniciativa contagiava os outros colégios religiosos. A
comunidade local conseguiu o apoio da mais alta hierarquia da congregação em Paris, o que
levou a uma nova subdivisão político administrativa em 1970, separando-as da Província
brasileira. A pesquisa está baseada nas comunicações internas da congregação, artigos
jornalísticos da época e o relato da irmã Adela Helguera. Sua história de vida, tanto como ex-
aluna do colégio de elite e vice-diretora do novo colégio do bairro obreiro, é um valioso
testemunho para abordar o processo.




O CARRO DE BOIS, O CAVALO E O AVIÃO: CULTURAS POPULARES
TRADICIONAIS E O PROTESTANTISMO RURAL NA HISTÓRIA DA IGREJA
PRESBITERIANA EM CABECEIRA GRANDE – MG
Lauana Ananias Flor (UMESP)

A ideia de um protestantismo rural é caracterizada pela relação dos crentes com o lúdico e a
familiaridade com o sagrado. Este tipo protestante tupiniquim, genuinamente brasileiro, se
desenvolveu em locais com pouca ou nenhuma resistência por parte do catolicismo, religião
hegemônica no contexto brasileiro e com isso, possibilitou arranjos e rearranjos diferenciados do
protestantismo dito oficial. Este texto versa sobre as definições e usos do protestantismo rural, sua
aplicação como modelo de análise no contexto fundante da Igreja Presbiteriana em Cabeceira
Grande-MG e as relações deste tipo protestante com as culturas populares tradicionais daquela
região. Para tal análise, através da metodologia de pesquisa em história oral e micro-história, o
foco do estudo será aproximado à vida de duas importantes figuras que se destacaram neste
contexto: o lavrador Manoel Moises e a parteira Mãe Bela. Manoel Moises, pioneiro protestante
chega à região em 1947, trazendo a sua mudança em um carro de bois. Com a presença deste
pregador leigo, a comunidade presbiteriana recém-formada na região, recebe a visita dos
primeiros pastores que chegam ali, primeiramente à cavalo e posteriormente de avião, marcando o
início da ação das missões presbiterianas e o estabelecimento do presbiterianismo, culminando
com a construção e inauguração do templo em terreno doado por Mãe Bela, em 1970.


O MEDO E OS INTERDITOS RELIGIOSOS NA MEMÓRIA DAS CRIANÇAS DA
DÉCADA DE 60 EM SÃO PAULO
Isabella Delcorso Mendonça (PUC – SP)

Pensando no medo como forma de dominação do imaginário coletivo nasceu este projeto de
pesquisa para estudá-lo a partir da memória das crianças. Um estudo teórico sobre esta última foi
fundamental para entendê-la e saber como era vista academicamente, até para dar continuidade à
pesquisa. Foi através da História Oral (ligada às questões da Memória social e coletiva) que foi
feita a análise dos conteúdos de como foram escolhidos os entrevistados e seu perfil. Foi
escolhida a década de 60 em São Paulo por ser um período na História de ditadura militar onde as
autoridades controlavam a vida das pessoas e por ser uma época de extrema repressão. O caminho
percorrido na pesquisa foi de um lado o aprofundamento dos conceitos de memória, oralidade e
sociedade e do outro a coleta de dados a partir de entrevistas de pessoas que eram crianças na
década de 60. A análise dessas entrevistas resultou no medo marcado pela autoridade. Dentro e
fora de casa, a época da ditadura ficou marcada na vida dessas crianças através do simples
cotidiano, como na Igreja ou em casa. O medo significou respeito às autoridades estabelecidas. A
autoridade política na época, a qual todos estavam submetidos, era refletida dentro de casa através
do poder autoritário dos pais.


O FUTURO PASSADO: TEMPO HISTÓRICO, DISCURSO RELIGIOSO E
MEMÓRIA NO DISCURSO RELIGIOSO NA AMAZÔNIA
Catarina Maria Costa dos Santos (UFPA)

A entrevista com Edilson Braga missionário batista brasileiro enviado pela Junta de Missões
Batistas do Pará faz parte do corpus documental da dissertação de mestrado sobre a presença dos
batistas brasileiros na Amazônia (1970-1980). Na tentativa de compreender o processo de
      expansão da missão protestante na rodovia Transamazônica no período da ditadura militar, fiz
      algumas perguntas que seriam o fio condutor da conversa com o missionário. Duas entrevistas
      foram realizadas. O resultado apresentado nesta comunicação é uma reflexão sobre este
      testemunho. Fundamentei-me na ideia de que o discurso foi construído a partir da memória sobre
      o tempo vivido e analisei o documento sobre a ótica da reflexão teórica de Reinhart Koselleck na
      obra Futuro Passado: contribuição à semântica dos tempos históricos. Meu objetivo era
      compreender o discurso religioso sobre a expansão da Missão Batista num lugar de fronteira feito
      a Amazônia. Apresentarei nesta comunicação considerações parciais sobre esta reflexão.


      NARRATIVAS PASTORAIS MESSIÂNICAS: MEMÓRIA, IMAGINÁRIO E ORALIDADE
      Leandro Seawright Alonso (NEHO – USP)

      Evidenciamos fragmentos de entrevistas que demonstram narrativas messiânicas integrantes da
      mitoralidade protestante a partir de 1958. Imaginário, e memória coletiva, são elementos
      importantes nessa análise: entre ortodoxos, heterodoxos e a política brasileira. Contrários às
      esquerdas, os protestantes históricos, e históricos renovados, buscaram vencer seus diabólicos
      inimigos por meio dos embates espirituais. Analisamos, portanto, esse imaginário pastoral
      sustentador do chamado Reino de Deus instaurado pelos militares no Golpe de 1964.




GT 05 – História Oral, seus lugares, seus sujeitos: escolas, movimentos sociais
e acervos corporativos
Coordenação: Suzana Lopes Salgado Ribeiro (NEHO – USP; UNIP) e Diógenes
Nicolau Lawand (Memorial da Educação Paulista; NEHO – USP)

Sessão 1: Sexta-feira, dia 11 de novembro, das 10h às 12h30


      A ATUAÇÃO DA SEÇÃO DE PROPAGANDA E EDUCAÇÃO SANITÁRIA: AS PRÁTICAS
      EDUCACIONAIS COMO VEICULADORAS DE HÁBITOS CIVILIZADOS
      Marcelo Flório; Yvone Dias Avelino (PUC – SP)

      O objetivo da comunicação é discutir a proposta higienizadora da Seção de Propaganda e
      Educação Sanitária (SPES), criada no Estado de São Paulo, em 1938. A partir de estudos na área
      de História Oral, as experiências vividas no SPES são desveladas a partir da interpretação de
      lembranças e reminiscências do cotidiano. De acordo com a análise de fontes orais e escritas,
compreende-se que o Serviço Sanitário adotava uma concepção preventiva e educativa de Saúde
Pública, em que o ato de educar era o sinônimo da criação de hábitos e costumes higienizados e
civilizados.


CONTRIBUIÇÕES DA HISTORIA ORAL NA EDUCAÇÃO BÁSICA
Alfredo Oscar Salun; Francisca Eleodora Santos Severino; Vitória Kachar (UniABC)

Esta proposta coletiva está inserida em um projeto desenvolvido na Universidade do Grande
ABC, junto ao Grupo de Estudos Regionais e Pesquisa (GERP), que tem trabalhado com temas
relacionados à oralidade e memória na região do Grande ABC e seu uso como recurso
pedagógico no ensino fundamental. Integram três diferentes trabalhos em um projeto
interdisciplinar: Mídias e tecnologias no contexto educacional; Os mecanismos da violência real
ou simbólica nas relações de ensino e aprendizagem e Festas, tradições e memórias no Grande
ABC. O resultado preliminar desse diálogo tem sido promissor, pois almejamos contribuir com
professores, educadores sociais, gestores e administradores nas várias instâncias da Educação
Formal e não Formal, dando respaldo à comunidade educativa no enfrentamento de alguns
problemas relacionados à violência e autoestima dos alunos. O desdobramento social dessa
proposta poderá ser observado a partir das oficinas as quais estamos propondo gratuitamente em
centros de memória da Região do ABC, no que tange às possibilidades da aplicação da história
oral, fotografia e informática, na preservação da memória regional\local\familiar e como recurso
pedagógico em ambiente educacional, contribuindo para a promoção da cidadania e integração da
escola-comunidade interna e externa. As oficinas abarcam os seguintes passos: 1) O que é
historia oral e seus usos na educação básica, 2) A aplicação dos recursos midiáticos nos trabalhos
com a oralidade e registros fotográficos e, 3) A importância da promoção da autoestima e
cidadania na formação educacional. O ponto inicial dessa proposta coletiva é o projeto ligado ao
Acervo de História Oral e Tradições. A partir da discussão dos PCNs, dos conteúdos de ciências
humanas de temáticas ligadas à valorização do patrimônio sociocultural, relativos à memória,
cotidiano, história oral e regional, realizamos com os graduandos (Pedagogia e História), projetos,
sobre a história da própria família ou de moradores da região.
Palavras-chave: História Oral; Bullying; Educação; Informática.
EMPODERAR          PARA      EDUCAR:        A     (RE)CONSTRUÇÃO           DA     TRAJETÓRIA
EDUCACIONAL DOS ALUNOS DO PROJETO EDUCATIVO DE INTEGRAÇÃO SOCIAL –
PEIS, ATRAVÉS DE SUAS NARRATIVAS
Carlos Roberto Pereira de Souza (LHO – Centro de Memória – UNICAMP)

O Projeto Educativo de Integração Social – PEIS, segmento ligado a Educação de Jovens e
Adultos, traz como mote as ideias pedagógicas de Paulo Freire (Tema Gerador, Círculo de
Cultura). Iniciou suas atividades em 1982, nas dependências da Faculdade de Educação da
Pontifícia Universidade Católica de Campinas – PUC Campinas. Em 1995, o PEIS foi
transferido para a Escola “Carlos Gomes” na área central de Campinas, ali ficando até final de
1998 quando, mudou de sede indo desta vez, em 1999 para o Colégio Técnico da UNICAMP
(COTUCA) onde até hoje permanece. A pesquisa investigou os educandos que frequentavam o
curso superior e que ao mesmo tempo continuavam a frequentar o PEIS. Para isso, recorremos à
Metodologia da História Oral, método qualitativo fazendo uso das narrativas dos educandos, pois
esta metodologia tem como objetivo “dar vozes aos atores sociais envolvidos na investigação”. A
dissertação concentra-se em dois eixos de reflexão: o primeiro, objetiva a compreender o passado
recente e manutenção da longevidade do Projeto e seu papel sociopolítico e pedagógico; e o
segundo eixo refere-se à pesquisa, ao procurarmos investigar a trajetória educacional dos
educandos do PEIS e as contribuições das práticas pedagógicas do Projeto em suas vidas e
atividades profissionais.
Palavras-chave: Empoderamento; Educação de adultos; Educando adulto; Metodologia da
História Oral; Migração.


NAS ENTRELINHAS DOS REGISTROS DAS HISTÓRIAS DE VIDA E MEMÓRIAS
DE EX-NORMALISTAS NO SERTÃO BAIANO: FORMAÇÃO, SABERES E
IDENTIDADE DOCENTE
Rúbia Mara Lapa Cunha (UNEB)

Este texto tem como propósito refletir, registrar alguns momentos da trajetória percurso e as
lembranças das     histórias de vida presentes na formação e memória de ex-normalistas do
Instituto Senhor do Bonfim a partir do recorte temporal de 40/50            demarcando as suas
contribuições para a educação do jacobinense e, ao mesmo tempo elencando as marcas de
sentidos-significados de suas práticas, os indicativos do processo formativo e as vivências.
Visto que, a seleção do Cenário se justifica por ter sido uma das primeiras escolas a ser
implantada no sertão baiano. Portanto, ao escolher as narrativas autobiográficas, busquei realizar
um trabalho que pudesse contemplar a vez e voz ás mulheres do interior que, ao optarem pelo
magistério, no intuito de se firmarem na sociedade e tornarem-se reconhecidas pelos atributos
sociais e morais. Contudo, a condução metodológica do trabalho é a história oral onde o processo
de registro tem como aporte teórico a História Oral temática, numa abordagem qualitativa
estabelecendo pontes para a valorização contextual dos sujeitos históricos a partir das narrativas
das histórias de vida paralelo á rememoração. Ao passo que recorri aos documentos históricos,
principalmente ao Jornal o Lidador da época, fotografias e aos álbuns de normalistas no desejo de
levantar os indicativos do presente com os momentos vividos e as projeções realizadas no
Instituto que se encontram em marcas desse “agir pedagógico’, focalizando a sua identidade
docente no processo formativo e as marcas das lembranças de seu cotidiano com base nas ideias
de Elizeu Clementino, Denise Cattani, Anamaria Bueno. Nessa perspectiva, pretende-se
vislumbrar a educação no intuito de melhor compreender Memórias e Histórias de formação das
Normalistas na Microrregião de Jacobina, cidade do interior do Sertão da Bahia, localizada a 300
km aproximadamente da capital.
Palavras-chave: Histórias de vida; Memórias; História Oral.


INSTITUTO       DE     EDUCAÇÃO          SARAH       KUBITSCHEK:          UMA      INSTITUIÇÃO
CINQUENTENÁRIA EM BUSCA DE SUA PRÓPRIA HISTÓRIA
Luiz Fernandes da Costa (Universidade Estácio de Sá)

Desde 1835 a Escola Normal ocupa lugar de destaque na educação. No Rio de Janeiro foi criada a
primeira Escola Normal brasileira na província de Niterói. Em 1880, o então Distrito Federal
recebe sua Escola Normal, cuja atuação a transforma em referência nacional. Em 1959 foi
fundada a Escola Normal Sarah Kubitschek (ENSK) nas dependências de uma Escola Municipal.
Em 1960 recebe sua primeira sede. A sede definitiva inaugurada em 1974, pelo governador
Chagas Freitas, foi destacada nas manchetes da época como a escola mais equipada e de maior
área na América Latina. Ainda nos anos 70, passa a ser denominada por Instituto de Educação
Sarah Kubitschek (IESK). Nos anos 90, amplia o número de vagas e em 2000 alcança o
quantitativo de 7.281 alunos. A falta de registros dificulta a consolidação da memória
institucional (documentos anteriores aos anos 2000 foram queimados) e esse resgate foi possível a
partir de diferentes relatos de ex-alunos (participaram sete ex-alunos, alguns desses professores
nos dias atuais e uma inspetora dos anos 80) que lembraram (história oral), entre outros aspectos,
o comprometimento dos alunos que ingressaram no Instituto por meio de concurso nas décadas
70/80. Foram também consultados documentos do arquivo particular de alunos, onde se
encontrou fotografias com o uniforme de gala e de vestimentas folclóricas. No IESK, numa
revista de circulação interna de 1970, foi possível verificar que o instituto representava a
Secretaria Estadual de Educação, administrando 44 escolas. Buscou-se triangular os dados
coletados e como resultado verificou-se que o curso Normal oferecido atualmente não prepara os
futuros professores para exercer sua atividade docente. Os participantes compararam passado e
presente, definindo o IESK como uma estrutura que vai se desfazendo. Apontam como retrocesso
a falta de prova de seleção para os alunos, o que contribui para aceitação daqueles que não tem
compromisso com a profissão.
Palavras-chave: Escola Normal; Trajetória; Identidade; História; Memória.


A IMPORTÂNCIA DA UTILIZAÇÃO SIMULTÂNEA DA COLETA DE FONTES
DOCUMENTAIS         E   ORAIS NO ESTUDO   DOS   DESLOCAMENTOS
POPULACIONAIS DO MUNICÍPIO DE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS (1935 A 2005)
Ana Enedi Prince (UNIVAP)

O município de São José dos Campos, localizado na Região do Vale do Paraíba, no Estado de São
Paulo, ao longo da sua história recebeu numerosos migrantes e imigrantes, em momentos
distintos. No início do século XX, em virtude da cidade ter sido considerada como Estância
Hidromineral e Climática, os migrantes chegavam à cidade em busca de tratamento para a
tuberculose pulmonar, pois, na época, a cidade era indicada, por renomados médicos e cientistas,
para o tratamento das moléstias pulmonares. Esse fato é comprovado por documentos escritos, e
também por fontes orais, tais como, depoimentos de seus descendentes, entrevistas gravadas de
terceiros, dentre outros. Na atualidade, a cidade recebe migrantes e imigrantes em função de seu
desenvolvimento tecnológico, encetado a partir dos Anos Cinquenta do século passado, conforme
atestam várias transcrições de entrevistas, coletadas em época mais recente. Nesse contexto, a
história oral, aliada à história documental, nos permitiu conhecer melhor as motivações e aspectos
específicos relacionados com essas mudanças, ocasionadas por contínuos deslocamentos
populacionais para o município de São José dos Campos; também a eventual duração de sua
permanência, ou as razões de sua instalação definitiva na localidade.
Palavras-chave: Fontes orais e documentais; Migração; Imigração; Estância Hidromineral e
Climática; Polo Tecnológico.


EXPERIÊNCIAS DO USO DA HISTÓRIA ORAL NA INVESTIGAÇÃO DA
EDUCAÇÃO JAPONESA DE SANTOS
Rafael da Silva e Silva (UNISANTOS)
Este trabalho visa analisar uso da história oral no campo da história das instituições escolares
através da experiência de estudos anteriores sobre a educação japonesa na cidade de Santos,
litoral do Estado de São Paulo no período de 1908 a 1943. Analisa a possibilidade de trabalhar
com história de vida e história de vida com enfoque temático na educação japonesa. Baseiam-se
principalmente nos trabalhos da autora Zeila de Brito Fabri Demartini, Tomoo Handa e Iroshi
Saito. As considerações finais apontam para a possibilidade do uso de história oral junto com
outros tipos de fontes para a compreensão do ambiente cultural formado no interior das
instituições escolares.
Palavras-chave: Educação japonesa; Santos; História de vida.


CONSTITUIÇÃO HISTÓRICA DA REGIÃO DE ITAIPULÂNDIA (PR) E O USO DA
HISTÓRIA ORAL PARA CONHECER A FORMAÇÃO DOS PROFESSORES DE
MATEMÁTICA
Jean Sebastian Toillier (GHOEM – PPGEM – UNESP – Campus de Rio Claro)

Este trabalho visa mostrar um ensaio de uma pesquisa em construção, na qual, a partir do uso da
História Oral, analisaremos como se deu a formação dos professores de matemática que atuaram
na região do atual município de Itaipulândia. Este município encontra-se na região Oeste do
Paraná e nos concentraremos em três distritos que o formam: Aparecidinha do Oeste, Itacorá e
São José do Itavó. Ele sofreu várias modificações em sua paisagem, principalmente com a
formação do lago de Itaipu, ocasionado pela construção da Hidrelétrica de Itaipu. Dessa forma,
mostraremos uma breve constituição histórica da região em questão, feita por meio de um
levantamento bibliográfico, expondo as várias modificações que ali ocorreram, que abrangem
desde a sua colonização e povoamento, até os anos de construção da Hidrelétrica de Itaipu. Além
disso, faremos também uma exposição de nossas perspectivas no uso da história oral em nossa
pesquisa, a qual se constitui como nossa metodologia de pesquisa. Por meio de entrevistas feitas
com professores de matemática ou outros educadores da região, procederemos usando a
metodologia acima destacada compondo as textualizações a partir das narrativas dos
entrevistados, sendo que as textualizações serão o nosso principal objeto de análise. Assim,
inseridos dentro do projeto maior do Grupo de História Oral e Educação Matemática – GHOEM –
, que visa mapear a formação dos professores de matemática das distintas regiões brasileiras com
o uso da oralidade, pretendemos contribuir, adicionando uma versão sobre o ensino de
Matemática no Brasil, com o que se tem atualmente chamado de História da Educação
Matemática. Portanto, buscaremos mostrar um panorama das ideias que nos cercam e que nos
ajudarão a compreender como se deu a formação dos professores de matemática que atuaram na
região do atual município de Itaipulândia desde 1961 até os anos finais da década de 1980,
      período que abrange tanto o povoamento da região quanto os anos anteriores e posteriores da
      inundação provocada pela formação do lago de Itaipu.
      Palavras-chave: Formação de professores; História Oral; História da Educação Matemática; Oeste
      do Paraná.


Sessão 2: Sábado, dia 12 de novembro, das 9h às 12h30


      HISTÓRIA ORAL E EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS
      Carla Lira Santos (PIC – FE – USP)

      A Educação de Jovens e Adultos (EJA) visa pessoas que foram impedidas de concluir os estudos.
      Ao voltarem à escola, elas vivenciam conflitos entre as lembranças dos primeiros tempos
      escolares e as práticas pedagógicas atuais com as quais nem sempre se identificam. Partindo da
      premissa de que o comprometimento político da História Oral não deve ser desvinculado da
      noção de finalidade, recorremos às memórias dos alunos para compreender melhor suas
      experiências escolares. Sob as perspectivas dos próprios alunos da EJA de Guarulhos, suas
      memórias contribuem para a temática da educação de adultos.
      Palavras-chave: Memória; EJA; Guarulhos.



      RESSENTIMENTO: O TRÂNSITO DE PROFESSORES DURANTE A CRIAÇÃO DA UNESP
      Luciana Schreiner de Oliveira Zanardi (UNESP – Campus de Rio Claro)

      Esta é uma pesquisa em andamento sobre o trânsito de professores durante a criação da UNESP,
      onde foi definida a transformação dos Institutos Isolados do interior de São Paulo em uma
      universidade policamp. Durante sua criação departamentos inteiros foram removidos de
      um campus e instalados em outro ocasionando na transferência de professores, que foram
      obrigados a mudar de cidade. Este tipo de ação tende a ser um poderoso provocador de
      ressentimentos por parte destes professores. A partir da memória oral dos atores envolvidos
      buscaremos atribuir significado às tramas constitutivas dos ressentimentos causados por estas
      transferências.
      Palavras-chave: História Oral; Criação da UNESP; Trânsito de professores; Ressentimento.


      A UTILIZAÇÃO DE RECURSOS AUDIOVISUAIS NAS AULAS DE HISTÓRIA: UMA
      ABORDAGEM ATRAVÉS DA HISTÓRIA ORAL
        Lara Rodrigues Pereira (UDESC)

        O presente artigo é fruto de dissertação em curso do Programa de Pós Graduação em História da
        Universidade do Estado de Santa Catarina. Na pesquisa, que dará origem à futura dissertação,
        tentarei identificar como os professores de História da rede municipal de ensino de Florianópolis
        utilizam o cinema em sua prática quotidiana. Neste artigo apenas introduzirei algumas questões
        que pretendo problematizar a medida que a pesquisa de mestrado for desenrolada, como a
        importância na escolha das questões que montarão o roteiro de pesquisa dos professores que serão
        entrevistados e questões metodológicas e éticas que amparam o uso de fontes orais em trabalhos
        acadêmicos.
        Palavras-chave: Ensino; História; Audiovisual.


HISTÓRIA ORAL DE VIDA: TRAJETÓRIAS DE FORMAÇÃO DE PROFESSORAS DE
EDUCAÇÃO INFANTIL
        Talita Dias Miranda e Silva (USP)
A pesquisa tem por objetivo compreender os processos e percursos de formação de sete professoras de
infância. Adota-se a metodologia qualitativa com um estudo pautado em: história oral de vida e
entrevistas semiestruturadas. Deste modo, buscou-se compreender os percursos de experiências que
explicitam e revelam os processos formativos do desenvolvimento pessoal e profissional destas
profissionais da educação infantil. Com o resultado, espera-se contribuir para evidenciar os significados
das trajetórias de formação de profissionais no campo da educação infantil.
        Palavras-chave: Formação de professores; Histórias de vida; Narrativas de professores;
        Educadoras de infância.


        CONTAR HISTÓRIAS: O CAMINHO PARA MANTER VIVAS AS HISTÓRIAS DO
        AMAZONAS
        José Lino do Nascimento Marinho (UFAM)

        A presente tese é o resultado de estudos desenvolvidos sobre o gesto de contar histórias em sala
        de aula como recurso para manter viva essa tradição, sobretudo na região de Tefé, no estado do
        Amazonas. A partir da percepção do desinteresse das novas gerações, que frequentam a Educação
        Básica, pelas lendas, mitos e contos que sempre foram contados em família ou pelos ribeirinhos,
        nasceu a preocupação em preservar esse gesto popular. Para propor a história na sala de aula,
        considerou-se conveniente conhecer o interesse do professor. Realizou-se, então, uma pesquisa
        secundária, com um questionário fechado, com essa finalidade. Com o objetivo de desenvolver
        atividades capazes de incentivar e manter o interesse de alunos da Educação Básica da região de
        Tefé, sem alienar a sua compreensão de realidade, desenvolveu-se um período de trabalho
       contando histórias e pedindo a posição ou uma avaliação crítica sobre o fato ouvido. A
       metodologia do estudo está na área qualitativa, a partir de um referencial bibliográfico optou-se
       pelo enfoque sob a forma de estudo de caso, situação que admite diferentes técnicas para analisar
       interpretar e compreender o tema. Descortinando o cenário onde a investigação seria realizada,
       promoveu-se sessões de contação de histórias, criadas pelo investigador, coletando impressões
       pessoais e comentários críticos dos ouvintes. Como produto do estudo, pode-se afirmar que os
       adolescentes se interessam por ouvir histórias, na ocasião envolveram-se com os assuntos tratados
       e apresentaram posições críticas diante de questionamentos sociais.
       Palavras-chave: Amazonas; Contação de histórias; Motivação; Preservação.


       PATRIMÔNIO, TRABALHO E EDUCAÇÃO: A HISTÓRIA ORAL SIGNIFICANDO
       LUGARES E PROFESSORES DA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL
       Maria Lucia Mendes de Carvalho (CEETEPS)

       Na busca por desvendar o processo de implementação de cursos ferroviários na educação
       profissional pública no estado de São Paulo, iniciado na década de 1930, descobriu-se a valoração
       do patrimônio ferroviário por professores de um curso técnico em turismo. Este trabalho pretende
       mostrar a importância da história oral como ferramenta metodológica em pesquisas de memórias
       e história da educação profissional, tendo por finalidade apresentar a transcriação da entrevista
       com uma professora do curso Técnico em Turismo, referente às suas práticas escolares e
       pedagógicas na instituição, e a sua contribuição para a preservação do patrimônio cultural e
       tecnológico da ferrovia.




NARRATIVAS, MEMÓRIAS E CULTURA EM TABULEIRO DO NORTE – CEARÁ
       Maria Lenúcia de Moura (FECLESC – UECE)
O trabalho proposto teve como referência a experiência dos sujeitos da cidade de Tabuleiro do Norte–
Ceará, imbuídos na formação da Sociedade Educadora – instituição organizada por munícipes em prol da
construção de uma escola ginasial. A fim de proporcionar a inserção do leitor nas tramas no
desenvolvimento do objeto o contexto no qual os personagens transitaram é exposto, permitindo um
diálogo entre a micro e a macro-história. Focaremos seis entrevistados que fazem parte do cenário
político, educacional e civil. As narrativas apresentaram que os envolvidos incorporaram o discurso
empregado pelos líderes coletivos – as benesses da construção do ginásio - mesmo este não estando
acessível a todos.
ENTRE VOZES E REGISTROS PESSOAIS: HISTÓRIA E MEMÓRIA DE MALBA TAHAN
NA CADES
Juraci Conceição de Faria (UNICAMP)

Esta pesquisa, sob a perspectiva histórica no contexto educacional-cultural, investiga as
potencialidades da prática educativa de Júlio César de Mello e Souza Malba Tahan (1895-1974)
como professor-orientador de cursos de formação de professores de matemática na Campanha de
Aperfeiçoamento e Difusão do Ensino Secundário (CADES), além de lançar luz sobre a História
da Educação Matemática Brasileira no início da segunda metade do século XX. Apoia-se em
fontes históricas escritas e iconográficas recolhidas a partir de pesquisas no Arquivo Malba Tahan
e em fontes memorialísticas de ex-alunos de Malba Tahan da CADES. A aproximação analítica
destas fontes, em particular os cadernos de diários de viagens de Malba Tahan – até então não
estudados pela historiografia brasileira – estimula a reflexão sobre a pedagogia tahaniana e
propostas didáticas para a formação de professores de matemática do nosso tempo.
Palavras-chave: Malba Tahan; Diários de viagens; História Oral; CADES; Formação de
professores de matemática.


CULTURA        DIGITAL     E   NARRATIVA:        SUPORTES       PARA      A   EXPRESSÃO        DE
SUBJETIVIDADES, ESCRITA DE HISTÓRIAS E CONSTRUÇÃO DE IDENTIDADES
Suzana Lopes Salgado Ribeiro (NEHO – USP; UNIP)

No contexto contemporâneo de expansão das tecnologias de informação e comunicação em toda a
sociedade, acontece a popularização dos usos de computadores e da internet, configurando a
emergência do que se denomina cultura digital. A partir desse panorama, pesquisadores e
profissionais das mais diversas áreas de atuação e de campos de estudos interdisciplinares têm
buscado dimensionar e compreender quais são os desdobramentos trazidos por essas mudanças no
cotidiano de sujeitos, grupos e instituições científicas, culturais e educacionais. Nosso
objetivo será discutir as novas perspectivas dos estudos de identidade, memória e narrativa frente
ao uso das novas tecnologias. Isto porque entende-se que é grande a relação entre a cultura digital
e sua maneira de narrar na construção de novas formas de subjetivação e construção identitária.
Dessa forma o trabalho abordará a necessidade de diálogo entre diferentes áreas do conhecimento
para a produção de fontes que possibilitam estudos sobre memória e identidade e que são
resultantes do encontro de várias tecnologias de informação produzidas em nosso tempo pela
cultura digital.
GT 06 – História Oral e Movimentos Sociais
Coordenação: Archimedes de Barros Silva (NEHO – USP) e Glauber Cícero
Ferreira Biazo (NEHO – USP; FIMI)

Sessão 1: Sexta-feira, dia 11 de novembro, das 10h às 12h30


      MEMÓRIA DAS MANIFESTAÇÕES COLETIVAS: O REGIME MILITAR CONTESTADO
      NOS ESPAÇOS PÚBLICOS DO CENTRO DE BELO HORIZONTE (1964-1968)
      Rayanne Nunes Abranches (UFMG)

      A memória, evocação do passado permeada por percepções do presente, é a base da identidade.
      Essa dimensão identitária ocorre, pois, pessoas e sociedades são formadas de memória. Assim,
      essa pesquisa tem por objetivo a análise da memória das manifestações coletivas de contestação
      ao Regime Militar, ocorridas nos espaços públicos da região central da capital mineira, no
      período compreendido entre 1964 a 1968. Através de depoimentos orais, fontes jornalísticas e
      documentos do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS-MG), busca-se uma
      contribuição para a ainda limitada produção historiográfica sobre o assunto, além da preservação
      da memória desses movimentos de contestação e resistência à Ditadura Militar.


      OS ACADÊMICOS DO SALGUEIRO: ORALIDADE, MEMÓRIA, MILITÂNCIA E
      ENGAJAMENTO NAS ESCOLAS DE SAMBA DOS ANOS 1960
      Guilherme José Motta Faria (UFF)

      A virada da década de 1950/60 foi um momento de extrema relevância para a cultura brasileira.
      As manifestações artísticas se revelaram eixos potenciais na difusão de ideias e valores, que
      circulavam pelo mundo, refletindo e sendo apropriados pelos segmentos culturais brasileiros. O
      período foi vivido em um ritmo intenso e de grande efervescência, tanto estética, quanto
      ideológica. A sequência de desfiles entre 1959 e 1971 revelou esse fulgor de criatividade, de
      descobertas e de militância tendo o negro e suas peculiaridade, suas mazelas e suas alegrias
      amplificadas nos sambas e nos desfiles realizados pela escola. Foi a partir do GRES Salgueiro
      que a temática negra entrou no rol dos enredos possíveis. A partir dos relatos de memorialistas,
dos periódicos e dos agentes culturais do GRES Salgueiro, em seus depoimentos procuro resgatar
essa história de engajamento e renoção estética e ideológica.


“MATARAM MINHA FILHA!”: AÇÃO POLÍTICA E SOLIDARIEDADE NA LUTA
CONTRA A IMPUNIDADE
Adriana Marcela Bogado (UFSCar)

A luta para que crimes não fiquem impunes mobiliza milhares de famílias, que reivindicam
justiça no cenário social e político atual, na Argentina. Assim, neste texto abordamos a trajetória
de Graciela Centurión, que desde 2006 luta por justiça pelo assassinato de sua filha. Esta
trajetória foi reconstruída durante uma pesquisa de doutorado em que estudamos a participação
política de mulheres em movimentos sociais contemporâneos na Argentina, sob a ótica de suas
experiências e memórias. Utilizamos como metodologia a História Oral e a Observação
Participante. A trajetória será apresentada na forma de retrato biográfico (portrait), descrevendo
os tempos presente, passado e a projeção em relação ao futuro.


AS MARCAS DE IBIÚNA: AÇÃO E COMPORTAMENTO POLÍTICO DOS ATORES DE 68
Aline Michele Nascimento Augustinho (FCL – UNESP – Campus de Araraquara)

Esta pesquisa compara o comportamento político do ex-militante estudantil de 1968 às suas
escolhas políticas quando adulto, verificando como as prisões decorrentes da participação no
XXX Congresso da UNE em Ibiúna afetam sua trajetória de vida. Tratando-se do Movimento
Estudantil de 1968, movimento político que se articulava clandestinamente, há poucas bases
documentais que expressem sua estrutura e organização, além daqueles elaborados pelos órgãos
de repressão. Assim, a oralidade e a memória são peças chaves para compreender a participação e
o comportamento político em dois momentos históricos distintos a partir do relato e da
reinterpretação dos fatos feitos por cada ator.


INTELECTUAIS,         UNIVERSIDADE          PÚBLICA      E      SOCIEDADE:      MILITÂNCIA           E
TRAJETÓRIAS DOCENTES NA FACULDADE DE FILOSOFIA, LETRAS E CIÊNCIAS
HUMANAS DA USP
Glauber Cícero Ferreira Biazo (NEHO – USP; FIMI)

O presente texto é fruto de uma pesquisa em andamento em nível de doutorado a respeito da
trajetória de vida acadêmica de professores titulares da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências
Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP), em atividade entre os anos de 1979 e
      2010. A pesquisa consiste em compreender a gênese e a trajetória intelectual dos professores
      titulares da FFLCH-USP a partir dos memoriais entregues no ato da inscrição para o concurso de
      titulação (MS-6) e da realização de entrevistas de história oral de vida. A pesquisa procura
      compreender em que medida o percurso acadêmico desses intelectuais foi marcado por
      participações ativas e ou distanciamentos marcantes em relação aos acontecimentos políticos do
      país nos últimos trinta anos.




Sessão 2: Sábado, dia 12 de novembro, das 9h às 12h30


      HISTÓRIA ORAL E ENTREVISTA “SITUADA”: APRENDENDO COM OS CAMPONESES
      DO SERTÃO NORTE DE MINAS GERAIS
      Rosely Carlos Augusto (FAE – UFMG)

      Analisa a história e prática social de lideranças camponesas como locus de aprendizagem em
      trajetórias de engajamento social, no Sertão, de Minas Gerais, nas últimas três décadas. Foram
      entrevistadas lideranças, envolvidas em movimentos sociais de luta por terra e direitos. Suas
      narrativas abordam seus itinerários de vida, trabalho e formação na luta. Trabalhou-se com
      procedimentos híbridos de história oral temática e de tradição oral e desenvolveu-se uma forma
      particular de entrevista “situada”, ao modo de uma conversação, grupal, em seus locais de vida e
      trabalho adequado ao seu mundo cultural, político e de universo linguístico. Suas narrativas
      indicam um intrincado de práticas, que marcam histórias e mudanças coletivas produzindo um
      patrimônio de valores e saberes ecossociais, que vão se incorporando a cada geração de
      lideranças e de lutas sociais. Nesse sentido contexto, texto, narrativas e aprendizagem se
      imbricam.



      SACERDOTE E MILITANTE: RELIGIÃO E POLÍTICA NA TRAJETÓRIA DE PAULO
      TONUCCI (1965-1994)
      Gisele Oliveira de Lima (UFBA)

      Paulo Tonucci foi um padre italiano que chegou no Brasil em 1966, indo trabalhar na periferia de
      Salvador. A supressão da democracia e dos direitos políticos e civis aumentaram os conflitos
      internos já existentes na Igreja, o que se fez fortemente presente no desenvolver do sacerdócio de
      Tonucci, a exemplo da criação de grupos religiosos e políticos – Grupo Moisés, Grupo de
       Evangelização da Periferia, Comissão de Justiça e Paz de Salvador. O objetivo deste trabalho é
       analisar o papel desempenhado pelo sacerdote na relação entre os setores populares e as
       organizações de esquerda e como isso incidiu no processo organizativo das associações de
       moradores e grupos religiosos.




       O COLÉGIO CANADÁ NOS ARQUIVOS DO DEOPS/SP
       José Esteves Evagelidis (LIAME – UNISANTOS)

       A pesquisa tem como tema o Colégio Canadá, de Santos, durante a época da ditadura militar no
       Brasil. É objetivo do estudo reconstituir e analisar a memória do referido educandário, localizado
       na cidade de Santos (SP), entre os anos de 1964 a 1979, por meio dos registros das ações
       realizadas no colégio nos arquivos da “polícia política” do Estado de São Paulo. A pesquisa é de
       natureza documental, descritiva e analítica, de abordagem qualitativa e está sendo feita por meio
       de entrevistas, realizadas com o método da história oral, com sujeitos que viveram experiências
       na escola, relacionando suas histórias de vida às informações contidas nos documentos. As fontes
       documentais se encontram no acervo do Departamento Estadual de Ordem Política e Social
       (DEOPS) de São Paulo.


MEMÓRIAS E RESISTÊNCIAS: OS DEPOIMENTOS DE UANHENGA XITU, RAUL DAVID E
BOAVENTURA CARDOSO SOBRE O COLONIALISMO PORTUGUES EM ANGOLA
       Washington Santos Nascimento (USP)
Esse trabalho pretende analisar ás resistências ao colonialismo português em Angola a partir das
memórias presentes em depoimentos de escritores angolanos da segunda metade do século XX, sobretudo
Uanhenga Xitu, Raul David e Boaventura Cardoso. Enquanto principais interlocutores do povo angolano,
esses escritores deixaram registrados inúmeros depoimentos em revistas, jornais e obras conjuntas
espalhados pelo mundo. A análise dessas memórias nos permite entender o caráter variado, múltiplo e
complexo das resistências dos angolanos ao colonialismo português nos últimos anos do processo
colonizatório, bem como os elementos que construirão o estado independente.


       A VOLTA DA BANDEIRA RUBRO-NEGRA NA VOZ DOS SEUS PROTAGONISTAS: A
       REORGANIZAÇÃO DO MOVIMENTO ANARQUISTA DURANTE O PERÍODO DE
      1980/2000 NOS ESTADOS DE SÃO PAULO, RIO DE JANEIRO, RIO GRANDE DO SUL E
      BAHIA
      Archimedes de Barros Silva (NEHO – USP)

      O presente trabalho é fruto de projeto em andamento em nível de mestrado e de debates em torno
      do tema do anarquismo, no período que abrange o fim da Ditadura Militar e o processo de
      redemocratização e consolidação democrática da sociedade brasileira (1980/2000). Com base
      principalmente em entrevistas de História Oral de Vida, pretende-se abordar a atuação do
      movimento anarquista em um período pouco estudado no campo das Ciências Humanas em nosso
      país. A pesquisa busca resgatar o processo de reorganização do movimento libertário promovido
      por anarquistas em estados que historicamente sempre tiveram importância destacada na atuação
      do movimento como: São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, no período já citado. Além
      disso, destaca-se o estado da Bahia como um fator novo, dado o papel estratégico que os
      anarquistas baianos desempenharam no processo de reorganização do movimento.




GT 07 – História Oral, Identidade e Diversidade
Coordenação: Lourival dos Santos (UFMS; NEHO – USP) e Cássia Milena Nunes
Oliveira (NEHO – USP)

Sessão 1: Sexta-feira, dia 11 de novembro, das 10h às 12h30


      LÁGRIMAS E O "SORRISO" DO DOPS NA FAVELA VILA OPERÁRIA - NARRATIVA E
      ESQUECIMENTO
      Denize Ramos Ferreira (IFCS – UFRJ)

      Desde 2004 pesquisamos sobre a Favela Vila Operária em D. de Caxias, localizada no Estado do
      Rio de Janeiro. Naquele ano, eu ministrava aula de História nesta favela para a 6ª série, atual 7°
      ano. Meus alunos tinham vergonha de morar nesta localidade. Por causa deles fomos buscar as
      memórias sobre a origem da Vila Operária. Elas eram subterrâneas. Começamos a entrevistar os
      habitantes mais antigos, e por indicação, chegamos até Ivete Assis Santos, uma das primeiras
      moradoras que havia participado da ocupação inicial. Teve dois irmãos presos e torturados pela
      polícia politica. As lágrimas no seu depoimento mostram-nos o passado presente. Apresentou-nos
      a Davino Miguel da Rocha, primeiro presidente da Associação de Moradores da Vila Operária.
      Para o DOPS, “SORRISO”. Na Ditadura Civil-Militar, ele foi preso, torturado e hoje vive nesta
      favela em silêncio com suas memórias. Através da História Oral e da documentação da polícia
política do Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro e do Arquivo Público do Estado de São
Paulo, estamos revelando estas memórias que estavam em silêncio.


MEMÓRIAS DE UM PRISIONEIRO DE GUERRA: UMA ANÁLISE HISTÓRICA DA
PARTICIPAÇÃO DO JOSEENSE ELISEU DE OLIVEIRA NA SEGUNDA GUERRA
MUNDIAL
Douglas de Almeida Silva (UNIVAP – Campus de São José dos Campos)

A guerra contra o esquecimento: um soldado na busca por sua identidade social como pracinha da
Força Expedicionária Brasileira (1939-1945). Este estudo é resultado do trabalho de conclusão de
curso intitulado: Memórias de um prisioneiro de guerra, orientado pela Profa. Dra. Valeria
Zanetti, defendido em agosto de 2011 no curso de História da Universidade do Vale do Paraíba –
SP. O Expedicionário Eliseu de Oliveira, natural de São José dos Campos – SP, foi o único
joseense aprisionado pelo exército alemão em 31 de outubro de 1944. No retorno ao Brasil, Eliseu
de Oliveira encontrou uma população hostil e cética à atuação dos febianos na guerra. Movido
pelo espírito reivindicativo, Eliseu concede seu depoimento ao jornalista Altino Bondesan, que
acabou publicado no livro: “Um pracinha paulista no inferno de Hitler, em 1947” (SILVA, 2011;
BONDESAN, 1947). Constatou-se o desrespeito da sociedade por eles, o que os tem levado a
uma busca por cidadania. Portelli (2011; 2010) conceitua este aspecto como “crise de identidade”.
A memória representa a continuidade do grupo e está intrincada com o sentimento de identidade
(PORTELLI, 2011; POLLAK, 1992), o que nos leva a crer que a identidade social dos pracinhas
da FEB está sendo contestada e que o livro “Um pracinha paulista no inferno de Hitler” ofereceu
a Eliseu e aos pracinhas, de forma geral, a oportunidade de mostrar não só a identidade dos
Febianos, como contestou a memória que o Estado construiu sobre eles.
Palavras-chave: Eliseu de Oliveira; Força Expedicionária Brasileira; Pracinha; Memória;
Identidade.




(RE)LEITURA DE UMA HISTORIA ATRAVÉS DE “ESTÓRIAS” DOS CATADORES DE
CARANGUEIJOS         DE    CARIACICA:       DO     INDICIARISMO         A   HISTÓRIA      ORAL
(IDENTIDADE)
João Lucas Côrtes de Sousa; Kenya Ferreira Lopes; Bacellar Mombrini Closs (UFES)

Pensar a construção de uma pesquisa com o objetivo de apreender os modos por meio dos quais
os Catadores de Caranguejos, que atuam no município de Cariacica, elaboram “categorias” que
servem de referencia para organizar suas visões acerca do mundo, nos trás o desafio
metodológico de fazer uma releitura da história dessa população. Este desafio se faz necessário
pela escassez de fontes bibliográficas. O artigo em questão trata-se dos processos iniciais de uma
pesquisa - que faz parte do projeto FAPES - e visa problematizar, a partir de uma visão indiciária:
o foco exacerbado de estudos voltados para assuntos generalistas com uma visão macro que
deixam para segundo plano particularidades como a de nosso objeto de estudo, no caso o
município de Cariacica e a escassez de bibliografia denotando uma possível falta de identificação
da população com o meio em que se vive. As análises foram feitas com base em dados
documentais através de um olhar pautado na sensibilidade aos indícios e com a percepção
etnográfica em relação à busca por esses documentos, encontrando como uma das soluções para
essa escassez a utilização dos recursos metodológicos da história oral. Questionar sobre os
modelos hegemônicos de pesquisa é imprescindível para a obtenção de outros olhares e
abordagens para temas que estão à margem dos estudos acadêmicos. Considera-se que a releitura
através de “estórias” é uma (re)invenção do jeito de se pesquisar essas populações permitindo que
sua voz seja externada, de modo que o que chamamos de visões de mundo dos catadores, mais
especificamente as representações que eles exibem do mesmo, sejam levadas em consideração.
Palavras-chave: Identidade; Indiciarismo; História Oral; Etnografia.


IDENTIDADE, SUBJETIVIDADE E TRANSMISSÃO DE SABERES ENTRE PESCADORES
DA PRAIA GRANDE, EM ARRAIAL DO CABO
Paulo Sérgio Barreto Santos

Em Arraial do Cabo (RJ) existem os pescadores tradicionais no canto da Praia Grande que fazem
a pesca de arrasto, em canoas de um “tronco-só”, realizada por uma “componha” composta por 09
companheiros e o mestre “vigia”. Este último, do alto do morro, com lenço na mão, acena e
gesticula sobre o movimento, a quantidade e as espécies de peixes existentes numa “manta”. São
gerações de pescadores, na faixa etária dos 60-70 anos. Alguns pescam desde os 12 anos de
idades. Este saber-fazer é acumulado, transmitido e assimilado através das gerações de pais e
avôs, aproximadamente, desde o século XIX. Venho acompanhando o seu “Chonca” (mestre
carpinteiro naval) e “Vica” (mestre vigia) e seus companheiros de “componha” inicialmente, em
entrevista aberta, participativa e dialógica - a partir dos relatos orais reveladores da trajetória de
vida e das narrativas individuais e autobiográficas. Com esta pesquisa, objetiva-se compartilhar,
transmitir, dialogar e construir espaços de interpretação e de reflexão que considerem os saberes
tradicionais com os científicos nas ações políticas e de intervenção dos territórios locais. O seu
“Chonca” recebeu, este ano, o “Prêmio” mestre popular da Secretaria do Estado da Cultura do
Rio de Janeiro para transmitir o saber-fazer canoas para 5 filhos de pescadores e, o mesmo, fará
parte do registro e inventário imaterial proposto pelo Iphan/MINC, no Programa “Barcos do
Brasil”. Até a pouco tempo, essas “pequenas histórias de vida” cotidianas e ordinárias – elas
mesmas, não valorizadas, “morriam” pela perda de um “único” membro de uma “comunidade
imaginada”: práticas, saberes, ofícios, modos de ser, de estar e de ver o mundo com suas
narrativas, memórias, imaginários, experiências e subjetividades. Estes pescadores e mestres
relatam que o seu “pedaço do mundo” pode estar escapando entre as mãos devido à constituição
de novas relações sociais advindas da urbanização; turismo de massa; escassez do pescado,
consumo globalizado do capitalismo contemporâneo e, em particular, do desinteresse,
desorganização e desqualificação dos saberes tradicionais da pesca.


A    (RE)CONSTRUÇÃO            DA     IDENTIDADE         PALESTINA         ENTRE      IMIGRANTES
PALESTINOS E DESCENTES EM SANTA CATARINA
Gabriel Mathias Soares (USP)

A formação da identidade nacional palestina é ao mesmo tempo parte de um fenômeno maior de
construção de nações, mas também é marcada de modo peculiar por elementos como
desapossamento, a negação da identidade e a ocupação. A trajetória identitária dos palestinos e
seus descentes em Santa Catarina não foram exceção à relação inconstante com esse conjunto de
referenciais ligados a volátil realidade da Palestina e da luta pela libertação nacional no exterior.
Esse processo trouxe mudanças em relação à consciência de uma identidade palestina e seus
significados, tanto privada quanto publicamente.
Palavras-chave: Imigração; Identidade; Nacionalismo; Diáspora; Redes sociais.


A ORALIDADE COMO AGENTE DE PRESERVAÇÃO DA TRADIÇÃO POMERANA
Gabriel Tebaldi (UFES)

Os imigrantes pomeranos chegaram ao Brasil no século XIX, instalando-se nas regiões Sul e
Sudeste. Diante disso, este estudo objetiva discutir os pomeranos assentados em Santa Maria de
Jetibá (ES). Neste local, conservam a língua, costumes e tradições há mais de um século. Assim,
      este trabalho visa apresentar os traços culturais da religiosidade e analisar a importância da
      oralidade na preservação do ritual do casamento. Para tal, utilizar-se-á da metodologia da história
      oral e da análise de um vídeo-documentário. Destaca-se a ação consciente da comunidade
      pomerana em preservar sua memória.
      Palavras-chave: Pomeranos; Tradição; Oralidade; Rituais; Casamento.


Sessão 2: Sábado, dia 12 de novembro, das 9h às 12h30


      MANUTENÇÃO E EXTINÇÃO DE UMA TRADIÇÃO: A FESTA DE NOSSA SENHORA
      DOS NAVEGANTES, PRAIA DO FORTE, FLORIANÓPOLIS, SANTA CATARINA
      Arlete Assumpção Monteiro (PUC – SP; CERU – USP)

      A comunidade da Praia do Forte localiza-se ao redor da Fortaleza de São José da Ponta Grossa;
      moradores viviam da atividade pesqueira até a década de 1970; implantação de grande
      empreendimento urbanístico, ocasionou a mudança dos pescadores da Praia de Jurerê para a
      vizinha Praia do Forte. As festividades de N. Sra. dos Navegantes foi praticada até 2008, o
      último, um grande evento que durou a semana toda, incluindo apresentação do Boi de Mamão.
      Pesquisa realizada com a metodologia da História Oral desde 2005, complementada através de
      vídeos e fotografias até 2011.




      [SEM TÍTULO]
      Kalliandra de Morais Santos Araujo (UFU; USP)

      Esse artigo tem como objetivo apresentar uma pesquisa responsável pelo Programa de
      Preservação do Patrimônio Histórico Cultural, na qual fizemos entrevistas, fotos e filmagem
      com 420 famílias atingidas por uma barragem no sudeste goiano. O objetivo foi documentar as
      práticas culturais, suas permanências e ressignificações por meio da história oral, de modo a
      registrar a memória com vistas à preservação do patrimônio. Organizamos o material produzido
      em um Centro de Referência (UFU/UFG Universidade Federal de Goiás/ Catalão), divulgamos
      em um livro. O objetivo é relatar o uso da História Oral como principal ferramenta de pesquisa. A
      comunidade que se viu obrigada a recriar "novas margens" para o cotidiano, pois não vivem mais
      nas beiras do Vale do rio São Marcos, o que implica em novas relações de trabalho, vizinhança,
sociabilidade, dentre outras. Por meio desses apontamentos pretende-se elaborar um retorno e
entrevistá-los novamente, para que assim, possamos diagnosticar o que foi planejado e o que é o
vivido pela comunidade não mais ribeirinha.


DISCURSO E PODER: UMA ANÁLISE DA CATEGORIA REMANESCENTE DE
QUILOMBO NOS DISCURSOS MIDIÁTICOS (1997-2011)
Marilea Almeida; Marcelo Brandão; Laura Esperança de Freitas Baptista; Tatiane
Carvalho Rosário (Centro Universitário Geraldo Di Biasi)

A Constituição Federal de 1988, através do artigo 64, criou um sujeito de direito denominado
“remanescente de quilombo” condicionando o direito, a posse da terra, ao pertencimento étnico.
Este acontecimento jurídico favoreceu que comunidades, até então genericamente denominadas
como “comunidades negras rurais”, tivessem que simultaneamente ao se autodenominarem como
remanescente   de   quilombo    também     buscassem     espaços      políticos   para    legitimar   a
autodenominação. A partir de 1990, as comunidades que passaram a se autodenominar como
remanescente   de   quilombo    ganharam      ampla    visibilidade    nos    meios      midiáticos   e
consequentemente utilizaram-se destes meios como espaço de visibilidade e legitimação da sua
condição como remanescente de quilombo. Um exemplo a este respeito é comunidade Negra
Remanescente de Quilombo da Fazenda de São José da Serra, situada na região do Sul
Fluminense do Estado do Rio de Janeiro, que ganhou visibilidade midiática como um grupo que
mantém práticas culturais antigas e um grupo de parentesco, portanto, legítimo como
remanescente de quilombo. Partindo do pressuposto de que os objetos, neste caso a Comunidade
de São José da Serra e categoria remanescente de quilombo, não existem fora dos seus
significados. Este trabalho pretende analisar, no âmbito das relações estabelecidas entre a
comunidade de São José e a mídia, tanto a visibilidade produzida sobre o grupo nos discursos
midiáticos como os efeitos dos significados dos discursos midiáticos do vem a ser um
remanescente de quilombo. A concepção de discurso, que permeia este trabalho, converge com a
que foi proposta Michael Foucault que conceptualiza discurso não como algo que contêm a
“verdade” sobre os objetos de que se refere, mas, sobretudo, como uma prática que atribui
significados aos objetos de que se refere. Sabendo-se que a sociedade produz uma infinidade de
discursos, ou seja, um grande número de significados, e que alguns destes discursos ganham o
status de verdade é necessário, deste modo, compreender as relações de poder que atravessam
processo de seleção destes discursos considerados “verdadeiros” sobre determinados objetos. A
       articulação deste referencial teórico com as fontes consultadas delimitaram as análises, neste
       trabalho, a partir de três eixos. Em primeiro lugar, interessa-nos as condições de possibilidades
       históricas que favoreceram a emergência dos discursos midiáticos sobre a comunidade de São
       José da Serra. O segundo diz respeito aos significados e efeitos dos discursos sobre a comunidade
       de São José, e o terceiro eixo de análise refere-se às implicações políticas destes significados
       “remanescente de quilombo” para os sujeitos que assim se autodenominam.


QUANDO O QUE ERA ESQUECIDO PERMITE O ACESSO A DIREITOS: NOTAS SOBRE
MEMÓRIAS EM PROCESSOS DE RECONHECIMENTO DE COMUNIDADES QUILOMBOLAS
       Rebeca Campos Ferreira (PPGAS – FFLCH – USP)
A partir de um estudo de caso na comunidade quilombola do Carmo (SP), pretende-se empenhar
reflexões sobre construções identitárias. Formada por descendentes de escravos da Província Carmelita
Fluminense, autodesignados Filhos de uma reza só, os atuais moradores se dizem Filhos de Nossa
Senhora do Carmo; contudo, a partir do reconhecimento, devem se colocar enquanto Escravos de Nossa
Senhora do Carmo para que tenham efetivo acesso aos direitos territoriais. Nesse cenário, memórias e
passados servem ao presente como mecanismo de acionamento às prerrogativas constitucionais. A
reflexão se voltará, a partir do caso dos Filhos da Santa, às novas configurações que emergem junto com
os novos sujeitos de direito.
       Palavras-chave:    Comunidades      remanescentes    de   quilombo;    Identidades;    Memórias;
       Reconhecimento étnico.


       HISTÓRIA        ORAL      DE     REMANESCENTES            QUILOMBOLAS:           REDEFININDO
       IDENTIDADES
       Lourival dos Santos (UFMS; NEHO – USP)

       A pesquisa investiga as transformações na identidade de populações negras rurais quilombolas no
       estado do Mato Grosso do Sul, por meio de história oral de vida de lideranças dessas
       comunidades. Damos ênfase nas transformações das práticas religiosas, originalmente ligadas ao
       catolicismo rústico e, agora, fortemente influenciadas pela adesão de grupos nas comunidades, ou
       mesmo de quase toda a comunidade a igrejas evangélicas de várias denominações. A partir do
       decreto presidencial 4887 de 2003, que regulamentou o procedimento para identificação,
       reconhecimento, delimitação, demarcação e titulação das terras ocupadas por remanescentes de
       quilombos, abriu-se polêmica em torno da definição dos termos quilombo e quilombola. Em Mato
       Grosso do Sul, a questão opõe o Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul e a
       Fundação Palmares, órgão vinculado ao Ministério da Cultura. O primeiro emitiu um parecer,
       em 2008, afirmando não reconhecer a presença de qualquer núcleo remanescente quilombola no
       estado. A segunda certificou até 2010 ao menos 13 comunidades como sendo de remanescentes
       quilombolas. No centro da discussão estão as comunidades negras tradicionais, impelidas a se
       definirem para garantirem seus direitos.
       Palavras-chave: Identidade negra; Religião e identidade; Quilombolas.




       ARTE TRADICIONAL MOÇAMBICANA: OS MACONDES, OS MACUAS, OS TSONGAS E
       OS NYNGWES
       Isa Bandeira (PGEHA – USP; CAPES)

       Maputo, situada na África Austral, é capital da República de Moçambique. Com 23.049.621
       milhões de habitantes de acordo com o censo de 2011, Moçambique tem uma área de 799.380
       km² e tem o seu território organizado em províncias. As capitais e suas dez províncias são: Cabo
       Delgado (Pemba), Gaza (Xai-Xai), Inhambane (Inhambane), Manica (Chimoio), Nampula
       (Nampula), Niassa (Lichinga), Sofala (Beira), Tete (Tete), Zambézia (Quelimane) e finalmente
       Maputo (de mesmo nome que a capital). Moçambique tem seu território dividido entre diversos
       grupos étnicos, compostos entre os Macondes, os Macuas, os Tsongas e os Nyngwes, além de
       outros também distribuídos geograficamente. Nesta perspectiva, do conhecimento da arte
       tradicional produzida por estes grupos, a história oral e a sistematização do seu registro tornam-se
       de vital importância na manutenção do próprio sentido de comunidade dos grupos e dos saberes.
       A recuperação desta historiografia deu-se através dos principais pesquisadores sobre o tema quais
       sejam; DIAS, MARTÍNEZ e JUNOT. O acesso a estes estudos pioneiros possibilita hoje o
       conhecimento dos seguintes povos respectivamente: Os Macondes, Os Macuas, Os Tsongas e os
       Nyungwes este último grupo estudado pelo pesquisador MAIA. A arquitetura, a máscara Mapiko,
       as escarificações, as panelas de barro, as ervas medicinais são arte e saberes que nos chegam hoje
       na contemporaneidade constituindo-se testemunho da diversidade e do engenho humano.
       Palavras-chave: História Oral; Identidade; Diversidade; Arte.


PROCESSO DE CONSTITUIÇÃO DA ESCOLA INDÍGENA KARIPUNA E GALIBI-MARWORNO,
NO MUNICÍPIO DE OIAPOQUE
       Reginaldo Gomes da Silva (PUC – SP)
Analisamos o processo de constituição da escola indígena karipuna e galibi-marworno, no município de
Oiapoque, na Terra Indígena Uaçá, a partir da realização das assembleias indígenas (1976), como marco
de rompimento com as políticas assimilacionistas e integracionistas impostas pelo Estado através do SPI
e, posteriormente com a FUNAI, que utilizaram a escola como instrumento para incorporar os indígenas à
sociedade nacional, negando as diferenças culturais que se constituem como sua maior marca identitária.
Para tanto, lançamos mão metodologicamente das memórias indígenas, pois entendemos se tratar de uma
história do tempo presente.
       Palavras-chave: História; Memória; Fronteira; Interculturalidade; Escola.




       TUPINAMBÁS (BRASIL) E CHEROKEES (EUA): IMPRESSÕES PRELIMINARES DE UMA
       ESTUDANTE BRASILEIRA ACERCA DO TEMA EDUCAÇÃO-TRADIÇÃO ORAL EM
       POVOS INDÍGENAS
       Claudia Pimentel Vianna (UERJ)

       O objetivo desta comunicação é apresentar primeiras impressões de processos próprios de
       aprendizagem em Tupinambás (Brasil) e Cherokees (EUA); Guaranis (Brasil) e Sioux (EUA)
       serão referidos como ilustração. Nos dois grupos há alto grau de comprometimento com a
       educação, que se processa nas diferentes relações sociais cotidianas. O ancião é considerado
       sábio; é sua responsabilidade monitorar o desenvolvimento das crianças, transmitindo-lhes
       saberes pela oralidade e descobrindo suas habilidades natas. FERNANDES (1976, apud BESSA
       FREIRE) menciona três valores na educação Tupinambá: “tradição oral”; “ação”; “exemplo”.
       Em “Impressions of an Indian Childhood” (Zitkala-Sa, Sioux – EUA) podemos identificar estes
       mesmos princípios. A educação trazida pelos jesuítas (séc. XVI) é marcada por castigos e
       engessamento de saberes. Surpreenderam-se pelos índios não utilizarem tais castigos, “criavam
       seus filhos viciosamente”, considerando isso “omissão”, “atraso”, “vício”. Segundo mãe
       Guarani: “Mbyá puro não bate na criança. Nunca. Não precisa bater nem brigar, só falar.”. Nos
       EUA, Zitkala-Sa vivenciou experiências similares numa escola (“The School Days of an Indian
       Girl”). Toda esta violência alienante dos saberes/ necessidades indígenas tornou a escola um
       “corpo estranho”. Leonardo Wera Tupã traduz bem isso, comparando a escola a uma
       “embaixada”: “está em território [Guarani] (...) atende aos interesses dos “donos” da escola (...)
       enquanto os Guaranis ocupam o espaço da escola/embaixada estão sujeitos às determinações, às
       leis, à cultura que esta representa.”. Os Cherokees desenvolveram metodologias (facilitadas pelo
       alfabeto de Sequoyah) e conteúdos que atendiam suas necessidades permitindo-lhes ingressar na
       cultura “do homem branco”. A escola compreendida como resgate da cidadania. Guaranis
       resistem, persistem; o idioma Cherokees chega à Internet – tentamos o mesmo. Mais importante
       é agirmos coletivamente pela preservação desses saberes. Uma língua morta é história que se
       fecha, biblioteca que se incendeia. Deveríamos também esta lição aprender com os índios:
       entender a língua como legado. Eles já entenderam, há 500 anos.
       Palavras-chave: Tupinambás; Cherokees; Educação Indígena; Tradição oral.
     LOS PUEBLOS ORIGINARIOS Y EL PASADO ARGENTINO RECIENTE: MEMORIAS
     EXCLUYENTES, DIVERSIDADES INVISIBILIZADAS Y POLÍTICAS GENOCIDAS. UNA
     INVITACIÓN AL DEBATE DESDE LA HISTORIA ORAL
     Horacio Miguel Hernán Zapata (CIESo – Facultad de Humanidades y Artes – Universidad
     Nacional de Rosario – Argentina)

     La sociedad argentina en general, ideologizada desde finales del siglo XIX por la cultura política
     liberal, hizo todo lo posible para ignorar su profunda naturaleza indígena. En la construcción del
     orden republicano, se edificaron los argumentos que justificaron la política de exterminio,
     genocida y etnocida hacia los pueblos originarios que poblaron y pueblan el actual territorio
     nacional. Desde la recuperación democrática en 1983 hasta nuestros días, las trayectorias de los
     pueblos originarios comenzaron a hacerse visibles a través de una serie de demandas concretas,
     en especial gracias a la sanción constitucional de una serie de leyes que enuncian, resguardan y
     fortalecen a las organizaciones indígenas en la lucha por sus derechos humanos, civiles, políticos
     y en general enuncian un mejoramiento de su calidad de vida. Sus reclamos y reivindicaciones
     históricas han suscitado arduas discusiones y distintos posicionamientos, no sólo en los escenarios
     estatales o institucionales, sino a nivel de las organizaciones, movimientos sociales y al conjunto
     de la ciudadanía, generando – entre otras cuestiones – una revisión del campo de la memoria
     colectiva, impugnando las hasta entonces narrativas hegemónicas y fundacionales del pasado
     nacional. Es así que en esta coyuntura de afirmación de los derechos humanos y de la expansión
     de los derechos civiles, sociales y culturales, los grupos indígenas históricamente subalternizados
     intentan revertir, desde diferentes intersticios del discurso dominante, las situaciones de
     sometimiento y dominación, erigiéndose como agentes productores de acciones y discursos sobre
     los procesos de memoria y olvido. En esta dirección, la ponencia recupera algunos de los canales
     de diálogo entre la historia oral, los relatos de los pueblos originarios y el desentramado de los
     andamios que consolidaron ciertas narrativas como verdades indiscutibles, silenciando y negando
     otras experiencias, identidades, territorialidades y saberes.
     Palavras-chave: Pueblos originarios; Historia Oral; Pasado argentino reciente; Políticas
     genocidas; Memoria.




GT 08 – História Oral e Corpo
Coordenação: Elizabeth Stela (Universidade de Columbia; NEHO – USP) e
Marcel Diego Tonini (NEHO – USP)
Sessão 1: Sexta-feira, dia 11 de novembro, das 10h às 12h30


      [SEM TÍTULO]
      Sabrina Pereira Rocha (UNIFESP)

      A Acupuntura visa à terapia e à cura das enfermidades pela aplicação de estímulos através da
      pele, com a inserção de agulhas em pontos específicos. O presente estudo visa realizar um
      levantamento das diversas fases que a acupuntura passou até sua aceitação no meio médico e
      inserção no Sistema Único de Saúde, tomando como base as experiências de vida dos
      profissionais praticantes desta técnica, através da História Oral de Vida desses colaboradores.
      Analisará a aceitação da acupuntura pelos pacientes e os profissionais não praticantes de
      acupuntura, sob o ponto de vista dos profissionais, bem como o posicionamento dos diferentes
      praticantes de acupuntura quanto à necessidade da regulamentação desta prática no Brasil.


      AS TRADIÇÕES NAS ARTES MARCIAIS CHINESAS: O QUE NOS DIZEM AS HISTÓRIAS
      DE VIDA DOS MESTRES BRASILEIROS
      Marcio Antonio Tralci Filho (EEFE – USP)

      Esse trabalho, que será aprofundado em um programa de mestrado, pretende investigar a
      compreensão que os mestres de Kung-Fu brasileiros têm sobre o papel da tradição em suas
      práticas pedagógicas. Para tanto, dialogará com o método das histórias orais de vida, utilizando
      como fontes orais as entrevistas com mestres de Kung-Fu brasileiros, discípulos de mestres
      chineses. Nessa relação mestre-discípulo, as trocas de experiências e considerações sobre a
      tradição se deram, possivelmente, de maneira intensa, permitindo ao brasileiro, captar e
      ressignificar, com sua visão de mundo e aporte linguístico, os conceitos elaborados pelos
      chineses.
      Palavras-chave: Kung-Fu; Tradição; Estudos Culturais; Imigração; Colonialismo.


      [SEM TÍTULO]
      Paulo Nascimento (GEO, GIEF, LUDENS – USP)

      Os Jogos Olímpicos da Era Moderna são, dentre os que almejam tal posto, dos fenômenos
      socioculturais globais de maior repercussão na contemporaneidade. Sua primeira edição, em
      1896, inaugurou o Olimpismo idealizado por Pierre de Coubertin, que via nos Jogos seu principal
meio de divulgação. O desenvolvimento físico aliado ao intelectual, a igualdade de
oportunidades, a excelência, a nobreza, a harmonia entre as nações e a prática esportiva amadora
foram alguns dos preceitos que embasaram o Olimpismo em seus primórdios. Em relação ao
amadorismo, este foi sendo, ao longo da segunda metade do século XX, paulatinamente
substituído pelo profissionalismo, que trouxe em seu bojo um paradoxo em relação às disposições
inaugurais do Olimpismo. Os Jogos Olímpicos tiveram intensificado o seu caráter de espetáculo
na sociedade contemporânea, e o modelo profissional da organização dos Jogos ramificou-se aos
atletas. Concomitantemente ao advento do profissionalismo, reverberaram nos Jogos outras
manifestações sociais que marcaram o “breve século XX”, sendo os movimentos de discussão
sobre raça e gênero dois deles. A maior parte da literatura em Educação Física no Brasil quando
se dispôs a tratar destas questões abeberou-se principalmente de referenciais da biomecânica,
motricidade humana, comportamento motor e fisiologia. Justificativas para isso podem ser a
maior tradição dessas subáreas na Educação Física, os parâmetros higienistas que esta teve por
um período, e o quão recentes os estudos socioculturais são se comparados a estas outras
subáreas. A leitura que foi feita nessa investigação partiu da premissa que são estes fenômenos
sociais, cujos produtos devem ser analisados sob a ótica das Ciências Humanas, seguindo o que é
proposto pela área Sociocultural da Educação Física. Assim, a análise dessa pesquisa se deteve
sobre as questões concernentes à raça, gênero e profissionalismo contidas nas Histórias de Vida
dos medalhistas olímpicos do atletismo. A opção por Histórias de Vida justificou-se pelo
interesse aqui presente em verificar subjetividades, tensões e latências próprias ao discurso oral.
Já o atletismo foi eleito por ser uma modalidade que congrega, dentre as modalidades olímpicas,
significativos exemplos de como emergiram questões sobre raça e gênero no esporte olímpico
brasileiro. O objetivo aqui será buscar compreender como se deu a construção da identidade do
medalhista olímpico brasileiro do atletismo, suas idiossincrasias, como estas singularidades
incidiram sobre suas vidas no atletismo, e a percepção destes sujeitos acerca da condição de atleta
brasileiro medalhista olímpico.


FRAGMENTOS DE UMA HISTÓRIA DO FUTEBOL DE VÁRZEA PAULISTANO (1947-
1977)
Fernando Antonio Abrahao (Centro de Memória UNICAMP)

Este artigo trata do futebol enquanto esporte de lazer e movimento social organizado, um
fenômeno social espontâneo que perdurou assim até os anos de 1960, quando passou a ser
dirigido pelo Estado, por seu alto poder de congregação. A importância dessa temática está clara
nas memórias de fundadores e jogadores de um clube amador de São Paulo que, apoiadas por
fotografias, manuscritos e objetos, nos permitiu compor um acervo que ultrapassa a reconstrução
da trajetória do clube e expõe traços do cotidiano, do lazer, da convivência familiar, das relações
sociais, da formação socioeconômica e das tradições culturais de São Paulo, desde sua fase
industrialista do pós 2ª Guerra Mundial.
Palavras-chave: Futebol de várzea; Freguesia do Ó; São Paulo; Futebol; História.


EM GRAMADOS ALHURES: HISTÓRIAS DE VIDA DE FUTEBOLISTAS NEGROS
BRASILEIROS NO EXTERIOR (PÓS-1990)
Marcel Diego Tonini (NEHO, GIEF, LUDENS – USP)

Esta pesquisa propõe um estudo sobre o fenômeno do racismo e da xenofobia na sociedade
ocidental por meio das histórias orais de vida de alguns futebolistas negros brasileiros que foram
atuar no continente europeu a partir da década de 1990. O conjunto de procedimentos adotados é
o da história oral, mais especificamente aquele praticado pelo Núcleo de Estudos em História
Oral da Universidade de São Paulo. Através da constituição de documentos orais inéditos, em
cujos textos estarão expressas as experiências e memórias da nossa comunidade de destino,
almejamos contribuir para o debate acadêmico relacionando o problema da negritude no futebol
em vista de um contexto social mais amplo, o qual tem como pano de fundo a globalização e as
migrações internacionais.
Palavras-chave: futebolistas negros brasileiros, futebol europeu, história oral, racismo e
xenofobia.
Sessão 2: Sábado, dia 12 de novembro, das 9h às 12h30


      BANDA CABAÇAL DOS IRMÃOS ANICETO: MÚSICA E NARRATIVA DRAMÁTICA
      Elídia Clara Aguiar Veríssimo (UECE)

      Localizada no Crato, cidade caririense, a Banda Cabaçal dos Irmãos Aniceto participa de uma
      diversidade de ocasiões da vida social, tanto de espetáculos profanos quanto de cerimônias
      religiosas. Sua criatividade musical se faz notar desde a confecção de instrumentos com materiais
      extraídos da natureza até a coreografia e a teatralidade de suas apresentações. A produção
      artístico-musical dos músicos-agricultores da Banda Cabaçal dos Irmãos Aniceto atua como
      narrativa dramática, expressando o cotidiano do caboclo caririense de influência rural, de forma
      coletiva e lúdica. Investiga-se a narratividade embutida na música desses músicos-agricultores e
      os gestos, como extensão da oralidade.
      Palavras chaves: Música; Narrativa dramática; Significado social.



      CARETAS: FESTA E PERFORMANCE DOS BRINCANTES DE CARETAS NA CIDADE DE
      JARDIM-CEARÁ – UMA PROPOSTA DE PESQUISA COM HISTÓRIA ORAL
      Ivaneide Barbosa Ulisses (FAFIDAM – UECE; UFMG)

      Pretende-se para o encontro, trazer discussões em torno da História Oral (metodologia) e o
      tratamento da fonte oral a partir da minha dissertação de mestrado, intitulada “Caretas: festa e
      performance dos brincantes de caretas na cidade de Jardim-Ceará” (2004, UFC). Realizamos na
      época da pesquisa, 16 entrevistas com brincantes, ex-brincantes e organizadores da
      festa/brincadeira. Ao nosso ver, mediante as entrevistas foi-nos possível apreender nas suas falas,
      transcrições e análise performances/discursos/narrativas em torno da noção de pertença, ou seja, a
      brincadeira como um lugar de construção de si enquanto careta e, portanto jardinense.
      Palavras-chave: Narrativas; Performance; Brincadeira; Festa.




      ENTRE A ESTÉTICA VOCAL (ATOR) E A ESTÉTICA ESCRITURAL (DRAMATURGO):
      PAUL ZUMTHOR E A ORALIDADE NA IDADE MÉDIA
      Marlene Fortuna (Fundação Cásper Líbero)
        Nada é mais difícil para um ator de teatro, do que se repertorizar para transfigurar as palavras
        “dormentes, imóveis, descansadas” do dramaturgo, em palavras “viventes, móveis, cansadas” do
        intérprete em cena. Os códigos, os ícones, os símbolos para a conquista dessa postura, foram
        capturados e decifrados por nós, sobre as teorias do medievalista Paul Zumthor. O obelisco de
        suas experiências incide em provar que a linguagem oral dos feirantes e mercadores analfabetos
        da Idade Média empatizava os receptores muito mais do que os doutos clericais e os nobres
        aristocratas, que muito sabiam, mas pouco comunicavam, ou seja, a “cultura calada” perdia para a
        “palavra propalada, mesmo inculta”. Nós atores tentamos complexidades ainda maiores: um autor
        de primeira grandeza apela para um ator e um diretor também de excelência. Como dialogar,
        coerentemente, com a trilogia: o senhor da ribalta, com a beleza da oralidade, chega a engolir o
        dramaturgo e as saídas estéticas do maestro da cena: o diretor. São fronteiras localizadas em um
        terreno de areia movediça. O ideal seria que os três fossem extraordinários, daí a instalação do
        “estado de graça” no palco e na plateia.
        Palavras-Chave: Oralidade; Dramaturgia; Intérprete; Direção; Sedução.


A MODIFICAÇÃO CORPORAL NO BRASIL (1980-1990)
     Thiago Ricardo Soares (UNIFIEO)
O ser humano no decorrer de sua história interfere em seu corpo de diversas maneiras e acompanhado
intrinsecamente de múltiplas justificativas. Seja como rito de passagem, como forma de expressar sua
religião, penitência para purificação da alma, punição, privação, como forma de se expressar
artisticamente ou por motivos puramente estéticos. Na história humana, o corpo sempre sofreu alguma
espécie de manipulação. Partindo do pressuposto de que toda cultura é construída, podemos dizer que o
corpo assim também o é, dentro dessa perspectiva, ele é uma construção que varia temporal e
espacialmente. O respectivo trabalho de pesquisa buscou compreender historicamente a “construção” do
corpo através das modificações corporais – tatuagem, piercing, escarificação, implante, entre outras
técnicas – na sociedade brasileira. Este trabalho tem como objetivo entender como e quando a tatuagem, o
piercing, a escarificação, dentre outras manipulações do corpo, “retornam” à nossa sociedade e o impacto
causado por elas. Para realização da pesquisa utilizamos como base análises bibliográficas sobre arte,
corpo e sociedade, as quais estão sendo enriquecidas, então, com entrevistas de profissionais e entusiastas
das práticas das modificações corporais. Vale pontuar que as entrevistas são de suma importância,
justamente pela falta de produção bibliográfica nacional e de documentação específica acerca da temática.
Concluindo, corpos que antes habitavam o espaço das sociedades tradicionais ou o mundo da ficção
científica, sem nos esquecermos do universo onírico, hoje coexistem com a grande massa populacional.
Chifres, escamas, línguas bipartidas, aço e ossos e todo esse quimerismo possibilitado por essas práticas é
o que constitui os sujeitos que compõem o tema aqui pesquisado e são eles que estão em plena atividade
endossando a construção dessa história no Brasil.
        Palavras-chave: Corpo; Modificação corporal; Tatuagem; Piercing; Escarificação.
ENCONTROS INTERCORPOREAIS: UM EXERCÍCIO SOBRE O CORPO NA ENTREVISTA
E NA PERFORMANCE DE DANÇA
Elizabeth Stela (Universidade de Columbia)

Neste exercício curto, eu investigo maneiras de pensar sobre o corpo na história oral, e refletir
sobre a entrevista como um encontro intercorporal. Relaciono a entrevista com as práticas da
dança e da performance, e também reflito sobre algumas conversações informais sobre o corpo
na história oral e na performance. Sinais visuais e sentimentais que comunicam sensação e
sentimento durante a entrevista, as diferenças culturais em gestos e maneiras de movimentar o
corpo, a empatia física e emocional, e mimesis são os tópicos principais que vou examinar. Por
último, eu brevemente relaciono intercorporeidade com uma nova pesquisa sobre “neurônios-
espelho”, ou células cerebrais que disparam tanto quando um primata executa uma ação, como
quando ele observa outro primata executando a mesma ação. Ao longo deste trabalho, de acordo
com o que escreveu Csordas (2008), eu evito usar o termo “linguagem corporal” exceto quando
for empregado por um narrador. Dou preferência aos termos “comunicação corporal” ou
“intercorporeidade” para descrever a transmissão do pensamento que afetam a outros através
de expressão corporal. Ambos os termos enfatizam o que ocorre dentro do corpo e entre os
corpos.
Palavras-chave: Dança; Intersubjetividade; Intercorporalidade; Entrevista; História Oral.




                                                                  PAGE \* MERGEFORMAT 2

								
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