rachel queiroz romance30 by 5GVKxk1

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									 Divide-se o Modernismo em três fases:

1ª. Fase (1922-1930) : mais radical e fortemente oposta a tudo
  que foi anterior. Denominada por alguns críticos: “Fase
  destruidora”.

2ª. Fase (1930-1945): mais amena, que formou grandes
  romancistas e poetas. Aproveitou alguns aspectos da
  1ª fase como os temas nacionais e a busca de uma
  linguagem brasileira.

3ª. Fase (a partir de 1945): também chamada Pós-Modernismo
  por vários autores. Caracteriza-se pela pesquisa estética
  (experimentalismo linguístico), neologismos, prosa poética,
  metalinguagem, dentre outros aspectos.
                O Romance de 30
• Principal expressão: Regionalismo Nordestino.
• Autores representativos: Graciliano Ramos, Rachel
  de Queiroz, Jorge Amado, José Lins do Rego e José
  Américo de Almeida.
• Principais temáticas: seca, coronelismo, cangaço,
  disputa por terras e fanatismo religioso, dentre
  outros.
• Principal representante: Graciliano Ramos
• O Sul é representado por Érico Veríssimo e Dionélio
  Machado.
Contexto Histórico do Romance de 30
•   Crise de 1929 na bolsa de Nova Iorque
•   Crise cafeeira
•   Revolução de 1930
•   Intentona Comunista
•   Estado Novo
•   Ascensão do Nazismo e do Fascismo
•   Combate ao Socialismo
•   2ª Guerra Mundial.
Obra introdutória do Romance de 30: A
              Bagaceira
José Américo de Almeida

                          Foi escritor (romancista,
                          ensaísta,     poeta        e
                          cronista),         político,
                          advogado,       folclorista,
                          professor universitário e
                          sociólogo brasileiro.
                          Lançou em 1928, A
                          Bagaceira, considerado
                          a primeira obra desta
                          fase,    abordando        os
                          temas do Nordeste: a
                          seca, o cangaço e o ciclo
                          açucareiro.
          Rachel de Queiroz (1910-2003)
nasceu em Fortaleza. A instabilidade
decorrente da seca de 1915 fez com que
ela e a família migrassem para o Rio de
Janeiro, em 1917. Depois, a autora volta
ao Nordeste, passando por Belém, antes
de se estabelece em Fortaleza.
          Rachel foi tradutora, escritora,
jornalista e dramaturga. Destacou-se na
ficção nordestina. Sua prosa regionalista
retrata, numa linguagem enxuta e viva, o
Ceará. A autora consegue aliar a
preocupação social à preocupação com
os traços psicológicos das personagens.
Obras de Rachel de Queiroz
                 Sobre Rachel:
• Participou do Partido Comunista Brasileiro.
• Primeira mulher que conseguiu fazer parte da
  Academia Brasileira de Letras.
• Estilo literário: linguagem enxuta (simples), discurso
  direto e psicologismo.
• Temas: seca, êxodo rural, coronelismo, cangaço,
  fome, miséria, religiosidade do sertanejo.
• Gêneros trabalhados: romance, crônica, ensaio,
  teatro e literatura infantil.
             Obras de Rachel
Romances:             Teatro:
• O Quinze            • Teatro Lampião
                      • A beata Maria do Egito
• João Miguel
                      Cônicas:
• Caminhos de Pedra   • A Donzela e a Moura torta
• As três Marias      • 100 crônicas escolhidas
• Dôra, Doralina      Literatura infantil:
• O galo de Ouro      • Andira
Estátua da escritora Rachel de Queiroz em
   Fortaleza, na praça General Tibúrcio
Sinopse de O Quinze

Baseado na obra de Rachel de Queiroz,
o filme articula-se a partir de dois
planos, profundamente ligados entre si.
O plano social, que consiste na
apresentação dos efeitos da seca sobre
os sertanejos, o que é feito de forma
admirável, e o plano individual, baseado
nas experiências de uma moça,
Conceição, que intenta definir sua
identidade         numa         sociedade
patriarcalista. Por isso mesmo, recusa-
se a casar com um jovem proprietário
rural, chamado Vicente, a quem ama,
mas com o qual não está disposta a
viver, porque viver com ele significaria
abandonar o seu mundo urbano e os
seus interesses culturais. É a primeira
atitude feminista de nossa literatura.
        A Obra O Quinze, de Rachel de Queiroz é tão famosa que
acabou por virar um filme, de mesmo nome. Mesmo assim esse filme
infelizmente não ganhou fama, mesmo tendo ganhado no quesito
melhor atriz. O filme foi dirigido por Jurandir Oliveira. Fotos de Chico
Bento e sua mulher Cordulina.
       “Chegou a desolação da primeira fome. Vinha seca e trágica, surgindo no fundo sujo
dos sacos vazios, na descarnada nudez das latas raspadas.
    – Mãezinha, cadê o janta?
    – Cala a boca, menino! Já vem!
    – Vem lá o que!...
    Angustiado, Chico Bento apalpava os bolsos... nem um triste vintém...
    Lembrou-se da rede nova, grande e de listas que comprara em Quixadá por conta do
    Vicente.
       Tinha sido para a viagem. Mas antes dormir no chão do que ver os meninos
chorando, com a barriga roncando de fome.
       Estavam na estrada do Crato e se arrancharam debaixo de um velho pau branco
seco, nu e retorcido, a bem dizer ao tempo, porque aqueles cepos apontados para o céu
não tinham nada de abrigo.
       O vaqueiro saiu com a rede, resoluto:
       – Vou ali naquela bodega, ver se dou um jeito...
       Voltou mais tarde, sem rede, trazendo uma rapadura e um litro de farinha.
       – Tá aqui. O homem disse que a rede tava velha, só deu isso e assim mesmo se
fazendo de compadecido.
       Faminta, a meninada avançou. Contudo, que representava aquilo para tanta gente!
       Horas depois, os meninos gemiam:
       – Mãe, tô com fome de novo...
       – Vai dormir diacho! Parece tá espritado! Seca um quarto de rapadura no
bucho e fala em fome! Vai dormir!”
            Exercício sobre o texto 1
     1) Assinale a ÚNICA alternativa correta. Raquel de Queiroz desenvolve
        nesse romance uma trama que cruza duas histórias:
a. O romance impossível entre Conceição e Vicente e a saga de retirantes da
    família de Chico Bento.
b. A viagem da família de Fabiano, fugindo da seca e a exploração do
    banditismo dos cangaceiros.
c. A decadência dos coronéis sertanejos e o êxodo da família de Sinhá Vitória.
d. A luta entre cangaceiros e a miséria da seca de 1915.

2) Que fala de um dos personagens representa a espoliação ou exploração do
   retirante? Transcreva-a.

3) Esse episódio pode ser entendido como uma crítica social que a autora
    coloca em seu romance? Justifique sua resposta com suas palavras.
       “Encostado a uma jurema seca, defronte ao juazeiro que a foice dos cabras ia
pouco a pouco mutilando, Vicente dirigia a distribuição de rama verde ao gadomagras,
com grandes ossos agudos furando o couro das ancas, devoravam . Reses
confiadamente os rebentões que a ponta dos terçados espalhava pelo chão.
       Era raro e alarmante, em março, ainda se tratar de gado. Vicente pensava
sombriamente no que seria de tanta rês, se de fato não viesse o inverno. A rama já não
dava nem para um mês.
       Imaginara retirar uma porção de gado para a serra. Mas, sabia lá? Na serra,
também, o recurso falta... Também o pasto seca... Também a água dos riachos afina,
afina, até se transformar num fio gotejante e transparente. Além disso, a viagem sem
pasto, sem bebida certa, havia de ser um horror, morreria tudo.
       Uma vaca que se afastava chamou a atenção do rapaz, que deu um grito:
       - Eh! menino, olha a Jandaia! Tange para cá!
       E chamando o vaqueiro:
       - Você viu, compadre João, como a Jandaia tem carrapato? Até no focinho!
       O João Marreca olhou para o animal que todo se pontilhava de verrugas pretas,
encaroçando-lhe o úbere, as pernas, o corpo inteiro:
       - Tem umas ainda pior... Carece é carrapaticida muito... E as reses assim fracas...
       Vicente lastimou-se:
       - Inda por cima do verãozão, diabo de tanto carrapato... Dá vontade é de deixar
morrer logo!”
                               QUEIROZ, Rachel. O Quinze. 28. Ed. Rio de Janeiro: José Olímpio, 1982. p.5
             Exercício sobre o texto 2
1) Qual das expressões ou passagem do texto não apresenta termo regionalista?

a)”A foice dos cabras ia pouco a pouco mutilando”.
b) “Vicente pensava sombriamente no que seria de tanta rês”.
c) “Vicente lastimou-se”.
d) “Inda por cima do verãozão, diabo de tanto carrapato”.
e) “Eh! menino, olha a Jandaia! Tange para cá!”.

2) Leia os termos ou vocábulos abaixo e identifique aquele que apresenta um significado
    inadequado ou errado, de acordo com o texto acima.

a) Cabras: morador ou trabalhador de uma propriedade rural.
b) Reses: animal quadrúpede.
c) Úbere: mama de vaca ou de outra fêmea de animal.
d) Carece: não ter, não possuir.
e) Pasto: erva para alimento do gado; pastagem.
Principal autor do Romance de 30
Graciliano e o Romance de 30
    Biografia – Graciliano Ramos
• Graciliano Ramos de Oliveira (Quebrangulo, 27 de outubro
  de 1892 — Rio de Janeiro, 20 de março de 1953) é
  considerado um dos maiores escritores brasileiros do
  século XX e proeminente representante do Romance de
  30.
• Viveu os primeiros anos em diversas cidades do Nordeste
  brasileiro. Terminando o segundo grau em Maceió, seguiu
  para o Rio de Janeiro, onde passou um tempo trabalhando
  como jornalista. Volta para o Nordeste em setembro de
  1915, fixando-se junto ao pai, que era comerciante em
  Palmeira dos Índios, Alagoas.
• Elegeu-se prefeito de Palmeira dos Índios em 1927, tomando
  posse no ano seguinte. Manteria-se no cargo por dois anos,
  renunciando a 10 de abril de 1930. Os relatórios da prefeitura
  que escreveu nesse período chamaram a atenção de Augusto
  Schmidt, editor carioca que o animou a publicar Caetés
  (1933).
• Entre 1930 e 1936 viveu em Maceió, trabalhando como
  diretor da Imprensa Oficial e diretor da Instrução Pública do
  estado. Em 1934 havia publicado São Bernardo, e quando se
  preparava para publicar o próximo livro, foi preso em
  decorrência do pânico insuflado por Getúlio Vargas após o
  Intentona Comunista de 1935. Com ajuda de amigos, entre os
  quais José Lins do Rego, consegue publicar Angústia (1936),
  talvez sua melhor obra.
• É libertado em janeiro de 1937. As experiências da cadeia,
  entretanto, ficariam gravadas em uma obra publicada
  postumamente, Memórias do Cárcere (1953), relato franco
  dos desmandos e incoerências da ditadura a que estava
  submetido o Brasil.
• Em 1938, publicou Vidas Secas. Em seguida estabeleceu-se
  no Rio de Janeiro, como inspetor federal de ensino. Em
  1945 ingressou no Partido Comunista do Brasil (PCB), de
  orientação soviética e sob o comando de Luís Carlos
  Prestes; nos anos seguintes, realizaria algumas viagens a
  países europeus, retratadas no livro Viagem (1954). Ainda
  em 1945, publicou Infância, relato autobiográfico.
• Adoeceu gravemente em 1952. No começo de 1953 foi
  internado, mas acabaria falecendo em 20 de março de
  1953, aos 60 anos, vítima de câncer do pulmão.
CONTEXTO HISTÓRICO E CULTURAL
• Sua obra literária refere-se à problemática nordestina
  com o seu rosário conhecido de dores, sofrimentos,
  desonestidades, lutas e perseguições que desde sempre
  afligem aquela área.
• Graciliano imprime no que escreve uma visão cósmica
  de tal forma crítica que sua obra é, na realidade,
  universal.
• Ele constrói um clima de tensão envolvendo o homem
  em suas relações com o meio social e o meio natural que
  desemboca num clima de violência trágica e, muitas
  vezes, mortal:
• Seus personagens matam, matam-se, morrem sempre
  em razão da ação do meio hostil em todos os aspectos.
          Informações gerais
• Fez parte do Partido Comunista Brasileiro.
• Sua obra reúne análise sociológica e
  psicológica.
• Partindo da especificidade regional, o autor
  alcança o universal.
• Retrata a condição do sertanejo: fazendeiro
  autoritário, homem explorado socialmente ou
  brutalizado pelo meio.
• Apresenta características naturalistas.
Estilo do leitor

       • Linguagem enxuta,
         rigorosa e bem
         trabalhada.
         Capítulo 1 - Mudança
É a história da retirada de uma família, fugindo da seca. Fazem
parte dela Fabiano, sua esposa Vitória, dois filhos,
caracterizados pelo autor apenas como " menino mais novo" e
"o menino mais velho", e a cachorra Baleia (deve-se lembrar
que o romance fala em seis viventes, contando com o papagaio
que eles comeram por não haver comida por perto). Nesse
capítulo temos a descrição da terra árida e do sofrimento da
família. As personagens não se comunicam; apenas duas vezes
o pai, irritado com o menino mais velho, xinga-o. Essa falta de
diálogos permanece por todo o livro, como também a intenção
de não dar nome às crianças, para caracterizar a vida
mesquinha e sem sentido em que vivem os retirantes, que não
têm consciência de sua situação, embora, ainda nesse primeiro
capítulo, Fabiano e Vitória sonhem com uma vida melhor:
  "Sinhá Vitória, queimando o assento no chão, as moas
  cruzadas segurando os joelhos ossudos, pensava em
  acontecimentos antigos que não se relacionavam: festas de
  casamento, vaquejadas, novenas, tudo numa confusão”.

• Mais adiante é Fabiano quem sonha:
  "Sinhá Vitória vestiria uma saia larga de ramagens. A cara
  murcha de sinhá Vitória remoçaria, as nádegas bambas de
  sinhá Vitória engrossariam, a roupa encarnada de sinhá
  Vitória provocaria a inveja das outras caboclas ... e ele,
  Fabiano, seria o vaqueiro, para bem dizer seria o dono
  daquele mundo... Os meninos se espojariam na terra fofa
  do chiqueiro das cabras. Chocalhos tilintariam pelos
  arredores. A caatinga ficaria verde”.
    Obras de Graciliano
•   Caetés – romance
•   São Bernardo – romance
•   Angústia – romance
•   Vidas secas – romance
•   Infância – memórias
•   Dois dedos – contos
•   Insônia – contos
•   Memórias do cárcere – memórias
•   Linhas tortas – crônicas
•   Viventes das Alagoas – crônicas
•   Alexandre e outros heróis - contos
•   Cartas - correspondência pessoal.
Capítulo 9 – Baleia

Conta a morte da cachorra. Caíra-lhe o pêlo, estava pele e
ossos, o corpo enchera-se de chagas. Fabiano resolve matá-la
para aliviar os sofrimentos dela. Os filhos percebem a situação,
magoados e feridos por perderem um “irmão”: "Ela era como
uma pessoa da família: brincavam juntos os três, para bem
dizer não se diferenciavam...“
Já ferida, com os demais membros da família chorando e
rezando por ela, Baleia espera a morte sonhando com outro tipo
de vida: "Baleia queria dormir Acordaria feliz, num mundo
cheio de preás. E lamberia as mãos de Fabiano. um Fabiano
enorme. As crianças se esposariam com ela, rolariam com
ela num pátio enorme, num chiqueiro enorme. O mundo
ficaria todo cheio de preás gordos, enormes.”
Percebe-se, aliás, que dos seis componentes da família, Baleia
é quem, ao lado de Vitória, com maior clareza, consegue
elaborar seus devaneios.
O filme é de 1963, dirigido por
Nelson Pereira dos Santos,
baseado no romance Vidas
secas de Graciliano Ramos.
Trata da trajetória de uma
família de retirantes composta
por Fabiano, Sinhá Vitória, o
menino     mais      velho,   o
menino mais novo e a
cachorra        Baleia,     que
atravessam o sertão em busca
de meios para sobreviver.
Imagem do filme Vidas Secas
                               CANDIDO PORTINARI,
                               Retirantes (Retirantes), 1944
                               Óleo s/ tela 190 x 180 cm.
                               Col. Museu de Arte de São
                               Paulo Assis Chateaubriand
                               São Paulo, Brasil




ZOOMORFIZAÇÃO = ANIMALIZAÇÃO
  José Lins do Rego (1901-1957)


Obras representativas:
• Menino de Engenho (1932)
• Doidinho (1933)
• Bangüê (1934)
• Moleque Ricardo (1935)
• Usina (1936)
• Fogo Morto (1943)
• Pedra Bonita (1938)
• Riacho Doce (1939)
• Cangaceiros (1953)
              Temáticas do autor
• Ciclo Cana-de-açúcar.
• A vida nos engenhos da Paraíba
  e de Pernambuco.
• Memórias da infância
• Autobiografismo
• Cangaço
• Misticismo
Obras representativas
      A velha Totonha de quando em vez batia no engenho. E era um
acontecimento para ameninada... Que talento ela possuía para contar as
suas histórias, com um jeito admirável de falar em nome de todos os
personagens, sem nenhum dente na boca, e com uma voz que dava todos
os tons às palavras!
      Havia sempre rei e rainha, nos seus contos, e forca e adivinhações. E
muito da vida, com as suas maldades e as suas grandezas, a gente
encontrava naqueles heróis e naqueles intrigantes, que eram sempre
castigados com mortes horríveis! O que fazia a velha Totonha mais curiosa
era a cor local que ela punha nos seus descritivos. Quando ela queria
pintar um reino era como se estivesse falando dum engenho fabuloso. Os
rios e florestas por onde andavam os seus personagens se pareciam muito
com a Paraíba e a Mata do Rolo. O seu Barba-Azul era um senhor de
engenho de Pernambuco.

       José Lins do Rego. Menino de engenho. Rio de Janeiro: José Olympio, 1980. p. 49-51
                                                                      (com adaptações).
1) Na construção da personagem “velha Totonha”, é possível identificar
   traços que revelam marcas do processo de colonização e de civilização
   do país. Considerando o texto acima, infere-se que a velha Totonha:

(   ) tira o seu sustento da produção da literatura, apesar de suas condições
    de vida e de trabalho, que denotam que ela enfrenta situação econômica
    muito adversa.
(   ) compõe, em suas histórias, narrativas épicas e realistas da história do
    país colonizado, livres da influência de temas e modelos não
    representativos da realidade nacional.
(   ) retrata, na constituição do espaço dos contos, a civilização urbana
    européia em concomitância com a representação literária de engenhos,
    rios e florestas do Brasil.
(   ) aproxima-se, ao incluir elementos fabulosos nos contos, do próprio
    romancista, o qual pretende retratar a realidade brasileira de forma tão
    grandiosa quanto a européia.
(   ) imprime marcas da realidade local a suas narrativas, que têm como
    modelo as fontes da literatura e da cultura européia universalizada.
              Jorge Amado (1912-2001)
• O País do Carnaval (1931)
• Cacau (1933)
• Suor (1934)
• Jubiabá (1935)
• Mar Morto (1936)
• Capitães da Areia (1937)
• Terras do Sem-Fim (1942)
• São Jorge dos Ilhéus (1944)
• Seara Vermelha (1946)
• Os Subterrâneos da Liberdade (1952)
• Gabriela, Cravo e Canela (1958)
• Dona Flor e Seus Dois Maridos (1967)
• Tenda dos Milagres (1970)
• Tieta do Agreste (1976)
        Divisão da obra do autor
• Romance proletário: Cacau, Suor.
• Depoimentos líricos: Jubiabá, Mar Morto, Capitães
  de Areia.
• Escritos de pregação partidária: O cavaleiro da
  esperança, O mundo da Paz.
• Escritos sobra a região do cacau: Terras do sem fim,
  São Jorge dos Ilhéus.
• Crônicas amaneiradas: Gabriela, Cravo e Canela,
  Dona Flor e seus dois maridos.
Fundação Jorge Amado (BA)
      "É aqui também que mora o chefe dos Capitães da Areia: Pedro Bala.
Desde cedo foi chamado assim, desde seus cinco anos. Hoje tem quinze anos.
Há dez que vagabundeia nas ruas da Bahia. Nunca soube de sua mãe, seu pai
morrera de um balaço. Ele ficou sozinho e empregou anos em conhecer a
cidade. Hoje sabe de todas as suas ruas e de todos os seus becos. Não há venda,
quitanda, botequim que ele não conheça. Quando se incorporou aos Capitães da
Areia (o cais recém-construído atraiu para suas areias todas as crianças
abandonadas da cidade) o chefe era Raimundo, o Caboclo, mulato avermelhado
e forte.
      Não durou muito na chefia o caboclo Raimundo. Pedro Bala era muito mais
ativo, sabia planejar os trabalhos, sabia tratar com os outros, trazia nos olhos e
na voz a autoridade de chefe. Um dia brigaram. (...) Uma noite, quando
Raimundo quis surrar Barandão, Pedro tomou as dores do negrinho e rolaram na
luta mais sensacional a que as areias do cais jamais assistiram. (...) Pedro Bala, o
cabelo loiro voando, a cicatriz vermelha no rosto, era de uma agilidade
espantosa e desde esse dia Raimundo deixou não só a chefia dos Capitães da
areia, como o próprio areal. Engajou tempos depois num navio.
      Todos reconheceram os direitos de Pedro Bala à chefia, e foi dessa época
que a cidade começou a ouvir falar nos Capitães da areia, crianças abandonadas
que viviam do furto.“
                   Jorge Amado, Capitães da Areia, 50a ed. Rio de Janeiro: Record, 1980, p. 26/7.
                   Curiosidade
• JORGE AMADO: UM ESCRITOR INTERNACIONAL

      A Fundação Casa de Jorge Amado informa que suas obras
 foram traduzidas oficialmente para 48 idiomas: azerbaidjano,
 albanês, alemão, árabe, armênio, búlgaro, catalão, chinês,
 coreano, croata, dinamarquês, eslovaco, esloveno, espanhol,
 esperanto, estoniano, finlandês, francês, galego, georgiano,
 grego, guarani, hebraico, holandês, húngaro, iídiche, inglês,
 islandês, italiano, japonês, letão, lituano, macedônio,
 moldável, mongol, norueguês, persa, polonês, romeno, russo,
 sérvio, sueco, tailandês, tcheco, turco, turcomeno, ucraniano
 e vietnamita.
•Complete as lacunas, escrevendo o nome do autor regionalista de 30.

José Américo de Almeida – Jorge Amado - José Lins do Rego -
                Rachel de Queiroz – Graciliano Ramos

a) ____________________ é o introdutor do ciclo do cacau na literatura
    brasileira.
b) A obra de ____________________ destaca-se pela concisão e sobriedade
    de estilo. Seu livro de maior sucesso é Vidas Secas.
c) ____________________ escreveu o romance introdutório da segunda fase
    do Modernismo, referente à prosa.
d) _____________________ trata da vida desolada de seres subumanos e
    animalizados, em sua obra-prima.
e) ________________ escreveu O Quinze, Caminho de Pedra, João Miguel,
    Dôra, Doralina e As Três Marias.
f) ___________________ tratou da economia açucareira nos engenhos da
    Paraíba e de Pernambuco. Suas principais obras são Menino de engenho e
    Fogo Morto.

								
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