Clara dos Anjos by a5vokX5v

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                          Clara dos Anjos
I. O Movimento Literário
 Aspectos Conservadores
   • Permanência da mentalidade positivista
   • Preocupação com a forma
 Aspectos Inovadores
   • Incorporação de problemas brasileiros
   • Diminuição entre literatura e realidade
 O Naturalismo recebeu profunda influência de algumas das
teorias e doutrinas que estavam no auge naquele momento,
sobretudo do materialismo e do determinismo.
 O Naturalismo considerava a vida do homem resultado de
fatores externos (raça, ambiente familiar, classe social, etc.).
 Influenciado pelas ciências experimentais, o escritor naturalista
tentava demonstrar, com rigor científico, que o comportamento
humano está sujeito a leis semelhantes às que regem os
fenômenos físicos.
 O Realismo-naturalismo, que tanto influenciou Lima Barreto na
composição de Clara dos Anjos, é cientificista e determinista,
considerando que as ações humanas são produtos de leis naturais:
do meio, das características hereditárias e do momento histórico.
 Portanto, os romances naturalistas procuravam, através da
representação literária, demonstrar teses extraídas de teorias
científicas.
 Para isso, o Naturalismo buscou compor um registro implacável
da realidade, incluindo seus aspectos repugnantes e grotescos.
 São exatamente esses os aspectos que mais chamam à atenção
na narrativa exagerada de Clara dos Anjos.
II. O Autor
 O estilo bem-humorado e agradável;
 A linguagem coloquial, jornalística e até panfletária;
 O combate ao academicismo e à mediocridade cultural das
elites;
 A luta contra o preconceito racial e social;
 O desmascaramento do farisaísmo político e das falcatruas
eleitorais;
 A denúncia da corrupção e do abuso de autoridade;
 O ataque à Revolução da Armada, à burocracia e ao parasitismo
militarista;
 A ironia ao falso patriotismo e à ingenuidade do nacionalismo
ufanista.
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 A fidelidade de Lima Barreto ao cotidiano antecipa em vários
aspectos um dos desdobramentos da ficção de nossos dias: o
romance-reportagem ou romance mundo-cão. (Rubem Fonseca)
 Segundo Moisés Gicovate, eis as principais características da
obra de Lima Barreto:
a. Não copiou nem imitou. Os personagens de Lima Barreto são
arrancados de sua própria vida; escrevia por necessidade, era uma
forma de libertar-se, de analisar-se a si próprio.
b. Os escritos são, em grande parte, autobiográficos; encerram
muitos fatos verdadeiros, com a interpretação de Lima Barreto.
c. A espontaneidade e a marca de seu estilo: fazia da pena o
instrumento do coração.
d. Lançou mão da sátira, da ironia e do humor. Certo, tudo isso é
um meio de defesa, ou, segundo Freud, é mesmo o principal meio
de defesa. De qualquer forma, a caricatura e a mordacidade faziam
ressaltar a brutalidade e o ridículo de certas situações e, na medida
em que se fundamentavam na realidade, eram objetivamente
válidas.
e. A obra de Lima Barreto aborda quase tudo, no seu tempo: forma
de governo, organização econômica, preconceitos de raça, a
burocracia, os tráficos de influência; os grupinhos, as sociedades de
elogio mútuo - sem as quais o literato era condenado à
marginalização.
III. A Obra
 Concluído em 1922, ano da morte de Lima Barreto, o romance
Clara dos Anjos é uma denúncia áspera do preconceito racial e
social, vivenciado por uma jovem mulher do subúrbio carioca.
 O grande historiador e crítico literário Sérgio Buarque de
Holanda, já apontava, escrevendo sobre Clara dos Anjos, que é
muito difícil “escrever sobre os livros de Lima Barreto sem incorrer
um pouco no pecado do biografismo”.
 Poucos escritores brasileiros foram tão obsessivos na
investigação da temática do preconceito quanto Lima Barreto.
 Mulato, nasceu em 1881, mesmo ano em que o também mulato
Machado de Assis introduzia o Realismo na literatura nacional e
Aluísio Azevedo inaugurava a Naturalismo no Brasil com o romance
O Mulato. Não são apenas coincidências.
 A questão do preconceito contra a mestiçagem, já denunciada na
obra de Aluísio Azevedo, será fundamental no pensamento nacional
entre a implantação do Naturalismo e a do Modernismo, em 1922,
ano da morte de Lima Barreto.
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 Até por razões pessoais, e por viver exatamente nesse período,
sempre retratando-o de forma crítica e até ressentida, o autor de
Clara dos Anjos seria o escritor que mais sentiria (na pele) o
preconceito e o retrataria com tintas mais ácidas na nossa literatura.
 É ainda Sérgio Buarque de Holanda que melhor resume como
essa temática se apresenta em Clara dos Anjos:
    "Em Clara dos Anjos relata-se a estória de uma pobre mulata,
filha de um carteiro de subúrbio, que apesar das cautelas
excessivas da família, é iludida, seduzida e, como tantas outras,
desprezada, enfim, por um rapaz de condição social menos humilde
do que a sua. É uma estória onde se tenta pintar em cores ásperas
o drama de tantas outras raparigas da mesma cor e do mesmo
ambiente. O romancista procurou fazer de sua personagem uma
figura apagada, de natureza "amorfa e pastosa", como se nela
quisesse resumir a fatalidade que persegue tantas criaturas de sua
casta: "A priori", diz, "estão condenadas, e tudo e todos parecem
condenar os seus esforços e os dos seus para elevar a sua
condição moral e social." É claro que os traços singulares, capazes
de formar um verdadeiro "caráter" romanesco, dando-lhe relevo
próprio e nitidez hão de esbater-se aqui para melhor se ajustarem à
regra genérica. E Clara dos Anjos torna-se, assim, menos uma
personagem do que um argumento vivo e um elemento para a
denúncia."
IV. O Espaço
 O romance passa-se no subúrbio carioca e Lima Barreto
descreve o ambiente suburbano com riqueza de detalhes, como os
vários tipos de “casas, casinhas, casebres, barracões, choças” e a
vida das pessoas que ali vivem.
 Nas palavras de Sérgio Buarque de Holanda:
    "Ao oposto de Machado de Assis, que saído do Morro do
Livramento procuraria os bairros da classe média e abastada, este
homem, nascido nas Laranjeiras, que se distinguiu nos estudos de
Humanidades e nos concursos, que um dia sonhou tornar-se
engenheiro, que no fim da vida ainda se gabava de saber geometria
contra os que o acusavam de não saber escrever bem, procurou
deliberadamente a feiúra e a tristeza dos bairros pobres, o avesso
das aparências brancas e burguesas, o avesso de Botafogo e de
Petrópolis."
 Ao descrever o subúrbio, Lima Barreto aborda o advento dos
“bíblias”, os protestantes que alugam uma antiga chácara e passam
a conquistar novos fiéis para seu culto:
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   “Joaquim dos Anjos ainda conhecera a "chácara" habitada pelos
proprietários respectivos; mas, ultimamente, eles se tinham retirado
para fora e alugado aos "bíblias"… O povo não os via com
hostilidade, mesmo alguns humildes homens e pobres raparigas
dos arredores freqüentavam-nos, já por encontrar nisso um sinal de
superioridade intelectual sobre os seus iguais, já por procurarem,
em outra casa religiosa que não a tradicional, lenitivo para suas
pobres almas alanceadas, além das dores que seguem toda e
qualquer existência humana.”
 E reflete sobre a nova seita:
   “Era Shays Quick ou Quick Shays daquela raça curiosa de
yankees fundadores de novas seitas cristãs. De quando em
quando, um cidadão protestante dessa raça que deseja a felicidade
de nós outros, na terra e no céu, à luz de uma sua interpretação de
um ou mais versículos da Bíblia, funda uma novíssima seita, põe-se
a propagá-la e logo encontra dedicados adeptos, os quais não
sabem muito bem por que foram para tal novíssima religiãozinha e
qual a diferença que há entre esta e a de que vieram.”
 A crítica às “novas seitas cristãs” revela também a ojeriza de
Lima Barreto à influência americana no Brasil.
 Como o colocou Antônio Arnoni Prado, o autor de Clara dos
Anjos “interessou-se pelos Estados Unidos, em virtude do
tratamento desumano que este país dispensava aos seus cidadãos
de cor. (…) Censurou duramente a discriminação racial americana,
assim como o expansionismo imperialista dos ‘yankees’, que,
através da diplomacia do dólar, ia, a seu ver, convertendo o Brasil
num autêntico protetorado.”
 Nada mais profético.
V. O Enredo
 Clara é uma mulata pobre, que vive no subúrbio carioca com
seus pais, Joaquim e Engrácia, mulher “sedentária e caseira.”
 Joaquim era carteiro, “gostava de violão e de modinhas.
 Ele mesmo tocava flauta, instrumento que já foi muito estimado
em outras épocas, não o sendo atualmente como outrora.
 Também “compunha valsas, tangos e acompanhamentos de
modinhas.”
 Além da música, a outra diversão do pai de Clara era passar as
tardes de domingo jogando solo com seus dois amigos: o compadre
Marramaque e o português Eduardo Lafões, um guarda de obras
públicas.
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 Poeta modesto, semiparalisado, Marramaque freqüentara uma
pequena roda de boêmios e literatos e dizia ter conhecido Paula Nei
e ser amigo pessoal de Luís Murat.
 A descrição dessa figura revela a crítica de Lima Barreto a vários
aspectos da vida literária brasileira:
     "Embora atualmente fosse um simples contínuo de ministério,
em que não fazia o serviço respectivo, nem outro qualquer, devido a
seu estado de invalidez, de semi-aleijado e semiparalítico do lado
esquerdo, tinha, entretanto, pertencido a uma modesta roda de
boêmios literatos e poetas, na qual, a par da poesia e de coisas de
literatura, se discutia muita política, hábito que lhe ficou. (…)
    A sua roda não tinha ninguém de destaque, mas alguns eram
estimáveis. Mesmo alguns de rodas mais cotadas procuravam a
dele.
    Quando narrava episódios dessa parte de sua vida, tinha grande
garbo e orgulho em dizer que havia conhecido Paula Nei e se dava
com Luís Murat. Não mentia, enquanto não confessasse a todos em
que qualidade fizera parte do grupo literário. Os que o conheciam,
daquela época, não ocultavam o título com que partilhava a honra
de ser membro de um cenáculo poético. Tendo tentado versejar, o
seu bom senso e a integridade de seu caráter fizeram-lhe ver logo
que não dava para a coisa. Abandonou e cultivou as charadas, os
logogrifos, etc. Ficou sendo um hábil charadista e, como tal,
figurava quase sempre como redator ou colaborador dos jornais,
que os seus companheiros e amigos de boêmia literária, poetas e
literatos, improvisavam do pé para a mão, quase sempre sem
dinheiro para um terno novo. Envelhecendo e ficando semi-
inutilizado, depois de dois ataques de apoplexia, foi obrigado a
aceitar aquele humilde lugar de contínuo, para ter com que viver.
Os seus méritos e saber, porém, não estavam muito acima do
cargo. Aprendera muita coisa de ouvido e, de ouvido, falava de
muitas delas. (…)
    Tendo vivido em rodas de gente fina — como já vimos —, e não
pela fortuna, mas pela educação e instrução; tendo sonhado outro
destino que não o que tivera; acrescendo a tudo isto o seu
aleijamento — Marramaque era naturalmente azedo e
oposicionista."
 Lima Barreto denuncia, na figura de Marramaque, a influência
das rodas literárias, grupos fechados que abundam no Brasil; a
cultura da oralidade, dos que aprendem “muita coisa de ouvido e,
de ouvido, falava de muitas delas”, tendo uma cultura superficial, de
verniz; e o azedume dos que não conseguem brilhar nas “rodas de
gente fina”.
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 Clara era a segunda filha do casal, “o único filho
sobrevivente…os demais…haviam morrido.”
 Tinha dezessete anos, era ingênua e fora criada “com muito
desvelo, recato e carinho; e, a não ser com a mãe ou pai, só saía
com Dona Margarida, uma viúva muito séria, que morava nas
vizinhanças e ensinava a Clara bordados e costuras.”
 O autor reitera sempre a personalidade frágil da moça – sua
“alma amolecida, capaz de render-se às lábias de um qualquer
perverso, mais ou menos ousado, farsante e ignorante, que tivesse
a animá-lo o conceito que os bordelengos fazem das raparigas de
sua cor” – como resultado de sua educação reclusa e “temperada”
pelas modinhas:
    “Clara era uma natureza amorfa, pastosa, que precisava mãos
fortes que a modelassem e fixassem. Seus pais não seriam
capazes disso. A mãe não tinha caráter, no bom sentido, para o
fazer; limitava-se a vigiá-la caninamente; e o pai, devido aos seus
afazeres, passava a maioria do tempo longe dela. E ela vivia toda
entregue a um sonho lânguido de modinhas e descantes, entoadas
por sestrosos cantores, como o tal Cassi e outros exploradores da
morbidez do violão. O mundo se lhe representava como povoado de
suas dúvidas, de queixumes de viola, a suspirar amor.”
 Essa “natureza elementar” de Clara se traduzia na ausência de
ambição em melhorar seu modo de vida ou condição social por
meio do trabalho ou do estudo:
   “Nem a relativa independência que o ensino da música e piano
lhe poderia fornecer, animava-a a aperfeiçoar os seus estudos. O
seu ideal na vida não era adquirir uma personalidade, não era ser
ela, mesmo ao lado do pai ou do futuro marido. Era constituir função
do pai, enquanto solteira, e do marido, quando casada. (…) Não
que ela fosse vadia, ao contrário; mas tinha um tolo escrúpulo de
ganhar dinheiro por suas próprias mãos. Parecia feio a uma moça
ou a uma mulher.”
 A descrição de Clara reforça os malefícios da formação
machista, superprotetora, repressiva e limitadora reservada às
mulheres na nossa sociedade.
 Ecoa, portanto, a descrição de Luísa, do romance O Primo
Basílio, de Eça de Queirós, ou a Ana Rosa de O Mulato, de Aluísio
de Azevedo.
 Todas são, na verdade, herdeiras diretas da figura de formação
débil, educada nas leituras dos romances românticos, que é Emma
Bovary, criada por Gustave Flaubert no romance inaugural do
Realismo, Madame Bovary (1857).
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 Por intermédio de Lafões, o carteiro Joaquim passa a receber
em casa o pretendente de Clara, Cassi Jones de Azevedo, que
pertencia a uma posição social melhor. Assim o descreve Lima
Barreto:
   “Era Cassi um rapaz de pouco menos de trinta anos, branco,
sardento, insignificante, de rosto e de corpo; e, conquanto fosse
conhecido como consumado "modinhoso", além de o ser também
por outras façanhas verdadeiramente ignóbeis, não tinha as
melenas do virtuose do violão, nem outro qualquer traço de
capadócio. Vestia-se seriamente, segundo as modas da rua do
Ouvidor; mas, pelo apuro forçado e o degagé suburbanos, as suas
roupas chamavam a atenção dos outros, que teimavam em
descobrir aquele aperfeiçoadíssimo "Brandão", das margens da
Central, que lhe talhava as roupas. A única pelintragem, adequada
ao seu mister, que apresentava, consistia em trazer o cabelo
ensopado de óleo e repartido no alto da cabeça, dividido muito
exatamente ao meio — a famosa "pastinha". Não usava topete,
nem bigode. O calçado era conforme a moda, mas com os
aperfeiçoamentos exigidos por um elegante dos subúrbios, que
encanta e seduz as damas com o seu irresistível violão.”
 O padrinho Marramaque, que já lhe conhecia a fama, tenta
afastá-lo de Clara quando percebe seu interesse.
 Na festa de aniversário da afilhada, provoca Cassi e deixa claro
que ele não é bem-vindo ali e que seria melhor que se retirasse.
 Cassi vinga-se de modo violento: junta-se a um capanga e
ambos assassinam Marramaque.
 Clara, que já suspeitava das ameaças do rapaz ao padrinho,
passa a temê-lo, mas ele consegue seduzi-la, principalmente ao
confessar seu crime, dizendo que matou por amor a ela.
 Malandro e perigoso, Cassi já havia se envolvido em problemas
com a justiça antes, mas sempre fora acobertado pela sua família,
especialmente sua mãe, que não queria que fosse preso.
 Assim, conseguia subornar a polícia e continuar impune, mesmo
depois de ter levado a mãe de uma de suas vítimas ao suicídio e da
perseguição da imprensa.
 O exagero narrativo de Lima Barreto torna-se patente ao
descrever a figura do sedutor.
 Branco, sardento e de cabelos claros, é a antítese de Clara.
 Como apontou Lúcia Miguel Pereira: “Até os animais da
predileção de Cassi, os galos de briga, são apresentados com
visível má vontade: ‘horripilantes galináceos’ de ‘ferocidade
repugnante’.”
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 Clara engravida e Cassi Jones desaparece.
 Convencida pela vizinha, dona Margarida, que procurara na
tentativa de conseguir um empréstimo e fazer um aborto, ela
confessa o que está acontecendo à sua mãe.
 É levada a procurar a família de Cassi e pedir “reparação do
dano”.
 A mãe do rapaz humilha Clara, mostrando-se profundamente
ofendida porque uma negra quer se casar com seu filho.
 Clara “agora é que tinha a noção exata da sua situação na
sociedade. Fora preciso ser ofendida irremediavelmente nos seus
melindres de solteira, ouvir os desaforos da mãe do seu algoz, para
se convencer de que ela não era uma moça como as outras; era
muito menos no conceito de todos.”
 O autor representa, na figura de Clara e no seu drama, a
condição social da mulher, pobre e negra, geração após geração.
 No final do romance, consciente e lúcida, Clara reflete sobre a
sua situação:
    “O que era preciso, tanto a ela como às suas iguais, era educar
o caráter, revestir-se de vontade, como possuía essa varonil Dona
Margarida, para se defender de Cassi e semelhantes, e bater-se
contra todos os que se opusessem, por este ou aquele modo,
contra a elevação dela, social e moralmente. Nada a fazia inferior
às outras, senão o conceito geral e a covardia com que elas o
admitiam...”
 E, na cena final, ao relatar o que se passara na casa da família
de Cassi Jones para a sua mãe, conclui, em desespero, como se
falasse em nome dela, da mãe e de todas as mulheres em iguais
condições: “— Nós não somos nada nesta vida.”

								
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