cap 12 a popula��o brasileira

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					                                                          Capitulo XII
                                         A população brasileira I
    Estrutura étnica da população brasileira
    No Brasil cabe ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) promover levantamentos estatísticos demográficos
que possibilitem observar as transformações sociais e econômicas que ocorrem no país.
    De acordo com os levantamentos do órgão, a população brasileira tinha em 2007 uma quantidade praticamente igual de
pessoas que se declaravam brancas e daquelas que se declaravam pardas e pretas. Nessas duas últimas categorias
distribuíam-se os negros e também outros grupos, como os caboclos (resultantes da miscigenação entre brancos e
indígenas). Havia ainda uma pequena quantidade de indígenas e orientais (amarelos, nos dados do IBGE).
    Um dos traços mais evidentes da estrutura étnica do Brasil é a desigualdade de condições socioeconômicas. A
desvantagem dos outros grupos étnicos em relação aos brancos é resultado do processo histórico de formação da população
brasileira e tem sido revelada pelos levantamentos realizados periodicamente pelo IBGE.
    O branco foi inicialmente representado pelo colonizador português e, a partir da segunda metade do século XIX, por
imigrantes europeus, principalmente portugueses, espanhóis, italianos e alemães. Apesar de parcelas significativas da
população branca viverem hoje em condições precárias, esse grupo étnico, que não teve um histórico de subjugação violenta
como os negros e os indígenas, contou com as melhores possibilidades de inserção social ao longo da história do país.
    Os indígenas, ocupantes originais do território, receberam por parte dos colonizadores um tratamento desumano. Estima-
se que em 1500 os vários grupos indígena: que aqui viviam somassem 5 milhões de habitantes. Atualmente, esse número
atinge pouco mais de 700 mil indivíduos.
    As pessoas que se declaram pretas e pardas compõem as maiores parcelas entre as que vivem com baixo poder
aquisitivo. A dificuldade de acesso a condições adequadas de saúde, educação, alimentação, etc. tem raízes históricas e
pouco regrediu até hoje.
    No caso dos negros, os 120 anos desde ( fim da escravidão foram insuficientes pan reverter as desvantagens sociais que
acometem grande parte dessa população.
    Alguns indicadores relacionados à escolaridade, às oportunidades de trabalho e à renda revelam o abismo social ainda
presente na, sociedade brasileira. Por exemplo, dados di março de 2009 mostram que o rendimento dos trabalhadores que
se declaram pretos ou pardos equivale à metade do que recebem o trabalhadores que se declaram brancos.

    • o envelhecimento da população
    Durante décadas, o Brasil foi chamado de "país jovem", muito menos pelo recente processo histórico de colonização e
afirmação como país independente e muito mais pelo forte predomínio da população na faixa etária entre O e 14 anos.
    O processo de transição demográfica, iniciado na segunda metade do século XX, promove rápido declínio da taxa de
mortalidade e em seguida da de natalidade, influindo, assim, no crescimento vegetativo da população
    A partir das décadas de 1960 e 1970, a urbanização e a industrialização exerceram forte influência sobre as taxas de
fecundidade e natalidade. Em parte isso se deveu à divulgação e ampliação do acesso aos métodos contraceptivos. Mas
decorreu também dos novos papéis assumidos pelas mulheres na sociedade, papéis que consomem grande parte do tempo
que antes elas dedicavam ao cuidado dos filhos.
    O declínio da fecundidade teve impacto sobre a estrutura etária da população, sobretudo a partir da década de 1980. A
faixa etária entre O e 14 anos, que em 1980 representava 38,4% da população brasileira, passou a ser de apenas 26,4% em
2008.
    A faixa da população em idade considerada potencialmente ativa, entre 15 e 64 anos de idade, apresentou crescimento
expressivo.
    A população de 65 anos ou mais de idade dobrou a sua participação no total da população no período de 1950 a 2000. O
crescimento desse grupo etário mostra a rapidez no processo de envelhecimento da população. Os fatores mais importantes
desse processo são o aumento da longevidade da população, principal responsável pelo crescimento da população idosa, e a
redução dos níveis de fecundidade, que implica a diminuição do número de crianças e jovens na população.
    Obedecendo à tendência encontrada em países que já completaram a transição demográfica, as taxas de fecundidade e
natalidade da população brasileira devem continuar em declínio nas próximas décadas.
    Da mesma maneira, a expectativa de vida da população, que em 2008 era de 72,86 anos, deve prosseguir aumentando
como resultado da melhora das condições sociais e dos avanços na área da medicina-;-que têm beneficiado um número
maior de pessoas.
    A conjugação desses fatores obriga o Estado à formulação de novas diretrizes e políticas demográficas, que incluem
assistência médica e reformulação da legislação que rege o sistema de previdência, o qual corre o risco de apresentar
déficits. A possibilidade de crise no sistema previdenciário deve-se ao aumento do número de aposentados e à persistência
de elevada parcela de não contribuintes - desempregados ou empregados informalmente.
    O encolhimento do Estado do bem-estar social brasileiro, a partir dos anos de 1990, tem levado o país a buscar soluções
para os futuros problemas relacionados às aposentadorias. Uma das soluções foi a ampliação do tempo de trabalho e
contribuição dos trabalhadores ao sistema previdenciário. Assim, adiam-se as aposentadorias com a exigência de idades
mais avançadas.
   Países que atualmente têm o grupo de idosos em patamares próximos a 20% da população (caso da Itália) têm
apresentado sérios problemas de déficit no sistema previdenciário, ou seja, gastam mais com pensões e aposentadorias do
que a quantia arrecadada para esse fim.

    Ocupação e desemprego
    Em situações de crise econômica, como a que se instalou no mundo a partir de 2008, as questões relacionados a
emprego e desemprego assumem um significado importante. Jornais e noticiários de TV anunciaram o fechamento de postos
de trabalho nas mais diferentes regiões do planeta, agravando ainda mais as economias já fragilizadas pela crise.
    Não se deve confundir emprego e trabalho, pois este é uma atividade social tão antiga quanto a própria humanidade.
Desde os tempos mais remotos, o trabalho é o fundamento para a sobrevivência do ser humano, independentemente da sua
estrutura social.
    Já o emprego surgiu com o sistema capitalista e representa o elo entre o trabalhador e o sistema. É ele que garante o
salário e a sobrevivência do trabalhador e de sua família. Em oposição, o desemprego é definido como a impossibilidade de
obter trabalho assalariado. O desempregado é o indivíduo que não desenvolveu nenhum tipo de trabalho que pudesse lhe
conferir retomo financeiro durante determinado tempo (semanas, meses), embora o tenha procurado.

   • As causas do desemprego
    Muitas causas podem ser apontadas para o desemprego, entre elas as citadas a seguir.
   • O desenvolvimento tecnológico que resulta em aumento da produtividade. Ocorre quando determinada inovação
tecnológica reduz a necessidade de mão de obra.
   ●A globalização, a diminuição do protecionismo e a canse quente abertura dos mercados, que provocam a entrada
maciça de produtos estrangeiros. Frequentemente mais baratos, esses produtos passam a concorrer com os nacionais e
provocam o fechamento de unidades de produção.
   ●A desindustrialização, isto é, o fechamento da indústria por falência ou deslocamento para outras regiões.
   ●A terceirização, atualmente relacionada às novas modalidades de gestão das empresas e à redução dos encargos
sociais pagos aos trabalhadores assalariados.

    • As consequências do desemprego
    O desemprego acarreta consequências em vários níveis.
    Individualmente, o desempregado enfrenta problemas econômicos e emocionais relacionados à sua subsistência e à de
sua família. Em termos amplos, o elevado desemprego afeta a economia regional e nacional, à medida que aumenta os
encargos públicos com auxílio-desemprego, reduz o mercado consumidor, a atividade produtiva e, consequentemente, a
arrecadação de impostos.
    Sob o aspecto social, observa-se que o desemprego aprofunda a situação de pobreza de muitas famílias, o que pode
repercutir na desestruturação familiar, na evasão escolar e no aumento da violência.
    Também é apontado como consequência do desemprego o aumento do trabalho informal, isto é, da atividade que é
exercida sem carteira assinada e sem garantias trabalhistas. Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OlT), o
trabalho informal se caracteriza pela produção em pequena escala, pelo reduzido emprego de técnicas e pela quase
inexistente separação entre o capital e o trabalho. Também se caracteriza por oferecer empregos instáveis e, geralmente,
rendas reduzidas.
    O trabalho informal destaca-se pelo vasto leque de atividades. O comércio, os serviços de reparação, a construção civil e
a indústria de transformação, confecção e artesanato são os seus principais ramos de concentração.
                                        A população brasileira II
    Evolução do índice de Desenvolvimento Humano
    Uma das maneiras de determinar o grau de desenvolvimento de um país é a análise de sua renda per capita.
    A renda per capita é calculada a partir da divisão do PNB (Produto Nacional Bruto) pelo total de habitantes de um país.
Como é uma média, a renda per capita pode encobrir grandes desigualdades provocadas pela concentração de renda. É o
que ocorre no Brasil e em outros países do mundo.
    À medida que as sociedades dos países se tornavam mais complexas e heterogêneas, crescia a dificuldade de estudá-las
e compará-las entre si. Em 1990 foi desenvolvido um índice - o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), adotado pelo
Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), órgão ligado à ONU - para ser usado como medida de
comparação do nível médio de vida e bem-estar da população entre os países.
    Ele é formado por três indicadores.
    ● Educação, analisada sob dois ângulos. Um deles é a taxa de alfabetização da população com 15 anos ou mais. O outro
é a taxa de escolarização, isto é, a porcentagem de pessoas em idade escolar que estão efetivamente frequentando a escola.
    • Longevidade, que considera a expectativa de vida ao nascer. Esse índice reflete as condições de vida da população,
sobretudo as relacionadas à alimentação e à saúde.
    • Renda: a renda é calculada tendo como base o PIE per capita do país. Ela é medida pelo IDH em dólar PPC
(paridade do poder de compra, que elimina a diferença de custo de vida entre os países).
    O IDH tem uma escala de O a I; quanto mais próximo de I, maior é a qualidade de vida da população analisada.
    Anualmente, o PNUD efetua o cálculo e classifica os países, elaborando um relatório. Em 2009, o Brasil ocupou a 75ã
posição, com um IDH de 0,813, portanto no grupo de alto IDH.
    Apesar de ser adotado como maneira eficiente de retratar as condições de vida da população, o IDH sofre críticas, entre
as quais o fato de ser uma média que encobre as desigualdades internas de um país.

     • O IDH no Brasil
     No período entre 1980 e 2008, o Brasil passou de médio para alto IDH, elevando seu índice em 0,123 ponto.
     Mesmo entrando para o grupo dos países com alto IDH, o Brasil ainda desperta críticas constantes e pertinentes em
relação à forte concentração de renda e às diferenças de condições de vida entre os diversos segmentos da sociedade. Além
disso, há também grandes disparidades regionais, re• veladas pela concentração dos melhores desempenhos no IDH nos
estados das regiões Sul e Sudeste e dos piores nos estados do Norte e Nordeste.
     A partir da análise do IDH, a desigualdade entre brancos e negros torna-se nítida. Na sociedade brasileira, os brancos
têm indicadores de desenvolvimento humano maiores em todas as regiões brasileiras. A populaçãO negra nem sequer
atingiu o IDH que os brancos obtiveram em 1991, pois apresenta indicadores mais baixos nos três componentes que formam
o índice (longevidade, educação e renda). É sobretudo na renda que os negros apresentam a maior diferença em relação aos
brancos.
     Apesar dessa defasagem, tem-se percebido maior crescimento do IDH da população negra em relação aos demais
grupos étnicos, sobretudo no que se refere à educação e à expectativa de vida.
     A diminuição das diferenças entre os grupos está relacionada às políticas do Estado, como a valorização do salário
mínimo, programas de distribuição de renda e redução da mortalidade infantil, esta última influindo na expectativa de vida.
     •
     O hip-hop e a denúncia das desigualdades
     Nos muros grafitados das cidades, nos canais de música, no rádio, nas festas, no gingar dos corpos e na fala, nas
vitrines, nas passarelas da moda, entre a juventude que tem estilo. Mas também em Brasília discutindo propostas de redução
da violência entre os jovens. Ou na organização de festivais, campeonatos de basquete ou futebol de rua, nos atos públicos
de denúncia e protesto ou em cursos de formação profissional. Em todos esses espaços e práticas coletivas é frequente
encontrarmos a presença da cultura hip-hop.
     Esse movimento cultural nasceu há mais de quarenta anos nos subúrbios de Nova York e Chicago. Nessa região, em que
a pobreza se mistura à violência, ao tráfico de drogas, ao descaso do Estado e ao racismo, o hip-hop surgiu como uma
resposta da própria comunidade aos problemas que a vitimavam.
     Para conter os conflitos entre gangues, alguns jovens que organizavam bailes, festas na rua e em escolas na periferia
resolveram promover disputas que se davam por meio da dança, no intuito de conter as brigas que aconteciam nas ruas. O
breah (dança), os grafites (desenhos nas paredes com tinta em spray) e o rap (música) já eram conhecidos e praticados, mas
isolados e com outras funções. A novidade foi a sua junção e o novo sentido que adquiriram.
     Desde a sua origem o hip-hop, cujo nome deriva das palavras hip (quadril, em inglês) e hop (saltar, em inglês), reúne
influências das diversas culturas negras nas Américas. Na organização e na denúncia, o movimento é claramente herdeiro da
luta pelos direitos humanos que mobilizaram a sociedade estadunidense na década de 1960 e da qual emergiram grupos
organizados, como os Panteras Negras, e grandes lideranças negras, como Martin Luther King (1929-1968) e Malcolm X
(1925-1965).
    Os imigrantes jamaicanos, cuja presença era crescente nos subúrbios pobres de Nova York e Chicago, traziam de sua
terra a experiência dos bailes animados pelos Sound Systems, enormes aparelhos de som usados na rua. O DJ jamaicano
Kool Herc é considerado o primeiro a empregá-los nos Estados Unidos.
    Esses aparelhos, ligados a toca-discos, eram usados pelos toasters, que com seus cantos falados comentavam o dia a
dia da periferia: pobreza, violência, felicidade, sexo, drogas, esperanças. Vários DJs estadunidenses foram inspirados pelos
tooasters - entre eles Grand Master Flash, inventor do scratch, aquela maneira de fazer som alterando a rotação do disco.
Surgiram também os MCs (mestres de cerimOnia) e os rappers, com seus discursos cheios de indignação com os conflitos
raciais e sociais. Aos versos rimados de conteúdo radical juntavam-se as bases sonoras dançantes e o scratch, dando
origem ao rap, sigla em inglês de rythm and poetry (ritmo e poesia).
    O break é uma contribuição dos jovens porto-riquenhos, que por meio dele expressavam nas ruas sua revolta com a
política estadunidense e com a participação dos Estados Unidos no conflito do Vietnã.
    O grafite era usado para indicar o domínio de um determinado grupo sobre o território - em geral na forma de urna
assinatura desenhada nos muros.
    O sucesso da mistura foi quase imediato. Multiplicaram-se as equipes, seus DJs, seus bailes e músicas. A mais popular
foi a Universal Zulu Nation, do DJ Afrika Bambaataa, considerado o fundador do hip-hop. A equipe, que chegou a contar com
10 000 membros, viajou o mundo divulgando o hip-hop e arrecadando fundos para campanhas contra a discriminação racial
nos Estados Unidos. Segundo seus dirigentes, o espaço descontraído da rua toma possível manifestar opiniões e se divertir.
Os jovens excluídos, no contato com seus iguais (o grupo), podem vivenciar a rara oportunidade da livre expressão por meio
da arte.
    o hip-hop no Brasil
    O hip-hop chegou ao Brasil na década de 1980, alcançando grande sucesso entre os jovens da pe:iferia de São Paulo.
Nos finais de semana, rapazes e moças, muitos ostentando orgulhosos os seus cabelos blach power, reuniam-se nas
proximidades da estação São Bento do metrô. Dançavam, cantavam, discutiam os novos lançamentos de discos. Tornavam-
se artistas: DJ's, rappers, bboys (os que dançam break). É destes encontros que surgiu, em 1988, Hip-hop: cultura de rua,
considerado o primeiro álbum nacional do movimento.
    O rap tornou-se popular no Brasil, sem abrir mão de denunciar o racismo, as desigualdades soiais e a marginalização das
periferias. Em 1997, o CD Sobrevivendo no inferno, dos Racionais Me's, vendeu mais de um milhão de cópias.
    A denúncia não vem só. É acompanhada de organização e consciência. Talvez sua maior ex-
    pressão sejam as posses, grupos de encontro que congregam rappers, grafiteiros e breahers da mesma região. Em sua
maioria as posses são articuladas ao MH20 - Movimento Hip-Hop Organizado, a maior organização do movimento. Outros
exemplos de posse são a baiana ORI (que significa "cabeça" ou "inteligência" em iorubá) e a mineira Unegro - União de
Negros pela Igualdade.
    Nesses espaços, que articulam comunidade, arte e po1ftica, busca-se ampliar os conhecimentos necessários para tornar
mais ricas as diferentes manifestações culturais e po1fticas do grupo. Aperfei-çoam-se a técnica do grafite e o domínio de
programas de mixagem, estudam-se artes plásticas e fotografia, história, literatura e política. Visa-se com isso a elaboração
de versos mais contundentes, cujo objetivo último é a superar a exclusão social. Ali, a educação ganha sentido.

    A cultura hip-hop expressa a demarcação de um determinado território, de um espaço delimitado, facilitando a integração,
a interação e a união de seus integrantes. Manifestação presente em quase todo o Brasil e, podemos dizer, em todas as
regiões da diáspora negra. Com o apoio do seu professor selecione duas expressões da cultura hip-hop de origem diferente e
compare-as a partir das noções de território e temática abrangida.
                                       A população brasileira III
    Crianças sem infância
    Os dados estatísticos confirmam o fato de que, para uma parcela significativa de meninos e meninas das regiões
metropolitanas, não existe uma separação entre trabalho e infância. Ao mesmo tempo, indicam que, se essas crianças estão
impedidas de viver integralmente sua infância, estão também impedidas de ser tratadas como trabalhadores plenos. Nem
crianças, nem estudantes, nem trabalhadores ganham visibilidade social quando emergem nos desvãos da cidade, lutando
pela sobrevivência através de atividades consideradas marginais, operando nas sobras do sistema, aproveitando-se de suas
contradições e ineficiências, congestionamentos, depósitos de lixo, mercado informal de mercadorias, restos de feira.
    A presença de crianças e adolescentes na rua, considerada desde o século passado [XIX] [ ... ] enquanto espaço de
desordem, dão força para a explicação do abandono, condição que é projetada para segmento muito mais amplo da
população de pobres urbanos, servindo como disfarce para a situação de miséria e exploração e jogando sobre as famílias
parte responsabilidade pela condição dos filhos.
    Os meios de comunicação divulgam e reforçam essa explicação, como revela o estudo de Fukui, Sampaio e Brioshi
(1985), o qual analisou o noticiário de três grandes jornais de São Paulo, entre 1970 e 80. As autoras verificaram que da
amostra de notícias considerada 52% se referiram às crianças enquanto escolares, 42% enquanto "menores" e apenas 6%
como trabalhadores. A forte presença do tema "menor" e a pequena menção ao trabalhador indicam que a preocupação
desse noticiário incide muito mais sobre a parcela de crianças consideradas como uma possível ameaça à segurança geral,
pois a categoria "menor" é aquela associada à situação jurídica das pessoas menores de 18 anos, objeto de repressão e/ou
de assistencialismo.
    Se de um lado, como mostra esse estudo, o trabalho infantil é visto positivamente, em relação a essas crianças
consideradas em situação de risco, de outro ele é descartada pela concepção liberal, que concebe a criança e o adolescente
como educandos, com direito a viver esse período da vida como uma preparação para o ingresso posterior na categoria de
trabalhador pleno.
    No entanto, como foi visto a realidade encontra-se distante desse modelo. Para as crianças entre 10 e 14 anos de idade,
a taxa de participação na força de trabalho aumenta, conforme se considerem as faixas de renda mais baixas. Principalmente
a partir das faixas acima de dois salários mínimos de renda familiar per capita, a ocupação dos menores de 14 anos diminui
significativamente, enquanto o mesmo não ocorre para os jovens de 15 a 17 anos. Esse dado sugere que os filhos menores
são encaminhados para o trabalho nos casos em que a sobrevivência do grupo familiar se encontra em jogo, o que as
pesquisas qualitativas confirmam.
    As ocupações disponíveis para essas crianças estão em grande parte, situadas no setor informal da economia, seja no
espaço domestico ou na rua. Nos casos extremos, algumas crianças são encontradas sozinhas, sem nenhum vínculo
familiar, “abandonadas”. Na maior parte das vezes, porém, contribuem significativamente para a sobrevivência de suas
famílias. Para elas, a infância não se define como espaço preservado das responsabilidades dos adultos.
    1. A partir do texto, explique como você relaciona pobreza e criança trabalhadora,

    o tempo não para
    Ainda jovem e sem ter alcançado o pleno desenvolvimento, o Brasil é obrigado a encarar problemas na área
previdenciária bem diferentes dos encontrados no mundo rico e amadurecido. A começar pela dinâmica das estatísticas. Até
o ano passado, previa-se que o País teria 259,8 milhões de habitantes em 2050, dos quais 146,2 milhões em idade
considerada produtiva, entre 16 e 59 anos. Os dados da última edição da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio, do
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), obrigaram os técnicos do Governo a refazer todos os cálculos. As
projeções populacionais foram revistas para um total de 215,3 milhões em 2050, uma diferença nada desprezível de 44,5
milhões de habitantes em relação ao cenário anterior. Na faixa etária dos 16 aos 59 anos, serão 120,8 milhões de
contribuintes. Ou seja, 25,4 milhões de contribuintes a menos para a Previdência.
    A reviravolta nos números ocorreu por conta das surpresas na taxa de fecundidade da família brasileira. Imaginava-se
que a média de filhos por casal fosse se manter estável em duas crianças até 2020. Em 2008, a pesquisa do IBGE indicou
um índice de 1,86, com tendência a se estabilizar em 1,5 a partir de 2028. No mundo das ciências estatísticas e atuariais,
variações numéricas mínimas costumam resultar em enormes diferenças no futuro.
    Em 2008, o déficit previdenciário representou 1,8% do Produto Interno Bruto (PIB). De acordo com o Ministro da
Previdência Social L .. l, o rombo só existe quando são incluídas as aposentadorias especiais, como a dos pequenos
agricultores, que requerem subsídios públicos. Considerada apenas a parcela urbana dos gastos, o resultado seria um
superávit de 1,29 bilhão de reais. no ano passado. [ ... ]
    Com as regras atuais, o Brasil só precisaria repensar o atual sistema previdenciário entre 2019 e 2023, de acordo com os
dados do ministério. A previsão considera, respectivamente, o melhor e o pior dos cenários projetados pelos técnicos da
Previdência. É a partir desse período, segundo Pimentel, que a evolução demográfica começará a sobrecarregar demais os
contribuintes. "Com a base de cálculo atual e um crescimento médio da economia de 2,5% ao ano, o sistema é sustentável",
garante o ministro. [ ... ]
    Na terça-feira 7 [abril de 2009] Pimentel tentava, em audiência na Câmara dos Deputados, demover os parlamentares de
aprovar, como está, o PL 3299. L .. ]
    O ministro mostrou aos deputados um gráfico segundo o qual o déficit da Previdência, até 2050, sobe de 5,75% do PIB,
caso sejam mantidas as regras atuais, para 11,09% com as mudanças propostas pelo Congresso. L .. ]
    Além de ser uma bomba de efeito retardado, a mudança nas regras tem a seu favor as deficiências arrecadatórias do
sistema. A alta informalidade no mercado de trabalho e o elevado índice de fraudes permitem supor que há espaço para
elevar significativamente as receitas independentemente das flutuações do perfil populacional do País.
    1. Quais são as consequências sociais e econômicas da redução da população jovem?
    2- E quais são as consequências do aumento da população idosa?
    3. Em sua opinião, o país está preparado para as transformações demográficas que vem sofrendo? Argumente com
base na leitura do capítulo.
    4. Registre no caderno suas respostas e depois troque-o com os colegas.

   REVENDO CONCEITOS
   1- Qual é o papel do IBGE?
   2- Por que se pode afirmar, em relação a estrutura étnica, que há grande desigualdade socioeconômica?
   3 Explique a evolução do crescimento vegetativo da população brasileira ao longo da segunda metade do século XX.
   4-Que fatores têm contribuído para aumentar a expectativa de vida do brasileiro?
   5-Quais são os fatores que causam o desemprego?
   6-Quais são as consequências de ordem social e econômica oriundas do desemprego?
   7-O que a análise do mercado de trabalho revela sobre as desigualdades que caracterizam a estrutura étnica da
população brasileira?
   8-Quais são os indicadores que compõem o IDH?
   9-Levante hipóteses sobre as diferenças entre o IDH dos brancos e o dos afrodescendentes.

				
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