Ubiraci Espinele Lemos de

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					               CAPACITAÇÃO DE MÃO-DE-OBRA NA CONSTRUÇÃO CIVIL.



                                                                                    Tiago Nunes Souza1
                                                                              Antonio Almeida Carreiro2



Resumo:
A construção civil terá dificuldade de encontrar mão de obra qualificada em 2010, problema que retorna
depois de um período, em decorrência da crise financeira global. A discussão sobre a necessidade de
capacitação da mão-de-obra nunca foi publicado. Entretanto, ainda hoje muitas empresas privilegiam a
produção em desfavor de um número de horas maior para treinamento dos seus operários. O setor se
caracteriza por absorver como mão-de-obra pessoas com menor capacitação, nascidas na periferia das
cidades ou no campo e sem nenhuma experiência profissional. Isso mostra que os trabalhadores da
indústria da construção civil compõem a base da pirâmide social urbana e que, dentre os diversos ramos
da atividade econômica, o setor destina um grande contingente dos operários pobres. Neste trabalho
procura-se analisar e reforçar a importância do treinamento da mão-de-obra para evitar a escassez na
construção civil.


Palavras chave: Capacitação; Mão-de-obra; Construção civil
.



           Introdução
      Durante algumas décadas, a construção civil investiu em tecnologia e no desenvolvimento,
mas esqueceu de colocar seus esforços e investimentos na qualificação da mão-de-obra. Esta
ficou limitada a poucas instituições que mantiveram treinamentos nesta área.

     Com a concorrência cada vez mais acirrada e a necessidade de se tornar cada vez mais
competitiva para atender as novas demandas da indústria da construção civil, contar com uma
mão-de-obra representa um diferencial significativo para que as empresas consigam encontrar a
melhor forma de conviver com o mercado atual.

        A construção civil é um ramo do setor econômico nacional que absorve um grande
número de trabalhadores e, paradoxalmente, caracteriza-se por uma estrutura e funcionamento de
canteiro de obras passageiro. Esta condição influencia no investimento da qualificação da mão-
de-obra e do próprio ambiente de trabalho ocasionado por insuficientes programas de formação e
de qualificação dos recursos humanos (Zancul, 2006, pp.15-29).

    Quando se apresenta o desenvolvimento da indústria da construção civil, destaca-se a
mudança do cenário empírico-industrial de antigamente para a realidade atual científico-

1
    Formando do curso de Engenharia Civil (UCSAL). E-mail: tiagonsouza@yahoo.com.br – Autor
2
   Orientador: - Prof. Antonio Almeida Carreiro, Mestre e Doutor em Ciências pela UFBA - E-mail
antonio.carreiro@uol.com.br


                                                                                                     1
industrial. Para essa mudança ocorrer, não bastou apenas o avanço do conhecimento técnico-
científico e a alteração das diretrizes básicas da construção, mas a gestão do setor foi totalmente
reformulada. Inclui-se nessa reformulação a introdução de modernas ferramentas de gestão nas
empresas e nos canteiros, envolvendo todas as etapas do empreendimento.

      Com o crescimento da competitividade no setor da construção civil, as empresas
construtoras estão cada vez mais buscando aprimorar aos seus processos construtivos, através da
introdução de novas tecnologias ou por meio da implantação de sistemas de qualidade. Assim,
além de gerar um diferencial no mercado, garantirá a satisfação ainda maior de seus clientes e
principalmente uma redução dos gastos.

      A discussão sobre a necessidade do treinamento da mão-de-obra operária vem acontecendo
e tem sido intensificada a partir da implantação dos programas de qualidade na construção civil
na década de 90. As normas de sistemas de gestão e qualidade têm obrigado os empresários do
setor a buscar a qualificação da mão-de-obra operária. Apesar disso, ainda hoje, muitas empresas
privilegiam a produção em prejuízo de um número maior de horas para o treinamento de seus
funcionários.

      A disputa setorial por operários já afeta a dinâmica da gestão (inclusive financeira) de
incorporadoras e construtoras. As remunerações estão em alta, programas de treinamento
crescem, os prazos e esforços para contratar mão de obra são cada vez maiores e as empresas
aumentam o índice de mecanização nos canteiros para reduzir o contingente de trabalhadores.
Tudo ao mesmo tempo.

      Se o mercado exige um profissional diferenciado, então devemos modificar também a
nossa postura profissional, aplicando mais engenharia nas obras, participando para uma
construção moderna e qualificada.

      Com a falta de mão de obra capacitada, todos os profissionais       subiram um, dois, três
postos. Aquele engenheiro que era "bonzinho" passou a ser gerente;        aquele gerente que era
razoável passou a ser diretor. As construtoras aumentaram o número        de obras imensamente,
precisam de profissionais e contratam profissionais que às vezes não      são treinados, pagando
muito mais por isso.

      Desta maneira, caracteriza-se fortemente a importância de se buscar desenvolver a
qualidade dos trabalhos e a produtividade da empresa através de uma educação que permita
desenvolvimento de seus trabalhadores enquanto ser humano integral, por meio da qualificação
profissional.


       Metodologia
        Para tornar essa pesquisa viável, foram levantadas referências teóricas, pesquisas na
internet, artigos, quanto em normas e livros especializados no tema escolhido.

        Nas visitas às obras, observou-se e registrou-se (através de fotos) os serviços sendo
executados e o canteiro como um todo. Realizou-se entrevistas com os engenheiros e operários
para coletarem dados e verificar quais mudanças ocorreram para ambos com os processos de
qualificações.



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        Para complementar a pesquisa foi feita uma visita ao SENAI localizado no bairro do
Dedenzeiro, onde se entrevistou Gleise Maria responsável pelo Departamento de Capacitação de
mão-de-obra (Programa Planseq), onde foram tiradas dúvidas e coletadas informações a respeito
do treinamento da mão-de-obra e o interesse das empresas construtoras sobre o assunto.


       O Planseq
        Os Planos Setoriais de Qualificação (Planseq), é um instrumento complementar aos
Planteqs (Plano Territorial de Qualificação do Trabalhador), orientados ao atendimento
obliquamente e concertados de demandas urgentes, estrutural e setorial da qualificação
profissional, identificadas a partir de iniciativas do governo, dos sindicatos ou dos donos de
empresas de construção civil, conveniadas ao Prêmio Nacional da Qualidade (PNQ).

        O objetivo do programa é qualificar trabalhadores beneficiários do Programa Bolsa
Família e que tenha oportunidade de inclusão no mercado de trabalho. Esses cursos de
capacitação profissional ajudam aos jovens a se enquadrar em uma profissão digna, evitando as
drogas e roubos que são freqüentes no dia a dia. O programa quer qualificar aproximadamente
9400 trabalhadores e trabalhadoras este ano no total, eles ainda terão lanche durante os cursos e
auxilio transporte, o curso tem carga horária de 160 horas dividido em aulas pratica e aulas
teórica.

        Para fazer parte desse programa é preciso ter recebido uma carta em casa do governo
federal chamando para fazer uma inscrição no SINE (Serviço Intermediação para o trabalho), ter
direito ao Programa Bolsa Família, ter mais de 18 anos de idade e ter concluído a 4ª série do
ensino fundamental. Os cursos de qualificação da mão-de-obra são para: pedreiros, carpinteiros,
encanador, eletricista, pintor, azulejista que são as profissões que mais cresce e emprega no
Brasil. Para se inscrever no programa os beneficiários do Bolsa Família devem encaminhar-se
nas unidades do SINEBAHIA e CRAS (Centros de Referências da Assistência Social), a
iniciativa desse programa é a escassez da mão-de-obra especializadas, pois o setor esta em
aquecimento total e sofre muito com isso.




        Revisão da Literatura
       A falta de mão-de-obra qualificada contribui para o aumento do tempo das obras e pela
elevação nos preços dos imóveis. Por exemplo, no caso da edificação de um prédio de 20
andares, o entulho gerado, daria para construir mais dois andares, Carvalho (2004).


                               A empresa de consultoria McKinsey afirma que a qualificação da mão-
                       de-obra não influencia de modo direto a produtividade, a despeito do menor
                       nível de instrução dos trabalhadores brasileiros, sugerindo que produtividade
                       advém mais dos métodos utilizados do que da execução do trabalho em si. Ao
                       mesmo tempo afirma que algumas empresas nacionais têm atingido melhorias
                       expressivas de produtividade, utilizando a mão-de-obra hoje disponível, a partir
                       de treinamento e avanços organizacionais. As duas afirmações, ainda que um
                       pouco contraditórias, demonstram a importância da qualificação do trabalhador,
                       Mawakdive (1999).


                                                                                                     3
                               Segundo Mamede (2006), o primeiro cuidado é a contratação de
                       profissionais qualificados. Hoje, o maior desafio para evitar os desperdícios na
                       construção civil é encontrar mão-de-obra qualificada. A segunda recomendação
                       diz respeito à compra de materiais de boa qualidade, usar material muito barato
                       pode trazer muitos prejuízos à construção e ao meio ambiente. Finalmente,
                       antes de começar a construir, é preciso ter um projeto muito bem planejado. Se
                       você parte de um projeto bem-feito, cerca de 70% do que será gasto já está
                       definido. Planejar bem garante a qualidade do projeto, evita desperdícios e
                       gastos inesperados.


        De acordo com Juran; Gryna (1993) o planejamento da qualidade é ressaltado como fator
importante na qualidade final do produto, podendo ser iniciado na fase de projeto até o controle
da produção. Portanto o setor de suprimentos tem como finalidade não só garantir o
abastecimento dos produtos necessários ao processo, mas, também, que os mesmos estejam no
local e momento adequado, ao menor custo.


                               Ishikawa (1997) afirma que, para promover o controle de qualidade, a
                       educação deve ser extensiva a todos os funcionários, do presidente aos
                       trabalhadores em geral. Conclui que o controle de qualidade é uma revolução no
                       pensamento administrativo de uma empresa assim como os processos de
                       pensamentos dos empregados também precisam ser alterados. Para tanto, a
                       educação deve ser contínua. “Quanto mais forem educados os empregados,
                       mais benefícios serão auferidos pela empresa e pelos próprios empregados”.

       Entende-se que, melhorando a qualificação do trabalhador ele passa a ter consciência de
sua função e assim, trabalha fazendo o que faz, reduzindo perdas e melhorando muitas vezes a
qualidade e produtividade contribuindo no processo com comprometimento e responsabilidade,
Sebben e Oliveira (2007).

                               A quantidade de materiais consumidos pela construção gira em
                       torno de 1.000 kg por metro quadrado construído. Comparativamente a
                       outras indústrias, a construção usa muito mais material ao longo de um
                       ano de atividades, portanto, qualquer ação visando á maior eficiência no
                       uso dos materiais de construção pode ter reflexos relevantes quanto ao
                       desenvolvimento sustentável do país, Souza (2005).


        Uma pesquisa publicada por Jófilo Moreira Lima Jr., desenvolvida pelo Sesi
Departamento Nacional, denominado "Projeto Sesi na Construção Civil", no Distrito Federal,
mostra as seguintes características da mão-de-obra naquele Estado: 1) baixa qualificação - 72%
dos trabalhadores nunca realizaram cursos/treinamentos; 80% possuem apenas o 1º grau
incompleto e 20% são complemente analfabetos; 2) elevada rotatividade no setor - 56,5%
possuem menos de um ano na empresa e 47% estão no setor há menos de cinco anos; 3) baixos
salários: 50% dos trabalhadores ganham menos de dois salários mínimos; 4) elevado índice de
absenteísmo - causado, sobretudo por problemas de saúde (52% faltaram ao trabalho no mês
anterior à pesquisa); 14,6% dos trabalhadores sofreram algum tipo de acidente do trabalho no
ano anterior à coleta de dados, o que significa um universo de aproximadamente 148 mil
pessoas, ou 21,3% do total de trabalhadores acidentados no Brasil.

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       Escassez de operários na construção civil

        Anos atrás (2007-2008), o problema no segmento imobiliário era mais intenso. Agora, a
escassez tomou conta. A procura por operarios vem das obras de infraestrutura; dos preparativos
para a Copa de 2014 em diversas capitais Brasileira; do programa habitacional Minha Casa,
Minha Vida e do aquecimento das obras públicas de diferentes perfis por conta do ano de 2010
que é ano eleitoral.

       Não encontramos soluções faceis para resolver esse problema, até porque elas talvez não
existam de forma generalizada, mas há caminhos e informações para auxiliar as estratégias de
manter a competitividade nesse ambiente de mudança dos modos de produção da construção
civil.

        Os resultados de uma pesquisa sobre problemas críticos e propostas de melhorias; um
mapa com arguição de lideranças, sobre a situação da mão de obra em diversos lugares do Brasil;
as ações de empresas, de diferentes perfis e portes, para lidar com o problema; um levantamento
das iniciativas setoriais e governamentais de qualificação e exemplos de como outros setores
enfrentaram situações semelhantes. Entre os meses dezembro e janeiro, os visitantes do portal
PINIweb participaram de uma enquete sobre a falta de mão de obra na construção civil. Foi
computado um total de 3.390 votos nas cinco questões sobre o tema. Em uma delas, "Quais são
as profissões/funções mais criticas?", os votantes puderam escolher mais de uma resposta; as
restantes eram de opção única. Confira os resultados nas tabelas 1, 2, 3, 4 e 5.


       Tabela 1.
EM 2010 PODERAR FALTAR MÃO DE OBRA CAPACITADA?
                                                           VOTOS       PORCENTAGEM
QUEM PAGAR MAIOR SALÁRIO TERÁ OS BONS                       365            57,75%
VAI DEPENDER DA REGIÃO                                      78             12,34%
SIM, NÃO TEM SOLUÇÃO PARA ESSE PROBLEMA                     71             11,23%
TORNA-SE IMPOSSIVEL,SEM AJUDA DO GOVERNO                    48              7,59%
FALTARÁ PARA AS PEQUENAS EMPRESAS                           42              6,65%
NÃO, EXAGERO DEMAIS                                         28              4,43%
                                       TOTAL                632            100,00%

   Fonte: Revista Construção e Mercado.

       Com a escassez de mão de obra observamos que os resultados revelam a forte
preocupação do setor. A resposta com menos votos é exatamente a que apontaria situação de
normalidade ("Não, exagero demais"). Os participantes também acreditam que para se ter a mão
de obra qualificada terá que pagar um pouco mais, visto que a opção com mais votos é "Quem
pagar maior salário terá os bons". Resta saber se há planejamento para isso nas empresas.




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       Tabela 2.


QUAIS SÃO AS PROFISSÕES/ FUNÇÕES MAIS CRITICAS?
                                                            VOTOS       PORCENTAGEM
MESTRE DE OBRA                                               243            14,69%
CARPINTEIROS                                                 206            12,45%
PEDREIROS                                                    205            12,39%
ENCARREGADOS                                                 123             7,44%
TECNICOS EDIFICAÇÕES                                         120             7,26%
ARMADORES                                                    110             6,65%
AZULEJISTAS                                                   99             5,99%
ELETRICISTAS                                                  93             5,62%
ENCANADOR                                                     83             5,02%
CERAMISTAS                                                    65             3,93%
GESSEIROS                                                     64             3,87%
TELHADISTAS                                                   51             3,08%
APLICADORES DE IMPERMEABILIZAÇÃO                              46             2,78%
PINTORES                                                      42             2,54%
OUTRAS FUNÇÕES                                                41             2,48%
SOLDADORES                                                    32             1,93%
APONTADORES                                                   17             1,03%
VIDRACEIROS                                                   14             0,85%
                                             TOTAL           1654           100,00%

   Fonte: Revista Construção e Mercado.

       A diferença entre votos são pequenas, as principais profissões/funções indica uma falta de
mão de obra generalizada, o mestre de obra se destaca, não por acaso, é uma das funções requer
um aperfeiçoamento maior entre as listadas. Nesta questão os participantes poderão optar por
mais de uma resposta.


     Tabela 3.
 COMO RESOLVER ESSE PROBLEMA NA SUA EMPRESA?
                                                           VOTOS       PORCENTAGEM
 TREINAMENTO NO PROPRIO CANTEIRO                             144           38,40%
 AUMENTAR MAQUINA NOS CANTEIROS                              70            18,67%
 SUB-EMPREITAR OS SERVIÇOS                                   63            16,80%
 CONTRATAR MÃO DE OBRA PROPRIA                               59            15,73%
 INTERAGIR COM O SENAI                                       35             9,33%
 AUMENTAR O PRAZO DE ENTREGA E DIMINUIR PRODUÇÃO              4             1,07%
                                        TOTAL                375           100,00%

   Fonte: Revista Construção e Mercado.




                                                                                               6
       Destaca com ênfase o fato que os participantes apontaram para uma solução da questão
por conta própria, por meio do treinamento no próprio canteiro (38,40%). Em contraposição, a
opção "Interagir com o Senai" ficou com apenas 9,33% dos votos.

       Tabela 4.

PAGAR MAIS PELOS BONS OPERARIOS?
                                                          VOTOS        PORCENTAGEM
DEPENDE DA OBRA                                             173            47,53%
SIM, SEM ALTERNATIVAS                                       118            32,42%
TALVEZ, SEM CERTEZA                                         42             11,54%
NÃO, COM ISSO ACABA O LUCRO                                 28              7,69%
NÃO, MESMO QUE PARE A OBRA.                                  3              0,82%
                                             TOTAL          364            100,00%
   Fonte: Revista Construção e Mercado.




        Os resultados indicam que os participantes já consideram o aumento da remuneração da
mão de obra como uma das poucas saídas para as empresas neste momento de escassez, visto
que as duas alternativas mais votadas ("depender da obra" e "Sim, sem alternativa") consideram
tal possibilidade.

       Tabela 5.


EM 2010 AS EMPRESAS PODEM TER PROBLEMAS COM O DESEMPENHO
FINANCEIRO?
                                                          VOTOS       PORCENTAGEM
POUCO, MAS HAVERÁ ALTERNATIVAS                              147           40,27%
SIM, PODE COMPROMETER O LUCRO COM A MÃO DE OBRA             78            21,37%
DEPENDE DA EMPRESA, QUEM VACILAR...                         75            20,55%
NÃO, EXAGERO DE PESSIMISTA                                  36             9,86%
SIM, MUITAS OBRAS VÃO PARAR                                 29             7,95%
                                      TOTAL                 365           100,00%

   Fonte: Revista Construção e Mercado.


        Os votantes dessa pesquisa acreditam que a situação financeira das empresas terá
problemas (“Pouco, mas haverá alternativas” e “ Sim, pode comprometer o lucro com a mão de obra”)
por conta da falta da mão de obra capacitada, confirmando a possibilidade de aumento de
salários, como mostra o quadro anterior.




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       Treinamento no próprio canteiro de obra
        A escassez de mão de obra é grande porque queremos imediatamente o profissional
qualificado, o que é muito difícil encontrar, em todas as áreas. A escola da construção civil é
muito pequena para o volume de trabalhadores que se tem no País. O que o setor de construção
civil sempre fez foi contratar profissional não qualificado, que é o servente, e bancar a
qualificação no canteiro de obra. Lidamos com um cenário de mão de obra muito atípico,
diferente de qualquer outro mercado. Ainda assim, estamos com o pé no chão, confiantes de que
conseguiremos resolver esse problema da escassez da mão de obra formando gente nos canteiros.

        Ainda assim, “os patrões” se mostram otimista. "Estamos confiantes de que
conseguiremos resolver esse problema da escassez da mão de obra formando gente nos
canteiros", afirma. Um dos fatores que motiva o engenheiro é um recente acordo firmado entre o
sindicato e o SENAI (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) que pretende inverter a
logística dos treinamentos da principal instituição de ensino do setor: em vez de as empresas
terem de se organizar e tirar pessoal da obra para levá-los ao SENAI - assumindo com isso os
custos de transporte e de baixa produtividade -, serão os professores do SENAI que migrarão
para as instalações das construções, qualificando trabalhadores já empregados.

        A falta de escola da construção civil é muito grande para a quantidade de operários
existentes no País. No primeiro momento, priorizamos quatro áreas críticas: pedreiro,
carpinteiro, armador e pintor, depois desenvolver cursos para outras áreas. O interessante é
justamente qualificar um público que já trabalha com carteira assinada. A perspectiva é que esses
profissionais continuem nos canteiros de obra. Quanto mais qualificado, maior o salário, que tem
a ver com demanda, claro.

        E a tendência é que os valores subam, se uma construtora tem um profissional
qualificado, vai querer mantê-lo. Para se ter uma idéia, o menor piso salarial do setor em São
Paulo, que é o do servente, é R$ 767,80, fruto de uma convenção assinada em maio de 2009. Isso
representa um aumento de 65% em relação ao salário mínimo estabelecido em maio do ano
passado. Além disso, o trabalhador da construção civil trabalha por produtividade. O profissional
qualificado, que é o carpinteiro ou pedreiro, tem piso salarial de R$ 917,40, mas a maioria ganha
em torno de R$ 1.500,00 ou R$ 1.600,00. É um salário razoavelmente bom, se compararmos
com o mercado em geral, onde muitos trabalhadores brasileiros não ganham um salário mínimo.
Esse é o grande atrativo da indústria da construção.

       Ainda assim o setor da construção civil tem concorrência com o de autoconstrução, de
2008 a 2009, o SENAI de São Paulo treinou cerca de 32 mil trabalhadores, mas muitos acabam
não entrando na indústria da construção civil e, sim, na informalidade, tocando
"puxadinhos". São profissionais que imaginam que atuar por conta própria dá mais dinheiro do
que trabalhar com carteira assinada. É quase um "efeito colateral" do aumento de renda e da
ampliação de acesso ao crédito: as pessoas começaram a investir mais na reforma de casas. No
entanto, também começamos a observar profissionais que saem da informalidade para ter carteira
assinada.


        Exemplo de treinamento à distância
       O treinamento a distância tem sido a estratégia de empresas como Gafisa, Tecnisa e
Rodobens Negócios Imobiliários para qualificar mão de obra para canteiros em diversos Estados
do País. Com isso, as equipes não precisam se deslocar para os canteiros de obra para esses
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treinamentos evitando perda de tempo e gastos excessivos, podendo administrar seus
treinamentos através de tecnologias mais avançadas e padronizam esses procedimentos.

       Na Gafisa, o método escolhido foi as aulas não presenciais chamada de “e-learning”.
Através dela a empresa se comunica com todos os funcionários espalhados pelo Brasil, em vários
canteiros com média de três torres cada. As aulas são em forma de historias em quadrinho, onde
o personagem transmite em 30min. Em 3D ou em linguagem flash, transmite os ensinamentos já
existentes nos padrões da empresa para realização do serviço corretamente, após assistir o
treinamento terão um prazo de 3 dias e a empresa disponibiliza o material para o funcionário
onde realizara uma prova de 10 questões e terá aprovação acertando 70% da prova, acontecendo
essa aprovação estará apto a fazer o download e retransmitir para o restante da equipe, esse
treinamento é voltado para os mestres e encarregados.

        Já a Tecnisa, para seus treinamentos a distância optou pelo vídeo auxilio para seus
módulos, que tem duração de 12 a 20 minutos, os vídeos ensinam o passo a passo de execução
de determinados serviços como alvenaria, estrutura e instalações elétrica, os vídeos são gravados
pelos próprios funcionários da empresa, esses vídeos de treinamentos também são usados para
trinar a mão de obra terceirizada e logo em breve estará disponível no portal da empresa.

        Na Rodobens, os treinamentos a distância são exibidos ao vivo e em gravações de DVD,
onde quando ministrados ao vivo via satélite tem data e horário pré-definidos para os
funcionários se arrumarem e assistir concentrados as aulas, os treinamentos têm duração media
de duas horas, com o treinamento ao vivo os profissionais poderão tirar duvidas através de email
ou telefone, interagindo assim com o ministrante, o engenheiro civil Geraldo Antonio Cesta,
diretor técnico da construtora falou a revista techne que essa forma de treinamento tem um
melhor aproveitamento nas obras de grande porte, quando o treinamento é presencial causa um
transtorno muito grande no canteiro de obra. Já as aulas que são gravadas em DVD, é só uma
garantia do material pois pode ser usado em datas futuras.


       Terceirização da mão de obra na construção civil
        No mercado da construção civil brasileira, é pratica freqüente a substituição de mão de
obra própria por mão de obra terceirizada, onde se objetiva a redução de custos diretos e
indiretos para se obter maior competitividade no atendimento aos clientes e maior obtenção de
lucro.

        Não é raro ouvir de empresários conceituados dizerem que a indústria da construção teria
antecipado uma situação que anos depois tomaria conta de outros setores da economia: a
terceirização. Os mais espertos chegaram a apontar o fato como uma verdadeira vitoria para um
setor comumente rotulado de atrasado e conservador. O que a construção civil faz há muito
tempo é subempreitar serviços o que é diferente de terceirizar. O pressuposto básico para a
terceirização é a garantia que a empresa contratada será capaz de executar a obra com máxima
perfeição, agregando produtividade, tecnologia e redução de gastos para a empresa, o dia a dia
dos canteiros revela que nem sempre isso acontece.

       A maioria dos empresários diz que só existem duas alternativas para o futuro dos
chamados “gatos” (empresas subcontratadas informalmente que ignoram direitos trabalhistas e
obrigações tributarias, mal gerenciadas e desestruturadas administrativamente), transformam-se
em uma empresa prestadora de serviços com perfeição ou simplesmente falir a empresa, por esse
motivo os limites e as áreas ou departamento que podem, ser terceirizados tem sido motivo de

                                                                                               9
discursão entre “os patrões”, um exemplo é a discussão sobre a coordenação de projetos,
atividade considerada fundamental para o sucesso do empreendimento e que tem sido alvo de
terceirização por algumas construtoras. Alguns especialistas até admitem a subcontratação, mas
em uma dos itens do contrato, que não sejam eliminados o contato da empresa com os
projetistas. O projeto define os parâmetros básico de um empreendimento, como as tecnologias
adotadas e qual será a melhor forma de executar o serviço.

        Nos dias de hoje os antigos subempreiteiros estão cada vez mais profissionalizados e
aparelhados, onde facilita a terceirização dos mesmos e alguns parâmetros devem ser observados
durante o processo de terceirização como:

      - O subempreiteiro tem condições de melhor atender as exigências de qualidade,
racionalização de custos e redução de prazos do que a construtora?

      - A empresa contratada dispõe de uma estrutura maleável, capaz de adaptarem-se as
divergências do mercado, suas novas exigências e condicionantes?

      - O subcontratado está capacitado para enfrentar as chamadas situações aleatórias ou
disfunções, comuns nos canteiros de obras?

      - O subempreiteiro esta capacitado para o desenvolvimento de métodos construtivos
racionalizados?

     - A construtora terá que transferir know-how para a empresa contratada?

     - Qual é o grau de capacitação da mão de obra da subcontratada?

     - Como viabilizar o treinamento dos operários da empresa contratada?

        Essas são algumas questões básicas que podem adicionar a uma conclusão de um bom
contrato entre as empresas, onde poucos duvidam que a terceirização se praticada de forma
adequada, não traga diversas vantagens em termos de competitividade para as construtoras,
diminui o prazos, e custos, aumentar a qualidade, melhorar a produtividade e resulta no produto
final de qualidade.




                                                                                            10
       Conclusão

        A conscientização de que o treinamento da mão de obra influencia de forma considerável
na construção civil e acaba tendo um retorno tanto financeiro, como na qualidade do produto
final, e ainda vemos empresas que não se adequaram a essa realidade dando prioridade à
produção. Com a inovação tecnológica que a indústria da construção está passando as empresas
que não se adequarem irão perde espaço no mercado.

       É fundamental que os programas de treinamento de qualificação profissional estejam
voltados para a valorização pessoal de cada trabalhador, conseqüentemente para a equipe na qual
ele se enquadre, favorecendo o equilíbrio entre o trabalho e o relacionamento, ajudando a
aperfeiçoar os resultados. Uma equipe de trabalhadores que não apresente bons relacionamentos
sem dúvida não apresenta bons resultados.

        Desta forma é importante que o trabalhador sinta a participação do empresário e a
confiança que dele deva receber. Ser reconhecido pelos colegas, gerentes e chefes imediatos,
interagir suas idéias e incentivar o hábito da criatividade individual e conjunta com os demais
funcionários. Ter a alegria do crescimento pessoal, experimentando a satisfação de ser
competente para utilizar ao máximo suas próprias aptidões, ter autoconfiança e usar sua
inteligência, trabalhando voluntariamente, contribuindo para a sociedade.

       As pessoas sendo tratadas como simples máquinas e valorizadas apenas pelo que produz
individualmente, sem dúvida o trabalho torna-se desestimulante, insatisfatório e de baixa
qualidade, deixando de se atingir os objetivos da empresa e de se alcançar produtos de boa
qualidade e confiança para futuros. Daí, as faltas “justificadas” aos departamentos pessoais das
empresas. Pode-se avaliar a força ou a fraqueza de um estilo administrativo e da moral dos
trabalhadores nas empresas através das taxas rotatividade dos funcionários.

        Para um crescimento ainda maior das empresas os funcionários têm que trabalhar de
forma satisfatória e a empresa proporcionar uma ambiente digno, seguro e confortável para que
seus operários produzam de forma correta aumentando sua produção e melhorando o produto
final, conseqüentemente a satisfação dos clientes e lucros maiores para a empresa.




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