Desenvolvimento da Locomo��o Humano by OsUueH6

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									                Desenvolvimento da Locomoção Humana

A    s pessoas interessadas em desenvolvimento motor freqüentemente enfatizam a
aquisição inicial de habilidades motoras. Nossa introdução demonstra, todavia, que a
locomoção é uma atividade de movimento que dura uma vida inteira. As mudanças
ocorrem no caminhar, correr, galopar e outras habilidades motoras conforme mudam as
restrições do indivíduo, do ambiente e da tarefa.

      Lo-co-mo-ção – O ato ou a capacidade de mover-se de um lugar para outro.

        Essa definição aparentemente simplista pode esconder o fato de que mover-se de
um lugar para outro é uma atividade complexa, envolvendo muitos sistemas e restrições
que interagem entre si. O estudo da locomoção se encontra em muitos campos, da medicina
à psicologia, e inclui muitos movimentos, de contorcer-se a nadar.


        Claramente, muitas pessoas diferentes descobriram um tópico de estudo interessante
e importante na locomoção. Uma das coisas que torna a locomoção humana tão interessante
é o seu desenvolvimento. Ao nascer, as crianças não são capazes de se mover por si
próprias de um lugar para o outro. Todavia, após um ano, as crianças com desenvolvimento
normal adquirem essa capacidade. Elas podem primeiro rastejar, engatinhar ou rolar. A
seguir, podem mover-se pouco a pouco sobre ambos os pés, segurando na mobília, nas
mãos dos pais ou em um brinquedo de empurrar. Logo depois dão seus primeiros passos
sozinhos; após isso, ninguém pode pará-las.
        Ao longo da vida, os indivíduos usam muitos métodos diferentes de locomoção. É
claro, o tipo de locomoção usado depende das restrições em jogo. Durante a infância,
altura, peso e comprimento mudam de forma considerável e podem agir como
controladores de taxa. Em grande parte da vida, outros tipos de restrições podem incentivar
ou desestimular comportamentos. Esses poderiam incluir motivação e experiência ou a
especificidade de gênero percebida de um padrão de modo de andar como o saltitar. À
medida que uma pessoa se aproxima da velhice, as características físicas podem retornar
como importantes controladores de taxa; todavia, as restrições funcionais, como medo de
cair ou perda da capacidade de equilíbrio, podem agir fortemente de desestimulando a
locomoção, da mesma forma que as restrições ambientais, tais como mudanças no clima
(neve e gelo). Logo podemos examinar muitas restrições mutatórias para entender a
locomoção ao longo da vida.


Locomoção Bípede Ereta

        Quando a maioria das pessoas pensa em locomoção, está pensando no traço
unicamente humano de caminhar sobre dois pés (locomoção bípede ereta). Na verdade, os
humanos podem mover-se de um lugar para o outro em terra – correndo, galopando,
saltitando ou engatinhando, dentre diferentes podem interagir para determinar a adequação
da marcha. Você pode ter um tornozelo torcido. Você pode estar dançando. Você pode
precisar passar por baixo de uma cerca ou atravessar uma camada de gelo. Seus pais podem
ter ordenado “não corra!”. Todas essas restrições incentivam um ou dois padrões de marcha
enquanto desestimulam muitos outros. É claro, a importância de certas restrições muda
durante diferentes fases de sua vida. Vamos dar uma olhada no desenvolvimento da
locomoção bípede ereta ao longo da vida.

                                                             Locomoção bípede ereta é
                                                             a locomoção sobre dois pés.


       Após a infância, a maioria dos humanos se move de um lugar para outro usando a
       locomoção bípede ereta. Um padrão particular de locomoção é chamado de “modo
       de andar”. Padrões de marcha bípede ereto incluem a caminhada, a corrida, o
       galope, o salto, dentre outros.


Precursores da locomoção

       Essa história começa a dois ou três meses após a concepção, quando o feto começa
a mover suas pernas de forma reflexa e ou espontânea. Esses movimentos continuam por
toda a gravidez e em muitos meses de vida no mundo exterior. Lembre-se de dois pontos
importantes sobre o comportamento motor inicial:
       1- Movimentos espontâneos da perna, como o chute, lembram a caminhada adulta.
       2- Existe a pisada reflexa, mas ela não precisa desaparecer para que a pisada
           voluntária ocorra.
       3- Marcos motores ocorrem de forma que levam à habilidade de locomoção bípede
           ereta. (fig. 7.1)
        O que esses pontos significam? Eles surgem que os humanos têm certas restrições
individuais iniciais que incentivam a locomoção bípede ereta. De alguma forma, esses
movimentos iniciais estão integrados nos movimentos voluntários posteriores. Isso não
significa, todavia, que a capacidade de locomoção existe desde o início (uma capacidade
“pré-programada”) e que simplesmente a tornamos melhor pelo processo de
desenvolvimento. Todos esses precursores da locomoção entram na mistura, juntamente
com restrições estruturais, tais como altura, peso e massa muscular. A locomoção surge
quando restrições suficientes interagem para incentivá-la.


       Reflexos primitivos e movimentos espontâneos durante a infância parecem ser
       precursores da locomoção voluntária. A sincronia e as similaridades espaciais
       existem entre esses padrões de movimento primário.



Primeiros esforços voluntários de locomoção: rastejando e engatinhando

        O que é necessário para uma criança mover-se de um local para outro pela primeira
vez? Certos marcos motores devem ser alcançados, tais como erguer a cabeça quando
estiver deitada de bruços. A criança deve também ter força suficiente para suportar e mover
a si própria, e deve tornar independentes seus membros, os quais devem se mover a
princípio de modo simultâneo. Além dessas restrições individuais, o ambiente deve permitir
que a criança se locomova. A criança deve avaliar ambiente e ver o quão bem ele se
encaixa às suas restrições individuais. Adolph e colaboradores (1998) sugerem que o
ambiente deve permitir muitas coisas à criança:

       A superfície deve oferecer um caminho contínuo para apoiar o corpo, deve ser
larga o bastante para permitir a passagem conforme o corpo se move para a frente,
robusta o bastante para suportar o peso do corpo, bem como firme e plana o bastante e
com fricção suficiente para manter o equilíbrio conforme o peso é transferido de um
membro para outro.

        Certos sistemas agem como limitadores (ou controladores) de taxa que restringem a
iniciação de uma criança na locomoção. Uma vez alcançados os níveis essenciais desses
sistemas, uma criança pode começar a se movimentar. Em geral, os primeiros tipos de
locomoção que as crianças exibem são engatinhar (mover-se sobre mãos e joelhos) e o
rastejar (mover-se sobre as mãos e o abdome – rastejo de combate). A seguinte progressão
das habilidades leva ao engatinhar e ao rastejar:
    1- Rastejar com o peito e o estômago no chão;
    2- Engatinhar baixo com o estômago acima do chão, mas com as pernas trabalhando
        juntas (simetricamente);
    3- Balançar para frente e para trás na posição de engatinhar alto;
    4- Engatinhar com as pernas e os braços trabalhando alternadamente.

   Observe que, ao fazer a transição do balançar para o engatinhar, as crianças devem
progredir de um padrão bilateral (os membros se movem ao mesmo tempo) para um
transversal (alternando os movimentos dos membros). O que poderia iniciar esse padrão?
Goldfield, 1989 propôs que a orientação da cabeça, a preferência de mão e o brincar de
chutar cumprem um papel na transição. Ele registrou os movimentos rastejar e balançar de
crianças até começarem a engatinhar e também observou que as crianças usaram ambas as
mãos ou uma mão em particular para alcançar um brinquedo colocado à sua frente. Antes
de as crianças serem capazes de erguer o tronco do chão, elas tendem a ligar a atividade da
perna e a posição do braço à orientação da cabeça. Se a cabeça virou para a esquerda, por
exemplo, o braço esquerdo provavelmente se estendeu e perna direita chutou. Quando a
força do braço aumenta, as crianças podem empurrar para a posição de engatinhar alto, mas
elas necessitam de ambos os braços para apoio.
    Por fim, a força média ou superior e a saúde da criança devem interagir com esses
fatores ambientais para permitir que o padrão de modo de andar de mãos-e-pés surja. Como
esses fatores (e talvez outros que não tenham sido explorados) amiúde e inexistem e
interagem para incentivar o padrão de modo de andar de mãos-e-pés, dificilmente veremos
corrida sobre quatro membros em crianças.



O caminhar ao longo da vida

       Em geral uma vez em que as pessoas podem caminhar, elas não mudarão muito sua
técnica durante suas vidas. Como outros comportamentos motores, todavia, as pessoas
mudam continuamente a maneira de caminhar conforme as diferentes restrições mudam. O
que permanece igual na vida de uma pessoa é a sincronia fundamental do caminhar.



Os primeiros passos: características do caminhar inicial

        Os primeiros passos sozinhos de uma criança tende a ser um independente do outro.
A criança dá pequenos passos com pequena extensão de perna e de quadril. Ela pisa com o
pé chapado e aponta para fora os seus dedos dos pés, ela coloca seus pés bem afastados um
do outro quando em pé para melhorar o equilíbrio lateral e não utiliza nenhuma rotação de
tronco. A criança mantém seus braços levantados em guarda alta. Isso tudo proporciona um
equilíbrio melhor para o iniciante.
        Conforme a criança continua a se desenvolver, seus braços caem ao nível da cintura
(guarda média) e depois para uma posição estendida nas laterais (guarda baixa), mas ainda
não balançam. O balanço dos braços, quando as crianças começam usá-lo, muitas vezes é
desigual e irregular; ambas as mãos poderiam balançar juntas para frente (Roberton, 1978).

								
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