EFEITO DO TIPO DE RAMO ED A LUMINOSIDADE NO ESTABELECIMENTO by HC12060723136

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									    ESTABELECIMENTO IN VITRO DE ARAÇÁ, CV. IRAPUÃ: EFEITO DO TIPO DE
         RAMO E DO REGIME DE LUZ SUBMETIDO À PLANTA MATRIZ1

            Souza, J. A. 2*; Schuch, M. W. 3; Silva, L. C.4; Antunes, L. E. C.5
        1
          Laboratório de Micropropagação de Plantas Frutíferas; Apoio MCT-CNPq, FAPERGS.
2
 * Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Agronomia, área de concentração em Fruticultura
           de Clima Temperado, FAEM/UFPel. E-mail: joseas@ufpel.tche.br Bolsista CNPQ.
        3
          Engenheira Agrônoma, Dra., Professora do Departamento de fitotecnia, FAEM/UFPel.
              Caixa Postal 354, 96010-900, Pelotas, RS. E-mail: marciaws@ufpel.tche.br
 4
   Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Agronomia, área de concentração em Fruticultura
       de Clima Temperado, FAEM/UFPel. E-mail: lucianecouto@yahoo.com.br Bolsista CAPES.
     5
       Engenheiro Agrônomo, Dr., Pesquisador da Embrapa Clima Temperado. Caixa Postal 403,
                                     BR 392 Km 78 Pelotas, RS.

                                  INTRODUÇÃO
       O araçá é uma fruteira nativa da América do Sul, pertencente à família
Myrtaceae, gênero Psidium [7]. Atualmente, esta espécie está sendo estudada por
diversos pesquisadores principalmente pelas excelentes características dos seus
frutos que, em alguns casos, chegam a possuir proporcionalmente entre quatro a
sete vezes, ou mais de vitamina C, quando são comparadas as frutas cítricas, além
de excelente aceitação por parte dos consumidores brasileiros [5].
       O araçazeiro é considerado de difícil propagação vegetativa, por este motivo
o método de propagação mais utilizado é através de sementes [2]. Porém a cultura
de tecidos através da micropropagação pode ser uma alternativa viável na produção
comercial de mudas, produzindo-as durante todo o ano, obtendo plantas com
elevada qualidade sanitária.
       O estabelecimento in vitro, principalmente no caso de espécies lenhosas
como a maioria das plantas frutíferas, apresenta dois problemas principais, a
contaminação e a oxidação. Entretanto a manutenção das plantas matrizes em casa
de vegetação mediante a aplicação de fungicida, bactericida e protegida de
intempéries pode ser uma medida preventiva contra a contaminação dos explantes.
       Outro tratamento que pode ser dado à planta matriz é o estiolamento dos
ramos, pois as plantas lenhosas sendo mantidas a plena luz, estariam sintetizando
maior quantidade de fenóis, os quais intoxicam os explantes ao se oxidarem in vitro
[4].
       O estado fisiológico da planta de onde são retirados os explantes também
afeta o estabelecimento in vitro, e a retirada dos mesmos deve ser feita de
preferência a partir de brotações novas que são formadas durante a fase ativa de
crescimento de plantas bem nutridas [4]. Segundo os autores [3], estacas herbáceas
apresentam alta atividade meristemática e baixo grau de lignificação, já as semi-
lenhosas são mais lignificadas e quanto mais lignificadas maior a dificuldade de
enraizamento na propagação por estaquia, isso também influenciando no
estabelecimento in vitro.
       Este trabalho teve como objetivo avaliar o efeito do regime de luz submetido à
planta matriz e do tipo de ramo utilizado no estabelecimento in vitro de araçá,
cultivar Irapuã.

                             MATERIAL E MÉTODOS
       O trabalho foi realizado no Laboratório de Micropropagação de Plantas
Frutíferas, Departamento de Fitotecnia da Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel,
da Universidade Federal de Pelotas, RS. O material vegetal utilizado foram mudas
de araçá cultivar Irapuã, cedidas pela Embrapa-Clima Temperado.
        Os tratamentos constituíram-se de diferentes regimes de luz nas plantas
matrizes na casa de vegetação (com luz e escuro durante 15 dias), de dois tipos de
ramos doadores de explantes (semi-lenhoso e herbáceo) e cinco datas de avaliação
(7, 14, 21, 30 e 45 dias), totalizando 20 tratamentos. O delineamento experimental
utilizado foi inteiramente casualizado, com quatro repetições por tratamento. Cada
repetição constituiu-se de cinco tubos de ensaio com um explante.
        O explante constituiu-se de segmento nodal extraído de material cultivado em
casa de vegetação. Visando diminuir a contaminação in vitro, as mudas, foram
pulverizadas semanalmente, por duas semanas consecutivas, com antibiótico
Agrimicina (Estreptomicina) e fungicida Benlat (Benomil) nas doses de 2,4gL -1 e
0,6gL-1, respectivamente.
        Na coleta do material, os ramos foram cortados com comprimento de
aproximadamente 30cm e levados no escuro até o laboratório, onde permaneceram
por cerca de 3 minutos em água corrente, após foi feito toalete, segmentando-os e
eliminando-se as folhas na altura do pecíolo, sendo em seguida os segmentos
desinfestados em câmara de fluxo laminar onde o material foi colocado em álcool
70% por 10 segundos, seguindo pela imersão em uma solução de hipoclorito de
sódio (concentração de 2,5%), adicionada de 2 gotas de Tween 20, pelo período de
10 minutos e após lavados por três vezes em água destilada e autoclavada.
        O meio de cultura utilizado foi o MS [6], acrescido de 5M de BAP, sendo o
pH ajustado para 5,8 antes da inclusão do ágar na concentração de 6gL -1 e,
posteriormente, autoclavado a 121ºC e 1,5atm por 20 minutos. Foram utilizados
tubos de ensaio com 10mL de meio de cultura.
        Após a inoculação, os explantes permaneceram no escuro, por um período de
7 dias, visando diminuir a oxidação fenólica. Em seguida foram transferidos para
sala de crescimento com fotoperíodo de 16 horas luz, temperatura de 25  2ºC e
densidade de fluxo de fótons do período de luz de 27molm-2s-1.
        Aos 7, 14 e 21 dias de cultivo avaliou-se a porcentagem de contaminação
fúngica e bacteriana além da porcentagem de explantes oxidados. Aos 30 e 45 dias
de cultivo além das variáveis analisadas anteriormente foi avaliado a sobrevivência e
o estabelecimento dos explantes. A sobrevivência foi indicada pela coloração verde
do explante e o estabelecimento foi determinado pelo desenvolvimento dos
primórdios foliares no explante.
        Os dados foram submetidos à análise de variância e as médias dos
tratamentos comparadas estatisticamente pelo teste de Duncan, através do uso do
programa estatístico SANEST [10]. Os dados em porcentagem foram transformados
em arco seno da raiz quadrada de x/100, onde x é o percentual obtido.

                           RESULTADOS E DISCUSSÃO
       A análise da variância permitiu verificar que para percentagem contaminação
fúngica o tipo de ramo foi altamente significativo (α=0,01), sendo que o ramo semi-
lenhoso apresentou maior contaminação que o ramo herbáceo, apresentando
72,83% e 20,88%, respectivamente.
       Para percentagem de contaminação bacteriana verificou-se que o
fotoperíodo, o tipo de ramo utilizado e os dias de avaliação do experimento foram
altamente significativos (α=0,01). O desdobramento das médias pelo teste de
Duncan a 5% de probabilidade permitiu verificar que os explantes coletados de
plantas matrizes mantidas na luz e o ramo semi-lenhoso apresentaram maior
contaminação bacteriana (Tabela 1). Verificou-se que aos 14 dias ocorreu maior
percentagem de contaminação bacteriana (Figura 1).
Tabela 1 – Percentagem de contaminação bacteriana observada em explantes de
          araçá , cv. Irapuã após 45 dias de cultivo in vitro
                    Percentagem de contaminação bacteriana
                                Regime de luz
                Com luz                          Escuro por 15 dias
                97,50 a                               84,80 b
                                Tipo de ramo
              Semi-lenhoso                           Herbáceo
                99,00 a                               80,37 b
               Letras distintas dentro de cada linha diferem entre si pelo teste de Duncan a 5%


                                                                                                100
                     P e rc e n ta g e m d e


                                                                        B a c te ri a n a (%)
                                               C o n ta m i n a ç ã o




                                                                                                 80

                                                                                                 60

                                                                                                 40
                                                                                                          y = 5 0 ,2 9 4 + 2 ,5 5 8 9 x - 0 ,0 5 7 4 x 2
                                                                                                 20
                                                                                                                         r 2 = 0 ,9 2 7 8
                                                                                                  0
                                                                                                      0    10                 20                 30        40

                                                                                                               D ia s d e A va lia çã o



Figura 1 – Percentagem de contaminação bacteriana observada em explantes de
             araçá cv. Irapuã, aos 7, 14, 21 e 30 dias de cultivo in vitro.
        Para a variável percentagem de oxidação dos explantes a análise da
variância permitiu verificar que o tipo de ramo foi altamente significativo (α=0,01),
sendo que o ramo herbáceo apresentou maior oxidação que o ramo semi-lenhoso,
apresentando 2,82% e 0,02%, respectivamente. Segundo Sato et al [8] a oxidação e
contaminação são problemas no estabelecimento in vitro de espécies nativas, em
função de suas características peculiares.
        Para a percentagem de sobrevivência dos explantes a análise da variância
permitiu verificar que o regime de luz e o tipo de ramo utilizado foram altamente
significativos (α=0,01). O desdobramento das médias pelo teste de Duncan permitiu
verificar que explantes retirados de plantas matrizes que foram mantidas no escuro e
explantes de ramos herbáceos apresentaram maior percentagem de sobrevivência
(Tabela 2).
Tabela 2 – Percentagem de sobrevivência observada em explantes de araçá cv.
               Irapuã após 45 dias de cultivo in vitro
                         Percentagem de sobrevivência
                                Regime de Luz
           Escuro por 15 dias                         Com luz
                11,44 a                               1,34 b
                                 Tipo de ramo
               Herbáceo                             Semi-lenhoso
                15,38 a                               0,34 b
               Letras distintas dentro de cada linha diferem entre si pelo teste de Duncan a 5%
      Resultados semelhantes foram encontrados por Silveira et al [9], que
observaram maior percentagem de sobrevivência, brotação e enraizamento em
estacas de abacateiro submetidas ao estiolamento.
        Para a variável percentagem de estabelecimento a análise da variância
permitiu verificar que houve interação entre o regime de luz e o tipo de ramo
utilizado, sendo que o ramo herbáceo mantido no escuro apresentou maior
estabelecimento em comparação com o ramo mantido em condições normais de
iluminação, apresentando 29,50% e 2,99%, respectivamente. Segundo Grattapaglia
e Machado [4] a manutenção de ramos no escuro estimula o estiolamento,
permitindo a obtenção de explantes adequados. Também Assis e Teixeira [1]
afirmam que tanto a formação de parte aérea como de raiz são influenciadas pelo
fotoperíodo, ao qual os explantes são expostos.

                                CONCLUSÕES
       O tipo de ramo herbáceo apresentou menor contaminação fúngica e
bacteriana, porém apresentou maior oxidação dos explantes no estabelecimento in
vitro de araçá.
       Explantes obtidos de plantas matrizes mantidas no escuro apresentaram
menor contaminação bacteriana.
       A maior porcentagem de sobrevivência e estabelecimento in vitro de araçá cv.
Irapuã foi observada em ramos herbáceos retirados de plantas matrizes mantidas no
escuro.

                         REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
[1] ASSIS, T. F.; TEIXEIRA, S. L. Enraizamento de plantas lenhosas. In: TORRES,
A. C.; CALDAS, L. S.; BUSO, J. A. Cultura de tecidos e transformação genética
de plantas. Brasília: Embrapa-SPI/Embrapa-CNPH, 1998, p. 183-260.
[2] DONADIO, L. C.; MÔRO, F. V.; SERVIDONE, A. A. Frutas brasileiras.
Jaboticabal: Novos Talentos, 2002. 288p.
[3] FACHINELLO, J. C.; HOFFMANN, A.; NACHTIGAL, J. C.; KERSTEN, E.;
FORTES, G. R. L. Propagação de plantas frutíferas de clima temperado. Pelotas:
Editora UFPEL, 1995. 179p.
[4] GRATTAPAGLIA, D.; MACHADO, M. A. Micropropagação. In: TORRES, A. C.;
CALDAS, L. S.; BUSO, J. A. Cultura de tecidos e transformação genética de
plantas. Brasília: Embrapa-SPI/Embrapa-CNPH, 1998, p. 183-260.
[5] MANICA, I. Frutas nativas, silvestres e exóticas 1: técnicas de produção e
mercado: abiu, amora-preta, araçá, bacuri, biriba, carambola, cereja-do-rio-grande,
jabuticaba. Porto Alegre: Cinco Continentes, 2000. 327p.
[6] MURASHIGE, T.; SKOOG, F. A revised medium for rapid growth and biossay with
tabacco tissue cultures. Physiologia Plantarum, Kobenhavn, v. 15, p.473-497,
1962.
[7] RASEIRA, M. C. B.; RASEIRA, A. Contribuição ao estudo do araçazeiro,
Psidium cattleyanum. Pelotas: Embrapa-CPACT, 1996. 95p.
[8] SATO, A. Y.; DIAS, H. C. T.; ANDRADE, L. A.; SOUZA, V. C. Micropropagação
de Celtis sp: controle da cantaminação e oxidação. Cerne, v. 7, n. 2, p. 117 – 123,
2001.
[9] SILVEIRA, S. V.; SOUZA, P. V. D.; KOLLER, O. C. Propagação vegetativa de
abacateiro por estaquia. Revista Brasileira de Fruticultura, v. 26, n. 1, p. 191-192,
2004.
[10] ZONTA, E. P.; MACHADO, A. A. SANEST – Sistema de análise estatística
para microcomputadores. Pelotas: DMEC/IFM/UFPel, 1987. 138p.

								
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