Homem-Natureza: a nova rela��o �tica by FWwV52

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									Homem-Natureza: a nova relação ética


 ANTÔNIO SILVEIRA RIBEIRO DOS SANTOS Juiz de direito em São Paulo.
Criador do Programa Ambiental: A Última Arca de Noé
(www.aultimaarcadenoe.com)

       I - ÉTICA : Definição
        A palavra ética vem do grego ETHOS que significa: modo de ser, caráter
enquanto forma de vida do homem.
        Ética é a forma de proceder ou de se comportar do ser humano no seu meu
social, sendo portanto uma relação intersocial do homem.       Os parâmetros são as
condutas aceitas no meio social, e tem raízes no fato da moral como sistema de
regulamentação das relações intersociais humanas, e se assenta em um modo de
comportamento.
        Portanto, a ética é uma ciência da moral e pode ser definida como: a teoria ou
ciência do comportamento moral dos homens em sociedade ( Adolfo Sanches Vasquez,
Ética, ed. Civilização Brasileira, 14ª edição ).
        Podemos, também, dividí-la em : ética normativa que são as recomendações;
e ética teórica quando explica a natureza da moral relacionadas às necessidades
sociais.
        Como teoria a ética estuda e investiga o comportamento moral dos homens,
tendo seu valor como teoria naquilo que explica e não no fato que recomenda ou
prescreve ( Vasquez , 1993 ).
        Atualmente, ante as correntes intuitivas, positivas e analíticas, a ética foi
reduzida a análise da linguagem moral, abstraindo-se as questões morais.
        Resultado disto é que a moral e a ética perderam significado social, dando-se
importância a obtenção finalista do sucesso pessoal e material a qualquer custo,
ficando assim reduzida a preceitos delimitadores das relações profissionais ( Códigos
Éticos ), restando a ética normatizada apenas e direcionada às profissões. Não há mais
uma ética universal.
        Dessa forma, passamos por uma crise ética e moral, faltando uma orientação
ética geral, e a ética, como conhecemos, ciência da moral, está relegada a um plano
inferior social, deixando de ser uma orientadora do comportamento humano como
dantes.
       II - UMA NOVA FILOSOFIA : Ecocêntrica
        Desde o seu aparecimento como espécie inteligente o ser humano vem
interferindo sistematicamente no meio ambiente, degrando-o cada vez mais.
        A partir do sec.19, principalmente com a Revolução Industrial, surgiu um
grande avanço tecnológico, ocorrendo uma grande explosão demográfica com
conseqüência nefastas ao ambiente em todo o globo.
                Segundo Aristóteles : "Há um limite para o tamanho das nações, assim
como há um limite para outras coisas, plantas, animais, instrumentos; pois nenhuma
delas retém seu poder natural quando é muito grande, ou muito pequena; ao
contrario, ou perde inteiramente sua natureza, ou se deteriora".
        As palavras do grande sábio grego mostra-nos que na sua longínqua época
alguém já tinha uma visão cósmica do problema do crescimento das civilizações.
        No correr dos séculos a civilização humana foi se expandindo gradativamente
por todo o globo terrestre, sendo essa expansão de certa forma regular, e o
desenvolvimento tecnológico havido nos últimos cem anos, principalmente, propiciou o
surgimento de novas técnicas da medicina, o que resultou em uma queda dos índices
de mortalidade, aumentando a população mundial em vista do desequilíbio do binômio
nascimento-morte.
         Assim, quase ao final do século XX, experimentamos gravíssimos problemas
decorrentes da explosão demográfica como: mundialização da pobreza e da fome;
descontrole dos meios de produção alimentar , degradação cultural, entre outros;o que
vem impossibilitando nações inteiras de se manter , levando-as aos limites da
sobrevivência.
         Dessa forma, podemos constatar que a própria evolução científica do homem
está levando - o a uma crise de existência sem precedentes em sua história,
encurralando-o em seu próprio mundo.
         Somente com estudos profundos e um planejamento sério de desenvolvimento
com atenção específica da problemática populacional, bem como uma nova filosofia de
vida, poderá o ser humano conhecer o seu limite de crescimento e, assim, evitar que
a civilização moderna ultrapasse a sua capacidade de expansão e entre em colapso.
         Apesar do Planeta Terra estar no limiar desse colapso, ainda é tempo de
refletirmos sobre as palavras do grande filósofo grego e modificando nosso
comportamento tomarmos o rumo que nos permita sobreviver enquanto espécie.
         Devemos observar também,          que   toda a sociedade é responsável pela
degradação ambiental, pois: o rico polui com sua atividade industrial, comercial etc; o
pobre polui por falta de condições econômicas de viver condignamente e por falta de
informações, já que a maioria é semi-analfabeta; e o Estado polui por falta de
informações ecológicas de seu administradores, gerando uma política desvinculada dos
compromissos com o meio ambiente.
         Isto tudo, somado aos novos conhecimentos científícos que concluem que o
homem faz parte da natureza como vemos por exemplo na teoria evolucionista de
Darwin, pela qual a raça humana tem origem no mesmo ancestral dos grandes
macacos e evolui como todos os demais seres viventes, e ainda a Teoria de Gaia de
Luveloch para a qual a Terra, Gaia, é um ser vivo que pulsa em vida plena com todos
os seus seres, incluindo o homem em igualdade de condições, surgiu a necessidade do
ser humano rever a sua ação predatória e conseqüentemente seu comportamento
integral.
         Isto faz também com que a visão antropocêntrica que rege a conduta humana,
tendo o homem como o centro do universo, comece a perder força.
         A ética antropocêntrica, principalmente decantada por Kant, que orientou e deu
base para as doutrinas posteriores, e que estuda o comportamento social do homem
entre si, levando-o ao pedestal de espécie superior pela razão, perde campo para uma
nova visão: a visão ecocêntrica.
         Esta nova visão ecocêntrica que podemos definir como o homem centrado em
sua casa ( " oikos" = casa em grego) ou seja o homem centrado no tudo ou no planeta
como sua morada, permite o surgimento de uma ética que estuda também o
comportamento do homem em relação à natureza global; com ela o ser humano
passa a enteder melhor a sua atuação e responsabilidade para com os demais seres
vivos.
         Surge, então, a necessidade desta nova forma de conduta em relação à
natureza. Uma nova forma de importância; uma nova concepção filosófica homem-
natureza.
         A ética passa a ser também, neste caso, um estudo extrasocial e extrapola os
limites intersociais do homem, surgindo, assim, uma nova ética diversa da ética
tradicional. Surge a ética ambiental.
         Com ela nós passamos a ter mais " humildade zoológica ", e
conseqüentemente, passamos a ter um novo entendimento da vida; mas para que isto
ocorra é necessário que tenhamos uma plena conscientização da problemática
ambiental, caracterizando esta como ter pleno conhecimento de algo e o seu processo
dá-se internamente, refletindo-se nas ações.
       III - ÉTICA AMBIENTAL :
        Essa nova filosofia ecocêntrica e a conscientização fazem com que o ser
humano passe a se preocupar com suas ações entendendo que ele faz parte na
natureza. Não é o " dono da Natureza " . Passa a compreender que a Natureza não
está ali para servi-lo, mas para que ele possa sobreviver em harmonia com os demais
seres.
        Percebendo isso, o ser humano passou a se preocupar com suas ações. Passou
a ter ações coerentes em relação à Natureza. Mesmo as suas ações intersociais
passam a ser direcionadas à causa da preservação da vida global.
        Então, estará ele desenvolvendo cada vez mais uma visão " holística " do
mundo, ou seja uma visão global.
        Essa nova consciência e visão global trazem a ele a necessidade de desenvolver
uma nova linha de conduta ética entre ele e a Natureza, formando uma nova
interligação ética: homem-natureza.
        Ética Ambiental. Definição : é o estudo da conduta comportamental do
ser humano em relação à natureza, decorrente da conscientização ambiental
e conseqüente compromisso perssonalíssimo preservacionista, tendo como
objetivo a conservação da vida global.
        Com essa nova ética, diferente da ética tradicional, vai pautar toda a sua vida e
assim estará ele agindo sempre com um maior compromisso ético. Compromisso
criado por ele próprio. Dentro dele. Sem nenhuma lei que não seja a sua consciência.
        Esse compromisso ético é personalíssimo, de modo que não está adstrito a
nenhum outro compromisso. É um compromisso de todos os conscientes. É um
compromisso da sociedade consciente. É ético não legal. Não se trata de obrigação
legal, mas moral e ética de cada um.
        O compromisso ético reflete-se em ações éticas, isto é, em ações coerentes
com os princípios éticos da pessoa, de modo que as ações impulsionadas por esta nova
ética homem-natureza trarão resultados favoráveis à preservação ambiental e
conseqüentemente a melhoria da qualidade de vida.
        Como pode essa nova ética ser aplicada na vida profissional de pessoas que
exercem atividades não ligadas à Natureza?
        Essa é uma questão interessante, porque o aparente desvinculação entre uma
profissão qualquer e a natureza, é apenas aparente, mas tem ligação direta com sua
preservação.
        Sabemos que as diversas profissões tem conotações tipicamente de relações
sociais , ou seja homem/homem; porém, em se tratando de um
profissional de qualquer área consciente da problemática ambiental e,
conseqüentemente, imbuído da nova ética homem-natureza, suas ações serão
eticamente coerentes e direcionadas à preservação do ambiente, quando no seu
trabalho deparar com ações ou tarefas prejudiciais à vida do ser humano e da
Natureza em si.
        Estará ele atento para evitar estas ações, lutando até mesmo contra seus
interesses pessoais em prol da causa ambiental. Por que?
        Porque ele estará agindo segundo a sua nova ética. Não conseguirá aviltar a
relação ética que ele mesmo se impôs em relação à Natureza.
        Então, não aceitará trabalhar por causas que venham prejudicar o meio
ambiente. Não aceitará argumentos nesse sentido. Estará ele preparado para impor a
sua nova ação, e em assim agindo todas as classes de profissionais, estarão unidas
não permitindo a divulgação de ações ou idéias prejudiciais à Natureza e à vida,
barrando a divulgação dessas idéias e ações.
              Dessa forma é criada uma barreira ética protegendo a natureza como um
todo, e certamente o profissional estará tendo uma grande satisfação interior no
exercício de sua profissão.
      IV - CONCLUSÃO :
        A ética ambiental aqui exposta passa a ser o início de uma nova ordem
mundial, é uma nova filosofia de vida do ser humano alicerçada em novos valores
extrasociais humanos.
        Sua base científica é o estudo da relação homem-natureza, englobando neste
binômio todas as raças humanas e todos os seres existentes, abrangendo também os
inanimados como o solo, o ar e a água. Tudo que existe tem sua importância e passa a
fazer parte desta nova relação ética.
        Esta nova ética ajudará a formar uma humanidade consciente de sua posição
perante a vida no planeta Terra e dará origem a uma nova postura, um novo
comportamento calcado na preservação global da natureza, sendo uma nova
esperança de vida.
        A colocação em prática dessa nova forma de comportamento ético propiciará
uma enorme satisfação subjetiva e íntima em cada individuo, e consenqüentemente da
sociedade humana como um todo, de que estará contribuindo com responsabilidade
para a preservação do maior bem que existe que é a natureza como um todo. Isto nos
dará a esperança de poderemos prolongar a existência de nossa espécie nesse planeta
com condições mais dignas, permitindo que possamos usufruir juntamente com os
demais seres plenamente deste bem que é a vida, só existente por comprovação
científíca na nave mãe-Terra.
        Uma nova forma comportamental e uma nova esperança de vida, tornando
realidade a possibilidade de um desenvolvimento sustentável, somando-se as novas
diretrizes em questões importantes como sugerimos em outro artigo ( A biodiversidade
da Terra e o desenvolvimento sustentável, 1994. RT 716/7. ).
        Daí a importância de se conscientizar todos os segmentos da sociedade.

Ética ambiental
   Reflexões sobre a ética tradicional
    A palavra ética vem do grego ETHOS que significa: modo de ser, caráter enquanto
forma de vida do homem. Ética é a forma de proceder ou de se comportar do ser
humano no seu meu social, sendo portanto uma relação intersocial do homem, e seus
parâmetros são as condutas aceitas no meio social, e tem raízes no fato da moral
como sistema de regulamentação das relações intersociais humanas, assentando-se
em um modo de comportamento.
    Portanto, a ética é uma ciência da moral e pode ser definida como: a teoria ou
ciência do comportamento moral dos homens em sociedade ( Adolfo Sanches Vasquez,
Ética, ed. Civilização Brasileira, 14ª edição.1993 ).
   Podemos, também, dividi-la em:
- ética normativa que são as recomendações;
- ética teórica quando explica a natureza da moral relacionada às necessidades sociais.
    Enquanto teoria a ética estuda e investiga o comportamento moral dos homens,
tendo seu valor como teoria naquilo que explica e não no fato que recomenda ou
prescreve. Atualmente, ante as correntes intuitivas, positivas e analíticas, a ética foi
reduzida a análise da linguagem moral, abstraindo-se as questões morais ( conf.o
citado autor ).
    Resultado disso é que a moral e a ética perderam significado social, dando-se hoje
em dia importância a obtenção finalista do sucesso pessoal e material a qualquer
custo, ficando assim reduzidas a preceitos delimitadores das relações profissionais
(Códigos Éticos), restando apenas a ética normatizada e direcionada às profissões, não
havendo mais uma ética universal. Passamos por uma crise ética e moral, faltando
uma orientação ética geral.
    Como ciência da moral, a ética como conhecemos, está relegada a um plano
inferior social, deixando de ser uma orientadora do comportamento humano como
dantes, mas uma nova forma de relação ética vem surgindo, como pretendemos
demonstrar, ante a degradação ambiental em larga escala e o desenvolvimento
científico, o qual vem desvendando a origem do homem, tirando-o do pedestal de
espécie superior.
   Toda a sociedade é responsável pela degradação ambiental, pois : o rico polui com
sua atividade industrial, comercial etc; o pobre polui por falta de condições econômicas
de viver condignamente e por falta de informações, já que a maioria é semi-
analfabeta; e o Estado polui por falta de informações ecológicas de seu
administradores, gerando uma política desvinculada dos compromissos com o meio
ambiente.
   Somando isso aos novos conhecimentos científicos que concluem que o homem faz
parte da natureza como vemos por exemplo na teoria evolucionista de Darwin, pela
qual a raça humana tem origem no mesmo ancestral dos grandes macacos e evolui
como todos os demais seres viventes, e ainda a Teoria de Gaia de Lovelock para a qual
a Terra, Gaia, é um ser vivo que pulsa em vida plena com todos os seus seres,
incluindo o homem, em igualdade de condições, surgiu a necessidade do ser humano
rever a sua ação predatória e consequentemente seu comportamento integral, fazendo
com que a visão antropocêntrica que rege a conduta humana, tendo o homem como o
centro do universo, comece a perder força.
  Ética antropocêntrica
   A ética antropocêntrica, defendida principalmente por Kant, que orientou e deu base
para as doutrinas posteriores, estuda o comportamento social do homem entre si,
levando-o a condição de espécie superior pela razão, perde campo para uma nova
visão: a visão ecocêntrica.
  Ética ecocêntrica
   Esta nova visão ecocêntrica que podemos definir como o homem centrado em sua
casa - "oikos" = casa em grego, ou seja o homem centrado no tudo ou no planeta
como sua morada, permite o surgimento de uma ética que estuda também o
comportamento do homem em relação à natureza global; com ela o ser humano passa
a entender melhor a sua atuação e responsabilidade para com os demais seres vivos.
   Então, surge a necessidade desta nova forma de conduta em relação à natureza.
Uma nova concepção filosófica homem-natureza. A ética passa a ser também, neste
caso, um estudo extrasocial e extrapola os limites intersociais do homem, nascendo
assim, uma nova ética diversa da ética tradicional. Surge a ética ambiental.Com ela
nós passamos a ter mais "humildade zoológica", e consequentemente, passamos a ter
um novo entendimento da vida. Mas para que isto ocorra é necessário que tenhamos
uma plena conscientização da problemática ambiental, caracterizando esta como ter
pleno conhecimento de algo e o seu processo dá-se internamente, refletindo-se nas
ações.
   Essa nova filosofia ecocêntrica e a conscientização fazem com que o ser humano
passe a se preocupar com suas ações entendendo que ele faz parte na natureza. Não é
o "dono da Natureza", passa a compreender que a Natureza não está ali para servi-lo,
mas para que ele possa sobreviver em harmonia com os demais seres. Percebendo
isso, o ser humano passará a se preocupar com suas ações, passará a ter ações
coerentes em relação à Natureza e mesmo as suas ações intersociais passam a ser
direcionadas à causa da preservação da vida global. Então, estará ele desenvolvendo
cada vez mais uma “visão holística" do mundo, ou seja uma visão global.
    Essa nova consciência e visão global trazem a necessidade de desenvolver uma
nova linha de conduta ética com a Natureza, formando uma nova interligação ética:
homem-natureza.
  Ética ambiental: definição
    Podemos definir essa Ética Ambiental como a conduta, ou a própria conduta,
comportamental do ser humano em relação à natureza, decorrente da conscientização
ambiental e conseqüente compromisso personalíssimo preservacionista, tendo como
objetivo a conservação da vida global.
  Uma nova relação ética
    Com essa nova ética, diferente da ética tradicional, pautamos toda a sua vida e
assim estaremos agindo sempre com um maior compromisso ético. Compromisso
criado por nós; dentro de nós. Sem nenhuma lei que não seja a nossa consciência.
   Esse compromisso ético é personalíssimo, de modo que não está adstrito a nenhum
outro compromisso. É um compromisso de todos os conscientes. É um compromisso da
sociedade consciente. É ético não legal. Não se trata de obrigação legal, mas moral e
ética de cada um.
   O compromisso ético reflete-se em ações éticas, isto é, em ações coerentes com os
princípios éticos da pessoa, de modo que as ações impulsionadas por esta nova ética
homem-natureza trarão resultados favoráveis à preservação ambiental e
conseqüentemente a melhoria da qualidade de vida, ficando assim criada uma barreira
ética protegendo a natureza como um todo.
   A ética ambiental aqui exposta passa a ser o início de uma nova ordem mundial, é
uma nova filosofia de vida do ser humano alicerçada em novos valores extrasociais
humanos. Sua base científica é o estudo da relação homem-natureza, englobando
neste binômio todas as raças humanas e todos os seres existentes, abrangendo
também os inanimados como o solo, o ar e a água. Tudo que existe tem sua
importância e passa a fazer parte desta nova relação ética.
    Esta nova ética ajudará a formar uma humanidade consciente de sua posição
perante a vida no planeta Terra e dará origem a uma nova postura, um novo
comportamento calcado na preservação global da natureza, sendo uma nova
esperança de vida.
   A colocação em prática dessa nova forma de comportamento ético propiciará uma
enorme satisfação subjetiva e íntima em cada indivíduo, e conseqüentemente da sociedade
humana de estar contribuindo com responsabilidade para a preservação do maior bem que
existe que é a Natureza como um todo, e isto nos dará a esperança de poderemos prolongar
a existência de nossa espécie nesse planeta com condições mais dignas, permitindo que
possamos usufruir juntamente com os demais seres plenamente deste bem que é a vida, só
existente por comprovação científica na nave mãe-Terra.
 Uma nova forma comportamental e uma nova esperança de vida, daí a importância de se
conscientizar todos os segmentos da sociedade para essa nova relação ética.
http://www.aultimaarcadenoe.com/direitoetica.htm

  O meio ambiente como bem comum
Rogério Parentoni
Professor de Ecologia do ICB
Francisco A. Coutinho
Mestre em Filosofia pela Fafich e doutorando em Educação pela Faculdade de Educação
  É um truísmo afirmar que a conduta ética constitui a base sobre a qual relações sociais
humanas civilizadas deveriam se apoiar. Nessa perspectiva, um dos sinais de maturidade de
uma sociedade poderia ser o nível de conduta ética de seus cidadãos, independentemente da
função que estes exerçam. Também é um truísmo afirmar que violações dos preceitos de
conduta ética são tão comuns que se torna indispensável discutir a necessidade da aplicação de
princípios éticos em quaisquer ramos de atividades humanas – na política, medicina, direito,
psicologia, educação e também nas questões ambientais.
  Uma das questões fundamentais sobre a ética ambiental diz respeito às circunstâncias em que
os ecólogos – cientistas que estudam a estrutura e funcionamento da natureza viva –
desempenham suas atividades e as conseqüências da aplicação dos resultados das pesquisas
para o meio ambiente – relações complexas entre as atividades de sociedades humanas e os
processos biológicos naturais. Entre tais relações, destacam-se as atividades dos ecologistas ou
ambientalistas que lutam pela conservação da natureza e pelo desenvolvimento sustentável.
  A abordagem presente não se restringirá apenas à ética ambiental, mas esta será analisada
como um caso particular da ética na ciência. A abordagem inclui a reflexão sobre a postura
profissional daqueles cientistas que pesquisam em um “vácuo social”, os alienados da realidade
social em que desenvolvem suas pesquisas. Eles não se preocupam muito com a origem das
verbas que utilizam e como os resultados de suas pesquisas serão usados. Tacitamente,
assumem uma postura de neutralidade científica ao admitir que sua atividade é a de pesquisar;
caberia a tecnólogos ou a políticos a decisão sobre as circunstâncias da aplicação dos resultados
da pesquisa. A história das ciências abriga muitos exemplos de deslizes éticos de cientistas
preocupados apenas com a descoberta de novidades científicas.
  Algumas perguntas são necessárias para dar seqüência a essa análise: os cientistas deveriam
decidir sobre o que pesquisar ou sua orientação seriam as necessidades sociais, inclusive as
chamadas pesquisas estratégicas ou de defesa da soberania? Dito de uma outra forma, até onde
vai a independência do cientista, haja vista que o desenvolvimento de seus estudos depende de
verbas públicas ou da iniciativa privada, ambas sob a influência de ideologias particulares e,
muitas vezes, conflitantes? Ao concorrer às verbas destinadas à pesquisa, o cientista deve
ignorar as implicações éticas, muitas vezes não-explicitadas, que governariam sua concessão?
Por outro lado, os cientistas que percebem jogadas antiéticas por detrás da concessão de verbas
públicas ou privadas teriam responsabilidade moral sobre o uso que se fizer dos resultados e
produtos de suas descobertas? No entanto, a fundamentação das respostas a essas perguntas
demandaria a utilização de um espaço além do concedido para essa ocasião.
  Contudo, essa análise e outras várias, de maior profundidade e abrangência, embora possam
vir a ter uma certa utilidade, como subsídio para mudanças de atitude com respeito à cômoda
posição de neutralidade científica, confrontam-se com uma realidade nada animadora. Como é
possível esperar, em uma sociedade altamente competitiva e pouco colaborativa, que os
indivíduos sigam condutas éticas? Até mesmo sociedades organizadas sob supostos preceitos
teóricos igualitários falharam nesse intento. É também sintomático que certos ingênuos homens
de ciência, ao final do século XIX – caso do evolucionista inglês Alfred Russel Wallace –,
entusiasmados com o desenvolvimento científico, tenham se mostrado apreensivos com o fato
de que esse desenvolvimento não estivesse resultando em aperfeiçoamento moral.
  Esse conjunto de reflexões conduz à idéia de que seria premente a formação de profissionais
socialmente responsáveis e imagina-se que isso poderia ser alcançado por meio da educação. A
questão ética transita pelo reconhecimento de que o outro é um igual, embora único. Uma
relação ética verdadeira só se estabeleceria sob o seguinte princípio: os dois pólos da relação
são sujeitos e nenhum deles pode ser transformado, à revelia, em um instrumento da vontade
alheia. No caso de uma ética ambiental, as relações intersubjetivas seriam balizadas pelo
princípio de que o meio ambiente é um bem comum e extensível às gerações vindouras.
  Essa perspectiva de desenvolvimento sustentável estaria a exigir um processo educacional
efetivo, como o que se usa para ensinar o abecedário. Nesse processo, os valores adequados à
concretização desse princípio deveriam estar em evidência para fundamentar a tomada de
decisões que favoreçam o ambiente e a sociedade que dele depende. Espera-se que do processo
educacional decorra a implantação de valores e atitudes que preparariam o cidadão para um
futuro ambientalmente sustentável.
  No entanto, em uma sociedade que privilegia a competitividade, o enriquecimento rápido e o
consumo desenfreado, onde caberiam os valores que favorecessem a implementação de tal
perspectiva? Surge uma questão básica: como se pode falar de uma educação para valores
ambientais se o que falta são justamente esses valores? Em sua prática efetiva, como a escola
deveria estar preparada para educar para valores conflitantes com as exigências de uma
sociedade competitiva? Estariam os próprios alunos ou profissionais interessados em se imolar
no mercado de trabalho em nome de elevados e nobres valores que os manteriam
desempregados?
  A despeito disso, esperançosos ingênuos e utópicos de todos os tempos não desistiram e não
desistirão de buscar meios que facilitem a compreensão e a aplicação de regras de condutas
éticas. Sejam estas quais forem, todavia, sua efetiva implementação dependerá mais da
competência dos sistemas educacionais do que do desejo de um punhado de homens de boa
vontade. Mas, novamente, como tornar competente, do ponto de vista ético, um sistema
educacional em uma sociedade regida por um mercado financeiro que não se nutre exatamente
de valores éticos? O desafio para implantação de condutas éticas em uma sociedade que valoriza
o fútil é, portanto, um dos maiores desafios para um sistema educacional que alimente sonhos
de justiça social.
  A constituição de valores para uma ética ambiental talvez trafegue por outra via. Uma
característica evidente relativa à produção do conhecimento, em nossa sociedade, é a sua
complexidade. O conhecimento encontra-se de tal forma fragmentado, que é impossível a
qualquer profissional dominar todo o saber de sua área específica. Portanto, o entendimento
dessa situação pode demarcar uma via que dê passagem ao diálogo entre profissionais de áreas
diversas diante da resolução de problemas complexos como os ambientais. É desse diálogo que
surgiria a regulação das ações, pois nada melhor do que o conflito de idéias e propósitos para
que sejam estabelecidos parâmetros de conduta ética. Além disso – e de maior relevância –,
toda situação que acarrete tomada de decisões deveria ter a conivência da sociedade. A ética
que se vislumbra, nesse caso, que nos perdoem os grandes sistemas filosóficos, não se
fundamentaria em valores abstratos, eternos e universais, mas em interesses científicos e
sociais igualmente estabelecidos e regulados pelo diálogo.



http://www.ufmg.br/diversa/4/meioambiente.htm

								
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