Resumo: Os seres humanos reagem diferentemente �s condi��es

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					                  AVALIAÇÃO HORÁRIA DO ÍNDICE DE DESCONFORTO

        Nélia Kainara R. Cardoso1, Fábio Ullmann F. de Lima2, Simone Vieira de Assis3



                                               ABSTRACT


The humans react differently to the extreme condictions of the time and of the climate. Its
adaptations capacity to local adverse it depends on its hability, seeking places more adapted for its
survival. For that reason that several index biometeorological were developed with the purpose of
classifying the environmental comfort felt by everybody alive (plants, animals and the man). The
development of empirical formulae, which can express in numeric terms the sensation of
environmental comfort, show as some meteorological elements they can modify or to influence the
hormonal or chemical balance, in agreement with season of the year. This article approaches the
subject of the sensation of the environmental comfort using a formulation for the biometeorolgical
index that takes in consideration the temperatures of the air and of the dew point. To the months
estudied (nov, dec, jan ,feb ), january and february were the months that show the bigger desconfort
index. In general, november and december were the months which climate was satisfactory
agreeable in respect to hight temperatures and hight relative humidity.

KEYWORDS: comfort environmental, indexes biometeorological temperature of the air,
temperature of the dew point, relative humidity.


                                                 RESUMO

Os seres humanos reagem diferentemente às condições extremas do tempo e do clima. Sua
capacidade de adaptação a locais adversos depende de sua habilidade, procurando locais mais
apropriados para sua sobrevivência. Por esse motivo, vários índices biometeorológicos foram
desenvolvidos com a finalidade de classificar o conforto ambiental sentido por todos os seres vivos
(plantas, animais e o homem). O desenvolvimento de fórmulas empíricas, que expressam em termos
numéricos a sensação de conforto ambiental, mostram como alguns elementos meteorológicos
podem modificar ou influenciar o equilíbrio hormonal ou químico, de acordo com as estações do
ano. Este artigo aborda a questão da sensação do conforto ambiental usando uma formulação para o
índice biometeorológico que leva em consideração as temperaturas do ar e do ponto de orvalho,
para os meses de novembro a fevereiro. Janeiro e fevereiro apresentaram maior índice de
desconforto. De um modo geral, novembro e dezembro foram os meses com clima satisfatoriamente
agradável no que diz respeito a altas temperaturas acompanhadas por alta umidade relativa.

PALAVRAS-CHAVES: conforto ambiental, índices biometeorológicos,                         temperatura do ar,
temperatura do ponto de orvalho, umidade relativa.




________________________
1 Bolsista do Programa Especial de Treinamento (PET/SESU) Depto Met./Fac. Met./UFPel, nkai@bol.com.br
2 Bolsista do Programa Especial de Treinamento (PET/SESU) Depto Met./Fac. Met./UFPel, clavert@bol.com.br
3Professora, Depto Met./Fac. Met./UFPel Pelotas, RS CEP 96 010-900, assis@ufpel.com.br
INTRODUÇÃO
     Existem similaridades de como os humanos, animais plantas respondem ao meio ambiente.
Os princípios físicos e leis que governam as transferências de radiação e energia são as mesmas,
entretanto, como os humanos e animais são dotados de mobilidade, a capacidade de evitar situações
ambientais desconfortantes é muito maior, procurando locais mais apropriados para sua
sobrevivência. A reação humana às condições do tempo é involuntária, como, por exemplo, a
aproximação de tempestades, faz com que algumas pessoas sintam dores reumáticas e, quando uma
pessoa é exposta a um ambiente quente, a primeira resposta fisiológica é a dilatação dos vasos
sangüíneos, com o aumento do fluxo do sangue próximo a pele (Rosemberg, 1983).
     Os efeitos da umidade sobre o bem-estar do homem são bastante diversificados a ponto de
afetar a sensação térmica, além disso, a freqüência com que ocorrem constipações e outras doenças
respiratórias, causadas por poeira, ácaros e o desenvolvimento de fungos, estão diretamente
relacionados com a taxa de umidade do ar atmosférico.
     O tipo e a grandeza dos fatores ambientais que afetam o comportamento do ser vivo são
determinados pelas condições de umidade, temperatura e outros. Certas condições ambientais
exercem pouco ou nenhum estresse, embora algumas sejam tão severas que a sobrevivência do
indivíduo será dependente da sua habilidade ou capacidade de adaptação.
     Os estudos biometeorológicos visam analisar os efeitos biológicos do tempo e do clima nos
organismos vivos (plantas, animais e homem) e em seu habitat (Tromp & Bouma, 1979). Há um
intervalo estreito de satisfação das condições ambientais no qual o homem se sente confortável.
Para expressar como uma pessoa “se sente” num determinado ambiente, numa escala de muito frio
a muito quente, certos índices biometeorológicos têm sido usados, baseados na temperatura do ar,
na umidade do ar, na velocidade do vento, na radiação solar e outros. Normalmente, as duas
primeiras variáveis são as mais usadas na determinação desses índices. A sensação causada pelo
ambiente sobre o corpo humano está diretamente relacionada com a temperatura. Já vem de tempos
remotos a preocupação do ser humano em ocupar espaços que lhe proporcionem bem estar, daí
surgiu o termo aclimatização que pode ser definido como as mudanças fisiológicas que são
resultantes de um desempenho melhorado, após sucessivas exposições num ambiente quente e frio,
seco ou úmido, e outros (Ladell,1957). Quando uma pessoa se torna aclimatizada, o hipotálamo e
outros órgãos e sistemas que controlam o corpo, determinam um equilíbrio cooperativo com certos
níveis hormonais ou químicos, que são apropriados para determinadas estações do ano (Ponte,
1982).
     Thom (1959) desenvolveu um índice capaz de classificar o conforto ambiental em função das
temperaturas do bulbo seco(Tbs) e bulbo úmido (Tbu) , o qual foi denominado de índice
temperatura-umidade (ITU) e que é expresso por: ITU=0,4 (Tbs + Tbu ) + 4,78.
       Baseados no índice ITU, Segal & Pielke (1981) concluíram que poucas pessoas sentem-se
desconfortáveis quando ITU é igual a 21ºC ou menos; metade da população sente-se desconfortável
quando o ITU é igual a 24ºC ; e quase toda população local sente desconforto quando o ITU é maior
ou igual que 26,5ºC. Quando o ITU é maior do que 33ºC, a temperatura corporal pode exceder
40ºC e o calor pode induzir ao derrame cerebral.
       Pode-se escapar de intensa radiação solar buscando sombras e pode-se gerar brisa por meio
de ventilação, porém não há como escapar dos efeitos da alta umidade acompanhada de alta
temperatura. A sensação do aumento de calor devido aos altos valores de umidade está relacionada
com a diminuição do resfriamento evaporativo (Winterling, 1979) ,ou seja a umidade do ar impede
a evaporação do líquido expelido pelos poros.
       O estudo bioclimatológico de uma dada região pressupõe a caracterização e a quantificação
das condições climatológicas, através de variáveis apropriadas e métodos elucidados dos aspectos
que se pretende analisar e isto fornece informações sobre como o ser humano será influenciado ou
adaptado àquele local ou região.
      Alguns índices baseados na temperatura, umidade e velocidade do vento serviram para
caracterizar bioclimatologicamente a cidade de Coimbra-Portugal, mostrando que o clima, no
inverno, se afasta das condições de conforto, condição esta que contradiz a experiência dos
habitantes das cidades (Quintela et al., 1997).
      O estudo das condições ambientais tem utilidade também na adequação e construção de
parques, jardins e outros, como se pode comprovar no trabalho de Gómez et al. (1997), que usaram
índices de conforto ambiental, baseados em dados termométricos (bulbo seco, bulbo úmido e bulbo
negro ou temperatura radiante) e na velocidade do vento, com objetivo de verificar a resposta do
conforto climático à variedade de espaços, ou seja,          espaços abertos (ruas com diferentes
orientações ou distribuições de árvores) e funcional (tipo de edifícios, posição eliminação, etc). Este
trabalho teve como objetivo principal calcular e avaliar, para os meses estudados (nov,dez/2002 e
jan,fev/2003), como se comportou, durante todo o dia, o índice de desconforto para cidade de
Pelotas, RS.



MATERIAIS E MÉTODOS
   As informações meteorológicas utilizadas nesse trabalho, sobre temperatura do ar e umidade
relativa, ambas horárias (retiradas do termograma e do higrograma, respectivamente), foram obtidas
na estação Agroclimatológica de Pelotas, convênio EMBRAPA/UFPel, localizada a 31º52’ Sul de
latitude, 52º21’ Oeste de longitude e 13,2 metros de altitude. O período estudado corresponde aos
meses novembro de 2002 a fevereiro de 2003.
      Para o índice de desconforto (ID) usou-se a equação:

                           ID = 0,55 Ta + 0,2 Tpo + 5,28                             1


      A temperatura do ponto de orvalho (Tpo) foi calculada usando a equação de Tetens (Iribarne,
1982).
                                            ea 
                                 237,3 log       
                           Tpo =            6,10                                    2
                                            ea 
                                 7,5  log       
                                            6,10 

onde ea é a tensão de vapor d’água do ar não saturado, que é obtida a partir do valor da umidade
relativa (UR), ou seja,
                                              ea
                                        UR=      .100                                 3
                                              es

      A fórmula de Magnus foi usada para o cálculo da tensão saturante do vapor d’água (es)
(Iribarne, 1982):

                                       2937,4
                          log es = -          - 4,9283 log Ta + 23,5518                  4
                                         Ta



RESULTADOS E DISCUSSÕES
      Os meses janeiro e fevereiro de 2003 apresentaram um alto índice de desconforto, com
ID>26,7 (Tabela 1) (desconforto muito forte e perigoso). Em novembro e dezembro o mesmo ficou
entre 21<ID<26, ou seja, 50% ou mais da população sentiram desconforto. Estes valores
correspondem ao horário das 10 às 16 horas, onde se obteve maiores valores de ID. É importante
salientar também, que os maiores valores de ID, estiveram acompanhados de umidade relativa
considerável.
      Estes valores podem ser melhores analisados conforme as tabelas abaixo:

                        ID<21            Confortável.
                      21ID<24           10% da população total sente desconforto.
                     24 ID<26           50% da população total sente desconforto.
                        ID26            100% da população sente desconforto
                       ID>26,7           Desconforto muito forte e perigoso
                Fonte: Thom, 1959

                            Tabela 1 – Categorias do índice de desconforto.
               Temp. do ar (ºc)          UR(%)                   ID
                    T<10                60<UR<80               ID<15
                    T15                  UR>80                ID15
                  15<T20               60<UR<70             15<ID<20
                  21<T<27                 UR>70              20<ID25
                    T27               50<UR<100               ID>25

Tabela 2 – Categorias do índice de desconforto baseadas nos valores de temperatura do ar e da
          umidade relativa.


      Em geral, para todos os dias do período analisado, o índice de desconforto foi maior no
horário das 10 às 16 horas. Porém houve algumas exceções, como nos dias 20 e 24 de novembro e
12, 16 e 17 de fevereiro onde o horário crítico ficou entre 16 e 21 horas, 7 e 9 horas, 15 e 18 horas,
1 e 11 horas, 15 e19 horas; respectivamente.


CONCLUSÃO
      A alta umidade relativa, registrada na cidade de Pelotas, quando acompanhada de
temperaturas elevadas produz um desconforto ambiental difícil de ser descrito através das reações
fisiológicas, emocionais e comportamentais experimentadas pela população. Então, para todos os
dias do período analisado, o índice de desconforto foi maior no horário das 10 às 16 horas. Com
algumas exceções, como nos dias 20 e 24 de novembro e 12, 16 e 17 de fevereiro onde o horário
crítico ficou entre 16 e 21 horas, 7 e 9 horas, 15 e 18 horas, 1 e 11 horas, 15 e 19 horas;
respectivamente.


REFERÊNCIAS

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