parnasianismo e simbolismo pr� isa by HC120522021055

VIEWS: 219 PAGES: 22

									  Nenhum movimento cultural é globalizante. Não se pode
imaginar que todos os setores e pessoas da sociedade viveram
da mesma forma em determinado momento. Por isso, pode-se
dizer que em certas épocas há uma ideologia predominante,
porém não globalizante.
 Nessa edição, será abordada duas escolas literárias:
Parnasianismo e Simbolismo.
Parnasianismo
                      Simbolismo
• Origem;
                      • Características gerais
• Características
                      • Extras
• Curiosidades
• Autores e poesias
• Mitologia
"Não há nada mais belo que algo que não serve para
nada...".
                                     Caracteriza-se pela sacralidade
                                     da forma, pelo respeito às regras
Movimento literário de origem
                                     de versificação, pelo preciosismo
francesa, deu-se na década de 60,
                                     rítmico e vocabular, pela rima
através da revista Parnase
                                     rica e pela preferência por
contemporain, dirigida por
                                     estruturas fixas, como os
Théophile Gautier, e representou     sonetos. O emprego da
na poesia o espírito positivista e   linguagem figurada é reduzido,
científico da época, surgindo no     com a valorização da mitologia.
século XIX em oposição ao            Os temas preferidos são os fatos
romantismo.                          históricos, objetos e paisagens. A
Nasceu com a publicação de uma       descrição visual é o forte da
série de poesias, precedendo de      poesia parnasiana, assim como
algumas décadas o simbolismo. O      para os românticos são a
seu nome vem do Monte Parnaso, a     sonoridade das palavras e dos
montanha que, na mitologia grega     versos. Os autores parnasianos
era consagrada a Apolo e às musas,   faziam uma "arte pela arte", pois
uma vez que os seus autores          acreditavam que a arte devia
procuravam recuperar os valores      existir por si só, e não por
estéticos da Antiguidade clássica.   subterfúgios, como o amor, por
                                     exemplo
Parnasianismo no Brasil

    Representa um desligamento          Pode ser associado à Belle
     da realidade local no que            Époque - época dourada
     essa tinha de pobre, feia e          das elites européias, que se
     suja. Na adoção de valores           divertem com os lucros do
     europeus, os poetas fecham           espólio imperialista. O can-
     suas obras para um mundo             can, os cabarés e cafés
     grosseiro, feito de horrores,        parisienses, os janotas que
     pestes e exploração,                 bebem licor e as prostitutas
     trocando o país concreto             de alta classe formam a
     pela antigüidade, pelo               imagem frenética de um
     sonho com a cidade-luz,              mundo enriquecido e alegre.
     Paris, e pelo nacionalismo           Uma certeza inabalável
     ufanista. Nem todos os               preside esse mundo: a de
     parnasianos são                      que ele é eterno e superior.
     conservadores do ponto de
     vista político, mas sua arte o
     é.
Olavo Bilac foi eleito Príncipe dos
Poetas Brasileiros pela revista
Fon-Fon em 1907. Juntamente com
Alberto de Oliveira e Raimundo
Correia, foi a maior liderança e
expressão do parnasianismo no         Raimundo Corrêa
Brasil, constituindo a chamada
Tríade Parnasiana. A publicação
de Poesias, em 1888 rendeu-lhe a
consagração.
Ele já foi retratado como
personagem no cinema e na
televisão, interpretado por Rui
Minharro na minissérie                                  Alberto de Oliveira
"Chiquinha Gonzaga" (2002) e
Carlos Alberto Riccelli no filme
"Brasília 18%" (2006).
Ciclo

Manhã. Sangue em delírio, verde gomo,
Promessa ardente, berço e liminar:
A árvore pulsa, no primeiro assomo
Da vida, inchando a seiva ao sol... Sonhar!
Dia. A flor - o noivado e o beijo, como
Em perfumes um tálamo e um altar:
A árvore abre-se em riso, espera o pomo,
E canta à voz dos pássaros... Amar!

Tarde. Messe e esplendor, glória e tributo;
                                              Olavo Bilac
A árvore maternal levanta o fruto,
A hóstia da idéia em perfeição... Pensar!

Noite. Oh! Saudade!... A dolorosa rama
Da árvore aflita pelo chão derrama
As folhas, como lágrimas... Lembrar!
•   A melhor definição de Olavo   • Superficial nele são os
    Bilac é feita por Antonio       quadros históricos e
    Candido: "admirável poeta       mitológicos, o erotismo de
    superficial".                   salão, as miniaturas
                                    descritivas e o nacionalismo
                                    ufanista. Os temas, em geral,
                                    não estão à altura do
                                    domínio técnico e dos
                                    recursos de linguagem.
                                    Como acentua o próprio
                                    Antonio Candido, o poeta
                                    transforma tudo, o drama
                                    humano e a natureza, em
                                    "espetáculo", em coisa, em
                                    matéria-prima dos recursos
                                    esculturais do verso.Com
                                    algumas exceções, seus
                                    poemas nada aprofundam e
                                    ainda passam uma
                                    sensação de frieza.

    Caricatura de Olavo Bilac
Ceres é o nome romano para a deusa
grega Demeter.
Para os gregos Ceres era a deusa mãe
da Terra. Seduzida por Zeus ela teve
uma filha dele, Persephone.
Persephone cresceu alegremente entre
as outras filhas de Zeus, mas sendo
extremamente atraente e bela seu tio
Hades se apaixonou por ela. Um dia
enquanto Persephone estava colhendo
flores o chão se abriu, Hades apareceu
e arrastou-a para o Inferno.
Persephone gritou enquanto isto
acontecia mas, embora ouvindo-a
gritar, quando Ceres chegou ao local
não havia mais sinal de Persephone.
Por nove dias e nove noites Ceres
vagou pelo mundo com uma tocha
acesa em ambas as mãos procurando
a sua adorada filha. Somente no
décimo dia ela encontrou Helios, que
ve tudo, e que foi capaz de dizer a ela
o que tinha realmente acontecido.
Ceres então decidiu abandonar a sua
condição divina até que sua filha
retornasse para ela.                      Demeter
O exílio que Ceres impôs a si mesma de
sua condição divina fez a Terra se tornar
estéril, de modo que Zeus ordenou a
Hades que devolvesse Persephone à
sua mãe. Só que isto não era mais
possível. Durante a sua estadia no
Inferno de Hades, Persephone havia
comido uma semente de romã, o que a
ligava para sempre a Hades. Foi obtido
então um acordo segundo o qual Ceres
retornaria ao Monte Olimpus e
Persephone dividiria o ano em duas
partes: metade com a sua mãe a outra
metade no Inferno.
Esta é a razão pela qual quando
Persephone deixa o Inferno para estar
com a sua mãe a Terra floresce,           Persephone
trazendo a Primavera e o Verão aos
mortais como um sinal da alegria de
ambas as divindades. Quando chega o
momento de Persephone deixar sua
mãe para ir ao Inferno, o Outono e o
Inverno cobrem a Terra em sinal de
profunda tristeza.
Conheça os principais deuses gregos

 Zeus - deus de todos os deuses,
 senhor do Céu.
 Afrodite - deusa do amor e da
 beleza.
 Poseidon - deus dos mares
 Hades - deus dos mortos, dos
 cemitérios e do subterrâneo.
 Hera - deusa dos casamentos
 e da maternidade.
 Apolo - deus da luz e das obras
 de artes.
 Artemis - deusa da caça.
 Ares - divindade da guerra..
 Atena - deusa da sabedoria e
 da serenidade. Protetora da
 cidade de Atenas
 Hermes - divindade que
 representava o comércio e as
 comunicações
 Hefestos - divindade do fogo e    Afrodite
 do trabalho.
No final do século XIX, a literatura que       Assim, os simbolistas representam
representou essa nova forma de ver o            um grupo social que ficou à margem
mundo foi o Simbolismo. Os Simbolistas,         do cientificismo do século XIX e que
insatisfeitos com a onda de cientificismo e     procurou resgatar certos valores
materialismo a que esteve submetida a           românticos varridos pelo Realismo,
sociedade industrial européia na segunda        tais como o espiritualismo, o desejo
metade do século passado, representam a         de transcendência e de integração
reação da intuição contra a lógica, do          com o universo, o mistério, o
subjetivismo contra a objetividade              misticismo, a morte, a dor
científica, do misticismo contra o              existencial (sem, contudo, cair na
materialismo, da sugestão sensorial             afetação sentimental romântica.).
contra a explicação racional. O Simbolismo
começa por ser, portanto, uma negação do
materialismo, do positivismo, do
determinismo e outras atitudes científico-
filosóficas que embasaram a estética
Realista/Naturalista/Parnasiana. É, por
outro lado, um retorno ao subjetivismo
romântico, ao predomínio do "eu", da
imaginação e da emoção, ainda de modo
mais profundo e radical. É também uma
volta à atitude conflitual tensa do Barroco
e ao espiritualismo e religiosidade da era
medieval.
•   Linguagem vaga, fluida, que prefere sugerir a
    nomear. Utilização de substantivos              A origem dessa tendência
    abstratos, efêmeros, vagos e imprecisos;        espiritualista e até mística situa-
•   Presença abundante de metáforas,                se nas camadas ou grupos da
    comparações, aliterações, assonâncias,          sociedade que ficaram à margem
    paronomásias, sinestesias;                      do processo de avanço tecnológico
                                                    e científico do capitalismo do
•   Subjetivismo e teorias que voltam-se ao         século XIX e da solidificação da
    mundo interior;                                 burguesia no poder. São setores
•   Antimaterialismo, anti-racionalismo em          da aristocracia decadente e da
    oposição ao positivismo;                        classe média que, não vivendo a
•   Misticismo, religiosidade, valorização do       euforia do progresso material, da
    espiritual para se chegar à paz interior;       mercadoria e do objeto, reagem
•   Pessimismo, dor de existir;                     contra ela. Propõem a volta da
                                                    supremacia do sujeito sobre o
•   Desejo de transcendência, de integração         objeto, rejeitando desse modo o
    cósmica, deixando a matéria e libertando o      desmedido valor dado às coisas
    espírito;                                       materiais.
•   Interesse pelo noturno, pelo mistério e pela
    morte, assim como momentos de transição
    como o amanhecer e o crepúsculo;
•   Interesse pela exploração das zonas
    desconhecidas da mente humana (o
    inconsciente e o subconsciente) e pela
    loucura. Observação: Na concepção
    Simbolista o louco era um ser completamente
    livre por não obedecer às regras.
    Teoricamente o poeta simbolista é o ser
    feliz.
                                Simbolismo no Brasil
                                       Ao contrário do que aconteceu

    Os Malditos
                                        na Europa, onde o Simbolismo
                                        se sobrepôs ao Parnasianismo,
                                        no Brasil o Simbolismo foi
   Essa concepção da realidade         quase inteiramente abafado
    e da arte trazida pelos             pelo movimento parnasiano,
    Simbolistas suscita reações         que gozou de amplo prestígio
    entre setores positivistas da       entre as camadas cultas até as
    sociedade. Chamados de              primeiras décadas do século
    malditos ou decadentes, os          XX. Apesar disso, a produção
    simbolistas ignoram a               simbolista deixou contribuições
    opinião pública, desprezam o        significativas, preparando
    prestígio social e literário,       terreno para as grandes
    fechando-se numa quase              inovações que iriam ocorrer no
    religião da palavra e suas          século XX, no domínio da
    capacidades expressivas.            poesia.
Principais autores

 Cruz e Sousa: O Cavador do Infinito.         As características mais
                                              importantes da obra de Cruz e
   Cruz e Sousa (1862 - 1898), filho de       Sousa são:
 escravos, foi amparado por uma              No plano temático: a morte, a
 família aristocrática, que o ajudou          transcendência espiritual, a
 nos estudos. Ao transferir-se para o         integração cósmica, o mistério,
 Rio, sobreviveu trabalhando em               o sagrado, o conflito entre a
 pequenos empregos e sempre foi               matéria e espírito, a angústia e a
 alvo do preconceito racial. Na               sublimação sexual, a escravidão
 juventude, teve uma grande                   e uma verdadeira obsessão por
 decepção amorosa ao apaixonar-se             brilhos e pela cor branca.
 por uma artista branca. Acabou              No plano formal: destacam-se
 casando-se com Gravita, uma                  as sinestesias, as imagens
 negra, que mais tarde ficaria louca.         surpreendentes, a sonoridade
 De quatro filhos que o casal teve,           das palavras, a predominância
 apenas dois sobreviveram. Cruz e             de substantivos e utilização de
 Souza morreu com 36 anos, vítima de          maiúsculas, com a finalidade de
 tuberculose. Suas únicas obras               dar um valor absoluto a certos
 publicadas em vida foram Missal e            termos.
 Broquéis.
    As Estrelas
Lá, nas celestes regiões distantes,
No fundo melancólico da Esfera,
Nos caminhos da eterna Primavera
Do amor, eis as estrelas palpitantes.

Quantos mistérios andarão errantes,
Quantas almas em busca da Quimera,
Lá, das estrelas nessa paz austera
Soluçarão, nos altos céus radiantes.

Finas flores de pérolas e prata,         Cruz e Souza
Das estrelas serenas se desata
Toda a caudal das ilusões insanas.

Quem sabe, pelos tempos esquecidos,
Se as estrelas não são os ais perdidos
Das primitivas legiões humanas?!
Alphonsus de Guimarães

   Alphonsus de Guimarães (1870 -       Marcado pela morte da prima
    1921) nasceu em Ouro Preto,           Constança - a quem amava e contava
    estudou Direito em São Paulo e        apenas 17 anos -, sua poesia é quase
    foi durante muitos anos juiz em       toda voltada ao tema da morte da
    Mariana, cidade histórica,            mulher amada, que aconteceu
    vizinha de Ouro Preto.                apenas dois dias antes de seu
                                          casamento. Todos os outros temas que
                                          explorou, como natureza, arte e
                                          religião, estão de alguma forma
                                          relacionados àquele. A exploração do
                                          tema da morte abre ao poeta, por um
                                          lado, o vasto campo da literatura
                                          gótica ou macabra dos escritores ultra-
                                          românticos, recuperada por alguns
                                          simbolistas; por outro lado, possibilita a
                                          criação de uma atmosfera mística e
                                          litúrgica, em que abundam referências
                                          ao corpo morto, ao esquife, às
                                          orações, às cores roxa e negra, ao
                                          sepultamento
ISMÁLIA
Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar...
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar. No
sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar...
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar...
 E no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar...
Estava perto do céu,
Estava longe do mar...
 E como um anjo pendeu
As asas para voar...        Alphonsus de Guimarães
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar...
 As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par...
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar...
    O Simbolismo seguiu algumas correntes filosóficas em voga no fim do

Intuicionismo,               Século XIX. São elas:
por Henry Bergson.
                                                 Teorias de Nicolal Von Hartamn.
Tinha como objetivo a busca de                      Em sua Teoria do Inconsciente,
novas realidades interiores. No                   Von Hartamn cria o
entanto, essas realidades                         inconsciente, entidade
interiores, o "eu" profundo, serão                desconhecia que existe por trás
praticamente incomunicáveis,                      de tudo e que é totalmente
por constituírem um mundo                         inalcançável.
extremamente vago, complexo                         O inconsciente daria
e corrompido à simples tentativa                  explicação aos fenômenos, mas
de ser traduzido em palavras, já                  essa explicação não chegaria
que a própria consciência e                       ao conhecimento do homem. O
natureza dessas realidades são                    sentimento de impotência
irredutíveis à fala, colocando-se                 diante do enigma do Universo,
fora de todo controle do                          essa incógnita, gera o
pensamento e da razão.                            pessimismo.

                       Teorias de Soren Kierkegaerd
                              Definem o homem como uma síntese de
                       infinito e finito; de temporal e eterno; de
                       liberdade e de necessidade. Kierkegaerd
                       entende que qualquer opção do ser humano
                       conduz ao desespero pela impossibilidade de
                       conciliar a finitude e a infinitude; a
                       transcendência e a existência
                                              CRUZ E SOUZA - O
                                              POETA DO DESTERRO
Faróis é um livro
simbolista escrito                            Cinebiografia do
pelo Cruz e                                   poeta negro Cruz e
                     É um filme baseado na    Sousa, marco do
Souza.               obra de Edmond           Simbolismo na
                     Rostand, um simbolista   literatura brasileira.
                     françês.                 Com Kadu Carneiro
                                              e Maria Ceiça

								
To top