Ant�nio Gon�alves Dias

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Ant�nio Gon�alves Dias Powered By Docstoc
					                                               Prof. Heraldo Meirelles – Literatura 2º Ano

Gonçalves Dias                                                         01       O nome de Gonçalves Dias está mais ligado, porém, com a
(1823-1864)                                                               poesia indianista. Isso se deve ao fato de ninguém ter
DADOS BIOGRÁFICOS                                                         conseguido criar versos tão líricos, belos e magníficos quantos
      Antônio Gonçalves Dias, filho de um comerciante português           os que o poeta maranhense dedicou aos costumes, crenças,
e de uma mãe mestiça de índio e negro nasceu em Caxias,                   tradições dos índios brasileiros, por ele considerados como
1823, e faleceu na Costa do Maranhão, 1864. Orgulhava-se de               verdadeiros representantes de nossa cultura nacional. A figura
possuir nas veias o sangue das três raças que formavam o povo             do indígena ganha tons míticos e épicos dentro da poesia,
brasileiro. Foi estudante de Direito em Coimbra, onde assimilou           capazes de colocar à tona toda a sua harmonia com a natureza,
como poucos as idéias românticas que lá contemplou. Sua                   sua honra, virtude, coragem e sentimentos amorosos, mesmo
saudade e a distância da pátria o fizeram escrever obras-primas           que isso muitas vezes signifique uma imagem idealizada e
como A canção do Exílio, que o consagraria como o primeiro                exacerbada de sua vida quotidiana. É, apesar de todo esforço
grande poeta do Romantismo brasileiro. Retornando ao Brasil,              nacionalista, o resquício da visão que os povos da Europa
vem a publicar em 1846 seu primeiro livro, Primeiros Cantos, que          tinham do selvagem da América, aliada a uma tentativa de
o torna famoso e admirado por gente como Alexandre Herculano              conciliação entre a sua imagem e os ideais e honras do cavaleiro
e o imperador. Foi professor, funcionário público e crítico literário,    medieval europeu, fartamente cantado no Romantismo.
além de trabalhar em diversos jornais. Participou de várias                     Mais do que uma vigorosa exaltação nacionalista, alguns
viagens ao interior do Brasil, sobretudo no Ceará e na Amazônia,          dos versos que Gonçalves Dias dedicou aos índios servem e
como membro de missões científicas patrocinadas pelo governo              muito para denunciar os séculos de destruição que os
brasileiro. Fez também várias viagens à Europa, à procura de              colonizadores impuseram às suas culturas.
novos ares e novos tratamentos que curassem sua já avançada
tuberculose. Regressando da França muito doente, foi vítima do            PRINCIPAIS OBRAS
naufrágio do navio Ville de Boulogne, nas costas do Maranhão              Poesia
(seu estado natal), no ano de 1864.                                       Primeiros Cantos (1846); Segundos Cantos (1848); Sextilhas de
                                                                          Frei Antão (1848); Últimos Cantos (1851); Os Timbiras - obra
CARACTERÍSTICAS LITERÁRIAS                                                inacabada (1857); Cantos (1857).
      Gonçalves Dias foi um dos poucos poetas que soube dar               Teatro
um toque realmente brasileiro na sua poesia romântica, mesmo              Beatriz de Mendonça (1843); Leonor de Mendonça (1847);
escrevendo sobre todos os temas mais caros ao Romantismo                  Patkull (1943).
europeu, como o amor impossível, a religião, a tristeza e a               Outros Gêneros
melancolia. Suas paixões são reveladas muitas vezes num tom               Meditações (1845/46); Brasil e Oceânia (1852).
ingênuo e melancólico, mas muito menos tempestuosas e                     Tradução
depressivas que as dos poetas da segunda geração romântica. A             A Noiva de Messena, de Schiller (1863).
morte e a fuga do real não lhe são tão atraentes, principalmente
quando esse real inclui as belezas naturais de sua terra tão              Álvares de Azevedo
amada. Suas musas parecem se fundir às belas imagens e                    (1831-1852)
fragrâncias da natureza, lembrando várias vezes a própria pátria,         DADOS BIOGRÁFICOS
que é cantada com toda a sua exuberância e saudade,                             Manuel Antônio Álvares de Azevedo nasceu em São Paulo
revigorada pelo seu sentimento nacionalista. A saudade, aliás, é          em 1831 e faleceu no mesmo local em 1852. Mudou-se muito
a grande mola propulsora que leva o poeta a escrever em                   jovem para a cidade do Rio de Janeiro, vindo a estudar no
Coimbra o poema que é considerado por muitos a mais bela                  colégio D. Pedro II, onde foi aluno de Gonçalves de Magalhães.
obra-prima de nossa literatura:                                           Bem cedo começou a despertar interesse pelos poetas
                                                                          românticos europeus, principalmente Byron e Musset, que lhe
      A Canção do Exílio.                                                 inspiraram profundamente. Cursou faculdade de Direito em São
                                                                          Paulo, a qual não chegou a concluir. Nesse período de estudo, o
      Minha terra tem palmeiras,                                          poeta levou uma vida boêmia, ligada à sociedade "Epicuréia",
      Onde canta o Sabiá;                                                 grupo secreto muito conhecido pelos seus rituais satânicos, e
      As aves, que aqui gorjeiam,                                         acabou escrevendo toda a sua obra. Vítima da tuberculose,
      Não gorjeiam como lá.                                               termina o quarto ano da faculdade e vai passar férias no Rio de
      Nosso céu tem mais estrelas,                                        Janeiro, onde sofre uma queda de cavalo que lhe serviu para
      Nossas várzeas têm mais flores,                                     aumentar e agravar os problemas de saúde. Morreu pouco
      Nossos bosques têm mais vida,                                       tempo depois, sem ver seus poemas publicados.
      Nossa vida mais amores.
      Em cismar, sozinho, à noite,                                        CARACTERÍSTICAS LITERÁRIAS
      Mais prazer encontro eu lá;                                               Sua obra, embora irregular, é o que de mais rico existe
      Minha terra tem palmeiras,                                          dentro da geração ultra-romântica do Romantismo brasileiro, com
      Onde canta o Sabiá.                                                 magníficos versos que revelam todos os seus ardorosos desejos
      Minha terra tem primores,                                           juvenis aliados a uma forte tendência à depressão, à melancolia
      Que tais não encontro eu cá;                                        e à morte. Sua poesia muitas vezes se mostra macabra e
      Em cismar — sozinho, à noite —                                      satânica, ou com fortes toques de ironia e irreverência, que
      Mais prazer encontro eu lá;                                         lembram as melhores obras de Lord Byron. Álvares de Azevedo,
      Minha terra tem palmeiras,                                          no entanto, soube também expressar seus sentimentos mais
      Onde canta o Sabiá.                                                 puros e ingênuos, onde o amor é sempre representado pela
      Não permita Deus que eu morra,                                      mulher idealizada, adormecida e distante, mas com fortes
      Sem que volte para lá;                                              lampejos de sensualidade. Seus sentimentos de paixão e desejo
      Sem que desfrute os primores                                        convivem de forma tormentosa com o medo, o delírio, a tristeza e
      Que não encontro por cá;                                            a busca constante pela morte.
      Sem qu'inda aviste as palmeiras,                                          Leitor fervoroso da vida e da obra de Byron, Musset,
      Onde canta o Sabiá.                                                 Shelley, Goethe e outros,
DIAS, Gonçalves. Poemas de Gonçalves Dias. Rio de janeiro:                      Álvares de Azevedo vai, na maioria das vezes, se inspirar
Ediouro, 1995, p.19.                                                      nesses poetas para construir seus versos. Por isso, suas
                                                                          experiências relatadas são quase sempre fruto de uma rica e
                                                                     02
fértil imaginação, sempre pendendo para o campo das imagens               Terceira parte
obscuras e do sonho, tornando-o o mais criativo poeta de sua                    A seguir, Bertram, um dinamarquês ruivo, de olhos verdes,
geração.                                                                  conta que, também, uma mulher, uma donzela de Cadiz, Angela,
       Em prosa, seus contos fantásticos, reunidos em "Noite na           o levou à bebida e a duelar com seus três melhores amigos e a
Taverna", caracterizam o que há de mais gótico, satânico e                enterrá-los. Quando decide casar com ela e consegue lhe dar o
byrônico em nossa literatura, se aproximando muito dos contos             primeiro beijo, recebe carta do pai, pedindo seu retorno à
do escritor inglês Edgar Allan Poe.                                       Dinamarca. Encontra o velho já moribundo, chora, mas por
                                                                          saudades de Angela. Dois anos depois, vende toda fortuna,
PRINCIPAIS OBRAS                                                          coloca o dinheiro num banco de Hamburgo e volta para a
Poesia                                                                    Espanha. Encontra a moça casada e mãe de um filho. A paixão
Lira dos Vinte Anos (1853); Conde Lopo (1866); Poema do                   persiste e os amantes passam a se encontrar às escondidas,
Frade; Pedro Ivo.                                                         vivendo verdadeiras loucuras noturnas até que o marido,
Conto                                                                     enciumado, descobre tudo.
A noite na Taverna (1855).                                                      Uma noite, Angela, com a mão ensangüentada, pede ao
Teatro                                                                    rapaz para subir até sua casa e por entre a penumbra, ele
Macário (1855).                                                           encontra o marido degolado e sobre seu peito, o filho de bruços,
                                                                          sangrando. Angela deseja fugir em sua companhia, saem pelo
NOITE NA TAVERNA                                                          mundo, ela vestida de homem vive grandes orgias. Foge mais
     Álvares de Azevedo                                                   tarde, deixando o rapaz entregue às paixões e vícios.
     Noite na Taverna é uma narrativa (novela ou conto)                         Bertram bêbado e ferido é atropelado por uma carruagem,
construída em sete partes, contendo epígrafes e os nomes de               diante de um palácio, sendo socorrido por um velho fidalgo, pai
cada personagem, como subtítulos, antecedendo as narrativas,              de uma bela menina, que, mais tarde, foge para casar-se com
contadas em uma taverna. Há, na última parte, o entrelaçamento            Bertram. Vendida em uma mesa de jogo a Siegfried, um pirata,
da história de Johann e de alguns personagens.                            ela o mata e o envenena, afogando-se a seguir. De dissipação
                                                                          em dissipação, o rapaz resolve matar-se no mar na Itália, mas
Primeira parte                                                            salvo por marinheiros, fica sabendo que a pessoa que o salvou
      Johann, Bertram, Archibald, Solfieri, o adormecido, Arnold e        acabou, acidentalmente, morta por ele. São socorridos por um
outros companheiros estão na taverna, dialogando sobre                    navio e Bertram é aceito a bordo em troca de que combatesse se
loucuras noturnas, enquanto as mulheres dormem ébrias sobre               necessário.
as mesas. Falam das noites passadas em embriaguez e pura                        Mas, apaixona-se pela pálida mulher do comandante e,
orgia. Solfieri os questiona a respeito da imortalidade da alma,          durante uma batalha contra um navio pirata, ele o trai, fazendo
sendo mais velho, parece não crer nela, por isso, Archibald o             amor com a mulher. O navio encalha em um banco de areia,
censura pelo materialismo. Solfieri acredita na libertinagem, na          despedaçando-se aos poucos - os náufragos agarram-se a uma
bebida e na mulher sobre o colo do amado. Os homens só se                 jangada e, em meio à noite e à tempestade, o casal vive horas
voltam para Deus quando estão próximos da morte, Deus é, pois,            de amor. Vagam a ermo pelo mar as três figuras, sobrevivendo
a "utopia do bem absoluto".                                               de bolachas e, mais tarde, tiram a sorte para ver quem morrerá.
                                                                          O comandante perde, clama por piedade, mas Bertram se nega
Segunda parte                                                             ouvi-lo, prefere a luta. Mata o comandante, que serve, por dois
      Solfieri decide contar sua história, conforme sugere                dias, de alimento a Bertram e a mulher. Ela propõe morrerem
Archibald, desejoso de histórias fantásticas, cheias de sangue e          juntos, ele aceita. O casal gasta as últimas energias se amando.
paixão. Conta, então, que uma noite, ao vagar por uma rua, em             A mulher, enlouquecida, começa a gargalhar, Bertram febril a
Roma, passa por uma ponte, quando as luzes dos palácios se                sufoca. Ela é levada pelas águas, enquanto o rapaz é salvo pelo
apagam. Vê a sombra de uma mulher chorando, numa escura e                 navio inglês, Swallow.
solitária janela, parecendo uma estátua pálida à lua.
      Ela canta mansamente, saindo para a rua, sempre seguida             Quarta parte
por Solfieri. Pela manhã, ele percebe que está em um cemitério,                 A próxima história é a de Gennaro. Sua narrativa é sobre
sem saber, ao certo, se adormeceu ou desmaiou. Sente muito                um velho pintor, Godofredo Walsh, casado com uma jovem de 20
frio, adoece, delira, tendo visões com a bela e pálida mulher.            anos, Nauza, que lhe serve de modelo e é amada como a filha
Retorna a Roma um ano depois, sem encontrar alento nos beijos             do primeiro casamento, Laura, garota de 15 anos. Gennaro, aos
das amantes, perseguido pela visão da mulher do cemitério.                18 anos, é aprendiz de pintor e aluno de Godofredo. Vive na
Certa noite, muito bêbado, após uma orgia, se encontra num                casa do mestre como um filho, recebendo, no corredor, antes de
templo muito escuro e, vendo um caixão semi-aberto, crê que a             dormir, beijos de Laura. Um dia, desperta e a encontra em sua
mulher está lá dentro. Arranca-lhe a mortalha, faz amor com ela,          cama, perdendo a cabeça diante da estonteante beleza da
que, pela madrugada, dá sinais de vida, retornando da catalepsia          virgem. A cena se repete ao longo de 3 meses, quando a menina
para desmaiar em seguida.                                                 lhe diz que deve pedi-la em casamento, porque espera um filho.
      Solfieri coloca sua capa sobre a moça e foge com ela.               O moço nada responde, ela desmaia e se afasta, tornando-se
Encontra com o coveiro e depois com a patrulha, que o                     cada dia mais pálida.
considera um ladrão de cadáveres. Justifica-se, apresentando a                  O pintor definha com a tristeza da filha, passeia pelos
esposa desfalecida. Ao chegar em casa, a moça grita, ri e                 corredores à noite e deixa de pintar. Uma noite, Gennaro é
estremece, morrendo 2 dias depois. Solfieri levanta o piso do             chamado, porque Laura está morrendo e murmura seu nome. O
quarto para dar lugar ao túmulo, suborna, antes, um escultor que          moço aproxima-se e, ela, sussurrando-lhe ao ouvido o perdão,
lhe faz em cera a estátua da virgem. Aguarda um ano para                  diz que matou o filho e dá o último suspiro. O velho passa o ano
estátua definitiva ficar pronta.                                          endoidecido, chora todas as noites no quarto da morta, arfando
      Volta-se para Bertram, recordando-lhe a visita deste em sua         ou afogando-se em soluços.
casa e de a ter visto por entre véus, sendo a ela apresentado                   Enquanto isso, o rapaz e Nauza amam-se em seu leito.
como "uma virgem que dormia". Os amigos surpresos com a                   Uma noite, o velho o arranca da cama e o leva até o dormitório
história desejam saber se se trata de um conto, mas ele jura por          de Laura. Levanta o lençol que cobre um painel, descortinando a
todo mal existente que não. Como prova, mostra sob a camisa a             imagem moribunda de Laura, que murmura algo no ouvido do
grinalda de flores mirradas, pertencente à moça.                          cadavérico Gennaro. Atordoado, o aprendiz confessa tudo a
                                                                          Godofredo.
                                                                   03
      No dia seguinte, o velho se comporta naturalmente, sem                  Saem com duas pistolas, uma carregada, a outra não; Artur
mencionar o ocorrido, lamenta apenas a falta da moça.                   é alvejado e morre, apontando para o bolso. Johann tira-lhe o
Sonâmbulo, repete a mesma cena ao longo de várias noites e,             anel, colocando-o em seu dedo e, a seguir, encontra dois papéis
numa delas, Nauza é testemunha. Uma noite de outono, após a             no bolso do morto: uma carta para a mãe, e outra indicando o
ceia, Walsh convida Gennaro para um passeio fora da cidade.             horário e endereço para um encontro. O rapaz decide tomar o
Após contornar um despenhadeiro, pede ao rapaz para esperá-             lugar de Artur. Descobre que aí mora a virgem namorada do rival
lo, dirigindo-se a uma cabana de onde sai uma mulher. Depois,           que acaba na cama com Johann, num quarto escuro.
junta-se a Gennaro e ao chegar à beira de um penhasco,                        De repente, interrompe a narrativa, enche o copo e o bebe
descreve a traição, envolvendo a filha e a esposa.                      com estremecimento. Prossegue, narrando que ao sair do
      Pede ao rapaz para jogar-se precipício abaixo. Gennaro            quarto, encontra um vulto à porta, cuja voz lhe soa familiar. É
assim o faz, mas, após uma noite de delírios, acorda salvo por          atacado com uma faca, luta ferozmente com o vulto; um homem
camponeses, em uma cabana. Decide retornar à casa de Walsh              desconhecido, que deixa cair o punhal, morrendo sufocado pela
e pedir-lhe perdão, entretanto encontra pelo caminho o punhal do        mão de Johann. Ao se retirar, tropeça numa lanterna e decide
pintor. Decide vingar-se, mas encontra Nauza e Godofredo                ver o rosto do estranho, estremece, a luz da lanterna se apaga.
envenenados e apodrecidos, talvez, com o veneno obtido com a            Vai arrastando o corpo até um lampião e, para sua surpresa,
mulher da cabana.                                                       descobre tratar-se de seu irmão. Louco de terror retorna ao
                                                                        quarto, mas, outra vez, interrompe a narrativa, bebe mais um
                                                                        copo. Diz que encontrando a donzela desmaiada, a levou para a
Quinta parte                                                            janela e percebeu que estava com a irmã nos braços.
      É a vez de Claudius Hermann narrar suas loucuras e orgias
e de como desperdiçou uma fortuna no turfe, em Londres, onde            Última parte
vê uma bela amazonas, a duquesa Eleonora, esposa do duque                    É noite alta na taverna, todos dormem. Entra uma mulher
Maffio. Antes de prosseguir com a história, Bertram indaga sobre        pálida, vestida de negro, procurando alguém com uma lanterna
a poesia, descrita como um punhado de sons e palavras vãs,              na mão. Vê Arnold, tenta beijá-lo, mas o deixa em paz, voltando-
enquanto Claudius a considera um prazer extremado, o que há             se para Johann, tornando-se, subitamente, sombria. Traz, além
de belo na natureza. Os colegas os interrompem, pedindo ao              da lanterna, um punhal, que crava no pescoço deste último,
narrador que retome a história.                                         enxugando as mãos ensangüentadas no cabelo do ferido. Vai
      No dia em que avista a bela duquesa, Hermann dobra sua            até Arnold e o desperta. Ele a reconhece; é a irmã de Johann,
fortuna e, à noite, no teatro, a vê, mais uma vez. Ao longo de 6        agora transformada na prostituta Giorgia, a quem Arnold pede
meses, encontra a senhora em bailes e teatros até que decide            que lhe chame de Artur, como outrora.
comprar de um criado a chave do castelo. Entra, sorrateiramente,             O rapaz recorda-se do duelo, do tempo passado no hospital
quando ela já está adormecida e coloca-lhe nos lábios narcótico.        para se recuperar, o desespero e a vida de devassidão a que se
Aguarda que durma profundamente e, então, a possui, repetindo           entregou por não encontrar mais Giorgia. Deseja ficar junto dela
o fato, noite após noite, durante um mês.                               agora, mas a moça acha que é tarde demais, pede-lhe apenas
      Certa vez, após um baile, entra no quarto de Eleonora e           um beijo de despedida, porque vai morrer. Leva Arnold até o
vendo um copo com água junto à sua cabeceira, derrama nele o            corpo de Johann, dizendo que o matou por ter sido por ele
narcótico. Entram a duquesa e o duque que, antes de sair do             desonrada, a ela que era sua irmã. Arnold horrorizado cobre o
quarto, prometendo-lhe retornar, bebe um pouco do líquido,              rosto, enquanto Giorgia cai ao chão. Arnold aperta o punhal
seguido por ela. Claudius sabe que Maffio não virá ao quarto e          contra o peito e cai sobre ela, sufocando os dois gemidos de
que Eleanora dormirá profundamente.                                     morte. A lâmpada apaga-se.
      Ergue-a do leito e foge com ela numa carruagem,
chegando, ao meio-dia, a uma estalagem. Mais tarde, a duquesa                SE EU MORRESSE AMANHÃ !
desperta e surpresa por não estar em seu palácio, grita por                  Se eu morresse amanhã, viria ao menos
socorro, desespera-se, ameaçando jogar-se pela janela. O rapaz               Fechar meus olhos minha triste irmã;
lhe declara profundo amor e lhe descreve o rapto, dando-lhe                  Minha mãe de saudades morreria
duas horas para pensar se fica ou não com ele. Inconformada a                Se eu morresse amanhã!
princípio, decide aceitar o amor oferecido, pois a família e                 Quanta glória pressinto em meu futuro!
amigos, certamente, não a aceitariam mais.                                   Que aurora de porvir e que amanhã!
      Ao retornar, Claudius a encontra debruçada sobre um de                 Eu pendera chorando essas coroas
seus versos. Interrompe a narrativa, retira um papel do bolso,               Se eu morresse amanhã!
mostrando o verso aos colegas. Conta que Eleonora lhe                        Que sol! que céu azul! que doce n'alma
respondeu que ficava, mas caiu desmaiada. Dito isso, o rapaz                 Acorda a natureza mais louçã!
tomba por sobre a mesa, calando-se. Archibald o sacode,                      Não me batera tanto amor no peito,
implora para que desperte. Solfieri e os companheiros desejam                Se eu morresse amanhã!
saber sobre a duquesa, mas o rapaz está confuso, não se                      Mas essa dor da vida que devora
recorda de mais nada. Ouvem a gargalhada do louro Arnold que                 A ânsia de glória, o dolorido afã...
despertando, dá continuidade ao relato, dizendo que um dia                   A dor no peito emudecera ao menos
Claudius entrou em casa e encontrou sobre a cama ensopada de                 Se eu morresse amanhã!
sangue dois cadáveres; o Duque de Maffio matou Eleonora e                    AZEVEDO, Álvares de. Poesias Completas. rio de Janeiro:
enlouquecido, suicidou-se em seguida. Arnold estende a capa no          Ediouro, 1995, p.96.
chão e volta a dormir.
                                                                        Castro Alves
Sexta parte                                                             (1847–1871)
     Johann decide contar sua história. Está em um bilhar em            DADOS BIOGRÁFICOS
Paris, jogando com Artur que, numa jogada definitiva para                    Antônio Frederico Castro Alves nasceu numa fazenda em
Johann, se encosta à mesa, por descuido ou de propósito. A              Curralinhos, no estado da Bahia, em 1847 e morreu em Salvador
mesa estremece e Johann é levado à derrota. O perdedor,                 em 1871. Bastante cedo foi para o Recife cursar Direto onde,
enlouquecido de raiva, desafia o parceiro para um duelo. Antes,         aliado a outros jovens escritores como Rui Barbosa e Tobias
porém, Artur pede ao adversário que, caso morra, entregue a             Barreto, participou de movimentos abolicionistas e liberais.
carta, que está em seu bolso, e o anel no seu dedo, para uma            Enamorado da atriz portuguesa Eugênia Câmara, foi para São
mulher que dirá, mais tarde quem é.                                     Paulo com a intenção de terminar o curso. Abandonado pela
                                                                      04
amante, viveu uma vida boêmia e intensa na capital. Numa                   E no mar e no céu — a imensidade...
viagem ao Rio de Janeiro, conheceu José de Alencar e Machado               Oh! Que doce harmonia traz-me a brisa!...
de Assis, que muito lhe elogiaram. Numa caçada no final do ano             Que música suave ao longe soa!
de 1868, feriu o pé com um tiro e foi obrigado a amputá-lo, o que          Meu Deus! Como é sublime um canto ardente
serviu para agravar seus problemas com a tuberculose, que já o             Pelas vagas sem fim boiando à toa!
molestava há um certo tempo. De volta a Salvador, morreu aos               Homens do mar! Ó rudes marinheiros
vinte e quatro anos, totalmente tomado pela doença.                        Tostados pelo sol dos quatro mundos!
                                                                           Crianças que a procela acalentara
CARACTERÍSTICAS LITERÁRIAS                                                 No berço destes pélagos profundos!
      A obra de Castro Alves, tendo como relevância a sua                  Esperai! Esperai! Deixai que eu beba
poesia, difere muito da obra indianista de Gonçalves Dias ou do            Esta selvagem livre poesia...
ultra-romantismo de Álvares de Azevedo. A temática do amor,                Orquestra — é o mar que ruge pela proa,
por exemplo, deixa de ser idealizada para se tornar mais real,             O vento que nas corda assobia.
carnal e concreta. A mulher perde a já tão gasta imagem de                 .................................................
musa desejada, impossível e distante para se tornar mais                   Porque foges assim, barco ligeiro?
acessível, fruto de lembranças amorosas, ou mais acessível às              Por que foges do pávido poeta?...
paixões e desejos do poeta. A morte não é mais uma fuga e sim              Oh! quem me dera acompanhar-te a esteira
um temível e amargo obstáculo às realizações e sonhos. A                   Que semelha no mar doudo cometa.
depressão e melancolia estão presentes, mas perdem espaço                  Albatroz! Albatroz! águia do oceano,
para a exaltação da natureza, sempre grandiosa e em harmonia               Tu que dormes das nuvens entre a gazas,
com os estados de espírito do poeta. A referência às grandes               Sacode as penas, Levitará do espaço!
aves, principalmente à águia e ao condor (símbolo da terceira              Albatroz! Albatroz! dá-me estas asas...
geração romântica: a condoreira), é constante, expressando a
                                                                            a
liberdade, as alturas que a sua poesia pode atingir.                       2
      Mas o forte da poesia de Castro Alves está na crítica social,        Que importa do nauta o berço,
inspirada principalmente pelo poeta francês Victor Hugo. Sua               Donde é filho, qual seu lar?
poesia perde a maior parte do caráter evasivo e distante da                Ama a cadência do verso
realidade tipicamente românticos para ganhar uma voz mais                  Que lhe ensina o velho mar!
participante dentro da sociedade. O caráter crítico de sua obra,           Cantai! que a morte é divina...
principalmente ligado às causas da abolição, rendeu-lhe o título           Resvala o brigue à bolina
de "Poeta dos escravos." Isso é notório no longo poema "O navio            Como um golfinho veloz.
negreiro" [ver Antologia], onde há a denúncia das péssimas                 Presa ao mastro da mezena
condições com que os negros escravos eram transportados.                   Saudosa a bandeira acena
Embora tenha sido um escritor do Romantismo, suas poesias, na              às vagas que deixa após.
verdade, já continham os primeiros indícios da transição do                Do Espanhol as cantilenas
Romantismo exacerbado e depressivo para o Realismo crítico,                Requebradas de langor,
que já contava com sua força máxima na Europa.                             Lembram as moças morenas,
                                                                           As andaluzas em flor.
PRINCIPAIS OBRAS                                                           Da Itália o filho indolente
Poesia                                                                     Canta Veneza dormente
Espumas Flutuantes (1870); A cachoeira de Paulo Afonso                     — Terra de amor e traição —
(1876); Os escravos (1883).                                                Ou do golfo no regaço
Teatro                                                                     Relembra os versos do Tasso
Gonzaga ou a Revolução de Minas (1875).                                    Junto às lavas do Vulcão.
                                                                           O Inglês — marinheiro frio
NAVIO NEGREIRO                                                             Que ao nascer no mar se achou —
(Tragédia no Mar)                                                          (Porque a Inglaterra é um navio
       a
     1                                                                     Que Deus na Mancha ancorou),
     'Stamos em pleno mar... Doudo no espaço                               Rijo entoa pátrias glórias,
     Brinca o luar — dourada borboleta —                                   Lembrando orgulhoso histórias
     E as vagas após ele correm...cansam                                   De Nelson e de Abuquir...
     Como turba de infantes inquieta.                                      O Francês — predestinado —
     'Stamos em pleno mar... Do firmamento                                 Canta os louros do passado
     Os astros saltam como espumas de ouro...                              E os loureiros do porvir...
     O mar em troca acende as ardentias                                    Os marinheiros Helenos,
     — Constelações do líquido tesouro.                                    Que a vaga iônia criou,
     'Stamos em pleno mar... Dous infinitos                                Belos piratas morenos
     Ali s'estreitam num abraço insano...                                  Do mar que Ulisses cortou,
     Azuis, dourados, plácidos, sublimes...                                Homens, que Fídias talhara,
     Qual dos dous é o céu? qual e o oceano?                               Vão cantando em noite clara
     'Stamos em pleno mar... Abrindo as velas                              Versos que Homero gemeu...
     Ao quente arfar das virações marinhas,                                ...Nautas de todas as plagas!
     Veleiro brigue corre à flor dos mares                                 Vós sabeis achar nas vagas
     Como roçam na vaga as andorinhas...                                   As melodias do céu...
     Donde vem? onde vai? Das naus errantes
                                                                            a
     Quem sabe o rumo se é tão grande o espaço?...                         3
     Neste saara os corcéis o pó levantam,                                 Desde o espaço imenso, ó águia do oceano!
     Galopam, voam, mas não deixam traço...                                Desce mais, inda mais... não pode o olhar humano,
     Bem feliz quem ali nest'hora                                          Com o teu mergulhar no brigue voador...
     Sentir deste painel a majestade!...                                   Porém que vejo aí... que quadro de amarguras!
     Embaixo — o mar... em cima — o firmamento...                          Que canto funeral!... que tétricas figuras!
                                                                     05
     Que                            cena
                                                         a
     infame e vil!... Meu Deus! meu Deus!                 5                                         Depois... no horizonte imenso
que horror!                                               Senhor Deus dos desgraçados!              Desertos... desertos só...
                                                          Dizei-me vós, Senhor Deus!                E a fome, o cansaço, a sede...
       a
      4                                                   Se é loucura... se é verdade              Ai! quanto infeliz que cede
      Era um sonho dantesco... O                          Tanto horror perante os céus...           E cair pra não mais s'erguer!...
tombadilho,                                               O' mar! por que não apagas                Vaga um lugar na cadeia,
      Que das luzernas avermelha o brilho,                Coa esponja de tuas vagas                 Mas o chacal sobre a areia
      Em sangue a se banhar.                              De teu manto este borrão?...              Acha um corpo que roer
      Tinir de ferros... estalar do açoite...             Astros! noite!! tempestades?              Ontem a Serra Leoa,
      Legiões de homens negros como a                     Rolai das imensidades!                    A guerra, a caça ao leão,
noite                                                     Varrei os mares, tufão!                   O sono dormindo à toa
      Horrendos a dançar...                               Quem são esses desgraçados,               Sob a tenda da amplidão...
      Negras mulheres suspendendo às                      Que não encontram em vós,                 Hoje o porão negro, fundo,
tetas                                                     Mais que o rir calmo da turba             Infecto, apertado, imundo,
      Magras crianças, cujas bocas pretas                 Que excita a fúria do algoz?...           Tendo a peste por jaguar...
      Rega o sangue das mães.                             Quem são? Se a estrela se cala,           E o sono sempre cortado
      Outras,       moças...     mas      nuas,           Se a vaga à pressa resvala,               Pelo arranco de um finado,
espantadas,                                               Como um cúmplice fugaz,                   E o baque de um corpo ao mar...
      No turbilhão de espectros arrastadas                Perante a noite confusa...                Ontem plena liberdade!...
      Em ânsia e mágoa vãs.                               Dize-o tu, severa musa,!                  A vontade por poder...
      E     ri-se    a     orquestra    irônica,          Musa libérrima, audaz!                    Hoje... cúm'lo de maldade!
estridente...                                             São os filhos do deserto                  Nem são livres pra morrer!...
      E da ronda fantástica a serpente                    Onde a terra esposa luz                   Prende-os a mesma corrente
      Faz doudas espirais...                              Onde voa em campo aberto                  —Férrea, lúgubre serpente—
      Se o velho arqueja... se no chão                    A tribo dos homens nus...                 Nas roscas da escravidão...
estala                                                    São os guerreiros ousados,                E assim roubados à morte
      E voam mais e mais...                               Que com os tigres mosqueados,             Dança a lúgubre coorte,
      Presa nos elos de uma só cadeia                     Combatem na solidão...                    Ao som do açoute... Irrisão!...
      A multidão faminta cambaleia                        Homens simples, fortes, bravos...         Senhor Deus dos desgraçados!
      E chora e dança ali...                              Hoje míseros escravos                     Dizei-me vós. Senhor Deus!
      Um       de      raiva    delira,    outro          Sem luz, sem ar, sem razão...             Se eu deliro... ou se é verdade
enlouquece...                                             São mulheres desgraçadas...               Tanto horror perante os céus!
      Outro, que de martírios embrutece,                  Como Agar o foi também,                   Ó mar! por que não apagas
      Cantando geme e ri...                               Que sedentas, alquebradas,                Coa esponja de tuas vagas
      No entanto o capitão manda a                        De longe... bem longe vêm.                Do teu manto este borrão?...
manobra...                                                Trazendo com tíbios passos                Astros! noite! tempestades!
      E após, fitando o céu que se                        Filhos e algemas nos braços,              Rolai das imensidades!
desdobra                                                  N'alma — lágrimas e fel.                  Varrei os mares, tufão!
      Tão puro sobre o mar,                               Como Agar sofrendo tanto
                                                                                                     a
      Diz, do fumo entre os densos                        Que nem o leite do pranto                  6
nevoeiros:                                                Têm que dar para Ismael...                 E existe um povo que a bandeira
      "Vibrai rijo o chicote, marinheiros!                Lá nas areias infindas,              empresta
      Fazei-os mais dançar".                              Das palmeiras no país,                     Pra cobrir tanta infâmia e cobardia!...
      E     ri-se    a     orquestra    irônica,          Nasceram — crianças lindas,                E deixa-a transformar-se nessa festa
estridente...                                             Viveram — moças gentis...                  Em manto impura de Bacante fria!...
      E da ronda fantástica a serpente                    Passa um dia a caravana                    Meu Deus! Meu Deus! Mas que
      Faz doudas aspirais!...                             Quando a virgem na cabana            bandeira é esta
      Qual num sonho dantesco as                          Cisma da noite nos véus...                 Que impudente na gávea tripudia?!...
sombras voam...                                           ...Adeus ! ó choça do monte!...            Silêncio !... Musa! chora, chora tanto,
      Gritos,     ais,     maldições,    preces           Adeus! palmeiras da fonte!...              Que o pavilhão se leve no teu
ressoam                                                   Adeus! amores... adeus!...           pranto...
      E ri-se Satanás!...                                 Depois o areal extenso...                  Auriverde pendão de minha terra,
                                                          Depois o oceano de pó...                   Que a brisa do Brasil beija e balança,
     Estandarte que a luz do sol encerra,                 Andrada! arranca esse pendão dos     mais tarde a forma de um movimento e o
     E     as   promessas     divinas   da         ares!...                                    espírito romântico passa a designar toda
esperança...                                              Colombo! fecha a porta de teus       uma visão de mundo centrada no indivíduo.
     Tu, que da Liberdade após a guerra            mares!...                                   Os autores românticos voltaram-se cada
     Foste hasteado dos heróis na lança,           ALVES, Castro. Poesias Completas. Rio de    vez mais para si mesmos, retratando o
     Antes te houvessem roto na batalha,           Janeiro: Ediouro, 1996, p.133-138.          drama humano, amores trágicos, ideais
     Que servires a um povo de                     O Romantismo foi um movimento artístico,    utópicos e desejos de escapismo. Se o
mortalha!...                                       político e filosófico surgido nas últimas   século XVIII foi marcado pela objetividade,
     Fatalidade atroz que a mente                  décadas do século XVIII na Europa que       pelo Iluminismo e pela razão, o início do
esmaga!...                                         perdurou por grande parte do século XIX.    século XIX seria marcado pelo lirismo, pela
     Extingue nesta hora o brigue imundo           Caracterizou-se como uma visão de mundo     subjetividade, pela emoção e pelo eu.
     O trilho que Colombo abriu na vaga            contrária ao racionalismo que marcou o      O termo romântico refere-se, assim, ao
     Como um íris no pélago profundo!...           período neoclássico e buscou um             movimento estético ou, em um sentido
     ...Mas é infâmia demais... Da etérea          nacionalismo que viria a consolidar os      mais lato, à tendência idealista ou poética
plaga                                              estados nacionais na Europa.                de alguém que carece de sentido objectivo.
     Levantai-vos,    heróis    do    Novo         Inicialmente apenas uma atitude, um         1 Origens
Mundo...                                           estado de espírito, o Romantismo toma
                                                                      06

        2 Características                        Europa, além de o espaço físico afetar            Castro Alves, denominado "Poeta dos
             o 2.1 Subjetivismo                   suas condições de vida.                           Escravos",       o      mais     expressivo
             o 2.2 Idealização                    A     primeira     geração       (nacionalista–   representante dessa geração com obras
             o 2.3 Sentimentalismo                indianista) era voltada para a natureza, o        como Espumas Flutuantes e Navio
             o 2.4 Egocentrismo                   regresso ao passado histórico e ao                Negreiro. Sousândrade não foi um poeta
             o 2.5 Natureza interagindo           medievalismo. Cria um herói nacional na           muito influente, mas tem uma pequena
                 com o eu lírico                  figura do índio, de onde surgiu a                 importância pelo descritivismo de suas
             o 2.6 Grotesco e sublime             denominação de geração indianista. O              obras. Tobias Barreto é famoso pelos seus
             o 2.7 Medievalismo                   sentimentalismo e a religiosidade são             poemas românticos.
             o 2.8 Indianismo                     outras características presentes. Entre os        As principais características são o
             o 2.9 Byronismo                      principais autores podemos destacar               erotismo, a mulher vista com virtudes e
                                                  Gonçalves de Magalhães, Gonçalves Dias            pecados, o abolicionismo, a visão ampla e
                                                  e Araújo Porto Alegre. Gonçalves de               conhecimento sobre todas as coisas, a
 Romantismo em Portugal                           Magalhães foi o introdutor do Romantismo          realidade social e a negação do amor
          Romantismo em Portugal                  no Brasil. Obras: Suspiros Poéticos e             platônico, com a mulher podendo ser
Teve como marco inicial a publicação do           Saudades. Gonçalves Dias foi o mais               tocada e amada.
poema "Camões", de Almeida Garrett, em            significativo poeta romântico brasileiro.         Essas três gerações citadas acima, apenas
1825, e durou cerca de 40 anos terminando         Obras: Canção do exílio, I-Juca-Pirama.           se aplicam para a poesia romântica, pois a
por volta de 1865 com a Questão Coimbrã.          Araújo Porto Alegre fundou com os outros          prosa no Brasil, não foi marcada por
A Primeira Geração do Romantismo em               dois a Revista Niterói-Brasiliense                gerações, e sim por estilos de textos -
Portugal vai de 1825 a 1840. Seus                 Entre as principais características da            indianista, urbano ou regional - que
principais autores são Almeida Garrett,           primeira geração romântica no Brasil estão:       aconteceram todos simultaneamente.
Alexandre Herculano, Antônio Feliciano de         o nacionalimo ufanista, o indianismo, o           No país, entretanto, o romantismo
Castilho. A Segunda Geração, ultra-               subjetivismo,      a      religiosidade,      o   perdurará até à década de 1880. Com a
Romântica, de 1840 a 1860 e tem com               brasileirismo (linguagem), a evasão do            publicação de Memórias Póstumas de Brás
principais autores, Camilo Castelo Branco         tempo e espaço, o egocentrismo, o                 Cubas, por Machado de Assis, em 1881,
e Soares de Passos. A Terceira Geração,           individualismo, o sofrimento amoroso, a           ocorre formalmente a passagem para o
pré-Realista,    de     1860    a    1870,        exaltação da liberdade, a expressão de            período realista.
aproximadamente, teve como principais             estados       de    alma,       emoções       e   Principais       escritores     românticos
autores Júlio Dinis e João de Deus.               sentimentalismo.                                  brasileiros
[editar] Romantismo no Brasil                     A segunda geração, também conhecida                Gonçalves Dias: principal poeta
             Ver       artigo        principal:   como Byroniana e Ultra-Romantismo,                    romântico e uns dos melhores da língua
          Romantismo no Brasil                    recebeu a denominação de mal do século                portuguesa, nacionalista, autor da
De acordo com o tema principal, os                pela sua característica de abordar temas              famosa Canção do Exílio, da nem tão
romances românticos no Brasil podem ser           obscuros       como    a    morte,     amores         famosa mas muito melhor I-Juca-
classificados como indianistas, urbanos ou        impossíveis e a escuridão.                            Pirama e de muitos outros poemas.
regionalistas.                                    Entre seus principais autores estão Álvares        Álvares de Azevedo: o maior romântico
No romance indianista, o índio era o foco         de Azevedo, Casimiro de Abreu, Fagundes               da Segunda Geração Romântica; autor
da literatura, pois era considerado uma           Varela e Junqueira Freire. Álvares de                 de A Lira dos Vinte Anos, Noite na
autêntica expressão da nacionalidade, e           Azevedo fazia parte da sociedade epicuréia            Taverna e Macário.
era altamente idealizado. Como um                 destinada a repetir no Brasil a existência
                                                                                                     Castro Alves:grande representante da
símbolo da pureza e da inocência,                 boêmia de Byron. Obras: Pálida à Luz,
                                                                                                        Geração        Condoeira,     escreveu,
representava o homem não corrompido               Soneto, Lembranças de Morrer, Noite na
                                                                                                        principalmente, poesias abolicionistas
pela sociedade, o não capitalista, além de        Taverna. Casimiro de Abreu escreveu As
                                                                                                        como o Navio Negreiro.
assemelhar-se aos heróis medievais, fortes        Primaveras, Poesia e amor, etc. Fagundes
e éticos. Junto com tudo isso, o indianismo       Varela, embora byroniano, já tinha em sua          Joaquim         Manuel     de    Macedo,
                                                  poesia algumas características da terceira            romancista      urbano    escreveu    A
expressava os costumes e a linguagem
                                                  geração do romantismo. Junqueira Freire,              Moreninha e também O Moço Loiro.
indígenas, cujo retrato fez de certos
romances        excelentes       documentos       com        estilo    dividido      entre      a    José de Alencar, principal romancista
históricos.                                       homossexualidade e a heterossexualidade,              romântico. Romances urbanos: Lucíola;
Os romances urbanos tratam da vida na             demonstrava as idiossincrasias da religião            A Viuvinha; Cinco Minutos; Senhora.
capital e relatam as particularidades da          católica do século XIX.                               Romances regionalistas: O Gaúcho, O
vida cotidiana da burguesia, cujos                Já as principais características da segunda           Sertanejo, O Tronco do Ipê. Romances
membros se identificavam com os                   geração foram o profundo subjetivismo, o              históricos: A Guerra dos Mascates; As
personagens. Os romances faziam sempre            egocentrismo, o individualismo, a evasão              Minas de Prata. Romances indianistas:
uma crítica à sociedade através de                na morte, o saudosismo (lamentação) em                O Guarani, Iracema e o Ubirajara.
situações corriqueiras, como o casamento          Casimiro de Abreu, por exemplo, o                  Manuel Antônio de Almeida: romancista
por interesse ou a ascensão social a              pessimismo, o sentimento de angústia, o               urbano, precursor do Realismo. Obras:
qualquer preço.                                   sofrimento amoroso, o desespero, o                    Memórias de um Sargento de Milícias.
Por fim, o romance regionalista propunha          satanismo e a fuga da realidade.                   Bernardo Guimarães: considerado
uma construção de texto que valorizasse           Por fim há a terceira geração, conhecida              fundador do regionalismo. Obras: A
as diferenças étnicas, lingüísticas, sociais e    também como           geração      Condoreira,        Escrava Isaura; "O Seminarista"
culturais que afastavam o povo brasileiro         simbolizada pelo Condor, uma ave que               Franklin Távora: regionalista. Obra mais
da Europa, e caracterizava-os como uma            costuma construir seu ninho em lugares                importante: O Cabeleira.
nação. Os romances regionalistas criavam          muito altos e tem visão ampla sobre todas          Visconde de Taunay: regionalista. Obra
um      vasto    panorama        do     Brasil,   as coisas, ou Hugoniana, referente ao                 mais importante: Inocência.
representando a forma de vida e                   escritor francês Victor Hugo, grande
individualidade da população de cada parte        pensador do social e influenciador dessa
do país. A preferência dos autores era por        geração.
regiões afastadas de centros urbanos, pois        Os destaques desta geração foram Castro
estes estavam sempre em contato com a             Alves, Sousândrade e Tobias Barreto.

				
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posted:5/20/2012
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