V2000 ARCANO 01 by Lf2I88

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									 CURSO DE GNOSE ON LINE

ESCOLA GNÓSTICA DO BRASIL

                              ARCANO 1
  1ª Edição – 1981 – (experimental)
  2ª Edição – 1984 – (ampliada)
  3ª Edição – 1993 – (revisada)
  4ª Edição – 2000 – (revisada)
  5ª Edição – 2001 – (revisada)
  6ª Edição – 2002 – (revisada)
  7 a Edição – 2004 – (revisada e ampliada)
   PP
        PP




  Coordenação geral, pesquisa e texto final:

                         Karl Bunn
             TUTU   kbunn@fundasaw.org.br                 UUTT




                                Editoração

                                 Alex Alves
                    TUTU   iheve@fundasaw.org.br   UUTT
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CURSO DE GNOSE ON LINE – ESCOLA GNÓSTICA DO BRASIL

ARCANO 1 - INTRODUÇÃO


O QUE É A ESCOLA GNÓSTICA DO BRASIL

A ESCOLA GNÓSTICA é a autora deste curso e deste sistema didático para o ensino da
Nova Gnose. Portanto, algumas informações acerca dos autores e da história deste curso
são necessárias e importantes para situar o estudante no contexto gnóstico dos séculos
XX e XXI.

A ESCOLA GNÓSTICA faz parte da Fundação Samael Aun Weor, com sede na cidade
de Curitiba, Estado do Paraná, Brasil. Foi criada em 12 de novembro de 1983, por um
grupo pioneiro de estudiosos da obra de Samael Aun Weor.

A ESCOLA GNÓSTICA é uma instituição universal e não-sectária. Seu maior objetivo
é o de ensinar de forma pura e íntegra a gnose do Venerável Mestre Samael Aun Weor –
Kalki Avatar da Era de Aquário. O segundo maior objetivo da ESCOLA GNÓSTICA é
o de dar apoio, suporte e assessoria às instituições gnósticas e às Ordens Iniciáticas de
todo o mundo que queiram compreender a “filosofia gnóstica de vida”.

Para isso, ao longo de sua história, a ESCOLA GNÓSTICA foi criando e desenvolvendo
cursos, palestras, seminários, eventos e atividades, que hoje são oferecidos e realizados
de forma contínua e permanente, de acordo a um calendário anual de realizações.

Complementa esse quadro de atividades a realização de obras caritativas e de ajuda
humanitária.


O REAPARECIMENTO DOS GNÓSTICOS

Outros detalhes e informações você encontra em nosso portal www.gnose.org.br . Mas,
                                                              TUTU               UUTT




resumindo, os gnósticos do século XX reaparecem em 1950 em terras sul-americanas —
mais especificamente na Colômbia. Samael Aun Weor é o Grande Mestre Gnóstico do
século XX, tendo escrito, quando em vida, mais de 60 livros, hoje traduzidos para as
principais línguas faladas do mundo. A publicação de seus livros deu origem à Nova
Gnose, hoje em processo de expansão em todos os continentes do mundo.

Além da obra escrita, Samael deixou gravadas cerca de 300 conferências e cátedras
especiais, grande parte delas já transcritas e impressas. Além disso, Samael, durante sua
vida, criou 5 grandes instituições mundiais, a partir das quais derivaram as milhares de
associações, grupos, escolas e núcleos de estudos, práticas e trabalhos sociais,
humanitários e culturais hoje atuantes e existentes no mundo, as quais atuam de forma
independente e autônoma. Importante: Ninguém lidera ninguém na gnose mundial.
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Nenhuma Escola ou linha gnóstica é sucessora ou herdeira da obra e da missão do
Mestre Samael. Todos trabalhamos de forma livre, soberana e autônoma. Todos


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somos herdeiros e continuadores de sua obra.

Os pouco mais de 50 anos de história da Nova Gnose podem ser resumidos em algumas
etapas distintas e sucessivas. Tudo começou a partir da publicação do livro O
Matrimônio Perfeito, na Colômbia, no começo de 1950. Mesmo com tiragem modesta,
este livro veio a público como uma bomba, tendo extremecido os alicerces do
pensamento espiritual desse país, transformando-o no epicentro de uma verdadeira
revolução intelectual e espiritual que se estendeu, depois, para os demais países latinos.
De 1950 a 1960 são publicados outros livros, como A Revolução de Bel, Tratado de
Medicina Oculta, Curso Zodiacal e muitos outros.

Essa fase inicial foi tremendamente difícil e penosa, tanto para Aun Weor e sua família
quanto para seus primeiros discípulos e instrutores. Em 1952, por conta de suas idéias e
ideais, Aun Weor acaba indo para a prisão sob a acusação de curandeirismo e porque
seus primeiros livros revelavam o segredo do Grande Arcano (a Magia Sexual), algo
que nenhum líder espiritual da época aceitava, criticando-o como obra pornográfica.
Aun Weor e os novos gnósticos foram, como nos primórdios do cristianismo,
severamente perseguidos pelas autoridades e pelos líderes espirituais do seu país. Não
restou a Aun Weor e a sua família, nos anos seguintes, outra alternativa que não a de
abandonar a Colômbia, indo refugiar-se no México, onde viveu até o último de seus
dias.

Cabe destacar que durante os anos de 1950 Samael buscou união e apoio junto a
diversos líderes espirituais do mundo, porém, com pouca aceitação. Dessa iniciativa
surgiu a ALAS-AGLA que perdurou por poucos anos, tendo em vista o falecimento de
seus dois líderes. Serviu essa aliança de ensaio para o surgimento do Movimento
Gnóstico Cristão Universal, que se consolidou nos anos 60. Cumpre destacar ainda que
nos anos 50 surgem, com Aun Weor, destacados discípulos que acabaram se tornando,
depois, grandes sustentadores e impulsionadores da obra gnóstica no continente latino.

Na década de 60 a Nova Gnose de Samael Aun Weor alcança praticamente todos os
países americanos de fala espanhola e parte do Brasil. No Brasil, os livros de SAW
começam a ser editados em 1962, porém, sua circulação ficou restrita a algumas cidades
por falta de dinheiro para divulgar e por falta de interesse dos espiritualistas brasileiros
da época.

Durante o período de 1962 a 1972, exceto pela realização de conferências e a edição de
alguns livros em português, nada mais se fez. Serviram esses anos para consolidar
internacionalmente o Movimento Gnóstico e, também, para apresentar ao público o
pensamento político da Nova Gnose, uma faceta que poucos conhecem, mas que
representa a plataforma filosófica do que será a organização social, política e econômica
da Era de Aquário, ainda distante no futuro.

Sobre o assunto, Samael escreveu 3 livros, além de haver deixado muitas mensagens de
cunho humanitário, como as propostas contidas na criação do Instituto de Caridade
Universal em todos os países do mundo. Esse material está resumido em um ARCANO
neste curso de Nova Gnose.

Mas, o período mais produtivo e marcante de Samael foi a década de 1970. Nessa

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época, Samael escreveu suas mais importantes e definitivas obras, como As 3
Montanhas, Pistis Sophia Desvelada, O Mistério do Áureo Florescer, A Revolução
da Dialética, dentre outros.

No campo institucional, Samael criou a Igreja Gnóstica e a Associação Gnóstica de
Estudos de Antropologia e Ciências. Realizou grandes Congressos e Concílios
internacionais com a presença de milhares de estudantes, instrutores e líderes de todas as
partes do mundo.

O coroamento da obra de Samael se dá na noite de 24 de dezembro de 1977, quando
vem a desencarnar em sua própria casa junto aos familiares e discípulos mais íntimos
depois de haver cumprido 90 dias de terríveis sofrimentos físicos por conta das últimas
etapas de suas Altas Iniciações, no final da Segunda Montanha.

A partir desta data, a Noite de Natal passou a ter um duplo significado para os novos
gnósticos. Enquanto o mundo celebra o nascimento do Menino Deus em Belém, os
novos gnósticos celebram também o rito de passagem do seu Grande Mestre e Líder
para o outro Plano Existencial.


ORIGENS HISTÓRICAS DA ESCOLA GNÓSTICA DO BRASIL

Em 1972, a Gnose é trazida a Curitiba por um misionero internacional . Criou-se, na
época, aqui, uma instituição chamada Movimento Gnóstico Cristão Universal do
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Brasil .
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É de Curitiba que, pela primeira vez, a obra de SAW ganha alcance e projeção
nacionais, através da criação e lançamento do primeiro curso de Gnose por
correspondência, estruturado num sistema de monografias semanais.

Em pouco tempo, mais de 3.000 (três mil) pessoas se inscrevem no curso, considerado
um grande sucesso, tendo em conta a realidade social, política e econômica do país na
época, que somava 70 milhões de almas. Este trabalho serviu inclusive de semeadura
para o surgimento de vários grupos e instituições gnósticas em diferentes partes do país
nas décadas seguintes.

É dentro deste contexto que, em 1973, o idealizador da ESCOLA GNÓSTICA e da
Fundação Samael Aun Weor e escriba deste curso passa a ser, ao mesmo tempo,
testemunha e personagem ativo da história gnóstica brasileira.

Na época, o Brasil vivia a repressão da ditadura militar e, por causa disso, haviam
agentes do sistema de informação do regime militar infiltrados em nosso meio para
saber se tínhamos a intenção de subverter a ordem do país ou ameaçar o sistema vigente.

Poucos meses de haver entrado no Movimento Gnóstico este escriba, por força de
circunstâncias, foi levado a assumir funções administrativas. Outros meses depois,
igualmente, por conta da desistência de ilustres membros da instituição, novamente
tivemos que assumir, desta vez, cargos espirituais. Desde então, nunca mais paramos de
trabalhar em favor da causa gnóstica no mundo.

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Com a desencarnação do Mestre Samael em 1977, o Movimento Gnóstico do Brasil
sofre grande evasão de estudantes, instrutores e líderes, como também ocorre em todas
as partes do mundo. No Brasil, com isso, poucos permaneceram trabalhando e muito
menos ainda aqueles que seguiram ativos até a entrada do novo milênio.

PAZ INVERENCIAL




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PRIMEIRAS PALAVRAS

Disse Buddha:
Não devemos crer em algo meramente porque seja dito.
Nem em tradições só porque elas vêm sendo transmitidas desde a antiguidade.
Nem em rumores e em textos de filósofos porque foram esses que os escreveram.
Nem em ilusões supostamente inspiradas em nós por um Deva (ou seja: através de
inspiração espiritual).
Nem em ilações obtidas de alguma suposição vaga e casual.
Nem porque pareça ser uma necessidade análoga.
Nem devemos crer na mera autoridade de nossos instrutores ou mestres.
Entretanto, devemos crer quando o texto, a doutrina ou os aforismos forem
corroborados pela nossa própria razão e consciência.
Por isso vos ensinei a não crerdes meramente porque ouvistes falar. Mas quando
houverdes acreditado de vossa própria consciência, então, devereis agir de
conformidade e intensamente.

Essas palavras de Buddha, que encontramos na obra de HPB, A Doutrina Secreta,
espelham, com exatidão, o espírito da Nova Gnose e os princípios do método de ensino
desenvolvido pela ESCOLA GNÓSTICA.

Nos tempos atuais, quando tantos se apresentam como santos, profetas, mestres,
herdeiros, sucessores, continuadores ou instrutores espirituais, é prudente examinar,
com muita atenção, tudo que é dito e escrito.

Nós, da ESCOLA GNÓSTICA, não somos nem nos julgamos mestres ou donos da
verdade. Não brigamos para ter razão. Tampouco buscamos títulos ou honrarias. Nem
queremos convencer mentes e egos alheios. Nem estamos interessados no dinheiro de
sua conta bancária, nem em fazer da gnose um negócio pessoal (ainda que tenhamos que
pedir algo em troca por conta de nosso trabalho e para manutenção de nosso trabalho).
Nosso maior objetivo é ajudar os buscadores da Luz Maior a encontrarem a Verdade
dentro de si mesmos. Queremos auxiliar a todos a pensarem por si mesmos, a gerarem
autoconceitos e a seguirem somente Àquele que está dentro de cada um.

A Nova Gnose, sintetizada nas páginas deste curso, é uma sabedoria tão antiga quanto o
mundo. Aliás, não existe nada de novo debaixo do sol. O “novo” de hoje é a mesma
ciência arcana dos antigos Hierofantes, Magos e Sacerdotes, que nasceu na velha
Lemúria, perpetuou-se por toda a Atlântida, chegando aos primeiros arianos e, desses,
até nossos dias.

Essa ciência antiga, aos poucos, está sendo redescoberta e resgatada em diferentes partes
do mundo. Portanto, longe de nós a pretensão de saber tudo ou de poder esgotar todas as
possibilidades dos assuntos que aqui serão apresentados num esquema didático com a
finalidade única de organizar o pensamento porque a verdade está dentro de cada ser
humano. É preciso evocá-la e realizá-la no exercício penoso e paciente das atividades do
dia-a-dia. Por isso, advogamos o livre pensar, o livre agir e o livre sentir. Tudo deve ser,
contínua e permanentemente, revisto, reestudado e reinvestigado. Mas, acima de tudo,
“praticado”.

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Nossa base, nossa visão, nossa concepção, nosso método de trabalho, pesquisa e análise
é de caráter holístico e universal. A Nova Gnose é uma filosofia holística de vida — e,
como tal, deve ser vista, analisada e estudada. Qualquer ação ou iniciativa que
desconsidere o caráter holístico e universal dos ensinamentos destes arcanos levará,
fatalmente, à conclusões equivocadas ou parciais.

— Mas, por que o caráter holístico da Nova Gnose?

A concepção holística é a tônica da Nova Era. Em verdade, o conhecimento universal
sempre foi holístico em todos os tempos. A visão holística da cultura universal e das
civilizações sempre esteve presente em todas as grandes escolas do pensamento da
antiguidade. Aparentemente, só o homem moderno é que disso não não tem consciência.

A ninguém, na Idade de Ouro antiga da humanidade, era possível arquitetar, aceitar ou
conceber uma idéia, sentença, aforismo ou sistema senão dentro de uma visão global do
homem, da natureza e da divindade — o que sempre exigia, como exige até hoje, um
estudo inter e transdisciplinar que sempre levava à Grande Síntese ou ao Conhecimento
Único.

As diferentes épocas, sistemas, culturas, escolas, Instrutores e Mestres do Tempo e da
Eternidade sabiam que existem três categorias ou níveis de ensinamento e aprendizado
para as distintas humanidades:

   1. Escolas, sistemas, conhecimentos, mestres, instrutores, ciência e técnicas que
      ensinam os rudimentos do Conhecimento Único. São, por assim dizer, o Jardim
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      de Infância do Conhecimento Único (Gnose).
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   2. Escolas, sistemas, conhecimentos, mestres, instrutores, ciência e técnicas que
      ensinam a formar (fabricar, forjar ou fazer) a Alma .
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   3. Escolas, sistemas, conhecimentos, mestres, instrutores, ciência e técnicas que
      levam ao nascimento e à encarnação do Cristo Íntimo .
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Neste curso, de forma ordenada e didática, abordaremos os três níveis do Conhecimento
Único e como é possível galgar os degraus superiores, até cada qual poder andar com
suas próprias pernas, saindo do estágio de Imitatus para o de Adeptus.

Bem-vindo ao nosso curso de NOVA GNOSE ou CONHECIMENTO ÚNICO.
Esperamos que, aqui, finalmente, você possa encontrar o caminho de volta à casa
paterna e ali desfrutar dos tesouros espirituais do teu verdadeiro e imortal Ser.

Paz Inverencial!




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CAPÍTULO 1 - O QUE É GNOSE

Nosso desafio aqui é o mesmo de tantos outros incompreendidos no seu tempo, como
Karl Gustav Jung, nascido em 26 de julho de 1875, no lugarejo de Kresswil, cantão de
Thurgau, Basiléia, Suíça. Muitos consideram Jung um homem religioso, até mesmo um
místico, um bruxo, um esoterista (isso era a última coisa que poderia passar pela sua
cabeça).

Mas, em vida, Jung sempre se negou a seguir e a professar a doutrina de seu pai (pastor
luterano) ou qualquer outra religião confessional. Suas inquietudes espirituais só foram
preenchidas e resolvidas quando teve acesso à Divina Gnose e à Alquimia —
justamente duas formas do conhecimento antigo, motivo central deste curso.

É que Jung, como os gnósticos antigos e modernos, negava-se a fazer parte de um
sistema religioso morto. Por isso dedicou sua vida à busca, à compreensão e à
explicação de Deus como algo vivo, concreto e experimentável, tendo feito dessa busca
a base de todo o seu trabalho.

As consequências dessa atitude, que sustentou ao largo de toda sua longa existência,
rendeu a Jung, de um lado, o desprezo dos religiosos, crentes e teólogos; e do outro,
recebeu o descaso e o escárnio dos homens de ciência. Jung jamais viu inconveniente
algum em mesclar Deus com os objetos da pesquisa científica ortodoxa, que não admite,
de forma alguma, aspectos, realidades e fenômenos metafísicos, espirituais ou
transfisiológicos.

Temos aqui, então, o imenso desafio de levar ao público não-iniciado os mistérios da
Divina Gnose, a mesma que deu a Jung parte das respostas que buscava para suas
inquietudes espirituais e, também, para levar à cura as almas doentes que o procuravam
em sua clínica.

Antes de mais nada é preciso dizer que Gnose é uma palavra muito mais antiga do que
se acredita. Já na antiga Índia existia o Jnana ou Gnana (até hoje se pratica o Gnana
Yoga ou a Yoga da Sabedoria) , sendo parte essencial do Gupta Vidya (o conhecimento
secreto dos hindus). Depois, em remotos tempos, ao ser levado à Grécia, esse
conhecimento converteu-se em Gnôzis. Mais tarde, no universo romano, transformou-se
em noscere, de onde o co-noscere veio a gerar o nosso conhecer

Gnóstico é, então, alguém que “sabe”, alguém que “conhece”, um “conhecedor”. Não
no sentido moderno de cientista ou homem de ciência, mas, conhecedor de uma ciência
transcendental que somente está acessível por meio de vivências não ortodoxas, ou
seja: através da experiência mística ou estados expandidos de Consciência.

Temos aqui, portanto, a primeira e grande diferença entre um gnóstico e um crente. Em
essência, gnóstico é aquele que sabe por si mesmo , que experimentou e vivenciou a
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realidade daquilo que professa. O crente é um simples seguidor ou crédulo de dogmas
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e verdades escritas ou orais, consagradas por uma tradição ou revelação.

Assim, ainda que o Jnana ou Gnana hindu literalmente signifique “conhecimento”, em
sua essência trata-se de um “saber divino ou conhecimento supremo adquirido através

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do Yoga”, uma disciplina que faz parte do Gupta-Vidya (secreto-conhecimento) dos
brâmanes.

Gnose, em Filosofia, assume a idéia de uma “ciência superior aos conhecimentos
vulgares ou o saber por excelência”.

Nas Ciências de Hermes (Hermetismo) — também conhecida como Alta Magia —
“Gnose é a ciência suprema que contém todos os conhecimentos sagrados, cujos
segredos são conhecidos apenas pelos Magos”.

No cristianismo primitivo, Gnose designa um conhecimento mais profundo das
verdades dogmáticas apresentadas aos fiéis através das religiões confessionais ou
institucionais. Segundo Teódoto, “a filosofia gnóstica é como uma espécie de visão
imediata da verdade”, ou seja — e isso é muito importante — algo distinto da simples
erudição adquirida através de leituras e estudos teóricos.

Modernamente podemos dizer que Gnose é o conhecimento do que fomos (vidas
passadas), do que somos (ontologia), de onde viemos (cosmologia), de onde estamos
(conhecimento científico) e para onde iremos (escatologia).

Enfatizamos aqui essas idéias porque nos dias atuais tanto a ciência quanto a educação
preconizam, apresentam e defendem apenas o conhecimento puramente intelectual,
empírico e mecânico, enquanto que os gnósticos, de hoje e do passado, sempre
defenderam uma ciência holística, abrangente, vivenciada individualmente e que
abordasse tudo e todas as coisas.

Os escritos gnósticos mais conhecidos atualmente foram escritos em copto ou grego. O
mais importante deles é Pistis Sophia, obra que expõe, em forma de diálogo entre Jesus
e seus discípulos, a queda e a redenção de Sophia — um Ser pertencente ao mundo dos
Eões (Aions ou Eons) — e que poderíamos expressar, mesmo correndo o risco de má
interpretação “como Espíritos Estelares emanados do Desconhecido”, seres semelhantes
aos Dhyan-Choans (os Senhores da Luz) hindu, segundo a doutrina secreta dos
orientais.

Pistis Sophia foi publicado pela primeira vez em 1851, na França. Depois, houve uma
versão para o inglês, feita por G.R.S. Mead, ligado à Sociedade Teosófica. Mas,
qualquer que seja a edição de Pistis Sophia, trata-se de uma obra incompreensível para
não-iniciados. Até mesmo a edição comentada de Samael Aun Weor, que desvela os
dois primeiros dos seis volumes de Pistis Sophia, é bastante complexa, não só pelo
vocabulário como pelas próprias verdades ali expressadas.

Infelizmente, por preconceito ou ignorância, os maiores tesouros do gnosticismo antigo
ficaram enterrados em inacessíveis bibliotecas européias ou do Oriente Médio por
muitos séculos. Somente nos últimos anos do século XX é que começaram a surgir em
alguns países obras e teses acadêmicas de peso versando sobre religiões antigas, dentre
as quais, o gnosticismo. No entanto, foi pela internet que se disponibilizou
mundialmente o acesso às mais autênticas obras gnósticas da antiguidade, como é o caso
da Biblioteca de Nag-Hamamdi, os Evangelhos Apócrifos, documentos de Qumram, do
Mar Morto e outros mais.

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Muitos atribuem aos documentos apócrifos o rótulo da falsificação, quando, na
realidade, apócrifos e canônicos são obras escritas na mesma época e da mesma forma.
Se exisitir alguma difrença entre os textos canônicos e os apócrifos, essa diferença está
em que os denominados apócrifos não sofreram mutilações nem adaptações ao longo
dos séculos e são, portanto, mais puros, originais e completos que os canônicos, por
incrível que pareça, essa foi uma maneira de preservar tais documentos da sanha
adúltera da Igreja Romana.

Atualmente, graças ao magistral trabalho realizado por Samael Aun Weor, considerado
o Grande Mestre Gnóstico do século XX, todo esse conhecimento volta a estar
disponível em muitas instituições, tendo ainda recebido o enriquecimento das formas
gnósticas das culturas inca, maia e asteca – algo que os europeus e orientais não
possuem ou pouco conhecem.


1.1 Quem Foram os Gnósticos

As palavras gnóstico e gnosticismo não são exatamente comuns no vocabulário dos
nossos contemporâneos do Brasil ou de qualquer outro país. De fato, há mais pessoas
familiarizadas com o antônimo de gnóstico, isto é, com o agnóstico; literalmente, esse
termo significa um desconhecedor ou ignorante das matérias espirituais. Em sentido
figurativo, agnóstico é uma pessoa sem fé religiosa que não obstante se ressente ser
chamada de atéia. No entanto, os gnósticos já existiam muito antes dos agnósticos e, na
maioria, parecem ter representado uma classe muito mais interessante que esse último
grupo. Em oposição aos não-conhecedores, os gnósticos se consideravam conhecedores
ou gnostikoi, denotando que possuíam a Gnose ou o Conhecimento Divino.

Os gnósticos, assim se aprende, viveram na maior parte durante os três ou quatro
primeiros séculos da Era Cristã. Em geral, é bastante provável que eles não se
denominavam de gnósticos; antes, se consideravam cristãos ou, mais raramente, judeus
ou ainda seguidores das tradições dos antigos cultos do Egito, da Babilônia, da Grécia e
de Roma. Não eram sectários nem membros de uma nova religião específica, como
queriam seus detratores, mas pessoas que compartilhavam entre si certa atitude
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perante a vida . Pode-se dizer que essa atitude consistia na convicção de que o
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conhecimento direto, pessoal e absoluto das verdades autênticas da existência é
acessível aos seres humanos. Mais ainda: a obtenção de tal conhecimento deve
sempre constituir a suprema realização da vida humana.

Esse Conhecimento ou Gnose não era concebido como um saber racional de natureza
científica, ou mesmo um saber filosófico da verdade, mas um conhecimento que brota
no coração de forma misteriosa e intuitiva, sendo portanto chamado, em pelo menos
uma obra gnóstica (O Evangelho da Verdade), de Gnosis kardias, o conhecimento do
coração.

Trata-se é claro, de um conceito que é, ao mesmo tempo, religioso e altamente
psicológico, pois o significado, o propósito da vida não aparece então nem como a fé,
com sua ênfase na crença cega e na também cega repressão, nem como as ações, com
sua extrovertida orientação para as boas ações, mas sim como uma transformação e uma

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visão interior; em suma, um processo ligado à psicologia profunda.

Se passarmos a considerar os gnósticos como os pais da psicologia profunda da
atualidade, torna-se imediatamente aparente a razão pela qual a prática e o ensinamento
gnóstico de forma radical diferia da prática e do ensinamento da ortodoxia cristã e
judaica. O conhecimento do coração, em favor do qual os gnósticos se empenhavam não
podia ser adquirido por meio de uma barganha com Jeová, através de um tratado ou
aliança que garantisse bem-estar espiritual e físico ao homem, em troca do cumprimento
servil de um conjunto de regras. Da mesma forma, não se poderia obter a Gnose pela
mera crença fervorosa de que a atitude de sacrifício de um homem divino na história
(Jesus) pudesse aliviar a carga de culpa e frustração de nossos ombros e assegurar bem-
aventurança perpétua, além dos limites da existência mortal.

Os gnósticos nunca negaram o benefício da Torá nem a magnificência da figura de
Jesus, o ungido do Deus Supremo. Eles consideravam a Lei necessária a um certo tipo
de personalidade que precisa de regras para o que atualmente poderia se chamar de a
formação e o fortalecimento do ego psicológico. Também não negaram a importância da
missão do personagem misterioso que, em seu disfarce, era conhecido pelos homens
como o rabino Joshua de Nazaré. A Lei e o Salvador, os dois mais reverenciados
conceitos de judeus e cristãos, tornaram-se para os gnósticos apenas meios para um fim
maior que esses mesmos conceitos. Eles configuravam incentivos e artifícios de alguma
forma capazes de conduzir ao conhecimento pessoal que, uma vez obtido, prescinde
tanto da lei como da fé.

Dezessete ou dezoito séculos nos separam dos gnósticos históricos. Durante esse
período, o gnosticismo tornou-se não apenas uma fé ou ciência esquecida (como ainda
hoje dizem seus detratores), mas também uma fé ou uma verdade reprimida.
Aparentemente, quase nenhum outro grupo foi temido e odiado de forma tão
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incansável e persistente, por quase dois milênios, quanto os gnósticos . Textos da
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teologia da igreja romana ainda se referem a eles como os primeiros e os mais
perniciosos de todos os hereges; a era do ecumenismo atual não lhes parece ter
estendido nenhum dos benefícios do amor cristão. Muito antes de Hitler, o imperador
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Constantino e seu cruel episcopado iniciaram a prática do genocídio religioso
contra os gnósticos, sendo esses primeiros holocaustos seguidos por muitos outros
no decorrer da história. A última grande perseguição terminou com o sacrifício de
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aproximadamente duzentos gnósticos em 1244, no castelo de Montségur, na França.

Por quê? Seria apenas porque seu antinomianismo ou sua desconsideração pela lei
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moral escandalizava os rabinos, ou porque suas dúvidas relativas à encarnação
física de Jesus e sua reinterpretação da ressurreição enfurecia os sacerdotes? Seria
porque eles rejeitavam o casamento e a procriação, como afirmam alguns de seus
detratores? Eram eles detestados devido à licenciosidades e orgias, como alegam
outros? Ou poderia ocorrer que os gnósticos realmente tivessem algum
conhecimento, e que esse conhecimento os tornasse sumamente perigosos às
instituições, tanto seculares como eclesiásticas?

Não é fácil responder a essa indagação; contudo, deve-se fazer uma tentativa.
Poderíamos ensaiar uma resposta dizendo que os gnósticos diferiam da maior parte da
humanidade, não apenas em detalhes de crença ou de preceitos éticos, porém em sua

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visão mais essencial e fundamental da existência e de seu propósito. Sua divergência era
radical no sentido mais exato da palavra, por reportar-se à raiz (latim: radix) das
atitudes e conjecturas da humanidade com respeito à vida. Independentemente de suas
crenças filosóficas e religiosas, a maioria das pessoas acalenta certas suposições
inconscientes, pertencentes à condição humana, que não originam das atividades
convergentes de formulação da consciência, mas que irradiam de um profundo e
inconsciente substrato da mente. Essa mente é regida pela biologia, e não pela
psicologia; ela é automática, e não está sujeita à escolhas conscientes nem à percepções.

A mais importante dessas suposições, a qual poder-se-ia dizer que sintetiza todas as
outras, consiste na crença de que o mundo é bom e que o nosso envolvimento nele é, de
alguma forma, desejável e fundamentalmente benéfico. Essa premissa conduz a
inúmeras outras, todas mais ou menos caracterizadas pela submissão às condições
externas e às leis que parecem governá-las. A despeito dos incontáveis acontecimentos
incoerentes e maléficos em nossas vidas, dos incríveis fatos que se sucedem, dos
desvios das reiteradas insanidades da história humana, tanto coletiva como
individualmente, acreditaremos ser nossa incumbência prosseguir com o mundo, pois
ele é, afinal, “o mundo de Deus” (só que criado, por nós mesmos, à “nossa” imagem e
semelhança), devendo, portanto, haver significado e bondade ocultos em seus processos,
mesmo que seja difícil vê-los e discerni-los. Assim, devemos continuar no cumprimento
de nosso papel dentro do sistema, da melhor maneira possível, sendo filhos obedientes,
maridos zelosos, esposas respeitosas, bem-comportados açougueiros, padeiros,
fabricantes de velas, esperando contra toda a esperança que uma revelação do
significado resulte, de algum modo, dessa vida de resignação sem sentido.

“Não é assim”, disseram os gnósticos. “Dinheiro, poder, governo, constituição de
famílias, pagamento de impostos, a infinita série de armadilhas das circunstâncias e
obrigações” - nada disso foi jamais rejeitado tão total e inequivocamente, num certo
sentido, na história humana, como pelos gnósticos. Estes nunca esperaram que alguma
revolução política ou econômica pudesse, ou devesse, eliminar todos os elementos
iníquos do sistema em que a alma humana encontra-se aprisionada. Sua rejeição não se
referia a um governo ou sistema de propriedade em favor de outro; ao contrário, dizia
respeito à total e predominante sistematização da vida e da experiência. Portanto, os
gnósticos eram na verdade conhecedores de um segredo tão fatal e terrível que os
governantes deste mundo - i.e., os poderes, secular e religioso, que sempre lucraram
com os sistemas estabelecidos da sociedade - não podiam permitir-se ver esse segredo
conhecido e, muito menos, tê-lo publicamente proclamado em seus domínios.

De fato, os gnósticos sabiam algo: a vida humana não alcança a sua realização
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dentro das estruturas e instituições da sociedade, porque estas representam, na
melhor das hipóteses, apenas obscuras projeções de outra realidade mais
fundamental. Ninguém atinge sua verdadeira natureza individual sendo o que a
sociedade espera nem fazendo o que ela deseja. Família, sociedade, igreja,
ocupação e profissão, lealdade patriótica e política, bem como regras e normas
morais e éticas, na realidade, de modo algum, conduzem à auto-realização do Ser.
Ao contrário, constituem, com maior freqüência, as próprias algemas que nos
alienam de nosso real destino espiritual.

Esse aspecto do gnosticismo foi considerado herético em épocas passadas e até hoje

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costuma ser chamado de “negação do mundo” e “antivida”; porém constitui,
obviamente, nada mais que a boa psicologia e a boa teologia espiritual, por ser tratar de
bom senso. O político e o filósofo social podem considerar o mundo um problema a ser
resolvido, mas o gnóstico, com seu discernimento psicológico, reconhece-o como uma
condição da qual precisamos nos libertar pela visão interior. Isso porque os gnósticos
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não buscam a transformação do mundo, mas a transformação da mente , com sua     UU




conseqüência natural - uma mudança de postura perante o mundo. A maior parte das
religiões também tende a ratificar uma atitude familiar de interiorização na teoria;
contudo, como resultado de sua presença dentro das instituições da sociedade, elas
sempre negam isso na prática. As religiões costumam se iniciar como movimentos de
libertação radical seguindo linhas espirituais, mas inevitavelmente terminam como
pilares das próprias sociedades, as carcereiras de nossas almas.

Se desejamos obter a Gnose, o conhecimento do coração (gnozis kardias) que liberta os
seres humanos, devemos nos desvencilhar do falso Kosmos criado pela nossa mente
condicionada. A palavra grega Kosmos, bem como o vocábulo hebraico olam, embora
quase sempre mal traduzidos como “mundo”, realmente designam mais o conceito de
“sistemas”. Quando os gnósticos diziam que o sistema à sua volta era mau e que
precisaríamos sair dele para conhecer a verdade e descobrir o seu significado,
comportavam-se não só como precursores de inúmeros alienados da sociedade, desde
São Francisco de Assis até os beatniks e hippies, mas também exprimiam um fato
psicológico desde então redescoberto pela moderna psicologia profunda.

Jung reafirmou uma antiga percepção gnóstica ao dizer que o extrovertido ego humano
deve, em primeiro lugar, tomar plena consciência de sua própria alienação do Ser antes
de poder começar a retornar ao estado de união mais íntima com o inconsciente. Até nos
conscientizarmos inteiramente da inadequação de nosso estado de extroversão e de sua
insuficiência quanto às nossas necessidades espirituais mais profundas, não obteremos
nenhum grau sequer de individuação, através da qual uma personalidade mais madura e
ampla surge. O ego alienado é o precursor e uma pré-condição inevitável da
individualização. Os gnósticos não rejeitavam necessariamente a terra de per se, que
reconheciam como uma tela sobre a qual o Demiurgo da mente projeta seu sistema
ilusório (Matrix). Quando nos deparamos com uma condenação do mundo nos escritos
gnósticos, o termo usado é fatalmente Kosmos ou este eon e nunca a palavra Ge ou Gea
(terra), que consideravam neutra, se não totalmente satisfatória.

Era desse Conhecimento (Gnozis) — o conhecimento que se tem no próprio
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coração a respeito da inutilidade espiritual e a absoluta insuficiência das
instituições e valores estabelecidos do mundo exterior — que os gnósticos valiam-se
para construir tanto uma imagem de ser universal como um sistema de inferências
coerentes a serem extraídas dessa imagem. (Como era de esperar, eles o realizaram
não tanto em termos de filosofia e teologia, mas em termos de mito, ritual e cultivo
das qualidades imaginativas e mitopoéticas da alma).

Como muitas outras pessoas inteligentes e sensíveis, antes e depois de sua época, os
gnósticos se sentiram estrangeiros num país desconhecido, uma semente abandonada
dos mundos distantes de luz infinita. Alguns, como a juventude alienada dos anos 60,
retiraram-se para comunidades e eremitérios à margem da civilização. Outros, mais
numerosos talvez, permaneceram em meio à vasta cultura metropolitana das grandes

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cidades, como Alexandria e Roma, aparentemente desempenhando seus papéis na
sociedade, enquanto no íntimo serviam a um mestre diferente — no mundo, mas não do
mundo. A maioria deles tinha instrução, cultura e riqueza; entretanto, continuavam
conscientes do inegável fato de que todas essas realizações e tesouros perdem a cor
perante a Gnose do coração, o conhecimento do que existe. Não sem motivos, portanto,
que, quando estudamos detidamente o gnosticismo antigo, percebemos muitos laços e
dependências entre sua filosofia e as idéias e princípios defendidos por Pitágoras (que
viveu 25 anos entre os sacerdotes do Egito antigo), Platão (discípulo de Sócrates),
Aristóteles, Empédocles, Heráclito e Epicuro. Porém, a verdadeira Gnose é interna,
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reservada, e estava, como ainda está, contida nos Mistérios. A verdadeira origem
dos Mistérios deve ser buscada na Atlântida, e não na história conhecida. Uma       UU




passagem textual, atribuída a Sólon, esclarece, quando um sacerdote egípcio lhe diz:
“Tudo quanto se faz de formoso, grande ou memorável sob qualquer aspecto, seja em
vosso país, seja em nosso ou em outros, está escrito há muitos séculos e conservado em
nossos templos. Contudo, entre vós e os demais povos o uso da escrita e do que e
necessário a um estado civilizado não data de uma época muito recente” (HPB - A
Doutrina Secreta).

O gnosticismo no caráter esotérico dos evangelhos, um ensaio publicado por HPB pela
primeira vez em 1887, chamou a atenção dos leitores para os gnósticos ao focalizar os
dois temas vitais dos evangelhos: a vida de Jesus e o drama de sua morte na cruz. Nesse
ensaio, a grande mártir do século XIX sustenta que o nome Christos (Krestos), como
certas alegorias mítico-astronômicas, teve sua origem entre os gnósticos, dos quais São
Paulo foi um dos mais exaltados membros e iniciados.

Daí a razão de os evangelhos se constituírem enigmas para os não-iniciados. Ainda
segundo HPB, o evangelho de São João é puramente gnóstico, marcado pelo gênio que
se ostentava na amálgama de alegorias e nomes egípcio-judaicos do antigo testamento
aliados aos gnósticos gregos - os mais refinados místicos da época. Ainda fazendo
referência aos mistérios gnósticos, diz HPB: “Os anais gnósticos continham o resumo
das principais cenas representadas durante os Mistérios da Iniciação e decoradas pelo
homem. Porém, quando confiadas ao pergaminho ou ao papel, eram invariavelmente
apresentados sob uma roupagem semi-alegórica”.

Exemplificando o quanto os ensinamentos gnósticos foram relegados a um plano
secundário pelo nascente clero cristão, Blavatski cita as obras de Basílides, filósofo que
floresceu por volta do ano 130. O ilustre gnóstico escreveu 24 volumes, chamados
Interpretações do Evangelho. Desgraçadamente, todos eles foram queimados sob os
auspícios da primitiva Igreja Romana. Tal perda é incalculável pela luz que projetaria
sobre os primitivos gnósticos e os primórdios do cristianismo, pois tratava-se de obras
escritas muito antes que a bíblia canônica fosse oficializada pelo Concílio de Nicéas em
325 d. C.




1.2 A Origem do Conhecimento




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Todo o conhecimento humano teve origem na Magia. A ESCOLA GNÓSTICA não
entende nem toma a Magia como geralmente entendem os escritores de sucesso, os
ignorantes, os preconceituosos, os teólogos e as pessoas de modo geral.

Magia é uma palavra derivada do persa Magh que deu origem ao latino magnum – e
significa “Grande Ciência”, ou “Conhecimento Primeiro” ou ainda “Ars Magna”.

Foi dos Colégios de Alta Magia que derivaram ensinamentos como a geometria, a
aritmética de Pitágoras, a música de Orfeu, a medicina de Hipócrates (Harpócrates ou
Heru-Pa-Kroat) e Galeno, a arte régia da natureza que possibilitou construir cidades,
monumentos e templos ciclópicos, a astrologia dos caldeus e as diferentes religiões hoje
existentes no mundo.

Compreende-se, então, que, no começo desta humanidade, só existia uma única forma
de conhecimento, genericamente denominada de Magia, cujo domínio e ensino era
tarefa e responsabilidade dos sacerdotes-magos que governavam os reis que, por sua
vez, governavam os povos.

Mais adiante, neste curso, haverá um arcano específico sobre Alta Magia. Por enquanto
vamos dizer apenas que a Magia, no tempo de Hermes e Moisés, apresentava-se de duas
formas: Alquimia e Cabala.

A Alquimia está ligada ao autor da Tábua de Esmeralda ou Corpus Hermeticum. A
Cabala (ou conhecimento secreto dos sacerdotes de Israel) teve, em Moisés, um de seus
mais exaltados expoentes, embora não tivesse sido ele o autor, propriamente dito, da
Cabala, atribuída ao Anjo Metraton (que alguns autores consideram o Enoque bíblico).

Do Triângulo Mágico - Magia-Cabala-Alquimia - surgiu o quaternário inferior do
conhecimento humano: Filosofia-Arte-Ciência-Religião.

Resumindo: A Magia se desdobrou em Alquimia e Cabala. Dessas três formas de
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Gnose surgiram a Ciência, a Arte, a Filosofia e as Religiões, tal como as
conhecemos e estudamos hoje, no final deste século XX.


1.2.1 A Gnose como ciência

Isso que hoje denominamos de “ciência” tem origem muito recente. Remonta,
praticamente, aos tempos da Revolução Industrial. É uma lástima, porém, a ciência atual
ser tão mecânica e mecanicista, material e materialista, empírica e repetitiva. Prescinde
de todo e qualquer valor que não o objeto formal e, tudo que não se enquadre em seus
estreitos limites, não existe ou não é admitido como objeto de estudo e pesquisa. Por
causa dessa concepção continuam existindo grandes vácuos no conhecimento científico,
grandes lacunas a serem preenchidas, enormes contradições, pirâmides gigantescas de
teorias, fantasias e suposições. A própria origem do homem é um exemplo sob medida
para ilustrar os estreitos elos da ciência atual com a gnose antiga. Supõem os cientistas,
e assim é passado nas escolas, que o homem vem do macaco (quando a história oculta
diz justamente o contrário).



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É esse materialismo ateísta que levou a ciência a estancar a humanidade em seu
progresso social e espiritual. Nossa ciência é avançada no campo meramente
tecnológico, mas super-atrasada no campo espiritual. Felizmente, uma Nova Era já
chegou e fará com que, obrigatoriamente, a ciência readquira seu caráter religioso (como
também a religião readquira seu caráter científico) como era na Idade de Ouro da
humanidade, no tempo que a Atlântida dominava o mundo. Religião científica e
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ciência religiosa, só para lembrar, é Gnose.

A Nova Gnose é a ciência que estuda (holisticamente) todos os lados de um objeto,
fenômeno ou realidade: o material e o imaterial, o físico e o espiritual. A ciência
gnóstica não incorre no erro da separatividade acadêmica. Por isso pode estudar e
entender a hipergeometria do espaço; estudar e transmutar as energias vitais e
endócrinas; conhecer os fenômenos físicos, psíquicos, biológicos e espirituais; a ciência
da levitação e da desmaterialização; a Alquimia, os números, as letras e pode investigar
e investiga o espaço cósmico sem foguetes e discos voadores. O princípio máximo da
ciência gnóstica está contido nas Tábuas de Esmeralda de Hermes Trismegisto, que diz:
“O que está acima é igual ao que está abaixo” e que, por extensão, dá-nos outra máxima:
“O que está dentro é igual ao que está fora”.

Antigos postulados hindus afirmam que se o homem quiser conhecer o universo e seus
moradores, primeiro deverá conhecer a si próprio. No portal do Templo de Delfos havia
uma inscrição, a qual chegou até nossos dias, sob estas palavras: “Homem, conhece-te a
ti mesmo”. Modernamente, essa expressão está bem desvirtuada – ou mal entendida. As
pessoas acreditam que é só estudar as suas contradições e aceitá-las como tal, sem
nenhum propósito de correção. Não! Não é assim! É preciso uma profunda auto-
transformação, a seguir.

O cientista gnóstico, o estudante de Gnose, como qualquer outro, trabalha dia e noite em
seu laboratório - o corpo humano. Nesse laboratório são feitas todas as operações da
ciência alquímica que, ao contrário do que muitos pensam, não objetiva transformar
chumbo em ouro, mas sim, a transformação do próprio alquimista.

No laboratório humano são estudadas e testadas todas as leis matemáticas, físicas e
astronômicas. No laboratório humano, através de procedimentos específicos da mesma
ciência gnóstica, pode-se obter informações e conhecimentos exatos e precisos tanto do
micro quanto do macrocosmo.

Através da psicologia da Nova Gnose o estudante pode estudar e compreender
profundamente a ciência da alma, da divina Psiche, perscrutando diretamente o
fantástico - e desconhecido - mundo da mente.

Pela antropologia da Nova Gnose nossos homens de ciência podem conhecer a origem
do homem, sua evolução, o surgimento do mundo e os ciclos de atividade e repouso dos
sistemas solares e cadeias planetárias.

Enfim, com o método proposto pela Nova Gnose, toda e qualquer pessoa interessada e
de boa vontade pode chegar ao conhecimento integrado, ao conhecimento holístico, à
ciência única, que gerou personalidades do quilate de Leonardo Da Vinci, Miguel
Ângelo, Marconi, Franklin, Pitágoras, Sócrates, Maomé, Moisés, Jesus, Buddha, etc., só

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para mencionar alguns que se destacaram em diferentes áreas humanas.


1.2.2 A Gnose como filosofia

Se a ciência nos dá o conhecimento, a filosofia pode nos dar a sabedoria. Filosofia é a
forma de conhecimento que procura explicar a origem e a essência das coisas. O
estudante sabe que a filosofia tenta uma concepção racional do universo e que muitas
foram as escolas e correntes filosóficas que surgiram e desapareceram ao longo da
História.

Sócrates ensinava o caminho do autoconhecimento. Aristóteles foi o precursor da razão
- que perdurou até Kant. Este desmistificou o racionalismo aristotélico. Agora, no
século XX, um novo luminar do pensamento - Samael Aun Weor - pulveriza o que
restou do racionalismo, inaugurando uma nova era filosófica: a era da intuição, a era da
dialética objetiva do Ser.

A filosofia da Nova Gnose, que se expressa de modo especial nos seus aspectos
psicológicos, contidos na Filokalia, propõe-se a abrir os caminhos que levarão a
humanidade ao Despertar da Consciência ou ao Desenvolvimento do Ser. Uma
Consciência Desperta ou um Ser Desenvolvido eqüivale à iluminação, à genialidade, à
sabedoria. Sabemos que para a maioria das pessoas Consciência Desperta é uma
expressão nova. Ela significa o contrário de mecanicidade, inconsciência, subjetivismo,
educação intelectual e outros conceitos equivalentes. A ciência do Despertar da
Consciência ou do Desenvolvimento do Ser faz parte da Filokalia, abolida da Gnose
cristã pelos padres da igreja romana, porém, ainda existente nas Igrejas Ortodoxas
Orientais.

A filosofia e a ciência da educação da consciência levarão o homem à logosfera - e isso
é algo que trataremos de forma exaustiva neste curso. Sabemos, também, que não são
muitos os que estão dispostos a educar ou a desenvolver a sua Consciência; preferem
educar, fortalecer e desenvolver apenas a sua mente ou seu intelecto. Acontece que a
Consciência está acima da mente e os poderes da mente são algo demasiado pobre
diante dos poderes da Consciência. Além do mais, as possibilidades humanas estão na
Consciência e não na mente.

A Era de Aquário estimula, trabalha e afeta a Consciência e não a mente. Neste exato
momento vemos, em todas as partes do mundo, assomar do subconsciente atitudes
primais, coisas que jamais se julgava existir dentro das pessoas, dentro de nós mesmos.
As escolas, linhas, correntes e filosofias que adotam a “mente” como base de
crescimento e desenvolvimento estão com seus dias contados (para usar esta expressão)
porque neste momento, e para os próximos 2000 anos, a natureza estará voltada para o
Despertar da Consciência, para o desenvolvimento do Manas Superior com o objetivo
de tornar tudo e todas as coisas claras, transparentes e objetivas.


1.2.3 A Gnose como arte

Existe a arte popular e a arte régia da natureza. A arte popular sempre representa o

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comum das pessoas, suas vidas superficiais. A arte régia da natureza é feita com base
em medidas, pesos, grandezas, notas, sons e vibrações capazes de perpetuar por séculos
sem fim as realidades do cosmo e das leis da vida.

A arte régia é sempre universal. Vemos esse tipo de arte expresso nas sinfonias dos
grandes mestres da música, nas obras de Miguel Ângelo, na Esfinge do Egito, nos
templos gregos, nos monumentos da Índia, nas catedrais góticas, nas mesquitas, no
simbolismo cabalístico, etc.

A própria vida é arte. Quando o estudante gnóstico coloca em prática um determinado
postulado ou princípio está exercitando o princípio maior da arte régia da natureza que é
a maior obra de arte que alguém pode realizar na vida: a edificação de seu próprio
templo interior, sua própria natureza interna e fazer com que o Cristo Cósmico possa
oficiar no altar do seu coração.

A arte alquímica, por exemplo, é a arte da transformação do homem, a arte da sua
transformação atômica, molecular, energética, psicológica, sexual. A Grande Obra dos
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alquimistas sempre foi - e continua sendo - a autotransformação . Só assim é
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possível, um dia, chegar-se à encarnação do Ser, ao nascimento do Cristo em nosso
coração. O exercício diário desses princípios, como dissemos, é a prática da construção
da maior de todas as obras de arte da natureza: a edificação de seu próprio templo
interior, aquele mesmo Templo do Rei Salomão, aludido na Bíblia.


1.2.4 A Gnose como religião

“Não existe religião superior à Verdade”, transcreveu HPB, com muita propriedade. A
Verdade é nosso próprio Pai Celestial, nosso querido Ancião dos Dias. Quando o
homem for capaz de ver e sentir todas as manifestações religiosas e filosóficas com
isenção de ânimo, então, estará bem próximo da Verdade. Lamentavelmente, a
humanidade chegou a um estágio onde quer construir um mundo segundo sua cabeça e
fantasia, sem ver ou considerar a realidade. Qualquer mudança só será eficaz se feita a
partir de suas origens. E para voltar às origens é necessário, segundo uma paráfrase
volteriana, “ter percepção dos próprios erros olhando para dentro de si mesmo”.

A Verdade não é questão de conceitos, idéias ou palavras. Verdade é questão de
experimentação direta. Só quem tem visão direta da Verdade (Consciência Desperta)
não incorre no erro de criticar religiões alheias porque, na Verdade, todas as religiões
são pérolas que formam um único colar a adornar o colo da divindade.

Gandhi se dizia cristão, muçulmano, judeu, brâmane. Todos sabem que Gandhi foi um
místico. Alguém, noutras palavras, só chegará à experiência da Verdade se for um
místico.

— Mas, o que é um místico?

Hoje temos a falsa idéia de que místicos são criaturas estranhas, alienadas. Uma pessoa
com essas características é o antípoda do místico (lamentavelmente, existem milhares
deles por aí vagando pelas ruas e estradas do mundo). Etimologicamente, místico

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designa “uma vivência profundamente interior, misteriosa”. Em sentido mais amplo,
“mística é toda espécie de união interior com Deus”. Portanto, “Místico é aquele que
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comunga diretamente com Deus”.

O traço comum da Mística é o fato de a Verdade ou Deus ser conhecida apenas
individual e experimentalmente no interior da própria alma. Cientificamente, isso é
impossível, algo considerado inexistente, visto tratar-se de um fenômeno subjetivo,
intransferível, não-empírico. É por isso que quando Pilatos perguntou a Jesus o que era
a Verdade ele ficou quieto. Ou quando perguntaram a Buddha ele virou as costas e saiu
andando. Essas coisas não são passíveis de transmissão. Impossível transmitir a
Verdade. Cada um precisa vivenciá-la por si mesmo.

A Verdade, como foi dito, não é questão de conceitos ou palavras. É questão de vivência
direta, de apreensão essencial de um objeto ou realidade. A Nova Gnose, ao estudar a
essência da religião ou das religiões, não pode abdicar dos aspectos místicos tal qual
faziam Gandhi, Francisco de Assis, Buddha, Maomé, Moisés, Zoroastro e tantos outros
que conheciam a Verdade diretamente porque, todos eles, chegaram à encarnação de seu
próprio Ser Real e Profundo. É o desenvolvimento de um estado de comunhão com
Deus que nos torna seres místicos – e isso é fundamental para todo aquele que busca O
CAMINHO.

Pode não existir religião superior a Verdade, que é a manifestação de Deus como Pai,
mas é o Amor a substância universal que une todos os seres e criaturas para formar uma
só família, onde todos são irmãos. Não há, nem pode haver, autêntica religião sem o
Amor. Mesmo porque, dizia o próprio Cristo, “ninguém chega ao Pai senão por mim”.
Traduzindo: o Pai é Deus manifesto como Verdade. Chega-se ao Pai através do Filho, o
Cristo Cósmico, que é amor impessoal e divino. O Pai é o Primeiro Logos, a Bondade
das Bondades, a primeira manifestação divina como ente na existência. O Filho, o
Cristo Cósmico, é a manifestação de Deus como Amor, porque o Cristo sempre se
crucifica no amanhecer da vida para dar vida aos planetas, sóis, constelações e criaturas
de toda espécie. E o Espírito Divino paira sobre o todo existente.

Convidamos o estudante a meditar sobre as incoerências dos líderes religiosos que se
criticam e se atacam mutuamente e, pior ainda, instigam guerras religiosas. Pode ser
verdadeira uma religião erigida em meio ao ódio, à crueldade, à perseguição, à
vingança? É possível uma religião exclusivista? Pode haver religião sem amor?

Lembremo-nos sempre que:
    o fanatismo (que é ignorância) aceita tudo
    o materialismo (que também é ignorância) nega tudo




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CAPÍTULO 2 - EDUCAÇÃO FUNDAMENTAL

Você sabia que desde os tempos de Carlos Magno o modelo de ensino não mudou? Pois
é! Há séculos pegamos nossos filhos, aprisionamos em uma escola por anos sem fim, e
lá, por bem ou por mal, são enfiados em suas cabeças, de forma mais ou menos
sistematizada, todos os conhecimentos disponíveis segundo um modelo teórico, num
processo similar ao de jogar e gravar informações num computador. Feito isso, soltamos
o adolescente na vida, cabendo a ele utilizar esses conhecimentos ou essa massa de
informação mal organizada na medida de suas necessidades, mesmo que mais da metade
do que foi gravado em sua memória caia no esquecimento ou jamais venha a utilizar.

Hoje, os especialistas de alto nível, só começam a produzir aí pelos 25 anos. Richelier
foi nomeado bispo de Luçon aos 21 anos no século XVIII e deu conta do recado. Isso
significa que, na idade em que a capacidade cerebral humana é mais forte e fecunda,
nossa sociedade, prisioneira de um modelo antiquado de ensino, teima em manter seus
futuros líderes numa inútil e interminável adolescência. Não é de espantar, pois, a
grande evasão escolar em nosso país ou que até mesmo os estudantes universitários e
pré-universitários se revoltem ou desanimem diante de tantas teorias que jamais
utilizarão em suas vidas. Além disso, no dia que delas precisarem, já estarão
ultrapassadas por novas teorias, tecnologias e descobertas. Seria mais que hora de criar e
implantar um novo sistema educacional em nosso país, que não mais contemplasse tanta
teoria e priorizasse de forma mais prática e concreta áreas especializadas e realmente
úteis e necessárias no mundo moderno. Com isso, nossos pequenos recursos destinados
à educação poderiam ser melhor aproveitados.


2.1 O Aprendizado

Os cursos de maior sucesso são aqueles que oferecem conhecimentos específicos,
concretos, práticos e de uso imediato - ou seja: que atendam a uma necessidade real e
imediata. Portanto, toda a educação deveria seguir esse princípio de utilidade: formar
pessoas, ensinar a pensar e eduzir suas reais potencialidades e talentos.

É uma lástima ver a ciência atual reduzida a um amontoado de informações desconexas
e incoerentes entre si, muitas delas simples teorias sem base verdadeira e quase sempre
sem utilidade prática. Por exemplo, de que vale estudar História (escrita pelos
vencedores ou retocada para atender a interesses de minorias) se não consideramos suas
lições em nosso dia-a-dia? Por que os educadores não ensinam isso? Tirar sabedoria do
passado? Oxalá você, caro amigo estudante, considere as experiências dos grandes
mestres e estudiosos do passado e os aplique em sua vida como algo prático e concreto.
Senão, de que serve todo este trabalho? Seremos sempre alunos relapsos jogados na
escola da vida e amestrados desde pequenos a aceitar o “status quo” existente como algo
“real”, “permanente”e “imutável”? Ou, pior ainda, tomar isso como sendo a realidade
real da vida? Aceitar passivamente que “isso” é a vontade divina? Ora, de que classe de
Deus ou deuses estamos falando, nesse caso? De um Deus impiedoso, cruel, injusto?
Ou somos nós, cegos por uma falsa educação religiosa e cultural que vemos as coisas
sob esse prisma aberrante?

Não estamos nos manifestando contra o estudo e a educação. Pelo contrário;

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manifestamo-nos unicamente contra a forma de ensinar e estudar e os conteúdos atuais
daquilo que é ensinado nos modelos educacionais materialistas e ateístas atuais. É
preciso criar condições e incentivar o estudo crítico, a análise de fundo e a liberdade de
se fazer o próprio conhecimento de um ponto de vista universal, abrangente e holístico,
respeitando antes e acima de tudo o livre arbítrio, mas sem nos omitirmos de dar e
apontar as várias alternativas e caminhos da vida que a mesma divindade nos ofereceu
ao longo dos tempos que estamos habitando a face do planeta..

Receber e acumular informações no cérebro não é exatamente ensinar ou aprender.
Todo estudo, todo aprendizado deveria estar voltado para a experimentação direta, para
o exercício prático e para as simulações, no caso de modelos teóricos. Isso se torna
especialmente verdade ou necessário no estudo da química, da física, da biologia, da
matemática, etc. porque uma coisa é a fórmula ou a informação e outra, bem diferente, é
a vivência e a sua aplicação concreta.

Quando se fala em vivência e em experimentação direta, muita gente pode ser induzida
a crer que estamos falando apenas do método empírico, que se limita a medir, pesar,
decompor quimicamente, classificar e, por fim, rotular. Nada disso! Medir, decompor,
classificar e rotular, para nós, não é ciência. Existem outros métodos e sistemas bem
mais científicos (se tomarmos o sentido original dessa palavra), dos quais nos
ocuparemos amplamente ao longo deste curso e que, efetivamente, levam uma pessoa a
ter contato ou interagir com a essência mesma das coisas, dos seres, dos fenômenos e
das realidades das múltiplas dimensões do universo e da vida. Isso é educação holística.
Essa é a ciência integral. Esse é o método da Nova Gnose.

Conhecemos muitas pessoas que se dedicaram e ainda se dedicam a estudar nossos
livros sem se preocupar com a vivência ou com a experiência. Esse procedimento não
leva a lugar algum. É perda de tempo, visto tratar-se de um procedimento meramente
mental, essencialmente intelectual. Intelectuais são aquelas pessoas que falam sobre o
que outros disseram ou escreveram; jamais viveram na prática, jamais sentiram na pele a
realidade de tais conhecimentos. Não pode ser gnóstico o simples leitor de obras
gnósticas, como também não se pode ser um teólogo somente mediante leituras de obras
teológicas. Nós entendemos que para ser “gnóstico” ou “teólogo” a pessoa precisa
vivenciar a realidade do que ensina.

Peguemos o exemplo do Brasil, que se transformou nas últimas décadas num gigantesco
laboratório experimental para políticos e economistas exercitarem suas teorias,
incluindo as mais estapafúrdias. Se essas criaturas tivessem experiência direta, se
tivessem sentido em sua pele os desatinos do que fazem, jamais fariam o que fazem nem
se comportariam como se comportam. Muito menos, insistiriam em modelos
concentradores de renda e essencialmente injustos. Se houvesse um mínimo de
consciência aí certamente os modelos seriam modificados rapidamente. Porém, não é a
parte divina que gerencia nossa vida nem nossos destinos. Tristemente, é a parte egóica
que tem sob comando nossos destinos, e o resultado de tal acontecimento, é o pesadelo
social que hoje vivemos e vemos à nossa volta.

O objetivo da Nova Gnose, no campo educacional, é o de formar e forjar pessoas que
pensem e ajam por si mesmas, sejam detentoras de seu próprio conhecimento, se façam
e se cristalizem como seres, eduzam os talentos e as capacidades que têm dentro de si.

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Isso é auto-realização! Isso é começar a realizar e a expressar os valores mais íntimos e
transcendentais de nosso próprio Ser. Infgvelizmente, isso está distante das massas. No
mundo de hoje, somente alguns indivíduos poderão plasmar isso dentro de si mesmos.
Não porque seja assim por algum decreto divino ou humano. Não! É assim pela
impossibilidade prática de haver uma grande mudança psicológica na humanidade.


2.2 Teoria X Prática

Dissemos que o maior problema dos estudantes de hoje é o fato de terem que estudar e
aceitar como verdadeiras as teorias, idéias e conceitos alheios sem que lhes seja dado o
direito (ou o incentivo) de divergir e de pensar por si mesmos, de forma independente.

Educação é um termo mal compreendido e muito mal aplicado. Dissemos e repetimos
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que, hoje, educar é passar informações ou fazer com que as crianças e os
adolescentes imitem ou copiem modelos. Mas, Educação significa edução - ou seja:
trata-se de um processo de eduzir (botar para fora) capacidades, talentos,
habilidades e potencialidades natas de cada um. Isso só é possível num ambiente de
                                                         UU




liberdade propício à análise crítica e onde saber uma determinada matéria não esteja
ligado ao processo de passar de ano ou ganhar nota por desempenho. Além disso, o
entendimento da palavra “eduzir potencialidades” passa bem longe do que deveria ser
tomado como tal. Por causa de um modelo científico materialista e ateísta, “eduzir
potencialidades íntimas” é tomado como eduzir meros valores intelectuais. Mas, os
“verdadeiros valores humanos” estão bem mais além disso; as possibilidadses reais,
aqui mencionadas, são as virtudes do Ser, como “bondade”, “respeito”, “amor ao
próximo”, “tolerância”, “veneração”, etc. sem esquecer, é claro, dos talentos e
habilidades “profissionais” de cada um.

Perguntamos: Se vê isso por aí nas ruas e empresas? (É claro que não, e a simples
evidência disso se experimenta diariamente em todas as partes).

Ambientes e modelos competitivos e sem liberdade de pensamento não são favoráveis
para o florescimento da inteligência e da criatividade. A teoria é necessária para ajudar
na elaboração do saber. Porém, de acordo com os arquétipos universais, jamais se
alcança o saber sem a vivência, a experiência integral, a concepção holística.

Compreendemos melhor a superficialidade da educação atual quando examinamos
detida e criticamente sua finalidade. O fato é que hoje pegamos uma criança,
                                          UU




levamos a uma escola para ser programada a se comportar, a ser e a agir como
simples máquina de produção e consumo. Vamos ser mais claros e específicos
ainda: a educação de hoje oblitera, acaba, extirpa, castra, bloqueia e anula os
valores, os talentos e as potencialidades do ser humano, da alma e do espírito.

— Nasce o homem para atuar como simples máquina? Nasce o homem apenas para
produzir e consumir? É o homem um ser destituído de alma e espírito? Pode haver
Creação sem Creador?

Se você respondeu “não” a essas questões certamente perceberá que a educação
moderna não considera os aspectos transcendentais (ontolótgicos) do homem. Se

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respondeu “sim” a essas questões você está no lugar errado fazendo o curso errado.
Obviamente, só um modelo ou sistema educacional holístico leva em conta os aspectos
materiais e espirituais do ser humano. Fora disso, tanto uma educação totalmente
materialista e ateísta quanto uma educação exclusivamente espiritual não servem aos
propósitos de se “eduzir as potencialidades”. Porque ambas são unidirecionais, algo
demasiado incipiente a um espírito avançado como esse que hoje vive nas grandes
cidades.



2.3 Medo e Imitação

Eduzir ou desenvolver capacidades e potencialidades natas do ser humano só é possível
mediante uma educação holística e em ambientes onde não haja medo. O homem, por
natureza, é um imitador. Tanto que a criança aprende mais com o exemplo do que com a
palavra. Mas, copiar significa deixar de ser a gente mesmo; quando copiamos, deixamos
de ser autênticos; quando copiamos, imitamos. E se não formos estimulados na direção
reta, sempre seremos imitadores.

A criança imita de forma natural, sem coação, sem medo. Essa fase ou processo natural
dura enquanto durar a infância. Aqui deveria entrar a educação para fazer a passagem da
imitação para a fase da criação ou exercício da criatividade. Porém, isso não é feito.
Pelo contrário! As crianças são induzidas ou amestradas a continuar imitando e
copiando pelo resto de seus dias - como se educar fosse copiar ou imitar. Criar é captar
o essencial, o abstrato, a alma das coisas e dos seres, o ente. Criar é achar o “novo”, o
“desconhecido”, o “inusitado” de cada momento, de cada fenômeno, de cada realidade,
sem aprovação, sem censura, sem competição e, sim, pela alegria mesma de ser e estar
vivo e participando da vida e tendo consciência das razões pelas quais veio ao mundo.

Uma educação holística harmonizaria os aspectos criativos com as imutáveis leis
universais. Alguém já disse que a liberdade consiste no respeito e na aceitação
voluntária das leis. Dentro da visão holística, aceitar eqüivale a compreender ou saber
por experiência própria que certas coisas, certos princípios, certos procedimentos só
podem ser feitos de um determinado jeito. Portanto, é preciso conhecer e compreender
as leis que regem a vida e que sustentam o universo.

Um dos maiores fatores de restrição da liberdade é o medo. Medo existe onde há
ignorância, desconhecimento. O medo é um dos grandes alimentadores do processo de
imitação. Sempre é mais fácil, mais simples, mais cômodo e mais conveniente seguir a
correnteza da vida que abrir o próprio leito.

Criar, inovar, ousar, implicam em sair da massa, do lugar comum, da mesmice e ser
diferente. Esse drama é antigo. O próprio grande mestre Jesus já comentava com seus
discípulos: “Ninguém constrói uma cidade no alto da montanha para ficar escondida;
ninguém acende um candeeiro para colocar debaixo da cama mas sim para colocar no
lugar mais alto da casa para iluminar todo o aposento; de que vale o sal se perdeu a
propriedade de salgar?”.

Perder o medo ou estudar e compreender os medos é uma das primeiras providências

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que o estudante deve tomar para crescer na vida espiritual, para eduzir as possibilidades
de seu próprio ser porque libertar-se ou ser livre é assumir o que traz dentro de si, ser o
que é. Se estamos ou queremos subir a montanha não há como não sermos vistos e
visados. Se queremos ser a luz do mundo não adianta nos escondermos debaixo da
cama. Se queremos ser o sal da terra temos que salgar.

Libertar-se é abrir mão de idéias, conceitos, modelos e sistemas tradicionais; romper, no
bom sentido, limitações de família, sociedade, religião, educação, ciência, filosofia, arte,
etc. Libertar-se é desapegar-se do autoconceito, da auto-imagem, da auto-idéia, da
autoconsideração. Libertar-se é centrar a vida na Consciência, no próprio Ser, fazer seu
próprio conhecimento e pensar e agir por si mesmo, brilhar com sua própria luz - ser sol
e não planeta. (Este tema e estas idéias serão aprofundadas no ARCANO 6 deste curso).


2.4 A Formação dos Conceitos

A compreensão deste ponto é de fundamental importância para o entendimento futuro
da evolução da alma. E também são os elementos fundamentais de toda a educação da
consciência proposto pela Nova Gnose. Baseamo-nos no que diz o Mestre Samael Aun
Weor em seu livro O Matrimônio Perfeito. Sugerimos ler e reler isso muitas vezes e
meditar sobre a realidade de cada parágrafo.

       “Todas as sensações são mudanças dos elementos psíquicos do homem. Existem
       sensações em cada uma das dimensões básicas da natureza e do homem. As
       sensações experimentadas deixam registro na memória.

       Há dois tipos de memória: física (cérebro) e metafísica (espiritual). A memória
       cerebral grava as sensações físicas; a memória espiritual, as sensações captadas
       em outras dimensões - como nos sonhos.

       As recordações das sensações formam as percepções. Toda percepção, física ou
       psíquica, é a recordação de uma sensação. Essas recordações organizam-se em
       grupos. Convertidas em causa comum, projetam-se externamente como objeto.
       Por isso dizemos “essa árvore é verde”, “esse prédio é alto”, “aquela pessoa é
       feia”, “essa flor é bonita”, etc.

       As percepções físicas são feitas com os sentidos físicos: olhos, ouvidos, nariz,
       boca e tato. As percepções psíquicas acontecem com os sentidos psíquicos:
       clarividência, telepatia, psicometria, etc.

       Os conceitos se formam com as recordações das percepções. Os conceitos
       emitidos pelos gênios têm origem nas recordações transcendentais de suas
       percepções psíquicas. A soma das percepções formam as palavras.

       As palavras dão origem à linguagem e ao fenômeno da comunicação. Não
       haveria linguagem nem comunicação se não houvessem conceitos. Não há
       conceitos sem percepções. Quem conceitua realidades transcendentais sem havê-
       las experimentado pessoalmente, por melhores que sejam suas intenções,
       acabará falseando a verdade.

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       Nos níveis elementais da vida psíquica muitas sensações são manifestadas por
       meio de alaridos, gritos, trovões e sons desconexos, como o latido dos cães e o
       aulido dos lobos, mas todos revelam alegria, terror, prazer, dou ou outra
       sensação.

       Conceito e palavra possuem a mesma substância. O conceito é interno e a
       palavra, externa. As idéias são conceitos abstratos ou realidades abstraídas e
       pertencem ao mundo dos arquétipos.

       O conteúdo místico das sensações e emoções transcendentais não pode ser
       expresso por meio de palavras; elas tão só sugerem esse conteúdo. Só a arte
       régia da natureza pode expressar emoções e sensações transcendentais e
       superlativas do ser, como as pirâmides, as estátuas da Ilha de Páscoa, as obras de
       Miguel Ângelo, as sinfonias musicais dos grandes maestros, as catedrais,
       templos góticos, etc.

       A arte régia é exclusividade de culturas e civilizações serpentinas. Civilizações
       serpentinas foram a egípcia, a asteca, a hindu, a grega, a inca, a da Atlântida, etc.
       Uma civilização só chega a conhecer a arte régia se seus líderes forem adeptos
       do culto da Serpente Alada de Luz dos antigos Mistérios.

       As características do mundo ou de uma determinada realidade mudam sempre
       que se muda o aparelho de percepção. Para mudar o mundo é preciso mudar a
       percepção psíquica porque mudando-se o interior o exterior também depois é
       transformado.

       Aqueles que eliminam de sua mente os elementos subjetivos (tudo que não é
       inerente ao ser) passará a ver a realidade como é. Hoje vemos a realidade e o
       mundo que nos cerca com a ótica alheia, sob valores estranhos ao ser.

       Para haver idéia exata é preciso uma Consciência Desperta. Despertar a
       Consciência implica em eliminar da mente seus elementos subjetivos. Os
       elementos subjetivos da mente são os diversos eus, os demônios vermelhos de
       Set dos antigos Mistérios egípcios.

       Uma Consciência desperta significa um novo tipo de intelectualidade - a
       intelecção iluminada da intuição. Quem desperta sua Consciência se torna um
       Sannyasin, ou seja, “alguém que tem a mente fixa na verdade”.

Portanto, “Consciência”, “Essência” ou “Alma” é algo que está além da mente, dos
afetos e das recordações. A Consciência possui infinitos graus de desenvolvimento.
Desenvolvemos a Consciência através do autoconhecimento (auto-Gnose), auto-
aperfeiçoamento e pela auto-análise.

Informação intelectual, repetimos, não é vivência - é erudição. Erudição não é
experimentação. Mesmo a experimentação tridimensional, física, material, corporal, não
é total. É preciso a experimentação direta e unitotal, integral e holística da Consciência,
que envolve simultaneamente os aspectos físicos e metafísicos.

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2.5 Compreensão e Experimentação

A compreensão, no sentido especial e específico que queremos transmitir aqui, não vem
nem pertence à memória ou ao intelecto. A memória é tão só o arquivo das percepções e
a compreensão intelectual, já dissemos, não significa compreensão integral e visão total
ou holística. A compreensão integral surge da experimentação, da captação direta de
cada fenômeno, realidade ou ser de forma simultânea em suas várias naturezas e
dimensões. A compreensão está para a Consciência ou Alma como a visão está para os
olhos.

O mestre Samael diz que a compreensão verdadeira se manifesta como ação
UU




espontânea, natural e simples - livre dos processos da seleção conceitual - não
havendo indecisões de nenhuma espécie.

Compreensão intelectual é baseada na lembrança do que lemos, vimos ou ouvimos; é
algo dualista, comparativo, calculista e dependente de conceitos de terceiros; é como se
agíssemos como um computador, cuja linguagem é binária, mas dotado de um princípio
de vontade própria. Esse mecanismo mental sempre nos leva à comparação e quando se
compara não se vê a verdade ou a realidade como ela é de fato em suas várias dimensões
e naturezas.

Além do mais, os processos mentais de comparação ensejam o aparecimento de
pensamentos e emoções de inveja e frustração, aceitação e rejeição. Quando um     UU




fenômeno, princípio, lei, enunciado ou realidade é compreendido de forma
integral, por dentro e por fora, em cima e em baixo, há uma espécie de fusão ou
apreensão especial da verdade e, quando isso acontece, não há mais necessidade de
memória porque houve uma forte impressão ou impregnação psíquica ou em
Psiche.

A Deusa Psiche, dos gregos antigos, é uma das manifestações da mesma
UU




Consciência da Nova Gnose.


2.6 Ordem e Disciplina

Existem a disciplina e a autodisciplina. Quem ainda não possui a virtude, a qualidade ou
o valor da autodisciplina precisa que lhe digam o que fazer ou que pautem sua ação e
seu comportamento.

Já a disciplina é o culto da resistência, é o conjunto de regras, leis, conceitos, dogmas, e
até preconceitos, que pautam, regem ou dirigem nossa conduta e nossas ações. Existem
leis, normas e ordem disciplinária nos quartéis, nas escolas, nas empresas, em casa
(havia, pelo menos!), em todos os lugares. Tudo isso porque o homem foi perdendo o
dom natural da autodisciplina ou o conhecimento e a aceitação natural e voluntária das
leis ou da ordem natural das coisas.

UU   Hoje, desde pequenos, somos ensinados a resistir a tudo e a todos. Se fôssemos
                                                                             UU




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educados - no sentido holístico - a compreender a ordem natural das coisas - não
haveria necessidade de disciplinas, normas e regulamentos; viveríamos mais e melhor;
seríamos mais felizes e menos frustrados e, acima de tudo, seríamos livres porque,
havendo compreendido a ordem natural das coisas, nos autodisciplinaríamos e, por
conseguinte, não haveria necessidade de leis escritas, tribunais, advogados e todos esses
desumanos processos legais e jurídicos que foram criados para servir essa mesma lei e
fazer justiça mas que acabaram, como tudo nesta vida, desviando seu curso e hoje não
raro servindo de instrumento de tortura, vingança e iniquidade dos mais fortes sobre os
menos favorecidos pela vida.

A autodisciplina é geradora de força e magnetismo porque se conecta diretamente com o
Ser, enquanto que a disciplina comum e ordinária gera tibieza e revolta porque as
pessoas a ela submetidas são arrastadas de forma inconsciente e mecânica -
conseqüentemente, atrofiam seus próprios meios de crescimento individual.

Em todo o universo existe o princípio hierárquico. A autodisciplina baseia-se nessa
ordem natural das coisas de cada realidade em seu lugar e cada criatura em sua função,
para os quais vieram à vida. O ser humano, aparentemente por um desvio do sentido
racional, é o único a se rebelar contra esse princípio. Por soberba, os primeiros seres
humanos, ainda semideuses e semi-homens, no paraíso edênico, se rebelaram contra o
Creador. O resultado de tal temeridade foi seu afundamento no Abismo. E isso ficou
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conhecido como a primeira guerra no céu.

Seríamos muito mais felizes e melhores sucedidos na vida se a energia despendida em
fazer cumprir as leis fosse aplicada em outras coisas. Mas, essa é a realidade atual da
vida e temos que agir de conformidade. Mais uma vez, a mudança possível está somente
disponível para o indivíduo, nunca para a massa ou a sociedade como um todo.


2.7 Autoridade e Autoritarismo

Falta de autoridade, autoritarismo e excesso de autoridades parece ser um dos grandes
problemas do mundo e do Brasil em particular. A autoridade é necessária, porém, deve
ser exercida de forma consciente, com equilíbrio e justiça; do contrário, gera dor,
revolta, sofrimentos e injustiças.

Num planeta habitado por criaturas inconscientes - como o nosso - não há como
UU                                                            UU




exigir autoridade consciente ou exigir consciência de nossas autoridades. Desde os pais
- que exercem autoridade sobre os filhos - passando-se pelos professores e chegando-se
ao Estado e aos líderes religiosos, todos exercem sua autoridade e suas atribuições
                                     UU




de forma mecânica, inconsciente e não raro, despótica. É preciso reverter esse
quadro de dor e sofrimentos.

— Como?

Despertando a Consciência! Não há outra forma! Despertar Consciência é o mesmo
                                                         UU




que “Desenvolver o Ser”. Desenvolver o Ser é o oposto de “educar a mente”. O          UU




Mestre Samael afirma que “se a humanidade despertasse 10% de sua Consciência
(desenvolvesse apenas 10% de seu Ser) já não mais haveriam guerras”.

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Não negamos nem podemos negar que há necessidade de hierarquias e autoridades.
Porém isso não invalida nossa proposta de que a hierarquia precisa e deve ser assentada
por graus de Consciência e níveis de Ser, e não pelo nome, saldo bancário ou cor da
pele.

A educação holística ensina a conciliar ordem com liberdade e hierarquia com
UU




amor. Ordem sem liberdade é tirania e liberdade sem ordem é anarquia enquanto que
      UU




disciplina inconsciente destrói a sensibilidade e, em excesso, gera crueldade e robotiza
as pessoas que acabam se tomando cruéis, impiedosas e alheias ao sofrimento e à dor -
própria e dos semelhantes. Já a autoridade sem consciência resvala para o autoritarismo
enquanto que o poder sem a sabedoria leva ao despotismo. Tudo isso semeia dores e
sofrimentos para amargura de pobres e ricos, crentes e descrentes.


2.8 A Liberdade

Todos aspiram a liberdade. Exércitos foram mobilizados para defender a liberdade.
Dizem e ensinam que democracia é o direito de escolher livremente os governantes
mesmo que, contraditoriamente, exista uma lei que nos tire a liberdade de decidir se
queremos votar ou não.

— O que é a liberdade? Conhece o homem a liberdade? Pode o homem ser livre? Sabe
o homem viver livremente?

Falamos de liberdade mas nunca fizemos tantas leis e nunca existiram tantos tribunais.
Discorremos sobre liberdade mas somos escravos da opinião pública. Queremos voar
alto mas tememos abrir as asas do espírito.

— Afinal, em quê consiste a liberdade?

Para muitos políticos, a liberdade, certamente, é poder continuar agindo impunemente
em nome dos supostos ideais democráticos. Para o banqueiro, a liberdade consiste em
continuar ganhando dinheiro com a inflação e a exploração desumana dos juros
exorbitantes. Para o empresário, a livre iniciativa é um bom negócio desde que esteja a
salvo da concorrência dos produtos importados. Para um governo insensível e
irresponsável, a liberdade consiste em atrasar pagamentos a funcionários e fornecedores
e cobrar com multas e correção monetária tudo que lhe é devido sem que faça o mesmo
na hora de pagar. Para o místico, a liberdade ou a libertação está em se livrar da matéria
e das leis mecânicas da vida

Porém, liberdade é um estado de consciência! Não é possível conhecermos liberdade
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absoluta num plano ou dimensão fora do Absoluto. Aqui neste plano de matéria densa
até para flutuar ou levitar temos que pagar com a vida. Mas, há outros tipos de restrição
da liberdade sem que delas tomemos consciência. Por exemplo, é impossível a liberdade
enquanto tivermos conceitos e idéias emprestadas ou tomadas de outros, como também
não podemos conhecer a liberdade enquanto tivermos medo - qualquer tipo de medo.

Disse alguém, certa ocasião, que a liberdade consiste no respeito voluntário das leis e

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que, de uma ou de outra forma, todos nós somos escravos, seja de vícios ou paixões,
seja de idéias, ideais, situações e circunstâncias. Todavia, isso não invalida a
possibilidade de chegarmos a exercer o livre arbítrio. Mas fica difícil falar de livre
arbítrio quando até os pensamentos não são nossos; pertencem ou têm origem em
pequenos ou grandes eus que habitam nossa mente e que nos fazem pensar com suas
idéias julgando que são nossas (da Consciência).

Liberdade é possível quando chegarmos ao estágio de podermos gerar ou criar nossos
próprios conceitos - ou seja: chegarmos àquele ponto em que não mais pensemos com a
mente e sim com a Consciência. Por fim, liberdade mesmo teremos no dia que nos
fusionarmos com a fonte mesma da liberdade que é nosso Pai que está nos céus.


2.9 Autoconceitos

O moderno sistema educacional, além de sofrer das doenças já comentadas neste
capítulo, incorre também na falha de dizer e ensinar sobre “o quê” pensar. Dizer a uma
pessoa “em quê” ou “sobre o quê” ela deve pensar é fácil e simples. Basta recomendar
livros e autores. Mas, o grande desafio e a grande tarefa da educação é ensinar crianças e
adolescentes a “como” pensar. Quando dizemos a alguém para ler ou estudar um autor
ou livro muitas vezes também estamos sugerindo que essa pessoa incorpore ou passe a
pensar do jeito que pensa o autor do livro. Quando o professor ou a professora ensina a
teoria da evolução das espécies, não como teoria ou conhecimento suposto, mas como
verdade verdadeira, clara e definitiva, está roubando dos seus alunos a possibilidade de
discordar dessa classe de doutrina materialista. O próprio professor deveria ter, a priori,
essa atitude de não passar “como verdades consumadas simples suposições de outros
eruditos”.

Num mundo padronizado e estandardizado como o nosso, não deveria nos surpreender a
forma mecanizada de nossa educação. Porém, se vemos as coisas de uma forma
diferente e se chegamos a esse tipo de visão e de compreensão, é obrigação nossa
ensinar, mostrar e indicar essa nova forma. Geralmente, em exames e provas finais
podemos ser reprovados pelo simples fato de não dar como “certa” determinada
resposta. Felizmente, a natureza é sábia. As religiões nascem, criam um sistema e
desaparecem e, com seu desaparecimento, vai-se também seu padrão. As correntes
filosóficas vêm e vão e seus padrões desaparecem. Modismos, culturas, autores,
intelectuais e sistemas políticos são ainda mais efêmeros. E, certamente, a própria
ciência, com seus padrões materialistas e ateístas, desaparecerá. E aí, de que serviram
tantas disputas no cenário da vaidade acadêmica?

A ESCOLA GNÓSTICA de modo algum quer que seus alunos aceitem sem análise tudo
que está sendo abordado neste curso. Sem incorrer em exageros, podemos dizer que este
curso foi estruturado para proporcionar os meios de você mesmo vir a despertar a sua
Consciência e a chegar, por si mesmo, à compreensão de tudo que dizemos. É chegada,
portanto, a hora de praticar para gerar autoconceitos. Porém, se v. não praticar e não
vivenciar por si mesmo o que aqui se diz e o “como” se diz, certamente estará passando
à sua memória apenas “mais uma teoria”.




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2.10 A questão da Fé

Aqui temos uma situação muito especial porque, desde os primeiros séculos do
cristianismo, quando o texto grego do Evangelho foi traduzido para o latim, principiou a
funesta identificação ou confusão entre “crer” e “fé”.

A palavra grega para fé é “pistis”, cujo verbo é pisteuein. Infelizmente, o substantivo
latino fides, correspondente a pistis, não tem verbo e, assim, os tradutores latinos
viram-se obrigados a recorrer a um verbo de outro radical para exprimir o grego
pisteuein. Trata-se do credere, que em português ficou como crer.

Nenhuma das cinco línguas neo-latinas português, espanhol, italiano, francês, rumeno -
possui verbo derivado do substantivo fides ou fé; todas essas línguas são obrigadas a
recorrer a um verbo derivado do credere. Ora, a palavra pistis ou fides, originalmente,
significa harmonia, sintonia, consonância. Portanto , ter fé é estabelecer ou ter
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sintonia, harmonia entre o espírito humano e o espírito divino. Se o espírito
humano não está sintonizado com o espírito de Deus, ele não tem fé, embora talvez
creia. Esse homem poderia, em teoria, aceitar que Deus existe, e apesar disso, não
ter fé.

Daí que, ter fé é estar em sintonia com Deus, tanto pela consciência como também pela
vivência, ao passo que um homem sem sintonia com Deus pela consciência e pela
vivência, pela mística e pela ética, pode crer vagamente em Deus. Crer é um ato de boa
vontade; ter fé é uma atitude de consciência e de vivência – eis aí a grande diferença que
passa despercebido pelos teólogos teóricos de Deus.

Mais ainda: a conhecida frase “quem crer será salvo, quem não crer será condenado”, é
absurda e blasfema no sentido em que ela é geralmente usada pelos teólogos. Mas, se
lhe dermos o sentido verdadeiro “quem tiver fé será salvo”, ela está certa, porque
salvação não é outra coisa senão a harmonia da consciência e da vivência com Deus. A
substituição de ter fé por crer há quase dois mil anos, está desgraçando a teologia,
deturpando profundamente a mensagem do Cristo. E ninguém se dá conta disso....



2.11 Dogmas

Dogmas são decretos, leis, resoluções ou sentenças ditadas por pessoas ou instituições
de maneira a levar uma proposta a ser reconhecida como verdadeira por todos (ainda
que em si mesma ou na realidade real, seja uma farsa ou uma grande mentira). Por
exemplo, o dogma materialista afirma que a alma não existe. Já o dogma científico diz
que tudo que não pode ser reproduzido/controlado/pesquisado em laboratório não tem
existência real. Nesse caso, Deus não tem existência real e que, portanto, não existe. O
dogma sempre está ligado à crença, seja ela religiosa ou científica.

O gnosticismo não aceita nenhum dogma, nem científico, nem religioso, nem
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filosófico. O gnóstico experimenta, vivencia tudo — ou então não é um gnóstico.
Porque a gnose só pode ser adquirida pela Consciência (tal qual ocorre com a fé


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em seu sentido original de dois mil anos atrás).


2.12 Doutrina

Doutrina é um conjunto de ensinamentos que se dá para instrução; pode ser também um
conjunto de princípios, postulados ou máximas. Uma doutrina pode se basear na crença,
em dogmas ou então na fé e na revelação pessoal e íntima.

Em si mesma, a doutrina não é boa nem má. É apenas um conjunto, uma coleção ou
coletânea de idéias e conceitos formando um sistema. Daí expressões como doutrina
marxista, doutrina filosófica, doutrina gnóstica, etc.

De todo modo é bom deixarmos claro que a doutrina gnóstica é um conjunto de idéias,
princípios, preceitos, ensinamentos, etc. que propõe a vivência pessoal, a experiência
própria, sem o quê não é gnose.


2.13 Mistérios

O significado dessa palavra é “arcano ou coisa secreta”. Mistério vem de mysthae.
Mysthae eram os Iniciados, os aceitos, os batizados. A História dá testemunho da
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existência dos Mistérios gregos, egípcios, caldaicos, babilônicos, druidas, astecas, etc..
Isso será ensinado no ARCANO 4 do curso de gnose.

Os Mistérios sempre estiveram em íntima ligação com as diferentes religiões que
existiram na face da Terra. Em muitos povos da antigüidade, ao lado das cerimônias
religiosas públicas, encontravam-se os cultos reservados exclusivamente aos mysthae,
ou seja, aos iniciados.

Os mystae recebiam ensinamentos que não eram dados ao povo. Esses conhecimentos
eram de ordem sagrada e deviam ser guardados sob o maior segredo. Quem violasse os
segredos do templo era decapitado. Esse juramento foi tão sagradamente cumprido que
até hoje um dos pontos mais obscuros da antiga religião grega, por exemplo, são seus
Mistérios.

A raiz do desentendimento entre os gnósticos e os primeiros padres da igreja romana
deveu-se tão só ao desconhecimento do nascente clero religioso romano acerca da
verdadeira natureza dos Mistérios. Esse clero buscava multidões para sua igreja,
desconhecendo que “sabedoria” e “iniciação” são para poucos. Como a ambição por
riqueza e poder temporal prevaleceu sobre o caráter sacro, vimos nascer e se fortalecer
uma instituição meramente temporal, sem os visos espirituais-iniciáticos dos primeiros
discípulos de Jesus o Cristo, os quais, sim, tiveram continuidade nos “hereges” que
tanto foram odiados e perseguidos pela decadente igreja romana.

Neste curso nos propomos a revelar a essência dos Mistérios que foram praticados e
estudados em todas as Escolas de Alta Magia da antigüidade. Os conhecimentos e
segredos que passaremos nestes arcanos jamais foram antes revelados publicamente por
qualquer outro Mestre ou escola. Samael Aun Weor é primeiro a fazê-lo e, graças ao seu

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trabalho e à sua sabedoria, podemos hoje passar a você este curso e esta ciência
hermética.

Antes de Samael, todos que revelaram a natureza dos Mistérios foram mortos, acusados
de crime de traição e quebra de juramento. No limiar do III Milênio a Grande
Fraternidade Branca autorizou a revelação pública desses conhecimentos. É a última
tentativa para ajudar aqueles que merecem ajuda antes das Grandes Transformações que
a Terra passará até o ano 2043.

Nem todos, mesmo agora, têm méritos para receber estes conhecimentos. Outros,
mesmo recebendo os ensinamentos deste curso, já não mais reúnem capacidade de
praticá-los. Os Mistérios, a Sagrada Ciência dos Arcanos, é para poucos - muito poucos.
Lembre-se sempre disso para que saiba valorizar o tesouro que ora recebes em tuas
mãos.

A Gnose não é apenas “mais uma” escola ou espaço esotérico. Ela tem um propósito
bem definido e por pouco tempo.


2.14 Escolas Iniciáticas

Escolas Iniciáticas ou Escolas de Mistérios sempre existiram. Cabia a elas prepararem e
formarem líderes políticos e religiosos para legislar e governar, com sabedoria, os povos
da antigüidade.

Se, aleatoriamente, começássemos um estudo dessas escolas a partir do Egito antigo,
notaríamos que os sacerdotes formavam uma casta especial, a parte, cujos
conhecimentos, sabedoria e forma de ver as coisas e interpretá-las diferia bastante do
pensamento popular.

Os sacerdotes egípcios, além de respeitados, eram venerados pelo povo, porque
detinham poder. Não se trata aqui do poder temporal, ganancioso e mesquinho existente
entre as instituições humanas do Oriente e do Ocidente. Falamos aqui do poder que vem
de dentro, do Alto, da força misteriosa proveniente do Ser.

As sacerdotisas da antiga Grécia também detinham o respeito do povo daquele país do
qual herdamos nosso conhecimento. Logicamente, com o tempo, houve a degeneração
da casta sacerdotal. Lamentamos que a História só conheça o lado degenerado dos
Mistérios, mas, nem havia como ser diferente, visto que eram secretos.

Em Roma também existiram Mistérios e escolas iniciáticas junto aos templos dedicados
aos Deuses. Pouca gente sabe disso, mas as autoridades romanas eram bastante
condescendentes com as religiões dos povos dominados. Hoje há muito mais fanatismo
que na época da Roma antiga.

No Tibete, além da religião oficial, existia (e ainda existe) a religião secreta dos lamas.

Na China só um punhado de eleitos teve acesso ao verdadeiro conhecimento taoísta.



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Na Índia dos vedas e das 7 escolas de yoga também existiu e foi praticado um ramo de
conhecimento (Gupta Vidya) que proporcionava aos seus adeptos e praticantes os mais
extraordinários poderes psíquicos.

Podemos enumerar também entre essas escolas herméticas (que estudavam a sabedoria
do divino Hermes), os alquimistas, os cavaleiros da Idade Média (Templários), os
maçons, os rosacruzes e muitos outros.

UU   Importante: todas essas escolas já não mais existem no Plano Físico.

Todas as portentosas civilizações do passado alcançaram esse estado devido à força de
seus Mistérios. Atualmente, poucas são as escolas iniciáticas autênticas. A maioria vive
das glórias e nomes passados que já não lhes pertencem - nem por direito nem por
méritos.

Há escolas que iniciam na luz; outras, nas trevas. Cada qual tem seus guias, mestres,
ritos e formas de trabalho.

É muito cedo para se falar aqui sobre como reconhecer uma escola iniciática verdadeira
de uma falsa. Mas, seguramente, prometemos voltar ao assunto mais adiante, quando
falarmos da Senda da Iniciação.


2.15 Mitos

O mito é o modo especial através do qual o mundo sempre exprimiu os significados
últimos do Ser.

O estudo sério e científico dos mitos serve de meio para se chegar às transcendentais
revelações. Não podemos excluir do estudo dos mitos aquele que diz respeito a Adão-
Eva.

Para quem possui as chaves do entendimento, o panteão grego, como o hindu e o de
outras civilizações, oferece profundos segredos e conhecimentos universais.

Os críticos da mitologia desconhecem e jamais conheceram a realidade dos mitos.
Julgam segundo seus conceitos. São aleijados intelectuais que a tudo julgam de acordo
com as muletas conceituais que lhes foram emprestadas quando ainda eram crianças.
Crêem que os egípcios e povos antigos eram todos uns idiotas que adoravam um chacal,
um falcão ou o sol.

Quem experimenta a realidade do mito, cala-se. A sabedoria antiga, hermética, abre-se
somente às pessoas sérias e interessadas em compreender seus postulados. Não é para
qualquer curioso ou aventureiro intelectual do mundo moderno.

Os mitos formam uma linguagem alegórica que mostra, e esconde ao mesmo tempo, as
verdades universais.

O mito foi usado pelos antigos para exprimir o inexprimível e para perpetuar os eternos

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segredos da natureza sob o manto do silêncio dos Mistérios.

Só os INICIADOS (com letras maiúsculas mesmo) conhecem a realidade dos Mitos.


2.16 O Cristo

É uma palavra derivada do grego Chrestos - a forma gnóstica primitiva de Cristo. Já era
usada desde o século V a.C. por Ésquilo, Heródoto e outros. Chréstés, por exemplo, “é
aquele que explica os oráculos”, “profeta ou adivinho”. Justino mártir, provavelmente o
primeiro escritor cristão, em sua primeira Apologia denomina seus correligionários de
chréstianos. Lactâncio (o padre da igreja que condenou o heliocentrismo como coisa do
diabo) diz que só a ignorância levou os homens a se denominarem cristãos em vez
chréstianos.

As palavras Cristo e cristãos (antigamente escritos como Chrést e Chréstianos) foram
tirados de templos pagãos, e, naquele tempo, Chréstos significava “um discípulo posto à
prova, um candidato à hierofante”. Na simbologia mística, de fato, Christés ou Christos
significava “já haver percorrido o caminho”.

Após o discípulo “haver percorrido o caminho” era ungido (friccionado com óleo, como
parte de uma cerimônia esotérica) e convertido em Christos (O Purificado). “Ao fim do
caminho está Chréstes, o Purificador e uma vez terminada a união, o Chréstos (o
Homem de Dor), convertia-se em Christos (O Purificado).

O apóstolo Paulo sabia dessas coisas, iniciado que era nos Mistérios Gnósticos (Ver
Gálatas IV, 19). Os profanos, os externos, os não-iniciados sabiam apenas que Chréstés
de algum modo se relacionava com o sacerdote ou o profeta, mas nada sabiam do
verdadeiro e oculto significado de Christos e, por isso mesmo - como Lactâncio e
Justino - preferiam ser chamados de chrestianos e não de christãos.

Por enquanto ficamos aqui. Mais adiante, quando abordarmos os temas da Alta
Iniciação, falaremos da Cristologia e de como o INICIADO (com maiúsculas) pode vir
a servir de veículo de manifestação do Cristo Cósmico, tal qual ocorreu com o Grande
Rabi da Galiléia.


2.17 A Verdade

Existem verdades absolutas e verdades relativas. A verdade absoluta só pode ser
compreendida em esferas de Consciência muito além do tempo, do espaço e até da
própria eternidade. As verdades relativas pertencem ao mundo dos conceitos, das idéias,
das formas e do tempo.

A verdade de cada um é uma verdade absoluta. Muitos, desconhecendo as diferentes
realidades, planos e dimensões do mundo, ao experimentarem a verdade, julgam ser
seus possuidores exclusivos e absolutos. Porém, mesmo sendo absoluta para si, é
relativa ao plano ou planos em que atua.



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Quando indagados, os mais exaltados luminares ou iniciados do pensamento humano,
jamais disseram ou explicaram o que é a verdade.

A verdade não pode ser dita, nem explicada. Se for explicada, já não mais será a
verdade, e sim, uma idéia da verdade. A verdade é algo para ser vivido, absorvido,
encarnado. Quem encarna a verdade não fala. Por isso, aquele que diz, não é, e, quem é,
não diz.

A verdade está em cada momento, em cada instante da vida humana. A verdade é o
novo oculto atrás das rotinas do dia-a-dia. Portanto, é preciso buscar, evocar, invocar,
querer, experimentar, descobrir e viver a verdade de cada segundo de nossa vida.

Nenhuma discussão intelectual, nenhum debate pela televisão ou em sala de aula ou
laboratório científico, nenhum painel de discussão levará alguém a viver a verdade. No
máximo, poderá ampliar os conceitos que tem acerca de um assunto ou tema. Porém,
isso não é a verdade. A verdade é Deus ... Em nós, a verdade é nosso Pai que está nos
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céus....
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CAPÍTULO 3 - O MICROCOSMO

A Antropologia estuda o homem biológico - deveria estudar o homem interior,
invisível e ainda não detectável pelos nossos aparelhos e instrumentos científicos. Ou
seja, se a Antropologia tivesse uma visão ou concepção holística, estudaria o homem
visível e o homem invisível, o homem biológico e o homem espiritual, ou o Anthropos
em si mesmo.

A Psicologia estuda o comportamento - quando deveria também estudar a alma e o
espírito.

A Ontologia dedica-se a estudar o Ser - porém, de forma racional e filosófica - o que
não leva à sua compreensão íntima. Só a Meditação nos proporciona tal estudo
profundo.

A Numenologia estuda o Espírito - mas quase nada sobrou desse ramo do antigo
conhecimento, deturpado que foi pela teologia dos clérigos.

São estas grandes lacunas acerca da realidade interna e externa do homem que fazem
com que o estudo microposópico seja tão falho e superficial. Sabemos que não pode
haver autoconhecimento sem se estudar, obrigatoriamente, a origem, constituição,
estrutura, derivações, funcionamento, finalidades e o papel do ser humano dentro da
Creação - em todos os seus aspectos, internos e externos.

Aqueles que acreditam em autoconhecimento baseado exclusivamente no estudo
conceitual ou intelectual são sinceros equivocados. Da mesma forma, não é possível o
verdadeiro e profundo autoconhecimento sem a experiência direta e isso só acontece
mediante a utilização prática e efetiva de técnicas e procedimentos que começaremos a
abordar neste capítulo.

O estudo da alma e do espírito, proposto pelas religiões, é falho e limitado por estarem
assentados, justamente, em dogmas levantados sem a experiência direta, sem a vivência
mística transcendental, sem o uso da razão objetiva do Ser, sem a Consciência Desperta
e sem a Revelação.

A Psicologia atual estuda apenas o comportamento humano em seus aspectos externos,
buscando mais explicar que modificar esse mesmo comportamento de forma profunda e
definitiva. Por isso, e com grandes ressalvas, serve apenas de ponto de partida ou de
mera referência para o auto conhecimento. Por sua vez, a Antropologia,
lamentavelmente, seguindo o método científico atual, enjaulou-se nos dogmas
evolucionistas, ateístas e materialistas, tendo se perdido no labirinto de supostos elos
perdidos que jamais serão encontrados pelo simples fato de não existirem.

A Nova Gnose, sendo uma ciência de caráter holístico e universal, abrange, considera e
estuda todos os aspectos e dimensões da natureza e do ser humano. Para tanto não pode
prescindir de todas as formas de conhecimento, seja do presente, seja do passado. Nem
poderia ser diferente porque se o fosse não seria uma ciência holística nem universal.
Portanto, a Nova Gnose, além de estudar Antropologia, Psicologia, Fisiologia,
Anatomia e outros ramos científicos, estuda - e precisa estudar, porque assim é

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necessário e indispensável, - Numenologia, Ontologia, Cosmologia, Filokalia,
Astrologia, Magia, Tarot, Cabala, Alquimia, tradições, hermetismo, religiões,
enfim, todos os ramos da Sabedoria Arcaica ou das ciências antigas (sem desconsiderar
ou desprezar o lado bom dos atuais conhecimentos).

Neste curso de Nova Gnose, no devido tempo, serão abordados os principais temas do
conhecimento universal. Sabemos, por exemplo, que muitas pessoas nos procuram com
a intenção de melhor compreender aquilo que estudaram anteriormente em outras
escolas e sistemas. Por isso, sentimos que é nosso dever repartir com aqueles que nos
procuram o pouco que conseguimos compreender e extrair da inesgotável fonte de
sabedoria universal ou Gnosis.


3.1 O Homem

O homem é uno em essência e trino em manifestação. Afirmam as sagradas escrituras
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orientais que o homem é constituído de corpo, alma e espírito - perfeita e
harmoniosamente integrados. Pitágoras ensinava que o homem é l + 2 + 3 + 4 - que,
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somados entre si, resultam em 10: os 10 sefiroth da cabala.

Mas, o que queria dizer Pitágoras com isso? Em resumo, que somos UM ser, que se
desdobra em DUAS polaridades, realidades ou princípios cósmicos (masculino-
feminino) que ao se unirem entre si novamente em novos níveis e realidades cada qual
mantendo sua própria natrueza desdobrada do UM gera o TERCEIRO princípio,
realidade ou polaridade. Esse TRÊS emana de si mesmo um QUATERNÁRIO inferior,
também conhecido como Mercabah.

Esses princípios cabalísticos não aparecem todos de uma só vez. Eles se manifestam ou
se desdobram de si mesmos num processo de diferenciação sucessiva, impulsionados
pelas diferentes ondas de vida a partir “DAQUILO” que não tem nome e é sempre o
mesmo: o Absoluto ou Agnostos Theos dos sábios gregos.

Os mestres orientais dizem que não existe uma Creação saída do “nada” como querem
crer os sábios modernos. O “Nada” é o Absoluto, a divindade sem nome [Agnostos
Theos], sem lei, sem atributos, sem limite, conhecido, também, como Parabrahman.

Quando soa a hora do ressurgimento de um universo, o Absoluto (ou Parabrahman)
emana ou suscita o nascimento da primeira manifestação do Pleroma dos gnósticos
(também conhecido como “ponto laya" pelos hindus), que é a base da substância-
consciência cósmica (igualmente denominado ovo do mundo ou ainda “Arquiteto
Demiurgo”).

O Demiurgo ou Brahman ou Pleroma, se polariza em Consciência e em Substância
Cósmica que se manifesta como três forças independentes: Brahman, Vishnu e Shiva - a
mesma Santíssima Trindade dos cristãos.

Tentando traduzir numa linguagem mais acessível:
   1. O Absoluto se condensa em Pleroma (sem perder ao mesmo tempo sua realidade
      original). Este Pleroma é a região do Pai-Mãe, do Espírito Uno.

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   2. Este, por sua vez, se desdobra em dois seres distintos ou duas naturezas distintas,
      como Adão e Eva.
   3. Depois, num espaço-tempo posterior, Adão e Eva geram o Filho ou a Creação
      como a vemos.
   4. A partir daí, por sucessivas diferenciações, surgem as diferentes dimensões no
      Cosmos Infinito e dentro de nós surgem os diferentes princípios ou realidades,
      como mostramos nos próximos pontos.


3.2 Atman: o Espírito
Atman é o mais elevado dos 7 princípios constitutivos básicos do homem. Atman é o
Ser, o Íntimo. O Ser é a síntese da Consciência, da Energia e da Substância. Atman
também é a síntese do Ser Supremo - expresso na Coroa Logóica.

O cristianismo denomina o Ser de Espírito. Atman, em sânscrito, quer dizer “Alma”;
“Mahatma” significa grande alma.

Atman possui duas almas, emanadas de si mesmo: Buddhi e Manas, alma espiritual e
alma humana. Poucos seres humanos chegaram a encarnar Atman, o Íntimo. Quem
encarna Atman torna-se, por direito próprio, um Mestre do Tempo e da Eternidade -
toma-se um Ser Auto-realizado, um Ser Imortal.

O mundo do Íntimo é totalmente eletrônico e espiritualizado, um mundo de infinita
felicidade. Para encarnar Atman é preciso despertar e desenvolver Kundalini em seus
Sete Graus. Moisés chegou a encarnar o Logos - foi além dos Sete Graus de Fogo e dos
Sete Graus de Luz. Jesus encarnou o Cristo Cósmico. Por isso é o mais exaltado
membro da Fraternidade Branca Universal.

Jesus é um Paramartha-satya. Paramartha-satya é um habitante do Absoluto. Quem
encarna o Ser pode, depois, encarnar o Cristo Cósmico. Lembre-se, ó Arhat, que o
Cristo só encarna nos Bodhisattvas de Compaixão.

Uma escola esotérica que não conhece e não trabalha com o Magistério do Fogo e com
o Magistério da Luz e ainda por cima desconhece os Sagrados Mistérios dos 12
Trabalhos de Hércules - o Cristo Cósmico - não é uma Escola Iniciática autêntica. É
apenas um Jardim de Infância.

Existem quatro categorias básicas de Escolas Iniciáticas:
   1. As que funcionam como Jardim de Infância;
   2. As que ensinam a encarnar a Alma;
   3. As que ensinam a encarnar o Espírito;
   4. As que ensinam a encarnar o Cristo Cósmico.

Meditações, pranayamas, asanas, mantras e orações servem de meio para estabelecer
contato com Atman, o que não significa encarná-lo. Exercícios de yoga e zen podem
proporcionar o samadhi - que é a fusão temporária com Atman, mas, terminado o
êxtase, volta-se à dura realidade da Mansão de Barro (o corpo físico). Samadhi,
portanto, não significa encarnar o Ser, apenas uma fusão ou absorção temporária com o
Ser.

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Um yogue ou estudante zen pode ter facilidades, pela dura disciplina que desenvolveu,
para trabalhar com Kundalini. Mas que, de resto, terá que enfrentar a si mesmo como
qualquer outro aspirante do Conhecimento Secreto.


3.3 Buddhi: a Alma Divina

Atman possui duas almas gêmeas: Buddhi e Manas. Buddhi é a Alma Espiritual, de
natureza feminina, denominada Beatriz na Divina Comédia de Dante Alighieri. Buddhi
e Manas são os dois peixes do zodíaco que nadam nas águas negras e profundas da
Eterna Mãe-Espaço. Buddhi e Manas são os dois opostos, masculino e feminino, que se
conciliam na Mônada (Atman) para formar a tríada imortal - o segundo triângulo divino.

A imortal tríada de qualquer homem comum e corrente não está encarnada, não vive no
homem, nem o homem a possui dentro de si. A imortal tríada vive livremente na Via
Láctea espiritual e a única ligação existente com o homem terrestre se dá através do
antakarana, o tênue fio da vida ou da consciência.

O homem tem uma alma mas não a possui. O homem encarna sua alma quando atinge o
Sexto Grau do Magistério do Fogo na sagrada ciência da alquimia. Noutras palavras:
Precisa levantar 6 Kundalinis.

O pouco de alma, o embrião de alma que está depositado no homem terrestre à espera
de germinar, nascer e se desenvolver, é chamado no Oriente de Buddhata. Essa
semente, fecundada com as águas da vida, germina, depois, na Terra Filosofal do
homem, num autêntico processo de auto-inseminação alquímica. Mais tarde, nasce
como o Filho do Homem (o filho de suas próprias energias) através de um segundo
nascimento, sem seja preciso voltar novamente ao ventre materno.

Lembre-se, ó Arhat, que não há trabalho alquímico sem Kundalini. E não há Kundalini
sem Alquimia.


3.4 Manas: a Consciência

Manas é de natureza masculina. Manas é o perfeito reflexo da mente cósmica em nós.
Manas é a Consciência, a verdadeira mente universal. A faculdade de Manas é a
intuição. Manas é conhecida também como o Corpo da Vontade Consciente.
         UU




Simbolicamente, este corpo de vontade ficou estampado com o sangue do Divino
Mestre no Lenço de Verônica quando o Drama Cósmico da Iniciação foi representado
ao vivo nas ruas da antiga Jerusalém. Não se deve confundir “desenvolver força de
                                         UU




vontade” com “encarnar o corpo da vontade consciente”.    UU




Manas é Tipheret na Cabala - o centro da Árvore da Vida. Manas, é a alma
UU




humana, é a Consciência. Manas trabalha e atua de forma independente da mente,
das emoções e do corpo. Manas está além da mente, dos afetos e das recordações.



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A psicologia confunde Consciência com Ego. Muitas escolas e ordens que atuam no
Jardim de Infância do esoterismo da humanidade vão além, dividindo esse Ego em Eu
Superior e Eu Inferior.

A Filokalia e a Cosmologia ensinam claramente que ego é ego e Consciência é
Consciência. A Consciência é uma faculdade e um atributo da Alma e do Ser. No
homem comum e corrente, de fato, existe mais subconsciência que consciência. A
inconsciência do homem é tamanha que basta adormecer para mergulhar em sonhos e
não se lembrar de mais nada.

A inconsciência aumenta com o passar dos anos porque esquecemos de nós
UU




mesmos, temos nossa atenção descentralizada ou voltada para o mundo exterior
quando deveríamos permanecer atentos, alertas e centrados em nós mesmos, em
nosso interior, em nosso Ser, o tempo todo.

Por sermos criaturas inconscientes vivemos e fazemos tudo de forma mecânica e
superficial, sem sentir e sem chegar a viver de fato porque mais bem “passamos” pela
vida do que “vivemos”. Para deixarmos de ser inconscientes precisamos aprender a
                         UU




dividir e a governar a atenção. Isso será ensinado mais adiante.
                                  UU




3.5 O Corpo Mental: o Pensamento

Cursos de desenvolvimento de poder mental e reprogramação fizeram e ainda fazem
grande sucesso - e também grandes estragos. “Desenvolva o poder da sua mente e seja
mais feliz” poderia ser o slogan de um desses cursos.

– Porém, o que é a mente? O que é o corpo mental? Que força pode ter nossa mente?
Será a mente o único agente da felicidade e de domínio sobre as circunstâncias pessoais
e da vida? Acredita sinceramente nosso querido estudante que isso e possível?

O homem possui potencialidades e capacidades desconhecidas - e sobre isso não há
dúvida. Porém, não podemos dizer que a mente é o último estágio humano. Dedicar-se
ao desenvolvimento mental é algo pobre, limitado e só acontece, em última análise, por
causa da ignorância das pessoas.

Tem-se dado muita importância à mente devido ao fato de que, com ela, podemos fazer
planos, cálculos, raciocínios, projeções, especulações, ilações, desenvolver
maravilhosamente a memória, etc. Mas, nada disso é essencial. É como dominar dribles
e a bola num jogo de futebol. Ganha-se muito dinheiro com essas habilidades, mas,
espiritualmente isso é um terrível obstáculo.

Muitos ainda desenvolvem a capacidade de concentrar a mente numa única coisa ou
objeto. Outros, sentem orgulho porque com a sua força mental podem mover objetos à
distância - e de fato o conseguem. A própria ciência tem dedicado estudos e pesquisas
acerca dos poderes e possibilidades da mente. Militares russos e americanos chegaram
até a fazer experiências no sentido de usar a mente como detonador de armas
teleguiadas. Porém, ainda que tudo isso seja maravilhoso e fantástico, representa apenas
um estágio do conhecimento e do uso de nossas infinitas possibilidades - para o bem ou

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para o mal, para construir ou para destruir.

A mente humana difere da mente animal exclusivamente pela forma intelectual
UU




que a primeira apresenta. Se tirarmos o intelecto de um homem ele passará a se
comportar como qualquer outro animal, vivendo e agindo pela força do instinto.
Crianças criadas por animais, quando foram descobertas e observadas,
comportavam-se como o animal que a criou.

O corpo mental que possuímos é produto da mecânica evolutiva da natureza. Não temos
ainda um autêntico corpo mental, de carne e osso mentais. O corpo mental verdadeiro é
forjado ou se cristaliza quando se trabalha com a alquimia. O atual corpo mental dos
seres humanos é constituído de matéria protoplasmática - ou seja: é um corpo ou
princípio emprestado pela natureza. Para alguém se tornar imortal é preciso forjar um
corpo mental próprio que a natureza não possa envelhecer ou retomar.

Hoje, quando um homem cultiva “as forças de sua mente” não está fazendo mais que
superpolarizar determinadas faculdades que, muitas vezes, se desenvolvem às expensas
de outros atributos essenciais e vitais para a existência plena e completa. Esses poderes
do corpo mental-animal são como a luz de vela diante do sol quando comparados com
os poderes e atributos do autêntico corpo mental criado no Quarto Grau do Magistério
do Fogo ou QUARTA INICIAÇÃO MAIOR pela alquimia sexual.

Jamais devemos confundir a mente com o cérebro. O cérebro é tão só a parte física da
mente. A natureza criou o cérebro para elaborar o pensamento, mas não é o pensamento.
Quem confunde mente com cérebro parte do princípio de que o fio elétrico é a
UU




eletricidade . O pensamento também não é inteligência. Portanto, não adianta cultivar a
             UU




mente acreditando que se tornará mais inteligente. A inteligência é uma faculdade da
Consciência. Quanto mais consciente for um homem mais inteligente ele será.

A mente ou o atual corpo mental é motivo de conflitos e sofrimentos, por que foi mal
educada e porque serve de abrigo e guarida para inúmeros egos, como veremos adiante.
Aqueles que almejam as Altas Esferas da Ciência Universal necessitam reeducar a
mente, tornando-a dócil e receptiva. Mas, para que isso se torne possível, temos que
esvaziar a mente dos egos que abriga e abrir espaço para o crescimento de nossa
Consciência ou de nossa Alma. Isso é feito com a técnica e a ciência da auto-
observação, auto-análise, compreensão e meditação, que será ensinada gradativamente
ao longo deste curso.

Os clarividentes vêem a mente como um corpo de carne e osso, semelhante ao corpo
físico, porém - nem poderia ser diferente - constituído de matéria mental, matéria da
sexta dimensão.

É uma lástima ver as pessoas alimentando suas mentes, o corpo mental, com impressões
negativas colhidas de filmes e revistas pornográficas, romances baratos, novelas,
livrinhos de aventura, música infernal, teatro degenerado, etc. etc.

O corpo mental, como a Consciência, necessita de alimentos próprios, cuidados
especiais, disciplina e uma educação específica.



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3.6 O Corpo Astral: a Emoção

Praticamente todas as escolas do nível de Jardim de Infância da Ciência Hermética
falam do corpo astral. Eidolon era a denominação dada pelos gregos antigos ao corpo
astral. Na Índia é o Linga-sharira.

O ser humano ainda não possui um verdadeiro corpo astral. Por mais difícil que seja
acreditar nisso, é a verdade: o homem comum e corrente ainda não possui corpo astral.
É preciso fabricá-lo por meio da alquimia, como será ensinado mais adiante neste curso.

Isso que hoje chamamos de corpo astral é tão só um corpo de desejos - um corpo de
protoplasma que a natureza nos emprestou para que pudéssemos viver e ter incipientes
funções emocionais e sentimentais.

Corpo astral autêntico possuem os Auto-realizados - aqueles Seres que trabalharam na
alquimia até o Terceiro Grau do Magistério do Fogo.

Não negamos o fenômeno nem a realidade do desdobramento do corpo de desejos. Mas
é preciso enfatizar que a popular viagem astral é tão só a projeção do Linga-sharira na
região do Limbo (astral inferior) e nada mais. O Orco dos clássicos ou o Limbo do
cristianismo esotérico primitivo é composto pelas regiões e planos moleculares da
natureza. O Limbo está longe dos planos eletrônicos e espirituais onde moram as almas
e os seres de maior estatura espiritual.

Entenda-se que o corpo de desejos é muito limitado quando confrontado com o legítimo
corpo astral. Compreenda-se ainda que só o legítimo corpo astral pode se deslocar pelas
dimensões eletrônicas da natureza ou pelo Astral Superior.

A alma e o espírito não vivem nos planos ou esferas moleculares. A alma e o espírito
vivem nos planos eletrônicos. Os planos moleculares são regiões de inconsciência. Os
planos eletrônicos são regiões de consciência pura.

Sentimentos puros e verdadeiros são atributos do legítimo corpo astral. Paixões, desejos,
sentimentos de ódio, vingança, orgulho, etc. são próprios do corpo de desejos.

Tem-se aqui um dilema: as pessoas alimentam e cultivam seu corpo emocional com
filmes de terror, esportes violentos, lutas de boxe, leituras de romances de sucesso, etc.
porque possuem um corpo de desejos ou porque, não possuindo um legítimo corpo
astral, têm necessidade de sentimentos e emoções de ódio, vingança, violência, terror,
pornografia, inframúsica, etc.?

Por isso é que se torna indispensável o trabalho alquímico: para transmutar a natureza
animal em natureza humana; para transformar as baixas paixões nos autênticos
sentimentos de amor, afeto, carinho, caridade ou nas emoções extasiantes e
arrebatadoras dos místicos e grandes músicos e artistas.

É preciso começar a alimentar nosso corpo emocional com impressões nobres, seletas e
elevadas, colhidas no convívio familiar e social positivos onde não haja calúnias,

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difamações, invejas, fofocas, intrigas; na música erudita dos grandes mestres; na arte
dos grandes expoentes da Arte Régia; nos passeios junto à mãe natureza e na prática de
tarefas que atendam e preencham nossas necessidades e impulsos de crescimento e
desenvolvimento internos


3.7 O Corpo Etérico: a Energia da Vida

O corpo etérico é o responsável pela conformação, estruturação e alimentação
energéticas do corpo celular. Para os estudantes gnósticos, o corpo etérico ou vital, é tão
só a parte tetradimensional do corpo físico; é o veículo da bioenergia e do prana que flui
pelos 72 mil canais ou meridianos energéticos que vitalizam todos os órgãos do corpo
físico.

O conhecimento dos meridianos energéticos possibilitou, dentre outras coisas, a
acupuntura, o do-in, o moxabustão, etc. Quem quer ter saúde perfeita deve aprender a
trabalhar com a bioenergia e com o pranayama. Pranayamas combinados com mantras
estimulam o trabalho dos chakras ou centros energéticos do homem. A cromoterapia
também está baseada nesses mesmos princípios energéticos.

O corpo vital ou etérico é o grande maestro, o arranjador, o organizador
termobioeletromagnético que atrai e impulsiona energias dentro de um movimento de
sístole e diástole.

Os cientistas até hoje buscam a origem da vida. Jamais encontrarão a origem da vida se
não estudarem cosmologia. Estudando cosmologia encontrarão a origem da vida em
Deus. Mas, se isso é muito para seu entendimento, então busquem entender a origem e a
natureza da eletricidade. Aí está a resposta.... No homem a fonte da energia
(eletricidade) está em seus órgãos sexuais..... Complicou mais ainda? Bem, nesse caso,
sem abandonar seus métodos e estudos, tornem-se “gnósticos”, e investiguem isso
usando a “metodologia gnóstica” e, depois, “traduzam” suas descobertas para a
linguagem científica. Todos ganharíamos com isso....

A energia vital (como os demais elementos químicos conhecidos e por conhecer) é
derivada ou produzida pelos tatwas. Tatwas são vibrações do éter. A vibração do éter
que alcança nossa visão é vista como cores e imagens; a vibração do éter que alcança
nossos ouvidos e percebida como som (e desse princípio se originou a música). A
vibraçao do éter que chega à nossa mente é captada como pensamento; a vibração do
éter que alcança nosso plexo solar é captada como sentimento ou emoção.

Por trás dos tatwas estão os elementais do fogo, da terra, do ar, da água e do éter. Sendo
o homem um microcosmo obviamente seu Reino Interno é povoado por milhares e
milhões de criaturas elementais atômicas como as que habitam e trabalham no
macrocosmo.


3.8 O Corpo Físico

Quanto à sua fisiologia e anatomia o estudo do homem pertence à Medicina. Para

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nossos estudos não há necessidade de nos aprofundarmos nos termos médicos. Vamos
nos limitar ao essencial, relacionado com nossos estudos de modo mais direto. Palavras
do jargão médico podem ser encontradas em qualquer enciclopédia que trate do assunto,
onde o estudante, por livre iniciativa, poderá se aprofundar.

Para a Gnose, a única diferença essencial entre o homem e o animal é a razão. Os
humanos possuem mente racional e os animais possuem mente instintiva. No mais,
como os animais, o homem possui um esqueleto, coberto de carne, uma estrutura
nervosa, um sistema sangüíneo e vários órgãos internos que são responsáveis por
funções diversas, desde a defesa do organismo contra doenças até a reprodução da
espécie.

Evidente que todas as funções corporais e mentais no homem são muito mais perfeitas e
completas que nos animais. Porém, os princípios biológicos são idênticos.
Compreenderemos melhor este assunto quando estudarmos a origem e a evolução do
homem.

Aprendemos no cristianismo que o homem é dotado de corpo e alma. Outras religiões
ensinam que o homem é formado de corpo, alma e espírito. O gnosticismo é mais
completo e detalhista acerca da anatomia visível e invisível do homem. É o que veremos
daqui a pouco.


3.8.1 As células

A célula é a unidade morfológica e fisiológica de todos os seres vivos que se reúnem
para formar os tecidos. Os tecidos formam os órgãos. Submetidos à pressões e
transformações evolutivas ao longo de milhões de anos, os organismos animais
desenvolveram grupos de células altamente especializadas que ajudaram o animal a
sobreviver e a alcançar seus objetivos vitais.

Alguns desses grupos celulares formam os órgãos internos do corpo, como o coração, o
pulmão e o fígado, compondo os sistemas que sustentam a vida do organismo. Outras
células, as musculares, são organizadas para dar movimentos ao corpo. Existem ainda as
células nervosas - ou neurônios - especializadas em transferir informações de uma parte
a outra do corpo, coordenadas pelo cérebro.

Em monadologia (estudo da Mônada) aprende-se que as células são unidades portadoras
de matéria, energia e Consciência. Estudos científicos apontam a existência de
aproximadamente 200 quintilhões de células no corpo humano.

Em termos microcósmicos, cada órgão é como se fosse uma galáxia e cada célula como
se fosse um planeta. O homem, tomado no seu todo, é um universo em miniatura.


3.9 Percepção Sensorial

Aprendemos desde criança que o homem possui cinco sentidos: visão, audição, tato,
paladar e olfato. Na ciência oculta aprendemos que existem outros sete, dentre eles estão

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clarividência, clariaudiência, telepatia, intuição e recordação de vidas passadas.

Asseveramos que esses cinco sentidos estão atrofiados atualmente no homem, pois o
homem percebe apenas as formas mais grosseiras da matéria. Um exemplo: a Igreja
Católica afirma que durante a missa acontece o milagre da transubstanciação, onde o
vinho se converte em sangue. Antigos tratados da ciência secreta também afirmam a
mesma coisa. Assim sendo, por que, então, o homem não sente o gosto do sangue? Por
que só os místicos dizem sentir tal gosto?

A diferença entre um caso e outro está no fato de que o primeiro tem seu paladar
atrofiado, e o segundo, desenvolvido. Todo estudante hermetista, ocultista, esoterista
deve desatrofiar seus sentidos físicos, se de fato estiver interessado em se tornar um
cientista autêntico dessa ciência tão antiga quanto o mundo, mas ignorada pela grande
maioria dos líderes de escolas, ordens, igrejas e seitas místicas e esotéricas ou de caráter
metafísico.

Fisicamente falando, os órgãos sensitivos captam informações do nosso exterior:
imagens, sons, cheiros, paladares e sensações de tato. São esses sentidos que alimentam
o mundo interior do homem de informações básicas e naturais. Não são os sentidos que
nos permitem identificar os objetos, reconhecer em determinado arranjo de formas, o
Cristo Redentor ou, num amontoado de cores, a famosa obra de Leonardo da Vinci - a
Mona-Lisa. O papel dos estímulos sensoriais é o de despertar a centelha inicial. A partir
daí desencadeia-se todo um processo, durante o qual mensagens sensoriais se
organizam, como equações, que são resolvidas na forma de um objeto, como vimos
anteriormente, no processo de formação da linguagem.


3.10 O Estado Atual do Homem

Difícil encontrar termos ou palavras que determinem com exatidão o atual estágio do
homem. Todos têm idéias equivocadas sobre si mesmos. E dentro da colmeia social o
estudo do homem torna-se ainda mais difícil. Todos os conhecimentos desembocam na
afirmação de que o homem é a criatura nobre por excelência da natureza. E que, por isso
mesmo, faz e desfaz tudo e todos ao seu redor. Dezenas de ramos científicos, como a
Psicologia, a Antropologia, a Sociologia, a Filosofia, a Medicina, a Sociologia, a
Filosofia, a Medicina, a Biologia, etc. se dedicam ao seu estudo. Naturalmente, o
gnosticismo também tem seus estudos acerca do homem. É claro que esses estudos, em
alguns pontos convergem e noutros divergem das verdades científicas, ou acadêmicas
ou formalmente aceitas e estudadas.

Sendo a Gnose uma ciência holística, estuda tanto a Biologia quanto a Metafísica; tanto
a Filosofia quanto a Alquimia; tanto a Psicologia quanto a Parapsicologia; tanto a
Antropologia quanto a Monadologia e tanto a Ciência quanto a Teologia ou
Cosmologia, tanto a Astronomia quanto a Astrologia.


3.11 O Ego

Aqui temos que divergir da psicologia oficial, ensinada nas escolas. A psicologia

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gnóstica entende e estuda o ego de outro ponto de vista. O gnosticismo vê o ego como
“valores psicológicos” ou “realidades psicológicas” com características de
independência quanto à sua manifestação. Se nos livros da ciência comum se aprende
que o ego é a autoconsciência do homem, então, esse ego praticamente não existe, pois
em mais de 95 % do tempo estamos adormecidos, sem autoconsciência ou consciência
de si mesmo. Mal temos um estado de “consciência de vigília”.

Nos livros de Psicologia, aprende-se que o ego é uno, indivisível – no máximo
subdividido em ID, EGO e SUPER-EGO. A psicologia gnóstica, como muitos tratados
psicológicos buddhistas e tibetanos, afirma que O EGO são EGOS. Ou seja, o Ego é
formado por “eus”. Se o eu fosse único não existiria conflito interior. Se o ego é único,
por que, então, o homem está dividido por valores distintos? Se o ego é único por que
existe amor e ódio, orgulho e humildade, avareza e generosidade? Para a Gnose, cada
elemento desses, é um pequeno ou grande eu autônomo e independente a viver em
nosso mundo mental. Esses “eus” vivem em permanente conflito e disputa pelo
comando da máquina humana.

Os eus psicológicos não possuem ligações entre si, nem coordenação alguma. Todos,
para se manifestarem, dependem de circunstâncias. Todos gozam de independência e
autonomia quanto à manifestação através da mente ou das emoções. Às vezes, os eus se
agrupam por afinidade, diante de uma situação dada; outras vezes, brigam entre si.
Todos os eus acreditam que são o ego único, porém, o eu que hoje jura amor eterno,
amanhã é substituído por outro que nada jurou, e assim sucessivamente, criando o
conflito psicológico e espalhando dor, sofrimento e decepções

O ego passa por distintas etapas de formação e de manifestação ao longo da vida ou das
vidas. Na primeira etapa é um ego simples, descomplicado, formado de pequenos e
poucos elementos (como o ego dos povos da Polinésia ou dos índios do Amazonas). É
um estado que se caracteriza mais pelo instinto que pela razão. O ambiente e a
organização social dessa gente é muito simples e incipiente. No segundo estado o ego
adquire a forma intelectual, urbana, civilizada. Neste estágio julga-se muito esperto,
vivido e experiente. A última etapa do ego é a do líder, do homem educado e refinado.
Disso advém a sociedade complexa, complicada e conflitante de nossos dias.

Por enquanto vamos nos limitar a esta introdução. Mais adiante iremos aprofundar este
assunto, estudando detalhadamente sua ação e modo de manifestação. Falaremos
também como o ego rouba consciência.


3.12 A Personalidade

Etimologicamente, personalidade vem de per + sonus. Que significa “soar através
de”. Esse personus era uma máscara usada no teatro da Grécia antiga, onde o ator
personificava ou representava um personagem - quase sempre um Deus. Na psicologia
acadêmica não se percebe a diferença entre ego e personalidade. Entretanto, na
psicologia gnóstica a personalidade é algo distinto do ego. Formam uma espécie de
simbiose, mas, suas naturezas são diferentes. Por exemplo, a personalidade morre com o
desencarnado. O ego se perpetua pelas diferentes vidas de uma pessoa.



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Para o estudante gnóstico a personalidade é algo emprestado, um instrumento, um meio
de manifestação; são habilidades, capacidades e conhecimentos desenvolvidos ou
adquiridos durante os primeiros anos de vida. A personalidade é moldada de acordo com
o meio-ambiente, a época, a família (genes) e a sociedade. As primeiras habilidades
desenvolvidas acontecem na infância, quando o bebê ou a criança aprende a segurar a
mamadeira; mais tarde segura uma colher; depois, balbucia as primeiras palavras; bem
mais tarde, aprende a trocar de roupa, a desenhar, a escrever, a tocar algum instrumento
musical e assim sucessivamente. Em resumo, a personalidade é criada pela educação e o
meio que nos rodeia. O ego já vem de berço, é pré-existente de outras vidas e faz parte
de nossa mente e entrelaçado com nossa consciência, como os parasitas que nascem ou
vivem nas árvores.

A personalidade deve ser desenvolvida em todos os níveis: mental-intelectual,
emocional, motriz. A educação praticada na antiga escola pitagórica, na Grécia, estava
voltada para a mente, a emoção e o movimento. É conhecida como educação integral.

O ambiente familiar, a vida nas ruas e na escola dão à personalidade seus matizes e
características. O exemplo e a experiência dos mais velhos é definitivo para a
personalidade em formação. Daí a razão de se dizer que a criança aprende mais com o
exemplo do que com palavras.

Uma personalidade desenvolvida no meio da dor e do sofrimento, da miséria e da
ignorância, toma-se um instrumento inútil para a inteligência. Nesse caso, uma pessoa
pode ter grandes idéias mas não tem a capacidade de realizá-las pois lhe falta habilidade.
É o caso típico de uma pessoa que tem grandes inspirações artísticas, mas que, por falta
de habilidade musical ou com pincéis - não consegue plasmar na tela ou no instrumento
musical, sua inspiração. É um crime de lesa-humanidade deixar crianças inocentes à
mercê das circunstâncias da vida e do mundo..... A educação correta e integral sempre
foi básico em todas as culturas, e nenhum povo será grande, desenvolvido e civilizado
sem uma Educação à altura dos valores morais, éticos, sociais e espirituais do ser
humano.


3.13 Níveis de Consciência

Para os gnósticos, a consciência é a própria da alma ou o próprio Ser, ou a parte do Ser
que habita em nós. Caracteriza-se por um estado psicológico próprio, inconfundível,
onde ela se dá conta de si mesma e de tudo que a cerca. É uma espécie de percepção
direta das coisas. A consciência, infelizmente, não é algo contínuo e permanente em
nós. Quando falamos em consciência nos referimos a um estado de apreensão de
conhecimento interior, independente da atividade mental. Talvez seja possível um
entendimento mais claro sobre a consciência estudando-se algo do seu estado
psicológico oposto: o sono, o adormecimento, o entorpecimento, a mecanicidade, a falta
de atenção, a ausência de percepção essencial das coisas

Fala-se muito em subconsciência e inconsciência. Na realidade tudo isso pode ser
sintetizado como consciência adormecida. Supraconsciência é o estado de “consciência
desperta”.



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O Mestre Samael fala de 4 níveis básicos de consciência: Eikasia, Pistis, Dianóia. Nóia.

1. Eikasia: E um estado primitivo de consciência. Nesse estado há predominância do
   instinto e da ignorância. São características das pessoas desse estado de barbárie:
   mercenários (que matam por matar), ébrios, drogados, lutadores, prostitutas, etc...
2. Pistis: O segundo estado de consciência, como o nome diz, é um estado de crenças e
   opiniões. Aqui a ciência ainda não chegou. Gravitam nesse estado os distintos
   crentes de todas as religiões que não examinam os conceitos dados, que não
   questionam as coisas, que aceitam tudo como artigo de fé ou dogma.
3. Dianóia: O terceiro estado de consciência é o pensamento científico. Caracteriza-se
   pela revisão de conceitos intelectual-cultural. O pensamento dianoético estuda os
   fenômenos e estabelece as leis e desenvolve sistemas e processos. Todo aquele que
   passou pela fase da crença elevou sua consciência para esse estado.
4. Nóia: O último estado é o de consciência desperta. Inteligência iluminada,
   clarividência objetiva são as principais características desse estado. Logicamente
   que dentro de Nous existem muitos degraus, porém, em Nous já não existe mais
   sonho. Tudo é real. A percepção é direta, clara e objetiva. Para se chegar a esse
   estágio são necessárias algumas providências, pois as leis evolutivas não levam até
   lá. A primeira delas é deixar de dormir, ou seja, e preciso um passo além do
   chamado estado de “consciência de vigília”.




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CAPÍTULO 4 - A CIÊNCIA DA ILUMINAÇÃO

Diz o Mestre Samael Aun Weor:

Informação intelectual não é vivência. Erudição não é experiência. O ensaio, a prova, e a
demonstração exclusivamente tridimensionais não são unitotais. Deve haver alguma
faculdade superior à mente e independente do intelecto que seja capaz de nos dar um
conhecimento e uma experimentação direta sobre qualquer fenômeno porque opiniões,
conceitos, teorias, hipóteses, não significam verificação, experiência, consciência plena
sobre tal ou qual fenômeno. Somente libertando-nos da mente podemos viver de
verdade isso que há de real, que se encontra em estado potencial atrás de qualquer
fenômeno.

Mente há em toda parte. Os sete cosmos, o mundo, as luas, os sóis, nada mais são do
que substância mental cristalizada ou condensada. A mente também é matéria, ainda que
bem mais rarefeita. Substância mental existe nos reinos mineral, vegetal, animal e
humano. A única diferença que existe entre o animal intelectual e a besta irracional é
isso que chamamos de intelecto.

O bípede humano deu à mente a forma intelectual. O mundo nada mais é do que uma
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forma mental ilusória que se dissolverá inevitavelmente no fim deste grande Dia
Cósmico. Minha pessoa, teu corpo, meus amigos, as coisas, minha família são, no
fundo, isso que os hindus chamam de maya ou ilusão - vãs formas mentais que
cedo ou tarde deverão ser reduzidas à poeira cósmica. O dualismo intelectual,
como prazer e dor, elogios e ofensas, triunfo e derrota, riqueza e miséria,
constituem o doloroso mecanismo da mente.

Não pode haver verdadeira felicidade dentro de nós enquanto formos escravos da mente.
Ninguém pode conhecer a Verdade enquanto seja escravo da mente. O Real não é
questão de suposições, mas de experiência direta. Quando nos libertamos da mente ela
se converte em um veículo dúctil, elástico, útil, mediante o qual nos expressamos neste
mundo de maneira consciente.

A lógica superior convida-nos a pensar de maneira consciente. A lógica superior
convida-nos a pensar que libertar-se, safar-se de toda a mecanicidade, emancipar-se da
mente, eqüivale a despertar a Consciência e a terminar com o automatismo.

— Quem ou o quê deve se safar, se libertar da mortificante mente?

O que deve e o que pode se libertar é o que temos de alma em nós - a Consciência. A
mente só serve para nos amargar a existência. Felicidade autêntica, legítima, real, só é
possível quando nos emancipamos do intelecto. Porém, devemos reconhecer que há um
inconveniente, um grande obstáculo, um problema grave para essa aspirada libertação
da Essência. Quero me referir ao tremendo batalhar das antíteses.

A Essência, a Consciência, ainda que de natureza búddhica, infelizmente vive
engarrafada no dualismo mental do sim e não, do bom e mau, do alto e baixo, do meu e
teu, do gosto e desgosto, do prazer e dor, etc. Quando cessa a tempestade no oceano da
mente e termina a luta entre os opostos, a Essência escapa e submerge no Real.

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O difícil, trabalhoso, árduo e penoso é conseguir o silêncio mental absoluto em todos e
em cada um dos 49 níveis subconscientes da mente. Isso, em verdade, só é possível na
ausência do Ego. Quer dizer: quando tivermos eliminado o ego ou esvaziado a mente.
Este é um trabalho penoso, difícil e lento, muito lento [que se consegue ao longo do
CAMINHO INICIÁTICO – nunca do dia para a noite].

Alcançar ou obter quietude e silêncio no nível meramente intelectual ou em uns quantos
níveis subconscientes não é suficiente. A Essência continua ainda enfrascada no
dualismo submerso, infraconsciente e inconsciente. Mente em branco é algo demasiado
superficial, oco e intelectual. Necessitamos de reflexão serena se de verdade queremos
conseguir a quietude e o silêncio absoluto da mente. [Daí a necessidade de Meditar,
fazer muita Meditação, todos os dias, ao longo de nossa vida, e poucos, bem poucos se
disciplinam para tanto].

A palavra chinesa mo significa “silencioso” ou “sereno”; chao significa “refletir” ou
“observar”. Logo, mo-chao pode ser traduzido como reflexão serena ou observação
serena.

Porém, no gnosticismo puro, os termos serenidade e reflexão têm sentido muito mais
profundo e devem ser compreendidos em suas conotações especiais. O sentido de
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sereno transcende ao que normalmente se entende por calma ou tranqüilidade -
implica em um estado superlativo, de atenção atenta que está além dos raciocínios,
dos desejos, das contradições e das palavras. Designa uma situação que se encontra
                                                   UU




fora do bulício mundano. Portanto, sereno é a serenidade do não-pensamento , e
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reflexão significa consciência intensa e clara.
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Reflexão serena é consciência clara na calma e na tranqüilidade do não
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pensamento. Quando reina a serenidade perfeita, consegue-se a verdadeira e
profunda iluminação.


4.1 Resultados

No misterioso umbral do Templo de Delfos havia uma máxima gravada na pedra que
dizia: Gnozi si auton. É o nosce te ipsum, o nosso conhece a ti mesmo.

O estudo de si mesmo, a serena reflexão, em última instância, conclui obviamente na
quietude e no silêncio da mente (mente vazia). Quando a mente está quieta e em
silêncio, não apenas no nível superficial do intelecto, mas em todos e em cada um dos
49 departamentos da subconsciência, advém o novo, liberta-se a Essência, a
Consciência, e produz-se o despertar da alma, o êxtase, o samadhi, o satori do zen.

A experiência mística do Real nos transforma radicalmente. As pessoas que jamais
UU




experimentaram isso que é a Verdade, vivem borboleteando de escola em escola.
Não encontraram seu centro de gravidade cósmico e morrem fracassadas, sem ter,
jamais, conseguido a tão desejada auto-realização íntima.

UU   O despertar da Consciência, da Essência, da Alma ou do Buddhata só é possível

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com a libertação, com a emancipação do dualismo mental, do batalhar das
antíteses. Qualquer luta subconsciente, infraconsciente, inconsciente que seja,
indica, assinala, acusa pontos obscuros, ignorados, desconhecidos do homem.

Refletir, observar, conhecer esses aspectos infra-humanos do mim mesmo, esses
UU




pontos obscuros do ego, torna-se indispensável para se conseguir a quietude e o
silêncio absolutos da mente. Só na ausência do ego é possível experimentar isso que
não é do tempo.


4.2 O Mestre Meng Shan

Contam velhas tradições chinesas, que se perdem na noite dos séculos, que o mestre
Meng Shan conheceu a ciência da iluminação [Meditação] antes dos 25 anos de idade.
Dizem os místicos amarelos que dessa idade até os 32 anos estudou com 18 anciões.

É interessante notar que esse grande iluminado estudou com infinita humildade aos pés
do venerável ancião Wan Shan que lhe ensinou a utilizar inteligentemente o poderoso
mantra WU - que se pronuncia como um UUUUUUUUU alongado - imitando o rugido
do vento na garganta das montanhas.

Esse irmão nunca se esqueceu do estado de alerta, ou auto-observação ou ainda do
UU




estado de atenção para o novo de cada momento, tão indispensável e tão necessário
para o Despertar da Consciência.

O venerável Wan Shan ensinou que durante as 12 horas do dia é preciso estar
UU




alerta [atento], como um gato que espreita um rato ou como uma galinha que
choca um ovo, sem abandonar a tarefa por um segundo sequer.

Certo dia Meng Shan, depois de 18 dias e noites contínuas de meditação interior
                         UU




profunda , sentou-se para tomar chá e... oh! maravilha! Compreendeu o sentido íntimo
          UU




do gesto de Buddha ao mostrar a flor e o profundo significado de Mahakazyapa com seu
exótico e inesquecível sorriso. Interrogou a três ou quatro anciãos sobre a experiência
mística, mas eles guardaram silêncio. Outros disseram-lhe para que identificasse a
vivência esotérica com o Samadhi do Selo do Oceano. Este sábio conselho,
naturalmente, inspirou-lhe grande confiança em si mesmo.

Meng Shan avançava triunfante em seus estudos, mas nem tudo na vida são rosas;
também há espinhos. No mês de julho, durante o quinto ano de chindin (l264),
infelizmente contraiu disenteria em Chunking. Com a morte nos lábios, decidiu fazer
testamento e distribuir seus bens terrenos. Feito isso, incorporou-se lentamente,
queimou incenso e sentou-se num local elevado. Ali orou em silêncio aos Três Bem-
Aventurados e aos Deuses Santos, arrependendo-se das más ações que cometera em sua
vida. Considerando certo o fim de sua vida fez aos Inefáveis um último pedido: “Desejo
que mediante o poder de Prajna e de um estado mental controlado possa eu me
reencarnar em um lugar favorável, onde possa fazer-me monge em tenra idade. Se por
casualidade me recobrar desta enfermidade, renunciarei ao mundo e tomarei os hábitos
para levar a luz a outros jovens buddhistas”.



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Depois de formular esses votos submergiu em profundo silêncio, cantando
UU




mentalmente o mantra WU [UUUU UUUU]. A enfermidade o atormentava, os
intestinos torturavam-no espantosamente, porém ele resolveu não lhes dar atenção.
Meng Shan esqueceu-se por completo de seu corpo e suas pálpebras fecharam-se
firmemente, ficando como se estivesse morto. Contam as tradições chinesas que
quando Meng Shan entrou em meditação, só o verbo - o mantra WU (U .. U .. ) -
ressoava em sua mente; depois, não soube mais de si mesmo...

— E a enfermidade? Que houve com ela? Que aconteceu?

É evidente que toda afecção, doença, dor, tem por base determinadas formas
UU




mentais. Se conseguirmos o esquecimento radical, absoluto, de qualquer
padecimento, o cimento intelectual se dissolve e a indisposição orgânica
desaparece.

Quando Meng Shan se levantou daquele lugar no começo da noite, sentiu com infinita
alegria que já estava quase curado. Sentou-se de novo e continuou submerso em
profunda meditação até a meia-noite, quando sua cura se completou. No mês de agosto,
Meng Shan foi a Chiang Ning e cheio de fé ingressou no sacerdócio. Permaneceu um
ano naquele mosteiro e depois iniciou uma viagem durante a qual ele mesmo cozinhava
seus alimentos, lavava suas roupas e cuidava de suas necessidades. Então         UU




compreendeu, na íntegra, que a tarefa da meditação deve ser tenaz, resistente,
forte, firme e constante, sem se cansar nunca.

Mais tarde, caminhando por terras chinesas, chegou ao mosteiro do Dragão Amarelo. Aí
compreendeu a fundo a necessidade de Despertar a Consciência . Depois, continuou
UU                                                                  UU




sua viagem em direção a Che Chiang. Chegando lá, arrojou-se aos pés do mestre Ku
Chan, de Chin Tien, e jurou não sair do mosteiro enquanto não atingisse a
                              UU




iluminação. Depois de um mês de meditação intensiva, recobrou o trabalho
perdido na viagem , porém, seu corpo encheu-se de horríveis bolhas, as quais foram
                         UU




intencionalmente ignoradas por ele, tendo continuado com a disciplina esotérica.

Certo dia convidaram-no para uma deliciosa refeição. No caminho tomou sua Hua Tou e
trabalhou com ela. Submerso na meditação, passou diante da porta de seu anfitrião
                    UU




sem se dar conta, foi quando compreendeu que poderia manter o trabalho
esotérico mesmo em plena atividade.

No dia 6 de março, quando estava meditando com a ajuda do mantra WU, o monge
principal do mosteiro entrou na sala de meditação com o evidente propósito de queimar
incenso. Porém, aconteceu que ao golpear a caixa de defumações, produziu um ruído
específico. Então, Meng Shan reconheceu a si mesmo e pôde ver e ouvir a Chao Chou,
notável mestre chinês. Todos os biógrafos chineses concordam que no outono Meng
Shan entrevistou-se com Hsueh Yen, em Ling An, e com Tui Keng, Hsu Chou, Shih
Keng e outros notáveis anciões.

“Sempre entendi - diz o mestre Samael - que o koan ou frase enigmática decisiva para
Meng Shan foi, sem sombra de dúvida, aquela com a qual Wan Shan o interrogou: ”Não
é a frase a luz brilha serenamente sobre a areia da praia, uma observação prosaica desse
tom de Chang?"

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A apreensão do secreto significado dessa frase foi suficiente para Meng Shan. Quando
Wan Shan o interrogou, mais tarde, com a mesma frase, isto é, repetiu-lhe a mesma
pergunta, o místico amarelo respondeu atirando ao chão o colchão da cama, como que
dizendo “já estou desperto”.

Portanto, querido e respeitado estudante, a Meditação é a chave do Despertar da
UU




Consciência. Por isso mesmo, a Meditação é o exercício diário de todo aquele que
anela trilhar a SENDA DA INICIAÇÃO, sem a qual, não há nem pode haver
avanço e progresso. Cuide-se e fique na paz de Avalokiteswara.




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CAPÍTULO 5 - EXERCÍCIOS E PRÁTICAS

Iniciamos aqui nosso sistema de práticas e de desenvolvimento interno. Ao longo do
curso serão transmitidos vários exercícios que se forem praticados rigorosamente e sem
falhar desenvolverão uma série de possibilidades escondidas no universo interior do
estudante. Portanto , como acabamos de ver com o caso do mestre Meng Shan, é
              UU       UU                                                             UU




preciso deixar claro que os resultados virão na execução diária, contínua e
permanente das práticas aqui ministradas. O treino psíquico é parecido com o treino
                                                UU




físico: só se torna um atleta ou obtém boa forma aquele que se dedica aos exercícios,
várias horas por dia. Para começar, duas horas. Com o tempo, 4 horas como mínimo.

Infelizmente não existe nenhuma pílula milagrosa que substitua o trabalho prático.
Mesmo as conquistas tecnológicas ainda não conseguiram desenvolver um aparelho
capaz de, por exemplo, despertar a clarividência de forma definitiva. Pelo menos não no
nível em que os gnósticos entendem essa palavra. Felizmente, porque se isso
acontecesse aumentaria de forma considerável os casos de loucura. É triste dizer, mas as
pessoas não estão preparadas para ver a realidade da existência humana.

Todas as técnicas aqui apresentadas já foram estudadas e experimentadas por instrutores
e estudantes da ESCOLA GNÓSTICA. Não oferecem perigo nem riscos, desde que
praticadas rigorosamente dentro do que propomos. Elas levarão o estudante a um
desenvolvimento gradual e seguro.

Falando-se em possibilidades desconhecidas, poderes ocultos e capacidades psíquicas, a
última coisa que devemos buscar é o resultado imediato. O aparecimento de resultados é
muito relativo. Além disso, nossa experiência diz que a prudência é a melhor
companheira nessa jornada. Sintetizamos esse pensamento com o seguinte enunciado:
O gnóstico não busca poderes, mas se prepara para recebê-los e conviver com eles.
UU




5.1 O Pranayama

Para simplificar, vamos dizer que pranayama é a ciência do controle do prana. É através
do controle do movimento dos pulmões e órgãos respiratórios que podemos controlar o
prana que vibra dentro deles mesmos.

Pelo controle do prana pode-se controlar parcialmente a mente, porque a mente está
ligada ao prana como a umidade à água. Para se chegar ao controle da respiração é
preciso primeiro dominar a postura do corpo (asana). A postura correta do corpo é
indispensável para a prática bem sucedida do pranayama.

Qualquer postura fácil e confortável, que permita o relaxamento do corpo, é adequada
para a prática do pranayama. O importante é que a cabeça, o pescoço e a coluna fiquem
sempre retas.

Diz o mestre Sivananda que há uma conexão íntima entre a mente, o prana e o sêmen ou
energia sexual.

UU   Quem controla o prana controla a mente e o sêmen.

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UU   Quem controla a mente controla o prana e o sêmen.
UU   Quem controla a energia sexual controla o prana e a mente.

Desse tipo de controle vem o domínio sobre a vida e as forças do universo, sejam elas
físicas ou mentais.

Quem pratica regularmente o pranayama terá bom apetite, entusiasmo, otimismo,
UU




força interna, coragem, vigor, vida, saúde e boa concentração.

Existem vários tipos de pranayamas. Aqui passaremos os mais simples, porém não
menos eficientes.

Rechaka é o nome que se dá para a expiração do ar.
Kumbhaka é a retenção do ar nos pulmões.
Puraka é a inspiração do alento vital.
Puraka, kumbhaka e rechaka são as três fases de um pranayama.

UU   Aumentando-se o tempo de kumbhaka aumenta-se a duração da vida.

O pranayama sempre deve ser feito com calma e concentração.
O ideal é fazer quatro sessões diárias de pranayamas: de manhã, ao meio-dia, ao
entardecer e à noite, ao se entregar ao sono, de 5 a 10 minutos em cada sessão.


5.2 Relaxamento

Exercícios de relaxamento trazem repouso para o corpo e a mente. Quem pratica e
conhece a ciência do relaxamento não desperdiça energia. O relaxamento sempre é feito
depois de uma série de pranayamas. Aconselhamos sempre a posição de savasana.
(decúbito dorsal) para o relaxamento. O relaxamento é obtido com as técnicas que
daremos em seguida, da cabeça aos pés.

Um corpo relaxado ajuda o relaxamento da mente. A mente entra em relaxamento
quando fica quieta, por dentro e por fora. Corpo e mente estão em íntima ligação. Essa
ligação é feita pelo corpo emocional. Corpo, mente e emoções formam o triângulo
inferior da divindade.


5.3 Elementos de Uma Prática

Todas as práticas são compostas, basicamente, de:

Postura (Asana)
Respiração (Pranayama)
Relaxamento do corpo
Exercício propriamente dito




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5.3.1 Postura

Muitas técnicas para serem executadas exigem do estudante uma postura corporal
passiva. Como de início só trabalharemos com esse tipo de técnica, vamos dar aqui
orientações acerca das diversas posturas, sua escolha e como executá-las corretamente.

Os ocidentais, de modo geral, não conseguem praticar rigidamente as posturas exigidas
no yoga, por exemplo. É o caso da mais típica posição yogue: a posição de lótus ou
padmasana (sentado com as pernas cruzadas e a coluna reta).

Sobre a escolha da posição mais adequada para executar as técnicas, aqui denominadas
passivas, prevalece sempre o bom senso.

O objetivo maior é o relaxamento do corpo. Assim, não podemos nem devemos cobrar
rigidez sobre esta ou aquela posição que devemos adotar. O estudante pode adotar a
postura que mais lhe convier e se mostrar confortável e propícia para o relaxamento.

Assim, você pode adotar a posição de decúbito dorsal (deitado de barriga para cima)
com os braços ao longo do corpo, por exemplo. Ou sentar-se comodamente num sofá ou
num divã ou numa cadeira.

Uma das vantagens de se adotar a postura de decúbito dorsal é que a partir dela pode-se
partir para duas variantes muito interessantes:

   1. a cruz
   2. a estrela.

Para fazer a cruz é só abrir os braços a partir da posição de decúbito dorsal.

Para se fazer a estrela abre-se os braços em forma de cruz e as pernas em forma de meio
X.

Repetimos: o importante é escolher uma posição cômoda, na qual possa manter
imobilidade e alcançar um estado de relaxamento. Sentar-se confortavelmente numa
poltrona reclinável pode ser muito positivo [e nós a recomendamos porque a usamos
desde há vários anos].


5.3.2 Respiração

O ser humano pode viver até um mês [ou mais] sem comer (técnica de jejum); se não
estiver num deserto quente, pode viver vários dias sem água. Porém, por mais treinada
que seja, uma pessoa pode viver apenas alguns minutos sem respirar. Disso se conclui
que a respiração [com exceção de alguns faquires indianos] é a principal fonte de
alimento do homem. Mesmo assim, de modo geral, poucos indivíduos sabem respirar. E
mesmo que o saibam, menos ainda sabem extrair a vitalidade do ar.

São muitos os exercícios que têm como base a respiração. É por isso que vamos
começar nosso sistema de práticas baseado nela.

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É muito grande a relação dos benefícios de uma respiração bem feita. Para sintetizar,
limitamo-nos a dizer apenas que os sentidos físicos e psíquicos começarão a funcionar
melhor a partir do momento em que passarmos a respirar melhor, de modo mais
completo e consciente.


Como se faz

   1. Adote uma postura confortável, qualquer que seja.
   2. Esvazie os pulmões até o fim.
   3. Comece a inalar (puraka) lentamente e sem fazer ruídos. Encha primeiro a
      barriga e depois o tórax. Mentalmente conte até 7 de acordo com as batidas do
      coração. Quando chegar no 7 os pulmões devem estar cheios.
   4. Retenha o ar nos pulmões (kumbhaka) enquanto novamente conta mentalmente
      7 pulsações do coração.
   5. Comece a soltar o ar (rechaka) lentamente, primeiro esvaziando o tórax e depois
      o abdômen, enquanto conta até 7 de acordo com as batidas do coração.
   6. Repita todo esse processo 7 vezes.

Essa é a respiração que denominamos 7 x 7. A cada semana deve-se aumentar a
contagem até chegar a um nível mais elevado, como 21 x 21.

ALERTA: pessoas idosas ou com problemas cardíacos devem respeitar a orientação
dada pelo médico. É claro que nesses casos, devem adequar as orientações dadas aqui ao
seu ritmo e capacidade.

Este simples exercício pode proporcionar dentre outros objetivos:
   1. aumento de consciência
   2. aumento da sensibilidade
   3. diminuição do ritmo cardíaco
   4. maior vitalidade
   5. mente mais tranqüila
   6. relaxamento do corpo
   7. sono mais profundo
   8. controle das emoções
   9. domínio sobre o corpo
   10. preparo interno para outras técnicas


5.3.3 Recomendações gerais

Este exercício pode e deve ser praticado todas as vezes que sentir a mente agitada, as
emoções fora de controle, demora para o sono chegar e quando o corpo estiver cansado
depois de um dia cheio de trabalho e tensões. Você também pode praticá-lo enquanto
estiver andando na rua. Ou ainda quando estiver dirigindo seu carro.

Se você pretende trabalhar sério com nosso sistema de exercícios e práticas pedimos que
não faça outra coisa na primeira semana que não se exercitar na busca de uma posição

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confortável (asana) e na prática da respiração 7 x 7 (pranayama). Nesse caso, busque
fazer 10 minutos de pranayamas em cada sessão. É o bastante para quem nunca fez nada
ou para quem está começando agora. Depois, gradativamente, a cada semana tente
aumentar a contagem. Você mesmo deve estabelecer seu limite.

Lembre-se: não cometa excessos nem violências contra seu corpo. Se sentir necessidade
de diminuir o tempo de inalação, retenção ou exalação, fique à vontade e não se sinta
frustrado. O importante é achar o seu próprio ritmo e manter a atenção no que está
fazendo.

Uma pessoa realmente dedicada ao seu desenvolvimento interior reordenará toda sua
vida e seus horários em função desse objetivo.

Bom senso e equilíbrio são as duas grandes leis nessa disciplina.

Pratique e terá resultados antes mesmo da sua expectativa.


5.3.4 Relaxamento

São muitas as técnicas de relaxamento. Elas são de difícil transmissão por escrito. A
criatividade do estudante terá que ser usada para chegar ao objetivo. Aqui iremos
apresentar as linhas gerais de como o estudante deve proceder para chegar ao
relaxamento profundo do corpo.
     Certifique-se que não será interrompido. Tenha um fundo musical calmo e
        tranqüilizante.

      Se preferir, queime uma vareta do seu incenso preferido enquanto faz a prática.


Em seguida:
   Adote a postura que melhor lhe convenha

      Proceda ao pranayama

Normalize a respiração e em seguida dedique cerca de um minuto da sua atenção
para observar, sentir e relaxar cada uma das partes do corpo como segue:

   1. Cabeça: Sinta sua testa, suas orelhas, sua cabeça. Descontraia, relaxe, solte.
      Sinta a testa lisa, sem nenhuma contração.

   2. Olhos: Agora observe os olhos. Relaxe, solte, descontraia. Sinta as pálpebras
      fechadas suavemente, sem esforço, fechadas por seu próprio peso. Sinta como é
      bom relaxar e ter os músculos soltos, descansados.

   3. Boca: Observe agora a boca. Descontraia os lábios, o maxilar, a língua.

   4. Pescoço e ombros: Leve agora sua atenção para o pescoço e os ombros. Veja
      como eles normalmente estão presos, contraídos. Relaxe-os. Solte-os.

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       Descontraia-os. Sinta que grande sensação de bem estar toma conta de sua
       cabeça e da parte superior do corpo. É a energia fluindo suavemente,
       tranqüilamente.

   5. Braços: Descontraia agora seus braços. Primeiro o esquerdo, depois o direito.
      Sinta como eles se tornam pesados à medida em que descansam e relaxam.

   6. Coluna: Relaxe agora sua coluna vertebral. Se estiver deitado, observe vértebra
      por vértebra, como ela se acomoda no chão. Sinta a coluna, de alto a baixo,
      totalmente relaxada, em repouso, descansada. Com isso, a sensação de bem-estar
      aumenta e um sentimento íntimo de repouso e grande calma invade seu corpo.

   7. Tórax: Relaxe agora o tórax e os órgãos internos. Procure, por um instante,
      observar seus órgãos internos. Veja como eles trabalham, agora, melhor, mais
      eficientes.

   8. Pernas: Agora você vai comandar o relaxamento das pernas. Primeiro a
      esquerda, depois a direita. Sinta todos os músculos, nervos, tendões e
      articulações se descontraírem, relaxarem, se soltarem.

   9. Todo o corpo: Sinta agora todo o corpo relaxado, em repouso, entregue ao seu
      próprio peso. Com isso aquele sentimento íntimo de tranqüilidade, paz,
      harmonia aumenta cada vez mais.

   10. Sensação de corpo pesado: Repasse a atenção mais uma vez em todo o corpo.
       Veja se alguma região está contraída. Veja se a testa e os olhos estão relaxados.
       Solte-os. Relaxe-os. Sinta o corpo inteiro solto e pesado, bem pesado, cada vez
       mais pesado. Mas não faça nenhum esforço para ele ficar pesado. Ou para você
       ficar pesado. Pelo contrário. Quanto mais pesado, relaxado e solto o corpo vai
       ficando, maior é a sensação de leveza que se apodera de você.

Mantenha essa atitude durante uns 30 minutos.


5.3.5 Exercício Especial para Telepatia

De manhã cedo, ao levantar, o estudante deve sentar-se em posição de lótus ou em sua
poltrona reclinável com o rosto voltado para onde nasce o sol.

Com os olhos fechados deve ver [visualizar] ou sentir que do disco solar emana uma
grande luz para todo o universo.

Em seguida deve ver ou sentir que esses raios luminosos, de brilhantes e variadas cores,
dirigem-se para seu plexo solar (região do umbigo) banhando-o e inundando-o de luz,
vida, poder, força, otimismo, consciência, saúde, vitalidade.

Você deve ver e sentir a luz penetrando em seu corpo e despertando o centro energético
do plexo solar.



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Faça o exercício diariamente por 15 minutos, sem falhar. Em pouco tampo notará o
estudante quão sensível se tornará para perceber e sentir as coisas e as pessoas ao seu
redor.

Se você aumentar o tempo do exercício para 30 minutos diários logo começará a ter
experiências telepáticas.


5.3.6 Exercício Especial de Yantra Yoga

Este exercício pode ser praticado a qualquer hora, especialmente quando se sente
cansado. Para tanto:

Adote a postura de relaxamento
Faça a série de 7 respirações
Comece este exercício, assim:

Transporte-se mentalmente a um local tranqüilo, aprazível, com muito verde, árvores,
sol, flores, água, cachoeira, canto de pássaros, montanhas, vida, animais, etc. Não é um
local imaginário, é um local que v. algum dia tenha visitado e no qual tenha se sentido
em paz. Ande por este lugar buscando conhecê-lo e descobri-lo em cada detalhe.
Sempre que voltar a esse local, busque ver e encontrar elementos novos.

Pratique diariamente ou várias vezes durante o dia este exercício pelo tempo que quiser.
Esse será seu refúgio para as horas de angústica, será seu oásis interior.


5.4 Exercício de Sensibilidade ou Controle do Pulso

   1.   Postura
   2.   Respiração
   3.   Relaxamento
   4.   Sensibilização

Esse exercício também é destinado ao controle do pulso — muito importante para se
colocar a mente em estado alfa ou outros mais profundos.

Para fazer este exercício, deverá o estudante adotar uma postura confortável, proceder
aos exercícios respiratórios, relaxar todo o corpo e, em seguida:

Levar sua atenção para a ponta do nariz, procurando sentir ali, e unicamente ali, o pulsar
do seu coração. Use toda sua atenção e concentração para sentir ali a pulsação do
coração. Fique concentrado nesse ponto de 3 a 5 minutos.

Levar sua atenção para a orelha direita, procurando sentir ali, e unicamente ali, o pulsar
do seu coração.

Levar sua atenção para a orelha esquerda, procurando sentir ali, e unicamente ali, o
pulsar do seu coração. De 3 a 5 minutos.

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Levar a atenção para as pontas dos dedos da mão direita, procurando sentir ali, e
unicamente ali, o pulso do coração. De 3 a 5 minutos.

Levar a atenção para as pontas dos dedos do pé direito. De 3 a 5 minutos.

Repetir o processo para o pé esquerdo.

Levar a atenção novamente para a ponta do nariz, procurando sentir ali a pulsação do
coração. De 3 a 5 minutos

Fazer o mesmo procedimento só que agora sentindo o coração pulsar dentro de sua
cabeça, em suas glândulas pineal e pituitária. É como se a cabeça inteira pulsasse.
Permaneça nesse estágio o tempo que quiser.

Para encerrar a sessão, sinta agora o coração pulsando em todo o corpo. 3 minutos.
Encerre o exercício e retorne às suas atividades normais.

Praticando diariamente o exercício anterior, com toda certeza, cedo ou tarde, o estudante
sentirá o pulso do coração em cada um dos pontos ali mencionados. Com o tempo, o
pulso se toma mais forte e intenso, o que revela o progresso em sua sensibilidade e
consciência corporal.


5.5 Exercício para a Auto-observação

Tão logo seja possível você deve praticar este exercício especial todos os dias. Trata-se
da auto-observação, do não esquecimento de si, de estar atento a si mesmo e a sua volta
como o gato a espreita do rato. O objetivo fundamental deste exercício é dar-se conta da
própria inconsciência e da mecanicidade da nossa vida e com que fazemos as coisas.
Este exercício também é formidável para se chegar a despertar a Consciência durante o
sono. A longo prazo este exercício levará o estudante a ter consciência desperta durante
24 horas por dia. Despertar a consciência é o primeiro passo para aqueles que de fato
querem progredir na Senda do Fio da Navalha.

Como se faz a auto-observação?

Basicamente, o exercício consiste em dividir a atenção. Devido à forma como fomos
educados, acabamos sendo condicionados a prestar atenção só às coisas externas. Nunca
nos disseram nem nos ensinaram a não nos esquecer de nós mesmos. Por isso, temos
que reaprender a ter a autoconsciência que as crianças têm. A técnica da divisão da
atenção consiste em nos dar conta, a cada momento, a cada instante, de quem somos
(sujeito), o que estamos fazendo (objeto) e onde estamos (lugar). Para tanto, temos que
fazer continuamente três perguntas, até chegar o dia em que possamos nos dar conta, de
forma contínua e natural, sobre estas três questões:
Quem sou?
Onde estou?
O que estou fazendo?
[Estarei no mundo físico ou no mundo astral?]

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Importante:

Mais do que ficar repetindo mentalmente estas perguntas para si mesmo é preciso que o
estudante se dê conta, perceba, sinta a si mesmo, onde está e o que está fazendo [e se
quiser algo mais, busque averiguar se está sonhando ou acordado, se está no mundo
físico ou no mundo astral]. É preciso reaprender a ver a si mesmo, por dentro e por fora,
sentir a si mesmo, por dentro e por fora, dar-se conta de onde está e o que está fazendo.

O objetivo do exercício é busca nunca se esquecer de si mesmo o tempo todo.

Paz Inverencial

Os Instrutores

(final do arcano 1)




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APÊNDICE
JUNG E O GNOSTICISMO
[Texto transcrito do livro de Stephan Hoeller]


Desde o princípio de sua carreira psicanalítica até a morte, Jung manteve um vivo
interesse e uma profunda simpatia pelos gnósticos. Já em 12 de agosto de 1912, Jung
escreveu uma carta a Freud a respeito dos gnósticos, na qual qualificou a concepção
gnóstica de Sofia de reaproveitamento de uma antiga sabedoria que poderia aparecer
uma vez mais na moderna psicanálise. Não lhe faltava literatura capaz de estimular seu
interesse pelos gnósticos, porque os eruditos do século XIX na Alemanha (embora quase
que em nenhum outro país) devotavam-se diligentemente aos estudos gnósticos. Em
parte como reação contra a rigidez da Alemanha bismarckiana e a seus efeitos
conformistas, tanto teológicos como intelectuais, inúmeros eruditos excelentes
(Reitzenstein, Leisengang e Carl Schmidt, entre outros), além de poetas e escritores
criativos (Herman Usner, Albrecht Dieterich), e, pelo menos, alguns membros da
intelectualidade francesa (M. Jacques Matter, Anatole France) investigaram a tradição
gnóstica. Todos os biógrafos de Jung mencionam seu profundo interesse por assuntos
gnósticos. Uma das declarações mais reveladoras a esse respeito é citada por uma de
suas ex-colaboradoras, Barbara Hannah, que lhe reproduz as palavras sobre os
gnósticos: “Senti como se finalmente tivesse encontrado um círculo de amigos que me
entendessem”. A mesma biógrafa também ressalta que Jung desenvolveu um interesse
por Schopenhauer justamente porque o grande filósofo alemão lembrava-lhe os
gnósticos e a ênfase que colocavam no aspecto do sofrimento do mundo; além disso, ele
aprovava de todo o coração o fato de Schopenhauer “não falar nem da providência
onisciente e todo-misericordiosa de um Creador, nem da harmonia do cosmo, mas ter
afirmado abertamente que uma falha fundamental subjazia ao triste curso da história
humana e à crueldade da natureza; a cegueira da Vontade criadora do mundo. . .” Que
essas são afirmações completamente gnósticas não é preciso dizer. Como seu interesse
por Schopenhauer remonta à infância, podemos considerar Jung, sob muitos aspectos,
como um gnóstico “natural”, possuidor de uma postura gnóstica mesmo antes de
familiarizar-se com alguns dos ensinamentos do gnosticismo.
Apesar de Jung ter tido acesso a certo volume de literatura poética e erudita bem cedo
na vida, o que estimulou seu interesse pelo gnosticismo, ele não contou com quase
nenhum material de natureza gnóstica procedente de fontes originais à sua disposição.
Como muitos outros, para informar-se sobre os gnósticos Jung teve de se basear nos
relatos fragmentários e sobretudo deslealmente distorcidos dos padres da igreja
antignóstica, em particular Irineu e Hipólito. As pesadas engrenagens da erudição
acadêmica apenas começavam, com extrema lentidão e mesmo relutância, a dedicar-se
aos três códices coptas Codex Agnew, Codex Bruce, Codex Askew, que na época
mofavam em vários museus, esperando para ser traduzidos e publicados. Pode-se
considerar algo miraculoso que Jung tenha sido capaz de obter tanta compreensão e
extrair tanta informação valiosa, favorável ao gnosticismo, das polêmicas dos padres
caçadores de hereges da Igreja. A contribuição de Jung aos estudos gnósticos em geral e
a uma esclarecida interpretação contemporânea do gnosticismo em particular é pouco
menos que notável em alcance e importância. É lamentável que essa contribuição não
seja ainda apreciada por um número crescente de especialistas em gnosticismo, dentro
do campo de estudos bíblicos, embora isso não seja particularmente surpreendente, em

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vista do fato de que a maioria desses eruditos provêm de escolas de teologia e de
religião com tendências ortodoxas. Além disso, muitos deles carecem por completo de
qualquer apreciação séria da psicologia, especialmente do tipo de psicologia que Jung
proclamou. Afirma-se que a guerra é por demais importante para ser confiada a
generais; da mesma forma, seria igualmente justo dizer que o gnosticismo representa
uma tradição de muito valor para ser consignada a estudiosos da Bíblia e a sofistas de
palavras coptas. A falta de atenção e respeito dispensados a Jung por alguns desses
eruditos é ainda mais inacreditável, considerando-se que a influência de Jung consiste
praticamente na única responsável pelo projeto vital de publicação do maior acervo de
escritos gnósticos originais jamais descobertos na história: a Biblioteca de Nag
Hammadi.
Os gnósticos foram prolíficos escritores da tradição sacra. Seus inimigos observaram
com desaprovação que os seguidores do instrutor gnóstico Valentino costumavam
escrever um novo evangelho a cada dia, e que nenhum deles era muito estimado, a
menos que desse uma nova contribuição à sua literatura. Entretanto, de toda essa
profusão de textos, muito pouco sobreviveu, devido à incansável supressão e destruição
da literatura gnóstica a que se dedicaram os queimadores de livros e caçadores de
hereges da Igreja que, com o apoio do poder constituído, obtiveram predominância
sobre seus rivais. Durante muitos séculos, não se soube da existência de nenhuma
escritura gnóstica original. Foi somente nos séculos XVIII e XIX que viajantes, como o
destemido e romântico escocês James Bruce, começaram a trazer para a Europa, do
Egito e localidades vizinhas, fragmentos de papiros antigos contendo textos. Embora
talvez escritos originariamente em grego, esses haviam sido traduzidos pelos escribas
gnósticos para o copta, a língua popular do Egito helênico. Sendo realmente raros os
eruditos coptas e demais pessoas interessadas em gnosticismo, a tradução desses textos
procedeu-se muito lentamente. Então, um quase milagre aconteceu. Em dezembro de
1945, pouco após o término da II Guerra Mundial, um camponês egípcio encontrou uma
coleção inteira de manuscritos gnósticos enquanto cavava para extrair fertilizantes na
vizinhança de algumas cavernas, na cadeia montanhosa de Jabal al-Tarif, próximo ao
Nilo, no Alto Egito. Aparentemente, esses tesouros fizeram parte, em certa época, da
biblioteca do vasto complexo monástico fundado na região pelo pai do monasticismo
cristão, o monge copta São Pacômio.
Como suas predecessores, a descoberta de Nag Hammadi custou muito a se concretizar.
Os métodos lentos dos acadêmicos foram, entretanto, bastante acelerados pela influência
de um homem que não era nem erudito copta nem especialista bíblico, mas
simplesmente um arqueólogo da alma humana. Esse homem era, é claro, Carl Jung.
Ele se interessou pela descoberta de Nag Hammadi desde o princípio; foi um antigo
amigo e colaborador de Jung, o professor Gilles Quispel, que tomou a iniciativa de
traduzir e publicar os livros de Nag Hammadi. Em 10 de maio de 1952, embora a crise
política e a dissensão acadêmica paralisassem todos os trabalhos relativos aos
manuscritos, Quispel adquiriu um dos códices em Bruxelas, e desta porção da grande
biblioteca, realizou-se a maior parte das primeiras traduções, envergonhando assim a
comunidade erudita, que se viu na contingência de apressar o trabalho longamente
adiado. Esse documento, intitulado Jung Codex, foi apresentado ao Instituto Jung de
Zurique por ocasião do octogésimo aniversário do Dr. Jung, tornando-se o primeiro item
da descoberta de Nag Hammadi a ser abertamente examinado por eruditos e leigos fora
do turbulento ambiente não-cooperativo do Egito dos anos 50. O próprio professor
Quispel declarou ter sido Jung uma peça-chave no despertar da atenção sobre os


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manuscritos e na publicação da valiosa coleção de Nag Hammadi. Existem boas razões
para se crer que, sem a influência de Jung, essa coleção também poderia ter sido
relegada à obscuridade pela aparentemente sempre ativa conspiração da negligência
erudita. (Para maiores detalhes sobre a história da Biblioteca de Nag Hammadi e a
participação de Jung, ver: H.C. Puech, G. Quispel, W. C. Van Unnik: - The Jung Codex,
Londres, M. R. Mowbray, 1955.)
Qual era a verdadeira visão de Jung a respeito do gnosticismo? Ao contrário da maioria
dos eruditos até bem recentemente, ele jamais acreditou que se tratasse de uma heresia
cristã dos séculos II e III. Também nunca deu importância às infindáveis disputas de
especialistas a respeito das possíveis origens do gnosticismo: indiana, iraniana, grega e
outras. Antes de qualquer outra autoridade no campo dos estudos sobre os gnósticos,
Jung reconheceu-os por aquilo que eram: videntes que produziram criações originais e
primordiais, a partir do mistério que ele chamou de inconsciente. Quando, em 1940,
perguntaram-lhe se o gnosticismo era filosofia ou mitologia, ele respondeu com
seriedade que os gnósticos lidavam com imagens reais e originais e não eram filósofos
sincretistas, como muitos supunham. Jung reconheceu que imagens gnósticas surgem
ainda hoje nas experiências interiores das pessoas, ligadas à individuação da psique;
nisso ele via evidência do fato de que os gnósticos expressavam imagens arquetípicas
reais que, como se sabe, persistem e existem independentemente do tempo ou de
circunstâncias históricas. Ele identificou no gnosticismo uma poderosa e absolutamente
primordial e original expressão da mente humana, uma expressão dirigida para a mais
profunda e importante tarefa da alma, ou seja, a obtenção de sua plenitude. Os
gnósticos, como Jung os percebia, interessavam-se acima de tudo por uma coisa - a
experiência da plenitude do Ser. Considerando que isso incorporava seu interesse
pessoal e também o objetivo de sua psicologia, é incontestável que sua afinidade com os
gnósticos e com sua sabedoria era realmente grande. Essa visão do gnosticismo não se
confinou aos trabalhos psicológicos de Jung, mas logo entrou no mundo dos estudos
gnósticos por intermédio do supracitado colaborador, Gilles Quispel, que, em seu
importante trabalho Gnosis als Weltreligion (1951), apresentou a tese de que o
gnosticismo não expressa nem uma filosofia nem uma heresia, mas uma experiência
religiosa específica, que então se manifesta como mito e(ou) ritual. É de fato lamentável
que, após mais de vinte e cinco anos da publicação desse trabalho, tão poucos tenham
apreciado suas significativas implicações.
Em vista dessas considerações, pode-se compreensivelmente indagar: Jung era um
gnóstico? Pessoas mal-informadas responderam sim a essa pergunta, querendo dizer
com isso que Jung não era nem um cientista respeitável nem um bom homem, de acordo
com o significado religioso ortodoxo do termo. Em virtude do uso pejorativo da
expressão gnóstico, muitos dos seguidores de Jung, e ocasionalmente o próprio Jung,
negaram que ele fosse um gnóstico. Um exemplo bem típico dessas evasivas foi a
declaração de Gilles Quispel, segundo a qual “Jung não era um gnóstico no sentido
comum do termo”. Por outro lado, é muito duvidoso que jamais tenha havido um único
gnóstico no sentido comum do termo. O gnosticismo não constitui um conjunto de
doutrinas, mas a expressão mitológica de uma experiência interior. Em termos de
psicologia Junguiana, poderíamos dizer que os gnósticos deram expressão em
linguagem poética e mitológica às suas experiências dentro do processo de
individuação. Ao fazê-lo, eles produziram uma profusão do mais significativo material,
contendo profundas percepções da estrutura da psique, do conteúdo do inconsciente
coletivo e da dinâmica do processo de individuação. Como o próprio Jung, os gnósticos


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não descreveram apenas os aspectos conscientes e pessoais inconscientes da psique
humana, mas exploraram empiricamente o inconsciente coletivo e forneceram
descrições e formulações das várias imagens e forças arquetípicas. Como afirmou Jung,
os gnósticos foram muito mais bem-sucedidos do que os cristãos ortodoxos na
descoberta de expressões simbólicas adequadas do Ser, e essas expressões assemelham-
se às formuladas por Jung. Embora Jung não tenha se identificado abertamente com o
gnosticismo como escola religiosa, da mesma forma que não se identificou com
nenhuma seita religiosa, pouca dúvida pode existir de que ele fez, mais do que qualquer
outra pessoa, lançar luz sobre o impulso central das imagens e da prática simbólica
gnósticas. Ele viu no gnosticismo uma expressão particularmente valiosa da luta
universal do homem para readquirir a plenitude. Embora não fosse prático nem
modesto que ele o dissesse, não há dúvida de que essa expressão gnóstica do anseio pela
plenitude só foi reproduzida uma vez na história do Ocidente, e isso se deu no próprio
sistema da psicologia analítica de Jung.
Que tipo de gnóstico era Jung? Certamente, não um seguidor literal de nenhum dos
antigos mestres da Gnose, o que teria sido um empreendimento impossível, diante da
insuficiência de informações detalhadas a respeito desses e de seus ensinamentos. Por
outro lado, como os gnósticos do passado, ele formulou pelo menos os rudimentos de
um sistema de transformação ou individuação, que se baseava não na fé numa fonte
exterior (seja Jesus ou Valentino), mas na experiência interior, natural da alma, que
sempre representou a fonte de toda verdadeira Gnose.
A definição léxica de gnóstico é conhecedor, e não seguidor de alguém que pode ser um
conhecedor. Jung sem dúvida era um conhecedor, se é que já houve algum. Negar que
ele era um gnóstico nesse sentido eqüivaleria à negação de todos os dados reconhecidos
sobre sua vida e seu trabalho. A mais provável indicação do caráter especificamente
gnóstico da linha seguida por Jung, no entanto, não é outra senão o tratado intitulado
Sete Sermões aos Mortos, o qual, segundo admitem proeminentes Junguianos, constitui
a fonte e a origem de seu trabalho posterior. Quem, a não ser um gnóstico, escreveria
ou poderia escrever uma obra como esses sermões? Quem optaria por revestir suas
revelações arquetípicas pessoais, que formam o esqueleto do trabalho de sua vida
usando a terminologia e o estilo mitológico da Gnose alexandrina? Quem preferiria
eleger Basílides, em vez de qualquer outro vulto, como autor dos Sermões? Quem
usaria com versada compreensão e finesse, termos como Pleroma e Abraxas para
simbolizar estados psicológicos altamente abstratos? Há apenas uma resposta para essas
perguntas: somente um gnóstico faria essas coisas. Como Carl Jung realizou tudo isso e
muito mais, podemos portanto considerá-lo gnóstico, tanto no sentido geral de um
verdadeiro conhecedor das mais profundas realidades do ser psíquico como no sentido
mais estrito de moderno restaurador do gnosticismo dos primeiros séculos da era cristã.

UU   LEITURAS E ESTUDOS COMPLEMENTARES

       1.   O Matrimônio Perfeito – Edição de 1950 – Por: Aun Weor
       2.   A Revolução de Belzebu – Edição de 1950 - Por: Aun Weor
       3.   Diário Secreto de um Guru – Edição de 1952 – Por: Aun Weor
       4.   Educação Fundamental [qualquer edição] – Por: Samael Aun Weor




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