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					I SEMANA DE EDUCAÇÃO MUSICAL – A PRÁTICA DE ENSINO DE MÚSICA NAS
ESCOLAS PÚBLICAS NO MUNICÍPIO DE MOSSORÓ/RN: RELATO DE EXPERIÊNCIA


Alexandre Milne-Jones Náder*
José Igor Paulino da Silva**


Introdução

        A formação continuada tem sido considerada uma das principais diretrizes para
manutenção do ensino de qualidade, dos docentes frente às novas políticas públicas.
Propostas do Ministério da Educação (MEC) incididas do Plano de Metas Compromisso
Todos pela Educação1, que busca melhorar a qualidade da educação básica, fomenta a
formação continuada de professores proporcionando uma nova possibilidade de promover
e subsidiar a atualização e atuação desses profissionais nas mais variadas modalidades de
ensino. Essa perspectiva além de dar auxílio pedagógico permite o desenvolvimento de
capacidades que farão parte à prática estudada.
        O trabalho tem como foco apresentar atividades de um projeto de formação
continuada de professores que surgiu a partir da I Semana de Educação Musical promovido
pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte/UERN, realizada no ano de 2011
pelo Curso de Música da mesma instituição e outros órgãos parceiros também da mesma
IES. Propomo-nos a discutir no Evento as perspectivas e atuação do professor de música
no ensino básico, uma vez que a Lei 11.769/2008 versa sobre a obrigatoriedade do ensino
dessa modalidade artística.
        O público beneficiado pelo Evento foram os professores que atuam na rede básica
de ensino das escolas municipais e estaduais da Cidade de Mossoró/RN, onde participaram



*
  Professor da Faculdade de Música da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte e
coordenador geral da I Semana de Educação Musical. Professor orientador.
**
  Graduando em música pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. Voluntário da I
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Semana de Educação Musical.
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 Mais informações em:
http://www.abemeducacaomusical.org.br/Masters/documentos/diretrizes_compromisso.pdf

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de discussões e oficinas a fim de proporcionar o início da capacitação de formação
continuada.


1 Formação continuada

          O ensino da música nas escolas brasileiras vem sofrendo mudanças significativas,
em resultado as modificações na legislação, que perpassam por leis que versam sobre a sua
implementação, até a atual Lei 11.769/2008, que a torna obrigatória em todas as esferas do
ensino básico no país. No entanto, esta lei isenta o professor não-especialista, e o
possibilita a empregar conteúdos musicais, mesmo que, de forma não-específica no ensino
básico.
          Assim, a discussão a cerca da formação do professor (não-especialista) tem tido
significativa representação nos debates e discussões em eventos, onde também, é discutida
a preparação desse profissional, tornando a formação continuada a melhor forma para
promoção da atualização e a ampliação de conhecimentos e estratégias metodológicas para
que esses profissionais possam aplicar seus conteúdos com qualidade. Acerca disso
comenta Alves:

                        A formação do professor não especialista também tem estado
                        bastante presente nas discussões da área sobre o ensino de música
                        na educação básica. Nesse âmbito, a formação continuada tem sido
                        apresentada como a principal estratégia para a preparação desses
                        profissionais e, via de regra, essa formação é ofertada por meio de
                        programas de formação continuada. (ALVES, 2011, p.39)

          Reafirmando este pensamento, essas mudanças sobrevindas em diversos
contextos, seja o social, político ou educacional, têm levantado inquietas discussões
voltadas para o entendimento das práticas ocorridas no campo da educação, em específico
nos sistemas escolares. Essa necessidade de compreender tais questões que se tornam
inerentes a esse tipo de processo tem desencadeado reformas educativas, proporcionando
novas formações educativo-profissionais, ampliando assim, as possibilidades de atuação
(SOUZA, 2003).
          A formação continuada tem sido tratada como uma diferente e importante agente
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formadora, e tem ganhado destaque no que diz respeito às discussões na área da educação
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musical, fomentando questões inerentes a competências, perfis e demais aspectos que


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norteiam e dão base a questões educacionais. Sobre esse assunto Queiroz e Marinho (2007)
comentam que:

                       A formação de professores tem sido um dos grandes focos dos
                       debates atuais das áreas de educação em geral. Questões
                       relacionadas ao complexo universo de qualificação docente, nos
                       diferentes campos de atuação, e as competências que devem
                       compor o perfil dos profissionais de ensino têm gerado
                       significativas reflexões acerca dos rumos e das diretrizes
                       educacionais na atualidade. (QUEIROZ; MARINHO, 2007, p. 2).

        Nesta modalidade de atualização de professores, podemos assim dizer, a formação
contínua, é abrangente não somente aos professores generalistas, como também, aos
professores de Artes que não possuem formação especifica (ALVES, 2011). Assim, se
fazendo pertinente a discussão sobre a atuação desses profissionais.
        Essa possibilidade de formação dar-se em virtude na constante necessidade de
atualização e construção de novos valores, tendo em vista necessidades advindas de novos
caminhos e possibilidades de atuação e também para atender as exigências e
transformações educacionais. Pressupondo que o processo de formação é contínuo, busca-
se alternativas sólidas que traduzam a (re)construção do conhecimento (CANDAU, 2001;
SANTOS, 1998). Partindo dessa discussão, pode-se conceber esse processo de formação
como um sucessivo caminho de construção e transformação profissional. Sobre esse ponto
de vista de formação educacional Queiroz e Marinho (2007) discutem que:

                       É nessa perspectiva que se pensa a formação continuada,
                       entendendo-a como um projeto contínuo, que possibilita aos
                       professores caminhos para que, de forma coletiva e contextualizada
                       com o universo de atuação de cada profissional, possam criar
                       alternativas para (re)discutir, (re)definir e transformar o seu
                       pensamento e, consequentemente, a sua prática docente
                       (QUEIROZ; MARINHO, 2007, p. 3).

        Diante das diversas possibilidades de formação continuada existentes, as
orientações teórico-conceituais, reflexivas, vêm sendo relevantes no processo da formação
continuada desses profissionais. Neste sentido, Bernado (2004) destaca que:
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                       [...] a necessidade de se pensar uma formação continuada que
                       valorize tanto a prática realizada pelos docentes no cotidiano da
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                       escola quanto o Conhecimento que provém das pesquisas

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                       realizadas na universidade, de modo a articular teoria e prática na
                       formação e na construção do conhecimento profissional do
                       professor (BERNADO, 2004, p. 1).

        Neste sentido, o conhecimento do contexto em que serão desenvolvidas as ações
também é relevante para o processo de formação, uma vez que, partindo desse
conhecimento, a atuação não será descontextualizada, gerando assim perspectivas e
possibilidades sólidas na atuação docente (DEL BEN e HENTSCHKE, 2003). Sobre essas
questões Bernado (2004) comenta que:

                       A partir desse princípio, abandona-se o conceito de formação
                       docente como processos de atualização que se dão através da
                       aquisição de informações científicas, didáticas e psicopedagógicas,
                       descontextualizadas da prática educativa do professor, para adotar
                       um conceito de formação que consiste em construir conhecimentos
                       e teorias sobre a prática docente, a partir da reflexão crítica
                       (BERNADO, 2004, p. 2).

        Nesta perspectiva, a contextualização na formação de professores pressupõe a
continuidade e dinamização de todos os aspectos inerentes ao mundo educacional que não
está processada como algo imutável, mas, levando em consideração as dimensões do
trabalho docente e as situações ocorridas na prática pedagógica.

2. I Semana de Educação Musical


        A idealização do Projeto I Semana de Educação Musical se deu a partir da
necessidade de intervir nos processos de formação dos professores da rede básica de ensino
da cidade de Mossoró. Essas discussões iniciaram-se nas reuniões do Grupo de Pesquisa
Perspectivas em Educação Musical2 (GPPEM).
        O Evento foi realizado pelo Departamento de Artes (DART) da Universidade do
Estado do Rio Grande do Norte e com o apoio do Departamento de Cultura e Artes
(DECA) da Pró-Reitoria de Extensão (PROEX/UERN).
        Este, promoveu debates sobre a implementação obrigatória de música nas escolas
(Lei 11.769 de 18 de Agosto de 2008), cursos de formação continuada que visam ampliar o
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leque de recursos didático-pedagógicos do professor de Artes/música, além das
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  Grupo de Pesquisa Perspectivas em Educação Musical (GPPEM) qual fazemos parte como
Secretário e coordenado pelo Prof. Ms. Alexandre Milne-Jones Náder.

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apresentações culturais que promovem o diálogo com esses profissionais, a fim de
estabelecer perspectivas de atuações práticas na escola.
         Neste sentido a Universidade (UERN) busca cumprir seu compromisso de
estender as suas ações a sociedade mossoroense principalmente possibilitando que
professores e outros profissionais que trabalham de forma pedagógica com a música se
atualizem com as metodologias contemporâneas do ensino de música.
         Teve por objetivo promover cursos de formação que possibilitassem a atualização
de professores de Música, arte-educadores, outros profissionais, que mesmo não
pertencendo à área, ou seja, que trabalham de forma não-especialista e que desenvolvem
atividades musicais, a partir de conteúdos e estratégias metodológicas fundamentais da
área, tendo como base o perfil dos profissionais, a realidade das escolas em que atuam e os
objetivos e perspectivas do ensino de música na atualidade.
         Outras questões se tornaram importantes para a realização do Evento como a
promoção de ferramentas que gerem reflexões em torno das questões que dão base ao
ensino de música nas escolas de educação básica, favorecer o entendimento amplo das
questões fundamentais que norteiam o campo da educação musical, mais especificamente
no que se refere ao ensino de música nas escolas de educação básica, desenvolvendo
conteúdos específicos da área de música, possibilitando, ao professor, uma clara
compreensão dos elementos essenciais para o desenvolvimento sociocultural, cognitivo,
educativo e artístico dos alunos e como foco principal, oferecer a assessoria aos
professores que participaram das oficinas, no desenvolvimento de atividades pedagógico
musicais através de 3 encontros programados para ocorrer a partir do próximo ano.
         As oficinas ofertadas durante a I Semana de Educação Musical tinham como foco
possibilitar o professor desenvolver atividades musicais em contextos escolares, que são
elas: A fala como recurso didático nas aulas de música, Recursos da Etnomusicologia para
o ensino de música na educação básica, Ensino de música na educação infantil: reflexões e
práticas e Música no ensino médio.
         Durante o período de realização do Evento, cerca de 129 participantes de escolas
públicas e privadas, alunos de graduação de Música e pedagogia e arte-educadores de
projetos como o Mais Educação estiveram participando da formação inicial, onde era
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proposto discutir práticas educativo-musicais no contexto escolar da rede básica de ensino.
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        Como fora proposto, a realização de 3 encontros para o ano de 2011 será realizado
com conteúdos iniciais que poderão ser desenvolvidos nas aulas de música na escola,
como, por exemplo, parâmetros do som, rítmica, gerando possibilidades práticas para os
professores e alunos.
        Na perspectiva de realização desses encontros programados, podemos destacar
que os alunos da graduação em música sob a orientação de um professor, ministrarão as
oficinas para os participantes do Evento.


Conclusão

        Diante das possibilidades de atuação do professor, a formação continuada tem
sido relevante no processo de formação, auxiliando e dando base para a prática docente.
        A I Semana de Educação Musical, visando legitimar a efetivação da música na
escola, propiciará formação continuada para os professores da rede básica de ensino da
cidade de Mossoró.
        Com a Lei 11.769/2008, o ensino de música se torna obrigatório, e faz com o
professor que já atua em sala de aula tenha condições, a partir da formação continuada, de
realizar atividades que traduzam formas de conhecimento artístico e possibilite o despertar
de novos talentos para a área da música.


Referências


ALVES, Elder Pereira. A Música nas Escolas de Mossoró-RN: Um Estudo Junto à Rede
Municipal de Ensino. 2011. 130 f. Dissertação (Mestrado) – Programa de Pós-Graduação
em Música,UFPB, João Pessoa, 2011.

BERNADO, Elisangela da Silva. Um olhar sobre a formação continuada de professores
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http://www.anped.org.br/reunioes/27/gt08/t083.pdf>. Acesso em: 07/11/11.

BRASIL. Ministério da Educação. Compromisso todos pela educação. Disponível em:
<http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/diretrizes_compromisso.pdf>. Acesso em: 10 set
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CANDAU, Vera Maria. Magistério: construção cotidiana. 4a ed. Rio de Janeiro: Vozes.
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2011.
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DEL BEN, Luciana; HENTSCHKE, Liane (orgs). Ensino de música: propostas para pensar
e agir em sala de aula. São Paulo: Moderna, 2003.
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SANTOS, L. L. C. P. Dimensões pedagógicas e políticas da formação contínua. In:
VEIGA (org.) Caminhos da profissionalização do magistério. Campinas: Papirus. 1998.

SOUZA, Cássia Virgínia Coelho de. Atuação profissional do educador musical: a
formação em questão. Revista da ABEM, Porto Alegre, n. 8, p. 107-109, 2003.




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