AC ABANAGEM 2o ANO by EqGveB

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									A CABANAGEM
• I- Local : Província do Grão-Pará;

• II – Período : 1835-1840

• III – Personagens: - Variedade social
• a) Lideranças intelectuais :
• Cônego João Batista Gonçalves Campos ( padre
  Benze-Cacetes –em seus sermões costumava benzer
  os cacetes dos pobres,única arma que tinham).
  Líder intelectual da resistência à dominação e à
  exploração dos portugueses.
• Felipe Patroni – em seu jornal “O Paraense”
  disseminou as primeiras idéias liberais, idéias de
  constitucionalização, de liberdade e de autonomia
  diante do domínio colonial português.
• Vicente Ferreira Lavor Papagaio – jornalista
  e panfletário passava a fazer propaganda
  contrária a Lobo de Souza (governador da
  província) e contra as interferências do
  governo central da regência nos negócios
  políticos da província paraense, chegando
  mesmo a defender o sistema republicano.
• Os irmãos Aranha – João Miguel Aranha foi
  um dos principais articuladores do
  movimento revolucionário, juntamente com
  seu irmão, primeiro-tenente Germano
  Máximo de Sousa Aranha.
• b) Lideranças cabanas:
• Domingos Onça, Felipe Mãe da Chuva, João do
  Mato, Sapateiro, Remeiro, Gigante do Fumo,
  Piroca Cana, Chico Viado, Pepira, Zefa de Cima,
  Zefa de Baixo, Maria da Bunda, negro Patriota,
  etc. São índios, mulatos, negros, todos
  analfabetos.

• c) Lideranças legalistas:
• Bernardo Lobo de Souza (o “Malhado”) –
  governador da província na época do ataque a
  Belém.
• Coronel José Joaquim da Silva Santiago –
  Comandante de Armas.
• Marechal Manuel Jorge Rodrigues – presidente da
  província paraense após a morte de Lobo de Souza,
  encarregado de acabar com o movimento cabano.
• Brigadeiro Francisco José de Souza Soares de
  Andréa - novo presidente nomeado pela Regência
  para iniciar o processo de “pacificação” da
  Província paraense.

• d) Governos cabanos:
• -Félix Antônio Clemente Malcher – 1º presidente
  cabano da Província (após a derrubada de Lobo de
  Souza).
• Francisco Vinagre – 2º presidente cabano .
• Eduardo Angelim – 3º presidente cabano.
                Que é Cabanagem?

• Cabanagem foi a revolta do povo paraense
  desencadeada na madrugada de 7 de janeiro de
  1835 em Belém visando à derrubada do governo
  autoritário e impopular do então presidente da
  província, Bernardo Lobo de Sousa. Considerada a
  mais importante revolução da época do Império, foi
  a única em que as camadas populares conseguiram
  assumir o poder e mantê-lo estável por algum
  tempo. Oficialmente durou até 1840, ano do
  decreto imperial que concedia anistia aos envolvidos
  em crimes políticos em todo o país.
      Que pretendiam os revolucionários?

• a) a implantação de um regime democrático, no
  qual o cidadão paraense tivesse seus direitos
  respeitados e plena liberdade de opinar sobre o
  destino de sua terra;
• b) a expulsão dos portugueses do poder político,
  econômico e militar do Pará;
• c) liberdade e cidadania para os
  escravos(considerados “sub-homens”), e reformas
  sociais que garantissem “justiça e equidade” para
  todos;
• d)chamar a atenção do governo central do Rio de
  Janeiro para o abandono e desprezo dispensado a
  esta distante província, sob permanente sujeição às
  ordens de Lisboa.
     De onde provém o nome Cabanagem?


• Provém de cabana, nome que ainda hoje se dá a
  certo tipo de habitação tosca de folhas de
  palmeira, moradia de muita gente pobre do interior
  paraense. Grande parte dos revolucionários
  formada de caboclos agricultores, posseiros e
  pescadores, e de tapuios e escravos, morava em
  cabanas, também chamadas palhoças. Por esta
  razão, a Cabanagem é conhecida como a revolução
  dos cabanos, ou seja, dos homens das cabanas.
• Os participantes não se tratavam como cabanos e
  sim como patriotas.
   Quais as possíveis causas da cabanagem?

• Muitos historiadores encontram a raiz da revolução nas
  desavenças entre portugueses e brasileiros, transformadas
  em ódio com o passar dos anos pela ação radical de grupos
  partidários que disputavam o poder político da província do
  Pará. Esse clima de permanente confronto gerava de um lado
  os excessos das autoridades constituídas (em geral,
  lusitanos), e de outro lado um constante estado de
  insatisfação e desordem que se alastrava pelos setores da
  sociedade, na capital e em toda a província. Mas, no fundo,
  os motivos da Cabanagem foram os mesmos que originaram
  tantas outras revoluções: miséria, fome, discriminação,
  injustiça, latifúndio e escravidão.
     Quais eram os mais atuantes partidos
                  políticos?
• Eram os partidos Caramuru e Filantrópico. O partido
  Caramuru abrigava os portugueses civis e militares, e alguns
  brasileiros.Esse grupo defendia a recolonização do país, daí
  serem chamados seus membros de renóis. Faziam parte da
  gerência da província e lutavam por continuar desfrutando
  das benesses do governo, até mesmo depois de o Pará já ter
  aderido à emancipação política do Brasil (1823).Filantrópico
  era o partido da oposição, e sua maior expressão, o cônego
  Batista Campos. De caráter nativista, o partido empenhava-
  se ao extremo por reivindicar liberdade e justiça para o
  cidadão paraense, mantendo-se, em razão disso, em
  sistemática e ferrenha disputa com os Caramurus pelo domínio
  político do Pará.
    Que outras causas precipitaram a Cabanagem?


• Pode-se afirmar que os constantes desentendimentos entre
  clérigos e maçons foram uma dessas causas. Conflitos que
  chegaram ao ápice quando, ao ser proposto para membro de
  uma loja maçônica, o cônego Batista Campos teve seu nome
  vetado pelo presidente da Província, José machado de
  Oliveira – antecessor de Lobo de Sousa, que era importante
  membro maçom da corte. O Cônego, que há tempo vinha
  indispondo-se politicamente com Machado de Oliveira,
  aproveitou o ensejo para promover violenta campanha de
  desmoralização do governo através do jornal Publicador
  Amazoniense,do qual era o principal redator. Mais tarde, na
  gestão de Bernardo Lobo de Sousa, Igreja e Maçonaria
  voltariam a se enfrentar, desta vez com aguda repercussão
  na política partidária e na convivência dos religiosos com o
  governo.
          E o caso do brigue Palhaço?

• Cita-se também como causa remota da cabanagem
  a “tragédia do brigue Palhaço”, como é conhecido o
  lutuosos episódio no qual morreram asfixiados, sob
  banho de cal 255 pessoas (civis e militares), nos
  porões fechados daquele navio. Esse dia – 22 de
  outubro de 1823 – ficou marcado com sangue na
  consciência do povo paraense como “o mais
  horroroso” de sua história, fato a reclamar,
  portanto, uma desforra severa e contundente que
  atingisse fundo as autoridades estrangeiras há
  tempos encasteladas no governo do Pará.
  Quais os principais fatos que marcaram a
   queda do governo de Lobo de Sousa?

• A invasão do palácio do governo pela malta
  rebelde, culminando com o assassinato do
  comandante das armas, Joaquim José da Silva
  Santiago, e do chefe da Estação Naval, capitão-
  de-fragata Guilherme James Inglis. Dominada a
  guarda do palácio, os revoltosos começaram a
  busca do presidente. Na madrugada de 7 de
  janeiro, descobriram Lobo de Sousa que na
  escadaria do palácio procurava passar despercebido
  em meio à turba enfurecida. Reconhecido e preso,
  foi em seguida morto por um tiro de mosquete.
 Quais os acontecimentos que se seguiram à
             queda do governo?


• O povo nas ruas em delírio e descontrolado
  promovia depredações em prédios públicos, lojas
  maçônicas e em residências de autoridades,
  procurando em cada esquina motivos para dar vazão
  a sentimentos de liberdade tantos anos reprimidos.
  Numa euforia incontrolável, todos comemoravam a
  queda do absolutismo no Pará.
• Félix Antônio Clemente Malcher foi aclamado como
  presidente da Província, enquanto Francisco Vinagre
  assumia o posto de comandante de Armas. Assim
  se dava início ao primeiro governo cabano.
 Quais os atos de Malcher no início de seu
                 governo?

• Malcher procurou restabelecer a ordem social,
  contendo os setores mais radicais do Movimento
  Cabano, procurando frear os mesmos seja através
  da deportação de uns e outros para fora da
  província, como fizera com o republicano exaltado
  Lavor Papagaio.
• Malcher enviou documento ao governo central da
  Regência dando conta das mudanças advindas na
  Província, bem como prestando fidelidade ao
  governo monárquico brasileiro, afastando qualquer
  hipótese de defesa da sua parte de idéias
  republicanas ou separatistas.
• Governou apenas 42 dias.
   Quais foram as causas das desavenças entre o
  presidente Malcher e seu comandante das Armas,
                 Francisco Vinagre?

• Malcher em suas políticas de repressão contra
  setores radicais e populares da Cabanagem que
  apregoavam a necessidade de mudanças nas
  estruturas sociais, acabara incompatibilizando-se
  com os mesmos, ao mesmo tempo que atritava com
  seu comandante de Armas Francisco Vinagre,em
  virtude das disputas políticas havida entre ambos
  pelo efetivo controle das rédeas do poder
  provincial, formando-se dentro do próprio governo
  cabano de Malcher uma oposição interna contra o
  mesmo chefiada pelos irmãos Vinagre.
      Quem foi o 2º presidente cabano?


• Após a morte de Malcher, assume a presidência da
  Província, Francisco Vinagre ,em fevereiro de
  1835.
• Ele que procurou proceder o desarmamento dos
  cabanos e restabelecer a ordem, impedindo a
  radicalização do movimento.
  Quais as medidas tomadas pelo governo regencial?


• O governo regencial nomeara o marechal Manuel Jorge
  Rodrigues como presidente da província paraense,
  encarregando-o de tomar posse da mesma, com a missão de
  acabar com o Movimento Cabano. Em 19 de junho de 1835,
  Manuel Jorge chega nas proximidades de Belém, fundeando
  na baía de Santo Antônio. Após a sua chegada, Francisco
  Vinagre aceita entregar a presidência da província ao mesmo,
  reconhecendo-o como legítimo representante do governo
  regencial.Diversos grupos de cabanos abandonaram Belém,
  alguns não aceitando largar as armas enquanto fossem
  anistiados, enquanto outros grupos decidiam persistir na luta
  pelas mudanças ainda não realizadas.Nesse sentido, os
  cabanos tomaram o rumo da vila de Vigia, atacando-a por
  duas vezes ( a cabanagem na cabanagem)
 Como reagiu o presidente Jorge Rodrigues à
 notícia das atrocidades praticadas na Vigia?

• Jorge Rodrigues reagindo ao ataque contra a vila
  de Vigia, mandara prender Francisco Vinagre,
  enquanto os cabanos reorganizavam-se sob a
  liderança de Eduardo Angelim e Antônio Vinagre
  para reconquistarem Belém das tropas legalistas.
  Assim sendo, desembarcaram no Engenho do
  Murucutu, nas proximidades de Belém. Em 23 de
  agosto de 1835, as forças legalistas reconheceram
  que não tinham recursos suficientes para enfrentar
  a rebelião, retiram-se para a ilha de Tatuoca,
  próxima a Belém. Eduardo Angelim assume a
  presidência da Província.
   Que motivos geravam insatisfação em setores de
    radicais cabanos contra o presidente Angelim?

• O rigor com que Angelim tratava aqueles que pelo crime
  pretendiam desafiar o governo revolucionário, fossem livres
  ou escravos (não cogitava Angelim de emancipar todos os
  escravos, mas apenas aqueles que voluntariamente tinham
  prestado serviços à revolução). Para o interior, onde os
  cabanos se excediam em desordens, Angelim enviava
  “comissões” para anular atos de extremistas contra o
  comando revolucionário e castigar insubordinados. Havia de
  outro modo “a questão não resolvida” de nomeações exigidas
  como compensação pelos leais serviços prestados à revolução
  e para piorar a situação de caos, havia crise de
  abastecimento na cidade,a propagação da varíola, tornando
  mais difícil a manutenção do domínio cabano sobre Belém,
  obrigando os mesmos a abandonar a cidade em 13 de maio de
  1836, que fora ocupada imediatamente pelo brigadeiro
  Francisco José de Souza Soares Andrea, novo presidente
  nomeado pela Regência.
         Algumas historiografias da Cabanagem


• Em torno dos significados do movimento cabano
  surgiram diversas interpretações:
• 1-Os cabanos enquanto bandidos, selvagens,
  sediciosos e assassinos.Esta interpretação do
  movimento surgiu ainda no século XIX e foi produzida
  por Domingos Antônio Rayol, em sua obra “Motins
  políticos”.
• Para Rayol a ação violenta dos cabanos, inclusive com
  a morte do governador Lobo de Souza, foi uma ação
  violenta que desafiava a ordem na província, daí
  representar na sua obra os integrantes do movimento
  como bandidos e anárquicos.
2- Pasquale di Paolo, na sua obra “Cabanagem, a
  revolução popular na Amazônia” lança um outro
  olhar sobre a cabanagem.
- Para o sociólogo a Cabanagem foi fruto de uma
  grande luta de classes na Amazônia que uniu
  índios, caboclos e negros na luta pela liberdade e
  cidadania contra as classes dominantes
  (fazendeiros, comerciantes, portugueses) da
  Amazônia e do Grão Pará.
3- Nas décadas mais recentes, os historiadores
  romperam com a idéia da Cabanagem enquanto um
  movimento de bandidos e selvagens ou ainda como
  uma luta de classes. A idéia central é tratar o
  movimento nas suas diversidades internas :
• Diversidade de projetos e de grupos sociais que se constituíram
  no corpo do movimento:
• Os cabanos mais pobres (índios, escravos e caboclos)- viam na
  Cabanagem a oportunidade de conseguir a liberdade de conseguir
  a liberdade relacionando-a com a obtenção de terras para o
  plantio e moradia. Os escravos identificavam na Cabanagem a
  possibilidade de obter a liberdade.
• Setores médios urbanos (intelectuais, jornalistas, advogados,
  setores do clero)- identificavam a luta cabana com o significado
  da liberdade política e de expressão.
• Setores da elite paraense (fazendeiros e comerciantes, ou seja,
  cabanos ricos) –vinculavam a Cabanagem à luta contra a elite
  lusitana que governava o Grão Pará. Almejavam o controle
  político da província.
• Diversidade étnica e cultural: as cabanagens reuniram em seu
  interior uma diversidade étnica e cultural, abrigando desde a
  maioria de negros, índios e mulatos, até os brancos, no outro
  extremo.
        Os corpos de trabalhadores

• Foi criado pelo governador Soares de Andréa, no
  ano de 1838.

• “Era, constituídos de índios, mestiços e pretos que
  não forem escravos e não tiverem propriedades”.

• Os recrutados seriam destinados aos serviços da
  lavoura, do comércio e obras públicas. A mão de
  obra era recrutada de forma compulsória através
  do alistamento de homens na idade de 14 a 50
  anos.
• Principais objetivos dos corpos de trabalhadores:
a) Ajudar a sufocar a rebelião dos cabanos, impedindo que os
   trabalhadores fora do mercado engrossassem as fileiras dos
   cabanos;
b) Reorganizar o trabalho em favor dos fazendeiros e
   comerciantes, pois este estava bastante afetado com a luta
   cabana (muitos quilombos surgiram durante o movimento
   cabano);
c) Uma política de controle social implantada pelo governo
   imperial durante a Cabanagem para estabelecer um mercado
   de trabalho com base no recrutamento forçado de homens
   livres e pobres;
d) Manter o controle sobre a mão de obra, para evitar a
   “vadiagem”, pois o ordenamento do trabalho “útil” era visto
   como passaporte para atingirmos o progresso.
           Memórias do movimento

-   Dois exemplos básicos de apropriação da memória
    do movimento, com fins políticos:
a) Em 1984 o então governador Jader barbalho
    resolveu inaugurar o Monumento Cabano na
    entrada de Belém, no Entroncamento.
b) Entre 1996 e 2004, quando foi prefeito de Belém,
    Edmilson Rodrigues buscou identificar seu governo
    com o movimento, criando diversos slogans :
    “cidade cabana”, “prefeito cabano”, que o
    belenense era “povo cabano” etc.

								
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