Toxoplasma 2008 by gG7VFzC

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									BMP-0222- Introdução à Parasitologia Veterinária




                   Toxoplasma

            Alda Maria Backx Noronha Madeira



                Departamento de Parasitologia
                         ICB/USP                   Alda Backx_2008
Filo Apicomplexa
 Classe Aconoidasida
        Ordem Haemosporida (haemosporidias)
                     Gênero Haemoproteus
                     Gênero Hepatocystis
                     Gênero Leucocytozoon
                     Gênero Plasmodium

        Ordem Piroplasmida (Piroplasmidas)
                 Gênero Babesiidae
                 Gênero Theileriidae
 Classe Coccidia
        Ordem Agamococcidiorida
                 Família Rhytidocystidae
        OrdemEucoccidiorida
Classe Coccidia


Ordem Eucoccidiorida
      Subordem Eimeriorina
              Família Aggregatidae
                      Cryptosporidiidae - Cryptosporidium
                      Eimeriidae
                      Lankesterellidae
                      Sarcocystidae - Toxoplasma, Sarcocystis, Neospora
Família Sarcocystidae

1. Estágio assexuado no hospedeiro intermediário e
   estágio sexuado no hospedeiro definitivo
2. A fase tissular dos parasitas geralmente ocorre no
   hospedeiro intermediário
Oocistos




           Neospora
Introdução
1. Causa toxoplasmose  doença parasitária cosmopolita mais comum que
   acomete o homem e vários animais, sendo considerada uma zoonose.
2. Acomete carnívoros, herbívoros, insetívoros, roedores, porco, primatas e
   outros mamíferos e aves.
3. É comum em animais de produção  ovinos, suínos e coelhos.
4. Bovinos, equinos e búfalos  menor prevalência.
5. Causada     pelo Toxoplasma gondii, única espécie descrita.
   Aproximadamente 200 espécies de mamíferos e aves se infectam por
   este parasita.
Importância
1. Doença de alta prevalência sorológica, mas de baixa incidência
   sintomatológica.
2. Homem  aproximadamente 50% da população adulta já teve contato
   com o agente, mas somente 1% apresenta sintomas da doença.
3. Infecção oportunista que se manifesta com gravidade em pacientes
   imunodeprimidos.
4. Cerca de 30% de humanos com AIDS desenvolvem toxoplasmose se
   infectados pelo parasita.
5. Mortalidade neonatal em animais domésticos  prejuízos econômicos.
Histórico
1.   Descrita primeiramente na França em 1908 por Nicolle &
     Manceaux, o toxoplasma foi isolado de um roedor africano da
     espécie Ctenodactylus gondi
2.   Na mesma época, em São Paulo, Splendore isolou o mesmo
     agente de coelhos.
3.   O ciclo do parasita só foi totalmente estabelecido em 1970 por
     Dubey e colaboradores.



Ctenodactylus gondi




                                                    Ctenodactylus gondi
 Histórico
1.   Primeiro caso em humanos foi descrito em 1937.
2.   Sabia-se que a doença poderia ser transmitida por carne crua ou mal
     passada, mas como explicar a alta incidência em animais herbívoros?
3.   Em 1969 foi demonstrado que felinos podem eliminar oocistos pelas
     fezes.
4.   Os felídeos são os hospedeiros definitivos (alberga o parasita adulto,
     reprodução sexuada) (HD) e os demais hospedeiros como mamíferos
     e aves são hospedeiros intermediários (HI).
   Etiologia
Toxoplasma gondii (toxon = arc; plasma = forma, Grego)
 Ciclo Biológico
1. O ciclo de vida do parasita é heteroxeno facultativo (hetero = outros,
   xenos = estrangeiro) e eurixeno (eurys = largo, amplo xenos =
   estrangeiro).
2. O ciclo de vida inclui:
    1. Reprodução assexuada, gato e em outros hospedeiros.
    2. Reprodução sexuada, gametogonia, ciclo enteroepitelial, no gato
       doméstico e outros felinos.
3. Hospedeiros:
    1. Definitivo (HD): felídeos (gato doméstico é o mais importante):
       reprodução assexuada e sexuada.
    2. Intermediário (HI): aves e mamíferos (incluindo-se os felídeos):
       reprodução assexuada.
Infecção do HI (herbívoro e mamíferos omnívoros)  ingestão do oocisto
esporulado.




                                                Uma vez no
                                                hospedeiro o que o
                                                parasita faz?
                                             1. O parasita invade o epitélio
                                                intestinal e vários tipos
                                                celulares,    particularmente
                                                células mononucleares.
                                             2. Multiplicação por reprodução
                                                assexuada, formação de
                                                taquizoítos     (tachus    =
                                                rápido).
                                             3. Disseminação       por    via
                                                sanguínea ou linfática.
                                             4. Os taquizoítos invadem o
                                                tecido muscular, nervoso
                                                (cérebro) e vísceras
                                             5. Fase aguda da doença.



Taquizoítos: formato de um arco e medem 6,0 x 2,0 μm
    Reprodução assexuada –
Uma vez dentro da célula se multiplicam por fissão binária, endodiogenia.
Reprodução assexuada
taquizoítos
   Taquizoítos livres 
   podem atravessar a
   placenta e infectar o
   feto.

Transmissão vertical:

1. Ocorre somente nas
   fases    iniciais   da
   infecção       primária
   quando      não     há
   resposta imune.
2. Só ocorre em fêmeas
   que     adquirem      o
   parasita durante a
   gestação.
Uma vez nos tecidos e coincidindo com início da resposta do sistema
imune  bradizoítos (bradys = lento), reprodução por endodiogenia de
forma lenta.
                                       1. Há formação dos cistos em
                                          vários tecidos principalmente
                                          muscular,             nervoso,
                                          particularmente cérebro. Fase
                                          crônica da doença
                                       2. Cistos podem permanecer
                                          viáveis por muitos anos,
                                          protegidos      da    resposta
                                          imunológica. A resposta imune
                                          não é capaz de eliminar os
                                          cistos.
                                       3. Em imunodeprimidos o cisto
                                          pode se romper, os bradizoítos
                                          readquirem as características
                                          invasivas dos taquizoítos 
                                          pode ocorrer disseminação
                                          fatal do parasita.
Bradizoítos

1. Menores que os taquizoítos, medem 7,0 x 1,5 μm.
2. Multiplicam-se mais lentamente.
3. Menos susceptíveis à destruição por enzimas proteolíticas, pepsina e
   tripsina (qual a importância disto???)


                      Bradizoítos em cérebro
Cistos
1. Forma de resistência no organismo, geralmente é redondo, medindo
   entre 20 e 200 μm, contém centenas de bradizoítos.
2. Embora possa se observar cistos nos órgãos viscerais como pulmões,
   rins, fígado, estes são mais prevalentes no tecido muscular
   (musculatura esquelética e cardíaca), neural (cérebro) e globo ocular.
3. Imunidade natural controla a infecção, entretanto as células do
   sistema imune não agem sobre os cistos  infecção latente.
4. Cistos sobrevivem mais no SNC devido imunidade ser menos ativa
   nesses órgãos.
5. Queda de imunidade  os bradizoítos são liberados dos cistos, tornam-
   se taquizoítos e reiniciam a multiplicação
Cistos




         Cistos em SNC
                                                  Infecção secundária
                                                  de        hospedeiros
                                                  carnívoros         
                                                  ingestão de tecidos
                                                  contendo os cistos
                                                  (ingestão de carne
                                                  crua ou mal passada)




                                 Gatos se infectam após ingerirem
Reprodução assexuada e
                                 carne contendo cistos (ex. roedores)
sexuada no epitélio intestinal
do gato
                                                   Bradizoíto

                                                                    Taquizoítos
                                ciclo entero-epitelial

                                                                    Bradizoíto
                                 epitélio do intestino delgado
                                                                       (Cisto)
                                     Merozoítos         esquizogonia

esquizogonia: o núcleo
do parasita se divide       Esquizonte numerosas gerações assexuadas
várias vezes formando o
esquizonte. Cada núcleo
adquire       citoplasma,                                 gametogonia
formando os merozoítos
que estão dentro do
esquizonte                         Gametas              Gametas
                                   feminino             masculino



                                     fezes
          Oocisto não esporulado               zigoto
Oocisto não
esporulado        Esporogonia
                  ocorre no
                  meio
                  ambiente




     1 a 5 dias



              Oocisto
              esporulado



                                Oocisto contém 2 esporocistos
                                com 4 esporozoítos cada
Oocistos
1. Forma infectante produzida somente no intestino dos felinos e
   eliminados nas fezes do gato.

2. Em condições ambientais adequadas: temperatura e umidade 
   esporulação do oocisto  dois esporocistos contendo 4
   esporozoítos cada.

3. Esporozoítos são semelhantes aos taquizoítos, apresentam um
   número maior de micronemas e roptrias.

4. Oocistos esporulados podem sobreviver por longos períodos de
   tempos em condições moderadas de temperatura e umidade (ex.
   Solo úmido).

5. Oocistos no solo podem ser mecanicamente transmitidos por
   moscas, besouros, etc e também podem sobreviver por longo
   períodos de tempo sobre frutas e vegetais.
  Ciclo
Biológico
Sinais Clínicos
1. A severidade da doença clínica é dependente do grau e localização do
   tecido acometido, a necrose tecidual é proporcional à multiplicação do
   parasita.

2. O quadro clínico está relacionado com o órgão acometido.

3. Com exceção das infecções disseminadas agudas, que podem ser
   fatais, o hospedeiro geralmente se recupera da doença,
   aproximadamente, na terceira semana após a infecção, quando os
   taquizoítos começam a desaparecer dos tecidos.

4. Doenças concomitantes ou imunossupressão podem agravar o quadro
Sinais Clínicos
  Geralmente são inespecíficos. Os mais frequentes estão associados
  ao sistema respiratório e digestivo, acompanhados de febre,
  anorexia, prostação e secreção ocular bilateral.
  Lesões oculares por toxoplasmose em gatos são comuns.


Animais
          Abortos – ovinos, caprinos, suínos
          Cão, gato – pneumonia, hepatite e encefalite
          Cães – associação com o vírus da cinomose
Sinais Clínicos
Humanos – 1% apresentam sintomas clínicos, que podem persistir por
  semanas ou meses e, em alguns casos por anos. Pode ocorrer
  cefaléia, febre, hemi-paresia, dor muscular e nas articulações,
  convulsões, coma, morte


A patogenia mais importante ocorre no feto humano
       33% retardo mental severo
       53% problemas de visão
       23% retardo mental
       20% estrabismo
       10% problemas de audição
Lesões
1. Taquizoítos  podem causar áreas de necrose no miocárdio, pulmões,
   fígado e cérebro.
2. Fase crônica da doença  produção de bradizoítos, geralmente é
   assintomática
3. Primo-infecção em animais prenhes  recém-nascido: graves lesões
   congênitas no SNC e outros tecidos (retinocoroidite).
4. Gato  enterite, linfoadenomegalia (linfonodos mesentéricos),
   pneumonia, distúrbios degenerativos do SNC e encefalite.
5. Cães  pneumonia, linfoadenomegalia e manifestações neurológicas,
   febre, anorexia, prostração e diarréia.
6. Ruminantes  a infecção assume maior importância em ovelhas, que
   podem abortar.
Lesão na mácula ocular
Diagnóstico Laboratorial
1. Pesquisa do agente
   1. Exames anatomopatológicos, biópsias, encontro de cistos teciduais
       pesquisa direta nos tecidos: exame histopatológico, imuno-
      histoquímica.
   2. Exames coproparasitológicos: felídeos. Encontro de oocistos nas
      fezes de gatos  técnicas de concentração de oocistos por flutuação
      Willis e centrífugo-flutuação em sacarose.
   3. PCR- reação em cadeia da polimerase.
   4. Bioensaio em camundongos: demonstração dos organismos em
      tecidos de camundongos inoculados com material suspeito (vias
      intraperitoneal e intracerebral).
Diagnóstico
6. Testes sorológicos
    1. Importante distinguir infecção latente (IgG) de recente (IgM)
    2. Recomenda-se coletar mais de um amostra de soro com
       intervalo de 2 a 3 semanas.
    3. Teste do corante de Sabin-Feldman (1948) teste padrão
       preconizado pela Organização Mundial da Saúde (1969) por
       ser bastante sensível e específico.
    4. Fixação de complemento: apresenta maior sensibilidade na
       fase aguda da doença.
    5. Imunofluorescência indireta.
    6. ELISA (Enzyme-linked immunosorbent assay): detecta IgM ou
       IgG.
Diagnóstico




1. Um único exame positivo oferece pouca informação
2. Imunossupressão – demora na resposta imunológica – exames
   complementares: biópsia.
Tratamento e Prevenção
1. Sulfonamidas e pirimetamina – humanos, visa atuar contra as formas
   proliferativas, mas não contra os cistos.
2. Clindamicina  reduz a eliminação de oocistos pelos gatos.
3. Não há nenhuma droga que mate os cistos.
4. Vacina comercial na Europa e Nova Zelândia para uso em ovinos -
   vacina viva.
 Controle
1. Carne deve ser bem cozida – 66 0C
2. Lavar bem os alimentos, mãos
3. Não oferecer carne crua aos gatos
4. Limpeza das caixas de areia dos gatos – diariamente
5. Fezes de gatos devem ser eliminadas no vaso sanitário
6. Uso de luvas em trabalhos de jardinagem

								
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