SINAXE DA IGREJA ORTHODOXA

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SINAXE DA IGREJA ORTHODOXA Powered By Docstoc
					          05 DE OUTUBRO


        II Domingo de Lucas
(XVI Domingo Depois de Pentecostes)


                         Este é o tempo
                      propício, este é o dia
                         da salvação. A
     EPÍSTOLA:           ninguém demos
     II Cor 6, 1-10       motivos para
                      escândalos para que
                      nosso ministério não
                          seja criticado.
                      Amai vossos inimigos,
                      fazei bem àqueles que
    EVANGELHO:          vos desejam o mal.
   Lc 6, 31-36         Sede misericordiosos
                         como vosso Pai é
                          misericordioso.
          Apolitíkion da Ressurreição:
                      (Tom 8)

     Desceste das alturas, ó Misericordioso,
      E suportaste o Sepulcro por três dias
        Para nos libertar dos sofrimentos.
  Senhor, nossa Vida e Ressurreição, glória a Ti.

                   Prokímenon:

      Aclamai a glória do Nome do Senhor
  adorai o Senhor no seu átrio sagrado. (Sl 29, 2)

          O Senhor fortifica o seu povo
 o Senhor abençoa seu povo com a paz. (Sl 29,11)

                      Aleluia:

              É bom exaltar o Senhor,
e cantar louvores ao teu Nome, ó Altíssimo (Sl 92,1)

          Proclamar pela manhã o teu amor
   e a tua fidelidade pela noite a dentro (Sl 92,2)

     Subsídios Homiléticos:
                      Pe. Paulo Augusto Tamanini
O Evangelho que Marcos nos apresenta hoje é uma continuação do
Sermão da Montanha e nos convida a sermos magnânimos e a ter um
coração grande, como o de Cristo. Manda-nos bendizer aqueles que nos
amaldiçoam, orar pelos que nos injuriam, praticar o bem sem esperar
nada em troca, ser compassivos como Deus é compassivo, perdoar a
todos, ser generosos sem cálculos ou tramas.

A virtude da magnanimidade, muito relacionada com a da fortaleza,
consiste na disposição de acometer coisas grandes em nome da
generosidade e do desprendimento. Quem se dispõe a viver assim traça o
caminho da santidade.

O magnânimo propõe-se a ideais altos e não recua ante os obstáculos, às
críticas ou aos desprezos. Não se deixa intimidar pelas murmurações ou
pelo respeito humano.
Segue porque sua natureza o faz persistente em direção à perfeição. O
magnânimo sente uma força que o faz sair de si mesmo em beneficio do
próximo. Em sua pessoa não paira a mesquinhez e para ele não basta dar e
oferecer; ele se dá e ele se oferece. É uma entrega pessoal às causas
nobres. Jesus Cristo entregou-se a si mesmo, sofreu a morte de Cruz, por
amor aos homens. Ele se oferece e é oferecido pelo Pai por amor.

A grandeza de alma demonstra-se também pela disposição em perdoar o
que quer que seja. Não é próprio do cristão guardar rancores em seu
coração, agravos, recordações que nos fazem sofrer; o que nos deveria ser
próprio é a disposição permanente ao perdão.

Assim como Deus está sempre pronto a perdoar a todos e a tudo, a nossa
capacidade de perdoar não deve também ter limites, nem pelo número de
vezes, nem pelo grau da ofensa.

O Senhor nos deu o exemplo. Perdoou na Cruz àqueles que lhe faziam
padecer tanto.
Os pedidos que o Senhor nos faz através do Evangelho de hoje são
possíveis de serem observados na medida de nossa magnanimidade. O
Senhor não nos sobrecarregaria com fardos pesados se não nos tivesse
provido antes das condições para carrega-los.

Para isso, no entanto, é necessário cultivarmos um íntimo relacionamento
com Jesus pela oração freqüente. Desta maneira amaremos também
aqueles que não nos amam, faremos o bem aqueles que nos fazem o mal,
emprestaremos (quiçá, daremos) sem esperar a devolução.
Amar os nossos inimigos nos faz próximos da Cruz e da comunhão com o
Crucificado. Esta intimidade com o Senhor que sofreu, mas se fez
vencedor, abre os olhos de nosso coração para que reconheçamos que em
nosso “inimigo” está na verdade um irmão que também é amado por
Deus. Nem sempre aqueles que julgamos ser nossos inimigos são
inimigos de Deus. Constatamos isto quando o Senhor nos chama a
atenção dizendo que Deus faz chover e brilhar o sol sobre os justos e
sobre os injustos. Não o sol e a chuva apenas terrenos, mas também o
“sol da justiça”, que é o próprio Jesus Cristo.

O amor e o perdão se fazem par quando desejamos viver o
Evangelho    de    forma   autêntica,   buscando     incansavelmente
caminhar na santidade dos filhos de Deus: “Sede santos como
vosso Pai é Santo”.
       28 DE SETEMBRO

       I Domingo de Lucas
(XV Domingo Depois de Pentecostes)


                     Vivemos perplexos,
                          mas não
     EPÍSTOLA:
                      desesperemos,
     II Cor 4,6-15
                     perseguidos, mas
                     não desamparados.
                                         Aquele que
                                       ressuscitou o
                                    Senhor Jesus nos
                                        ressuscitará
                                            também .
                                   Avança para águas

         EVANGELHO:                 mais profundas, e
        Lc 5, 1-11                 ali lançai as vossas
                                   redes para a pesca.


               Apolitíkion da Ressurreição:
                         (Tom 7)
             Pela tua Cruz destruíste a morte,
        abriste as portas do paraíso para o Ladrão,
     converteste em alegria os prantos das Miróforas,
     e lhes disseste que aos Apóstolos anunciassem,
       que ressuscitaste dos mortos, ó Cristo Deus,
        revelando ao mundo a grande misericórdia.
                 Apolitíkion de São João:
            Apóstolo predileto do Cristo Deus,
       apressa-te em ajudar um povo sem defesa.
Aquele que te concedeu reclinar a cabeça sobre o seu peito
              te acolha aos seus pés a fim de interceder por nós.
                    O Teólogo, suplica-lhe para que dissipe
                      a nuvem persistente do paganismo
              e pede por nós a paz e uma misericórdia abundante
                                  Prokímenon:
                           Salva, Senhor, o teu povo,
                       e abençoa a tua herança! (Sl 28,9)
                              A ti Senhor eu clamo,
                    meu rochedo e minha salvação. (Sl 28,1)
                                      Aleluia:
                  Tu que habitas sob à proteção do Altíssimo,
                    e vives à sombra do Onipotente. Sl 90,1
                            Diz ao Senhor teu Deus:
                    Tu és o meu refúgio e proteção. Sl 90,2




SUBSÍDIOS HOMILÉTICOS:

                                                      Pe. Paulo Augusto Tamanini


O primeiro Domingo de Lucas inicia um novo tempo no Calendário Litúrgico
Bizantino e dá-se após o encerramento das solenidades da Festa da Exaltação da Santa
Cruz.

O terceiro Evangelista é também autor dos Atos dos Apóstolos. No Evangelho, Lucas
relata a vida do Senhor enquanto esteve com seus discípulos ensinando, operando
milagres e pregando o Reino de Deus. Nos Atos dos Apóstolos, Lucas relata a vida da
Igreja primitiva, uma continuação da missão do Senhor.

Lucas era médico e ocupava uma posição social privilegiada, conhecia muito bem a
língua grega e os costumes e tradições helênicas . Há fortes indícios de que
acompanhou são Paulo em algumas de suas viagens, pois este refere-se a um “querido
médico” que o auxiliava em sua árdua missão (Fl 24).

Mesmo pertencendo a uma classe social abastada, acentuou em seus escritos as
passagens em que Jesus anunciava o Reino aos pobres, aos pecadores, às prostitutas.
Este é o Reino anunciado por Jesus e que Lucas transmite através dos seus escritos.

Mas, para anunciar este Reino, esta Boa Nova, o Senhor necessitou de colaboradores,
ou seja, dos seus discípulos. Ele é o iniciador do Reino. É n'Ele que os seres humanos
atingem a condição de Filhos e são libertados do pecado. N'Ele os homens se tornam
colaboradores de Deus na obra da salvação. Em torno d'Ele, como Pedra Angular,
organiza-se uma comunidade de amor e de serviço missionário. Primeiramente, doze,
depois muitos outros.

É de singular importância observarmos que Lucas relata que o Senhor está dentro da
barca quando começa a chamar os seus discípulos. A Igreja, comumente representada
pela barca que navega no mar, necessita também muitos "pescadores de almas". O
Senhor chama os seus para trabalhar na Igreja testemunhando com a vida e
anunciando pela palavra o seu Reino.

A palavra grega “ECCLESIA”, significa assembléia, reunião daqueles que são
chamados, convocados. A Igreja é a comunhão dos chamados por Deus a viver no
amor. Cada batizado é chamado pelo Senhor a “lançar as redes em águas mais
profundas”, lançar-se ao largo, sem medo. E, para isso é necessário fazer a
experiência do ENCONTRO com o Senhor, como fizeram os discípulos, seguir seus
passos, sentir sua PRESENÇA em nossas vidas. Quem faz esta experiência com o
Deus da Vida, é imediatamente compelido a uma adesão e a um compromisso de
anunciar, de evangelizar.

Sabemos que muitos são "cristãos" por mero costume ou tradição e que até mesmo
freqüentam as Igrejas, mas não se comprometem com a mensagem do Reino. Não
basta pertencer à ECCLESIA, é preciso sentir-se IGREJA, experimentar esta
PRESENÇA de Deus em nossa frágil humanidade.

O Evangelista São Lucas traça o caminho do aprendizado. Inicia pelo chamado. A
resposta se concretiza no dia- a -dia, numa adesão pessoal e comprometida.
             26 DE SETEMBRO


Dormição de São João Apóstolo, o Teólogo


                                  Se nos amarmos
                                   uns aos outros,
         EPÍSTOLA:
                                  Deus permanece
         1Jo 4,12-19
                                conosco e seu amor
                                 em nós é perfeito.
                                   Filho, eis aí tua
        EVANGELHO:                        Mãe;
         Jo 19,25-27;             Mãe, eis aí o teu
           21,24-25
                                           Filho

                     Kondakion
 Quem jamais poderá narrar as tuas virtudes, ó virgem?
               De ti jorram maravilhas,
                              tu és a fonte de curas
                        e tu, ó teólogo e amigo de Jesus,
                           intercede por nossas almas.
                                    Apolitíkion:
                       Apóstolo predileto do Cristo Deus,
                  apressa-te em ajudar um povo sem defesa.
         Aquele que te concedeu reclinar a cabeça sobre o seu peito
              te acolha aos seus pés a fim de interceder por nós.
                    O Teólogo, suplica-lhe para que dissipe
                       a nuvem persistente do paganismo
              e pede por nós a paz e uma misericórdia abundante
                                   Prokímenon:
                     Os céus manifestam a glória de Deus
          e o firmamento proclama as obras de suas mãos (Sl 19,1).
                           A toda terra chega a sua voz
                 e a todas as partes a sua mensagem (Sl 19,4)
                                      Aleluia:
                    Cantarei para sempre o amor do Senhor
              e anunciarei tua fidelidade de geração em geração.
                          O céu proclama tua maravilha
                       e tua fidelidade proclamam os anjos


SUBSÍDIOS HOMILÉTICOS:

                                                       Pe. Paulo Augusto Tamanini


Na tradição bizantina, São João, que em hebraico significa "Deus concede a graça", é
chamado habitualmente "o Teólogo", título reservado a poucos e, particularmente,
apropriado ao Apóstolo, sempre citado entre os primeiros, cuja insigne doutrina,
através do seu evangelho, das Epístolas e do Apocalipse, tem nutrido a Igreja de todos
os tempos.

Enquanto os fiéis latinos celebram a festa de São João em 27 de dezembro, os fiéis do
Oriente bizantino comemoram solenemente esse santo duas vezes: em 26 de setembro,
dia da dormição do Apóstolo (isto é, dia da sua morte) e no dia 8 de maio. O tropário
e o kontákion são os mesmos nas duas festas, e também boa parte do ofício próprio do
santo, contido nos Minéa, é comum. Dos textos do Ofício podemos depreender todos
os dados essenciais da biografia do mais moço dos doze Apóstolos, o qual teve
também o privilégio de testemunhar o Cristo até a idade mais avançada. O primeiro
texto sobre São João, nos é informado que ele é filho de Zebedeu e que a ele foi dado
a graça das visões apocalípticas e de chamar Deus de AMOR.

Ele é lembrado como o "Filho do Trovão" e com freqüência somos admoestados pelo
seu ensinamento sobre o "Verbo que era desde o princípio e que estava junto do Pai
inseparavelmente; igual a Ele na natureza".

Nas Vésperas as três leituras bíblicas são tiradas da primeira epístola de São João,
dando destaque especialmente aos trechos em que ele se manifesta como o Apóstolo
do amor (final do cap. 3, o cap. 4 quase por inteiro e o início do cap. 5).

No Cânon destaca-se a dúplice palavra que Jesus, na cruz, dirige à sua Mãe:

                                  "Discípulo virgem,
                           recebeste a honra de ser adotado
                          como filho pela Virgem imaculada;
                      te tornaste irmão daquele que te escolheu
                              e fez de ti o seu Teólogo".

                               "Discípulo do Salvador,
                    na Cruz Cristo confiou a ti, Teólogo virgem,
                               a Puríssima Theotókos;
                  então cuidaste dela como a pupila dos teus olhos:
                      intercede pela salvação de nossas almas" .

Nas Laudes se recorda que o "discípulo virgem, igual aos anjos, evangelista São João,
teólogo formado por Deus", anunciou ao mundo a ferida no lado de Cristo da qual saiu
"sangue e água de onde jorra vida eterna para as nossas almas".

Tampouco é esquecida a atividade apostólica de João, em que se usam por vezes
imagens poéticas, tão queridas aos orientais, como no katisma poético do Órthros.
                       "Tendo abandonado as águas profundas
                         em que pescavas, ó Apóstolo ilustre,
                          com o caniço da cruz sabiamente
                     pegaste, feito peixes, o conjunto das nações
                              e, como Cristo te dissera,
                     foste pescador de homens, atraindo-os à fé;
                 tendo semeado o conhecimento do Verbo de Deus,
                     com tuas palavras colheste Éfeso e Pátmos.
                                 Ó apóstolo São João
                        intercede junto do Cristo nosso Deus,
                    a fim de que conceda a remissão dos pecados
                 a quantos celebram de coração a tua sacra memória”

A iconografia de São João estende-se pelos séculos em amplos espaços geográficos.
Na tradição bizantina predominam duas representações: do santo aos pés do
Crucificado, freqüentemente ao lado oposto de onde se encontra a Virgem (à direita do
Cristo), sem as demais pessoas, embora lembradas nos evangelhos, presentes no
Calvário ou então o Evangelista é representado sentado, por vezes tendo ao lado o
símbolo da águia, ditando ao seu escriba Prócoro a revelação. Ao centro do
Iconostase, nas Portas Reais, debaixo da cena da Anunciação, é freqüente a
representação dos quatro evangelistas. São João é logo reconhecível, pois é o único.
que está ditando a um discípulo. Na iconografia da Santa Ceia o discípulo amado é
sempre representado com a cabeça sobre o peito do Mestre. Ele está presente também
em numerosas cenas evangélicas ou tradicionais, como a Transfiguração, o
Pentecostes, a Dormição da Virgem e muitas outras.

Com a liturgia bizantina, peçamos ao discípulo de Cristo, ao Apóstolo da luz e do
amor, tão bem retratado nas Sagradas Escrituras, “para que ilumine todo homem e o
leve ao conhecimento de Deus".

Filho de Zebedeu e Salomé, pescadores da Galiléia, foi o primeiro discípulo, com
Santo André, que se encontrou com Jesus à beira do Jordão, que os convidou a segui-
lo. Nas listas dos apóstolos, João sempre apareceu com seu irmão Tiago
imediatamente depois de Pedro e André.

João, juntamente com Pedro e Tiago, formam a tríade privilegiada que Jesus levou
consigo nos momentos mais solenes, como na ressurreição da filha de Jairo, na
transfiguração do Tabor e na agonia do Getsêmani.

A consciência desta preferência de Cristo e certo ciúme da liderança de Pedro no
grupo dos doze levaram os dois irmãos, Tiago e João, a solicitar a Jesus uma
declaração explícita e definitiva: "Mestre, queremos que nos concedas tudo o que te
vamos pedir". Respondeu-lhes Jesus: "Que quereis que eu vos faça?" 'Concede-nos
que nos assentemos na tua glória, um a tua direita e outro à tua esquerda".

Jesus não lhes concedeu este pedido, mas lhes confirmou que deveriam padecer muito
por amor dele: "Não sabeis o que pedis. Podeis beber o cálice que eu vou beber, e
podeis ser batizados com o batismo que eu vou receber?" Eles responderam:
"Podemos". Jesus, então, lhes disse: "Bebereis o cálice que vou beber e sereis
batizados com o batismo com que vou ser batizado. Todavia, sentar à minha direita ou
à minha esquerda não cabe a mim concedê-lo, mas é para aqueles a quem está
preparado" (Mc 10,35-40).

Depois de Pentecostes, a presença e a ação de João foram de grande importância para
a consolidação da comunidade primitiva na Judéia, como testemunham as numerosas
citações do seu nome nos Atos dos Apóstolos. Depois da dispersão dos apóstolos, São
João dedicou-se a fundar e firmar as igrejas na Ásia Menor.

“Foi precisamente o cuidado pastoral das Igrejas que levou o apóstolo João a escrever
nos seus últimos anos o Apocalipse, o quarto evangelho, e três epístolas. Escreveu o
Apocalipse para confortar os cristãos durante a perseguição de Domiciano. Descreve
nele o poder sublime do Cordeiro sacrificado, as grandes tribulações dos fiéis, o
castigo dos perseguidores e o triunfo final da Igreja. Terminada a perseguição e
estabelecido em Éfeso, João escreveu o evangelho e suas epístolas”.

Este evangelho é o mais belo, e o mais sublime. Pressupõe os outros três, completa-os
com episódios preciosos, interpreta-os e os comprova.

Em suas epístolas respira-se o amor que nos leva a Deus e nos prende ao próximo.
Conta-se que, já idoso, ao ser levado por seus discípulos à igreja, só repetia estas
palavras: "Meus filhinhos, ama i-vos uns aos outros, pois no amor está incluída toda a
Lei de Deus".

Provavelmente faleceu em Éfeso no tempo do Imperador Trajano (98-117).
                21 DE SETEMBRO

Domingo Posterior à Festa da Exaltação da Venerável e
                  Vivificante Cruz
                                  A justificação do
    EPÍSTOLA:
                                  homem é pela fé
     Gl 2,16-20
                                  em Jesus Cristo.

                                    Quem quiser vir
                                 após mim, negue-
 EVANGELHO:
                                     se a si-mesmo,
Mc 8,34 - 9,1
                                 tome a sua cruz e
                                          siga-me.

                   Issodikón:
               (Canto de Entrada)
          Exaltai ao Senhor, nosso Deus
    e prostrai-vos ante o escabelo de seus pés
               porque Ele é Santo.
           Salva-nos, ó Filho de Deus,
        Tu que foste crucificado na carne,
        a nós, que a Ti cantamos: aleluia!
                  Apolitíkion:
                     (tom 1)
Salva, Senhor, o teu povo e abençoa a tua herança.
   Concede às tuas Igrejas a vitória sobre o mal
  e protege, pela tua Cruz, este povo que é teu.
                   Kondákion:
                     (tom 4)
           Ó Cristo Deus, que, voluntariamente, foste elevado na Cruz,
                  tem compaixão do povo que traz o teu nome.
                    Alegra, pelo teu poder, a tua santa Igreja
                       e concede-lhe a vitória sobre o mal.
                          Que tua aliança seja para nós
                     uma arma de paz e um troféu de vitória!

                                   Triságion:
                        Adoramos a tua Cruz +, ó Mestre,
                 e glorificamos a tua santa Ressurreição. (3 vezes)
                                Glória ao Pai   +...
                    E glorificamos a tua santa Ressurreição.

                        Adoramos a tua Cruz +, ó Mestre,
                     e glorificamos a tua santa Ressurreição.

                                 Prokímenon:
                   Qão numerosas são tuas obras, ó Senhor,
                         fizeste-as todas com sabedoria
                         Bendize minha alma ao Senhor.
                           Senhor, como és tão grande

                                     Aleluia:
                Cinge a tua espada, com majestade e esplendor,
              cavalga vitorioso, pela causa da verdade e da justiça
                         Por que o senhor ama a justiça
                             e a detesta a iniquidade

                                     Hirmós:
                    Ó Mãe de Deus, tu és o paraíso místico,
                    pois sem ser cultivada, produziste Cristo,
                          que plantou a árvore da Cruz.
                     Por isso, agora O adoramos crucificado
                                 e a ti exaltamos.


SUBSÍDIOS HOMILÉTICOS:
                                                                           Pe. Paulo Augusto Tamanini




A Crucifixão era uma forma de pena oriental que foi introduzida no Ocidente pelos persas.
Foi pouco usada pelos gregos, mas muito utilizada pelos cartagineses e romanos.

Na literatura romana, a crucifixão é descrita como punição cruel e temida, não sendo aplicada
aos cidadãos romanos, mas apenas aos escravos e aos não-romanos que houvessem
cometido crimes atrozes, como assassinato, furto grave, traição e rebelião. Seguindo a forma
romana de crucifixão Jesus provavelmente carregou somente a parte transversal da cruz,
pois a parte vertical era deixada no local da execução à espera do condenado. Os braços
eram inicialmente amarrados e somente ao chegar no local eram pregados ao madeiro.
Acontecia o mesmo procedimento com as pernas e pés.

A vítima era suspensa pouco mais de um metro do chão para que as pessoas pudessem dar
de beber uma mistura de água e fel ou vinagre para ser mantida o tempo inteiro consciente ,
sem haver possibilidade de desmaios (Mt 27,48). Os romanos crucificavam os criminosos
inteiramente nus e não há motivo para se pensar que tenha sido feita alguma exceção para
Jesus. As vestes do crucificado eram entregues aos soldados para serem divididas. As
vestes de Jesus não foram divididas mas sorteadas pois era de tecido fino e sem costuras.
Tal indumentária e feitio não poderiam ser destruídas, por isso preferiu-se lançar sorte. (Mt
27,35ss).

Uma inscrição com o nome do criminoso e a natureza do seu crime era feita sobre uma
tabuinha, que o condenado levava pendurado no pescoço até o local da execução; essa
tabuinha foi afixada acima da cabeça de Jesus na cruz. Por ironia de Pilatos, a inscrição de
Jesus não indicava um crime, mas registrava simplesmente a expressão "rei dos judeus" (Mt
27,37). A inscrição era feita em três línguas: aramaico, o dialeto local; o grego, a língua do
mundo romano e o latim, a língua oficial da administração romana.

A morte de Jesus foi muito rápida. Ele ficou suspenso à cruz algumas horas. Geralmente a
morte dos condenados à cruz se dava depois de alguns dias após pregado. Este foi o caso
dos dois ladrões que ladeavam Jesus: foram- lhe quebradas as pernas para que o fim fosse
apressado pois a Páscoa judaica se aproximava (Jo 19,32ss).
No Novo Testamento, o simbolismo teológico da cruz só aparece em uma afirmação do
próprio Senhor e nos escritos de São Paulo. Jesus disse que aqueles que o seguem devem
tomar a sua própria cruz, perdendo assim a vida, para depois conquista-la (Mt 10,38). Não se
trata apenas de alusão à sua própria morte, mas também da afirmação de que seu
seguimento exige a negação de si mesmo ( Mc 8,34), o total desprezo pela própria vida, pelo
bem-estar, pelas posses pessoais, a tudo aquilo a que se deve renunciar para seguir Jesus.

Paulo pregava o Cristo crucificado, embora isto fosse escândalo pra os hebreus e loucura
para os gentios (1Cor 1,23). A linguagem da cruz é absurda para aqueles que, sem ela, se
perdem; entretanto é poder de Deus para aqueles que se salvam (1Cor 1, 18)

Ao encerrarmos a Festa da Santa Cruz, depois de refletirmos sobre este tema de maneira
mais minuciosa, cabe-nos dar à cruz seu devido valor. O sofrimento nos dá a possibilidade da

redenção. Reclamar dele nos atesta que ainda precisamos crescer espiritualmente.




                                14 de Setembro

       Festa da Exaltação da Venerável e Vivificante
                           Cruz
                 Contraste entre a
                 sabedoria divina
 EPÍSTOLA:         da Cruz e a
1Cor 1,18-24    sabedoria humana
                   dos judeus e
                     pagãos.

EVANGELHO: Jesus é condenado
               à morte;
 Jo 19, 6-11ª; Crucifixão; Maria
13-20; 25-28ª; ao pé da Cruz; o
               lado aberto pela
    30-35ª     lança.
            Issodikón: (Canto de Entrada)
              Exaltai ao Senhor, nosso Deus
        e prostrai-vos ante o escabelo de seus pés
                    porque Ele é Santo.
                Salva-nos, ó Filho de Deus,
             Tu que foste crucificado na carne,
             a nós, que a Ti cantamos: aleluia!
                  Apolitíkion - (tom 1):
   Salva, Senhor, o teu povo e abençoa a tua herança.
       Concede às tuas Igrejas a vitória sobre o mal
       e protege, pela tua Cruz, este povo que é teu.

                  Kondákion - (tom 4):
Ó Cristo Deus, que, voluntariamente, foste elevado na Cruz,
       tem compaixão do povo que traz o teu nome.
         Alegra, pelo teu poder, a tua santa Igreja
            e concede-lhe a vitória sobre o mal.
               Que tua aliança seja para nós
          uma arma de paz e um troféu de vitória!

                        Triságion:
             Adoramos a tua Cruz +, ó Mestre,
      e glorificamos a tua santa Ressurreição. (3 vezes)

                     Glória ao Pai   +...
         E glorificamos a tua santa Ressurreição.
             Adoramos a tua Cruz +, ó Mestre,
          e glorificamos a tua santa Ressurreição.

                      Prokímenon:
              Exaltai ao Senhor, nosso Deus
        e prostrai-vos ante o escabelo de seus pés
                    porque ele é Santo.
           O Senhor reina, alegrem-se os povos;
                        seu trono está sobre os Querubins, vacila a terra.
                                                  Aleluia:
                       Lembra-te do teu povo que elegeste há tanto tempo;
                               recuperaste o cetro de tua herança.
                           Deus, que é nosso Rei antes dos séculos,
                               operou a salvação no meio da terra.
                                                  Hirmós:
                            Ó Mãe de Deus, tu és o paraíso místico,
                            pois sem ser cultivada, produziste Cristo,
                                   que plantou a árvore da Cruz.
                             Por isso, agora O adoramos crucificado
                                            e a ti exaltamos.
                                               Kinonikón:
                                 Gravada está sobre nós, Senhor,
                                            a luz da tua face.
                                        Aleluia, aleluia, aleluia!
OBS.:

           a). Em vez de "... Vimos a verdadeira luz" canta-se o apolitíkion do dia.
           b). Após a Santa Missa, procissão e cerimônia da Exaltação da Santa Cruz.
           c). Encerramento da festa no dia 21.




           PROCISSÃO E ADORAÇÃO DA SANTA CRUZ
Este ofício tem sua origem nos costumes antigos da Igreja. Era feito no fim da Grande Doxologia das
Matinas, antes de iniciar a Santa Liturgia. Hoje em dia, nas maiorias das igrejas, é comum celebrá-lo ao fim
da Divina Liturgia, depois da Apólissis. Os cantores entoam o "Santo Deus ..." segundo o "tom lento"
enquanto o sacerdote incensa a cruz colocada sobre o altar (a cruz manual ou outra, do mesmo tamanho)
que, levantando-a, põe em uma bandeja com palmas e flores e sai pela porta norte precedido pelos
ceriferários, turiferário e cantores. O diácono (ou um ajudante) irá incensando a cruz durante toda a procissão
que seguirá circulando a Igreja. Finalmente, coloca-se diante do iconostásio e, de frente para uma pequena
mesa revestida por uma toalha branca, faz em torno dela três voltas e detendo-se diante da mesa e voltado
para o Oriente, diz:

S. - Sabedoria! Estejamos atentos!
E coloca a bandeja com a cruz sobre a mesa, incensando em seguida em torno dela, enquanto canta:
                                             Apolitíkion
                S. - Salva, Senhor, o teu povo e abençoa a tua herança.
                          Concede à tua Igreja a vitória sobre o mal
                               e guarda o teu povo pela tua Cruz.
                T. - Salva, Senhor, o teu povo e abençoa a tua herança.
                          Concede à tua Igreja a vitória sobre o mal
                       e guarda o teu rebanho pela tua Cruz. (2 vezes)
                   O sacerdote toma a bandeja com a cruz, volta-se para o Oriente e diz:

        S. - Tem piedade de nós, ó Deus, segundo a tua grande misericórdia;
                  nós te suplicamos: escuta-nos e tem piedade de nós!
                                    T. - Kyrie, eleison. (40 vezes)
E os cantores cantam a primeira série de "Kyrie, eleison" enquanto o sacerdote faz, com a bandeja e a cruz,
o sinal da cruz e, prostrando-se, faz tocar a fronte no chão. Levantando-se lentamente ao ritmo da melodia do
"Kyrie, eleison". O mesmo fará depois de cada uma das seguintes súplicas que são cantadas ao lado direito
                                                 da mesa:

        S. - Oremos ainda pelo Brasil, nosso amado país protegido por Deus,
                               seu governo e força de segurança.
                                    T. - Kyrie, eleison. (40 vezes)
 Como antes, faz a grande metania e enquanto o coro canta, vai até o lado oriental da mesa e, voltando-se
                                           para o Ocidente, diz:

               S. - Oremos ainda pelo nosso santo pai, o patriarca N. ... ,
                   pelo nosso metropolita N. ... , (arcebispo, ou bispo),
                      pelos sacerdotes, diáconos, monges, religiosos
                      e por todos os nossos irmãos e irmãs em Cristo.
                                    T. - Kyrie, eleison. (40 vezes)
            Após a reverência o sacerdote dirige-se ao lado Sul e, voltando-se para o Norte diz:

               S. - Oremos também por todos os fiéis cristãos ortodoxos,
                  pela saúde, salvação e pelo perdão de seus pecados.
                                    T. - Kyrie, eleison. (40 vezes)
  O sacerdote repete a reverência, dirigindo-se em seguida para o lado ocidental da mesa e, voltado para o
                                                Oriente, diz:

                 S. - Oremos ainda pelos benfeitores desta santa Igreja,
                             pelos que nela se afadigam e cantam
                                 e por este povo aqui presente,
              que espera de Deus a sua grande e abundante misericórdia.
                                   T. - Kyrie, eleison. (40 vezes)
O sacerdote faz novamente uma metania enquanto o coro canta a quinta série de "Kyrie, eleison". Levanta-se

                       em seguida e, elevando a bandeja com a cruz e as flores, diz:

                                            Kondákion:
                                        S. - Ó Cristo Deus,
                        que voluntariamente foste suspenso à Cruz,
                       tem compaixão do povo que traz o teu nome.
                          Alegra, pelo teu poder, a tua santa Igreja
                                dando-lhe a vitória sobre o mal.
                                 Que tua aliança seja para nós
                          uma arma de paz e um troféu de vitória.
                 Abençoa com a cruz o povo e, colocando a bandeja sobre a mesa, canta:

                                             Triságion:
                              Adoramos a tua Cruz +, ó Mestre,
                     e glorificamos a tua santa Ressurreição. (3 vezes)

                                         Glória ao Pai     + ...
                          E glorificamos a tua santa Ressurreição.

                              Adoramos a tua Cruz +, ó Mestre,
                           e glorificamos a tua santa Ressurreição.
 O sacerdote faz uma inclinação e adora a santa Cruz, sendo seguido por todos os fiéis. Enquanto isso, as
        flores são distribuídas a todos os que se aproximam da santa Cruz, enquanto o coro canta:

                                           T. - Vinde fiéis!
                             Adoremos o Madeiro que dá a vida,
                                no qual, Cristo, o Rei da glória,
                          estendeu, voluntariamente, seus braços,
                         restaurando em nós a felicidade primitiva;
                       nós que, dominados pelo mal e pelas paixões
                                estávamos afastados de Deus.
                                    Vinde, adoremos a Cruz,
                               que nos dá a vitória sobre o mal.
                                      Vinde, povos da terra,
                    honremos com hinos a Cruz do Senhor, cantando:
                        "Salve ó Cruz, libertação de Adão decaído,
                porque em ti, toda a Igreja se alegra!
           Nós, fiéis, a venerar-te com respeito e devoção,
          glorificamos a Deus que em ti foi fixado, dizendo:
         Senhor que foste crucificado, tem piedade de nós,
              porque Tu és bom e amas a humanidade!

            Glória ao Pai +, ao Filho e ao Espírito Santo,
         agora e sempre, pelos séculos dos séculos. Amém.
      S. - Cumprida, Senhor foi a palavra de teu profeta Moisés:
            "Vereis vossa Vida suspensa a vossos olhos".
        Hoje, a Cruz é exaltada e o mundo se liberta do erro.
              Hoje, renova-se a ressurreição de Cristo;
                  regozijam-se os confins da terra,
        e, com hinos e salmos, como outrora Davi, exclamam:
               "Realizaste hoje, a salvação do mundo,
               passando pela Cruz e a Ressurreição,
          pelas quais nos libertaste, Senhor Nosso Deus!"
                   Ó Tu, que amas a humanidade,
                         Senhor, glória a Ti!




SUBSÍDIOS HOMILÉTICOS:
                SUBSÍDIOS HOMILÉTICOS
                               Vinde e Vede!
                                         (Jo 1,39)

A CRUZ DO SENHOR, FORÇA DA IGREJA

No dia 13 de setembro de 325, consagraram-se duas basílicas em Jerusalém: uma no
Gólgota, onde Cristo tinha sido crucificado e outra no Santo Sepulcro. No dia seguinte, 14
de setembro, era apresentada ao povo a relíquia da Santa Cruz. Ao ser tocado por ela, um
morto tinha recuperado a vida, sinal de que era a cruz do Senhor, a cruz que nos deu a
Vida.

Celebrando o acontecimento, toda a Igreja, do Oriente e do Ocidente, em 14 de setembro
comemora a Exaltação da Santa Cruz. O hinos litúrgicos cantam o madeiro santo que,
plantado na terra, brotou regado pelo Sangue do Senhor. Quem come dos frutos desta
Árvore tem a graça de vencer a morte e cantar o hino à vida. O sangue que escorreu do
lado direito do Crucificado simboliza a Eucaristia; a água, o Batismo.

Cada vez que a comunidade celebra a Eucaristia, ela e o celebrante têm diante dos olhos a
imagem da Cruz, recordando que a Igreja nasceu do lado direito de Cristo crucificado. A
liturgia, com a cruz diante dos olhos da comunidade, une a Antiga e a Nova Aliança: no
deserto, os judeus contemplaram a serpente de bronze e foram curados do mal mortal
provocado pela picada das serpentes (cf. Nm 21, 4b-9); hoje, os que contemplam a cruz,
nela contemplam aquele que os libertou da morte (cf. Jo 3, 14-15).

TEOLOGIA DA CRUZ – TEOLOGIA DA CONSOLAÇÃO

A cruz, símbolo de maldição, de humilhação, de fraqueza, recorda-nos a “loucura” de Deus
por nós. Deus pode tudo, menos uma coisa: obrigar-nos a amá-lo. Por isso mesmo, a
Trindade serviu-se da cruz ao menos para convencer-nos de que Ela nos ama: o poder de
Deus é o poder do amor. A “loucura do amor” trinitário deixou o Filho no abandono total:
o Espírito separou-se de Jesus e ele imediatamente gritou: “Meu Deus, por que me
abandonaste?”. Naquele instante que se prolonga por toda a história terrena da salvação,
aquele que é a Vida torna-se vida para nós no coração da morte. No Horto e no Gólgota, o
Filho sentiu a amargura total do abandono do amor para nos amar, ele que “tem o poder de
oferecer a vida e tem o poder de retomá-la” (cf. Jo 10,18). Quem bebe do Sangue
eucarístico, recebe também o poder de dar a vida

Quando estamos mergulhados na treva do pecado, na escuridão da descrença, o contemplar
a cruz nos enche de consolação, nos leva a superar o mal aceitando sermos amados pelo
Bem.

TEOLOGIA DA GLÓRIA – TEOLOGIA DA MODA
“Agradou a Deus salvar os crentes com a loucura da pregação ... porque ....
aquilo que é fraqueza de Deus é mais forte do que os homens... Deus escolheu o
que no mundo é fraco para confundir os fortes” (cf. 1Cor 1,21-28).

A Glória de Deus tem a Cruz como Trono: seu poder se manifesta plenamente na fraqueza
assumida por causa de nós. O homem que se identifica com o Crucificado recebe a força
do ressuscitado: “Quando sou fraco, então é que sou forte”(2Cor 12,10). Se esse é o
caminho do Senhor, é necessariamente o caminho da Igreja, dos cristãos.

Durante os séculos de sua história, a Igreja corre o perigo da tentação da sabedoria
humana, da adaptação ao mundo: tirar Cristo da cruz e vesti-lo com seda. O mistério da
fraqueza de Deus é o mistério escondido na essência profunda da Igreja, na existência
crucifixa dos santos e santas. Assim como não existiu santo ostentando vestimentas e
enfeites principescos, do mesmo modo não há força eficaz numa evangelização feita na
imponência de cerimônias, na ameaça de punições aos que erram, na segregação eclesial
daqueles que o mundo também marginaliza. Descobrimos diversas pílulas que evitam a
fecundação de tantos que peregrinam para encontrar o Senhor e depois retornam
esterilizados.

O poder da Igreja só existe na participação do poder de Cristo: poder da fé e da humildade
e se expressa como serviço: quem quiser ser o maior, torne-se o menor (cf. Lc 22,25-27).

GRAÇA A ALTO PREÇO – GRAÇA DESCARTÁVEL

Desde o dia de Pentecostes, quando o Espírito despojou-se de sua glória e veio
habitar o coração da Igreja e da criação, a evangelização corre o risco terrível de
vender a Graça a baixou preço, de enfeitar a Cruz para aumentar o rebanho.
Levar ao torpe mercado da salvação uma Graça tornada barata, descartável,
comercial e até grátis, facilitadora e descompromissada.

A Graça é sempre muito cara, Paulo afirmando que fomos comprados por alto preço: ela é
tesouro escondido no campo, pérola preciosa, rede a ser lançada, senhorio de Cristo,
Evangelho buscado, dom sempre suplicado, porta sempre batida, seguimento ao preço da
própria vida.

VEREMOS AQUELES QUE CRUCIFICAMOS

Em cada Eucaristia fazemos o memorial do Calvário: junto ao altar contemplamos
a cruz. Seremos cristãos se nela, identificados com o Senhor, contemplarmos os
famintos, os sedentos, os nus, os peregrinos, os prisioneiros, os doentes, os sem-
casa, os sem-terra, os desempregados. Somos convidados ao exercício do
invencível poder do amor.




                            08 de Setembro

        Natividade da Santa Mãe de Deus



                                       Imitar Jesus pela
                   EPÍSTOLA:
                                         humildade e
               Fl 2,5-11                 abnegação.
           EVANGELHO:                         Marta e Maria: o
                                             Único Necessário;
             Lc 10,38-42;                     elogio à Mãe de
               11,27-28                             Deus


                       Apolitikion - (tom 4)
                  Tua natividade, ó Mãe de Deus,
                anunciou a alegria ao mundo inteiro;
       Pois de ti nasceu o sol da justiça, o Cristo nosso Deus,
          o qual, abolindo a maldição, nos deu a bênção,
             e destruindo a morte, deu-nos a vida eterna

                       Kontakion - (tom 4)
                 Pela tua santa natividade, ó Pura,
      Joaquim e Ana foram libertos do opróbrio da esterilidade
               e Adão e Eva, da corrupção da morte.
             Teu povo, salvo da escravidão de pecado
             te festeja, exclamando: "a estéril dá a luz,
              a mãe de Deus que alimenta nossa vida!

                           Prokimenon
                   Minha alma glorifica o Senhor,
   meu espírito exulta de alegria em Deus meu Salvador (Lc 1,46)
     Porque voltou seus olhos para a humildade de sua serva;
doravante, todas as gerações me chamarão bem-aventurada (Lc 1,48)

                               Aleluia:
                       Aleluia, aleluia, aleluia
               Ouve, ó filha, vê e inclina o teu ouvido
           pois o Rei se encantou por tua beleza (45,10)
                   aleluia, Aleluia, aleluia, aleluia!
          Prostra-te a sua frente, pois Ele é o teu Senhor!
                             aleluia, Aleluia, aleluia, aleluia!
                                         Hirmós
                           A virgindade é impossível às mães
                           e a maternidade alheia às virgens;
                  mas uma e outra, aliaram-se em ti, o mãe de Deus.
                        Por isso, nós e todas as nações da terra,
                 sem esmorecimento, te proclamamos Bem-aventurada
                                      Kinonikón:
                             Tomarei o Cálice da salvação
                             e invocarei o nome do Senhor!
                                 Aleluia, aleluia, aleluia




 SUBSÍDIOS HOMILÉTICOS:
                                                                    Pe. Paulo Augusto Tamanini



A festividade do nascimento da Mãe de Deus tem, provavelmente, sua origem em
Jerusalém, em meados do século V. Porque foi em Jerusalém que se manteve viva a
tradição, que a Virgem teria nascido junto à Porta da Piscina Probática.

Fazendo uso desta referência, encontramos citações de São João Damasceno em sua
Homilia sobre a Natividade de Maria : "Hoje é o começo da salvação do mundo, porque
na Santa Probática foi-nos gerada a Mãe de Deus através de quem o Cordeiro de Deus,
que tira o pecado do mundo, nos foi gerado." [1]

Considerado o nascimento de Maria como o início histórico da obra da Redenção, o
Calendário Litúrgico Bizantino abre suas portas festejando o nascimento da Virgem: "A
celebração de hoje é para nós o começo de todas as festas". [2]
Maria é apresentada pela Liturgia como a "Virgem bela e Gloriosa" que Deus amou com
predileção deste a sua eternidade desde toda a Criação como sua obra-prima,
enriquecida das graças mais sublimes e elevada à excelsa dignidade de Mãe de Deus e
de Bem-aventurada Virgem. [3]

Segundo o espírito da Igreja, devemos celebrar a Festa da Natividade com santa Alegria,
porque o nascimento de Maria é a aurora de nossa salvação. Com o seu nascimento é
anunciado ao mundo a boa nova: a mãe do Salvador já está entre nós .

"Alegrem-se, portanto, os Patriarcas do Antigo Testamento que, em Maria,
reconheceram a figura da Mãe do Messias. Eles e os justos da Antiga Lei aguardavam a
séculos, serem admitidos na glória celeste pela aplicação na fé dos méritos de Cristo, o
bendito fruto da Virgem Maria . Alegrem-se todos os homens porque o nascimento da
Virgem veio anunciar-lhes a aurora do grande dia da libertação pela qual aspiram todos
os povos. Alegrem-se todos os anjos porque neste dia foi-lhes dada pela primeira vez a
ocasião de reverenciar a sua futura Rainha" [4]

Visivelmente, nenhum acontecimento extraordinário acompanhou o nascimento de Maria
e os Evangelhos nada dizem sobre sua natividade. Nenhum relato de profecia, nem
aparições de anjos, nem sinais extraordinários são narrados pelos Evangelistas. Só no
Céu houve Festa, pois o Filho de Deus vê sua Mãe nascer.

Na vida da Virgem Maria a ordinariedade dos fatos sempre lhe acompanhou. Aquela que
vivia o seu cotidiano de maneira despercebida aos olhos dos homens dá à Luz o
Salvador. A humildade também lhe era característica pois ela sendo Raínha apresentou-
se sempre como serva obediente.

Tem-se poucos registros históricos da cidade onde nascera Maria , mas por ser
conhecida como "A Virgem de Nazaré", intui-se que foi lá que Joaquim e Ana (avós de
Jesus) receberam de Deus a pequena Maria.

O mundo continuou seu curso dando importância a outros acontecimentos que depois
seriam completamente esquecidos. Para Deus a grandeza dos fatos não está na
proporção dos aplausos que o mundo lhe oferece, mas na serenidade de sua aceitação
cumprindo a sua vontade.

Com freqüência as coisas importantes para Deus passam despercebidas aos olhos dos
homens.

Cresceu como todas as jovens, mas se distinguia por ser toda de Deus, guardando tudo
em seu coração" . [5] A sua vida ,tão cheia de normalidade, ensina-nos a agir em tudo
com olhos postos em Deus numa perpétua oferenda ao Senhor.

Maria é a aurora que preconiza a vinda Sol, o Sol da justiça que traz à luz aqueles que
estão nas trevas do pecado.




Notas:

[1] São João Damasceno, Homilia sobre a Natividade de Maria, 6 PG 96;

[2] Andréas de Creta, Homilia Mariana. V. Fazzo p.43

[3] Patriarca Fócio, Homilia sobre a Natividade,PG 43

[4] Lehmann, P. JB. Na luz Perpétua, 1959 p.268

[5] Lc 2,51
            07 de Setembro

Domingo Anterior à Festa da Exaltação da
     Venerável e Vivificante Cruz



                        A cruz de Nosso
        EPÍSTOLA:         Senhor Jesus
        Gl 6,11-18     Cristo, nossa glória
                       e nossa salvação.
                                      Como Moisés
                                    elevou a serpente
  EVANGELHO:                        no deserto, assim
      Jo 3, 13-17                      também será
                                    elevado o Filho do
                                         Homem

        Issodikón: (Canto de Entrada)
          Exaltai ao Senhor, nosso Deus
    e prostrai-vos ante o escabelo de seus pés
                porque Ele é Santo.
            Salva-nos, ó Filho de Deus,
         Tu que foste crucificado na carne,
         a nós, que a Ti cantamos: aleluia!

                    Apolitíkion
Salva, Senhor, o teu povo e abençoa a tua herança.
   Concede às tuas Igrejas a vitória sobre o mal
   e protege, pela tua Cruz, este povo que é teu.

                    Kondákion
                   Ó Cristo Deus,
  que, voluntariamente, foste suspenso na Cruz,
   tem compaixão do povo que traz o teu nome.
     Alegra, pelo teu poder, a tua santa Igreja
        e concede-lhe a vitória sobre o mal.
           Que tua aliança seja para nós
      uma arma de paz e um troféu de vitória!
                    Triságion:
         Adoramos a tua Cruz +, ó Mestre,
  e glorificamos a tua santa Ressurreição. (3 vezes)

                 Glória ao Pai   +...
                 E glorificamos a tua santa Ressurreição.
                    Adoramos a tua Cruz +, ó Mestre,
                  e glorificamos a tua santa Ressurreição.
                              Prokímenon:
                        Salva, Senhor, o teu povo,
                    e abençoa a tua herança! (Sl 28,9)
                           A ti Senhor eu clamo,
                 meu rochedo e minha salvação (Sl 28,1)

                                  Aleluia:
                          Aleluia, aleluia, aleluia
                     Porque o Senhor é nosso escudo,
                  nosso Rei é o Santo de Israel (Sl 89,19)
                          Aleluia, aleluia, aleluia!
                 Cantarei para sempre o amor do Senhor,
        anunciarei tua fidelidade de geração em geração. (Sl 89, 11)
                          Aleluia, aleluia, aleluia!
                               Kinonikón:
                     Gravada está sobre nós, Senhor,
                             a luz da tua face.
                          Aleluia, aleluia, aleluia!




SUBSÍDIOS HOMILÉTICOS:
                                                             Pe. Paulo Augusto Tamanini
A Festa Litúrgica da Santa Cruz é tão importante no Calendário Litúrgico da Igreja
Bizantina, que inicia suas comemorações já no Domingo que a antecede, preparando o
ambiente espiritual dos cristãos, dada a sua relevância.

A Cruz para a Igreja é sinal e instrumento de Salvação. Por isso, os cristãos de tradição
bizantina a veneramos gloriosa e vivificante, despida dos sentimentos mórbidos que
poderiam ofuscar a sua magnitude. O sofrimento, as dores e a morte que o Senhor
sofreu por meio dela, por mais terríveis que pudessem ser, fê-la veículo da nossa
salvação.

O madeiro por onde escorreu o Sangue precioso do Cristo, não poderia ficar indiferente
à Ressurreição do Senhor, pois o Sangue divino estava impregnado nele e o
transformou. A Cruz, outrora símbolo da morte, ressuscitou com o Senhor , monstrando-
se agora resplandecente.

Próximo aos tabernáculos (Artofórion) no interior dos quais estão guardados o Corpo e o
Sangue de Cristo Ressuscitado, geralmente, faz par uma Cruz que nos reporta à figura
bíblica da serpente de bronze que Moisés elevou no deserto, querendo nos recordar que
a Ressurreição é fruto da Cruz assumida.

Como cristãos não devemos olhar somente para Cruz porque nosso objeto de adoração
é o Senhor Ressuscitado e a Ele devemos render-lhe glória. A Cruz sobre a qual Jesus
sofreu era, originalmente, apenas um instrumento material de sua morte. Mas já na
época dos apóstolos ela se transformou em símbolo de redenção operada por Cristo e,
portanto, símbolo da fé cristã. O que era execrável instrumento de condenação tornou-se
em cristo a âncora de salvação par ao mundo. Por isso São Paulo escreve: "Nós
pregamos o Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os pagãos, mas
par os eleitos ele é a força e sabedoria de Deus." ( 1Cor 1,23)

Deus pôs no santo Lenho da Cruz a salvação da humanidade, para que a vida
ressurgisse de onde viera a morte.

Da árvore do paraíso onde a serpente tentou Eva, nasceu o pecado. Da arvore que deu
o lenho para a Cruz de Cristo nasceu a Vida em plenitude e a salvação para a
humanidade. E deste sagrado Lenho o Senhor atrairá para si a todos e todas as coisas.
(Jo 12,32)

Não é pouco comum ouvirmos algumas pessoas dizerem que devemos carregar nossa
cruz a cada dia com resignação, aceitando os sofrimentos. Constata-se uma
supervalorização do símbolo da dor que ela representa. Se o Senhor carregou sua Cruz,
cumprindo a vontade do Pai, também Ele ressuscitou. É nesta verdade que devemos
embasar nossas esperanças e fé. Nunca nos esqueçamos de que a Cruz ressuscitou
com o Cristo e se tornou gloriosa e vivificante.

Adoramos a tua Cruz, ó Mestre e glorificamos a tua Santa ressurreição.




                                 31 de Agosto
                   XI DOMINGO DE MATEUS



                                                    Paulo instrue os
                      EPÍSTOLA:                    apóstolos a contar
                    I Cor 9, 2-12                  com a gratuidade
                                                       dos fiéis.
                    Parábola do servo
                    que não perdoa seu
                    devedor; O Homem,
       EVANGELHO: cuja misericórdia de
                    Deus tudo lhe
        Mt 18,23-35 perdoa, deve
                    exercer também a
                    misericórdia para
                    com o próximo.

              Apolitíkion da Ressurreição
                             (tom 2º)

        Quando te entregaste a morte ó Vida Imortal,
   aniquilaste os infernos pelo esplendor de tua divindade;
 e quando ressuscitaste os mortos das profundezas da terra,
          todas as potências celestes exclamaram:
           Ó Cristo nosso Deus, ó Autor da Vida,
                      Senhor, glória a Ti!




Tropário da Festa da Decapitação do Venerável Profeta
    e Glorioso Precursor João Batista (29 Agosto).

              A memória do justo deve ser enaltecida,
      mas a ti, ó Precursor, basta-te o testemunho do Senhor.
            Em verdade, tu foste o maior dos profetas,
         pois foste julgado digno de batizares nas águas
            aquele que eles tinham apenas anunciado.
         Também combateste com valentia pela verdade,
       feliz em anunciares, mesmo aos cativos do inferno,
                  a aparição de Deus feito homem,
           aquele que tira o pecado do mundo e se compadece de nós.




                               Prokimenon:
                   O Senhor é a minha força e o meu vigor.
                     Ele é a minha Salvação (Sl 118 ,14)

                     O Senhor me castigou severamente,
                   mas não me entregou à morte (Sl 118 ,18)




                                   Aleluia
                           Aleluia, aleluia, aleluia!

                 Que o Senhor te responda no dia de angústia.
                  Que o nome de Deus de Israel de proteja!

                            Aleluia, aleluia, aleluia!

               Salva o Senhor o teu povo e abençoa tua herança!
                       Apascenta e conduze o teu povo!

                            Aleluia, aleluia, aleluia!




SUBSÍDIOS HOMILÉTICOS:
                                                                Pe. Paulo Augusto Tamanini
A Parábola narrada por São Mateus (Mt 18,23-35) mostra-nos que o perdão entre as irmãos que
professam a mesma fé em Jesus Cristo não pode ter limites: a exigência do perdão fraterno decorre
do perdão que cada um já recebeu de Deus. Trata-se de ter presente a sua própria situação diante
de Deus: a misericórdia do Pai tirou cada um da morte e da escravidão para o devolver à liberdade
e à vida . É em nome do perdão que Deus nos concedeu primeiro que devemos também perdoar.

Para ratificar esta inexoravel verdade, o Senhor conta a parábola de um servo devedor que tem sua
grande dívida perdoada pelo Rei. Esta dívida era grande demais. Cada talento equivalia a mais
ou menos 34 quilos de ouro! Assim, o total correspondia a cerca de 340.000 quilos de ouro...
Aquele homem estava perdido pois, mesmo que fosse ele próprio vendido com a família, jamais
conseguiria pagá-la. Suplica então ao Rei, não pelo perdão de sua dívida, mas apenas para que lhe
fosse dado um prazo maior. O Rei se compadece dele e concede-lhe, não só o que pede, o prazo,
mas o perdão de toda a dívida!

A atitude daquele servo que sai perdoado ao encontrar seu companheiro que lhe deve uma soma
irrisória, é bem contrária. Ele já havia esquecido o que acabara de receber. O companheiro também
lhe pede um prazo, mas nem isso lhe concede. Parece que a falta de memória é mesmo a raiz de
todas as nossas infidelidades!

A reação dos outros companheiros talvez retrate o espanto dos cristãos ao verem os conflitos que
existem nas comunidades. A repreensão do Rei ao servo mau traz o centro da questão: o
empregado devia ter aprendido a ter compaixão. O v. 34 mostra a sorte de quem não aprende a ser
compassivo: a exclusão da graça que antes lhe fora concedida. O v. 35 conclui não só a parábola,
mas o capítulo inteiro.

O texto de São Mateu apresenta a gratuidade do perdão de Deus, que possibilita a cada um entrar e
fazer parte do povo que se comprometeu com a justiça e herdou a liberdade e a vida nova.
Acolhida e perdão fraternos não são somente condições para a salvação, mas a conseqüência de se
ter atingido a maturidade cristã e a consciência de pertença ao Reino de Deus. O perdão divino
precede o perdão humano. Porque Deus nos perdoa já não podemos negar o perdão. Se perdoamos,
somos apenas veículos do perdão divino. (cf Col 3,12-13). A medida do perdão é o perdão de
Deus, ou seja, não tem medida.

Com frequência repetimos a oração que o Senhor nos ensinou, pedindo: "Pai, perdoa-nos as
nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores" . Entretanto, nem sempre
fazemos isso com consciência do que estamos realmente pedindo. Por isso, na Divina Liturgia
bizantina, a oração do Pai-Nosso é precedida sempre por esta súplica que é feita pausadamente
pelo sacerdote celebrante: “Concede-nos Senhor, que com toda confiança e sem condenação,
ousando chamar-te Pai, a Ti, Deus Celestial, dizer ...” É um reconhecimento de nossa
indignidade e de nossa ousadia em dirigir ao Pai o nosso pedido de perdão - na medida do perdão
que concedemos aos nossos irmãos - quando, na realidade, muitas vezes não somos capazes de
perdoar.
Artur da Távola, em matéria publicado na sua coluna no Jornal O Dia do Rio de Janeiro, por
ocasião da Quaresma de 2002, dizia : "Como é difícil perdoar! Pouca gente, mesmo entre cristãos,
compreende o sentido profundo do perdão. A maioria pensa que é forma de anistia do sentimento,
ato interno capaz de compreender o ofensor e desculpa-lo no fundo do coração misericordioso.
Este primeiro degrau do perdão já é difícil de ser galgado. [...]

O verdadeiro sentido da revolução cristã do perdão, porém, é outro, e bem mais radical: mais que
ausência de ódio no coração do ofendido, o perdão é ação de amor na direção do ofensor.

O cristianismo é tão revolucionário que exige do ser humano não apenas a grandeza de
compreender e desculpar o ofensor, mas a capacidade de amá-lo. Perdoar é per+doar, isto é, "doar
amor através (per) do ofensor". Perdoar é doar amor através do ofensor. Quem doa amor ao
ofensor dá-lhe as condições profundas de contrição, compunção, compaixão e arrependimento, os
quatro caminhos através dos quais o ser humano pode renascer de si mesmo e das trevas, trocando
a morte pela vida.

Por ser o gesto mais difícil e elevado, o perdão é a única forma de permitir ao ofensor a entrada de
amor no seu coração. Qualquer forma de cobrança, punição e vingança aferra a crueldade do
ofensor e, de certa forma, fá-lo sentir-se justificado. A doação objetiva e concreta de amor poderá
não ser eficaz, adiante, porém é a única forma através da qual o ofensor tem a chance de se
arrepender sinceramente e reencontrar um caminho que lhe faz falta e é a única maneira de se
redimir, crescer como pessoa, transformar-se.

Ser bom, fazer-se seguidor das religiões, sentir-se justo, fraterno, solidário, honesto, tudo isso -
embora exija esforços - é relativamente fácil e em geral alimenta o ego. Difícil é perdoar o
ofensor, não apenas desculpando-o, mas sendo capaz de o amar na integralidade do seu ser.
Por isso, aliás, o cristianismo em essência encontra tanta dificuldade de se implantar entre os
homens: exige a descoberta da grandeza humana, da virtude no sentido de exercício da única força
capaz de mudar o mundo: o amor real. Não há revolução maior. Quem é capaz?"
             9 DE AGOSTO
Festa da Decapitação do Venerável Profeta
    e Glorioso Precursor João Batista



                       "Depois de mim vem
                         Aquele de quem
          EPÍSTOLA:
                         não sou digno de
        At 13, 25-33   desatar as sandálias
                            dos pés."


         EVANGELHO: Decapitação de São
          Mc 6, 14-30 João Batista.
       Tropário da Festa da Decapitação do Venerável Profeta
                 e Glorioso Precursor João Batista.


                 A memória do justo deve ser enaltecida,
          mas a ti, ó Precursor, basta-te o testemunho do Senhor.
                Em verdade, tu foste o maior dos profetas,
              pois foste julgado digno de batizares nas águas
                aquele que eles tinham apenas anunciado.
             Também combateste com valentia pela verdade,
            feliz em anunciares, mesmo aos cativos do inferno,
                     a aparição de Deus feito homem,
        aquele que tira o pecado do mundo e se compadece de nós.




SUBSÍDIOS HOMILÉTICOS:
                                                             Pe. Paulo Augusto Tamanini
Com grande maestria literária, os Evangelistas Marcos e Mateus narram o martírio de São João
Batista. Começam descrevendo a situação na corte: a relação ilegítima de Herodes com sua
cunhada, as admoestações e as acusações do Batista e o rancor passional de Herodíades.

Celebrava-se o aniversário do Rei em clima de grande festa, onde os convidados se refestelavam
com bons vinhos e comidas requintadas. Os convivas vieram de muitos reinos e a ocasião era
propícia para demonstrar dons e ostentação da família real para possíveis pretendentes, selar
acordos e mostrar o quanto o Imperador era bondoso. Nestas ocasiões era tradição conceder
perdão a algum criminoso ou perdoar as dívidas.

A princesa exibe sua dança num solo onde não houve lugar para erros, conseguindo arrancar
aplausos e elogios do público masculino. A ovação foi unânime e, o rei movido pela empáfia e
para não fazer feio diante daquela platéia, prometeu dar-lhe tudo quanto aquela jovem moça lhe
pedisse, ainda que fosse a metade de seu reino, caso dançasse mais uma vez em sua homenagem.
Depois de dançar a moça consulta sua mãe, para pedir a coisa certa.

Herodíades aproveita a ocasião propícia para calar a voz que acusava sua união incestuosa,
pedindo a cabeça do Profeta, numa bandeja . A vingança e o ódio despertam na mente ardilosa de
Herodíades um "gran finale" para aquele aniversário que entraria para a história. A inesperada
petição da princesa coloca o rei numa situação onde a única saída era atender-lhe prontamente,
pois tinha jurado e as testemunhas estavam ali diante dele. O rei cede à sensualidade e aos
compromissos da corte e manda executar aquele cuja voz era ouvida nos desertos. A festa tem
um final macabro denunciando a imoralidade e corrupção que reinavam naquele palácio. João
Batista não teve nenhum defensor, todos se calaram esperando o espetáculo, tornando-se
cúmplices de um assassinato.

Foi Mártir porque Profeta; foi Profeta porque Precursor. Sua missão era preparar os caminhos
para o SENHOR e viveu esta missão de forma plena. Mesmo diante da morte não vacilou, tinha
confiança em Deus, pois foi-lhe sempre fiel. Enfrentou as autoridades constituídas mostrando sua
personalidade forte, acusando os erros e pregando a conversão.

O Salmo 118 retrata a coragem do Batista ; " Falei de vossas leis à presença dos Reis, sem os
temer; pois amo praticar a verdade de vossas leis."

Em outra passagem do Antigo Testamento, encontramos semelhante coragem e confiança em
Jeremias, o Profeta, quando o próprio Senhor lhe diz: "Não te atemorizes diante dos adversários
porque eu farei que tu não temas a sua presença (...) . Pelejarão contra ti, mas não
prevalecerão porque estou contigo sempre" (Jr 1,17-19). Parece que o Precursor não só herdou
o dom da profecia como também a coragem e a confiança de seus antecessores.

Sua morte não silenciou as vozes daqueles que denunciam a imoralidade. Sua voz não foi calada !
Talvez porque a voz mais perturbadora não seja decifrada pelos nossos ouvidos mas aquela que
grita em nossa consciência.
               24 DE AGOSTO
          X DOMINGO DE MATEUS
  "Se tiverdes fé do tamanho de um grão de
mostarda, direis a esta montanha: vai daqui para
                 lá, e ela irá..."
                  Exortação do
 EPÍSTOLA:      Apóstolo Paulo a
1Cor 4, 9-16    que sejamos seus
                   imitadores.

              Nada é impossível
              aos que tem fé;
EVANGELHO: Jesus cura um
              menino epilético;
 Mt 17, 14-23 Jesus prediz sua
              morte e ressurreição
              ao terceiro dia.
                APOLITÍKION DA RESSURREIÇÃO
                                  (tom 1º)

                 Embora a pedra fosse selada pelos judeus
          e o teu puríssimo Corpo fosse guardado pelos soldados,
                   ressurgiste ao terceiro dia, ó Salvador,
                          dando a vida ao mundo!
       Por isso, as Potências celestes exclamaram-te, ó Autor da vida:
                    "Glória a tua Ressurreição, ó Cristo,
                           glória a tua Realeza,
           glória a tua Providência, ó Tu que amas a humanidade!



                             PROKÍMENON
                Venha sobre nós, Senhor a tua misericórdia
                     conforme nossa esperança em Ti.
                 Por isso eu te clamo como o Filho Pródigo:
                   pequei contra Ti, ó Pai Misericordioso!
           Recebe-me arrependido e faze-me um de teus servos.



                                 ALELUIA
                           Aleluia, aleluia, aleluia!
                       Deus assegura a minha vitória
                    e me submete os meus adversários.
                           Aleluia, aleluia, aleluia!
                     Salva maravilhosamente seu servo
                   e usa de misericórdia com seu ungido.
                           Aleluia, aleluia, aleluia!



SUBSÍDIOS HOMILÉTICOS:
                                                                   Pe. Paulo Augusto Tamanini




A impotência dos discípulos em curar um epilético serve de ocasião para que Jesus os
instrua sobre a forma de lutar contra as forças que alienam as pessoas. Eles não tinham
conseguido expulsar o "espírito mudo" e não sabiam qual a razão disso: "Eu pedi aos
teus discípulos para expulsarem o espírito, mas eles não conseguiram" ( Mc -9,18).
Jesus, então, mostra o motivo da impotência dos discípulos diante das forças
demoníacas que aprisionam as pessoas: "Ó gente sem fé! Até quando deverei ficar com
vocês? Até quando terei que suportá-los?" Mc 9,19). A censura de Jesus não se dirige
ao povo, mas aos discípulos. Estes ainda não acreditam, isto é, ainda não descobriram
que ter fé é entregar-se ao próprio Deus, para que ele aja através de nós, com a sua
visão e ação. Pensar que a libertação depende da nossa capacidade ou esforço é, no
mínimo, ingenuidade e, no máximo, uma grande pretensão.

O Reino da justiça é dom de Deus que se realiza através da nossa disponibilidade.

Por que é que os discípulos não conseguiram? A resposta de Jesus deixa bem claro que
é a fé que transforma as situações. Ela é capaz de vencer todas as barreiras, inclusive
transportar uma montanha. Certamente uma referência à montanha de Jerusalém, onde
se reúnem os poderes econômico, político e ideológico que oprimem e exploram o povo,
reduzindo-o à alienação.

Mas, finalmente, para realizar a ação libertadora é preciso oração e jejum, exatamente
aquilo que Jesus fez antes de começar a sua atividade . Não adianta querer andar com
os pés em duas canoas. É preciso decidir entre o projeto de Deus e o projeto do diabo. A
oração nos mantém conscientes do projeto de Deus. O jejum leva-nos a romper com o
mundo da injustiça, a fim de construir o mundo da justiça. A falta de fé deles provoca
inclusive a desconfiança no poder de Jesus, pois o pai do menino diz a Jesus: "Se podes
fazer alguma coisa, tem piedade de nós e ajuda-nos" (9,22). A resposta de Jesus é uma
séria advertência para oe que o rodeiam e principalmente para os discípulos: "Tudo é
possível para quem tem fé" (9,23).

Diante da cura realizada por Jesus (9,25-27), os discípulos perguntam: "Por que nós não
conseguimos expulsar o espírito?" (9,28). Jesus lhes mostra a razão da incapacidade
diante do mal que assola as pessoas: "Essa espécie de demônios não pode ser expulsa
de nenhum outro modo, a não ser pela oração" (9,29). Isto é: a cura das pessoas não é
possível senão dentro do projeto do Pai.

Se o ato de curar as pessoas se transforma num "show" particular ou em pretensão de
poder vaidoso e triunfalista, acaba sendo ineficaz e é pura mistificação. A oração
exprime a união íntima com Deus e com o seu plano, porque só Deus pode desalienar a
pessoa, vencendo o mal. Sem essa referência ao projeto de Deus, a luta contra a
alienação, exploração, escravização e morte não se torna eficaz; simplesmente
escamoteia os problemas humanos. Talvez seja possível, inclusive, fazer ou ver algum
ato aparentemente "milagroso", mas será pura enganação se não estiver relacionado
com o projeto do Deus que quer uma sociedade justa, fraterna e livre.
     17 DE AGOSTO
 IX Domingo de Mateus
   "Senhor, salva-me!"



                 "Jesus, o Único
 EPÍSTOLA:        Fundamento" .
                Somos templos de
                Deus e o Espírito
1Cor 3, 9-17      habita em nós.

EVANGELHO:
                Jesus caminha
                sobre as àguas.
 Mt 14, 22-34
      APOLITÍKION DA RESSURREIÇÃO
                        (tom 8º)

         Desceste das Alturas, ó Misericordioso,
          e suportaste a sepultura por três dias
            para nos libertar dos sofrimentos.
        Senhor, nossa Vida e nossa Ressurreição
                       Glória a Tí!



          APOLITÍKION DA DORMIÇÃO
     Em tua maternidade, conservaste a virgindade
e em tua morte não abandonaste o mundo, ó Mãe de Deus.
     Passaste para a vida, tu que és a Mãe da Vida
e que, por tuas orações, livras da morte as nossas almas.



                   PROKÍMENON
          Fazei votos ao Senhor, vosso Deus,
                      e cumpri-os!
              Deus se manifesta em Judá,
             seu nome é grande em Israel.



                       ALELUIA
                 Aleluia, aleluia, aleluia!
              Vinde, exultemos no Senhor,
          aclamemos o Rochedo que no salva!
                 Aleluia, aleluia, aleluia!
   Apresentemo-nos diante d'Ele com ação de graças,
           aclamemo-Lo com hinos de louvor!
                 Aleluia, aleluia, aleluia!
SUBSÍDIOS HOMILÉTICOS:
                         Pe. Paulo Augusto Tamanini
Jesus anda sobre as águas:

Enquanto Jesus reza no monte, a barca dos discípulos está velejando no lago de Genesaré . Jesus tinha
pedido que os discípulos fossem para o "outro lado", isto é, para a terra dos pagãos. Para quê? Certamente
para ensinar aos outros aquilo que eles tinham vivenciado no milagre da multiplicação de pães e peixes: a
partilha é o atestado de nosso amor ao próximo. Mas, sair de casa para ir até os outros não é coisa fácil. O
mar está agitado, cheio de ventos fortes e ondas. O que significa isso? Significa a resistência dos
discípulos e a resistência de todos nós em compreender que o projeto de Deus é para todos e não apenas
para nós. Em alta madrugada Jesus vai até os discípulos, andando sobre a água. Ora, isso era prerrogativa
de Deus. Conforme o relato, os discípulos têm medo não só da tempestade, mas do próprio Jesus: "Quando
o avistaram andando sobre o mar, pensaram que era um fantasma e começaram a gritar. Com efeito, todos
o tinham visto e ficaram assustados" (Jo 6,49-50).

Jesus sempre será apenas um fantasma assustador ou um milagreiro qualquer para aqueles que julgam sua
prática absurda ou inoportuna politicamente. Os discípulos pensam que é um fantasma, e gritam
assustados. Jesus, porém, os tranqüiliza, dizendo: "CORAGEM! SOU EU. NÃO TENHAM MEDO".

Este é o modo como Deus sempre tranqüiliza os homens. E o "SOU EU" lembra imediatamente o Deus do
êxodo, que se revelou a Moisés como sendo o "EU SOU".

Tudo isso mostra que os discípulos ainda não estavam maduros na fé. Pedro, o líder dos discípulos, faz um
desafio: ir até Jesus, andando como Ele sobre as águas, isto é, participando da sua divindade. Para isso é
preciso grande fé, entrega total. O que não acontece, pois Pedro teme, duvida, e começa a afundar. O que
Jesus lhe diz vale para todos nós: "HOMEM FRACO NA FÉ, POR QUE VOCÊ DUVIDOU?" Também
nós duvidamos quando as coisas ficam difíceis e os ventos sopram contrários, prova de que ainda não
confiamos em Deus e no seu projeto.

O vento cessa logo que Jesus entra na barca. Por quê? Dizem que no centro do furacão reina completa paz.
Com Jesus em nosso meio estamos no centro do furacão: ao redor do qual tudo gira e ameaça, mas nós
permanecemos calmos, certos de que o projeto de Deus, realizado por Jesus, é e sempre será vitorioso. E,
reconhecendo isso, vem a grande confissão dos discípulos e da comunidade cristã: "DE FATO, TU ÉS O
FILHO DE DEUS". Uma confissão de fé que nos faz acreditar em nós mesmos, pois também nós, pelo
batismo, fomos feitos filhos de Deus.

Também nós podemos andar pelas águas agitadas do mundo, sem medo de afundar. Não temamos!
         15 DE AGOSTO:

Dormição da Santíssima Mãe de Deus
      e Sempre Virgem Maria

                          "Imitar Jesus
                          Cristo pela
      EPÍSTOLA:
                          humildade e
          Ef 2, 5-11      pela
                          abnegação".
                          Visita de
                          Jesus a
    EVANGELHO:            Marta e
        Lc 10, 38-42      Maria;
                          O Único
                          necessário.
                      APOLITÍKION
       Em tua maternidade, conservaste a virgindade
 e em tua morte não abandonaste o mundo, ó Mãe de Deus.
       Passaste para a vida, tu que és a Mãe da Vida
 e que, por tuas orações, livras da morte as nossas almas.



                      KONDÁKION
    O túmulo e a morte não subjugaram a Mãe de Deus,
      a incansável Intercessora e a vigilante Protetora;
   mas, sendo ela a Mãe da Vida fê-la passar para a vida,
      Aquele que habitou em seu seio sempre virgem.



                     PROKÍMENON
               Minha alma glorifica o Senhor
  e meu Espírito exulta de alegria em Deus meu Salvador.
   Porque voltou os olhos para a humildade de sua serva,
doravante, todas as gerações me chamarão Bem-aventurada.



                         ALELUIA
                   Aleluia, aleluia, aleluia!
        Levanta-te, Senhor, para vir ao teu repouso,
               Tu e a Arca de tua Majestade.
                   Aleluia, aleluia, aleluia!
            Jurou o Senhor uma verdade a Davi
                 e não deixará de cumpri-la:
    "Do fruto de tuas entranhas porei sobre o teu Trono".
                   Aleluia, aleluia, aleluia!



                       KINONIKÓN
                    Tomarei o Cálice da salvação
                    e involcarei o Nome do Senhor.
                         Aleluia, aleluia, aleluia!




SUBSÍDIOS HOMILÉTICOS:
                                                      Pe. Paulo Augusto Tamanini
A última grande festa do ano litúrgico bizantino (que termina no dia 31 de agosto) é Mariana:
Dormição da SS. Mãe de Deus, Kóimesis no grego e Uspénie no eslavo eclesiástico, palavras
que aludem justamente ao ato de dormir. E a tradicional representação iconográfica de 15 de
agosto mostra a Virgem estendida no leito de morte, rodeada para o último sono pelos
apóstolos, vindos prodigiosamente dos lugares onde pregavam o evangelho, tendo ao centro
Jesus Cristo que acolhe a sua alma, representada como uma menina envolta em faixas e por
ele sustentada.

      A partir do dia 1º de agosto, o Oriente bizantino prepara-se para a festa com um jejum (do qual
também fala São Teodoro Estudita, morto no ano 826) e dado que, além da pré-festa do dia 14 de
agosto, os textos litúrgicos falam do trânsito de Maria Santíssima ao céu até o dia 23 de agosto, pode-se
afirmar que este é o mês mariano dos fiéis ortodoxos.
        A celebração dessa solenidade no dia 15 de agosto foi fixada com um edito do imperador do
Oriente, Maurício (582-602), confirmando uma tradição, sem dúvida, mais antiga. No Ocidente, a festa
foi introduzida, juntamente com outras três festas marianas, pelo papa Sérgio I, coincidindo as datas de
sua celebração. Quanto ao conteúdo o tropário principal assim sintetiza o mistério:


      Tropário (1º tom)
         "Em tua maternidade conservaste a virgindade
         e em tua dormição
         não abandonaste o mundo, ó Mãe de Deus.
         Foste levada para a vida sendo a Mãe da Vida,
         e por tuas orações resgatas nossas almas da morte."
      Logo é posto em evidência o ministério de intercessão que a Mãe de Deus e nossa desempenha
após sua entrada (também corpórea) no céu. O kontákion do dia, a segunda oração mais repetida, o
confirma:


         Kontákion (2º tom)
         "Nem o túmulo nem a morte
         prevaleceram sobre a Mãe de Deus,
         que, sem cessar, reza por nós
         e permanece firme esperança de intercessão.
         Com efeito,
         aquele que habitou um seio sempre virgem
         assumiu para a vida aquela que é a Mãe da Vida."
       Embora os evangelhos não falem sobre o fim da vida de Maria, existe uma antiga tradição
patrística, com informações provindas outrossim dos apócrifos, e que está na base do Ofício litúrgico
bizantino do dia 15 de agosto.
       [...] breve hino extraído da Ode sexta do Cânon da festa, ainda hoje recitado pelos cristãos de
tradição constantinopolitana, cujo autor é São Cosme de Maiúma:
         "A ti, o Deus rei do universo,
         concedeu coisas que estão acima da natureza,
         porque, como no parto te conservou virgem,
         assim no sepulcro conservou incorrupto o teu corpo
         e com a divina trasladação o glorificou".
[...]
         Hino das Vésperas
         (autoria de São Germano de Constantinopla)

         "Vinde de todos os confins do universo,
         cantemos a bem-aventurada trasladação da Mãe de Deus!
         Nas mãos do Filho ela depositou a sua alma sem pecado;
         com a sua santa Dormição o mundo é vivificado;
         e é com salmos, hinos e cânticos espirituais,
         em companhia dos anjos e dos apóstolos,
         que ele a celebra na alegria."
      Como nos demais textos litúrgicos bizantinos, da maioria dos hinos, que se repetem há mais de
mil anos, se desconhece o nome do autor: Eis um exemplo tirado ainda do Ofício de Vésperas:
         "Oh, os teus mistérios, ó Pura!
         Apareceste, ó Soberana, trono do Altíssimo
         e nesse dia te transferiste da terra para o céu.
         A tua glória brilha com o resplendor da graça.
         Virgens, subi para o alto com a Mãe do Rei!
         Ó cheia de graça, salve, o Senhor é contigo!
         Ele que doa ao mundo, por teu intermédio,
         a grande misericórdia."
       Entre os lugares santos venerados em Jerusalém que se relacionam ao mistério final da vida da
Mãe de Deus, não existe somente a Basílica da Dormição cuidada pelos Beneditinos católicos, mas há
também o Túmulo da Virgem, que está aos cuidados dos ortodoxos, próximo ao jardim do Getsêmani e
onde recentes escavações confirmam que a sepultura remonta, de fato, à época em que viveu Maria
Santíssima, e pode ter sido o lugar de seu breve sepultamento. A tradição bizantina, claramente expressa
na oração, acredita na morte e no sepulcro da Virgem, mas também na sua antecipada glorificação ao
céu com o corpo e a alma, à semelhança e em virtude de quanto aconteceu ao seu divino Filho. Assim
começa o texto próprio das Grandes vésperas do dia 15 de agosto:

         "Ó maravilha inaudita!
         A fonte da vida é posta no túmulo
         e o sepulcro transforma-se em escada que leva ao céu. Alegra-te, ó
         Getsêmani,
         santuário sagrado da Mãe de Deus!..."
      A tradição narra que o apóstolo Tomé, tendo chegado atrasado para o sepultamento da Virgem e
querendo rever seu amado semblante, fez reabrir o túmulo, mas este foi achado vazio e a mesma Mãe de
Deus anunciou, numa visão, que havia ressuscitado e subido ao céu junto do seu Filho divino.
      Se nos textos litúrgicos da festa encontramos várias alusões à tristeza dos Apóstolos que não
verão mais junto deles a Mãe de Jesus, predomina, porém, a alegria pelo triunfo da Theotókos.
      Diz um hino das Laudes
          " A tua gloriosa Dormição alegra os céus,
         faz exultar a multidão dos anjos:
         a terra toda exulta de alegria
         elevando a ti um canto de adeus,
         ó Mãe do Senhor de todas as coisas,
         Virgem santíssima desconhecedora de núpcias,
         que libertaste o gênero humano da antiga condenação."
      A festa da Dormição da Santíssima Mãe de Deus - este nome, como também a representação
iconográfica (visíveis inclusive nos mosaicos de Santa Maria Maior e Santa Maria em Trastevere, em
Roma) permaneceu comum no Oriente e no Ocidente por mais de um milênio.
      O termo Assunção, que provém da França, é bem mais tardio
                "comemora um fato e também atualiza a doutrina e projeta sobre a nossa vida
         transitória uma luz de eternidade. Esse fato, embora não relatado pela Escritura,
         tornou-se realidade na consciência da Igreja através da tradição. Maria que é
         mulher e que morre na terra como todo ser humano, alcança o seu Filho que é Deus e
         que está no céu. Ademais, esta mulher que podemos legitimamente chamar de
         representante da humanidade enquanto Nova Eva, mulher perfeita enquanto Pura
         Mãe de Deus, não perdeu nenhum de seus atributos naturais, não se abstraiu em
         alguma alegoria impalpável: ela permanece Maria. Mas o que ela é, no resplendor
         do seu ser real, as festas no-lo desvelam" .
       Com esta citação de um teólogo russo ortodoxo concluímos, retomando do Ofício das Vésperas
bizantinas uma última invocação:

         "...Ó imaculada Mãe de Deus,
         sempre vivente com o Rei da vida e Filho teu,
         reza sem cessar para que seja conservada
         e salva de toda insídia do adversário a multidão de teus filhos,
         pois nós estamos debaixo da tua proteção
         e te glorificamos por todos os séculos".
        "A ti, o Deus rei do universo,
        concedeu coisas que estão acima da natureza,
        porque, como no parto te conservou virgem,
        assim no sepulcro conservou incorrupto o teu corpo
        e com a divina trasladação o glorificou".
[...]
        Hino das Vésperas
        (autoria de São Germano de Constantinopla)

        "Vinde de todos os confins do universo,
        cantemos a bem-aventurada trasladação da Mãe de Deus!
        Nas mãos do Filho ela depositou a sua alma sem pecado;
        com a sua santa Dormição o mundo é vivificado;
        e é com salmos, hinos e cânticos espirituais,
        em companhia dos anjos e dos apóstolos,
        que ele a celebra na alegria."
       Como nos demais textos litúrgicos bizantinos, da maioria dos hinos, que se repetem há mais de mil
anos, se desconhece o nome do autor: Eis um exemplo tirado ainda do Ofício de Vésperas:
        "Oh, os teus mistérios, ó Pura!
        Apareceste, ó Soberana, trono do Altíssimo
        e nesse dia te transferiste da terra para o céu.
        A tua glória brilha com o resplendor da graça.
        Virgens, subi para o alto com a Mãe do Rei!
        Ó cheia de graça, salve, o Senhor é contigo!
        Ele que doa ao mundo, por teu intermédio,
        a grande misericórdia."
       Entre os lugares santos venerados em Jerusalém que se relacionam ao mistério final da vida da Mãe de
Deus, não existe somente a Basílica da Dormição cuidada pelos Beneditinos católicos, mas há também o
Túmulo da Virgem, que está aos cuidados dos ortodoxos, próximo ao jardim do Getsêmani e onde recentes
escavações confirmam que a sepultura remonta, de fato, à época em que viveu Maria Santíssima, e pode ter
sido o lugar de seu breve sepultamento. A tradição bizantina, claramente expressa na oração, acredita na
morte e no sepulcro da Virgem, mas também na sua antecipada glorificação ao céu com o corpo e a alma, à
semelhança e em virtude de quanto aconteceu ao seu divino Filho. Assim começa o texto próprio das Grandes
vésperas do dia 15 de agosto:

        "Ó maravilha inaudita!
        A fonte da vida é posta no túmulo
        e o sepulcro transforma-se em escada que leva ao céu. Alegra-te, ó Getsêmani,
        santuário sagrado da Mãe de Deus!..."
      A tradição narra que o apóstolo Tomé, tendo chegado atrasado para o sepultamento da Virgem e
querendo rever seu amado semblante, fez reabrir o túmulo, mas este foi achado vazio e a mesma Mãe de Deus
anunciou, numa visão, que havia ressuscitado e subido ao céu junto do seu Filho divino.
      Se nos textos litúrgicos da festa encontramos várias alusões à tristeza dos Apóstolos que não verão mais
junto deles a Mãe de Jesus, predomina, porém, a alegria pelo triunfo da Theotókos.
      Diz um hino das Laudes
         " A tua gloriosa Dormição alegra os céus,
        faz exultar a multidão dos anjos:
        a terra toda exulta de alegria
        elevando a ti um canto de adeus,
        ó Mãe do Senhor de todas as coisas,
        Virgem santíssima desconhecedora de núpcias,
        que libertaste o gênero humano da antiga condenação."
      A festa da Dormição da Santíssima Mãe de Deus - este nome, como também a representação
iconográfica (visíveis inclusive nos mosaicos de Santa Maria Maior e Santa Maria em Trastevere, em Roma)
permaneceu comum no Oriente e no Ocidente por mais de um milênio.
      O termo Assunção, que provém da França, é bem mais tardio
               "comemora um fato e também atualiza a doutrina e projeta sobre a nossa vida
        transitória uma luz de eternidade. Esse fato, embora não relatado pela Escritura, tornou-se
        realidade na consciência da Igreja através da tradição. Maria que é mulher e que morre na
        terra como todo ser humano, alcança o seu Filho que é Deus e que está no céu. Ademais,
        esta mulher que podemos legitimamente chamar de representante da humanidade enquanto
        Nova Eva, mulher perfeita enquanto Pura Mãe de Deus, não perdeu nenhum de seus
        atributos naturais, não se abstraiu em alguma alegoria impalpável: ela permanece Maria.
        Mas o que ela é, no resplendor do seu ser real, as festas no-lo desvelam" .
       Com esta citação de um teólogo russo ortodoxo concluímos, retomando do Ofício das Vésperas
bizantinas uma última invocação:

        "...Ó imaculada Mãe de Deus,
        sempre vivente com o Rei da vida e Filho teu,
        reza sem cessar para que seja conservada
        e salva de toda insídia do adversário a multidão de teus filhos,
        pois nós estamos debaixo da tua proteção
        e te glorificamos por todos os séculos".
       10 DE AGOSTO
   VIII Domingo de Mateus
"Dai-lhes vós mesmos de comer"



                    "Sê unânimes no
    EPÍSTOLA:        falar e não haja
                    divisão entre vós.
                   Sede concordes no
   1Cor 1, 10-20    mesmo pensar e
                   no mesmo sentir".
               Jesus multiplica 5
               pães e 2 peixes e
                sacia a fome do
              povo faminto que o
EVANGELHO:
                    segue.
              Disposição a servir
                e a partilhar os
 Mt 12, 30-37
              bens da vida, sem
                 submetê-los à
                  ganância do
                   comércio.

                ISSODIKÓN
      Porque em Ti está a fonte da Vida
           e na tua luz vemos a luz!



 APOLITÍKION DA RESSURREIÇÃO
                  (tom 7º)
       Pela tua Cruz destruíste a morte,
   e abriste as portas do paraíso ao Ladrão,
converteste em alegria o pranto das Miróforas
e lhes disseste que aos Apóstolos anunciassem
 que ressuscitaste dos mortos, ó Cristo Deus,
  revelando ao mundo a grande Misericórdia!



APOLITÍKION DA TRANFIGURAÇÃO
                  (tom 7º)
            Ó Cristo, nosso Deus,
           que te transfiguraste sobre o Monte Tabor,
           mostrando aos teus discípulos a tua glória
          tanto quanto lhes era possível contemplá-la,
                 faze brilhar também sobre nós
                        a tua luz eterna,
                pelas orações da Mãe de Deus.
                  Ó Doador da Luz, glória a Ti!



          KONDÁKION DA TRANFIGURAÇÃO
              Tu te transfiguraste sobre o Monte,
                     ó Cristo, nosso Deus,
           revelando a tua glória aos teus discípulos,
          tanto quanto lhes era possível contemplá-la,
  a fim de que, quando te vissem crucificado, compreendessem
             que aceitaste livremente a tua Paixão,
e anunciassem ao mundo que és, em verdade, o Esplendor do Pai.



                       PROKÍMENON
          O Senhor dará poder a seu povo (Sl 29, 11).
       O Senhor abençoará seu povo com a paz (Sl 28, 1).



                           ALELUIA
                     Aleluia, aleluia, aleluia!
                    É bom exaltar o Senhor
      e cantar louvores ao teu Nome, ó Altíssimo (Sl 92, 1)
                     Aleluia, aleluia, aleluia!
               Proclamar pela manhã o teu amor
             e a tua fidelidade pela noite (Sl 91, 2).
                     Aleluia, aleluia, aleluia!



                         KINONIKÓN
                    Louvai o Senhor nos céus
                      louvai-O nas alturas!
                     Aleluia, aleluia, aleluia!




SUBSÍDIOS HOMILÉTICOS:
                                                  Pe. Paulo Augusto Tamanini
Jesus sacia a fome do povo:
         32
            Jesus chamou seus discípulos e lhes disse: “Tenho compaixão deste povo. Já
         há três dias que me acompanham e não tem o que comer. Não quero despedi-los
         em jejum para que não desfaleçam no caminho”. 33 Dizem-lhe os discípulos:
         “Donde poderíamos ter, aqui no deserto, pães em número suficiente para saciar
         tão grande multidão?” 34 “Quantos pães tendes?” perguntou-lhes Jesus. “Sete
         pães e alguns peixinhos”, responderam eles. 35 Ordenou, então, ao povo que se
         assentasse sobre a terra. 36 Tomando os sete pães e os peixes, rendeu graças a
         Deus, partiu-os e entregou-os aos discípulos. Os discípulos distribuíram-nos ao
         povo. 37 Todos comeram até ficarem satisfeitos. Dos pedaços que sobraram,
         recolheram-se sete cestos cheios. 38 O número dos que tinham comido elevava-
         se a quatro mil homens, sem contar mulheres e crianças.
         39
              Despediu a multidão e, subindo à barca, dirigiu-se à região de Magadan.




No tempo do deserto, o povo de Deus passou fome. A questão da sobrevivência aparece
imediatamente: "Jesus ergueu os olhos e viu uma grande multidão que vinha ao seu encontro.
Então disse a Filipe: ‘Onde vamos comprar pão para eles comerem?’". Notemos que a primeira (e
a única) preocupação de Jesus é com a sobrevivência do povo. Nada disso acontecia por ocasião da
festa da Páscoa em Jerusalém. Bem ao contrário, como já pudemos constatar.
Jesus provoca seus seguidores, representados por Filipe: como resolver a questão da fome do
povo? Filipe pensa como muita gente "de bem". Para ele, a fome do povo não tem solução: "Nem
meio ano de salário bastaria para dar um pedaço a cada um". Filipe mostra muito bem que o
comércio tomou conta dos bens que sustentam a vida. É preciso muito dinheiro para saciar a fome
do povo! E isso parece ser um caso sem solução.
Surge, então, André. Já vimos que seu nome significa humano. Ele representa a nova proposta
diante da fome do povo: "Aqui há um rapaz que tem cinco pães de cevada e dois peixes. Mas o
que é isso para tanta gente?". Pão de cevada e peixe eram a comida dos pobres. O rapaz recorda
os pequenos que estão dispostos a servir e a partilhar os bens da vida, sem submetê-los à ganância
do comércio. Uma dose de humanidade (André), o alimento dos pobres (pão de cevada e peixes),
alguém disposto a servir e a partilhar (rapaz): será que isso vai resolver a questão da fome do
povo? Será que a partilha resolveria para sempre a fome da humanidade inteira?
Jesus ordena aos discípulos que mandem o povo sentar. Naquele tempo, somente as pessoas livres
é que sentavam para tomar refeição. O gesto de sentar, portanto, funciona como tomada de
consciência da própria dignidade e liberdade. Jesus quer que os discípulos e o povo tomem
consciência disso. Estar sentado contrasta com a prostração em que se encontravam os doentes em
Jerusalém. O evangelho afirma que havia muita grama nesse lugar. Já vimos que o Templo de
Jerusalém era chamado simplesmente de "o Lugar". O novo Templo em que Deus se encontra com
a humanidade é lá onde acontecem a partilha dos bens da vida e a fruição da dignidade e da
liberdade humanas. Jesus e o povo livre são o novo Templo! E isso vale para todos. De fato,
estavam aí cinco mil pessoas. Esse número é simbólico e representa toda a comunidade do
Messias.
Jesus pega o pão do povo e faz a oração de agradecimento. É muito estranho que ele não agradeça
ao rapaz, e sim a Deus. Esse detalhe é importante, pois recoloca os bens que sustentam a vida
dentro do projeto de Deus. De fato, lendo Gênesis 1, descobrimos que todas as criaturas de Deus
têm sua porção de alimento que sustenta e garante a vida. Dando graças a Deus, Jesus está tirando
os bens da vida das garras da ganância e do acúmulo (comércio) para colocá-los no âmbito da




da partilha e da gratuidade. Todos têm direito     a esses bens, porque é isso que o projeto de
Deus prevê. A proposta de Jesus, portanto,         traz uma nova visão da economia: os bens que
garantem e sustentam a vida não podem ser submetidos à ganância do comércio, pois Deus os
destinou a todos. Não é culpa de Deus se o povo passa fome. Isso é resultado de uma economia
"sem coração", que acumula a vida para_poucos às custas da miséria de muitos.
Jesus distribui os pães e os peixes às cinco mil pessoas. Ele faz tudo sozinho porque é o Doador da
vida para todos. Sua vida é entregue plenamente.

O povo se farta. E ainda sobra muita coisa. Disso aprendemos que, se os bens da vida
forem partilhados entre todos, todos ficarão satisfeitos e ainda sobrará muita coisa. De
fato, os doze cestos cheios lembram as doze tribos de Israel, ou seja, todo o povo de
Deus do Antigo Testamento. A lição é muito clara: quando a vida é partilhada, todos a
possuem plenamente, e ela transborda para todos.
Jesus manda recolher os pães que sobraram: "Recolham os pedaços que sobraram, para não se
desperdiçar nada". O fato recorda Êxodo 16,20. No tempo do deserto não era permitido acumular
o maná. O que Jesus quer dizer com isso é que sua comunidade não pode acumular, pois isso gera
ganância. E o que é acumulado por alguns falta aos outros.
O povo reage ao sinal que Jesus realizou: "Este é mesmo o profeta que devia vir ao mundo", mas
reage de modo passivo, pois quer fazê-lo rei. Quando mandou a multidão sentar, Jesus queria o
povo livre. Este, agora, quer se tornar escravo de um rei. Por isso Jesus foge para a montanha, pois
não se deixa manipular. O fato de Jesus se retirar para a montanha recorda Êxodo 34,3-4: Moisés
subiu ao monte depois que o povo caiu na idolatria de querer fazer um deus à sua imagem. Jesus se
retira sozinho para a montanha porque a grande idolatria nesse momento é querer que Deus resolva
todos os nossos problemas sem a nossa contribuição.


 partilha e da gratuidade. Todos têm direito a esses bens, porque é isso que o projeto de Deus
prevê. A proposta de Jesus, portanto, traz uma nova visão da economia: os bens que garantem e
sustentam a vida não podem ser submetidos à ganância do comércio, pois Deus os destinou a
todos. Não é culpa de Deus se o povo passa fome. Isso é resultado de uma economia "sem
coração", que acumula a vida para_poucos às custas da miséria de muitos.
Jesus distribui os pães e os peixes às cinco mil pessoas. Ele faz tudo sozinho porque é o Doador da
vida para todos. Sua vida é entregue plenamente.

O povo se farta. E ainda sobra muita coisa. Disso aprendemos que, se os bens da vida
forem partilhados entre todos, todos ficarão satisfeitos e ainda sobrará muita coisa. De
fato, os doze cestos cheios lembram as doze tribos de Israel, ou seja, todo o povo de
Deus do Antigo Testamento. A lição é muito clara: quando a vida é partilhada, todos a
possuem plenamente, e ela transborda para todos.
Jesus manda recolher os pães que sobraram: "Recolham os pedaços que sobraram, para não se
desperdiçar nada". O fato recorda Êxodo 16,20. No tempo do deserto não era permitido acumular
o maná. O que Jesus quer dizer com isso é que sua comunidade não pode acumular, pois isso gera
ganância. E o que é acumulado por alguns falta aos outros.
O povo reage ao sinal que Jesus realizou: "Este é mesmo o profeta que devia vir ao mundo", mas
reage de modo passivo, pois quer fazê-lo rei. Quando mandou a multidão sentar, Jesus queria o
povo livre. Este, agora, quer se tornar escravo de um rei. Por isso Jesus foge para a montanha, pois
não se deixa manipular. O fato de Jesus se retirar para a montanha recorda Êxodo 34,3-4: Moisés
subiu ao monte depois que o povo caiu na idolatria de querer fazer um deus à sua imagem. Jesus se
retira sozinho para a montanha porque a grande idolatria nesse momento é querer que Deus resolva
todos os nossos problemas sem a nossa contribuição.


                                       Fonte: BORTOLINI, José
                                        Como ler o Evangelho
                                        Ed Paulus, 5ª Ed, 1994.
        06 DE AGOSTO
A TRANSFIGURAÇÃO DO SENHOR
    SOBRE O MONTE TABOR



                       Os motivos da
                 necessidade de praticar
                as virtudes; magnificência
  EPÍSTOLA:      de Cristo nos dons que
                 nos deu; certeza de sua
                 Vinda Gloriosa, por sua
 2Pd 1, 10-19    Transfiguração da qual
                  Pedro foi testemunha
                          ocular

 EVANGELHO: A Transfiguração de
            Nosso Senhor Jesus
            Cristo no Monte Tabor.
 Mt 17, 1-9
              APOLITÍKION
                  (tom 7º)
            Ó Cristo, nosso Deus,
  que te transfiguraste sobre o Monte Tabor,
  mostrando aos teus discípulos a tua glória
 tanto quanto lhes era possível contemplá-la,
        faze brilhar também sobre nós
               a tua luz eterna,
       pelas orações da Mãe de Deus.
        Ó Doador da Luz, glória a Ti!



               KONDÁKION
     Tu te transfiguraste sobre o Monte,
            ó Cristo, nosso Deus,
  revelando a tua glória aos teus discípulos,
 tanto quanto lhes era possível contemplá-la,
                a fim de que,
quando te vissem crucificado, compreendessem
    que aceitaste livremente a tua Paixão,
          e anunciassem ao mundo
   que és, em verdade, o Esplendor do Pai.



              PROKÍMENON
Quão magníficas são as tuas obras, ó Senhor,
    fizeste com sabedoria todas as coisas!
       Bendize ó minha alma o Senhor,
         Senhor, com és grandioso.
                                             ALELUIA
                                       Aleluia, aleluia, aleluia!
                              Teus são os Céus e tua é a Terra
                        fundaste o mundo e tudo o que ele contém.
                                       Aleluia, aleluia, aleluia!
                                             Feliz o povo
                               que tem o Senhor por seu Deus.
                                       Aleluia, aleluia, aleluia!



                                           KINONIKÓN
                                    Caminharemos, Senhor,
                         na luz da glória de tua face pelos séculos.
                                       Aleluia, aleluia, aleluia!




                                                 Obs.:
                 a.   Na Bênção Final, "Que Aquele que se transfigurou sobre o Monte Tabor,
                        diante de seus santos discípulos e apóstolos, o Cristo nosso Deus ...

                                  b.    A Festa termina no dia 13 de agosto.


                               SUBSÍDIOS HOMILÉTICOS:
                                                                                         Pe. Paulo Augusto Tamanini




São Mateus, o evangelista, descreve a transfiguração, no Monte Tabor, desta maneira:
  “Depois de profetizar o Senhor para os Discípulos, a Sua morte na cruz, tomou Pedro, Tiago e João,
       seu irmão, e subiu com eles um monte alto (monte Tabor na Galiléia) sozinhos. Foi, então,
   transfigurado diante deles. O Seu rosto brilhou como o Sol e Sua vestidura tornou-se branca como
         a luz. Apareceram, também, Moisés e Elias, que falavam com Ele. Pedro alvitrou, então, que era
           bom ficar ali. Se quiser, disse ele, teremos aqui três tabernáculos, um para o Senhor, um para
         Moisés e outro para Elias. Enquanto ele falava, uma nuvem luminosa cobriu-os e uma voz dizia:
        ‘Este é Meu Filho amado em quem Me comprazo, ouviu-o’. Quando ouviram os discípulos caíram
           sobre seus rostos e tiveram muito receio. Veio Jesus e tocou neles dizendo: “Levantai-vos, não
        temais”. Levantaram os olhos e não viram mais ninguém, senão Jesus sozinho. Enquanto desciam
        do monte, recomendou-lhes Jesus que não contassem para ninguém o que viram até que ressurgisse
                                 o Filho do Homem de entre os mortos (Mt 17, 1-10).

   No Oriente bizantino a festa do 6 de agosto, Santa Transfiguração de Nosso Senhor Deus e
Salvador Jesus Cristo, reveste-se de uma solenidade toda especial. Essa festa é lembrada desde
  o século IV pelos santos Efrém, o Sírio e João Crisóstomo e, entre os hinos litúrgicos, até hoje
ainda em uso entre os bizantinos ortodoxos e/ou católicos, muitos são de autoria de São Cosme de
   Maiúma e de São João Damasceno. Já no dia anterior à festa se evidencia a importância do
        evento em que aparecem a beleza primordial da criação e o inteiro plano salvífico:


                               Kontákion da vigília (4º tom).

                                 Hoje, em tua divina transfiguração,
                       a inteira natureza humana brilha de divino resplendor
                           e exclama com júbilo: O Senhor transfigura-se
                                     salvando todos os homens.
O tropário final da festa, bem como o kondákíon, são repetidos mais vezes até o dia 13 de agosto.
                                                Ei-los:
                                           "Ó Cristo Deus,
                                 te transfiguraste sobre a montanha,
                                mostrando aos discípulos tua glória,
                           à medida que lhes era possível contemplá-la.
                                   Também sobre nós, pecadores,
                                     deixa brilhar tua luz eterna,
                                   pelas orações da Mãe de Deus.
                                     ó Doador da luz, glória a ti!"


                                      Kontákion (7º tom).
                       "Sobre o monte te transfiguraste e os teus discípulos,
                     à medida que o podiam, viram a tua glória, ó Cristo Deus,
                            a fim de que quantos te vissem crucificado,
                         compreendessem que a tua paixão era voluntária
                                    e proclamassem ao mundo
                         que tu és verdadeiramente o resplendor do Pai."
Com efeito, a narrativa evangélica, transmitida por Mateus, Marcos e Lucas, se encontra entre dois
prenúncios da paixão de Cristo, e os três discípulos presentes ao evento da transfiguração são os
mesmos que assistirão, embora de longe e sonolentos, à dolorosa oração de Jesus no Jardim das
Oliveiras. Com freqüência no-lo lembram os textos litúrgicos bizantinos próprios do dia, como, por
                                exemplo, este trecho das Vésperas:
                                "Antes da tua crucificação, Senhor,
                                o monte tornou-se parecido ao céu
                            e uma nuvem encobriu-o como uma tenda;
                   enquanto te transfiguravas, o Pai te testemunhou qual Filho.
                            Estavam ali presentes Pedro, Tiago e João,
                  os mesmos que estariam presentes contigo na hora da traição,
                         para que, tendo contemplado as tuas maravilhas,
                       não se perturbassem ao contemplar teus sofrimentos.
                           Concede também a nós, por tua misericórdia,
                                       contemplá-los na paz."
    O ícone da Transfiguração encontra-se com freqüência, também porque é um tema que o
    iconógrafo deve privilegiar na sua atividade pictórica. Ele fica exposto, no meio da igreja, à
veneração dos fiéis, desde a tarde do dia 5 de agosto até 13 do mesmo mês. O complexo pictórico
  resume bem o conjunto da festa conforme o esquema que nos foi transmitido por séculos. Ao
centro domina a figura do Cristo em vestes brancas. Raios de luz se desprendem da sua pessoa e
 se espalham em todas as direções rumo à extremidade de um círculo, símbolo da verdade. Ele
está no alto de um monte e aos lados, sobre dois picos rochosos, admiramos as figuras de Moisés
     e Elias, ligeiramente inclinados para o Salvador, com o qual conversam, representantes
  respectivamente da Lei e dos Profetas, que têm na pessoa do Salvador os seus cumprimento.
Embaixo, a cena é mais movimentada e apresenta figuras do Novo Testamento: os três discípulos
  escolhidos para subir ao monte estão em atitude de grande espanto. À direita (de quem olha),
Pedro, de joelhos, com uma das mãos se apóia no chão e com a outra aponta para o divino fulgor
que observa de esguelha. Tiago e João estão caídos no chão e cobrem os olhos ofuscados pela
luminosa teofania. A fraqueza humana perante o evento excepcional, por contraste, ressalta a paz
                  transcendente e a divina segurança de Jesus, centro de tudo.
A tradição oriental reconhece na Transfiguração uma nova manifestação trinitária após a ocorrida
 no batismo de Jesus, porque no Tabor "a voz do Pai dá testemunho, o Espírito ilumina e o Filho
                              recebe e manifesta a palavra e a luz."
Existem outros temas sobre os quais os hinos litúrgicos dessa festa querem atrair a atenção dos
  fiéis: a "metamorfose" de Cristo "resplendor" do Pai; o prenúncio da Ressurreição de Jesus e
 nossa; a divinização da natureza humana, obscurecida em Adão e agora iluminada. Eis alguns
                                    desses temas hinográficos:
                        "Luz imutável da luz do Pai não gerado, ó Verbo,
                       na tua luz brilhante hoje no Tabor vimos a luz do Pai
                           e a luz do Espírito que ilumina toda criatura".
                            "Vinde, subamos à montanha do Senhor,
                                      à casa do nosso Deus,
                              e veremos a glória da transfiguração,
                                    glória do Unigênito do Pai;
                                     na luz receberemos a luz
                                     e, elevados pelo Espírito,
                       cantaremos nos séculos a Trindade consubstancial."
                              "Ó Cristo, te revestiste do Adão inteiro,
                            iluminaste a natureza outrora obscurecida
                         e na metamorfose do teu aspecto a divinizaste."
  A teologia oriental insiste sobre a graça incriada, participação na luz que envolveu o Cristo no
                                               Tabor,
                              "Graça deificante, emanação do Espírito Santo
                                       que vem a iluminar a Esposa
                             para torná-la nupcialmente conforme ao Esposo,"
                          como escreve C. Andronikov, acrescentando:
          "A Transfiguração, festa teleológica por excelência, nos permite aguardar a Páscoa e
                                  prever o porvir para além da parusia."
   A oração de São João Damasceno (século VIII), na Ode nona do seu Cânon para o dia 6 de
            agosto, é um convite que se estende até os nossos dias, para todos nós:
                                      "Vinde, ó povos, segui-me;
                              subamos à montanha santa, rumo ao céu.
                              Fixemos espiritualmente a nossa morada
                                      na cidade do Deus vivente
                     e contemplemos a divindade imaterial do Pai e do Espírito
                                que, em seu Filho único, resplandece”.
                                        "ó Cristo tu me atraíste
                               e transformaste com o teu divino amor;
                                    queima, pois, os meus pecados
                                      na chama do fogo imaterial
                                     e enche-me de tuas delícias,
                                    para que, exultante de alegria,
                                 possa glorificar, ó Deus de bondade,
                                          as tuas duas vindas."
  Para a igreja de tradição bizantina, a festa da "Transfiguração (Metamórphosis) de nosso grande Deus e
  Salvador Jesus Cristo" é uma das 12 solenidades do calendário litúrgico. Isso traduz toda a teologia da
                                            divinização do homem.
                                   Em um dos hinos da festa canta-se:

                                            Hoje, no Tabor,
                           transformou Cristo a escura natureza de Adão:
                             revestindo-a de seu esplendor, divinizou-a.
    A referida festa parece ter surgido como comemoração de dedicação das basílicas do monte Tabor.
 É posterior à festa da Exaltação da Cruz, da qual, no entanto, depende quanto à fixação de sua data. Com
  efeito, segundo uma tradição, a Transfiguração de Jesus tinha acontecido 40 dias antes da crucifixão. A
   solenidade tinha-se, pois, fixado no dia 6 de Agosto, isto é, 40 dias antes da Exaltação da Cruz, que é
                                      celebrada no dia 14 de Setembro.
 A relação entre uma e outra festa sublinha-se, igualmente, pelo fato de que no dia 6 de Agosto começam a
cantar-se os hinos (catavasias) da Cruz. Alguns hinos de Vésperas da festa começam, efetivamente, fazendo
                                               alusão à Cruz:
                                         Antes de tua Cruz, Senhor,
                                      imitar o céu propôs-se o monte:
                                     estendeu-se a nuvem como tenda.
                                       Enquanto tu te transfiguravas
                                       e de ti testemunho o Pai dava,
                                presentes ali estavam Pedro, João e Tiago,
                                        uma vez que tinham também
                                de acompanhar-te no momento da entrega,
                                  para que, com a visão de tua majestade,
                                     não fossem de temores fácil presa
                                      diante de tua dolorosa Paixão.22
A festa tinha-se já propagado nos fins do século V. No século VI, já encontramos grandes representações que
   cobrem as capelas das ábsides centrais, nas basílicas de Parenzo, de Santo Apolinário em Ravenna, do
Mosteiro de Santa Catarina no Sinai. Desde o princípio, o esquema iconográfico reproduz o momento central
   do relato evangélico, de sorte que poucas são as variantes e as adições particulares através dos séculos.


                                 Tu te transfiguraste, ó Cristo

                                  “Tu te transfiguraste, Cristo, no monte;
                                   tua glória contemplaram os discípulos,
                                  a fim de que, na cruz cravado ao ver-te,
                                           pudessem compreender
                                      que a Paixão era em ti voluntária
                                         e ao mundo proclamassem
                                  que tu és de verdade o esplendor do Pai.
                                         Erguei-vos, preguiçosos,
                                não queirais à terra viver sempre apegados;
                                         o vôo erguei até a altura,
                                     rasteiros pensamentos de pecado
                                   que minha alma amarrais ao terreno.

                                  Corramos com Tiago, João e Pedro
                                  e ao Tabor acorramos com presteza
                                   para com eles ver de Deus a glória
                                     e a voz escutar ouvida por eles
                                 e na qual o Pai eterno confessaram.”
Neste dia trazem os fiéis as frutas para a Igreja para que sejam abençoadas, como se fazia, antes, oferecendo
                                  as primícias para o Templo, conforme a lei.
     03 DE AGOSTO

VII Domingo de Mateus
  "Faça-se conforme a tua fé"
EPÍSTOLA:
               Os fortes devem suportar as fraquezas dos fracos para
                    a sua edificação. A unanimidade (unidade),
                        característica da comunidads cristã.
Rom 15, 1-7




EVANGELHO:
                            A fonte do poder de Jesus;
                         Jesus cura um cego e um surdo;
                                  O poder da Fé;
 Mt 9, 27-35
           APOLITÍKION DA RESSURREIÇÃO
                            (tom 6º)
            Enquanto Maria estava diante do sepulcro
                à procura de teu imaculado corpo,
               os anjos apareceram em teu túmulo
                  e as sentinelas desfaleceram.
                  Sem ser vencido pela morte,
          submeteste ao teu domínio o reino dos mortos,
         e vieste ao encontro da Virgem revelando a vida.
         Senhor que ressurgistes dos mortos, glória a Ti!



                   HINO À MÃE DE DEUS
Ó Admirável e Protetora dos cristãos e nossa Medianeira do Criador
    não desprezes as súplicas de nenhum de nós pecadores,
   mas apressa-te em auxiliar-nos como Mãe bondosa que és,
                    pois te invocamos com fé:
                   roga por nós junto de Deus,
        tu que defendes sempre aqueles que te veneram.



                        PROKÍMENON
                    Salva, Senhor, o teu povo
               e abençoa a tua herança. (Sl 28, 9)
                Clamo a Ti, Senhor, meu rochedo
             presta ouvido aos meus rogos. (Sl 28, 1)



                           ALELUIA
                     Aleluia, aleluia, aleluia!
               Quem habita ao abrigo do Altíssimo
                         e vive à sombra do Senhor Onipotente (Sl 91, 1)
                                     Aleluia, aleluia, aleluia!
                           Diz ao Senhor, sois meu refúgio e proteção
                     sois o meu Deus no qual confio inteiramente. (Sl 91, 2).
                                     Aleluia, aleluia, aleluia!



                                         KINONIKÓN
                                    Louvai o Senhor nos céus
                                      louvai-O nas alturas!
                                     Aleluia, aleluia, aleluia!




 SUBSÍDIOS HOMILÉTICOS:
                                                                            Pe. Paulo Augusto Tamanini




O evangelho deste domingo evoca em palavras sucintas, mas dinâmicas, a chegada ao mundo
do profeta que anuncia a instauração do Reino de Deus: Jesus de Nazaré. Para isso percorria as
cidades e povoados, pregava o amor e o perdão, proclamava a Boa Nova, curava os enfermos,
revelando em cada gesto, o amor misericordioso e a ternura do Pai.

É recorrente a situação de cura de deficiências físicas e outras enfermidades no Evangelho
proclamado nas últimas semanas e nas que seguem. Jesus é o Divino Médico que, movido pela
compaixão , restaura a integridade da pessoa humana.

Neste domingo, Jesus opera a recuperação da visão a dois cegos e solta a voz a um mudo que
imploram por sua compaixão. Estes gestos revelam a origem do poder em nome do qual age. O
texto parece mais revelador em Mt 11,20-24 quando o Senhor constata a incredulidade do povo
face ao descaso e indiferença para com a manifestação de Deus naquele lugar. "Ai de Ti... porque
se em Tiro ou em Sidônia tivessem sido realizados os milagres que em vós se realizam, muitos
teriam se arrependido..."

Os milagres e as curas são um convite ao arrependimento e a conversão, tema central de sua
mensagem: "Arrependei-vos porque está próximo o Reino de Deus" (Mt 4,17). Há uma estreita
conexão entre as curas e a pregação do Reino de Deus.

A admiração do povo simples e dos discípulos diante da poderosa palavra do pregador e
taumaturgo de Nazaré contrasta com a dos teólogos (escribas) vindos de Jerusalém (pois lá se
encontravam e podiam ser estudados em profundidade os rolos completos da S. Escritura de
Israel) que levantam discussão acerca da origem diabólica ou não do poder de Jesus (w. 22-30).

Dizem que Jesus mantém aliança com Beelzebul, chefe dos demônios, e recebe deste o poder de
mandar nos maus espíritos. Jesus ridiculariza tal "explicação" (que provavelmente foi repetida
pelos adversários de Jesus muitos anos depois de sua morte). Será que Satanás se expulsa a si
mesmo? Um reino internamente dividido está fadado a se dissolver! Ou será que alguém pode
saquear a casa de um homem valente sem amarrá-Io? Dá assim a a entender que seu poder não é
do diabo, mas de quem é mais forte que este, e os ouvintes sabem que "Forte" é um título divino e
messiânico. Jesus deixa os ouvintes tirarem a conclusão.

Quem tem o olhar puro e objetivo vê que Jesus está dominando Satanás. Mas a alguns falta o
olhar puro para reconhecer isso. Os que criticam Jesus têm as vistas viciadas. Por isso, Jesus
acrescenta: "Em verdade, tudo pode ser perdoado às pessoas humanas, pecados e mesmo as
blasfêmias que proferirem, mas quem blasfema contra o Espírito Santo (= o Espírito de Deus que
age em Jesus) não recebe perdão nunca. Ele é réu de pecado para sempre". Pelo menos,
enquanto não retrai sua "blasfêmia", sua má vontade, incompatível com a graça e o perdão de
Deus.

A libertação do mal, as curas das enfermidades são sinais reveladores do mundo futuro anunciado
por Jesus, onde as pessoas totalmente de Deus "farão milagres como Jesus os fez ou até mesmo
maiores".

Aos incrédulos e aos de coração duro, por mais que a glória de Deus se lhes manifeste,
encontrarão sempre razões para justificar a resistência à fé, a incredulidade. Aos que se deixam
mover pelo Espírito de Deus, porém, os acontecimentos mais simples do cotidiano são sinais do
Reino já instaurado neste mundo. Somente os olhos inocentes vêem aquilo que se oculta aos
soberbos: a presença de Deus que caminha do nosso lado, que é Emanuel (Deus conosco) e e
que é libertação de todo o mal.

O Espírito Santo nos faz livres da possessão do mal. "O Espírito comunica a vida, e onde se acha
o Espírito do Senhor, aí está a liberdade" 2Cor 3,6- 17 .

Na leitura dos Apóstolos, São Paulo exorta à Comunidade de Roma daquele tempo e também às
nossas comunidades cristãs de hoje, para que haja unanimidade, que os mais fortes suportem as
fraquezas dosmais fracos e cooperem na sua edificação. A unanimidade (unidade), é
característica fundamental da comunidade cristã. E lembra-nos que, em tudo, devemos ser
imitadores do Senhor: na concórdia, na fidelidade, na paz e na harmonia.

Como cristãos é dever proclamar com a vida o Reino que anunciamos com palavras.
               27 DE JULHO:

      VI Domingo de Mateus
      "Os teus pecados te são perdoados!
  Levanta-te, toma o teu leito e vai para casa!"




EPÍSTOLA:       "Todos nós temos dons diferentes segundo a graça que
                nos foi dada".
                Conselhos evangélicos do apóstolo Paulo aos cristãos

Rm 12, 6-14     da comunidade de Roma.
 EVANGELHO:
              Jesus cura o paralítico que é descido pelo telhado e
              levado a sua presença por quatro homens.

Mt 9, 1-8
           APOLITÍKION DA RESSURREIÇÃO
                             (tom 5º)
               Louvemos, fiéis, e adoremos o Verbo
                Eterno com o Pai e o Espírito Santo
            nascido da Virgem para a nossa salvação;
          porque, em sua carne, dignou-se subir à Cruz,
              sofrer a morte e ressuscitar dos mortos
                  pela sua gloriosa Ressurreição.



                   HINO À MÃE DE DEUS
Ó Admirável e Protetora dos cristãos e nossa Medianeira do Criador
     não desprezes as súplicas de nenhum de nós pecadores,
   mas apressa-te em auxiliar-nos como Mãe bondosa que és,
                     pois te invocamos com fé:
                    roga por nós junto de Deus,
         tu que defendes sempre aqueles que te veneram.



                        PROKÍMENON
           Tu, Senhor, nos guardarás e nos preservarás,
              desta geração e para sempre. (Sl 12,7)
          Salva-me, Senhor, porque o justo desapareceu
porque a verdade se extinguiu entre os filhos dos homens. (Sl 12, 1)



                            ALELUIA
                      Aleluia, aleluia, aleluia!
        Eu cantarei eternamente a tua misericórdia, Senhor
        e anunciarei a tua Verdade de geração em geração.
                      Aleluia, aleluia, aleluia!
                   Porque disseste:
  "A misercórdia elevar-se-á como um edifício eterno,
e nos céus a tua verdade será solidamente estabelecida".
                Aleluia, aleluia, aleluia!



                    KINONIKÓN
                Caminharemos, Senhor,
       na luz da glória de tua face pelos séculos.
                Aleluia, aleluia, aleluia!




            SUBSÍDIOS HOMILÉTICOS:
                                                        Pe. Paulo Augusto Tamanini
  A história do paralítico não se resume apenas na cura de um homem que, de modo um tanto
   incomum, foi baixado pelo telhado e posto diante de Jesus, porque havia tanta gente que não
    existia outro jeito para chegar próximo do Senhor. Um paralítico é uma pessoa portadora de
 deficiência grave que impossibilita a mobilidade corporal, fazendo com que dependa inteiramente
   do outro. E estes que auxiliaram o paralítico a chegar perto de Jesus, transportando-o, foram
 veículos da graça divina, do perdão dos pecados e da cura dos males físicos que há muito tempo
                                         afligiam aquele homem.
 Há uma quebra no desenvolvimento normal dos acontecimentos: a provável expectativa de uma
  cena espetacular de cura é surpreendida pela manifestação da misericórdia Divina para com a
fraqueza humana. Antes mesmo que um pedido de perdão partisse do coração daquele que sofria
dos males da paralisia, Jesus perdoa seus pecados, conduzindo assim a atenção de todos para a
 relação que se fazia na época: pecado e doença. Para os Judeus toda enfermidade tinha origem
     moral e era causada pelo pecado pessoal ou dos pais. (Sl 38 e 41) Se aquela doença era
   conseqüência do pecado, logo, seria preciso eliminar o pecado para que a cura pudesse ser
     operada. Mas quem pode perdoar os pecados senão Deus? Os escribas ficam, portanto,
              escandalizados com a atitude de Jesus. Este homem blasfema, pensam!
Jesus, após perdoar seus pecados, cura-o também de seus males físicos. E o paralítico levanta-se
   e sai à vista de todos. É assim desfeita a objeção dos escribas ao fato invisível do perdão dos
                                                 pecados.
    Se naquele tempo a noção de pecado era distorcida, no mundo de hoje padecemos de uma
   generalizada e progressiva banalização da mesma. Do “tudo é pecado” ao “Nada é pecado”.
  Privados da experiência do perdão divino que é conforto para as nossas almas e fortalecimento
                   para o corpo, ficamos assim mais vulneráveis aos males físicos.

A Igreja, sinal e sacramento do perdão divino, é lugar de conversão e perdão fraterno. Também é portadora da
   mensagem do perdão que o Pai misericordioso quer estender a todos os filhos e filhas para tê-los sempre
   próximos. E todos nós, tornados seus membros pelo batismo, somos chamados a assumir, comunitária e
 individualmente, esta tarefa: ser mensageiros do sacramento da misericórdia divina, instrumentos do amor
                             misericordioso que o Pai quer fazer chegar a todos.

Como aqueles bons homens que conduziram até o Senhor o paralítico, nosso mundo precisa de cooperadores
 para o bem face a multidão cada vez maior de atores ou meros espectadores do sofrimento e do mal. Não
 apenas lamentar a presença do mal, mas assumir atitudes concretas que ajudem a combate-lo. Em última
  análise, não cooperar com o mal, não ser coniventes com as múltiplas formas de mal que assolam nosso
 século, já é cooperar para o bem. Sem, no entanto, esquecer jamais que, por mais que façamos, é Cristo o
                     único e verdadeiro libertador de todos os males que nos oprimem.
  Os teus pecados te são perdoados! Não eram bem essas palavras que esperavam ouvir do Mestre
aqueles letrados que o cercavam. Mal sabiam que, a pior opressão não é a paralisia do corpo, mas
 aquela que imobiliza, engessa e atrofia o espírito e endurece o coração. E, deste mal, eles é que
                                    necessitavam de ser curados.




  E Jesus não pára por aí: como se uma coisa estivesse de fato associada à outra, comunica ao
paralítico antes o perdão de seus pecados e liberta-o em seguida do mal que mantém paralisado o
                     seu corpo: “Levanta-te, toma teu leito e vai para casa!”
                20 DE JULHO:

       V Domingo de Mateus




EPÍSTOLA:
                 "Se com tua boca confessares o Senhor Jesus, e com
                 o coração creres que Deus O ressuscitou dos mortos,
                                    serás salvo.
Rm 10, 1-13



EVANGELHO:

                    Jesus expulsa demônios de dois Gadarenhos.


Mt 8, 28- 9,1
       APOLITÍKION DA RESSURREIÇÃO
                        (tom 4º)
   Ouvindo do Anjo o alegre anúncio da Ressurreição,
         que da antiga condenação nos libertou,
                as discípulas do Senhor,
          disseram envaidecidas aos apóstolos:
                  "A morte foi vencida,
               e o Cristo Deus ressuscitou
         dando ao mundo a grande misericórdia."




              HINO À MÃE DE DEUS

          Ó Admirável e Protetora dos cristãos
             e nossa Medianeira do Criador
 não desprezes as súplicas de nenhum de nós pecadores,
mas apressa-te em auxiliar-nos como Mãe bondosa que és,
                pois te invocamos com fé:
               roga por nós junto de Deus,
    tu que defendes sempre aqueles que te veneram.




                   PROKÍMENON

       Quão magníficas são as tuas obras, Senhor,
    fizeste com sabedoria todas as coisas. (Sl 104,24)
             Bendize ó minha alma o Senhor
        Senhor, como Tu és grandioso. (Sl 104,1)
                                            ALELUIA

                                      Aleluia, aleluia, aleluia!
                                 Teus são os céus e tua é a terra
                            fundaste o mundo e tudo o que ele contém.
                                      Aleluia, aleluia, aleluia!
                           Feliz o povo que tem o Senhor por seu Deus.
                                      Aleluia, aleluia, aleluia!




                                          KINONIKÓN

                                     Caminharemos, Senhor,
                            na luz da glória de tua face pelos séculos.
                                      Aleluia, aleluia, aleluia!




 SUBSÍDIOS HOMILÉTICOS:
                                                                            Pe. Paulo Augusto Tamanini




Após acalmar a tempestade, o SENHOR e seus apóstolos chegaram à cidade de Gadara (Mt
8,28), no território de Gerasa (Mc 5,1), que estava sob o domínio do Império Grego, a leste da
Palestina, aproximadamente 57 km de Amã, para lá, realizar mais um milagre: a expulsão de
demônios. Os habitantes de Gadara, ou seja, os gadarenhos, eram muito supersticiosos, idólatras
e preferiam viver isolados da sociedade. Este povo acreditava, segundo a concepção da época,
que os maus espíritos eram associados a tudo o que podia contaminar e contagiar, como por
exemplo, as doenças de lepra e também com animais que devorassem de maneira voraz as suas
presas, como por exemplo, os porcos, javalis, etc.
Ao entrar na cidade e percebendo a presença de JESUS, dois endemoniados saíram de seus esconderijos e
foram ao encontro do SENHOR para reclamar a sua adiantada presença naquele lugar (Mt 8,28). Além de
sentirem a presença do Senhor, reconheceram-no e o confessaram Filho de Deus, o Messias. São Tiago nos
escreve: “Também os demônios crêem em JESUS e tremem de medo”. (Tg 2,19)

Não basta apenas acreditarmos em Deus, mas é preciso reconhecer sua presença amorosa em
nossa vida e nossa história, como o eterno criador e sustentador de tudo o que existe.

Engana-se quem pensa que os que causam o mal não crêem em Deus. São muitos os exemplos
de males terríveis cometidos contra indivíduos e grupos em seu nome, espalhando a dor,
sofrimento e a morte. Este modo de praticar a fé é distorcido e doentio, mas ainda assim, Deus não
é ignorado. Se até mesmo os demônios acreditam na existência de Deus e se a nossa fé se
resume apenas nesta "certeza" de sua "existência", então nos enganamos a nós mesmos.

JESUS com sua presença e ação, desterrou o poder do maligno, libertando dois homens de
demônios transferindo-os para uma manada de porcos que, em seguida, precipitaram-se no
abismo.O porco é considerado pelos judeus e maometanos um animal impuro que merece todo o
desprezo por causa de sua voracidade e de seu hábito de fuçar na imundície; é também símbolo
de baixeza e embrutecimento.

Este exorcismo, narrado pelo Evangelista São Mateus, permite dupla constatação: a) o Ser
humano não é esconderijo de demônios, mas templo do Espírito Santo de Deus. A vinda do
SENHOR ao mundo restaurou a dignidade própria da criatura humana. Por isso, aos demônios
restou habitar naquele que era considerado símbolo da impureza e baixeza. b) o solo sagrado,
igualmente, não podia suportar as patas do animal que carregava o maligno. A manada estava em
terra sagrada e, diante do Filho de Deus, não restou alternativa senão precipitar-se abismo abaixo.
Um convite, portanto, a redescobrirmos os lugares sagrados onde vivemos: em casa, no local de
trabalho, de lazer, de oração. Aliás, como cristãos, nossa presença deveria ser uma presença
sempre transformadora nos ambientes por onde transitamos, pois somos templos vivos de Deus.
Em outras passagens do Evangelho, o povo se alegrava com os milagres que o SENHOR realizava. Neste
episódio, porém, observamos o contrário: JESUS é expulso de lá pelos que presenciaram a cena. O
Evangelista São Lucas aponta a causa do convite para que JESUS se retirasse como sendo "econômica": os
porcos se jogaram no abismo e isto era sinal de prejuízo para seus donos. Algumas pessoas temendo mais
perdas com a presença de JESUS tomaram a decisão de expulsa-lo. Marcos em seu Evangelho conclui que os
habitantes preferiram permanecer idólatras, cultivando suas práticas pagãs a converter-se. O importante é que
aqueles que antes estavam possessos recuperaram a sua dignidade humana e não mais precisavam habitar as
grutas ou cavernas, mas já podiam voltar a conviver com seus semelhantes.
De fato, onde não houver um mínimo de sensibilidade, de compaixão com os sofrimentos de nossos irmãos
mais desafortunados, onde não houver grandeza para alegrar-se com os êxitos e alegria do outro, Deus não
pode habitar plenamente. Sua presença se faz na partilha, seja de bens materiais ou dos bons sentimentos
humanos, dons da Misericórdia e da bondade do Pai Celestial.




                                     Senhor, eu não sou digno
                                  de que entres em minha casa!


                                           13 DE JULHO:

                                IV Domingo de Mateus
                                   (Sinaxe do Arcanjo Gabriel)




                              EPÍSTOLA:
                                                      Livres do pecado e feitos servos de Deus,
                                                    tendes por fruto a santidade e a Vida Eterna

                              Rm 6, 18-23



                             EVANGELHO:
                                                    A cura do servo do Centurião de Cafarnaum


      .
Mt 8, 5-13
       APOLITÍKION DA RESSURREIÇÃO
                        (tom 3º)
        Rejubilem-se os céus e alegre-se a terra,
      pois o Senhor manifestou a força de seu braço;
             venceu a morte com sua morte,
         tornou-se o primogêntito dos os mortos;
             libertou-nos do seio dos infernos
       revelando ao mundo a grande misericórdia.




               HINO À MÃE DE DEUS

           Ó Admirável e Protetora dos cristãos
              e nossa Medianeira do Criador
 não desprezes as súplicas de nenhum de nós pecadores,
mas apressa-te em auxiliar-nos como Mãe bondosa que és,
                pois te invocamos com fé:
               roga por nós junto de Deus,
    tu que defendes sempre aqueles que te veneram.




                    PROKÍMENON

          Cantai salmos ao nosso Deus, cantai;
       cantai salmos ao nosso Rei, cantai!(Sl 47,7)
           Nações, aplaudi todas com as mãos,
       clamai a Deus com vozes alegres. (Sl 47,1)
                                  ALELUIA

                            Aleluia, aleluia, aleluia!
                       Junto de Ti, Senhor me refugio,
                     não seja eu confundido para sempre,
                      por tua justiça, livra-me. (Sl, 31,1)
                            Aleluia, aleluia, aleluia!
                        Sê para mim um Deus protetor
               e uma casa de refúgio que me abrigue. (Sl. 31, 2)
                            Aleluia, aleluia, aleluia!




                                KINONIKÓN

                         Louvai o Senhor nos Céus,
                             louvai-O nas alturas.
                            Aleluia, aleluia, aleluia!




SUBSÍDIOS HOMILÉTICOS:
                                                                   Pe. Paulo Augusto Tamanini
Palavra de origem grega, Centurião era um oficial do exército romano que comandava uma legião
de cem soldados, formando com ele uma pequena base militar em locais estratégicos para
assegurar a ordem e bom andamento do Império. Vale notar que todos os centuriões mencionados
nos Evangelhos e no Livro dos Atos dos Apóstolos eram pessoas de boa índole, que se comoviam
diante das necessidades e dos flagelos. Por exemplo: o Centurião que comandava os soldados
que crucificaram Jesus reconheceu e confessou que Ele era o Filho de Deus (Mt 27,57) e inocente
das acusações que lhe eram atribuídas. (Lc 23, 47).

O Evangelho desta semana nos mostra justamente este lado humano daqueles que a princípio
eram vistos como frios soldados a serviço de um império que massacrava. Mateus e Lucas narram
este episódio.

A cura do criado do Centurião romano que pede a Jesus por ele, verifica que podemos e devemos
rezar por nossos irmãos e não somente por nossas próprias necessidades. São Teófilo de
Antioquia um dos primeiros célebres da Patrística (II século), enaltece o coração daqueles que
sentem que o seu próximo está necessitado de ajuda espiritual.

Segundo o relato admirável de Lucas, um Centurião romano tinha enfermo de morte um criado a
quem estimava muito. Ao ouvir falar de Jesus, enviou-lhe servos, pedindo-lhe que fosse curar o
seu criado. Os enviados foram até o Senhor. Quando este já estava se aproximando da casa,
envia uma segunda delegação por meio de uns amigos:

        "Senhor, não precisas incomodar-te, porque eu não sou digno de que entres em
        minha casa; por isso também não me julguei digno de ir ter contigo; mas dize uma
        só palavra e o meu criado será salvo".

Se vale de um argumento de acordo com sua psicologia militar:

        "pois até eu que sou um subalterno tenho soldados à minha disposição e digo a
        um: vá, e ele vai; e a outro: venha, e ele vem; e, ao meu empregado: faça isso, e
        ele faz".

Ao ouvir isto, Jesus se admirou dele e, voltando-se para a gente que o seguia, disse: "nem em
Israel encontrei tanta fé". Ao voltar para casa os enviados encontraram o criado são. Embora
nenhum dos dois interlocutores do colóquio à distância, - Jesus e o Centurião - se conhecesse um
ao outro, há, não obstante, um diálogo muito próximo, porque a fé do suplicante e a palavra eficaz
de Jesus encurtam o espaço físico. O Centurião romano admira a pessoa e o poder sobrenatural
de Jesus, e o Senhor por sua vez faz elogios à sua fé. Grande maturidade humana em ambas as

personalidades, pois uma das qualidades que engrandecem uma pessoa é sua capacidade de
reconhecer os gestos nobres dos outros, demonstrando assim sensibilidade para apreciar os

valores.

O Evangelista São Mateus relata que o próprio Centurião foi ao encontro do Senhor. Embora haja
diferenças na narrativa, os escritores sagrados concordam em ressaltar a fé do Centurião que fez o
Senhor proferir palavras de admiração. Sem duvidas um grande elogio, mas também uma triste
constatação. E um alerta para todos nós!

Para o Centurião não era necessário que o Senhor fosse à sua casa, bastava uma palavra sua.
Nós muitas vezes não confiamos desta maneira exemplar na Providencia. Somos mais exigentes e
tal exigência revela nossa "pouca fé". É preciso ser humildes para pedir e grandes no confiar.

O centurião de Cafarnaum é modelo de ambas as virtudes. Todos os grandes cristãos da história
foram profundamente humildes diante de Deus e dos homens, embora fossem grandes
personalidades, grandes sábios ou grandes santos. De fato, são duas virtudes que vão unidas.
Aquele que crê em Deus santo e misericordioso, quando se vê a si mesmo pecador e mesquinho,
não pode exclamar senão com sinceridade: "Senhor, eu não sou digno!" Assim rezava também o
Publicano da parábola: "Tem compaixão de mim". Ele mereceu o favor de Deus, pois seu amor e
salvação são sempre gratuitos e não se devem a nossos méritos. O fato de pedir pelo outro mostra
a grandeza do coração humilde.

Na Divina Liturgia de São João Crisóstomo os momentos de súplicas são recorrentes, pontuando
seu desenvolvimento, do início ao final. Uns em favor dos outros, desde aqueles que ocupam
cargos mais elevados aos mais humildes dos servos, não excetuando as almas dos falecidos para
quem sempre devemos pedir o descanso eterno.

Elevemos, então nossos corações aos Céus e, com humildade, não nos cansemos de repetir com
os mais piedosos e santos monges de todos os tempos:
             Olhai os lírios dos campos!
                        (Mt 6, 28)




                  06 DE JULHO:

        III Domingo de Mateus




  EPÍSTOLA:         Deus prova seu amor para conosco pelo fato de ter
                      Cristo morrido por nós quando ainda éramos
                                      pecadores.
Rm 5, 1-10


EVANGELHO:

                   Não podeis servir a dois senhores.
                   Olhai os lírios dos campos;
   Mt 6, 22-33
       APOLITÍKION DA RESSURREIÇÃO
                          (tom 2º)
       Quando te entregaste a morte ó Vida Imortal,
  aniquiliaste os infernos pelo esplendor de tua divindade;
e quando ressuscitaste os mortos das profundezas da terra,
         todas as potências celestes exclamaram:
           Ó Cristo nosso Deus, ó Autor da Vida
                     Senhor, glória a Ti




               HINO À MÃE DE DEUS

           Ó Admirável e Protetora dos cristãos
              e nossa Medianeira do Criador
 não desprezes as súplicas de nenhum de nós pecadores,
mas apressa-te em auxiliar-nos como Mãe bondosa que és,
                 pois te invocamos com fé:
                roga por nós junto de Deus,
     tu que defendes sempre aqueles que te veneram.




                     PROKÍMENON

            O Senhor é minha força e meu vigor
           Ele foi a minha salvação. (Sl 118,14)
           O Senhor severamente me castigou ,
        mas não me entregou à morte. (Sl 118, 18)
                  ALELUIA

            Aleluia, aleluia, aleluia!
O Senhor te responda no dia do Perigo. (Sl, 21)
            Aleluia, aleluia, aleluia!
           Salva Senhor o teu povo
     e abençoa a tua herança. (Sl. 28, 9)
            Aleluia, aleluia, aleluia!




                KINONIKÓN

         Louvai o Senhor nos Céus,
             louvai-O nas alturas.
            Aleluia, aleluia, aleluia!




       SUBSÍDIOS HOMILÉTICOS:
                                                  Pe. Paulo Augusto Tamanini
  O Evangelho deste Domingo nos convida a refletir sobre duas realidades: em primeiro lugar,
acentua a impossibilidade de se servir a dois senhores (),
e depois realça a atitude do cristão diante das preocupações e trabalhos da vida. Concluímos que
      o Reino de DEUS não admite divisões e que, a opção pelo Reino, exige uma suprema e
      desprendida liberdade interior diante de tudo o mais. É um convite ao desprendimento.

                            “Não podeis estar a serviço de DEUS e do dinheiro”-
    () Mt 6, 24. Mamonan, no original grego e
  aramaico significa não somente o dinheiro, mas toda espécie de “bens”. Em algumas traduções aparece
 como sendo o deus do dinheiro, da cobiça, da avareza. Qualquer que seja a exegese do termo não se foge
 daquilo que o SENHOR nos chama a atenção: nossos bens temporais devem ser vistos e aceitos como tais,
   isto é, contingentes, efêmeros, transitórios, passageiros. O que de fato são perenes e duradouros são os
                            tesouros que “nem a traça nem a ferrugem corroem”.

O fato de possuirmos valores monetários ou similares não é condenável. Torna-se prejudicial, porém, quando
NOS DEIXAMOS POSSUIR POR ELES. O avarento, o cobiçoso não possui, mas é possuído por seus bens e
                desejos. O apego é colidente com a caridade, com a doação e com a entrega.

É necessário que nossa relação com os bens materiais não se tornem obstáculos à relação filial que temos com
 nosso DEUS e que eles sejam apenas e somente meios para melhor promover a dignidade humana e, jamais,
                                            fim em si mesmos.

Nosso tesouro é DEUS e embora carreguemos este tesouro em vasos de argila, como revela-nos o
Apóstolo Paulo, é preciso que haja plena confiança n’Ele e em sua PROVIDÊNCIA. Esta confiança
  é uma condição para que resistamos aos apelos consumistas e ao apego material em geral de
nosso tempo e de nossa sociedade. A base da confiança do homem está na certeza da fidelidade
                                                de DEUS.

      Encontramos na Palavra de DEUS exemplos tão contundentes de homens que se entregaram à sua
  PROVIDÊNCIA: “As suas palavras não passam” (Is 40,8), “Suas promessas serão mantidas” (Tb 14,4).
    “Deus não mente nem volta atrás” (Nm 23,19). “Seu desígnio divino, desígnio de amor, se realizará
  infalivelmente” (SI 32,11; Is 25,1). “O homem pode, portanto, confiar”. “Deus vela sobre o mundo (Gn
                       8,22), dando o sol e a chuva a todos, bons e maus (Mt 5,45)”.

  A fisionomia de DEUS, na Bíblia, é a de um Pai que vela sobre seus filhos e provê as suas necessidades:
      "Dais a todos o alimento a seu tempo" (SI 144,15; 103,27), tanto aos animais como aos homens.

Mas a PROVIDÊNCIA de DEUS se manifestou, sobretudo, na Historia da Salvação com a
encarnação de NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, sua Vida, Morte e Ressurreição. A
Igreja, sinal visível de sua Presença e PROVIDENCIA, nos ensina a confiar e a esperar.
                                    Olhai os lírios dos campos!
                     (Mt 6, 28)




                 06 DE JULHO:

        III Domingo de Mateus



  EPÍSTOLA:       Deus prova seu amor para conosco pelo fato de ter
                    Cristo morrido por nós quando ainda éramos
                                    pecadores.
Rm 5, 1-10


EVANGELHO:

                 Não podeis servir a dois senhores.
                 Olhai os lírios dos campos;
   Mt 6, 22-33
       APOLITÍKION DA RESSURREIÇÃO
                         (tom 2º)
       Quando te entregaste a morte ó Vida Imortal,
 aniquiliaste os infernos pelo esplendor de tua divindade;
e quando ressuscitaste os mortos das profundezas da terra,
         todas as potências celestes exclamaram:
          Ó Cristo nosso Deus, ó Autor da Vida
                    Senhor, glória a Ti




               HINO À MÃE DE DEUS

           Ó Admirável e Protetora dos cristãos
              e nossa Medianeira do Criador
 não desprezes as súplicas de nenhum de nós pecadores,
mas apressa-te em auxiliar-nos como Mãe bondosa que és,
                pois te invocamos com fé:
               roga por nós junto de Deus,
    tu que defendes sempre aqueles que te veneram.




                    PROKÍMENON

           O Senhor é minha força e meu vigor
           Ele foi a minha salvação. (Sl 118,14)
          O Senhor severamente me castigou ,
        mas não me entregou à morte. (Sl 118, 18)
                  ALELUIA

            Aleluia, aleluia, aleluia!
O Senhor te responda no dia do Perigo. (Sl, 21)
            Aleluia, aleluia, aleluia!
           Salva Senhor o teu povo
     e abençoa a tua herança. (Sl. 28, 9)
            Aleluia, aleluia, aleluia!




                KINONIKÓN

         Louvai o Senhor nos Céus,
             louvai-O nas alturas.
            Aleluia, aleluia, aleluia!




       SUBSÍDIOS HOMILÉTICOS:
                                                  Pe. Paulo Augusto Tamanini
 O Evangelho deste Domingo nos convida a refletir sobre duas realidades: em primeiro lugar,
                       acentua a impossibilidade de se servir a dois senhores
   (), e depois realça a atitude do cristão diante das
preocupações e trabalhos da vida. Concluímos que o Reino de DEUS não admite divisões e que,
a opção pelo Reino, exige uma suprema e desprendida liberdade interior diante de tudo o mais. É
                                   um convite ao desprendimento.

                           “Não podeis estar a serviço de DEUS e do dinheiro”-
   () Mt 6, 24. Mamonan, no original grego e
 aramaico significa não somente o dinheiro, mas toda espécie de “bens”. Em algumas traduções aparece
como sendo o deus do dinheiro, da cobiça, da avareza. Qualquer que seja a exegese do termo não se foge
daquilo que o SENHOR nos chama a atenção: nossos bens temporais devem ser vistos e aceitos como tais,
  isto é, contingentes, efêmeros, transitórios, passageiros. O que de fato são perenes e duradouros são os
                           tesouros que “nem a traça nem a ferrugem corroem”.

   O fato de possuirmos valores monetários ou similares não é condenável. Torna-se prejudicial, porém,
 quando NOS DEIXAMOS POSSUIR POR ELES. O avarento, o cobiçoso não possui, mas é possuído por
         seus bens e desejos. O apego é colidente com a caridade, com a doação e com a entrega.

 É necessário que nossa relação com os bens materiais não se tornem obstáculos à relação filial que temos
 com nosso DEUS e que eles sejam apenas e somente meios para melhor promover a dignidade humana e,
                                       jamais, fim em si mesmos.

Nosso tesouro é DEUS e embora carreguemos este tesouro em vasos de argila, como revela-nos
   o Apóstolo Paulo, é preciso que haja plena confiança n’Ele e em sua PROVIDÊNCIA. Esta
confiança é uma condição para que resistamos aos apelos consumistas e ao apego material em
geral de nosso tempo e de nossa sociedade. A base da confiança do homem está na certeza da
                                         fidelidade de DEUS.

     Encontramos na Palavra de DEUS exemplos tão contundentes de homens que se entregaram à sua
 PROVIDÊNCIA: “As suas palavras não passam” (Is 40,8), “Suas promessas serão mantidas” (Tb 14,4).
   “Deus não mente nem volta atrás” (Nm 23,19). “Seu desígnio divino, desígnio de amor, se realizará
 infalivelmente” (SI 32,11; Is 25,1). “O homem pode, portanto, confiar”. “Deus vela sobre o mundo (Gn
                      8,22), dando o sol e a chuva a todos, bons e maus (Mt 5,45)”.

 A fisionomia de DEUS, na Bíblia, é a de um Pai que vela sobre seus filhos e provê as suas necessidades:
     "Dais a todos o alimento a seu tempo" (SI 144,15; 103,27), tanto aos animais como aos homens.

Mas a PROVIDÊNCIA de DEUS se manifestou, sobretudo, na Historia da Salvação com
a encarnação de NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, sua Vida, Morte e Ressurreição. A
Igreja, sinal visível de sua Presença e PROVIDENCIA, nos ensina a confiar e a esperar.
                    29 DE JUNHO:


    Festa dos Santos Apóstolos
                   Pedro e Paulo



""
      "Tu és o Cristo, o Filho de Deus Vivo".
                       Mt 16,16.




  EPÍSTOLA:           Títulos de glória de São Paulo: mostrou-se mais que
                       seus adversários, apóstolo de Jesus Cristo pelos
                     sofrimentos que suportou. Poderia ainda se gloriar dos
                      dons que recebeu de Deus, mas não quer se gloriar
   2Cor 11, 21 -
                                   senão de suas fraquezas.
       12, 9



 EVANGELHO:

                                   A confissão de São Pedro.


   Mt 16, 13-19
                     APOLITÍKION
                          (tom 1):
     Príncipes dos apóstolos e doutores do Universo,
                  São Pedro e São Paulo,
            rogai ao Mestre de todas as coisas
                  que dê a paz ao mundo
       e às nossas almas a sua grande misericórdia.




                        HIPACOÏ:

          Qual é a prisão que não te guardou algemado?
        Qual é a Igreja na qual não foste pregador?
            Damasco se orgulha de ti, ó Paulo,
              pois te viu caído diante da Luz;
          Roma se ufana de possuir teu sangue;
            Tarso, porém, cuja alegria é maior,
             venera com ardor teu nascimento.
    Ó Pedro, rochedo da fé, e Paulo, glória do Universo,
                vinde juntos confirmar-nos!




                     KONDÁKION:

  Levaste, Senhor, para descansar e gozar de teus bens,
        os dois infalíveis pregadores de fala divina,
                os príncipes dos apóstolos;
pois preferiste suas provações e morte a qualquer sacrifício,
   Tu, o único conhecedor dos segredos dos corações.
                              PROKÍMENON:

                    Por toda a terra espalhou-se a sua voz,
               e até os confins do mundo foram as suas palavras.
                       Os céus narram a glória de Deus;
                 e o firmamento anuncia a obra de suas mãos.




                                  ALELUIA:

                Os céus publicarão as tuas maravilhas, Senhor,
                  e a tua verdade, na assembléia dos santos.
                 Deus é glorificado na assembléia dos santos,
                 grande e terrível sobre todos os que o cercam.




                                KINONIKÓN:

                    Por toda a terra espalhou-se a sua voz,
               e até os confins do mundo foram as suas palavras.
                            Aleluia, aleluia, aleluia!




SUBSÍDIOS HOMILÉTICOS:
                                                                   Pe. Paulo Augusto Tamanini
                    ""
                        "Tu és o Cristo, o Filho de Deus Vivo". Mt 16,16.

Os cristãos orientais observam, ainda hoje, o jejum em preparação à festa dos santos Pedro e Paulo. Faz
parte dos quatro períodos de jejum do ano litúrgico bizantino. Sua duração é variável porque começa na
segunda-feira que se segue ao Domingo de Todos os Santos (1º. depois de Pentecostes). Depois da Santa
Mãe de Deus, a , é a única festa de santos, precedida por um tempo de jejum.
Também a iconografia dá um destaque particular aos Príncipes dos Apóstolos. Observamos a admirável
fidelidade com a qual, no Oriente, foi transmitida a fisionomia característica dos dois santos.



                                          Isso nos faz pensar que os primeiros iconógrafos a retratá-
                                          los, lhe foram contemporâneos. Não devemos nos admirar,
                                          se em diferentes regiões geograficamente distantes umas
                                          das outras, encontramos o mesmo e persistente modelo
                                          iconográfico.

                                          Pedro é sempre reproduzido com a fronte baixa, os cabelos
                                          grisalhos e um pouco encaracolados, a barba curta e arredondada;
                                          tem na mão as chaves e, usualmente, porta a cártula em que a
                                          inscrição mais freqüente é a proclamação de fé: "Tu és o Cristo,
                                          filho do Deus vivo" (Mt 16,16).

                                          Paulo, ao invés, tem um aspecto mais jovem, com poucos cabelos;
                                          a fronte alta é evidenciada também pela calvície e a barba desce
                                          mais longa e lisa.


No Ocidente, São Paulo é quase sempre retratado segurando uma espada, ao passo que no Oriente, com
freqüência, nós o vemos tendo nas mãos o livro das suas Epístolas. É assim que o admiramos no belíssimo
ícone do maior iconógrafo russo, o monge Andrej Rublev. Tal ícone, do século XV, foi pintado para a
Iconostase (
As particularidades das duas fisionomias permitem reconhecer Pedro e Paulo também em ícones em que os
dois santos aparecem juntos com outros santos, como, por exemplo, no ícone de 15 de agosto, Dormição da
Mãe de Deus; ou no de Pentecostes. Mais tardios são os ícones onde os Príncipes dos Apóstolos aparecem no
grupo dos Doze. Neste ícone, os santos Pedro e Paulo, no centro, seguram dos dois lados a maquete de uma
Igreja, em formato bizantino, um simbolismo evidente do papel único dos dois na Igreja instituída por Cristo
para a continuação da sua obra salvífica entre os homens. – (ver reprodução do ícone acima)
Dois homens com a mesma missão, mas diferentes na origem, temperamento e visão pastoral.
Simão Pedro, um pescador de Betsaida que mais tarde foi se estabelecer em Cafarnaum e, obedecendo ao
mandato do SENHOR, transforma-se em “Pescador de Homens” para o Reino. Paulo, soldado Romano,
perseguidor dos cristãos e com uma carreira promissora dentro do Império, torna-se o destemido apóstolo
missionário, fundador de igrejas, em diversos paises. Ambos chamados, tiveram seus nomes mudados depois
de uma forte experiência da Presença do SENHOR em suas vidas. Simão recebe o nome de "Pedro" (Mt
16,17-19), resultante da sua profissão de fé em resposta à pergunta que o SENHOR lhe havia dirigido sobre
sua identidade. Movido pelo Espírito Santo Simão lhe responde “Tu és o CRISTO, o Filho de DEUS”.
Sobre a “Fé” de Simão expressada em sua resposta, o SENHOR edifica sua Igreja:
“” - “Tu és
Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja”. (Mt16,18)
Saulo de Tarso, sofrendo a tão conhecida “Queda”, convertido após a aparição do SENHOR, transforma-se
em Paulo; de perseguidor a propagador do Evangelho. Sua retórica e poder de persuasão foram colocados a
serviço do seu apostolado. De Antioquia foi para a Ilha de Chipre e percorrendo depois a atual Turquia,
Frigia, Galícia, Filipos, Corinto, Tessalônica. Em Atenas anunciou o DEUS desconhecido aos filósofos
gregos. Chegou a Roma pelo ano 60 ou 61, onde foi preso e redigiu suas Cartas às comunidades eclesiais
recém fundadas. Paulo sofreu o martírio aproximadamente no de 67, não sem antes ter ressaltado nas Cartas a
Timóteo: “” (2Tm 4,7)
“Combati o bom combate, percorri o caminho e guardei a fé”.
Pedro e Paulo: dois nomes que ao longo dos séculos personificam a Igreja inteira em sua ininterrupta
Tradição, sendo por isso invocados com freqüência, tanto nos ritos orientais como latinos da Igreja.

É nesta data que Sua Santidade, o Patriarca Ecumênico de Constantinopla, sucessor do Apóstolo
André, irmão de Pedro, dirige-se a Roma em visita ao Papa, sucessor de Pedro. O mesmo faz o
Papa de Roma, dirigindo a Constantinopla na comemoração do Apóstolo Santo André, no dia 30
de novembro. Um expressivo e visível sinal do desejo de unidade que sustenta a esperança de um
dia ver restaurada a plena concórdia e paz no seio da única Igreja de Cristo.
                24 DE JUNHO:


Natividade do Grande Profeta e Glorioso
      Precursor São João Batista



      
          
           “Eis o cordeiro de Deus,
    Eis Aquele que tira o pecado do mundo!”
                    (Jo 1,29)
EPÍSTOLA:
                Instruções de Paulo à Comunidade
                        Cristã de Roma

Rm 13, 11-14;



EVANGELHO:



                 Nascimento de São João Batista
Lc 1, 24-25;
57-69; 76-80
      TROPÁRIOS DE SÃO JOÃO BATISTA


       Concepção do Venerável e Glorioso Profeta
               e Precursor São João Batista.
                            (Modo 4)
              Rejubila, estéril, que não davas à luz!
Eis que concebeste aquele que foi verdadeiramente um raio de sol,
 aquele que devia iluminar o mundo inteiro que sofria de cegueira.
           Exulta de alegria, Zacarias, grita sem temor:
          aquele que vai nascer é Profeta do Altíssimo!



      Nascimento do Venerável e Glorioso Profeta
              e Precursor São João Batista.
                            (Modo 4)
              Profeta e precursor da vinda de Cristo,
               não te podemos louvar dignamente,
                nós que te veneramos com amor;
          pois, por teu venerável e glorioso nascimento,
         a esterilidade de tua mãe e o mutismo de teu pai
       cessaram, enquanto a encarnação do Filho de Deus
                    era anunciada ao mundo.



      Decapitação do Venerável e Glorioso Profeta
                  e Precursor João Batista.
                            (Modo 2)
             A memória do justo deve ser enaltecida,
     mas a ti, ó Precursor, basta-te o testemunho do Senhor.
         Em verdade, tu foste o maior dos profetas,
      pois foste julgado digno de batizares nas águas
        aquele que eles tinham apenas anunciado.
     Também combateste com valentia pela verdade,
    feliz em anunciares, mesmo aos cativos do inferno,
             a aparição de Deus feito homem,
aquele que tira o pecado do mundo e se compadece de nós.



1ª e 2ª descobertas (452) da cabeça do Venerável
 e Glorioso Profeta e Precursor São João Batista.
                         (Modo 4)
          Extraída da terra e posta a descoberto,
     a cabeça do Precursor irradia a incorruptibilidade
                   e a cura sobre os fiéis.
  Ela reúne, desde o alto dos céus, a multidão dos anjos,
           enquanto na terra chama os homens
       a glorificar, em uníssono, a Cristo nosso Deus.




  3ª Descoberta (823) da Cabeça do Venerável
 e Glorioso Profeta e Precursor São João Batista.
                         (Modo 4)
        Tal como um tesouro divino oculto na terra,
Cristo fez-nos descobrir a tua cabeça, ó Profeta e Precursor.
          Reunidos para celebrar esta descoberta,
    nós louvamos, com cânticos inspirados, o Salvador
      que, pelas tuas orações, nos livra da corrupção.
SUBSÍDIOS HOMILÉTICOS:
                         Pe. Paulo Augusto Tamanini
                    
                        
            “Eis o cordeiro de Deus, aquele que tira o pecado do mundo!”
                                          (Jo 1,29)


Em 24 de junho, os cristãos do Oriente e do Ocidente celebram o nascimento de
São João Batista. Também coincide, nas duas tradições, a data em que se celebra o
seu martírio em 29 de agosto. No Oriente bizantino, porém, as comemorações do
grande Profeta e Precursor são sem dúvida mais numerosas.
Com relação ao nascimento, os calendários bizantinos assinalam, no dia 23 de
setembro, a data da concepção do "glorioso Profeta, Precursor João, o que batizou
Jesus no Jordão". Antigamente também os martirológios latinos registravam essa
comemoração em 24 de setembro; porém a partir do século XV foi abolida .

Na tradição oriental é comum iconografar São João Batista na forma de um Anjo. Com efeito
"era mais que um homem", como diz o evangelho, e a palavra "mensageiro" em grego
 coincide com nossa tradução". Sendo um dos santos mais venerados no Oriente
bizantino, é compreensível que muitas sejam as formas de representa-lo em ícones:
encontramo-lo representado sozinho, ou em episódios da sua vida, especialmente o da sua
decapitação.

João é filho de Zacarias que, por causa de sua pouca fé, tornou-se mudo, e de Isabel, aquela
que era estéril. O nascimento de João Batista anuncia a chegada dos tempos messiânicos, nos
quais a esterilidade se tornará fecundidade e o mutismo, exuberância profética.

O evangelho lhe dá o cognome de."Batista", porque ele anuncia um novo rito de
ablução (Mt 3,13-17), na qual o batizado não imerge sozinho na água, como nos ritos
e nos batismos judaicos, mas recebe a água das mãos de um ministro. João
pretendia mostrar assim que o homem não se pode purificar sozinho, mas que toda
santidade vem de Deus.
João Batista é também lembrado como um homem de grande mortificação. Talvez
tenha ele sido iniciado esta disciplina nas comunidades religiosas do deserto. Mas a
tradição lembra, sobretudo seu caráter profético. Ele é profeta por um duplo titulo.
Antes de tudo é profeta no sentido em que essa palavra era entendida no Antigo
Testamento; aliás, João é o maior dos profetas de Israel, porque pôde apontar o
objeto de suas profecias (Mt 11,7-15; Jo 1,1928). Para realçar essa pertença de João
à grande descendência dos profetas do Antigo Testamento, Lucas nos narra seu
nascimento, permitindo ver através dele o perfil das grandes vocações dos antigos
profetas.
Mas o profeta não é apenas o anunciador do futuro messiânico; é essencialmente o
portador da palavra de Deus e a testemunha da presença dessa Palavra criadora no
mundo novo.
Ele aponta para os futuros discípulos de Cristo a quem esses deveriam seguir.
Mostra o Cordeiro e orienta que o sigam.
Domingo de Todos os Santos




     EPÍSTOLA:
                                        Fé dos justos do Antigo
                                        Testamento;

Hb 11, 33; 12, 1


   EVANGELHO:
                                         Confessar Cristo perante os
                                  homens;
                                         Amar a Cristo acima de tudo;
     Mt 10, 32-33;                       Prêmio da renúncia
    37-38; 19, 27-30              voluntária.




                     ISSODIKÓN:

       Levanta-te, Senhor, com tua potência;
      cantaremos e celebraremos o teu poder.
         Salva-nos, ó Paráclito cheio de bondade,
         a nós que a Ti cantamos: aleluia!


    APOLITÍKION DA RESSURREIÇÃO
                       (TOM 8):

      Desceste das alturas, ó Misericordioso,
        e suportaste o sepulcro por três dias
         para nos libertar dos sofrimentos.
    Senhor, nossa vida e ressurreição, glória a Ti!



   APOLITÍKION DE TODOS OS SANTOS
                      (TOM 4):

     Revestida, como de púrpura e de linho fino,
             do sangue de todos aqueles
   que, no mundo inteiro, foram tuas testemunhas,
            tua Igreja, por eles, te clama:
        mostra ao teu povo a tua compaixão;
            concede a paz à nossa pátria
        e tem misericórdia das nossas almas”.



   KONDAKION DE TODOS OS SANTOS:

              Senhor, Autor da criação,
 o universo te oferece os Mártires revestidos de Deus
             como primícias da natureza.
Pelas suas súplicas e em consideração à Mãe de Deus,
   guarda a tua Igreja sempre em paz, ó Bondoso!



                 PROKÍMENON:

         Deus é admirável nos seus santos,
                  o Deus de Israel.

         Bendizei o Senhor nas vossas assembléias,
         bendizei o Senhor, Filhos de Israel.



                     ALELUIA:

       Os justos clamaram e o Senhor os ouviu
         e os salvou de todas as tribulações..
                             Muitas são as tribulações dos justos,
                             e de todas elas os livrará o Senhor.



                                        KINONIKÓN:

                                 Exultai, ó justos, no Senhor;
                                  aos retos convém o louvor.

                                    Aleluia, aleluia, aleluia!




                               SUBSÍDIOS HOMILÉTICOS:
                                                                         Pe. Paulo Augusto Tamanini



            ...
  Os escritores sagrados, já no Gênesis, referiam-se a DEUS como o "Santo", palavra que
tinha a conotação de "Sagrado". DEUS é o "Outro", tão transcendente e tão longínquo que o
  homem não poderia ter acesso; somente referir-se a Ele com tremor e temor.(Gn 15,12)

 O Povo Israelita por ter um DEUS que era conhecido como o “Outro”, isto é, separado (por
 ser tão especial e incognoscível), arvorava-se o direito de se identificar "raça eleita", "povo
    escolhido", "nação santa", diferente de todos os outros na sua maneira de ser, agir e
   comportar, cultuando sua Divindade... e tudo isto era muito explicito em seus rituais
 religiosos, condutas sociais e na vida cotidiana em geral. A religião estava tão impregnada
nas suas práticas que, o pertencer à raça eleita deveria ser mesmo ostentado. Não demorou
  muito para se cair em extremos absurdos onde a santidade cedeu lugar à hipocrisia, ao
                                         “farisaísmo”.

  JESUS condenou tais comportamentos e o apóstolo Pedro ressaltou muitas vezes que o
  imprescindível é a "pureza de coração", capaz de fazer de nós participantes da vida de
    DEUS (1Pd 1,14-16). As leis são importantes na medida que conduzem o homem à
maturidade e liberdade dos Filhos de DEUS. Se são nefastas a vida humana, não podem ser
                                                boas.

Assim, cremos que a santidade nos é comunicada por DEUS e isto se realiza na pessoa do
  Filho, JESUS CRISTO, de maneira plena, assim como em todos aqueles que viveram e
  vivem de acordo com os seus santos preceitos. Somos todos vocacionados à santidade,
                         chamados a "ser santos como o Pai é Santo".
JESUS CRISTO, o "SENHOR", por meio dos sacramentos, transmite a toda Igreja a sua santidade. Os
sacramentos são os instrumentos da santidade e da salvação, que trazem ao homem a vida de DEUS (cf
 Mt 13,24-30;). Esta certeza era tão viva nos primeiros séculos da Igreja que não hesitavam em chamar
               a si mesmos "santos" (2Cor 11,12;), e à Igreja a "Comunhão dos Santos".
   Esta expressão, que encontramos no Credo, tem sua manifestação na "Divina Liturgia da Igreja
   Ortodoxa (a Santa Missa de São João Crisóstomo) na Liturgia Eucarística onde "os santos" são
                           convidados a participarem das "coisas santas".
                                    " "
                                   - As coisas Santas aos Santos!
  E, professando a unidade e santidade de DEUS na pessoa do Filho, JESUS CRISTO, o SENHOR,
                                           respondemos:
                         "
                             "
                             - Um só é SANTO, Um só é SENHOR,
                         JESUS CRISTO, na Glória de DEUS PAI. Amém.
A santidade manifesta-se, pois, como uma participação na vida de DEUS, que se realiza com os meios
que a Igreja nos dispõe, especialmente através do sacramento da Eucaristia, onde o SANTO nos dá a
                   sua Santidade por amor, e nós nos tornamos santos por filiação.
   A santidade não é o fruto do esforço humano, portanto, que procura alcançar a DEUS com suas
 próprias forças, e mesmo por heroísmo; ela é DOM do amor de DEUS ao homem e resposta deste à
 misericordiosa e paternal iniciativa divina. Tanto é que, o modo como estão organizadas as festas no
 Calendário Litúrgico Bizantino, onde a Festa de todos os Santos é celebrada no domingo depois de
   Pentecostes, ou seja, a Descida do Espírito Santo, quer significar que toda a santidade é obra do
    Espírito Santíssimo de Deus. A festa de Todos os Santos encerra o Tempo Litúrgico Pascal no
                                    calendário da Igreja do Oriente.
                        Domingo de Pentecostes


A Igreja comemora neste dia, a descida do Espírito Santo sobre os apóstolos reunidos no cenáculo com Maria,
a Mãe de Jesus, e os outros discípulos do Senhor. É a festa do Espírito Santo e de seus dons abundantes que
infundem no fiel penitente e humilde para torná-lo morada da Santíssima Trindade. Por isso, após a Missa ou
 Vésperas, faz-se o Rito de Adoração ou “Dobramento dos joelhos”, para implorar os dons do Espírito Santo.




                              Ofício de adoração ...



                             EPÍSTOLA:

                                                             Descida do Espírito Santo.

                              At 2, 1-11



                           EVANGELHO:                                  Jesus glorificado dará o
                                                              Espírito Santo;
                                                              discussão entre o povo;
                                                              Nicodemos defende Jesus diante
                           Jo 7, 37-52; 8,
                                                              do Sinédrio;
                                  12:
                                                              Jesus é a Luz do mundo.




                                             Issodikón:

                            Levanta-te, Senhor, com tua potência;
                           cantaremos e celebraremos o teu poder.
       Salva-nos, ó Paráclito cheio de bondade,
            a nós que a Ti cantamos: aleluia!



                Apolitíkion – (tom 8):

          Tu és bendito, ó Cristo nosso Deus,
   que tornaste os pescadores cheios de sabedoria,
             enviando-lhes o Espírito Santo,
            e por eles enredaste o Universo.
       Ó Tu, que amas a humanidade, glória a Ti!



                Kondákion – (tom 8):

      Quando, outrora, desceu à terra o Altíssimo
      confundiu as línguas e dispersou as nações,
       Mas, quando distribuiu as línguas de fogo,
          chamou a todos os povos à unidade.
Numa só voz, glorifiquemos o Espírito de toda santidade!



                       Triságion:

         Vós + que fostes batizados em Cristo,
        vos revestistes de Cristo. Aleluia! (3 vezes)

                     Glória ao Pai +...

           Vos revestistes de Cristo. Aleluia!

        Vós + que fostes batizados em Cristo ...



                      Prokímenon:

        Por toda a terra espalhou-se a sua voz,
e até aos confins do mundo foram as suas palavras.

           Os céus narram a glória de Deus;
   e o firmamento anuncia a obra de suas mãos.



                            Aleluia!

    Pela palavra do Senhor firmaram-se os céus
  e pelo espírito de sua boca todo o seu exército.

                O Senhor olha do alto dos céus
          e vê a todos os filhos dos homens.


                           Hirmós:

     A ti, que concebeste sem sofrer corrupção,
 e deste corpo ao Verbo, autor de todas as coisas,
       ó Mãe Virgem, ó Virgem Mãe de Deus,
  receptáculo daquele que não pode ser ocultado,
morada de nosso Criador infinito, nós te glorificamos!



                         Kinonikón:

           O teu bom Espírito me conduzirá
                   pela terra da retidão.
                  Aleluia, aleluia, aleluia!

                             OBS.:

         Em vez de “Vimos a verdadeira luz...”, canta-se o Apolitíkion da festa;


 Bênção Final: “...Que enviou do céu seu Espírito Santo sobre seus santos discípulos e
                       apóstolos sob forma de línguas de fogo...”


                        Encerra-se a festa no sábado seguinte.
                         SUBSÍDIOS HOMILÉTICOS:
                                                               Pe. Paulo Augusto Tamanini




                        O PENTECOSTES

   Era o qüinquagésimo dia (em grego: pentikosti) após a Páscoa judaica, mas
também o qüinquagésimo dia após a Ressurreição de Cristo. Era o dia em que os
judeus comemoravam com uma grande festa a entrega das tábuas da Lei a Moisés
  sobre o monte Sinai; assim, Jerusalém estava repleta de estrangeiros, judeus
     vindos de todas as partes do mundo então conhecido - eram chamados a
 “Diáspora” - para celebrar a festa. Alguns dias antes, os discípulos “reunidos em
  número de cerca de cento e vinte pessoas” à volta dos Apóstolos e da Mãe de
 Jesus haviam procedido, conforme a proposta de Pedro, à substituição de Judas
com a escolha de um décimo segundo apóstolo: foram indicados dois discípulos -
José, o Justo e Mathias - que haviam acompanhado os apóstolos desde o batismo
 de João até o dia da Ascensão e que podiam, portanto, ser testemunhas de Sua
 Ressurreição; após terem orado, a fim de que o Senhor “mostrasse qual dos dois
havia de ser escolhido”, tiraram a sorte e esta apontou a Mathias.Esses discípulos
aguardavam em Jerusalém, como Jesus lhes havia instruído, a vinda desse “outro
Consolador” que o Mestre lhes prometera antes de Sua Ascensão. Espera repleta
de uma esperança radiosa. Eles iriam enfim conhecer Aquele de quem Jesus havia
                                        dito:

        “Convém a vós que eu vá; porque se eu não for o Consolador não
                  virá a vós, mas se eu for enviá-lo-ei” (Jo.16, 7).

   Já que Jesus havia partido, já que agora Ele estava sentado à direita do Pai
(Mar.16, 19), Ele guardaria a Sua promessa.E portanto, no dia em que Moisés lhes
dera a Lei, Jesus vem lhes dar o Espírito, pois “a Lei foi dada por Moisés, a graça e
            a verdade vieram por Jesus Cristo". (Jo.1,17)1


 Cumprindo-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no
  mesmo lugar; 2e, de repente, veio do céu um som, como de um
   vento veemente e impetuoso, e encheu toda a casa em que
 estavam assentados. 3E foram vistas por eles línguas repartidas,
  como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles. 4E
  todos foram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em
   outras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que
  falassem. 5E em Jerusalém estavam habitando judeus, varões
   religiosos, de todas as nações que estão debaixo do céu. 6E,
 correndo aquela voz, ajuntou-se uma multidão e estava confusa,
  porque cada um os ouvia falar na sua própria língua. 7E todos
pasmavam e se maravilhavam, dizendo uns aos outros: Pois quê!
 Não são galileus todos esses homens que estão falando? 8Como
pois os ouvimos, cada um, na nossa própria língua em que somos
   nascidos? 11Cretenses, e árabes, todos os temos ouvido em
nossas próprias línguas falar das grandezas de Deus. 12E todos se
maravilhavam e estavam suspensos, dizendo uns para os outros:
 Que quer isto dizer? 13E outros, zombando, diziam: Estão cheios
de mosto. 14Pedro, porém, pondo-se em pé com os onze, levantou
   a voz e disse-lhes: Varões judeus e todos os que habitais em
  Jerusalém, seja-vos isto notório, e escutai as minhas palavras.
15Estes   homens não estão embriagados, como vós pensais, sendo
 esta a terceira hora do dia. 16Mas isto é o que foi dito pelo profeta
   Joel: 17E nos últimos dias acontecerá, diz Deus, que do meu
  Espírito derramarei sobre toda a carne; e os vossos filhos e as
  vossas filhas profetizarão, os vossos jovens terão visões, e os
 vossos velhos sonharão sonhos; 19e farei aparecer prodígios em
 cima no céu e sinais em baixo na terra: sangue, fogo e vapor de
fumaça. 20O sol se converterá em trevas, e a lua, em sangue, antes
 de chegar o grande e glorioso Dia do Senhor; 21e acontecerá que
       todo aquele que invocar o Nome do Senhor será salvo. (Atos 2, 1-
                                 8; 11-17; 19-21)

                E Pedro exaltava o nome de Jesus, o Nazareno:

         “esse homem ... que tomando-o, vós o crucificastes e matastes
        pelas mãos de injustos (os romanos); ao qual Deus ressuscitou,
       soltas as cadeias da morte (textualmente: o Hades)...” (Atos 2, 22 -
           24).Davi vira com antecedência essa vitória e anunciara a
        Ressurreição do Cristo (Sl.16) e, com efeito, não foi abandonado
         no Hades e sua carne não viu a corrupção (cf. Atos 2, 25 - 27):
            “Deus ressuscitou a este Jesus, do que todos nós somos
       testemunhas. De sorte que, exaltado pela destra de Deus, e tendo
        recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou isto que
       vós agora vedes e ouvis ... Saiba pois, com certeza, toda a casa de
         Israel, que a esse Jesus, a quem vós crucificastes, Deus o fez
       Senhor e Cristo ... Arrependei-vos e cada um de vós seja batizado
            em nome de Jesus Cristo, para o perdão dos pecados; e
         recebereis o dom do Espírito Santo; porque a promessa vos diz
        respeito a vós, aos vossos filhos, e a todos os que estão longe”...
        “De sorte que foram batizados os que de bom grado receberam a
       sua palavra; e naquele dia agregaram-se quase 3.000 almas” (Atos
                           2, 32 - 33; 36; 38 - 39; 41).

Esse é o relato do Pentecostes que nos é feito por Lucas no segundo capítulo dos
 Atos dos Apóstolos e que nós relembramos com alegria ao cantar o Tropário de
                                  Pentecostes:



                    Tropário de Pentecostes (Tom 8):

                      Tu És bendito, ó Cristo Nosso Deus,
              que enchestes os pescadores do lago de sabedoria
                         enviando-lhes o Espírito Santo.
                 Por eles, Tu tomastes o Universo em sua rede.
                        Glória a Ti, ó Amigo do Homem!

  Esse relato nos leva, sem duvida, a colocar algumas perguntas que permitirão
                    aprofundar e meditar sobre o texto bíblico:

        - Por que se diz que “as línguas de fogo dividiam-se e pousavam
                             sobre cada um deles”?

O dom do Espírito Santo é pessoal, ou seja, é recebido pessoalmente por cada um
  dos discípulos. E, no entanto, há apenas um Espírito Santo. É o mesmo Fogo
divino que desce sobre todos (relembremos o Fogo do céu que, no tempo de Elias,
desceu sobre sua oferenda), mas Ele divide-se para mostrar que cada um recebe
                               esse Espírito Único.

 - Também em Babel as línguas foram divididas! Exatamente! O que se passa no
Pentecostes é exatamente o contrário do que se passou em Babel. Em Babel, por
orgulho, foram as línguas dos homens que se dividiram, de modo que eles não se
    compreendiam mais e foram, por isso, divididos, separados, dispersos. Em
 Pentecostes é o dom de Deus que se divide para estender-se a cada um e reuni-
 los a todos: a partir desse momento os homens que receberam o Espírito Santo
anunciam todos a mesma palavra, a Palavra de Deus, e fazem-se compreender por
    todos os homens pois falam todas as línguas. As barreiras lingüísticas são
 ultrapassadas pela Palavra do Deus Único, tornada compreensível a todos pelo
     dom das línguas. É o que nos explica o kondákion [1] de Pentecostes:



                       kondákion [1] de Pentecostes:

              Quando o Altíssimo desceu para confundir as línguas,
                              dispersou os gentios;
                      quando partilhou as línguas de fogo,
                           Ele nos chamou a unidade.
                 Com uma única voz, louvemos o Espírito Santo.

           - Por que as línguas de fogo não desceram sobre todos os
                   homens, mas apenas sobre os discípulos?

 Elas desceram sobre aqueles que Jesus havia preparado para receber o Espírito
  Santo, sobre aqueles que estavam reunidos, com um único coração, na fé do
 Senhor Jesus Ressuscitado: é necessário crer no Doador para receber o dom. O
                     Espírito não desceu sobre o mundo todo

         “O Espírito de Verdade que o mundo não pode receber, porque
                      não O vê nem O conhece” (Jo.14, 17)

Ele desceu sobre aqueles que o Senhor Jesus havia reunido porque creram n'Ele.
Ele desceu sobre a Igreja. Certamente um dom pessoal, que cada um recebeu em
 particular, mas porque estavam unidos, em comunhão - e justamente “no dia de
 Pentecostes estavam todos reunidos no mesmo lugar” (At 2, 1) - e sofreram uma
 transformação radical: repentinamente tomaram consciência da Palavra de Deus
  em seu seio e puseram-se a comunicar em todas as línguas as maravilhas de
  Deus. Donde o discurso de Pedro anunciando com audácia a Ressurreição do
                Crucificado àqueles mesmos que O crucificaram.

 O Pentecostes continua. A descida do Espírito Santo perpetua-se depois, vindo
consagrar os testemunhos da Ressurreição do Cristo, até o final dos tempos, como
             testemunha São Simeão, o Novo Teólogo, no século X:

         "Eu ouvi certa vez de um hieromonge, que me confidenciou que
         jamais iniciara os ofícios litúrgicos sem antes ter visto o Espírito
            Santo, da mesma forma que O vira quando o metropolita
          pronunciara sobre ele a oração de consagração e que o santo
       Evangelho fora colocado sobre sua cabeça. Eu lhe perguntei como
        O vira, sob que forma? Ele disse: “Primitivo e sem forma, todavia
         como uma luz”. E quando eu próprio vi o que jamais havia visto
          antes, fui surpreendido e comecei a refletir: “o que poderia ser
         isto”. Então, misteriosamente, mas com uma voz clara, Ele me
        disse: “Eu desço assim sobre todos os profetas e apóstolos, como
        também sobre todos os atuais eleitos de Deus e dos santos; pois
                            Eu sou o Espírito Santo” [2]

Bem, essa assembléia dos testemunhos da Ressurreição do Cristo, esses eleitos
   atuais de Deus que o Espírito Santo consagra à Igreja, e cada um de nós, é
   chamado a ser um desse eleitos. A Igreja é o Pentecostes que continua. [3]
         "Não fostes vós que me escolhestes; eu vos escolhi, e vos destinei
          a ir e dar fruto, um fruto que permaneça; assim, o que pedirdes ao
                     Pai em meu nome, eu vo-lo concederei." Jo, 16.

                                                Notas:
[1] Kondákion: pequeno cântico (kondós em grego = curto) cantado após a sexta ode das Matinas e durante a
                      Pequena Entrada, na Liturgia e que resume o sentido da festa.

         [2] Simeão o Novo Teólogo, Sermão 184, Sermões, traduzido do russo, t.II, pp.569-570.4

           [3] Igreja: em grego Ecclesia, a assembléia daqueles que são convocados, chamados.
                              Domingo dos Santos Padres



Os cristãos orientais conservam viva a memória do solene evento realizado no ano 325 em Nicéia, em que foram condenados os
erros de Ário. O fato de celebrar este acontecimento na proximidade da festa da Ascensão é um incentivo a reavivar a nossa fé no
                             Verbo de Deus, verdadeiro homem, e que voltou para o Pai celestial..




                                        EPÍSTOLA:

                                                                Discurso de Paulo despedindo-se dos
                                                                            Presbíteros de Éfeso
                                         At 20, 16-18;
                                              27-36



                                      EVANGELHO:


                                                                       Oração Sacerdotal de Jesus

                                         Jo 21, 14-25




                                                     ISSODIKÓN:

                                    Bendizei a Deus nas vossas assembléias,
                                         bendizei o Senhor, filhos de Israel!

                                             Salva-nos, ó Filho de Deus,
                                        que ressuscitaste dentre os mortos,
                                          a nós que a Ti cantamos: aleluia!
        APOLITÍKION DA RESSURREIÇÃO
                          (TOM 6):


         Enquanto Maria estava diante do sepulcro
             à procura de teu imaculado Corpo,
            Os Anjos apareceram em teu túmulo
               e as sentinelas desfaleceram.
                Sem ser vencido pela morte
       submeteste ao teu domínio o reino dos mortos,
     e vieste ao encontro da Virgem, revelando a vida.
      Senhor, que ressurgiste dos mortos, glória a Ti!.



           APOLITÍKION DA ASCENSÃO:

       Subiste glorioso ao céu, ó Cristo nosso Deus,
              enchendo de júbilo os discípulos
             pela promessa do Espírito Santo,
             e confirmando-os por tua bênção,
                 porque és o Filho de Deus,
                   o Redentor do mundo.



      APOLITÍKION DOS SANTOS PADRES
                          (TOM 8):

      Tu és digno de toda glória, ó Cristo nosso Deus,
pois constituíste os nossos padres como astros sobre a terra,
       e por eles nos guiaste a todos à verdadeira fé.
             Ó cheio de compaixão, glória a Ti!



                      KONDÁKION:
          A pregação dos apóstolos
       e os ensinamentos dos padres
        firmaram uma só fé na Igreja;
   a qual, revestida do manto da verdade,
   tecido com a ciência teológica revelada,
        distribui sabiamente e glorifica
        o grande mistério da piedade.



               KONDÁKION
                   (TOM 6):

Tendo cumprido a economia de nossa salvação
      e reconciliado a Terra com o Céu,
    subiste glorioso, ó Cristo nosso Deus,
        sem, porém, nos abandonar,
      mas permanecendo junto de nós,
        anunciando aos que te amam:
 "Eu estou convosco e ninguém é contra vós".



             PROKÍMENON:

 O Deus dos deuses falou e convocou a terra,
       desde o Oriente até o Ocidente.

    Escuta-nos, ó Deus, Salvador nosso,
   esperança de todos os confins da terra,
       e das longínquas praias do mar.



                 ALELUIA:

        Povos, aplaudi com as mãos,
     aclamai a Deus com vozes alegres!
               Obs.:

                               a.      Antífonas da Ascensão; Hirmós comum e Kinonikón de domingo.

                               b.      Após a comunhão, Apolitíkion da Ascensão.

                               c.      Bênção Final: fórmula da Ressurreição e da Ascensão..




SUBSÍDIOS HOMILÉTICOS:
                                                                                      Pe. Paulo Augusto Tamanini




Os cristãos orientais conservam viva a memória do solene evento realizado no ano 325 em
Nicéia, em que foram condenados os erros de Ário. O fato de celebrar este acontecimento na
proximidade da festa da Ascensão é um incentivo a reavivar a nossa fé no Verbo de Deus,
verdadeiro homem, e que voltou para o Pai celestial.

É sabido que, entre os Padres dos Sete Concílios ecumênicos do primeiro milênio, o grupo dos
bispos orientais formavam a maioria, mas não é tanto a eles que são elevados hinos de louvor;
mais se insiste sobre a importância da Igreja, liberta dos erros, e se agradece com gratidão a
Deus por tal acontecimento, como é claramente expresso no tropário principal, que é comum
também às outras duas comemorações dos Padres dos Concílios. Remetemos à apresentação
detalhada da comemoração de outubro em que será dado também o texto do tropário que
começa com as palavras: "Infinitamente glorioso és tu, ó Cristo nosso Deus..." Ao Evangelho se
lê a Oração sacerdotal de Jesus (Jo 17,1-13). É uma súplica já bastante repetida entre os
ecumenistas e que nos faz pensar nas muitas Igrejas agora separadas entre si, mas que têm em
comum a fé professada no Concílio de Nicéia, doutrina fundamental e essencial para todos os
cristãos.

Na sexta-feira se conclui o Pós-festa da Ascensão e no sábado, vigília de Pentecostes, celebra-
se a comemoração de todos os fiéis defuntos.
                                     Fonte: Ano Litúrgico Bizantino
                                        Madre Maria Donadeo
                                           Editora Ave-Maria




II - A comemoração dos Santos Padres dos Concílios realiza-se no domingo após a festa da
Ascensão do Senhor.

Com a expansão da Igreja, surgiram interpretações dúbias da doutrina cristã, daí nasceram os
Concílios Ecumênicos, reuniões universais de Bispos que decidiam junto aos Patriarcas (cinco
em total) o que era, ou não, a verdadeira fé. O primeiro concílio ocorreu em 325 e o sétimo e
último, em 787, transcorrendo quase 500 anos de uma era conturbada dentro da Igreja.

O Primeiro Concílio Ecumênico realizou-se na cidade de Nicéia, no ano 325, atendendo a um
pedido do imperador Constantino Magno. Deliberou sobre o erro de Ário, sacerdote de
Alexandria, que se referia a Jesus Cristo somente como um homem inspirado por Deus e não a
Segunda Pessoa da Santíssima Trindade. Assim as idéias de Ário foram condenadas como
doutrina errônea e foram criados os sete primeiros pontos do Credo que professamos.
O Segundo Concílio Ecumênico realizou-se no ano 381, conhecido como Constantinopla I, que
foi convocado pelo imperador Teodósio e que condenou outro erro grave de Macedônio,
Arcebispo de Constantinopla, que negava que o Espírito Santo fosse Deus, quer dizer, a Terceira
Pessoa da Santíssima Trindade, que é a base da fé cristã. Neste Concílio completou-se o Credo -
" Niceno-Constantinopolitano", o que se professa até hoje.
O Terceiro Concílio Ecumênico realizou-se em Éfeso, no ano 431, convocado pelo imperador
Teodósio II, no seu nome e do imperador Valentiniano III do Império Romano Ocidental, para
condenar Nestório, Arcebispo de Constantinopla, que propagava a crença de que a Virgem Maria
não era Mãe de Deus, quer dizer da Segunda Pessoa de Deus, mas somente de um homem
chamado Jesus, mais uma vez negando a divindade do Senhor Jesus. De acordo com Nestório,
o homem chamado Jesus era simplesmente unido a Deus de modo espiritual e não era
necessariamente o seu Filho.

O Quarto Concílio Ecumênico realizou-se em Calcedônia, no ano 451, convocado pelo imperador
Marquiano, no seu nome e do imperador do Império Romano Ocidental. Este Concílio julgou
Eutiques, monge de Constantinopla, que combateu Nestório de maneira equivocada, negando a
humanidade de Jesus que está bem clara nas Sagradas Escrituras. Esta doutrina errônea
chama-se Monofisitismo que vem do grego e significa "uma só natureza". Neste Concílio foi
definitivamente estabelecido que Jesus tem duas naturezas, a Divina e a humana, sendo
perfeitamente homem e Perfeitamente Deus.
O Quinto Concílio Ecumênico, Constantinopla II, realizou-se no ano 553. Foi convocado pelo
imperador Justiniano. Este Concílio condenou as obras escritas pelos seguidores do herege
Nestório.

O Sexto Concílio Ecumênico, Constantinopla III, realizou-se no ano 680. Foi convocado pelo
imperador Constantino Barbudo. Este Concílio combateu a corrente chamada Monotelista, que
defendia a idéia de Cristo ter uma só vontade, a Divina, e que a vontade humana estava perfeita
e absolutamente sujeita a esta Vontade Divina. Na verdade, a dualidade de vontades em Jesus
Cristo não é contrariada uma pela outra, estando a vontade humana sujeita a Vontade Divina. (Lc
22,42). É nesta época que surge, historicamente, o Islamismo, analisado neste Concílio. Outro
objeto de análise foi o destaque dado às novas Regras Apostólicas, transformadas no principal
documento legislativo da Santa Igreja Ortodoxa (Nono Cânon).

O Sétimo e último Concílio Ecumênico, Nicéia lI, realizou-se no ano 787. Foi convocado pela
imperatriz Irene, em seu nome e do seu filho Constantino, para condenar um grupo de
iconoclastas que queriam proibir a veneração das santos Ícones. Neste Concílio definiu-se e
deliberou-se a doutrina ortodoxa da veneração dos Ícones.




                                              Protopresbítero Nicolás Milus


Bibliografia:        1) "CHAMS" n.67, São Paulo, maio de 1998, pag. 62
2) Jaroslav K. Turkalo: "Narys istórií vselenskykh soboriv"
(Compêndio da história dos Concílios Ecumênicos), New Haven - 1974..
Ascensão do Senhor



     EPÍSTOLA:
                                 Ascensão do Senhor.
   At 1, 1-12




   EVANGELHO: Aparição de Jesus aos apóstolos; últimas
                       instruções e ascensão aos céus.
   Lc 24, 36-53




                Issodikón:

      Subiu Deus por entre aclamações
      O Senhor, ao som das trombetas.

         Salva-nos, ó Filho de Deus,
que do meio de nós, subiste vitorioso aos céus,
      a nós que a Ti cantamos: Aleluia!

           Apolitíkion - (tom 4)
Subiste glorioso ao céu, ó Cristo nosso Deus,
       enchendo de júbilo os discípulos
                      pela promessa do Espírito Santo,
                     e confirmando-os por tua bênção,
             porque és o Filho de Deus, o Redentor do mundo.

                                    Kondákion
              Tendo cumprido a economia de nossa salvação
                     e reconciliado a Terra com o Céu,
                   subiste glorioso, ó Cristo nosso Deus,
                         sem, porém, nos abandonar;
                      mas permanecendo junto de nós,
                        anunciando aos que te amam:
               “Eu estou convosco e ninguém é contra vós”.

                                  Prokímenon:
                            Eleva-te, ó Deus, sobre os céus,
                    e brilhe a tua glória sobre toda terra!

                        Meu coração está preparado, ó Deus,
                        meu coração está preparado,
                             cantarei e salmodiarei.

                                       Aleluia
                        Povos, aplaudi com as mãos,
                    aclamai a Deus com vozes alegres!

                                      Hirmós:
                     Subiu Deus por entre aclamações,
                      o Senhor, ao som das trombetas.
                             Aleluia, aleluia, aleluia!



OBS.:
        a.       Em vez de “Vimos a verdadeira luz ...”, o Apolitíkion da festa;

        b.       Encerra-se a festa na sexta-feira antes de Pentecostes;

        c.       Na Bênção Final: “Aquele que, dentre nós subiu vitorioso aos céus ... .”
                              SUBSÍDIOS HOMILÉTICOS:
                                                                        Pe. Paulo Augusto Tamanini



Quarenta dias após a ressurreição, a Igreja celebra a Ascensão do SENHOR aos Céus, onde Ele
está sentado à direita do Pai, conforme professamos no CREDO. Como celebração litúrgica esta
 Festa teve seu início no século IV, no Oriente, por São Gregório de Nissa e posteriormente por
                                      São João Crisóstomo.

Este espaço de 40 dias entre a Ressurreição e a Ascensão, é um espaço de tempo que atende mais
                       a uma necessidade pedagógica do que cronológica.

Após a Páscoa, JESUS não apareceu aos seus discípulos para reivindicar seu posto de Mestre ou
implantar um teocrático reino de DEUS no mundo, como muitos achavam que ele devia ter feito
   durante sua vida terrestre. JESUS, após a Páscoa se apresenta em dimensões diferentes: a
dimensão de sua glória, de seu senhorio transcendente. As atividades aqui na terra ele as incumbe
                       a todos nós. “Sede minhas testemunhas”. (At 1, 8)

 Através da Ressurreição JESUS volta a nós glorioso. Assim, paradoxalmente, ao celebrarmos a
entrada de JESUS na sua glória, não celebramos uma despedida, mas um novo modo de presença.
 Sua promessa foi muito explícita; “Eis que estou convosco todos os dias até a consumação dos
séculos” (Mt 28,20). De fato, a partir desta promessa celebramos o “Emanuel” (DEUS conosco)
                                        com mais certeza.

  Esperar o SENHOR até que ELE venha não deve provocar em nós uma alienação. Viver esta
expectativa, viver esta espera, exige de nós atitudes concretas, pois viver com a mente no céu não
 nos dispensa de estar com os dois pés no chão. Tal admoestação foi feita pelos anjos para alertar
que esta segunda vinda do SENHOR exigirá uma preparação constante. Pois se o seu nascimento
   aconteceu de maneira despercebida, rodeado apenas pelos pastores e animais da estrebaria, a
                               próxima não seguirá estas proporções.




                                               II


 Após a Ressurreição dentre os mortos, Nosso SENHOR permaneceu entre o povo durante 40
   dias. Com seu Corpo purificado aparecia às santas miróforas, aos apóstolos e a outros. Aos
apóstolos, admoestava que, quando recebessem a força do ESPÍRITO SANTO, fossem anunciar o
 Evangelho até os confins da terra, "batizando a todas as nações em Nome do PAI, DO FILHO E
                            DO ESPÍRITO SANTO..." (Mt.28, 19).

No quadragésimo (40º) dia após sua gloriosa Ressurreição deu-se o último acontecimento visível
 da sua vida terrena - sua gloriosa ASCENSÃO. Este episódio aconteceu no Monte das Oliveiras
 quando Nosso SENHOR elevou-se aos céus diante de seus apóstolos, que puderam contemplar
quando o DIVINO MESTRE se elevava e os abençoava. Continuando os apóstolos a olhar para os
  céus entristecidos com a partida de seu DIVINO MESTRE, eis que aparecem diante deles dois
                     homens vestidos de branco que, consolando-os disseram:

         "Homens da Galiléia, porque permaneceis olhando para os céus? Este mesmo
         Jesus que dentre vós ascendeu-se aos céus, novamente virá assim como vistes
                            elevar-se aos céus..." (Atos 1,10-11).

 Pelas palavras dos Anjos após a ASCENSÃO, entendemos o ensinamento dogmático da Igreja
  sobre a segunda e gloriosa Vinda de Nosso SENHOR quando virá para julgar os vivos e os
                                          mortos.

Na vida da Igreja, cada um de nós é chamado por vocação particular a cumprir uma missão.
 CRISTO, o Enviado do Pai Celeste, cumpriu sua missão, resgatando a humanidade da
 corrupção, para que todos tivéssemos Vida, e Vida em abundância, isto é, Vida eterna.
Os apóstolos não permaneceram parados, mas voltaram para casa e, após receberem o
  ESPÍRITO CONSOLADOR, O ESPÍRITO DA VERDADE, VIVIFICANTE, FORÇA DO
   ALTÍSSIMO, partiram destemidos, anunciando a Boa-nova do todos. E a Graça da
    Salvação chegou a nós através do batismo pelo qual fomos revestidos do próprio
   CRISTO e fortalecidos pelo ESPÍRITO SANTO que age em nós para conhecermos
  exatamente qual é a nossa vocação específica, a que fomos chamados, qual nossa
  missão terrena perante DEUS, sua Igreja e a comunidade da qual fazemos parte. E
após o cumprimento de nossa missão sermos também conduzidos para a Glória Eterna.

+ JEREMIAS
Bispo de Aspendos – Eparca da América do Sul
    DOMINGO DO CEGO




       EPÍSTOLA:
                          Expulsão do Demônio e libertação de
                                     Paulo e Silas.
        At 16, 16-34




     EVANGELHO:
                             Cura do Cego de Nascimento.
         Jo 9, 1-38




     Apolitíkion da Ressurreição
                  (5º tom):
        Glorifiquemos todos e adoremos
 o Verbo Divino, eterno com o Pai e o Espírito,
   nascido da Virgem para a nossa salvação;
pois, em sua carne, deixou-se suspender na cruz,
   padecer a morte e ressuscitar dos mortos
         pela sua gloriosa ressurreição.
                Kondákion do Cego:
     Privado dos olhos da alma, recorro a Ti, ó Cristo,
como o cego de nascimento, clamando com arrependimento:
 ”Tu és a luz resplandecente para os que estão nas trevas”.




               Kondákion da Páscoa:
            Tendo descido ao túmulo, ó imortal,
           Tu destruíste o poderio dos infernos
      e levantaste-te como vencedor, ó Cristo Deus,
    Tu, que disseste às mulheres miróforas: “Rejubilai”;
                e aos apóstolos, dás a paz,
       Tu que ressuscitas aqueles que sucumbiram.




                     Prokímenon:
           Tu, Senhor, nos guardarás e nos preservarás
               desta geração e para sempre.

      Salva-me, Senhor, porque o justo desapareceu,
 porque a verdade se extinguiu entre os filhos dos homens.




                         Aleluia
      Eu cantarei eternamente as tuas misericórdias, Senhor;
    e anunciarei a tua verdade de geração em geração.

                         Porque disseste:
   ”A misericórdia elevar-se-á como um edifício eterno”,
                     e nos céus a tua verdade será solidamente estabelecida.




 SUBSÍDIOS HOMILÉTICOS:
                                                                            Pe. Paulo Augusto Tamanini



JESUS abre os olhos ao cego de nascença pelas águas de Silóe. Mas antes de pedir ao cego que
lavasse seus olhos naquelas águas, JESUS tinha feito uma mistura de terra com sua própria
saliva. O milagre estava iminente, uma vez que a receita usada pelo SENHOR, isto é, a matéria
(terra) e o espírito (saliva saída da boca do próprio DEUS), proporcionam ao homem a
possibilidade de uma nova criação, uma criação perfeita, por isso, sem defeitos.

DEUS usa de nossa própria realidade para operar maravilhas.

ELE quer precisar de nossa história, nossas condições limitadas, nossas experiências, fazendo
delas ingredientes necessários para revelar-se.

A luz é criada por DEUS, conforme relata o Gênesis, para colocar ordem no Universo. DEUS
separa as trevas da luz e as nomeia Dia e Noite. Da mesma forma, com a cura , o SENHOR
reorganizou a vida daquele que era antes privado da visão: de incrédulo passou a ser testemunha
do MESSIAS e ao mesmo tempo sua cura manifestava que o REINO DE DEUS já estava no meio
deles.

Já no Novo Testamento, a luz também foi usada por JESUS como elemento pedagógico em suas
parábolas ensinado-nos que não podemos escondê-la, mas coloca-la em lugares onde ela possa
irradiar sua luminosidade.

Uma vez batizados somos possuidores da Luz pois no Batismo, a luz ocupa um lugar de destaque
trazendo em seu bojo uma catequese: recebemos a luz (vela acesa) que nos faz Filhos de DEUS,
que nos faz criaturas iluminadas, com a missão de iluminar.

Não podemos agir, portanto, como se ignorássemos dessas grandezas; não podemos nos
esconder da própria luz que nos foi dada no dia de nosso Batismo. Semelhantemente, a prática
deve confirmar a nossa adesão ao Cristo e não contrariar o que professamos em público.
O Cego, após o milagre, professou sua fé no SENHOR, menosprezando o medo e as
conseqüências que disto podia lhe advir.

Somente CRISTO consegue lançar luz sobre as trevas. Renunciá-lo significa preferir a escuridão à
Luz; luz esta que ilumina a todos e a tudo.

O SENHOR abre também nossos olhos e nos ensina a ver nos sofrimentos, nas dores, na morte e
nas dificuldades a presença de JESUS sofredor e não a sua completa ausência ou abandono, as
vezes somos tentados a supor.

A terra e a saliva ainda são necessárias para que a Luz resplandeça e ilumine o mundo; e para
que o mundo creia e professe que JESUS É O SENHOR, O MESSIAS prometido aos nossos pais
desde os tempos mais antigos.
DOMINGO DA SAMARITANA

         5º Domingo da Páscoa



           EPÍSTOLA:
                           Fundação da Igreja de Antioquia.
          At 11, 19-30




         EVANGELHO:
                                 Jesus e a Samaritana.
           Jo 4, 5-41




      APOLITÍKION DA RESSURREIÇÃO
                    (4º TOM):


Ouvindo do Anjo o alegre anúncio da Ressurreição,
     que da antiga condenação nos libertou,
             as discípulas do Senhor,
      disseram envaidecidas aos apóstolos:
  a morte foi vencida, o Cristo Deus ressuscitou,
     dando ao mundo a grande misericórdia!


        KONDÁKION DA SAMARITANA


     A Samaritana, tendo ido com fé ao poço,
          viu-Te, ó Água da Sabedoria;
                       e saciada por Ti, a sua sede herdou
                             o Reino Eterno do Céu


                           KONDÁKION DA PÁSCOA:


                       Tendo descido ao túmulo, ó imortal,
                       Tu destruíste o poderio dos infernos
                  e levantaste-te como vencedor, ó Cristo Deus,
               Tu, que disseste às mulheres miróforas: “Rejubilai”;
                           e aos Apóstolos, dás a paz,
                  Tu que ressuscitas aqueles que sucumbiram.


                                PROKÍMENON:


                  Quão magníficas são as tuas obras, ó Senhor!
                     Fizeste com sabedoria todas as coisas.

                        Bendize, ó minha alma, o Senhor,
                     Senhor meu Deus, como és grandioso!


                                   ALELUIA:


                          Avança vitoriosamente e reina
                 por meio da verdade, da mansidão e da justiça,
                 e tua destra te conduzirá a coisas maravilhosas.

                   Amaste a justiça e aborreceste a iniquidade;
             Por isso o Senhor teu Deus te ungiu com óleo de alegria,
                     de preferência aos teus companheiros.




SUBSÍDIOS HOMILÉTICOS:
                                                                      Pe. Paulo Augusto Tamanini
Ir até uma fonte pública buscar água era função das jovens e das mulheres casadas como
parte de seus afazeres domésticos. Geralmente elas se dirigiam à fonte muito cedo ou já no
fim do dia. Neste episódio narrado pelo Evangelho vimos que a Samaritana, ao contrário do
uso costumeiro, foi ao meio-dia buscar água na fonte, provocando circunstancialmente um
encontro com o SENHOR.

O diálogo travado entre eles, enveredou por caminhos que levaram a Samaritana a constatar
que estava diante de alguém extraordinário, possuidor de dons especiais por “adivinhar” sua
vida pregressa. “Vejo que és um profeta”, diz a Samaritana a JESUS.
Já a Leitura dos Atos dos Apóstolos revela-nos que foi em Antioquia que pela primeira vez os
seguidores do SENHOR foram chamados de cristãos. (At 11,28) Desde então todos batizados
trazem este nome.
Estes pontos convidam-nos a refletir sobre a estreita ligação entre a água e o Batismo.

As Sagradas Escrituras reconhecem a importância da água para o homem e ressaltam seu
simbolismo na História da Salvação. No livro do Gênesis, o autor sagrado descreve que “o
Espírito de Deus pairava sobre as águas” (Gn 1,2); em seguida, o Dilúvio, que põe fim aos
vícios e pecados e dá a Noé a missão de perpetuar uma nova humanidade (Gn 6,5); depois,
Moisés é salvo das águas do Rio Nilo (Ex 2,10); no Rio Jordão, Naamã é curado da lepra (2R
5, 1-19).
No Novo Testamento JESUS é batizado por João Batista no Jordão (Mt 3,13-17); JESUS
caminha sobre as águas (Mt 14, 22-33); convida a saciar a sede: “Se alguém tem sede, que
venha a mim e beba... pois jorrarão rios de água viva” (Jo 7,37) e diz na liturgia deste Domingo
à Samaritana: “O que beber da água que eu lhe der, jamais terá sede, mas a água que eu lhe
der virá a ser nele fonte de água que jorrará até a Vida Eterna”. (Jo 4,14)

No Batismo cristão, a água é a matéria pela qual o Espírito Santo por meios sensíveis e
visíveis se faz presente, dando a pessoa nova identidade. A pertença a uma Comunidade, à
filiação divina e à herança eterna faz com que os cristãos que passaram pela água viva do
batismo também sejam identificados como a “raça eleita”, o “povo escolhido”.
A Samaritana, admirada por ter conhecido Aquele que era tão esperado pelo povo de Israel,
apressadamente correu ao encontro dos seus para anunciar que conhecera o “Enviado”, o
“Messias Prometido”. Ao ter contato com a Água Viva ela não se estagnou, pelo contrário,
anunciou aquele encontro aos demais, dando início a uma nova vida, porque experimentou o
agradável prazer de saciar sua sede espiritual, diretamente da FONTE da qual jorra ÁGUA
VIVA. Nós, os batizados, devemos da mesma forma, viver com alegria de coração, a grandeza
de sermos chamados cristãos. Se pela primeira vez fomos chamados de cristãos em Antioquia,
hoje parece já não mais existir lugar onde não estejamos presentes. Basta o testemunho!
DOMINGO DO PARALÍTICO

        4º Domingo da Páscoa




         EPÍSTOLA:
                                Pedro em Lida e Jope.
         At 9, 32-42




       EVANGELHO:
                       Cura do Paralítico na Piscina de Betesda.
          Jo 5, 1-15




     APOLITÍKION DA RESSURREIÇÃO
                   (3º TOM):

             Rejubilem-se os Céus
              e alegre-se a terra,
 pois o Senhor manifestou a força de seu braço;
       e com sua morte venceu a morte,
   tornou-se o Primogênito dentre os mortos;
       libertou-nos do seio dos infernos,
  revelando ao mundo a grande misericórdia!
                        KONDÁKION DO PARALÍTICO
                  Ó Senhor, como curaste outrora o paralítico,
                     faz levantar, por tua divina Providência,
                   minha alma paralizada por toda a espécie
                          de pecados e de obras más,
                        a fim de que, salvo, eu aclame:
                  Glória ao teu Poder, ó Cristo Misericordioso!

                          KONDÁKION DA PÁSCOA:

                      Tendo descido ao túmulo, ó imortal,
                      Tu destruíste o poderio dos infernos
                 e levantaste-te como vencedor, ó Cristo Deus,
               Tu, que disseste às mulheres miróforas: “Rejubilai”;
                           e aos Apóstolos, dás a paz,
                  Tu que ressuscitas aqueles que sucumbiram.

                                 PROKÍMENON:

                     Cantai salmos ao nosso Deus, cantai;
                       cantai salmos ao nosso Rei, cantai!

                      Nações, aplaudi todas com as mãos,
                       clamai a Deus com vozes alegres.

                                    ALELUIA:

                        Junto de Ti, Senhor, me refugiei;
                      não seja eu confundido para sempre.

                            Por tua justiça, livra-me.
                         Sê para mim um Deus protetor
                     e uma casa de refúgio para me salvar.



SUBSÍDIOS HOMILÉTICOS:
                                                                                     Pe. Paulo Augusto Tamanini

Ao celebrarmos a "Festa do Paralítico" notamos que a cronologia toma uma posição secundária e a sua
relevância cede lugar ao conteúdo da mensagem que tal festa se propõe a comunicar.
O Calendário Litúrgico bizantino, neste tempo Pascal, faz uma cisão no tempo e enxerta nele acontecimentos
ricos e densos de significado que nos convidam a uma profunda reflexão.
Assim como a paralisia corporal nos torna imóveis e insensíveis, porque a dinâmica da vida e da ação fica
comprometida, da mesma forma podemos estar sofrendo da paralisia espiritual, sem que tenhamos
consciência dela. Se estivermos ainda alheios ou indiferentes às alegrias pascais e e ao que ela deveria
significar para nossa vida de cristãos, temos aí fortes indícios de que padecemos de tal enfermidade.
A Ressurreição do SENHOR nos convida a um apostolado que exige maior dinamismo, energia, vivacidade e
coragem. Para tanto é necessário estarmos unidos intimamente ao SENHOR, o Doador da Vida, da força e da
luz, a fim de levarmos VIDA em abundância àqueles necessitados e carentes destes dons.
A nossa missão de cristãos é proclamar a Realeza do SENHOR JESUS, anunciando-a com palavras e obras.
Esta dinâmica exige movimento, agilidade, destreza e não um acomodamento mórbido e indolente. Essas
atitudes devem ser demonstradas em gestos concretos de nosso cotidiano. Poderão muitas pessoas
experimentar o amor de Deus através de nosso otimismo, de nossa esperança, de nossas atitudes, por mais
simples que sejam, pois elas estarão alicerçadas numa fé madura.
Esforcemo-nos portanto, por afastar de nosso convívio o mau humor, a melancolia, a apatia, a estagnação.
Tudo isso denuncia uma fé ainda paralisada, de pouca consistência.
Deus nos quer felizes e, no lar cristão, a felicidade deverá sempre ocupar o hall de entrada. Um lar cristão
deve ser dinâmico, gerar virtudes cristãs, mesmo que estas sejam pouco valorizadas pelo mundo. É preciso
frisar, entretanto, que não conseguimos adquirir tais virtudes com intempestuosos esforços esporádicos, mas
sendo perseverantes na luta, com a constância em nossos esforços.
Na medida de nossa responsabilidade como pastores e/ou educadores (bispos, sacerdotes, pais, professores...),
somos chamados a testemunharmos com alegria, entusiasmo e responsabilidade a Ressurreição do SENHOR
e, sempre caminhantes, em movimento.
A paralisia espiritual, neste caso, não pode fazer parte de nossa vida.
  DOMINGO DAS MIRÓFORAS

     (As Mulheres Portadoras de Aromas)




      Epístola:
                                      Eleição dos diáconos.
      At 6, 1-7




    Evangelho:
                     Sepultura de Jesus; as mulheres encontram o sepulcro
     Mc 15, 43;
                                              vazio.
        16,8:




           APOLITÍKION DA RESSURREIÇÃO
                         (2º TOM):

       Quando te entregaste à morte, ó Vida imortal,
  aniquilaste os infernos pelo esplendor de tua divindade;
e, quando ressuscitaste os mortos das profundezas da terra,
         todas as Potências Celestes exclamaram:
          ó Cristo, nosso Deus, ó Autor da vida,
               Senhor, glória a Ti!




       APOLITÍKION DO NOBRE JOSÉ
                    (TOM 2):

                 O nobre José,
  tendo descido da Cruz teu corpo imaculado,
   envolveu-o num lençol, cobriu-o de aroma
  e o depositou com cuidado num túmulo novo.
  Mas, ao terceiro dia, ressuscitaste, ó Senhor,
    dando ao mundo a grande misericórdia.




       APOLITÍKION DAS MIRÓFORAS
                    (TOM 2):

        O Anjo, sentado junto do túmulo,
    disse às mulheres portadoras de aroma:
        Os aromas convêm aos mortos;
  Cristo, porém, mostrou-se alheio à corrupção.
      Aclamai, pois: o Senhor ressuscitou
    dando ao mundo a grande misericórdia!




       KONDÁKION DAS MIRÓFORAS:

 Ó Cristo Deus, quando saudaste as Miróforas,
puseste fim à lamentação de Eva, a primeira Mãe,
 e ordenaste-lhes de anunciar a teus apóstolos
     que o Salvador ressuscitou do túmulo.
           KONDÁKION DA PÁSCOA:

       Tendo descido ao túmulo, ó imortal,
       Tu destruíste o poderio dos infernos
  e levantaste-te como vencedor, ó Cristo Deus,
Tu, que disseste às mulheres miróforas: “Rejubilai”;
            e aos Apóstolos, dás a paz,
   Tu que ressuscitas aqueles que sucumbiram.




                 PROKÍMENON:

      O Senhor te ouça no dia da tribulação,
       o nome do Deus de Jacó te proteja.

           Ó Senhor, salva o teu povo,
       e ouve-nos, quando te invocarmos.




                     ALELUIA:

        Vinde, regozijemo-nos no Senhor;
  cantemos as glórias de Deus, nosso Salvador.

            Porque o Senhor é grande,
          é o grande Rei de toda a terra.




                     HIRMÓS:

       Um Anjo exclamou à Cheia de graça:
                                                  Virgem pura rejubila!
                                                 De novo digo, rejubila!
                                teu Filho ressuscitou do túmulo ao terceiro dia.

                                Resplandece, resplandece, ó Nova Jerusalém!
                                     pois a glória do Senhor brilhou sobre ti!

                                            Exulta agora e alegra-te Sião!
                                          e Tu, ó Mãe de Deus toda pura,
                                       rejubila na Ressurreição do teu Filho!




                                                       KINONIKÓN:


                                               Tomai o Corpo de Cristo
                                          e bebei da fonte imortal. Aleluia!




OBS.:

       Durante a semana, se o santo do dia tiver apolitíkion próprio, diz-se o Apolitíkion do nobre José, das Miróforas;
        Kondákion do Padroeiro e das Miróforas. Se não, Apolitíkion da Ressurreição – (2º tom), de José e das Miróforas;
        Kondákion do Padroeiro e das Miróforas
 SUBSÍDIOS HOMILÉTICOS:
Pe. Paulo Augusto Tamanini




   Raramente um sentenciado ganhava um sepulcro. Geralmente após a morte indigna de um condenado à
    cruz, o corpo era deixado pendurado à vista de todos, para que os abutres o devorassem, segundo as leis
     romanas. Mas pelas leis de Israel um sentenciado deveria ganhar, pelo menos, uma sepultura em uma
                                                 cova comum.
     Também é imperioso lembrar que o dia seguinte sempre tinha seu início após o pôr do sol daquele
   mesmo dia, respeitando as tradições judaicas. A Páscoa Judaica aproximava-se, e não era nada agradável
                            ver um judeu suspenso numa cruz em dias de Festa.
   Essas duas situações fizeram com que Jesus ganhasse um túmulo novo, graças à interferência e ao apelo
    de José de Arimatéia e Nicodemus (Jo 19,38). Também era costume, após a morte de um judeu, ungir
      com óleos aromáticos diversas partes do corpo, numa tentativa de abrandar o cheiro da corrupção
                                       corporal trazidos pela morte.
  A este serviço estavam sempre incumbidas as Miróforas (mulheres portadoras de aromas) e que tivessem
                          um parentesco muito próximo para executar tais funções.
     São a elas que o Calendário Litúrgico Bizantino prestam hoje homenagens, atribuindo-lhes orações e
    cantos próprios, neste 3o. Domingo da Páscoa, sem que haja algo correspondente na Liturgia Ocidental.
    Afinal, foi por meio delas que o anuncio da Ressurreição fez-se notícia e por isso ganham uma honrosa
                                            referência na Liturgia.
   Também, repetidas vezes lembra a Liturgia do desvelo solícito das mulheres que saem de suas casas para
   terminar os rituais do sepultamento feito às pressas no dia anterior, conforme o Kondákion. Este desvelo
    faz destas mulheres as primeiras testemunhas da ressurreição e, por isso mesmo, ganham os epítetos de
                            “Apostolas dos apóstolos”e “Mensageiras da Boa-nova”.
      Os quatro Evangelistas narram o episódio, mas Marcos e Lucas fazem questão de nomeá-las: Maria
      Madalena, Salomé, Joana, Marta e Maria (irmãs de Lázaro) e Maria, mãe de Tiago. (Mc 15,40 e Lc
                                                   24,10)
      Se aqueles aromas eram destinados Àquele que tinha morrido, já não tinham mais utilidade, pois do
                              sepulcro vazio brotava o suave perfume da vida.
    DOMINGO DE SÃO TOMÉ
(Este domingo é também conhecido como "Domingo Novo")


           Meu Senhor e Meu Deus!




           Epístola:
                               Milagres e prodígios operados por
                                    Pedro e pelos apóstolos.
           At 5, 12-20




         Evangelho:
                                 Jesus aparece aos apóstolos;
                                    incredulidade de Tomé.
          Jo 20, 19-31




                    ISSODIKÓN:

        Bendizei a Deus nas vossas assembléias
           bendizei o Senhor, filhos de Israel!
              Salva-nos, ó Filho de Deus,
          que ressuscitaste dentre os mortos,
            a nós que a Ti cantamos: aleluia!
  APOLITÍKION DE S. TOMÉ
               (7º TOM):

Do sepulcro selado ressurgiste, ó Vida;
    e as portas estando fechadas,
   entraste no meio dos discípulos,
 ó Cristo Deus, ressurreição de todos,
e renovaste em nós, por seu intermédio,
         o espírito de retidão,
   segundo tua grande misericórdia.




  KONDÁKION DE SÃO TOMÉ

            Ó Cristo Deus,
     Tomé pôs sua mão incrédula
      no teu lado que dá a vida,
        pois, quando entraste,
     estando as portas fechadas,
ele aclamou com os outros discípulos:
     És meu senhor e meu Deus!




   KONDÁKION DA PÁSCOA
               (2º TOM):

 Tendo descido ao túmulo, ó Imortal,
 Tu destruíste o poderio dos infernos
 e levantaste-te como vencedor, ó Cristo Deus,
Tu, que disseste às mulheres miróforas: rejubilai!
          E aos apóstolos, dás a paz,
  Tu que ressuscitas aqueles que sucumbiram.




               PROKÍMENON:

         Grande é o Senhor nosso Deus
             e poderosa a sua força;
         sua sabedoria não tem limites.

       Louvai o Senhor, porque ele é bom!
       Agradável é o louvor a nosso Deus.




                   ALELUIA:

       Vinde, regozijemo-nos no Senhor;
 cantemos as glórias de Deus, nosso Salvador!

           Porque o Senhor é grande,
         é o grande Rei de toda a terra.




                 KINONIKÓN:

         Glorifica o Senhor, Jerusalém!
          Celebra o teu Deus, ó Sião.

             Aleluia, aleluia, aleluia!
                                                           HIRMÓS:

                                            Nós te glorificamos com hinos,
                                                  ó candelabro brilhante!

                                       Mãe de Deus e glória resplandecente,
                                tu que és mais elevada que todas as criaturas.



OBS.:

   a.   Logo após "Bendito seja o reino do Pai ...", o sacerdote canta: "Cristo ressuscitou dos mortos..." e o coro repete duas vezes.

   b.   Em vez de: "Vimos a verdadeira luz ...", "Cristo ressuscitou..." (uma vez).

   c.   Na Semana de S. Tomé:
        1). Antífonas e Issodikón: da Páscoa;
        2). Apolitíkion do santo , do padroeiro da Igreja e de São Tomé;
        3). Hirmós: "Verdadeiramente é digno e justo ...";
        4). Kinonikón: do dia da semana;
        5). Depois da Comunhão: "Cristo ressuscitou dos mortos...".

   d.   Durante todo o Tempo Pascal, depois da Bênção final, diz-se: "Cristo ressuscitou dos mortos..." em vez de "Pelas orações...".




SUBSÍDIOS HOMILÉTICOS:
                                                                                                            Pe. Paulo Augusto Tamanini




Ainda é o Domingo da Nova Páscoa. Os discípulos estão reunidos no Cenáculo e Jesus entra
     "estando as portas fechadas", trazendo-lhes a paz (JO 20,19). As portas trancadas do
    Cenáculo ainda são sinais da ausência do Mestre e do medo que todos sentiam . Jesus
"entra", atravessando as barreiras externas (as portas) e internas( a dúvida) daquele ambiente.
 A razão e a fé têm provas daquilo que Maria de Magdala anunciava tão efusivamente: Jesus
Ressuscitou! Mas Tomé estando ausente não testemunha a Nova Páscoa, pelo contrário, pede
provas. A Igreja reunida viu o Senhor Ressuscitado no Cenáculo, mas não foi o suficiente para
que Tomé acreditasse nela. Era necessário que seus olhos vissem e seus dedos tocassem as
                                            chagas.

  Ainda hoje, como Tomé, muitos são os que ainda exigem as mesmas condições para crer e viver as
 verdades proclamadas pela Igreja. Nem mesmo o fundamental (a Ressurreição) está isento de dúvidas.
   Prefere-se mesclar esta verdade de fé com outras doutrinas e crenças que lhes parecem mais aceitáveis
  pela razão, mais agradáveis aos sentidos .É uma necessidade infantil e ingênua acalentar uma esperança
de se ter nova chance, uma nova oportunidade para se viver. Tais pensamentos geram confusão e aumenta
   a incredulidade. É preciso purificar o conteúdo de nossa fé cristã. Novamente o Ressuscitado aparece,
      desta vez com Tomé presente, para que ele conclua que são de fato aquelas mãos que acolhia os
  pecadores e protegia as crianças, abençoava os alimentos e retirava os espíritos impuros; são de fato os
pés do Messias itinerante, do Ungido sem endereço fixo, do Missionário andarilho. Carne e ossos de uma
     humanidade aceita por amor, mas que estavam ali ressuscitados, elevando a dignidade humana aos
  patamares cobiçados até mesmo pelos anjos. O Senhor se apresenta no meio de todos, não dedicando a
   Tomé uma aparição exclusiva ensinando-nos que, para aqueles de "pouca fé", a ajuda da comunidade
reunida é essencial. A dúvida, a insegurança, a incerteza e o medo nascem dos momentos onde a presença
 de Deus é encoberta. Basta descobri-la para nos tornarmos corajosos, desbravadores, seguros e convictos
                                        cristãos, como foi São Tomé.
DOMINGO DE PÁSCOA
 "Ressurreição do Senhor"




 Cristo ressuscitou dos mortos;
   venceu a morte pela morte;
  e aos que estavam no túmulo,
          Cristo deu a vida!




 Epístola:
                 Prólogo; últimas instruções de Jesus e sua
                                  ascensão.
  At 1, 1-8




Evangelho:
                Prólogo do Evangelho de São João: o Verbo
                      é eterno; a encarnação do Verbo.
 Jo 1, 1-17




              Issodikón:
Bendizei a Deus nas vossas assembléias
   Bendizei o Senhor, filhos de Israel!

      Salva-nos, ó Filho de Deus,
               que ressuscitaste dentre os mortos,
                a nós que a Ti cantamos: Aleluia!




                    Apolitíkion - (5º Tom):
                 Cristo ressuscitou dos mortos;
                   venceu a morte pela morte;
                 e aos que estavam no túmulo,
                        Cristo deu a vida.




                            Hipacoï:
                   As companheiras de Maria,
            tendo chegado antes do raiar da aurora,
           e encontrando removida a pedra do túmulo,
ouviram um Anjo dizer-lhes: "Por que procurais, como a um homem
        e entre os mortos, aquele que vive na luz eterna?
      Vede as faixas funerárias; correi e anunciai ao mundo
        que o Senhor ressuscitou, tendo vencido a morte,
     pois ele é o Filho de Deus, que salva o gênero humano.




                          Kondákion
                            (tom 2):
              Tendo descido ao túmulo, ó Imortal,
              Tu destruíste o poderio dos infernos
         e levantaste-te como vencedor, ó Cristo Deus,
        Tu, que disseste às mulheres miróforas: rejubilai!
                  E aos apóstolos, dás a paz,
          Tu que ressuscitas aqueles que sucumbiram.
                           Kondákion:
Ó admirável e protetora dos cristãos e nossa Medianeira do Criador,
     não desprezes as súplicas de nenhum de nós pecadores;
   mas apressa-te em socorrer-nos, como Mãe bondosa que és,
      pois te invocamos com fé: Roga por nós, junto de Deus
        tu que defendes sempre aqueles que te veneram.




                            Trisagion:
               Vós +que fostes batizados em Cristo,
            vos revestistes de Cristo. Aleluia! (3 vezes)

                         Glória ao Pai +...

                 Vos revestistes de Cristo. Aleluia!

              Vós X que fostes batizados em Cristo,
            vos revestistes de Cristo. Aleluia! (3 vezes)




                          Prokímenon:
                   Este é o dia que o Senhor fez,
                  exultemos e alegremo-nos nele!

             Dai graças ao Senhor porque ele é bom,
                   e a sua misericórdia é eterna.




                              Aleluia:
         Tu te levantarás e terás piedade de Sião, Senhor
             pois o tempo de te compadeceres dela,
                 o tempo determinado já chegou.

                  O Senhor olha do alto dos céus
                                       e vê a todos os filhos dos homens.




                                                      Kinonikón:
                                               Tomai o Corpo de Cristo
                                               e provai da fonte imortal.
                                                Aleluia, aleluia, aleluia!




                                                        Hirmós:
                                     Um Anjo exclamou à Cheia de graça:
                                                 Virgem pura rejubila!
                                                De novo digo, rejubila!
                              teu Filho ressuscitou do túmulo ao terceiro dia.

                              Resplandece, resplandece, ó Nova Jerusalém!
                                   Pois a glória do Senhor brilhou sobre ti!
                                          Exulta agora e alegra-te Sião!
                                        E Tu, ó Mãe de Deus toda pura,
                                      rejubila na ressurreição do teu Filho!




OBS.:

    a. Em vez de "Recebei-me hoje, participante...", repete-se o Canto da Comunhão "Tomai o Corpo de Cristo ..."

    b. Canta-se "Cristo ressuscitou dos mortos ..." uma vez no lugar de "Vimos a verdadeira Luz ..."; três vezes no lugar de
         "Bendito seja o nome do Senhor ..."

    c. Em vez de "Pelas orações dos nossos santos padres ..." diz-se "Cristo ressuscitou dos mortos..."

    d. No Ofício de Vésperas lê-se o Evangelho de Jo 20, 19-25 em várias línguas pelos sacerdotes e diáconos.

    e. Na semana da Páscoa e no dia do encerramento da festa - quarta-feira antes da Ascensão, a missa é igual a do dia da
         Páscoa.

    f. Depois da Bênção Final, o sacerdote diz, alternando com os fiéis:
SUBSÍDIOS HOMILÉTICOS:
                                                                                Pe. Paulo Augusto Tamanini



Os primeiros sinais da Ressurreição são os de ausência: Jesus não estava mais lá onde
havia sido sepultado. A pedra fora do lugar, o sepulcro vazio, os lençóis e o sudário
abandonados faziam parte do cenário que Maria de Magdala vislumbrava. Ela, a primeira
mensageira do sepulcro vazio, a evangelista da ressurreição, correu para chamar os
discípulos, ainda temerosos com os acontecimentos vividos naqueles dias. Encontrou Pedro e
João que se lançaram em direção ao inexplicável. Não acharam o que procuravam! Aquela
ausência, aquele vazio são preenchidos por uma nova realidade: a perplexidade.

Os discípulos voltaram para casa, deixando o cenário livre para Maria. Repetiu-se o fato: Jesus e Maria
se encontram a sós, como em Samaria, quando estava prestes a ser apedrejada. Parece que as testemunhas
dos diálogos entre o Senhor e Maria se esvaem. Antes pela inconveniência de escutar aquelas palavras
que feriam o orgulho: “se alguém não tiver pecado, atire a primeira pedra”; agora, eles se vão pelo
excesso de silêncio. Justamente neste diálogo, sem testemunhas, ela reconhece o Senhor e imediatamente
o chama de “Raboni”, ou seja, Mestre.

Embora fosse conhecida pelos discípulos novamente vai ao encontro deles pra lhes dizer: “Eu vi o
Senhor”, mas eles não acreditam.

A incredulidade dos discípulos não diminui a alegria de Maria, pois momentos mais tarde o próprio
Ressuscitado, trazendo-lhes a paz, invadirá o cenáculo confirmando o que Maria anunciou.

A partir de então os apóstolos não sentiriam mais constrangimento nem desprezo pelo povo que
codinomeavam seu Mestre de “Crucificado”. Estes sentimentos transformam-se em coragem e missão.
Os primeiros missionários do cristianismo anunciavam o “Ressuscitado” para transformar a vida de
muitos. E esta força provinha da fé ratificada pela visão.

A nós, destinatários das palavras do Senhor :“Bem-aventurados são os que não viram mais acreditaram”,
cabe a fé, dom e graça de Deus !”
        DOMINGO DE RAMOS
   O Senhor Deus a nós se revelou,
bendito o que vem em nome do Senhor!

                      Exortação à alegria,
                         doçura, santa
         Epístola:    despreocupação no
         Fl 49, 4-9   espírito de oração e
                       paz no Senhor e à
                      prática de todo bem.

                      Jesus é ungido em
        Evangelho:     Betânia; entrada
        Jo 12, 1-18       triunfal em
                         Jerusalém.
                           Issodikón:
               O Senhor é Deus e a nós se revelou,
              bendito o que vem em nome do senhor!

                    Salva-nos, ó Filho de Deus,
                que estás sentado num jumentinho,
                 a nós que a Ti cantamos: aleluia!



                           Apolitíkion:
                          Ó Cristo Deus,
dando-nos, antes da tua Paixão, uma garantia da ressurreição geral,
                 ressuscitaste Lázaro dos mortos;
        por isso, nós também, como os filhos dos hebreus,
            levamos os símbolos da vitória, clamando:
            Ó vencedor da morte, hosana nas alturas!
             Bendito o que vem em nome do Senhor!



                        Outro Apolitíkion
                            (tom 4):
      Fomos sepultados contigo pelo batismo, ó Cristo Deus,
        e pela tua Ressurreição, merecemos a vida eterna.
               Por isso, a Ti cantamos em alta voz:
                       hosana nas alturas!
             Bendito o que vem em nome do Senhor!



                            Hipacoï:
      Os Judeus, primeiro louvaram a Cristo Deus com ramos
           e, em seguida, prenderam-no com varapaus.
         Quanto a nós, honremo-lo sempre como benfeitor
                  e com fé inabalável, clamemos:
bendito és Tu que vieste para fazer Adão reviver!



            Kondákion - (tom 6):
                 Ó Cristo Deus,
     que nos céus estás sentado num trono,
      e na terra montado num jumentinho,
    recebeste com agrado o canto dos Anjos
   e o louvor das crianças que te aclamavam:
bendito és, Tu que vieste para fazer reviver Adão!



                 Prokímenon:
      O Senhor é Deus e a nós se revelou.
    Bendito o que vem em nome do senhor!

       Louvai o Senhor, porque ele é bom,
       porque a sua misericórdia é eterna.



                    Aleluia:
       Cantai ao Senhor um cântico novo,
         porque ele operou maravilhas!
            Todos os confins da terra
        viram a salvação de nosso Deus!



                  Kinonikón:
      O Senhor é Deus e a nós se revelou.
    Bendito o que vem em nome do Senhor.
             Aleluia, aleluia, aleluia!



                    Hirmós:
                        O Senhor é Deus e a nós se revelou!
                            Celebrai a festa e alegrai-vos,
                           e vinde, glorifiquemos a Cristo,
                         levando palmas e ramos de oliveira
                           e cantando-lhe hinos, dizendo:
                       bendito o que vem em nome do Senhor,
                                   nosso Salvador!




 SUBSÍDIOS HOMILÉTICOS:
                                                               Pe. Paulo Augusto Tamanini



O Senhor que sempre admoestava seus seguidores para que não contassem a
ninguém os prodígios e milagres que Ele operava e que fugia das multidões que
queriam proclamá-lo Rei, entra em Jerusalém, sendo aclamado como o Messias, o
Libertador , o Filho de Deus. Tapetes e ramos são estendidos pelos caminhos dando
boas - vindas àquele que era aguardado há gerações como o libertador de Israel.
Esta recepção é fruto ainda da repercussão que o milagre da ressurreição de Lázaro
suscitava. Em toda região o fenômeno do milagre se espalhava e o Nazareno
transformou-se em personagem de grande fama e prestígio. Aquilo que deveria ser
uma recepção calorosa, devido a sua popularidade, aos poucos ganhou proporções de
uma acolhida régia. O povo estava vivendo naqueles dias a grande Festa das Tendas
em Jerusalém, e por isso tinham ao seu alcance os ramos de oliveira e de outras
arvores que deveriam ser usados nos rituais, mas que ganham novas finalidades:
acolher o Rei da Glória, montado em um jumentinho.
Uma das orações da Solene Liturgia do Domingo de Ramos enfatiza que "o Senhor, no
Reino dos Céus, está sentado em Trono Glorioso e, aqui na terra, sentou-se no lombo
de um jumentinho; no Céu os anjos cantam hinos de glória e aqui as criancinhas
proclamam hosanas ao Filho de Davi".
A entrada de Jesus em Jerusalém marca o inicio da revelação do verdadeiro motivo da
sua vinda até nós. E ele começou pela "Casa do Pai", o Templo; varrendo de lá os
cambistas e salteadores que faziam daquele lugar sagrado um covil de ladrões (Mt
21,12). A seguir a figueira estéril seca diante de sua própria inutilidade; relatou as
parábolas do Banquete de Casamento e dos Vinhateiros, fazendo alusão a sua própria
sorte. Por fim nos deu o Novo Mandamento, os Sacramentos do Perdão e da
Eucaristia. Antes, porém, lavou os pés dos seus discípulos. Jerusalém foi palco
também do extraordinário fato que mudou a história da Humanidade: a sua
Ressurreição.
Nós que aderimos ao Cristo pela fé e cremos em sua mensagem, estendamos os
ramos da paz e da concórdia nos ambientes onde reinam a violência; levantemos os
ramos da solidariedade e da caridade onde a partilha se faz necessária; estendamos
os ramos do perdão e da compreensão diante daqueles que são fracos e escorregam
no caminho da vida, oferecendo nossas mãos para ajuda-los.Esses são os nossos
irmãos que, nem jumentinhos têm, e que entram em nossas histórias trazendo em seu
interior o próprio Cristo. Mas nós não O reconhecemos e não Lhe cantamos "hosanas".

				
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posted:4/26/2012
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