Monografia apresentada ao Supervisor do Programa de Resid�ncia by B6hL9Nfj

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									  Secretaria de Estado de Saúde do Governo do Distrito Federal
                   Hospital Regional da Asa Sul (HRAS)
              Programa de Residência Médica em Pediatria


     Existe síndrome da
    morte súbita do lactente
     (SMSL) no Distrito
           Federal?
              Akalenni Quintela Bernardino
                    23/10/2007
 Monografia apresentada ao Supervisor do Programa de Residência
 Médica da Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal, como
requisito parcial para obtenção do título de especialista em Pediatria
        sob orientação da Profª. Drª. Lisliê Capoulade Arrais
          INTRODUÇÃO

“De noite morreu o filho desta mulher,
 porquanto se deitara sobre ele. Levantou-
 se à meia-noite, e, enquanto, dormia tua
 serva, tirou-me a meu filho do meu lado,
 e deitou nos seus braços; e a seu filho
 morto deitou-o nos meus”

                   1 Reis 3:19,22
       INTRODUÇÃO



“Por que o meu bebê faleceu?”
                               INTRODUÇÃO
    Em 1969
• Morte inesperada de lactentes e crianças
   jovens onde a investigação não determinava
   a causa.
* exame post mortem
   Em 1989, The National Institute of Child e
    Health Human Development
•   Entidade e ampliado conceito
•   SIDS, crib/cot death (morte no berço)
    KROUS, FH et al. Sudden Infant Death Syndrome and Unclassified Sudden Infant Deaths: A definitional and Diagnostic Approach.
    Pediatrics 2004; 114(1):234-238
                INTRODUÇÃO - Conceito
    A morte súbita e inesperada de uma
    criança menor de um ano de idade,
    episódio fatal ocorrendo durante o sono,
    permanecendo inexplicada após
    investigação completa do caso,
    incluindo necrópsia completa, revisão
    da cena da morte e história clínica.
   “Indeterminados”
    KROUS, FH et al. Sudden Infant Death Syndrome and Unclassified Sudden Infant Deaths: A definitional and Diagnostic Approach. Pediatrics 2004;

    114(1):234-238
        INTRODUÇÃO - Classificação
   Categoria IA SMSL: características clássicas,
    completamente documentadas sejam elas
    clínicas, relacionada às circunstâncias da
    morte e os achados da autópsia.

   Características clínicas: criança > de 21 dias e
    < de 9 meses, história clínica normal, ausência
    de morte semelhante em irmãos ou parentes
    geneticamente próximos ou crianças sob a
    guarda do mesmo cuidador.


   KROUS, FH et al. Sudden Infant Death Syndrome and Unclassified Sudden Infant Deaths: A definitional and Diagnostic Approach. Pediatrics 2004;
    114(1):234-238
      INTRODUÇÃO - Classificação
   Circunstâncias da morte: investigação de vários
    locais onde ocorreu a morte com a comprovação
    da inexistência para ela, encontro da criança em
    local seguro, sem evidência de morte acidental.


   Autópsia: ausência de achados potencialmente
    fatais, trauma, abuso, negligência ou lesão não
    intencional, resultados negativos dos exames
    toxicológicos, microbiológicos, radiológicos,
    humor vítreo e screening metabólico.
       INTRODUÇÃO - Classificação

   Categoria IB SMSL: características
    clássicas da SMSL estão presentes, mas
    incompletamente documentadas, exceto pela
    fala de investigação das circunstâncias da
    morte e/ou falta de uma ou mais exames.



    KROUS, FH et al. Sudden Infant Death Syndrome and Unclassified Sudden Infant Deaths: A definitional and Diagnostic
    Approach. Pediatrics 2004; 114(1):234-238
        INTRODUÇÃO - Classificação
   Categoria II SMSL: os casos semelhantes
    ao 1A com as seguintes

   Características clínicas: < 21dias ou > 270
    dias (9meses), histórias similares em irmãos ou
    outra criança sob o cuidado do mesmo
    cuidador (sem infanticídio),condições
    neonatais ou perinatais que não contribuíram
    para o evento da morte.

   KROUS, FH et al. Sudden Infant Death Syndrome and Unclassified Sudden Infant Deaths: A definitional and Diagnostic Approach. Pediatrics 2004;
    114(1):234-238
        INTRODUÇÃO - Classificação
   Circunstâncias da morte: mecanismos de
    asfixia e sufocação não foram descartadas
    completamente.
   Autópsia: desenvolvimento e crescimento
    anormais que não contribuíram para a morte,
    inflamação acentuada ou outras anormalidades
    para inequivocadamente causar a morte.

   Morte súbita da infância não classificada
    KROUS, FH et al. Sudden Infant Death Syndrome and Unclassified Sudden Infant Deaths: A definitional and Diagnostic Approach. Pediatrics
    2004; 114(1):234-238
     INTRODUÇÃO - Epidemiologia
   EUA, 1998 – 3ª causa de mortalidade
   Ainda é a principal causa de mortalidade pós-
    natal (25%)
   Taxa anual :
•   1,3/1000 nascidos vivos para 0,7/1000 - EUA
•   0,8/1000 nascidos vivos para 0,3/1000-
    Canadá
•   Queda: Campanha
    HUNT, CE. Sudden Infant Death Syndrome and Other Causes of Infant Mortality Diagnosis, Mechanisms, and Risk for
    Recurrence in Siblings. Am J Respir Crit Care Med 2001;164: 346–357
    HUNT, CE, HAUCK, FR. Sudden infant death syndrome. CMJA 2006; 174(13): 1861-67
       INTRODUÇÃO - Etiologia
    ????
    Hipóteses:
1.   infecciosa
2.   anormalidades cardíaca (SCN5A e KCNQ1)
3.   alterações respiratórias
4.   mecanismo de despertar
INTRODUÇÃO - Diagnóstico
                      Posição prona
                     e decúbito lateral



    Anormalidades
                                          Genética
      cardíacas




                          SMSL




      Alterações                          Fatores
     respiratórias                        maternos




                     Alteração no SN
    INTRODUÇÃO - Fatores de Risco
   Modificáveis:
•   tabagismo materno, multiparidade, classe econômica
•   Posição ao dormir


   Não modificáveis:
•   sexo, fatores genéticos, etnia, idade



    HUNT, CE, HAUCK, FR. Sudden infant death syndrome. CMJA 2006; 174(13): 1861-67
    INTRODUÇÃO - Recomendações
   Em 1992, AAP: CAMAPANHA BACK TO
    SLEEP
•   Decúbito dorsal
•   Ambiente “limpo”
•   Cabeça descoberta durante o sono
•   Aleitamento materno, sono compartilhado
•   Vacinas, chupetas, home-care
                                Recomendações
                        AAP Recomendações para diminuir o risco de SMSL

- Coloque o bebê para dormir em posição supina. Decúbito lateral não é recomendado.
- O bebê não deve ser colocado sobre colchões de água ou mole, sofás e outras superficies moles.
 -Materias moles no ambiente em que a criança está dormindo devem ser evitados sobre, sob ou próximo
ao bebê, como travesseiros, mantas, brinquedos.
 -Evite aquecer ou vestir de mais o bebê. Ele deve estar com roupas leves para dormir e uma temperatura
confortável.
 -Não fume durante a gestação. Mantenha o bebê em um ambiente sem tabagismo.
 -Compartilhe o mesmo ambiente que o bebê para dormir, porém em leitos diferentes. Não durma em
sofás com o bebê e não permita que divida a cama com outras crianças.
 -Considere o uso de chupeta durante o sono. Inicie esta prática após um mês do início da amamentação




AAP = Academia Americana de Pediatria; SMSL = síndrome da morte súbita do lactente.



    New recommendations to reduce the risk of SIDS: what should we advise parents? - Editorials
    http://www.aafp.org/afp/20061201/editorials.html#e1 – 2006, acessado em Fevereiro de 2007
              OBJETIVOS

    GERAL:
1.   Verificar se há SMSL no DF
                  OBETIVOS
    ESPECÍFICOS:
1.   Analisar a presença de casos de SMSL no IML
     do DF
2.   Avaliar a existência de um protocolo para o
     diagnóstico de SMSL
3.   Revisar a literatura nacional e internacional
     sobre SMSL
4.   Esclarecer sobre os fatores de risco para SMSL,
     demonstrando a importância da prevenção
     PACIENTES E MÉTODOS

   Estudo: observacional, descritivo e retrospectivo
   Período: janeiro 2001 a Junho 2007
   Local: IML do DF
   Comitê de Ética e Pesquisa - FEPECS
     PACIENTES E MÉTODOS
             Critérios de Inclusão

1.   óbitos de 0-1 ano de idade com
     necrópsias no IML do DF.
2.   óbitos de crianças nascidas apenas no
     Distrito Federal
3.   necrópsias com o diagnóstico de SMSL
     e possíveis casos de SMSL.
4.   boletins de ocorrência de casos de
     SMSL e possíveis casos de SMSL
     PACIENTES E MÉTODOS
            Critérios de Exclusão

1.    necrópsias de crianças menores de 1
     ano de idade naturais de outros estados.
2.   necrópsias em menores de 1 ano de
     idade com causa mortis determinada
                    PACIENTES E MÉTODOS
                                 Delineamento do estudo
                    PROTOCOLO
                                                       7-ONDE DORMIA:
                                SIM   NÃO   NÃO HÁ     a- cama b- berço
RECÉM-NASCIDO                               REGISTRO   c-outros ( qual?)
1-PESO                                                 8-COM QUEM DORMIA
                                                       a- sozinho b- pais c-outros
2-ETNIA:
a- branco b- negro c- pardo                            9- ONDE DORMIA
3-ESTAVA DOENTE                                        a- cama b-berço c- outros
                                                       (qual?)
4-IDADE
                                                       10-HORÁRIO DA MORTE
5-POSIÇÃO AO DORMIR:                                   a- manhã (06- 12h) b- tarde
a- supina b- decúbito lateral                          (11-17:59h) c- noite (18-
c- decúbito ventral                                    23:59h)
6-POSIÇÃO AO                                           d- madrugada (00-5:59h)
ENCONTRAR                                              11- Amamentava
MORTO:a,b,c,

                                                       12- MÊS/ ANO DA MORTE


                                                       13-LOCALIDADE
PACIENTES E MÉTODOS
       Delineamento do estudo

           Mãe


14-IDADE

15-GESTA/PARIDADE


16-OCUPAÇÃO


17-ESCOLARIDADE


18-RENDA


19-VÍCIOS 1-FUMA/2-ÁCOOL/3-DIV


20-PRÉ-NATAL
             RESULTADOS
   395 necrópsias
•   293 (74%) causa determinada,
•   100 (25%) aspiração gástrica,
o   05 casos fora do DF
o   87 casos sem boletim de ocorrência
o   8 “possíveis casos”
•   2 (0,5%) SMSL
                RESULTADOS
    Distribuição das causas de morte no lactente segundo o laudo do IML




                                       20%


                                                              SMSL
                                                              Asfixia Mecânica


         80%




TAXA ANUAL: 0,044/ 1000 nascidos vivos
                            RESULTADOS
                            Distribuição dos casos segundo o laudo do IML


                 2
               1,8
               1,6
               1,4
               1,2
Número de casos 1
                                                                                   Asfixia Mecânica
               0,8
               0,6                                                                 SMSL
               0,4
               0,2
                 0
                     2002        2003          2004         2005            2006
                                         Período em anos
             RESULTADOS


   Predomínio de ♂, relação 4:1♀
   Média de idade: 2,7 meses (1 a 5 meses)
   Saudáveis: 60%, * 30% IVAS
   Pardos: 60%
   Dormiam: 20% pais, 40% sozinhos
             RESULTADOS

   Posição: somente 20% decúbito lateral
   Período: manhã
   Aleitamento: 70%
   Mães: 60% do lar
          idade ( 18,21,24,35 anos )
   Histopatológico: nenhum
              CONCLUSÃO

   Poucos casos existentes
   Diferença de realidade
   Necessidade de um Protocolo : história
    clínica, necrópsia detalhada e revisão da
    cena do óbito
   Maior divulgação ( social e profissional)
              CONCLUSÃO


    Quem sabe se todos lutarmos com o
    mesmo objetivo de informar, orientar e
    pensar em possíveis casos de SMSL, a
    verdadeira realidade do DF e até do
    Brasil apareça?
htpp://www.cdc.gov/sids/suid..htm
A todos os pais que perderam seus filhos de maneira súbita e
 inexplicada e que não puderam tirar de si a culpa por esta morte.

                            Obrigada.

								
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