Fernanda Veiga Dezembro 2009

Document Sample
Fernanda Veiga Dezembro 2009 Powered By Docstoc
					DETERMINANTES DAS MARGENS BANCÁRIAS:
 APLICAÇÕES A ALGUNS PAÍSES EUROPEUS


                     Dissertação de Mestrado em Economia


                     Orientação:
                     Professor Doutor Carlos Arriaga Costa

                     Mestranda:
                     Fernanda Manuel Taveira Veiga




      Universidade do Minho
      Escola de Economia e Gestão
Problema de Pesquisa



    Verificar em que medida a margem de juros líquida (MJL) dos bancos, é

 determinada por:


    variáveis de estrutura de mercado,


    variáveis específicas aos bancos,


    variáveis regulamentares, e


    variáveis macroeconómicas.
Motivação


   Apesar da multiplicidade de estudos sobre os determinantes das margens de juro a
    questão continua actual.

   A deterioração das margens de juro preocupa sobretudo banqueiros e
    governantes, num período de instabilidade dos mercados financeiros, impelindo
    os bancos a centrarem parte da actividade na intermediação financeira.

   Outro facto relaciona-se com a existência de bases de dados cada vez mais
    sofisticadas que permitem introduzir novas variáveis nos modelos das margens
    de juro.

   Os estudos empíricos anteriores procuraram concluir sobre os determinantes das
    margens de juro, e apontar uma explicação para o nível das mesmas, porém, os
    resultados são por vezes contraditórios e inconclusivos.
Motivação


   Este estudo difere dos anteriores por incluir na análise Portugal juntamente com um
    conjunto de países Europeus - Bélgica, Grécia, Irlanda, Holanda, Áustria, Finlândia,
    Alemanha, Espanha, França, Itália e Reino Unido.

   Ambiciona-se sustentar    a   tomada    de   decisões   relativamente a    políticas
    microeconómicas e macroeconómicas que permitam reduzir os custos de
    intermediação financeira contribuindo para o bem-estar social, e

   Auxiliar na definição de políticas regulamentares que possibilitem a prevenção ou
    minimização da instabilidade nos mercados financeiros.

   Pretende-se aprofundar a estudo sobre os determinantes das margens de juro e
    observar em que medida os resultados obtidos corroboram a teoria económica, e
    resultados empíricos anteriores.
Evolução Margens de Juro


MEDIANA MARGEM DE JUROS POR PAÍSES        VALORES MÉDIO DA MARGEM DE JUROS POR PAÍSES




   Tendência generalizada de queda das         Tendência de evolução decrescente da

margens de juro, nos países analisados.      margem     de     juros,   com     alguma
                                             variabilidade, para o período 1999-2006.
Intermediação Financeira


                                        INTERMEDIAÇÃO
                                          FINANCEIRA




          Actividade Financeira                          Actividade Financeira
              Intermediada                                 Desintermediada

  É realizada por instituições                    É efectuada directamente entre os
  intermediarias, geralmente                      agentes económicos superavitários
  instituições financeiras, que captam            e os agentes económicos
  recursos junto dos agentes                      deficitários.
  económicos superavitários, e                    O papel das instituições financeiras
  obrigam-se a honrar a exigibilidade             consiste em promover a corretagem
  destes recursos que emprestam aos               de valores.
  agentes económicos deficitários.
Teorias da Intermediação Financeira


    Teoria dos Custos de Transacção: Stiglitz e Weiss (1981); Bernanke (1983);
     Ramakrishnan & Thakor (1984); Rajan e Zingales, 1988; Pereira da Silva (2001);
     Levine (1997) e (2004).

    Teoria do Seguro de Liquidez: Bryant (1980); Diamond e Tybvig (1983); Freixas e
     Rochet (1999); Sáez e Shi (2004).

    Teoria da Coalizão (Coalizion): Leland e Pyle (1977)

    Teoria da Delegação de Monitorada (delegated monitoring): Diamond, D. (1984)
     e (1991); Gale & Hellwig (1985); Campbell & Kracaw (1980); Boyd & Prescott
     (1986); Sinkey (1992); Freixas e Rochet (1999).

    Teoria dos Contratos: Sharpe, S. (1990).
 Modelos das Margens de Juro

 Os determinantes das margens de juro bancárias têm sido analisados à luz de dois
modelos alternativos:
                                        Modelos das
                                       Margens de Juro


            Modelos de Empresa
                                                   Modelos de Dealership
            Bancária (Monopólio)
                  Klein (1971)                        Ho e Saunders (1981)
                  Monti (1972)                      McShane e Sharpe (1985)
                 Zarruk (1989)                            Allen (1988)
                  Wong (1997)                            Angbazo (1997)
             Zarruk e Madura (1992)                   Brock e Suarez (2000)
              Barajas, et al. (1999)              Saunders e Schumacher (2000)
                       ….                                Drakos (2003)
                                                    Maudos e Guevara (2004)
                                                               …
Resumo


   Analisamos os determinantes das margens de juro líquidas (MJL) no sector
    bancário num conjunto de países Europeus (Bélgica, Irlanda, Holanda, Áustria,
    Finlândia, Alemanha, Espanha, França, Itália, Portugal e Reino Unido), para o período
    1999-2006.

   Baseamo-nos no modelo teórico de Ho e Saunders (1981) e posteriores extensões.

   Seleccionamos 21 variáveis para representar os 4 factores contemplados no
    modelo.

   Palavras-chave: Margens de Juros Líquidas; Intermediação Financeira; Bancos;
    Europa.
        Referencial Teórico - Modelo Ho e Saunders (1981)

   No modelo de Ho e Saunders (1981) o banco é modelado como um agente avesso ao risco que procura
    depósitos e concede crédito (actua como um intermediário financeiro).

   Hipóteses do Modelo:

           Não existem custos de processamento para os depósitos nem para os empréstimos.

           O banco representativo define o preço dos empréstimos (b) e dos depósitos (a) no início do período
            (inalterados para o resto do período), e a quantidade (Q) é definida exogenamente.

           O principal risco de portfólio que o banco enfrenta é o risco da volatilidade das taxas de juro
            (G2).

           O horizonte de planeamento é de um único período de tempo (que se pressupõe curto).

           No período, verifica-se uma entrada de empréstimos e de depósitos com a mesma dimensão de
            transacção (Q).

           O banco maximiza a utilidade esperada da riqueza final.

       O problema de decisão do banco perante o risco de transacção, e o risco da taxa de juro prende-se
        com a determinação das taxas de juro dos depósitos e empréstimos, spreads das taxas de juro, (s)
        que maximizem a utilidade óptima esperada.
Referencial Teórico - Modelo Ho e Saunders (1981)


    Lógica subjacente ao modelo:

    Supondo que um novo depósito entra no banco antes de existir uma procura por empréstimos,
     então, o banco irá temporariamente investir os fundos recebidos no mercado monetário a uma
     taxa (t), assumindo o risco de reinvestimento no final do período, na eventualidade das taxas
     de juro no mercado monetário interbancário baixarem.

    Similarmente, se ocorre uma nova procura por empréstimos, antes que um novo depósito tenha
     sido efectuado, o banco terá que recorrer ao mercado monetário interbancário para se financiar,
     enfrentando o risco de refinanciamento, se as taxas de juro subirem.

    Simultaneamente, os bancos deparam-se com a incerteza associada ao pagamento dos
     empréstimos, uma vez que existe a probabilidade de alguns não serem pagos, i.e. o risco de
     crédito (R).

    O banco irá aplicar uma margem aos empréstimos (b), e aos depósitos (a), que o irá compensar
     pelo risco da taxa de juro e pelo risco de crédito.
 Referencial Teórico - Modelo Ho e Saunders (1981)


    Modelo de Dealership

    Margem Teórica                 Especificação Empírica

                        1
      s  ( a  b)      R I2Q
                        2




Resultados Obtidos

                Variáveis Independentes                 Efeito Esperado   Resultado Empírico

IR - Taxa de Juros Implícita                                  +                   +

OR - Custo de Oportunidade das Reservas                       +                  NS

DP - Prémio de Incumprimento                                  +                  NS

δt ou G2 - Volatilidade da taxa de juro                       +                   +
   NS: Não Significativa
Hipóteses de Pesquisa


    H0: A margem de juros líquida dos bancos, dos países Europeus
     seleccionados neste estudo não é determinada pelas variáveis de
     estrutura de mercado; específicas aos bancos; regulamentares; e
     macroeconómicas.


    H1: A margem de juros líquida dos bancos, dos países Europeus
     seleccionados neste estudo é determinada pelas variáveis de estrutura
     de   mercado;    específicas   aos   bancos;    regulamentares;    e
     macroeconómicas.
Fontes de Informação e Amostra

   Bankscope - Balanços e Contas de Exploração (estrutura de mercado, características
    específicas aos bancos, e ambiente regulamentar).
   Eurostat     e   Bloomberg     -     Indicadores     macroeconómicos   (componente
    macroeconómica).
   Amostra: painel de dados não equilibrado de 40.256 bancos, de 11 países, período
    1999-2006.                PAIS         Bancos        %
                            Alemanha       19.312      47,97
                             Áustria        2.336       5,8
                             Bélgica         784        1,95
                            Espanha         1.968       4,89
                            Finlândia        176        0,44
                             França         3.504       8,7
                             Holanda         712        1,77
                             Irlanda         640        1,59
                               Itália       6.944      17,25
                             Portugal        384        0,95
                           Reino Unido      3.496       8,68
                               Total       40.256       100
Modelo Empírico


        MJLict   0ict   1Mercct   2 Bancict   3 Re gct   4 Macroct   ict

Onde:

   MJLict é a margem de juros líquida do banco i , no país c, num determinado período t.

   α0ict é termo constante da regressão, i.e., a estimativa da margem de juros líquida para todos
    os bancos i , no país c, no momento t.

   β1Mercct é um vector de características específicas da estrutura do sector bancário, no país c,
    no momento t.

   β2Bancict é um vector de características específicas ao banco i , no país c, no momento t.

   β3Regct é um vector de características regulamentares específicas ao banco i, no país c, no
    momento t.

   β4Macroct é um vector de características macroeconómicas do país c, no momento t.

   εict é o resíduo do banco i, no país c, no momento t.
   Variáveis

      Variável Dependente
              Margem de juros líquida, do banco i no país c num determinado período t, que é calculada pela
      MJL     diferença entre os juros recebidos e os juros pagos em percentagem do total dos activos
              remunerados.

      Variáveis Independentes
                                      Factores de Estrutura de Mercado
                    Índice de Herfindahl, somatório dos quadrados das quotas de mercado dos activos dos
      Herf.
                    bancos .
                    Rácio de concentração CR5, mede o peso dos activos dos 5 maiores bancos no total do
      CR5
                    activo do sector bancário.
                    A quota de mercado (QM), total de activos dos bancos em percentagem do total de activos
      QM
                    dos bancos no país.

Desenv.Sector       Desenvolvimento do sector bancário, total de activos dos bancos em percentagem do PIB.
  Variáveis Independentes


                             Factores Específicos aos Bancos

   Cust.Oper.Méd.       Custos operacionais médios, rácio custos operacionais/activo total.

     Aver.Risco         Aversão ao risco, rácio capitais próprios/activo total.

     Risc.Créd.         Risco de crédito, rácio de empréstimos líquidos sobre o activo total.

                        Interacção entre o risco de crédito (Risc.Créd.) e o risco de mercado
Risc.Créd.*DP.TJMM3M    (DP.TJMM3M), produto do desvio padrão anualizado das taxas de juro diárias a 3
                        meses no mercado monetário interbancário, e o risco de crédito.

                        Interacção entre o risco de crédito (Risc.Créd.) e o risco de mercado
Risc.Créd.*DP.OT’s3A    (DP.OT’s3A), produto do desvio padrão anualizado das taxas de juro diárias das
                        obrigações do tesouro com 3 anos de maturidade, e o risco de crédito.

                        Interacção entre o risco de crédito (Risc.Créd.) e o risco de mercado
Risc.Créd.*DP.OT’s10A   (DP.OT’s10A), produto do desvio padrão anualizado das taxas de juro diárias das
                        obrigações do tesouro com 10 anos de maturidade, e o risco de crédito.
   Variáveis Independentes



                                    Factores Regulamentares


                    Pagamento de Juros Implícitos, diferença entre os custos não relacionados com juros e
  Pag.Jur.Imp.
                    os rendimentos não relacionados com pagamentos de juros a dividir pelo total dos activos.


                    Custo de Oportunidades das Reservas bancárias, rácio activos não remunerados/ total
Cust.Oport.Reser.
                    dos activos remunerados.
   Variáveis Independentes


                                    Factores Macroeconómicos
             Taxa de crescimento real do PIB, mede a variação anual, em %, do valor do PIB calculado a
   ∆PIB
             preços constantes.
             PIB per capita, obtém-se dividindo o valor do PIB pela população de um país, obtém-se um valor
PIB.p.Cap.
             médio per capita.
             Taxa de desemprego, é a taxa que permite definir o peso da população desempregada sobre o
  T.D.(%)
             total da população activa.
             Taxa de inflação, calculada pela variação (no fim do ano) do IPC (Índice de Preços no
   Inf.
             Consumidor).
             Volatilidade das taxas de juro no mercado monetário, medida pelo desvio padrão anualizado
DP.TJMM3M
             das taxas de juro diárias da taxa de juro a 3 meses no mercado monetário interbancário.
             Volatilidade das taxas de juro no mercado monetário, medida pelo desvio padrão anualizado
DP.OT’s3A
             das taxas de juro diárias das obrigações do tesouro com 3 anos de maturidade.
             Volatilidade das taxas de juro no mercado monetário, medida pelo desvio padrão anualizado
DP.OT’s10A
             das taxas de juro diárias das obrigações do tesouro com 10 anos de maturidade.
Resultados Esperados para os Coeficientes

                                     Resultados
          Coeficientes                                               Resultados Estudos Anteriores
                                     Esperados
    Concentração de Mercado
                                         +        Maudos e Guevara (2004); Claeys e Vander Vennet (2008) (+)
             Herf.
                                                  McShane e Sharpe (1985); Ruthenberg e Elias (1996); Williams (1998);
    Concentração de Mercado                       Barajas, Steiner, e Salazar (1999); Saunders e Schumacher (2000);
                                         +
              CR5                                 Sinkey e Carter (2000); Claessens, Demirgüc-Kunt, e Huizinga (2001)
                                                  Claeys e Vander Vennet (2008) (+)
        Poder de Mercado                          McShane e Sharpe (1985), Oreiro et al. (2005); Williams (2007); (+)
                                         +
               QM                                 Abreu e Mendes (2001); Claeys e Vander Vennet (2008) (N.S.)
Desenvolvimento do Sector Bancário
                                         -        Demirgüç-Kunt, A., e H. Huizinga (1999); Naceur (2003) (-)
          Desenv.Sector
   Custos Operacionais Médios                      Brock e Rojas-Suarez (2000); Maudos e Guevara (2004); Gan-Ochir, D.
                                         +
         Cust.Oper.Méd.                           2006) (+)
                                                  Ho e Saunders (1981) (N.S); McShane e Sharpe (1985); Hanson e
                                                  Rocha (1986); Berger (1995); Angbazo (1997); Randall (1998); Huizinga
                                                  (1999); Saunders e Schumacher (2000); Abreu e Mendes (2001);
     Grau de aversão ao risco
                                       + ou -     Maudos e Guevara (2004); Gelos (2006); Kosmidou et al (2005); Claeys
           Aver.Risco
                                                  e Vander Vennet (2008) (+)
                                                  Wong, (1997) (-)
                                                  Heffernan, S.A. e Fu, M. 2008 (+ ou -)
       Risco de Crédito                           Hanson e Rocha (1986); Angbazo (1997); Huizinga (1999); Saunders e
                                         +
          Risc.Créd.                              Schumacher (2000) (+)
 Dimensão Média das Operações                     Hanson e Rocha (1986); Angbazo (1997); Huizinga (1999); Saunders e
                                         +
       Dimen.Méd.Oper.                            Schumacher (2000) (+) ; Gan-Ochir, D. (2006) (+ ou -)
                                                  Hanson e Rocha (1986); Angbazo (1997); Huizinga (1999Saunders e
       Eficiência de Gestão
                                         +        Schumacher (2000); Abreu e Mendes (2001); Guevara (2002); Maudos e
               Efic.
                                                  Guevara (2004); Estrada, D., Gomez, E. e Orozco, I., 2006) (+)
Resultados Esperados para os Coeficientes

                                       Resultados
           Coeficientes                                                Resultados Estudos Anteriores
                                       Esperados
   Pagamento de Juros Implícitos                     Ho e Saunders (1981), Angbanzo (1997), Huizinga et al (1999), Saunders
                                           +
            Pag.Jur.Imp.                             e Schumacher (2000); Maudos e Guevara (2004) (+)
     Custo de Oportunidade das
                                                     Ho e Saunders (1981) (N.S); Angbazo (1997); Huizinga et al (1999);
          Reservas Bancárias               +
                                                     Saunders e Schumaker (2000) (+)
         Cust.Oport.Reser.
   Produto Interno Bruto (PIB) per
                                                     Demirgüc-Kunt e Huizinga (1999); Brock e Rojas-Suárez (2000) (-)
                 capita                    -
                                                     Afanasieff e Nakane (2002) (+ ou -)
             PIB.p.Cap.
    Taxa de Crescimento Real do
      Produto Interno Bruto (PIB)          -         Demirgüc-Kunt e Huizinga (1999); Brock e Rojas-Suárez (2000) (-)
                ∆PIB
       Taxa de Desemprego
                                           +        Abreu e Mendes (2001) (-)
               T.D.(%)
                                                     Huizinga et al (1999); Hanson e Rocha (1986; Naceur (2003); Naceur e
          Taxa de Inflação
                                           +         Goaied (2001); Afanasieff (2002); Casu et al (2004); Diaz e Olivero
                Inf.
                                                     (2005); Hesse (2007) (+)
    Volatilidade das Taxas de Juro
                                                     Ho e Saunders (1981); Mcshane e Sharpe (1985); Angbazo (1997);
              DP.TJMM3M
                                           +         Huizinga et al (1999); Saunders e Schumacher (2000); Maudos et al
               DP.OT’s3A
                                                     (2003); Gelos (2009) (+)
              DP.OT’s10A
 Interacção entre o Risco de Crédito
           e o Risco de Mercado
                                                     Hanson e Rocha (1986); Angbazo (1997); Huizinga (1999); Schumacher
       Risc.Créd.*DPTJMM3M                 +
                                                     e Saunders (2000) (+)
        Risc.Créd.*DP.OT’s3A
       Risc.Créd.*DP.OT’s10A
Metodologia de Estimação


   O modelo foi estimado através da técnica de dados em painel que permite verificar os dados
    tanto em corte transversal, com em série temporal, Programa econométrico EViews 6.0.

   Numa fase inicial, relativamente às estimações, utilizamos o mínimos quadrados ordinários
    (MQO). Verificamos os dados sem efeito aleatório ou fixo.

   Os resultados obtidos não foram satisfatórios. Os dados não permitiam cumprir com todos
    pressupostos de validação do modelo – R2 ajustado, multicolinearidade,
    homocedasticidade, normalidade e autocorrelação – pelo que conduzimos várias
    experiencias até chegar a resultados mais consistentes.

   A regressão estimada é globalmente significativa para um nível de confiança de 95%, pelo
    que, as margens de juro líquidas são explicadas pelas variáveis incluídas no modelo.
Metodologia de Estimação

   Modelo 1: MMQO, sem qualquer tipo de efeitos (fixos, aleatórios, seccionais, temporais, ou
    ponderações).

   Modelo 2: MMQO, efeitos fixos seccionais, com recurso ao coeficiente de covariância e erros padrão
    seccionais de White (White cross-section standard errors & covariance).

   Modelo 3: MMQO, efeitos aleatórios seccionais, com recurso ao coeficiente de covariância e erros
    padrão seccionais de White.

   Modelo 4: MMQ generalizado, com ponderações seccionais (cross-section weights), e com recurso ao
    coeficiente de covariância e erros padrão seccionais de White.

   Modelo 5: MMQ, com efeitos fixos seccionais, desfazagens AR(1), com recurso ao coeficiente de
    covariância e erros padrão seccionais de White.

   Modelo 6: MMQ com efeitos fixos seccionais, desfazagens AR(2), com recurso ao coeficiente de
    covariância e erros padrão seccionais de White.


     MMQ – Método dos mínimos quadrados; MMQO – Método dos mínimos quadrados ordinário
         Testes à Especificação do Modelo e aos Resíduos


         Aderência dos Modelos                          Qualidade do Ajustamento                        Autocorrelação Residual

Modelo 1 Estatística - F           31,72924          Modelo 1 R2                   0,029118
                                                                                                  Modelo 1 Estatística DW (+) 0,202561
          Prob (Estatística - F) 0,000000                         R2 Ajustado      0,028200

Modelo 2 Estatística - F           44,36885          Modelo 2 R2                   0,922229
                                                                                                  Modelo 2 Estatística DW (-) 2,504068
          Prob (Estatística - F) 0,000000                         R2 Ajustado      0,901444

Modelo 3 Estatística - F           85,26503          Modelo 3 R2                   0,074583
                                                                                                  Modelo 3 Estatística DW (+) 1,437082
          Prob (Estatística - F) 0,000000                         R2 Ajustado      0,073709

Modelo 4 Estatística - F           26168,73          Modelo 4 R2                   0,961143
                                                                                                  Modelo 4 Estatística DW (+) 0,701468
          Prob (Estatística - F) 0,000000                         R2 Ajustado      0,961106

Modelo 5 Estatística - F           395,3075          Modelo 5 R2                   0,992526
                                                                                                  Modelo 5 Estatística DW (-) 2,252316
          Prob (Estatística - F) 0,000000                         R2 Ajustado      0,990015

Modelo 6 Estatística - F           204,5806          Modelo 6 R2                   0,984377
                                                                                                  Modelo 6 Estatística DW (0) 1,926827
          Prob (Estatística - F) 0,000000                         R2 Ajustado      0,979565


Fonte: Elaboração própria.
Notas: Teste DW - (+) d < 2 “existe” autocorrelação positiva; (-) d > 2 “existe” autocorrelação negativa; (0) d ≈ 2 “não existe” autocorrelação.
Testes de Hipóteses Sobre os Pressupostos do MRLM


         Linearidade              Autocorrelação Residual                Hetecedasticidade
   (H0) O Modelo é linear nos    (H1) E (μ / X) = 0 significa que as    (H2) Homocedasticidade
   Parâmetros                    variáveis explicativas não estão
                                 correlacionadas com μ.                Hipótese nula - H0:
   Existe uma relação linear    E (μ) = 0                             Homocedasticidade (a
   de dependência entre uma     A covariância entre o termo            variância dos resíduos é
   variável a explicar ou        residual e as variáveis                constante)
   independente, Y (margem       explicativas é nula. Podemos
   de juros líquida), e (k-1)    deste modo classificar as variáveis   Hipótese alternativa – H1:
   variáveis explicativas ou     explicativas como exógenas.            Heterocedasticidade (a
   independentes, bem como                                              variância dos resíduos não
   um termo residual, não       Os resultados do teste de Dubin-       é constante)
   observável μ.                 Watson indicam a existência
                                 autocorrelação positiva e             Conclusão: para α=5%,
                                 negativa nos modelos                   rejeitamos a hipótese
                                 estimados, para um nível de            nula, ou seja rejeitamos a
                                 significância de 5%. Os                hipótese de
                                 resultados dos testes de               homocedasticidade.
                                 autocorrelação de primeira ordem,
                                 indicam-nos que se rejeita a
                                 hipótese nula de ausência de
                                 autocorrelação de primeira
                                 ordem.
Testes de Hipóteses Sobre os Pressupostos do MRLM


             Multicolinearidade                        Normalidade

       (H3) Não existe multicolinearidade.   (H4) o termo residual segue uma
       A matriz X tem característica         distribuição normal, condicionada
       completa, ou seja, Car (x) = k < n.   em X, com média nula e variância.
       Esta hipótese garante que as
       colunas de X são linearmente          H0: Distribuição normal (os resíduos
       independentes.                        seguem uma distribuição normal)

       Para detectar se existe ou não a     H1: Distribuição não normal (os
       presença de multicolinearidade na     resíduos seguem uma distribuição
       regressão estimada utilizamos a       não normal)
       matriz das correlações onde
       verificamos o seu valor entre as       Para detectar a normalidade dos
       variáveis explicativas. O resultado   resíduos da equação utilizamos o
       encontrado foi baixo.                 histograma, e o teste Jarque-Bera.

      O que confirma a inexistência de       Os testes evidenciam que a
       multicolinearidade.                   hipótese nula de normalidade não
                                             pode ser rejeitada.
Resultado Obtido para os Coeficientes

                                 Resultado
         Variáveis               Esperado         Modelo 1        Modelo 2        Modelo 3       Modelo 4        Modelo 5       Modelo 6
            Herf.                    +              N.S.            N.S.            N.S.           + ***           + **           + **
            CR5                      +              N.S.            N.S.            N.S.           N.S.            N.S.           N.S.
             QM                      +              N.S.            N.S.            N.S.           N.S.            N.S.            -*
      Desenv.Sector                  -              - ***           N.S.            N.S.           - ***           - ***          N.S.
      Cust.Oper.Méd.                 +              - ***           N.S.            N.S.           - ***           + **           N.S.
        Aver.Risco                 + ou -           + ***            +*             N.S.           + ***           + ***          + ***
         Risc.Créd.                  +              N.S.            + ***           N.S.           + ***            +*            + ***
     Dimen.Méd.Oper.                 +              - ***           - ***           N.S.           - ***           + ***          N.S.
            Efic.                    -              - ***           - ***           - ***          - ***            - **          - ***
       Pag.Jur.Imp.                  +              + ***           + ***           + ***          + ***           + ***          + ***
     Cust.Oport.Reser.               +              - ***           - ***           - ***          N.S.            + ***          + **
        PIB.p.Cap.                   -              N.S.             +*             N.S.           + ***           + **           N.S.
            ∆PIB                     -              N.S.            N.S.            N.S.           - ***           N.S.           N.S.
          T.D.(%)                    +               +*              +*             N.S.           + ***           N.S.            +*
             Inf.                    +              N.S.            N.S.            N.S.           + **            N.S.           N.S.
       DP.TJMM3M                     +              N.S.            N.S.            N.S.            - **           N.S.           N.S.
        DP.OT’s3A                    +              N.S.            N.S.            N.S.           + ***           + ***          + ***
        DP.OT’s10A                   +              N.S.            N.S.            N.S.           + ***           - ***          - ***
  Risc.Créd.*DPTJMM3M                +               +*              +*              +*            + ***           N.S.           N.S.
  Risc.Créd.*DP.OT’s3A               +              N.S.            N.S.            N.S.           - ***            - **          - ***
  Risc.Créd.*DP.OT’s10A              +              N.S.            + **            + **           + ***           + ***          + ***
   Nota: N.S. – a variável não é estatisticamente significativa. * significativa a 10%; ** significativa a 5%; *** significativa a 1%.
Significado Económico dos Coeficientes

    Determinantes          Modelo 6      Os dados na tabela indicam a variação em % da margem de juros
         Herf.               0,00         líquida em resposta a um aumento de 10% nos seus determinantes.
          CR5                N.S.
          QM                -0,12
                                         Os resultados sugerem que a margem de juros responde mais a
    Desenv.Sector            N.S.
    Cust.Oper.Méd.           N.S.         variações no pagamento de juros implícitos (Pag.Jur.Imp.), no
      Aver.Risco             0,17
                                          crescimento do PIB (∆PIB) e na Volatilidade das Taxas de Juro
      Risc.Créd.             0,12
   Dimen.Méd.Oper.           N.S.         (DP.OT’s3A, DP.OT’s10A).
         Efic.              -0,04
     Pag.Jur.Imp.            0,42        A quota de mercado, a ineficiência de gestão, a Volatilidade das Taxas
  Cust.Oport.Reser.          0,04
                                          de Juro das OT’s10A, a interacção entre o risco de crédito e o risco de
      PIB.p.Cap.             0,00
         ∆PIB               -0,34         mercado medido pelas OT’s3A, e a variação no PIB, exercem um
        T.D.(%)              0,65         impacto negativo nas margens de juro.
          Inf.               N.S.
     DP.TJMM3M               N.S.
                                         A aversão ao risco, o risco de crédito, o pagamento de juros implícitos, o
      DP.OT’s3A              0,99
     DP.OT’s10A             -1,29         custo de oportunidade das reservas, a taxa de desemprego, Volatilidade
Risc.Créd.*DPTJMM3M          N.S.         das Taxas de Juro das OT’s3A, interacção entre o risco de crédito e o
Risc.Créd.*DP.OT’s3A        -0,02
Risc.Créd.*DP.OT’s10A        0,03         risco de mercado medido pelas OT’s10A , exercem um impacto
Nota: N.S. – a variável não é             positivo nas margens de juro.
estatisticamente significativa.
Conclusões e Implicações

    O facto das margens de juro não serem determinadas pela concentração de mercado é
     provavelmente um reflexo do intensificar da concorrência.


    O impacto negativo do poder de mercado nas margens de juro sugere que mais
     concorrência é uma solução óptima porque pressiona a diminuição das margens de juro.


    O impacto positivo do grau de aversão ao risco nas margens enfatiza a importância de
     cumprir com os requisitos de capital como forma de evitar que os bancos assumam riscos
     excessivos e, simultaneamente, contribui para preservar a confiança dos depositantes.


    O impacto positivo do aumento do crédito concedido - o grau de aversão ao risco - resulta
     em margens mais elevadas, e reflecte a capacidade dos bancos para integrarem o risco e
     considerações sobre o custo nas políticas de definição do pricing dos empréstimos.
Conclusões e Implicações

    O impacto positivo da ineficiência de gestão nas margens de juro alerta para a importância
     da melhoria dos níveis de eficiência, uma vez que os elevados custos operacionais são, em
     parte, passados para os consumidores.


    Por outro lado, o impacto da componente regulamentar (Pagamento de Juros Implícitos e
     Custo de Oportunidade das Reservas Bancárias) nas margens mostra que a política de pagar
     juros sobre as reservas dos bancos pode ter um impacto mais significativo na redução dos
     custos de intermediação financeira, e consequentemente nas margens de juro.


    O facto da volatilidade das taxas de juro influenciar o nível das margens de juro sugere que
     políticas macroeconómicas, com o objectivo de reduzir a volatilidade das taxas de juro,
     podem ter um efeito positivo na diminuição das margens de juro.
Sugestões para Pesquisas Futuras


   É imprescindível compreender a dinâmica da rendibilidade do balanço dos bancos,
    descobrir novas formas de aumentar os rendimentos não relacionados com a actividade
    de intermediação financeira pura, e simultaneamente exercer um controlo de custos mais
    apertado e eficiente.

   Investigações futuras poderiam centrar-se em medidas e políticas que proporcionassem
    condições de mercado que contribuíssem para um sistema bancário mais eficiente e
    estável.

   Seria interessante aprofundar a análise dos determinantes das margens de juro e o
    comportamento de definição de preços dos bancos.

   Poderiam também ser utilizadas medidas mais amplas de definição da margem de juros.

				
DOCUMENT INFO
Shared By:
Categories:
Tags:
Stats:
views:5
posted:3/31/2012
language:Portuguese
pages:31