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									           CRIANÇA, CONSUMO E MÍDIA




  REFLEXÕES SOBRE A FORMAÇÃO CRÍTICA, CONSCIENTE E

AUTÔNOMA DA CRIANÇA DIANTE DO CONSUMISMO QUE A

              TELEVISÃO OFERECE.
  Candidata: Mayre Gaudard Corrêa Rangel


Orientadora: Viviane Maria Penteado Garbelini


         Instituição: Faculdades Opet


              Curso: Pedagogia
Resumo do Projeto:


       Como desenvolver na criança a autonomia critica e consciente diante das

propostas de consumo apresentadas pela televisão?


       O assunto pretende refletir como a televisão aberta, vista diariamente pela

criança pode auxiliar em sua formação critica consciente e autônoma quando esta é

mediada por um adulto neste processo.


       O projeto apresenta uma reflexão sobre a formação crítica, consciente e

autônoma da criança diante do consumismo que a televisão oferece. Procurando

despertar nos pais e educadores o interesse de mediar este processo de aprendizagem.

Apresenta uma pesquisa de campo e bibliográfica para fundamentar a necessidade de

uma intervenção e acompanhamento nesta formação.




Breve biografia da candidata: Estou cursando pedagogia, sou professora de Ensino

Religioso. Sou casada e tenho dois filhos.




Breve biografia da professora orientadora: Doutorado em Engenharia de Produção

pela Universidade Federal de Santa Catarina com foco em Projetos. Professora de

Ensino Superior da Organização Paranaense de Ensino Técnico.
                              PROJETO DE PESQUISA


   1. INTRODUÇÃO


       Ensinar é ensinar a pensar, refletir, construir, argumentar. A construção deste

conhecimento acontece por meio de suas interações com o mundo, atuando como

sujeito de maneira dinâmica. A Utilidade da televisão como recurso na formação de

educandos críticos, conscientes e autônomos, tornará o ensino significativo e

contextualizado, levando em consideração a realidade em que o telespectador esta

inserido.


       Para Vygotsky (1987), a criança nasce inserida em um ambiente social, que é a

família. Seu desenvolvimento se dá mediado pelo outro, elaborando seus conhecimentos

sobre os objetos e interagindo com outros sujeitos.


       Na visão sócio-interacionista, o professor tem a função de ser o mediador,

interagindo na construção do conhecimento da criança. E o aluno sujeito ativo na

construção deste conhecimento, que através da interação com o outro, aprende,

estabelece relações e constrói sobre o objeto de estudo, transformando-os em novas

relações e utilizando estes saberes já construídos em outros contextos da vida.


       Piaget (2005) considera a criança como um ser ativo e inteligente, que constrói o

seu conhecimento por meio da interação com o ambiente. Sua teoria está voltada

cientificamente para os processos que o indivíduo faz uso para adquirir conhecimento e

apropriar-se da realidade. Piaget procurou entender o pensamento da criança.


       Atualmente a educomunicação substitui o paradigma da “transmissão” de

conhecimentos e valores, pelo da “mediação” compreendida como modelo

interpretativo e relacional de construção de conhecimentos. Para SOARES:
                      Educomunicação é o conjunto das ações inerentes ao planejamento,
                      implementação e avaliação de processos e produtos destinados a criar e
                      fortalecer ecossistemas comunicativos em espaços comunicativos em espaços
                      educativos, melhorar o coeficiente comunicativo das ações educativas,
                      desenvolverem o espírito crítico dos usuários dos meios massivos, usarem
                      adequadamente os recursos da informação nas práticas educativas e ampliar
                      capacidade de expressão das pessoas. (2002).



       De acordo com SOARES (2002), principal fomentador de pesquisas na área no

Brasil, a Educomunicação representa um conjunto de ações voltadas a criar e fortalecer

ambientes comunicativos em espaços educativos sejam eles presenciais ou virtuais.


       Dentro de uma atividade de educomunicação, é preciso chegar a uma situação

negociada. Esta é a grande oportunidade de mudança na prática pedagógica, uma

oportunidade inovadora de exercício da democracia e cidadania.


       Para Citelli (2004), a televisão traz um forte impacto sobre a criança no aspecto

de formação de hábitos sociais, portanto faz-se necessário uma reflexão no ponto de

vista etário, moral e comportamental, para que esta influência seja escolhida pela

criança. Hoje as pessoas entendem que a televisão pode ser controlada por elas como

receptores que contextualizam as mensagens transmitidas de acordo com a sua história,

sua cultura.


       A televisão é um “meio” de disseminação da informação e o receptor tem o

poder de decidir sobre o que fazer com a informação recebida. Nessa perspectiva, a

tarefa é trabalhar nas dimensões da criticidade, e da cidadania, como caminho para

compreensão e análise de fatos históricos, atuais e futuros.

       Orozco (2004) define a televisão como uma instituição social que transmite

valores e conceitos em caráter estritamente racional e emocional. Ainda comenta em

sua entrevista que:

                      Mais do que nunca devemos defender nos meios de comunicação certos tipos
                      de valores. A globalização nos desafia a promover e garantir o respeito à
                      diferença, o respeito ao que somos e temos, à tolerância, e o auto-
                      reconhecimento. De um lado, temos que respeitar a cultura do outro. De outro,
                      também temos que exigir respeito à nossa própria identidade, cultura e ao que é
                      nosso. (p.1)




       Essa prática é uma ferramenta capaz de ajudar no processo de ensino e

aprendizagem, fazendo uma leitura crítica desta informação, e assim produzindo

conhecimento, ajudando a tomar decisões, e formando pessoas mais conscientes do

papel que têm ou podem assumir nesta mesma sociedade.

       Mas, será que as crianças estão sendo preparadas ou estimuladas a desenvolver o

pensamento crítico, seletivo, consciente? Será que os pais e educadores entendem o

importante papel que podem exercer através do uso da televisão?

       Portanto é relevante a importância de um mediador que saiba utilizar a televisão

como ferramenta para um processo educacional sistemático ou assistemático, formando

indivíduos críticos, conscientes e autônomos.




   2. JUSTIFICATIVA


       A televisão para BOURDIEU tem sido utilizada como canal de formação em

massa, exercendo manipulação e domínio. Diante deste cenário social onde segundo

estimativas publicadas pelo IBGE em 2003, 90% das residências brasileiras têm um

aparelho de TV, e uma criança passa em média duas horas de seu dia assistindo canal

aberto, percebemos a necessidade da formação de uma “leitura Critica” por parte do

telespectador. Observamos também que a necessidade de uma interação com este meio
de comunicação não condenatória e sim uma busca da televisão como uma ferramenta

para educar.


       A realidade da infância no Brasil deve ser vista sob dois aspectos: a realidade e a

ficção. Valdir José Morigi (p. 110) apresenta a realidade nacional:

                 Os dados estatísticos do UNICEF mostram que dos 65 milhões de crianças e
                 adolescentes brasileiros, 25 milhões vivem em situação de pobreza absoluta, 27
                 milhões moram em lugares onde a água não é tratada e 7,5 milhões trabalham para
                 complementar a renda da família.



       A sociedade tem sido levada a consumir desde a infância. Há inclusive leis que

tramitam no congresso nacional com o propósito de pôr fim ao aliciamento de

consumidores que, mesmo sem autonomia para comprar, recebem a atenção dos

marqueteiros.


       Os hábitos começam com a criança e hoje em dia elas são bombardeadas por

uma série de estímulos para que consumam cada vez mais.


       Paulo Freire lançou a base de uma “nova pedagogia”, reafirmando a concepção

da “educação para os meios”, propondo uma relação igualitária e dialogal, que produza

conhecimento, sendo a tarefa do educador de problematizar, junto aos educandos.

Levando para a sala de aula a análise dos processos e a reflexão sobre os conteúdos

formando espectadores mais críticos e seletivos.


       Durante muito tempo à televisão tem sido vista como um problema e não como

uma ferramenta, por isso é preciso um olhar para a mesma como um meio para a

formação de uma autonomia critica sendo o adulto um mediador que intencionalmente

se utiliza dos programas televisivos preferidos das crianças para futuras intervenções e

questionamentos no momento de consumir.
   3. OBJETIVOS


       3.1 OBJETIVO GERAL


       Refletir como a televisão pode ser um meio de formação crítica, consciente e

autônoma da criança.


       3.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS


           3.2.1   Analisar as principais intervenções pedagógicas na formação crítica,

                   consciente e autônoma do telespectador;


           3.2.2   Analisar o comportamento das crianças diante das ofertas de

                   consumo evidenciado nos dados pesquisados;


           3.2.3   Propor encaminhamentos práticos neste processo de intervenção na

                   formação crítica, consciente e autônoma da criança.


   4. METODOLOGIA


       Este trabalho será realizado utilizando a metodologia descritiva exploratória que
apresentará uma abordagem real através de entrevistas a pais e professores de crianças
da educação infantil mediante aplicação de questionário estruturado.

       Para Fonseca (2007, p. 31) a pesquisa descritiva caracteriza-se por:

                                  Uma realidade tal como esta se apresenta, conhecendo-a e
                                  interpretando-a por meio da observação, do registro e da
                                  análise dos fatos ou fenômenos (variáveis). Ela procura
                                  responder a questões do tipo “o que ocorre” na vida social,
                                  política, e econômica, sem, no entanto, interferir nesta
                                  realidade. (Fonseca, 2007, p.31)


       Também será realizada uma pesquisa bibliográfica que para Fonseca (2007,
p.30) esta se caracteriza pelo:
                              exame de um tema sob novo enfoque ou abordagem, que
                              permitirá a elaboração de conclusões inovadoras. Também
                              é necessário refletir sobre e ela para que se possa articular
                              e correlacionar as informações obtidas com o objeto de
                              estudo. (Fonseca, 2007, p.30)


       A pesquisa bibliográfica será para fundamentar a pesquisa de campo Serão
utilizadas como critério de análise dos resultados obtidos nos itens: aprendizagem,
consumismo e comportamento. Esta análise será construída a partir de episódios
relatados nas respostas dadas às entrevistas, como instrumento de coleta de dados, e que
serão constituídas de respostas fechadas, com o objetivo de contemplar os itens
levantados.

       Fonseca (2007, p.32) afirma que “o objetivo da pesquisa de campo é conseguir
informações e/ou conhecimentos acerca de um problema, para o qual se procura
resposta,...” para isso é preciso fazer a pesquisa bibliográfica que auxiliará a pesquisa de
campo, determinando, assim “as técnicas que serão empregadas na coleta de dados e na
determinação da amostra que deverá ser representativa e suficiente para apoiar as
conclusões. (2007, p.32)

       PLANO DE TRABALHO


   Julho e Agosto - Pesquisa exploratória: Entrevistar pais e professores de crianças da

Educação Infantil;


   Setembro - Levantamento de dados à partir da pesquisa exploratória;


   Outubro – Pesquisa Bibliográfica:


   Novembro – Primeira redação;


   Dezembro – Redação final e Apresentação do TCC


   5. REFERÊNCIAS


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1973.
BARBERO, J. M. Dos meios às mediações. Rio de Janeiro: UFRJ, 1997.

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Ática, 2000.

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1996.

CITELLI, A. Comunicação e Educação: a linguagem em movimento. São Paulo:
Editora Senac, 2004.

CUNHA, M. A. Versiani. Didática Fundamentada na Teoria de Piaget. 3ª ed. Rio de
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FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia. 36ª ed. São Paulo: Paz e Terra, 2006.

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