No Baixo Limpopo: Futuro do regadio preocupa utentes e Governo

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					No Baixo Limpopo: Futuro do regadio preocupa utentes e Governo
QUANDO se caminha a passos largos para a ponta final dos trabalhos de reabilitação do regadio de Xai-Xai, há
receios que se instale uma crise de sustentabilidade na gestão de equipamentos como tractores,
multicultivadoras disponibilizadas às casas agrárias locais. O referido equipamento foi adquirido com base no
fundo de 132 milhões de meticais, disponibilizado ao Governo moçambicano pelo Banco Africano de
Desenvolvimento (BAD). O subaproveitamento das terras com sistemas de rega no âmbito do referido projecto
preocupa as lideranças dos camponeses e o próprio governo. Há um forte receio que se venha a repetir o triste
espectáculo que caracteriza até hoje o regadio de Chókwè, outrora considerado como celeiro da nação e
actualmente subaproveitado.
Maputo, Sábado, 12 de Maio de 2007:: Notícias

A nossa Reportagem deslocou-se à Casa Agrária de Inhamissa para nos apercebermos do
envolvimento dos camponeses abrangidos pelo projecto de Regadio do Baixo Limpopo nos
trabalhos de cultivo da terra, tendo em vista a produção alimentar. No entanto, fomos
confrontados com o dilema de nada ou pouco estar a ser feito alegadamente porque os
tractores que deviam estar a servir àquela colectividade terem sido alocados a uma cooperativa
de máquinas, sob cobertura de um contrato de exploração.
Trafina Mondlane é a presidente daquela Casa Agrária que nos falou visivelmente apreensiva e
receosa de eventuais retaliações por se referir a este assunto que, segundo ela, tem estado a
criar um ambiente de inquietação no seio dos agricultores locais, que acusam a referida
cooperativa de máquinas de não estar a honrar os seus compromissos junto daquela
agremiação e de estar a prejudicar os seus membros que dificilmente agora têm acesso aos
tractores para realizarem as operações culturais.


“Vão dizer que estou a falar demais, mas a verdade é que desde que os tractores foram
transferidos para a gestão da cooperativa de máquinas em Junho do ano passado, se a
memória não me falha, a vida tem sido um inferno aqui na Casa Agrária. Isto porque eles não
estão a cumprir com os pagamentos do uso de tractores. Praticamente os tractores são deles, o
que nós não podemos permitir”, lamentou Trafina Mondlane.


Aliada a esta preocupante situação, a líder daquela Casa Agrária disse estar preocupada pelo
facto de se estar a registar um enorme sub-aproveitamento de terras aráveis em Inhamissa,
resultante da falta de fundos para o seu uso racional, por um lado, e à falta de cultura de
trabalho por outro lado.


“Temos estado a convocar as pessoas para junto da Casa Agrária exporem honestamente as
razões que os levam a possuírem enormes porções de terra subaproveitadas, mas infelizmente
a resposta não tem sido das melhores. O Governo tem estado a investir para que o nosso
trabalho se desenvolva, contudo nalguns momentos notamos uma fraca resposta por parte dos
agricultores que encontram sempre razões para não se dedicarem afincadamente ao trabalho”,
lamentou Mondlane.

Solicitação
Maputo, Sábado, 12 de Maio de 2007:: Notícias

Dada a fertilidade dos solos, de acordo com a nossa fonte, por inúmeras vezes foi solicitada por
grandes agricultores provenientes de diversos pontos de Gaza, Maputo e da vizinha África do
Sul, estando a ser definidas algumas parcerias, com vista à concretização deste desejo.
“Nós entendemos que a união de esforços com aqueles que possuem capacidade material e
financeira para realizar a agricultura até pode ser uma excelente saída para o problema que
hoje enfrentamos, porque não podemos continuar de forma deliberada e irresponsável a
desvalorizar os enormes investimentos que estão sendo feitos aqui pelo Estado moçambicano”,
disse a responsável da Casa Agrária de Inhamissa.


Por seu turno, o agricultor Pedro Tamele considerou ser urgente que os camponeses comecem
a assumir as suas responsabilidades na actividade agrícola em Inhamissa. “Esta é uma das
razões que está a concorrer para o sub-aproveitamento de terras no regadio porque as pessoas
recebem crédito de campanha e não devolvem o dinheiro depois da colheita, tornando-se assim
ilegíveis junto da banca. Vamos mudar de atitude, passou já o tempo de vivermos de donativos.
Agora é altura de trabalho árduo com vista à melhoria das nossas vidas”, disse Tamele.


AUTORIDADES MUNICIPAIS EMPENHADAS
Enquanto isso, o Conselho Municipal de Xai-Xai no âmbito dos esforços visando um racional
aproveitamento das potencialidades hídricas existentes na cintura verde da urbe, adquiriu três
tractores para o apoio às lavouras dos camponeses de fracas posses, organizados em
associações, casas agrárias ou mesmo a título individual.


De acordo com Francisco Nhachengo, vereador para a área de Agricultura e Transportes, um
total de oito associações graças a este contributo já possuem culturas como batata-doce, milho,
mandioca, feijões entre outras. Segundo ele, o acesso aos meios mecanizados por parte dos
camponeses está a criar um novo alento, que se traduz numa significativa subida dos índices de
produção.


“Nos últimos três anos, período em que arrancou este projecto municipal de apoio directo aos
camponeses, trabalhou-se numa área de cerca de mil hectares no regadio e no sequeiro. Os
excedentes de produção estão a ser colocados nos principais mercados da cidade de Xai-Xai e
nos distritos à sua periferia. Contudo, estamos preocupados pelo facto de na Patrice Lumumba
e Sotoene estarem a ser fustigados por uma intrusão salina devido à avaria das comportas de
Chilaulene, facto que se arrasta desde as cheias de 2000”, lamentou o vereador Nhachengo.




PROJECTO DO BAIXO LIMPOPO ATENTO

Maputo, Sábado, 12 de Maio de 2007:: Notícias




Ciente das preocupações que afectam os camponeses do Baixo Limpopo, as entidades
responsáveis pela reabilitação do regadio de Chókwè, a chamada HICEP, uma unidade que
deverá gerir o regadio de Xai-Xai após a sua reabilitação.


Segundo nos foi dado a conhecer pelo engenheiro Inácio Pereira, gestor daquele projecto no
Xai-Xai, a referida entidade terá a responsabilidade de entre várias atribuições velar pelos
canais primários e secundários, para além de se responsabilizar pelo funcionamento da estação
local de bombagem.


Toda a estrutura de canais terceários assim como os trabalhos de limpeza ficarão sob tutela das
associações de regantes que, para o efeito, têm estado a receber uma formação específica
neste âmbito.


De acordo com Inácio Pereira, registam-se alguns atrasos nas obras de reabilitação das infra-
estruturas no Sistema de Regadio do Baixo Limpopo, estando a drenagem situada a cerca de 50
porcento, cujos trabalhos inicialmente deverão ser entregues entre os meses de Agosto e
Setembro, ficando para a parte do regadio propriamente dita para Dezembro deste ano.


À medida que se caminha para o final do projecto de reabilitação do regadio, decorrem
diligências visando a reabilitação e/ou construção de um total de quatro casas agrárias em
Nhocoene, Poiombo e Siaia que se irão juntar as de Inhamissa, Chongoene e Nhapondzoene.


De referir que sob tutela das casas agrárias estão disponíveis cinco tractores, 30
multicultivadoras, um equipamento que já está a criar alguma polémica e controvérsia na sua
gestão, conforme pudemos apurar na recente deslocação que efectuamos por algumas
colectividades dos agricultores em Inhamissa, arredores de Xai-Xai.


O pomo da discórdia está no facto de o projecto responsável pela reabilitação do regadio
ter optado pela designação de uma cooperativa de máquinas para, numa primeira fase,
se responsabilizar pela gestão dos cinco tractores.

         Virgílio Bambo




                                                                                               Soares Chirrinde


Chókwè: Cooperativa de crédito aposta no seu crescimento
A COOPERATIVA de Crédito e Poupança do Limpopo, no distrito de Chókwè, em Gaza, vai trabalhar no sentido
de angariar mais membros para a sua colectividade, por forma a suprir as dificuldades de acesso ao crédito na
banca formal, por parte dos agricultores. Segundo alguns produtores locais abordados pela nossa Reportagem, o
desafio nesta fase é da massificação daquela instituição de microcrédito, por forma a dar resposta aos
financiamentos para actividade agrícola.
Maputo, Sábado, 12 de Maio de 2007:: Notícias

Francisco Moiane, um proeminente agricultor de Chókwè, considera que os propósitos que
levaram à criação daquela instituição de crédito estão a ser cumpridos, “mas temos que
trabalhar arduamente por forma a alargar-se o leque de pessoas beneficiárias, contribuindo-se
assim para que a agricultura no Chókwè comece a conhecer uma gradual recuperação”.


Para o nosso entrevistado, a criação da cooperativa de crédito e poupança é o corolário da
busca de soluções para as inquietações dos agricultores no financiamento das suas actividades,
uma vez que os bancos comerciais têm mostrado alguma indisponibilidade em se envolver
neste tipo de negócios, que consideram de alto risco.


“Em diversas ocasiões este assunto foi apresentado por nós em diversos fóruns, visando
encontrar-se uma alternativa viável que concorra para um melhor desempenho dos agricultores
na região do Limpopo e não só, e a alternativa que encontramos foi a de nós juntarmo-nos e
criar este banco totalmente virado aos nossos interesses e de outras pessoas de fracas posses
financeiras”, apontou Moiane.


Por seu turno, Paulo Mbombe, outro agricultor abordado na ocasião pela nossa Reportagem,
acrescentou que o contributo da cooperativa de crédito pode impulsionar as actividades
agrícolas no regadio de Chókwè, neste momento numa situação de sub-aproveitamento devido
à falta de fundos por parte dos pequenos agricultores.


“O Estado moçambicano tem estado a investir muitos milhões de dólares no regadio de
Chókwè, mas este colosso continua adormecido devido à incapacidade financeira dos
agricultores. Contudo, estamos esperançados que com esta iniciativa dos agricultores de
criarem uma cooperativa virada ao financiamento das suas actividades, o futuro nos reserva
surpresas agradáveis mas para isso deve aumentar o número de accionistas, por forma a tornar
este banco rentável e com futuro garantido”, afirmou Mbombe.


Conforme foi dado a conhecer na ocasião pelo presidente do Conselho de Administração da
cooperativa, Soares Chirinde, no ano passado beneficiaram de financiamento bancário cerca de
100 produtores.


Estamos a trabalhar com os accionistas para que este ano possamos aumentar este número,
tendo em vista um melhor desempenho particularmente dos nossos agricultores afectos ao
regadio”, disse Chirinde.


A cooperativa, segundo a nossa fonte, está a viver nos últimos dois anos uma nova abordagem
e especialização ao conceder com sucesso crédito para a realização de inúmeras operações
culturais, aquisição de sementes e insumos agrícolas, mesmo que essas não possuam um
prévio historial de depósitos e poupanças noutras instituições bancárias.


Segundo Chirinde, pese embora o facto de estar a trabalhar nalguns casos com agricultores de
parcos recursos financeiros, mas porque estes possuem um “know how” bastante forte nesta
área, continuam a honrar pontualmente com as suas obrigações junto da cooperativa de
crédito.
“Devido à especialização da cooperativa no tratamento específico deste tipo de crédito, volvidos
que foram os dois anos de trabalho nós podemos considerar felizes porque estes produtores
cumprem os seus compromissos”, assegurou Soares Chirinde.




                                                  Assembleia geral de accionistas da cooperativa (J. Mandlate)


NOVAS TÉCNICAS DE PRODUÇÃO
Maputo, Sábado, 12 de Maio de 2007:: Notícias

O impacto da cooperativa de crédito, ainda de acordo com o nosso entrevistado, pode ser visto
no terreno, porquanto, os insumos agrícolas, os agro-químicos resultantes dos financiamentos
disponibilizados estão a contribuir sobremaneira para o aumento dos rendimentos e da
produtividade.


No leque das suas atribuições junto do sector produtivo, a cooperativa de crédito Limpopo tem
estado a desenvolver desde o ano passado importantes iniciativas de financiamento às
associações ligadas à realização de feiras de sementes, uma actividade que igualmente está a
beneficiar com sucesso uma agremiação feminina baseada na capital provincial de Gaza.


“Estamos abertos a todos os produtores interessados em desenvolver actividades que
complementam a agricultura, daí que nos tenhamos preocupado em abrir linhas de crédito ao
sector informal ligado ao ramo do comércio. Estamos a conjugar a nossa actividade como
cooperativa de crédito, concedendo valores monetários para o exercício de actividades
económicas que se mostrem rentáveis”, disse Soares Chirinde.


Desde o ano passado, a cooperativa em parceria com o sector da agricultura no Chókwè,
através da extensão rural e a estação agrária local, está a desenvolver novas técnicas de
produção junto dos utentes desta instituição de microcrédito, por forma a se alcançarem
maiores rendimentos agrícolas.


“Cabe a nós a concessão de crédito. O que acontecia antes da nossa intervenção é que
normalmente os agricultores quando solicitavam crédito bancário usavam cartas tecnológicas
que muitas das vezes não se adequam à situação específica das áreas de trabalho desses
agricultores, daí que a estação agrária tenha um papel de grande relevo nesta parceria com a
cooperativa”, esclareceu Chirinde.

				
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