1997, Secretaria de Estado da Sa�de do Paran� by Hbf8zy

VIEWS: 0 PAGES: 19

									     O que os Cuidadores de Idosos precisam Saber sobre a Saúde Bucal

1997, Secretaria de Estado da Saúde do Paraná.
Associação Brasileira de Odontologia/Seção Paraná
    Este Manual foi elaborado para o Projeto “Protegendo a Vida”
    Rua Engenheiros Rebouças, 1707 Curitiba Paraná CEP 80230-040
    Fone: (041) 333-3434 fax (041) 333-4432


Apoio:
Secretaria da Criança e Assuntos da Família/Programa Estadual de Atenção ao
Idoso/PR
Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia/PR
Associação Nacional de Gerontologia/PR

Autores: Fanny Jitomirski e Sara Jitomirski (Cirurgias-dentistas)


Impresso no Brasil/Printed in Brazil
Execução Gráfica: COPYGRAF
2ª Reimpressão – 1998



Ficha catalográfica


Paraná. Secretaria de Estado da Saúde
      Associação Brasileira de Odontologia?PR
      Autores: Fanny Jitomirski e Sara Jitomirski
      O que os Cuidadores de Idosos precisam saber sobre a Saúde Bucal,
Curitiba, 1998.20p ilust.
    O que os Cuidadores de Idosos precisam Saber sobre a Saúde Bucal

      Envelhecer sem ficar velho, sem ser descartado dentre os nossos
semelhantes. Este é o objetivo maior de uma vida plena.


      Como cidadão cada um tem o direito ao desfrute pleno de sua
existência, todavia nem sempre o alcança, se não houver cuidadores
capazes de oferecer carinho e apoio. Este manual se dirige aos Cuidadores
de idosos dependentes. Tem como princípio estimular a promoção e a
manutenção da saúde, senão a reparação da doença, se necessária. A boca,
por onde demos nossos primeiros sinais de vida ao nascer, por onde
ingerimos nossos alimentos e por onde emitimos as palavras e nomes de
toda a existência, deve ser objeto de atenção permanente.


      Desejo que este esforço seja compartilhado pelos participantes desta
empreitada de proteger a vida, para que todos alcancem desfruta-la
plenamente, podendo sempre Expressa-la em um sorriso cheio de dignidade
e amor.




                             Armando Raggio
                  Secretário de Saúde do Estado do Paraná




Página 2
    O que os Cuidadores de Idosos precisam Saber sobre a Saúde Bucal

     A promoção e manutenção da saúde bucal do idoso é um desafio para a
Odontologia na próxima década. Ela não dependerá apenas da formação
adequada de odontólogos capazes de entender as necessidades deste novo
segmento, mas sim de Cuidadores de idosos dependentes bem informados, cuja
importante tarefa será a de oferecer a atenção permanente necessária. Por isso,
este manual não poderia surgir em momento mais oportuno do que este.

                                 Léo Kriger
                    Coordenador da Política de Saúde Bucal
                      da Secretaria de Saúde do Paraná

     Há alguns anos a Odontologia vem sentido e trabalhando a necessidade de
melhorar a saúde bucal da população idosa. No Paraná essa população é de
300.000 indivíduos e no Brasil, o número de pessoas com mais de 60 anos é de
11 milhões. A Associação Brasileira de Odontologia/Seção Paraná, em atenção a
esse número estatisticamente comprovado traça metas de trabalho para o
atendimento do maior número possível de pacientes idosos. No ano 2000, 75%
das pessoas com mais de 65 anos estarão vivendo no terceiro mundo. Torna-se
evidente a necessidade de aprimoramento no estudo do processo do
envelhecimento.

      Baseando-se na realidade atual, pretendemos incrementar o estudo da
prática da geriatria odontológica, procuramos, em parceria com a Secretaria de
Estado da Saúde estimular o desenvolvimento de ações voltadas à manutenção
da saúde bucal do idoso, bem como estudar soluções adequadas para problemas
bucais de pacientes geriátricos.

     Estou certo de que com este manual estaremos desmitificando a manutenção
da saúde bucal do idoso e acabando com certos estereótipos. Mostramos que
procedimentos de extrema simplicidade executados pelos cuidadores de idosos ou
por eles próprios serão responsáveis pela manutenção de uma adequada saúde
bucal. Não há dúvida de que uma boca saudável é fundamental para uma boa
qualidade de vida.

                          Edson Milani de Holanda
      Presidente da Associação Brasileira de Odontologia – Seção Paraná




Página 3
    O que os Cuidadores de Idosos precisam Saber sobre a Saúde Bucal


                               INTRODUÇÃO
     O desapontamento de ver os pacientes idosos, especialmente os
dependentes, voltando com os mesmos problemas que já haviam sido resolvidos
em consultas anteriores, foi o marco para tentar acabar com esse eterno enxugar
gelo e inverter o modelo de atuação odontológica.

     A preocupação em resolver os problemas já instalados na boca de nossos
pacientes idosos foi substituída por uma forma diferente de ver e atuar, onde a
ênfase é a promoção da saúde bucal dos mesmos. Sabe-se que a saúde bucal é
relegada a um plano secundário em idosos, especialmente os dependentes,
porque eles já carregam o estereótipo de pessoas vagarosas, que não vêem nem
escutam bem, e que têm dificuldades de lembrar a seguir instruções.

    A boca é geralmente o espelho que mostra, na velhice, quanto cuidado uma
pessoa é capaz de tomar com sua saúde e aparência.

     Geralmente é esperado que com o avanço dos anos o idoso apresente
desconforto e perda da capacidade, e isso pode leva-lo a não dar importância a
certos sintomas, que poderão também provocar diagnósticos tardios de diversos
problemas.

      Minimizar estes problemas, envolvendo os Cuidadores de Idosos mais o
fundo nesta questão é o objetivo deste manual, cuja elaboração é incentivo dos
Geriatras e Gerontólogos Dr. Gilmar Calixto, Dr. Maurílio Pinto, Ana Lucia Pinto,
Shirley F. Scremin, Ivete Prosdócimo e Dr. João Batista de Lima Fº. .
Agradecimentos especiais devem ser feitos à Dra. Simone Moyses, minha
orietadora em todas as horas e ao Dr. Mestre Leo Kriger, Dra. Zita C. Machado,
Dra. Laís Amarante, Dr. Nelson Guerchon e Clara Guelman pelo valioso apoio
dado.

    Esperamos com este manual oferecer algumas orientações básicas de
Saúde Bucal aos Cuidadores de Idosos.


                                    As autoras
                    Dra. Fanny Jitomirski e Dra. Sara Jitomirski
                                Cirurgias-Dentistas




Página 4
    O que os Cuidadores de Idosos precisam Saber sobre a Saúde Bucal


                 CUIDADORES DE IDOSOS:
       O QUE PRECISAM SABER SOBRE A SAÚDE BUCAL?
       Os pacientes que moram em Instituições e também seus familiares acreditam
que os cuidados com a saúde, incluindo-se entre estes o cuidado da boca e dos
dentes, deverá ser de responsabilidade da Instituição. Mas isto pode se tornar
difícil se o paciente não consegue explicar se há alguma coisa errada com seus
dentes, ou se ele não quer realizar o tratamento odontológico por medo.

     Os idosos e seus familiares às vezes desconhecem que o tratamento
dentário pode ser realizado sem dor, pois muitos têm histórias passadas de visita
ao dentista só em casos de dor, ou quando tiveram problemas com dentaduras ou
outro tipo de prótese.

     Também deverá ser mudado o conceito de que é natural que pessoas idosas
não tenham dentes, ou de que eles não se queixam de dor ou desconforto
provenientes de seus dentes ou dentaduras porque pensam que isto é decorrente
do processo de envelhecimento, e assim deve ser aceito.

    Mas isso não é verdade, pois na boca da pessoa idosa acontecem
mudanças que requerem cuidados contínuos, que podem ser simples ou mais
complexos, e mesmo que a saúde bucal do idoso tenha sido negligenciada, há
necessidade de melhorar a situação atual para prevenir futuros problemas.

     Assim, as estruturas bucais (gengiva, língua e mucosa da boca), dentes
naturais e próteses deverão ser examinadas regularmente.

     Explicações dos CUIDADORES DE IDOSOS e do Corpo Assistencial
Específico da parte odontológica são imprescindíveis para aliviar os temores dos
pacientes, permitindo assim a realização do tratamento adequado, seja este
preventivo ou curativo.

     É essencial que os CUIDADORES, os idosos e seus familiares tenham uma
visão positiva e que acreditem que

    “TER UMA BOCA EM BOAS CONDIÇÕES É MUITO IMPORTANTE PARA
    PODER DSFRUTAR DE UMA VIDA MAIS AGRADÁVEL”.

     É importante que os CUIDADORES DE IDOSOS consultem sempre uma
cópia da ficha que foi preenchida pelo dentista responsável que realizou o exame
quando o idoso entrou na Instituição.




Página 5
    O que os Cuidadores de Idosos precisam Saber sobre a Saúde Bucal


      SUGESTÃO PARA MODELO DE FICHA ODONTOLÓGICA DE
       INFORMAÇÕES DA SAÚDE BUCAL PARA CONSTAR
                NA FICHA GERAL DO PACIENTE
Informações Dentárias:
a) Usa próteses totais (dentaduras) -            Sim [ ]          Não [ ]
b) Se fizer uso, quantas -                       1[ ]             2[ ]
c) Superior ou inferior -                        Superior [ ]     Inferior [ ]
d) Usa pontes movéis -                           Sim [ ]          Não [ ]
e) Se tiver, quantas -                           nº [ ]
f) Têm condições de escovar os dentes sozinho? - Sim [ ]          Não [ ]
Tem problemas de locomoção -                     Sim [ ]          Não [ ]
Medicamentos que toma: ____________________________

     Tomar Conhecimento: É muito importante tomar conhecimento da situação
geral do paciente idoso. Saber o que acontece na boca deles significa que se
existem problemas e eles são reconhecidos, será possível que soluções
adequadas sejam tomadas.

     Observar é importante: Os CUIDADORES de idosos devem ser
observadores e compreender que os problemas que se apresentam, se forem
ignorados, podem conduzir à dor ou complicações mais sérias... Se o paciente
consegue explicar ao CUIDADOR o que está incomodando na sua boca, tanto
melhor, mas muitos não se queixam tentando evitar o tratamento por medo ou por
não saber explicar o que estão sentindo. Por isso é muito importante que os
CUIDADORES observem se aparecerem alguns dos sinais que enumeraremos a
seguir:

    Dificuldades para:
    A) Comer
    B) Não sorrir
    C) Falar pouco
    D) Comer só alimentos muito moles.

     Todas estas situações podem ter como causa a dor nos dentes naturais com
alimentos ou bebidas frias ou quentes por raízes expostas, feridas na língua ou
noutra região da boca, abscessos e próteses que machucam ou estão frouxas.

     Alterações na Mucosa Bucal: Como feridas, lesões brancas, etc, deverão
ser examinadas pelo dentista, para diagnóstico e tratamento adequado.

    Gengivas que Sangrem: Se o sangramento é leve, com uma boa escovação
e pastas adequadas que removam a placa bacteriana, poderá ser obtida uma
melhora, mas se isso não ocorrer em 2 ou 3 semanas, o dentista deverá ser
consultado.


Página 6
    O que os Cuidadores de Idosos precisam Saber sobre a Saúde Bucal


              A PALAVRA DE ORDEM É VIGIAR E PREVENIR

       PROBLEMAS QUE APARECEM COM MAIOR FREQÜÊNCIA
                          (O dentista deverá ser consultado)



1) Doença Periodontal
      A maior causa de perda de dentes em idoso é a doença periodontal
(piorréia). Acontece pelo acúmulo de placa bacteriana e cálculo (tártaro) ao redor
dos dentes. É um processo indolor e o único sinal é o sangramento durante a
escovação. Instintivamente a pessoa deixa de escovar a região, piorando ainda
mais a situação. Como conseqüência o dente perde sua inserção óssea e fica com
mobilidade. Se não forem tomadas as medidas necessárias o dente será perdido.
A escovação correta e contínua evita este tipo de problema.

2) Candidíase
      É causada por fungos e aparecem como placas irregulares e que podem
cobrir boa parte da boca. Temos percebido dificuldade por parte dos Dentistas em
diagnosticar a Candidíase quando ela aparece sob a forma de placas ou atrofias
eritematosas (vermelhas), sem ter o aspecto típico de “leite coalhado”, como a
literatura clássica gosta de descrever. Nestes casos a pseudo-membrana
esbranquiçada não se faz presente pelo fato de que ela foi removida pela báscula
da prótese ou pela própria autóclise (auto-limpeza). Podem ser causadas pela
baixa resistência do paciente, ou pela higiene deficiente das próteses, que
deverão se muito bem escovadas. Nestes casos o fundamental é a boa higiene, e
para alívio rápido da ardência ou dor deve-se realizar bochechos demorados com
soluções contendo Nistatina. (Ex: Micostatin-solução). Bochechos com chá de
Alho ou Casca do Ipê Roxo (pau-d’ Arco) também têm potente efeito Anti-Cândida.
(não engolir)

3) Raízes Dentárias Expostas
     As raízes expostas podem ser locais muito sensíveis ao frio e ao ácido
principalmente. Poderá ser usado flúor na forma de bochecho diário a 0,05%,
aplicação tópica com verniz fluoretado de boa qualidade ou ainda de flúor
acidulado que usamos para crianças (que têm um baixo custo). Pastas especiais
(Sensodyne) para tirar a sensibilidade podem também ser usadas.

4) Feridas ou Úlceras de longa duração
     Podem ser causadas por dentes fraturados, dentaduras com bordas afiadas
ou quebradas. O dentista deverá ser consultado e ele eliminará os agentes que
estão traumatizando a boca dos pacientes, se forem responsáveis pelas feridas.
     Especiais cuidados devem ser tomados visando evitar o aparecimento do
Câncer de Boca. Traumatismos progressivos em pessoas que foram fumantes ou
alcoólatras aumentam muito a chance de aparecer um Câncer de Boca.


Página 7
    O que os Cuidadores de Idosos precisam Saber sobre a Saúde Bucal

5) Boca Seca
     Geralmente é causada por certos medicamentos, como antihipertensivos,
tranqüilizantes, etc. que podem inibir a secreção das glândulas salivares. Como
conseqüências desagradáveis teremos dificuldades para mastigar e engolir,
dentaduras que não apresentam retenção, etc. . No caso do paciente haver sido
submetido a radioterapia de cabeça e pescoço ocorre em geral o
comprometimento das glândulas salivares, que deixam de funcionar. Pacientes
com pouca saliva têm propensão para apresentar cáries de colo dentário, que
terminam em geral por “guilhotinar” o dente. Para prevenir este tipo de cárie
recomenda-se o uso do flúor gel, na forma de escovação ou aplicação tópica.
Saliva artificial ou gel medicamento é indicado quando o paciente apresentar
queixas relativas à boca seca.

6) Escorrimento de Saliva
     Pode ser conseqüência de algumas doenças (Parkinson), ou por dentaduras
com dimensão vertical muito curta. Nestes casos o Dentista deverá ser
consultado, para verificar a possibilidade de realizar um reembasamento
(preenchimento) da prótese ou uma prótese nova.


       CUIDADOS DENTÁRIOS QUE OS CUIDADORES DE IDOSO
                    DEVERÃO SEGUIR
      1) SER OBSERVADORES – Mudanças no comportamento ao comer, falar,
sorrir, etc., poderão ser associados com problemas dentários.

     2) PRESTAR ATENÇÃO – Aos comentários de parentes ou amigos, pois
eles poderão observar mudanças que passariam desapercebidas.

     3) LEMBRAR – Que cuidados com a boca e dentes é um assunto muito
especial e que o CUIDADOR poderá orientar o paciente ou ajudar aquele que não
é capaz de fazer as coisas por si mesmo.

    4) SEMPRE – Procurar conselho do Dentista se tem alguma dificuldade para
manejar o paciente.

     5) SEMPRE – Comunicar aos responsáveis pela Saúde Bucal da Instituição
sobre qualquer mudança observada.




Página 8
    O que os Cuidadores de Idosos precisam Saber sobre a Saúde Bucal


  CONDUTA A SEGUIR PELO CUIDADOR NA HIGIENIZAÇÃO DA
   BOCA, DENTES NATURAIS, DENTADURAS, ETC, DO IDOSO.

       1) Utilizar o momento em que o paciente esteja receptivo e relaxado.
       2) Estar certo que o paciente está numa posição confortável, que sua
cabeça poderá ser facilmente segurada durante a higienização, de frente para a
pia com espelho ou com uma bacia e espelho de mão.
       3) Usar sempre luvas.
       4) Procurar sempre a melhor posição, que poderá ser a de ficar por trás e
um pouco de lado do paciente.
       5) Pequena quantidade de pasta é suficiente. Cada dente natural deverá ser
escovado com cuidado com escova macia, junto com a gengiva, cuidando dos
dentes frouxos e gengivas inflamada.
       6) Se o paciente conseguir, tentar que faça diversos bochechos com água e
depois cuspa.
       7) Se isso for difícil, usar uma escova seca com um pouco de gel dental,
deixar 1 ou 2 minutos nos dentes. Um enxágüe será suficiente, mas se isso for
difícil também, tentar que o paciente só cuspa.
       8) Se a escovação for impossível, consultar sobre o uso de escova elétrica
ou jatos de água.
       9) Dentaduras e pontes deverão ser retirada da boca antes de escovar os
dentes naturais.




   Foto 1 – Paciente auto-suficiente na frente de um espelho recebendo orientação sobre higiene bucal




Página 9
    O que os Cuidadores de Idosos precisam Saber sobre a Saúde Bucal


CUIDADOS COM AS PRÓTESES (PONTES E DENTADURAS)
      1) Limpar as próteses diariamente com uma escova mais dura com pasta
dental ou sabão neutro (sabão de coco). Antes da limpeza colocar água na pia em
quantidade suficiente, e segurar a prótese bem próximo da água, assim, se ela
cair, não quebrará.
       Dentaduras totais bem executadas, bem polidas, sem poros no acrílico, e
que sejam bem escovadas diariamente após cada refeição, dificilmente
necessitaram de soluções especiais de limpeza para a sua conservação.
       Se durante à noite o paciente manifestar vontade de dormir com as
próteses, poderá fazê-lo, do contrário elas deverão ser escovadas criteriosamente
e colocadas num recipiente plástico com água limpa e com tampa,
(preferivelmente dentro da gaveta do criado mudo ou em lugar seguro para evitar
quedas).
      2) Antes de recolocar as próteses na boca, escovar com escova macia a
Gengiva, palato e língua, removendo assim a placa e restos de alimentos da boca.
Isto contribuirá para manter uma boa saúde bucal.
      3) Uma vez por mês, se a Instituição tiver aparelho de ultra-som, colocar as
próteses nele para eliminar qualquer resíduo ou tártaro.
      4) Próteses perdidas ou trocadas – quando o paciente as retirar da boca,
deverão ser imediatamente colocadas numa bacia com água, pois principalmente
as removíveis e as inferiores são fáceis de perder no banheiro, nos sofás, camas,
etc. para evitar trocas deverão ser marcadas com o nome do dono.
      5) Como escovar dentes naturais – A razão principal para evitar a
escovação regular é a remoção da placa bacteriana, que se não for removida
poderá causar cáries e doença periodontal (da gengiva), o que poderá levar a
perda do dente. Às vezes, a escovação diária poderá tornar-se difícil porque o
paciente acha cansativo e não quer fazer o esforço.
      6) Uso de Pós Fixadores – Em geral, se a prótese estiver bem executada,
não necessitará de pós fixadores, salvo casos especiais. O problema com o uso
dos pós é que eles endurecem e necessitam ser retirados e raspados para cada
nova aplicação, o que pode requerer muito tempo e a ajuda de outra pessoa (o
CUIDADOR neste caso).
      Como pudemos perceber, é ideal que o idoso tenha uma escova macia e de
cabeça pequena para os dentes naturais e outra mais dura e maior para as
próteses.

            ESCOVAR OS DENTES DOS OUTROS NÃO É TAREFA
                              FÁCIL,
     Mas os CUIDADORES deverão ser muito delicados e cuidadosos, e no
começo deverão ser treinados e supervisionados pelo Dentista ou Higiene Dental.
     Se os pacientes são manejados de maneira inadequada ou tratados como
crianças incapacitadas, significará um retrocesso no intuito de ganhar sua
confiança. O desejo do paciente de cooperar é essencial, mas isso requer, tempo,
sensibilidade e habilidade.

Página 10
     O que os Cuidadores de Idosos precisam Saber sobre a Saúde Bucal



      A chave para o cuidado dentário depende de uma organização adequada, e
para que isso se concretize é necessário que o CUIDADOR DE IDOSOS seja
treinado e supervisionado pelo Serviço Dentário da Instituição.
      Problemas deverão ser PREVENIDOS com técnicas, escovas e pastas
dentais adequadas para garantir uma boa higiene da boca, gengivas, dentes
naturais e próteses.




      Foto 2 – Idoso colocando a pasta na escova.           Foto 3 – Escovação da prótese perto da bacia
                                                            para evitar quedas.




Foto 4 – Idoso em frente ao espelho realizando escovação segundo as instruções recebidas.




Página 11
      O que os Cuidadores de Idosos precisam Saber sobre a Saúde Bucal




 Foto 5 – Profissional treinando o Cuidador a realizar a higiene bucal do idoso parcialmente dependente.




Foto 6 – Filha, que neste caso exerce a Foto 7 – Para higienizar idosos totalmente
função de cuidadora da mãe, praticando o dependentes, procurar uma posição confortável,
que lhe foi ensinado sobre escovação.    de tal forma que a cabeça fique segurada
                                         facilmente.




 Página 12
      O que os Cuidadores de Idosos precisam Saber sobre a Saúde Bucal




Fotos 8 e 9 – Prótese fraturada colada com “Cola comum” e sem          Foto 10 – Dentes fraturados com
adaptações dos fragmentos, causadora de lesões na mucosa. Observar o   pontas causadores de feridas na
péssimo estado de higiene, favorecendo o aparecimento de candidose     língua e dentes com cáries e
(fungos)                                                               manchados pelo cigarro.




Foto 11 – Idoso com problema Foto 12 – Dente restaurado que Foto 13 – Sra de 79 anos com boa
psicológico devido a incisivo com devolveu ao idoso a alegria de higiene bucal que conserva seus
restauração defeituosa (falta de poder sorrir.                   dentes naturais.
estética)




Foto 14 – Observar periodontite ao Fotos 15 e 16 – Observar higiene deficiente em portador de prótese
acúmulo de placa e cálculo.        removível, que não sabia ser necessário a remoção da mesma para
                                   higienização adequada.




                   Fotos 17 e 18 – Dente com raiz eposta. Importância da conservação
                   deste dente que serve do suporte para grampo de prótese parcial
                   removível.



 Página 13
    O que os Cuidadores de Idosos precisam Saber sobre a Saúde Bucal


                               CONCLUSÕES
       Os Cuidadores que assistem os pacientes deverão ser observadores e
pacientes, trabalhar de preferência individualmente e simultaneamente com cada
idoso e com o Serviço Dentário da Instituição, de tal forma que se realize um
trabalho coordenado com ambos.
       É preferível que o paciente seja capaz de escovar os dentes sozinho (a). Se
isto não for possível por causa de uma doença como artrite severa, derrame, etc,
poderá ser utilizada uma escova especialmente adaptada ou escova elétrica. O
pessoal do Serviço Dentário aconselhará o melhor.
       Se o CUIDADOR é solicitado para escovar os dentes do paciente, é vital
ganhar a sua cooperação. A aproximação deverá ser cuidadosa, delicada, e nunca
demonstrar repulsa pelo estado dos dentes ou dentaduras, tipo “Puxa quantos
anos faz que o senhor não escova seus dentes”, ou “Isto aqui da para adivinhar o
que comeu durante toda a semana”. Estes comentários só envergonhariam mais o
idoso.
       Se o paciente recusa ou há muita dificuldade para que o CUIDADOR
realize a higiene sozinho, deverá aconselhar-se com o Dentista, pois este está
mais acostumado a tratar com situações especiais. Isto é muito importante, pois
uma vez que o tratamento adequado foi providenciando, e o paciente se sentir
melhor, os cuidados de rotina e manutenção ficarão mais fáceis de ser
executados.




Página 14
     O que os Cuidadores de Idosos precisam Saber sobre a Saúde Bucal


                                   PAPEL DA FAMÍLIA
        Estes podem ser parentes, amigos ou qualquer pessoa que se interesse
pelo bem estar do idoso. Quando se trata de cuidados dentários na velhice, em
geral é tomada uma atitude conformista, mas os avanços da medicina com a
saúde em geral também se aplicam para os problemas dentários.
        Pacientes idosos não deverão ter medo do tratamento, e é nesse momento
que os familiares são muito importantes, pois além de observar podem discutir a
situação detalhadamente com o dentista, e poderão passar posteriormente para o
paciente uma sensação de calma e segurança, explicando com suas próprias
palavras como será o tratamento, e ficando perto dele durante o mesmo,
colaborando assim com o dentista.
        Os parentes, especialmente as esposas ou esposos podem querer ajudar
na higiene dos dentes ou dentaduras se o paciente não é capaz de faze-lo, e deve
ser dada a eles a oportunidade de ajudar, explicando os procedimentos que
deverão seguir.
        Um idoso gozando de boa saúde bucal resgata em grande parte a sua
dignidade, já que é através da boca que se comunica com o mundo exterior pela
falta e pelo sorriso.
        Afinal, como já dizia o popular comunicador CHACRINHA: “Quem não se
comunica se trumbica!!”.
      ‘A manutenção da Saúde Bucal do idoso depende basicamente de ações
simples e econômicas, basta apenas realizá-las!!!

                         REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICAS:
DOLANT, R.A .Is Dental Education in step with current geriatric health promotion initiatives. J.Dent.
Educ., v56, p.632-5,1992.
JITOMIRSKI, S.; JITOMIRSKI, F. Odontogeriatria: A Odontología do Futuro. DENS. Fase II, 2(1):4-
9, jan/jul 87
JITOMIRSKI, S. JITOMIRSKI, F. Sorriso não tem idade. Informativo Maioridade. Progr. Estadual do
Idosos, set. 96 p.4
KINA, S. et alli. O ensino da Estomatogeriatria no Brasil. Ver. Odontol. Univ. S.P., 10(II): 69-73,
jan/mar 96
KINA, S.; BRENNER, A . Estomatogeriatria. Jornal da Sociedade Brasileira de Geriatria e Geriatria
e Gerontologia /Seção Paraná. Nov. 1996 p. 4
PINTO, V.G. Saúde Bucal: Odontologia Social e Preventiva, 1994. Ed. Santos, 416 p.
RELATIVES ASSOCIATION. Dental care for older people in homes. 1995,22p.
TOMMASI. A Diagnóstico em Patologia Bucal. Artes Médicas. 1982,575 p.




Página 15
   O que os Cuidadores de Idosos precisam Saber sobre a Saúde Bucal

                          EU PEÇO PERDÃO

                     Até que faltam, não sabemos
                      Quão importantes eles são,
                         E a saudade dói forte
                       Bem dentro do coração.

                    Sinto suas presenças queridas
                      No trabalho, nos passeios
                      Nos quartos, agora vazios
                     E em todos os meus anseios.

                      Mas os anos vão passando
                       E as gente vê, de repente
                     Que a velhice vem chegando,
                       Está aí, na nossa frente.

                      Sentimos na boca um gosto
                       Um pouco doce e amargo
                      De coisas feitas e não feitas
                       Que ficaram no passado.

                      Lágrimas fáceis nos olhos
                      Sensibilidade a flor da pele
                        O coração disparado
                        Tudo machuca e fere.

                     Peço perdão pois não soube
                       Valoriza seus conselhos
                     Pois o jovem sempre pensa
                      Quão pouco sabe o velho!!

                            Sara Jitomirski




Página 16
    O que os Cuidadores de Idosos precisam Saber sobre a Saúde Bucal




      “Importante este manual elaborado pelas Dr.ª Fanny e Sara Jitomirski não
apenas para os cuidadores de idosos serem motivados nas questões de saúde
oral, mas também os médicos. Nós examinamos a cavidade oral, e se soubermos
o que a odontologia oferece aos idosos vamos motiva-lo a buscar ajuda”.

                                Maurílio Pinto
       Vice-presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia

     É extremamente excitante perceber que a semente da Política de Atenção ao
Idoso germina com tanta qualidade. Dr.ª Sara e Dr.ª Fanny com muito
competência vão levar subsídios importantes aqueles que diretamente vão estar
com os idosos, tenho certeza que todas estas ações vão de encontro à felicidade
do idosos e esta população agora com sorrisos e saúde bucal.

                              Nelson Guerchon
                  Coordenador da Política Estadual do Idoso
          Secretaria de Estado da Criança e Assuntos da Família / PR

     “O Trabalho cuidadosos das odontólogas Dr.ª Fanny e Dr.ª Sara Jitomirski
sobre a saúde bucal é um marco ao iniciar a planificação de ações preventivas na
melhoria das condições da saúde oral do idosos. Em face das múltiplas doenças
crônicas que o idoso pode apresentar, a educação odonto-gerontológica de uma
forma prática e acessível acaba promovendo a melhoria da qualidade de vida na
velhice”.

                                Gilmar Calixto
 Presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia – Seção Paraná

								
To top