OD iscipulado Crist�o A catequese do discipulado no Evangelho
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O Discipulado Cristão
A catequese do discipulado no
Evangelho de Mateus
O Discipulado
O Documento de Aparecida convoca a Igreja a
investir em discípulos missionários na sua ação
evangelizadora (cf. DAp 10). A Igreja não soube
fazer discípulos. Nunca fomos desafiados a fazer
discípulos, sim líderes, coordenadores,
ministros, conceitos atrelados a uma dimensão
de poder e quase sempre sem espiritualidade.
Tal esquecimento possivelmente se deu porque
a Igreja se colocou a administrar sua pastoral e
não a viver a missão.
Discipulado
No evangelho de Mateus
encontramos uma
catequese bem clara sobre
o discipulado. Buscaremos
reunir aqui alguns
elementos importantes
dessa catequese.
Discipulado
O contexto da comunidade
Mateus
O evangelho de Mateus foi escrito
entre os anos 80 e 90.
É conhecido como o evangelho da
comunidade do Senhor
ressuscitado. É quase uma manual
para quem queria aprofundar
melhor sua vivência de discípulo.
Os cristãos da comunidade de
Mateus, em sua maioria, vinham da
tradição judaica.
Discipulado
A comunidade de Mateus (judeus) se perguntava:
Vale a pena abandonar nossa fé tradicional para nos tornar
discípulos de Jesus?
Jesus possibilita-nos algo de novo e melhor?
O seguimento de Jesus oferece-nos uma identidade merecedora
de crédito?
Mateus quer oferecer à comunidade uma resposta convincente a
essas interrogações. E escreve o evangelho como um resumo da
proposta cristã para quem deseja tornar-se discípulo de Jesus. Por
isso, produziu um texto didático, esquemático. Como uma espécie
de manual do discipulado.
A perspectiva de Mateus é de um discipulado
exigente. Em si, todos os membros da Igreja
deveriam ser verdadeiros discípulos.
É no fato de "fazer discípulos", "ensinar" e
"batizar" que Jesus estará com os missionários.
Exatamente porque Jesus está presente no
meio dos discípulos é que eles vão para a
missão.
Discipulado em Mateus
É Jesus quem escolhe seu discipulado.
Primeiro chama somente 4 para
estarem com ele (Mt 4,18-21): Pedro,
André, Tiago e João. São chamados na
Galiléia, lugar de gente da classe mais
ruim dos judeus.
Só em Mt 9, 9 chama o quinto discípulo, Mateus. No
capítulo 10, 1-4, o restante. Jesus fez muitas curas,
deu muito testemunho, antes de completar o grupo de
discípulos. A montagem do grupo dos discípulos foi
processual e gradual. Não se deu de modo imediato.
Quem é Discípulo para Mateus?
O que ouve a Palavra de Deus e a coloca
em prática. No Reino de Deus se concentra
todo seu ser e agir.
O discípulo é confrontado com uma proposta
concreta, sintetizada em Mt 5-7 – o Sermão
da Montanha. Nada de teorias, nem de
abstrações! É prática concreta e clara.
Como age o discípulo?
Mt 6,1-18 descreve a vivência
do discípulo em três práticas
características: esmola, oração
e jejum. Ao realizá-las, o
discípulo é movido pela pureza
de coração e não age como os
hipócritas e ostentadores,
preocupados em serem vistos
e aplaudidos pelos demais.
Como vive o
discípulo?
Discípulo caracteriza-se por sua disposição
e capacidade de viver em tudo o senhorio
de Deus, jamais permitindo a menor
intromissão de outros valores em sua vida.
Essa disposição fundamental torna-o livre
diante de todas as criaturas, sem se deixar
polarizar por elas.
Três pequenos textos ilustram as decisões
a serem tomadas por quem está em
processo de se tornar discípulo:
Mt 7,13-14 – confronto com duas portas: a
estreita e a larga. A primeira é abraçar as
exigências do Reino como se apresentam.
A segunda é um estilo de vida onde as
exigências do Reino são adaptadas às
conveniências pessoais, excluindo as
renúncias características do discipulado. Daí
a chamada de atenção: “Entrai pela porta
estreita!”
Dois tipos de Discipulo
Mt 7,15-20
o verdadeiro e o falso. O profeta verdadeiro é o líder
da comunidade, preocupado em transmitir a
mensagem do Mestre na sua inteireza, embora
reconhecendo o desafio de ser-lhe completamente
fiel. O falso prega uma religião “ao gosto do
freguês”.
A pista para discernir entre o verdadeiro e o falso
líder: “Pelos frutos, reconhecê-los-ei!”
Mt 7,21-23
confronto com duas atitudes
fazer e falar
O verdadeiro discípulo do Reino caracteriza-se por sua
obediência à Palavra escutada. Sem vacilar, deixa-se
guiar por ela, transformando-a em pauta de ação.
O falso, por sua vez, contenta-se com palavreados
vazios, a ponto de anular a capacidade de a Palavra
transformar-lhe a vida.
A Postura do discípulo
(Mt 7,24-27)
A parábola das duas casas ilustra duas posturas do
discípulo: escutar as orientações do Mestre e deixar-se
guiar por elas, ou escutá-las, mas não lhes dar ouvido. A
sorte de cada um está embutida na opção! No primeiro
caso, assemelha-se à casa construída sobre a rocha.
Mesmo as mais terríveis intempéries jamais a abalarão. Na
situação contrária, a casa construída sobre a areia.
Qualquer tempestade será suficiente para arruiná-la.
Identidade do discípulo
Mt 12,50
“Quem fizer a vontade
de meu Pai que está
nos céus, esse é meu
irmão, irmã e mãe”.
Fazer a vontade do Pai
é o resumo da ética do
discípulo.
Identidade do discípulo
Mt 12,50
De projetos pessoais e individuais a
projetos comunitários voltados para o
querer de Deus. O discípulo precisa
romper com qualquer projeto pessoal de
vida. Não é deixar de lado tudo que fazia,
mas é colocar tudo que fazia no mesmo
projeto de Jesus. Seu projeto precisa ser
o projeto de Jesus, que é o Reino.
Identidade do discípulo
Mt 12,50
Essa mudança de vida não é uma
atitude provisória, que dura
enquanto o discípulo não chega a
ser mestre. Não é uma escalada
política e de cargos, isso está
totalmente fora do projeto de Reino
de Jesus, pois do princípio ao fim
só há um Mestre, Jesus (Mt
10,24s; 23,8).
Dificuldades do Discípulo
Mt 13,24-30; 36-43
A parábola do joio e do trigo ilustra a experiência humana de
ambigüidade entre a vontade divina e as muitas solicitações
suspeitas. Deus propõe ao ser humano sua vontade. O
Maligno age da mesma forma, com o agravante de sugerir
algo muito semelhante à proposta divina. O discípulo é
desafiado a suportar esta incerteza, ao longo de toda a sua
vida. Só escatologicamente o nó será desfeito e a vontade
divina despontará no mais total esplendor. Até lá, é preciso
caminhar com muita cautela, para não se deixar enganar
pelas aparências.
A cruz do discipulado
Mt 10,38 e 16,24
Jesus enfatiza que o discipulado passa pela cruz: “qualquer um
que não tomar a sua cruz e vier após mim não pode ser meu
discípulo”. Tomar a cruz na vida cristã não é opcional, é uma
exigência dirigida a todos os cristãos, sem exceção.
Ao mesmo tempo em que oferece vida plena, Jesus mostra que
o caminho para essa plenitude de vida passa pela cruz. É fácil
deduzir que a cruz nasceu de uma recusa da mensagem de
Jesus como proposta do reino de Deus. Se todos tivessem
aceitado o projeto do reino anunciado, a cruz não teria
aparecido no mundo como símbolo de negação. Apareceu
porque houve recusa a esse reino.
A cruz do discipulado
Mt 10,38 e 16,24
Tomar a cruz não significa buscar o sofrimento em si,
não se quer justificar o sofrimento humano; ao
contrário, Jesus pede para combatê-lo e eliminá-lo da
vida das pessoas. Sofrimento não se aceita, se
combate. Assumir a cruz é combater o sofrimento
capaz de aniquilar a vida: dores, doenças, fome,
violência, indiferença; injustiça. O cristão assume a cruz
porque não se conforma com esses sofrimentos.
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