teste modelo ii o rei que quis

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							                                                                                         2009/2010
                                                                                     á
                                  Escola E.B 2,3 Dr. António Francisco Colaço               Prof.
                                           Língua Portuguesa – 8º Ano                    Paulo Mota
                                                                                         1º Período
                                                Teste Modelo II



O REI QUE QUIS SUBIR AO CÉU
       Era uma vez um rei gordo e estúpido que tinha um ministro magrinho e esperto. O ministro
aproveitava todas as oportunidades para impressionar o rei com a sua esperteza, e não tardou que o
rei dependesse dele inteiramente. O rei dizia muitas vezes ao ministro:
      - Promete-me que nunca me abandonarás.
      E o ministro respondia sempre:
       - Nunca, nunca, Majestade. Onde quer que estiverdes, na Terra, no Céu ou no Inferno, sempre
estarei a vosso lado.
      O rei gostava muito de ouvir isto.
       Uma tarde, voltava o rei para o palácio depois do seu passeio pela margem do rio. O ministro
vinha com ele, como habitualmente. De repente, ouviram raposas que regougavam na floresta ali
perto. O rei ficou cheio de curiosidade. Virou-se e perguntou ao ministro:
       - Porque é que há tantas raposas a regougar justamente quando os meus reais ouvidos são
obrigados a ouvir os seus regougos?
      O ministro replicou:
       - Majestade, como sabeis, este Inverno foi especialmente frio. As pobres raposas não têm roupa
que as aqueça. Estão a pedir-vos mantas.
       - Ah, estou a ver - disse o rei. - Como tu és inteligente e esperto, que até compreendes a
linguagem das raposas! Mas porque é que elas não têm mantas?
       - A culpa é do oficial encarregado dessas coisas - respondeu o ministro, que tinha má vontade
contra o oficial.
      - Que vergonha! Então o oficial privou de mantas as nossas queridas raposas? Muito bem,
enrolem o oficial numa manta e atirem-no ao mar. Depois, compra cem mantas e distribui-as pelas
minhas amigas raposas - ordenou o rei. O ministro correu logo a cumprir as ordens do rei. Mas
obedeceu só à primeira parte do que lhe fora ordenado. Atirou o oficial ao mar e tirou dinheiro do real
tesouro para comprar mantas para as raposas. Mas nunca as comprou, e guardou o dinheiro para
ele.
      Na tarde seguinte o rei ouviu as raposas que estavam outra vez a regougar. Ficou
surpreendido e perguntou:
      - Que é que elas têm agora? Porque é que estão a regougar?
      - Regougam a agradecer-vos, Majestade - respondeu o ministro com um sorriso. (…)
        O rei ficou muito satisfeito, mas a sua satisfação não durou muito tempo. De repente, saiu da
floresta um pequeno javali, a correr. O rei nunca tinha visto um javali.
      - Meu Deus! - exclamou ele. - Que criatura é esta?
      Claro que o ministro sabia muito bem o que era. Mas replicou calmamente: (…)
      - Esta criatura é um rato, que engordou tanto porque comeu toda a comida da vossa real
cozinha. Isto mostra a falta de cuidado do cozinheiro.
      A face redonda e estúpida do rei ficou vermelha como um pimentão. Revirou os olhos e
lamentou-se:
        - Que desgraça! Um rato a comer a minha boa comida, e tudo isto por causa da negligência e
falta de cuidado do cozinheiro!
      Imediatamente ordenou que o cozinheiro, depois de preparar o real jantar, fosse enforcado.
       Nessa mesma tarde, o cozinheiro veio ter com o ministro em segredo e deu-lhe muito dinheiro.
Prometeu-lhe também que, se o ministro quisesse salvar a sua vida, lhe mandaria uma parte de cada
prato especial que preparasse para o rei.
      O ministro ficou todo contente e respondeu ao cozinheiro:
      - Deixa tudo comigo e não te preocupes.
      À meia-noite, justamente quando o cozinheiro ia ser enforcado na presença do rei, o ministro
desatou a gritar:
      - Alto! Alto!
      Então, virando-se para o rei, explicou:
       - Majestade, consultei agora o almanaque e descobri que esta hora meia-noite - é uma hora
cheia de sorte. Quem for enforcado nesta hora encontrará um lugar reservado no Céu. Majestade,
se o cozinheiro fosse enforcado agora, não seria castigo nenhum. Seria uma recompensa. Porque é
que havemos de mandar um patife para o Céu?
      Para grande surpresa do ministro, o rei saltou de alegria e exclamou:
      - Bom, óptimo! Há muito que eu tenho vontade de ver o Céu. Enforquem-me em vez dele, e
assim poderei ver o Céu. Mas esperem!
      Virou-se para o ministro.
       - Meu caro amigo - disse ele -, prometeste muitas vezes acompanhar-me aonde quer que eu
fosse. Agora vou para o Céu. Tens de me mostrar o caminho. Carrasco, enforca-o primeiro.
        E antes que o aterrorizado ministro pudesse proferir uma palavra, os guardas enfiaram-lhe a
cabeça no laço e o carrasco puxou-o para cima. O rei ficou satisfeito por ver que fora obedecido
prontamente. Logo que despachou o ministro, o carrasco virou-se para o rei e enforcou-o também.
Afinal, era o que ele queria.
      Terão visto o Céu? Bem, isso é coisa que eu não sei.
                                                  GRUPO I
                        Contos Populares da Ásia, tradução de Pedro Tamen, Edições António Ramos

        Após uma leitura atenta do texto responda às seguintes questões:
    1. Divida o texto em partes e justifique as suas opções.


    2. Identifique as duas personagens que têm a participação mais activa neste conto e faça a
        respectiva caracterização psicológica. Justifique a sua resposta com expressões do texto. (5
        pontos)


    3. Classifique as seguintes personagens, quanto ao relevo: o ministro e o cozinheiro. Justifique a
        sua resposta.


    4. Indique duas referências temporais e uma referência espacial presentes no texto.


    5. Classifique o narrador, quanto à sua presença. Justifique a sua resposta.


    6. O rei e o ministro são duas personagens opostas.
        6.1. Comente esta afirmação, procurando referir um momento do conto em que isto se torna
        evidente.


    7. O ministro era importante para o rei? Justifique a sua resposta.
8. Refira o motivo que levou o ministro a mudar de atitude relativamente ao cozinheiro.


9. O cozinheiro foi a desgraça do ministro.
   9.1. Explique de que modo esta afirmação se tornou verdadeira.


10. “Terão visto o céu?”
   10.1.      Responda à pergunta, justificando devidamente a sua resposta.


   GRUPO II
11. “A face redonda e estúpida do rei ficou vermelha como um pimentão. Revirou os olhos e
   lamentou-se:”
   11.1.      Analise morfologicamente as palavras destacadas.
   11.2.      Indique o sujeito da primeira frase e identifique o sujeito subentendido da segunda.
   11.3.      Analise sintacticamente: revirou os olhos.
   11.4.      Identifique o processo de formação das palavras “pimentão” e “revirou”.


12. O ex-ministro e o rei ficaram em câmara-ardente e toda a gente rezou um Pai-Nosso junto do
   altar-mor, agradecendo esta bênção.
   12.1       Coloque no plural as palavras compostas por justaposição na frase acima apresentada.


13. Relembre as regras da pontuação.
     13.1. Indique qual destas afirmações é incorrecta.
           a. Os dois pontos servem para introduzir as falas do discurso directo.
           b. Os dois pontos servem para apresentar enumerações.
           c. Os dois pontos nunca se empregam para indicar citações.
     13.2. Indique qual das afirmações é correcta.
           a. O sujeito deve ser separado do predicado por uma vírgula.
           b. O verbo, o complemento directo e indirecto são separados por uma vírgula.
           c. A vírgula separa os complementos circunstanciais quando colocados no início ou no
               meio da frase.


           GRUPO IV
           A) Elabore um resumo (150 – 200 palavras) do conto tradicional “O Rei que Quis Subir ao
           Céu”.

						
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