OM �todo de Constela��o by Rb14S4

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									             O Método de
              Constelação
                 Acção de Formação
       sob a Direcção de Franz Ruppert
                       Portugal 2008-2010


Objectivos e Métodos
O Objectivo desta acção de formação é dotar os participantes de conhecimentos,
atitudes e competências em termos técnicos e práticos adequados para o
exercício de Facilitador de Terapia no Método de Constelação, quer em grupo,
quer em contexto individual.
Esta abordagem refere-se a diferentes bases teóricas e inclui indicações para o
trabalho prático em aconselhamento e terapia.
O Método trabalhado nesta acção de formação baseia-se no conceito da
Psicotraumatologia plurigeracional, uma teoria que foi desenvolvida pelo Prof.
Doutor Franz Ruppert a partir da sua longa experiência como psicoterapeuta e
professor de psicologia.


A Acção de Formação
Nesta acção de formação as bases teóricas referidas são aprofundadas. O
processo terapêutico concreto demonstra como os pedidos dos clientes podem
ser trabalhados para a orientação da solução. Os participantes da formação serão
‘desafiados’ para questionar o seu próprio trabalho em aconselhamento e terapia
através de vivências e auto-reflexão, bem como de ganhar nova segurança e novas
ferramentas, no seu trabalho como terapeutas.
Conceitos Base da Formação
Vínculo: O fenómeno da vinculação (bonding) foi descoberto por John Bowlby,
investigador e psicoterapeuta inglês, tendo sido continuamente mais elaborado
como conceito teórico a partir dos anos 1950. É hoje em dia reconhecido a nível
mundial, há muita investigação a seu respeito, é ensinado nas universidades. O
conceito de vínculo torna claro que as doenças psíquicas têm a sua origem, em
muitos casos, num distúrbio da vinculação mãe-filho. O fenómeno da vinculação
coloca os processos de simbiose e autonomia para o centro do trabalho
terapêutico.
Trauma: Há cerca de 25 anos, o conceito do trauma psíquico ganha cada vez mais
atenção na psicologia e psicoterapia, dado a sua grande importância para a
compreensão das doenças psíquicas. Conceitos reconhecidos da teoria do trauma
(dissociação, cisão da personalidade, estimulação excessiva) e do tratamento do
trauma (p. ex. somatic experiencing segundo Peter Levine, EMDR segundo Francine
Shapiro, orientação para os recursos segundo Luise Reddemann) estão integrados
no conceito da formação. A abordagem do trauma é holística no sentido de uma
perspectiva biopsicossocial.
Relação entre Vínculo e Trauma: A ligação dos dois fenómenos, vínculo e trauma,
permite uma compreensão mais integral das doenças psíquicas. Assim, torna-se
possível de entender, não só os efeitos de traumas de choque ou de perda na
vivência e no comportamento humanos, mas também é possível compreender
como traumas de vinculação e do sistema de vinculação, podem levar a graves
distúrbios da personalidade e até psicoses e esquizofrenias.
Perspectiva Plurigeracional: Os efeitos dos traumas são passados dos pais aos
filhos pela via da vinculação. A já longa experiência com o método da
constelação mostra que até quatro gerações podem estar implicadas na
transmissão de traumas através da vinculação psíquica. A perspectiva
plurigeracional, já conceptualizada na terapia familiar (Virginia Satir, Ivan
Boszormenyi-Nagy), é assim reconhecida em todo o seu alcance. Por esta via
abre-se uma nova compreensão para as qualidades particulares das relações entre
pais e filhos e as relações de casal.
Abordagem Sistémica: O paradigma da teoria sistémica possibilitou novas
perspectivas no trabalho psicossocial, nomeadamente o abandono da fixação no
sintoma, passando este a ser reconhecido na sua função de manutenção do
sistema, e a orientação para uma solução.
Trabalho com constelações: Constelações são uma possibilidade recente para
aceder a processos psíquicos inconscientes, memorizados precocemente (p. ex.
experiências precoces de vinculação). Pelas constelações é possível trazer de novo
à consciência as vivências traumáticas “esquecidas” pela cisão. As constelações
tornam visível a rede plurigeracional de relações de vinculação nas famílias. Podem
ser utilizadas em termos analíticos e permitem diagnósticos diferenciados, sendo ao
mesmo tempo orientados para a solução em relação ao pedido concreto do cliente.


Destinatários
Psicoterapeutas e outros profissionais da relação de ajuda; outros interessados
com base na analise curricular.


Carga horária
O curso tem 203 h (duzentas e três horas) de formação distribuídas por 12
encontros.


Avaliação
A avaliação efectua-se a três níveis:
A – Avaliação intermédia
B – Trabalho escrito
C – Avaliação final realizada em forma de colóquio


Certificação
No final do curso e mediante avaliação positiva, os formandos recebem um
Certificado de Formação Profissional (Dec Reg. 35/2002). O certificado exige a
presença em oitenta por cento da formação.


Preço
O valor de Inscrição no curso é de 125 € (cento e vinte e cinco euros). O curso
tem um valor de 1.995€ (mil novecentos e noventa e cinco euros) a pronto
pagamento, ou 125 € (cento e vinte e cinco euros) por mês durante dezoito
meses consecutivos (18 x 125 €= 2.250 €), de 01 de Novembro de 2008 a 01 de
Abril de 2010, IVA incluído. Cada formando tem direito a duas constelações
com os formadores do curso, incluídas no valor.


Inscrição
Envio da ficha de inscrição acompanhada de curriculum vitae de preferência até
20 de Outubro 2008. A inscrição é válida após análise de curriculum e recepção
de pagamento. Possibilidade de supervisão em Lisboa e no Porto (pagamento
suplementar).
A Participação na Formação pressupõe um processo terapêutico pessoal anterior
e/ou paralelo.

                          Cronograma de Realização
No. Data         Formador/a Tema                                                        Lugar
1    31 Out, 1   Franz Ruppert   Trauma. Carga, stress, trauma, tipos de trauma,        Lisboa
     e 2 Nov                     consequências de traumatizações a curto, médio
     2008                        e longo prazo, cisões como consequências de
                                 trauma, o efeito de traumatizações em relações
                                 de vinculação.
2    13 e 14     Thomas          Desenvolvimento do Método da Constelação. O            Lisboa
     Dez 2008 Riepenhausen       genograma como ponto de partida da
                                 constelação.
3    31 Jan e 1 Jason Baker      Vínculo. Comportamento, relação, vinculação,           Porto
     Fev 2009                    padrões de vinculação, formas de vinculação
                                 perturbada, consequências da vinculação
                                 perturbada entre pais e filhos para todas as outras
                                 relações de vinculação na vida de uma pessoa.
                                 Simbiose e autonomia. A Relação terapêutica na
                                 constelação.
4    20 a 22     Evelyn Haehnel Sintomas físicos. Aspectos da dinâmica píquica.         Lisboa
     Março                       Sintomas físicos e seu significado. As emoções de
     2009                        polo negativo como agressão, solidão, desespero,
                                 confusão, medo - e seus complementos de polo
                                 positivo como criatividade, auto-confiança,
                                 empatia, clareza, coragem.
5    1 a 3 Maio Franz Ruppert    A relação de casal. Por que razão somos atraídos       Lisboa
     2009                        por parceiros específicos? O que gera conflitos
                                 na relação e no casamento? Quais são as
                                 dinâmicas de conflitos entre homens e mulheres
                                 em estreita relação sentimental ou sexual? Como
                                 podem ser resolvidos os conflitos entre parceiros,
                                 incluindo a suas experiências traumáticas e a falta
                                 de vinculação?
6    4 e 5 Julho Conceição Silva Avaliação intermédia, teoria e prática.                Por decisão
     2009                        Como os enredos do passado condicionam o               do grupo
                                 futuro.
7    10 e 11     Joaquim         Ouvir o corpo para sentir e viver a doença. “A         Por decisão
     Out 2009 Marujo             alma que não mente imprime no corpo a                  do grupo
                                 doença”.
8    13 a 15     Franz Ruppert   Dinâmicas básicas de doenças psíquicas.                Porto
     Novembro                    Ansiedade, depressão, distúrbios da
     2009                        personalidade, esquizofrenia.
9    12 e 13     Fátima Marques Trauma de Perda: o que acontece quando não              Lisboa
     Dezembro                    nos despedimos dos que partem, ou quando
     2009                        quem parte deixa assunto inacabados.
10   30 e 31     Conceição Silva Aspectos e sub-personalidades. As dinâmicas            Por decisão
     Janeiro                     ocultas que dividem a personalidade. O indivíduo       do grupo
     2010                        tornar-se consciente dos conflitos entre impulsos
                                 opostos. Procurar uma solução saudável.

11   13 e 14     Jason Baker e      Constelação na sessão individual. A versatilidade   Porto
     Março       Thomas             da constelação na terapia individual. As figuras
     2010        Riepenhausen       complementares da vida do cliente. As suas sub-
                                  personalidades. Mudança exterior e dinâmica
                                  psíquica do cliente. Diálogo e insight.
12   30 Abril a   Franz Ruppert   Técnicas de intervenção. Trabalho com o        Lisboa
     2 Maio                       pedido, condução da conversa com as partes
     2010                         saudável, traumatizada e de sobrevivência,
                                  orientação de constelações. Avaliação final.

Director da Formação e formador principal
Franz Ruppert é professor de Psicologia na Universidade Católica de Munique
desde 1992, tendo obtido o seu Doutoramento em Psicologia Organizacional na
Universidade Técnica de Munique. Desde 1990 tem trabalhado como
psicoterapeuta e estudado Gestalt e Terapia Familiar. Em 1995 conhece o trabalho
de Bert Hellinger nos sistemas familiares e desde então tem trabalhado com
constelações numa grande variedade de contextos. É autor de quatro livros sobre
este tema, editados na Alemanha, e tem orientado pós-graduações nas áreas de
Família e Organização desde 1998. A sua abordagem específica da Constelação
tem sido apresentada na Itália, Holanda, México, China, Inglaterra e Espanha e
regularmente em Portugal desde 2003.

Coordenação
Conceição Silva, nascida em 1973, uma filha. Formação em Terapia Psico-
Corporal, Constelação Familiar e Massagem Biodinâmica. Membro da European
Association for Body-Psychotherapy (www.eabp.org). Formadora (IEFP).

Outros formadores
Conceição Silva (ver supra).

Evelyn Haehnel, naturopata (Heilpraktikerin), formada em Constelação com
Franz Ruppert (Munique), Medicina Tradicional Chinesa e Homeopatia Clássica,
tem desenvolvido sobretudo o trabalho com sintomas físicos. Directora da Tao
Naturheilpraxis em Munique.

Fátima Marques, nasceu em 1963, três filhos, formação em Massagem
Biodinâmica, Terapia Psico-Corporal e Constelação Familiar. Fundadora do
projecto C’Alma, integra a equipa de formadores da Next-art e do Instituto
Macrobiótico de Portugal.

Jason Baker, nascido em 1961 no Canadá, três filhos. Diplomado como massagista
de recuperação e relaxamento pela Xistarca (Porto). Membro da Federação
Nacional de Medicinas Alternativas (FENAMAN), Formação em Terapia Psico-
Corporal, Massagem Biodinâmica e Constelação Familiar.

Joaquim Marujo, doutorado em Antropologia Social e Cultural na
especialidade de sistemas de identidade e identificações do mundo
contemporâneo. Mestre em Clínica de Saúde Mental, Mestre em Espaço
Lusófono: economia, sociologia e política.
Thomas Riepenhausen, nascido em 1949 em Berlim, uma filha. Terapeuta psico-
corporal formado em Biodinâmica (Londres). Certificado Europeu de Psicoterapia
(www. europsyche.org). Membro da European Association for Body-
Psychotherapy (www.eabp.org). Fundador da Asas e Raízes.


Bibliografia
Bowlby, John: Perda - Tristeza e Depressão. Ed. Martins Fontes
Bradshaw, John: Family Secrets - The Path from Shame to Healing. Recovery
Classics
Levine, P. A.: O Despertar do Tigre: Curando o Trauma. São Paulo: Ed.
Summus
McGoldrick, M; Gerson, R.; Petry, S.: Genograms - Assessment and
Intervention. Norton
Ruppert, Franz: Almas confusas. Que sentido têm as psicoses? in:
www.asaseraizes.pt/textos
Ruppert, Franz: Tipos de traumas, in: www.asaseraizes.pt/textos
Ruppert, Franz: Psychosis: Symptoms of schizophrenic situations in the system of
families, in: www.asaseraizes.pt/textos
Ruppert, Franz: O Trauma no sistema de vinculação - como distúrbios de
vinculação podem causar esquizofrenias, in: www.asaseraizes.pt/textos
Ruppert, Franz: Trauma, Bonding and Family Constellations. UK: Ed. Green
Ballon Books
Van der Kolk, B.A., McFarlane, A.C, Wesaeth, L.: Traumatic Stress. New
York: Guildford 1996


                                       Tipos de Trauma
                                          por Franz Ruppert

Trauma psíquico – A palavra trauma significa ferida. Neste sentido fala-se na medicina
por ex. de um traumatismo craniano. Transferindo este conceito ao nível psíquico
podemos falar também de uma ferida psíquica quando os processos psíquicos tais
como: percepção, sensação, pensamento, memória, imaginação, etc., já não funcionam
normal e saudavelmente. Exemplos: uma pessoa está concentrada e assusta-se com um
ruído e fica banhada em suor de medo ou os pensamentos de alguém estão
continuamente fixados num determinado acontecimento; ou ainda alguém que já não se
consegue lembrar-se de determinados acontecimentos importantes.

Quero referir como exemplos para as causas de um trauma psíquico: acidentes graves (de carro, de
comboio, queda de uma avião...), tortura, situações de guerra, violência sexual, etc. Na investigação do
trauma costuma-se distinguir dois tipos de situações traumáticas:

— Trauma de tipo 1: acontecimentos que surgem súbita e inesperadamente.

— Trauma de tipo 2: situações longas, de exigência excessiva e em que existe sentimento de impotência.
No trauma existe uma diferença fundamental entre, por um lado, a exposição a uma ameaça e a
perturbação emocional daí derivada e, por outro, as possibilidades de acção da pessoa para se proteger.
O observador do trauma de outras pessoas pode também ficar psiquicamente traumatizado (Fischer,
Riedesser, 1999).

A partir do trabalho prático com os pacientes torna-se cada vez mais claro para mim que, no fundo, não
há doenças psíquicas graves sem um trauma subjacente. Tentei, assim, sistematizar os acontecimentos
traumáticos e distingo agora, quatro formas de traumas:

— Traumas existenciais: situações de vida e morte (p. ex. em situações de catástrofes ou de guerra).

— Traumas de perda: quando uma pessoa sofre a perda de um vínculo psíquico muito importante para
ela (p. ex. morte da mãe de uma criança)

— Traumas de vinculação: a necessidade de vínculo de uma pessoa é traumatizada, pelo que não pode
mais entregar-se emocionalmente a vínculos humanos (p.ex., abuso da filha pelo próprio pai);

— Traumas de vinculação sistémica: nestes casos todo um sistema de vinculação (p. ex. uma família) é
traumatizado por determinados acontecimentos (incesto ou assassinato de um familiar).

Podemos de uma forma geral relacionar os sintomas de doenças psíquicas graves com as diferentes
formas de traumas:

— Nos traumas existenciais encontramos muitas vezes medos intensos e perturbações de pânico
(Ruppert, 2001a).

— Nos traumas de perda encontramos, na maior parte das vezes, depressões graves.

— Nos traumas de vinculação constatamos comportamentos sintomáticos que são diagnosticados na
psiquiatria clínica como distúrbios borderline da personalidade.

— Traumas de vinculação sistémica relacionam-se, conforme a minha experiência, com estados de
perturbação psicótica.

A superação de um trauma através de sintomas tem duas tarefas a cumprir:

— Primeiro tem que se estabelecer uma distância em relação à vivência traumática.

— Depois tem que encontrar uma regra de sobrevivência para a pessoa não voltar a entrar numa
situação traumática.

A resposta automática de emergência, na sobrevivência do trauma, dissocia as percepções, os sentimentos
e os pensamentos e reduz assim, a energia do trauma. A dissociação da memória do trauma permite que a
percepção consciente e o pensamento fiquem livres para assegurar a sobrevivência. As emoções
provocadas pelo trauma são afastadas da memória consciente. Mas mesmo estando separadas das
ligações nervosas que regulam a consciência de vigília elas ficam armazenadas nas camadas inferiores do
cérebro, sobretudo nas células que estão em contacto neuronal e hormonal com as regiões do sistema
límbico e do cerebelo.

Assim, o traço de memória do trauma continua a existir no corpo todo ou em partes dele, e funciona
como uma bomba-relógio psíquico, com o seu tic-tac próprio.

No entanto, numa situação que se pareça com a situação traumática original se a “camada de defesa” se
tornar demasiado fina e não conseguir evitar que o trauma penetre nas estruturas cerebrais mais
desenvolvidas do neocórtex e na memória consciente, então existe o perigo de que a vivência da situação
actual se misture com a vivência traumática antiga e os sentimentos saiam de novo totalmente do
controlo.
Um trauma acontece sempre num contexto social. Na maior parte das vezes existem vítimas principais e
um número maior de pessoas que, embora feridas menos profundamente em termos psíquicos, sofrem
muitas vezes de forma grave as consequências de um trauma (p. ex. uma família que recebe um soldado
traumatizado na guerra) (Stricevic, 2002).

Sistemas de menor vinculação (p. ex. famílias) podem ser tão traumatizados como os sistemas maiores
(etnias, povos, nações).

A noção limitada e reduzida existente sobre o trauma e as pessoas dele directamente afectadas,( como
acontece no Distúrbio do Stress Pós-Traumático PTSD), é insuficiente tanto para a compreensão dos
acontecimentos traumáticos como para a sua transformação duradoura.

                Franz Ruppert: Almas confusas - que sentido têm as 'psicoses'?, in
                                                      www.asaseraizes.pt/textos

Ilustração do título: Pablo Picasso, Retrato de Dora Maar, 1937

Editado em Setembro de 2008



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Rua das Flores, 57-2º * 4050-265 Porto * asas@asaseraizes.pt * Tel/Fax: 222 059 584

								
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