Resenha sobre o livro Hist�ria da Paz by 9HNZ9Z5e

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									Resenha sobre o livro História da Paz

Lançamento - História da Paz
História da Paz
Por Stefanie Gaspar, Editora do Site


Reprodução                             No ano de 2006, a editora Contexto publicou o livro
                                       História das Guerras, organizado pelo Doutor em
                                       Geografia pela USP e sociólogo Demétrio Magnoli, que
                                       reunia 15 artigos sobre o tema desde a Antiguidade até
                                       as guerras contemporâneas. Agora, o mesmo
                                       organizador reuniu outros 15 textos de um tema
                                       indissociavelmente ligado à questão das guerras – o
                                       volume História da Paz, que teve seu lançamento no dia
                                       14 de maio, às 19h00, na Livraria Cultura do Conjunto
                                       Nacional. O plano da obra é o de tratar da questão da
                                       manutenção de uma ordem pacífica, por meio do estudo
                                       de diferentes tratados, congressos, conferências e
                                       acordos.

                          De acordo com o organizador, História da Paz é um “livro
                          sobre os grandes tratados diplomáticos da história”.
No dia 10 de junho, às 19h00,
acontecerá na FNAC-Pinheiros
                          Cada um dos quinze capítulos apresenta a análise de um
um debate com alguns dos autores
                          tratado importante, desde os Concílios Ecumênicos
Medievais ao Protocolo de Kyoto, sendo que todos possuem uma característica em
comum – “seus ecos, seus conceitos e seus produtos geopolíticos permanecem
presentes até hoje”, segundo Magnoli.

O primeiro capítulo, escrito por José Rivair Macedo (Pós-Doutor pela Universidade
Nova de Lisboa e Doutor em História Social pela USP), versa sobre os Concílios
Ecumênicos Medievais de Nicéia, Latrão e Trento, considerados por Magnoli não
como tratados, e sim como criadores de uma ordem universal – a ordem da Igreja
de Roma – pela reunião de autoridades políticas e religiosas de diversas partes do
mundo.

Símbolo da passagem da Idade Média para a Idade Moderna, já que se situa na
transição entre o poder absoluto da Igreja e a influência crescente da monarquia, o
Tratado de Tordesilhas é o tema do segundo capítulo, escrito por Flavio de Campos,
Doutor em História Social pela USP. Roberto Romano, Pós-Doutor em Filosofia pela
UNICAMP e autor de O Caldeirão de Medeia e Silêncio e Ruído – a Sátira em Denis
Diderot, é responsável pelo terceiro capítulo, sobre A Paz da Westfália, que
segundo o autor dá “o passo inicial da independência diante das crenças religiosas,
o que leva ao Estado laico e democrático do mundo moderno”.

O quinto capítulo, de Demétrio Magnoli, fala sobre o Congresso de Viena, que tenta
reorganizar a ordem européia no período subseqüente ao da derrota da França
napoleônica. A historiadora Maria Helena Valente Senise analisa o Tratado de
Nanquim, de 1842, que “obrigou a China a escancarar suas portas ao comércio
estrangeiro e a arcar com despesas e indenizações de guerra que promoveram uma
verdadeira sangria nos recursos do império” e trouxe à Inglaterra diversas
vantagens econômicas.

A Conferência de Berlim, analisada pela historiadora Elaine Senise Barbosa, foi
realizada entre 1884 e 1885, com o objetivo de organizar a ocupação da África
pelas potências coloniais. A autora abre seu texto ressaltando que “o tratado mais
conhecido da história da África tem a peculiaridade de não ter sido assinado por
nenhum africano ou representante de governo africano. Como se explica isso?”.
O sétimo capítulo, escrito por Samuel Feldberg – Doutor em Ciência Política pela
USP e Bacharel em Ciência Política e História pela Universidade de Tel Aviv, Israel –
, analisa o Acordo Sykes-Picot, de 1916, que se desenvolveu de maneira secreta
(tornando-se público somente após a Revolução Russa em 1917) entre os governos
do Reino Unido e da França para definir as esferas de influência dentro do Oriente
Médio. De acordo com o autor, “a França tinha como objetivo controlar diretamente
as regiões costeiras (da Síria e da Palestina), indiretamente o resto da Síria, e
estender seus domínios até a região de Mosul, no Iraque”, o que garantiria a
exploração do petróleo que houvesse na área.

O Tratado de Versalhes, de 1919, foi analisado por Luiz de Alencar Araripe, Membro
Titular do Instituto de História Militar e Geografia do Exército e Coronel Reformado
de Artilharia e de Estado-Maior do Exército. O Tratado, que oficializou o fim da
Primeira Guerra Mundial, é definido pelo autor como um acordo “minucioso,
complexo, admirado e detestado, relevante e polêmico (...), que está presente no
temário das instituições de estudos político-diplomáticos, volta e meia relembrado
ao grande público, a propósito de questões internacionais”.

Gilson Schwartz, Pós-Doutor pelo Instituto de Estudos Avançados (IEA) e Doutor
em Ciência Econômica pela Unicamp, é o autor da análise sobre a Conferência de
Bretton Woods, de 1944, que estabeleceu regras para as relações comerciais e
financeiras entre os países mais industrializados. “A Conferência de Bretton Woods
foi um desses momentos extraordinários, nos quais os homens não parecem
perdidos apenas em confabulações mesquinhas relativas à divisão do espólio da
guerra, mas ousam olhar para o futuro mais longínquo e tomar decisões sobre a
divisão da riqueza, do poder e do conhecimento”.

As Conferências de Yalta e Potsdam, de 1945, foram descritas pelo jornalista e
Mestre em Relações Internacionais William Waack. As Conferências reuniram as
principais potências vencedoras da Segunda Guerra Mundial para decidir o novo
mapa geopolítico internacional. De acordo com a análise de Waack, entre a
primeira Conferência, em Yalta, e a segunda, em Postdam, Hitler suicidou-se,
morreu o presidente americano Franklyn Roosevelt e o primeiro-ministro britânico
Winston Churchill foi derrotado nas urnas.

Celso Lafer, jurista brasileiro e Ph.D em Ciência Política pela Universidade de
Cornell, nos EUA, foi o responsável pela análise da Declaração Universal dos
Direitos Humanos, proclamada pela ONU em 1948. O décimo segundo capítulo,
sobre a Carta da OEA, foi escrito por Mônica Herz, Doutora em Relações
Internacionais pela London School of Economics and Political Science. Para ela, é
importante entender esse tratado a partir do contexto histórico do final da Segunda
Guerra Mundial, no qual era necessário “adaptar o sistema interamericano à nova
realidade internacional e, em particular, à estrutura institucional e jurídica criada
pela constituição da ONU”.

O Tratado de Roma, de 1957, marco do processo que conduziu à União Européia,
foi analisado por Marcos de Azambuja, vice-presidente do Centro Brasileiro de
Relações Internacionais. Por fim, os dois últimos capítulos falam do Tratado de
Não-Proliferação Nuclear, de 1968, e do Protocolo de Kyoto, de 1997,
respectivamente analisados pelo Diplomata e Secretário Executivo da Agência
Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Luís Fernando Panelli César, e
por Fernando Gabeira, jornalista, escritor e deputado pelo Partido Verde.

No dia 10 de junho, às 19h00, acontecerá na FNAC-Pinheiros um debate com
alguns dos autores do livro: Demétrio Magnoli, Elaine Senise Barbosa, Flavio de
Campos e William Waack. O evento será mediado por Heródoto Barbeiro e
transmitido ao vivo pela CBN.

								
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