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					Livro: o Cortiço

Autor : Aluísio de Azevedo

Capítulos: 23

Ano de Publicação: 1890

       O cortiço é um romance de autoria de Aluísio Azevedo e foi publicado em
1890. É um marco do Naturalismo no Brasil, onde os personagens principais são os
moradores de um cortiço no Rio de Janeiro, precursor das favelas, onde moram os
excluídos, os humildes, todos aqueles que não se misturavam com a burguesia, e todos
eles possuindo os seus problemas e vícios, decorrentes do meio em que vivem.

       O autor descreve a sociedade brasileira da época, formada pelos portugueses, os
burgueses, os negros e os mulatos, pessoas querendo mais e mais dinheiro e poder,
pensando em si só, ao mesmo tempo em que presenciam a miséria, ou mesmo a
simplicidade de outros.

       Essa obra de Aluísio Azevedo tem dois elementos importantes: primeiro, o
extensivo uso de zoomorfismo; e, segundo, cria um microcosmo (Que é o cortiço do
título). O cortiço também é ostensivamente personificado no decorrer da obra, sendo
muitas vezes tratado como um único personagem ("Eram cinco horas da manhã e o
cortiço acordava, abrindo, não os olhos, mas a sua infinidade de portas e janelas
alinhadas.", capítulo III).

Foi a primeira obra a expor um relacionamento lésbico.

João Romão foi, dos treze aos vinte e cinco anos, empregado de um vendeiro que
enriqueceu entre as quatro paredes de uma suja e obscura taverna nos refolhos do bairro
do Botafogo; e tanto economizou do pouco que ganhara nessa dúzia de anos, que, ao
retirar-se o patrão para a terra, lhe deixou, em pagamento de ordenados vencidos, nem
só a venda com o que estava dentro, como ainda um conto e quinhentos em dinheiro.
Proprietário e estabelecido por sua conta, o rapaz atirou-se à labutação ainda com mais
ardor, possuindo-se de tal delírio de enriquecer, que afrontava resignado as mais duras
privações. Dormia sobre o balcão da própria venda, em cima de uma esteira, fazendo
travesseiro de um saco de estopa cheio de palha. A comida arranjava-lha, mediante
quatrocentos réis por dia, uma quitandeira sua vizinha, a Bertoleza, crioula trintona,
escrava de um velho cego residente em Juiz de Fora e amigada com um português que
tinha uma carroça de mão e fazia fretes na cidade. Bertoleza também trabalhava forte; a
sua quitanda era a mais bem afreguesada do bairro. De manhã vendia angu, e à noite
peixe frito (...)

        O romance não se concentra em um personagem apenas, mas no início, a ação
está mais ou menos centrada no português João Romão, ganancioso e avarento
comerciante que consegue enganar uma escrava trabalhadeira chamada Bertoleza
(Aluísio várias vezes menciona o conceito racista de que Bertoleza era submissiva e
trabalhadeira por ser negra), conseguindo assim, uma empregada que trabalhava de
graça. João Romão privava-se de todo o luxo, e só gastava dinheiro em coisas que
faziam-no ganhar mais dinheiro. Foi assim que ele começou a comprar terreno e
construiu o Cortiço.

        Miranda, vizinho rico de Romão, e também português, que vivia no luxo,
começa a questionar o modo que conseguiu a riqueza, (Se casou com uma mulher rica,
Estela, e eles se odeiam mutuamente) e a invejar João Romão, enriquecendo por conta
própria. João Romão, que continua enriquecendo, constrói uma pedreira, e contrata o
português Jerônimo para supervisionar os trabalhadores.

        O que se segue é a transformação de Jerônimo, de um português forte,
trabalhador e honesto em um brasileiro malandro e preguiçoso, (Seguindo os preceitos
naturalistas de que o meio determina o homem) graças à sua atração por Rita Baiana,
uma mulata que morava no cortiço. Jerônimo briga com Firmo, namorado de Baiana, é
esfaqueado e vai para o hospital. Após sair de lá, embosca Firmo com a ajuda de dois
amigos e o mata a pauladas, jogando seu cadáver no mar. Enquanto isso, João Romão
começa a invejar Miranda, que acaba de conseguir um título de nobreza. E, quando o
cortiço é destruído por um incêndio, ele o reconstrói, mas desta vez, para a classe
média, ao invés da ralé que morava lá antes. Depois, ele começa a comprar coisas caras
e se interessa em se casar com a filha de Miranda, para se tornar nobre também. Mas há
um problema: Bertoleza.

        João Romão arma um plano para se livrar de Bertoleza. Ele avisa ao dono dela
(Pois ele havia forjado a carta de alforria) de seu paradeiro, esperando que ele a pegasse
de volta. Mas, quando o dono dela vem buscá-la, ela se mata, abrindo a barriga com a
mesma faca com que cortava peixe.

         Logo após, João recebe um diploma de sócio benemérito de uma comissão de
abolicionistas.

         APROFUNDAMENTO

         O livro além de transformar o homem em um animal (em um processo
conhecido por zoomorfismo), personifica o cortiço, que vai nascer (tendo,
simbolicamente, como pai João Romão), crescer, espalhar-se (reproduzir-se) e morrer.
Os personagens vão ser tratados como uma conseqüência do protagonista, não são
causa, são efeito do cortiço, que vai determinar seu comportamento.

         Todo personagem que conviver com pessoas consideradas de baixo nível, irão
desvirtuar-se, como Pombinha, por exemplo. Era loura, íntegra, moça de boa família.
Foi rica até ser órfã de pai, que se suicidou ao falir, deixando-a pobre com sua mãe. Foi
descrita como a flor do cortiço. Mas Pombinha convive em um lugar com pessoas
humildes, que irão desvirtuá-la. Pombinha conhece Léonie, uma prostituta que irá se
relacionar a ela, surgindo o lesbianismo.

         Jerônimo era um rapaz trabalhador, honesto, vivia para a mulher, que também
vivia para ele, ambos tinham se mudado de Portugal em busca de melhores condições
no Brasil. Amavam-se profundamente. Jerônimo vai trabalhar em uma pedreira e se
hospeda com sua mulher no cortiço, lá conhece Rita Baiana, uma brasileira festeira,
bonita e sensual. Por causa de Rita, Jerônimo passa a beber, tomar café e reclamar do
trabalho, segundo o autor, características dos cabras (brasileiros), isso mostra uma
característica forte do Naturalismo, o determinismo, como o homem é produto do meio.
Se apaixona pela baiana e, após algum tempo, faz-se um relacionamento extraconjugal.
Jerônimo abandona a mulher e vai viver com Rita. Piedade, abandonada, começa a
beber.

				
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posted:3/10/2012
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