Quero chegar ao ponto by HC12031008459

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									                           Um ano depois....
Este trabalho acadêmico foi desenvolvido em meu primeiro semestre
na faculdade e tinha por objetivo levantar mais questões do que
propriamente resolvê-las. Porem, com todo o idealismo ao qual
chegamos a Universidade, o qual não me permitiu que na época eu
pudesse observar e remodelar algumas afirmações no texto que hoje
considero não terem esclarecido da forma que eu objetivava e nem
se mostraram tão interessantes como eu mesmo imaginava. Mas
como não se tratava de uma Tese e ainda mais, por muito pouco
saber e “imaginar” tratar-se de uma verdade ou de um conjunto de
verdades que pouco pudessem ser refutadas, acabei por
comprometer o real objetivo ao qual havia me proposto.Mas é válido
como fonte de pesquisa. Gostaria muito que aqueles que tiverem a
paciência de ler e a humildade de compreender o idealismo ao qual
eu estava subjetivamente compenetrado (aqueles que estiveram
comigo no primeiro ano se lembrarão que o mesmo de certa forma
ocorreu com eles. Todos éramos sonhadores com a mudança a qual
a universidade nos submete), me escrevam discordando ou até
mesmo concordando com alguns aspectos do texto.
Compreender a sociedade, a qual eu tento retratar no texto, é
conhecer um pouco mais de nosso meio, suas raízes e um pouco da
sua lógica social. O fruto de uma miscigenação, que começou muito
anteriormente na própria Europa, mas é na América Latina e
principalmente no Brasil, que este caldeirão de culturas e etnias
iriam formar um aspecto maravilhoso e assustador de uma mesma
realidade. Mas isto é assunto para um próximo texto. Agora
aconcheguem-se em suas cadeiras e uma boa leitura.

              Carlos Ignácio Pinto. djcip@hotmail.com




                                  Indice

Introdução - pp. 2

I. Um pouco de História - pp. 3
1.1 A Espanha Pré-romana - pp. 3

1.2 As primeiras colonizações - pp. 3

II. A Espanha Romana - pp. 3

III. O Cristianismo na Península Ibérica - pp. 4

3.1 Razões do triunfo do Cristianismo na Civilização Ibérica - pp. 5

IV. Decadência do Império e consolidação do Cristianismo - pp. 6

V. A Espanha Visigoda - pp. 7

VI. O domínio muçulmano - pp. 7

VII. A Espanha Feudal ou Capitalista? - pp. 8

VIII. A Guerra de Reconquista - pp. 10

IX. O Ibérico durante o início das Grandes Conquistas e como é sua

  maneira de ver e intervir no meio que acaba de descobrir. Sua

  mentalidade e seus costumes. O Ibérico conquistador - pp. 10

9.1 O valor da nobreza - pp. 11

9.2 A religiosidade; o “ser” cristão para o ibérico - pp. 11

9.3 O valor da Honra - pp. 12

X. Conclusão - pp. 13



                                Introdução

      Ao analisarmos sobre a população brasileira bem como a
sociedade que ela forma, percebemos os vários costumes comuns a
esta sociedade bem como sua tradições e cultura. Quase nunca nos
perguntamos de onde provêm, qual a origem de tais costumes ou
quais seus significados. Determinadas características já se fazem
comum a alma e a cultura do Brasil. Suas festas, suas crenças a
religiosidade, a superstição, bem como infinitas características que
já fazem parte do convívio comum.
       Muitas dessas características surgem logo na formação deste
país, vindas junto com seus primeiros colonizadores, são costumes
que vêm e perpetuam-se na tradição do Brasil, costumes Ibéricos e
Africanos, vindos com senhores, escravos, lavradores, homens livres
e demais pessoas que viessem tentar a sorte em terra tão longínqua
que apesar da distância de sua terra natal, trazem consigo todas as
características de suas sociedades. Porem, neste trabalho pretendo
me dedicar apenas a formação da cultura e mentalidade Ibérica que
em muito irão influenciar a formação de nosso povo. Quero chegar
ao ponto, a época das grandes navegações e descobrimentos, como
pensavam as pessoas desta época , porque certos costumes, como
agiam as vezes diferentemente de suas ideologias ou concepções,
as ideologias de classes, a religiosidade tão forte e presente aos
Ibéricos e enfim tudo o que pudesse estruturar o homem da época
bem como sua mentalidade.
       Para atingir tal objetivo a que se fazer uma retomada da
formação destes povos colonizadores, suas raízes, como se
estruturaram em uma unidade, pois se partirmos apenas da
retratação e descrição da sociedade época poderemos apresentar
um ótimo trabalho descritivo, porem sem análise e conexão com o
passado que a forma e que se torna tão importante para
compreensão de determinados pontos referentes a esta monografia.
A primeira parte do trabalho se refere a exatamente a este assunto ,
um pouco da História da civilização Ibérica para não termos apenas
dados relatados sem nenhuma conexão com passado, presente ou
futuro como se de uma certa forma fosso possível a dissociação
desta descrição com a análise de seu passado.
       Esta monografia irá tratar da Península Ibérica como um todo,
não apenas de Portugal, pois o que este trabalho trata é realmente
caracterizar a sociedade que iria formar e constituir uma enorme
parte deste novo mundo que acabava de surgir aos olhos dos
europeus e que nenhum mais conseguiu tamanhas extensões de
territórios como os Ibéricos que por sua vez tambem foram pioneiros
nestas conquistas.
       A este povo que coube tamanha precocidade mas tambem a
responsabilidade pôr desmoronamento de seu império e que
pretendo relatar, e de como a mentalidade bem como sua forma de
agir tiveram pôr responsabilidade direta o fator determinante para
apogeu e queda de suas conquistas.




I- Um pouco de História

1.1- A Espanha1 pré-romana

      Devido a sua posição ( com relação ao estreito de Gibraltar), a
Espanha permitiu um grande acesso aos povos vindos da África
para a Europa e quase que certamente os 1º povos a habitarem a
Península Ibérica foram os Iberos vindos da África que se fixaram na
região da Andaluzia e depois migram para o Tejo e o Doro e para as
costas do Mediterrâneo . Possivelmente eram descendentes de
Libio-camitas.
      Outros povos também migram para a Espanha como os
Tartesos que também se fixam na Andaluzia, aos Celtas
(provenientes do leste europeu); os Celtiberos e os Bascos que até

1
 Espanha nesta monografia se refere a toda a Península Ibérica, pois uso como referência a designação
romana para todo o território que constituía os atuais países de Espanha e Portugal.
os dias atuais se constituem em povos quase que totalmente
diferentes do restante de Espanha.

1.2- As primeiras colonizações

       Vários povos já civilizados (no sentido de organização
territorial e social) entraram em contato com os povos Ibéricos
anteriormente aos romanos e foram os primeiros a tentarem uma
colonização do território, como os Egeu-Cretenses entre 1500 e
1200 Ac. , que não nos interessa muito pois não deixaram
influências nestes povos; a colonização Fenícia (1100 Ac.) que deixa
sua influência de certa forma no comércio, pois são ótimos
comerciantes e fundam a primeira cidade do Ocidente, Cades, logo
depois Malaca, Abdera e Carteria , cidades colonias toalmente
independentes.
       A mais importante colonização da Península anterior aos
romanos é a colonização Grega , pois esta deixa influências
bastante profundas aos povos Ibéricos. Chegam entre os Séculos
VIII e VIII Ac. e ocupam os espaços deixados pelos fenícios que
entram em decadência devido a guerra com os Assírios.
       Kolaios de Samos descreve através de lendas e descrições a
ida para a Península Ibérica dos gregos que partiram da Fócida em
776 Ac. (ano da primeira Olimpíada da Antigüidade) com destino ao
Ocidente. Fundam a colônia de Massalta (Marselha) e a colonização
Grega se extende do século VIII ao III Ac. somente decaindo com a
chegada dos cartagineses . As principais influências dos gregos são:
Cultura dos povos litorâneos, desenvolvimento do alfabeto na região,
introdução da cerâmica e introdução do cultivo da oliveira e da
videira que até hoje são cultivados e representam uma fator
econômico expressivo na região.
       Os cartagineses chegam a península, devida as derrotas nas
guerras púnicas, pois procuravam riquezas para o pagamento da
indenização imposta pelos romanos. Despertam pela primeira vez o
sentimento de unidade e defesa de certos povos ibéricos.
       Durante a segunda guerra Púnica Anibal usa a Penisula como
retaguarda de abastecimento de defesa para seu exército de cavalos
homens e elefantes que avançam em direção a Roma. Esta guerra
termina em 202 Ac. com a vitória dos romanos e os mesmos
começam a efetuar a ocupação da Península em 206
(anteriormente a vitória pôr uma questão de estratégia de derrubada
da retaguarda) e só a efetuam 200 anos depois.

II- A Espanha Romana.

       Depois da vitória contra os Cartagineses, os Romanos que já
estavam na península Ibérica decidem efetuar sua conquista que
dura aproximadamente 200 anos. Entre 206- 197 Ac. ocorrem
revoltas nativas contra o domínio romano que os obriga a pagarem
altos tributos e quem se rebela contra o império romano é
escravizado, outro fator que provoca mais revolta a estes povos.
       A diferença da colonização do Império Romano aos anteriores
consiste na organização dos territórios ocupados, pois Roma
promove uma organização ágil e eficiente, pois sabe administrar os
territórios conquistados. Roma divide a Hispânia em duas: Hispânia
Citerior(próxima a cidade de Roma) e Hispânia Ulterior (afastada da
cidade de Roma).
       As legiões romanas ocupam o interior do território ibérico , tem
nos Celtiberos a sua maior resistência e Roma acaba pôr aniquilar
os chefes das tribos. Roma promove o domínio pela força e acordos
de paz para depois desfazer-se deles com uma prática chamada de
Perfídia (traição).
       Roma enfrenta várias revoltas nativas e há que se destacar a
dos lusitanos sob comando de Viriato que será morto pela prática da
perfídia, pois será traído em uma emboscada a qual se dirigia pôr
pensar tratar-se de um acordo de paz para com os romanos. Um
episódio interessante na guerra entre Lusitanos e Romanos é o
episódio da cidade de Tycca que oscilava entre o domínio romano e
Lusitano e acabou aniquilada e destruída pôr sua ambigüidade .
Outra revolta que acabou pôr pertubar os romanos se refere a dos
numantinos e a cidade de Nomancia que foi declarada o “terror da
república”. A vitória dos romanos sob comando de Cipião sobre os
Numantinos fica conhecida como a vitória sobre os mortos, pois na
cidade já não existiam mais sobreviventes.
       A partir de 133 Ac. já não há mais resistências para a
expansão romana e Roma conquista o centro da Espanha. Tão
logo Roma conquistou o território ele organizou as leis para o
ordenamento social com os direitos e deveres do cidadão. A
Espanha forneceria ao mundo romano cereais, vinhos e azeite . A
península Ibérica se torna tão importante ao mundo romano que de
seus territórios saem 5 imperadores: Galba, Trajano, Adriano,
Maximo e Teodósio.
       Em 132 Ac. 10 senadores percorrem toda a Espanha e a
dividem em 829 cidades, aldeias e territórios, e a partir desta divisão
organizam conforme suas leis, cada uma destas unidades, com
características específicas.
       Toda a estrutura administrativa romana era burocratizada o
que exige um número elevado de funcionários que colocam o
interesse particular sobre os interesses do império (basta procurar
um pouco que já começamos a achar costumes que perdurem até
os dias atuais em nosso país, até mesmo em sua organização).
       A população na época do auge do império romano se
aproximava de um número de 30/40 mil habitantes nos chamados
municípios, nas cidades; era nas cidades que se vivia o império
romano. Na decadência do império romano surgem as vilas e as
vidas deixam de ser urbanas para gradativamente se tornarem rural.
A decadência romana se dá através da falta de desenvolvimento das
técnicas de produção pois todo o sistema era baseado na produção
escravista. Aos poucos as cidades vão desaparecendo, surgem as
villas, os grandes latifúndios, economia de subsistência e o que
alguns irão chamar de surgimento do feudalismo, mas ponto de
discussão este (sobre feudalismo na Espanha) que iremos abordar
em um outro capítulo.
       Um ponto interessante sobre o domínio romano, alem de sua
organização, era a comunicação entre os territórios conquistados e
as vias terrestres que só eram usadas para movimentação das
tropas e comunicação como um serviço de correios. A tração animal
não era usada, pois os romanos não conheciam as qualheiras ( o
peitoral do cavalo).
       O comércio era pequeno, pois o governo das aristocracias não
se preocupava em gerar riquezas, apenas consumi-lás. A educação
é aplicada somente a uma elite e os pedagogos eram os gregos. OS
romanos permitiam qualquer tipo de celebração religiosa , os
romanos não se preocupavam com isto, eram totalmente cépticos,
mas somente até a chegada do cristianismo que será nosso próximo
capítulo, pois os romanos permitiam qualquer celebração desde que
não ameaçasse a estabilidade da situação.
       O império romano iria pôr decair , mas suas influências na
Espanha seriam adquiridas para sempre (ou melhor até os dias
atuais) seja na sua organização, seja em seus costumes e é
exatamente durante o império que chega a península uma de suas
mais fortes características (se não for a maior), o Cristianismo que é
nosso próximo ponto.

III- O Cristianismo na Península Ibérica.

       O Cristianismo chega a Espanha com a atividade comercial,
provavelmente com apóstolo São Paulo, pois em Carta aos
Romanos (Rom. 15,24 e 28), de fevereiro de 58 sobre sua ida á
Espanha .. Neste trabalho não vou analisar as duas outras
hipóteses, dos Sete Varões Apostólicos e sobre São Thiago de
Campostela, pois iria pôr prolongar demais esta monografia. Ao lado
da mudança nos terrenos político e econômico, se uniu a grande
comoção espiritual que representou a predicação e o triunfo do
Cristianismo.
       De fato para a Península Ibérica, a civilização romana não
alcançou seu verdadeiro valor até que se uniu ao cristianismo. São
inseparáveis, desde que, pela igreja é que se tornou possível
persistir na Espanha (província), uma grande parte do legado
romano. Graças ao império, o Cristianismo se prendeu a esta, para
mais tarde se converter no mais decisivo fator espiritual da formação
de sua civilização.

3.1 Razões do triunfo do Cristianismo na civilização Ibérica.

      Entre todas as religiões, foi o Cristianismo a que mais se
apoderou profundamente do corpo e da alma do Império Romano.
Em 50 anos espalhou-se pôr todas as partes, penetrou no exército,
no Senado e em todas as classes Sociais. Conquistou os pobres e
ricos , ignorantes e letrados e estabeleceu uma hierarquia sensível,
porem, sólida , fundamentada em princípios rigorosamente
autoritários. Daí em diante, o Cristianismo poderia lutar, de igual
para igual, com o Império.
      Pergunta-se a que atribuir esta rápida difusão da mensagem
de Cristo durante meio século?
      Podemos responder, à bancarrota dos princípios sobre os
quais se baseava o mundo grego -latino e que pelo espaço de mais
de dois séculos, havia se tronado desprezível e odioso aos olhos
das multidões.
       A civilização grego-romana foi aristocrática e política, havia
criado o estado perfeito, esplêndido, justo, culto que deveria ser o
orgão das mais altas virtudes do espírito humano, e a desigualdade
moral dos homens era o princípio sobre o qual descansava o mundo
antigo.
       O Cristianismo pelo contrário, ao afirmar a igualdade moral dos
homens, destruía pela raiz todas essas formas aristocráticas da
sociedade e do governo. Ao proclamar como o fim da vida e
consecução de um ideal de perfeição pessoal, religiosa e moral,
declarava carentes de toda importância e perfeição o poder do
estado, os quais eram considerados pelos antigos como a maior dos
bens. Enquanto o Império se mostrou forte e próspero, enquanto a
aristocracia que o governo gozou de um grande prestígio, tais
princípios não conseguiram difundir-se. Porem, quando no século III,
foi destituída a aristocracia e quando o esforço realizado culminou
com os piores ditados da violência, na destruição de todos os
princípios de legitimidade, no sistema tributário e arrecadador mais
cruel, nas contínuas guerras civis, no permanente estado de
anarquia, as doutrinas cristãs tornaram-se aparentemente as únicas
capazes de resolver os enigmas insolúveis do momento.
       Desesperados na tentativa de eliminar os terríveis males do
Império os homens dispensaram a melhor acolhida a uma doutrina
que ensinava-lhes que estes males tinham uma importância mínima
e que cada um deles poderia achar pôr si mesmo a perfeição, a
felicidade e a salvação.
       As numerosas instituições de socorro e de benefícios que o
Cristianismo havia fundado, contribuíram em grande parte para seu
triunfo. Estas Instituições poderiam levar a cabo sua missão graças,
sobretudo aos donativos que os ricos em vida ou em testemunho,
dispunham para os fins mencionados. A Igreja ia assim constituído
um imenso patrimônio, era um grande instrumento de poder, porque
em meio das crises, da miséria, da incerteza geral das populações,
acontecidas no século III, as instituições de benefício adquiriram o
aspecto de um posto de salvação, de um refúgio de graças em meio
a tormenta.
       Apesar disto, a nova religião não gozou de favores dos
imperadores do período e foi perseguida pôr alguns deles, como
Décio, Valério e Deocleciano.
       O espírito do Cristianismo da época explica essa desconfiança
dos poderes públicos. Com efeito, a nova religião era, para o
Império, uma força dissolvente porque predicava que o cristão
deveria se afastar dos cargos públicos das honras e das atividades
que poderiam pôr em perigo a sua fé. Como seu abstencionismo, o
Cristianismo escavava as bases do Império ao privar o governo de
homens inteligentes, ilustrados e honrados pertencentes ás classes
superiores.
       Numerosos cidadãos romanos que poderiam e deveriam,
segundo as antigas doutrinas, assumir os cargos públicos ,
preferiam fazer doação de seu patrimônio a igreja e buscar refúgio
na religião.
       Esta atitude acarretava para o exército um prejuízo maior do
que para os serviços civis. No século II o Cristianismo havia
afirmado não ser permitido ao homem o uso de espada, porque
“quem com ferro fere será ferido”; ainda em relação a este aspecto,
que “o senhor ao desarmar o Apóstolo Pedro”, havia demonstrado
claramente sua vontade de que cada soldado depusesse suas
armas .
       Quando Deocleciano assumiu o Império (284) já não eram
mais visíveis os elementos de destaque do helenismo e da
romanidade e as tentativas posteriores de reação nada mais
adiantaram. O Antigo Império estava em seu ocaso, totalmente
transformado e com o Cristianismo estabelecido como um elemento
de nova força em toda a sua extensão.
       Outras razões para o triunfo do Cristianismo.
       1º Dava as mulheres plenos poderes de participarem do culto
enquanto outras religiões rivais não;
       2º perseguição das autoridades romanas. O que fortaleceu
enormemente a coesão do movimento, uma vez que aqueles que
permaneciam na fé deviam estar prontos para morrer pôr suas
convicções;
       3º enquanto as outras religiões giravam em torno de figuras
imaginárias e criaturas de lendas grotescas, o Cristianismo possuía
como fundador um indivíduo histórico, de personalidade bem
definida;
       4 º dados seus ensinamentos, exercia grande atração sobre os
pobres e oprimidos sem qualquer mistério;
      5º incluía o ideal de igualdade de todos os homens perante
Deus, seu fundador e alguns de seus discípulos deste condenaram
o rico e exaltaram os humildes;
      6º propagou uma nova moral extraordinariamente democrática,
tendo como virtudes primordiais a brandura, a humildade e o amor.
      Obs: Talvez fossem essas qualidades mais capazes de
encontrar uma pronta aceitação entre as massas desesperadas, que
desde muito tempo haviam perdido a esperança de melhorar a sua
condição material.
      Observação Histórica: A medida que se afirmava o êxito do
movimento desenvolveu-se a desinteligência dentro de suas fileiras
e só na idade média vão sendo fixadas as bases da doutrina cristã.

IV- Decadência do Império e consolidação do Cristianismo.

       No início igreja representava um conjunto de fiéis, com seus
testemunhos, surgem várias interpretações da palavra entre o
Oriente e o Ocidente e em 325 no conselho de Nicéia                   é
estabelecido o credo (base do doutrina ), acrescendo-se aí os
elementos que a Igreja irá exigir de seus fiéis. Cria-se a “Igreja”
propriamente dita que seria responsável pela organização e o Clero
que seria responsável pela divulgação. Gradativamente sob
influência dos mistérios criados (várias interpretações, o ritual do
Cristianismo alcançou um tal grau de complexidade que o Clero
Profissional pareceu tornar-se indispensável.
       Em 312 Constantino declara tolerar a religião católica , porem,
após Constantino, Juliano destitui o Cristianismo para tentar
organizar o estado sob um aspecto político, contudo, sua tenativa foi
falha, pois pôr mais que se combatesse o Cristianismo, parecia que
mais este ganhava força até que Teodósio adota a fé e “civiliza a
Cristianização” .
       Teodósio molda o Cristianismo conforme os interesses do
estado e a partir daí surge a maior dentre todas as instituições, a
igreja. Ir contra a igreja era ir contra o próprio estado. A igreja que
até dois séculos anteriores era perseguida passa a ser a
perseguidora. Quando os bárbaros entram no Império a única
instituição que resta é a Igreja, que perpetuara até aquele momento
o Império. A diocese será a sede administrativa da igreja e no ano
de 314 no Concílio de Liberis com a reunião de 19 bispos mostra-se
como toda a península Ibérica já estava cristianizada (o bispo de
Osio (espanhol) que ajudou na redação do credo, foi conselheiro de
Constantino e mostra a ligação da Penísula Ibérica com o
Cristianismo.
       Dentre todos os pontos o mais importante ressaltar é de como
daquele momento em diante o Cristianismo iria fazer parte da vida e
da alma do Ibérico, sendo dois elementos indissociáveis, o espanhol
e o Cristianismo. Todo modo de organização do Império romano irá
se perpetuar nos meios de organização da Igreja. Esta pôr sua vez
não possuía um modo específico de organização , pôr isso sua
administração se baseia na antiga organização do Império, até
mesmo em sua hierarquização. Na época dos grandes
descobrimentos esta religião, apesar de que já bem distorcida em
seus fundamentos e interpretações, irá se estender até os territórios
conquistados e irá de uma certa forma , moldar estes povos que
começavam a se formar, pôr isto não é de se estranhar que o Brasil
represente a maior nação católica do Mundo.

V- A Espanha Visigoda.

      Com a gradativa queda do Império e a sucessiva entrada dos
povos chamados bárbaros pelos romanos, os mesmos acabam pôr
se infiltrar e conquistar toda Espanha e Eurico chefe dos visigodos
acaba pôr se tornar o primeiro rei visigodo da Espanha, não havendo
resistência romana. Estabelece duas regiões de domínio Visigodo, a
Espanha e a Gália (Sul da França). Para efetuar , organizar e fazer a
manutenção do governo sobre seus territórios cria o 1º código de
leis dos visigodos (código de Eurico). Através disto estabelece e
organiza a vida dos visigodos conforme o direito romano.
      De 485 a 583, pôr estarem em pequeno número de população
(cerca de 200 mil ; 2/3 da Espanha), não conseguem se reunir para
eleição de um rei comum, pôr isso, cada região possuía seu rei
instaurando neste período uma época de Anarquia.
      Recaredo em 589 percebe que seus conflitos são mais de
ordem religiosa do que política e que o Arianismo esta em
decadência então convoca os Bispos e nobres e faz com que os
visigodos se convertam ao Cristianismo, conseguindo assim apoio
da maioria da população. A igreja santifica seu reinado,
demonstrando que quem fosse contra seu governo seria contra a
Igreja; Uniu-se o poder político ao poder religioso; a partir desta data
nenhum rei da Espanha seria rei sem a santificação da Igreja. Era o
triunfo da Igreja Católica na Espanha.
       Como o domínio          Visigodo apoiou-se nas formas de
organização romana, quase pelos mesmos motivos, o mesmo entra
em decadência e povos escravizados que eram cristãos começam a
questionar-se o porque que a igreja de certa forma apoiava a
escravidão daquela época, pois de nada como ação contrária a
esta situação realizava . Pesados impostos recaem sobre a força de
produtiva porque a igreja também começava a cobrar seus direitos.
Nesta mesma época começa a perseguição dos judeus dando início
aquilo que chamo pôr câncer da intolerância religiosa que perduraria
até o Séc. XIX. Os judeus constituíam uma força contrária aos
poderes religiosos e políticos.
       A Espanha Visigoda entra em total decadência e começa a se
dar rumos ao Feudalismo, estando cada vez mais próximo desta
vertente do restante europeu, principalmente na França. Em 711
começa a invasão muçulmana vinda da África e que rapidamente irá
tomar toda a Espanha, pois o povo cansado da exploração aceita ,
conforme dito popular, de braços abertos, pois o povo que aceita a
dominação não é tributado.
       Um último parecer sobre a Espanha Visigoda é sobre os
Historiadores romanistas que dizem que a Espanha foi conquistada
pelos Germanos , porem não foi Germanizada. O império decadente
é assumido pelos Visigodos , Império em fase de transição (
Feudalismo) e quando chegam apenas adaptam-se a esta transição
sem poder interferir ou mudá-la (no séc. IV já quase não havia
comércio no Império romano do Ocidente). Os Visigodos se vem
envolvidos no processo.

VI- O domínio Muçulmano.

     O domínio muçulmano começa em 711 e só termina em 1492
com a guerra de reconquista dos Hispanos-godos. Tarik é o
responsável pela conquista muçulmana na Espanha , sob o
comando do califado de Damasco. O estreito de Gibraltar possui
este nome devido a Tarik ( Geb al Tarik Montanha de Tarik).. Em
912 é criado o califado de Córdoba (Espanha) que possui uma
enorme riqueza e é muito próspero, tanto que depois da morte do
último califa . o poder irá se fragmentar , pois cada um iria
ambicionar uma parte desta riqueza e prosperidade que decretará o
fim do califado de Córdoba. Começa aí o reino de Taifas (domínios
provinciais), cada um com seu governante tendo para si o domínio
político e econômico da região.
       A grande vantagem dos árabes era que difundiam em seu
Império tudo que aprendiam com outros povos, bastando citar que
enquanto a Europa vivia quase obscura em seu feudalismo, a
Espanha muçulmana experimentava o progresso, a ciência, a
medicina,etc...
       Em 1268 durante a guerra de reconquista os cristãos tomam a
capital da Espanha muçulmana , Toledo,             e restava     aos
muçulmanos seu último reduto, o reino de Granada . A guerra de
reconquista é um outro capítulo que veremos a parte , pois dela vem
o sentido das muitas características dos Ibéricos durante as grandes
navegações e a mesma norteia a organização de vários territórios.
       Não houve como escapar da discussão sobre a tema da
Espanha Feudalista ou não ? dedico um capítulo pequeno a esta
discussão pois nós termos desembaraçado de nossas vistas este
caráter econômico, permite-nos a compreensão de muitos outros
assuntos e discussões e não há como desvincular a vida econômica
da vida social a qual é base de nossa monografia.

VII- A Espanha Feudal ou Capitalista ?

       A controvérsia quanto ao fato da América Latina possuir
características feudais ou capitalistas poderá parecer acadêmica
mas durante muitos anos , o movimento reformista baseou sua
estratégia política na seguinte proposição:
       A Espanha era um país feudal.
A principal tese do movimento reformista consiste em definir a
Espanha como um país feudal, caracterização que ganhou
credibilidade graças a sua repetida formulação. Os historiadores
liberais do século XIX fabricaram uma imagem falsa da Espanha ,
uma avaliação que servia mais á política imediata do império
britânico do que a História. O conceito de Espanha Feudal adquiriu
uma significação especial no Século XX e seus porta vozes são os
sociólogos e políticos pseudo-esquerdistas que confundem atraso
econômico com feudalismo ou latifúndio com feudalismo.
       Esclareçamos esses conceitos . Quais foram as características
gerais dos sistemas feudais (feudais pois o feudalismo não existiu
com uma forma única )? O feudalismo era um sistema agrário
baseado na troca sem salários, pois os serviços eram pagos com
terra, alojamento e alimentos . Sua estrutura social estava baseada
em relações de servidão Vassalagem, com castigo para aqueles que
abandonassem o feudo, etc... No plano político era caracterizado pôr
uma monarquia débil e uma nobreza independente . Este regime
fixou suas primeiras raízes no final do Império Romano, chegou a
sua culminância entre os Séculos IX e XII e declinou na Baixa Idade
Média . O que minou a estrutura feudal foi o choque entre a cultura
muçulmana e a européia ao longo de sete séculos. Os turcos, os
árabes e os judeus invadiram o “Mare Nostrum” , criaram fábricas e
venderam suas mercadorias nos feudos. A classe média cresceu.
Uma nova classe social, a burguesia comercial surgiu nos arredores
dos castelos e os servos começaram a transferir-se do campo para a
cidade . Os banqueiros venezianos e bálticos foram modificando
paulatinamente a vida econômica e social da Idade Média . Uma
economia monetária.
       A Península Ibérica encontrava-se na vanguarda desse
processo. Portugal em 1381, presenciou a primeira revolução
burguesa, quatro séculos antes da França. A burguesia comercial de
Lisboa, vinculada ao comércio com Flandres, eliminou os senhores
feudais do poder. O fracasso final da revolução demonstrou que as
condições não estavam maduras para o triunfo da burguesia mas a
ascensão desta refletiu-se no comércio com o Atlântico Norte, nos
planos de D. Henrique, o navegador e sobretudo nos
descobrimentos do século XV.
       Pôr motivos diferentes a Espanha tinha menos características
feudais do que outros países europeus :
1. A prolongada invasão muçulmana teve efeitos específicos sobre a
   Espanha: Interrompeu, ou melhor, modificou o curso do
   desenvolvimento feudal que havia surgido na Espanha visigoda.
   Os árabes infiltraram-se na Europa central e meridional em um
   ritmo impressionante, inclusive para historiadores acostumados a
   ver a história do ponto de vista europeu. A civilização muçulmana
   foi absorvida pela sociedade espanhola e deu um estímulo
   extraordinário ao comércio, principalmente sob Abderraman III, no
   século X. Enquanto o resto da Europa vivia sob um regime de
   economia natural, a Espanha realizava um comércio relativamente
   ativo. Ao árabes promoveram o progresso agrícola e industrial.
   Introduziram o açúcar, o algodão e a criação do bicho da seda,
   base da manufatura têxtil. O segredo do renascimento industrial
   na Espanha e Sicília sob os árabes foi a construção de canais. Os
   progressos da agricultura espanhola podem ser percebidos no
   sistema de irrigação , nas obras hidráulicas de Valência,
   Andaluzia e Zaragoza (25.000 acres irrigados) e na atenção com
   que a trataram os homens de ciências árabes.
2. A invasão árabe obrigou a monarquia e a nobreza espanholas a
   revisar o sistema sócio-econômico. Nas regiões mais afetadas
   pela guerra tais como Leão e Castela, surgiu uma população
   camponesa relativamente livre que negou-se a reconhecer os
   antigos vínculos feudais. Como afirmou Smith “Durante mais de
   um século, a fronteira entre a Espanha cristã e muçulmana
   consistiu em uma ampla faixa de terra , desabitada ou pouco
   povoada que só poderia ser colonizada se as terras que a
   formavam fossem oferecidas a preços vantajosos”. Neste
   território o colono típico foi, durante os séculos IX e X, o
   camponês livre que possuía um pequeno terreno. A situação
   destes camponeses mudou durante os séculos posteriores,
   quando os latifundiários organizaram-se mas não caiu no tipo de
   servidão que existia em outros países europeus. Alem disso, nas
   povoações onde os camponeses comprava a proteção do senhor,
   forma estabelecidos vínculos de vassalagem menos rígidos
   rígidos que os feudalismos francês ou do alemão. O feudalismo
   espanhol foi de um tipo sui-generis.
3. A guerra contra os árabes impediu a consolidação dos senhores
   feudais e fortaleceu a tendência centralizadora dos reis. Estes
   tomaram em suas mãos o anárquico comando militar dos nobres .
   Seria exagero afirmar que a Espanha da reconquista era um
   Estado Monárquico e centralizado no sentido moderno, mas não
   se pode negar que os reis exerceram um controle mais ou menos
   rigoroso sobre os senhores feudais ou melhor falando, grandes
   proprietário de terras. Os planos posteriores de consolidação
   feudal foram freados pelos reis católicos que converteram os
   nobres em cortesãos dependentes do trono.
4. Do século XIV em diante uma economia pastoril conhecida como
   Mesta (associação de criadores de carneiros) desenvolveu-se ;
   era uma forma nômade de criação de ovelhas que proporcionava
   lã aos centros têxteis dos Países Baixos. Apesar de sua
   aparência, este sistema de criação de ovelhas não era feudal pois
   a lã produzida era enviada ao mercado internacional. Das
   características da Mesta o emprego de pouca mão de obra e a
   utilização de enormes extensões de terra para criar ovelhas
   produtoras de lã provocaram a migração dos camponeses que
   haviam sido expulsos do campo, para as cidades, o que debilitou
   a servidão. O comércio deste tipo de lã era altamente rentável, o
   que explica a expulsão dos camponeses do campo. As vastas
   extensões de terra não eram necessariamente feudais, a principal
   característica do feudalismo não é a extensão de terra mas o
   sistema de produção agrária, com uma economia natural de troca,
   sem mercados e sem o uso do dinheiro, da moeda, símbolo da
   mercadoria e não a mercadoria em si mesma.
5. A prova mais conclusiva de que a Espanha avançava em direção
   a um capitalismo incipiente, consiste na ascensão de uma nova
   classe social: a burguesia. O capital comercial, acumulado pelos
   mercadores que comerciavam com o Atlântico Norte , Itália, e
   provença , começou a financiar empresas manufatureiras . Reis e
   nobres, endividados devido a empréstimos concedidos pela
   florescente burguesia, viram-se obrigados a permitir sua
   participação, ainda que em pequena escala, nos assuntos de
   estado. Muitos anos antes das classes médias francesa e inglesa
   desempenharam um papel político importante , a burguesia
   espanhola foi reconhecida pelas cortes. No século XI, apareceram
   municípios e já no século XIV as cidades constituíam a parte mais
   importante das cortes espanholas . E a literatura espanhola do
   período reflete com mais vigor que s documentos oficiais a
   influência cultural da classe média em ascensão.

Enfim , a Espanha como um todo apesar de possuir alguma
característica que possa nos submeter a uma interpretação como
característica feudal, mostra-se como uma das precursoras de um
movimento mercantil , mas não podemos deixar de destacar dois
pontos importantíssimos que apesar da centralização precoce do
poder, o poderio da Igreja é ainda muito grande e mesmo com o
declínio deste poder na Europa, em nenhum país europeu este
poder será tão fortemente consolidado como em Espanha, bastando
relembrar a força da Igreja durante a colonização da América e de
que apesar desta Burguesia nascente, esta mesmo nasce em meios
a valores nobres e de corte , o que irá influenciar em muito o
desenvolvimento desta burguesia , bastando citar a falta de um
pensamento de geração de riquezas dos metais preciosos
adquiridos da América o que irá submeter a Espanha e Portugal há
um enorme atraso com relação a países que desenvolvem esta
consciência de geração de riquezas durante o período colonial
Americano e como maior exemplo desta mentalidade cabe a
Inglaterra.




VIII- A guerra de Reconquista.

        A fase de reconquista dura 7 séculos. Os muçulmanos seriam
expulsos politicamente porem continuaram em Portugal e Espanha.
Os Portugueses e Espanhóis são produtos desse período, na luta
contra os muçulmanos. Da simbiose de raças surge o hispânico,
deste processo de miscigenação.
       A guerra de reconquista é fundamental para conseguirmos
entender este Ibérico a que quero chegar em plena época dos
descobrimentos. A motivação pela guerra de reconquista ficava clara
durante as cruzadas que partiam da Europa rumo ao Oriente. É
lógico que o cunho religioso realmente existia , mas as motivações
econômicas eram maiores ainda, até porque desvincular a
população da época da religião católica é quase que extremamente
impossível, pois como pudemos perceber durante o desenvolver
deste trabalho, a religião pertencia a alma do Espanhol. A guerra de
Reconquista é motivada em muito pela religião, mas significava ao
mesmo tempo a retomada de um território rico e que se demonstrava
extremamente próspero durante o domínio muçulmano.
       Durante a guerra de reconquista , para efetuar a ocupação dos
territórios , os mesmos que eram reconquistados dos muçulmanos
eram doados a camponeses que pôr sua vez acabavam pôr ocupar
a propriedade e usá-las como meio de produção.
       O principal fator que quero destacar durante a guerra de
reconquista é que pessoas comuns irão lutar ao lado de nobres e
assim sendo acabam pôr adquirir os valores desta nobreza para si e
no fundo todo Ibérico acaba pôr ser um pequeno nobre e
principalmente um credor da bondade divina, pois estavam lutando
para novamente “levarem” a fé a todos os povos e reconquistar a
terra dos infiéis e mais a frente veremos como esta característica de
credor de Deus irá dar margem a atos que a nós pareciam
incompreensíveis ,como o fato de agirem tão diferentemente daquilo
que pregam.
       Os judeus e muçulmanos serão expulsos e junto com eles toda
uma força de trabalho e mentalidade de desenvolvimento econômico
que já se apresentava tão presente a Península Ibérica,
anteriormente a reconquista.
       O reino de Portugal se forma durante a reconquista e com ele
seu cunho religioso, mas todas as heranças deixadas pelos
muçulmanos não serão abandonadas , principalmente os avanços
técnicos marítimos tão difundidos na escola de Sagres. A Portugal
restava para seu avanço ir de frente contra Espanha ou romper as
barreiras marítimas do Atlântico e se lançar em uma das maiores
epopéias da Humanidade durante as grandes navegações e aqui é
que depois de dar todas estas características é que traço um perfil
do Ibérico profundamente religioso e nobre, com valores que não
possuem um cunho lógico mas que somente um certo grau de
religiosidade unido a certo misticismo e medo de sua própria
sociedade,( pois a estrutura de sua mentalidade e comportamento
residia na compreensão daquilo que o próximo poderia achar ou
julgar) permite-nos compreender.

IX- O Ibérico durante o início das grandes conquistas e como é
sua maneira de ver e intervir no meio que acaba de descobrir.
Sua Mentalidade e seus Costumes. O Ibérico Conquistador.

             “O complexo de procedimentos e de modo de ação que
               constituem a vida diária de cada indivíduo ou de cada
            grupo humano é inseparável, quer das estruturas sociais
         em que se insere, quer das concepções e das idéias que se
          lhe impõem e que representam como que a marca de uma
                                                            época. ”
                                               Marcelin Defourneaux

      Profundamente religioso e pôr certa forma nobre, o Ibérico terá
valores que associado a sua riqueza devido as conquistas, irão
despertar a ira e a aversão do restante europeu, que o próprio
Ibérico admira 1. A análise deste contexto não é tão simples e nem
de uma certa forma fácil, pois devemos abandonar toda a nossa
consciência e mentalidade contemporânea para podermos chegar a
uma análise que realmente nos permita traçar um perfil deste Ibérico
do final do século XV, pois a forma como agem ou pensam a nosso
modo de ver e viver, pode nos remeter á uma análise de valores
comuns a nossa época e não a relatada na monografia.
       Teremos que analisar principalmente dois valores sociais do
Ibérico desta época para em um segundo momento, conciliar os dois
e termos uma idéia do caráter social, ideológico e até mesmo
econômico desta sociedade na época, os valores da nobreza e da
religiosidade, pois tanto o português e o espanhol da época fazem
questão de demonstrar estes valores, até como uma forma de auto
afirmação de soberania sobre os demais estados europeus.


9.1- O valor da Nobreza.

      Analisando a guerra de reconquista, que conforme
Defaourneaux, forjou a Espanha é que podemos entender como se
forma a sociedade e a forma de agir e pensar da mesma. Durante a
luta contra os Mouros, vários indivíduos          livres porem sem
propriedades, lutaram ao lado dos cavaleiros nobres e Ibéricos bem
nascidos, nobres pôr “natureza” , que possuíam valores e costumes
bem definidos. Ao ocorrer esta aproximação, o indivíduo até agora,
um mero servidor da coroa , acaba pôr adquirir para si os valores
desta nobreza. Todos acabam pôr se sentir um nobre ou buscam
um meio para atingir o objetivo do reconhecimento (esta é uma
palavra chave) de sua nobreza, mesmo que não se tratando de um
nobre pôr nascimento (basta citarmos o desejo dos reinóis ao virem
para o Brasil, para acumulação de riquezas , porem não para gerar
mais riquezas, apenas para aquisição do título de nobreza para
assim desfrutar das comodidades proporcionadas pela mesma).
      Não importaria o valor de suas riquezas , se não era um nobre
pôr nascimento, era um nobre pôr ser espanhol. Juntamente com o
valor da nobreza, surge o valor da honra e este sim nos permite uma
avaliação mais profunda e um maior entendimento do Ibérico, pois

1
 Defourneaux, Marcelin. A vida quotidiana em Espanha no Século de Ouro; Editora Livros do Brasil,
Lisboa, Cap. II, pág. 37.
este valor associado ao valor cristão é que irão moldar
profundamente este Ibérico . O valor da nobreza irá afetar
profundamente o desenvolvimento econômico da Península ibérica,
pois, apesar das riquezas ganhas na América, esta riqueza somente
surge no intuito de satisfazer esta nobreza e não há a preocupação
de geração da mais riquezas, apenas o aproveitamento desta, o que
ode ser comprovado com a frase de Marques de Pombal pois
afirmou que , Portugal tornava-se colônia da Inglaterra sem a posse
do território e a comparação de Defaourneaux da Espanha com o
sistema digestivo , tratando-se a mesma da boca que apenas
mastiga e sente o gosto das riquezas porem não é a que faz uso da
mesma riqueza.
      Norbert Elias1, ao descrever a sociedade de cortes nos
permite uma análise de como este valor nobre poderia interferir de
uma forma econômica na formação e desenvolvimento desta
sociedade, bastando citar uma frase na qual , após explicar que o
sentido da nobreza residia na forma de ser avaliado pelos demais
que o cercam, ele cita : “.. O único meio de pôr em evidência uma
posição social consiste em afirmá-la pela maneira de se apresentar
em sociedade. Essa afirmação torna-se uma necessidade absoluta.
Se o dinheiro falta, a posição social e , portanto, a existência social
do seu titular ficam altamente comprometidas.” Fica desta forma
claro de como o valor nobre pode intervir nesta sociedade.

9.2- A Religiosidade; O “ser” cristão para o Ibérico.

       Como a religião acaba pôr se tornar algo imposto e não um
valor adquirido, a religiosidade do Ibérico acaba pôr se tornar de
certa forma, algo superficial, tendo como demonstração mais alta de
sua fé o juízo que os próximos faziam de sua religião do que sua
própria consciência ou seus atos. Apesar dos abusos e de sua
hipocrisia, visto aos olhos dos outros, ao Ibérico é muito mais
importante demonstrar sua religião do que ser católico. A
intolerância religiosa se fará presente logo após a guerra de
reconquista, pois já sem mouros a serem expulsos , começam as
perseguições contra os protestantes e judeus .
       O ibérico começa a ganhar uma forma caricatural na Europa .
todo comportamento social esta associado a fé católica e o ato
1
    Elias, Norbert . A sociedade de corte, imprensa universitária, editora estampa. Lisboa, 1987
social mais ainda e apesar da riqueza da América ser em tão alto
valor, poucos serão aqueles que poderão desfrutar desta mesma
riqueza e como a situação econômica vai se agravando a
religiosidade vai se tornando mais forte ainda . A igreja acaba se
tornando institucionalizada e pôr conseguinte se torna mais forte que
o estado; ela acaba pôr promover meios para forçar o seu domínio
(inclusive a inquisição) e a vida monástica se torna um fator social
de grandes proporções e milhares de filhos e filhas serão enviados
aos monastérios e conventos. Grandes são os números de relatos
de viajantes da época que descrevem como absurdo o número de
instituições religiosas na Península Ibérica da época .
       Uma tentativa de se explicar o porque do Ibérico cometer atos
tão diferentes ou tão fora da lógica de sua religião, consiste no
ibérico , após a Reconquista se achar credor da bondade divina,
pois como um povo que lutou tanto para deus não tem algo
creditado para com o mesmo ? Outra tentativa cita a facilidade do
perdão da Igreja que apesar da “quantidade de atos pecaminosos e
inescrúpulos” , bastaria o pecador se confessar e pedir perdão a
bondade divina que o mesmo lhe concederia, ou até mesmo aos não
confessantes bastaria a extrema-unção que o absolveria de seus
pecados em vida.
       Estes dados aliados a criação da Inquisição demonstram o
poder da Igreja na Península Ibérica e de como a superficialidade
religiosa era algo marcante a vida do Ibérico. Mais tarde, com o
crescimento do poder dos reis, os mesmos acabam pôr tomar de
certa forma o controle da Instituição para si, pois tamanho poder
poderia representar um perigo a sua soberania.

9.3- O valor da Honra.

                          “Nenhum homem é honrado pôr si mesmo
                               É de outrem que ele tira a sua honra
                             Ser homem virtuoso e cheio de méritos
                               Não é ser honrado. Donde se conclui
                  Que a honra reside n’outrem e não em si mesmo. ”
                                    Las comendadoras de Córdoba

Lope de Vega
      A honra estava para os Ibéricos como a fatalidade estava para
os Gregos. O homem só se tornava honrado quando alguém lhe
conferia a honra. Deixava de ser um valor individual para se tornar
um valor social. A aparência se tornava muito importante, pois a
honra consistia naquilo que os outros pensariam de você e não
aquilo que realmente você fosse. A nobreza se dizia honrada pelas
virtudes heróicas de defesa. A honra mergulha as raízes na tradição
medieval e prende-se à concepção da existência que em todo
ocidente cristão, propõe como ideal á classe nobre o exercício das
virtudes heróicas e cavalheirescas.
      Um homem desonrado estaria desgraçado e desonra maior
seria a aquele que não fosse cristão. A honra se lava com a morte
do responsável pôr sua desonra. Ao valor da honra estaria ligado o
valor da pureza de sangue; aqueles que não seriam descendentes
de Cristãos , porem descendentes de judeus ou mouros. Estes eram
descriminados pelo restante da população até uma determinada
geração de sua família e os que se convertessem eram chamados
de “cristãos novos, ” porem, com a desonra de seu sangue marcada
pôr um tempo considerável.
      Assistimos neste sentido uma hipertrofia do valor da honra,
que define um bom número de relações dentro desta sociedade que
associada a religiosidade cria o valor da honra de ser cristão.
Explicasse assim o sentido das perseguições dos cristãos novos e
sua eventual discriminação.




X- Conclusão.

       Sérgio Buarque de Holanda em Raízes do Brasil, faz um
traçado de características do velho mundo e influências do mesmo
na América (Brasil), e deixou-me muito satisfeito pôr encontrar
pontos a qual me referi e faziam sentido com seu livro. Tentar
entender a consciência que permitia ou que impulsionava esta
civilização tão pioneira mas que se encontrava presa a antigos
valores e que, apesar dos novos descobrimentos a maneira de se
apropriar e aproveitar-se deste novo mundo é ainda preso a antigas
concepções, e somente assim podemos traçar um perfil entre
civilizadores e civilizados.
       Perceber nesta dicotomia as heranças coloniais e formação
da nova sociedade é fundamental para conseguirmos compreender
o funcionamento de nossa própria sociedade e valores que pôr
vezes nos parecem tão adversos mas que pertencem a nossas
raízes e se fazem tão presente em nossa vida e convívio.




                          Bibliografia
 CUNHA, D. Luiz da - Testamento Político. 1ed. São Paulo: Alfa-

  Omega, 1976.

 DEFOURNEAUX, Marcelin - A vida quotidiana em Espanha no

  século de ouro. 1ed.

      Lisboa: Livros do Brasil, (não consta data de impressão).

 ELIAS, Norbert - A sociedade de corte. 1ed. Lisboa: Imprensa

  Universitária -

   Estampa, 1987.

 HOLANDA, Sérgio Buarque de - Raízes do Brasil. 26ed. São

  Paulo: Companhia

   das Letras, 1995.

 MORSE, Richard M. - O Espelho de Próspero: cultura e idéias nas

  Américas. 1ed.

       São Paulo: Companhia das Letras, 1988.

 SARAIVA, José Hermano - História de Portugal. 17ed. Lisboa:

  Alfa, 1995.

								
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