Como preparar Sermoes by AZLw5o

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                                                                                 Carlos Antonio Thomson Nogueira


COMO PREPARAR SERMÕES EXPOSITIVOS: DESENVOLVENDO O TEMA
Por John Stott


         Havia um pastor episcopal que era muito preguiçoso e há muito tempo havia desistido de
preparar os seus sermões. Sua congregação era de pessoas de pouca cultura. Ele tinha o dom da
oratória, de modo que era muito fácil para ele pregar sem qualquer preparação. Além de preguiçoso,
ele também era muito piedoso, de modo que racionalizava sua preguiça como muitas vezes os
piedosos fazem. Ele fez um voto muito solene: jamais voltaria a preparar os seus sermões, falaria de
improviso e confiaria que o Espírito Santo lhe daria o que falar. Por alguns meses, tudo correu muito
vem. Certo dia, faltando 10 para as 11 horas da manhã de domingo, um pouco antes do culto começar,
quem entra pela porta da igreja? O bispo. Era uma visita de surpresa. Ele sentou-se num dos bancos. O
pastor ficou imaginando o que deveria fazer. Não havia preparado o seu sermão. Pensou que podia
enganar a congregação, mas sabia que não conseguiria enganar o visitante. Ele foi até ao bispo,
cumprimentou-o e lhe disse: “Acho que devo explicar-lhe uma coisa: alguns anos atrás eu fiz um voto
de que nunca iria preparar os meus sermões, mas confiaria no Espírito Santo”. “Está tudo bem”, disse
o bispo, compreendo muito bem a situação. O culto começou, mas no meio do sermão, o bispo
levantou-se e saiu. Quando o culto terminou, o pastor foi para o vestíbulo da igreja. Encontrou sobre a
mesa um bilhete e nele estava escrito o seguinte: “eu te absolvo do teu voto”.
         Agora quero contar-lhes outra história, esta vez de um pastor presbiteriano arrogante. Este
pastor morava ao lado da igreja. Ele costumava vangloriar-se de que todo o tempo que precisava para
se preparar era o tampo que gastava em ir de casa para a igreja Você pode imaginar o que os
presbíteros fizeram. Mudaram a casa a 8 km de distância. Assim, ele tinha mais tempo para prepara os
sermões.
         Agora, para os batistas eu queria citar o caso de Spurgeon ter como hábito vir ao púlpito
despreparado. Dizer isso de Spurgeon seria um erro imperdoável! Espero que concordem comigo que
temos que preparar nossos sermões. Como fazer isto? É uma questão muito subjetiva. Não há maneira
única de preparar sermões. Cada pastor tem que fabricar o seu próprio método. Seria um erro
simplesmente copiar um do outro. No entanto, penso que a maioria passa por 5 estágios na preparação
depois de ter escolhido o texto. E sobre esses que quero falar-lhes: Vamos partir do princípio de que
você já tenha escolhido o texto.




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                                                                                 Carlos Antonio Thomson Nogueira




           1º estágio - Meditar sobre o Texto
           É necessário ler e reler o texto bíblico. Depois tem que lê-lo e relê-lo mais uma vez É preciso
fazê-lo girar em sua mente, vez após vez. É necessário ruminá-lo como o animal bovino rumina o
capim. Sugá-lo como o beija-flor. Chupá-lo como uma criança chupa uma laranja, até que não haja
mais nada para tirar dela. É preciso preocupar-se com o texto como um cachorro preocupa-se com o
seu osso. Essas são algumas metáforas que mostram como você pode envolver-se com o texto.
           Talvez você esteja se perguntando: o que significa a palavra meditar? Acho que é uma
combinação de estudo e oração. Gosto de passar o tempo de meditação ajoelhado, com a Bíblia aberta
à minha frente, não porque eu adore a Bíblia, mas porque adoro o Deus da Bíblia. A posição de estar
de joelhos é uma posição de humilde expectativa. À medida que eu estudo aquele texto, usando a
mente que Deus me deu, estou clamando ao Espírito Santo por iluminação. Meditação é estudo regado
com oração.
           Conheço pastores que são grandes estudantes. Precisavam ver as suas bibliotecas. As paredes
estão cobertas de livros. E sobre suas mesas há pilhas e pilhas de comentários, de dicionários e de
chaves bíblicas. Parecem estar sempre afogados em livros. Eu admiro seu estudo, mas eles não oram
muito.
           Eu conheço pastores que cometem o erro oposto. São grandes homens de oração, mas não
estudam muito. Vamos manter juntos estudo e oração. 2 Timóteo 2:1 é um grande texto. Paulo
escreve: “Considera o que digo, porque Deus te dará compreensão em todas as coisas”. Nós fazemos a
nossa parte, que é estudar ou considerar, e Deus dá o entendimento. Não devemos separar aquilo que
Deus uniu.
           Enquanto você medita, é bom fazer perguntas a si mesmo. Pergunte-se: “O que o testo quer
dizer?” “O que o texto diz?”. Na primeira, você está tratando do significado do texto e, em segundo
lugar, você estará tratando da mensagem do texto para o dia de hoje. Precisamos perguntá-las na hora
certa. Muitos pastores estão tão ansiosos em conseguir uma mensagem para hoje, que não se
disciplinam em descobrir o significado do texto, e não chegam a descobrir a sua mensagem para os
dias de hoje. Precisamos manter os dois juntos, em equilíbrio.
           Não posso falar agora sobre interpretação bíblica, mas quero dar-lhes um princípio básico. Foi
enunciado por um homem chamado E. D. Hitsch. Seu livro é chamado Validade na Interpretação.
Nesse livro ele não trata apenas de interpretação bíblica. Os princípios são os mesmos quando você
interpreta qualquer documento. Pode ser um documento literário, um documento legal ou um
documento bíblico. O grande princípio é o seguinte: O texto quer dizer aquilo que seu autor quis dizer.
Portanto, a pergunta é “o que o autor quis comunicar quando ele escreveu?” Devemos pensar sobre as
palavras e o que elas significam quando ele as usou. Não podemos interpretar até ouvirmos o que o




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                                                                                 Carlos Antonio Thomson Nogueira




autor quis dizer com suas palavras. Eu lhes imploro que não omitam esse estágio da sua preparação. É
uma disciplina essencial para cada um de nós. Mas também não podemos parar aí.
           Uma vez entendido o significado do texto, vamos descobrir o que ele diz para nós hoje.
Podemos pensar sobre as pessoas em nossa congregação e nos perguntar: “o que o texto tem a dizer
para eles?” Nesses dois estágios não há qualquer substituto para o tempo. Dê a si mesmo tempo para
meditar. Não corra para pegar os comentários cedo demais. Faça a sua meditação própria, com a Bíblia
aberta, de joelhos usando a iluminação do Espírito, usando a sua mente. Durante todo esse tempo vá
escrevendo seus pensamentos. Não precisa haver uma ordem particular para isso. Qualquer
pensamento que venha à sua mente é digno de ser escrito. Aqui chegamos, então, ao segundo estágio.
           2º estágio – Isole o Pensamento Dominante
           Todo texto tem um tema principal. Devemos meditar sobre ele até que esse princípio central
surja. Qual é a ênfase principal da Palavra de Deus nesta passagem?o que Deus está dizendo neste
texto. Nosso dever é meditar e orar para penetrarmos nesse texto; até que ele passe a controlar e nossa
mente e a colocar em fogo nosso coração; e até que nos tornemos servos do texto. Alguns pregadores
não são servos, mas senhores do texto. Eles torcem e manipulam o texto a modo a fazê-lo dizer o que
eles querem. Temos que nos arrepender quando fazemos isso com a Palavra de Deus. Devemos
permitir que a Palavra de Deus nos controle e não controlar a palavra de Deus.
           3º estágio - Prepare o Material para Ajudar o Pensamento Dominante
           Há duas coisas que vão ajudar nisto. A primeira é negativa e a segunda positiva. Em primeiro
lugar, seja impiedoso em rejeitar o que é irrelevante. O que temos diante de nós até agora é uma
porção de idéias que, sem pensar, nós escrevemos e aqueles pensamentos dominantes que já deixamos
bem claros. Temos agora que colocar em ordem todo esse material de modo que ele se subordine e
siga o pensamento dominante. Muitos de nós achamos essa tarefa muito difícil. Talvez tenhamos
idéias cintilantes, talvez tivemos pensamentos abençoados que anotamos no papel e queremos arrastá-
los para o sermão de qualquer maneira. Não o faça! Tenha a coragem de deixá-los de lado. Eles se
tornarão úteis em alguma outra ocasião. Mas se eles agora não servem ao pensamento dominante,
deixe-os fora. Isso exige grande determinação mental. Em segundo lugar, devemos subordinar o
material de modo que ele sirva ao tema.
           Isso me leva a dizer algo sobre estrutura, palavras e ilustrações. Todo sermão tem que ter uma
estrutura. Muitos pregadores é claro, têm três pontos! É possível ter apenas dois, ou quatro, ou até
mesmo cinco como acontece comigo hoje à noite. Mas é impressionante a freqüência com que nós
voltamos aos três pontos. Há uma condição que é essencial para uma boa estrutura: Ela deve ser
natural e não artificial.
           Alguns de vocês já devem ter ouvido falar de Alexander Maclaren. Foi um grande pastor
batista na Inglaterra no século passado. Algumas de suas exposições da Bíblia ainda são impressas


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                                                                                Carlos Antonio Thomson Nogueira




hoje. Ele era especialista nesta estrutura natural. Os amigos costumavam dizer que ele guardava algo
em seu bolso. Era um pequeno martelo dourado. Com esse martelo dourado ele batia sobre o texto. À
medida que ele batia sobre o texto, esse se abria nas suas divisões naturais. E disto que todos nós
precisamos: um martelo dourado. Mudando a metáfora, as divisões do texto têm que se abrir como as
pétalas de uma rosa abrindo-se ao sol. É importante que dividamos a Palavra de Deus naturalmente,
não impondo uma estrutura artificial sobre o texto.
           As palavras também são extremamente importantes. Todos percebemos isso quando temos que
mandar um telegrama. Temos apenas 12 ou 15 palavras e passamos muito tempo preparando a nossa
mensagem de modo que nossas palavras não sejam mal entendidas. Cremos que Deus se deu tempo ao
mesmo trabalho. Creio na inspiração verbal da Bíblia, ou seja, que a inspiração se estendeu às mesmas
palavras que Deus escreveu. Se as palavras foram tão importantes para Deus, tem que ser importantes
para nós. Não estou sugerindo aqui que leiamos os nossos sermões. Creio, porém, que é uma boa
disciplina na nossa preparação, que escolhamos bem as palavras que vamos usar para expressar os
nossos pensamentos. Além de exatas, as palavras que têm que ser simples. Não tem sentido falar como
se tivéssemos engolido um dicionário. Vamos ser simples no nosso palavreado e também vívidos de
modo que as palavras transmitam uma imagem mental às pessoas que estão ouvindo. Quero
particularmente exortar os pregadores mais jovens a levarem bastante tempo escrevendo e preparando
o sermão. Só depois de termos feito isso durante 5 ou 10 anos é que vamos aprender a colocar os
nossos pensamentos em palavras claras.
           Agora, as ilustrações. Eu sei que uma das minhas fraquezas na área da pregação é que não uso
Ilustrações suficientes. A mesma coisa acontece com meus livros. Depois que um dos meus livros
havia sido publicado, um amigo me escreveu profundamente crítico quanto àquele meu livro que tinha
tão poucas ilustrações: “Seu livro é como uma casa sem janelas; é como um bolo sem frutas”. Achei
que as observações do meu amigo foram muito rudes, mas, infelizmente, eram bem exatas, Por isso
todos nós precisamos ilustrações. Qual o propósito de uma ilustração? É tornar concreto o que é
abstrato.
           Alguns minutos atrás eu lhes falava sobre meditação. Meditação é uma palavra abstrata.
Muitas pessoas nem sabem o que é meditação, de modo que eu tentei torná-la uma palavra concreta.
Eu lhes dei quatro imagens sob forma de palavras. Devemos ruminar o texto, como uma vaca rumina o
capim. Penetrá-lo, como um beija-flor penetra a flor, do beija-flor para a criança, da criança para o
cachorro. Cada uma dessas coisas era uma imagem em sua mente. Eu usei essas ilustrações
deliberadamente, a fim de transformar o que era abstrato em algo concreto. Há um provérbio oriental
que explica isso: “eloqüente é aquele que consegue transformar o ouvido em olho, de modo que os
seus ouvidos possam ver aquilo que ele fala”. Portanto, temos que usar a nossa imaginação, para que
as pessoas vejam o nosso pensamento.


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COMO PREPARAR SERMÕES EXPOSITIVOS: DANDO OS TOQUES FINAIS
           4° estágio - Adicionar uma Introdução e uma Conclusão
           Penso que devemos começar nossa preparação pelo corpo do sermão. Somente depois
devemos preocupar-nos com a introdução e a conclusão.
           A introdução tem dois propósitos principais. Um é o de provocar o interesse das pessoas de
modo a impedir que elas caiam no sono. O segundo é introduzir o tema da mensagem. É muito fácil
fazer uma dessas duas coisas sem a outra. É bem fácil provocar o interesse das pessoas. Você pode
contar uma piada ou uma história. As pessoas ficam na ponta do banco, ouvindo com toda atenção.
Mas logo depois você perde essa atenção, porque não a leva em direção à mensagem. Também é
possível fazer o oposto. A introdução pode de fato introduzir o tema, mas de maneira tão maçante que
logo de saída, antes mesmo de começar, perdemos o interesse das pessoas. Então, uma introdução boa
faz estas duas coisas provoca um interesse e prende a atenção.
           Eu tenho uma sugestão em como fazer isso. Vocês conhecem a maneira tradicional dos
evangélicos começarem um sermão: “Meu texto esta manhã é Eclesiastes 4:8”. Vocês podem até ver
as pessoas virando o botão para desligar: você quase pode ouvir o clique e em toda igreja o pessoal já
está começando a dormir. Há valor em começar o seu sermão assim. Às vezes, ainda faço assim,
abrimos a Bíblia e estamos mostrando ao povo qual nossa fonte de autoridade. Vamos pregar a Palavra
de Deus e não as nossas próprias especulações. E aí está o valor de começar com o texto, mas quando
é com muita freqüência você faz com que o interesse das pessoas se perca.
           Muitas vezes é bom começar situacionalmente em vez de textualmente. Comece onde seu
povo está, não aonde você quer que as Escrituras o levem. Suponhamos que você é pastor na
Guatemala depois daquele terremoto e você tenha decidido pregar sobre o amor de Deus e como ainda
podemos crer que Deus é amor a despeito dos terremotos. Suponha então que o seu texto vai ser
Romanos 5:8: “Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda
pecadores”. O pensamento dominante deste texto é claro. A cruz de Cristo é a prova do Amor de Deus.
           Você vai exortar o povo a pensar naquela calamidade à luz do que aconteceu no Calvário.
Como fazer uma introdução para tal sermão? Você poderia começar: “o texto nesta manhã é Romanos
5:8”. Você poderia também começar situacionalmente. Poderia dizer algo assim: “Todos nós viemos à
igreja hoje com o coração ensangüentado. Não há nenhum de nós aqui que não tenha perdido um
parente neste terremoto terrível. Não há apenas tristeza em nosso coração; há também perguntas em
nossas mentes. Como é que Deus permite que tais catástrofes aconteçam? Podemos ainda crer que
Deus nos ama? Que prova existe do amor de Deus?”.
           Quando você começa desta maneira, todo mundo está ouvindo, o interesse já foi despertado.
Eles querem saber as respostas às perguntas. “Podemos, afinal, saber que Deus nos ama? Sim,




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podemos. Abra a sua Bíblia em...”. E aí levamos o povo até o texto. Começamos com a situação e não
com o texto. Não estou sugerido que sempre façamos isto. Mas, às vezes, é muito eficaz.
           Da introdução eu passo à conclusão. Conclusão não é um sinônimo de recapitulação. Talvez
você já saiba como um certo pregador explicou o que fazia na pregação: “Em primeiro lugar, eu digo
ao povo aquilo que vou pregar a ele, depois eu digo a eles o que tenho a lhes dizer e, em terceiro lugar,
digo a eles o que lhes disse”. Desta maneira ele acabou dizendo três vezes a mesma coisa. É uma boa
idéia porque a memória das pessoas é muito curta e temos que martelar a mensagem, repetida até que
eles entendam. Você tem à sua frente uma tábua e está colocando um prego nela. Talvez você consiga
fazer o prego penetrar totalmente com uma única martelada. Mas é possível que você quebre o seu
polegar. Seria bom fazer isso com várias marteladas. Essas são as marteladas da repetição. Você pode
tentar fazer a mensagem penetrar no cérebro duro e grosso de certas pessoas com uma única palavra
poderosa, mas será mais provável que consiga fazer com as marteladas da repetição. O fato é que
temos que recapitular. Mas isso não é conclusão.
           Depois da recapitulação, vem a conclusão. A conclusão é uma aplicação. Temos que levar a
mensagem profundamente até o coração do povo, de tal maneira que eles sintam o impacto de nossa
mensagem. Se queremos que o povo faça algo a respeito do que estamos pregando, precisamos atingir
com a mensagem o coração e a vontade de tal maneira que eles obedeçam a Palavra de Deus. Não é
simplesmente ouvir a Palavra de Deus. Alguns pregadores famosos assemelharam a conclusão ao
disparo de uma arma. O propósito ao disparar uma arma quando você está caçando pássaros, por
exemplo, não é fazer barulho, mas matar a ave.
           Já mencionei ontem as palestras sobre pregação na Universidade de Yale. A primeira série de
palestras foi entregue em 1872 por um pregador chamado Harry Ward Beecher. Ele nos contou em sua
primeira palestra que, quando era criança, seu pai o ensinou a ser caçador e o levou a caçar patos.
           Ele disse que as suas primeiras tentativas na área de pregação foram semelhantes às caçadas de
sua infância: “preguei muitas vezes como havia usado a minha arma. Costumava ir caçar sozinho.
Tinha grandes sucessos no disparo da arma. Os patos apreciavam aquilo tanto quanto eu, porque eu
nunca atingi um deles sequer, nem cheguei a feri-los. Atirei com a minha rama tal como vejo hoje
centenas de pregadores atirando seus sermões. Carreguei a minha arma a atirei, saiu fumaça, ouve
barulho, mas nada caiu do céu”. Da mesma forma aconteceu várias e várias vezes. Mas depois ele
aprendeu a atirar corretamente e a matar a ave. Temos que atingir o nosso alvo quando estamos
pregando.
           Ele disse também algo sobre Jonathan Edwards. Esse homem foi um grande pregador. Na
parte inicial de seus sermões, ele estava apenas assestando a sua arma, mas na sua conclusão ele abria
fogo contra o inimigo. Há muitos de nós, receio, que levam tanto tempo em seus sermões, assestando
as armas, que terminam sem dar um único tiro. Espera que entendam o que estava querendo dizer.


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           A conclusão tem que levar a congregação a fazer alguma coisa. Isso depende do sermão e do
seu pensamento dominante. Penso que quando o sermão está encerrado, há grande valor no silêncio.
Quando termino de pregar, normalmente digo, vamos orar e ficar quietos. Talvez eu relembre a
congregação da mensagem central e digo a eles: tome agora diante de Deus a sua própria reação de
arrependimento ou de adoração ou de fé salvadora em Jesus Cristo ou alguma decisão de obedecer a
Deus. Mas nós deixamos que eles fiquem a sós com o Espírito Santo. Naquele momento eu peço que o
Espírito aja na vida da congregação de modo que não simplesmente tenham ouvido o sermão, mas que
tenham determinado diante de Deus obedecer a Sua palavra. A conclusão deve assegurar esta reação.
           5º estágio – Orar a respeito da sua mensagem
           Você meditou sobre seu texto, isolou o pensamento dominante, arranjou o seu material, lhe
deu uma estrutura, bem como uma introdução e uma conclusão. Talvez tenha até escrito o sermão
inteiro. Talvez, depois de ter escrito todo o sermão, tenha anotações para levar consigo ao púlpito. Mas
o seu trabalho ainda não está terminado: você tem que orar pela mensagem. Espero que você sempre
termine o seu sermão de domingo no sábado. Espero que nunca se prepare no domingo. Eu confesso a
vocês que em algumas ocasiões isso aconteceu comigo. Não consegui chegar a uma mensagem
completa no sábado porque estava muito cansado. A coisa que achei certa fazer foi ir para a cama
dormir. Levantei bem cedinho no domingo de manhã a fim de terminar o sermão. Estas ocasiões,
entretanto foram bem raras. Precisamos ter o sermão pronto no sábado. Domingo de manhã, antes de ir
para o culto, deveremos passar 15 minutos ou meia hora na qual analisamos a passagem ajoelhados e
oramos através de toda a pregação, de modo que ela permaneça viva em nossas mentes e nela
pregamos a mensagem.
           Ela não vai sair de um esboço em nossa mente, nem das nossas anotações, nem sai de nossa
mente como se a tivéssemos decorado, ela vem de nosso coração para ir ao coração dos nossos
ouvintes. Somente a oração sobre a mensagem faz com que isso seja possível. Torna-se algo que sai
autenticamente do nosso coração.
           Minha ultima palavra diz respeito a como um pregador negro na América se prepara. Isto que
ele diz é cheio de sabedoria: “Em primeiro lugar, eu leio até ficar cheio; penso até pensar claramente;
oro até ficar quente; e, em último eu deixo a coisa sair”. Que Deus permita que possamos pregar
assim.


                                        Extraído da Revista “Liderança Pastoral” – julho/agosto de 1980.




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