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					    CLIENTELA:
•   Militares da Ativa, inativos, dependentes e
    pensionistas acometidos por psicose ou neurose.

    OBJETIVO:
•   Recuperar o equilíbrio emocional por meio de
    acompanhamento psicossocial;
•   Estimular relações sociais,
•   Possibilitar trocas afetivas,
•   Desenvolver auto estima;
•   Incentivar a autonomia.
    MODALIDADES DE ATENDIMENTO:


•   Emergência e Serviço de Pronto-Atendimento 24hs;

•   Ambulatório;

•   Internação (60 leitos);

•   Centro de Atenção Diária.
OBJETIVO:

    Produzir uma coletânea de histórias de vida
contadas pelos usuários, da Unidade Integrada de
Saúde Mental (UISM), que experimentaram
experiências   psíquicas   radicais,  mas    que
prosseguem construindo uma vida para si mesmo.
Minimizar a caracterização de paciente;

Desconstruir o estigma associado as pessoas que
viveram experiências subjetivas radicais;

Uma forma de aceitar o sofrimento psíquico mais
integralmente;
Uma estratégia que possibilita outros usuários a
aprender individual e coletivamente a partir da
vivência daqueles que têm mais experiência no
processo de recuperação;

Uma afirmação da experiência subjetiva humana em
detrimento da autoridade e relato dos profissionais e
especialistas da área;
Uma    estratégia   de    mostrar     como     as
representações sociais, culturais e institucionais
modelam a experiência de estar doente;

Uma voz autêntica por ser o próprio sujeito a
narrar sua história de vida;

Um instrumento de mudança social, cultural e
institucional.
            (Usuária da UISM, 52anos, cuida do seu lar)

    “Faço terapia para nunca mais ser internada. As
pessoas na rua falam que sou maluca. Fui internada
porque tive um trauma. Minha avó morreu... Três
dias depois eu comecei a falar sozinha, ouvir vozes,
via ela andando pela casa, tinha 16 anos, estudava e
trabalhava. A vizinha percebeu e falava para minha
mãe “ela não está bem, interna ela, procura um
psicólogo”. Chegando na clínica, minha mãe falou
que eu dava crise na rua, quebrava vitrine, que
agredia pessoas. Na mesma hora os médicos
mandaram me aplicar o “sossega leão”.
     
     Eu recebia visita do meu irmão. Lembro do
eletrochoque a enfermeira amarrava pé e mão, colocava
uma pano na boca... depois eu ficava com dor de cabeça,
dor no corpo todo, é horrível, não gosto nem de lembrar.
Não perdi os dentes, mas tinha gente que perdia e até
gente que morria...” O período mais longo de internação foi
por 13 anos. A equipe daqui ajudou muito. Hoje moro
sozinha numa kitinete perto da UISM, meu pai paga o
aluguel e vou todos os dias ao CAD. Hoje tenho Carteira
de Trabalho, Título de Eleitor e CPF. Pretendo melhorar
cada vez mais, quero trabalhar, fazer faxinas, ter dinheiro
para fazer umas comprinhas, mas não posso nunca
abandonar o tratamento.”
           (Usuária da UISM, 39 anos, estuda e trabalha)

     “Antes da 1ª crise em 1998 era gaga, fechada, tímida,
não falava com ninguém. Meu último surto fazem uns 3
quase 4 anos. Foi a pior crise, fiquei internada 2 meses.
Quando tenho crise fico muito agressiva, quebro tudo,
fico com uma força enorme, ninguém me segura. Fico em
cela especial, não aceito medicação, precisa de 3 ou 4
homens para me segurar. Eles tem que usar da força, no
lugar onde aplicam as injeções está dolorido ainda hoje.
Fico irreconhecível. Depois da crise lembro de tudo, sinto
muita vergonha.
    Levo uma vida normal, trabalho em um salão de beleza,
chego a fazer R$1.700,00, meu ex-marido ganhava R$400,00
e se incomodava, eu que comprei todos os móveis da casa.
    Agora estou completando o ensino médio, namoro, não
tenho problema de falar sobre minha doença, conto sempre
para os meus chefes, namorado e amigos próximos. Falo que
sou bi, aí olham estranho, depois completo bi...polar (risos).
    Hoje sou extrovertida, carinhosa, falo pelos cotovelos,
pretendo casar logo e ter uma filha linda, quero que ela
aprenda boas maneiras desde cedo, quero cursar a
faculdade de cosmetologia e seguir com minha vida”.
                  (Usuário da UISM, 44 anos, aposentado)

     “Meus pais tiveram 7 filhos, 4 mulheres e 3 homens.
Alguns anos depois meu pai também teve complicação de
saúde, quem tomava conta do meu pai era uma enfermeira,
depois minha avó e meu tio. Isso abalou minha mãe e os
filhos, mas nós tivemos sintomas diferentes. Três de nós
fomos para um internato na Ilha do Governador. No
internato tinha escola, mas eu não entendia nada. Cheguei
lá com 6 para 7 anos, saí aos 16. Meu tio levou meu pai e
minha mãe para me visitar só uma vez.
      Minha primeira crise foi de 6 para 7 anos, via meu
pai dentro do avião passando pertinho do internato, o
avião subia e abaixava. Tive perda de pele no couro
cabeludo, deu bicho. Depois que sai do colégio interno,
trabalhei em vários lugares, enquanto isso fazia
tratamento, não contava para os patrões com medo de
ser demitido. Uma vez tive uma depressão forte e fui
internado, fiquei mal mesmo, durou 3 meses. Foi muito
difícil.
     Consegui ser aposentado por invalidez, agora só
falta conhecer uma pessoa, casar e ter filhos”.
                 (Usuária da UISM, 64 anos, cuida dos netos)

    “Era uma pessoa introvertida, parada, os médicos diziam
que tinha esquizofrenia catatônica. A primeira crise foi em 72,
seguida de tantas outras... 75, 77, 82, 86 a pior delas, 2000 e
2002. Sempre por causa de muitos aborrecimentos, o que
parece bobeira para os outros. Os medicamentos evoluíram
muito, no passado tomei eletrochoque e até injeção de leite.
Já tentei suicídio me jogando do quarto andar.
    O que fez diferença na minha recuperação foi o apoio do
meu pai que chegava a me visitar três vezes no mesmo dia; o
compromisso com a terapia que é muito importante; a
sinceridade dos terapeutas quando me conscientizavam da
importância da adesão ao tratamento psicológico e
medicamentoso; a integração com os outros pacientes, e
participar das oficinas terapêuticas. Hoje sou extrovertida,
gosto de conversar, brincar, gerencio a minha vida, pago
minhas contas, sou controlada nos meus gastos, ajudo as
pessoas e passei a me conhecer, sei quando estou tendo
uma recaída e procuro ajuda antes de vir a crise.
    A mensagem que deixo é que temos que ter confiança
em nós mesmos, sabermos que somos capazes, olhar
para dentro e ver as coisas bonitas que muitos nem
sabem que tem. Tentar, não desistir, se escorregar e cair,
levantar e continuar caminhando. Caminhando sempre”.
“ESTOU DE ACORDO QUE UM ESQUIZOFRÊNICO
É UM ESQUIZOFRÊNICO, MAS UMA COISA É
IMPORTANTE: ELE É UM HOMEM QUE TEM
NECESSIDADE DE AFETO, DE DINHEIRO, DE
TRABALHO; É UM HOMEM TOTAL E DEVEMOS
RESPONDER NÃO A SUA ESQUIZOFRENIA, MAS
AO SEU SER SOCIAL E POLÍTICO”.



                          (Basaglia, 1980)
  OBRIGADA!!!


1º T (RM2-T) Micheli

				
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