AVALIACAO in vitro, DO EFEITO DA Chenopodium ambrosioides L by 9dayrJ0u

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									    AVALIAÇÃO in vivo, DO EFEITO DA Chenopodium ambrosioides L. SOBRE O
        DESENVOLVIMENTO CORPORAL E O CONTROLE DE PARASITAS
                      GASTRINTESTINAIS DE TERNEIROS

Silva, C. A;1 Silva, R. G;2 Aita, M. A; 1 Zarth, C. A. S;2 Farias, N. A. F;4 Stumpf, W.
J;5 Fischer, V;1 Santos, T. R. B;6 Martins, P. R. G;1 Cardozo. L;3 Castilho, E. M;2
                                    Zanandrea, A.2
1                                            2                                   3
Departamento de Zootecnia – DZ – FAEM/UFPEL; Faculdade de Veterinária – FV/UFPEL; Colégio
                                            4
   Agrotecnico Visconde da Graça – CAVG; Departamento de Parasitologia e Microbiologia –
             5                                        6
  IB/UFPEL; EMBRAPA – Clima Temperado/Pelotas; Laboratório de Doenças Parasitarias –
                             Veterinária Preventiva – FV/UFPEL
                               cristianesilva@eudoramail.com




                                  1. INTRODUÇÃO
       Segundo o descrito pelo autor [8], os nematódeos gastrintestinais são os mais
importantes parasitas encontrados em animais criados em pastagem, principalmente
porque acarretam retardo no crescimento, diminuição do ganho de peso vivo,
aumento da idade ao primeiro parto e do intervalo entre partos, diminuição na
produção de carne, leite e lã, além do custo do uso e aplicação de antiparasitários.
       O uso de medicamentos tradicionais (alopáticos), principalmente em produção
de leite, eleva o custo de produção, além de poder deixar resíduos no leite em
virtude da não observância do período de carência das drogas. Como exemplo:
produtos à base de Albendazole e de Triclorphon têm uma carência mínima para o
leite de três dias, Nitroxinil cinco dias, Ivermectinas 28 dias e Doramectina
aproximadamente de 40 dias. O método tradicional, também, pode provocar a
resistência dos parasitas. Como prevenção e combate das parasitoses tem-se
observado a utilização de métodos alternativos como rotação de pastagens,
separação de animais por categorias e o uso de plantas medicinais - fitoterápicos
[1].
       Buscando um controle, menos agressiva aos animais e ao ambiente e viável
ao pequeno produtor rural, o tratamento fitoterápico está sendo introduzido para
combater os parasitas gastrintestinais e tem demonstrado cada vez mais a sua
eficácia.
       Dentre os materiais fitoterápicos com potencial de uso no controle de
endoparasitas, produzidos regionalmente, está a Chenopodium ambrosioides L. O
gênero Chenopodium é considerado cosmopolita, provavelmente originário do
México e pode ser encontrado em beira de estradas e em terrenos abandonados,
sendo também cultivado [9]. A Chenopodium ambrosioides L. é uma planta da
família das Chenopodiaceas e é conhecida popularmente no Brasil pelos seguintes
nomes: erva-de-Santa-Maria, mentruz, anserina vermífuga, ambrósia, erva
lombrigueira, chá do México e quenopódio [10]. Das folhas e flores desta planta
pode-se extrair um óleo essencial constituído de uma mistura principalmente de
ascaridiol, silvestreno e safrol, além de p-cimeno e isohametina [10]. O óleo
essencial contém de 60 a 80% de ascaridiol, que é abundante no fruto; as folhas
produzem 0,2% a 0,3%, as flores de 0,5% a 1% e os frutos 1% [6].
       O ascaridiol tem propriedade anti-helmíntica comprovada, mas é muito tóxico.
Os efeitos incluem irritação da pele e mucosas, vômitos, vertigens, zumbidos, dores
de cabeça, lesões aos rins e fígado, surdez temporária e até mesmo colapso
circulatório, podendo, inclusive, ocasionar mortes. Portanto, o uso do óleo extraído
desta planta não deve ser estimulado para seres humanos, sendo sua utilização
hoje restrita à medicina veterinária [4; 8].
       Com o objetivo de avaliar o efeito de diferentes dosagens de uma infusão
(20%p/v) da planta Chenopodium ambrosioides L. sobre o desenvolvimento corporal
(peso vivo, altura da cernelha e perímetro torácico), temperatura retal (0C) e número
de ovos por grama de fezes (OPG) de parasitas gastrintestinais em terneiros da raça
Jersey é que realizou-se este trabalho.


                               2. MATERIAL E MÉTODOS

      A Chenopodium ambrosioides L. foi cultivada e colhida inteira, no outono de
2002, início da floração, e secas em casa de vegetação, moída e armazenada. Os
animais, pertencentes `a Estação Experimental Terras Baixas do Centro de
Pesquisa Agropecuária de Clima Temperado, da EMBRAPA, localizado no município
do Capão do Leão/RS, permaneceram durante todo o experimento no setor de
bovinocultura de leite (Sistema de Pecuária de Leite - SISPEL).
      Os animais foram randomizados conforme o OPG e divididos em três grupos
homogêneos. Os tratamentos foram aplicados em dose única de acordo com o peso
vivo de cada animal. Foram utilizados 20 animais distribuídos entre os grupos com
os seguintes tratamentos: tratamento controle – TC = água filtrada; tratamento meia
dose – TMD = 0,5 mL da infusão/kg de peso vivo e tratamento dose total – TDT =
1,0 mL da infusão/kg de peso vivo. A infusão foi administrada na forma de
beberagem.

                         3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

       De acordo com dados estatísticos não foram observadas diferenças no
desenvolvimento corporal dos animais, na temperatura retal e no OPG, entre grupos
tratados e controle, em função das dosagens utilizadas.
       O resultado obtido é fundamentado em virtude da dose utilizada em trabalho
recente por [5] que utilizou uma 7,5g da planta para ovinos (50 a 100) vezes menor
do que a utilizada, obtendo resultado significativo. É importante frisar que não foi
encontrado nenhum trabalho experimental utilizando bovinos. Baseado nos
resultados obtidos neste estudo pode-se concluir que a infusão da
Chenopodium ambrosioides L. nas doses (0,5 e 1,0 mL/20%/kg peso vivo)
ministradas oralmente aos bovinos não apresenta efeito antiparasitário, sendo
deixada a idéia de novos trabalhos com doses mais elevadas da planta.
       Foi estudado por [7] o efeito do anti-helmíntico no crescimento de terneiros
manejados com pastagem artificial por um período de 180 dias, encontrando um
ganho de 31,1 kg de peso vivo em comparação com o testemunha, empregando
vermífugo injetável. No presente trabalho os animais dos grupos tratados não
obtiveram o ganho de peso esperado, em relação aos animais não tratados, isto
provavelmente seja devido a uma subdosagem nos tratamentos e/ou a alimentação
deficiente oferecida a estes animais.
       Os valores do OPG apresentaram-se elevados no momento da randomização
e no início do fornecimento dos tratamentos, dia zero. Dentre os fatores que podem
ter contribuído para os valores elevados do OPG deve-se considerar as condições
ambientais ideais observadas para o desenvolvimento dos parasitas na pastagem.
Esta apresentava-se com, aproximadamente, 40 cm de altura, o que pode ter
proporcionado um microclima ideal à sobrevivência dos parasitas no ambiente e,
com isso, a reinfecção dos animais.
       O animal jovem é a categoria mais afetada e prejudicada com a verminose
pelo atraso que ocorre no desenvolvimento causando, posteriormente, queda no seu
desempenho, pois na maioria das propriedades da região sul, o sistema de
produção é extensivo com pastejo contínuo. Isso se traduz em animais expostos a
cargas parasitárias sempre presentes em maior ou menor quantidade dependendo
da época do ano, das alterações climáticas, do estado fisiológico dos animais e da
presença ou não de programa de controle de verminose na propriedade. As larvas
podem sobreviver na matéria fecal por até 18 meses e, em torno de seis meses no
pasto, exigindo um manejo adequado para atingir o próximo ciclo [3].
      Os efeitos de dose, bloco, dia e interação dose x bloco e dose x dia sobre o
OPG de nematódeos gastrintestinais de terneiros Jersey tratados com doses
diferentes de acordo com o peso vivo animal, mas com a mesma concentração da
infusão da planta Chenopodium ambrosioides L. e os respectivos valores de
probabilidade de rejeição da hipótese de nulidade (=0,05) encontram-se na Tabela
1.


TABELA 1 - Valores de probabilidade de rejeição da hipótese de nulidade (=0,05)
           dos efeitos de dose, bloco, dia, interação dose x bloco e a interação
           dose x dia sobre o OPG de nematódeos gastrintestinais de terneiros
           tratados com a infusão da planta Chenopodium ambrosioides L
                                       Dose x
 Atributos Dose                                  Dose x             Média 1
                    Bloco      Dia      bloco               R2               CV (%)
                                                   dia

     OPG     0,2664    0,0001   0,1320   0,0001    0,9728      0,92      5,92     17,31
1
    Média transformada log (x+1), onde x = OPG

         As diferentes dosagens de infusão da planta não apresentaram diferenças
significativas com relação ao número do OPG de nematódeos gastrintestinais dos
bovinos. A doses administradas foram em função do histórico de toxicidade da
planta aos animais, em estudos posteriores foi concluído que a dose utilizada foi de
50 a 100 vezes menor do que a utilizada por [5] que utilizou 7,5g da planta para
ovinos e [2] que utilizou 11g/kg de planta desidratada também para ovinos, não
sendo encontrado nenhum trabalho experimental utilizando bovinos.              Nesse
experimento além de ter-se trabalhado com bovinos utilizou-se o fornecimento da
infusão na forma de beberagem, o que pode ter levado a perdas de material em
função do grande volume da dose utilizada e do comportamento agitado dos animais
quando do fornecimento da beberagem.
        No entanto, [5] obteve resultado significativo ao adicionar à ração de ovinos
7,5 gramas da planta seca do Chenopodium ambrosioides L. esta dosagem
apresentou eficácia na redução da produção de ovos da Superfamília
Trichostrongyloidea e do gênero Strongyloides e na redução de helmintos adultos
dos gêneros Haemonchus, Ostertagia, Cooperia, Trichostrongylus e Strongyloides.
                                     4. CONCLUSÃO

       O fato de, neste trabalho, a infusão não reduzir o número de ovos dos
parasitas gastrintestinais, não implica que a planta não tenha efeito anti-helmíntico.
A quantidade de princípio ativo nas plantas varia conforme as condições climáticas,
tipo de solo e época de colheita e pode ser que estes fatores não tenham
colaborado para que a planta atingisse o seu potencial máximo de concentração de
principio ativo.
       Outras suposições para os resultados obtidos neste trabalho podem estar
ligadas à forma de aplicação da infusão, esta foi administrada pura, sem mistura
com óleos, e através de beberagem. observou-se que parte do medicamento
administrado foi perdido, devido ao temperamento do animal, à forma de contenção
e administração do medicamento. Estes fatores podem ter provocado uma
subdosagem, não atingindo assim o efeito esperado. Além disto, a literatura cita que
a administração da infusão com óleo mineral, poderia influenciar de alguma maneira
na ação da infusão sobre os parasitas no aparelho digestório.



                        5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

[1]AMOROSO, M.C.M., A abordagem etnobotânica na pesquisa de plantas
medicinais.in: Stasi, LCD., Plantas Medicinais: Arte e Ciência. 1º reimpressão.
Editora UNESP. São Paulo – SP. 1995; p 47-66.
[2]KATO, S; BOWMAN, D. D; Brown, D.L. Efficacy of Chenopodium ambrosioides L
as an antihelmintic for treatment of gastrointestinal nematodes in lambs. J Herbs,
Spices, Med Plants. 2000, 7:2,11-25; 32 ref.
[3]LOPA, T. P. Verminose na região sul.Online. Acesso em: 30 set. 2003.
Disponível                                                                     em:
http://www.webrural.com.br/webrural/artigos/pecuariacorte/sanidade/verminose.htm
[4]MATOS, F. J. A. Plantas medicinais do Ceará. Online. Acesso em 08 dez. 2002.
Disponível em: http://umbuzeiro.cnip.org.br/db/medic/taxa/363.shtml
[5]OLIVEIRA, R. G.; Avaliação “in vivo” da ação anti-helmíntica de plantas
consideradas medicinais como recurso potencial no controle de endoparasitos
gastrintestinais de ovinos. Dissertação apresentada à UFRGS em 2003.
[6]OLIVER-BEVER, B. Medicinal plants in tropical west Africa. III Anti-infection
therapy with higher plants. Vol. 9, n. 1. Nov. 1983. p. 1 – 85.
[7]PINHEIRO, A. C. & LEAL, J. J. B. Tratamentos anti-helmínticos em terneiros de
gado leiteiro. Coletânea das pesquisas – Medicina veterinária parasitologia –
EMBRAPA. Volume 5 Tomo II, Bagé, 1987. pág. 73 à 77.
[8]ROJAS, C. M. Parasitismo de los rumiantes domésticos. Lima: Maijosa, 1990.
Cap.11, pag: 163-207.
[9]SIMÕES, C. M. O. et al., Plantas da medicina popular no Rio Grande do Sul.
3ª ed., ed. Editora da Universidade-UFRGS, Porto Alegre-RS, 1989. 174p.
[10]TOM DAS ERVAS. Erva-de-Santa-Maria. Online. Acesso em 17 jun. 2002.
Disponível em: http://www.tomdaservas.com.br/ervadesantamaria.htm

								
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