ATALANTA FILMES

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					  ATALANTA FILMES
      Apresenta




     um filme de



Christian Carion
Aos 30 anos, Sandrine é uma jovem determinada a viver o seu sonho: tornar-se agricultora.
Deixa para trás Paris e o seu emprego de técnica informática por uma quinta isolada no
planalto de Vercors. Para ela, tudo começa enfim.

Adrien é um velho camponês decidido a vender a sua exploração mas, cansado e desiludido,
não tem vontade de transmitir o seu saber, sobretudo a uma parisiense. Cede-lhe a sua quinta
mas não considera a hipótese de a ajudar. Para ele, tudo pode recomeçar.

Sozinha, Sandrine vai cuidar das cabras, vigiar a transformação do antigo estábulo em
albergue de montanha, utilizar um site da Internet para vender os seus produtos e entrar no
ramo hoteleiro. Uma nova maneira de gerir a exploração agrícola. Adrien vai vê-la transformar
a quinta onde ele passou toda a sua vida e onde ainda tem de viver durante um ano, sempre
desconfiado.

Durante a Primavera e o Inverno Sandrine e Adrien vão viver lado a lado e entrar muitas vezes
em conflito. Estão pouco dispostos a ouvir-se um ao outro e estão decididos a não deixar os
sentimentos interferirem. Para além disso, há a rudeza do inverno, a curiosidade que têm um
pelo outro e o respeito que partilham pelos seus trabalhos e pelas pastagens. Pouco a pouco,
eles vão partilhar mais do que a quinta e vão ligar-se um ao outro.
Michel Serrault               Adrien
Mathilde Seigner              Sandrine
Jean-Paul Rossillon           Jean
Frédéric Pierrot              Gérard
Marc Berman                   Stéphane
Françoise Bette               A mãe de Sandrine




Realizador                    Christian Carion
Produtor Delegado             Christophe Rossignon
Argumento                     Christian Carion Eric Assous
Musica                        Philippe Rombi
Director de Fotografia e Enquadramento
                              Antoine Heberlé
Décors                        Jean-Michel Simonet
1º Assistente de Realização Nicolas Cambois
Casting                       Richard Rousseau
Engenheiro de Som             Pierre Mertens
Montagem de Imagem            Andréa Sedlackova
Montagem de Som               Etienne Curchod
Mistura                       Thomas Gauder
Sonoplastia                   Nicolas Becker
Fotografo de Cena             Laurence Trémolet e Jérémie Nassif
Guião                         Claudia Neubern
Guarda-Roupa                  Françoise Dubois e Virginie Montel
Maquilhagem e Cabelos         Sylvie Aïd, Michel Vautier e Delphine Jaffart
Director de Produção          Eve Machuel
Chefe de Produção Geral       Jean-Marc Gullino
Assistente de Produção        Cécile Remy-Boutang


         França, 2001, cor, 103’, 1.85, stereo
As Personagens


ADRIEN
                 Ver sob os seus olhos uma jovem mulher da cidade ser bem sucedida na
                 agricultura desde o primeiro verão, onde ele “patinou” durante 40 anos, é
                 duro. Mas, na velhice, Adrien conta com os primeiros flocos de inverno, não
                 para se desforrar, mas para finalmente estender a mão...




SANDRINNE
                 Aos 30 anos, temos vontade de nos realizarmos, de sermos felizes naquilo
                 que fazemos. Aos 30 anos, Sandrine decide realizar o seu sonho, sozinha.
                 Mas o inverno de Vercors vai obrigá-la a contar com alguém, ensiná-la a
                 preocupar-se com os outros, dar-lhe a oportunidade de gostar de álbuns de
                 fotografias…




JEAN
                 Não sabe talvez como se desliga o limpa pára-brisas do seu volvo
                 ultramoderno mas compreendeu que Sandrine tem todas as possibilidades de
                 vencer, onde Adrien se prepara para desistir do combate. Melhor do que
                 ninguém, ele avalia a sorte que o seu velho amigo tem de encontrar esta
                 "Parisiense".




GÉRARD
                 Com o seu peugeot 406 coupé e a sua roupa parisiense, Gérard sente-se
                 perdido nas pastagens de Vercors. Mas ele veio ver Sandrine e basta-lhe
                 revê-la para compreender que ela é, sem sombra de dúvida, a mulher da sua
                 vida. Então é preciso esfalfar-se, enganar e também mentir para tentar
                 reconquistá-la.
                           Entrevista com MICHEL SERRAULT


Falou muitas vezes da sua ligação ao campo. É um meio que conhece bem?
Sim, tinha 10-12 anos quando descobri o campo e tive a
oportunidade de fazer vários estágios em quintas. Lidei
com cavalos, fiz o feno, o trigo na época em que a
debulha durava quinze dias. Além disso, um acaso da
vida quis que durante doze anos eu tivesse uma quinta.
Gostava muito de falar com o caseiro que se ocupava
dela... Portanto, os camponeses, conheço-os bem! São
trabalhadores que respeitam a natureza, são homens
responsáveis que sabem receber, ser calorosos. É
verdade que talvez não sejam sempre simpáticos mas,
em todo o caso, têm uma verdadeira sensibilidade. Gosto
muito das pessoas da terra. Fazem um trabalho difícil,
não só física mas também humanamente.


Como é que construiu o personagem de Adrien?
Conheci agricultores como Adrien que não encontram senão jornaleiros ou amigos que passam
a dar um aperto de mão de tempos em tempos. Antes, as pessoas viam-se um pouco mais
porque havia festas e todos os grandes trabalhos, como a debulha, eram feitos pela
colectividade... Hoje em dia, a solidão é maior. Por todas estas razões, imaginei a personagem
de um camponês ao mesmo tempo simpático e doloroso.


O que é que nela foi difícil de interpretar?
Sabe, o meu trabalho consiste em tornar plausíveis histórias inacreditáveis. Por isso, é preciso
saber inventar por si mesmo, ser criativo e não se recolocar completamente entre as mãos do
produtor ou do realizador. Quando fazemos quatro takes, tento fazer quatro coisas diferentes.
Tento procurar entre as possibilidades infinitas... Tudo pode variar segundo o estado de graça
do meu parceiro, a iluminação, a música... Aqueles que se preparam durante quinze dias à
frente de um espelho e acreditam que estão prontos, deveriam estar noutra profissão. Quando
chego ao plateau no primeiro dia, nunca sei o que se vai passar uma vez que transpus a soleira
da porta. Fazemos um trabalho vivo que, como o texto, deve estar permanentemente em
mudança. Um filme monta-se plano a plano e o actor não trabalha de outra maneira. Em UMA
ANDORINHA FEZ A PRIMAVERA é claro que a notável personalidade das pessoas da equipa
fez mudar a história do filme durante a rodagem. Christian Carion sabia o que queria. Ele dava-
me indicações que eu tentava seguir o mais possível, mas guardando sempre uma certa
liberdade de desempenho. A inteligência nesta profissão consiste em aceitar as propostas dos
outros, de todos os outros: realizador, actor, encarregado do guarda-roupa... Cada um deve ter
a inteligência de dizer “Eu errei, tu tens razão”.


Além de que, para tornar este personagem credível, levou mesmo consigo alguns
objectos pessoais!
É verdade! Mas foi porque eu conhecia bem a minha personagem. Escolhi muito
cuidadosamente as minhas roupas enquanto dizia a mim mesmo: "se me querem, também o
querem!" E nada de coisas compradas em mercados de velharias! Levei as minhas próprias
roupas, particularmente uns calções que tinha comprado no mercado de Sarthe, mas também
usei a minha navalha Laguiole que tem mais de cem anos.
Neste filme, é muito comovente...
Sim... Enfim, a emoção nasce sobretudo no relaxamento e no divertimento... Eu não me
concentro verdadeiramente, tento antes fazer rir a equipa para me descontrair. Um pouco como
Mathilde Seigner, aliás...
Se o meu personagem é comovente, isso não depende do meu trabalho. Não sou o
personagem, sou só o seu intérprete. Antes de mais, a história é que é comovente. Por
exemplo, quando Adrien dança com Sandrine, toda a sua vida vem à superfície. Sabe que é
velho. A emoção só vem depois. É preciso deixá-la vir e não se impor, ela nunca é desejada ou
calculada.

Como é que descreveria a relação entre Adrien e Sandrine?
A sua história é uma espécie de “Salve-se quem puder” a dois! Adrien tem dificuldade em
aceitar a sua reforma, acha que as personalidades dos dois são incompatíveis. Descobre que é
absolutamente necessário instaurar um diálogo. Acho que temos medo uns dos outros, que
temos uma opinião formada sobre aqueles que não conhecemos. Será que isso conduz a uma
história de amor? Não sei. Tenho mais de 70 anos e sei como amar alguém de trinta anos sem
ter qualquer desejo. Está tudo em momentos, fotografias, olhares, alguns passos de dança...
Tudo se mistura com uma ideia da morte. Este encontro é também o balanço de uma vida.


Falemos um pouco da sua parceira. Mathilde Seigner é realmente espantosa como
agricultora. Entre vocês, o entendimento foi imediato?
Ah, sim! Não teria feito o filme sem ela. É uma bela andorinha! Mathilde é um pouco como eu,
diria até que é pior do que eu! É muito viva, muito mordaz... Tem a presença física necessária à
personagem. E trabalha mais do que diz! Muitas actrizes não teriam sido credíveis num papel
como este.


Também encontramos o seu amigo Jean-Paul Roussillon...
É uma pessoa que aprecio muito, com quem já tive ocasião de trabalhar. É um grande actor.


O filme foi filmado em duas partes. Com que estado de espirito estava no momento da
retomada no Inverno?
Como os camponeses, nós também dependemos muito da meteorologia. Nas filmagens de
Inverno, esperámos pela neve durante 15 dias. Foi uma das piores estações de ski para
Vercors... A dificuldade da rodagem em dois tempos foi a de se ajustar em relação a situações
rodadas seis meses antes e de guardar uma unidade na interpretação. O Inverno, a intimidade
entre as personagens é maior. Eles salvam-se um ao outro do rigor do clima. O meu trabalho
com Mathilde foi então muito diferente.


Muitos jovens realizadores pedem para trabalhar consigo. Como é que reage a este
entusiasmo?
Estou pronto a trabalhar com todo o tipo de pessoas, tanto com centenários como com
adolescentes, a partir do momento em que me tragam projectos que me digam alguma coisa.
Fico sempre surpreendido que os jovens me venham ver. Muitas vezes, não me atrevo a
perguntar-lhes, mas coloco a mim mesmo a pergunta: porquê eu? É que eu não faço parte
daqueles que estão sistematicamente beatos de admiração perante os jovens actores ou
jovens realizadores! Para além disso, eu não sou fácil, sou exigente, mas raramente me
engano. É verdade que há 20 anos, passei ao lado de alguns filme porque estava muito
tomado. Nunca na minha vida fui a uma audição: nem no cabaré, nem no teatro, nem no
cinema. Eu não procuro os papéis. É talvez uma sorte, mas hoje, tenho três projectos de
papéis de camponês. Deve ser da minha barba! De facto, devo ter uma bela cara de
camponês!
Filmografia de Michel Serrault

2001   UMA ANDORINHA FEZ A PRIMAVERA/ UNE HIRONDELLE A FAIT LE PRINTEMPS
                                                             de Christian Carion
       VAJONT                                                de Renzo Martinelli

2000   BELPHEGOR                                                de Jean-Paul Salomé

1999   LES ACTEURS                                              de Bertrand Blier
       LE LIBERTIN                                              de Gabriel Aghion
       LE MONDE DE MARTY                                        de Denis Bardiau

1998   LES ENFANTS DU MARAIS                                    de Jean Becker

1997   ASSASSINOS /ASSASSIN(S)                                  de Mathieu Kassovitz
       RIEN NE VA PLUS                                          de Claude Chabrol

1996   ARTEMISIA                                                de Agnès Merlet
       LE COMEDIEN                                              de Christian de Chalonge

1995   LE BONHEUR EST DANS LE PRE                               de Etienne Chatiliez
       NELLY ET Mr ARNAUD                                       de Claude Sautet

1992   BONSOIR                                                  de Jean-Pierre Mocky

1991   VIEILLE CANAILLE                                         de Gérard Jourd'hui
       VILLE à VENDRE                                           de Jean-Pierre Mocky
       LA VIEILLE QUI MARCHAIT DANS LA MER                      de Laurent Heynemann

1989   DOCTEUR PETIOT                                           de Christian De Chalonge
       JOYEUX NOËL,BONNE ANNEE                                  de Luigi Comencini
       COMEDIE D'AMOUR                                          de Jean-Pierre Rawson

1988   BONJOUR L'ANGOISSE                                       de Pierre Tchernia
       NE REVEILLEZ PAS UN FLIC QUI DORT                        de José Pinheiro

1987   EN TOUTE INNOCENCE                                       de Alain Jessua
       ENNEMIS INTIMES                                          de Denis Amar
       LE MIRACULE                                              de Jean-Pierre Mocky

1985   MON BEAU FRERE A TUE MA SŒUR                             de Jacques Rouffio
       LA CAGE AUX FOLLES III                                   de Georges Lautner
       ON NE MEURT QUE DEUX FOIS                                de Jacques Dray

1984   LES ROIS DU GAG                                          de Claude Zidi
       LIBERTE EGALITE CHOUCROUTE                               de Jean Yanne
       DAGOBERT                                                 de Dino Risi

1983   A MORT L'ARBITRE!                                        de Jean-Pierre Mocky
       LE BON PLAISIR                                           de Francis Girod

1982   MORTELLE RANDONNEE                                       de Claude Miller
       DEUX HEURES MOINS LE QUART AVANT JESUS-CHRIST            de Jean Yanne
       LES FANTOMES DU CHAPELIER                                de Claude Chabrol

1981   LES 40èmes RUGISSANTS                                    de Christian de Chalonge
       GARDE A VUE                                              de Claude Miller

1980   MALVIL                                                   de Christian de Chalonge
       LA CAGE AUX FOLLES II                                    de Edouard Molinaro
       PILE OU FACE                                             de Robert Enrico

1979   BUFFET FROID                                             de Bertrand Blier
       LA GUEULE DE L'AUTRE                                     de Pierre Tchernia

1978   L'ESPRIT DE FAMILLE                                      de Jean-Pierre Blanc
       LA CAGE AUX FOLLES                                       de Edouard Molinaro
       L'ARGENT DES AUTRES                                      de Christian de Chalonge


1977   PREPAREZ VOS MOUCHOIRS                                   de Bertrand Blier

1976   LE ROI DES BRICOLEURS                                    de Jean-Pierre Mocky

1975   OPERATION LADY MARLENE                                   de Robert Lamoureux
       L'IBIS ROUGE                                             de Jean-Pierre Mocky

1974   UN LINCEUL N'A PAS DE POCHES                             de Jean-Pierre Mocky

1973   LA MAIN à COUPER                                         de Etienne Perier
       LES CHINOIS à PARIS                                      de Jean Yanne
       LES GASPARDS                                             de Pierre Tchernia
       MOI Y EN A VOULOIR DES SOUS                              de Jean Yanne
       UN MEURTRE EST UN MEURTRE                                de Etienne Perier

1972   TOUT LE MONDE IL EST BEAU, TOUT LE MONDE IL EST GENTIL
                                                                de Jean Yanne
       LE VIAGER                                                de Pierre Tchernia

1970   LE CRI DU CORMORAN LE SOIR AU-DESSUS DES JONQUES
                                                                de Michel Audiard
       LA LIBERTE EN CROUPE                                     de Edouard Molinaro

1969   CES MESSIEURS DE LA GACHETTE                             de Raoul André

1968   A TOUT CASSER                                            de John Berry

1967   CES MESSIEURS DE LA FAMILLE                              de Raoul André

1966   LE ROI DE CŒUR                                           de Philippe de Broca
       LES COMPAGNONS DE LA MARGUERITE                          de Jean-Pierre Mocky

1965   QUAND PASSENT LES FAISANS                                de Edouard Molinaro
       LE LIT à DEUX PLACES                                     de Jean Delannoy

1964   LA CHASSE à L'HOMME                                      de Edouard Molinaro

1963   LES PISSENLITS PAR LA RACINE                             de Georges Lautner
       BEBERT ET L'OMNIBUS                                      de Yves Robert

1962   LE REPOS DU GUERRIER                                     de Roger Vadim
       UN CLAIR DE LUNE A MAUBEUGE                              de Jean Chérasse

1961   LA BELLE AMERICAINE                                      de Robert Dhéry

1960   CANDIDE                                                  de Norbert Carbonnaux
       LA FRANÇAISE ET L'AMOUR                                  de Christian Jacque

1959   VOUS N'AVEZ RIEN À DECLARER ?                            de Clément Duhour

1958   CES MESSIEURS LES RONDS-DE-CUIR                          de Henri Diamant Berger

1957   CA AUSSI C'EST PARIS                                     de Maurice Cloche

1956   ASSASSINS ET VOLEURS                                     de Sacha Guitry

1955   CETTE SACREE GAMINE                                      de Michel Boisrond

1954   LES DIABOLIQUES                                          de Henri-Georges Clouzot
                            Entrevista com Mathilde Seigner


Christian Carion e Christophe Rossignon contam que fazia questão de fazer este filme.
Porquê?
Tive a mesma reacção que tive com Harry [Harry, Um
Amigo ao seu Dispor]. Foi como um flash! Tive a
impressão que esta personagem tinha sido escrita para
mim, o que não era o caso. Ainda por cima, eu tinha
vontade de interpretar uma agricultora e de fazer um filme
popular. Era uma história e um papel sublimes. E depois,
havia Michel Serrault... Na minha carreira de actriz, é a
quarta vez que se produz um encontro assim com um
argumento. Houve Rosine, um filme que nunca esquecerei,
Vénus Beauté, Harry e agora UMA ANDORINHA FEZ A PRIMAVERA.

O que é que conhecia do mundo agrícola antes de fazer este filme?
Sou parisiense de origem, mas passei muito tempo no campo. Gosto muito da terra, sinto-me
próxima dela. Também gosto muito dos animais. Fui instrutora de equitação, trabalhei em
quintas. Evidentemente que nunca participei na morte de um porco ou num parto de um cabrito,
mas conhecia bem o mundo agrícola. Sempre gostei muito do campo, sinto-me à vontade.

É verdade que monta particularmente bem a cavalo no filme...
Desde pequena que conheço bem os cavalos. Espero poder criá-los um dia. Este filme
confirmou a minha vontade de ir para o campo e criar cavalos. UMA ANDORINHA… é o
primeiro filme de Christian Carion.

Porque é que confiou nele?
Quando aceitamos representar num primeiro filme, não temos nada que nos permita julgar a
qualidade do realizador. Para mim, só há uma coisa que conta: é necessário que ele tenha o
seu filme no ventre. Em 99% dos casos, podemos ter a certeza de que ele não vai falhar!
Christian Carion, como Dominik Moll, tinha um truque a lançar. Quando se traz algo no
coração, não nos podemos enganar. Considero este filme inteiramente conseguido. Vai para
além do que eu estava à espera. De facto, é mais forte do que a sua história. Para lá do mundo
agrícola que descobrimos, este filme fala da solidão... Sim, o filme mostra o encontro de duas
solidões. Um encontro estranho porque Sandrine não gosta muito dos outros e Adrien também
não. Mas no fundo, acho que ele a adora desde o início e que muito rapidamente a vai amar
como um pai.

O que é que diria a propósito de Sandrine Dumez ?
É uma jovem mulher de 30 anos. Uma rapariga moderna que deixa tudo para viver uma outra
coisa. Esta rapariga que está farta de Paris, que parte para "plantar couves", sou eu hoje em
dia! Ela vai ao limite de um sonho e muda de vida. Acho que este filme vai agradar porque a
ideia de partir para qualquer lado é uma coisa destes tempos, leio isso nos jornais
regularmente. Ela tem desejo de respirar, de ver outra coisa, é uma atitude corajosa que eu
compreendo. Eu poderia fazer o mesmo. Às vezes tenho vontade de deixar esta profissão, de
partir para o sol... Penso nisso, só que acho que não teria coragem para o fazer.

Colocou a si mesma a questão de saber se seria credível como agricultora?
É claro que não. Não coloco a mim mesma esse tipo de questões. Nos filmes, já exerci muitas
profissões. Fui esteticista, advogada, estrela da meteorologia, da pornografia, operária de
fábrica... Acho que tenho uma cabeça para fazer profissões. Deve-se sobretudo ao facto de eu
fazer escolhas muito eclécticas. Vénus, Belle maman, Harry, Le bleu des villes e Rosine são
papéis que não têm nada a ver uns com os outros. Não vejo porque é que não posso ser
credível como agricultora, se o fui como esteticista!
Durante a rodagem, sentiu algum prazer particular em fazer este filme?
Sim, este filme é uma aventura magnifica. Quando lá estávamos, não tinha a impressão de
estar a fazer um filme. Sentia que estava a viver a minha vida, que não estava a representar.
Havia evidentemente o plateau, o enquadramento técnico, mas no geral, tinha a impressão de
ter a minha própria criação de cabras, o meu próprio tractor. E depois, para mim, Michel era
completamente Adrien. Quando tudo isto acabou, tive dificuldade em dizer a mim mesma que
era um filme que terminava. Era uma história verdadeira, uma parte da minha vida que parava.
Hoje, posso dizer que num dado momento fui agricultora... e não num filme! Ainda por cima,
vivi coisas fortes como o parto de um cabritinho...

Justamente, como é que se desenrolou a rodagem desta sequência?
Tinha pedido ao primeiro assistente para me avisar no último momento. Como essa cabra
estava a sofrer muito e era o seu primeiro parto, eu fixei-me completamente na câmara. Eu
tinha simplesmente de ajudar a « dar à luz ». Não me tinham explicado nada porque eu nunca
quero que me digam como é que se fazem as coisas. Prefiro agir pelo instinto. Não quero
trabalhar um papel, quero vivê-lo. Então meti o braço na vulva, peguei no cabrito pelas patas e
tirei-o. No mesmo dia, filmei a cena onde degolamos o porco. Ainda foi menos agradável
porque é um animal que grita muito alto. Havia sangue por todo o lado... No fim desse dia
estava esgotada. Esta cena é o primeiro contacto de Sandrine com o mundo agrícola. É uma
tomada de consciência violenta mas indispensável ao filme e ao personagem: a agricultura não
é apenas fazer queijo de cabra, é também essa violência. No inicio não queria filmar esta cena,
mas o Christian fazia questão. Hoje percebo porquê. Dizemos a nós próprios :"Ela vai
conseguir, ela vai chegar lá."

Trabalhar com Michel Serrault era um velho sonho?
Sim. Acho Serrault um génio. Faz parte dos últimos grandes actores franceses. Quando eu era
adolescente, sonhava em contracenar com Gabin, Ventura, Signoret, Romy Schneider... Para
eles já é tarde, mas ainda há Serrault, e Deneuve também. É um louco que é muito sóbrio no
ecrã.

Levaram tanto tempo como os personagens do filme a familiarizar-se um com o outro?
Não, isso foi muito rápido. Eu não me deixei levar e ele deve ter gostado disso. Michel não
gosta de muita gente, é como eu. De facto, tenho a impressão de fazer parte da geração de
Serrault.

Em que é que o actor Michel Serrault a surpreendeu?
Eu estava à espera de encontrar uma personalidade fora do comum. É um dos poucos actores
que nos pode emocionar, nos fazer chorar em dois segundos. Christian soube dirigi-lo. Ele é
muito sóbrio. Acho que não o vemos assim desde Garde à vue ou Nelly et monsieur Arnaud. É
o género de frente a frente que não se esquece. Partilhamos o mesmo método de
concentração, ou seja nenhum! Somos os dois indisciplinados, mas damo-nos bem assim.
Adoro a cena do guisado, e sobretudo a cena da valsa. Fizemos muito poucos takes. Com
Serrault, tudo foi fácil. Não fiquei nem impressionada, nem embaraçada por ele. Era isso que
eu temia, mas tive imediatamente a impressão de o conhecer há já quinze anos. Não tinha
medo da sua opinião.

Não teve nenhuma dificuldade nesta rodagem?
Não, nenhuma. Christian Carion foi muito gentil. Disse-me que gostava muito de mim, que era
um grande fã dos seus actores. Muitas vezes vimo-lo chorar perante o seu monitor. Toda a
gente foi gentil: Frédéric Pierrot, Jean-Paul Roussillon, os técnicos... Éramos uma equipa
reduzida, num local magnifico. Eu teria ficado por lá!
Como é que viveu os cinco meses de interrupção da rodagem?
Foi muito estranho porque, durante esse tempo, fiz os filmes de Claude Miller e de Yamina
Benguigui. Havia como que uma ausência. Todavia, quando paramos durante cinco meses,
passam-se coisas. Isto é válido para mim, Michel, Christian e toda a equipa. Portanto,
reencontramo-nos de outra maneira. Creio que o filme reflecte isso: a parte do Verão é muito
diferente da do Inverno. Ainda por cima, esperámos esse Inverno como os camponeses. É um
verdadeiro filme de camponeses. Além de que, Christian Carion e Christophe Rossignon são
filhos de camponeses. Christian sabia do que falava, e acho que este filme é bastante justo na
representação que faz do mundo agrícola.

Que satisfação sentiu em ter participado num filme como este?
Fazer um filme assim é também uma satisfação pessoal. Gosto muito de fazer filmes
arriscados como Harry ou Vénus. Comprometo-me junto de desconhecidos que geralmente
não são sustentados pelo sistema. É uma coisa que adoro. Eu vou contra a corrente. Sou como
Sandrinne: vou ao limite dos meus desejos.

Filmografia

2001   UMA ANDORINHA FEZ A PRIMAVERA / UNE HIRONDELLE A FAIT LE PRINTEMPS
                                                               de Christian Carion
       HISTOIRE DE BETTY FISHER                                de Claude Miller
       INCH ALLAH DIMANCHE                                     de Yamina Benguigui
       LE LAIT DE LA TENDRESSE HUMAINE                         de Dominique Cabrera


2000   HARRY, UM AMIGO AO SEU DISPOR / HARRY UN AMI QUI VOUS VEUT DU BIEN
                                                               de Dominik Moll
       LA CHAMBRE DES MAGICIENNES                              de Claude Miller


1999   BELLE MAMAN                                             de Gabriel Aghion
       O TEMPO REENCONTRADO / LE TEMPS RETROUVE                de Raoul Ruiz


1998   VENUS BEAUTE (INSTITUT)                                 de Tonie Marshall
       LE BLEU DES VILLES                                      de Stéphane Brizé
       LE CŒUR A L'OUVRAGE                                     de Laurent Dussaux


1997   NETTOYAGE A SEC                                         de Anne Fontaine
       VIVE LA REPUBLIQUE                                      de Éric Rochant


1996   FRANCO-RUSSE                                            de Alexis Miansarow


1995   MEMOIRES D'UN JEUNE COM                                 de Patrick Aurignac
       PORTRAITS CHINOIS                                       de Martine Dugowson


1994   BOULVARD Mac DONALD(curta-metragem)                     de Melvil Poupaud


1993   LE SOURIRE                                              de Claude Miller
       ROSINE                                                  de Christine Carrière
                            Entrevista com Christian Carion



Qual foi o seu percurso antes de fazer este filme?
Os meus pais eram camponeses em Pas-de-Calais. Eu tinha vontade de fazer cinema desde
os 13 anos de idade. Eu desconfiava que, para os meus pais, isso era inaceitável e por isso
nunca lhe falei nisso. O meu pai sonhava que os seus dois filhos fossem engenheiros. Para ele,
isso representava o êxito social absoluto. Por isso fingi apaixonar-me pelas matemáticas.
Passei com C no bac (exame no fim do ensino secundário francês), fiz uma curso preparatório
e finalmente entrei para uma escola de engenheiros do Ministério da Agricultura. Tinha 20 anos
e considerava ter cumprido o meu contrato moral. Foi então que me decidi a consagrar ao
cinema. Aluguei uma câmara de vídeo e pus-me a arranjar filmes sem interesse. E depois, há
dez anos, encontrei por acaso Christophe Rossignon. Na época, ele debutava na sua carreira
de produtor. Ele também era filho de camponeses do Norte, e como eu, tinha um diploma de
engenheiro perfeitamente inútil para fazer cinema. Simpatizámos um com o outro, e levou-me
às rodagens das curtas metragens que ele produzia. Eu trabalhava para o Ministério da
Agricultura para ganhar a vida e ao mesmo tempo filmei três curtas metragens, a última,
Monsieur le député, foi produzida por Christophe que interpretava também um dos
personagens. Tudo se passou maravilhosamente bem e nós decidimos prolongar a nossa
colaboração.

Por que é que lhe propôs UMA ANDORINHA FEZ A PRIMAVERA?
                              Tinha vários projectos na cabeça. Christophe aconselhou-
                              me a lançar-me naquele que eu julgava mais próximo de
                              mim, o mais sincero. Esse foi UMA ANDORINHA... por
                              várias razões. Em primeiro lugar, por causa das minhas
                              origens. Depois, Sandrine é-me próxima: ela abandona uma
                              vida para começar uma nova. Apercebi-me recentemente
                              que me projectei nesta personagem feminina. Quanto a
                              Adrien, ele representa o meu pai. Por isso, este filme só
                              poderia ser sincero.

Porquê pedir a Eric Assous para escrever o argumento ?
Escrevi uma primeira versão sozinho, queria construir eu mesmo as fundações da casa. Nessa
versão, 80% dos elementos já lá estavam mas mal representados. Eric Assous era
completamente estranho ao universo agrícola e trouxe-me o seu “savoir-faire”. Redistribuiu as
cartas, arranjou as coisas com o seu talento de argumentista. Trabalhámos juntos durante três
meses.

Como é que nasceu a ideia deste encontro entre uma rapariga que abandona tudo e um
camponês que quer recuperar ?
Quando trabalhava no Ministério da Agricultura, ocupava-me nomeadamente das pessoas que
se queriam tornar agricultores. Fazia o trabalho do personagem de Marc Berman que
apresenta Sandrine a Adrien. Como filho de camponês eu achava que com quem não é do
meio, a coisa não podia funcionar. Finalmente, as pessoas mais interessantes que encontrei
eram aquelas que não eram do meio. Não tinham qualquer ideia preconcebida e apresentavam
projectos firmes. O que me surpreendeu sobretudo foi encontrar mulheres que, por vezes
sozinhas, decidiam deixar a cidade para se tornarem agricultoras. O filme foi alimentado por
estes encontros com pessoas apaixonadas que realizam um velho sonho de criança.
Na sua necessidade de liberdade, Sandrine Dumez é representativa da sua geração?
Creio que ela faz parte desta geração de mulheres que tomam tudo em mãos. Tem um projecto
que assume sozinha e lança-se no planalto de Vercors. Creio que uma das características das
mulheres de trinta anos é a de poder dizer "eu decido a minha vida" seja para ir para o planalto
de Vercors ou a outro lado. UMA ANDORINHA... é também um filme sobre a solidão.

Como é que definiria o personagem de Adrien?
Ele representa uma geração de camponeses que se vai embora. Uma geração que atravessou
os anos sessenta onde os agricultores eram os reis do petróleo... Beneficiaram de facilidades
financeiras e materiais em troca de rendimento elevado. As pessoas da geração de Adrien
representaram um verdadeiro poder económico. Hoje, a situação é bem diferente,
especialmente por causa das vacas loucas, que é o resultado desta loucura produtivista. Então,
estes agricultores partem na maior humilhação: os seus rebanhos são abatidos, eles são
apontados com o dedo pela população que os acusa de a ter envenenado e de poluir o
ambiente. O contraste é violento.

Como é que construiu a lenta evolução da relação entre estas duas personagens?
A maior parte de camponeses que encontrei não são muito abertos ao primeiro contacto. São
muito individualistas porque sempre trabalharam sozinhos e não querem depender de ninguém.
Insisti um pouco nesta característica para este personagem por causa da sua história: ele é
viúvo, vive sozinho há dez anos num local muito afastado. A personagem de Marc Berman diz
que ele vive como um urso. Para ele, uma mulher que não é do meio é forçosamente uma
candidata medricas à salvação da sua quinta. No entanto, ele não está numa posição de poder
recusar: tem de a vender. Com o tempo, apercebe-se que ela tem ideias que ele nunca poderia
ter tido. Por exemplo, ele nunca teria pensado em abrir um albergue rural. Ele sabe que ela
pode ter êxito. Dá então alguns passos desajeitados na direcção dela. Tinha vontade de
mostrar estes momentos onde o coração está lá mas o gesto não acompanha. Depois da sua
crise cardíaca, a questão de o que é que vai deixar para trás torna-se de repente concreta.
Pede então a Deus um pouco mais de tempo para transmitir a sua quinta a Sandrine.

Que sentimento queria fazer passar na cena da valsa? Um sentimento quase
apaixonado?
Queria que ele fosse apanhado no seu próprio jogo. Ele consegue entrar em contacto com ela,
mas... é uma mulher e ele está sozinho há muitos anos! A presença desta mulher desperta nele
algo que tinha esquecido: o desejo. Gosto muito da ideia de que podemos ainda sentir desejo
aos 70 anos.

Porque é que o primeiro contacto de Sandrine com o mundo agrícola é a visão de um
porco que é degolado?
O genérico é um sonho de Sandrine no seu carro. É uma visão muito cor de rosa, muito
turística do campo que corresponde um pouco ao ponto de partida das pessoas que deixam a
cidade. Penso que nesse momento os espectadores têm dificuldade em acreditar que ela vai
ser verdadeiramente agricultora. Por isso precisava de uma cena onde de repente
disséssemos: "ela vai chagar lá". É também uma cena que corresponde à realidade. As
pessoas que se querem tornar agricultores fazem estágios, e existe por parte dos exploradores
que os recebem uma verdadeira cerimónia da praxe. Fazem-nos fazer coisas penosas como
recolher o sangue de um porco que degolamos. Também é verdade que se as pessoas não
conseguem efectuar tarefas tão penosas, mais tarde nunca poderão ser bem sucedidas
profissionalmente. De certa forma, prestamo-lhes um serviço. Queria que nesta cena, houvesse
uma quebra brutal no tom e na realização. Era preciso entrar a pés juntos na realidade. Não há
efeitos especiais, no entanto, o porco não foi morto só para o nosso filme, mas para um
restaurante que faz um excelente salsichão!
Pensou em Mathilde Seigner e Michel Serrault desde a escrita?
Christophe Rossignon, o meu produtor, sugeriu-me muito rapidamente Michel Serrault. Aderi
completamente a essa ideia, sentindo-me sempre um pouco apreensivo em relação à ideia de
fazer o meu primeiro filme com um actor da sua estatura! Mas o papel adequava-se tão bem a
ele, que não via outra pessoa a fazê-lo! A escolha de Mathilde fez-se a seguir. Tivemos outras
ideias mas o meu único desejo era ela. É a actriz que liberta a força suficiente para que
possamos acreditar nela, como na cena do porco, mantendo sempre um lado feminino. É uma
coisa muito rara. De facto não tive dificuldade em convencê-los. Tinha falado do projecto a
Michel Serrault durante um almoço, e ele tinha-me prometido o seu acordo se o argumento
estivesse à altura da história. Mathilde também aceitou imediatamente encarnar a sua
personagem.

Em que é que estes dois actores, duas personalidades fortes, o surpreenderam?
Entraram na pele das suas personagens com uma naturalidade, que me agradou imenso.
Mathilde e Michel são pessoas de natureza generosa. São os dois muito instintivos... só
acreditam no momento, nos décors, no ambiente... Tendo muitas cenas em comum,
enriqueceram-se um ao outro.

O filme desenrola-se no Verão e no Inverno, as filmagens foram interrompidas durante
vários meses. Em que é isso foi difícil?
Foi uma dificuldade essencialmente logística. Uma vez construído o cenário no verão, era
preciso mantê-lo em boas condições durante vários meses. Em compensação, no que diz
respeito aos actores, creio que esta dupla rodagem enriqueceu o filme. Quando começámos,
no verão, a relação entre Michel Serrault e Mathilde Seigner era muito próxima do que se
passa entre as duas personagens. Uma vez terminadas as sequências de verão, combinámos
encontrar-nos cinco meses depois. E quando retomámos o trabalho no inverno, gostaram muito
de se reencontrar. Do meu lado, “ataquei” a montagem depois da rodagem de verão, para o
caso de haver coisas a refazer. Em Novembro, mostrei-lhes a montagem de verão. Creio que
ficaram contentes em estar associados à direcção que o filme tomava.

Porquê filmar em Vercors ?
Descobri esta região há pouco tempo e fiquei logo fascinado pelas falésias, por este lado brutal
e escarpado, por estas estradas que devem conquistar verdadeiramente o topo. Também
descobri que Vercors se parecia com a personagem de Adrien. É uma paisagem muito rude.
Aceder a um local obriga a um esforço, mas no fim de contas, somos recompensados. A
personagem de Adrien é um pouco assim. Como Vercors, Adrien merece!

E a casa?
Comecei à procura em Abril, e só a encontrei em Setembro! Depois de me cansar nas estradas
de Vercors, acabei por alugar um avião por duas horas. Aí vi essas duas construções surgir do
fim do mundo! De carro nunca teria descoberto esta quinta, está completamente disfarçada na
paisagem. A primeira coisa que o caseiro me disse foi: "Como é que me descobriu?" Quando
lhe disse que ia filmar um filme com Michel Serrault, começou por achar que eu era um
mitómano. Depois, ajudou-nos de bom coração. Jean-Michel Simonet, o chefe decorador, teve
muito trabalho. Tanto o local era ideal como a quinta estava deixada ao abandono. Fizemos
muitas buscas no local, tirámos fotografias de hortas, de cozinhas nas casas de camponeses.
Filmámos as cenas de interior junto de um outro criador que nos deu consentimento para levar
os seus animais para o planalto de Vercors: são aqueles que vemos no filme. Tivemos também
de fazer inseminações artificiais a cerca de quarenta animais no verão para nos certificarmos
que teríamos partos durante as rodagens de inverno.
Como é que se desenrolou a rodagem da cena com Mathilde Seigner quando a cabra
está a dar à luz?
Só há uma maneira de filmar esta cena ... e ainda por cima não somos nós a decidir o
momento em que a filmamos! Aqui tenho de tirar o chapéu a Mathilde Seigner. Filmávamos
uma sequência com Michel Serrault e vieram prevenir-me de que seria dentro de uma hora.
Mudámos rapidamente o plano de trabalho e Mathilde foi para lá o mais rapidamente possível.
Eu tinha muito medo desta sequência. Era um momento difícil para ela. E para a cabra, era o
primeiro cabrito, o que complicava ainda mais as coisas... o parto fez-se e para Mathilde, penso
que foi um momento de emoção enorme. Ela desfez-se literalmente em lágrimas. Depois,
tirámo-lhe o cabrito vivo das mãos e metemos no seu lugar um cabrito morto naturalmente um
mês antes, congelado e descongelado para a ocasião. Depois disso fomos almoçar e da parte
da tarde, filmámos a cena do porco... No final, Mathilde estava completamente estafada e eu
também.

Há também uma piscadela às vacas loucas no filme...
Não é o tema central, apesar da cena ser importante. Adrien conta o drama da sua vida que é
um caso de vacas loucas. Quis-me o ocupar das pessoas que se encontram nesse caso e
sempre achei terríficos os métodos aplicados. Estas pessoas que desembarcam nos estábulos,
levam todos os animais e encharcaram tudo com cal viva... Queria muito falar de tudo isto do
ponto de vista de um criador, num filme de cinema. Não imaginava que a actualidade, com a
febre aftosa, faria esta cena do filme ecoar desta maneira.

Porquê este titulo que faz referência a um provérbio que todos conhecemos?
No inicio do filme, Michel Serrault finge não ter sido conquistado por Mathilde Seigner. Ao vê-la
trabalhar, diz: "Uma andorinha não faz a primavera”, e engana-se. É justamente esta mulher
que faz a primavera deste velho homem. Acredito que se não a tivesse encontrado, ele teria
morrido. Ela abanou-o na sua quinta e nas suas certezas, e isso acabou por o salvar. Quis
fazer um filme optimista, é por isso que ela volta no final. No filme, uma andorinha… fez a
primavera!

O que é que retém desta aventura?
Antes de mais, a vontade de viver outra! Foi uma experiência mágica. Tive a oportunidade de
trabalhar com Christophe Rossignon sem o qual eu não poderia ter feito o filme. É preciso ter
realmente confiança em alguém para se abrir a este ponto, apresentar cenas nulas e ouvir-se
dizer que são nulas! Tem este talento de ouvir, e também o de admitir que se engana quando é
o caso.


Filmografia
Curtas Metragens:

1998 Monsieur Le Député            com Marc Berman, Pierre Vernier e Roger Dumas
                                   Produzido por Christophe Rossignon
       Presente nos Festivais de Tróia, Namur, Metz, Tours, Valenciennes, Toulouse.

1997 Le château d'eau               com Léa Drucker, Jacques Mussier e Marc Berman

1994 Doucement les violons!         com Sandrine Caron e Christian Mulot
Para uma primeira experiência cheia de emboscadas, Christian Carion não tropeça em
nenhuma. Apoiado num argumento bem escrito, repleto de diálogos que soam bem sem forçar
a cor local, o realizador dá corpo ao fantasma da segunda oportunidade que dormita em cada
um de nós.
Encadeando realismo bruto e fábula calorosa sobre a dupla aprendizagem, do outro e a dos
nossos próprios limites, a narração desenrola serenamente o fio de uma reconstrução na luta,
na dúvida e depois na realização. O confronto entre a antiga geração e a renovação não se
contenta em ser delicioso. Comove também os corações quando no tempo de uma dança, o
passado de Adrien lhe murmura ecos carinhosos.
                                                Philippe Paumier, Ciné Live, Setembro 2001




Uma magnifica crónica rural, servida por dois actores no auge da sua arte. Um primeiro filme
perturbador. Com UMA ANDORINHA FEZ A PRIMAVERA, Christian Carion assina um dos
filmes mais conseguidos do ano 2001, e aqueles que viram as suas três curtas-metragens
sabem que este êxito não se deve apenas à sorte. Em Monsieur le député, demonstrava a sua
capacidade de falar de política sem abreviaturas, graças a um domínio total do tema. E é
precisamente este olho de documentarista que constitui o alicerce da sua passagem para a
longa metragem com esta crónica cheia de humanidade.
O confronto entre dois seres que tudo opõe transforma então a crónica rural em crónica
sentimental: Sandrinne é a andorinha que vai fazer renascer a primavera no coração do velho
senhor. Esta história de amor platónico que nunca diz o seu nome perturba pelo extremo pudor
dos dois protagonistas, incapazes de encontrar as palavras para exprimir os seus sentimentos.
O filme é servido pela prestação resplandecente dos seus dois principais intérpretes. Michel
Serrault trás na cara, na maneira de se mover, toda a memória deste Vercors, inscrevendo
Adrien no panteão dos seus melhores papeis. E Mathilde Seigner ganha uma nova dimensão,
graças a uma personagem que lhe permite exprimir com credibilidade uma enorme paleta de
representação. Sustentado por papeis secundários impecáveis (delicioso Jean-Paul Rossillon),
UMA ANDORINHA... prova que a felicidade está mais do que nunca no prado!
                                                      Thierry Cheze, Studio, Setembro 2001
Christian Carion filma com conhecimento de causa e sem filtros (mas com verdadeira ambição)
as rudes realidades agrícolas. Carion não escolheu a facilidade recorrendo a duas
personalidades tão fortes como Serrault e Seigner. Um primeiro filme raramente arrisca a uma
confrontação destas. Ele apresenta-se de imediato como director de actores ajuizado e
observador da natureza – humana ou não. Sem todavia alcançar cumes de ambiguidade. Pelo
seu tema e pela sua preocupação com os pormenores, o filme reconcilia duas tendências do
naturalismo no cinema: o gosto pela terra, género “não passemos ao lado das coisas simples”
de Jean Becker com LES ENFANTS DU MARAIS, e a “fatia” de campo séria e estetizada,
género C’EST QUOI LA VIE? de François Dupeyron.
                                            Christophe Narbonne, Premiére, Setembro 2001




Sandrinne, uma andorinha metropolitana, acabará por trazer uma nova estação ao coração
gelado de um velho senhor inconveniente. São precisos mais filmes como este que, com pudor
e delicadeza, sem ceder minimamente aos estereótipos da vida na natureza, consegue casar a
crónica rural com a história de amor platónico, o realismo com os sentimentos.
                                                  Roberto Nepoti, La Repubblica, Maio 2002




Sucesso inesperado nas salas, a primeira longa-metragem de Christian Carion vale antes de
mais pela sua simplicidade. Depurado, sem efeitos inúteis, conta a relação delicada entre uma
jovem e um velho. Regresso à natureza, gosto pela terra, o filme é ideal para os tempos que
correm.
                                                     Olivier Maurasin, Le Monde, 6 Abril 2002




Paisagens sublimes. Actores grandiosos. Magnifico!
                                                                                 Paris Match




Uma história simples e comovente em forma de crónica rural, interpretada por uma dupla de
actores vestindo papeis feitos à medida.
                                                                                  Libération




Um filme de grande força que deixa o espectador desconcertado pela emoção.
                                                                                 Le Parisien
Reacções aos 2,3 milhões de espectadores em França



Mathilde Seigner, actriz:

“Estava tudo contra este filme no inicio e por isso foi mágico.”

O que é que me seduziu? O argumento, o propósito original, Michel Serrault, a autenticidade do
realizador, a ideia da rodagem no campo... Não éramos muito a acreditar no projecto: Christian
Carion, Christophe Rossignon, Michel Serrault e eu.
No geral, este sucesso é um “murro no estômago” de muita gente. Mas muitas vezes penso
que é um bom sinal quando a profissão não acredita. UMA ANDORINHA FEZ A PRIMAVERA,
é uma aventura um pouco mágica. Estava tudo contra este filme no inicio e por isso foi mágico.
Durante a rodagem, não havia tensões. Tinha impressão que não era um filme mas quase a
realidade! E filmar com Michel Serrault, foi simplesmente genial! Quanto a Christian Carion, ele
parecia-me muito puro, nada corrompido, muito desfezado em relação ao nosso mundo.
Ele contava a sua história com a sua cabeça e o seu coração. Ele simplesmente deu felicidade
às pessoas. É uma lufada de ar fresco!



Christian Carion, realizador:

“Não sinto rancor em relação aqueles que não acreditavam no projecto.”

É claro que não esperávamos um sucesso tão grande. No inicio, ninguém acreditava neste
filme. Quando toda a gente prevê na melhor das hipóteses 500 000 espectadores, temos medo
de não conseguir atingir, e esse número torna-se mesmo um objectivo. Abaixo dos 500.000
espectadores, teria ficado desiludido. Por isso com 2,3 milhões de espectadores, estou super
contente!!! Não sinto rancor em relação àqueles que não acreditavam no projecto. Mas retive
que nada é previsível no cinema! UMA ANDORINHA FEZ A PRIMAVERA é um bom exemplo
disso. Agora, deveria ser um pouco mais fácil fazer um outro filme.
A rodagem desenrolou-se em dois tempos, com uma paragem de cinco meses. Este corte foi
muito duro. Estávamos todos juntos no planalto de Vercors, foi extraordinário e não sabia como
é que ia encontrar os actores cinco meses depois. Tive muito medo! Finalmente, tudo correu
bem. E foi com as antestreias que comecei a ter esperança quando ouvi os testemunhos dos
espectadores.


                                                                  LE FILM FRANÇAIS.COM

				
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posted:2/23/2012
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