maquiavel e o renascimento

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maquiavel e o renascimento Powered By Docstoc
					      Maquiavel e o
      Renascimento

“Se os homens fossem bons, o que eu
          digo seria mau.”
                          Maquiavel.
           Ideal de homem do
             Renascimento
•   Retorno aos estudos clássicos
•   Valorização da Antigüidade Clássica
•   Ação política: noção de liberdade
•   Nova forma de saber: domínio da natureza
•   Humanismo
Giorgione. As três idades do homem. Ca. 1507
                Humanistas
•   Studia Humanitatis
•   Gramática
•   Retórica
•   História
•   Filosofia Moral
     Maquiavel e a tradição do
     “espelho dos príncipes”
• Manuais para lembrar aos soberanos como
  se comportar no poder;
• quais os seus deveres e os seus direitos em
  relação aos súditos;
• Maquiavel  estudo das condições de
  manutenção do bom governo;
• antiga tradição medieval
       Obras principais

        O Príncipe (1513)
      A mandrágora (1518)
Comentários sobre a primeira década
       de Tito Lívio (1519)
As fronteiras da ética: o emblema
            Maquiavel
•   A popularidade de um adjetivo
•   A preocupação com o bem comum
•   Maquiavel: um republicano
•   A ação do indivíduo e as circunstâncias
    políticas
            O Príncipe (1513)
•   A questão do conhecimento histórico
•   O jogo da política e a questão da eficiência
•   A escrita “limpa” e “direta”: lições
•   A tradição dos “espelhos dos príncipes”: a
    questão dos modelos a seguir.
 Vasari.
Lorenzo de
 Médici.
Séc. XVI.
   Questões da obra Maquiavel
• A necessidade de conhecer a natureza dos
  governados.
• Interpreta a história sem a ilusão de seus
  predecessores, pensa a política a partir das
  condições de governabilidade.
• O poder é cíclico e a cidade está dividida:
  os homens copiam mais facilmente os
  vícios do que as virtudes.
         Riscos para o governo
•   A idéia de apoio incondicional: inexistente.
•   O problema dos aliados.
•   O perigo das novas leis.
•   A questão da ocasião.
•   Ser amado ou temido?
       Cristoforo
dell'Altissimo Retrato de
 Cesar Borgia, séc. XVI
               Ética e Política
•   A questão aristotélica das ciências práticas.
•   O jogo das aparências.
•   A defesa da “boa” maldade: bem comum.
•   Condenação da crueldade.
•   A questão da necessidade.
 Autonomia da política e a moral
• Crítica ao idealismo.
• A questão da glória.
• O dilema do governante: os propósitos e o
  julgamento pelos resultados.
• A negação do princípio humanista de que
  ser racional é ser sempre moral: a fonte da
  tensão maquiaveliana.
            Fortuna e Virtú
• Fortuna: sorte, deusa romana, governa até
  50% das ações humanas.
• Virtú: sagacidade, qualidades, capacidade
  de controlar as adversidades (sabedoria,
  justiça, coragem e temperança).
• Virtú: fazer o necessário para atingir a
  glória cívica.
  Edward Burne
 Jones, A roda da
Fortuna. c. 1875-83
      Visões sobre o autor
 Horkheimer: Maquiavel é a expressão do
mundo do Renascimento - o homem de ação
e a sociedade quer conhecer não só o
domínio da natureza em sentido restrito,
mas também o domínio dos homens sobre
outros homens; ele faz surgir a ciência
política, com o mesmo vigor da física e da
psicologia modernas.
      Visões sobre Maquiavel
• Merleau-Ponty: tudo o que é humano é
 normal, o não querer enxergar isso é
 deturpador.
• Leo Strauss: os que negam o idealismo são
 chamados de cínicos
      Visões sobre Maquiavel
• Lefort: a novidade de Maquiavel é unificar
  o agente político e o pensador em um único
  sujeito.
• Maquiavel faz os novos leitores
  descobrirem a instabilidade e que a
  conquista não depende apenas da violência.
• Maquiavel oferece dúvidas e não certezas.
          A Mandrágora (1518)
•   Personagens:
•   Nícias
•   Lucrécia
•   Calímaco
•   Frei Timóteo
•   Ligúrio
3o            Ato,             Cena              9
TIMÓTEO: “Não sei qual dos dois está
engambelando o outro. O desgraçado do Ligúrio
veio aqui com aquela primeira história para me
tentar: é que se eu não concordasse, ele não me
contaria esta outra, para não revelar seus planos à
toa. (...) É certo que receio ter dificuldades,
porque dona Lucrécia é sensata e boa, mas a
bondade é o que me fará passar-lhe a perna.
Depois, as mulheres todas têm pouco miolo;
quando uma delas sabe dizer três ou quatro
palavras, o caso se espalha (...)”.
3o Ato, Cena 11 (Timóteo, Sóstrata, Lucrécia)
LUCRÉCIA: “(Esta história) é a coisa mais
esquisita        que          já        ouvi.
TIMÓTEO: “Acredito que sim, senhora, mas
não quero mais que fale assim. Há muitas
coisas que de longe parecem terríveis,
insuportáveis, esquisitas, e quando a gente
chega perto vê que são humanas, suportáveis,
familiares”
LUCRÉCIA:           “Deus        queira”
TIMÓTEO: “Volto ao assunto de início.
A senhora deve ter na consciência este
princípio geral: onde o bem que existe é
certo e o mal incerto, nunca se deve
deixar aquele bem pelo receio deste mal.
(...) Dizer que a ação em si é pecado é
conversa fiada, porque é a vontade que
faz pecados e não o corpo”.
5o            Ato,            Cena             4
CALÍMACO: “Como já lhe disse, meu caro
Ligúrio, até as três horas da madrugada eu me
sentia contrariado: e apesar de ter grande prazer
não estava achando bom. Mas depois eu me abri
com ela e lhe declarei meu amor: disse que a
ingenuidade do marido nos dava grande
facilidade de viver sem qualquer desonra; e lhe
prometi que se um dia Deus o chamasse, eu a
faria minha esposa. Além desses argumentos,
ela provou a diferença entre estar deitada
comigo e com Nícias, entre os beijos de um
amante jovem e um marido velho.
Soltou alguns suspiros e disse: ‘Tua astúcia, a
tolice de meu marido, a ingenuidade de minha mãe
e a malícia de meu confessor me levaram a fazer o
que, por mim, eu nunca teria feito; portanto, quero
crer que isso tenha sido determinação do céu – e
quem sou eu para recusar o que o céu quer que eu
aceite? Por isso eu te recebo como dono, senhor e
guia; quero que sejas tu meu único bem; e o que
meu marido quis por uma noite, quero que dure
para sempre’. Quando acabei de ouvir essas
palavras, quase morri de ternura.(...). Me acho o
mais feliz e contente de todos os homens que já
viveram              neste             mundo(...)”.

				
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posted:2/23/2012
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