Projecto Curricular de Escola (PCE)
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ESCOLA SECUNDÁRIA DO RODO – ES3
PROJECTO EDUCATIVO
Escola Secundária do Rodo Projecto Educativo de Escola
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ÍNDICE
Introdução (fundamentação do projecto)
1. Contextualização da acção educativa
1.1. Meio envolvente: a cidade e o concelho
1.1.1. Dados históricos de relevo
1.1.2. O espaço urbano
1.1.3. O espaço rural
1.1.4. Caracterização física e geográfica
1.1.5. Caracterização socio-económica e cultural
1.1.6. Demografia
1.2. A Escola
1.2.1. Dados de identificação
1.2.2. Os alunos
1.2.3. O corpo docente
1.2.4. O quadro de pessoal não docente
1.2.5. Instalações / Espaços físicos
1.2.6. Recursos materiais
1.2.7. Recursos financeiros
2. Diagnóstico: a Escola actual
2.1. Política educativa
2.2. Pontos Fortes / Factores de Sucesso
2.3. Problemas e constrangimentos / Factores de insucesso
3. A Escola em Projecto
3.1. Fundamentação: princípios e valores
3.2. Objectivos gerais / Finalidades
3.3. Definição de prioridades / Estratégias gerais
4. Avaliação
4.1. Princípios
4.2. Instrumentos
4.3. Intervenientes e periodicidade
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Escola Secundária do Rodo Projecto Educativo de Escola
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INTRODUÇÃO (fundamentação do projecto)
Pode dizer-se que, interpretando o modelo actual de escola normativamente
definido, como densificação de doutrinas e entendimentos de modernidade, o
Projecto Educativo assume papel de relevo como instrumento primeiro de
organização e orientação da sua política educativa.
Não pode, no entanto, se quer cumprir a sua função de referencial e
parâmetro de aferição, conter-se num documento apenas formalmente construído,
sem atender às especificidades múltiplas da entidade de que pretende ser o quadro
referenciador e base enquadradora da acção global.
O Projecto Educativo, desde que nasça de um processo dinâmico e
partilhado de busca de uma identidade própria, que a si mesma se entende como
objecto de estudo e de perspectiva de evolução e mudança, concretiza a autonomia
da escola, enquanto organização responsável pela projecção do seu presente e
futuro.
Assente em dados e realidades substantivas de análise, há-de ser o Projecto
Educativo o documento orientador de toda a actividade educativa, constituindo-se
como polarizador das energias dos diversos intervenientes, elemento fundante de
um planeamento consequente, impulsionador de estratégias de mudança e
inovação e factor estruturante de evolução.
Sendo a escola uma organização “aprendente”, no sentido em que se não
fossiliza e se abre a novas perspectivas e desafios, deve começar por se conhecer
no entroncamento da sua contextualização, como realidade complexa situada numa
envolvência histórica, geográfica, socio-económica e cultural. Não pode deixar, por
outro lado, de partir da sua estrutura interna de funcionamento, caracterizando os
seus recursos físicos, materiais, financeiros e humanos, sem se esquecer que a
escola que se pretende é aquela que se funcionalize aos interesses essenciais dos
alunos, seres circunstancialmente considerados e colocados no cerne de todo o
esforço de planeamento e estratégia.
Não é possível construir-se um projecto educativo que cumpra a sua função
primordial se não se preocupar com a formulação cuidada e abrangente do
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Escola Secundária do Rodo Projecto Educativo de Escola
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diagnóstico da situação, nos seus pontos positivos, menos positivos ou, mesmo,
negativos.
A escola posta em projecto fundamenta a sua acção em princípios e valores,
equaciona objectivos, metas e finalidades e define prioridades e estratégias.
Nunca um instrumento de organização deste tipo estará completo enquanto
não defina, à partida, os princípios e as linhas da sua própria avaliação.
Um projecto educativo que obedeça a estes traços fundamentais de
estruturação mais bem se assumirá na sua intrínseca finalidade de quadro
referenciador de toda a acção educativa, promovendo a reflexão e o debate
participados, garantindo a prestação de contas dos efeitos e resultados obtidos,
dando sustento de adequação e alcance qualitativo às actividades/projectos a
realizar e às opções organizativas e de trabalho a tomar.
Entendido como documento dinâmico e aberto, enquadrador e orientador,
tendencialmente respeitador da especificidade da escola, vocacionado para a
realização e para o sucesso, o projecto educativo será o primeiro garante de uma
realidade social que é capaz de traçar o seu próprio e autónomo caminho, por ele
aprendendo, em cada passo, conhecidos os trajectos e atalhos, em função dos
destinos, a caminhar.
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Escola Secundária do Rodo Projecto Educativo de Escola
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1– Contextualização da acção educativa
1.1. Meio envolvente: a cidade e o concelho
1.1.1. Dados históricos de relevo
Cidade apenas desde 1985, continua envolta em dúvidas a época da sua
fundação.
Seja como for, tudo indica que fosse já habitada em épocas remotas das
invasões romanas e bárbaras.
No século IX, teria pertencido a um convento de frades.
Os dízimos e senhorio das terras da Régua foram doados, em 1093, a D.
Hugo, Bispo do Porto, pelo Conde d. Henrique.
Supõem alguns historiadores que a data da sua fundação propriamente dita
terá acontecido, entre 1202 e 1207, no reinado de S. Sancho I, quando se
começaram a povoar alguns lugares do concelho de Penaguião.
Teve foral em 1513, por vontade de D. Manuel I, nele mesmo existindo
referências a um foral já anterior.
Peso da Régua constitui-se como concelho somente em 1836, incorporando
o de Godim, entretanto extinto.
Atestam a antiguidade das povoações ora pertencentes ao concelho os
castros, templos e construções antigas de que nelas há rasto.
Pese embora a sua indesmentível antiguidade, a Régua adquiriu
prosperidade, notoriedade e importância regional estratégica a partir da fundação
da Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro, em 1756, pelo
Marquês de Pombal.
Para a região do Douro e, especificamente, para a Régua, este
acontecimento, que veio pôr fim ao feudo inglês, redundou num autêntico milagre
que se reflectiu na sua economia agrícola.
Situada, estrategicamente no coração do “Paiz do Douro”, a Régua passou a
ter uma decisiva importância económica, constituindo-se num próspero centro
comercial.
Mais tarde, sob os auspícios da Companhia, que já se tinha encarregado de
patrocinar o melhoramento da navegabilidade do rio Douro, para transporte mais
fácil do “vinho do Porto”, apareceu a “Feira dos Vinhos”, que acabou por se
converter no maior impulso ao progresso da Régua.
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A partir daí, destacam-se como acontecimentos marcantes para a história
evolutiva das terras da Régua:
- a construção do cais de atracagem, em 1856 (recentemente
beneficiado);
- a iluminação pública aparece em 1863;
- em 1872, foi inaugurada a ponte sob o rio Douro;
- o Hospital D. Luís I entra em funcionamento em 1873;
- marco histórico de incontroverso relevo foi a criação da Casa do Douro,
em 1932, organismo associativo de defesa da qualidade do vinho, da
região e dos vitivinicultores;
- em 1937, foi terminada a “ponte do caminho de ferro”, pelo qual
acabaria por nunca transitar esse meio de transporte;
- a barragem de Bagaúste, situada a cerca de 4 Km da cidade, entrou em
laboração em 1974;
- em 1985 (14 de Agosto), como se disse, a Régua foi elevada a cidade;
- a abertura de um canal de navegabilidade do Douro, desde Barca D’Alva
ao Porto, aliada à atribuição pela UNESCO da designação “Douro,
Património da Humanidade”, veio revitalizar a Régua e a região, trazendo
o fenómeno do turismo;
- a construção da “Avenida do Douro”, junto ao rio, e o troço do IP3, que
integra a Ponte Miguel Torga, veio facilitar o trânsito e os acessos
rodoviários, que, no entanto, se mantêm com elevado grau de
estrangulamento.
1.1.2. O espaço urbano
O concelho do Peso da Régua, que a Escola, preferencialmente, serve, tem
como sede a cidade que lhe dá nome e que foi constituída, inicialmente como vila,
com a junção de dois aglomerados urbanos: o Peso, assumindo-se como a “vila de
cima”, zona residencial e de oficinas, foi-se alargando pela vertente abaixo; e a
Régua, como “vila de baixo”, estendendo-se, a partir do rio, para o interior.
É integrada pelas freguesias de Godim e do Peso da Régua, que, em
conjunto, absorvem praticamente metade da população de todo o concelho, em
número que ronda os 11.000.
É uma cidade nova, que vive, essencialmente, do comércio e dos serviços,
embora, dentro dos seus limites, se encontrem algumas quintas, que se dedicam à
produção da vinha e do vinho.
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De há muito tempo, embora esse aspecto se venha a esbater lentamente, se
percebe a existência de “bairros”, com tradições e carisma muito próprios e que faz
da Régua uma cidade múltipla dentro da sua unidade. Destacam-se pelo seu
“bairrismo”, desde logo, o “Peso”, o “Corgo”, a “Beira-Rio”, o “Salgueiral”, o “Bairro
Branco”, o “Bairro Verde”, o “Americano”, a “Barroca”...
Foi designada, em 1988, como Cidade Internacional da Vinha e do Vinho.
É no seu tecido urbano que se localizam as estruturas de serviço aos
utentes, como a Câmara Municipal, a Casa do Douro, o Instituto do Vinho do Douro
e Porto, o Instituto Portuário e dos Transportes Marítimos, o Hospital, os Bombeiros
e a Santa Casa da Misericórdia.
1.1.3. O espaço rural
Apesar de se poder dizer que uma parte da freguesia de Godim, sobretudo
na sua zona implantada na vertente, conserva, ainda, características de ruralidade,
o espaço rural, propriamente dito, integra as restantes dez freguesias: Canelas,
Covelinhas, Fontelas, Galafura, Loureiro, Mouramorta, Poiares, Sedielos, Vilarinho
dos Freires e Vinhós.
Nelas vivendo pouco mais de 11.000 habitantes, nelas se encontra um
elevado número de quintas e pequenos outros prédios rurais.
Dedicando-se uma parte menor da população ao comércio e aos serviços,
tanto na sede do concelho, como nas próprias aldeias, a restante trabalha na
agricultura, como assalariados, na vinha, ou cultivando os seus terrenos.
Apesar da crescente evolução e do contacto com a realidade urbana, pode
dizer-se que as aldeias do concelho, sobretudo as que mais distam da sede, ainda
sofrem de algum isolamento e da falta de algumas das condições básicas da vida
moderna.
1.1.4. Caracterização física e geográfica
Peso da Régua, cidade e concelho, situa-se na margem direita do rio Douro,
a 110 Km da sua foz, no Porto.
Integrada na região do Alto Douro vinhateiro, pertence ao distrito de Vila
Real, a 25 Km; a outra cidade mais próxima, a 12 Km, é Lamego.
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Escola Secundária do Rodo Projecto Educativo de Escola
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Influenciado pelo relevo, pela altitude e pelo rio, o clima tem características
mediterrânicas, com verões extremamente quentes, secos e de grande insolação.
O solo é constituído por xistos-argilosos, com algumas zonas graníticas,
sendo o concelho, em termos gerais, bastante acidentado. Na verdade, existindo
uma faixa pouco larga de terras planas, na parte baixa da urbe, que se estende
pelo Rodo, zona de implantação da Escola, até ao limite do concelho de Santa
Marta de Penaguião, o terreno sobe acentuadamente, localizando-se todas as
freguesia em plena encosta.
Tem uma área explorada de 9000 ha, dividida pelo sector agrícola e, em
menor escala, pelo sector florestal.
A cobertura vegetal é formada, predominantemente de vinha, mas podem
encontrar-se oliveiras a bordejá-la, laranjeiras nos vales, alguns sobreiros e
azinheiras, castanheiros e carvalhos nos altos, e, ainda, de quando em quando,
pinheiros, ciprestes, eucaliptos e tílias, para além, de silvedos e arbustos e mato de
toda a espécie, desde urze, giestas, estevas, até medronhos, alecrim, mimosas e
rosmaninho.
A fauna começa a rarear, mesmo no que respeita aos peixes, à caça e às
aves.
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1.1.5. Caracterização socio-económica e cultural
O concelho do Peso da Régua vive, essencialmente, a partir da agricultura,
tendencialmente através da monocultura da vinha, a que se junta alguma batata,
trigo, centeio, azeite, fruta, castanhas e produtos hortícolas de subsistência.
Não tem qualquer significado a criação de gado, reduzida a umas poucas
ovelhas, cabras e vacas.
Pode dizer-se que, na Régua, tida como capital económica da grande região
do Douro vinhateiro, tudo gira à volta do vinho, desde a paisagem que o cria, à
produção, armazenamento e comercialização. Mesmo o turismo, realidade
florescente, o tem como grande referencial.
Não se pode admirar, assim, que 45% da sua população activa se
movimente, economicamente, no sector primário.
Por seu lado, o sector secundário, sem tradição na cidade e no concelho, não
tem grande significado, empregando 18% da mão-de-obra disponível. Os
estabelecimentos industriais referenciam-se à alimentação, bebidas, madeiras,
vidros, mármores e granitos.
Uma vez mais, directa ou indirectamente, em volta do vinho, tem relevância
socio-económica o sector terciário, já que a Régua tem sido ao longo dos tempos
um grande centro comercial, embora em perda constante de importância e a
atravessar dificuldades derivadas da conjuntura regional, com problemas no
escoamento dos vinhos, e nacional. Destacam-se alguns grandes armazéns de
venda de produtos agrícolas, e estabelecimentos de abastecimento de mercearias,
talhos, confecções e tecidos.
Com a navegabilidade do rio Douro e com o fenómeno “Douro Património da
Humanidade”, sofreu, nos últimos anos, grande incremento o turismo, explorado
por operadores privados com sede fora do concelho e que pouca influência tem tido
no aumento da sua riqueza.
Nela entroncando várias vias de comunicação, com destaque para o
transporte ferroviário, rodoviário e fluvial, a Régua liga-se, neste momento, com
facilidade, a Vila Real, Lamego, Viseu, através da A24 e, penosamente, ao Porto,
através de uma estrada nacional que, até Amarante, nada tem de apetecível.
Todas as freguesias estão ligadas à sede de concelho por estradas
alcatroadas.
Nos últimos anos, conseguiu-se, na cidade, a elevação dos níveis de
conforto, com uma ampla cobertura da rede de água e saneamento, que se está a
estender a todas as restantes freguesias, servidas todas elas de electricidade.
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Escola Secundária do Rodo Projecto Educativo de Escola
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No plano assistencial e da saúde, conta a Régua com um Hospital, um
Centro de Saúde, ramificado com diversos postos de serviços médicos, com uma
estância termal, no Moledo, com a Casa do Povo de Godim, com a Santa Casa da
Misericórdia, que apoia idosos e crianças e variadas outras associações espalhadas
pelas freguesias, que prestam esse tipo de cuidados à população.
Não se pode dizer que o concelho da Régua e a própria cidade tenham
atingido níveis minimamente aceitáveis no plano cultural e, mesmo, desportivo.
Há carências notórias, designadamente não existindo um espaço digno de
teatro ou cinema e a biblioteca municipal está, ainda, em fase de construção. Vale-
se a Régua, como apelo aos visitantes, essencialmente, da paisagem natural ou
edificada que a rodeia, sem realizações culturais de grande monta.
Realizam-se duas feiras anuais, a Feira Franca e a Feira da Ascenção e o
mercado semanal, que atrai bastantes pessoas.
Respeitada e de renome, pelo menos, regional, todos os anos, em Agosto, é
organizada a grandiosa romaria da Régua, em homenagem à Nossa Senhora do
Socorro.
O Museu do Douro, em fase de instalação, representativo de toda a região
duriense, vai ter a sua sede na Régua, na Casa da Companhia Velha e mantém
uma exposição, há cerca de dois anos, no Antigo Armazém 43, em pleno centro da
cidade.
Também no que respeita à gastronomia, a Régua não tem riqueza especial,
sendo o prato mais comum o arroz de forno com cabrito assado e a fritada de
peixes do rio; a doçaria limita-se aos “rabelos” e “ferreirinhas”, doces típicos e aos,
esses sim célebres, “rebuçados da Régua”, vendidos por rebuçadeiras, que mantêm
o pregão tradicional e a abordagem directa aos transeuntes. Uma vez mais, a
imagem de marca continua a ser o vinho da região, tanto de mesa, como generoso,
o celebrado e inimitável “Vinho do Porto”.
O concelho da Régua, por força de marginar o Douro, tem potencialidades
para a prática de desportos náuticos, que, nos anos mais recentes, tem crescido,
mas se mantém subaproveitada.
Apesar de tudo quanto se disse, cumpre papel cultural e desportivo de
grande importância um conjunto bastante alargado de associações, que devem ser
conhecidas, em função dos interesses que servem: ADG – Associação Desportiva de
Godim; Associação Amigos Abeira Douro; AJIC – Associação Juvenil de Intervenção
Cultural; Clube de Caça e Pesca do Alto Douro; Escola de Bailado; grupo teatral
“Roga D’Arte”; Grupo Coral Nossa Senhora do Socorro; Grupo Coral de S. José de
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Godim; Grupo de Cantares “Rabelos do Douro”; Ranchos Folclóricos; Tertúlia João
de Araújo Correia; Sport Clube da Régua.
Publicam-se na Régua dois jornais semanais, o “Arrais” e o “Notícias do
Douro” e uma revista mensal, “Tribuna Douro”.
1.1.6. Demografia
Como vimos, o concelho da Régua tem aproximadamente 22.000
habitantes, 48,4% do sexo masculino e 51,6% do sexo feminino.
A cidade só por si, nas duas freguesias de Peso da Régua e Godim, absorve
sensivelmente metade da população de todo o concelho.
A população jovem, com menos de 15 anos, confina-se a 22,8%; na idade
activa dos 15 aos 65 anos encontram-se 68,4%; com mais de 65 anos aparece a
percentagem de 12,4%.
Apesar da população da região do Douro ter vindo a decrescer
acentuadamente, tanto pela crise do sector económico mais representativo, a
vitivinicultura, como pela inexistência de alternativas de trabalho que criem
emprego, o concelho do Peso da Régua tem conseguido manter mais ou menos
estável a sua população.
A percentagem de pessoas com idade mais avançada em comparação com
uma natalidade reduzida permite perceber que o problema social do
envelhecimento médio da população é também neste concelho uma realidade com
que há que contar.
Deve referir-se a existência de um fluxo bastante significativo de gentes do
concelho, sobretudo das freguesias rurais, que emigra, actualmente, para os países
do centro da Europa, muitas vezes para trabalhos sazonais. O contrário também se
tem verificado com a vinda para o Douro, principalmente para as suas quintas
maiores, de trabalhadores do Leste Europeu. Na época das vindimas, embora em
muito menor número que antigamente, ainda aportam ao Douro e à Régua pessoas
de fora.
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1.2. A Escola
1.2.1. Dados de identificação
A Escola Secundária/3 do Rodo situa-se na Quinta do Rodo, uma
propriedade agrícola típica da região demarcada do Douro dando à escola uma
conotação ecológica, “Escola Verde”.
Está implantada no vale com o mesmo nome, na freguesia de Godim,
bordejando a estrada que liga a Régua a Santa Marta de Penaguião.
É uma das três escolas do concelho que integra alunos de dois níveis de
ensino (3º ciclo do ensino básico e alunos do ensino secundário), sendo as outras
duas a Secundária/3 João de Araújo Correia, com os mesmos níveis, e a EB2,3 da
Régua, com o 2º e 3º Ciclos, ambas também situadas na freguesia de Godim.
Pode dizer-se que teve a sua origem, na década de sessenta do século
anterior, na Escola Técnica da Régua.
Esteve ligada à Escola Secundária da Régua, actualmente com a
denominação de Escola Secundária João de Araújo Correia, como Secção Agrícola,
com o Curso Geral de Agricultura, criado em 1973.
No mesmo espaço físico existe a Escola Profissional Agrícola do Rodo e duas
Residências para estudantes (Mista e Masculina) formando um verdadeiro
Complexo Escolar. A escola é dotada de instalações próprias construídas
recentemente e contíguas à Escola Profissional com a qual compartilha alguns
espaços comuns.
De realçar que, em 2000, foi considerada pela OCDE (Organização de
Desenvolvimento e Cooperação Económica) como sendo uma das escolas da Europa
e do Mundo com melhores instalações escolares.
Para além do 3º Ciclo do Ensino Básico, oferece, actualmente, no que
respeita ao Ensino Secundário, as seguintes áreas de estudo:
- 12º ANO
- agrupamento um – dominante Científico-natural – Curso de Carácter
Geral;
- agrupamento quatro – dominante Humanidades – Curso de Carácter
Geral;
- 10º e 11º ANOS
- Cursos Científico-Humanísticos - Curso de Ciências Sociais e
Humanas e Curso de Ciências e Tecnologias;
- Cursos Tecnológicos – Curso de Informática e Curso de Desporto
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1.2.2. Os alunos
Frequentam a Escola, no presente ano lectivo de 2005/2006, 331 (???????)
alunos, 158 no 3º Ciclo do EB e 179 nos três anos Ensino Secundário.
Por esta razão, convivem, no mesmo espaço escolar, alunos com idades
compreendidas entre os 12 e os 21 anos.
É a seguinte a distribuição dos alunos pelas turmas e respectivo ratio:
Turmas/Ano/Ratio
Nível de ensino Anos Turmas Alunos Ratio
7º
3º Ciclo 8º
9º
10º
Secundário 11º
12º
Os alunos, em grande parte, são provenientes das freguesias do concelho do
Peso da Régua, mas, sobretudo por força da existência das referidas Residências
para Estudantes, ainda é considerável o número de alunos vindos de outros
concelhos da região, Armamar, S. João da Pesqueira, Tabuaço, Santa Marta de
Penaguião, Lamego, Carrazeda de Ansiães, Mesão Frio.
No que respeita aos encarregados de educação, as suas ocupações
profissionais repartem-se, maioritariamente, pelo sector agrícola, como
assalariados rurais ou pequenos agricultores, em menor percentagem pela
construção civil e ainda em mais reduzido número pelos serviços. A grande maioria
das mães dedicam-se, como domésticas, à lida da casa e ao acompanhamento e
tratamento da família.
A idade média dos pais situa-se nos 40 anos e a das mães nos 35.
Existindo, mesmo, uma pequena percentagem de pais que não sabem ler
nem escrever, a esmagadora maioria apresenta como habilitações literárias o 4º
ano de escolaridade, ou, quando muito, o 6º. Este assume-se, aliado aos restantes
de referência familiar, como um dado essencial de compreensão do “ambiente”
escolar, concluindo-se que, dificilmente, os alunos poderão ter o acompanhamento
familiar na sua aprendizagem que seria minimamente desejável.
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Escola Secundária do Rodo Projecto Educativo de Escola
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Com incidência especial nos que são oriundos das freguesias rurais do
concelho, regista-se uma expressão no elevado número de alunos que beneficiam
de apoios sociais, o que traduz, à partida, um baixo rendimento per capita das
correspondentes famílias:
Apoios Sociais
Nível de ensino Nº Alunos Esc. A Esc. B %
3º CEB
Secundário
TOTAL
Sendo claro que, ano após ano, muitos dos alunos que escolhem esta Escola
para continuarem os seus estudos foram já sujeitos a retenções no seu passado
escolar, para se ter uma visão global acerca do comportamento nas aprendizagens,
regista-se, no quadro seguinte, os resultados finais da avaliação do ano lectivo
anterior (2004/2005):
TURMA Nº ALUNOS REPROVADOS APROVADOS % DE REPRO. % DE APROV.
7ºA 25 7 18 28,0 72,0
7ºB 16 4 12 25,0 75,0
8ºA 26 7 19 26,9 73,1
8ºB 18 3 15 16,7 83,3
9ºA 21 11 10 52,4 47,6
9ºB 20 9 11 45,0 55,0
9ºC 19 9 10 47,3 52,7
TOTAL 3º CEB 145 50 95 34,5% 65,5%
10ºA 23 1 22 4,4 95,6
10ºB 20 3 17 15,0 85,0
10ºC 22 6 16 27,3 72,7
11º A 11 0 11 00,0 100
11º B 27 10 17 37,1 62,9
12º A 17 11 6 64,7 35,3
12º B 17 13 4 76,5 23,5
12º C 19 12 7 63,2 36,8
TOTAL Sec. 156 56 100 35,9% 64,1%
TOTAL
GERAL 301 106 195 35,2% 64,8%
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Escola Secundária do Rodo Projecto Educativo de Escola
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3º CEB Secundário
Abandono Nº Inicial Aband. Tx Nº inicial Aband. Tx
Escolar
1.2.3. O corpo docente
Os cinquenta e um (51) professores colocados na Escola, para este ano
lectivo de 2005/2006, têm as seguintes características, conforme os quadros que
se seguem:
CORPO DOCENTE
IDADE EXPERIÊNCIA VÍNCULO HABILITACÕES
< 30 30 - 40 40 - 50 > 50 1 Ano < 10 >10 QND QZP CONT M L B
5 44 2
De salientar que, dos XX professores que fazem parte do quadro legal da
Escola, XX se encontram destacados/requisitados em outras escolas/serviços.
O ratio aluno/professor é de X,XX.
1.2.4. O quadro de pessoal não docente
Exercem funções, na Escola, como pessoal não docente, os seguintes:
o Pessoal auxiliar de acção educativa - 21;
o Pessoal administrativo - 8;
o Pessoal do S.A.S.E. - 1 ;
o Pessoal técnico e operários – 3;
o Cozinheiras – 5
1.2.5. Instalações / Espaços Físicos
PISO 1
1 Laboratório TIC
1 Sala de Educação Visual
1 Sala de Educação Tecnológica
1 Sala de aula normal
1 sala de trabalho/seminário
1 Laboratório de Informática
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Escola Secundária do Rodo Projecto Educativo de Escola
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PISO 2
1 Laboratório de Física
1 Laboratório de Química
1 Laboratório de Geologia
1 Laboratório de Ciências
1 Sala de Informática
1 Sala de trabalho
1 Sala de estudo
5 Salas de aulas normais
1 Câmara Escura
PISO 3
1 Auditório
3 Salas de aulas normais
1 Sala de trabalho
3 Salas de trabalho/seminário
Instalações Desportivas
1 Polivalente desportivo ao ar livre
1 Pavilhão gimnodesportivo
1 Sala gímnica
Espaços físicos – Apoio geral
1 Sala de trabalho para Directores de Turma
1 Sala de trabalho para Delegados e Coordenadores de Departamento
1 Gabinete médico
1 Serviços de Administração Escolar
1 Serviços de Acção Social Escolar (ASE)
3 Gabinetes de gestão (Conselho Executivo)
2 Salas de professores
1 Centro de Recursos (Biblioteca, Zona de áudio, Zona de vídeo, Sala de
informática com acesso à internet)
1 Museu
1 Papelaria/Reprografia
1 Bufete/ Sala de convívio
1 Refeitório/ Cozinha
1 P.B.X.
1 Anfiteatro ao ar livre
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1.2.6. Recursos Materiais
1 Projector Multimédia
4 Televisores
4 Vídeos
5 Diaprojectores
6 Retroprojectores
2 Radio/ gravadores
1 Gravador de entrevistas
54 Mapas de Cartografia diversa
1 Laboratório de Matemática (2 computadores, 1 impressora, 30 máquinas
gráficas, 1 calculadora para Viewscreen, 1 Viewscreen)
1.2.7. Recursos Financeiros
As actividades a desenvolver pela Escola contam com as seguintes verbas
projectadas em função das previsões:
Actividade 101 – Ensino ------------------- XXXX Euros
Actividade 104 – Apoio Pedagógico ------- XXXX Euros
Actividade 107 - Projectos Educativos --- XXXX Euros
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Escola Secundária do Rodo Projecto Educativo de Escola
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2 – Diagnóstico: a escola actual
2.1. Política Educativa
A Escola Secundária do Rodo, como estabelecimento de ensino público, não
pode deixar de estar, organizativa e funcionalizadamente, vinculada aos valores,
princípios, lógicas e intencionalidades superiormente definidos para o sistema
educativo.
Desde logo, todos os órgãos de gestão e administração e estruturas de
orientação educativa se encontram constituídos e, com maior ou menor dificuldade,
a cumprir, formalmente, as finalidades que lhes são próprias.
Tem procurado, antes de mais, colher da Lei de Bases do Sistema Educativo
o seu lastro de suporte da sua acção.
Nesse sentido, não resultam dúvidas de que, antes de mais, a Escola se tem
organizado e funcionado em cumprimento das orientações legais em vigor,
procurando interpretar o espírito a elas subjacente.
Para além disso, tem sido política assumida pela Escola procurar inserir-se
num todo social constituído pelas realidades humanas que a envolvem, tentando
abrir-se ao exterior e mostrando a sua disponibilidade para colaborar no desígnio
comum de prestar à comunidade um serviço cada vez melhor.
A percepção das especificidades desta Escola, seja pelo espaço em que se
move, seja pelo público alvo que atinge, tem sido preocupação dos seus
responsáveis, sobretudo fazendo uma leitura evolutiva dos interesses em jogo.
Outra motivação da acção educativa referencia-se à tentativa de manter em
todos os intervenientes escolares a ideia tendencialmente consolidada de que esta
é uma Escola em que se privilegia o bem estar, a segurança e o estabelecimento de
um clima sereno de aprendizagem, aproveitando as características privilegiadas das
instalações e a possibilidade de proximidade entre todos, face ao universo
relativamente pequeno de pessoas que nela trabalham e aprendem.
A consciência de que existem na Escola pontos fortes que se orientam para o
sucesso, mas, também, pontos fracos e constrangimentos que se transformam em
factores de insucesso é o primeiro passo para, de forma crítica e empenhada, se
diagnosticar a situação presente, para, a partir dela, traçar linhas de futuro, na
certeza de que é, sempre, possível melhorar, sobretudo congregando vontades,
optimizando recursos e convocando energias partilhadas.
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Escola Secundária do Rodo Projecto Educativo de Escola
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2.2. Pontos Fortes / Factores de Sucesso
- ambiente físico envolvente, que permite o aproveitamento de amplos
espaços verdes e o contacto com a natureza e com locais estimulantes;
- integração num complexo escolar, que pode facilitar o estabelecimento de
uma acção conjunta e o alargamento do espectro de realizações de
envolvência educativa para lá da simples gestão do currículo estrito;
- instalações novas, modernas, acolhedoras, que podem ser rentabilizadas
em função dos interesses dos diversos intervenientes na acção educativa,
com destaque especial para os alunos e suas actividades;
- número de alunos facilitador do estabelecimento de relações próximas e
da criação de um espírito de pertença a uma escola potencialmente
diferente;
- tradição no aproveitamento de parcerias com algumas entidades sediadas
no meio envolvente;
- existência de um “núcleo” duro de funcionários e docentes que se tem
vindo a fixar na escola, garantindo uma acção de continuidade e uma mais
fácil integração da população móvel que, todos os anos, vai chegando e
partindo;
- alguma capacidade financeira que, aliada ao rigor posto nesse campo de
gestão, permitirá investimentos essenciais para adequar as instalações, o
mobiliário e o material às necessidades que se vão alterando e sendo mais
exigentes;
- diversificação, nos últimos anos, de cursos do Ensino Secundário, como
primeira medida de adequação às características dos alunos e à motivação
para a matrícula de mais alunos.
2.3. Problemas e constrangimentos / Factores de Insucesso
- imagem de facilidade e de segunda escolha de que a Escola goza em
certos sectores do meio e que afasta a possibilidade de outro tipo de
frequência;
- existência de um número muito considerável de alunos oriundos de
famílias social, económica e culturalmente carenciadas;
- dificuldades continuadas para motivar o interesse dos pais e encarregados
de educação no acompanhamento do percurso escolar dos alunos;
- escassez de informação de enquadramento sobre contextos educativos;
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Escola Secundária do Rodo Projecto Educativo de Escola
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- afastamento do ambiente familiar, durante mais tempo do que o que era
aceitável, de muitos alunos, em função dos horários e demora dos
transportes, diminuindo as hipóteses de criação de um ambiente sereno
de estudo e/ou de descanso;
- pouca adequação da escola, no desenvolvimento do seu projecto curricular
e educativo, às características múltiplas do meio ambiente, nos aspectos
histórico, patrimonial, social e cultural, não aproveitando a possibilidade
de construção de um currículo alargado mais próximo dos interesses
previsíveis dos alunos;
- apesar da tradição de estabelecimento de parcerias com outras entidades
e organizações, ainda diminuto aproveitamento de todas as
potencialidades que de um trabalho mais consequente e sistemático a
esse nível se poderiam retirar;
- potencial nível abaixo do desejável da segurança dos alunos e
profissionais dentro do espaço escolar, com demasiadas oportunidades de
intromissão alheia e com limitado controlo nas entradas e saídas, o que
facilita, além do mais, saídas dos alunos durante o funcionamento das
actividades lectivas;
- algum deficit de participação dos profissionais da escola e dos órgãos e
estruturas pedagógicas na tomada de decisões relativamente a aspectos
essenciais de organização e funcionamento da escola, o que leva a um
fraco grau de envolvimento e participação efectiva nas dinâmicas
organizacionais;
- algumas dificuldades de comunicação entre as diversas estruturas e,
mesmo, pessoas individualmente consideradas, não sendo facilitadores de
debate de ideias e de diálogo os canais existentes;
- inexistência de projectos interdisciplinares de efectiva motivação dos
alunos intervenientes, verificando-se a sua pouca participação e o
desaproveitamento completo dos que estão disponíveis a nível nacional;
- elevada taxa de desperdício, registando-se forte insucesso escolar, tanto
no 3º CEB, como no Ensino Secundário, com destaque para as disciplinas
de Matemática, Português e Línguas Estrangeiras, e abandono escolar
acima do admissível;
- baixo nível de interesse e motivação dos alunos pelas actividades
escolares, incluindo as que se destinam ao seu apoio, acompanhamento
na aprendizagem e de complemento curricular;
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Escola Secundária do Rodo Projecto Educativo de Escola
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- gestão do currículo pouco participada, geradora de dificuldades na
articulação das diversas matérias;
- pouca eficácia das medidas de apoio educativo/pedagógico;
- inexistência de condições estruturais e organizacionais de uma autêntica
avaliação global, transversal e integrada do processo de
ensino/aprendizagem, que não só registe e analise resultados, mas,
também, que interprete e procure estratégias diferenciadas e
propiciadoras de motivação acrescida no sentido do êxito;
- dificuldade de criação de hábitos e métodos de estudo e concentração por
parte de um número considerável de alunos;
- verificação de um número significativo de faltas às actividades lectivas de
alguns alunos;
- existência de horários que não respeitam princípios pedagogicamente
correctos e os interesses de aprendizagem dos alunos;
- apesar da qualidade das instalações, infuncionalidade e ausência de
condições de trabalho para alunos e professores, na execução de projectos
e actividades fora das aulas;
- carência de material didáctico, multimédia, informático e, sobretudo,
laboratorial;
- aumento do nível de indisciplina, especialmente entre os alunos do 3º
Ciclo;
- ausência de qualquer tipo de orientação vocacional, de que resultam
erradas opções de enquadramento no Agrupamento/Curso escolhido pelos
alunos;
- baixo nível de auto-estima, que conduz a fracas expectativas dos alunos e
famílias, adensando a imagem da escola, como refúgio de alunos com
mais dificuldades na aprendizagem, e à ausência de perspectivas de
futuro;
- existência de um grupo de professores que manifestam, por atitudes e
conversas, descontentamento com a orientação do funcionamento da
escola;
- falta de um plano concreto consistente e operativo de formação contínua
do pessoal docente e não docente;
- ausência de avaliação do planeamento e monitorização da execução do
planeado, que conduza a reformulações em função dos resultados.
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Escola Secundária do Rodo Projecto Educativo de Escola
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3. A Escola em Projecto
3.1. Fundamentação: princípios e valores
Sob pena de tudo quanto já se deixou dito não ter qualquer importância
para a efectivação da acção educativa e de tudo quanto se venha a dizer em nada
influenciar caminhos de rigor, de inovação e mudança, a discussão mais importante
a deixar registada no texto deste projecto educativo há-de ser aquela que permite
encontrar um pensamento teórico-prático, que dê consistência ao projectado, um
conjunto de pressupostos fundamentais estruturantes de um estratégico
planeamento e um acervo axiológico que potencie a certeza de se estar a traçar
rumos de qualidade e adequação à realidade organizativa e funcional desta
específica Escola.
Este é o capítulo em que entroncam todos os anteriores e os seguintes,
percebida a Escola na sua contextualização interna e externa e obtido o diagnóstico
fornecido pelo elenco motivado dos factores de sucesso e de insucesso. É para esta
escola única e irrepetível que é preciso reflectir valores e princípios fundantes.
Nesse sentido, de forma mais ou menos esquemática, referencia-se, aqui, o
seguinte quadro definidor de princípios:
- a escola centrada nos alunos - nas suas idiossincrasias, nos seus
contextos, nos seus interesses, necessidades e anseios;
- a escola inclusiva – igualdade de oportunidades no acesso e no sucesso
educativos – discriminação positiva dos alunos mais carenciados aos
vários níveis;
- o primado da qualidade pedagógica e científica – estabelecendo
como ponto de partida de toda a acção educativa e de contínuo retorno a
qualidade das aprendizagens;
- a aceitação do paradigma de modernidade dos cidadãos que se
querem formar – livres, responsáveis, autónomos e solidários, com
espírito crítico e criativo, desenvolvidos na sua personalidade, carácter e
cidadania e formados cívica e moralmente;
- a adequação dos meios aos fins essenciais – organizando todas as
envolvências e tarefas em função das aprendizagens úteis dos alunos;
- o incentivo à participação e colaboração de todos os intervenientes
educativos – alargando o espaço para o efectivo envolvimento de todos
os profissionais e destinatários no processo complexo de planeamento, de
estratégia e de decisão;
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Escola Secundária do Rodo Projecto Educativo de Escola
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- a prevalência do trabalho em equipa na definição das linhas
orientadoras – permitindo o alargamento dos ângulos de visão,
valorizando o espírito crítico, incentivando a inovação, facilitando a
concertação de posições e elevando as hipóteses do crescimento do
espírito de grupo e de pertença, congregando vontades e
responsabilidades;
- a democraticidade e pluralidade – abertura a opiniões diferentes, ao
respeito pelas diferenças e à participação de cada um nos
debates/decisões que lhes digam respeito, fugindo a imposições despidas
de fundamentação aceitável e assentes em eventual arbítrio;
- a aposta na inovação e mudança – desde logo, procurando alargar o
domínio do currículo, iniciando processos de experimentação e
desenvolvimento do espírito científico, valorizando o mundo das novas
tecnologias, transversal a toda a aprendizagem;
- a avaliação estratégica, orientada e crítica – garantindo a intervenção
de todos os participantes no acto educativo, fazendo dela momento de
reflexão, de regulação, modelação e alteração de metas e procedimentos.
3.2. Objectivos gerais / Finalidades
Assentes em princípios estruturantes, feita a leitura global da situação, é
possível, agora, ainda que de uma forma geral, a necessitar de comportamentação
e operatividade em Plano de Actividades concreto e detalhado, definir objectivos e
finalidades orientadores:
- Contribuir para a formação de cidadãos livres, responsáveis, autónomos,
solidários e críticos;
- Elevar os níveis de segurança e bem estar para alunos e restante
população escolar;
- Criar na escola um clima acolhedor tanto do ponto de vista físico como das
relações interpessoais, favorecedor da melhoria das condições de trabalho,
da criação do espírito de pertença e da efectiva participação nos projectos
e actividades;
- Proporcionar a articulação entre a educação, a formação e a vida em
sociedade, facilitando a transição para o mundo do trabalho e das relações
sociais;
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Escola Secundária do Rodo Projecto Educativo de Escola
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- Promover a alteração da imagem que a escola tem como opção de mero
recurso para os alunos;
- Estimular a comunicação e envolvimento da escola/família no processo de
aprendizagem dos alunos, servindo de retaguarda perspectivadora de
interesse e sucesso;
- Favorecer as relações interactivas entre escola/meio, como adequação dos
projectos curricular e educativo às características múltiplas do meio;
- Valorizar a participação de todos os intervenientes no acto educativo no
processo de planeamento estratégico e de tomada de decisões relevantes;
- Repensar e reorganizar os canais de comunicação e articulação entre as
diversas estruturas de gestão e de orientação educativa;
- Reorientar toda a acção educativa no sentido de, privilegiando a qualidade
das aprendizagens, elevar o nível de sucesso escolar dos alunos.
3.3. Definição de prioridades / Estratégias gerais
De todo o enquadramento e análise feitos ressalta a ideia de que esta escola
tem especificidades muito próprias a que se deve atender na projecção da sua
organização, funcionamento e acção.
Se possui algumas condições postas já em função do êxito da sua missão,
como estabelecimento de ensino público, delas deve partir para debelar, serena e
paulatinamente, os factores de constrangimento que têm servido para que revele
dificuldades a vários níveis.
Na certeza de que não é possível querer enveredar, ao mesmo tempo e em
todas as dimensões das necessidades sentidas, por soluções eficazes e que deixem
rasto de perduração nos efeitos positivos desejáveis, é imperioso que se pense em
eleger as áreas de actuação que, pela prioridade do seu tratamento, devem
merecer uma imediata e aturada atenção.
Depois de todo o trabalho de projecto já elaborado, não será difícil perceber
que a preocupação premente da escola se deve orientar para as seguintes
prioridades:
Na área da acção e relação pedagógicas
- Afectação de todos os recursos físicos, materiais e humanos em função do
aumento da qualidade das aprendizagens, no sentido de:
o Adequar e reorganizar o projecto curricular às características,
interesses e necessidades dos alunos;
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Escola Secundária do Rodo Projecto Educativo de Escola
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o Criar condições concretas de diminuição do abandono e do
insucesso escolares;
o Desenvolver projectos e actividades de complemento curricular que
desenvolvam o desejo de participação, o espírito de pertença e a
valorização das aprendizagens formais e informais;
o Acompanhar o trajecto escolar dos alunos com o intuito de fazer a
orientação vocacional e a descoberta de aptidões e potencialidades.
Na área da organização
- Potenciar a intervenção de todos quantos na escola se congregam para a
melhor qualidade do acto educativo no planeamento, na acção e na
decisão;
- Elevar os níveis de cooperação, conjugação de esforços e articulação entre
todos os órgãos e estruturas existentes na escola;
- Instituir mecanismos de avaliação continuada da execução do projecto
educativo.
Na área das relações escola/família/meio
- Motivar os pais para, ao seu nível, colaborarem no combate ao insucesso,
mostrando-lhes, em concreto, formas de conseguir que os alunos se
concentrem no estudo e invistam na auto-formação;
- Criar espaço e momentos para que os pais, vindo à escola, possam sentir
que a sua colaboração no acto educativo é imprescindível;
- Perspectivar os projectos e actividades de complemento curricular em
sintonia com os contextos físico, histórico, social e cultural do meio local e
regional em que a escola se insere.
Compete aos restantes documentos de organização da acção educativa, Plano
de Actividades, projectos curriculares e outros, encontrar, articuladamente, as
estratégias mais adequadas ao cumprimento dos desígnios e intencionalidades
deixados expressos neste projecto educativo.
De maneira muito genérica, neste sentido, deve atender-se:
- à estruturação de planos e projectos centrados nos verdadeiros
problemas/constrangimentos atrás equacionados;
- à definição de objectivos muito claros, com evidente carga de
operatividade e perspectivados na sua exequibilidade;
- à procura do alargamento do espectro de pessoas implicadas na execução
dos projectos, optimizando os recursos disponíveis;
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- à implantação de um consequente plano de apoios educativos em
correlação com as concretas dificuldades dos alunos;
- à funcionalização do projecto de actividades na ausência imprevista de
professores aos reais interesses dos alunos, tendo em conta o seu
percurso de aprendizagem e as áreas de maiores dificuldades/insucesso;
- à reorganização dos espaços e ao reaproveitamento dos materiais ao
serviço das necessidades dos alunos;
- à constante monitorização do que se vai executando.
4. Avaliação
4.1. Princípios
Não é possível falar-se de projecto educativo, que, em si próprio, é um
instrumento de organização e gestão da acção educativa referenciador, aberto e
dinâmico, sem se afirmar a imprescindibilidade de se prever, desde logo, os modos
e as condições da sua avaliação interna. Este assume-se como o princípio basilar a
este nível.
A avaliação deve ser participada, colhendo-se as opiniões dos diversos
sectores e interesses envolvidos na sua concretização.
Deve ter a característica da continuidade para que os efeitos da execução do
projecto não se percebam, na sua maior ou menor valia, apenas no final do
percurso.
Deve permitir, a cada momento, a aferição da adequação ou desadequação
aos princípios, objectivos, prioridades e estratégias, à partida, definidos.
Deve promover e fundamentar a necessidade de alteração e reformulação.
Deve contribuir para o aumento do grau de consistência dos planos,
projectos e actividades que têm o seu suporte e justificação no projecto educativo.
Deve servir de oportunidade de reflexão, debate e projecção futura,
congregando vontades e assumindo-se como um momento privilegiado para se
sentir a escola como uma obrigação e uma responsabilidade de todos.
4.2. Instrumentos
O debate livre, participado e aberto será o instrumento essencial de
avaliação, para isso devendo ser convocadas as reuniões necessárias, não se
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Escola Secundária do Rodo Projecto Educativo de Escola
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podendo esquecer da obrigação de reflexão nos órgãos próprios da escola, com
destaque para o Conselho Pedagógico e a Assembleia de Escola.
Com base nos objectivos essenciais definidos, e que beberam muito do seu
interesse estratégico nos pontos fracos elencados, deve ser criada uma grelha que
permita acompanhar a consecução continuada daqueles objectivos.
A realização de inquéritos de satisfação junto dos vários sectores do
funcionamento da escola, docentes, funcionários, encarregados de educação e
alunos, garantirá a participação de todos na avaliação.
A formalização da avaliação deve ser feita em documentos escritos, que
facilitem a sua manipulação e a sua função de base para novos projectos.
4.3. Intervenientes e periodicidade
Como é evidente, intervenientes são todos aqueles que são implicados na
execução do próprio projecto educativo.
Ganhar-se-á em rigor e relevância da acção avaliativa com a criação de uma
comissão de avaliação do projecto educativo constituída por representante do
Conselho Pedagógico, representante dos docentes, dos funcionários, dos alunos e
dos encarregados de educação, que centralizará as operações de avaliação e dará
continuidade ao processo.
A referida comissão definirá os momentos em que, como tal, funcionará,
reunindo, pelo menos, no final de cada período lectivo.
A Assembleia de Escola, no final de cada ano lectivo, abordará, depois de
obtido parecer do Conselho Pedagógico, em contacto com a dita comissão e na
presença de todos os instrumentos, a avaliação do projecto educativo, que terá o
seu momento final no último período do terceiro ano de execução.
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