�Albert Einstein uma vez enumerou as suas regras de trabalho: by P2THssc

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									   Instituto Porto Alegre da Igreja Metodista
         Faculdade de Ciências da saúde




Quais as principais valências físicas desenvolvidas,
              na prática de jiu-jitsu



                                   William Thomas
                                         Turma: 81




                  Porto Alegre
                 Novembro, 2000
   “Albert Einstein uma vez enumerou as suas
regras de trabalho:


   Um: na confusão ache a simplicidade
   Dois: na discórdia ache a harmonia
   Três: no meio da dificuldade, está a
oportunidade”.
   Phil Jackson – ex-técnico do Chicago Bulls
   Instituto Porto Alegre da Igreja Metodista
         Faculdade de Ciências da saúde




Quais as principais valências físicas desenvolvidas,
              na prática de jiu-jitsu



                                   William Thomas
                                         Turma: 81




                  Porto Alegre
                 Novembro, 2000
                                                   4




               Agradecimentos

                Agradeço a Gladis e Tarcísio Thomas,

                      Nicolle, Ledi e Roberto Gehrke,

                 Michelle e Gerson Süffert por todo o

Suporte familiar e a Thomas a nova luz em minha vida.
Sumário



1. Introdução                                                  6

2. Desenvolvimento                                            8

    2.1 A Luta                                                8

    2.2 As Valências desenvolvidas                            12

    2.3 O Treinamento                                         21

    2.4 A Potêncialização das valências Força e Resistência   23

3. Conclusão                                                  25

4. Referências Bibliográficas                                 27
                                                                                          6




    1. Introdução




          Será apresentado neste trabalho, um estudo sobre as valências desenvolvidas em um

praticante de jiu-jitsu.

          A tradução de jiu-jitsu é arte-suave, ela começou na Índia(sem data precisa). Foi

desenvolvida por monges budistas, pois em suas longas viagens eram atacados

constantemente. Como por motivos filosóficos não podiam portar armas, viram-se

obrigados a desenvolver um sistema de defesa pessoal que lhes permitisse se salvaguardar

sem a necessidade de agredir seu atacante. Dotados de grande conhecimento inclusive de

anatomia, os monges desenvolveram um sistema de estrangulamento e alavancas onde

usava-se a força do oponente contra ele mesmo. Para se chegar nesta situação de

predominância sobre o oponente, na época, na visão dos monges, necessitava de uma ótima

harmonia de suas valências físicas, como agilidade, equilíbrio, velocidade de movimentos e

flexibilidade.

          Com a grande proliferação do jiu-jitsu no mundo e principalmente no Brasil, pelo

menos nos últimos 30 anos, o esporte foi se profissionalizando, e esta cada vez mais

competitivo. Logo, aparece mais um campo de trabalho para nós, profissionais da Educação

Física.
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        Devido a este motivo, eu como atleta de jiu-jitsu e professor de Educação Física,

achei interessante fazer um estudo sobre alguns aspectos da preparação física ligada ao

treinamento de jiu-jitsu, pois os atletas desconhecem aspectos importantes como as

adaptações fisiológicas que ocorrem no seu organismo, ou sobre a continuidade do

treinamento, isto por que são pouquíssimos Mestres e           ou instrutores que tem uma

formação acadêmica, ou até conhecimentos sobre fisiologia e treinamento desportivos,

portanto apresento o problema como: Quais as principais valências físicas desenvolvidas

na prática de jiu-jitsu.

        Contudo, este trabalho tem por finalidade ajudar profissionais que também estão

iniciando com trabalho de preparação física específica no jiu-jitsu.

        Objetivo Geral: Identificar as valências físicas mais desenvolvidas em praticantes de

jiu-jitsu.

        Objetivo Específico:



        1. Melhorou a sua Resistência Muscular Localizada?

        2. Aumentou a sua Força?
                                                                                          8




   2. Desenvolvimento




   2.1 A Luta




   A Luta de jiu-jitsu será minuciosamente descrita neste capítulo, para que seja possível

um total entendimento das ações dos lutadores no transcorrer da luta. As lutas são divididas

em categorias de peso, faixa e idade.



   Peso:

   Galo (até 55 Kg);

   Pluma (de 55 a 61 Kg);

   Pena (de 61 a 67 Kg);

   Leve (de 67 a 73 Kg);

   Médio (de 73 a 79 Kg);

   Meio-pesado (de 79 a 85 Kg);

   Pesado (de 85 a 91 Kg);

   Superpesado (de 91 a 97 Kg) e
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   Pesadíssimo (acima de 97 Kg).



   Idade:

   Pré-mirim (de 4 a 6 anos);

   Mirim (de 7 a 9 anos);

   Infantil (de 10 a 12 anos);

   Infanto-juvenil (de 13 a 15 anos); e

   Juvenil (de 16 a 17 anos) e Adulto (acima de 18 anos).



   Faixa:

   Branca (5 minutos);

   Azul (6 minutos);

   Roxa (7 minutos);

   Marrom (8 minutos); e

   Preta (10 minutos).

   De acordo com as classificações estarão dentro do Tatame, área denominada para a luta,

apenas os dois atletas, que deverão estar devidamente uniformizados para a luta, ou seja, de

Kimono com a sua faixa amarrada a cintura e o juiz. Fora do tatame ficam os mesários

marcando os pontos da luta.

   A Luta ao sinal do juiz, tem o seu início. Como a luta inicia de pé, e não no chão como

é característico do jiu-jitsu, os atletas usufruirão técnicas de quedas no oponente, como no

Judô, a fim de deslocar o centro de gravidade do adversário para desequilibra-lo e derruba-

lo. Obviamente está luta de pé depende da característica e da tática planejada para a luta.
                                                                                         10

Ocorrendo uma queda a luta tem o seu início no chão. Para a luta ir direto para o chão, um

lutador ainda tem o recurso de chamar para a guarda.

   A partir daí existem inúmeras situações na luta, é muito difícil haver duas lutas iguais.

O que pode ocorrer é que uma luta seja muito parecida com outra, por causa das

características apresentadas pelos lutadores. As características que os lutadores apresentam

em uma luta são de defensor, que seria o que chamamos de “fazer guarda” ou atacante que

é o “passador de guarda”. É importante ressaltar que o bom lutador tem, de saber as duas

coisas. atacar e defender e se possível ao mesmo tempo.

   O desenvolver da luta no chão será com um lutador fazendo guarda e o outro tentando

passar a guarda.

   A conceituação de guarda é quando um lutador, na tentativa de defender-se, estando

com o dorso no solo, tenta colocar o seu oponente no dentre as suas pernas. Porém este

lutador não se defende apenas. Existem inúmeras ataques na guarda, como: raspagens (pé

no bíceps, de gancho, de omoplata, etc) que são inversões da posição atacante e defensor,

que valem pontos; ou ataques de chave de braço (omoplata, arm-lock, chave de bíceps,

kimura, americana, etc.) e estrangulamentos (arapuca, triângulo, ataques de gola, etc.) que

se executados com precisão causam a desistência do oponente.

   Por outro lado, a conceituação de passagem de guarda dá-se quando um lutador na

tentativa de ataque, tenta transpor a guarda do defensor, com muita atenção para não sofrer

nenhum dos ataques de guarda mencionados acima. Para isto usará técnicas de passagem de

guarda, onde serão citados alguns, pois novamente serão inúmeras: passagem com o joelho

cruzado; passagem saltando para o lado oposto; passagem de meia guarda; passagem

pegando joelho e manga do mesmo lado e etc.
                                                                                       11

    Ao executar com precisão a passagem de guarda o atacante estará na posição que se

chama 100 quilos, onde seu corpo estará na perpendicular ao corpo do adversário na linha

do tórax, tentando imobilizá-lo com as costas no chão. Ainda nesta posição pode-se tentar

alguns ataques como: joelho na barriga e montada, que valem pontos, ou estrangulamentos

e chaves de braço para forçar a desistência do adversário.

    A luta é basicamente isto, e como pode-se perceber torna-se muito dinâmica e pode

mudar de situação a qualquer momento. Portanto é muito difícil se fazer um esboço de uma

luta.

    Pela variabilidade e intensidade que a luta pode apresentar será feito um estudo sobre

algumas Valências Físicas de extrema importância para termos êxito. Numa luta utiliza-se

todas as valências físicas, porém algumas têm de ser potencializadas, como: Resistência e

Força pois sua mescla e dosagem são fundamentais durante a luta. Ainda o Equilíbrio, a

Agilidade e a Velocidade são de extrema importância, pois podem definir a luta. Há ainda o

treinamento de Flexibilidade, onde desenvolve-se exercícios para se aumentar a amplitude

de movimento dos músculos. A Coordenação é treinada genericamente dentro da luta, pois

os seus analisadores são muito recrutados. Ritmo e Descontração são pouco treinados

especificamente.
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        2.2 AS VALÊNCIAS DESENVOLVIDAS




        O Jiu-jitsu, que em japonês significa “arte suave”, é um esporte intelectualizado

tendo em vista sua complexidade e considerado a luta mais abrangente que existe, pois

além de apresentar uma grande variedade de técnicas, tais como golpes traumáticos, golpes

nas articulações e estrangulamentos ainda apresenta uma complexidade em relação as

valências físicas pois necessita de todas elas ao mesmo tempo e em todos os momentos da

luta.

        Seu aprendizado é recomendado por médicos, psicólogos e educadores, como

integrante da educação, paliativo de tensões psíquicas e fator de desenvolvimento físico.

Seus movimentos regulam o controle motor, atuando como efeito de psicomotricidade ,

autoconfiança, e total controle de si mesmo, condicionando os reflexos, induzindo as

decisões rápidas e seguras em situações caóticas e consequentemente desprovendo de

complexo os seus praticantes.

        As bases fundamentais para um lutador de jiu-jitsu é a destreza, a rapidez e a

flexibilidade. Esta luta movimenta todos os músculos do corpo e lança a jogo toda a

atenção(mente) e sangue frio. É uma luta que utiliza sistema de alavancas e desequilíbrios,

assim o lutador aproveita a força e o movimento do próprio adversário para executar os

seus golpes. Uma das vantagens práticas desta luta é que ela auxilia o desenvolvimento da

inteligência incute audácia, coragem, confiança na própria força e agilidade.

        Portanto, neste capítulo, será descrito as valências relacionadas nas situações de luta

e como elas podem ser o diferencial entre dois lutadores.
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       Como o jiu-jitsu sempre foi considerado a luta mais completa que existe

       É porque tem um motivo importantíssimo, diferente das outras lutas: os lutadores de

jiu-jitsu necessitam estar com todas as valências em prontidão ao mesmo tempo em todos

os momentos da luta. O jiu-jitsu é uma arte. Logo é isto que o torna fascinante.




       2.2.1 . VELOCIDADE




       Segundo Frey(1977, 349) a velocidade é a capacidade sobre a base da mobilidade

dos processos do sistema neuromuscular e da faculdade inerente da musculatura, de

desenvolver força, de executar ações motoras em um mínimo espaço de tempo, colocado

sob condições mínimas. ( WEINECK, Jürgen 1986, 137)




       2.2.1.1 De reação: velocidade que um atleta pode responder a um estímulo

       2.2.1.2 Dos membros: capacidade de mover as pernas e braços o tão rápido

possível

       2.2.1.3 De deslocamento: deslocar de um ponto a outro no menor tempo possível.

       Segundo Gomes Tubino (1993, 182), as velocidades são essenciais para os

lutadores.

       Então é importante para o lutador de jiu-jitsu executar os movimentos sempre com

maior velocidade que a de seu adversário, para assim ganhar alguma vantagem, para

encaixar golpes como chave de braço, arapuca, raspagens e etc.
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       2.2.2. AGILIDADE




       “A Agilidade é a qualidade física que permite mudar a posição do corpo no menor

tempo possível”. (TUBINO, Gomes 1993, 194)

       Esta valência é muito importante na luta inteira, principalmente nas passagens de

guarda onde as trocas de posições podem ser constantes.




       2.2.3. EQUILÍBRIO




       “Do ponto de vista da física, as condições mecânicas que regem o equilíbrio do

corpo humano são iguais as que regem os outros corpos, isto é, todo o corpo esta em

equilíbrio, quando não há forças que provoquem movimento de translação ou rotação; ou

ainda quando todas as forças atuantes sobre o corpo se anulam, quer dizer, a resultante é

igual a zero”. ( BARBANTI, Valdir,1997,143)




       2.2.3.1 Dinâmico: Equilíbrio em movimento.



       2.2.3.2 Estático: Equilíbrio conseguido numa determinada posição.
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       2.2.3.3 Recuperado: Recuperação do equilíbrio numa posição qualquer.

       De acordo com Gomes Tubino (1993, 192) o equilíbrio dinâmico, estático e

recuperado são valências importantes aos lutadores.

       Assim como as velocidades de reação, deslocamento e de membros, agilidade e os

equilíbrio estático, dinâmico e recuperado, todos ao mesmo tempo tem um papel

imprescindível na luta toda, mas principalmente no início da luta, quando os lutadores

começam de pé e no combate tentam deslocar o centro de gravidade um do outro com

técnicas de projeção ao solo. Portanto o lutador que não estiver atento o suficiente e que

tiver uma destas valências muito inferior em relação ao seu adversário, poderá Ter uma

grande desvantagem.




       2.2.4 COORDENAÇÃO




       Segundo Barabanti, as capacidades coordenativas são qualidades necessárias para a

condução, regulação e execução do movimento. Elas permitem as pessoas identificarem a

posição do próprio corpo, ou parte dele em relação a espaço, ou ainda executar

corretamente a sincronização dos movimentos da forma mais precisa e econômica.

       “As capacidades coordenativas se fundamentam na elaboração da informação e no

controle da execução que são desenvolvidos por: analisadores táteis, que informam sobre a

pressão nas diferentes partes do corpo; analisadores visuais, que recolhem a imagem do

mundo exterior; analisadores estático-dinâmico, que informam sobre a aceleração do corpo,

particularmente a posição da cabeça concorrendo desta forma para a manutenção do
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equilíbrio; analisadores acústicos, por onde recebemos sons e ruídos; e por analisadores

cinestésicos, por meios das quais recebemos informações das tensões recebidas pelos

músculos”.( BARBANTI, Valdir 1996, 49)

       Como pode-se perceber o desenvolvimento das capacidades coordenativas é muito

grande no jiu-jitsu, pois em uma luta utiliza-se todos analisadores: Táteis, para segurar no

kimono do adversário; Visuais, para ver o deslocamento e as ações do adversário; Estático-

Dinâmico, para manter um posicionamento e equilíbrio correto em relação ao adversário.

Acústico, para ouvir os instrutores nos momentos da luta; e cinestésicos, para regular a

forçados movimentos.



       “A IMPORTÂNCIA DAS CAPACIDADES COORDENATIVAS.

           1. Possibilita um repertório mais amplo, mais rico e mais variado.

           2. Abrevia o tempo gasto na aprendizagem de um movimento novo, tornando

   mais eficaz seu aperfeiçoamento. Quanto mais elevado o nível das capacidades

   coordenativas, mais depressa e mais seguro são aprendidos movimentos novos e

   difíceis.

           3. Permite a execução de movimentos idênticos com menor gasto de

   energético, possibilitando um menor gasto de energia.

           4. Permite maior adaptação e readaptação dos movimentos quando há mudança

   do ambiente ou de situação”. (BARBANTI, Valdir 1996, 49)

       De acordo com estas importâncias nota-se que o desenvolvimento e a melhora das

capacidades coordenativas são muito grandes, pois em apenas um dia de treinamento faz-se

aproximadamente 4 a 5 lutas, logo utiliza-se todos os analisadores, o que possibilita um
                                                                                     17

aumento nestes 4 itens acima citados. Portanto melhora muito a noção tempo e espaço

durante a luta de jiu-jitsu.




        2.2.5. FLEXIBILIDADE




        Citado por Barbanti(1996,79) a Flexibilidade é definida por Zaciorsky(1972) como

“capacidade humana de executar movimentos com grande amplitude de oscilação numa

determinada articulação”.

        Segundo Barbanti(1996, 80) a flexibilidade é determinada pela capacidade do

músculo de inibir o Sistema Nervoso Central, impedindo-o de inibir o movimento de ma

articulação.

        Para a luta de jiu-jitsu a flexibilidade é muito importante, pois dependendo da

amplitude de movimento das articulações pode tornar-se um empecilho muito grande para o

adversário. Por exemplo, nas situações de guarda, quanto maior for a amplitude de

movimentos da coxo-femural do defensor, maior será a dificuldade do atacante.

        “A Flexibilidade é imprescindível para todos os desportos”.(TUBINO, Gomes 1993,

210).

        No treinamento de jiu-jitsu, para melhorar e manter os níveis de flexibilidade

utiliza-se o alongamento estático.
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       2.2.6 RESISTÊNCIA




       Geralmente entende-se por resistência a capacidade psicofísica do esportista em

suportar a fadiga.

       Segundo Frey(1977, 351), a resistência psíquica contém a capacidade do esportista

de resistir por longo tempo a um estímulo que provocaria o término de uma carga, ao passo

que a resistência física consiste na capacidade de todo o organismo ou de sistemas parciais

de resistir a fadiga.(WEINECK, Jurgen1986,52)




       2.2.6.1 Resistência Muscular Localizada




       “ A Resistência Muscular Localizada é a valência que permite condições para que

os movimentos sejam continuados, mesmo que a intensidade de contração sejam elevadas,

e possam influir negativamente no transporte de oxigênio e na eliminação rápida de

produtos tóxicos musculares resultantes”.(TUBINO, Gomes 1993, 207)

       Resistência Muscular Localizada permite um atleta realizar no maior tempo possível

a realização de um determinado movimento com a mesma eficiência.
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       2.2.6.2 Resistência Aeróbia




       Na resistência Aeróbia, o oxigênio disponível basta para a combustão oxidativa dos

suportes energéticos.(WEINECK, Jürgen 1986, 52)




       2.2.6.3. Resistência Anaeróbia




       Na resistência Anaeróbia, devido a grande intensidade de carga (seja em termos de

alta freqüência motora, ou de maior requisição de força), o suprimento de oxigênio já não é

suficiente   para   a   combustão   oxidativa,   e   a   energia   é   mobilizada   por   via

anoxidativa.(WEINECK, Jürgen 1986, 52)

       As Resistências tem grande importância em todos os esportes pois proporciona um

condicionamento básico para a execução de qualquer atividade física. No jiu-jitsu, não é

diferente. Necessita-se de uma boa resistência muscular localizada para executar os

inúmeros movimentos repetitivos. Necessita-se de ótima resistência anaeróbia lática(para

que não haja intoxicação devido a produção de ácido lático), e alática(bons índices de ATP-

CP, devido ao grande número de movimentos com força explosiva). E também uma boa

resistência aeróbia pelo desenvolvimento da capacidade funcional do coração e melhoria do

transporte do oxigênio pelo aparelho circulatório e nas trocas gasosas.
                                                                                  20

       2.2.7 FORÇA




       Segundo Gomes Tubino(1993, 85)existe três tipos especiais de força:

       2.2.7.1 Dinâmica: que é a força que envolve as forças dos músculos nos membros

em movimento.



       2.2.7.2 Estática: é a força com produção de calor, não havendo produção de

trabalho em forma de movimento.



       2.2.7.3. Explosivo: é a capacidade de exercer o máximo de energia num ato

explosivo.

       São imprescindíveis na luta de jiu-jitsu, estes três tipos de força:

       1.Dinâmica para movimentos continuados como passagens de guarda

       2.Estática para manutenção de alguns golpes em contração isométrica, como

ataques de gola, triângulos e chaves de braço.

       3.Explosiva para movimentos que necessitam de força com velocidade, como

raspagens de guarda e meia guarda e quedas.
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       2.3 O Treinamento


       O treinamento de jiu-jitsu inicia-se logo na primeira aula que possui em média 60

minutos, onde é dividida em 4 partes:

       Na primeira parte da aula é feito um aquecimento com alguns exercícios de

resistência aeróbios e de movimentação dos membros inferiores e superiores. Também se

faz exercícios básicos de coordenação e agilidade, específicos para o jiu-jitsu, como

rolamentos, frontais e de costas, para a direita e esquerda, fugas de quadril, e fugas de

quadril virando para a posição de 4 apoios. Esta parte tem em torno de 15 minutos.

       A segunda parte da aula é voltada aos exercícios físicos, que são os exercícios de

resistência muscular localizada, com exercícios de flexão dos cotovelos e abdominais.

Aproximadamente a cada aula são feitos 500 abdominais e 100 flexões dos cotovelos,

intercalando em 5 séries iguais. Ainda se executa 400 exercícios de resistência muscular

localizada para o pescoço. Ao final desta parte executa-se uma seqüência de alongamentos

para o corpo todo. Toda esta segunda parte tem em média 15 minutos.

       A terceira parte da aula é voltada à técnica e tática, onde o professor demonstra

passo a passo algumas de suas técnicas aos alunos. Quando os alunos ao observarem a

posição (é como chamamos as técnicas) e não tiverem mais nenhuma dúvida, os alunos

reunir-se-ão em duplas, sempre um mais graduado com um mais novato, e iniciarão a

prática desta nova técnica. Duração em torno de 10 minutos.

       A quarta e última parte é quando se globaliza todo o treinamento feito até o

momento. É a luta propriamente dita, onde reunimos o físico o técnico e o tático ao mesmo
                                                                                     22

tempo. A cada aula fazemos aproximadamente 4 ou 5 lutas de 5 a 7 minutos, varia pelo

grau e a faixa de cada atleta.

       A continuidade das aulas caracteriza o treinamento (Barbanti,1996, p.26)      “A

prática de uma atividade física produzirá uma adaptação do organismo que será especifica

para esta atividade física”.

       Obviamente o atleta iniciante fará a aula de acordo com a sua adaptação ao

treinamento, ou seja, gradualmente.(Barbanti,1996, p.24) “A adaptação que acontece no

organismo durante a preparação física é determinada pela natureza da sobrecarga,

intensidade e volume”.
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        2.4 A Potencializacão das Valências Forca e Resistência




        Mesmo que nos conceitos básicos dos monges budistas o jiu-jitsu não necessitava

do uso excessivo das valências Força e Resistência, onde só as alavancas e

estrangulamentos já imobilizava seu oponente. Hoje com a grande proliferação do esporte

jiu-jitsu, tanto no Brasil, como no mundo, este se tornou muito competitivo e por

conseqüência está cada vez mais profissional.

        Esta profissionalização tornou o jiu-jitsu multifatorial, onde um competidor de alto

nível usufrui de recursos como nutricionistas, endócrinologistas, aulas de flexibilidade e

Yoga e principalmente, além do treinamento de jiu-jitsu, uma preparação física específica

para o esporte.

        Por este motivo é inegável que o uso das valências Força e Resistência, hoje em dia

no jiu-jitsu competitivo, são imprescindíveis. Portanto contrariando a filosofia dos monges

budistas, faz-se um treinamento de força dinâmica, estática e explosiva e resistência

muscular localizada, resistência anaeróbia láctica e aláctica devido as situações da própria

luta.

        Portanto como pode-se perceber neste trabalho, no Treinamento e na própria Luta

procura-se desenvolver e treinar todos as valências necessárias para ser um lutador

completo. Logo devido a continuidade do treinamento (aproximadamente 5 vezes por

semana) e das lutas (aproximadamente 4 lutas por treino)nota-se           uma melhora na

resistência muscular localizada devido a quantidade de exercícios deste tipo são feitos em

um dia de treinamento.
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       Segundo Jürgen Weineck: “A resistência muscular localizada               representa,

porcentualmente a forma de solicitação motora mais claramente passível de treinamento:

seu valor inicial, encontrado em indivíduos não treinados, pode aumentar em várias vezes,

cem até mil por cento”. (HOLLMANN-HETTINGER 1980, 346)

       E também nota-se um aumento da Força, pois segundo Katch, Katch (1998, 404) o

treinamento progressivo com pesos como resistência e o treinamento isométrico são

sistemas comuns de exercícios utilizados para treinar os músculos afim de se tornarem mais

fortes. Segundo Jürgen Weineck: O tempo de tensão ótima situa-se entre 6 e 8

segundos.(WERCHOSHANKIJ, 1974,123)

       Como pode-se perceber, em apenas uma luta, ocorre estes dois tipos de treinamento

de força intensamente.

       Há ainda o exemplo em que um lutador executa inúmeras vezes uma repetição

máxima (1-RM )(que significa a quantidade máxima de peso levantado uma única vez), que

segundo Katch, Katch (1998, 405) a realização de 3-RM a 12-RM constitui o número mais

eficiente de repetições para aumentar a força muscular. Na luta de jiu-jitsu esta repetição

máxima ocorre quando um lutador ao se defrontar com um adversário mais forte, executará

movimentos com o máximo de sua força.
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   3. Conclusão


       Devido ser uma área de pouca pesquisa e ainda o mínimo de conhecimento das

pessoas da área, achei importante fazer com que este trabalho tivesse como Objetivo

esclarecer dúvidas sobre as valências físicas desenvolvidas em lutadores de jiu-jitsu.

       Ao jiu-jitsu, compete orientar o atleta através do esporte, para formar o homem do

amanhã, bem constituído físico, moral e intelectualmente, pois, antes de lembrarmos do

jiu-jitsu devemos lembrar que acima de tudo este é um meio educador.

       Mesmo que a luta seja basicamente desequilíbrios e alavancas, onde Agilidade,

Velocidade e Equilíbrio são importantíssimos, é inegável que a Força e a Resistência

podem ser o diferencial entre dois lutadores. Por que a luta tem predominância de Força

Dinâmica (anaeróbico Lático), logo deve-se ter uma resistência desta por causa da acidose

lática pois pode ocorrer uma intoxicação na musculatura do lutador. Logo no treinamento

de jiu-jitsu há muitas simulações e treinos específicos de luta para que haja uma adaptação

no organismo, afim de que tenha mais capacidade de resistir ao ácido lático. Com menos

predominância mas também importantes, a Força Explosiva (anaeróbico alático) adaptada

ao treinamento nos exercícios específicos e na própria luta tem alterações em repouso: um

aumento nas concentrações de ATP(25%), Creatina-Fosfato(60%) Creatina(35%) e

Glicogênio(32%) e ainda aumenta a atividade enzimática, ressintese de ácido láctico e
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reservas alcalinas, tornando também o organismo capaz de suportar níveis mais elevados de

ácido lático no sangue; Força Estática, devido a grande quantidade de contrações

Isométricas. A Resistência Muscular Localizada tem uma boa melhora devido a sua

quantidade de treinamento e sua ótima adaptação.

       Por fim penso que foi muito válido a pesquisa a qual realizei para a busca de novos

conhecimentos nesta área tão importante e que atualmente está crescendo cada vez mais.
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   4. Referências Bibliográficas




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WEINECK, Jürgen. 1986. Manual do Treinamento Desportivo. 2°ed

São Paulo: ed. Manole,

WEINECK, Jürgen. 1999. Treinamento Ideal, 1°ed. São Paulo: ed. Manole,

								
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