RENATA CARNEIRO LOPES by 38ms6w

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									           RENATA CARNEIRO LOPES
                 (orientanda)

       ANA MARIA DOMINGUES DE OLIVEIRA
                  (orientadora)




ESTUDO COMPARATIVO DAS EDIÇÕES DO LIVRO
     VAGA MÚSICA DE CECÍLIA MEIRELES



                       Relatório Parcial de pesquisa de Iniciação
                       Científica apresentado à Fundação de
                       Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo
                       - FAPESP.




                     2004
                                                                                          2




       Este relatório tem como objetivo a finalização do estudo comparativo da obra Vaga
Música de Cecília Meireles, que teve início em agosto de 2001 e se finda em dezembro de
2003. Neste período foi realizado exaustivo processo comparativo entre todas as edições da
obra, abrangendo todas as variantes textuais existentes. Neste relatório estão todos os
resultados da pesquisa, uma breve análise das variantes de cada poema e um ensaio acerca
da obra de Cecília Meireles e em especial da obra Vaga Música.
       O material analisado no decorrer de toda a pesquisa está enumerado abaixo, de
acordo com a edição:


A) Vaga Música, Rio de Janeiro: Pongetti, 1942 (obra avulsa).
B) Vaga Música, Obra poética, Rio de Janeiro: José Aguilar, 1958 (edição conjunta).
C) Vaga Música, Obra poética, Rio de Janeiro: José Aguilar, 1967 (edição conjunta).
D) Vaga Música, Obra poética, Rio de Janeiro: José Aguilar, 1972 (edição conjunta).
E) Vaga Música, Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1973 (edição conjunta com a obra
   Viagem).
F) Vaga Música, Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1982 (edição conjunta com a obra
   Viagem)
G) Vaga Música, Poesia completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994 (edição conjunta)
H) Vaga Música, Poesia completa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001 (edição conjunta)


      As oito edições que foram pesquisadas são referenciadas através de letras para
melhor visualizar as respectivas variantes:


A) edição de 1942
B) edição de 1958
C) edição de 1967
D) edição de 1972
E) edição de 1973
F) edição de 1982
                                                                                            3


G) edição de 1994
H) edição de 2001


       A pesquisa consistiu, como já foi dito, em analisar, verso por verso, estrofe por
estrofe, cada poema em suas respectivas edições, detectando as variantes que abaixo
citaremos. Lembramos que o termo variante aplica-se a qualquer modificação ou inovação
no texto. Cada variante foi identificada e anotada logo após a transcrição do poema
estudado e logo em seguida as mesmas foram analisadas e comentadas.
           Fizemos um levantamento de todos os títulos da obra, os do índice e os do corpo do
livro, e assim pudemos detectar quais eram as variantes referentes aos títulos dos poemas.
Esta relação de títulos baseou-se na primeira edição de 1942, que possui o total de 102
poemas. Apenas um título não foi transcrito de acordo com a edição base: “Mexican list and
tourist”, que não se encontra completo na primeira edição, como veremos logo abaixo. Uma
outra observação é o caso do título “Rimance partido”, existente apenas na primeira edição,
1942, variante que será melhor explicada em Características e Variações dos Títulos nos
Índices.
       Os títulos dos poemas da obra Vaga música são:


       Ritmo
       Epitáfio da Navegadora
       O rei do mar
       Mar em redor
       Pequena canção da onda
       Canção da menina antiga
       Regresso
       Epigrama
       Agosto
       Música
       Canção excêntrica
       Canção quase inquieta
                             4


Vigília do senhor morto
Viagem
Epigrama do espelho infiel
Exílio
Canção do caminho
O Ressuscitante
Recordação
Inscrição na areia
Canções do mundo acabado
Canção quase melancólica
A doce canção
A mulher e a tarde
Canção de alta noite
Partida
Em voz baixa
Canção suspirada
Lembrança rural
Descrição
Velho estilo
Velho estilo
Canção mínima
A vizinha canta
Pequena canção
Cançãozinha de ninar
Embalo
Ponte
Visitante
Gaita de lata
Despedida
Tardio canto
                                 5


Cantiga do véu fatal
Pergunta
Serenata ao menino do hospital
Aluna
Pequena flor
Memória
Mau sonho
Retrato falante
Canção nas águas
Ida e volta em Portugal
Solilóquio do novo Otelo
Rimance partido
A Dona contrariada
Modinha
Canção a caminho do céu
Epigrama
Idílio
Soledad
Canção do carreiro
Interlúdio
Domingo de feira
Mexican list
Canção da tarde no campo
Madrigal da sombra
Passam anjos
Campos verdes
Para uma cigarra
Encomenda
Confissão
Naufrágio antigo
                          6


Explicação
Romancinho
Rosto perdido
Elegia
Reinvenção
Canção do deserto
Lua adversa
Canção para remar
Chorinho
Monólogo
Fantasma
Panorama
Da bela adormecida
Itinerário
Canção dos três barcos
Eco
Imagem
Cantiguinha
Roda de junho
Rimance
Deus dança
Despedida
Trabalhos da terra
Amém
Narrativa
Alucinação
A amiga deixada
A mulher e o seu menino
Oráculo
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       VARIAÇÕES DOS TÍTULOS NOS ÍNDICES


       Edição de 1942


       Uma peculiaridade encontrada nessa edição é a existência de uma errata
considerando um erro existente no poema "Pequena Flor", que se encontra na página 84. A
errata constitui-se num pedaço de papel localizado entre as páginas 84 e 85 e contém a
seguinte informação: “Na página 84, onde se lê: ‘Na sêde frágil’, leia-se: ‘Na sêda frágil’.”
Esta foi uma variante detectada pelo editor antes de finalizar e comerciar o livro.
       Como já fora dito anteriormente, a constatação das variantes foi feita a partir da
primeira edição e não baseada totalmente nela, pois esta também apresenta algumas
imperfeições. A título de exemplo, encontramos uma variação importante: no índice estão
arrolados 102 títulos de poemas, enquanto nas demais edições são apenas 101. O título
presente no índice desta edição e omitido nas demais é “Rimance Partido”. Pelas razões que
enumeraremos logo a seguir, cremos que o poema foi integrado ao poema anterior
“Solilóquio do novo Otelo”, como sendo sua segunda parte. A primeira razão que nos levou
a essa conclusão é o fato de a primeira letra da suposta segunda parte de “Solilóquio do
novo Otelo” ser capitular, característica própria dos inícios dos poemas desta edição. Além
disso, não há continuidade no tema entre a primeira e a suposta segunda parte de
“Solilóquio do novo Otelo”. Um descuido e um pouco de falta de atenção da editora, no
momento da revisão, podem ter acarretado esse problema, bastante significativo, já que
acarretou essa imperfeição em todas as demais edições da obra, nas quais o poema
“Rimance partido” sequer existe: é considerado apenas como a continuação do poema
anterior.
       Outra variante identificada no índice é o título incompleto do poema que, nas
edições subseqüentes, é nomeado “Mexican list and tourists”. No índice da edição de 1942,
o título é apenas “Mexican list”. No corpo da obra, entretanto, o poema aparece com o
título completo: “Mexican list and tourists”. Nas demais edições, o título está completo seja
nos índices seja no corpo da obra.
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       No caso do poema “Canção mínima”, o título, no índice, permanece como citado.
No corpo da obra, entretanto, o poema recebe somente o nome de “Canção”. A partir dos
estudos realizados e da comparação das edições analisadas, supomos que o título mais
adequado seja “Canção mínima” e não “Canção”.


       Edição de 1972


       A variante detectada nesta edição foi a do poema “Idílio”, que, embora no índice
apareça como “Edílio”, no corpo do livro aparece corretamente como “Idílio”.


       Nas demais edições não foi detectada nenhuma variante no título do índice nem do
corpo dos poemas.
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       AS VARIANTES


       A seguir, temos a transcrição dos poemas completos, juntamente com as letras
representantes das edições em que foram detectadas as variantes textuais. O livro foi
transcrito já com as alterações do que acreditamos ser a versão mais fiel da pretendida pela
autora. Foi realizado um pequeno estudo acerca da obra geral de Cecília, a fim de estarmos
mais próximos da sua literatura, da sua maneira de escrever. Baseando-nos neste estudo e
na obra Vaga Música como um todo, utilizamos critérios que julgamos seguros para a nossa
escolha da versão mais correta de cada poema. Procuramos adotar a versão mais adequada
ao poema e coerente com a estética utilizada pela poetisa.




       Para este relatório, que é a finalização da pesquisa da obra Vaga Música, temos a
transcrição do poema na íntegra de acordo com o que concordamos que seja a versão
definitiva da poetisa, em seguida as suas variantes textuais e uma pequena análise das
mesmas.
       Tomamos o cuidado de iniciar cada poema em página nova. As estrofes longas que
se dividiriam em duas, devido à mudança de página, também foram iniciadas em página
nova, evitando assim, confusões e julgamentos imprecisos acerca da estrofação.
                                                                           10


                                       VAGA MÚSICA

MAR EM REDOR
    3ª estrofe
    Soltei meus anéis nos aléns da saudade.
    Entre algas e peixes vou flutuando a noite inteira.
    Almas de todos os afogados
    Chamam para diversos lados
    Esta singular companheira.


    Edições :
    A) o poema possui 3 estrofes
    B) o poema possui 3 estrofes
    C) o poema possui 3 estrofes
    D) o poema possui 3 estrofes
    E) o poema possui 3 estrofes
    G) o poema possui 3 estrofes
    H) o poema possui 3 estrofes


    Soltei meus anéis nos aléns da saudade.
    Entre algas e peixes vou flutuando a noite inteira.


    Almas de todos os afogados
    Chamam para diversos lados
    Esta singular companheira.


    Edição :
    F) o poema possui 4 estrofes, pois a estrofe nº 3 se divide em duas.
                                                                                         11


       O que ocorre neste poema é uma alteração de transcrição da terceira estrofe. A
variante ocorre na edição F, pois nela a terceira estrofe é dividida em duas, fazendo com
que o poema seja composto por quatro estrofes e não por três, como nas demais edições.
       A melhor opção para este poema é o mesmo se constituir por três estrofes, ou seja,
a última estrofe não se dividiria em duas, já que a autora fez rimas em todas as estrofes, a
última não seria exceção no poema:


       1ª - conchas sonoras - areia das horas
       2ª - ficaste e partiste - num oceano triste
       3ª - noite inteira    - singular companheira


EPIGRAMA
       2ª estrofe


       só meu sofrimento me instrui,
       quando me recordo de mim.


       Edições :
       A) a segunda estrofe é formada por dois versos
       B) a segunda estrofe é formada por dois versos
       C) a segunda estrofe é formada por dois versos
       D) a segunda estrofe é formada por dois versos
       E) a segunda estrofe é formada por dois versos
       F) a segunda estrofe é formada por dois versos
       H) a segunda estrofe é formada por dois versos


       só meu sofrimento me
       instrui,
       quando me recordo de mim.
                                                                                            12


       Edição:
       G)   a segunda estrofe é formada por três versos


       A variante deste poema também é uma alteração de estrofação. Como observamos
acima, a segunda estrofe, que é integrada por dois versos, na edição F é integrada por três
versos. Como as outras estrofes são formadas por dois versos, consideramos que, em nome
da regularidade, o correto seria que todas as estrofes tivessem apenas dois versos.


AGOSTO
       1º verso da 2ª estrofe
       A) sopra, vento, sopra vento,
       B) sopra, vento, sopra, vento,
       C) sopra, vento, sopra, vento,
       D) sopra, vento, sopra, vento,
       E) sopra, vento, sopra vento,
       F) sopra, vento, sopra vento,
       G) sopra, vento, sopra, vento,
       H) sopra, vento, sopra, vento,


       Neste caso observamos uma variação na pontuação do texto, especificamente, uma
supressão de vírgula. As edições A, E e F não apresentam vírgula no primeiro verso da
primeira estrofe, enquanto as demais edições apresentam. Acreditamos que a melhor versão
seria: “ sopra, vento, sopra, vento, “, já que o vento é um vocativo na frase, e deve vir entre
vírgulas.


       3º verso da 1ª estrofe
       A) passa por sobre o meu rosto
       B) passa por sobre o meu rosto
       C) passa por sobre o meu rosto
       D) passa por sobre meu rosto
                                                                                         13


         E) passa por sobre o meu rosto
         F) passa por sobre o meu rosto
         G) passa por sobre meu rosto
         H) passa por sobre meu rosto


         Neste verso observamos outro caso de supressão: nas edições D, G e H a vogal o é
suprimida do terceiro verso da primeira estrofe. Concluímos que a melhor opção seria que
este verso conservasse a vogal, já que o verso seguinte também é formado pela mesma
estrutura : “...e sobre o meu pensamento...”


CANÇÃO EXCÊNTRICA
         7º verso da 3ª estrofe
         A) – saudosa do que não faço,
         B) – saudosa do que não faço,
         C) – saudosa do que não faço,
         D) – saudosa do que não faço,
         E) – saudosa do que não faço,
         F) – saudosa do que não faço,
         G) – saudosa do que não faço,
         H) – saudosa do que não faço


         Neste poema ocorre a alteração de pontuação, especificamente uma supressão de
vírgula. Na edição H, o sétimo verso da terceira estrofe perde a pausa final para o próximo
verso. Acreditamos que a melhor opção seria a utilização da vírgula, sendo que as demais
edições e principalmente a primeira, por a base da pesquisa, conservam a vírgula no final do
verso.
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CANÇÃO QUASE INQUIETA
    4ª e 5ª estrofes


    Se existe a tua Figura,
    se és o Sentido do Mundo,
    deixo-me, fujo por ti,
    nunca mais quero ser minha!


    (Mas, neste espelho, no fundo
    desta fria luz marinha,
    como dois baços peixes,
     nadam meus olhos à minha procura...
    Ando contigo – e sozinha.
    Vivo longe – e acham-me aqui...)


    Edições:
    A) 4ª e 5ª estrofes separadas (total de 7 no poema)
    B) 4ª e 5ª estrofes separadas (total de 7 no poema)
    C) 4ª e 5ª estrofes separadas (total de 7 no poema)
    D) 4ª e 5ª estrofes separadas (total de 7 no poema)
    E) 4ª e 5ª estrofes separadas (total de 7 no poema)
    F) 4ª e 5ª estrofes separadas (total de 7 no poema)
    G) 4ª e 5ª estrofes separadas (total de 7 no poema)


    Se existe a tua Figura,
    se és o Sentido do Mundo,
    deixo-me, fujo por ti,
    nunca mais quero ser minha!
    (Mas, neste espelho, no fundo
    desta fria luz marinha,
                                                                                        15


       como dois baços peixes,
        nadam meus olhos à minha procura...
       Ando contigo – e sozinha.
       Vivo longe – e acham-me aqui...)


       Edição:
       H) 5ª e 6ª estrofes unidas (total de 6 no poema)
       Neste poema há a ocorrência de uma alteração de estrofe. Na edição H a quarta e
quinta estrofes se unem formando uma só estrofe, o que prejudica a estética do poema. As
demais estrofes são curtas, portanto concluímos que o melhor seria a conservação da estrofe
separada, ou seja, o poema sendo formado por sete estrofes curtas, mantendo assim uma
certa regularidade no poema.


       2ª verso da 1ª estrofe
       A) e do outro a vaga incerta,
       B) e do outro a vaga incerta,
       C) e do outro a vaga incerta,
       D) e do outro a vaga incerta,
       E) e do outro a vaga incerta,
       F) e do outro a vaga incerta,
       G) e do outro a vaga incerta,
       H) e do outro, a vaga incerta,


       Neste verso observamos a supressão de uma vírgula no segundo verso da primeira
estrofe. A edição H incluiu a vírgula que inexistia nas demais edições da obra. Optamos por
conservar a vírgula, já que, no verso anterior a estrutura é idêntica ao verso em questão e
utiliza-se a devida pontuação: “... De um lado, a eterna estrela,”
                                                                                       16


VIGÍLIA DO SENHOR MORTO
       6ª estrofe


       Sangue que tiveste, por perdidas cenas
       derramou-se, longe, e é pó do pó sem glória,
       preso no destino das coisas terrena.


       Edições:
       A) total de 9 estrofes
       B) total de 9 estrofes
       C) total de 9 estrofes
       D) total de 9 estrofes
       E) total de 9 estrofes
       G) total de 9 estrofes
       H) total de 9 estrofes


       Sangue que tiveste, por perdidas cenas


       derramou-se, longe, e é pó do pó sem glória,
       preso no destino das coisa terrena.


       Edição:
       F) a 6ª estrofe se divide em duas.(Total de 10 estrofes)


       Aqui a variante encontrada é uma alteração de estrofe. Na edição F, a sexta estrofe
divide-se em duas, fazendo com o poema seja composto por dez estrofes e não por nove
como nas demais edições.
       Se bem observarmos a frase : “ Sangue que tivesse por perdidas cenas”, notaremos
que esta precisa ser complementada por um conteúdo que esteja dentro da mesma estrofe.
De acordo com a estética do poema, a maioria das estrofes é composta por três versos e
                                                                                      17


somente o penúltimo por um verso, portanto a melhor opção dentro da proposta do poema
seria a estrofe permanecer conforme o restante, ou seja, a estrofe permanece unida e o
poema se conserva com nove estrofes.


       2º verso da 2ª estrofe
       A) como vim de longe, teimando com a terra,
       B) como vim de longe, teimando com a terra,
       C) como vim de longe, teimando com a terra,
       D) como vim de longe, teimando com a terra,
       E) como vim de longe, teimando com a terra
       F) como vim de longe, teimando com a terra
       G) como vim de longe, teimando com a terra,
       H) como vim de longe, teimando com a terra,


       Neste verso tem-se a supressão de vírgula, no segundo verso da segunda estrofe nas
edições E e F. A melhor opção neste caso seria a conservação da vírgula, seguindo assim a
proposta de utilização da primeira edição da obra como base da pesquisa.


O RESSUSCITANTE
       2º verso da 1ª estrofe
       A) meu rosto, meu flanco,
       B) meu rosto, meu flanco,
       C) meu rosto, meu flanco,
       D) meu rosto, meu flanco,
       E) meu rosto, meu flanco,
       F) meu rosto, meu flanco,
       G) meu rosto, meu flanco,
       H) meu rosto, meu flanco
                                                                                     18


       Neste poema observamos a supressão de vírgula no segundo verso da primeira
estrofe na edição H. De acordo com o restante das edições, a vírgula aparece após “meu
flanco,” sendo, assim o correto seria seguir conforme o já estabelecido, em comum, pelas
demais.


       2º verso da 2ª estrofe
       A) por minhas olheiras,
       B) por minhas olheiras,
       C) por minhas olheiras,
       D) por minhas olheiras,
       E) por minhas olheiras,
       F) por minhas olheiras,
       G) por minhas olheiras,
       H) por minhas olheiras


       Neste verso observamos a mesma situação de variante observada na estrofe acima,
assim, estabelecendo uma regularidade entre as estrofes, a opção mais correta seria a
conservação da vírgula: “por minhas olheiras,”


       3º verso da 3ª estrofe
       A) E hoje visto nuvens
       B) E hoje visto nuvens
       C) E hoje visto nuvens
       D) E hoje visto nuvens
       E) E hoje visto nuvens
       F) E hoje visto nuvens
       G) E hoje visto nuvens,
       H) E hoje visto nuvens,
                                                                                     19


       Neste verso temos o inverso do citado acima, pois o que ocorre é um acréscimo de
vírgula. Nas edições G e H foi acrescentada uma vírgula no final do terceiro verso da
terceira estrofe que separa o substantivo do adjetivo: “nuvens cândidas e novas”. A
utilização da vírgula neste caso, também contraria a estrutura estabelecida pelas demais
edições e principalmente pela primeira, que é a base da pesquisa.


RECORDAÇÃO
       7º verso da 5ª estrofe
       A) nas suas nervuras nítidas de folha,
       B) nas suas nervuras nítidas de folha,
       C) nas suas nervuras nítidas de folha,
       D) nas suas nervuras nítidas de folha,
       E) nas suas nervuras nítidas de folha,
       F) nas suas nervuras nítidas de folha,
       G) nas suas nervuras nítidas de folha,
       H) nas suas nervuras nítidas de folha


       Uma supressão de vírgula ocorre no sétimo verso da quinta estrofe da edição H. A
vírgula neste verso segue um padrão estabelecido pela autora, já que aparece em outros
poemas, como por exemplo “O Ressucitante”. O padrão estabelece que quando o verso
seguinte começa com travessão, o anterior a ele termina com uma vírgula, pausando assim,
os dois versos.


CANÇÃO QUASE MELANCÓLICA
       4º verso da 4ª estrofe
       A) e que vens, si o tempo voltar...
       B) e que vens, se o tempo voltar.
       C) e que vens, se o tempo voltar.
       D) e que vens, se o tempo voltar.
       E) e que vens, se o tempo voltar...
                                                                                        20


       F) e que vens, se o tempo voltar...
       G) e que vens, se o tempo voltar.
       H) e que vens, se o tempo voltar...


       Neste poema temos uma variante textual muito interessante, já que, não atrapalha o
entendimento do poema mas limita algumas de suas possibilidades de leitura. A variante
encontra-se no quarto verso da quarta estrofe das edições B, C, D e G. A utilização das
reticências no final do verso: “se o tempo voltar...” sugestiona uma infinitude de tempo e
também uma sonoridade específica. A opção proposta é fiel à primeira edição da obra.


A MULHER E A TARDE
       1º verso da 2ª estrofe
       A) E nas verdes ramas, com chuvas guardadas
       B) E nas verdes ramas, com chuvas guardadas,
       C) E nas verdes ramas, com chuvas guardadas,
       D) E nas verdes ramas, com chuvas guardadas,
       E) E nas verdes ramas, com chuvas guardadas,
       F) E nas verdes ramas, com chuvas guardadas,
       G) E nas verdes ramas, com chuvas guardadas,
       H) E nas verdes ramas, com chuvas guardadas,


              A variante neste poema encontra-se no primeiro verso da segunda estrofe;
       uma supressão de vírgula. Observamos nesta estrofe a falta de necessidade da
       vírgula no final do verso, já que, o seguinte começa com a conjunção aditiva (e) que
       funcionaria também como uma pausa. A opção é a mais correta, também por ser a
       mais fiel à primeira edição.


CANÇÃO SUSPIRADA
       1º verso da 3ª estrofe
       A) Nos céus em sombras, há fontes mansas
                                                                                        21


       B) Nos céus em sombras, há fontes mansas
       C) Nos céus em sombras, há fontes mansas
       D) Nos céus em sombras, há fontes mansas
       E) Nos céus em sombras, há fontes mansas
       F) Nos céus em sombras, há fontes mansas
       G) Nos céus em sombras, há fontes mansas
       H) Nos céus em sombras há fontes mansas




       Neste poema identificamos a variante textual no primeiro verso da terceira estrofe
da edição H. Esta é a única edição que não optou pela utilização da vírgula. De acordo com
as demais edições, e com a primeira, edição base da pesquisa, a opção mais adequada é
aquela que utiliza a vírgula.


VELHO ESTILO
       3º verso da 2ª estrofe
       A) sei que foste esquecido, e, quando um dia te acabares,
       B) sei que foste esquecido, e, quando um dia te acabares,
       C) sei que foste esquecido e, quando um dia te acabares,
       D) sei que foste esquecido e, quando um dia te acabares,
       E) sei que foste esquecido, e, quando um dia te acabares,
       F) sei que foste esquecido, e, quando um dia te acabares,
       G) sei que foste esquecido e, quando um dia te acabares,
       H) sei que foste esquecido, e, quando um dia te acabares,




       A variante identificada encontra-se no terceiro verso da segunda estrofe das edições
C, D e G. De acordo com o proposto pela primeira edição, concordamos que o mais
adequado seria a conservação das duas vírgulas “,e,” no verso.
                                                                                         22


       3º verso da 1ª estrofe
       A) para deixar passar as estrelas do espírito,
       B) para deixar passar as estrelas do espírito,
       C) para deixar passar as estrelas do espírito,
       D) para deixar passar as estrelas do espírito,
       E) para deixar passar as estrelas do espírito.
       F) para deixar passar as estrelas do espírito,
       G) para deixar passar as estrelas do espírito,
       H) para deixar passar as estrelas do espírito,


       Nesta estrofe a variante observada é uma substituição de pontuação. No terceiro
verso da primeira estrofe, a vírgula que se encontra no final é substituída por um ponto
final. A opção mais correta seria a utilização da vírgula, já que o verso seguinte inicia-se
com letra minúscula.
CANÇÃO MÍNIMA
       O título deste poema apresenta alteração no corpo do livro, da primeira edição.
Enquanto no corpo ele aparece como “Canção”, no índice aparece “Canção Mínima”.
Concordamos que a versão correta para o título deste poema seja “Canção Mínima”


A VIZINHA CANTA
       “A vizinha canta”


       4º verso da 2ª estrofe
       A) - folhas de prata...?
       B) - folhas de prata?...
       C) - folhas de prata?...
       D) - folhas de prata?...
       E) - folhas de prata?...
       F) - folhas de prata?...
       G) - folhas de prata?...
                                                                                        23


       H) - folhas de prata?...


       Nesta estrofe a variante encontra-se no quarto verso da segunda estrofe. Apenas na
primeira edição o final do verso é constituído por reticências e depois interrogação, nas
demais ocorre o inverso, primeiro a interrogação e depois as reticências. O mais correto
seria ser fiel à primeira edição e à regularidade do poema, ou seja, a utilização de
reticências e depois interrogação.


       3º verso da 1ª estrofe
       A) – corpo de cristal,
       B) – corpo de cristal,
       C) – corpo de cristal,
       D) – corpo de cristal,
       E) – corpo de cristal,
       F) – corpo de cristal,
       G) – corpo de cristal,
       H) – corpo de cristal


               Neste caso identificamos a variante, supressão de vírgula, no terceiro verso
       da primeira estrofe. Concluímos que o mais correto seria a sua conservação, já que
       de acordo com o padrão estabelecido pela autora: vírgula no final do verso que
       antecede àquele que se inicia com travessão. Para comprovar essa padronização,
       indicamos outros exemplos de poemas que o seguem: “Recordação” e “O
       Ressucitante”.




       1º verso da 1ª estrofe
       A) De que onda sai tua voz,
       B) De que onda sai tua voz,
       C) De que onda sai tua voz,
                                                                                        24


       D) De que onda sai tua voz,
       E) De que onda sai tua voz.
       F) De que onda sai tua voz.
       G) De que onda sai tua voz,
       H) De que onda sai tua voz,


       A variante detectada é substituição de vírgula por ponto final no primeiro verso da
primeira estrofe. Neste caso o mais correto é a utilização de vírgula, pois a frase não se
finda no final do primeiro verso, ela continua no próximo, que começa com inicial
minúscula.


CANÇÃOZINHA DE NINAR
       3º verso da 3ª estrofe
       A) Como quem vai morrer, suspira
       B) Como quem vai morrer, suspira
       C) Como quem vai morrer, suspira
       D) Como quem vai morrer, suspira,
       E) Como quem vai morrer, suspira
       F) Como quem vai morrer, suspira
       G) Como quem vai morrer, suspira,
       H) Como quem vai morrer, suspira,


       Neste poema identificamos a variante no terceiro verso da terceira estrofe. Trata-se
de uma inclusão de vírgula nas edições D, G e H. Não há necessidade de vírgula no final
deste verso. De acordo com a primeira edição e base desta pesquisa optamos por adequar o
verso sem a vírgula.


PONTE
       3º verso da 3ª estrofe
       A) Longo horizonte,
                                                                                        25


       B) Longo horizonte,
       C) Longo horizonte,
       D) Longo horizonte,
       E) Longo horizonte,
       F) Longo horizonte,
       G) Longo horizonte,
       H) Longo horizonte


       No terceiro da terceira estrofe detectamos uma supressão de vírgula da edição H. De
acordo com o padrão estabelecido pela autora, de utilizar vírgula no verso que antecipa
travessão, a versão mais adequada é a pontuada por vírgula. Outros poemas são:
“Recordação”, “O Ressucitante” e “A vizinha canta”.


VISITANTE
       7º verso da 1ª estrofe
       A) e escreve-me, indo-se embora;
       B) e escreve-me, indo-se embora:
       C) e escreve-me, indo-se embora:
       D) e escreve-me, indo-se embora:
       E) e escreve-me, indo-se embora:
       F) e escreve-me, indo-se embora:
       G) e escreve-me, indo-se embora:
       H) e escreve-me, indo-se embora:


       Detectamos neste poema uma variante no sétimo verso da primeira estrofe, que se
trata de uma substituição de pontuação. Na edição A (primeira edição) foi utilizado ponto e
vírgula e nos demais dois pontos. Como o verso seguinte é uma citação, estando entre
aspas, concordamos que seria mais adequada a conservação dos dois pontos no verso.


DESPEDIDA
                                                                                           26


       1º verso da 6ª estrofe
       A) Perdi meu lenço e meu passaporte,
       B) Perdi   meu lenço e meu passaporte,
       C) Perdi meu lenço e meu passaporte,
       D) Perdi   meu lenço e meu passaporte,
       E) Perdi meu lenço e meu passaporte,
       F) Perdi meu lenço e meu passaporte,
       G) Perdi meu lenço e meu passaporte,
       H) Perdi meu lenço e meu passaporte


       Nesta estrofe notamos que a variante se trata de uma supressão de vírgula no final
do primeiro verso da sexta estrofe. Seguindo a regularidade utilizada pela autora, de utilizar
vírgula antes de travessão, concordamos que a versão mais correta seria a utilização da
vírgula.


PERGUNTA
       3º verso da 2ª estrofe
       A) E pensarás no pálido, hirto,
       B) E pensarás no pálido, hirto
       C) E pensarás no pálido, hirto
       D) E pensarás no pálido, hirto
       E) E pensarás no pálido, hirto
       F) E pensarás no pálido, hirto
       G) E pensarás no pálido, hirto
       H) E pensarás no pálido, hirto


       Neste poema identificamos a variante no terceiro verso da segunda estrofe. Somente
na primeira edição (H) existe a presença de vírgula no final do verso. Acreditamos que o
mais correto seria a supressão da vírgula, em nome da sintaxe.
                                                                                        27




PEQUENA FLOR
       3º verso da 1ª estrofe
       A) na sêda frágil, e presservar o perfume que aí dorme,
       B) na sêda frágil, e preservar o perfume que aí dorme,
       C) na seda frágil, e preservar o perfume que aí dorme,
       D) na seda frágil, e preservar o perfume que aí dorme,
       E) na seda frágil, e preservar o perfume que aí dorme,
       F) na seda frágil, e preservar o perfume que aí dorme,
       G) na seda frágil, e preservar o perfume que aí dorme,
       H) na seda frágil, e preservar o perfume que aí dorme,


       No terceiro verso da primeira estrofe identificamos uma inclusão de letra: o verbo
preservar vem escrito presservar, o que não faz nenhum sentido no verso. Portanto o mais
adequado seria a utilização da palavra preservar.


MEMÓRIA
       5º verso da 4ª estrofe
       A) uma ruga num caminho
       B) uma ruga num caminho
       C) uma ruga num caminho
       D) uma ruga num caminho
       E) uma ruga num caminho
       F) uma ruga num caminho
       G) uma ruga no caminho
       H) uma ruga no caminho


       Neste verso identificamos a variante no quinto verso da quarta estrofe das edições G
e H. Identificamos a alteração da palavra num para no e de acordo com a primeira edição,
que é a base desta pesquisa, o mais adequado seria a conservação da palavra num.
                                                                                     28




       4º verso da 1ª estrofe
       A) outros em pedra, água, líquem;
       B) outros em pedra, água, líquen;
       C) outros em pedra, água, líquen;
       D) outros em pedra, água, líquen;
       E) outros em pedra, água, líquen;
       F) outros em pedra, água, líquen;
       G) outros em pedra, água,líquen;
       H) outros em pedra, água,líquen;


       No quarto verso da primeira estrofe identificamos a variante na edição (A). A
palavra líquen esta escrita com m no final, sendo que o correto é com n no final.


CANÇÃO NAS ÁGUAS
       4º verso da 2ª estrofe
       A) Curva e sombra, sombra e curva,
       B) Curva e sombra, sombra e curva,
       C) Curva, e sombra, sombra e curva,
       D) Curva, e sombra, sombra e curva,
       E) Curva e sombra, sombra e curva,
       F) Curva e sombra, sombra e curva,
       G) Curva, e sombra, sombra e curva,
       H) Curva, e sombra, sombra e curva,


       No quarto verso da segunda estrofe das edições C, D, G e H, identificamos a
inclusão de uma vírgula que gramaticalmente não existe. A primeira edição não utiliza a
vírgula entre as palavras curva e sombra, nem em sombra e curva, sendo assim,
concordamos que a não utilização da vírgula seria a melhor opção para este verso.
                                                 29


                       IDA E VOLTA EM PORTUGAL
5ª e 6ª estrofes


Olival de prata,
veludosos pinhos,
pura Vésper clara,
silentes caminhos,
lembrai-vos da pausa
com que os meus vizinhos
vieram pela estrada.
Morria nos moinhos
o giro das asas.
Ventos, passarinhos,
árvores e cabras
tudo estacionava.
As flores faltavam.
Sobravam espinhos.


Ai, como choravam!
Ai, como gemiam!


Edições:
A) 5ª e 6ª estrofes separadas (total de 8)
B) 5ª e 6ª estrofes separadas (total de 8)
C) 5ª e 6ª estrofes separadas (total de 8)
E) 5ª e 6ª estrofes separadas (total de 8)
F) 5ª e 6ª estrofes separadas (total de 8)
G) 5ª e 6ª estrofes separadas (total de 8)
H) 5ª e 6ª estrofes separadas (total de 8)
                                                                                          30




       Olival de prata,
       veludosos pinhos,
       pura Vésper clara,
       silentes caminhos,
       lembrai-vos da pausa
       com que os meus vizinhos
       vieram pela estrada.
       Morria nos moinhos
       o giro das asas.
       Ventos, passarinhos,
       árvores e cabras
       tudo estacionava.
       As flores faltavam.
       Sobravam espinhos.
       Ai, como choravam!
       Ai, como gemiam!


       Edição D:
       D) 5ª e 6ª estrofes unidas (total de 7)


        Neste poema, a variante detectada encontra-se na quinta e sexta estrofe, trata-se de
uma alteração de transcrição. Partimos do princípio de que, já que todas as demais edições
inclusive a primeira, que é a base desta pesquisa, mantêm as estrofes separadas, esta seria a
melhor opção utilizada neste poema. E se observarmos, as estrofes seguintes são curtas. O
poema possui regularidade, pois é formado por uma estrofe longa, três curtas, uma outra
longa e mais três curtas.
                                                                                       31




2   (RIMANCE PARTIDO)
       Este poema seria aquele já citado anteriormente, em variantes de títulos, a segunda
parte seria um poema novo chamado “Rimance Partido”, e que no corpo do livro teria
perdido seu título e incorporado ao poema “Solilóquio do novo Otelo” como parte dois.
Acreditamos que seja um novo poema, porque inicia-se por letra capitular, que é uma
característica própria dos inícios dos poemas. Notamos também que a segunda parte possui
um enredo diferente da primeira parte, como se realmente fosse outro poema.


       2º verso da 5ª estrofe – parte 1
       A) sem te responder nem chamar, sem te dar nem pedir
       B) sem te responder nem chamar, sem te dar nem pedir.
       C) sem te responder nem chamar, sem te dar nem pedir.
       D) sem te responder nem chamar, sem te dar nem pedir.
       E) sem te responder nem chamar, sem te dar nem pedir.
       F) sem te responder nem chamar, sem te dar nem pedir.
       G) sem te responder nem chamar, sem te dar nem pedir.
       H) sem te responder nem chamar sem te dar nem pedir.


       Notamos neste poema, a variante no segundo verso da quinta estrofe da primeira
parte. Na primeira edição ocorre uma supressão de ponto final neste verso. Como o
próximo verso inicia-se com letra maiúscula, concordamos que o correto seria a
preservação do ponto.


       1º verso da 10ª estrofe – parte 1
       A) Que até teu coração se desprenda,
       B) Que até teu coração se desprenda,
       C) Que até teu coração se desprenda,
       D) Que até teu coração se desprenda,
       E) Que até teu coração se desprenda,
                                                                                       32


       F) Que até teu coração se desprenda,
       G) Que até teu coração se desprenda,
       H) Que até teu coração se desprenda


       No primeiro verso da décima estrofe da primeira parte, identificamos a variante na
edição H. Esta edição apresenta uma supressão de vírgula ao final do verso, sendo que a
autora normalmente utilizava vírgula no final do verso que antecipa um verso que se inicia
com travessão. Isso já foi comprovado em poemas anteriores.


       2º verso da 8ª estrofe – parte 1
       A) misturado às palavras que os outros ouviriam
       B) misturado às palavras que os outros ouviriam.
       C) misturado às palavras que os outros ouviriam.
       D) misturado às palavras que os outros ouviriam.
       E) misturado às palavras que os outros ouviriam.
       F) misturado às palavras que os outros ouviriam.
       G) misturado às palavras que os outros ouviriam.
       H) misturado às palavras que os outros ouviriam.


       No segundo verso da oitava estrofe da parte um, edição A, notamos a supressão de
ponto final no final do verso. Este verso antecipa um verso que se inicia com letra
maiúscula, assim, concordamos que o mais adequado seria a conservação do ponto.
                                                                                     33


       2º verso da 3ª estrofe – parte 2 ( “Rimance partido)
       A) de habitantes fluidos,
       B) de habitantes fluidos,
       C) de habitantes fluidos
       D) de habitantes fluidos,
       E) de habitantes fuidos,
       F) de habitantes fluidos,
       G) de habitantes fluidos,
       H) de habitantes fluidos,


       No segundo verso da segunda estrofe da parte dois, notamos duas variantes uma na
edição C, outra na edição E. A primeira trata-se de uma supressão de vírgula no final do
verso. Baseando-nos na primeira edição e demais, concordamos que o mais adequado seria
a conservação da vírgula no final deste verso. A segunda variante, edição E, ocorre uma
supressão de letra, a palavra fluido é escrita fuido neste verso, concordamos que o mais
correto de acordo com as demais edições e com a primeira, seja a palavra fluido, dando
melhor sentido ao verso.


EPIGRAMA
       2º verso da 1ª estrofe
       A) por teres deixado cair, uma tarde, na água incolor,
       B) por teres deixado cair, uma tarde, na água incolor,
       C) por teres deixado cair, uma tarde, na água incolor;
       D) por teres deixado cair, uma tarde, na água incolor;
       E) por teres deixado cair, uma tarde, na água incolor,
       F) por teres deixado cair, uma tarde, na água incolor,
       G) por teres deixado cair, uma tarde, na água incolor,
       H) por teres deixado cair, uma tarde, na água incolor,
                                                                                        34


       No segundo verso da primeira estrofe, identificamos a variante na edição C. No final
do verso esta edição optou por colocar um ponto e vírgula ao invés de vírgula conforme as
demais edições. De acordo com a primeira edição, concordamos que o mais adequado seria
a utilização da vírgula no final.


CANÇÃO DO CARREIRO
       3º verso da 5ª estrofe
       A) roda, meu carro,
       B) roda, meu carro,
       C) roda, meu carro,
       D) roda, meu carro
       E)roda, meu carro,
       F) roda, meu carro,
       G) roda, meu carro,
       H) roda, meu carro,


       No terceiro verso da quinta estrofe, notamos uma supressão de vírgula na edição D.
Conforme a primeira estrofe do poema, que repete a rima, o final deste verso é composto
por uma vírgula. Seguindo a regularidade do poema, concordamos que o mais correto seria
a conservação da vírgula no final deste verso.


INTERLÚDIO
       1º verso da 3ª estrofe
       A) Deixa o presente. Não fales,
       B) Deixa o presente. Não fales,
       C) Deixa o presente. Não fales.
       D) Deixa o presente. Não fales.
       E) Deixa o presente. Não fales.
       F) Deixa o presente. Não fales.
       G) Deixa o presente. Não fales.
                                                                                      35


       H)   Deixa o presente. Não fales.


       No final do primeiro verso da terceira estrofe observamos nas edições A e B a
utilização de vírgula enquanto nas demais edições a utilização de ponto final.
Provavelmente a partir da edição C foi modificado de vírgula para ponto, já que, o verso
seguinte inicia-se com letra maiúscula. Concordamos que o mais correto neste caso seria a
utilização de ponto final ao invés de vírgula.


DOMINGO DE FEIRA
       4º verso da 2ª estrofe
       A) onde palra, mercando, o povo.
       B) onde palra, mercando, o povo.
       C) onde palra, mercando, o povo.
       D) onde palra, marcando, o povo.
       E) onde palra, mercando, o povo.
       F) onde palra, mercando, o povo.
       G) onde palra, marcando, o povo.
       H) onde palra, mercando, o povo.


       No quarto verso da segunda estrofe, identificamos nas edições D e G uma
substituição de palavra. Esta edições utilizam a palavra marcando e as demais a palavra
mercando. No começo do poema Cecilia cita o mercado da praça nos arredores do
Mosteiro, assim concordamos que o que quer dizer no verso citado é onde o povo compra e
vende, ou seja, mercando, o povo.


       2º verso da 8ª estrofe
       A) vão e veem para cada lado.
       B) vão e vêm para cada lado.
       C) vão e vêm para cada lado.
       D) vão e vêm para cada lado.
                                                                                         36


         E) vão e vêm para cada lado.
         F) vão e vêm para cada lado.
         G) vão e vêm para cada lado.
         H) vão e vêm para cada lado.


         Na edição A, notamos no segundo verso da oitava estrofe, a substituição da palavra
vêm para vêem. O correto do verbo ir, a terceira pessoa do plural seria vêm e não vêem do
verbo ver. Concordamos que o mais adequado seria então a conservação do verbo vêm no
verso.


MEXICAN LIST AND TOURISTS
         Este poema possui uma variante na primeira edição da obra. O seu título aparece
incompleto no índice do volume, no final do livro. No índice ele aparece como “Mexican
list”, sendo que no corpo do livro ele aparece na íntegra “Mexican list and tourists”.


CANÇÃO DA TARDE NO CAMPO


         2ª estrofe


         Eu ando sozinha
         no meio do vale.
         Mas a tarde é minha.


         4ª estrofe


         Eu ando sozinha
         por cima de pedras.
         Mas a flor é minha.


         6ª estrofe
                                                      37




Eu ando sozinha
por dentro de bosques.
Mas a fonte é minha.


8ª estrofe


Eu ando sozinha,
ao longo da noite.
Mas a estrela é minha.


Edições:
A) 2ª, 4ª, 6ª e 8ª estrofes aparecem sem parênteses
B) 2ª, 4ª, 6ª e 8ª estrofes aparecem sem parênteses
C) 2ª, 4ª, 6ª e 8ª estrofes aparecem sem parênteses
F) 2ª, 4ª, 6ª e 8ª estrofes aparecem sem parênteses
G) 2ª, 4ª, 6ª e 8ª estrofes aparecem sem parênteses
H) 2ª, 4ª, 6ª e 8ª estrofes aparecem sem parênteses


2ª estrofe


(Eu ando sozinha
no meio do vale.
Mas a tarde é minha.)


4ª estrofe


(Eu ando sozinha
por cima de pedras.
Mas a flor é minha.)
                                                                                      38




       6ª estrofe


       (Eu ando sozinha
       por dentro de bosques.
       Mas a fonte é minha.)


       8ª estrofe


       (Eu ando sozinha,
       ao longo da noite.
       Mas a estrela é minha.)




       Edições
       D) 2ª, 4ª, 6ª e 8ª estrofes aparecem com parênteses.
       E) 2ª, 4ª, 6ª e 8ª estrofes aparecem com parênteses.


       Neste exemplo notamos que a alteração detectada nas edições D e E, não alteram o
sentido do poema nem atrapalham sua leitura e entendimento. Concluímos que o mais
adequado seria a conservação do poema na sua íntegra conforme a primeira edição, que é a
base da pesquisa.


CAMPOS VERDES
       1º verso da 4ª estrofe
       A) Errava-se, errava-se...
       B) Errava-se, errava-se...
       C) Errava-se, errava-se...
       D) Erra-se, errava-se...
       E) Errava-se, errava-se...
                                                                                           39


       F) Errava-se, errava-se...
       G) Errava-se, errava-se...
       H) Errava-se, errava-se...


       Na edição D, identificamos no primeiro verso da quarta estrofe a seguinte variante,
uma substiutição de palavra. Enquanto esta edição utiliza o verbo errar (erra-se) no
presente do indicativo, as demais edições utilizam o verbo errar (errava-se) no pretérito
imperfeito do indicativo. De acordo com a segunda e a sexta estrofe, acreditamos que o
correto seria conservar o verbo errava-se, seguindo a regularidade do poema.


CONFISSÃO
       3º verso da 6ª estrofe
       A) Deixo meu coração – aberto,
       B) Deixo meu coração – aberto,
       C) Deixo meu coração – aberto,
       D) Deixo meu coração – aberto,
       E) Deixo meu coração – aberto,
       F) Deixo meu coração – aberto,
       G) Deixo meu coração – aberto,
       H) Deixo meu coração – aberto -


       Na edição H, notamos no terceiro verso da sexta estrofe, a substituição da vírgula
por travessão. De acordo com as demais edições e a primeira, acreditamos que o mais
adequado para este verso seria que conservasse a vírgula no final ao invés de travessão.


       3º verso da 4ª estrofe
       A) E dei minha vida, momento a momento,
       B) E dei minha vida, momento a momento,
       C) E dei minha vida, momento a momento,
       D) E dei minha vida, momento a momento,
                                                                                       40


       E) E dei minha vida: momento a momento,
       F) E dei minha vida; momento a momento,
       G) E dei minha vida, momento a momento,
       H) E dei minha vida, momento a momento,


       Neste poema encontramos variantes diferentes em duas edições, ambas no terceiro
verso da quarta estrofe. A edição E, detectamos a pontuação de dois pontos e na edição F
detectamos a pontuação de ponto e vírgula, sendo que as demais edições, inclusive a
primeira, utilizam a vírgula para fazer esta pausa. Acreditamos que o mais correto é
conservar o verso de acordo com a primeira edição, base desta pesquisa.


NAUFRÁGIO ANTIGO
       3º verso da 14ª estrofe
       A) da espuma crespa.
       B) da espuma crespa.
       C) da espuma crespa.
       D) da espuma crespa.
       E) da espuma crespa
       F) da espuma crespa.
       G) da espuma crespa.
       H) da espuma crespa.

       No terceiro verso da décima quarta estrofe, detectamos uma supressão de ponto final
na edição E. Esta edição optou por não utilizar o ponto no final do verso, sendo que este
finaliza-se ali e a próxima estrofe começa com letra maiúscula. O mais correto seria a
conservação do ponto final.


ROMANCINHO
       3º verso da 1ª estrofe
       A) Veiu o rei, veiu a rainha,
       B) Veio o rei, veio a rainha,
                                                                                       41


       C) Veio o rei, veio a rainha,
       D) Veio o rei, veio a rainha,
       E) Veio o rei, veio a rainha,
       F) Veio o rei, veio a rainha,
       G) Veio o rei, veio a rainha,
       H) Veio o rei, veio a rainha


       Detectamos a variante no terceiro verso da primeira estrofe da edição H. Nesta
edição ocorre a supressão de vírgula no verso. Conforme a primeira edição e a regularidade
do poema de Cecília (a utilização de vírgula antes do verso que se inicia com travessão)
acreditamos que o mais correto seja a conservação da vírgula.


       9º verso da 3ª estrofe
       A) campainhas de cristal,
       B) campainhas de cristal,
       C) campainhas de cristal,
       D) campainhas de cristal,
       E) campainhas de cristal,
       F) campainhas de cristal,
       G) campainhas de cristal,
       H) campainhas de cristal


       No nono verso da terceira estrofe, identificamos uma supressão de vírgula na edição
H. Esta edição optou pela não utilização da vírgula, sendo que já comprovamos que é uma
regularidade dos poemas desta autora, no verso que antecipa travessão, utilizar vírgula.
Assim, concordamos que o mais adequado seja a conservação da vírgula, mantendo a
regularidade de seus poemas.
                                                                                          42


ELEGIA
       18º verso
       A) Com uma quieta lágrima, apenas,
       B) Com uma quieta lágrima, apenas,
       C) Com uma quieta lágrima, apenas,
       D) Com uma quieta lágrima, apenas,
       E) Com uma quieta lágrima, apenas,
       F) Com uma quieta lágrima, apenas,
       G) Com uma quieta lágrima, apenas,
       H) Com uma quieta lágrima, apenas


       No décimo oitavo verso da edição H, identificamos uma supressão de vírgula, que
contraria a regularidade utilizada nos poemas de Cecilia, (utilização de vírgula no verso que
antecipa travessão). Assim concordamos que o mais adequado seja a conservação da
estrutura com vírgula.
REINVENÇÃO
       5ª e 6ª estrofes


       Não te encontro, não te alcanço...
       Só – no tempo equilibrada,
       desprendo-me do balanço
       que além do tempo me leva.
       Só – na treva,
       fico: recebida e dada.


       Edições:
       A) 5ª e 6ª estrofes unidas (total de 6)
       B) 5ª e 6ª estrofes unidas (total de 6)
       E) 5ª e 6ª estrofes unidas (total de 6)
       F) 5ª e 6ª estrofes unidas (total de 6)
                                                                                        43


       G) 5ª e 6ª estrofes unidas (total de 6)
       H) 5ª e 6ª estrofes unidas (total de 6)


       Não te encontro, não te alcanço...
       Só – no tempo equilibrada,
       desprendo-me do balanço
       que além do tempo me leva.


       Só – na treva,
       fico: recebida e dada.


       Edições:
       C) 5ª e 6ª estrofes separadas (total de 7)
       D) 5ª e 6ª estrofes separadas (total de 7)


       Na quinta e sexta estrofe deste poema, edição C e D, identificamos uma alteração na
transcrição da estrofe. Nestas edições, duas estrofes aparecem unidas como se formassem
uma só, enquanto na demais edições elas formam duas estrofes. O restante do poema é
formado por estrofes de dois, três e seis versos. Seguindo uma regularidade do poema,
acreditamos que o mais correto seja que esta estrofe continue se compondo por seis verso, e
não uma por quatro e outra por dois versos.


LUA ADVERSA
       2º verso da 4ª estrofe
       A) (tenho fases, como a lua...),
       B) (tenho fases, como a lua...)
       C) (tenho fases, como a lua...)
       D) (tenho fases, como a lua...)
       E) (tenho fases, como a lua...)
       F) (tenho fases, como a lua...)
                                                                                         44


       G) (tenho fases, como a lua...)
       H) (tenho fases, como a lua...).

       No segundo verso da quarta estrofe, edição A, identificamos a inclusão de uma
vírgula no final do verso. O verso seguinte a este começa com letra maiúscula, sendo assim,
há a necessidade de um ponto final no verso anterior. Concordamos que o correto seria a
utilização de um ponto final.


DA BELA ADORMECIDA
       14º verso da 1ª parte
       A) porque, de ramo a ramo, erram distâncias invencíveis.
       B) porque, de ramo a ramo, erram distâncias invencíveis.
       C) porque, de ramo a ramo, erram distâncias invencíveis.
       D) porque, de ramo a ramo, erram distâncias invencíveis.
       E) porque, de ramo a ramo, erram distâncias invencíveis.
       F) porque, de ramo a ramo, erram distâncias invencíveis.
       G) porque, de ramo a ramo, eram distâncias invencíveis.
       H) porque, de ramo a ramo, eram distâncias invencíveis.


       Nesta estrofe detectamos a variante no décimo quarto verso da primeira parte nas
edições G e H. Trata-se de uma supressão de letra que resultou em modificação no verbo.
Enquanto nas edições citadas o verbo ser aparece na terceira pessoa do plural do pretéterito
imperfeito (eram), na primeira e nas demais edições, o verbo errar aparece na terceira
pessoa do plural do presente do indicativo. Concordamos de acordo com a primeira edição
e mantendo a coerência com os demais tempos verbais da estrofe, que o mais correto seja a
utilização do verbo errar, erram.




       18º verso da 1ª parte
       A) indo e vindo à-toa, olhando apenas para si mesmas.
       B) indo e vindo à toa, olhando apenas para si mesmas.
                                                                                        45


       C) indo e vindo à toa, olhando apenas para si mesmas.
       D) indo e vindo à toa, olhando apenas para si mesmas.
       E) indo e vindo à-toa, olhando apenas para si mesmas.
       F) indo e vindo à-toa, olhando apenas para si mesmas.
       G) indo e vindo à toa, olhando apenas para si mesmas.
       H) indo e vindo à toa, olhando apenas para si mesmas.


       No décimo oitavo verso da primeira parte detectamos a variante nas edições B, C, D
e G. Trata-se de uma alteração ortográfica, pois estas edições optaram por escrever (à toa)
sem o hífen. Embora o dicionário registre as duas formas, cremos que, neste contexto, o
mais adequado seria grafar sem hífen.




        25º verso da 1ª parte
       A) Adere à minha vida guardada.
       B) Adere à minha vida guardada...
       C) Adere à minha vida guardada...
       D) Adere à minha vida guardada...
       E) Adere à minha vida guardada...
       F) Adere à minha vida guardada...
       G) Adere à minha vida guardada...
       H) Adere à minha vida guardada...


       No vigésimo quinto verso da primeira parte, edição A, o verso é finalizado por um
ponto final, sendo que nas demais edições é finalizado por reticências. De acordo com a
primeira edição, base desta pesquisa, acreditamos que o mais adequado seja a utilização de
ponto final no verso.


       11º verso da 2ª parte
       A) transparências dágua,
                                                                                           46


       B) transparências de água,
       C) transparências de água,
       D) transparências de água,
       E) transparências dágua,
       F) transparências d’água,
       G) transparências de água,
       H) transparências de água,


       No décimo primeiro verso da segunda parte, identificamos a variante nas edições B,
C, D, F, G e H. Na primeira edição a palavra é escrita dágua, nas edições B, C, D, G e H a
palavra é escrita de água, e na edição F a palavra é escrita d’água. O critério que utilizamos
aqui foi seguir a primeira edição do livro, que é a base desta pesquisa, e adequar a grafia à
norma gramatical, mantendo a forma d’água.




       13º verso da 2ª parte
       A) homens desconhecidos, mulheres de longe, que esperaram ser amadas,
       B) homens desconhecidos, mulheres de longe, que esperaram ser amadas,
       C) homens desconhecidos, mulheres de longe, que esperaram ser amadas,
       D) homens desconhecidos, mulheres de longe, que esperaram ser amadas,
       E) homens desconhecidos, mulheres de longe, que esperaram ser amadas,
       F) homens desconhecidos, mulheres de longe, que esperaram ser amadas,
       G) homens desconhecidos, mulheres de longe, que esperam ser amadas,
       H) homens desconhecidos, mulheres de longe, que esperam ser amadas,


       Notamos no décimo terceiro verso da segunda parte a variante nas edições G e H.
Neste caso ocorre uma supressão de sílaba que resulta na modificação de um verbo. Nestas
edições o verbo esperar está na terceira pessoa do plural do presente do indicativo
(esperam), enquanto na primeira edição e nas demais o verbo esperar está na terceita pessoa
do plural do pretérito perfeito do indicativo (esperaram). Considerando a coerência com os
                                                                                         47


demais tempos verbais da estrofe, acreditamos que o mais correto seja o verbo no presente
do indicativo (esperam).


       21º verso da 2ª parte
       A) todos esperariam que perguntasse; mas não pergunta.
       B) todos esperariam que perguntasse; mas não pergunta.
       C) todos esperariam que perguntasse; mas não pergunta
       D) todos esparariam que perguntasse; mas não pergunta.
       E) todos esperariam que perguntasse; mas não pergunta.
       F) todos esperariam que perguntasse; mas não pergunta.
       G) todos esperariam que perguntasse; mas não pergunta.
       H) todos esperariam que perguntasse; mas não pergunta.


       No vigésimo primeiro verso da segunda parte, identificamos a variante na edição D.
Trata-se de uma substituição de sílaba, que resulta em modificação do verbo. Nesta edição
o verbo esperariam aparece escrito esparariam . De acordo com as regras gramaticais, e a
inexistencia do verbo esparar, o correto neste verso é o verbo ser escrito esperariam.


ECO
       5ª e 6ª estrofes


       Alta noite, diante do oceano, senta-se o animal, em silêncio.
       Balançam-se as ondas negras. As cores do farol se alternam.
       Não existe horizonte. A água se acaba em tênue espuma.


       Não é isso! Não é isso!
       Não é a água perdida, a lua andante, a areia exposta...
       E animal se levanta e ergue a cabeça, e late...late...


       Edições:
                                                                                        48


         A) 5ª e 6ª estrofes separadas (total de 8)
         B) 5ª e 6ª estrofes separadas (total de 8)
         E) 5ª e 6ª estrofes separadas (total de 8)
         F) 5ª e 6ª estrofes separadas (total de 8)
         H) 5ª e 6ª estrofes separadas (total de 8)


         Alta noite, diante do oceano, senta-se o animal, em silêncio.
         Balançam-se as ondas negras. As cores do farol se alternam.
         Não existe horizonte. A água se acaba em tênue espuma.
         Não é isso! Não é isso!
         Não é a água perdida, a lua andante, a areia exposta...
         E animal se levanta e ergue a cabeça, e late...late...


         C) 5ª e 6ª estrofes unidas (total de 7)
         D) 5ª e 6ª estrofes unidas (total de 7)
         G) 5ª e 6ª estrofes unidas (total de 7)


         Neste poema a variante encontra-se nas quinta e sexta estrofes, das edições C, D e
G. De acordo com a primeira edição, base desta pesquisa, acreditamos que o mais adequado
para o poema seja a conservação das estrofes separadas, com um total de oito estrofes no
poema.


DEUS DANÇA
         3º verso da 5ª estrofe
         A) Unicamente abismos, - tudo
         B) Unicamente abismos, - tudo
         C) Unicamente abismos - tudo
         D) Unicamente abismos - tudo
         E) Unicamente abismos, - tudo
         F) Unicamente abismos, - tudo
                                                                                         49


       G) Unicamente abismos - tudo
       H) Unicamente abismos - tudo

       No terceiro verso da quinta estrofe identicamos a variante nas edições C, D, G e H.
Trata-se de uma supressão de vírgula no verso. Como já foi comprovado que a autora segue
uma regularidade em utilizar vírgula antes de travessão, acreditamos que o mais correto seja
a conservação da vírgula.


       3º verso da 6ª estrofe
       A) Eu o vi dansando, e fiquei triste...
       B) Eu o vi dançando, e fiquei triste...
       C) Eu o vi dançando, e fiquei triste...
       D) Eu o vi dançando, e fiquei triste...
       E) Eu o vi dançando, e fiquei triste...
       F) Eu o vi dançando, e fiquei triste...
       G) Eu o vi dançando e fiquei triste...
       H) Eu o vi dançando e fiquei triste...


       No terceiro verso da sexta estrofe identificamos nas edições G e H a supressão de
vírgula antes do e. Conforme a primeira edição, na qual a pesquisa se baseia, concordamos
que o mais correto seja a conservação da vírgula.


TRABALHOS DA TERRA
       3º verso da 4ª estrofe
       A) vem-me aos olhos nuvem dágua,
       B) vem-me aos olhos nuvem de água,
       C) vem-me aos olhos nuvem de água,
       D) vem-me aos olhos nuvem de água,
       E) vem-me aos olhos nuvem dágua,
       F) vem-me aos olhos nuvem d’água,
       G) vem-me aos olhos nuvem de água,
                                                                                         50


       H) vem-me aos olhos nuvem d’água,


       No terceiro verso da quarta estrofe identificamos a variante nas edições B, C, D, F,
G e H. Cada edição optou por versão diferente neste verso, somente a edição E preservou a
primeira. Este é o mesmo caso de uma das variantes do poema “Da bela adormecida”, a
palavra dágua (conforme escrito na primeira edição) aparece escrita de maneiras diferentes:
de água e d’água. Acreditamos que aqui também a versão mais apropriada seja d’água.


       2º verso da 3ª estrofe
       A) mais valera ter dormido,
       B) mais valera ter dormido,
       C) mais valera ter dormido,
       D) mais valera ter dormido,
       E) mais valera ter dormido,
       F) mais valera ter dormido,
       G) mais valera ter dormido,
       H) mais valera ter dormido


       No segundo verso da terceira estrofe detectamos uma supressão de vírgula na edição
H. Conforme poemas anteriores e seguindo a sua regularidade de utilizar vírgula no verso
que antecede travessão, acreditamos que o mais adequado seja a conservação da vírgula.


ALUCINAÇÃO
       2ª e 3ª estrofes


       Perguntei: “Quem és?”
       Mas não respondia.
       De nuvens, de espuma,(...)
       (...) fundos, primitivos,
       para eternamente...
                                                                                      51




          E danças dançadas
          dentro de cisternas,
          sobre águas fechadas. (...)
          (...)ninhos, flores, crianças
          homens e mulheres
          estreitadamente...


          Edições:
          C) 2ª e 3ª estrofes separadas (total de 3)
          D) 2ª e 3ª estrofes separadas (total de 4)
          E) 2ª e 3ª estrofes separadas (total de 4)
          F) 2ª e 3ª estrofes separadas (total de 4)
          G) 2ª e 3ª estrofes separadas (total de 4)
          H) somente a primeira estrofe está separada, as restantes estão unidas como se
          fossem uma, formam 2 estrofes no total do poema.


          Nas segundas e terceiras estrofes deste poema identificamos uma alteração de
estrofação. Estas edições apresentam versões diferentes da primeira edição, como veremos
abaixo:


          Perguntei: “Quem és?”
          Mas não respondia.
          De nuvens, de espuma,(...)
          (...) fundos, primitivos,
          para eternamente...
          E danças dançadas
          dentro de cisternas,
          sobre águas fechadas. (...)
          (...)ninhos, flores, crianças
                                                                                      52


       homens e mulheres
       estreitadamente...


       Edições
       A) 2ª e 3ª estrofes unidas (total de 3)
       B) 2ª e 3ª estrofes unidas (total de 3)


       A edição A (primeira) e B, apresentam as estrofes unidas. Conforme o que
acreditamos ser mais adequado, seguiremos a primeira edição, que é base desta pesquisa, e
conservaremos as estrofes unidas


       19º verso da 2ª estrofe
       A) como, embaixo dágua,
       B) como, embaixo da água,
       C) como, embaixo da água,
       D) como, embaixo da água,
       E) como, embaixo dágua,
       F) como, embaixo d’água,
       G) como, embaixo da água,
       H) como, embaixo d’água,


       No décimo nono verso da segunda estrofe, identificamos a variante nas edições B,
C, D, F, G e H. As versões apresentadas nestas edições são d’água e da água. Seguindo o
critério anteriormente utilizado, concluímos que a forma adequada seja d’água.


A AMIGA DEIXADA
       2º verso da 8ª estrofe
       A) leve, alta, sozinha,
       B) leve, alta, sozinha,
       C) leve, alta, sozinha,
                                                                                        53


       D) leve, alta, sozinha,
       E) leve, alta, sozinha,
       F) leve, alta, sozinha,
       G) leve, alta, sozinha,
       H) leve, alta, sozinha


       No segundo verso da oitava estrofe, identificamos uma supressão de vírgula na
edição H. Seguindo a regularidade dos poemas da utilização da vírgula no verso que
antecede travessão, acreditamos que o mais adequado seja a conservação da vírgula.


ORÁCULO
       3º verso da 1ª estrofe
       A) Nos sete rios? No monte grego?
       B) Nos teus rios? No monte grego?
       C) Nos teus rios? No monte grego?
       D) Nos teus rios? No monte grego?
       E) Nos teus rios? No monte grego?
       F) Nos teus rios? No monte grego?
       G) Nos teus rios? No monte grego?
       H) Nos teus rios? No monte grego?


       No terceiro verso da primeira estrofe identificamos nas edições B, C, D, E, F, G e H
uma substituição de palavra. Na primeira edição (A) o verso faz a pergunta nos sete rios ?
No monte grego? As demais edições optaram por substituir a palavra sete por teus.
Tomando como base a primeira edição, julgamos que o mais correto seja a conservação da
palavra sete no verso.
                                                                                           54


                                 A VAGA MÚSICA DE CECÍLIA


       A partir de aspectos gerais da obra de Cecília Meireles e muito especialmente da sua
obra Vaga Música, objeto de estudo essencial desta pesquisa, tentamos chegar a uma
análise literária da sua estética e interpretação de sua poesia. O estudo que aqui propomos é
voltado especialmente para a obra já citada, cuja leitura nos remete a um mundo poético
muito subjetivo característico do estilo de sua escritora. É interessante sabermos um pouco
da poesia e do estilo de Cecília, para podermos fundamentar melhor a nossa pesquisa e
análise textual de sua obra, aqui analisada.
       Cecília Meireles surgiu para a literatura brasileira em meados de 1922, época de
total renovação estética literária que pretendia romper com o tradicional e com o passado,
uma revolução cultural. Nesta época participou de um grupo de escritores espiritualistas que
fundou as revistas Árvore Nova, Terra de Sol, e Festa. Ali, propunham:


       “ renovar, portanto, mas sem romper bruscamente com o passado, num sentido de evolução,
       eis o lema do grupo Festa, em certo sentido derivando-se do simbolismo.” 1


       Nenhum movimento cultural se encerra em si mesmo. Na da obra de um autor
podemos identificar um pouco de várias escolas literárias, o que não acontece diferente com
a autora de Vaga Música. Sabemos que, em pleno momento de efervescência modernista,
ela se manteve fiel à sua maneira de escrever, ao seu estilo. Sua arte é singular, ora com
traços simbolistas, ora com traços modernistas. Suas primeiras obras possuem aspecto
abstrato.
       Cecília procura, dentro de sua arte, voltar para o seu eu mais profundo, o seu interior
passa a ser um dos focos que recebe mais atenção na sua poesia. Nele inícia uma viagem
para descobrir aquilo que se encontra no mais profundo do seu ser. A poetisa procura
mergulhar no seu universo mais íntimo, em busca das suas vivências e experiências com o
mundo, para poder analisá-las, senti-las e exprimi-las em sua arte. A autora procura
exprimir toda a sua visão do mundo e as suas emoções em relação a ele através de
metáforas, aliterações, sinestesias, sons e sensações.
                                                                                                 55


           O poeta francês Charles Baudelaire é o criador da teoria das Correspondências. O
poeta acredita na correspondência entre o mundo real e o mundo espíritual atribuindo ao
poema uma conotação mística. Ele transforma as imagens reais em símbolos místicos,
invoca os símbolos, geralmente escritos com inicial maiúscula, para representar as imagens
do mundo espiritual          O tema principal de Baudelaire é a morte invocada como forma de
destruição de si mesmo.Ele procura um ideal de Infinito e dentro desse ideal está Deus e o
Diabo, e os dois se correspondem como o céu e o inferno, como o real e o espiritual.
Devido a isso, utiliza-se de muitas metáforas em seus poemas. Consideramos que é possível
fazer um paralelo entre a obra de Baudelaire e alguns aspectos da poesia de Cecília
Meireles.
           Cecília sugere a realidade a sua volta através dos sentidos, para não perder a sua
essência e o conteúdo emotivo, o qual deseja demonstrar em forma de poesia. A essência da
morte, por exemplo, é transmitida da mesma maneira que a essência da vida, com o mesmo
valor humano e poético. As metáforas sugerem ou transmitem em seus poemas aquilo o que
deseja e pensa.
            O mundo de um poeta é vago e infinito ao mesmo tempo. Seu interior é vasto e
rico em experiências emocionais, vivências e percepções acerca do mundo em que vive
expressas em sentidos e traduzidas depois em palavras.




           “Andei buscando esse dia
           pelos humildes caminhos
           onde se escondem as coisas
           que trazem felicidade:
           os amuletos dos grilos
           e os trevos de quatro folhas...
           Só achei flor de saudade.”2



1
    Leodegário A. de Azevedo Filho. Poesia e Estilo de Cecilia Meireles . Rio de Janeiro. 1970
2
    Cecilia Meireles. Poema ‘Narrativa’ p.184, livro “Vaga Música” ed. Pongetti . 1942
                                                                                           56


           Na maior parte de seus poemas o verbo é utizado na primeira pessoa, talvez numa
tentativa de auto-retrato. O eu poético está sempre explícito em seu discurso.


           “ Já não mais desejo andanças;
           tenho meu campo sereno,
           com aquela felicidade
           que em toda parte buscava.
           O tempo fez-me paciente.
           A lua, triste mas doce.
           O mar, profunda, erma e brava.”3


           A atração e profunda admiração pelo mar fizeram com que a poetisa dedicasse
maior parte de seus poemas a esse elemento da natureza. A obra Vaga Música é repleta de
símbolos e termos aquáticos. O mar em seus poemas também é relacionado com a morte, os
marinheiros náufragos nas profundezas do mar e a vida marinha que deles se alimenta. É
como se a poesia fosse um mergulho profundo nas águas do mar.
           Conforme a teoria das Correspondências, acreditamos que Cecília fazia uma
correspondência entre seu eu poético e o misticismo que encontrava na natureza.




           “Tenho fases, como a lua.
           Fases de andar escondida,
           fases de vir para a rua...
           Perdição da minha vida!
           Tenho fases de ser tua,
           tenho fases de ser sozinha.(...)”4


           Na maior parte dos poemas de Vaga Música notamos a presença do mar, da lua e
de outros elementos encontrados na natureza, os quais são elementos fundamentais para a
contrução de seus poemas e essenciais para o estilo de sua poesia. A leitura desta obra nos

3
    Cecilia Meireles. Poema ‘Narrativa’ p.184, livro “Vaga Música” ed. Pongetti . 1942
4
    Cecilia Meireles. Poema ‘Lua Adversa’ p.151, livro “Vaga Música” ed. Pongetti . 1942
                                                                                        57


mostra o quanto a natureza tinha importância para a sua autora. Nota-se que no poema
abaixo ela escreve “Água. Vento. Luar.”, em frases nominais, num estilo telegráfico que
realça a importância desses elementos naturais.


           “Panorama” (trechos)


           “Em cima, é a lua,
           no meio, é a nuvem,
           embaixo, é o mar
           Sem asa nenhuma,
           sem vela nenhuma,
           para me salvar(...)


           (...) Já dormiram todos,
           não acordam outros...
           Água. Vento. Luar(...)


           (...) E em cima – é a lua,
           no meio – é a nuvem,
           e embaixo – é o mar!(...)5


           O sentido de sua existência por vezes seria traduzido simbolicamente através do
mar. A transitoriedade da vida passa como passam as ondas do mar. O próprio título do
livro, Vaga Música, une os dois principais segmentos da obra. A vaga pode ser tanto o
substantivo com o sentido de onda do mar, ou pode ser o adjetivo relacionado ao verbo
vagar, no sentido de andar sem rumo, de imprecisão. Certamente Cecília considerou esta
multiplicidade de sentidos ao escolher o título da obra. A vaga do mar, vaga sem direção
certa, em rumo tanto para o norte, como para o sul, depende do vento que a leva.


           “De um lado, a eterna estrela,
           e do outro a vaga incerta,(...)”6

5
    Cecilia Meireles. Poema ‘Panorama’ p.160, livro “Vaga Música” ed. Pongetti . 1942
                                                                                       58




           O sentido da vida talvez seja, para um poeta, como uma viagem mística, para
qualquer lugar, e para dentro de si mesmo. Esta busca é uma característica marcante nos
poemas de Cecília.
          A teoria das correspondências pode ser observada na obra de Cecília, na
correspondência entre poesia e música, já que a musicalidade é uma característica marcante
de sua poesia, principalmente na obra Vaga música. Este livro está muito ligado à música,
às canções. Os poemas possuem certa ressonância musical. Os sentimentos mesclam-se em
musicalidade. No poema que veremos a seguir, a musicalidade se corresponde com o
sentimento de perda, com a morte. A morte é vista de uma forma poética, sem rancores,
sentimento geralmente despertado nas pessoas que perdem alguém querido. Neste poema
não há rancor da perda, há uma suave descrição da morte, como uma canção.


          “A amiga deixada” (trecho)


          “Antiga
          cantiga
          da amiga
          deixada.
           Musgo da piscina,
           de uma água tão fina,
           sobre a qual se inclina
           a lua exilada.


           Chegara tão perto!
           Mas tinha, decerto,
           seu rosto encoberto...
           Cantava – mais nada.(...)


           (...) Partiu como vinha,
           leve,alta, sozinha,

6
    ‘Canção Quase Inquieta’ da obra “Vaga Música”.
                                                                                               59


           - giro de andorinha
           na mão da alvorada.


           Antiga
           cantiga
           da amiga deixada.”7


           Outro poema interessante que fala sobre a morte é o “Naufrágio Antigo”. Trata-se
de uma náufraga, em meio oceano, sendo aos poucos devorada pelos animais marinhos.
Apesar da descrição um tanto sombria, o poema se enche de suavidade e leveza para retratar
um tema tão fúnebre. A morte enche-se de vida, pois ela faz parte da vida e do mundo e
isso tudo é objeto de contemplação da poetisa. Neste poema nota-se a relação da morte com
o mar, pois ao mesmo tempo em que este é vida, também é morte para aqueles que por ele
navegam e vagam sem rumo.


           “Inglesinha de olhos tênues,
           corpo e vestido desfeitos
           em águas solenes;(...)


           (...)Pelas águas transparentes,
           suspiros que foram vê-la
           da espuma crespa.(...)


           (...)Moluscos fosforescentes
           cobiçam os arabescos
           de suas orelhas(...)


           (...)Desmanchou-lhe o seio,
           desfolhou-lhe os dedos
           e algas verdes,(...)



7
    Cecilia Meireles. Poema ‘A amiga deixada’ p.191, livro “Vaga Música” ed. Pongetti . 1942
                                                                                                60


           (...)e a voz do vento
           que na areia
           sofrera.(...)8


           No campo sensorial, a poetisa explora os sentidos de forma peculiar, fazendo com
que o leitor sinta-os numa simples leitura. O poema que veremos abaixo, “Mexican List
And Tourists” é uma viagem ao México. Termos estrangeiros nos remetem para o tempo e
espaço onde os acontecimentos se dão. Neste mesmo poema podemos observar os cinco
sentidos reunidos na mesma estrofe:


           “(..)Canção, pimenta, abacate,
           flores, crepúsculo – tudo
           é inútil, ó poema, acaba-te!
           Este mundo é surdo-mudo...
           (Tacos, tortillas, enchiladas, tamales, chile com carne y peanuts)(...)


           Campo sonoro: canção.                       Negação do campo sonoro: Surdo-mudo.
           Campo visual: crepúsculo, poema.
           Campo olfativo: flores, pimenta.
           Campo do paladar: pimenta, abacate.
           Campo táctil: flores.


           Ainda neste poema observamos a associação de dois campos sensoriais diferentes
num mesmo campo semântico.


           “mastigando um amor e um taco.”


           No campo do paladar foi utilizado o verbo mastigar, que remete automáticamente a
um alimento, em conjunto com as palavras amor (abstrato) e taco (concreto). Não se pode
mastigar algo abstrato como sentimentos, emoções, dor. O que é mastigável precisa ser

8
    Cecilia Meireles. Poema ‘Naufrágio Antigo’ p.134, livro “Vaga Música” ed. Pongetti . 1942
                                                                                                        61


concreto. De acordo com Darcy Damasceno em seu ensaio “Poesia do sensível e do
imaginário”:


        “Fato gramatical aparentemente singelo, a sinédoque é ponto de partida para um
        encadeamento de impressões sensoriais que, à maneira de certos fenômenos físicos, se
        multiplicam e perduram enquanto encontram carga reatora.” 9


        A obra Vaga Música tem um papel importante na obra de Cecília, pois nela estão
reunidos poemas que constituem uma das mais belas amostras de poemas líricos da nossa
poesia brasileira.




9
 Darcy Damasceno. ‘Poesia do sensível e do imaginário’. “Cecília Meireles - Obra Poética” ed. Aguilar.Rio
de Janeiro. 1967.
                                                                                          62


                                   ESTUDO DAS VARIANTES


       Embora a sua obra seja muito reconhecida, pesquisadores e estudiosos cecilianos
encontram muitos problemas e dificuldades na documentação da mesma, devido a alguns
problemas de revisão nas várias edições. Conforme mostramos nesta pesquisa o número de
variantes encontradas nas reedições de uma mesma obra é grande. Faz-se, portanto,
extremamente necessário haver pesquisas como esta, pois é a partir delas que pesquisadores
conseguirão encontrar textos mais próximos ao originais e assim conseguir resultados mais
seguros em suas pesquisas.
        A metodologia utilizada nesta pesquisa foi o levantamento das variantes textuais
nas oito edições da obra. Realizamos um estudo comparando todas as edições e separando
as passagens em que se diferenciavam entre si. Comparamos cada verso, cada estrofe dos
poemas, em suas edições diferentes. As alterações detectadas foram anotadas por letras que
diferenciavam as edições e novamente comparadas entre si. As variantes foram analisadas e
comentadas para, assim, podermos decidir qual seria a versão mais correta ou adequada,
que se aproximasse mais do que acreditamos ser o pretendido pela autora.
        De acordo com o resultado desta pesquisa, é extremamente importante uma edição
crítica da obra, para resgatar a estrutura mais fiel possível dos poemas, servindo como fonte
conhecimento para futuras gerações de pesquisadores. Assim, futuras pesquisas acerca da
obra Vaga Música serão possíveis e terão maior segurança, com certeza de estarem
pesquisando uma obra mais próxima possível do seu original manuscrito.
       As variantes detectadas são inúmeras, algumas são simples e quase insignificantes,
mas outras possuem a propriedade de prejudicar a leitura e o entendimento do poema. Uma
má leitura decorrente dessas alterações, nas diferentes edições, pode resultar em uma
interpretação errônea, comprometendo o poema e a análise do mesmo.
       Como também foi visto, Cecília mantinha uma certa regularidade em seus poemas,
que por vezes tornavam-se características próprias da sua maneira de escrever e estilo. Estes
exemplos são fundamentais para estudiosos e pesquisadores, pois uma pesquisa pode ser até
comprometida em seus resultados devido à utilização de edições precárias. A obrigação de
um pesquisador ceciliano é evitar erros em futuros trabalhos. Além disso, é claro, a
                                                                                                                 63


obrigação das editoras seria, no mínimo, a de ser fiel aos manuscritos entregues pelos
autores, e em futuras reedições conservarem o texto original independente do próprio
conceito sobre ele, já que uma boa parte dessas variantes surgiram na tentativa de se
“melhorar” o texto.
           Em casos como este, em que não se tem acesso a possíveis manuscritos, conta-se
muito com o conhecimento do pesquisador acerca da obra pesquisada e acerca do seu autor,
a fim de se obter um resultado um pouco mais seguro. Optamos por utilizar a primeira
edição por acreditarmos ser a mais original entre elas, inclusive por ter sido publicada
ainda em vida pela autora. Apesar de a primeira edição também conter algumas incorreções,
estas ocorreram sobretudo devido a alterações ortográficas. Portanto, para a realização
desta pesquisa, o material base mais indicado foi a primeira edição.
           As variantes detectadas nesta obra são ‘diacrônicas’, ou seja, são as alterações,
inovações introduzidas no texto original, segundo Bárbara Spaggiari, pelas editoras no
momento de edição da obra, muitas vezes com o intuito de “aprimorar” o texto do autor.


           “As variantes diacrônicas constituem a base de qualquer trabalho de edição crítica de um
           texto, cujo original está perdido, e fazem parte normalmente do aparato crítico de roda-pé
           que acompanha a edição.” 10


           Estas são diferentes das sincrônicas, ou seja, são as variantes autorais, modificações
pelo próprio autor.
           O objetivo geral de se realizar uma pesquisa de crítica textual das variantes, é a de
se aproximar do texto original, com vistas a uma versão mais definitiva da obra. Também
serve como uma espécie de denúncia do descuido de algumas editoras para com sua
edições.
           Através de nosso estudo, cremos ter obtido uma versão que é a mais próxima
possível do texto original, através de um trabalho realizado com muito afinco e dedicação, e
oferecemos aos novos pesquisadores uma fonte de estudo segura para as futuras pesquisas.

10
     Barbara Spaggiari. ‘Ecdótica e crítica das variantes’. “Veredas” (Revista da ass. Int. de Lusitanas).1999
                                                                              64


PARTICIPAÇÕES E APRESENTAÇÕES DE TRABALHOS EM CONGRESSOS


XV Congresso de Iniciação Científica da Unesp
Dias 18 a 24 de Outubro de 2003.
Local: Campus de Marília.
Com comunicação individual.


XVI Seminário do CELLIP (Centro de Estudos Linguísticos e Literários do Paraná)
Dias 23 a 25 de Outubro de 2003.
Local:Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Com comunicação individual.


XI Seminário de Iniciação Científica da Universidade Federal de Ouro Preto.
Dias 24 a 26 de novembro de 2003.
Local: Universidade Federal de Ouro Preto.( UFOP).
Com comunicação individual.


Os comprovantes seguem em anexo ao relatório.
                                                                                          65


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LOPEZ, Telê Porto Ancona Lopez - Manuel Bandeira Verso e Reverso. T. A. Queiroz,
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I - Encontro de crítica textual: O manuscrito modermo e as edições - USP - Comissão
Organizadora: Philippe Willemart, Roberto de Oliveira Brandão e Telê Ancona Lopez - 16
a 20 de setembro de 1985 - publicado em 1986.

								
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