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					    A Era dos Festivais


  A música popular é o chão no alto, acima de
 tudo. Acima de tudo, porque ela está abaixo
   de tudo, na raiz, na própria semente, antes
   das flores ou dos frutos, mas no alto, no
    canto alto onde o raio de sol bate sobre o
chão, sobre o ladrilho do chão e não no lustre
de cristal do teto, como em outras músicas. A
música popular está abaixo e acima das coisas
     importantes. Ela nunca foi uma coisa
                  importante".

   (Extraído do livro Expresso 2222, coletânea de textos e entrevistas de
                                                            Gilberto Gil)
         Documentário relembra a época dos grandes festivais de MPB

         Houve um tempo em que Caetano Veloso, Gilberto Gil , Roberto Carlos e Chico
Buarque - hoje ícones da MPB - eram jovens artistas populares conhecidos do grande
público, ainda não contaminado pelo axé, pagode, sertanejo e afins de letras rasas e baixa
qualidade musical. Todos eles disputavam os grandes festivais televisivos e dividiam um
público formado por todas as faixas etárias, que vaiavam ou aclamavam com entusiasmo
seus preferidos.
         É um pouco desse período que não volta mais que os diretores Renato Terra e
Ricardo Calil recontam no documentário "Uma Noite em 67". Como diz o título, o longa se
foca especificamente na noite de 21 de outubro de 1967, quando a TV Record realizava a
final do III Festival de Música Popular Brasileira, no Teatro Paramount, no centro de São
Paulo.
         Entre os 12 finalistas, figuravam algumas canções que se tornariam clássicos da
MPB, como "Roda Viva", por Chico Buarque e MPB 4; "Alegria, Alegria", de Caetano Veloso;
"Domingo no Parque", com Gilberto Gil e Os Mutantes; e "Ponteio", de Edu Lobo. Roberto
Carlos, maior representante da Jovem Guarda, cantava o samba "Maria, Carnaval e
Cinzas".


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     CANTO DO CISNE DOS GRANDES FESTIVAIS, O III FIC FAZ 40 ANOS
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     A época de ouro dos festivais de música popular vai até 1968, pois em dezembro
daquele ano o Brasil entrou no inferno do AI-5 e os artistas, intimidados e censurados,
não puderam mais exercer verdadeiramente seu ofício.

       O canto do cisne do período de maior efervescência musical que o país já conheceu
foi o III Festival Internacional da Canção, da Rede Globo, realizado em setembro de 1968,
em meio a passeatas que degeneravam em batalhas campais, mortes de opositores da
ditadura, denúncias de torturas, ações armadas da esquerda, atentados dos grupos para-
militares de direita (o Comando de Caça aos Comunistas acabara de espancar o elenco da
peça Roda Viva) – a ante-sala do inferno, enfim.
       O então influente Jornal da Tarde (SP), naquele final de 1968, dia após dia
dedicava suas manchetes e principais matérias ao “terrorismo”, fazendo alarmismo para
enlouquecer a classe média e favorecer a linha dura militar na luta interna em que se
decidia o rumo do regime.
       Pode-se pensar em festivais num momento desses?
       Pode-se. E isto ficou claro quando Geraldo Vandré apresentou na eliminatória
paulista sua “Pra Não Dizer Que Não Falei de Flores” (ou, simplesmente, “Caminhando”) –
canção-desagravo, hino revolucionário, síntese e depuração de tudo que já se fizera em
termos de protesto político no Brasil.
       Vandré atravessava uma fase difícil, rompido com as emissoras de maior audiência
junto ao público de MPB (TV Record e rádio Jovem Pan), amargando uma desilusão
amorosa, sendo hostilizado e gelado pelos estudantes de esquerda.
       Fora-lhe muito danosa a publicação de uma foto no jornal Folha da Tarde, na qual
aparecia abraçado a Abreu Sodré, ajudando-o a escafeder-se do palco armado na praça da
Sé, após ser apedrejado por manifestantes.
       Governador biônico (imposto pela ditadura), Sodré tentara falar num ato
comemorativo do 1º de maio, sendo surpreendido por uma reação organizada pelos
movimentos operários do ABC e de Osasco, com o apoio dos estudantes.
       Vandré era amigo do governador, que, inclusive, o esconderia mais tarde no próprio
Palácio dos Bandeirantes, quando a repressão o perseguia. Mas, claro, preferia que essa
ligação perigosa não se tornasse de domínio público. A mim e a alguns companheiros
secundaristas, semanas depois, deu uma desculpa esfarrapada: “Estava bêbado. Não me
lembro de nada do que fiz naquele dia”.
       O certo é que, tido como artisticamente morto, Vandré enfrentou e venceu o maior
desafio de sua carreira. Por conta disto, passou definitivamente à condição de mito, mas foi
destruído como pessoa.

      Questão de ordem: o tropicalismo se radicaliza

       Para elevar ainda mais a temperatura, os baianos resolveram fazer uma correção de
rumo no tropicalismo, que, ao ser lançado no ano anterior, parecia pregar o
desengajamento dos jovens da política revolucionária, por que não?
       O modelo 1968, entretanto, veio fortemente influenciado pela Primavera de Paris, o
movimento neo-anarquista que levou a França às portas da revolução.
       Aliás, foi um slogan das barricadas parisienses o ponto-de-partida da composição
inscrita por Caetano Veloso no III FIC: “É proibido proibir”. O estribilho já veio pronto, mas
os versos que ele criou foram corrosivos, geniais: “Me dê um beijo, meu amor/ Eles estão
nos esperando/ Os automóveis ardem em chamas/ Derrubar as prateleiras/ As estantes, as
estátuas/ As vidraças, louças, livros, sim/ E eu digo sim/ Eu digo não ao não/ Eu digo, é
proibido proibir”.
       Gilberto Gil seguiu o mesmo diapasão em “Questão de Ordem”, enfocando situações
vividas pelos contestadores agrupados nas comunidades alternativas da Europa: “Se eu
ficar em casa/ Fico preparando/ Palavras-de-ordem/ Para os companheiros/ Que esperam
nas ruas/ Pelo mundo inteiro/ Em nome do amor”.
       A maior parte da esquerda brasileira, entretanto, via com desconfiança esse
anarquismo de classe média do 1º mundo; e com franca hostilidade as roupas coloridas, os
cabelos desgrenhados, as guitarras elétricas. Preferia os ritmos nativos, do samba carioca
à riqueza musical nordestina; e o visual bem comportado, com os intérpretes se
apresentando discretamente para não atrapalharem a compreensão da mensagem que os
versos transmitiam. Era esta a tendência majoritária na eliminatória paulista, que teve
lugar no Tuca.
       Ao final, quando da execução das cinco escolhidas para a final no Rio de Janeiro,
Caetano Veloso, que já estava indignado com a não-classificação da música de Gil,
explodiu de vez diante das ensurdecedoras vaias que o impediam de reapresentar
adequadamente “É Proibido Proibir”. E fez o discurso célebre, que foi lançado até em disco:
       – Mas, é isto que é a juventude que diz que quer tomar o poder? É a mesma
juventude que vai sempre, sempre, matar amanhã o velhote, o inimigo que morreu ontem.
Vocês não estão entendendo nada! (…) Nós tivemos a coragem de entrar em todas as
estruturas e sair delas. Se vocês forem em política como são em estética, estamos feitos!
      Injustiças de festival e sabiá intemporal

       A finalíssima, no Maracanãzinho, apresentou algumas músicas de qualidade superior.
Como “O Sonho”, estreia daquele que seria um dos maiores nomes da MPB na década
seguinte. O Jornal da Tarde se referiria ao ”menino Egberto Gismonti” como “um talento”,
destacando a letra de “O Sonho” como a melhor dentre as inscritas por compositores que
não atuavam em São Paulo, além da “muito boa harmonia e um ótimo arranjo”.
       Os Mutantes compareceram com um trabalho de qualidade e impacto, “O
Caminhante Noturno”, um dos ápices do seu início de carreira. O sexto lugar não lhes fez
justiça.
       Toquinho e Paulo Vanzolini foram prejudicados pelo clima de festival, com plateia e
júri tomados por emoções fortes, sem paciência para apreciar a sutileza e cristalina beleza
de “Na Boca da Noite” (“Cheguei na boca da noite, parti de madrugada/ Eu não disse que
ficava nem você perguntou nada/ Na hora que eu ia indo, dormia tão descansada/
Respiração tão macia, morena nem parecia/ Que a fronha estava molhada”).
       Vista retrospectivamente, a sua classificação em oitavo lugar, atrás de “Andança”
(Danilo Caymmi e Edmundo Souto, 3º), “Passacalha” (Edino Krieger, 4º), “Dia da Vitória”
(Marcos e Paulo Sérgio Valle, 5º) e “Dança da Rosa” (Maranhão, 7º) nos dá um
testemunho eloquente sobre a incompetência do júri mais vaiado da história dos festivais.
       Outras injustiçadas: “Canção do Amor Armado”, concepção grandiosa de Sérgio
Ricardo, relegada a um irrisório nono lugar; “Oxalá”, ótima elaboração de uma história de
capoeiristas, de autoria de Théo de Barros; e “América, América”, épico com que César
Roldão Vieira reverenciou a figura mítica de Che Guevara.
       “Sabiá” é um capítulo à parte. Trata-se de uma música intemporal, como quase tudo
que Chico Buarque fez naquele período conturbado. Não que “Carolina”, “Bom Tempo”,
“Bem-Vinda” e que tais fossem desprezíveis, longe disto. Mas, com seu romantismo óbvio,
sensibilizavam o público alheio à efervescência política de então e a toda a evolução da
MPB nos anos 60.
       Serviam de contraponto a uma realidade explosiva (críticos reacionários chegavam a
apontar Chico como alternativa aos engajados e aos tropicalistas). Tanto nas idéias como
na forma, eram músicas velhas – embora assinadas por um talento superior.
       Não sem motivo, Chico Buarque se penitenciaria mais tarde, com a autocrítica
“Agora Falando Sério” (“Agora falando sério/ Eu queria não mentir/ Não queria enganar/
Driblar, iludir/ Tanto desencanto/ E você que está me ouvindo/ Quer saber o que está
havendo/ Com as flores do meu quintal?/ O amor-perfeito, traindo/ A sempre-viva,
morrendo/ E a rosa, cheirando mal”).

      Último ato: público indignado, júri pressionado

       “Sabiá”, de Tom Jobim e Chico, na interpretação de Cynara e Cybele, foi a
surpreendente vencedora. O grande repórter Walter Silva, que esqueceu um gravador
ligado na sala de deliberação, revelou depois na Folha da Tarde que o presidente do júri,
Donatelo Grieco, pressionou os demais jurados, advertindo-os de que os militares não
aceitariam a vitória de “músicas que fazem propaganda da guerrilha”, como “Caminhando”
e “América, América”.
       Quando a preferida do público foi anunciada em segundo lugar, o Maracanãzinho
explodiu numa monumental vaia, entremeada de gritos de “Vandré!”, “Vandré!”.
       Havia motivo. Reprimindo uma manifestação de rua, soldados haviam submetido
estudantes a terríveis humilhações (chegaram a urinar sobre os jovens rendidos e a bolinar
as moças). Isto despertou indignação generalizada na cordialíssima cidade maravilhosa. O
FIC aconteceu logo depois e os cariocas adotaram “Caminhando” como desagravo. Vandré
teve muito mais torcida lá do que em São Paulo.
       Por mais que tentasse, ele não conseguiu convencer o público a respeitar Chico, Tom
e as duas meninas do Quarteto em Cy, direcionando sua ira apenas contra o “júri que ali
está”. E, com clarividência, proferiu a frase célebre: “A vida não se resume em festivais”.
Só não adivinhou que seria uma das primeiras vítimas da vida pós-festivais, quando os
holofotes da arte não conseguiriam mais espantar as trevas.
       Em alguns bairros da Zona Sul, as pessoas saíram às janelas quando Vandré bisava
a “Caminhando” e cantaram junto, a plenos pulmões, descobrindo uma comunhão
cimentada pela dor e revolta – que tão cedo não se repetiria.

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 Documentário relembra a época dos grandes festivais de MPB

       Em meio a uma plateia sedenta por boa música enquanto o país vivia numa didatura
militar, os músicos se enfrentavam diante de um júri. Mas a voz do povo era o que
realmente importava. Nesse contexto, nascia o Tropicalismo e a música brasileira
começava a se modernizar, acrescentando elementos como a guitarra elétrica.
       No documentário, Renato Terra e Ricardo Calil utilizam imagens da época para dar
uma dimensão da importância daquela noite para a história da MPB. Em uma das cenas
mais emblemáticas, digna de um show de rock da atualidade, o cantor Sérgio Ricardo
quebra seu vilão no palco ao ser fortemente vaiado pela plateia enquanto tenta interpretar
a canção "Beto Bom de Bola".
       Mas são as imagens dos bastidores e as declarações das personalidades que
participaram do evento que trazem o melhor do longa. É impagável assistir a um jovem
Chico Buarque, de smoking e fumando, sendo entrevistado pelos jornalistas Randal Juliano
e Cidinha Campos. Ou Roberto Carlos fazendo uma piadinha infâme sobre o incidente com
Sérgio Ricardo. Entre as entrevistas atuais, Gilberto Gil relata, quatro décadas depois,
sobre o pânico que sentia ao subir ao palco e cantar diante de uma plateia ensandecida.
       Para quem gosta de MPB, vale a pena assistir a este relato de uma época que não se
consegue mais recriar no Brasil, por mais que as emissoras tentem resgatá-la com novas
versões ou realities shows trazidos de fora. Os ídolos saídos daqueles festivais faziam suas
próprias canções e decorriam sobre temas como política ou as mazelas nacionais. Assim,
garantiram seus lugares na história da música nacional.

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     PREPARE SEU CORAÇÃO (A HISTÓRIA DOS GRANDES FESTIVAIS)
                                        (Solano Ribeiro, Ed. Geração Editorial, 2002, 254p.)


        O “ciclo dos festivais” vai de 1965, ano em que ocorreu o primeiro (TV Excelsior),
a 1972, com o VII FIC – Festival Internacional da Canção (TV Globo). Desse ciclo
destacam-se os históricos “Festivais da Record”, de 1966 a 1968.

***
         O termo “MPB”, que hoje se usa com muita frequência, surgiu dos títulos do I
Festival Nacional da Música Popular Brasileira (TV Excelsior) e do II Festival da Música
Popular Brasileira (TV Record).

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         A repercussão e o sucesso dos festivais não teriam acontecido se não fosse a
escolha da televisão como seu veículo, que então começava a ter cobertura nacional e dava
os primeiros passos no conceito de rede.

***
        Com a implantação da ditadura militar, a música tornou-se rapidamente o veículo
que permitia respostas de uma platéia que se sentia sufocada pelo governo autoritário e
antidemocrático.

***
        O Fino da Bossa, apresentado por Elis Regina e Jair Rodrigues, foi um programa
que deu início à impressionante ascensão da Record. Com uma programação quase toda
baseada em musicais, a Record desbancou a Excelsior e a Tupi e, depois do festival de
1966, conquistou o primeiro lugar no ibope. Com o sucesso do Fino da Bossa, a emissora
abriu uma linha de programas musicais e contratou um elenco de cantores, compositores e
músicos jamais reunido por uma emissora de televisão. Semanalmente, desfilavam por sua
programação os maiores nomes da nova e da velha geração de astros da música brasileira.

***
         Na noite da finalíssima do II festival da Record, em 1966, entre “A banda” e
“Disparada”, os teatros da cidade de São Paulo suspenderam seus espetáculos por falta de
público, os cinemas ficaram às moscas e as ruas, vazias.

***
         Os sambistas protestaram, reclamando que o samba não tinha sido uma presença
marcante nos festivais de então. Tal fato fez com que fosse criada a Bienal do Samba,
vencida por Elis Regina, que interpretou “Lapinha”, de Baden Powell e Paulo César Pinheiro.

***
         Tanto nos festivais da Excelsior como nos da Record, o samba mostrou que não
tinha como competir, pelo menos naquele momento, com os novos ritmos que dominavam
a música popular brasileira, principalmente com as novas formas dinâmicas dos arranjos
feitos especialmente para obter reações emocionais das plateias.

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           O festival de 1967 foi, sem dúvida, o mais rico musicalmente:
1º   lugar: “Ponteio” (Edu Lobo / Capinam)
2º   lugar: “Domingo no parque” (Gil)
3º   lugar: “Roda viva” (Chico Buarque)
4º   lugar: “Alegria, alegria” (Caetano)
***
         “Domingo no parque”, de Gilberto Gil, derrubou a barreira do preconceito que os
tradicionalistas erguiam contra uma linguagem universal para a música brasileira.

***
         No III FIC, de 1968, a direção da Rede Globo foi advertida pelos militares de que a
música “Pra não dizer que não falei das flores”, de Geraldo Vandré, não poderia ganhar.
Era uma questão de ordem, e pronto. Não deu outra. Vandré arrasou, mas quem ganhou
foi “Sabiá”, de Chico Buarque e Tom Jobim.

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            Geraldo Vandré foi um hábil manipulador do senso político e emocional das
plateias.

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        Depois de 1968, os compositores e cantores ou foram para o exílio ou ficaram sem
condições de atuar, por conta da repressão política no país.

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         O último dos festivais, o VII FIC (TV Globo), de 1972, foi melancólico: os militares
avisaram que não tolerariam a presença de Nara Leão no júri. Motivo: ela havia dado uma
entrevista ao Jornal do Brasil falando da péssima situação política do país.

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                   Festivais da Música Popular Brasileira

O “ciclo dos festivais” vai de 1965, ano em que ocorreu o primeiro (TV Excelsior), a 1972,
com o VII FIC – Festival Internacional da Canção (TV Globo). Desse ciclo destacam-se os
históricos “Festivais da Record”, de 1966 a 1968.


Festivais na TV Excelsior

I Festival de Música Popular Brasileira
   Local: Guarujá - São Paulo;
   Data: abril 1965;
   Classificação:
    1º Lugar: Arrastão (Edu Lobo e Vinicius de Moraes) - Intérprete: Elis Regina;
    2º Lugar: Valsa do Amor Que Não Vem (Baden Powell e Vinicius de Moraes) - Intérprete:
    Elizete Cardoso.
    "Eu Só Queria Ser" (Vera Brasil e Miriam Ribeiro) – intérprete: Claudete Soares (3º lugar);
    "Queixa" (Sidney Miller, Zé Keti e Paulo Tiago) – intérprete: Ciro Monteiro (4º lugar); "Rio
    do Meu Amor"(Billy Blanco) – intérprete: Wilson Simonal (5º lugar).

Festival Nacional de Música Popular Brasileira
   Data: junho 1966;
   Classificação:
    1º Lugar: Porta-Estandarte (Geraldo Vandré e Fernando Lona) - Intérpretes: Tuca e Airto
    Moreira;
    2º Lugar: Inaê (Vera Brasil e Maricene Costa) - Intérprete: Nilson.
    "Chora Céu" (Adilson Godói e Luís Roberto) – intérprete: Cláudia (3º lugar); "Cidade Vazia"
    (Baden Powell e Lula Freire) – intérprete: Milton Nascimento (4º lugar); "Boa Palavra"
    (Caetano Veloso) – intérprete: Maria Odete (5º lugar).


Festivais na TV Record

II Festival de Música Popular Brasileira
   Local: Teatro Record;
   Data: setembro e outubro 1966;
   Prêmio Viola de Ouro;
   Classificação:
    1º Lugar: A Banda (Chico Buarque) - Intérpretes: Chico Buarque e Nara Leão
               Disparada (Geraldo Vandré e Teo de Barros) - Intérpretes: Jair Rodrigues, Trio Maraiá
    e Trio Novo
    2º Lugar: De Amor ou Paz (Luís Carlos Paraná e Adauto Santos) - Intérprete: Elza Soares
    "Canção para Maria" (Paulinho da Viola e Capinam) – intérprete: Jair Rodrigues (3º lugar);
    "Canção de Não Cantar" (Sérgio Bittencourt) – intérpretes: MPB-4 (4º lugar); "Ensaio Geral"
    (Gilberto Gil) – intérprete: Elis Regina (5º lugar).
III Festival de Música Popular Brasileira - "O FESTIVAL DA VIRADA"
   Local: Teatro Paramount;
   Data: outubro 1967;
   Prêmio Sabiá de Ouro;
   Classificação:
    1º lugar: Ponteio (Edu Lobo e Capinam) - Intérpretes: Edu Lobo, Marília Medalha e Quarteto
    Novo;
    2º lugar: Domingo no Parque (Gilberto Gil) - Intérpretes: Gilberto Gil e Os Mutantes;
    3º lugar: Roda Viva (Chico Buarque) - Intérpretes: Chico Buarque e MPB-4;
    4º lugar: Alegria, Alegria (Caetano Veloso) - Intérpretes: Caetano Veloso e Beat Boys;
    5° lugar: Maria, Carnaval e Cinzas (Luiz Carlos Paraná) - Intérpretes: Roberto Carlos e O
    Grupo;
    6° Lugar: Gabriela (Francisco Maranhão) - Intérpretes: MPB-4.

   Melhor Intérprete: Elis Regina - O Cantador (Dori Caymmi e Nelson Motta)
   Momento Marcante do III Festival de MPB: Beto Bom de Bola (Sérgio Ricardo) - Intérprete:
Sérgio Ricardo

IV Festival de Música Popular Brasileira
   Local: Teatro Record;
   Data: novembro e dezembro 1968;
   Júri Especial e Júri Popular;
   Classificação:
    Júri Especial:
    1º lugar: "São Paulo, Meu Amor" (Tom Zé) – intérprete: Tom Zé;
    2º lugar: "Memórias de Marta Saré" (Edu Lobo e Gianfrancesco Guarnieri) – intérpretes: Edu
    Lobo e Marília Medalha;
    3º lugar: "Divino Maravilhoso" (Caetano Veloso) – intérprete: Gal Costa;
    4º lugar: "Dois Mil e Um" (Rita Lee e Tom Zé) – intérpretes: Os Mutantes;
    5º lugar: "Dia da Graça" (Sérgio Ricardo) – intérpretes: Sérgio Ricardo e Modern Tropical
    Quintet .
    Júri Popular:
    1º lugar: "Benvinda" (Chico Buarque) – intérprete: Chico Buarque;
    2º lugar: "Memórias de Marta Saré";
    3º lugar: "A Família" (Chico Anísio e Ari Toledo) – intérprete: Jair Rodrigues;
    4º lugar: "Bonita" (Geraldo Vandré e Hilton Accioly) – intérpretes: Trio Maraiá;
    5º lugar: "São Paulo, Meu Amor".
   Outras premiações:
    Melhor intérprete masculino: Jair Rodrigues (“A família”)
    Melhor intérprete feminino: Elza Soares (“Sei lá Mangueira”)
    Melhor arranjador: Edu Lobo (“Memórias de Marta Saré”)

V Festival de Música Popular Brasileira

   Local: Teatro Record;
   Data: novembro 1969;
   Classificação:
    1º lugar: Sinal Fechado (Paulinho da Viola) - Intérprete: Paulinho da Viola;
    2º lugar: Clarisse (Eneida e João Magalhães) - Intérprete: Agnaldo Rayol;
    "Comunicação" (Hélio Mateus e Edson Alencar) – intérprete: Vanusa (3º lugar); "Gostei de
    Ver" (Eduardo Gudin e Marco Antônio da Silva Ramos) – intérpretes: Márcia e Originais do
    Samba (4º lugar); "Monjolo" (Dino Galvão Bueno e Milton Eric Nepomuceno) – intérprete:
    Maria Odete (5º lugar).



Festival Internacional da Canção (TV Rio e Rede Globo)
Festival Internacional da Canção
   Local: Maracanãzinho - Rio de Janeiro.

Prêmio Galo de Ouro (Parte Nacional)

I FIC
   Emissora: TV Rio;
   Data: outubro 1966;
   Classificação:
    1º lugar: Saveiros (Dori Caymmi e Nelson Motta) - Intérprete: Nana Caymmi;
    2º lugar: O Cavaleiro (Tuca e Geraldo Vandré) - Intérprete: Tuca;
    3° lugar: Dia das Rosas (Luís Bonfá e Maria Helena Toledo) - Intérprete: Maysa.

II FIC
   Emissora: TV Globo;
   Data: outubro 1967;
   Classificação:
    1º lugar: Margarida (Gutemberg Guarabyra) - Intérprete: Gutemberg Guarabyra e Grupo
    Manifesto;
    2º lugar: Travessia (Milton Nascimento e Fernando Brant) - Intérprete: Milton Nascimento;
    3º lugar: Carolina (Chico Buarque) - Intérprete: Cynara e Cybele.

III FIC
   Emissora: TV Globo;
   Data: setembro 1968;
   Classificação:
    1º lugar: Sabiá (Chico Buarque e Tom Jobim) - Intérpretes: Cynara e Cybele;
    2º lugar: Pra não Dizer que não Falei das Flores (Geraldo Vandré) - Intérprete: Geraldo
    Vandré;
    3º lugar: Andança (Danilo Caymmi, Edmundo Souto e Paulinho Tapajós - Intérpretes: Beth
    Carvalho e Golden Boys;
   Momento Marcante do III FIC: É Proibido Proibir (Caetano Veloso) - Intérprete: Caetano Veloso.

IV FIC
   Emissora: TV Globo;
   Data: setembro 1969;
   Classificação:
    1º lugar: Cantiga por Luciana (Edmundo Souto e Paulinho Tapajós) - Intérprete: Evinha;
    2º lugar Juliana (Antônio Adolfo e Tibério Gaspar) - Intérprete: Brasuca.
V FIC
   Emissora: TV Globo;
   Data: outubro 1970;
   Classificação:
    1º lugar: BR-3 (Antônio Adolfo e Tibério Gaspar) - Intérprete: Tony Tornado e Trio Ternura;
    2º lugar: O Amor é o Meu País (Ivan Lins e Ronaldo Monteiro) - Intérprete: Ivan Lins;
    3º lugar: Universo do Teu Corpo (Taiguara) - Intérprete: Taiguara.

VI FIC
   Emissora: TV Globo;
   Data: setembro 1971;
   Classificação:
    1º lugar: Kyrie (Paulinho Soares e Marcelo Silva) - Intérprete: Evinha;
    2º lugar: Karany Karanuê (José de Assis e Diana Camargo) - Intérprete: Trio Ternura;
    3º lugar: Desacato (Antônio Carlos e Jocafi) - Intérpretes: Antônio Carlos e Jocafi.

VII FIC
   Emissora: TV Globo;
   Data: setembro 1972;
   Classificação:
    1º lugar: Fio Maravilha (Jorge Ben) - Intérprete: Maria Alcina;
    2º lugar: Diálogo (Baden Powell e Paulo César Pinheiro) - Intérpretes: Tobias e Cláudia
    Regina;
    Prêmio Especial: Cabeça (Walter Franco) - Intérprete: Walter Franco;
     Participante do VII FIC: Eu Quero é Botar Meu Bloco na Rua (Sérgio Sampaio) - Intérprete:
    Sérgio Sampaio


Festivais de MPB

Festival Abertura
   Emissora: TV Globo;
   Data: fevereiro 1975;
   Classificação:
    1º lugar: Como Um Ladrão (Carlinhos Vergueiro) - Intérprete: Carlinhos Vergueiro;
    Prêmio Melhor Trabalho de Pesquisa: Vou Danado Prá Catende (Alceu Valença) -
    Intérprete: Alceu Valença;
   Participante do Festival Abertura: Ébano (Luiz Melodia) - Intérprete: Luiz Melodia.

Festival De MPB
   Emissora: TV Tupi;
   Data: 1979;
   Classificação:
    1º lugar: Quem me Levará Sou Eu (Manduka e Dominguinhos) - Intérprete: Fagner;
    2º lugar: Canalha (Walter Franco) - Intérprete: Walter Franco;
    3º lugar: Bandolins (Oswaldo Montenegro) - Intérprete: Oswaldo Montenegro e José
    Alexandre;
   Participante do Festival de MPB/1979: Palco (Gilberto Gil) - Intérprete: A Cor do Som.

MPB Shell 80
   Emissora: TV Globo;
   Data: maio 1980;
   Classificação:
    1º lugar: Agonia (Mongol) - Intérprete: Oswaldo Montenegro;
    2º lugar: Foi Deus que Fez Você (Luiz Ramalho) - Intérprete: Amelinha;
   Melhor Intérprete: Porto Solidão (Zeca Bahia e Ginko) - Intérprete: Jessé.

Participantes do MPB Shell 80:
     Demônio Colorido (Sandra de Sá) - Intérprete: Sandra Sá;
     Nostradamus (Eduardo Dusek) - Intérprete: Eduardo Dusek;
     Mais Uma Boca (Fátima Guedes) - Intérprete: Fátima Guedes;
     Essa Tal Criatura (Leci Brandão) - Intérprete: Leci Brandão.

MPB Shell 81
   Emissora: TV Globo;
   Data: 1981;
   Classificação:
    1º lugar: Purpurina (Jerônimo Jardim) - Intérprete: Lucinha Lins;
    2º lugar: Planeta Água (Guilherme Arantes) - Intérprete: Guilherme Arantes;
    3º lugar: Mordomia (Ari do Cavaco e Gracinha) - Intérprete: Almir Guineto.

MPB Shell 82
   Emissora: TV Globo;
   Data: 1982;
   Classificação:
    1º lugar: Pelo Amor de Deus (Paulo Debétio e Paulinho Rezende) - Intérprete: Emílio
    Santiago;
    2º lugar: Fruto do suor (Tony Osanah e Enrique Bergen) - Intérprete: Raices de America;
    3º lugar: Doce mistério (Tentação), (Tunai e Sérgio Natureza) - Intérprete:Jane Duboc;
    Participantes do MPB SHELL/82: Dona (Sá e Guarabyra) - Intérpretes: Sá e Guarabyra.


Festival dos Festivais

   Emissora: TV Globo;
   Data: 1985;
   Classificação:
    1º lugar: Escrito nas Estrelas (Arnaldo Black e Carlos Rennó) - Intérprete: Tetê Espíndola;
    2º lugar: Mira Ira (Lula Barbosa - Vanderley de Castro) - Intérprete: Miriam Mirah;
    3º lugar: Verde (Eduardo Gudin e José Carlos Costa Netto) - Intérprete: Leila Pinheiro.
III Festival de Música Popular Brasileira - "O FESTIVAL DA VIRADA" - 1967

     1º lugar: Ponteio (Edu Lobo e Capinam) - Intérpretes: Edu Lobo, Marília Medalha e Quarteto Novo;
     2º lugar: Domingo no Parque (Gilberto Gil) - Intérpretes: Gilberto Gil e Os Mutantes;
     3º lugar: Roda Viva (Chico Buarque) - Intérpretes: Chico Buarque e MPB-4;
     4º lugar: Alegria, Alegria (Caetano Veloso) - Intérpretes: Caetano Veloso e Beat Boys;
     5° lugar: Maria, Carnaval e Cinzas (Luiz Carlos Paraná) - Intérpretes: Roberto Carlos e O Grupo;
     6° Lugar: Gabriela (Francisco Maranhão) - Intérpretes: MPB-4.


Ponteio
Edu Lobo
Composição: Edu Lobo/ Capinam

Era um, era dois, era cem
Era o mundo chegando e ninguém
Que soubesse que eu sou violeiro
Que me desse o amor ou dinheiro...
Era um, era dois, era cem
Vieram prá me perguntar:
"Ô voce, de onde vai
de onde vem?
Diga logo o que tem
Prá contar"...
Parado no meio do mundo
Senti chegar meu momento
Olhei pro mundo e nem via
Nem sombra, nem sol
Nem vento...
Quem me dera agora
Eu tivesse a viola
Prá cantar...(4x)
Prá cantar!
Era um dia, era claro
Quase meio
Era um canto falado
Sem ponteio
Violência, viola
Violeiro
Era morte redor
Mundo inteiro...
Era um dia, era claro
Quase meio
Tinha um que jurou
Me quebrar
Mas não lembro de dor
Nem receio
Só sabia das ondas do mar...
Jogaram a viola no mundo
Mas fui lá no fundo buscar
Se eu tomo a viola
Ponteio!
Meu canto não posso parar
Não!...
Quem me dera agora
Eu tivesse a viola
Prá cantar, prá cantar
Ponteio!...(4x)
Pontiarrrrrrrr!
Era um, era dois, era cem
Era um dia, era claro
Quase meio
Encerrar meu cantar
Já convém
Prometendo um novo ponteio
Certo dia que sei
Por inteiro
Eu espero não vá demorar
Esse dia estou certo que vem
Digo logo o que vim
Prá buscar
Correndo no meio do mundo
Não deixo a viola de lado
Vou ver o tempo mudado
E um novo lugar prá cantar...
Quem me dera agora
Eu tivesse a viola
Prá cantar
Ponteio!...(4x)
Lá, láia, láia, láia...
Lá, láia, láia, láia...
Lá, láia, láia, láia...
Quem me dera agora
Eu tivesse a viola
Prá cantar
Ponteio!...(4x)
Prá cantar
Pontiaaaaarrr!...(4x)
Quem me dera agora
Eu tivesse a viola
Prá Cantar!

Domingo no Parque
Composição: Gilberto Gil

O rei da brincadeira
Ê, José!
O rei da confusão
Ê, João!
Um trabalhava na feira
Ê, José!
Outro na construção
Ê, João!...
A semana passada
No fim da semana
João resolveu não brigar
No domingo de tarde
Saiu apressado
E não foi prá Ribeira jogar
Capoeira!
Não foi prá lá
Pra Ribeira, foi namorar...
O José como sempre
No fim da semana
Guardou a barraca e sumiu
Foi fazer no domingo
Um passeio no parque
Lá perto da Boca do Rio...
Foi no parque
Que ele avistou
Juliana
Foi que ele viu
Foi que ele viu Juliana na roda com João
Uma rosa e um sorvete na mão
Juliana seu sonho, uma ilusão
Juliana e o amigo João...
O espinho da rosa feriu Zé
(Feriu Zé!) (Feriu Zé!)
E o sorvete gelou seu coração
O sorvete e a rosa
Ô, José!
A rosa e o sorvete
Ô, José!
Foi dançando no peito
Ô, José!
Do José brincalhão
Ô, José!...
O sorvete e a rosa
Ô, José!
A rosa e o sorvete
Ô, José!
Oi girando na mente
Ô, José!
Do José brincalhão
Ô, José!...
Juliana girando
Oi girando!
Oi, na roda gigante
Oi, girando!
Oi, na roda gigante
Oi, girando!
O amigo João (João)...
O sorvete é morango
É vermelho!
Oi, girando e a rosa
É vermelha!
Oi girando, girando
É vermelha!
Oi, girando, girando...
Olha a faca! (Olha a faca!)
Olha o sangue na mão
Ê, José!
Juliana no chão
Ê, José!
Outro corpo caído
Ê, José!
Seu amigo João
Ê, José!...
Amanhã não tem feira
Ê, José!
Não tem mais construção
Ê, João!
Não tem mais brincadeira
Ê, José!
Não tem mais confusão
Ê, João!...
Êh! Êh! Êh Êh Êh Êh!
Êh! Êh! Êh Êh Êh Êh!
Êh! Êh! Êh Êh Êh Êh!
Êh! Êh! Êh Êh Êh Êh!
Êh! Êh! Êh Êh Êh Êh!...
Roda Viva
Composição: Chico Buarque

Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu...
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega o destino prá lá ...
Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...
A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a roseira prá lá...
Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...
A roda da saia mulata
Não quer mais rodar não senhor
Não posso fazer serenata
A roda de samba acabou...
A gente toma a iniciativa
Viola na rua a cantar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a viola prá lá...
Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...
O samba, a viola, a roseira
Que um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira
Que a brisa primeira levou...
No peito a saudade cativa
Faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a saudade prá lá ...
Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...(4x)

Alegria, Alegria
Composição: Caetano Veloso

Caminhando contra o vento
Sem lenço e sem documento
No sol de quase dezembro
Eu vou...
O sol se reparte em crimes
Espaçonaves, guerrilhas
Em cardinales bonitas
Eu vou...
Em caras de presidentes
Em grandes beijos de amor
Em dentes, pernas, bandeiras
Bomba e Brigitte Bardot...
O sol nas bancas de revista
Me enche de alegria e preguiça
Quem lê tanta notícia
Eu vou...
Por entre fotos e nomes
Os olhos cheios de cores
O peito cheio de amores vãos
Eu vou
Por que não, por que não...
Ela pensa em casamento
E eu nunca mais fui à escola
Sem lenço e sem documento,
Eu vou...
Eu tomo uma coca-cola
Ela pensa em casamento
E uma canção me consola
Eu vou...
Por entre fotos e nomes
Sem livros e sem fuzil
Sem fome, sem telefone
No coração do Brasil...
Ela nem sabe até pensei
Em cantar na televisão
O sol é tão bonito
Eu vou...
Sem lenço, sem documento
Nada no bolso ou nas mãos
Eu quero seguir vivendo, amor
Eu vou...
Por que não, por que não...
Por que não, por que não...
Por que não, por que não...
Por que não, por que não...

Maria, Carnaval e Cinzas
Roberto Carlos
Composição: Luiz Carlos Paraná

Nasceu Maria quando a folia
Perdia a noite, ganhava o dia
Foi fantasia seu enxoval
Nasceu Maria no Carnaval
E não lhe chamaram assim
Como tantas Marias de santas
Marias de flor, seria Maria
Maria somente, Maria semente
De samba e de amor
Não era noite não era dia
Só madrugada, só fantasia
Só morro e samba
Viva Maria
Quem sabe a sorte
Lhe sorriria e um dia viria
De porta-estandarte
Sambando com arte
Puxando cordões e em plena
Folia de certo estaria
Nos olhos e sonhos de mil
Foliões
Morreu Maria quando a folia
Na quarta feira também morria
E foi de cinzas seu enxoval
Viveu apenas um Carnaval
Que fosse chamada
Então como tantas
Marias de santas
Marias de flor, em vez de Maria
Maria somente, Maria semente
De samba e de dor
Não era noite, não era dia
Somente restos de fantasia
Somente cinzas, pobre Maria
Jamais a vida lhe sorriria
E nunca viria de
Porta-estandarte
Sambando com arte
Puxando cordões
E não estaria em plena folia
Nos olhos e sonhos
De mil foliões

Gabriela
MPB4
Composição: Maranhão

Atravessei o mar
A remo e a vela
Fiz guerra e em terra
Montei a cavalo
E em pelo de sela
Cruzei as florestas, montanhas e serras
A lua sorria, eu sorri com ela
Quando corria, eu corria dela
Pulei cancelas, pulei quintais
Deixei donzelas e tudo mais
Quantas janelas ficaram atrás
Só pra te ver gabriela
Só pra te ver gabriela
Joaninha ficou chorando
Dizendo meu bem não vá
Com medo acabou ficando
Pois não quis acreditar
Que eu vinha só pra te ver gabriela
Só pra te ver gabriela
Que eu vinha só pra te ver gabriela
Só pra te ver gabriela
Dançando meu frevo quente
Na roda que vai a frente
Chamando a toda gente
O padre, o juiz, o incompetente
Os outros civis junto com o tenente
O mal e o bem, qualquer um eu descrevo
Daçando o frevo contigo também
Lá-iá-lá-iá
Daçando o frevo contigo também
Lá-iá-lá-iá
Que eu vinha só pra te ver gabriela
Só pra te ver gabriela
I Festival de Música Popular Brasileira – 1965

     1º Lugar: Arrastão (Edu Lobo e Vinicius de Moraes) - Intérprete: Elis Regina;
     2º Lugar: Valsa do Amor Que Não Vem (Baden Powell e Vinicius de Moraes) - Intérprete: Elizete
     Cardoso.


Arrastão
Elis Regina
Composição: Edu Lobo e Vinicius de Moraes

Eh! tem jangada no mar
Eh! eh! eh! Hoje tem arrastão
Eh! Todo mundo pescar
Chega de sombra e João Jô viu
Olha o arrastão entrando no mar sem fim
É meu irmão me traz Iemanjá prá mim
Olha o arrastão entrando no mar sem fim
É meu irmão me traz Iemanjá prá mim
Minha Santa Bárbara me abençoai
Quero me casar com Janaína
Eh! Puxa bem devagar
Eh! eh! eh! Já vem vindo o arrastão
Eh! É a rainha do mar
Vem, vem na rede João prá mim
Valha-me meu Nosso Senhor do Bonfim
Nunca, jamais se viu tanto peixe assim
Valha-me meu Nosso Senhor do Bonfim
Nunca, jamais se viu tanto peixe assim

Valsa do amor de nós dois
Composição: Antonio Carlos Jobim / Vinicius de Moraes

Vem ver o mar
Vem que Copacabana é linda
Vamos ser só nós dois
E o que vai ser depois
É melhor, é melhor nem pensar
Ah, namorar ...
Os casais nem parecem saber
Nos seus beijos de amor
E o que resta depois
É a valsa do amor de nós dois
Pelas linhas sinuosas
Do passeio à beira-mar
Todo o Rio de Janeiro
Vai querer dançar
E nós, depois
Partiremos num beijo de luz
Pelo céu ao luar
A dançar, a dançar
Esta valsa do amor
De nós dois

Festival Nacional de Música Popular Brasileira – 1966

     1º Lugar: Porta-Estandarte (Geraldo Vandré e Fernando Lona) - Intérpretes: Tuca e Airto Moreira;


Porta Estandarte
Composição: Geraldo Vandré e Fernando Lona
Olha que a vida tão linda se perde em tristezas assim
Desce o teu rancho cantando essa tua esperança sem fim
Deixa que a tua certeza se faça do povo a canção
Pra que teu povo cantando teu canto ele não seja em vão

Eu vou levando a minha vida enfim
Cantando e canto sim
E não cantava se não fosse assim
Levando pra quem me ouvir
Certezas e esperanças pra trocar
Por dores e tristezas que bem sei
Um dia ainda vão findar
Um dia que vem vindo
E que eu vivo pra cantar
Na avenida girando, estandarte na mão pra anunciar.


Festivais na TV Record

II Festival de Música Popular Brasileira - 1966

     1º Lugar:
     A Banda (Chico Buarque) - Intérpretes: Chico Buarque e Nara Leão
     Disparada (Geraldo Vandré e Teo de Barros) - Intérpretes: Jair Rodrigues, Trio Maraiá e Trio Novo

A Banda
Composição: Chico Buarque

Estava à toa na vida
O meu amor me chamou
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor
A minha gente sofrida
Despediu-se da dor
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor
O homem sério que contava dinheiro parou
O faroleiro que contava vantagem parou
A namorada que contava as estrelas parou
Para ver, ouvir e dar passagem
A moça triste que vivia calada sorriu
A rosa triste que vivia fechada se abriu
E a meninada toda se assanhou
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor
Estava à toa na vida
O meu amor me chamou
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor
A minha gente sofrida
Despediu-se da dor
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor
O velho fraco se esqueceu do cansaço e pensou
Que ainda era moço pra sair no terraço e dançou
A moça feia debruçou na janela
Pensando que a banda tocava pra ela
A marcha alegre se espalhou na avenida e insistiu
A lua cheia que vivia escondida surgiu
Minha cidade toda se enfeitou
Pra ver a banda passar cantando coisas de amor
Mas para meu desencanto
O que era doce acabou
Tudo tomou seu lugar
Depois que a banda passou
E cada qual no seu canto
Em cada canto uma dor
Depois da banda passar
Cantando coisas de amor
Depois da banda passar
Cantando coisas de amor...

Disparada
Composição: Geraldo Vandré e Theo de Barros

Prepare o seu coração
Prás coisas
Que eu vou contar
Eu venho lá do sertão
Eu venho lá do sertão
Eu venho lá do sertão
E posso não lhe agradar...
Aprendi a dizer não
Ver a morte sem chorar
E a morte, o destino, tudo
A morte e o destino, tudo
Estava fora do lugar
Eu vivo prá consertar...
Na boiada já fui boi
Mas um dia me montei
Não por um motivo meu
Ou de quem comigo houvesse
Que qualquer querer tivesse
Porém por necessidade
Do dono de uma boiada
Cujo vaqueiro morreu...
Boiadeiro muito tempo
Laço firme e braço forte
Muito gado, muita gente
Pela vida segurei
Seguia como num sonho
E boiadeiro era um rei...
Mas o mundo foi rodando
Nas patas do meu cavalo
E nos sonhos
Que fui sonhando
As visões se clareando
As visões se clareando
Até que um dia acordei...
Então não pude seguir
Valente em lugar tenente
E dono de gado e gente
Porque gado a gente marca
Tange, ferra, engorda e mata
Mas com gente é diferente...
Se você não concordar
Não posso me desculpar
Não canto prá enganar
Vou pegar minha viola
Vou deixar você de lado
Vou cantar noutro lugar
Na boiada já fui boi
Boiadeiro já fui rei
Não por mim nem por ninguém
Que junto comigo houvesse
Que quisesse ou que pudesse
Por qualquer coisa de seu
Por qualquer coisa de seu
Querer ir mais longe
Do que eu...
Mas o mundo foi rodando
Nas patas do meu cavalo
E já que um dia montei
Agora sou cavaleiro
Laço firme e braço forte
Num reino que não tem rei


IV Festival de Música Popular Brasileira - 1968

    Júri Especial:
    1º lugar: "São Paulo, Meu Amor" (Tom Zé) – intérprete: Tom Zé;
    2º lugar: "Memórias de Marta Saré" (Edu Lobo e Gianfrancesco Guarnieri) – intérpretes: Edu Lobo e
    Marília Medalha;
    3º lugar: "Divino Maravilhoso" (Caetano Veloso) – intérprete: Gal Costa;
    4º lugar: "Dois Mil e Um" (Rita Lee e Tom Zé) – intérpretes: Os Mutantes;
    Júri Popular:
    1º lugar: "Benvinda" (Chico Buarque) – intérprete: Chico Buarque;
    2º lugar: "Memórias de Marta Saré";
    5º lugar: "São Paulo, Meu Amor".


São, São Paulo
Tom Zé
São, São Paulo meu amor
São, São Paulo quanta dor
São oito milhões de habitantes
De todo canto em ação
Que se agridem cortesmente
Morrendo a todo vapor
E amando com todo ódio
Se odeiam com todo amor
São oito milhões de habitantes
Aglomerada solidão
Por mil chaminés e carros
Caseados à prestação
Porém com todo defeito
Te carrego no meu peito
São, São Paulo
Meu amor
São, São Paulo
Quanta dor
Salvai-nos por caridade
Pecadoras invadiram
Todo centro da cidade
Armadas de rouge e batom
Dando vivas ao bom humor
Num atentado contra o pudor
A família protegida
Um palavrão reprimido
Um pregador que condena
Uma bomba por quinzena
Porém com todo defeito
Te carrego no meu peito
São, São Paulo
Meu amor
São, São Paulo
Quanta dor
Santo Antonio foi demitido
Dos Ministros de cupido
Armados da eletrônica
Casam pela TV
Crescem flores de concreto
Céu aberto ninguém vê
Em Brasília é veraneio
No Rio é banho de mar
O país todo de férias
E aqui é só trabalhar
Porém com todo defeito
Te carrego no meu peito
São, São Paulo
Meu amor
São, São Paulo

Benvinda
Composição: Chico Buarque

Dono do abandono e da tristeza
Comunico oficialmente que há um lugar na minha mesa
Pode ser que você venha por mero favor, ou venha coberta de amor
Seja lá como for, venha sorrindo
Ah, benvinda, benvinda, benvinda
Que o luar está chamando, que os jardins estão florindo
Que eu estou sozinho
Cheio de anseio e de esperança, comunico a toda gente
Que há lugar na minha dança
Pode ser que você venha morar por aqui, ou venha pra se despedir
Não faz mal pode vir até mentindo
Ah, benvinda, benvinda, benvinda
Que o meu pinho está chorando, que o meu samba está pedindo
Que eu estou sozinho
Vem iluminar meu quarto escuro, vem entrando com o ar puro
Todo novo da manhã
Oh vem a minha estrela madrugada, vem a minha namorada
Vem amada, vem urgente, vem irmã
Benvinda, benvinda, benvinda
Que essa aurora está custando, que a cidade está dormindo
Que eu estou sozinho
Certo de estar perto da alegria, comunico finalmente
Que há lugar na poesia
Pode ser que você tenha um carinho para dar, ou venha pra se consolar
Mesmo assim pode entrar que é tempo ainda
Ah, benvinda, benvinda, benvinda
Ah, que bom que você veio, e você chegou tão linda
Eu não cantei em vão
Benvinda, benvinda, benvinda. benvinda, benvinda

Memórias de Marta Saré
Edu Lobo e Gianfrancesco Guarnieri
A casa lá na fazenda
A lua clareando a porta
Deixando um brilho claro
Nas pedras dos degraus
Cristal de lua
Pra dentro, Marta Saré
Pra dentro, Marta Saré
Pra dentro, Marta Saré
Pra dentro...
O rosário obrigatório
O jantar, lá na cozinha
Todo dia à mesma hora
As histórias de Dorinha
Pra dentro, Marta Saré
Pra dentro, Marta Saré
Pra dentro, Marta Saré
Pra dentro
Pra dentro
A lanterna azul partida
A dor, a palmatória, a raiva
A cantiga mais sentida
Um galope de cavalo
Moço Severino
Pra dentro, Marta Saré
Pra dentro, Marta Saré
Pra dentro, Marta Saré
Pra dentro
Bate forte o coração
Dor no peito magoado
O sorriso mais sem jeito
Do primeiro namorado
Pra dentro, Marta Saré
Pra dentro, Marta Saré
Pra dentro, Marta Saré
Pra dentro
Pra dentro

Divino Maravilhoso
Caetano Veloso
Atenção ao dobrar uma esquina
Uma alegria, atenção menina
Você vem, quantos anos você tem?
Atenção, precisa ter olhos firmes
Pra este sol, para esta escuridão
Atenção
Tudo é perigoso
Tudo é divino maravilhoso
Atenção para o refrão
É preciso estar atento e forte
Não temos tempo de temer a morte (2x)
Atenção para a estrofe e pro refrão
Pro palavrão, para a palavra de ordem
Atenção para o samba exaltação
Atenção
Tudo é perigoso
Tudo é divino maravilhoso
Atenção para o refrão
É preciso estar atento e forte
Não temos tempo de temer a morte (2x)
Atenção para as janelas no alto
Atenção ao pisar o asfalto, o mangue
Atenção para o sangue sobre o chão
Atenção
Tudo é perigoso
Tudo é divino maravilhoso
Atenção para o refrão
É preciso estar atento e forte

Dois Mil e Um
Rita Lee e Tom Zé
Astronauta libertado
Minha vida me ultrapassa
Em qualquer rota que eu faça
Dei um grito no escuro
Sou parceiro do futuro
Na reluzente galáxia
Eu quase posso palpar
A minha vida que grita
Emprenha e se reproduz
Na velocidade da luz
A cor do céu me compõe
mar azul me dissolve
A equação me propõe
Computador me resolve
Astronauta... (refrão)
Amei a velocidade
Casei com sete planetas
Por filho, cor e espaço
Não me tenho nem me faço
A rota do ano-luz
Calculo dentro do passo
Minha dor é cicatriz
Minha morte não me quis
Astronauta...(refrão)
Nos braços de dois mil anos
Eu nasci sem Ter idade
Sou casado sou solteiro
Sou baiano e estrangeiro
Meu sangue é de gasolina
Correndo não tenho mágoa
Meu peito é de sal de fruta
Fervendo no copo d'água
Astronauta...(refrão)


V Festival de Música Popular Brasileira - 1969

     1º lugar: Sinal Fechado (Paulinho da Viola) - Intérprete: Paulinho da Viola;


Sinal Fechado
Composição: Paulinho da Viola

Olá, como vai ?
Eu vou indo e você, tudo bem ?
Tudo bem eu vou indo correndo
Pegar meu lugar no futuro, e você ?
Tudo bem, eu vou indo em busca
De um sono tranquilo, quem sabe ...
Quanto tempo... pois é...
Quanto tempo...
Me perdoe a pressa
É a alma dos nossos negócios
Oh! Não tem de quê
Eu também só ando a cem
Quando é que você telefona ?
Precisamos nos ver por aí
Pra semana, prometo talvez nos vejamos
Quem sabe ?
Quanto tempo... pois é... (pois é... quanto tempo...)
Tanta coisa que eu tinha a dizer
Mas eu sumi na poeira das ruas
Eu também tenho algo a dizer
Mas me foge a lembrança
Por favor, telefone, eu preciso
Beber alguma coisa, rapidamente
Pra semana
O sinal ...
Eu espero você
Vai abrir...
Por favor, não esqueça,
Adeus...


Festival Internacional da Canção (TV Rio e Rede Globo)
Festival Internacional da Canção
    Local: Maracanãzinho - Rio de Janeiro.

Prêmio Galo de Ouro (Parte Nacional)

I FIC -1966

     1º lugar: Saveiros (Dori Caymmi e Nelson Motta) - Intérprete: Nana Caymmi;
     2º lugar: O Cavaleiro (Tuca e Geraldo Vandré) - Intérprete: Tuca;
     3° lugar: Dia das Rosas (Luís Bonfá e Maria Helena Toledo) - Intérprete: Maysa.


Saveiros
Composição: Dory Caymmi / Nelson Motta

Nem bem a noite terminou
Vão os saveiros para o mar
Levam no dia que amanhece
As mesmas esperanças
Do dia que passou
Quantos partiram de manhã
Quem sabe quantos vão voltar
Só quando o sol descansar
E se os ventos deixarem
Os barcos vão chegar
Quantas histórias pra contar
Em cada vela que aparece
Um canto de alegria
De quem venceu o mar

O Cavaleiro
Geraldo Vandré e Tuca
Bem no fundo do coração
Guardo há tempos um cavaleiro
Que ainda vou mandar pro norte
Vestido de boiadeiro
A caatinga é o seu lugar
Sua andança pra voltar
Esperança suas armas
Injustiças pra guerrear
Mas meu cavaleiro
Não vai se descuidar
Quem sai de uma seca brava
No mar pode se afogar
E há um mundo inteiro
Que espera ouvir falar
De um bravo cavaleiro
Que bem soube se guardar
Para um dia lá no sertão
E no mar e em teu coração
Sertanejo ou jangadeiro
Trazer paz para o Norte inteiro

Dia Das Rosas
Luís Bonfá e Maria Helena Toledo

hoje é dia das rosas
que enfeitam formosas
amores se unindo
num lindo jardim
porque o berço da flor
vem do encanto de nós
que nascemos de nós
e vivemos de amor
ah! que tristeza viver sem amor
ah! que certeza do amor
nossas mãos, mãos tao sozinhas
nao sabem o que querem
porque nao procuram saber de voce
rogo em nome das flores
irmãs dos jardins
eu proclamo voce
a rainha de nós
e em todas as cores
voce foi capaz
de trazer pra essa gente
um mundo de paz


II FIC – 1967

     1º lugar: Margarida (Gutemberg Guarabyra) - Intérprete: Gutemberg Guarabyra e Grupo Manifesto;
     2º lugar: Travessia (Milton Nascimento e Fernando Brant) - Intérprete: Milton Nascimento;
     3º lugar: Carolina (Chico Buarque) - Intérprete: Cynara e Cybele.


Margarida
Composição: Gutemberg Guarabyra

Andei, terras do meu reino em vão
Por senhora que perdi
E por quem fui descobrir
Não me crer-mais-ei aqui, me encerrei
Sou cantor e cantarei
Que em procuras de amor morri, ai!
Dor que no meu peito dói
Que destróis assim de mim
Bem sei que eu achei enfim
E que adiantou a dor,
Mas me queimou
Pois por não saber de amar
Ela ainda rainha está
E ela está em seu castelo, olê, olê, olá
E ela está em seu castelo, olê, seus cavaleiros
Ora peçam que apareça
Pois por mais que me eu me ofereça
Mais me evita essa senhora
Eu já fui rei, já fui cantor
Vou ser guerreiro, um perfeito cavaleiro
Armadura, escudo, espada,
Pra seguir na escalada
Belo motivo, é por amor que vou lutando
E pelas pedras do castelo
Uma eu já vou retirando
E retirando uma pedra, olê, olê,olá
Mais uma pedra não faz falta, olê, seus cavaleiros
Que ainda correm pelo mundo
Ouçam só por um segundo, que eu acabo de vencer
Retirei pedras de orgulhos, majestades,
Deixei todas de humildades,de amores sem reinado
Ela então se me rendeu
Eu já fui rei, já fui cantor, já fui guerreiro
E agora enfim sou companheiro,
Da mulher que apareceu
Apareceu a Margarida, olê, olê, olá
Apareceu a Margarida, olê, seus cavaleiros
Apareceu a Margarida, olê, olê, olá
Apareceu a Margarida, olê...
Seus cavaleiros!

Travessia
Composição: Milton Nascimento / Fernando Brant

Quando você foi embora fez-se noite em meu viver
Forte eu sou mas não tem jeito, hoje eu tenho que chorar
Minha casa não é minha, e nem é meu este lugar
Estou só e não resisto, muito tenho prá falar
Solto a voz nas estradas, já não quero parar
Meu caminho é de pedras, como posso sonhar
Sonho feito de brisa, vento vem terminar
Vou fechar o meu pranto, vou querer me matar
Vou seguindo pela vida me esquecendo de você
Eu não quero mais a morte, tenho muito que viver
Vou querer amar de novo e se não der não vou sofrer
Já não sonho, hoje faço com meu braço o meu viver
Solto a voz nas estradas, já não quero parar
Meu caminho é de pedras, como posso sonhar
Sonho feito de brisa, vento vem terminar
Vou fechar o meu pranto, vou querer me matar

Carolina
Composição: Chico Buarque

Carolina, nos seus olhos fundos guarda tanta dor, a dor de todo esse mundo
Eu já lhe expliquei, que não vai dar, seu pranto não vai nada ajudar
Eu já convidei para dançar, é hora, já sei, de aproveitar
Lá fora, amor, uma rosa nasceu, todo mundo sambou, uma estrela caiu
Eu bem que mostrei sorrindo, pela janela, ah que lindo
Mas Carolina não viu...
Carolina, nos seus olhos tristes, guarda tanto amor, o amor que já não existe,
Eu bem que avisei, vai acabar, de tudo lhe dei para aceitar
Mil versos cantei pra lhe agradar, agora não sei como explicar
Lá fora, amor, uma rosa morreu, uma festa acabou, nosso barco partiu
Eu bem que mostrei a ela, o tempo passou na janela e só Carolina não viu.


III FIC – 1968

     1º lugar: Sabiá (Chico Buarque e Tom Jobim) - Intérpretes: Cynara e Cybele;
     2º lugar: Pra não Dizer que não Falei das Flores (Geraldo Vandré) - Intérprete: Geraldo Vandré;
     3º lugar: Andança (Danilo Caymmi, Edmundo Souto e Paulinho Tapajós - Intérpretes: Beth Carvalho e
     Golden Boys;


Sabiá
Composição: Tom Jobim e Chico Buarque

Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
Para o meu lugar
Foi lá e é ainda lá
Que eu hei de ouvir cantar
Uma sabiá
Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
Vou deitar à sombra
De um palmeira
Que já não há
Colher a flor
Que já não dá
E algum amor Talvez possa espantar
As noites que eu não queira
E anunciar o dia
Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
Não vai ser em vão
Que fiz tantos planos
De me enganar
Como fiz enganos
De me encontrar
Como fiz estradas
De me perder
Fiz de tudo e nada
De te esquecer
Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
E é pra ficar
Sei que o amor existe
Não sou mais triste
E a nova vida já vai chegar
E a solidão vai se acabar
E a solidão vai se acabar

Pra Não Dizer Que Não Falei Das Flores
Composição: Geraldo Vandré

Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Somos todos iguais
Braços dados ou não
Nas escolas, nas ruas
Campos, construções
Caminhando e cantando
E seguindo a canção...
Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer...(2x)
Pelos campos há fome
Em grandes plantações
Pelas ruas marchando
Indecisos cordões
Ainda fazem da flor
Seu mais forte refrão
E acreditam nas flores
Vencendo o canhão...
Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer...(2x)
Há soldados armados
Amados ou não
Quase todos perdidos
De armas na mão
Nos quartéis lhes ensinam
Uma antiga lição:
De morrer pela pátria
E viver sem razão...
Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer...(2x)
Nas escolas, nas ruas
Campos, construções
Somos todos soldados
Armados ou não
Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Somos todos iguais
Braços dados ou não...
Os amores na mente
As flores no chão
A certeza na frente
A história na mão
Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Aprendendo e ensinando
Uma nova lição...
Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer...(4x)

Andança
Composição: Edmundo Souto, Danilo Caymmi e Paulinho Tapajós

Vim, tanta areia andei
Da lua cheia eu sei
Uma saudade imensa...
Vagando em verso eu vim
Vestido de cetim
Na mão direita, rosas
Vou levar...
Olha a lua mansa...(me leva amor)
Se derramar
Ao luar descansa
Meu caminhar..(amor)
Meu olhar em festa...(me leva amor)
Se fez feliz
Lembrando a seresta
Que um dia eu fiz
(por onde for quero ser seu par)
Já me fiz a guerra...(me leva amor)
Por não saber
Que esta terra encerra
Meu bem-querer...(amor)
E jamais termina
Meu caminhar ...(me leva amor)
Só o amor me ensina
Onde vou chegar
(por onde for quero ser seu par)
Rodei de roda, andei
Dança da moda, eu sei
Cansei de ser sozinha...
Verso encantado, usei
Meu namorado é rei
Nas lendas do caminho
Onde andei..
No passo da estrada...(me leva amor)
Só faço andar
Tenho meu amor
Pra me acompanhar..(amor)
Vim de longe léguas
Cantando eu vim...(me leva amor)
Vou, não faço tréguas
Sou mesmo assim
(por onde for quero ser seu par)
Já me fiz a guerra...(me leva amor)
Por não saber
Que esta terra encerra...(amor)
Meu bem-querer
E jamais termina
Meu caminhar...(me leva amor)
Só o amor me ensina
Onde vou chegar
(por onde for quero ser par)
Lá lá lá lá lá lá
Lá la lá lá lá lá....


IV FIC – 1969

     1º lugar: Cantiga por Luciana (Edmundo Souto e Paulinho Tapajós) - Intérprete: Evinha;


Cantiga Por Luciana
Composição: Edmundo Souto e Paulinho Tapajós

Manhã no peito de um cantor
Cansado de esperar só
Foi tanto tempo que nem sei
Das tardes tão vazias por onde andei
Luciana, Luciana
Sorriso de menina dos olhos de mar
Luciana, Luciana
Abrace essa cantiga por onde passar
Lara lá...
Nasceu na paz de um beija-flor
Em verso em voz de amor
Já desponta aos olhos da manhã
Pedaços de uma vida
Que abriu-se em flor
Luciana, Luciana
Sorriso de menina dos olhos de mar
Luciana, Luciana
Abrace essa cantiga por onde passar
Lara lá...

V FIC -1970

     1º lugar: BR-3 (Antônio Adolfo e Tibério Gaspar) - Intérprete: Tony Tornado e Trio Ternura;
     2º lugar: O Amor é o Meu País (Ivan Lins e Ronaldo Monteiro) - Intérprete: Ivan Lins;
     3º lugar: Universo do Teu Corpo (Taiguara) - Intérprete: Taiguara.


BR-3
Composição: Antonio Adolfo e Tibério Gaspar

A gente corre na BR-3
A gente morre na BR-3
Há um foguete
Rasgando o céu, cruzando o espaço
E um Jesus Cristo feito em aço
Crucificado outra vez
E a gente corre na BR-3
E agente morre na BR-3
Há um sonho
Viagem multicolorida
Às vezes ponto de partida
E às vezes porto de um talvez
E a gente corre na BR-3
E a gente morre na BR-3
Há um crime
No longo asfalto dessa estrada
E uma notícia fabricada
Pro novo herói de cada mês

O Amor É o Meu País
Composição: Ivan Lins/Ronaldo Monteiro de Souza

Eu queria, eu queria, eu queria
Um segundo lá no fundo de você
Eu queria, me perdera, me perdoa
Por que eu ando à toa
Sem chegar
Tão mais longe se torna o cais
Lindo é voltar
É difícil o meu caminhar
Mas vou tentar
Não importa qual seja a dor
Nem as pedras que eu vou pisar
Não me importo se é pra chegar
Eu sei, eu sei
De você fiz o meu País
Vestindo festa e final feliz
Eu vi, eu vi
O amor é o meu País
E sim, eu vi
O amor é o meu País

Universo no teu corpo
Taiguara
Eu desisto
Não existe essa manhã que eu perseguia
Um lugar que me dê trégua ou me sorria
E uma gente que não viva só pra si
Só encontro
Gente amarga mergulhada no passado
Procurando repartir seu mundo errado
Nessa vida sem amor que eu aprendi
Por uns velhos vãos motivos
Somos cegos e cativos
No deserto do universo sem amor
E é por isso que eu preciso
De você como eu preciso
Não me deixe um só minuto sem amor
Vem comigo
Meu pedaço de universo é no teu corpo
Eu te abraço corpo imerso no teu corpo
E em teus braços se unem em versos à canção
Em que eu digo
Que estou morto pra esse triste mundo antigo
Que meu porto, meu destino, meu abrigo
São teu corpo amante amigo em minhas mãos
São teu corpo amante amigo em minhas mãos
São teu corpo amante amigo em minhas mãos
Vem, vem comigo
Meu pedaço de universo é no teu corpo
Eu te abraço corpo imerso no teu corpo
E em teus braços se unem em versos a canção
Em que eu digo
Que estou morto pra esse triste mundo antigo
Que meu porto, meu destino, meu abrigo
São teu corpo amante amigo em minhas mãos
São teu corpo amante amigo em minhas mãos
São teu corpo amante amigo em minhas mãos.


VI FIC - 1971

     3º lugar: Desacato (Antônio Carlos e Jocafi) - Intérpretes: Antônio Carlos e Jocafi.
Desacato
Roberta Sá
Composição: Antonio Carlos / Jocafi

Inofensivo aquele amor
Que nem sequer se aconchegou
Já morreu.
Quem destratou a ilusão
Quem freqüentou meu coração
Não fui eu.
Não adianta me envolver
Nas artimanhas que você
Preparou.
E vá tratando de esquecer
Leve os breguetes com você
Me zangou.
Por isso agora
Deixe estar
Deixe estar
Que eu vou entregar você.


VII FIC – 1972

     1º lugar: Fio Maravilha (Jorge Ben) - Intérprete: Maria Alcina;
      Participante do VII FIC: Eu Quero é Botar Meu Bloco na Rua (Sérgio Sampaio) - Intérprete: Sérgio
     Sampaio


Fio Maravilha
Composição: Jorge Ben Jor


E novamente ele chegou com inspiração
Com muito amor, com emoção, com explosão em gol
Sacudindo a torcida aos 33 minutos do segundo tempo
Depois de fazer uma jogada celestial em gol
Tabelou, driblou dois zagueiros
Deu um toque driblou o goleiro
Só não entrou com bola e tudo
Porque teve humildade em gol
Foi um gol de classe
Onde ele mostrou sua malícia e sua raça
Foi um gol de anjo, um verdadeiro gol de placa
E a galera agradecida, se encantava
Foi um gol de anjo, um verdadeiro gol de placa
E a galera agradecida, assim cantava
Filho maravilha nós gostamos de você
Filho maravilha faz mais um pra gente vê

Eu quero é botar meu bloco na rua
Composição: Sérgio Sampaio

Há quem diga que eu dormi de touca
Que eu perdi a boca
Que eu fugi da briga
Que eu cai do galho e que não vi saída
Que eu morri de medo quando o pau quebrou
Há quem diga que eu não sei de nada
Que eu não sou de nada e não peço desculpas
Que eu não tenho culpa
Mas que eu dei bobeira
E que Durango Kid quase me pegou
Eu quero é botar meu bloco na rua
Brincar, botar pra gemer
Eu quero é botar meu bloco na rua
Ginga pra dar e vender
Eu por mim queria isso e aquilo
Um quilo mais daquilo
Um grilo menos nisso
É disso que eu preciso
Ou não é nada disso
Eu quero é todo mundo nesse carnaval
Eu quero é botar meu bloco na rua...
Há quem diga que eu dormi de touca...
Há quem diga que eu não sei de nada...
Eu quero é botar meu bloco na rua...
Festivais de MPB

Festival Abertura -1975

     1º lugar: Como Um Ladrão (Carlinhos Vergueiro) - Intérprete: Carlinhos Vergueiro;
     Prêmio Melhor Trabalho de Pesquisa: Vou Danado Prá Catende (Alceu Valença) - Intérprete: Alceu
     Valença;
    Participante do Festival Abertura: Ébano (Luiz Melodia) - Intérprete: Luiz Melodia.


Como Um Ladrão
Composição: Carlinhos Vergueiro

Como um ladrão roubei
Rostos, restos, risos
Como um ladrão corri
Riscos, mares, medos
E fui deixando rastros, marcas, mortes
E carregando pedras, presas, pesos
E me entregando sempre, sempre, sempre
Pelo prazer de ter
As sensações totais
E desprezar o tempo, o tédio, o o certo


Vou Danado pra Catende
Composição: Alceu Valença

Ai
Telminha
Ouça esta carta
Que eu não escrevi
Por aqui
Vai tudo bem
Mas eu só penso
Um dia em voltar
Ai
Telminha
Veja a enrascada
Que fui me meter
Por aqui
Tudo corre tão depressa
As motocicletas se movimentando
Os dedos da moça
Datilografando
Numa engrenagem
De pernas pro ar
Eu quero um trem
Eu preciso de um trem
Eu vou danado pra Catende
Vou danado pra Catende
Vou danado pra Catende
Com vontade de chegar
E o sol é vermelho
Como um tição
Eu vou danado pra Catende
Vou danado pra Catende
Vou danado pra Catende
Com vontade de chegar
Mergulhão, mucambos, moleques, mulatos
vêm ve-los passar
Adeus, adeus, adeus
Adeus morena do cabelo cacheado
Maribondo sai da mata
Que lá é casa das caiporas
Caiporas, caiporas, caiporas

Ébano
Luiz Melodia
Meu nome é ébano
venho te felicitar sua atitude
espero te encontrar com mais saúde
me chamam ébano
o novo peregrino sábio dos enganos
seu ato dura pouco tempo se tragando
eu grito ébano

o couro que me cobre a carne
não tem planos

a sombra da neurose te persegue
há quantos anos
do rio de janeiro, estou te sacando
do centro da cidade vou te assemelhando
no núcleo do seu crânio
deu nós três manchando
quem é quente amando
sou eu passando


Festival De MPB – 1979


     1º lugar: Quem me Levará Sou Eu (Manduka e Dominguinhos) - Intérprete: Fagner;
     2º lugar: Canalha (Walter Franco) - Intérprete: Walter Franco;
     3º lugar: Bandolins (Oswaldo Montenegro) - Intérprete: Oswaldo Montenegro e José Alexandre;
     Participante do Festival de MPB/1979: Palco (Gilberto Gil) - Intérprete: A Cor do Som.


Quem Me Levará Sou Eu
Composição: Dominguinhos e Manduka

Amigos a gente encontra
O mundo não é só aqui
Repare naquela estrada
Que distância nos levará
As coisas que eu tenho aqui
Na certa terei por lá
Segredos de um caminhão
Fronteiras por desvendar
Não diga que eu me perdi
Não mande me procurar
Cidades que eu nunca vi
São casas de braços a me agasalhar
Passar como passam os dias
Se o calendário acabar

Eu faço contar o tempo outra vez sim
Tudo outra vez a passar
Não diga que eu fiquei sozinho
Não mande alguém me acompanhar
Repare a multidão precisa
De alguém mais alto a lhe guiar

Quem me levará sou eu
Quem regressará sou eu
Não diga que eu não levo a guia
De quem souber me amar

Canalha
Walter Franco
É uma dor canalha
Que te dilacera
É um grito que se espalha
Também pudera
Não tarda nem falha
Apenas te espera
Num campo de batalha
É um grito que se espalha
É uma dor
Canalha

Bandolins
Oswaldo Montenegro
Composição: Oswaldo Montenegro

Como fosse um par que
Nessa valsa triste
Se desenvolvesse
Ao som dos Bandolins...
E como não?
E por que não dizer
Que o mundo respirava mais
Se ela apertava assim
Seu colo como
Se não fosse um tempo
Em que já fosse impróprio
Se dançar assim
Ela teimou e enfrentou
O mundo
Se rodopiando ao som
Dos bandolins...
Como fosse um lar
Seu corpo a valsa triste
Iluminava e a noite
Caminhava assim
E como um par
O vento e a madrugada
Iluminavam a fada
Do meu botequim...
Valsando como valsa
Uma criança
Que entra na roda
A noite tá no fim
Ela valsando
Só na madrugada
Se julgando amada
Ao som dos Bandolins...
(Repetir a letra 3x)
Palco
Gilberto Gil
Subo nesse palco, minha alma cheira a talco
Como bumbum de bebê, de bebê
Minha aura clara, só quem é clarividente pode ver
Pode ver
Trago a minha banda, só quem sabe onde é Luanda
Saberá lhe dar valor, dar valor
Vale quanto pesa prá quem preza o louco bumbum do tambor
Do tambor
Fogo eterno prá afugentar
O inferno prá outro lugar
Fogo eterno prá consumir
O inferno, fora daqui
Venho para a festa, sei que muitos têm na testa

O deus-sol como um sinal, um sinal
Eu como devoto trago um cesto de alegrias de quintal
De quintal
Há também um cântaro, quem manda é Deus a música
Pedindo prá deixar, prá deixar
Derramar o bálsamo, fazer o canto, cantar o cantar
Lá, lá, iá

MPB Shell 80 (1980)

    1º lugar: Agonia (Mongol) - Intérprete: Oswaldo Montenegro;
    2º lugar: Foi Deus que Fez Você (Luiz Ramalho) - Intérprete: Amelinha;
    Melhor Intérprete: Porto Solidão (Zeca Bahia e Ginko) - Intérprete: Jessé.
Participantes do MPB Shell 80:
    Demônio Colorido (Sandra de Sá) - Intérprete: Sandra Sá;
    Nostradamus (Eduardo Dusek) - Intérprete: Eduardo Dusek;
    Mais Uma Boca (Fátima Guedes) - Intérprete: Fátima Guedes;
    Essa Tal Criatura (Leci Brandão) - Intérprete: Leci Brandão.

Agonia
Oswaldo Montenegro
Composição: Mongol

Se fosse resolver
iria te dizer
foi minha agonia
Se eu tentasse entender
por mais que eu me esforçasse
eu não conseguiria
E aqui no coração
eu sei que vou morrer
Um pouco a cada dia
E sem que se perceba
A gente se encontra
Pra uma outra folia
Eu vou pensar que é festa
Vou dançar, cantar
é minha garantia
E vou contagiar diversos corações
com minha euforia
E a amargura e o tempo
vão deixar meu corpo,
minha alma vazia
E sem que se perceba a gente se encontra
pra uma outra folia

Foi Deus Quem Fez Você
Amelinha
Composição: Luís Ramalho

Foi Deus que fez o céu, o rancho das estrelas
Fez também o seresteiro para conversar com elas
Fez a lua que prateia minha estrada de sorrisos
E a serpente que expulsou mais de um milhão do paraíso
Foi Deus quem fez você
Foi Deus que fez o amor
Fez nascer a eternidade num momento de carinho
Fez até o anonimato dos afetos escondidos
E a saudade dos amores que já foram destruídos
Foi Deus
Foi Deus que fez o vento
Que sopra os teus cabelos
Foi Deus quem fez o orvalho
Que molha o teu olhar, teu olhar
Foi Deus que fez as noites
E o violão planjente
Foi Deus que fez a gente
Somente para amar, só para amar

Porto Solidão
Jessé
Composição: Zeca Bahia e Gincko

Se um veleiro
Repousasse
Na palma da minha mão
Sopraria com sentimento
E deixaria seguir sempre
Rumo ao meu coração...
Meu coração
A calma de um mar
Que guarda tamanhos segredos
Diversos naufragados
E sem tempo...
Rimas, de ventos e velas
Vida que vem e que vai
A solidão que fica e entra
Me arremessando
Contra o cais...(2x)
Se um veleiro
Repousasse
Na palma da minha mão
Sopraria com sentimento
E deixaria seguir sempre
Rumo ao meu coração...
Meu coração
A calma de um mar
Que guarda tamanhos segredos
Diversos naufragados
E sem tempo...
Rimas, de ventos e velas
Vida que vem e que vai
A solidão que fica e entra
Me arremessando
Contra o cais...(4x)
Rimaaaaaas!
A solidão que fica e entra
Me arremessando
Contra o cais...

Demônio Colorido
Composição: Sandra De Sá


Seus olhos ao invés de verdes
Deveriam ser vermelhos incandescentes
Na mão ao invés de uma rosa
Você deveria ter um tridente
Sua voz é tão suave
Quando deveria ser mais arrogante
Vadiando na minha cabeça
Não me deixa um só instante
Mas eu vou lhe guardar
Com a força de uma camisa
Me despir do pavor
Lhe chamar de amiga
24 horas por dia
Tentando o meu juizo
Foi unanimamente eleita
Meu Demônio Colorido

Nostradamus
Composição: Eduardo Dusek

Naquela manhã
Eu acordei tarde, de bode
Com tudo que sei
Acendi uma vela
Abri a janela
E pasmei
Alguns edifícios explodiam
Pessoas corriam
Eu disse bom dia
E ignorei
Telefonei
Pr'um toque tenha qualquer
E não tinha
Ninguém respondeu
Eu disse: "Deus, Nostradamus
Forças do bem e da maldade
Vudoo, calamidade, juízo final
Então és tu?"
De repente na minha frente
A esquadria de alumínio caiu
Junto com vidro fumê
O que fazer? Tudo ruiu
Começou tudo a carcomer
Gritei, ninguém ouviu
E olha que eu ainda fiz psiu!
O dia ficou noite
O sol foi pro além
Eu preciso de alguém
Vou até a cozinha
Encontro Carlota, a cozinheira, morta
Diante do meu pé, Zé
Eu falei, eu gritei, eu implorei:
"Levanta e serve um café
Que o mundo acabou!"

Mais Uma Boca
Composição: Fátima Guedes

Quem de vocês se chama João?
Eu vim avisar, a mulher dele deu a luz
sozinha no barracão.
E bem antes que a dona adormecesse
o cansaço do seu menino
pediu que avisasse a um João
que bebe nesse bar,
me disse que aqui toda noite
é que ele se embriaga.
Quem de vocês se chama esse pai
que faz que não me escuta?
É o pai de mais uma boca,
o pai de mais uma boca.
Vai correndo ver como ela está feia,
vai ver como está cansada
e teve o seu filho sozinha sem chorar, porque
a dor maior o futuro é quem vai dar.
A dor maior o futuro é quem vai dar.
E pode tratar de ir subindo o morro
que se ela não teve socorro
quem sabe a sua presença
devolve a dona uma ponta de esperança.
Reze a Deus pelo bem dessa criança
pra que ela não acabe como os outros
pra que ela não acabe como todos
pra que ela não acabe como os meus

Essa tal Criatura
Composição: Leci Brandão

Tire essa bota
Pisa na terra
Rasgue essa roupa
Mostra teu corpo
Limpa esse rosto
Como a poeira
Seja essa cara
Sinta meu gosto
Morda uma fruta madura, lamba esse dedo melado
Transa na mais linda loucura, deixa a vergonha de lado
Corra no campo
Leva um tombo
Rala o joelho
Mata esta sede
Durma na rede
Sonha com a lua
Grita na praça
Picha as paredes
Ama na maior liberdade... abra, escancara esse peito
Clama! Só é linda a verdade, nua sem ser preconceito
Tire essa fruta
Lamba essa terra
Pisa as paredes
Sinta esse tombo
Rala esse rosto
Transa com a lua
Morda essa cara
Linda, tão nua...
Faça da vergonha, loucura... abra, escancara a verdade
E ama essa tal criatura que envergonhou a cidade


MPB Shell 81

     1º lugar: Purpurina (Jerônimo Jardim) - Intérprete: Lucinha Lins;
     2º lugar: Planeta Água (Guilherme Arantes) - Intérprete: Guilherme Arantes;
     3º lugar: Mordomia (Ari do Cavaco e Gracinha) - Intérprete: Almir Guineto.


Purpurina
Lucinha Lins
Composição:   Jerônimo Jardim

Se você pensa que vai me seduzir
Se você pensa que vai me arrepiar
Pode ser, mas eu sou feito purpurina
Se uma luz não ilumina
Não há jeito de brilhar
Se você só chega por chegar
Nem uma lanterna no olhar
Nosso show não pode acontecer
Sem o palco se acender
Eu não vou representar
Se você pensa que vai me seduzir
Se você pensa que vai me arrepiar
Pode ser, pois eu sou feito bailarina
Se a ribalta se ilumina
Fico roxa pra dançar
Se você pensa que vai me seduzir
Se você pensa que vai me arrepiar
Pode ser, mas eu sou feito purpurina
Se uma luz não ilumina
Não há jeito de brilhar
Pode ser, pois eu sou feito bailarina
Se a ribalta se ilumina
Fico roxa pra dançar

Planeta Água
Composição: Guilherme Arantes

Água que nasce na fonte
Serena do mundo
E que abre um
Profundo grotão
Água que faz inocente
Riacho e deságua
Na corrente do ribeirão...
Águas escuras dos rios
Que levam
A fertilidade ao sertão
Águas que banham aldeias
E matam a sede da população...
Águas que caem das pedras
No véu das cascatas
Ronco de trovão
E depois dormem tranqüilas
No leito dos lagos
No leito dos lagos...
Água dos igarapés
Onde Iara, a mãe d'água
É misteriosa canção
Água que o sol evapora
Pro céu vai embora
Virar nuvens de algodão...
Gotas de água da chuva
Alegre arco-íris
Sobre a plantação
Gotas de água da chuva
Tão tristes, são lágrimas
Na inundação...
Águas que movem moinhos
São as mesmas águas
Que encharcam o chão
E sempre voltam humildes
Pro fundo da terra
Pro fundo da terra...
Terra! Planeta Água
Terra! Planeta Água
Terra! Planeta Água...(2x)
Água que nasce na fonte
Serena do mundo
E que abre um
Profundo grotão
Água que faz inocente
Riacho e deságua
Na corrente do ribeirão...
Águas escuras dos rios
Que levam a fertilidade ao sertão
Águas que banham aldeias
E matam a sede da população...
Águas que movem moinhos
São as mesmas águas
Que encharcam o chão
E sempre voltam humildes
Pro fundo da terra
Pro fundo da terra...
Terra! Planeta Água
Terra! Planeta Água
Terra! Planeta Água...(2x)

Mordomia
Composição: Ari do Cavaco e Gracinha

hô Maria, hô Maria
vamos parar já com essa mordomia
é de noite, é de dia chega a sogra chega a tia
quase sempre é panela no fogo e barriga vazia
de noite eu chego cansado e suado
quero ir no banheiro esta sempre ocupado
a pia esta cheia e vazia a panela
a turma la em casa só fica naquela
sou eu que enfrento o supermercado
sou eu que aguento o vizinho do lado
e na madrugada ainda sou maltratado
hô Maria...
isso aqui ta parecendo
a casa de mãe Joana
todo mundo aqui da ordem, aqui todo mundo manda
você não tem pulso ô nega
nem para governar o nosso barracão
vou me embora pra mim chega
vou largar na sua mão
hô Maria...


MPB Shell 82
     1º lugar: Pelo Amor de Deus (Paulo Debétio e Paulinho Rezende) - Intérprete: Emílio Santiago;
     2º lugar: Fruto do suor (Tony Osanah e Enrique Bergen) - Intérprete: Raices de America;
     3º lugar: Doce mistério (Tentação), (Tunai e Sérgio Natureza) - Intérprete:Jane Duboc;
     Participantes do MPB SHELL/82: Dona (Sá e Guarabyra) - Intérpretes: Sá e Guarabyra.


Pelo Amor de Deus
Composição: Paulo Debétio/Paulinho Resende

Pelo amor de Deus
Clareia a minha solidão
Acende a luz do teu perdão
Apaga esse adeus do olhar
Faz dos medos meus
Receios sem nenhum valor
Desperta o nosso imenso amor
Não custa nada perdoar
Você virou tatuagem no meu pensamento e no meu coração
Fez uma estranha miragem à beira dos olhos e longe das mãos
Perdoa meu amor
Nobreza maior que o perdão
Não há no reino da paixão
Perdoameu amor
Nobreza maior que o perdão
Não há no reino da paixão

Fruto do Suor
Raices de América
Composição: Tony Osanah / Enrique Bergen


A terra nova era um paraíso,
o milho alto e os rios puros.
Dormia o ouro a cobiça ausente,
era o índio senhor do continente.
Foram chegando os conquistadores,
os africanos e os aventureiros.
O índio altivo se mesclou ao escravo:
nascia um novo tipo americano.
O interesse fabricou carimbos.
O ódio à toa levantou paredes.
A baioneta desenhou fronteiras.
A estupidez nos separou em bandeiras.
Tenho um filho nessa terra,
foi um amor sem passaportes.
Se o gestar foi brasileiro
não me chames de estrangeiro.
Cada pedra, cada rua tem um toque de imigrantes.
Levantaram com seus sonhos
um país que não tem donos.
O suor fecunda o solo e a semente não pergunta:
Brasileiro ou imigrante? Só o fruto é importante.
Não me sinta forasteiro.
Não me invente geografias.
Sou tua raça, sou teu povo,
sou teu irmão no dia-a-dia.

Doce Mistério (Tentação)
Jane Duboc
Composição: Tunai, Sérgio Natureza

Você me invadiu
Me tirou do sério
O que fazer do seu doce mistério
Que só me dá prazer?
E eu tentei resistir
Mas no fim das contas me perdi
Você me ganhou
Entreguei os pontos
Me saciei nos momentos mais tontos
Éramos eu e você
Tudo de nós
A mesma voz
O mesmo suor
O amor feito em luz e som
Quando eu me lembro
Tremo
Foi tão bom
Você me espanta
Me endoida e encanta
Tentação
Você me ganhou
Entreguei os pontos
Me saciei nos momentos mais tontos
Éramos eu e você
Tudo de nós
A mesma voz
O mesmo suor
O amor feito em luz e som
Quando eu me lembro
Tremo
Foi tão bom
Você me espanta
Me endoida e encanta
Tentação

Dona
Composição: Sá & Guarabyra

Dona desses traiçoeiros
Sonhos sempre verdadeiros
Oh! Dona desses animais
Dona dos seus ideais
Pelas ruas onde andas
Onde mandas todos nós
Somos sempre mensageiros
Esperando tua voz
Teus desejos, uma ordem
Nada é nunca, nunca é não
Porque tens essa certeza
Dentro do teu coração
Tan, tan, tan, batem na porta
Não precisa ver quem é
Pra sentir a impaciência
Do teu pulso de mulher
Um olhar me atira à cama
Um beijo me faz amar
Não levanto, não me escondo
Porque sei que és minha
Dona!!!
Dona desses traiçoeiros
Sonhos sempre verdadeiros
Oh! Dona desses animais
Dona dos seus ideais
Não há pedra em teu caminho
Não há ondas no teu mar
Não há vento ou tempestade
Que te impeçam de voar
Entre a cobra e o passarinho
Entre a pomba e o gavião
Ou teu ódio ou teu carinho
Nos carregam pela mão
É a moça da Cantiga
A mulher da Criação
Umas vezes nossa amiga
Outras nossa perdição
O poder que nos levanta
A força, que nos faz cair
Qual de nós ainda não sabe
Que isso tudo te faz
Dona! Dona!
Dona! Dona! Dona!

Festival dos Festivais

     1º lugar: Escrito nas Estrelas (Arnaldo Black e Carlos Rennó) - Intérprete: Tetê Espíndola;
     2º lugar: Mira Ira (Lula Barbosa - Vanderley de Castro) - Intérprete: Miriam Mirah;
     3º lugar: Verde (Eduardo Gudin e José Carlos Costa Netto) - Intérprete: Leila Pinheiro.


Escrito nas Estrelas
Tetê Espíndola
Composição: Carlos Rennó e Arnaldo Black

Você pra mim foi o sol
De uma noite sem fim
Que acendeu o que sou
E renasceu tudo em mim
Agora eu sei muito bem
Que eu nasci só pra ser
Sua parceira, seu bem
E só morrer de prazer
Caso do acaso
Bem marcado em cartas de tarôt
Meu amor, esse amor
De cartas claras sobre a mesa
É assim
Signo do destino
Que surpresa ele nos preparou
Meu amor, nosso amor
Estava escrito nas estrelas
Tava, sim
Você me deu atenção
E tomou conta de mim
Por isso minha intenção
É prosseguir sempre assim
Pois sem você, meu tesão
Não sei o que eu vou ser
Agora preste atenção
Quero casar com você

Mira Ira
Composição: Lula Barbosa e Vanderlei de Castro

Mira num olhar
Um riacho, cacho de nuvem
No azul do céu a rolar...
Mira Ira, raça tupi,
Matas, florestas, Brasil.
Mira vento, sopra continente,
Nossa América servil,
Mira vento, sopra continente,
Nossa América servil...
Mira num olhar,
Um riacho, cacho de nuvem
No azul do céu a rolar...
Mira ouro, azul ao mar,
Fonte, forte de esperança,
Mira sol, canção, tempestade, ilusão,
Mira sol, canção, tempestade,
Ilusão...
Mira num olhar
Verso frágil tecido em fuzil,
Mescla morena,
Canela, cachaça, bela raça, Brasil.
Anana ira,
Mira ira anana tupi
Anana ira, anana ira
Mira Ira

Verde
Leila Pinheiro
Composição: Eduardo Gudin/Costa Netto
Quem pergunta por mim
Já deve saber
Do riso no fim
De tanto sofrer
Que eu não desisti
Das minhas bandeiras
Caminho, trincheiras, da noite
Eu, que sempre apostei
Na minha paixão
Guardei um país no meu coração
Um foco de luz, seduz a razão
De repente a visão da esperança
Quis esse sonhador
Aprendiz de tanto suor
Ser feliz num gesto de amor
Meu país acendeu a cor

Verde, as matas no olhar, ver de perto
Ver de novo um lugar, ver adiante
Sede de navegar, verdejantes tempos
Mudança dos ventos no meu coração
Verdejantes tempos
Mudança dos ventos no meu coração
Sites   sugeridos:
        http://www.tvebrasil.com.br/paranaodizer/txt_mus_fic.htm
        br.noticias.yahoo.com/.../entretenimento-documentario-relembra-epoca-dos-grandes.html –
        josekuller.wordpress.com/35-canto-do-cisne-dos-grandes-festivais-o-iii-fic-faz-40-anos/ -
        pt.wikipedia.org/.../Festival_de_Música_Popular_Brasileira
        www.luizamerico.com.br/historia-mpb-30.php
        http://www.eradosfestivais.com.br/festivais.php?idMidia=17&idFestival=10
        http://letras.terra.com.br

				
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