UNIVERSIDADE CIDADE DE S�O PAULO

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							      UNIVERSIDADE CIDADE DE SÃO PAULO
       CURSO DE MESTRADO EM ORTODONTIA




ANÁLISE IN VITRO DA CORROSÃO DE BRAQUETES
    REVESTIDOS POR NITRETO DE TITÂNIO




          EDUARDO BEATON LENZA




                  Dissertação apresentada à Universidade
                  Cidade de São Paulo, como parte dos
                  requisitos para concorrer ao título de
                  Mestre em Ortodontia.




                  São Paulo
                    2006
      UNIVERSIDADE CIDADE DE SÃO PAULO
       CURSO DE MESTRADO EM ORTODONTIA




ANÁLISE IN VITRO DA CORROSÃO DE BRAQUETES
    REVESTIDOS POR NITRETO DE TITÂNIO




          EDUARDO BEATON LENZA




                  Dissertação apresentada à Universidade
                  Cidade de São Paulo, como parte dos
                  requisitos para concorrer ao título de
                  Mestre em Ortodontia.

                  Orientadora: Profa. Dra. Rívea Inês Ferreira




                  São Paulo
                    2006
Ficha Elaborada pela Biblioteca Prof. Lúcio de Souza . UNICID

L575a    Lenza, Eduardo Beaton.
           Análise in vitro da corrosão de braquetes revestidos
         por nitreto de titânio. / Eduardo Beaton Lenza. --- São
         Paulo, 2006.
           74 p.; anexos.

            Bibliografia
            Dissertação (Mestrado) – Universidade Cidade de
                                      a
         São Paulo - Orientadora: Prof . Dra. Rívea Inês
         Ferreira.

            1. Ortodontia. 2. Braquetes ortodônticos. I. Ferreira,
         Rívea Inês.II. Título.
                                                    BLACK. D41



AUTORIZO A REPRODUÇÃO E DIVULGAÇÃO TOTAL OU PARCIAL DESTE
TRABALHO, POR QUALQUER MEIO CONVENCIONAL OU ELETRÔNICO, PARA
FINS DE ESTUDO E PESQUISA, DESDE QUE CITADA A FONTE E COMUNICADA
AO AUTOR A REFERÊNCIA DA CITAÇÃO.



São Paulo, ____ / ____/ _____




Assinatura: _____________________________
e-mail: eduardo@lenza.com.br
                                       FOLHA DE APROVAÇÃO



Lenza, E.B. Análise in vitro da corrosão de braquetes revestidos por nitreto de titânio
[Dissertação de Mestrado]. São Paulo: Universidade Cidade de São Paulo; 2006.




                                             São Paulo, 21/02/2006.




                                            Banca Examinadora




1) Prof (a). Dr (a):
     Julgamento: .........................................         Assinatura: .......................................


2) Prof (a). Dr (a): .....................................................................................................
     Julgamento: .........................................         Assinatura: .......................................


3) Prof (a). Dr (a): .....................................................................................................
     Julgamento: .........................................         Assinatura: .......................................




    Resultado: .........................................................................................................
                                                               Dedicatória




            Ao meu pai Marcos Augusto Lenza, que neste trabalho me ajudou
     não como Ortodontista ou Professor e sim no seu mais importante papel,
                                                                  como pai.


    A minha mãe Maureen Ann Lenza, que apesar da distância, em momento
                                                                     algum
          me deixou abaixar a cabeça e sempre me mostrou que eu era capaz.


    Ao meu filho Marcos Morais Beaton Lenza, a razão da minha vida, que faz
                                                                       com
         que eu sempre busque aprender mais, para lhe dar o melhor de mim.
                                                          Eu te amo filho...


      A minha irmã Adriana Beaton Lenza, exemplo de paciência e dedicação,
                  e ao meu irmão André Beaton Lenza, pela força e amizade.


                                                             Aos meus avós
              Donald Francis Beaton (in memoriam) e Margareth Lou Beaton
                              Dimas de Paiva Lenza e Ivonete Marcos Lenza
                                                                 Obrigado.


        A todas pessoas que amo e que conquistaram esta etapa junto comigo.

                                                  Agradecimentos Especiais




            A Mariana Zuza Roriz de Morais, por nosso eterno laço, carinho e
amizade...e a toda sua familia Marcos, Fátima, Talitha e Aline, pessoas
maravilhosas que considero minha família também.

            A Profa. Dra. Rívea Inês Ferreira, minha orientadora, que
dedicou seu tempo, conhecimento e sua amizade para realização deste
trabalho.

            Ao Prof. Dr. Flávio Vellini Ferreira, coordenador do Curso de
Mestrado em Ortodontia da UNICID, pela oportunidade que me foi dada de
aprender com pessoas tão dedicadas.

            Ao Prof. Dr. Flávio Augusto Cotrim Ferreira pela amizade e
considerações durante esses anos de convívio.

            Ao Prof. Dr. Gersinei Carlos de Freitas, diretor do Curso de
Odontologia da Universidade Federal de Goiás, pelas suas contribuições
em relação a este trabalho.
                                                            Agradecimentos




            A todos professores que de uma forma ou de outra contribuíram
para o meu crescimento como pessoa e profissional: Prof. Dr. Helio Scavone
Jr., Prof. Dr. Paulo Eduardo Guedes de Carvalho, Profa. Dra. Daniela
Gamba Garib, Profa. Dra. Ana Carla Raphaelli Nahás, Profa. Dra. Karyna
Martins Valle-Corotti.

            A Dra. Marília Teixeira Costa e Dra. Rosineide Amorim Santos
Brito, por suas contribuições e orientações para este trabalho.

            Ao Dr. Maurício Guilherme Lenza e Cláudio Diniz Cardoso, pela
ajuda na formatação final.

            Aos colegas do curso de Mestrado: Alessandra Mota, Carla Ito,
Francisco Grieco, Guilherme Paiva, Luis Fisher, Maíra Ferreira, Marcelo
Calvo, Maria Isabel Barriga, Marisa Junqueira, Stella Angélica de Souza
Gouveia e Viviane Sato.

            Ao colega Marcelo Sahad pela amizade, hospitalidade, conselhos e
apoio.

            As funcionárias Arlinda e Suzi por nos auxiliar e facilitar nosso
trabalho.
Lenza, E.B. Análise in vitro da corrosão de braquetes revestidos por nitreto de titânio
[Dissertação de Mestrado]. São Paulo: Universidade Cidade de São Paulo; 2006.


                                        RESUMO


As ligas metálicas utilizadas na confecção dos aparelhos ortodônticos, expostas ao

meio bucal, estão sujeitas a alterações químicas, mecânicas e físicas, que poderiam

resultar em um processo de corrosão. Os íons metálicos liberados deste processo

podem    induzir   efeitos   adversos   no   organismo,     ocasionando   reações   de

hipersensibilidade e citotoxicidade. Com o intuito de diminuir, ou mesmo eliminar, o

processo de corrosão, surgiram no mercado, braquetes revestidos por uma fina

película de nitreto de titânio. O objetivo do presente estudo foi comparar in vitro, o

processo de corrosão de três tipos de braquetes: aço inoxidável, aço manganês e

aço manganês revestido por nitreto de titânio da marca comercial Morelli®, imersos

em saliva artificial por períodos de 42, 63 e 84 dias. Após estes períodos, os extratos

de saliva foram removidos e submetidos à espectrofotometria por absorção atômica

(EAA), para determinar e quantificar os íons metálicos liberados. Alterações

superficiais dos braquetes foram avaliadas por microscopia eletrônica de varredura

(MEV). Os resultados deste estudo demonstraram que, indiferentemente da

composição dos braquetes, todos sofreram corrosão após 84 dias de imersão em

saliva artificial. Entretanto, os braquetes de aço inoxidável apresentaram mais

alterações superficiais indicativas de áreas de corrosão do que os demais braquetes.

A maior concentração de íon níquel foi detectada nos extratos dos braquetes de aço

inoxidável(3,60g/mL) após os 84 dias de imersão em saliva artificial. Desse modo,

concluiu-se que, braquetes de aço manganês com ou sem revestimento de nitreto de

titânio se mostraram menos susceptíveis à corrosão do que os braquetes de aço

inoxidável.

Palavras-chave: corrosão - braquetes - nitreto de titânio
Lenza, E.B. In vitro analysis of corrosion from titanium nitrate coated brackets
[Dissertação de Mestrado]. São Paulo: Universidade Cidade de São Paulo; 2006.



                                    ABSTRACT

The metallic alloys used in the manufacture of orthodontic appliances when exposed

to the oral environment are subjected to chemical, mechanical and physical

alterations, which could lead to a corrosion process. The metallic ions released from

this process may induce adverse effects in the organism leading to hypersensitivity

and cytotoxicity reactions. With the purpose of decreasing or even eliminate the

corrosion process, brackets coated with a thin layer of titanium nitride are being

commercialized. The aim of this study was to compare the in vitro corrosion process

of three types of brackets: stainless steel, manganese steel and manganese steel

coated with titanium nitride from the commercial brand Morelli®, immersed in artificial

saliva for 42, 63 and 84 days. After these time periods, the saliva extracts were

removed and submitted to atomic absorption spectrophotometry to determine and

quantify the metallic ions released. Surface alterations on the brackets were

evaluated by scanning electron microscopy (SEM). The results of this study

demonstrate that, in spite of the bracket alloy composition, all had undergone

corrosion after 84-day period of immersion in artificial saliva. However, the stainless

steel brackets presented more surface alterations indicative of corrosion sites than

the other brackets. The greatest nickel ion concentration was detected in the

stainless steel(3,60g/mL) bracket extracts after 84-day period of immersion in

artificial saliva. Manganese steel brackets with or without titanium nitride coating

showed to be less prone to corrosion than stainless steel brackets.




Keywords: corrosion - brackets - titanium nitride
                                             LISTA DE FIGURAS



Figura 2.1 - Esquema demonstrando que a corrosão corresponde ao inverso
             dos processos metalúrgicos. Adaptado de “conceito de corrosão”
             www.abraco.org.br/corrosão..............................................................                    9

Figura 4.1 - Tubos vacutainers contendo braquetes de aço inoxidável, aço
             manganês e revestidos por nitreto de titânio, imersos em saliva
             artificial. .............................................................................................   28

Figura 5.1 - Aleta do braquete de aço inoxidável após um período de imersão
             de 42 dias em saliva artificial sob MEV (aumento de 500x). .............                                    32

Figura 5.2 - Aleta do braquete de aço inoxidável após um período de imersão
             de 63 dias em saliva artificial sob MEV (aumento de 500x). .............                                    33

Figura 5.3 - Aleta do braquete de aço inoxidável após um período de imersão
             de 84 dias em saliva artificial sob MEV (aumento de 500x). .............                                    33

Figura 5.4 - Aleta do braquete de aço manganês após um período de imersão
             de 42 dias em saliva artificial sob MEV (aumento de 500x). .............                                    34

Figura 5.5 - Aleta do braquete de aço manganês após um período de imersão
             de 63 dias em saliva artificial sob MEV (aumento de 500x). .............                                    34

Figura 5.6 - Aleta do braquete de aço manganês após um período de imersão
             de 84 dias em saliva artificial sob MEV (aumento de 500x). .............                                    35

Figura 5.7 - Aleta do braquete revestido por nitreto de titânio após um período
             de imersão de 42 dias em saliva artificial sob MEV (aumento de
             500x)..................................................................................................     35

Figura 5.8 - Aleta do braquete revestido por nitreto de titânio após um período
             de imersão de 63 dias em saliva artificial sob MEV (aumento de
             500x)..................................................................................................     36

Figura 5.9 - Aleta do braquete revestido por nitreto de titânio após um período
             de imersão de 84 dias em saliva artificial sob MEV (aumento de
             500x)..................................................................................................     36
                                  LISTA DE GRÁFICOS



Gráfico 5.1 - Liberação de íons níquel dos braquetes de aço inoxidável após
              42, 63 e 84 dias de imersão em saliva artificial...............................   38

Gráfico 5.2 - Liberação de íons níquel dos braquetes de aço maganês após
              42, 63 e 84 dias de imersão em saliva artificial...............................   39

Gráfico 5.3 - Liberação de íons níquel dos braquetes revestidos por nitreto de
              titânio após 42, 63 e 84 dias de imersão em saliva artificial. ..........         40

Gráfico 5.4 - Liberação de íons manganês dos braquetes de aço inoxidável
              após 42, 63 e 84 dias de imersão em saliva artificial. .....................      41

Gráfico 5.5 - Liberação de íons manganês dos braquetes de aço manganês
              após 42, 63 e 84 dias de imersão em saliva artificial. .....................      42

Gráfico 5.6 - Liberação de íons manganês dos braquetes revestidos por nitreto
              de titânio após 42, 63 e 84 dias de imersão em saliva artificial. .....           43
                                                      SUMÁRIO



1 INTRODUÇÃO ................................................................................................            1

2 REVISÃO DE LITERATURA ..........................................................................                       4
     2.1 Composição química e estrutura cristalográfica dos acessórios
         ortodônticos de aço inoxidável. ..........................................................                      5
     2.2 A corrosão dos metais .........................................................................                 8
     2.3 Biocompatibilidade dos metais em Ortodontia ..................................                                  11
     2.4 Estudos com ligas metálicas alternativas ..........................................                             19
            2.4.1 Aço manganês .............................................................................             19
            2.4.2 Nitreto de titânio ...........................................................................         20

3 PROPOSIÇÃO ................................................................................................            23

4 MATERIAL E MÉTODOS ...............................................................................                     25
     4.1 Preparo das amostras ..........................................................................                 26
     4.2 Exame das superfícies dos braquetes sob microscopia eletrônica
         de varredura ..........................................................................................         29
     4.3 Análise dos produtos de corrosão dos conjuntos de braquetes
         por espectrofotometria de absorção atômica ....................................                                 29
     4.4 Análises estatísticas .............................................................................             30

5 RESULTADOS ...............................................................................................             31
     5.1 Análise por Microscopia Eletrônica de Varredura .............................                                   32
     5.2 Análise por Espectrofotometria de Absorção Atômica .....................                                        37

6 DISCUSSÃO ...................................................................................................          46

7 CONCLUSÕES ...............................................................................................             55

REFERÊNCIAS ....................................................................................................         57

ANEXO ................................................................................................................   61
1 INTRODUÇÃO
                                                                                  2



1         INTRODUÇÃO



          Os aparelhos ortodônticos utilizados para correção das más oclusões são

basicamente constituídos por bandas, braquetes e fios. Estes elementos, em sua

grande maioria, são confeccionados por ligas de aço inoxidável, cuja composição é

de 18% de cromo e 8% de níquel (PROFFIT, 2000). Entretanto, a quantidade de

níquel na composição total de uma liga pode variar chegando a 55%, como nas ligas

de níquel-titânio, o que contribui para melhorar as propriedades de dureza,

expansão e resistência à corrosão.

          Na produção do aço inoxidável, quanto mais cromo, níquel e molibdênio e

menos sulfatos e carbono forem incorporados à liga, melhor a resistência à corrosão

no produto final. Porém, a biosegurança dessas ligas tem sido questionada e

arduamente estudada. As características microbiológicas e enzimáticas da cavidade

bucal constituem um ambiente favorável à corrosão e oxidação dos metais, com a

liberação de íons metálicos das ligas ortodônticas para formarem compostos mais

estáveis como cloretos, óxidos e sulfetos. Este é um processo natural dos metais

que tendem a reverter para sua forma mais estável (LENZA et al., 1997). Os íons

liberados, principalmente o níquel e o cromo, podem induzir a reação de

hipersensibilidade na mucosa bucal. Níquel é considerado o metal responsável por

mais casos de hipersensibilidade que todos os outros metais juntos. Peltonen, em

1979, relatou que as mulheres são 10 vezes mais sensíveis ao níquel do que os

homens. Kusy, em 2004, citou que 11% de todas as mulheres são alérgicas ao

níquel.

          Atualmente, os braquetes de aço inoxidável ainda são a principal opção na
                                                                      Introdução    3



prática clínica da Ortodontia. Preocupados com as reações de hipersensibilidade a

metais, particularmente ao níquel, os fabricantes de material ortodôntico estão em

busca de alternativas mais seguras para os pacientes. Como resultado, já se

encontram disponíveis, braquetes manufaturados com porcelana, com resinas

compostas, com ligas de baixo teor de níquel ou revestidos por uma fina película

protetora de nitreto de titânio.

       As principais vantagens dos braquetes revestidos por nitreto de titânio seriam

sua dureza e resistência à corrosão (KAO et al., 2002). Por outro lado, a coloração

dourada, para alguns pacientes, surge como a grande inconveniência destes

braquetes. Tendo em vista a escassez de trabalhos que avaliam as propriedades

físicas desses acessórios ortodônticos, esta pesquisa teve como finalidade analisar

os produtos de corrosão de braquetes revestidos por nitreto de titânio quando

comparados aos braquetes manufaturados com aço inoxidável tradicional e aço

manganês, com baixo teor de níquel.
2 REVISÃO DE LITERATURA
                                                                                         5


2         REVISÃO DE LITERATURA



          Os materiais ortodônticos usados atualmente, como fios, braquetes e bandas

contêm níquel em concentrações variadas: 8% nos fios de aço inoxidável

tradicionais até 55% presentes na nova geração de fios de níquel-titânio. O níquel

produz mais casos de dermatite alérgica de contato do que todos os outros metais

juntos.     A   possibilidade   de   uma   liga   metálica   induzir   um    processo   de

hipersensibilidade está relacionada ao seu padrão e poder de corrosão. Por outro

lado, este poder de corrosão está relacionado à sua composição, rugosidade

superficial e condições térmicas, químicas e microbiológicas do meio ambiente. Na

boca, fatores como temperatura, quantidade e qualidade da saliva, placa, pH,

proteínas, propriedades químicas e físicas dos alimentos e líquidos, além das

condições de saúde geral e oral do indivíduo, podem influenciar o poder de corrosão

da liga metálica do braquete. O manuseio clínico prolongado de fios nas canaletas

dos braquetes ortodônticos também tende a contribuir para a diminuição da

resistência à corrosão destes metais. (BERGMAN,1986)




2.1       Composição química e estrutura             cristalográfica   dos    acessórios
          ortodônticos de aço inoxidável.


          Os aços inoxidáveis são ligas maleáveis cujo principal componente é o ferro

que está ligado a outros elementos químicos, tais como carbono, cromo, níquel,

molibdênio, manganês e silício entre outros, com o objetivo de atingir propriedades

especiais. As propriedades do aço inoxidável dependem fortemente da sua estrutura

cristalográfica, que por sua vez é determinada pela sua composição química e pelo

seu processamento (GENTIL, 1994; CHIAVERINI, 1996). A melhoria de suas
                                                              Revisão de literatura   6



propriedades mecânicas e o aumento da resistência do aço inoxidável à corrosão

resultou da incorporação de uma quantidade relativamente alta de cromo numa

formulação típica de 18% cromo e 8% níquel. Por esse motivo, os aços inoxidáveis

para uso ortodôntico são comumente designados de aço 18-8. O níquel, entretanto,

tem o inconveniente de não se unir fortemente para formar um composto

intermetálico o que, in vivo, pode desencadear uma maior liberação destes íons da

superfície metálica, podendo comprometer a biocompatibilidade destas ligas

(ELIADES; ATHANASIOU, 2002).

       O aço inoxidável, porém, é passível de perder sua capacidade não-corrosiva

proporcional ao aumento na quantidade de carbono em sua composição. O carbono

pode diminuir ligeiramente a corrosão do aço inoxidável quando dissolvido, mas

pode ocasionar sua completa desintegração quando precipitado em forma de

carbonetos (GENTIL,1994).

       Os aços inoxidáveis podem ser classificados em relação à composição ou à

estrutura cristalográfica específica que apresentam à temperatura ambiente Esta

classificação é feita de acordo com o sistema do Instituto Americano de Ferro e Aço.

(AISI - American Iron and Steel Institute). (GENTIL, 1994).

Conforme a estrutura cristalográfica, os aços inoxidáveis são classificados em:

   Austeníticos (série 200 e 300 da AISI)

   Ferríticos (série 400 da AISI)

   Ferríticos-austeníticos

   Martensíticos (série 400 da AISI)
                                                             Revisão de literatura   7



      Os aços inoxidáveis diferem não somente quanto à composição química, mas

também pelo tratamento a que são submetidos durante a fabricação, o que

determina as diferenças em sua estrutura cristalográfica. Os austeníticos são aços

cromo-níquel e contêm tipicamente 18% de cromo, 8% de níquel e baixo teor de

carbono. Atualmente, respondem por cerca de 70% do total de aços inoxidáveis

produzidos em todo o mundo, principalmente em função de características como:

excelente resistência à corrosão, alta resistência mecânica, boa soldabilidade, boa

conformabilidade, facilidade de limpeza e durabilidade. São os mais usados para

fabricação dos acessórios ortodônticos. Os aços inoxidáveis austeníticos geralmente

possuem uma maior resistência à corrosão quando comparados a outros aços de

diferentes estruturas cristalográficas. (GENTIL, 1994).

      Em alguns tipos de aço, o manganês é utilizado como substituto ao níquel,

atuando intersticialmente e solubilizando o nitrogênio. No entanto, quando utilizado

em alta concentração, é capaz de aumentar a suscetibilidade de corrosão da liga

(ELIADES; ATHANASIOU, 2002). Esses tipos de aço estão sendo cada vez mais

utilizados devido ao crescente registro de casos em que o níquel aparece como

elemento indutor de reações de hipersensibilidade (OSSA, 2003).

      Os aços inoxidáveis ferríticos são ligas de ferro e cromo, contendo geralmente

de 12 a 17% de cromo. Sua estrutura será ferrítica, qualquer que seja a velocidade

de resfriamento. São aços intemperáveis e sua dureza só pode ser aumentada por

meio do trabalho mecânico a frio. Apresentam boa resistência à corrosão em meios

menos agressivos, boa ductilidade e razoável soldabilidade. Os aços inoxidáveis

austenítico-ferríticos são constituídos de um balanço de microestruturas austenítica-

ferríticas e denominados aços inoxidáveis duplex devido à presença desta dupla
                                                              Revisão de literatura   8



estrutura. Os aços inoxidáveis martensíticos também são ligas ferro-cromo,

contendo de 11 a 18% de cromo. São aços temperáveis, podendo conter diferentes

teores de carbono. Quanto menor o teor de carbono, mais deformável será o aço.

Uma característica deste aço é o poder de atingir altas durezas (1379 MPa) pelo

tratamento térmico, entretanto, não são utilizados comumente.




2.2   A corrosão dos metais


      A corrosão de um metal decorre de sua instabilidade, o que causa a liberação

de íons metálicos para o meio até que haja um equilíbrio ou algo impeça essa

liberação iônica (KIM; JOHNSON, 1999). Os processos de corrosão são

considerados reações eletroquímicas que ocorrem geralmente na interface metal-

meio corrosivo. A corrosão acontece quando materiais constituídos de metal puro ou

de ligas metálicas passam por uma alteração química até chegarem a um estado

ionizado (BEECH; GAYLARDE, 1999). Os processos de corrosão são reações de

oxidação onde o metal age como redutor, cedendo elétrons para o meio corrosivo. É

um modo de destruição do metal, progredindo através da superfície (GENTIL,1994;

ELIADES e ATHANASIOU, 2002).

      A corrosão é um processo natural resultado da tendência dos metais se

reverterem para a sua forma mais estável (ABRACO, 2005). Durante o processo de

extração e/ou refino, o minério recebe quantidades de energia para que seja

extraído o metal nele contido. É esta mesma energia que permite o aparecimento de

forças capazes de reverter o metal à sua forma primitiva de minério (Figura 2.1).
                                                                    Revisão de literatura    9




                    Figura 2.1 - Esquema demonstrando que a corrosão corres-
                    ponde ao inverso dos processos metalúrgicos. Adaptado de
                    “conceito de corrosão” www.abraco.org.br/corrosão



         As formas de corrosão podem ser caracterizadas considerando-se a

aparência ou modo de ataque e suas diferentes causas ou mecanismos. Quanto à

morfologia, a corrosão pode ser uniforme, por placas, alveolar, puntiforme (ou por

pite),   intergranular   (ou   intercristalina),   intragranular   (ou    transgranular     ou

transcristalina), filiforme e por esfoliação. Quanto às causas ou mecanismos

envolvidos no processo, a corrosão pode ser eletrolítica, galvânica, por tensão, por

fadiga, induzida por microorganismos, atrito ou associada à erosão.

         De acordo com Matasa (1995) e Eliades e Athanasiou (2002), as formas de

corrosão mais comumente observadas nos aparelhos ortodônticos são:


1) CORROSÃO UNIFORME

    É o tipo mais comum de corrosão. Ocorre em todos os metais e se processa em

    toda a extensão da superfície, com perda uniforme de espessura e podendo não

    ser detectada até que grandes quantidades do metal sejam perdidas. O processo

    se inicia a partir da interação dos metais com o meio ambiente e a subseqüente

    formação de hidróxidos ou compostos organo-metálicos.
                                                            Revisão de literatura   10



2) CORROSÃO PUNTIFORME OU POR PITE

  Corrosão por pontos ou em pequenas áreas localizadas na superfície metálica,

  produzindo pites, ou seja, cavidades com a profundidade igual à largura.


3) CORROSÃO POR PLACAS

  Corrosão localizada em regiões da superfície metálica e não em toda a extensão,

  formando placas como escavações. É comum em metais que formam película,

  inicialmente protetora, mas que, ao se tornarem espessas, fraturam e perdem

  aderência, expondo o metal a novo ataque.


4) CORROSÃO POR FISSURAS (“Crevice”)

  Corrosão na superfície metálica que produz sulcos ou fissuras, apresentando

  fundo arredondado e profundidade maior que o diâmetro. Esse tipo de corrosão

  se dá em locais expostos, geralmente na superfície de contato entre uma parte

  não metálica e o metal. Surge da diferença entre os íons metálicos ou a

  concentração de oxigênio entre a fissura e suas estruturas vizinhas.


5) BIOCORROSÃO

  Os processos de biocorrosão nas superfícies dos metais estão associados a

  microorganismos ou aos produtos de suas reações metabólicas, como enzimas,

  ácidos orgânicos e inorgânicos, amônia e sulfato de hidrogênio, dessa forma,

  alterando as reações eletroquímicas na interface biofilme e metal (ELIADES;

  ATHANASIOU, 2002; HAMULA; HAMULA; SERNETZ, 1996).
                                                             Revisão de literatura   11



6) CORROSÃO GALVÂNICA

      Quando diferentes metais ou uma mesma liga é submetida a diversos

      tratamentos, ocorre um processo combinado de oxidação e redução. O metal

      menos nobre é oxidado e se torna ânodo, à medida que alguns átomos liberam

      elétrons cujos íons se dissolvem, tornando-se solúveis. O metal mais nobre se

      torna catódico e mais resistente à corrosão em relação ao metal menos nobre. A

      formação de uma corrosão galvânica é simples quando metais diferentes estão

      envolvidos, porém esse tipo de corrosão pode ainda ocorrer, como mencionado

      anteriormente, em apenas um tipo de metal. Os átomos da superfície se

      dissolvem mais rapidamente do que os mais internos. Impurezas em superfícies

      ásperas ou irregulares podem também alterar a corrosão do metal (BEECH;

      GAYLARDE, 1999).




2.3      Biocompatibilidade dos metais em Ortodontia


         O grau de corrosão depende do tipo da liga utilizada, da quantidade de liga

exposta, da técnica de fabricação e dos procedimentos de polimento e manipulação,

enquanto que a resistência a este processo se deve às propriedades do elemento

químico cromo, um metal básico altamente reativo. Essa resistência à corrosão

depende de uma camada passivadora que se forma espontaneamente, sendo o

oxigênio necessário para formá-la e mantê-la. A acidez e os íons cloro são danosos

para a manutenção dessa camada. O aço inoxidável é caracterizado por um

comportamento passivo-ativo, dependendo das condições ambientais em que a

camada protetora de óxido de cromo (Cr2O3) pode ser eliminada (forma ativa) ou
                                                             Revisão de literatura   12



regenerada (forma passiva) (BEECH; GAYLARDE, 1999; ELIADES; ATHANASIOU,

2002).

         Embora os produtos da corrosão do aço inoxidável sejam insignificantes

quando comparados à ingestão diária dos íons metálicos na alimentação, é provável

que sejam capazes de contribuir para reações alérgicas e citotóxicas, devido a uma

variação individual em relação à tolerância e ingestão diária, em torno de 350 µg/dia


(JIA et al., 1999; KOCADERELI et al., 2000; AGAOGLU, 2001; KAO et al., 2001;

HWANG; SHIN; CHA, 2001).

         O íon níquel produz mais casos de hipersensibilidade do que todos os outros

metais juntos. O processo pelo qual o níquel pode induzir uma reação de

hipersensibilidade é dividido em duas fases distintas, mas correlacionadas: a fase de

sensibilização, que é o período compreendido entre o contato inicial com o alérgeno

até o reconhecimento e resposta pelo organismo e a fase de indução, que é o

período compreendido entre a nova exposição ao alérgeno até o surgimento da

manifestação clínica (MENNE; CHRISTOPHERSEN; GREEN, 1989; MOFFA, 1994).

Todo o processo de sensibilização requer de 3 a 21 dias para ocorrer, enquanto que

o desenvolvimento completo da fase de indução requer somente de 24 a 48 horas

(MOFFA; BECK; HOKE, 1977).

         O níquel, por ser de baixo peso molecular, é incapaz de estimular uma

resposta imune sem antes se ligar a uma proteína. Portanto, para que o níquel

possa induzir uma resposta imunológica, este íon metálico deve ser liberado dos

metais, principalmente pela corrosão, e se unir às proteínas. O processo de corrosão

a que os dispositivos ortodônticos são submetidos na cavidade oral é de extrema

importância para a compreensão da biocompatibilidade destes metais. Titânio ou
                                                            Revisão de literatura   13



nitreto de titânio são revestimentos que foram adicionados às ligas metálicas como

elemento passivo de modo a aumentar a resistência à corrosão. Entretanto, caso

esse revestimento tenha qualquer irregularidade em sua superfície, haverá a

formação de uma corrente galvânica que reduzirá a resistência à corrosão.

      Vários estudos foram realizados com o objetivo de verificar a quantidade de

íons liberados das ligas metálicas comumente utilizadas em Ortodontia. Park e

Shearer, em 1983, estudando a quantidade de níquel e cromo liberados de

aparelhos ortodônticos simulados, utilizaram como meio de imersão 100mL de

solução de cloreto de sódio a 0,05% em diferentes tempos (3, 6, 9 e 12 dias), a

37oC. Esses aparelhos simulados, representando um quadrante do arco inferior,

consistiam de bandas para os primeiros e segundos molares e pré-molares,

braquetes para o canino e os incisivos. O fio de aço inoxidável foi fixado aos

braquetes e bandas por unidades elastoméricas. A quantidade de níquel e cromo

liberados na solução de cloreto de sódio foi analisada por espectrofotometria de

absorção atômica.

      Os autores observaram sinais iniciais de corrosão na maioria das amostras, a

partir do terceiro dia de imersão. O exame macroscópico dos aparelhos revelou que

a corrosão ocorreu nos locais de solda das bandas e, uma vez iniciada, teve

progressão severa. Não encontraram evidências macroscópicas de corrosão nos

braquetes. A maior parte do níquel liberado permaneceu na solução, caracterizando-

se como um componente na forma solúvel, enquanto que grande quantidade do

cromo estava presente no precipitado formado durante a corrosão, caracterizando-

se como forma insolúvel. A média total de liberação acumulada após os 12 dias de

imersão foi de 125µg de níquel e 112µg de cromo. A média diária de liberação
                                                               Revisão de literatura   14



calculada para um aparelho completo (quatro quadrantes) foi de 40µg de níquel e

36µg de cromo. Os autores concluíram que esses teores estão abaixo da quantidade

diária ingerida, considerada não tóxica e que não seria de significância clínica para a

maioria dos pacientes; entretanto, alertaram para a possibilidade de que pequenas

quantidades podem causar uma reação de hipersensibilidade local na mucosa bucal.

      Maijer e Smith, em 1986, avaliaram as características da corrosão em

diferentes marcas comerciais de braquetes imersos em saliva artificial. Estes

examinaram a superfície dos braquetes, através de microscopia, por seis períodos

diferentes (1,3,7,42,84 e 144 dias). A saliva utilizada era trocada a cada semana Os

pesquisadores verificaram que a maioria dos braquetes desenvolveu alguma forma

de corrosão após 56 dias de imersão em saliva artificial, com manchas marrons na

base, geralmente iniciando a partir das bordas.

      Grimsdóttir, Hensten-Pettersen e Kullmann, em 1992, avaliaram diferentes

tipos de ligas utilizadas em Ortodontia quanto à liberação de níquel e cromo. As

amostras consistiam de cinco diferentes marcas comerciais de arcos extrabucais,

cinco bandas de molar, cinco braquetes e cinco fios ortodônticos que foram imersos

em solução de cloreto de sódio a 0,9%, por 7 e 14 dias, a 23 oC. A maioria dos

componentes era confeccionada em aço inoxidável, porém algumas marcas de

bandas chegavam a conter de 71 a 74% de níquel. As amostras foram examinadas

ao microscópio eletrônico de varredura e, posteriormente, foi realizada a análise dos

elementos por meio de difração de raios X. Os resultados da análise da composição

dos aparelhos ortodônticos demonstraram que a maior quantidade de níquel e de

cromo foi liberada dos arcos extrabucais e a menor quantidade destes íons foi

liberada pelos fios. Os autores concluíram que a liberação do níquel parece estar
                                                              Revisão de literatura   15



relacionada tanto à composição quanto ao método de fabricação dos componentes

ortodônticos, mas a liberação não foi proporcional ao conteúdo de níquel e cromo na

liga.

        Barrett, Bishara e Quinn, em 1993, verificaram a quantidade de níquel e

cromo liberados devido à corrosão das ligas de aço inoxidável comumente utilizadas

na fabricação de braquetes e bandas ortodônticas, além de avaliarem a liberação

destes íons em fios de aço e níquel-titânio. Dez amostras idênticas de bandas,

braquetes e fios ortodônticos, metade utilizando fio de aço e metade com níquel-

titânio, simulando um aparelho completo superior, foram usadas nesse estudo. Os

aparelhos foram imersos em saliva artificial a uma temperatura de 37ºC e avaliados

após 1, 7, 14, 21 e 28 dias. Os resultados demonstraram que o pico da liberação de

níquel ocorreu em aproximadamente 1 semana, após o qual houve uma diminuição

com o tempo. A maior liberação de cromo ocorreu nas duas primeiras semanas e

permaneceu constante após este período. As liberações de níquel e cromo não

foram significativamente diferentes em relação aos dois tipos de fios – aço inoxidável

e níquel-titânio. Entretanto, a liberação de níquel foi 37 vezes maior que a de cromo.

A liberação de cromo foi de 0,7µg/dia. A liberação de níquel foi em média de

13,05µg/dia. Caso utilizado este parâmetro para as duas arcadas, a liberação

totalizaria 26,1µg/dia, o que corresponderia a menos de 10% do que é ingerido

diariamente (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2001).

        Kerosuo, Moe e Hensten-Pettersen, em 1997, avaliaram a quantidade de

níquel e cromo na saliva de pacientes com diferentes tipos de aparelhos

ortodônticos fixos. Quarenta e sete indivíduos participaram desse estudo, sendo 19

do gênero masculino e 28 do gênero feminino. As amostras de saliva foram
                                                            Revisão de literatura   16



coletadas antes, 1 a 2 dias após, aproximadamente 1 semana após e 1 mês após a

instalação dos aparelhos. Foram coletados, em média, 10ml de saliva em cada

período. A saliva foi armazenada a -20ºC e posteriormente processada. Após serem

centrifugadas, as amostras foram analisadas por espectrofotometria de absorção

atômica. Uma grande variação tanto na concentração de níquel como de cromo foi

observada na saliva antes da instalação dos aparelhos. A variação da concentração

de níquel foi de zero a 440ng/mL, e a de cromo foi de zero a 240ng/mL. A média das

concentrações de níquel e de cromo antes da instalação do aparelho foi de 55ng/mL

e 61ng/mL, respectivamente. Nenhuma diferença significante foi encontrada entre os

indivíduos com e sem aparelhos nas amostras de 1, 2, 7 e 30 dias, após a instalação

do aparelho. Os autores sugeriram que as concentrações de níquel e cromo na

saliva não são significantemente afetadas pela utilização de aparelho ortodôntico

fixo durante o primeiro mês de tratamento.

      Kocadereli et al., em 2000, analisaram a quantidade de níquel e cromo

presentes na saliva de pacientes que estavam iniciando o tratamento ortodôntico.

Quarenta e cinco indivíduos participaram desse estudo, sendo divididos em três

grupos. Um grupo com aparelho fixo nos arcos superior e inferior, um segundo grupo

com aparelho fixo apenas nos arcos superior e um grupo controle, sem aparelho

fixo. As amostras de saliva foram coletadas antes da instalação do aparelho, 1

semana, 1 mês e 2 meses após o início do tratamento. A saliva coletada em cada

um dos quatro períodos foi de aproximadamente 10mL, e a análise destas amostras

foi realizada por meio da espectrofotometria de absorção atômica. Não houve

diferença significativa entre os pacientes com aparelho e o grupo controle, em que

pese a grande variação nas concentrações de níquel e cromo, entre os grupos e

entre os diferentes períodos de tempo. A concentração de níquel variou de 0,07 a
                                                              Revisão de literatura   17



3,32µg/mL e do cromo, de 0,29 a 8,0µg/mL, independente do grupo ou período de

observação. Da mesma forma que o estudo anterior, os autores concluíram não

haver uma diferença significante em relação à concentração de níquel e cromo

liberado após dois meses de tratamento.

      Hwang, Shin e Cha, em 2001, estudaram a liberação de metais de 320

aparelhos ortodônticos simulados; após imersão em saliva artificial, em diferentes

períodos de tempo (1, 3 e 7 dias; 2, 3, 4, 8 e 12 semanas). Esses aparelhos

representavam metade de um hemi-arco superior. As amostras foram divididas em 4

grupos, conforme os diferentes fabricantes dos aparelhos, e ainda subdivididos de

acordo com o fio ortodôntico utilizado – aço inoxidável ou níquel-titânio. Após os

períodos de imersão, as quantidades de cromo, níquel, cobre e ferro liberadas na

saliva artificial foram quantificadas, utilizando-se a análise de espectrometria de

plasma atômico indutiva. Os aparelhos ortodônticos com fios de aço inoxidável

liberaram mais metais que os aparelhos com fios de níquel-titânio. O cromo e o ferro

detectados eram componentes apenas dos aparelhos que continham fios de aço

inoxidável, isto devido à corrosão galvânica ocorrida entre os tubos e os braquetes

com o fio de aço inoxidável. Ao avaliar a quantidade de níquel liberada, observaram

que esta não aumentou com o tempo de imersão e ressaltaram que foi insignificante

quando comparada ao consumo diário do níquel na dieta (WORLD HEALTH

ORGANIZATION, 2001).

      Shin, Oh e Hwang em 2003 analisaram in vitro a corrosão superficial nos fios

de aço inoxidável e níquel-titânio, utilizando-se de aparelhos fixos simulados imersos

em saliva artificial, por períodos de até 3 meses. As superfícies dos fios foram

avaliadas macroscopicamente, com microscópio eletrônico de varredura e com o uso
                                                             Revisão de literatura   18



de espectrofotometria, para avaliar o produto da corrosão. Foi observada uma

corrosão uniforme nos fios de aço inoxidável e uma leve alteração de cor foi

visualizada nos fios de níquel-titânio, abaixo dos amarrilhos metálicos. Os produtos

da corrosão dos fios de aço inoxidável se tornaram mais visíveis à medida que o

tempo de imersão aumentou e as camadas de óxidos presentes na superfície se

destacavam facilmente da matriz. Corrosão por fissuras foi observada sob os

depósitos de óxidos e na interface do braquete e da banda, o que pode enfraquecer

o fio ou a solda, levando à fratura. Entretanto, nos fios de níquel-titânio nenhuma

corrosão foi detectada macroscopicamente, apenas sob microscopia eletrônica de

varredura, após 12 semanas de imersão. Os autores concluíram que os fios de

níquel-titânio foram significantemente mais estáveis e resistentes à corrosão do que

os de aço inoxidável.

      Huang et al., em 2004, compararam os íons metálicos liberados pelo

processo de corrosão de braquetes novos e reciclados, após imersão em 5ml de

saliva artificial com pH 4,0 e 7,0, em tubos de polipropileno incubados a 37oC por 48

semanas. Após este período, 0,5mL da solução foi retirada e analisada por

espectrofotometria de absorção atômica (EAA), para avaliar os níveis de níquel,

cromo, cobre, cobalto, ferro e manganês liberados. Os braquetes metálicos imersos

em pH 4,0 liberaram uma quantidade maior do que as amostras em solução de pH

7,0. A liberação destes íons foi maior com o aumento do período de imersão, sendo

que o íon níquel foi o mais liberado. Essa pesquisa demonstrou que braquetes

metálicos utilizados no tratamento ortodôntico sofrem corrosão em ambiente ácido

ou neutro.
                                                                 Revisão de literatura   19



2.4   Estudos com ligas metálicas alternativas


2.4.1 Aço manganês

      É constante a procura de ligas metálicas alternativas que possam substituir o

aço inoxidável nos dispositivos ortodônticos atualmente utilizados na clínica diária.

Uma destas ligas alternativas é o aço manganês, conhecida como liga nickel-free,

com baixo teor de níquel em sua composição (no máximo 0,1%), preconizada para

ser utilizada em pacientes sensíveis ao níquel, de modo a garantir a menor

exposição possível a este metal.

      Ao avaliar o comportamento de diversos tipos de ligas ortodônticas sob

condições severas de corrosão, Kypreos et al. (1996) observaram que a estabilidade

química da liga de aço inoxidável é muito variável, depende diretamente da sua

composição química, do tratamento durante a sua fabricação e da manipulação pelo

ortodontista. Esses autores verificaram também que a liga alternativa de aço

manganês     liberava     uma     quantidade    ínfima     de   íons    níquel,    porém,

proporcionalmente, liberavam uma quantidade de íons manganês muito mais

elevada, quando comparada às ligas de aço inoxidável tradicionais.

      Tomakidi    et    al.   (2000)   verificaram   que   os   aparelhos    ortodônticos

confeccionados com liga de aço manganês eram mais resistentes à corrosão dos

que as ligas de aço inoxidável níquel-cromo. Em todos os extratos analisados, o

ferro foi o metal mais abundante, seguido pelo cromo e depois níquel. O cromo

seguiu um padrão geral de liberação decrescente durante todo período de imersão,

sendo maior nos extratos das ligas de aço inoxidável níquel-cromo. O níquel foi o íon

menos abundante e seu padrão de liberação variou entre os aparelhos. Para
                                                            Revisão de literatura   20



aqueles com baixo teor de níquel, a liberação no primeiro dia foi de 0,02µg/cm2 e


caiu a zero no sétimo dia. Para as ligas de aço inoxidável níquel-cromo, o padrão de

liberação do níquel foi crescente sendo que o pico de liberação foi no sétimo dia,

oscilando de 14 a 18µg/cm2/d.



2.4.2 Nitreto de titânio

       A biocompatibilidade da liga metálica também está relacionada com as

características da camada passivadora formada na superfície do aço inoxidável, o

que lhe confere uma boa resistência à corrosão (HUANG, 2004). Esta característica

protetora é obtida a partir da adição de alguns elementos à liga de ferro, tais como

cromo, níquel, cobre, silício, molibdênio e alumínio (Chiaverini, 1996). Mais

recentemente, em Ortodontia, surgiram dispositivos metálicos cujas ligas são

protegidas por uma camada passivadora formada por nitreto de titânio(TiN).

       Poucos trabalhos sobre o nitreto de titânio e seu uso na Odontologia foram

publicados até a presente data. Devido a vários fatores relacionados à sensibilidade

ao níquel e um número cada dia maior de pacientes susceptíveis a este metal, o seu

uso, principalmente na Ortodontia e Implantodontia tem se tornado freqüente.

       O TiN é um revestimento fortemente aderido, de baixo coeficiente de atrito e

de superfície lisa. Atualmente, tem sido utilizado no revestimento de braquetes

através da técnica da deposição por vapor físico - PVD (Physical Vapor Deposition).

Esta técnica requer a criação de material vaporizado, obtido por meio de

evaporação, sputtering (desintregação do cátodo) ou ablação (remoção a força), e

sua subseqüente condensação sobre o braquete para a formação de um filme.
                                                               Revisão de literatura   21



      Tamura et al., em 2002, analisaram as propriedades e biocompatibilidade do

nitreto de titânio em implantes dentários. Foram comparados implantes de titânio

puros com implantes revestidos por uma camada de TiN. A camada de TiN tinha

espessura em torno de 2µm e foi aderida ao implante através de método gasoso. Os


implantes foram inseridos no fêmur de ratos de 14 semanas. Esses ratos foram

sacrificados 1, 4 e 8 semanas após a inserção dos implantes e o tecido da região foi

coletado para análise. Mostrou-se que na região dos implantes revestidos por TiN,

houve nova formação óssea e os resultados sugeriram que a biocompatibilidade e a

resistência à corrosão são equivalentes aos de titânio puro.

      Scarano et al., em 2003a, também avaliaram a biocompatibilidade de

implantes dentários revestidos por TiN em ratos. Foi utilizado um total de 45 ratos e

180 implantes, que foram divididos em três grupos constituídos de 60 implantes

cada, sendo que 30 de titânio puro e 30 revestidos por TiN, diferenciando-se apenas

no processo de fabricação (industrializados, jateados e com spray de plasma).

Quatro implantes foram colocados em cada rato, sendo dois implantes revestidos

por TiN na tíbia direita e dois de titânio puro na esquerda. Os ratos foram

sacrificados 5, 10, 20, 30 ou 60 dias após a colocação dos implantes. Outros 18

implantes foram utilizados para análise de superfície. A cicatrização em volta dos

dois tipos de implantes foi similar, demonstrando a biocompatibilidade do TiN.

      Scarano et al., em 2003b, realizaram um outro estudo no qual o objetivo foi

verificar a adesão de bactérias em implantes colocados em seres humanos. Os

implantes utilizados foram de titânio puro (controle) e revestidos por TiN (controle).

Seis pacientes, com idades entre 21 e 25 anos, em boas condições de saúde,

participaram no experimento. Em cada um dos seis participantes, foi instalado um
                                                            Revisão de literatura   22



dispositivo de acrílico na região de molares e pré-molares, em todos quadrantes. Um

implante foi aderido em cada dispositivo, sendo que os testes foram colocados do

lado direito e os controles do lado esquerdo. Após 24h, os implantes foram

removidos e analisados por microscopia eletrônica de varredura (MEV). Foram

utilizados 24 implantes, 12 testes e 12 controles. Os implantes revestidos por TiN

apresentaram índices reduzidos de adesão bacteriana.
3 PROPOSIÇÃO
                                                                                  24



3     PROPOSIÇÃO



Os objetivos deste estudo foram:

3.1   Avaliar a corrosão in vitro dos braquetes revestidos por nitreto de titânio em

      relação aos braquetes de aço inoxidável e aço manganês;

3.2   Examinar as características das superfícies dos braquetes estudados e

      quantificar os íons metálicos liberados no processo de corrosão.
4 MATERIAL E MÉTODOS
                                                                                     26



4      MATERIAL E MÉTODOS



       Este estudo in vitro foi aprovado pela Comissão de Ética em Pesquisa da

Universidade Cidade de São Paulo, sob protocolo n° 13180102.




4.1    Preparo das amostras


       Os braquetes ortodônticos testados neste estudo foram divididos em três

grupos, de acordo com seus componentes químicos: Grupo I, formado por nove

conjuntos de braquetes de aço inoxidável (Roth Light® Morelli-Brasil), prescrição de

Roth, com canaleta ou slot de 0,022 polegada; Grupo II formado por nove conjuntos

de braquetes de aço manganês com baixo teor de níquel (Nickel-free Monobloc®

Morelli-Brasil) e Grupo III, formado por nove conjuntos de braquetes revestidos por

nitreto de titânio, slot 0,022 polegada (Golden® Morelli-Brasil). Os braquetes dos três

grupos eram do mesmo lote de fabricação.

       A liga de aço inoxidável continha em sua composição (% por peso): 18,55%

de cromo, 8,63% de níquel e 0,89% de manganês; a liga de aço manganês continha

17,59% de cromo, 0,1% de níquel e 9,15% de manganês (Ni-free), sendo

classificada como aço manganês, enquanto que a liga metálica utilizada no Grupo III

apresentava mesma composição que a liga do Grupo II, aço manganês, porém

revestida por uma camada de aproximadamente 2µm de espessura de nitreto de


titânio (Golden®).

       Os 27 conjuntos de braquetes foram distribuídos eqüitativamente em nove

grupos conforme sua composição e intervalo de tempo da análise de corrosão. Os
                                                              Material e métodos   27



grupos NT-42, NT-63 e NT-84 eram compostos por braquetes de aço manganês

revestido por uma camada de nitreto de titânio (Golden®), cujos produtos de


corrosão foram analisados após 42, 63 e 84 dias, respectivamente. Os grupos NF-

42, NF-63 e NF-84, compostos por braquetes Ni-free, e AI-42, AI-63 e AI-84,

compostos por braquetes de aço inoxidável, foram analisados obedecendo-se os

mesmos intervalos de tempo do grupo anterior.

      Cada conjunto continha 20 unidades de braquete, correspondentes aos

dentes: incisivos centrais superiores e inferiores, incisivos laterais superiores e

inferiores, caninos superiores e inferiores, primeiros e segundos pré-molares

superiores e inferiores, direitos e esquerdos. A base de cada braquete foi revestida

por resina (Transbond XT® 3M Unitek-EUA). Esse procedimento foi realizado para

simular a proteção da base do braquete quando colado ao dente na cavidade bucal.

Cada conjunto foi pesado em balança analítica (Kern ®, Modelo 410), acondicionado

em tubo plástico de 15 mL (Costar®, Cambridge, MA, EUA) e autoclavado a 120oC

por 30 minutos. O conjunto, ou seja, 20 braquetes de aço inoxidável pesou 1,7614g;

o conjunto de braquetes Ni-free pesou 1,3455g e o Golden®, 1,4736g.

Subseqüentemente, os conjuntos de braquetes foram transferidos para tubos de

vidro tipo vacutainers (B.D. Vacutainer®, Becton Dickinson Ind. Cirúrgicas Ltda, Juiz

de Fora – MG, Brasil) estéreis, contendo saliva artificial como veículo de extração,

cuja composição química é: 0,40mg/L de NaCl, 0,40mg/L de KCl, 0,80mg/L de

CaCl2.H2O e 1,0 mg/L de CO(NH2)2(uréia) diluídos em 1.000mL de água destilada, a

pH 6,76. Esta saliva artificial é uma modificação da solução de Meyer, cujo conteúdo

de cloreto e atividade corrosiva foram demonstrados como similares à saliva natural

(HWANG; SHIN; CHA, 2001).
                                                                     Material e métodos   28



      A quantidade de saliva utilizada nos experimentos estava de acordo com o

Padrão de Organização Internacional (ISO 10993-5), sendo que na impossibilidade

de determinação da área dos braquetes, foi utilizada a razão de 0,2g dos braquetes

para cada 1mL de saliva (ISO 2001). Dessa forma, conforme o peso de cada

conjunto de braquetes – aço inoxidável, aço manganês e revestidos por nitreto de

titânio, determinou-se a quantidade de saliva artificial estéril a ser adicionada em

cada tubo.




               Figura 4.1 - Tubos vacutainers contendo braquetes de aço
               inoxidável, aço manganês e revestidos por nitreto de titânio,
               imersos em saliva artificial.




      Os produtos dos tubos vacutainers, contendo os conjuntos de braquetes

imersos em saliva artificial, foram analisados após três períodos de tempo: 42, 63 e

84 dias, correspondentes à segunda, terceira e quarta ativações dos aparelhos

ortodônticos fixos na cavidade bucal, em torno de 3 em 3 semanas.

       Após o preparo das amostras, os tubos vacutainers foram incubados em

estufa a 37oC, em atmosfera úmida contendo 5% de CO2, e deixados inertes. Após

cada período de imersão, os conjuntos de braquetes foram retirados da saliva
                                                               Material e métodos   29



artificial, lavados em água destilada e deionizada, secos e armazenados em tubos

vacutainers estéreis hermeticamente fechados. Os extratos, correspondentes à

saliva contendo os produtos da corrosão dos conjuntos de braquetes, foram

estocados em alíquotas de 2mL em tubos Falcon de 15mL (Costar®, Cambridge,

MA, EUA), a 4oC até o momento das análises.




4.2   Exame das superfícies dos braquetes sob microscopia eletrônica de
      varredura


      Após cada período de imersão, um braquete de incisivo central superior

direito de cada grupo, selecionado aleatoriamente foi avaliado em relação a

possíveis alterações de suas superfícies, quanto à presença de imperfeições e áreas

de corrosão, em microscópio eletrônica de varredura (JEOL ®, modelo JSM 840-A)

pertencente ao Laboratório de Microscopia Eletrônica da Universidade Estadual

Paulista, UNESP-Jaboticabal. As comparações foram realizadas por meio de análise

visual da presença de irregularidades nas superfícies dos metais de acordo com

Gentil, em 1994.




4.3   Análise dos produtos de corrosão dos conjuntos de braquetes por
      espectrofotometria de absorção atômica


      Com o objetivo de determinar e quantificar os íons metálicos liberados,

especialmente o níquel, devido à corrosão e à oxidação dos conjuntos de braquetes,

foi realizada a espectrofotometria de absorção atômica (EAA). Foram analisados os

seguintes metais: cromo (Cr), manganês (Mn) e níquel (Ni). Esta análise foi realizada

utilizando-se um espectrofotômetro de absorção atômica – duplo feixe, Modelo CG
                                                                Material e métodos   30



AA 7000 BC do Instituto de Química da Universidade Federal de Goiás, Goiânia-GO.

      Para cada metal, foi realizada a calibração do aparelho, visando obter a

otimização da análise. Foram determinados os valores mínimos de traços dos íons

metálicos. Os limites de sensibilidade da técnica EAA para detecção dos elementos

químicos individuais estão dispostos na Tabela 4.1. Logo em seguida, foram feitas

as determinações da absorbância de cada amostra, obtendo-se assim a

concentração do íon metálico no extrato de cada período de imersão.


                  Tabela 4.1 - Limites da sensibilidade da técnica EAA
                  detecção para dos elementos químicos.
                                              Limite de Detecção
                        Elemento
                                                    (µg/mL)
                        Cromo                        0,10
                        Manganês                     0,02
                        Níquel                       0,04




4.4   Análises estatísticas


      Os dados coletados foram submetidos à análise estatística pelo programa

GraphPad Prism 4.0, a fim de verificar e comparar o comportamento das diferentes

ligas metálicas que entram na composição dos braquetes frente ao processo de

corrosão. Os resultados foram expressos como médias + DP (desvio padrão). Para

comparações múltiplas, foram utilizadas a análise ANOVA/Bonferroni e o Teste de

Tukey. Foram consideradas diferenças significantes quando p<0,05.
5 RESULTADOS
                                                                                    32



5     RESULTADOS



5.1   Análise por Microscopia Eletrônica de Varredura


      Para uma avaliação qualitativa das superfícies dos braquetes quanto à

presença de imperfeições ou possíveis áreas de corrosão após a imersão, foi

escolhido aleatoriamente um braquete de incisivo central superior direito de cada

grupo para cada período de imersão e realizada a análise de suas superfícies.

Essas imagens são descritas conforme a visualização externa de cada braquete,

destacando a presença de imperfeições e irregularidades.

      Os braquetes de aço inoxidável mostram áreas de aspecto irregular, com

superfícies porosas após os três períodos de imersão. Podem ser visualizados, após

42 dias, algumas linhas que sugerem corrosão do tipo fissura.




              Figura 5.1 - Aleta do braquete de aço inoxidável após um período de
              imersão de 42 dias em saliva artificial sob MEV (aumento de 500x).
                                                                               Resultados   33



       Após 63 dias nota-se diversas áreas de “pites” em uma superfície bastante

irregular.




               Figura 5.2 - Aleta do braquete de aço inoxidável após um período de
               imersão de 63 dias em saliva artificial sob MEV (aumento de 500x).



       Após 84 dias, nota-se uma superfície também bastante irregular, com duas

grandes áreas de “pites”.




               Figura 5.3 - Aleta do braquete de aço inoxidável após um período de
               imersão de 84 dias em saliva artificial sob MEV (aumento de 500x).
                                                                         Resultados   34



      Nos braquetes de aço manganês após 42 e 63 dias, visualiza-se uma

superfície irregular ao lado de superfícies um pouco mais lisas, o que demonstra

uma corrosão por placas.




              Figura 5.4 - Aleta do braquete de aço manganês após um período
              de imersão de 42 dias em saliva artificial sob MEV (aumento de
              500x).




              Figura 5.5 - Aleta do braquete de aço manganês após um período
              de imersão de 63 dias em saliva artificial sob MEV (aumento de
              500x).
                                                                                Resultados   35



      Após 84 dias de imersão, o braquete de aço manganês apresenta duas

formas de corrosão; por pite e placas.




               Figura 5.6 - Aleta do braquete de aço manganês após um período
               de imersão de 84 dias em saliva artificial sob MEV (aumento de
               500x).




      Após 42 dias de imersão, o braquete Golden apresentam uma superfície mais

regular com pequenos pontos de deposição de resíduos.




               Figura 5.7 - Aleta do braquete revestido por nitreto de titânio após
               um período de imersão de 42 dias em saliva artificial sob MEV
               (aumento de 500x).
                                                                                Resultados   36



      A superfície do braquete Golden após 63 dias também mostrou-se mais

regular, mas com vários pontos de deposição de resíduos e o inicio de formação de

uma fissura.




               Figura 5.8 - Aleta do braquete revestido por nitreto de titânio após
               um período de imersão de 63 dias em saliva artificial sob MEV
               (aumento de 500x).




      Após 84 dias de imersão, observa-se uma superfície bastante irregular devido

a um acúmulo de resíduos na superfície do braquete.




               Figura 5.9 - Aleta do braquete revestido por nitreto de titânio após
               um período de imersão de 84 dias em saliva artificial sob MEV
               (aumento de 500x).
                                                                      Resultados   37



5.2    Análise por Espectrofotometria de Absorção Atômica



      Com o objetivo de analisar a quantidade de íons metálicos níquel, manganês

e cromo liberados de cada grupo de braquete após os três períodos de imersão, foi

realizada a espectrofotometria de absorção atômica (Tabela 5.1). Os limites de

sensibilidade da técnica obtida para os íons níquel, manganês e cromo foram de

0,04 µg/mL, 0,02 µg/mL e 0,10 µg/mL, respectivamente. As concentrações destes

íons metálicos na saliva artificial usada como controle foram inferiores ao limite de

sensibilidade da técnica.
                                                                            Resultados   38




      A concentração de íons níquel liberada nos extratos dos braquetes de aço

inoxidável imersos em saliva artificial após 42 dias foi de 1,34+0,15 µg/mL. Esta

concentração de níquel aumentou significativamente (p<0,001) após 63 dias de

imersão, com a liberação de 3,34+0,51 µg/mL. Apesar de ter havido um aumento na

média da liberação do níquel dos 63 para os 84 dias de imersão (3,60+0,10 µg/mL),

não foi estatisticamente significante (Figura 5.1). A concentração máxima de níquel

na liga de aço inoxidável, segundo o fabricante, é de 20%, o que corresponderia a

0,35mg. A liberação máxima de níquel nos braquetes de aço inoxidável ocorreu

após 84 dias de imersão, entretanto, esta concentração corresponde a apenas

0,01% da liga analisada.




                  Gráfico 5.1 - Liberação de íons níquel dos braquetes de
                  aço inoxidável após 42, 63 e 84 dias de imersão em
                  saliva artificial.
                                                                          Resultados   39



      A concentração de íons níquel liberada nos extratos dos braquetes de aço

manganês (Ni-free) imersos em saliva artificial após 42 dias foi de 0,10+0,00 µg/mL.

Esta concentração permaneceu inalterada após os 63 dias de imersão em saliva

artificial. Embora tenha havido um pequeno aumento na média da liberação do

níquel aos 84 dias de imersão (0,11+0,02 µg/mL), não foi estatisticamente

significante (Figura 5.2). A concentração máxima de níquel permitida na liga de aço

manganês, segundo o fabricante, é de 10%, o que corresponderia a 0,14mg. A

liberação máxima de níquel nos braquetes de aço manganês (Ni-free) ocorreu após

84 dias de imersão em saliva artificial, o que corresponde a apenas 0,0005% da liga

analisada.


                              Liberação Ni braquete Nifree
                       0.15



                       0.10
               g/mL




                       0.05



                       0.00
                                42d          63d            84d

                                      Períodos de imersão
                Gráfico 5.2 - Liberação de íons níquel dos braquetes de
                aço maganês após 42, 63 e 84 dias de imersão em saliva
                artificial.
                                                                            Resultados   40



      A concentração de íons níquel liberada nos extratos dos braquetes revestidos

com nitreto de titânio (Golden®) imersos em saliva artificial após 42 dias foi de

0,04+0,00 µg/mL. Embora tenha havido um pequeno aumento na liberação de níquel

após 63 dias (0,05+0,02 µg/mL), esta diferença não foi estatisticamente significante.

Aos 84 dias de imersão, houve um pequeno aumento na média da liberação

(0,08+0,00 µg/mL), mas que também não foi estatisticamente significante. Quando

comparados às concentrações de níquel liberado dos 42 aos 84 dias, esta diferença

foi estatisticamente significante (p<0,05) (Figura 5.3). O revestimento de nitreto de

titânio é aplicado sobre os braquetes confeccionados com aço manganês, cuja

concentração máxima de níquel permitida, segundo o fabricante, é de 0,10%, o que

corresponderia a 0,2mg do total da liga. A liberação máxima de níquel nos braquetes

com revestimento de nitreto de titânio ocorreu após 84 dias de imersão em saliva

artificial, o que corresponderia a apenas 0,0004% da liga analisada.



                               Liberação Ni braquete Golden
                        0.09
                        0.08
                        0.07
                        0.06
                g/mL




                        0.05
                        0.04
                        0.03
                        0.02
                        0.01
                        0.00
                                 42d          63d             84d
                                       Períodos de imersão
               Gráfico 5.3 - Liberação de íons níquel dos braquetes
               revestidos por nitreto de titânio após 42, 63 e 84 dias de
               imersão em saliva artificial.
                                                                          Resultados   41



      A concentração de íons manganês liberada nos extratos dos braquetes de

aço inoxidável imersos em saliva artificial após 42 dias foi de 0,17+0,01 µg/mL.

Embora tenha havido um aumento gradativo na média da liberação do manganês

aos 63 (0,25+0,07 µg/mL) e aos 84 dias (0,32+0,19 µg/mL), esta diferença não foi

estatisticamente significante (Figura 5.4). A concentração máxima de manganês na

liga de aço inoxidável, segundo o fabricante, é de 2%, o que corresponderia a

aproximadamente 4mg de manganês/mL. A liberação máxima de manganês nos

braquetes de aço inoxidável ocorreu após 84 dias de imersão, entretanto, esta

concentração corresponde a apenas 0,008% da liga analisada.



                             Liberação Mn braquete SS
                       0.6

                       0.5

                       0.4
               g/mL




                       0.3

                       0.2

                       0.1

                       0.0
                              42d           63d            84d
                                    Períodos de imersâo
              Gráfico 5.4 - Liberação de íons manganês dos braquetes de
              aço inoxidável após 42, 63 e 84 dias de imersão em saliva
              artificial.
                                                                           Resultados   42



      A concentração de íons manganês liberada nos extratos dos braquetes de

aço manganês (Ni-free) imersos em saliva artificial após 42 dias foi de 0,19+0,08

µg/mL. Esta concentração aumentou consideravelmente após os 63 dias de imersão

em saliva artificial (0,51+0,06 µg/mL), sendo estatisticamente significante (p<0,05).

Após este período, houve uma redução na liberação dos íons manganês,

alcançando os 84 dias com 0,32+0,17 µg/mL (Figura 5.5). A concentração máxima

de manganês permitida na liga de aço manganês, segundo o fabricante, é de 12%, o

que corresponderia a 24mg. A liberação máxima de manganês nos braquetes de

aço manganês (Ni-free) ocorreu após 63 dias de imersão em saliva artificial, o que

corresponde a apenas 0,002% da liga analisada.



                              Liberação Mn braquete NiFree
                        0.6

                        0.5

                        0.4
                g/mL




                        0.3

                        0.2

                        0.1

                        0.0
                                42d          63d            84d
                                      Períodos de imersão
               Gráfico 5.5 - Liberação de íons manganês dos braquetes de
               aço manganês após 42, 63 e 84 dias de imersão em saliva
               artificial.
                                                                            Resultados   43



      A concentração média de íons manganês liberada nos extratos dos braquetes

revestidos com nitreto de titânio (Golden®) imersos em saliva artificial após 42 dias

foi de 0,11+0,00 µg/mL. Este valor permaneceu constante aos 63 dias de imersão,

mas apresentou um pequeno aumento aos 84 dias (0,12+0,02µg/mL), que também

não foi estatisticamente significante. (Figura 5.6). A concentração máxima de

manganês permitida, segundo o fabricante, é de 12%, o que corresponderia a 24mg

do total da liga. A liberação máxima de manganês nos braquetes com revestimento

de nitreto de titânio ocorreu após 84 dias de imersão em saliva artificial, o que

corresponderia a apenas 0,0005% da liga analisada.



                               Liberação Mn braquete Golden
                        0.15



                        0.10
                g/mL




                        0.05



                        0.00
                                  42d          63d            84d
                                        Períodos de imersão
               Gráfico 5.6 - Liberação de íons manganês dos braquetes
               revestidos por nitreto de titânio após 42, 63 e 84 dias de
               imersão em saliva artificial.
                                                                       Resultados   44



      Quanto à média da liberação dos íons cromo nos braquetes de aço

inoxidável, aço manganês (Ni-free) e com revestimento de nitreto de titânio

(Golden®), as concentrações obtidas em todos os grupos e períodos analisados

foram inferiores ao limite de sensibilidade da técnica (0,10 µg/mL).
                                                                                                                                                 Resultados    45




Tabela 5.1 Concentrações dos íons níquel e manganês nos extratos dos bráquetes imersos em saliva artificial

                                                                                Período de incubação
            Amostras
                                                         42dias                               63 dias                                  84 dias

Aço inoxidável (SS)                      Ni (µg/mL)               Mn (µg/mL)    Ni (µg/mL)              Mn (µg/mL)    Ni (µg/mL)                 Mn (µg/mL)
Extrato 1                                   1,30                     0,16          3,00                    0,21          3,70                       0,20
Extrato 2                                   1,52                     0,17          3,10                    0,22          3,60                       0,22
Extrato 3                                   1,21                     0,18          3,94                    0,34          3,50                       0,55
                                                   ***
Média + DPM                          1,34 + 0,15                  0,17 + 0,01   3,34 + 0,51             0,25 + 0,07   3,60 + 0,10                0,32 + 0,19


Aço Manganês (Ni-Free)                   Ni (µg/mL)               Mn (µg/mL)    Ni (µg/mL)              Mn (µg/mL)    Ni (µg/mL)                 Mn (µg/mL)
Extrato 1                                   0,10                     0,27          0,10                    0,48          0,10                       0,50
Extrato 2                                   0,10                     0,21          0,10                    0,47          0,15                       0,32
Extrato 3                                   0,10                     0,10          0,10                    0,59          0,10                       0,15
                                                                                                                  *
Média + DPM                              0,10 + 0,00              0,19 + 0,08   0,10 + 0,00             0,51 + 0,06   0,11 + 0,02                0,32 + 0,17


Aço Manganês (Golden)                    Ni (µg/mL)               Mn (µg/mL)    Ni (µg/mL)              Mn (µg/mL)    Ni (µg/mL)                 Mn (µg/mL)
Extrato 1                                   0,04                     0,11          0,04                    0,10          0,08                       0,11
Extrato 2                                   0,04                     0,11          0,08                    0,11          0,08                       0,12
Extrato 3                                   0,05                     0,12          0,05                    0,13          0,09                       0,15
                                                                                                                                   *
Média + DPM                              0,04 + 0,00              0,11 + 0,00   0,05 + 0,02             0,11 + 0,01   0,08 + 0,00                0,12 + 0,02
* p < 0,05; ** p < 0,01; *** p < 0,001
6 DISCUSSÃO
                                                                                   47


6     DISCUSSÃO



      Em Ortodontia, a movimentação dentária é proporcionada principalmente por

dispositivos e acessórios confeccionados a partir de ligas metálicas de diferentes

composições. Nos últimos anos, esses dispositivos têm sido estudados, pois os

metais, de uma maneira geral, sofrem o processo da corrosão, ocasionando a

liberação de íons metálicos em concentrações que podem levar a efeitos tóxicos e

alergênicos (World Health Organization, 2000).

      No presente estudo verificou-se a liberação dos íons metálicos níquel e

manganês em três diferentes tipos de braquetes imersos em saliva artificial após três

períodos de tempo. Em relação ao íon metálico cromo, em todos os tipos de

braquetes avaliados, nos diferentes períodos de tempo, não houve liberação acima

do limite de detecção do aparelho de espectrofotometria de absorção atômica (EAA),

ou seja, abaixo de 0,1 µg/mL.


      Os resultados deste estudo mostraram que a maior liberação de níquel

ocorreu aos 84 dias nos braquetes de aço inoxidável e a maior liberação de

manganês ocorreu aos 63 dias nos braquetes Ni-free. Em geral, a média de

liberação dos íons metálicos aumentou nos três grupos no decorrer dos períodos de

imersão; a liberação de níquel nos braquetes de aço inoxidável e Golden® e a

liberação do manganês nos braquetes de aço inoxidável. A liberação se manteve

estável em dois períodos; liberação de níquel nos braquetes Ni-free dos 42 para 63

dias e a liberação de manganês nos braquetes Golden® também dos 42 para 63

dias. Em apenas um grupo houve uma redução; liberação de manganês nos
                                                                      Discussão   48


braquetes Ni-free de 63 para 84 dias.

      De acordo com Maijer e Smith, em 1986, independente da marca comercial

dos braquetes e do período em que estes ficaram imersos em saliva, houve um

início de corrosão, como foi verificado neste estudo por EAA e microscopia

eletrônica de varredura.

      Em 1993, Barrett, Bishara e Quinn avaliaram a liberação de níquel e cromo

em amostras idênticas de bandas, braquetes e fios. O pico de liberação foi

aproximadamente uma semana após a imersão. A liberação de níquel após esse

período diminuiu e a de cromo se manteve constante. Neste estudo, o resultado da

espectrofotometria de absorção atômica (EAA) demonstrou que houve uma

liberação tanto do níquel quanto do manganês, mas não foi possível verificar uma

liberação do metal cromo. O pico de liberação do níquel ocorreu nos braquetes de

aço inoxidável após 84 dias, quando a média de liberação chegou a 3,60 µg/mL. O

manganês teve uma maior liberação nos braquetes Ni-free também após 63 dias

quando teve liberação média de 0,51 µg/mL.

      Kerosuo, Moe e Hensten-Pettersen, em 1997, analisaram as concentrações

de níquel e cromo na saliva antes e após a instalação do aparelho ortodôntico.

Concluíram que essas concentrações não são significantemente afetadas no

primeiro mês de uso do aparelho fixo. Neste estudo, foi verificado que há uma

liberação de íons níquel e manganês após 42 dias e que esta liberação tende a

aumentar até chegar aos 84 dias, ponto em que este estudo se findou. Em apenas

um grupo e um período isto não ocorreu. Os braquetes Ni-free mostraram uma

pequena redução após 63 dias, que não foi estatisticamente significante.
                                                                          Discussão   49


       Em 2000, Kocadereli também analisou a quantidade de níquel e cromo na

saliva de pacientes que estavam iniciando o tratamento ortodôntico. Como no estudo

anterior,   o   autor   concluiu   que   não   houve   alteração   significante   dessas

concentrações nos meses iniciais de tratamento.

       Em 2001, Hwang, Shin e Cha avaliaram a quantidade de níquel, cromo e ferro

liberados de aparelhos ortodônticos utilizando fios de níquel-titânio e aço inoxidável.

O cromo e o ferro liberados foram detectados apenas nos aparelhos com fios de aço

inoxidável. Em relação ao níquel, não foi observado aumento de liberação de acordo

com o tempo de imersão. No atual estudo, o aumento da liberação do níquel pôde

ser verificado e esse aumento foi estatisticamente significante nos braquetes de aço

inoxidável e nos braquetes Golden®. Quanto à liberação do cromo, não foi

perceptível nos três grupos de braquetes.

       Shin, Oh e Hwang, em 2003, analisaram a corrosão superficial de fios de aço

inoxidável e níquel-titânio, imersos em saliva artificial por um período de até três

meses. Em relação aos fios de aço, macroscopicamente, foi possível visualizar uma

corrosão uniforme em sua superfície, enquanto que nos de níquel-titânio houve uma

leve alteração de cor. Com o aumento do tempo de imersão, produtos de corrosão

dos fios de aço inoxidável aumentaram, mas nos fios de níquel-titânio só foi possível

detectar resíduos pela microscopia eletrônica de varredura. Esses autores

concluíram que os fios de níquel-titânio são mais estáveis e resistentes à corrosão

quando comparados aos fios de aço inoxidável. Neste estudo, por microscopia

eletrônica de varredura, obtiveram-se resultados similares, demonstrando que os

braquetes de aço inoxidável apresentavam superfícies mais irregulares e passíveis
                                                                      Discussão   50


de corrosão quando comparados com os braquetes Ni-free e Golden®.


      Huang et al., em 2004, compararam íons metálicos liberados de braquetes

novos e usados, imersos em 5mL de saliva artificial com pH de 4,0 e 7,0, por 48

semanas. Os íons analisados por EAA foram: níquel, cromo, cobre, cobalto, ferro e

manganês. Uma quantidade maior de íons, particularmente de níquel, foi liberada no

grupo que estava imerso em pH 4,0. Neste trabalho, utilizando-se saliva artificial a

pH 6,7 por 84 dias, houve uma maior liberação de íons níquel, seguido pelo

manganês e por último o cromo, nos braquetes de aço inoxidável.

      Ao analisar cada grupo de braquete separadamente, pode ser verificada uma

maior liberação de metais nos braquetes de aço inoxidável. Este grupo liberou mais

níquel em todos os períodos, comparado com os outros dois tipos de braquetes. Seu

pico de liberação ocorreu após 84 dias, quase que 100 vezes mais do que o

braquete Golden® que apresentou a menor quantidade de liberação (0,04 µg/mL

aos 42 dias). O níquel teve uma liberação estatisticamente significante nos

braquetes de aço inoxidável no decorrer dos três períodos, principalmente quando

comparados o primeiro com o segundo. Os braquetes Golden® e Ni-free

apresentaram valores bem inferiores quando comparados com o grupo acima.

      O manganês teve a maior liberação nos braquetes Ni-free aos 63 dias. Este

resultado era de uma certa forma esperado, pois este braquete, assim como o

Golden®, são os que possuem a maior porcentagem de manganês em sua

composição (12%), mas o Golden® possui uma camada de revestimento. O

braquete revestido por nitreto de titânio mais uma vez teve a menor liberação nos

três períodos avaliados.
                                                                    Discussão   51


      Comparando os valores encontrados, pode-se dizer que o braquete de aço

inoxidável teve uma liberação significativa em relação aos demais. Mesmo sendo um

estudo in vitro, estes resultados descrevem uma liberação metálica em ambiente

semelhante ao encontrado na cavidade bucal e, portanto, pode ocorrer uma

liberação semelhante desses metais no paciente.

      Por meio da microscopia eletrônica de varredura, fica evidente que o

processo de corrosão aconteceu nos três grupos de braquetes analisados. O que se

observou pela MEV reforça os resultados encontrados na espectrofotometria. Os

braquetes de aço inoxidável apresentaram superfícies mais irregulares e com sinais

de corrosão, enquanto que os braquetes Ni-free e Golden® apresentaram

superfícies mais lisas e uniformes. Desta forma, no meio ambiente oral, onde os

braquetes estão em condições favoráveis de temperatura, umidade e pH, essas

superfícies irão sofrer o processo de corrosão.

      Sabe-se que os braquetes Golden® e Ni-free são confeccionados com aço

manganês (Mn) e que este é mais biocompatível quando comparado com aço

inoxidável. Se o braquete Golden® é feito de material biocompatível, então por que

foi acrescentada uma camada protetora de TiN? Pelos resultados da EAA podemos

dizer que realmente houve uma menor liberação de íons dos braquetes Golden®

quando comparados com os demais grupos. Por meio da MEV, os braquetes Ni-free

e Golden® aparentemente apresentaram superfícies menos irregulares.

      Os braquetes Golden®, que também surgiram como alternativa de tratamento

para pacientes que apresentam algum tipo de resposta do sistema imunológico às

corrosões, neste estudo, mostraram uma diferença em relação aos braquetes Ni-free
                                                                       Discussão    52


e de aço inoxidável. Os resultados apresentaram um índice menor de liberação do

níquel e manganês nestes braquetes e, portanto, cumprindo com o propósito de sua

fabricação, que seria de diminuir a tendência à corrosão dos mesmos. Tamura et al.

(2002) e Scarano et al. (2003a) concluíram que o TiN é biocompatível, o que vai de

acordo com os achados desta pesquisa. Os resultados desta pesquisa indicam que

o uso do TiN na Ortodontia ainda está começando e requer muito estudo e muitos

experimentos laboratoriais, mas que o material já demonstra resultados favoráveis à

sua utilização.

       Mesmo sendo um estudo in vitro, os resultados da microscopia eletrônica e da

espectrofotometria nos levam a tomar algumas precauções em relação ao uso

desordenado de metais na clínica ortodôntica. Embora a grande maioria dos

acessórios ortodônticos seja confeccionada com ligas metálicas, existem acessórios

que não são, ou que possuem uma quantidade reduzida de metal. A possibilidade

de substituição de um metal conhecidamente corrosivo por outro de menor

coeficiente de corrosão ou por outro material deveria ser levada em consideração

com mais freqüência.

       Sugere-se a utilização de questionários simples, em consultas, para saber se

o paciente é alérgico a metais. Quando, como e por que o paciente descobriu a

alergia e se faz algum tipo de tratamento. É importante saber se o paciente já fez

algum teste específico para descobrir essa alergia. Se nunca fez, talvez fosse útil um

patch-test para uma resposta mais específica da alergia diagnosticada. O

questionário deveria ser aplicado e analisado junto com o diagnóstico e o

planejamento do paciente. Apesar da pequena prevalência de alergia a metais,
                                                                         Discussão    53


deve-se preocupar com o bem-estar dos pacientes. A resposta alérgica resultante do

uso do aparelho ortodôntico é uma situação preocupante e, portanto, o diagnóstico

precoce visa um planejamento para se diminuir o risco desse efeito adverso ocorrer.

      As limitações e dificuldades encontradas neste estudo foram muitas. Iniciando

pelo foco da pesquisa, que é a corrosão metálica de aparelhos ortodônticos. Existem

diversos trabalhos sobre o assunto, mas cada um segue uma linha diferente, com

metodologias distintas. O uso do Nitreto de Titânio como revestimento para

braquetes é uma inovação e, por isso, há poucas referências em Ortodontia. Por

outro lado, clinicamente, o uso de braquetes Ni-free e de aço inoxidável já é

amplamente difundido e aceito pelos ortodontistas. Estudos sobre braquetes

revestidos por TiN e sua aplicação em pesquisas clínicas seriam de muita

importância   quanto   a   sua   eficácia   e   eficiência   mecânica   além   de    sua

biocompatibilidade. A necessidade de utilização de laboratórios e a realização da

espectrofotometria foram as maiores dificuldades para a realização deste trabalho.

Os laboratórios precisam ser bem equipados e a regulagem do aparelho para a

espectrofotometria deve ser muito precisa, pois os limites de detecção de alguns

metais são muito baixos, necessitando assim de uma sensibilidade maior do

aparelho.

      Com base nas análises realizadas no presente estudo, sugere-se que os

braquetes mais biocompatíveis são os Golden®, ou seja, braquetes manufaturados

com aço manganês revestidos por uma fina película de nitreto de titânio. Por meio

da espectrofotometria, foi demonstrado que estes braquetes tiveram a menor

liberação de íons níquel e manganês quando comparados aos braquetes de aço
                                                                      Discussão   54


inoxidável tradicional e aço manganês. Entretanto, a sua eficiência clínica deve ser

melhor avaliada.

      Dando prosseguimento a este estudo, sugere-se, para um futuro trabalho, a

avaliação das forças de atrito do fio ortodôntico nas canaletas dos braquetes

revestidos com nitreto titânio ao mesmo tempo em que se avalia sua eficiência em

relação aos torques e angulações embutidas nos braquetes Golden®, em

comparação a       outros tipos de braquetes. Assim,       além de comparar a

biocompatibilidade destes braquetes, haverá também como afirmar se o braquete

Golden® é adequado ou não para toda mecânica aplicada na Ortodontia e se este

atende às necessidades clínicas dos ortodontistas.

      A principal contribuição deste trabalho foi o estudo de um braquete que surge

como alternativa de tratamento para pacientes possivelmente alérgicos a metais e

compará-lo com braquetes que já são amplamente utilizados.
7 CONCLUSÕES
                                                                                  56


7     CONCLUSÕES



Com base nos resultados obtidos, conclui-se que:

7.1   Os três tipos braquetes estudados, sobretudo os de aço inoxidável,

      apresentaram sinais de corrosão após 84 dias de imersão em saliva artificial.

7.2   Os braquetes revestidos por nitreto de titânio e os de aço manganês exibiram

      superfícies mais uniformes que os braquetes de aço inoxidável. Quanto aos

      íons metálicos liberados no processo de corrosão, constatou-se que as

      maiores concentrações de níquel foram detectadas nos extratos dos

      braquetes de aço inoxidável. Nos referidos extratos, a concentração de íons

      manganês aumentou progressivamente até os 84 dias de imersão em saliva

      artificial, enquanto que nos extratos dos braquetes de aço manganês, a maior

      liberação iônica ocorreu aos 63 dias. Para os braquetes revestidos por nitreto

      de titânio, a concentração de íons manganês permaneceu praticamente

      inalterada. A liberação de cromo nos extratos dos três tipos de braquetes foi

      inferior a 0,10g/mL.
REFERÊNCIAS
                                                                                              58


                                      REFERÊNCIAS1


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ANEXO
                                         Anexo   62


ANEXO A - Parecer da Comissão de Ética

						
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